Presente e futuro da igreja evangélica no Brasil

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Nos dois artigos anteriores, analisei o presente da igreja evangélica e as tendências para as próximas décadas. Quero agora fazer algumas recomendações.


Em primeiro lugar, vivemos uma fase passageira na história da igreja evangélica -- a fase do crescimento rápido. Essa fase começou nos anos 50 e, como vimos anteriormente, provavelmente vai acabar entre 2020 e 2030. Disso devemos aprender a lição da precariedade do crescimento evangélico. Ao contrário da Igreja Católica no passado, o mundo evangélico nunca terá ‘clientela cativa’, porque o caminho que o Brasil trilha não é de país católico para país evangélico, mas de país católico para país religiosamente pluralista. E quando o crescimento evangélico cessar, várias coisas podem acontecer. Talvez aconteça apenas uma estabilização na porcentagem de evangélicos, mas é possível também que haja uma queda. Na Coreia do Sul, por exemplo, a porcentagem de evangélicos está caindo ligeiramente. Não sabemos, então, se essa grande comunidade evangélica que se forma atualmente no Brasil vai durar por muitas gerações nem se conseguirá dar uma contribuição importante para a história do país.

Em segundo lugar, a religião evangélica está virando uma religião de massas no Brasil. E o que sempre acontece com as religiões de massas é que elas passam a se parecer cada vez mais com a sociedade. Em vez de transformar a sociedade, a religião é transformada por ela. Isso é normal numa fase inicial. Muitas ‘aberrações’ que acontecem no meio evangélico não me preocupam porque sociologicamente são fenômenos que tendem a acontecer numa fase incipiente. No entanto, depois disso, devemos fazer o que Jesus fez quando começou a se tornar muito popular. Assediado pelas multidões depois da multiplicação dos pães (Jo 5), ele passou a ensinar as demandas do discipulado (Jo 6), mesmo custando-lhe adesões.

Em terceiro lugar, o nosso grande desafio é o desafio ético. Mesmo que os problemas éticos não tenham surgido recentemente, hoje eles são projetados para a sociedade inteira e suas consequências são mais desastrosas. Não conseguimos cumprir Romanos 12 (não se conformar, mas se transformar) justamente porque a transformação não acontece de maneira automática -- é sempre resultado de ensinamento. Onde não há ensino dificilmente a transformação acontece. O que vinga é a lei sociológica, que é a conformidade com a sociedade-ambiente. Perdemos a ética protestante! Perdemos aquela ética da fé transformadora da sociedade e da cultura. Em vez disso, temos o triunfalismo do crescimento numérico, a crença de que vamos dominar o país e reformá-lo à nossa imagem. Perdemos a ética protestante clássica da diligência no trabalho e frugalidade no viver e adotamos a teologia da prosperidade. Substituímos a cosmovisão protestante clássica por correntes novas e cada vez mais exóticas de ‘guerra espiritual’.

Precisamos reexaminar as três tentações de Jesus, que acontecem logo após o seu batismo, quando o seu ministério público está prestes a começar. São tentações ministeriais típicas, que tendem a reaparecer na história da igreja. Representam três maneiras erradas de ser messias e, consequentemente, três maneiras erradas de ser igreja. Há a tentação do triunfalismo encantado com o poder, a tentação do hedonismo, do evangelho que satisfaz os nossos desejos, e a tentação do ‘poder’ em um sentido usado por muitos evangélicos hoje -- a tentação de impressionar e convencer pelo espetáculo.

Perdemos essa ética porque não sabemos discernir a realidade do campo religioso. Há duas pressões muito fortes sobre pastores evangélicos, que dificultam o ensino e a ação éticos. A primeira é a pressão do institucionalismo, isto é, a pressão de colocar a instituição, as demandas organizacionais e o nosso próprio bem-estar dentro da organização acima do reino de Deus. (Não estou falando contra as instituições em si; elas são inevitáveis e necessárias na vida humana, mas sempre trazem determinadas tentações.) Jesus também enfrentou essa situação. À pressão dos profissionais religiosos de sua época, os escribas, ele respondeu: “Não recebo a glória que vem dos homens” (Jo 5.41). Em outras palavras, ele disse: “Não entro no esquema profissional que vocês montaram. Não aceito me enquadrar. Não aceito receber as recompensas que esse esquema oferece, sejam elas financeiras, de “status” ou de poder”. Não estou falando contra o fato de alguém ser profissional da religião. Estou dizendo que é importante que o profissional da religião tenha consciência das tentações típicas de sua profissão e de sua inserção social para saber enfrentá-las.

A segunda é a pressão do mercado religioso. O mercado diz que a igreja tem de estar sempre cheia, e para isso acontecer não é bom ensinar a ética e as demandas do discipulado. Para atrair novas pessoas é melhor repisar as mesmas coisas, e para as pessoas que já estão na igreja há mais tempo e estão um pouco entediadas, em vez de correr o risco de afugentá-las ensinando a ética e o discipulado, é melhor inventar modismos para mantê-las entretidas. Daí a tendência do meio evangélico de ziguezaguear de modismo em modismo, cada um se apresentando como o ‘X’ do mapa do tesouro (“Agora a igreja vai para frente!”). Cinco anos depois, ninguém se lembra mais do que era! Jesus também enfrentou a pressão do mercado religioso. Contra a pressão de ser bem-sucedido numericamente, ele ensinava as demandas do discipulado. Em João 6.60 vemos a consequência disso: “Muitos dos seus discípulos disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir?” E muitos foram embora. Não foi um ‘bom negócio’ para Jesus falar essas coisas. Porém, parafraseando João 12.24, podemos dizer que “a pessoa que não morre para o institucionalismo e para o mercado religioso, não dá fruto para o reino de Deus”.

Nada é totalmente novo debaixo do sol, e houve na história outros momentos parecidos com o nosso. Um deles foi o quarto século, quando o cristianismo se tornou aceitável e depois foi oficializado no Império Romano, e começou a se tornar uma religião de massas. Então surgiu uma reação contrária: o movimento monástico, que tencionava ser contracultural não só na sociedade, mas também na igreja. Foi uma reação em nível micro. Outro momento foi o século 16, quando existia uma igreja triunfalista, supersticiosa e mercantilista. E surgiu a reação reformadora, ou seja, uma reação em nível macro. As duas reações, micro e macro, são válidas e importantes. (Porém, devemos lembrar que hoje não podemos mais reformar a igreja de nações inteiras, como fizeram os reformadores, porque já não estamos na cristandade.)

Na próxima edição, concluirei essa série de reflexões apresentando minha ‘receita’ para fazer com que a igreja evangélica se mantenha numericamente ao longo de várias gerações e deixe uma marca positiva na história do país.

Autor: Paul Freston, inglês naturalizado brasileiro, é doutor em sociologia pela UNICAMP. É professor na Universidade Federal de São Carlos e autor de, entre outros, Religião e Política, Sim; Igreja e Estado, Não, da Editora Ultimato.

Fonte: [ Ultimato ]

Para ler os artigos anteriores que completam este, clique abaixo:

Presente e futuro da igreja evangélica no Brasil (parte 1)
Presente e futuro da igreja evangélica no Brasil (parte 2)


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O escambo nos mocambos espirituais

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Escambo. Prática antiga que consiste na troca direta de bens ou mercadorias.
Mocambo sm. Habitação miserável.

Cerca de dois milênios após a vinda de Cristo na terra, o ser humano parece que ainda não assimilou a razão desse evento e promove uma das realidades mais trágicas da era cristã. E pasmem, a tragédia é originada pelos cristãos.

Nunca a igreja cristã teve total condição de ser o que não é. Nunca a igreja cristã com o tanto que tem fez tão pouco. Nunca a igreja cristã promoveu tanto o que de fato não é. A avareza corporativa e o pragmatismo estrutural da igreja tem alcançado outros espaços e encontra guarida também no coração dos fiéis, fazendo com que as práticas que Cristo combatia em seu tempo sejam hoje praticadas em nome dele.

