Refutação ao vídeo "Revelações – Pastorocracia".

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Uma importante refutação à um vídeo que está circulando na internet, cujo o autor tenta, sem sucesso, anular a liderança na igreja. Para tanto, ele distorce Hebreus 13:17, além de outros versículos. Primeiro segue o vídeo, logo após a refutação feita pelo Pr. Adriano Gama, confira!



Olá Senhores leitores,

Esse sr. do vídeo não conhece o grego bíblico. Ele está praticando erros básicos: isolando palavras, não vendo o contexto e nem vendo o uso delas na Escritura e na cultura da época. Note o seguinte:

A tradução do sr. do vídeo é: “Atentem (ouçam) aos notáveis (ou estimados) e não sejam arrogantes para com eles”. Para o autor desse vídeo só há um pastor, Jesus. os notáveis não são oficiais. São irmãos respeitáveis, experientes, testemunhas, pessoas com um carisma especial e um destaque especial entre os outros irmãos. Os notáveis não são chefes, líderes e guias ordenados como se entende hoje.

O sr. do vídeo diz que nós todos somos irmãos e somos chefiados por um único chefe, o único cabeça, Jesus Cristo. Continuando, ele afirma que a Escrituras não diz que devemos se submeter a homens. Segundo o vídeo, não há na Escritura do NT nenhum texto que diga que um homem tenha recebido a posição, o título de pastor. Essa posição somente é dada a Jesus Cristo.

Será que é bíblico o que o vídeo diz?

Vamos para o texto de Hebreus. De fato, a palavra grega em Hb 13.7,17,24 é hegoumenoi. Essa palavra não é pastor. Em verdade, a edição revista e corrigida traduz por “pastores”. Essa tradução é uma interpretação. Contudo, não é adulterar o texto traduzir a palavra grega “hegoumenoi” como "líderes" ou “guias” ordenados.

Por que não?

Primeiro quanto a palavra hegoumenoi (Hb 13.7,17,24). Essa palavra grega é um particípio do verbo “hegeomai”. Esse verbo pode ser traduzido por: conduzir pelo caminho; tomar a liderança, ser chefe, considerar, ter por, julgar. Agora, nos textos de Hebreus, o particípio tem um artigo que o antecede. Então, nesse caso, ele descreve uma pessoa que pratica uma ação ou que tem uma função. Qual ação ou função essa pessoa exerce?

Qual ação ou função essa pessoa exerce? A função de liderar, guiar, chefiar. Esse é o uso comum dessa palavra no NT. Alguns exemplos:

Jesus usou “hegnoumenoi” para classificar aqueles que governam. Ele falou "aquele que dirige" (hegnoumenoi) seja como o que serve (Lc 22.26). No Evangelho de Lucas os governantes, os líderes, oficiais romanos, eram descritos com um particípio de um verbo (hegenonéô - da mesma raiz da palavra de Hb 13.7,17,24): Quirino (Lc 2.2), Pôncio Pilatos (Lc 3.1).

A palavra grega usada em Hebreus foi usada em At 7.10. Para que essa palavra grega foi usada nessa passagem? Para descrever o ofício de José no Egito. Então, devemos pensar: José foi um notável, uma pessoa respeitável, ou um "governador" do Egito? Era qualquer pessoa sem ofício, ou, o oficial que dirigia a nação e foi chamado pai de Faraó? Repito, no texto de At 7.10 temos a mesma palavra de Hebreus 13.7,17,24 (em Hebreus está no plural). José tinha o ofício de governador (hegnoumenoi).

Em Atos, Lucas, diz que Paulo era o “principal portador da Palavra” (veja At 14.12). Qual palavra Lucas usa? A mesma de Hb 13-7,17,24. O apóstolo Paulo era o que "dirigia" ou "que presidia" a palavra, por isso, foi traduzido o principal portador (hegnoumenoi) da Palavra.

A mesma palavra grega também aparece em At 15.22 para dizer o que Judas Barsabás e Silas eram “notáveis” entre os irmãos. Essa é a única vez que “hegnoumenoi” é traduzida para o português como “notáveis”. Uma pergunta para o texto: Judas e Silas tinham algum ofício na igreja?

O irmão Judas tinha o ofício de profeta (At 15.32). Silas é o nome abreviado de Silvano. Este era profeta (At 15.32), pregador (2 Co 1.19), evangelista que acompanhou Paulo (At 18.5). O irmão Silvano ajudou Pedro a escrever a 1 carta de Pedro (1 Pe 5.12).

Os irmãos Judas e Silas eram “hegnoumenoi”. Não irmãos sem ofícios, mas líderes dentre os irmãos. Então, o contexto da passagem e os ofícios de Judas e Silas nos levam a concluir que “notáveis” se refere a líderes, guias, homens ordenados.

Poderia continuar citando para você outros exemplos bíblicos que mostram o erro desse senhor do vídeo. Agora, por economia de tempo, peço que você veja Mt 2.6.

O texto é uma profecia acerca de Jesus (Mq 5.2). Jesus é chamado de “Guia”. Essa é a mesma palavra de Hb 13.7,17,24.

