A Infalibilidade da Escritura

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Porque a Escritura é a Palavra de Deus, ela é perfeita também. Encontrar erro na Escritura é encontrar erro em Deus. Receber a Escritura como algo menos que infalível, é negar a imutabilidade e soberania de Deus.

João 10:35 ensina claramente a infalibilidade da Escritura. Nesse versículo Jesus diz: "A Escritura não pode ser anulada." Ele usa o singular, Escritura, para mostrar que a Bíblia é a Palavra de Deus, embora tenha sido dada através de muitos e diferentes homens e tempos. Porque ela é uma, qualquer tentativa de alterá-la é uma tentativa de destruí-la. Ninguém pode tirar qualquer parte dela ou negar que elas são para sempre verdadeiras, sem deixar apenas ruína atrás de si.

É interessante que Jesus não somente diz que não podemos anular a Escritura, mas também que ela não pode ser anulada. Ele quis dizer que todos os esforços dos homens para encontrar erro na Escritura, ou invalidar suas demandas, são em vão. Eles estão, quando "acham" falta na Escritura, tomando conselho contra o Senhor e contra o seu Ungido, e aquele que habita nos céus ri deles (Sl. 2:2-4). Eles, não a Escritura, são quebrados pela inquebrável Palavra de Deus quando alegam achar falta nas palavras ou ensinos da Escritura, pois por tais esforços eles ficam debaixo do juízo de Deus.

O contexto de João 10:35 é importante também, onde Jesus cita o Antigo Testamento para apoiar sua reivindicação de ser Deus. Ele refere-se ao Salmo 82:6, que chama os governantes terrenos de deuses. Ele diz que se eles podem ser chamados de deuses, então certamente ele, que tinha sido santificado e enviado pelo Pai ao mundo, não deveria ser acusado de blasfêmia, quando disse: "Eu sou o Filho de Deus." Sem entrar na questão de como os governantes terrenos podem ser chamados de deuses, deveríamos observar que essa é uma declaração impressionante. Não ousaríamos dizer isso se não estivesse na Escritura, e mesmo então provavelmente encontremos dificuldade em entendê-la. Jesus assume que a declaração deve ser verdadeira e um guia infalível simplesmente porque é encontrada na Escritura. A simples forma como ele cita e usa a Escritura é uma grande lição para nós sobre o tema "a Escritura não pode ser anulada."

É significante, também, que Jesus refere-se a essas palavras do Salmo 82 como "lei." Ele quer dizer que toda a Escritura, por ser a infalível Palavra de Deus, é a regra divina para a nossa vida toda. Não há nada na Escritura que não seja a vontade de Deus para nós, nem existe qualquer conselho que precisemos que não seja encontrado na Escritura. Histórias, poemas, profecias, cartas – tudo é lei de Deus para nós. Esse talvez seja o ponto mais importante de todos. Não é suficiente simplesmente dizer que a Escritura é infalível e inerrante. Devemos também nos curvar diante dela, submetermo-nos ao seu ensino em cada ponto, e recebê-la como dispostos e obedientes servos de Deus. De outra forma, nossa confissão de inspiração e infalibilidade é mera hipocrisia.

Você crê que a Escritura é infalível? Então faça essa pergunta para si mesmo: "A Escritura é a lei de Deus para mim em tudo o que creio e faço?"

Fonte (original): Doctrine According to Godliness, Ronald Hanko, Reformed Free Publishing Association, pp. 19-20.
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Caderneta de poupança CéuInvest: Receba cem vezes tanto...

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Um dos versículos preferidos dos propagadores da Teologia da Prosperidade é, sem dúvida, Marcos 10.30. Após a leitura do texto bíblico em apreço afirmam coisas do tipo: “Oferte com alegria e receba de volta centuplicadamente”.

Os “profetas” se utilizam do já desbotado jargão “pela fé, plante uma semente na obra de Deus” e similares, de maneira a compelir os fiéis a contribuírem com o que tem e o que não tem, sob a promessa de receberem cem vezes a quantia ofertada.

Inicialmente, cabe ressaltar que o versículo em apreço não faz qualquer alusão a contribuições financeiras. A assertiva citada acima é empregada erroneamente. Perceba, a promessa ali contida não diz respeito a bênçãos materiais. Conforme disserta Hank Hanegraaff na excelente obra “Cristianismo em crise”:

“Se a mensagem do ‘cem por um’ fosse mesmo verdadeira, os profetas da prosperidade nunca mais teriam de pedir dinheiro. Pelo contrário, estariam nas ruas doando-o o mais rápido possível, para obter ainda mais. Toda pobreza desapareceria e qualquer cristão que se preze viveria numa mansão. A ‘riqueza dos ímpios’ de fato estaria nas mãos dos ‘afilhados do rei’ (...)”

Se de fato a passagem bíblica falasse em entrega de ofertas, essa seria “a” caderneta de poupança. Céuinvest. Faça a conta: para cada R$ 3,00 ofertados, receba R$ 300,00. Dessa maneira, se você frequentar 100 cultos por ano e ofertar R$ 3,00 em cada um deles, ao final de apenas 3 anos você terá em caixa um valor correspondente a um carro popular e uma casa.

Vejamos o que nos diz o texto em apreço:

“E Jesus, respondendo, disse: Em verdade vos digo que ninguém há, que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou campos, por amor de mim e do evangelho, que não receba cem vezes tanto, já neste tempo, em casas, e irmãos, e irmãs, e mães, e filhos, e campos, com perseguições; e no século futuro, a vida eterna.” (Marcos 10. 29,30)

Claro está que as palavras de Jesus aqui registradas nada dizem respeito a bens materiais e riquezas. De que se trata, então? Daqueles que deixam a casa e a família para obedecerem ao ide de Jesus. Exemplo básico vemos nos missionários que verdadeiramente deixam tudo para mergulharem de cabeça na obra de Deus. Que por vezes deixam o lar e seus entes queridos por amor ao Evangelho e àqueles que ainda não foram alcançados pela Palavra. Não só a eles, mas também a todos os cristãos que, ao ingressarem nessa grande comunidade que é a Igreja, o Corpo de Cristo, tiveram suas relações multiplicadas: cada cristão tem nessa irmandade centenas de milhares de pais, de mães, de irmãos, e de casas. Isso neste tempo. E, por fim, terá a vida eterna.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian
Fonte: [ Em construção ]

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As fases da vida

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Por: Martyn Lloyd Jones

Há fases na vida cristã, como acontece na vida em geral. O Novo Testamento fala do estado de bebês em Cristo, fala acerca do crescimento. João escreve sua primeira carta para crianças, jovens e homens de idade. É um fato; é bíblico. A vida cristã não é sempre a mesma; há começo, continuação e fim. E, por causa dessas fases, há muitas variações.