Existe nos ambientes eclesiásticos uma distorção clara das palavras de Jesus. Os temas do sermão da montanha como o desapego às ilusões dessa vida, o amor ao próximo, a total confiança em Deus, tem sido trocados por mensagens superficiais que não se preocupam com a integralidade da vida humana, mas apenas corrobora para o egocentrismo “cristangélico”. A igreja chegou na pós-modernidade perdendo o seu sentido de existência.

Perdeu-se o seu papel pedagógico, de ensinar com verdade a Verdade, perdeu-se também o seu papel terapêutico, de desenvolver o interesse das pessoas para um relacionamento sincero e sem culpas com Deus. Dessa forma, um lugar que poderia ser o melhor lugar para a convivência de homens e mulheres, está se tornando um espaço trágico para a vida humana.

Por isso tais espaços tornam-se mocambos espirituais e fazem ressurgir a mais antiga das práticas comerciais, o escambo, que negocia e mercadeja “as bênçãos” de consumo. É absurdo como negociam tão facilmente o divino nos espaços sagrados, assim como tentam profanar o que é santo (como se isso fosse possível). Esse sistema primitivo, coisifica, ridiculariza e desumaniza os seus integrantes.

Diante disso, lembro-me da passagem de João 2.15, onde Jesus prepara um azorrague para expulsar os cambistas do templo. Jesus sempre foi misericordioso e compassivo com os pecadores, e assim também devemos ser. Mas a relação com os fariseus e dominadores não era tão branda. Ele sempre combateu o sistema opressor, corrupto e injusto do seu tempo, e como ele é Senhor do tempo, não seria diferente em nossos dias, essa é a nossa esperança.


Ivan Cordeiro, 26 anos, é administrador, teólogo e MBA em Liderança pela Faculdade Teológica Sul Americana, de Londrina, PR. É também idealizador do site Bom Líder (www.bomlider.com.br).

Fonte: [ www.ultimato.com.br ] Via: [ Soli Deo Gloria ]
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Hillsong Church: Polêmicas e escândalos na maior igreja da Austrália

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A Australia é um país onde mais de 60% da população considera-se protestante (apesar de ser um país laico), e pode-se ser considerado um lugar onde o cristianismo pentecostal mais cresce atualmente - isso entre os países ricos. Mas é um país onde se tem discutido extensivamente e abertamente sobre uma famosa igreja, da qual todos os brasileiros cristãos já ouviram falar, viram seus dvd's ou até mesmo compraram os seus cd's.

No início da década de 90, meus pais foram introduzidos a uma nova forma de pensamento cristão. Uma forma bem mais leve que os valores apresentados até então. Era o neo-pentecostalismo da "Teoria da Prosperidade", e me lembro muito bem, quando pela primeira vez (quando tinha entre 9 e 10 anos) ouvi a canção expoente máxima daquele chamado "avivamento": Era Shout to the Lord, canção da ainda desconhecida Hills Christian Center, na tão distante Austrália.

Hoje a poderosíssima Igreja de Hillsong (ou som das montanhas - tradução literal) se espalha pelo mundo: Londres, Kiev, África do Sul, projetos em Ruanda... Mas aqueles anos de ouro já se passaram... Hoje a nação Australiana está em alerta e críticas surgem semanalmente na mídia.

Hillsong a Igreja Que nunca Dorme

No Brasil ela é conhecida pela forma atraente, dinâmica e vibrante. Pelos dvd´s e cd's de altíssima qualidade. A Hillsong é no Brasil o expoente máximo da nova geração de "adoradores" e introduziu no segmento gospel mundial no início dos anos 90 o chamado estilo CW - Contemporany Worship (Adoração Contemporânea). Mas o que não se fala no Brasil – pois os líderes da igrejas no Brasil ainda sofrem com a falta de abertura dos portões de razão e do entendimento – é que a Hillsong se tornou um império multimilionário, muito mal visto pelas comunidades cristãs americana e européia.

Os escândalos e as histórias são incontáveis - se a Igreja Renascer foi alvo de investigações por causa de alguns muitos milhões de dólares, e seus líderes foram presos por enconder alguns outros milhares de dólares ao entrar nos Estados Unidos, imagine só... a Hillsong teve uma renda declarada de mais de 144 milhões de reais(livre de impostos) nos quais somente 4 foram para a caridade... Pra onde foi o resto? Pergunte a eles...

Poder, Prosperidade, Influência Política, Mulheres Perfeitas, Pedofilia, é só o começo....

Imagine uma igreja num país rico, onde seus membros estão entre os mais ricos e influentes do país, e o resto da membresia fica entre a classe média e classe média alta , onde nos cultos se aceita cartão de crédito na hora de recolherem as oferta e as mulheres são ensinadas a ser lindas, magras e perfeitas.

Imagine agora o Pastor desta igreja escrevendo um livro chamado "Por que Deus quer que você seja rico", e o louvor ser considerado o melhor da atualidade. Agora pense grande, imagine o primeiro Ministro desse país vir pessoalmente a sua Igreja e abrir o culto de inauguração do seu novo templo de 25 milhões de dólares?

Imaginou?

Parece o céu não é?

Pois esse é o reino dos céus em que vivem (ou viveram) os membros da igreja Hillsong até o início dos anos 2000 quando Tania Levin foi expulsa de um congresso de mulheres por fazer peguntas sobre o sistema da igreja (financeiramente falando). A pergunta que fizemos acima: "Pra onde foi o resto?", simplificando a pergunta.

Ela Escreveu o livro "Pessoas da casa de vidro" contando a verdade sobre a vida dentro e fora da Igreja. Onde os membros vivem um conto de fadas, e ajudam o império multi-milionário da Igreja crescer a cada dia - alguns estudiosos já consideram esse um dos maiores impérios finaceiro-religioso, depois do Vaticano é claro.

Tania Levin´s e as Pessoas da Casa de Vidro

Nascida e criada na igreja, ainda fala com amor sobre os primeiros anos da então chamada Hills Christian Center, numa zona boêmia de Sydney, ela mantém o mesmo respeito de quando era membra da Igreja ao falar de Brian Houston - pastor da igreja Hillsong e presidente de AOG (Associação das Assembléias de Deus Australiana).

Segundo ela e vários outros que relataram a mesma versão, no final dos 80 um pastor americano veio à igreja e ensinou como "ganhar dinheiro sobre a fé das pessoas". Era a teoria da prosperidade chegando em solo Australiano. Pessoas estavam doando tudo - diz ela : "...Quando eu tinha 24 eu começei a trabalhar com o Exército da Salvação e via muito mais paixão , humildade e serviço neles enquanto na Hillsong, tudo passara e ser simplesmente sobre dinheiro e recrutamento, somar, somar e somar." Disse ela em entrevista ao Talk Show australiano Andrews Interviews, até então ela não se sentia incomodada... mas logo tudo iria mudar.

Quando em 2000 William Francis Houston (conselheiro e pastor da igreja na época), pai do pastor Brian Houston, foi acusado formalmente de abuso sexual masculino na igreja, ele confessou e suas credenciais foram retiradas como pastor da Associação das Igreja Assembléia de Deus.

[NOTA: para os desavisados, a Hillsong é a principal membra da organização que agrega as Assembléias de Deus na Australia - sem conexão com a igreja brasileira].

Ao contrário dos requerimentos legais do estado de Nova Gales do Sul na Austrália, nos quais ele deveria ser reportado as autoridades competentes, nem Brian ou as Assembléias de Deus reportaram o caso às autoridades legais.

Sobre o incidente ela relata:

"...No culto daquela noite não houveram explicações a igreja, nem um pedido de desculpas formal, nem um plano para ajudar as vítimas de tais abusos. A palavra 'abuso' sequer foi usada, usaram a palavra 'recaída moral'. Nada mais.