Jesus foi profetizado como o "Guia”. O que esse Guia fará? O "Guia" irá apascentar (palavra de mesma raiz da palavra "pastor"). O Guia é o governador, o líder, o chefe. Esse governador apascentará a Igreja.

Os governadores, guias, chefes dos tempos bíblicos foram também considerados pastores. O Senhor chamou o rei Ciro seu pastor (Is 44.28). Ele também chamou os líderes de Israel de pastores (Ez 34). Por isso, não era estranho falar de um guia que vai pastorear Israel. Assim sendo, Jesus, o Guia, é quem pastoreará Israel.

Se formos dizer que “hegnoumenoi” deve somente ser traduzido como “notáveis”, então, como ficaria a tradução de Mt 2.6? Jesus é um notável, ou, o Guia, o Governador da Igreja? Por que para o sr. do vídeo somente há um significado para “hegnoumenoi”? De onde vem essa ideia que aquele texto de Hb 13.7,17,24 se refere aos irmãos não ordenados, mas somente àqueles possuidores de bom testemunho na igreja?

Portanto, pelo uso na Escritura da palavra grega e pelo uso dos verbos de mesma raiz, não é verdade que a palavra de Hebreus 13.7,17 foi adulterada pelos “governantes da religião (palavras do sr. do vídeo). A tradução “guias” e “líderes” cabe muito bem. Em verdade, é conforme o grego e o contexto da passagem de Hb 13. De fato, o texto se aplica aos oficiais ordenados da igreja.

O texto de Hebreus 13.7,17,24:

Não precisamos ir para o grego para mostrar que “guias” em Hb 13 se refere aos oficiais da igreja. O próprio texto português deixa isso claro (veja bem Hb 13.7,17,24).

Hb 13.7: Os guias foram os primeiros líderes que pregaram a Palavra aos irmãos. Eles que levaram o evangelho aos hebreus. Esses guias sofreram e até morreram pelo Evangelho. Esses lideres pregadores eram padrões dos irmãos em vida e fé.

O escritor de hebreus lembrou dos primeiros líderes para exortar a continuarem na doutrina e no bom procedimento que receberam deles. Os irmãos hebreus estavam tentados a seguirem falsos guias. Esses falsos guias estavam querendo desviar os crentes do evangelho (vs. 8-16). Depois de lembrar os primeiros líderes e dar essas exortações, então, o escritor de Hebreus dá um mandamento. Os crentes devem obedecer e serem submissos a seus novos líderes ou guias, “hegnoumenoi”.

No v. 17 esses guias não eram qualquer irmão notável, não ordenado (como diz o senhor do vídeo). Eram pessoas que tinham o dever de velar (vigiar) pelas vidas dos irmãos e que iriam prestar contas a Deus. Essa parte nos lembra Ez 3.17,18.

O profeta falou aos atalaias. Os atalaias eram oficiais com a tarefa de velar. Os atalaias prestariam contas das almas que foram colocadas debaixo do cuidado deles. Os guias da igreja hebreia tinham um ofício de supervisionar. Se eles não tinham ofício, então, por que eles teriam que prestar contas ao SENHOR? Outra coisa, se eles não tinham ofício, então, por que os membros deveriam “obedecer” (peithô) e serem “submissos a eles”?

O sr. do vídeo ameniza o dever dos crentes para com os líderes ordenados. Ele traduz a palavra grega como “atentem”, ou, “ouçam”. Não há problema nisso. O erro é que o sr. do vídeo distorce o significado e tira a força da palavra grega. Ele diz que ser atento é apenas “ouvir os seus conselhos”. Não é um mandamento aos crentes ouvir seus líderes. Cabe a cada um decidir se segue ou não segue os conselhos de seus irmãos [os notáveis]. Não é isso que o grego diz. O modo da palavra é um imperativo: “Obedecei, atentem, ou, ouça os vossos guias” não é um aconselhamento, mas um mandamento. Se o membro não obedece, ou, atenta ou ouve, então, ele quebra um mandamento da Palavra de Deus.

O texto diz também que os membros devem ser obedientes e submissos aos seus guias, para que os oficiais façam trabalho deles com alegria e não gemendo. Mais uma vez, vemos que há homens que devem ser seguidos e obedecidos, no Senhor. As ordens “sede obedientes” e “sede submissos” mostram que esses notáveis tem autoridade sobre os irmãos. Eles são guias, líderes, oficiais ordenados por Deus para supervisionar e dar contas a Deus pela igreja.

Ora, saliento que é contraditório ao texto o que se afirma no vídeo. Se é verdade o que o sr. do vídeo diz sobre o acatar ou não os conselhos dos notáveis, então, por que os crentes que fazem os “guias” gemerem no trabalho não terão proveito (alysitéles)? Em verdade, os desobedientes e insubmissos não lucram. Se os líderes gemem, então, para o culpado disso o resultado é desastroso. Isso é o que o texto grego nos diz.

Escrevi até este ponto para mostrar a você que o próprio contexto e o texto revelam que esse vídeo não respeita o ensino da Escritura, não conhece o grego, nem as regras básicas de interpretação da Escritura (hermenêutica) e da lógica. Esse homem torce a Escritura e não é honesto na argumentação.