Os sentimentos são, quiçá, os mais variáveis. Você esperaria ter os sentimentos predominando no início, e é o que comumente sucede. Sucede com muita freqüência que cristãos ficam aflitos porque se lhes foram certos sentimentos. Não percebem que essa diferença se deve à sua maturidade. Porque já não são o que eram, acham que estão lavrando em erro total. Mas, à medida em que crescemos e nos desenvolvemos espiritualmente, têm que ocorrer mudanças, e é claro que essas coisas todas fazem diferença em nossa experiência. . .

Outro dia tive ocasião de ver uma criancinha de cerca de quatro anos, segundo me pareceu, saindo de casa junto com sua mãe, e não pude deixar de sentir-me atraído pelo modo como ela saiu de casa. Não andava; pulava, saltava, dava cabriolas como um cordeiro; mas notei que a mãe simplesmente caminhava. . . há alguma coisa parecida com isso na vida espiritual. Na criança há exuberância de energia, e ela não aprendeu ainda a controlá-la. A mãe, na verdade, tinha muito mais energia do que a filha pequena, embora. . . parecesse ter muito menos porque andava tranqüilamente. Entretanto, sabemos que não é assim. A energia é, realmente, muito maior no adulto, embora pareça maior na criança; e é porque não compreendem esta experiência quanto a diminuir a pressa, que muitos acham que perderam alguma coisa de vital importância e ficam aflitos e deprimidos.

Reconheçamos que há fases. . . que há estágios de desenvolvimento da vida cristã.

Fonte: Spiritual Depression, p. 198,9.
Via: [ Blog Martyn L. Jones ]
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Ganhador do sorteio do livro FIRMES, de John Piper

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Olá pessoal!

Conforme prometido, fizemos o sorteio do novo livro de John Piper e Justin Taylor, FIRMES. Um oferecimento da Editora Fiel.

O ganhador do livro é:

Alessandro Castro

Parabéns! Pedimos que o ganhador nos envie seu endereço completo, com CEP, para enviarmos o livro pelos Correios totalmente gratuito. bereianos@hotmail.com

Sobre o livro:
Se você está fatigado em sua jornada de fé, este livro despertará e solidificará em você a perseverança robusta que exalta a Cristo. E, se você sonha com uma mudança da cultura cristã, de testes breves para uma de compromissos que duram por toda a vida, a oferta de John Piper e Justin Taylor pode servir para selar essa visão em sua mente e coração.

A resposta moderna – e mundana – para melhorarmos a vida é geralmente “siga em frente”. Se o seu casamento tem conflitos, se a sua igreja se esfacela, se o seu chefe o incomoda e as pessoas se opõem a você, abandone-os. Faça uma mudança. Busque o que é melhor para você. Mas a Palavra de Deus mantém um padrão diferente – um belíssimo valor que, embora difícil, leva à mais profunda satisfação e a grande recompensa: perseverança.

Essa perseverança duradoura e firme, que mantém o curso, é especialmente necessária em nossa geração vacilante. Este livro não somente exalta a virtude da perseverança fiel e piedosa, mas também dá testemunho do seu poder diário na vida dos cristãos por meio das experiências de John Piper – que provê o contexto e a perspectiva para todo o livro – e de quatro seguidores de Cristo dedicados que representam diferentes tipos de perseverança.

• Do longo e fiel ministério pastoral de John MacArthur em uma igreja... à obediência radical de Randy Alcorn na causa da vida;

• Da incessante busca de Jerry Bridges por santidade...

À ousada persistência de Helen Roseveare no campo missionário destroçado pela guerra. Se você está fatigado em sua jornada de fé, este livro despertará e solidifi cará em você a perseverança robusta que exalta a Cristo. E, se você sonha com uma mudança da cultura cristã, de testes breves para uma de compromissos que duram por toda a vida, a oferta de John Piper e Justin Taylor pode servir para selar essa visão em sua mente e coração.

Fonte: [ Editora Fiel ]

Eu recebi um exemplar deste livro e estou no meio da leitura. Confesso que estou gostando muito e entrei em um momento de reflexão pessoal que vem me ajudando bastante no meu caminhar cristão atual.


Recomendo a aquisição desde ótimo livro!

Ruy - Blog Bereianos
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Caricatura do Evangelho

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Certa noite assistindo um programa de televisão do gênero evangelístico o tele-evangelista usou o termo “genuíno evangelho”, algo deveras pomposo para uma igreja tida como charlatã e inescrupulosa, de onde provinha o evangelista. É interessante notar que a pretensão supra mencionada não é característica apenas de seitas pentecostais dos nossos dias, foi também com outras no decorrer do cristianismo e que com o tempo foi demonstrada a sua heterodoxia.

Todas as vezes que se deseja referendar um segmento apela-se para a ratificação de que o evangelho deve ser aquele pregado por determinado grupo em crescimento. Até nos parece que o evangelho pregado pelo Senhor Jesus Cristo é um evangelho com pontos difíceis de se distinguir. Ora, esta não é a verdade, certamente. O evangelho é claríssimo e em ponto algum ele é obscuro ou incerto. O problema existente atualmente é a relevância que se dá a determinados conceitos do evangelho ou manifestações deste que são realçados como pontos essenciais nestes dias.

Dessa forma alguns enfatizam mais os dons carismáticos, como profecias, curas e línguas, enquanto outros enfatizam uma libertação social, além de haver aqueles que enfatizam a posição exclusivista auto denominando-se grupo distinto por ser considerado mais velho, mais influente ou mais relevante. Não há dúvidas de que tais discussões são necessárias para que se mostre retumbante o verdadeiro evangelho de Cristo, só que não podemos jamais esquecer que o evangelho em sua essência é simples e ainda que profundíssimo tem o objetivo de ser mais pedagógico do que todos os pensamentos e filosofias dos mais hábeis eruditos.

Este fenômeno existente na igreja brasileira do “evangelho aprovado” não tem levado em consideração algo que é axiomático, principalmente aos herdeiros da reforma ou aos evangélicos que é a aprovação escriturística. De tal forma que nada pode ir além do que está escrito no texto sacro. Ir além disso faz descambar para o misticismo e fanatismo o que é deveras prejudicial.