"...Ele simplesmente pediu para a igreja orar por ele e sua esposa e filhos... E a Igreja se levantou e de pé o aplaudiu... Eu pensei: eles estão loucos?"

"...De fato o que me intrigou mesmo, foi pensar que se eles tratariam desse assunto como se nada grave fosse, e se eles tratam dessa forma tão irrelevante o acontecimento, o que será do que eles tratam de forma privada?"

Foi quando ela foi ao congresso em 2005 e ficou chocada ao ver a foto de um menino africano negro com as mãos amarradas e um cartaz enorme com a seguinte frase: "Você me apadrinharia?". Já conhecendo o sistema de emocionalismo da Igreja para arrecadar dinheiro, ela ficou tão desorientada que disse que pediu explicações sobre o dinheiro e que achava um absurdo uma propaganda tão cruel. Não obteve repostas e foi expulsa da igreja no meio do congresso. O acontecimento saiu no jornal Sydney Herald, importante jornal de Sydney.

[Nota: O pastor Frank Houston faleceu em 8 de novembro de 2004. Em Agosto de 2007 foram divulgados novos casos de abusos sexuais do pastor com pastores aprendizes em seminários durante a década de 80.]

Bobbie Houston a esposa do pastor

Ela ensina que a mulher deve ser linda (no estilo do filme "Mulheres Perfeitas") no sentido de que devem ser bem maqueadas, elegantes. É conhecida por ser uma mulher super estilo "perua", nome pejorativo recebido por um importante jornal local. As mulheres do reino devem ser, como em Provérbios 31, as mulheres devotas (até aí tudo bem).

Ela é Bobbie Houston, esposa do pastor Brian Houston, pastora-líder das mulheres das igrejas Hillsong que escreveu livros e tem suas mensagens em mp3 grátis para download na internet. O mais comentado "produto" dela até hoje chama-se "As mulheres do Reino de Deus Amam Sexo!". O que gerou a ira dos conservadores cristãos mundo afora - menos no Brasil, onde a notícia nem chega e se chegar ignoramos os fatos.

Trechos de uma palavra de Bobbie:

"Ser gorda? jamais!"

"Façam exercícios, se eu estou gorda me sinto como uma retardada..."

"Como iremos impressionar nossos maridos, se estamos tão gordas, que precisamos de um guindaste para sair da cama?"

"Faça uma cirugia plástica... é por uma boa causa e meninas... façam exercícios pélvicos..."

Parece até brincadeira, não? Mas isso está tudo registrado (registros extraídos dos congressos "Colorindo Seu Mundo" - o Congresso Internacional de mulheres da igreja).

Assistindo vídeos da Hillsong você nota umas aspirantes a Paris Hilton nos bancos. Incrível - sem comentários, tirem suas próprias conclusões.

Riqueza

Na verdade Bobbie e Brian Houston e seus filhos vivem confortávelmente na região mais exclusiva de Sydney - Bondi Beach - e têm casas e mansões ao redor da Austrália. Muitos membros da igreja são proeminentes figuras da sociedade, o ex-primeiro Ministro da Australiano John Howard, Secretário do Tesouro, Governador do Estado e outros vários membros do alto escalão do governo, empresários e personalidades da tv, o que tem tornado a igreja um acontecimento político.

Detalhe: A igreja já respondeu por duas vezes por - acredite - fazer "lobby". Isso mesmo, dinheiro de doações da igreja (sem impostos) em favor de jantares para promover candidatos a cargos públicos, o que é ilegal.

Em 2005 o álbum For all you've done foi considerado um dos mais vendidos na história da Austrália. Tantos cd's resultaram em dinheiro que entrou demais sem ser declarado: total de mais de 144 milhões de reais em um só ano. Claro que a igreja mantém algumas empresas: Mercy Ministries que cuida de mulheres abusadas e que recebeu mais de 2 milhões de dólares e outras. Livros, revistas, tv e acredite, faculdade!

Em 2007 foi alvo de duras críticas por parte da mídia, quando um membro da igreja, participante (vejam só) do programa Ídolos - versão australiana - ganhou votos demais depois de cantar a canção "Aclame ao Senhor" em rede nacional e a igreja supostamente teria coordenado votos por telefone. Em suporte ao candidato, a igreja negou tudo.

Em 2008 o caso do câncer falso do Michael Guglielmucci... - que eu chorei e pessoalmente orei tanto quando soube do caso e assisti o clipe antes do escândalo, como depois. E por aí vai.

Os maiores críticos da Hillsong não são os mundanos, mas os cristãos que estão preocupados com os caminhos da igreja, pois é grande, midiática e poderosa. Existe um video chamando Brian Houston de volta pra Deus. Outro dia aquele que vos fala querido leitor, leu em um forum na Internet, onde afirmam que a Hillsong pretende abrir as portas em terras brasileiras - pelo menos é o que os "fãs" da igreja desejam. A minha esperança é que isto não aconteça, já que temos tantas dessas denominações cheias de estrelismo e riquezas sem fim, além de candidatos a cargos públicos e tantas outras coisas... Teríamos nós nos esquecido do alvo? Onde estão as cartilhas protestantes onde as pessoas entendem o que ser cristão realmente significa?

Na verdade eu é que tenho eu minhas dúvidas, de que se Jesus viesse à Terra hoje, Ele seria convidado a entrar nesses templos chiques de 25 milhões de dólares e nas casas tão lindas desses pastores importantes, ou até mesmo para falar nos cultos da igreja, já que Jesus nunca foi Primeiro-Ministro e jamais aspirou cargos públicos. Jesus teve uma mensagem simples de Salvação, Rendenção e Amor. Ver as coisas de Deus se tornarem comércio vendável e rentável é triste, mas é a realidade em que vivemos.

Fontes utilizadas neste artigo:

http://en.wikipedia.org/wiki/Frank_Houston
http://en.wikipedia.org/wiki/Hillsong_Church
http://www.redwatch.org.au/media/080312cena?searchterm=hillsong+keneally
http://www.southsydneyherald.com.au/pdf/SSH_AUG08.pdf
http://www.smh.com.au/news/National/Hillsongs-true-believers
http://www.crikey.com.au/Media-Arts-and-Sports
http://www.abc.net.au/tv/enoughrope/transcripts/s1992756.htm
http://www.smh.com.au/articles/2007/08/03/1185648145760.html
http://www.smh.com.au/articles/2005/07/04/1120329387287.html


Autor: Mauro Guerra

Fonte: [ Amenidades da Cristandade ]


Nota do Amenidades da Cristandade: para saber mais sobre a Hillsong Church, visite o site em português da igreja, que possui um resumo da história e dos ministérios da igreja: Hillsong Church.
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Jesus e a Mitologia Pagã. Dr. William Lane Craig responde.

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Tradução: Marcelo N. Motta

Pergunta:

Dr. Craig,

Obrigado por sua ajuda em tudo que você faz para mostrar a verdade que está em Cristo.

Na verdade eu só tenho uma pergunta, e, para ser franco, ela me frustra inúmeras vezes. Acontece quase todas as vezes que eu debato cristianismo com alguém.

A pergunta, “Jesus é um mito copiado ou uma pessoal real?” é a fonte de objeção que eu recebo a maioria das vezes. Eles listam todas as similaridades entre Jesus e outros deuses e constelações mitológicos e dizem “Vê como são parecidos?”

Parece que não importa como eu refuto certa similaridade entre Cristo e outra crença mitológica, eles não levam muito a sério o que digo, porque respondem que “eu tenho trabalhado muito duro para salvar minha religião.”

Esses argumentos são sólidos? Eles sequer são debatidos nos altos níveis acadêmicos ainda?

Eu realmente gostaria de saber sua visão nesse ponto, pois continuo trombando nisso e francamente estou cansado de tentar refutar cada similaridade.