Agora, aconselho você a parar de ouvir as mentiras propagadas nos vídeos desse homem e de seus cooperadores. Fique e se encha com o ensino da Escritura.

A Escritura mostra que desde o Antigo Testamento Deus ordenou homens para governarem a Sua igreja. Não vou falar dos patriarcas, nem Moisés, nem dos sumo sacerdotes, nem dos reis. Somente vamos notar os presbíteros (anciãos).

Veja algumas passagens. Elas mostram que havia o governo por meio de presbíteros já no AT. Por exemplo:

Êx 3.16 – Deus mandou Moisés falar aos anciãos do povo (ver também Lv 4.15; Nm 11.16.
Jz 11.5 – Durante o tempo dos juízes haviam os anciãos que governavam as tribos (anciãos de Gileade).
Jz 8.14 – mostra que havia também os anciãos da cidade. Havia os principais e anciãos em Sucote. No AT vemos que o termo “ancião” foi usado com ou em lugar de um título oficial, por exemplo: Js 24.1; 1 Reis 8.1; Ed 10.8). Esses oficiais eram eleitos pelo povo Dt 1.13-16.

Nos tempos de Jesus Cristo aprendemos que havia o sinédrio. O sinédrio era maior corte em Israel e era composto por 70 anciãos. Dentre eles estava o sumo sacerdote.

No Novo Testamento o povo de Deus continuou a ser governado por presbíteros (1 Tm 5.17).

O apóstolo Paulo e Barnabé instituíram, conforme Dt 1.13-16, eleições de presbíteros nas igrejas (At 14.23). O povo escolheu os seus presbíteros. O apóstolo Paulo deixando Tito em Creta para promover a eleição de presbíteros (Tt 1.5).

Na igreja em Jerusalém vemos os presbíteros junto com os apóstolos tomando decisões importantes para as outras igrejas (At 15.1-3,6,22; 16.4). Essas decisões deveriam ser seguidas. Não eram conselhos.

O Apóstolo Paulo, em Atos 20.17,28, diz o que são os presbíteros. Eles são homens constituídos pelo Espírito Santo. Eles deveriam supervisionar e pastorear a igreja de Deus. Foi o Espírito Santo quem ordenou os presbíteros sobre a igreja.

O Apóstolo Pedro exorta os presbíteros a desempenharem bem o ofício deles (1 Pe 5.1-4). Os presbíteros tem uma posição de autoridade dada por Deus. Eles receberam um oficio. A igreja foi colocada aos cuidados deles (aqueles que vos foram confiados).

Os presbíteros devem pastorear bem a igreja. Eles prestarão contas ao Supremo Pastor, Cristo Jesus, e receberão dEle a recompensa pelo trabalho fiel na congregação. Em verdade, Jesus é o único Supremo Pastor e Bispo da Igreja. Mas, Ele ordenou presbíteros para serem seus pastores subalternos.

Concluindo este breve estudo:

O vídeo está certo em dizer que Jesus é nosso Supremo Pastor e Bispo. Isso é verdade. Contudo, Jesus concedeu ministros da Palavra, presbíteros e diáconos à igreja. Eles devem conduzir a igreja conforme a Palavra de Cristo e não por suas ideias. Eles prestarão contas a Deus (1 Co 3.10-17).

De fato, não há um governo onde um homem domina sobre outros homens. O governo presbiterial é revelado na Escritura. O governo na Igreja, especialmente, para na igreja do NT é exercido por um colégio de presbíteros. Estes, junto com os ministros da palavra, governam a igreja de Cristo.

Entretanto, o vídeo nega a Escritura dizendo que não há oficiais que governam a igreja e a quem devemos submissão, no Senhor. Jesus Cristo estabeleceu homens para governarem, cuidarem e edificarem a igreja (Ef 4.11ss; 1 Ts 5.12,13; 1 Co 16.15,16; 1 Tm 5.17; Tt 2.15). O SENHOR Deus revelou os requisitos para uma pessoa ser eleito um presbítero ou diácono. O apóstolo Paulo escreveu esses requisitos a Timóteo e a Tito (1 Tm 3.1-13 e Tt 1.5-9).

Portanto, espero, no Senhor, que você verifique o que tenho escrito nesses posts. Não deixe o diabo lhe enganar com mentiras tão grosseiras como estas faladas nesse vídeo. Não se prenda nas difamações, mas nos textos da Escritura. Compare a Escritura com o que é dito no vídeo.

Se você deseja, conforme a Escritura, aprender sobre o governo eclesiástico (da igreja) adquira:

A Igreja Apostólica - Que Significa? Ed. Os Puritanos. Autor: Thomas Witherow.

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Autor: Pr. Adriano Gama
Divulgação: Bereianos
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Jacob Armínio explicando sobre o livre arbítrio.

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Agora deixemos que James Arminius (1560-1609), o pai dos arminianos, fale sobre livre arbítrio do ímpio, em questões espirituais:

"Neste estado caído, o livre arbítrio do homem para o verdadeiro bem não é apenas ferido, mutilado, doente, dobrado, e enfraquecido, MAS ELE ESTÁ TAMBÉM PRESO, DESTRUÍDO, E PERDIDO. E OS SEUS PODERES NÃO SÃO APENAS DEBILITADOS E INÚTEIS a menos que seja assistido pela graça, MAS NENHUM PODER TEM exceto for animado pela graça divina" (Works of James Arminius, Volume II, 192-193).