O crescimento do culto à personalidade nestes dias só tem trazido prejuízos a este desgastado cenário religioso em solo pátrio. Temos os mais variados estilos, desde padres do show bussines, até “apóstolos” bonachões. Estes e não as idéias são priorizadas e instituições inteiras são formadas baseadas neste princípio, a ênfase sobre a personalidade. Não se pode negar que quando a personalidade de um ícone se sobressai, naturalmente vemos seguidores tentando perpetuar a imagem de sucesso, baseados no anseio de também vencer, assim na religião bem como na vida como um todo. Só que o que vemos atualmente não é algo salutar, presenciamos talvez um momento ímpar na história da igreja, onde padrões morais estão sendo reduzidos a quinquilharias do passado e a história de integridade do cristianismo está sendo jogada na latrina.

Qual deve ser o posicionamento do povo de Deus nestes dias? Será sucumbir e entregar-se passivamente aos tempos modernos, ou levantar-se profeticamente contra tudo isso? Certamente a segunda opção é mais atrativa. Nada pode ser mais danoso ao evangelho do que sua imitação forjada que mais lembra uma caricatura satânica, do que as antigas e sutis armas do inimigo. Hoje até mesmo as armas do adversário têm sido no intuito de envergonhar a causa, apresentando uma meia dúzia de patéticas figuras que não tem idéia de suas cômicas existências. O crente fiel ao evangelho deve, portanto, discernir, pois está claro aos olhos exercitados que estes são marionetes de um pseudo evangelho que nada tem a ver com o do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, tão claramente revelado nas páginas das Sagradas Escrituras.

Autor: Rev. Fabiano Ramos Gomes
Fonte: [ Evangelismo e Reforma ]

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Minha declaração de (não) Fé

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Resolvi fazer uma lista de coisas nas quais não creio, uma espécie de não-credo, de declaração de falta de fé, ausência total de comprometimento com as tais, são elas:

Não creio na fé sem amor: não é fé, mas apenas discurso religioso adoecedor.

Não creio na teologia sem amor: não é teologia, mas apenas acúmulo de informação religiosa neurotizante.

Não creio na igreja sem amor: não é igreja, mas apenas ajuntamento de pessoas sob a pseudo aura do "sagrado".

Não creio no ministério sem amor: não é ministério, mas apenas serviço burocrático de indivíduos com mania de divindade exibicionista.

Não creio nas profetadas e suas bizarrices batizadas de "santidade":
não são profecias, mas apenas o ridículo disfarçado de unção.

Não creio nas bênçãos dos profetas da prosperidade: não são bênçãos, porque só quem abençoa é Deus e Ele não compra minha fé.

Não creio nas maldições dos profetas da Al Qaeda divina: não são maldições, são apenas um revanchismo sagrado movido a vingancinhas medíocres.

Não creio em qualquer um...

Não creio em milagre todo dia:
milagre não é rotina, se assim for já não é milagre.
Não creio em gente que cai no "espírito" mas não consegue andar no Espírito.

Não creio em línguas esquisitas quando a mesma língua ainda não foi transformada pelo Espírito da Palavra.

Não creio em "massagens de púlpito", mas em Mensagens do céu!

Não creio em encontros de casais erotizados e vulgares, produtos envergonhados de uma importação da mídia em sua sensualidade abusiva, prefiro encontros de casais que promovam o redescobrir do encanto...

Não creio numa série de outras coisas... mas como dizia Kierkegaard, "Com a ajuda do espinho em meu pé, salto muito mais alto".

Até mais...

Alan Brizotti
Fonte: [ Blog do autor ]

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Soberania de Deus: erro teológico em revista da CPAD

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Uma das mais empolgantes revistas publicadas pela CPAD, em minha opinião; porém, não podemos deixar de comentar o erro encontrado.

Este artigo é uma resposta à lição A Soberania e a Autoridade de Deus

Tive contato com a revista Lições Bíblicas da CPAD, usada na EBD das Assembléias de Deus no Brasil e outras denominações pentecostais, através do meu sogro que é membro desta denominação. Ao folhear essa revista, meio que por acaso, enquanto o esperava chegar do culto no domingo, dei de cara com a lição de n° 6 que será utilizada dia 9 de maio deste ano, intitulada: A Soberania e a Autoridade de Deus. Imediatamente, como bom calvinista, o tema me chamou a atenção, e mais ainda o texto áureo: “Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para uso honroso e outro para uso desonroso? Rm 9:21” que estava em destaque. Em um primeiro momento fiquei surpreso e feliz, por ver um verso desse como tema de uma lição bíblica em uma igreja pentecostal e tendo em vista o grande número de pentecostais que têm entendido e subscrito a soteriologia reformada, imaginei que com esse tema e texto base, não tinha como não se curvar diante da clareza bíblica da soberania divina na eleição. Mas não durou muito a minha alegria, logo na introdução li a expressão: Calvinistas Extremados, então por estar acostumado aos constantes ataques de arminianos em fóruns, artigos e livros, já sabia que tipo de fundamento nortearia todo aquele estudo.

Ao continuar a intrigante leitura, as minhas suspeitas se confirmaram, não era um ataque ao hiper-calvinismo, era uma afronta a soteriologia reformada e bíblica, comumente chamada de calvinismo.A acusação inicial da lição desta revista de lições bíblicas é de que os calvinistas, ignoram o ensinamento bíblico de que Deus age e determina de acordo com seus santos e perfeito atributos, como bondade e santidade, esquecendo-se, como sempre, que a justiça é um dos atributos de Deus. Deus é Justo Juiz e conforme o contexto da parábola do oleiro em Jeremias, Deus retribui a cada um, segundo o proceder, segundo o fruto de suas as ações (Jr. 17:9). Isto também inclui a justa condenação, a reprovação divina é de acordo com o mérito humano, neste caso, a reprovação divina é de acordo com o demérito humano. Até esse ponto parecem todos estarem de acordo, mas o erro está em supor que alguém possa ser um não merecedor da condenação eterna, todos, inclusive os eleitos, são filhos da ira por natureza (Ef. 2:3), ninguém será salvo por mérito próprio . Assim Deus sempre é o Justo Juiz, diante da condição da criatura humana, mesmo que a todos encerrar-se debaixo da condenação eterna, Deus apenas estaria sendo Justo.