Obrigado por tudo que você tem feito. Eu já fui um ateu, mas o argumento a favor de valores e deveres morais objetivos foi o que me levou a Cristo. :-)

Kevin

Dr. William Lane Craig responde:

O falecido Robert Funk, fundador do radical Seminário Jesus, reclamava amargamente do abismo que existe entre os principais estudos e as crenças populares sobre Jesus. Funk pensava principalmente sobre a distância entre o pietismo popular e o conhecimento histórico sobre Jesus; mas em lugar algum o abismo é tão grande como entre a irreligiosidade popular e os estudos sobre o Jesus histórico.

O movimento do Pensamento Livre, que alimenta a objeção popular que as crenças cristãs sobre Jesus são derivadas da mitologia pagã, está empacado entre os estudos do final do século XIX. De certa forma isso é impressionante, já que existem muitos estudiosos contemporâneos céticos, como os do Seminário Jesus, cuja obra os livre pensadores poderiam utilizar a fim de justificar seu ceticismo sobre a compreensão tradicional de Jesus. Mas isso só serve para mostrar como esses popularizadores não têm contato com o trabalho de estudiosos sobre Jesus. Eles estão um século desatualizados.

Voltando à época da chamada escola de História de Religiões, estudiosos em religiões comparadas encontraram paralelos a crenças cristãs em outras religiões, e alguns pensaram em explicar que essas crenças (incluindo a na ressurreição de Jesus) foram influenciadas por esses mitos. Hoje, no entanto, raramente algum estudioso pensa em mitos como uma categoria importante para se interpretar os Evangelhos. Os estudiosos perceberam que a mitologia pagã é simplesmente o contexto interpretativo errado para se compreender Jesus de Nazaré.

Craig Evans chama essa mudança de o “Eclipse da Mitologia” na pesquisa sobre a vida de Jesus (veja seu artigo excelente “Life-of-Jesus Research and the Eclipse of Mythology,” Thelogical Studies 54 [1993]: 3-36). James D. G. Dunn começa assim seu artigo sobre “Mitos” no Dicionário de Jesus e dos Evangelhos (IVP, 1993) com a clara rejeição, “Mito é um termo de, pelo menos, relevância duvidosa para o estudo de Jesus e dos Evangelhos.”

Algumas vezes essa mudança é referida como a “rejudaização de Jesus.” Pois Jesus e seus discípulos eram judeus do primeiro século, e é contra esse pano de fundo que devem ser compreendidos. A rejudaização de Jesus tem ajudado a tornar injustificado qualquer compreensão do retrato dEle nos Evangelhos como influenciado significativamente pela mitologia.

Essa mudança é proferida em relação à historicidade dos milagres e exorcismos de Jesus. Estudiosos contemporâneos podem não estar mais preparados para acreditar no caráter sobrenatural dos milagres e exorcismos de Jesus do que os estudiosos de gerações anteriores. Mas eles não estão mais dispostos a atribuir essas histórias à influência dos mitos gregos do homem-divino (theios aner). Antes, os milagres e exorcismos de Jesus devem ser interpretados no contexto das crenças e práticas judaicas do primeiro século. O estudioso judeu Geza Vermes, por exemplo, tem chamado a atenção aos ministérios dos realizadores de milagres e/ou exorcistas carismáticos Honi “o desenhista de círculos” (primeiro séc. a.C.) e Hanina ben Dosa (primeiro séc. d.C.) e interpreta Jesus de Nazaré como um judeu hassídico ou um santo. Hoje o consenso dos estudos sustenta que a realização de milagres e exorcismos (apoiando a questão de seu caráter sobrenatural) pertence, sem sombra de dúvida, a qualquer reconstrução historicamente aceitável do ministério de Jesus.

O colapso da antiga escola da História de Religiões ocorreu por principalmente dois motivos. Primeiro, estudiosos perceberam que os paralelos alegados eram ilegítimos. O mundo antigo era um lugar cheio de mitos de deuses e heróis. Estudos comparativos na religião e literatura requerem sensibilidade às suas similaridades e diferenças, ou o resultado será inevitavelmente distorção e confusão. Infelizmente, aqueles que apresentaram paralelos às crenças cristãs falharam em exercer essa sensibilidade. Veja, por exemplo, a história do nascimento virginal, ou, mais precisamente, a concepção virginal de Jesus. Os paralelos pagãos alegados a essa história são sobre lendas de deuses que se materializaram e tiveram relações sexuais com mulheres humanas para gerar uma prole humano-divina (como Hércules). Assim como esta, essas histórias são exatamente o contrário dos relatos dos Evangelhos, nos quais Maria concebeu Jesus sem ter tido nenhuma relação sexual. As histórias dos Evangelhos sobre a concepção virginal de Jesus são, na verdade, únicas no Oriente Próximo antigo.

Ou considere o evento dos Evangelhos que eu acho mais interessante: a ressurreição de Jesus dentre os mortos. Muitas das alegadas similaridades a esse evento são na verdade histórias apoteóticas, a divinização e assunção do herói ao céu (Hércules, Rômulo). Outras são sobre desaparecimentos, afirmando que o herói foi-se para um plano superior (Apolônio de Tiana, Empédocles). Outras ainda são símbolos sazonais do ciclo das colheitas, conforme a vegetação morre na estação seca e volta à vida na estação chuvosa (Tamuz, Osíris, Adônis). Algumas são expressões políticas de adoração aos imperadores (Júlio César, César Augusto). Nenhuma delas é similar à idéia judaica de ressurreição dos mortos. David Aune, especialista em literatura comparada do antigo Oriente Próximo, conclui, “nenhum paralelo a elas [tradições da ressurreição] é encontrado nos escritos greco-romanos” (“The Genre of the Gospels,” em Gospel Perspectives II, ed. R. T. France and David Wenham [Sheffield: JSOT Press, 1981], pg 48).

Na verdade, a maioria dos estudiosos chegaram a duvidar se, apropriadamente falando, houve realmente algum mito de deuses que morriam e ressurgiam! No mito de Osíris, um dos mitos sazonais mais conhecidos, ele nem chega a voltar à vida, mas simplesmente continua a existir exilado no sub-mundo. Numa revisão recente da evidência, T. N. D. Mettinger informa: “A partir da década de 30… um consenso se desenvolveu ao significado que os deuses, “que morriam e ressurgiam”, morreram, mas não voltaram a viver novamente… Aqueles que continuam a pensar diferente são vistos como sobreviventes de uma espécie quase extinta.” (Tryggve N. D. Mettinger, The Riddle of Resurrection: “Dying and Rising Gods” in the Ancient Near East [Stockholm, Sweden: Almquist & Wiksell International, 2001], pg 4, 7).

O próprio Mettinger acredita que mitos de deuses que morriam e ressurgiam existiram nos casos de Dumuzi, Baal e Melqart; mas reconhece que tais símbolos são bem diferentes da antiga crença cristã na ressurreição de Jesus:

“Os deuses que morriam e ressurgiam estavam muito ligados ao ciclo sazonal. Sua morte e retorno eram vistos como refletidas nas mudanças nas plantas. A morte e ressurreição de Jesus é um evento único, não se repete, e não está ligado às mudanças sazonais… Não existe, pelo o que eu sei, nenhuma evidência clara que a morte e ressurreição de Jesus são uma construção mitológica, baseada nos mitos e ritos dos deuses sazonais das nações vizinhas. Enquanto for estudada com proveito contra o pano de fundo da crença da ressurreição judaica, a fé na morte e ressurreição de Jesus mantém seu caráter único na história das religiões. O mistério continua (Ibidem, pg 221).”

Repare no comentário de Mettinger, que a crença na ressurreição de Jesus pode ser proveitosamente estudada contra o pano de fundo das crenças judaicas da ressurreição (não mitologia pagã). Aqui vemos aquela mudança nos estudos no Novo Testamento que eu apontei acima como a rejudaização de Jesus. A ilegitimidade das similaridades alegadas é apenas uma indicação que a mitologia pagã é o esquema interpretativo errado para compreender a crença dos discípulos na ressurreição de Jesus.