"A mente do homem, neste estado, é escuro, DESTITUÍDA DO CONHECIMENTO SALVÍFICO DE DEUS, E, DE ACORDO COM O APÓSTOLO, INCAPAZ DESSAS COISAS QUE PERTENCEM AO ESPÍRITO DE DEUS... Por causa desta escuridão da mente acontece a perversidade dos Afetos e do coração , de formas que ele odeia e tem uma aversão ao que é verdadeiramente bom e agradável a Deus, mas ama e segue o que é mau... Exatamente correspondente a esta escuridão da mente, e na perversidade do Coração, é a fraqueza absoluta de todos os poderes para praticar o que é verdadeiramente bom, e omitir a prática de que é mal, de um modo devido" (Works of James Arminius; Volume II, 192-193).

"Esta é a minha opinião sobre o livre-arbítrio do homem: Em sua condição primitiva como ele saiu das mãos de seu criador, o homem foi dotado de uma parte como de santidade, conhecimento e poder, como lhe permitiu compreender, estimar, considerar, desejar, e para realizar o verdadeiro bem, de acordo com o mandamento entregue a ele. No entanto, nenhum desses atos que ele poderia fazer, a não ser através da assistência da Graça Divina. MAS EM SEU ESTADO CAÍDO E PECAMINOSO, O HOMEM NÃO É CAPAZ, DE E POR SI MESMO, A, PENSAR, DESEJAR, OU A FAZER O QUE É REALMENTE BOM, mas é necessário que ele seja regenerado e renovado em seu intelecto, afeições ou vontade, e em todos os seus poderes, por Deus em Cristo, através do Espírito Santo, para que ele possa ser qualificado justamente para entender, estimar, considerar, desejar, e realizar o que é verdadeiramente bom. Quando ele é feito participante desta regeneração ou renovação, eu considero que, já que ele está liberto do pecado, ele é capaz de pensar, querer e fazer aquilo que é bom, mas ainda não sem a ajuda contínua da Graça Divina." (Obras de Armínio, Volume 1).

Dica do Jailson Serafim, via Facebook.

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Canonicidade Bíblica

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Por Gaspar de Souza

Introdução

Praticamente não nos envolvemos em debates acerca da composição e extensão das Escrituras do Antigo e Novo Testamento. Isso porque já nascemos com uma Bíblia na mão, não importa a tradição. As Sociedades Bíblicas já nos entregam a “Bíblia” pronta e não percebemos que a “Coleção de Escritos” ali contida tem um longo processo de formação e calorosas discussões. Premissas acerca da Autoridade da Igreja, Inspiração dos Textos Sagrados, de sua Preservação, da Revelação e outros assuntos são subjacentes à Canônica [1]. 

Embora o resultado da forma final das “bíblias” [2]  seja decisão conciliar como veremos abaixo, é preciso um exame histórico-teológico da questão. Como diz F. F. Bruce [3]:

A crença cristã histórica é que o Espírito Santo, que presidiu à formação de cada um dos livros, também lhes dirigiu a seleção e incorporação, continuando assim a cumprir à promessa do Senhor de que ele guiaria os discípulos a toda verdade. Isso, no entanto, só pode ser discernido por uma percepção espiritual, e não por uma pesquisa histórica. Nosso propósito, então, é averiguar o que a pesquisa histórica revela sobre a origem do cânon neotestamentário. Alguns dirão que nós aceitamos os vinte e sete livros do Novo Testamento pela autoridade da Igreja, mas mesmo assim como essa instituição veio a reconhecer esses livros, e nenhum outro mais, como dignos de serem colocados no mesmo nível de inspiração e autoridade do cânon do Antigo Testamento?

Essas indagações nos conduzem a ver que muitos aspectos importantes acerca do Cânon ainda precisam ser debatidos. Para muitos, algumas questões resolvem-se apelando para as mesmas decisões conciliares. Por exemplo, entre os Protestantes, especialmente aqueles ligados à Confessionalidade Histórica, pode-se simplesmente apelar para uma Confissão e dar a discussão por encerrada. Vejamos o caso de nossos Símbolos, especialmente em sua Confissão de Fé. No Capítulo I e § 2 e 3, diz o Símbolo sobre a extensão do Cânon:

II. Sob o nome de Escritura Sagrada, ou Palavra de Deus escrita, incluem-se agora todos os livros do Velho e do Novo Testamento, que são os seguintes, todos dados por inspiração de Deus para serem a regra de fé e de prática: O Antigo Testamento: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes, Rute, I Samuel, II Samuel, I Reis, II Reis, I Crônicas, II Crônicas, Esdras, Neemias, Ester, Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Isaías, Jeremias, Lamentações de Jeremias, Ezequiel, Daniel, Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias. O Novo Testamento: Mateus, Marcos, Lucas, João, Atos, Romanos, I Coríntios, II Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, I Tessalonicenses, II Tessalonicenses, I Timóteo, II Timóteo, Tito, Filemon, Hebreus, Tiago, I Pedro, II Pedro, I João, II João, III João, Judas, Apocalipse. III. Os livros geralmente chamados Apócrifos, não sendo de inspiração divina, não fazem parte do cânon da Escritura; não são, portanto, de autoridade na Igreja de Deus, nem de modo algum podem ser aprovados ou empregados senão como escritos humanos.