O calvinismo ensina que todos os seres humanos são agentes livres no sentido de que eles podem tomar suas próprias decisões a respeito daquilo que querem fazer, escolhendo de acordo com sua própria natureza e consciência. Ai está o problema do homem natural, segundo as Escrituras ele sempre escolhe mal, a não ser que Deus intervenha de forma soberana, quebrando o coração de pedra e dando-lhe o arrependimento para a vida, este continuará em sua rebeldia contra Deus, morto espiritualmente e não podendo escolher as coisas que dizem respeito a salvação da alma, o homem caído ama somente as trevas e jamais escolhe ser de Deus, não pode por si mesmo buscar o bem espiritual (Rom 3:10).
Então as Escrituras ensinam bem mais que somente o cuidado de Deus pelo seu povo, por aqueles a quem molda para serem vasos de honra, exalta também sua soberania, quando de sua livre vontade, resolve endurecer e não usar de misericórdia com alguém (Rom 9:13-18), e acertadamente, diz o autor da lição que para entender a predestinação é necessário ler romanos capítulos 9-11.

O amor de Deus pelos seus, está fundamentado em sua soberana escolha, “Como está escrito: Amei a Jacó, e aborreci a Esaú.” (Rom 9:13), e este aborrecer é mais que “amar menos” conforme Ml 1:3-4 deixa bem claro, ele traz o sentido de rejeição e antipatia.

Curiosamente a revista traz além de vários textos bíblicos maravilhosamente esclarecedores como: ”… O meu conselho subsistirá, e farei toda a minha vontade” ( Is 46:10), uma definição bíblica e ortodoxa da soberania de Deus, contudo, como é de praxe aos arminianos tentar, a todo custo, condicionar a escolha divina dos que serão salvos ao pré-conhecimento das ações de suas criaturas, isso está também presente no estudo em questão, expresso na frase “levando sempre em conta, naturalmente, o livre-arbítrio com que Ele nos dotou”. Ensino esse que não encontra fundamento nas Escrituras. A eleição segundo a presciência de Deus de que fala as Escrituras, não diz respeito as ações das pessoas, aliais, “presciência” nunca é empregada nas Escrituras em relação a eventos ou ações; em lugar disso, sempre se refere a pessoas. Pessoas é que Deus declara que “de antemão conheceu” (pré-conheceu), não as ações dessas pessoas, vejamos o texto usado na revista:

“Nossa eleição, portanto, tem como base a soberania e a presciência divinas: eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: graça e paz vos sejam multiplicadas (1Pe 1:2)”

Quem são “eleitos segundo a presciência de Deus Pai”? O versículo anterior nô-lo diz: a referência é aos “estrangeiros dispersos”, isto é, a Diáspora, a Dispersão, os judeus crentes. Portanto, aqui também a referência é a pessoas, e não aos seus atos previstos. Se Deus escolhesse os homens baseado nas futuras ações humanas, a salvação seria por méritos previstos, mas o certo é que para as boas obras fomos escolhidos e não por causa delas. (Ef 1:4).

A revista parece mais confusa ainda, quando resolve definir predestinação e como que fugindo do argumento da eleição condicionada ao pré-conhecimento, agora usa João 3:16 para afirmar que Deus predestinou todos os seres humanos à vida eterna, é isso mesmo, o texto usado para falar de predestinação é exatamente o que nada fala sobre isso, mesmo tendo a Bíblia mais de 50 versículos que claramente fazem referência a escolha de Deus daqueles a quem soberanamente salvaria, o único texto que o autor consegue enxergar como resposta a este dilema milenar da cristandade segundo ele de fácil compreensão é que “Deus amou o mundo” como se a expressão de sua benevolência significasse que Deus ama com amor eletivo toda e cada criatura humana, inclusive Esaú, enquanto que nem o verso e nem o contexto a nada disso sugere, pelo contrário, é onde Jesus a muitos confunde com sua assertiva de que ninguém pode ver o reino de Deus, sem antes nascer de novo. Outros textos que falam claramente que os nomes dos eleitos estão escritos no livro da vida antes da fundação do mundo (Ap 13:8), propositalmente ficam fora do estudo que ainda afirma que Deus jamais predestinaria alguém para a condenação eterna, contrariando claramente textos como 1Pe 2:8, Rom 9:22, Jd 1:4, At 13:48 e Prov 16:4.

A predestinação sugerida pelo autor não é a mesma ensinada pelas Escrituras, aquilo que Deus determina, ordena, predestina, tem um fim certo e não pode ser mudado, nem mesmo pela livre agência humana, que não é o mesmo que o livre arbítrio arminiano, onde supostamente Deus abre mão de sua jurisdição e governo para dar ao homem a real oportunidade de escolher e criar realidades, sendo assim uma espécie de co-criador, mas a verdade é que o homem nunca é livre metafisicamente de Deus. A revista ensina que a predestinação para a salvação (mesmo sendo baseada na onisciência como defendido antes), não é garantia de nada, não implica em uma certeza absoluta que aquela pessoa predestinada será salva, enquanto isso as Escrituras Sagradas declaram: Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou. (Rom 8:29-30).

Podemos facilmente perceber que os indivíduos são os mesmos, do início ao fim do processo, desde o conhecimento de nossas pessoas por Deus na eternidade, que entendemos ser o amor eletivo de Deus (pois conhecer no sentido de “tomar ciência”, à todos e tudo Deus conhece) até à justificação, existe uma corrente onde os elos são os mesmos, inquebráveis até o fim, ou seja, os mesmo que são predestinados para a salvação são definitivamente glorificados e levados ao céu, não pode falhar porque faz parte do plano eterno e perfeito de Deus para sua própria glória, e Jesus certamente tem poder para cumprir a vontade do Pai: “E a vontade do que me enviou é esta: Que eu não perca nenhum de todos aqueles que me deu, mas que eu o ressuscite no último dia.” (Jo 6:39).

A lição da revista Lições Bíblicas da CPAD é uma tentativa tímida e inútil de conciliar doutrinas inconciliáveis, à saber, o ensino clássico da Soberania de Deus com a tese arminiana do livre-arbítrio, para tal, é capaz de recorrer à métodos, em muito, parecidos com o das literaturas sectárias, como a revista sentinela dos Testemunhas de Jeová, onde é comum encontrarmos afirmações teológicas fundamentadas em textos claramente distorcidos, fora de seus contextos ou que simplesmente nada falam sobre o assunto ao qual é associado.