Segundo, a escola da História de Religiões sucumbiu como uma explicação para a origem das crenças cristãs sobre Jesus, porque não houve nenhuma conexão causal entre os mitos pagãos e a origem das crenças cristãs sobre Jesus. Veja, por exemplo, a ressurreição. Os judeus conheciam os deuses sazonais mencionados acima (Ez 37.1-14) e os acharam repugnantes. Por isso, não há traços de culto a deuses sazonais na Palestina do primeiro século. Para os judeus, a ressurreição à glória e imortalidade não aconteceria antes da ressurreição geral de todos os mortos no fim do mundo. É inacreditável pensar que os discípulos originais teriam súbita e sinceramente acreditado que Jesus de Nazaré ressuscitou dentre os mortos apenas porque ouviram sobre mitos pagãos de deuses que morriam e ressurgiam.

Mas, de certo modo, tudo isso é irrelevante à sua pergunta principal, Kevin. Pois, como você mostrou, as pessoas com que você conversa não têm acesso aos estudos. Quando você mostra a elas a ilegitimidade das similaridades alegadas, então é acusado de “ter trabalhado muito duro para salvar sua religião.” Essa é uma situação que você não pode vencer. Então, estou inclinado a dizer-lhe que você não deveria ocupar-se em “tentar refutar cada similaridade.” Antes, eu acho que uma atitude mais genérica e desinteressada de sua parte pode ser mais eficaz.

Quando eles disserem que as crenças cristãs sobre Jesus vieram da mitologia pagã, eu acho que você deveria rir. Então olhe para eles com os olhos arregalados e um grande sorriso e diga, “Vocês realmente acreditam nisso?” Aja como se tivesse acabado de conhecer alguém que acredite na terra plana ou na conspiração de Roswell. Você podia dizer algo do tipo, “Cara, essas velhas teorias estão mortas há mais de cem anos! Da onde você está tirando isso?” Diga-lhes que isso é apenas lixo sensacionalista e não estudos sérios. Caso insistam, então peça a eles que lhe mostrem as próprias passagens que narram a suposta similaridade. São eles que estão nadando contra o consenso dos estudos, então faça-os trabalhar duro para salvar a religião deles. Eu acho que você descobrirá que eles nem se quer leram as fontes originais.

Se eles chegarem a citar um trecho de uma fonte, eu acho que você ficará surpreso com o que verá. Por exemplo, no meu debate sobre a ressurreição com Robert Prince, ele dizia que as curas que Jesus fez vieram dos relatos mitológicos de curas, como as de Esculápio. Eu insisti que ele lesse a todos uma passagem das fontes originais mostrando a suposta similaridade. Quando ele leu, o que alegava não tinha nada a ver com as histórias dos Evangelhos sobre as curas de Jesus! Essa foi a melhor prova que a origem das histórias não estava relacionada.

Lembre-se: qualquer um que insiste nessa objeção tem de suportar o ônus da prova. Ele precisa mostrar que as narrativas são paralelas e, além disso, que são causalmente ligadas. Insista que eles suportem esse ônus, caso você leve as objeções deles a sério.


Fonte: [
Blog Apologia ]


Willian L. Craig tem doutorados pela Universidade de Birmingham (na Inglaterra) e pela Universidade de Munique (na Alemanha). Foi professor de filosofia da religião na Trinity Evangelical Divity School (nos Estados Unidos). Foi professor no Institut Supérieur de Philosophie, na Universidade de Louvain (na Béligica). Leciona atualmente nos Estados Unidos, na Talbot School of Theology, na Califórnia. É autor de dezenas de artigos e livros no campo da filosofia e da apologética.

Para ler e ver alguns artigos do mesmo, clique aqui!

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Joãozinho, o último apóstolo

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ATENÇÃO: o texto a seguir é um conto fantasioso. Qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência. Ou não!

Joãozinho (mas poderia ser Marquinho, Silazinho, Fernandinho, Estevãozinho, Macedinho ou qualquer outro) nasceu numa família humilde, lá no interior daquele Estado. Criado debaixo de grande rigidez por parte de seus pais, que quase nunca demonstravam qualquer tipo de afeto, carinho ou atenção. Também pudera, vida difícil, trabalho árduo no sol nosso de cada dia, para defender o pão, que não era de cada dia. Passou fome e necessidades gerais. Vestia-se mal, quando vestia alguma coisa. Dentre seus outros 18 irmãos, os mais velhos já tinham ido para a cidade grande, tentar novas oportunidades. Há anos não se tinha notícias deles. Mas Joãozinho, o derradeiro deles, estava lá, firme junto dos pais. Também puderá, novo como era não tinha escolha.

Joãozinho trabalhava com o pai na roça, desde muito cedo. Quando começou a dar os primeiros passos, já o incumbiam de pequenas tarefas. O menino cresceu. Certo dia, durante a lida, sol a pique, aparecem dois homens, bem vestidos, com um livro preto debaixo do braço. Meia hora de conversa com seu pai e Joãozinho vê uma cena nunca antes imaginada: seu pai de joelhos, chorando! Não sabia ele, mas naquele momento seu pai estava tomando a melhor escolha de sua vida: aceitando a Cristo como seu Senhor e Salvador, ali mesmo no meio do mato. Com medo de ser repreendido o menino não tomou muito tempo olhando aquilo, até porque tinha medo de que aqueles homens estranhos faziam com seu pai.

Findo o dia, voltam os dois para o humilde barraco onde viviam. Nenhuma palavra, nenhum comentário. Somente se notava uma diferença naquele homem. Ao chegarem, a ordem: "todos de banho tomado, temos um compromisso!". Compromisso? Isso é coisa de rico, da cidade grande. Mas lá foram eles, um a um, dos que ainda moravam ali. Pouco tempo depois estavam todos em cima da pequena carroça, rumo ao desconhecido.

Lá estava uma tenda, toda iluminada (coisa rara naquele lugar). Gente chegando aos montes, de todos os cantos. Joãozinho, bem como seus irmãos e seus pais, com a melhor roupa que tinham. Não sabiam, mas estavam numa igreja. Com o passar do tempo, algumas músicas entoadas, muita gente chorando, alguns orando em voz alta, outros falando umas coisas esquisitas que ninguém entendia, sobe ao palco um daqueles homens que tinha visitado seu pai, lá na roça. Apesar da pouca idade, por volta dos 8, 9 anos, Joãozinho já entendia bem das coisas afinal responsabilidade ele já tinha desde bem cedo.

O homem abre o livro da capa preta e começa a dizer acerca de um Homem, que sem dever nada, pagou o mais alto preço jamais imaginado. Foi humilhado, padeceu como nenhum outro e tudo sem culpa. Aquilo foi tomando Joãozinho de um sentimento nunca antes sentido e, quando menos esperava, já estava igual ao pai no trabalho e outros tantos naquele mesmo lugar: chorando. No final da mensagem aquele homem solicitou àqueles que tinham entendido a mensagem e que gostariam de se entregar para Jesus, que fossem à frente. Joãozinho estava lá, de joelhos, aos prantos. Não era emoção, não era sensacionalismo, mas arrependimento dos (poucos) pecados já cometidos. Queria conhecer mais Aquele de quem ouvira falar.

Com muito sacrifício a família resolveu comprar um daqueles livros de capa preta, a Bíblia Sagrada. Tornou-se leitura obrigatória naquela casa, todos os dias. Mas Joãozinho queria mais. Era o primeiro a acordar e o último a dormir e sempre estava fazendo leitura da mesma, ainda que com dificuldade pois pouco sabia ler. Orava continuamente e sentia a presença de Deus. O anos foram passando, Joãozinho já moço, começou a pregar aquela Mensagem que tanto falou em seu coração. Compromissado com Deus e com a Verdade, onde pregava o povo sentia a presença de Deus, se arrependia e mudava de vida. Um certo dia recebe um convite para pregar numa grande cidade. Sua vida nunca mais seria a mesma, a partir daquele dia.