Note que a CFW apresenta os 66 livros como o temos hoje nas Bíblias Protestantes, bem como a rejeição dos livros chamados apócrifos, mas não apresenta os critérios para esta coleção. Houve um longo processo histórico para aceitação e, ainda hoje, pelo menos entre os Protestantes, não há mais discussão sobre tal extensão.[4] No entanto, as Bíblias Católicas possuem uma extensão diferente dos Protestantes.

O estudo do Cânon é importante para que se possa obedecer a Deus de forma correta e não incorrer em morte: “Porque esta palavra não vos é vã, antes é a vossa vida; e por esta mesma palavra prolongareis os dias na terra a qual, passando o Jordão, ides a possuir” (Dt 32. 47).

Nome e Conceito (Canonicidade e Apócrifos) [5]

A palavra Cânon (kanw,n), de origem semita, significa cana de medir ou régua. Segundo informa Philipp Vielhauer, [6]  o uso figurado do termo foi aplicado a diversas áreas: estética, gramatical, hermenêutica, ética, filosófica e religiosa. Passou a ter, então, o sentido de norma ou regra. O termo aparece 62 vezes no AT (Jó 31. 22; Is. 46. 6; 2 Rs. 18. 21).

No Novo Testamento (NT) a palavra kanón aparece 4 vezes: em Gl 6. 16: “e, a todos quantos andam conforme esta regra”; Paulo usa no sentido de regra moral ou lei moral e em 2Co. 10. 13, 15, 16, onde aparece respectivamente “reta”, “nossa regra”, “além”, com o sentido de esfera de ação demarcada por Deus.

Entre os Pais da Igreja, pode-se verificar que Clemente de Roma usa a palavra como “cânon de obediência”. Clemente de Alexandria chama a harmonia do Antigo e NT de “cânon eclesiástico”. Irineu, em referência ao Credo Batismal, o chama-o “Cânon da Verdade” (kanw.n tn/j avlhqei,aj). Policarpo chama o Evangelho de “Cânon da Fé”. As Sagradas Escrituras foram chamadas de “regra (cânon) de todas as coisas”, enquanto Isodoro de Pelúsio a chama de “divinas Escrituras, Cânon da Verdade”. Muitos são testemunhos antigos que poderiam ser alistadas aqui para mostra que o termo “cânon” já estava sendo utilizado como um padrão, uma regra.

É óbvio que a Igreja em si não precisou formar para si a ideia de um cânon,[7]  até porque o Cristianismo, como descendente do Judaísmo (At 9.2;24.5,14;28.22), não estava sem uma “Escritura Sagrada”. Simplesmente, o Cristianismo recebeu como Palavra de Deus as “Antigas Escrituras” como autoridade a priori.[8] As palavras de Benjamin Warfield são interessantes aqui. Diz ele:

A igreja cristã não precisou formar para si a ideia de um ‘cânon’ [...], ou seja, de uma coleção de livros dados por Deus para ser a regra autoritativa de fé e prática. Ela herdou esta ideia da igreja judaica, juntamente com a coisa em si, as Escrituras judaicas, ou o cânon ‘do Antigo Testamento’ [...] A igreja cristã, portanto, nunca existiu sem a ‘Bíblia’ ou sem um ‘cânon’ [9]

Porém, o termo Cânon foi aplicado aos escritos do AT/NT no 4.º século e isso em dois sentidos: [10] primeiro, como “registro oficial”, um “catálogo”, aplicado à lista dos livros reconhecidos na Igreja como escritos sagrados. No segundo sentido, o termo foi usado como “norma normans” (norma normativa), aplicado à Coleção de Escritos Sagrados como regra de ensino e vida de igreja pelo conteúdo destes escritos. Portanto, quando a Igreja Cristã recebeu e confirmou a lista dos livros aceitos e recebidos como inspirados, a palavra cânon passou a ser usada para expressar o conteúdo das Escrituras como se encontra nestes livros. Assim, “cânon é o corpo de escritos havidos por únicos possuídos de autoridade normativa para a fé cristã, em contraste com os escritos que não o são, ainda que contemporâneo”.

Quanto ao termo “apócrifo” (gr. Apokryphos), que significa “oculto”, “secreto” ou “escondido”. Segundo Geisler,[11] o termo “geralmente se refere a livros polêmicos do AT que os protestantes rejeitam e os católicos romanos e as igrejas ortodoxas aceitam”. Porém, os que aceitam tais livros os chamam de “deuterocanônicos”, distinguindo, assim, dos livros do Cânon Judaico (AT) chamado de Protocanônico.