É lamentável ver uma revista aparentemente séria como esta da CPAD, além de claramente distorcer textos bíblicos para sustentar sua posição e de vetar com esse discurso autoritário qualquer possibilidade de debate, e a liberdade de pensamento e consciência de cada crente que se utiliza de seu material para estudar as Escrituras, ainda com tom de chacota distorce as palavras de Calvino, insulta os calvinistas, e estigmatiza em sua literatura a posição soteriológica reformada, sustentada por diversas denominações sérias e históricas de nosso país, isso me faz lembrar as palavras de queixa do irmão A. S. Pettie, quando ele diz: “De lábios hostis, uma afirmação justa e correta da doutrina, nunca é ouvida”.

Por Djalma Oliveira Santiago
Fonte: [ Presbiterianos Calvinistas ]
Via: [ Soberania de Deus ]

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Teologia Drag Queen

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Ao contrário da forma pela qual costumam falar, os defensores da teologia relacional de Deus não estão necessariamente explorando um novo e excitante território. Como disse Salomão, "o que foi é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer; nada há, pois, novo debaixo do sol. Há alguma coisa que se possa dizer: isso é novo? Não! Já foi nos séculos que foram antes de nós" (Ec 1.9, 10).

O Pregador sabia disso muito bem, tendo experimentado pessoalmente as vãs folias, e suas obras falam sobre o assunto em questão. A doutrina relacionai de Deus é meramente uma reedição de uma das mais detestáveis partes da teologia do século 16, com Socínio. Ou, mais recentemente, a teologia relacionai de Deus é uma versão rebatizada daquilo que tem sido formado na Universidade de Chicago há pelo menos cinqüenta anos sob a liderança da teologia do processo. Provemos a validade do provérbio de Salomão: "não há nada novo debaixo do sol". O ensino relacional de Deus é uma antiga heresia.

Socinianismo

Nos primeiros anos da Reforma, Calvino tinha grande esperança de avançar a doutrina protestante na Polônia. O rei polonês, Sigusmund Augustus, tinha alegremente recebido encorajamento regular e conselhos de Genebra. De fato, Calvino dedicou seu comentário sobre o livro de Hebreus ao rei, que também tinha as Institutas lidas e expostas em sua presença duas vezes por semana por um pastor italiano. Nesse tempo, muitos viam os poloneses como tendo a possibilidade de se desenvolverem em uma nação totalmente protestante, onde a teologia reformada poderia verdadeiramente lançar raízes e florescer. Infelizmente, ainda durante a vida de Calvino, provou-se que esse não era o caso. O povo polonês tornou-se totalmente receptivo à teologia anti-trinitariana, e logo formou uma forte comunidade unitariana-anabatista, que, mais tarde, tomou o nome de seu mais influente mestre, Fausto Socínio.

Fausto nasceu em Siena, Itália, em 1539. Seu tio, Laelius Socínio, foi um teólogo influente, conhecido por experimentar os ensinos anti-trinitarianos e outras extravagâncias heréticas. Laelius se empenhou na discussão teológica com Calvino, Melanchton e Bullinger. Calvino o advertiu sobre os perigos de seus ensinos, mas isso foi em vão. Laelius morreu, sem arrependimento, em 1562, e Fausto continuou a obra de onde seu tio havia parado. Trabalhando com uma hermenêutica altamente racionalista, Fausto Socínio experimentou várias heresias cristológicas enquanto vivia em Lyons, Florença e Basiléia, eventualmente se estabelecendo na Polônia com a já formada Igreja Unitariana. Embora tenha se recusado a ser batizado pela Igreja na Polônia, logo ele se tornou seu mais famoso porta-voz.

Juntamente com seus ensinos anti-trinitarianos, Socínio afirmava a posição pelagiana da expiação (a crucificação serviu como um exemplo para nós, mas o perdão é encontrado somente por meio de nosso próprio arrependimento e boas obras), negando tanto a predestinação quanto a presciência. No fim do século 17, Francis Turretin fez um contraponto com os ensinos de Socínio em suas Institutes of Elenctic Theology. De fato, as Institutas de Turretin parecem um jogo cósmico no qual a bola está presa a um poste, por uma corda, recebendo pancadas de todos os lados, com Socínio sendo espancado em todas as páginas. Embora Socínio defendesse várias outras heresias, é sua posição sobre a presciência de Deus que é mais relevante aqui. Turretin descreve muito bem a posição de Socínio.

“Outra questão de grande importância se refere ao futuro contingente das coisas, o conhecimento do qual os socinianos se esforçam para que Deus estabeleça mais facilmente a diferença entre livre vontade (sua liberdade de toda necessidade, até mesmo daquilo que é geralmente empregado pela presciência de Deus)... eles abertamente afastam dele o conhecimento de contingências futuras como não sendo o tipo de coisas que se possa saber, dizendo que ele absolutamente não as conhece ou que só as conhece como probabilidade indeterminada. Socínio diz: "Já que não há razão, nenhuma passagem da Escritura da qual possa ser claramente inferido que Deus conhece todas as coisas antes que elas aconteçam, nós devemos concluir que não devemos afirmar que Deus tenha essa presciência, especialmente quando muitas razões e o claro testemunho não pedem isso, e até se opõem totalmente a isso".

Teologia do processo

O ensino de Socínio dominou a Polônia durante o século 18 e serviu como precursor do criticismo racionalista do século 19. Uma seita específica que se desenvolveu a partir do criticismo do século 19 foi a teologia do processo, a "filha intelectual" de Alfred Whitehead (1861-1947). Whitehead, filho de um vigário da Igreja da Inglaterra, foi um matemático e filósofo do início do século 20. Whitehead começou a se intrometer em teologia por causa de suas próprias teorias sobre a natureza do tempo e sobre como os eventos acontecem no tempo. Para Whitehead, o processo era fundamental. O tempo, em vez de fluir como uma corrente estável, "vem à existência em pequenas porções". Em cada momento, todas as entidades reais são intuitivamente sentidas (na terminologia de Whitehead, "preendido"). Quando o momento formador culmina, desfrutando de sua imediaticidade subjetiva, então ele preende todas as outras entidades reais. Essa metafísica, embora não muito excitante ao redor da mesa, foi aplicada vigoramente à área da teologia por um dos alunos de Whitehead, Charles Hartshorne.

Embora Whitehead tenha aplicado sua especulação à teologia, ele sempre foi um matemático de coração, e sua aplicação teológica nunca pareceu ser o material de que os sermões são feitos. Hartshorne, por outro lado, pegou a metafísica de Whitehead e a descrição da Divindade que Socínio tinha feito e, com as duas, fez uma religião à qual qualquer racionalista poderia pertencer. Hartshorne, embora nunca tenha sequer passado perto de fingir que a Escritura fosse autoritativa (ou pelo menos relevante para esse assunto), enfeitou a teologia do processo com uma vestimenta cristã de festa. O que era filosofia com Whitehead tornou-se teologia com Hartshorne.