Grande multidão lota um templo lindo, com som da melhor qualidade, recursos de iluminação que ele nem sequer imaginava que existisse, cadeiras confortáveis e tudo mais que se tinha direito. Foi recebido com muita festa, muita comemoração. Se sentiu importante. Quando o levaram para um estúdio para falar através de uma rádio então, ele ficou chocado. Começou a imaginar como aquele instrumento poderia ser útil para a propagação do Evangelho. Ficou mais maravilhado ainda quando o colocaram frente a uma televisão. Pensou consigo mesmo: um dia ainda terei um programa no rádio e na televisão para assim alcançar milhares, milhões de almas perdidas. Passado os dias na cidade grande, voltou para casa, mas não era o mesmo. Os dias se passavam e seu tempo era dividido entre a meditação na Palavra de Deus e uma forma de voltar à cidade grande e ter seu programa de rádio e na televisão afinal, assim alcançaria muito mais gente.

Devido às circunstâncias da vida, mais tarde acabou tendo que deixar o interior e ir para a capital afinal os tempos estavam difíceis e como homem formado, já poderia deixar a casa dos pais. Se estabeleceu numa grande capital, onde o rádio já não era tão utilizado quando a TV, mas ainda permanecia firme, como meio de comunicação. Logo tratou de juntar algum dinheiro e comprar seu primeiro horário. Não passava de dez minutos, quase na madrugada, mas lá estava ele pregando a mensagem da Cruz. O retorno foi bom, muita gente ligava na rádio e mandavam cartaz testemunhando sua conversão. Isso lhe enchia o coração de alegria. Até que um dia, pregando numa dessa grandes igrejas, notou que o povo não dava tanta importância para o que falava. Começou a ficar preocupado e imaginar o que acontecia. Conversa com um, discute com outro, analisa daqui, estuda dali, chegou a conclusão de que sua mensagem já não agradava tanto quanto antes. Para continuar o programa no rádio, precisou de buscar ajuda com amigos até que um dia um deles lhe disse: "Eu ajudo, mas você precisa parar de acusar o pecado. Isso assusta as pessoas". Como precisava do dinheiro afinal já não tinha mais dez minutos, agora já era uma hora de programa, topou o "conselho".

Concluiu seus estudos, fez até alguns doutorados em divindade, angelologia e outros. Era bem fácil, pois bastava enviar uma carta com um cheque no valor e em poucos dias recebia seu diploma. Ficou famoso, rodou o mundo. O tempo no rádio já não era suficiente, não "alcançava" tantas pessoas mais, resolveu partir para a TV. Foi aí que notou que, além do "retorno" em almas, tinha um bom retorno financeiro porque muitas eram as empresas que queriam anunciar. Se sentia importante, tinha muitos seguidores. Resolveu abandonar sua igreja, que tanto tempo o ajudou e abriu um ministério próprio, independente. Criou suas regras, suas "leis". Muita gente nos cultos, muito dinheiro na TV, venda de discos, CD's, fitas, livros e outras coisas; subiu ao coração. Tornou-se ambicioso, não queria mais um programa, queria um canal só pra ele. Já tinha uma (várias) igrejas, um canal de rádio, um caminhão para "evangelismo", faltava agora um canal de TV. E conseguiu!

Dizia ele que Deus tinha lhe "depositado" uma grande quantia em dinheiro na sua conta e, juntando com outrs fundos, conseguiu comprar uma pequena rede de televisão, quase falindo. O povo vibrava, achava aquilo maravilhoso, Deus estava naquela igreja, mais que nas outras. Tudo era diferente: Joãozinho agora, ao invez de ralar no trabalho, como fez boa parte da vida, malhava na academia particular que tinha em casa (e que casa!), não mais andava de carroça, só viaja de jatinho particular. Carro tem aos montes e algumas casas, inclusive, fora do Brasil. Vida boa, fortuna, fama, tudo o que se tem direito. Sua mensagem agora já não era mais de salvação da alma, mas sim da salvação das riquezas, que crente que é pobre esta debaixo de maldição. Só prega em lugar grande, com muita gente. Se alguém o convida para pregar, um dos seus 20 secretários e porta-voz apresentam o "orçamento": além do cachê, hotel 5 estrelas, camarim exclusivo com 20 quilos de salmão, 87 tolhas brancas dinamarquesas, 3,5 litros de perfume italiano dentre outros.

E Joãozinho, aquele lá da roça, que chorava aos pés de Jesus dia e noite, buscando salvação da sua alma? Morrera, a muito tempo. Mas, pobre Joãozinho, não sabe (ou melhor, sabe mas finge não saber) que um dia aquele mesmo Jesus que tanto o consolou nas madrugadas geladas, no meio da pobreza, da humildade, Ele mesmo se encarregará de lhe dizer: "Saia de perto de mim, você que pratica a iniquidade. Eu nunca te conheci". Acorda, Joãozinho, acorda enquanto ainda é tempo!

"Buscai ao SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto." Isaías 55

Autor: Danilo Miguel
Fonte: [ Blog Sem Forma ]

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Paul Washer - Não Conhecemos o Evangelho de Jesus Cristo!

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O evangelho que pregamos hoje é um Ritual!



Transcrição:

. . Precisamos entender que o cristianismo nunca será amigo deste mundo. O cristianismo sustenta o único caminho de salvação para este mundo. Eles nunca serão amigos. O cristianismo nunca irá cumprir as exigências do mundo.

. . O que eu devo fazer hoje à noite? Eu vou fazer o que geralmente faço quando tenho apenas uma chance de pregar para um grupo de pessoas. Eu vou pregar o evangelho. Vou lhes apresentar o evangelho de Jesus Cristo. E muitos de vocês provavelmente dirão: "Por quê? Nós já sabemos disso". Não, vocês não sabem.

. . Vocês sabem sobre "4 leis espirituais" e "5 coisas que Deus quer que você saiba". E vocês sabem levar as pessoas tomarem decisões e confirmar a salvação delas, mesmo que Deus esteja a milhares de milhas de distância do que você está fazendo. Mas, provavelmente, você não sabe muito sobre o evangelho.

. . A maior necessidade da comunidade evangélica hoje é aprender sobre o evangelho de Jesus Cristo. Porque simplesmente examinando os sermões e vendo a técnicas e metodologias de crescimento de igreja e todas as outras coisas que vejo, eu só consigo chegar a apenas uma conclusão: Nós não conhecemos o evangelho de Jesus Cristo.

. . Veja o que temos feito:

. . Nós vamos a um homem e dizemos: “Você sabe que é um pecador?” Se ele disser "sim", nós vamos para a próxima pergunta. “Você gostaria de ir para o céu?” Se ele disser "sim", nós vamos para a próxima pergunta. “Você gostaria de pedir para Jesus Cristo entrar no seu coração?” Se ele disser "sim", e fizer aquela oração nós perguntamos a ele se ele foi sincero. E se ele disser "sim", de pronto já (na verdade a expressão usada é “papalmente” – eu tenho usado a tradução “de forma papal” o que você acha?) o declaramos nascido de novo.

. . Isto não é o evangelho de Jesus Cristo. E essa metodologia no evangelismo tem causado mais estrago neste país do que qualquer heresia introduzida por todas as seitas juntas.

. . Milhões de pessoas neste país cujas vidas nunca foram transformadas acreditam que elas são nascidas de novo, porque nós reduzimos tanto o evangelho de Jesus Cristo, que ele agora não significa nada mais que uma simples decisão que vai tomar apenas 5 minutos do seu tempo.

Vamos analisar (acho um termo melhor para a ocasião) isso por um momento: “Você sabe que é um pecador?” Se a pessoa disser “sim”, o que isso significa? Absolutamente nada! Vá perguntar ao diabo se ele sabe que ele é um pecador. Ele vai dizer “sim eu sou e sou muito bom nisso”.