O termo foi aplicado primariamente a “livros místicos de sentido obscuro e esotérico que só se deveriam colocar nas mãos de uns poucos iniciados, capazes, por isso mesmo, de os entenderem, pois ao povo em geral eram inteiramente ininteligíveis”. Assim foi chamado o livro de Zoroastro. Posteriormente o termo passou a designar a literatura espúria, falsa ou fictícia e, por fim, aos heréticos. Daí “entre os cristãos”, diz Bentezen , o termo significar os “escritos que estão excluídos do Cânon”. Entre os Judeus havia um termo para diferenciar entre os Canônicos e Apócrifos: “os que mancham as mãos” e “os que não mancham as mãos”.

A Revelação Auto-Autenticada de Deus – Critério Primeiro para Canonicidade [14]

Para nossa discussão neste escrito, propomos estudar o tema do Cânon começando com o pressuposto da Revelação de Deus. Primeiro, porque, como Cristãos, justificamos nossas crenças no próprio Deus e não nas opiniões ou especulações humanas. Sendo assim, a Revelação é a garantia de nosso conhecimento. Na Luz do Senhor vemos a Luz (Sal 36.9). Ora, se em Cristo Jesus estão escondidos todos os tesouros da sabedoria, então o princípio de nossa sabedoria começa com o Senhor Jesus e sua revelação auto-autenticada (Col 3.2).

Sendo assim, primeiramente trataremos da auto-autenticação dos Documentos Bíblicos, percebendo que não é a Igreja que tem autoridade sobre as Escrituras, mas, sim ao contrário: as Escrituras, sendo Revelação de Deus, têm autoridade sobre a Igreja. Diferente dos Romanistas, não repousamos a nossa fé na Tradição, mas sobre o testemunho de Deus como registrado em sua Palavra.[15] São apropriadas as palavras de Charles Hodge [16]:  

Não cremos que o Novo Testamento seja divino com base no testemunho da Igreja. Aceitamos os livros incluídos nas Escrituras canônicas sobre a dupla base da evidência interna e externa. Pode-se provar historicamente que esses livros foram escritos por homens cujos nomes carregam; e pode-se também provar que esses homens foram instrumentos devidamente autenticados do Espírito Santo. A evidência histórica que determina a autoria do Novo Testamento não é exclusivamente a dos pais cristãos. O testemunho dos escritores pagãos é, em alguns aspectos, de maior peso que o dos próprios pais. Podemos crer no testemunho da testemunho da história inglesa, eclesiástica e secular, de que os Trinta e Nove Artigos foram elaborados pelos reformadores ingleses, sem sermos tradicionalistas. De igual forma, podemos crer que os livros do Novo Testamento foram escritos pelos homens cujos nomes carregam sem admitir a tradição como parte da regra de fé. Além disso, a evidência externa de qualquer gênero é uma parte bastante subordinada do fundamento da fé protestante nas Escrituras. Esse fundamento é principalmente a natureza das doutrinas nela reveladas, bem como o testemunho do Espírito, com e pela verdade, ao coração e à consciência. Cremos nas Escrituras pela mesma razão que cremos no Decálogo.

Sendo assim, o fundamento para aceitação dos Livros autoritativos independe de alguém reconhecer ou não sua canonicidade. Antes, a “natureza (ou razões) da canonicidade é, portanto, logicamente distinta da história (ou reconhecimento) da canonicidade”. [17] Então, de que depende? Tenho, dentro deste arcabouço pressuposicional, que dois fatores são primordiais. O primeiro, a Inspiração torna a autoridade de um livro reconhecidamente divino. Se Deus falou, o que ele diz é autoridade suficiente. Na entrega de Sua Palavra, Deus mesmo é a sua garantia Cf. Gn 22. 16; Hb 6.13). Independente da resposta humana, os escritos são, em si mesmo, canônicos. A Escritura, portanto, não se torna divina através de reconhecimento individual ou coletivo [18]. Pode parecer que esse critério seja subjetivo, mas não é. Antes, ele é corroborado pela própria Escritura (Deut. 4.2; Pv 30. 5, 6; Apoc. 22. 18, 19). [19] Segundo, aliado à Inspiração, temos também a Providência. Nem tudo que Deus revelou foi preservado ou escrito (Nm 21.14; Js 10. 31; 2Cro 9.29; 12.15; Jo 21.25; 1Co 5.9; 12.28; 2Co 2.4; 7.8; 12.4, 7; Rev. 10.4), nem por isso era menos autoritativo do que o que foi escrito e preservado. O Cânon para e da igreja, então, deve ser aquele que foi inspirado e preservado. [20]

Nesse sentido, o que temos? Das coleções mais antigas da Bíblia, iniciando pelos Dez Mandamentos, [21] quando o próprio Senhor escreveu as Tábuas (Êx. 31.18), lemos também: “E aquelas tábuas eram obra de Deus; também a escritura era a mesma escritura de Deus, esculpida nas tábuas” (Êx 32.16; Dt 4.13; 10.4). As Tábuas foram guardadas e preservadas na Arca da Aliança (Dt 10.5). A partir daí, a revelação escrita e que seria preservada cresce por meio da daqueles a quem o Espírito Santo falou (2Pe 1.21). Desse modo, Moisés, como profeta de Deus (Dt 34.10), recebeu de Deus a ordem para escrever sua revelação (Dt 31. 24 – 26; Êx 17.14; 24.4; 34.27; Nm 33.2; Dt 31.22). O mesmo se deu com Josué (Js 24.26). Wayne Grudem chama a atenção de que esse acréscimo feito por Josué seria impensável frente à advertência de nada acrescentar à Palavra de Deus (Dt 4.2; 12.32). [22] A conclusão é que, ou Josué desobedeceu ou que estava tão certo de que o que ele escrevia era revelação autorizada de Deus. Os Escritos de Moisés foram recebidos como Palavra de Deus. Por exemplo, de Josué, que recebeu a ordem de estudar e guardar as palavras reveladas a Moisés (Js 1. 7,8) a Malaquias (4.4 – 6), a Lei revelada a Moisés considerada como a Palavra de Deus, não sendo preciso um concílio (ou a antiga igreja) a definir sua canonicidade.

