A necessidade de um avivamento no ministério pastoral de nossos dias

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Os pastores são diferentes por vocação, por treinamento e, com bastante freqüência, pela personalidade e pelos interesses pessoais. Entretanto, as Escrituras enfatizam as reais intenções e qualificações para a prática pastoral. Na visão do apóstolo Paulo, em sua primeira carta enviada a Timóteo no capítulo 3 versículos 1 ao 7, requer que o ministro seja de caráter inculpável, puro, disciplinado e generoso, que dirija bem sua própria casa; e particularmente não neófito, mas alguém cuja boa conduta, já firmada, como cristão, tenha boa reputação, de sorte a não dar ocasião ao diabo de acusá-lo ou enredá-lo, seja por seu próprio orgulho, seja pelas censuras dos de fora da igreja de Cristo.

E é lamentável que em nosso tempo, muitos pastores têm sido ordenados sem nenhum cuidado pelas igrejas e outros abandonando suas congregações e titulando-se "pastores e apóstolos"; desencadeando uma imagem distorcida de que é ser pastor conforme as Sagradas Escrituras.

Pastores que tem adulterado e outras vezes divorciados de seu cônjuge por motivos egoístas, traindo a confiança de suas esposas e seus filhos como observa J. MacArthur que “durante este século, na maior parte do tempo, o cristianismo evangélico vem se concentrando na batalha pela pureza doutrinária e deve fazê-lo, mas estamos perdendo a batalha por uma pureza moral. Temos pessoas com uma teologia certa vivendo de modo impuro”. Ministros que usam o púlpito para satisfação pessoal e com interesse financeiro, caráter duvidoso, que não se dedicam ao ensino das sãs doutrinas de Cristo, enfim, é de se afirmar que há uma necessidade profunda de um avivamento pastoral em nosso mundo contemporâneo.

Por outro lado, o Dr. John MacArthur, pastor da Grace Community Church, em Sun Valley, Califórnia, escrevendo em seu livro Ouro de Tolo? , comenta que temos “vivido em uma época de aceitação cega” e que diante desta realidade precisamos passar no teste de fidelidade à Escritura Sagrada os ministros da Palavra, e então, podemos “aceitá-los e defendê-los com sinceridade”. Há muitos ministros sérios e consagrados em nosso tempo, contudo, assim como nos dias do apóstolo Paulo, existem aqueles que não têm sido fiéis no ensino e na conduta pastoral. É grave observarmos muitos ministérios em colapso por causa da avareza de muitos pastores. O amor e a ganância pelo dinheiro, o materialismo, tem influenciado alguns obreiros e logo tem provocado um ministério pastoral fracassado e sem a unção de Deus. O materialismo, a busca por reconhecimento e a impureza pessoal, infelizmente, tem dominado o coração de muitos “vocacionados”. No segundo século, Policarpo de Esmirna, escrevendo aos filipenses, declarou: "Os presbíteros também devem ser compassivos, misericordiosos para com todos, reconduzindo aqueles que se desviam, visitando os enfermos, não negligenciando a viúva, o órfão e o pobre, mas sempre considerando o que é honroso aos olhos de Deus e dos homens, refreando toda ira, parcialidade e julgamento injusto, afastando-se de todo amor ao dinheiro, não pensando mal de alguém apressadamente, não sendo severo no juízo, sabendo que todos são devedores ao pecado". Jan Hus, um dos pré-reformadores, disse em sua obra Sobre o Ofício Pastoral: "Existem duas coisas que pertencem ao status do pastor: a sua santidade e a integridade do seu ensino".

O grande bispo da igreja oriental João Crisóstomo (347-407) não só foi o pregador mais eloqüente do seu tempo como destacou a importância da pregação no exercício do ministério cristão. Em um tratado acerca do sacerdócio, ele afirmou: "Há somente um método e meio de cura quando erramos que é a poderosa aplicação da Palavra... com ela nós tanto despertamos a alma que dorme quanto a subjugamos quando se inflama; com ela cortamos os excessos, preenchemos as lacunas e realizamos todas as outras operações necessárias para a saúde da alma". Na igreja ocidental o dedicado à prática pastoral Agostinho de Hipona (354-430) soube, como poucos, unir uma intensa reflexão teológica com um envolvimento prático no trabalho pastoral. Ele disse em uma de suas cartas: "Nesta vida, especialmente em nossos próprios dias, não há nada mais difícil, estafante e arriscado do que o ofício de bispo, sacerdote ou diácono; porém, nada é mais abençoado aos olhos de Deus, se o nosso serviço estiver de acordo com as ordens do nosso Capitão".

Portanto, em dias tão complexos e repletos de desafios, numa época em que o exercício pastoral se torna uma atividade entre outras, em que os ministros correm o risco de serem meros "profissionais do púlpito", em que motivações secundárias ou menores buscam a supremacia no coração de tantos ministros, vale a pena ouvir a exortação de Paulo e realizar fiel e cabalmente o ministério que o próprio Deus vocacionou e capacitou para cumprir.

Que os nossos olhos a cada dia sejam desvendados por Deus para que de fato aconteça uma prática pastoral eficaz e bíblica e de acordo com a soberana vontade do próprio Deus.

Vivifica-nos, ó Deus, para a glória de Seu próprio Nome!

Com temor e tremor,

Marcos Sampaio
Fonte: [ Olhar Protestante ]

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2 comentários

Totalmente atual e pertinente o artigo

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Olá meus queridos irmãos; A Paz de Cristo.

Estamos vivendo dias de angústia, conforme a bíblia tem nos mostrado. Nestes momentos difíceis só a palavra de Deus que é alimento nos fortalece.Como sempre digo: Aprendendo uns com os outros crescemos na graça e no conhecimento do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Encontramos nestes blog's cristãos ,ferramentas para o nosso aprendisado.Parabéns pelo blog, muuito abençoador. Gostaria também de compartilhar com os irmãos o nosso Blog:

"Mensagem Edificante para Alma"
http://josiel-dias.blogspot.com/

Fiquem na Paz.

Josiel Dias
Cons. Missionário
Congregacional
Rio de Janeiro

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