. . A questão não é: “Você sabe que é um pecador?”. A questão é: “Desde que você tem ouvido a pregação do evangelho, Deus tem operado de tal forma em seu coração que o pecado que você amava você agora odeia?” Esta é a questão.

. . A questão não é: “Você gostaria de ir para o céu?” Todo mundo quer ir para o céu, eles só não querem que Deus esteja lá quando eles chegarem lá. A questão não é: “Você gostaria de ir para o céu?” A questão é: “Desde que o evangelho tem sido pregado a você, o Deus todo-poderoso tem feito uma obra soberana e sobrenatural em seu coração que o Deus que você odiava e ignorava você agora deseja e estima como digno acima de todas outras coisas.

. . E por último: “Você gostaria de fazer uma oração pedindo para Jesus entrar no seu coração?” Você será duramente pressionado a encontrar base bíblica para esta pergunta no Novo Testamento.

. . Você pode dizer: “Ah não, lá diz: receba Ele”. Você honestamente acha que quando a Bíblia fala de receber Cristo, ela está falando de balbuciar algum rito evangélico? Quando ela fala de receber Cristo, é através do arrependimento e fé. Não é recebê-Lo como algum acessório em sua vida, é recebê-Lo como o próprio sustentador da sua vida. Cristo não é algo que faz sua vida melhorar, Cristo é a sua vida! Ele é sua vida!

. . Jesus não veio e disse no evangelho de Marcos: “O tempo está cumprido e é chegado o reino de Deus, agora quem gostaria de orar me convidando para entrar em seu coração”. Ao invés disso Ele disse: “Arrependei-vos e crede no evangelho” (Marcos 1:15).

. . E não se esqueça que através de todo o ensino do Novo e do Velho Testamento, o arrependimento é evidenciado por frutos, pela maneira como alguém vive. A maioria das pessoas hoje acredita que são salvas porque elas estão confiando na sinceridade de suas decisões e não na obra de Cristo, nem no poder de Deus na salvação.

. . “Você é salvo?” “Sim”. “Como você sabe?” “Bem, três anos atrás eu orei pedindo para Jesus entrar no meu coração.” Sério? E quantos outros têm feito isso. A evidência da salvação, a evidência do arrependimento, a evidência da fé é uma vida transformada em contínua transformação.

. . Como você sabe que você se arrependeu para salvação anos atrás? É porque você continua a se arrepender hoje. Como você sabe que creu para a salvação anos atrás? É porque você continua crendo hoje. Como você sabe que Deus teve um encontro com você anos atrás? É porque Ele continua tendo um encontro com você. Através da obra da santificação, ele não apenas transformou sua vida, Ele ainda continua transformando sua vida.

. . O evangelho que pregamos hoje é um ritual. Sim, algumas pessoas foram salvas, mas não por causa de nossa pregação, na verdade a despeito dela. Deus ainda opera, embora não conheçamos o evangelho.

. . Não é uma mensagem entre muitas. É a mensagem das Escrituras e é a mensagem do Cristianismo. O mais triste é que não está sendo mais a mensagem da igreja na América. E eu posso te provar isso. Vá até as suas livrarias. Se pensarmos em 200 ou 300 anos atrás, nós veríamos que quando eles falavam do Cristianismo era sobre o evangelho. Os livros que foram escritos pelos “Spurgeons” (ele não se refere a Spurgeon, mas a pessoas como Spurgeon), pelos Puritanos, e pelos “Edwards” eram sobre o que é o evangelho, como podemos compreender o evangelho, como devemos pregar o evangelho, o que é verdadeira conversão, como realmente podemos saber quando as pessoas realmente nasceram de novo. Vá a algumas de suas livrarias evangélicas e tente achar algum livro que fale dessas coisas. Você não vai achar nada. Só há coisas como: “como fazer isso” e “dez passos para aquilo”.

. . Por que há tão pouco poder hoje? Porque não conhecemos o evangelho, porque não nos preocupamos com verdadeira conversão, porque não fazemos das coisas importantes algo realmente importante, mas nós as substituímos com o uso cômodo da mídia no culto, com certo tipo de música para deixar todo mundo no clima, com pregadores relâmpagos que nos falam tudo o que queremos ouvir para que tenhamos a nossa melhor vida agora, porque na verdade é isso o que queremos, mais do que Deus. Não há poder porque o evangelho está esquecido. Traga o evangelho de volta e você verá o poder de Deus se movendo sobre a vida de homens, mulheres e crianças. O evangelho simples.

Autor: Paul Washer.


Fonte: [ Voltemos ao Evangelho ]

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Big Brother Jesus.

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Clique na imagem para ampliar

Fonte: [ PavaBlog ]

Uma verdadeira falta de criatividade para o evangelismo. Parece mais uma paródia cômica para causar risos nas pessoas que receberem este folheto. Evangelho genuíno que é bom, nada...
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TOP 10 - Março/2009

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Durante o mês de Março/2009, tivemos um número de visitas que ultrapassou as espectativas. Isso creditamos principalmente aos nossos parceiros que divulgam o nosso link e as postagens colocadas aqui.

Para todos o nosso tradicional "muito obrigado".


1 - Pava Blog [ www.pavablog.blogspot.com ]
2 -
Púlpito Cristão [ www.pulpitocristao.blogspot.com ]
3 - Teophilo Noturno [ http://teophilo.blogspot.com ]
4 - Amenidades da Cristandade [ amenidadesdacristandade.blogspot.com ]
5 - Sem Forma! [ http://www.semforma.blogspot.com ]
6 - Remanescente [ www.remanescente.com ]
7
-
Sempre Reformando [ www.sempre-reformando.blogspot.com ]
8 - Praxis Cristã [ www.praxiscrista.blogspot.com ]
9 - Cinco Solas [ www.cincosolas.blogspot.com ]
10 - Papo de teologo [ http://papodeteologo.gospelmais.com.br ]

Para os parceiros, quem tiver banner e quiser vê-lo no Blog Bereianos, me envie no formato 120x60 para o email: bereianos@hotmail.com
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Desconstrução.

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Não quero reformar nada! Não quero reformar ninguém! Apenas quero desconstruir minha religião e dar-me a oportunidade de começar novamente. Do zero! Quero aprender a orar porque suspeito que nunca aprendi em todos esses anos de eloquentes orações entonadas no conjunto de súplicas adornadas de lindos verbos.

Tenho a ligeira impressão de que todas as vezes em que falei em línguas na roda de oração para fazer notório o meu nível espiritual, não me valeram de edificação alguma. E que minhas devocionais carregadas de desânimo e obrigação para com a minha "consagração" no ministério de louvor não resultaram em nenhuma intimidade com Deus!

Quero desfazer de tudo que sei, ou que penso saber, e de tudo que não sei, e penso não saber, para aprender paulatinamente através de uma busca sincera, paciente, desobrigada, verdadeiramente motivada e autêntica, tudo quanto preciso, quanto quero e quanto me é essencial na jornada da fé. Quero despojar-me dos manuais religiosos, das doutrinas inquestionáveis, das tradições incoerentes e da estupidez e falácia da religião.

Quero duvidar de tudo e de todos, porque minha alma contorce pela verdade e tem sede de justiça. Quero abrir os meus olhos e enfrentar o ardor da luz cortante da revelação. Quero ficar cego por um tempo em virtude do impacto que a luz da verdade traz. Ficar cego para o enlatado evangélico, cego para o cauterizado cristianismo institucional. Quero ficar cego para as fórmulas instantâneas da fé, da sua comercialização e do abuso espiritual. Quero recobrar a visão aos poucos. Enxergar com sanidade a vida, as pessoas, a família, os amigos, o futuro, o presente e o passado. Quero aprender a enxergar tudo que enxergava errado. Usar minha visão pela primeira vez!