Especialmente relevante é o aumento dos escritos por parte dos profetas (Cf. 1Sm 10.25; 1Cr 29.29; 2Cro 20.34; 1Rs 16.7; 2Cr 26.22; 32.32; Jr 30.2). A partir de então, cada escrito inspirado era reconhecido (testemunho interno do Espírito Santo?) por outros profetas. Daniel (9.2) reconheceu a autoridade dos escritos de Jeremias (25. 11, 12) [23].  O mesmo aconteceu com o trato que Jeremias deu a Miquéias (Jr 26.18), que o precedeu 125 anos antes. [24] Por volta de 435 a.C, já não mais havia acréscimo ao que ficou conhecido como “Tríplice Divisão”. Na literatura judaica após este período, estabelecido estava a certeza que não mais havia novas palavras dos profetas. Por exemplo, em 1Macabeus (9.27) se diz: “Israel caiu numa tribulação tão grande como não houvera desde que cessaram os profetas”.  Sabedoria de Ben Siraque, também conhecido como Eclesiástico (c. 200-180), já mostra que o Antigo Testamento encontrava-se organizado em “a Lei, os Profetas e os outros Escritores” (Prólogo. Cf. 49.8 -10; 44 – 50). O segundo livro de Macabeus (c. 104-64 a.C; 2.13) relata os livros sagrados já reconhecidos, entre eles as “Memórias de Neemias”, os “livros referentes aos reis e aos profetas, os escritos de Davi e as cartas dos reis sobre as oferendas”. Digno de nota é que, já no período cristão, não encontramos absolutamente nenhuma discussão entre Jesus e os Líderes Religiosos de Israel sobre a extensão do Cânon do Antigo Testamento. Antes, as referências às Divisões do Antigo Testamento são abundantes (Lc 24.44; Cf. Mt 5.17; Lc 16.16,17). [26]

O mesmo pode ser dito Acerca do Novo Testamento. A comunidade cristã primitiva recebeu o Antigo Testamento como o temos hoje (Cf. Rm 3.2). Aqueles que foram comissionados por Cristo estavam cientes de que suas palavras eram revelação, a ponto de colocarem-na ao lado do Antigo Testamento. Segundo Vilhauer. [27] 

O fato de que o cristianismo primitivo possui, desde o início, uma “Escritura Sagrada” no posteriormente assim chamado AT e que o usava, fornece critérios para o reconhecimento da canonicidade de um escrito cristão: um escrito cristão somente atingiu a categoria de uma ‘escritura sagrada’, portanto, validade canônica, quando é tratado do mesmo modo como o AT. Isso quer dizer, quando é usado como grafh,, e isso se revela no modo de citação. Portanto não já pelo simples fato de um escrito cristão ser citado tacitamente em outro escrito, e, sim, primeiro quando é citado, como o Antigo Testamento, como grafh, - por meio de fórmulas como le,gei h` grafh, (Gl 4.30), w`j kaqw.j ge,graptai (1Co 1.31; Rm 1.17, et passim), ou le,gei to. pneu/ma to. a[gion (Hb 3.7) – ele está no mesmo nível do AT, Sagrada Escritura, “canônico”.

Percebemos que o critério revelacional, ao invés do institucional, foi prioritário na aceitação de um corpus canônico neotestamentário. O reconhecimento Apostólico [28], à semelhança do reconhecimento profético, estava no fundamento para a autoridade do Novo Testamento. Tal como no Antigo Testamento, o Novo Testamento também fornece as indicações de sua canonicidade. Por exemplo, acerca das Cartas Paulinas, elas deveriam ser lidas publicamente nas igrejas. Em 1Tessalonicenses 5.27, Paulo “conjura” “pelo Senhor” que sua epístola fosse lida em todas as igrejas. Essa ordem só faria sentido dentro da concepção de que o que Paulo escrevia teria que ser considerado ensinamento do Senhor para a Igreja (Cf. Col 4.16). Com essa convicção, Paulo considerava que suas palavras eram aquelas que o “Espírito Santo” ensinava (1Co 2.13) de modo que suas instruções eram de autoridade divina. Diz o Apóstolo: “Se alguém cuida ser profeta, ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor” (1Co 14. 37). Não por menos que a Igreja recebeu seus escritos como Palavra de Deus (1Tes 2.13; 2Tes 2.15) e que aqueles que não atentassem para suas Palavras, não deveriam ter associação com os Crentes. Diz ele: “Mas, se alguém não obedecer à nossa palavra por esta carta, notai o tal, e não vos mistureis com ele, para que se envergonhe” (2Tes 3.14).