Hartshorne claramente viu a teologia do processo como um reavivamento sociniano.

Nós temos alguma outra razão para rejeitar que a velha proposição sociniana de que até mesmo a mais elevada forma concebível de conhecimento é do passado-e-definido como o passado-e-definido e do futuro e parcialmente indefinido como futuro e parcialmente indefinido?... Deus é onisciente? Sim, no sentido sociniano. Nunca uma grande descoberta intelectual pas¬sou pelo mundo de forma tão discreta do que a descoberta sociniana do sentido próprio de onisciência. Até hoje as obras de referência falham em nos falar sobre isso... Como dizem os socinianos, de uma vez por todas, os eventos futuros, eventos que ainda não aconteceram, não podem ser conhecidos, e a alegação de conhecê-los só pode ser falsa.

A inexistência do futuro é importante para os teólogos do processo pela mesma razão que a impossibilidade de presciência foi importante para Socínio. Um futuro concreto significa que, de algum modo, todas as ações são restritas. Já que a teologia do processo requer o mesmo tipo de vontade autônoma como o socianismo, a teologia do processo também vê a mesma solução negar algum conhecimento do futuro.

Sua exegese, embora alegue pertencer, sempre tão obscuramente, ao Cristianismo, nunca se submete à Escritura. Em vez disso, Hartshorne e os adeptos atuais da Teologia do Processo somente se preocupam com o criticismo que recebem da Filosofia, repudiando qualquer apelo à Escritura como divagação de fundamentalistas ignorantes.

Os Sociníanos sacrificaram a presciência de Deus por causa de uma existência capaz de ter um livre arbítrio absoluto. Os teólogos da Teologia do Processo e da Teologia Relacional fazem o mesmo.

Autor: B. Merkle
Fonte: [ Josemar Bessa ]

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Edificando em falso fundamento

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Por: João Calvino


Porque ninguém pode lançar outro fundamento (1Co 3. 11,12). Esta sentença consiste de duas partes, a saber:

(1) que Cristo é o único fundamento da Igreja; e

(2) que os coríntios haviam sido apropriadamente fundados sobre Cristo através da pregação de Paulo.

Por isso, era necessário que fossem reconduzidos somente a Cristo, pois seus ouvidos se cocavam freneticamente por novidades. Era uma questão de grande importância que Paulo fosse conhecido como o principal e (se assim posso afirmar) fundamental arquiteto, de cujo ensino os coríntios não poderiam afastar-se, sob a pena de renunciar ao próprio Cristo. Resumindo: a Igreja deve estar total e definitivamente fundada exclusivamente sobre Cristo; e Paulo desempenhava seu papel, a este respeito, entre os coríntios tão fielmente que seu ministério não deixava nada a desejar.

Segue-se que, quem quer que viesse após ele não poderia servir ao Senhor conscienciosamente, ou ser ouvido como ministro de Cristo de algum outro modo além de esforçar-se em tornar o seu ensino como o dele, e manter o fundamento que ele lançara.

Daqui podemos chegar a certa conclusão sobre aqueles que, quando seguem os genuínos ministros, não se preocupam em adaptar-se ao seu doutrinamento e seguir de perto um bom princípio a fim de fazer perfeitamente claro que não se ocupavam com novidades. Podemos concluir, pois, que eles [coríntios] não estavam trabalhando fielmente para edificar a Igreja, senão que eram seus demolidores. Pois o que é mais destrutivo do que confundir os crentes bem fundamentados na sã doutrina com um novo gênero de doutrinamento, de modo que não sabem com certeza onde estão ou para onde vão? Por outro lado, a doutrina fundamental, que não pode ser subvertida, é aquela que aprendemos de Cristo. Porquanto Cristo é o único fundamento da Igreja. Mas são muitos os que usam o nome de Cristo como cegos, e reviram de ponta cabeça a verdade universal de Deus.

Portanto, observemos como a Igreja é adequadamente edificada sobre Cristo, a saber, se exclusivamente ele é posto como justiça, redenção, santificação, sabedoria, satisfação, purificação, em síntese, como vida e glória; ou, se se preferir de forma mais breve, se ele é pregado de tal forma que seu ofício e virtude são entendidos da forma como são apresentados no final do primeiro capítulo. Ora, se Cristo não é adequadamente conhecido e lhe é simplesmente atribuído o nome de Redentor, enquanto que, ao mesmo tempo, a justiça, a santificação e a salvação são buscadas em outras fontes, ele é lançado para fora do fundamento e pedras falsas são postas em seu lugar. Temos um exemplo disto no procedimento dos papistas, ou seja, ao despirem Cristo de quase todos os seus ornamentos, e não lhe deixam quase nada senão um simples nome. Tais pessoas, pois, não estão de forma alguma sendo fundamentadas em Cristo. Ora, visto que Cristo é o fundamento da Igreja em razão de ser ele a única fonte de salvação e vida eterna, em razão de que é nele que conhecemos Deus o Pai e em razão de se achar nele a fonte de todas as nossas bênçãos - então, se não é reconhecido como tal, ele, imediatamente, cessa de ser o fundamento.

Pode-se, porém, perguntar se Cristo é somente uma parte, ou é ele o originador da doutrina da salvação, porquanto o fundamento é apenas uma parte do edifício. Porque, se tal é o caso, os crentes fariam de Cristo só o ponto de partida, sendo levados à complementação sem qualquer conexão com ele, e de fato Paulo parece sugerir isto. Minha resposta é que este não é o significado do que ele diz, de outra sorte ele estaria se contradizendo ao dizer em Colossenses 2,3 que "todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos nele". Portanto, a pessoa que tem "aprendido Cristo" (Ef 4.20) já se acha plenificada de todo o ensino celestial. Porém, visto que o ministério de Paulo se preocupava mais em estabelecer os coríntios do que em erguer em seu meio a parte mais alta do corpo do edifício, ele apenas mostra aqui o que já fizera, a saber, que ele pregara Cristo, pura e simplesmente. Por esta razão, pensando no que fizera, Paulo chama Cristo de o fundamento, mas não significa que ele exclui Cristo do resto do edifício. Em outras palavras, ele não põe algum outro tipo de ensino em contraste com o conhecimento de Cristo; ele está, antes, realçando a relação existente entre ele [Cristo] e os outros ministros.