Quero me desviar dos caminhos da "i"greja que não segue o Caminho de Cristo. E andar na contra-mão desse sistema religioso elaborado sobre outro fundamento que não Jesus, a Rocha Viva. Quero tirar a capa que me identifica como "cristão" com o emblema da cruz para vestir-me de amor pelo próximo e por esse amor ser conhecido como discípulo de Cristo. E carregar não o emblema da cruz, antes, tomá-la dia após dia em meus ombros e renunciar à volúpia e morrer para o pecado.

Quero fugir dos grandes eventos de milagres e shows da fé, patrocinados por sórdida ganância e puro estrelismo. E me juntar aos homens de Deus presenteados com o dom da cura que trocam o palco pelo corredor dos hospitais. Que ao invés de pedirem que vão a eles, se disponhem a IR aos que necessitam.

Cansei de viver sob maldição financeira! E, agora, não gasto meu dinheiro patrocinando esse sistema putréfulo de escravizar a fé dos pequeninos. Não quero participar de tal infâmia! Que o pouco que tenho sirva não ao luxo dos templos e de seus donos, mas, aos que realmente necessitam da minha fidelidade financeira resultante da confiança no Jeová Jiré. E não da ameaça pastoral de maldição da pobreza versus prosperidade.

Quero ser livre para pecar! E da mesma maneira não pecar por entender que não me convém. Mas, se o desejo do pecado ronda a minha mente e não peco por causa da pressão de ter que me consagrar no ministério da "i"greja, que pobre que sou. Porque ainda não seria livre do pecado, mesmo não o praticando... Quero aprender a conduzir meu estilo de vida como resposta de gratidão à aceitação e perdão de Cristo, não como regras e proibições eclesiásticas que não tem efeito nenhum contra o pecado.

Estou desconstruindo a minha fé míope e doente para cultivá-la de forma autêntica, sincera, humana e verdadeira. Estou disposto a arriscar minhas crenças pelo conhecimento da verdade eterna, de modo, que mesmo vendo-a como em espelho, possa um dia conhecê-la completa assim como sou conhecido. Se para encontrar o Deus que está estampado no caráter de Cristo, me tornar necessário descrer do Deus pregado, e tornar-me ateu, que assim seja. E que possa, conhecê-Lo de forma pura, única, pessoal e intransferível.

Quero derrubar meus pilares espirituais porque não sei de onde vieram. Estavam lá no discurso e na retórica que pseudonimamente aceitei como sendo Jesus Cristo. Agora, nego a cartilha que reza, nego a teologia pronta que engoli e dou-me a oportunidade de aceitar, de fato, Cristo meu Senhor e Salvador, pura e simplesmente.

Se fosse possível voltar ao ventre de minha mãe e carregar em meus genes a luz que agora vejo, para que ao nascer, soubesse desviar dos caminhos que para o homem parecem bons, poderia começar de novo sem incongruências e inverdades ludibriosas.

Talvez, só agora tenha entendido o que significa "nascer de novo"...

Autor: Thiago Mendanha
Fonte: [ Tomei a pílula vermelha ] via [ PavaBlog ]

É errado os Cristãos discutirem questões teológicas?

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AUTOR: CRISTIANO SANTANA


Hoje estive lendo o "Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e "Contradições" da Bíblia" de Norman Geisler e Thomas Howe.

Uma das questões que me chamaram a atenção foi essa:

De acordo com 2 Timóteo 2:14 é errado os cristãos discutirem questões teológicas?

O livro apresenta o seguinte problema:

Paulo parece ter proibido discussões teológicas quando ele instruiu Timóteo, a respeito dos crentes: "para que evitem contendas de palavras que para nada aproveitam" (2 Tm 2:14), e quando lhe disse "E repele as questões insensatas e absurdas" (2 Tm 2:23). Por outro lado, o próprio Paulo discutiu com os judeus em suas sinagogas (At 17:2, 17) e debateu com filósofos no Areópago (At 17:18ss). De fato, Judas exortou-nos a batalhar "diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos" (Jd 3).

Em seguida, vem a solução:

Uma distinção precisa ser feita entre os dois sentidos do que seja argumentar ou discutir. Argumentar não é necessariamente algo errado, mas devotar-se ardentemente a isso é. Devemos batalhar pela fé, mas devemos fazer isso sem contendas. Fazer com toda seriedade um esforço para defender a fé é algo bom (cf. Fp 1:17; 1 Pe 3:15). Mas engajar-se em disputas infrutíferas não é bom. De igual forma, Paulo não se opôs quanto a discutir qual o real sentido das palavras num determinado contexto - ele se opôs simplesmente a ardorosas disputas semânticas.

Como superintendente da Escola Bíblica Dominical, já ouvi censuras de vários irmãos quanto ao nível de ensino que imprimo em minha igreja, tais como essas:

- O irmão está querendo ir longe de mais!
- O cristão que quer saber demais acaba se desviando.
- Irmão, esse mistério só pertence a Deus!
- O melhor que temos de fazer é ficar no feijão e arroz.

Tenho várias razões para rejeitar essas censuras:

Em primeiro lugar, se hoje temos já estabelecidas as doutrinas da Trindade, do pecado, da justificação, etc., devemos agradecer ao trabalho de homens como Irineu, Tertuliano, Clemente de Alexandria, Orígenes, Agostinho, Atanásio e outros, os quais, nos primeiros séculos da era cristã, envolveram-se em intensos debates teológicos e combateram hereges terríveis como Márcion e Ário. Os primeiros credos, que foram formulados e que acabaram cristalizando essas doutrinas, surgiram com resultado do trabalho teológico desses homens.

Em segundo lugar, quem poderá me dizer, com exatidão, qual é a linha divisória entre o conhecimento de Deus e o conhecimento do homem? Qual é o homem que poderá defini-la? Acho que é impossível estabelecer qual limite meu conhecimento não deve tentar ultrapassar. Sabemos que nunca poderemos conhecer totalmente o que Deus conhece, mas Ele nos deu uma natureza tal que somos sempre impelidos à frente, rumo ao conhecimento, rejeitando o leite espiritual e sempre em busca do alimento sólido. Alguns acham que o limite é conhecer apenas as doutrinas básicas da Bíblia. Rejeito esse limite e prossigo tentando alargar ao máximo a minha cosmovisão.

Em terceiro lugar, se eu estou na verdade, por que temer ter contato com outras literaturas, absorver outros conhecimentos, entender outras filosofias, até mesmo contrárias à fé cristã? A verdade não é para ser provada? Graças a Deus, quanto mais leio livros de filosofia, psicologia, ciências, teologia, religiões, etc., mas fortalecida fica a minha convicção de que Jesus Cristo é o caminho, A VERDADE, e a vida.

Em quarto lugar, creio que a maioria dos evangélicos estão dominados por esse cristianismo místico, utilitarista e hedonista, que atualmente permeia as igrejas, justamente porque lhes falta o devido conhecimento bíblico-teológico. Já dizia o profeta: "O meu povo foi destruído por falta de conhecimento". Essas crendices que se espalham no meio do povo de Deus, essa teologia da prosperidade medíocre que se prolifera, tem achado terreno fértil em nosso país por causa das mentes ignorantes. São os "analfabetos bíblicos" que se satisfazem com qualquer história da carochinha.

Sinceramente, creio que alguns irmãos nos censuram contra a aquisição de um conhecimento mais profundo com certa sinceridade de coração. Eles estão ingenuamente persuadidos de que o melhor a fazer é permanecer no básico. Já outros emitem essas censuras por outros motivos. São membros e obreiros preguiçosos que nunca deram o devido tempo aos estudos bíblicos e teológicos. Agora não querem que a sua ignorância seja desmascarada. Não querem passar pelo ridículo de não saber responder a uma pergunta feita por alguém que é décadas mais jovem. Então vêm com essa história de que é perigoso aprofundar-se no conhecimento.

Finalizando, quero dizer que é sempre bom haver um debate teológico maduro entre os cristãos. Como cresço espiritualmente quando encontro irmãos dispostos a passar um bom tempo conversando sobre as coisas do alto!

Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor.

Fonte: [ Blog do Cristiano Santana ]
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