Mas se alguém edifica sobre este fundamento. Ele persiste no uso da metáfora. Não era suficiente - que o fundamento houvesse sido assentado, se toda a superestrutura não lhe correspondesse. Pois, visto que seria absurdo construir com material inferior sobre um fundamento de ouro, então é algo perverso sepultar Cristo sob outras doutrinas sobrepostas por homens. Portanto, Paulo quer dizer por "ouro, prata e jóias", o ensino que não só se harmoniza com Cristo, mas é também uma superestrutura em harmonia com esse fundamento. Além do mais, não imaginemos que esta doutrina é extraída de outras fontes e não de Cristo, senão que devemos, antes, entender que temos de continuar a ensinar Cristo, até que o edifício esteja completo. Contudo, temos de prestar atenção na ordem de fazer as coisas, de modo que pode-se iniciar com a doutrina geral e o mais essencial dos principais pontos, como o fundamento. Em seguida vem reprovação, exortações e tudo quanto é necessário para a perseverança, o encorajamento e o progresso.

Visto que há pleno acordo sobre o que Paulo quis dizer até aqui, segue-se, por outro lado, que o ensino que é descrito aqui como "madeira, restolho e feno" não se adequa ao fundamento; o ensino, isto é, o que é engendrado pela mente humana e nos é empurrado como se fosse [os próprios] oráculos de Deus. Pois Deus quer que sua Igreja seja edificada com base na genuína pregação de sua Palavra, não com base em ficções humanas; e isto é o que se pode descrever como tudo o que não faz nada na maneira de construir. Nesta categoria estão questões especulativas que geralmente fornecem mais para ostentação - ou algum louco desejo - do que para a salvação de homens.

Paulo faz notório que no fim a qualidade da obra de cada um se fará manifesta; mesmo que ela seja ocultada pelo tempo presente. É como se dissesse: "Pode ser que os maus obreiros vivam enganando, de modo que o mundo não consiga de forma alguma provar quão fielmente ou quão honestamente cada um tenha feito seu trabalho. Mas o que agora se acha, por assim dizer, submerso em trevas, deverá ser destruído diante da face de Deus, e será considerado como algo indigno.

Autor: João Calvino
Fonte: [ O Calvinista ]
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Desafios da apologética Cristã na pós modernidade.

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Pós...o quê?...Não é tarefa fácil definir pós-modernismo. Até porque, há quem diga que só podemos definir um período como “pós” outro, tempos depois do próprio período considerado como “pós”. É a primeira vez em que tal designação é dada à época pelos contemporâneos da própria época. A época pós-moderna, portanto, é em si mesma uma época diferente. É atribuído ao sociólogo francès, Jean-François Lyotard, a autoria da nomenclatura “pós-modernismo”. Em seu “The Post Modern Condition: Report on Knowledge”, Lyotard legitimiza o nome que simboliza uma mudança cultural caracterizada pela incredulidade. A incredulidade pós moderna, pela definição sociológica, aponta para uma equidade das histórias que são contadas, das narrativas, o que James Sire equiparou à cosmovisão (“O Universo ao Lado”, Edt. Press, p. 214). Logo, pelo âmbito sociológico (aonde a terminologia foi cunhada), dirimem-se as implicações metafísicas, filosóficas, lógicas ou teológicas que da abrangência da mentalidade, pois a sociologia está mais interessada em definir padrões de comportamento, não havendo sociedades mais padrões epistemológicos mais ou menos corretas, mas diferentes.

Associar metanarrativas a cosmovisões é um exercício intelectual válido, posto que a essência metafísica na pós modernidade dá lugar à filosofia da linguagem: Nós, nesta época, construímos o significado das coisas. A realidade não segue o fluxo do ser para conhecer, mas do conhecer para ser, ideal iniciado em Descartes (1596-1650). A filosofia racionalista, preâmbulo do que viria a ser a cerne do pensamento pós-moderno, preocupava-se como conhecemos a realidade, e portanto, como a classificamos. Para muitos, sua ´certeza a partir da dúvida´ inaugura o pensamento moderno e traz consigo uma série de mudanças que eclodem com o ceticismo de Hume e as Críticas de Kant (séc. XVIII). Posteriormente, surge o Idealismo alemão, cuja expressão máxima é Hegel (1770-1831) e a loucura de Nietzsche (1844-1900), para muitos, o primeiro grande expoente daquilo que podemos chamar de pós-moderno. De fato, em muitos aspectos, o pós-modernismo começa com Nietzsche.

Os ideais de supervalorização do homem que permearam o Idealismo, por exemplo, sucumbem diante da negativa da existência de Deus, de qualquer Absoluto moral e do conseqüente (e inevitável) pensamento que nós não passamos de um nada (niilismo).

A “esperança” para que não sucumbíssemos ao desespero melancólico propagado por Nietzsche é que construíssemos nossa realidade, e muitos acadêmicos voltaram-se a buscar significado em meio a isto tudo perguntando qual tinha sido o objetivo do homem através de sua história em perguntar. Isto que vos falo encontra-se no âmbito filosófico. Associe o que estava acontecendo em outros campos, na era moderna: A monarquia francesa era decapitada, e a igreja católica viu-se tendo de enfrentar uma realidade nova, iniciada na Reforma: a de que pessoas simples poderiam (e iriam) pensar, e questionar; A Bíblia era “desconstruída” pelos estudos de Astruc, e, na busca de um significado unificador, promoveu-se uma “colcha de retalhos” de símbolos, autores e interpretações, o que caiu bem à tendência européia de então de fugir do ortodoxo. O heterodoxo era mais bem aceito, afinal pilares seculares e até milenares estavam sendo reavaliados.

Revoluções

Ao fim do século XIX eclodem as idéias de Darwin e Freud – o primeiro “demitizando cientificamente a Bíblia” e colocando o homem como mais um no eterno processo natural de criação-evolução, enquanto o segundo introduz a idéia do ´Complexo de Édipo´, resumindo todos os anseios do homem ao sexo e negando a alma e qualquer sinal de divindade no homem.

Na melhor das hipóteses, portanto, o pós-moderno é sim um adendo do moderno. Uma ramificação natural de um caldeirão que está em ebulição desde o fim da Renascença. Estamos vivendo a continuidade de uma mescla de pensamentos contraditórios, como a própria época, e a análise que temos de fazer da mesma deve seguir os passos de Kuhn no seu “A Estrutura das Revoluções Científicas”: os fatores agregados e imperceptíveis aos olhos dos menos observadores, políticos, históricos, culturais, sócio-econômicos, não são meros coadjuvantes na história das revoluções, mas protagonistas. Logo, a tarefa do teólogo e do pastor é saber visualizar bem quais foram as tendências que culminaram nos processos atuais, que por sua vez constituem-se em novas tendências para futuros processos, ou as nomenclaturas históricas do amanhã.

Perguntas são feitas, a definição da equidade das metanarrativas (Cosmovisões) é advogada pelos sociólogos (não se esqueça: os que ´inventaram´ a nomenclatura), e qualquer tentativa de um retorno a padrões aonde ainda valha a pena refletirmos sobre temas como “Absoluto”, “Ética”, “Virtude”, “Espírito”, “Verdade”, “Bíblia” e “Deus” não somente deve consistir em um padrão epistemológico correto, como (para não fugir das “normas” da pós-modernidade) deve ser visual e efetivamente elegante. Em outras palavras, nossas respostas devem atrair para convencer.

Eis aqui, penso, o grande misto de desafio e oportunidade da Apologética Cristã. Em sua história, a Apologética tem sido pressuposicionalista. Esta forma de pensar foi adequada, penso eu, até Descartes. Não há nada mais belo e efetivo do que o bom e velho argumento ontológico, muito apreciado pelo próprio Descartes. Deus existia porque o próprio ato de pensarmos sobre Ele inferia a idéia de sua existência. Este é o pensamento reverberado de Anselmo de Cantuária, que propagava já no século XI que Deus é o ser de quem não se pode pensar algo maior, senão ele mesmo. Esta era a coroa da inferência a priori da existência de Deus. Portanto, não era errado pressupor a existência de Deus, a priori, pois quando pensamos em algo maior do que tudo o que há, temos a idéia intrínseca de que Deus é maior. Deus, portanto, deveria existir. Kant joga um balde de água fria sobre a menina dos olhos da filosofia cristã acerca da existência de Deus, argumento simplesmente que o simples fato de pensar sobre algo não quer dizer que aquele algo exista (Bertrand Russell, o grande logicista da primeira metade do século XX, aplicou tal idéia ao famoso “bule que ele imaginara estar rodeando o sol, como os demais planetas”. Claro que a idéia era absurda...mas, ninguém podia dizer que tal bule ´não existia´, de acordo com as premissas do argumento ontológico).

Perspectivas

A Apologética Cristã agora tinha um duplo desafio: não somente “crescer”, para não ser confundida com uma mera filosofia cristã, mas "saber crescer". Questões, até então impossíveis, tornavam-se prementes, como as dúvidas sobre a autoria bíblica e, por conseguinte, sua autenticidade inspirativa; a arguição que pedia uma ´prova consistente´ do porquê tínhamos que crer que o Deus judaico-cristão era real e único e qual seria portanto a autoridade institucional da Igreja caso não se encontrasse uma ou mais respostas satisfatórias.

Bertrand Russell, considerado o pai da lógica moderna, desfecha outro golpe contra a filosofia cristã, atingindo outro pilar inabalável de evidência epistemológica da existência de Deus: o argumento cosmológico. Em sua lógica, Russel afirmava que do mesmo jeito que é impossível retrocedermos apenas como casualidades de causa e efeito numa história infinita de eventos contingentes, também seria impossível que houvesse uma divindade ´eterna´ - eternidade dá a entender ´sequência de eventos´, e a isto chamamos tempo. Se existe uma existência, esta tem de ter ´tempo´, logo, Deus não pode ser eterno, pois se for, caímos no mesmo problema de um universo (com seqüências de eventos contingentes) infinito. Em outras palavras, se sairmos do fogo, caímos na frigideira.

A solução para alguns grupos cristãos tem sido a boa e simples tática medieval para o controle dos questionadores: Os que tratam da fé, cuidem da fé... Os que tratam de ciência (leia-se, agora, sistemas epistemológicos válidos), cuidem da ciência. “Fé” virou algo obscuro, uma espécie de metafísica desvairada: um misto de alguma ciência, superstições e muita força de vontade para crer em algo. E algo contrasensual. Não apenas não era (e,observem, ainda não é) justificável acreditar em Deus, ou em absolutos, ou na Bíblia como Revelação, como não é estético, para os padrões de uma elegância epistemológica cada vez mais requerida. Ate mesmo o grande Einstein havia ficado para trás, na Física, por não admitir a incerteza dos localizações e velocidades de partículas sub-atômias. Incerteza esta que fazia desmoronar seu mundo deísta. “Deus não joga dados”, foi uma de suas expressões mais conhecidas. Formava-se um panorama sombrio à vista: Não somos nada mais do que partículas movidas por forças cegas, que obedecem a padrões altamente intricados mas extremamente voláteis, em “eternos” (e inexplicáveis) ciclos de ser e não ser. Deus e o que cremos seriam padrões de pensamento, “formas” que damos ao que vemos, ouvimos, sentimos e falamos. Como diria o célebre agnóstico Carl Sagan, na sua série “Cosmos”, em 1981: “Nós somos apenas uma maneira de o Cosmos refletir sobre si mesmo”.

Mas do que nunca urge uma proposta em forma de resposta apologética por parte da Igreja. Uma que utilize de ferramentais teóricos e eficazes de séculos passados, mas que não se restrinja àqueles. Uma resposta sob os parâmetros da pós-modernidade, mesmo que demonstre, filosófica e teologicamente o quão absurdos são tais parâmetros, como referenciais. Uma resposta que se preocupe em não ser contraditória, como é a pós-modernidade; que não seja excessivamente filosófica, mas que resgate o valor de um empreendimento que se dedique a aliar nosso desejo e certeza de que a Bíblia é a Revelação de Deus e contém as respostas adequadas às dúvidas mais profundas e sinceras dos corações dos homens, com uma crítica bem feita àquelas que viraram marcas registradas do pensamento atual: a “certeza” de que ninguém tem certeza de nada, a defesa de um pluralismo relativista que talvez seja ´a única esperança de paz´, paz esta que só será conquistada com a sublevação de pensamentos metafísicos (leia, inclusive, “Fé”), ecos obscuros de uma época em que o homem de algo criado por si. “Melhor” é viver baseado em “nada”. Esta é uma “certeza”... Ora, mas a primeira das marcas não é que ninguém tem certeza de nada???... É, começamos a vislumbrar uma saída para a contradição que se chama pós-modernismo.

Autor: Artur Eduardo
Fonte: [ Amigos do Puritanismo ]

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