De igual modo, outros escritos apostólicos também foram colocados lado a lado com o Antigo Testamento. Assim fez Pedro, por exemplo, pondo as Cartas de Paulo [29] ao lado das “demais Escrituras” que eram deturpadas pelos indoutos. Paulo também não tem o menor constrangimento ao ladear, chamando de Escritura, as palavras de Moisés junto ao Evangelho de Lucas (1Tm 5.18; Dt 25.4; Lc 10.7). De acordo com o argumento de Grudem: [30] 

Se aceitamos os argumentos favoráveis ao ponto de vista tradicional da autoria dos escritos neotestamentários, então a maior parte do Novo Testamento pertence ao cânon por causa da autoria direta dos apóstolos. Isso incluiria Mateus; João; Romanos a Filemon (todas as epístolas paulinas); Tiago; 1 e 2 Pedro; 1, 2 e 3 João; e Apocalipse.

Mas, não consta acima os Evangelhos de Marcos, Lucas, Atos, Hebreus e Judas. Ora, o que sabemos acerca de Jesus Cristo depende da palavra escrita nestes Evangelhos. A proximidade dos relatos nas narrativas é tanta que, a rejeição de um deles implicará a rejeição dos outros. [31]  Por exemplo, 606 dos 661 versículos de Marcos aparecem em Mateus. Dos 1068 versos de Mateus, cerca de 500 também se acham em Marcos. Há apenas 31 versos que estão em Marcos, mas não estão em Mateus e Lucas. [32]  A relação entre Lucas e Mateus e Marcos é também considerável. Mateus e Lucas possuem 250 versos em comum, sem qualquer paralelo com Marcos. Ou seja, Mateus e Lucas compartilham de informações que Marcos não possui. Lucas compartilha 380 versos com Marcos, embora com poucas variações. Se o Evangelho de Lucas é, então, aceito como canônico pela comunidade primitiva, o mesmo se deu com Atos, também escrito por Lucas. Além do mais, tais escritos não apostólicos circularam lado a lado com os Escritos Apostólicos, tendo, portanto, o testemunho pessoal dos Apóstolos para confirmação da autoridade divina dos livros. [33]

Em tudo isso, verificamos que os Escritos Apostólicos, diferentemente dos Apócrifos, foram recebidos como um “corpo de verdade”, um “depósito” (1Tm 6.20, 21; 2Tm 2.14) ou, como diz o escritor Judas, “a fé que uma vez foi dada aos santos” (Jd 3), certamente pelos Apóstolos e Profetas, os Fundamentos da Igreja (Ef 2.20), de cujas palavras os Cristãos deveriam lembrarem-se (Jd 17).
Frederick F. Bruce, [34]  após exaustiva pesquisa sobre a formação do Cânon, escreveu: “Portanto, todas as reivindicações para transmitir uma revelação adicional... são alegações falsas... se estas reivindicações são incorporadas nos livros que visam substituir ou completar a Bíblia, ou assumir a forma de extra-tradições bíblicas, tais reivindicações são proclamadas como dogmas pela autoridade eclesiástica”

E os outros escritos? Aplicação da abordagem pressuposicional do Cânon das Escrituras

Bom, alguém talvez possa objetar afirmando que o que foi escrito acima também possa ser aplicado aos Apócrifos (ou ao Corão, ou aos Vedas etc), visto que a Igreja Romana aceita os “deuterocanônicos”. No entanto, não foi se não em 1546, no Concílio de Trento, que a Igreja adotou tais livros oficialmente. Historicamente, alguns dos Pais aceitaram alguns Apócrifos do Novo Testamento. Por exemplo, a Epístola de Barnabé (c. 70-79 d.C), escrita por Clemente de Alexandria, faz parte do Códice Sinaítico, manuscrito do século IV. Ao mesmo tempo, escritos apostólicos tiveram sua autenticidade duvidada, como foi o caso de Hebreus, Tiago e Judas.

Não é que o testemunho histórico seja sem importância. Historicamente, os 27 livros do Novo Testamento já eram aceitos na comunidade pós-apostólica desde cedo. D. A. Carson [35]  diz que “os quatro evangelhos, Atos, as 13 epístolas paulinas, 1 Pedro e 1 João são universalmente aceitos já bem cedo; a maior parte do restante do cânon do Novo Testamento já está estabelecida à época de Eusébio (c. 260 – 340 d.C)”. Porém, a primeira lista a incluir apenas os 27 livros como o temos hoje, é datada de 367 d.C numa carta escrita por Atanásio à igreja de Alexandria. No Ocidente, o debate sobre a composição do Novo Testamento como o que temos hoje encerra-se no Terceiro Concílio de Cartago (397), tendo a presença de Agostinho.

A despeito disso, devemos sempre apelar para a autoridade final da Revelação. Os Protestantes, além dos fatores históricos, devem rejeitar os Apócrifos (AT/NT) com base na reivindicação da autoridade final, especialmente na coerência da revelação. Como exemplo, podemos contrastar as palavras de Paulo em Primeira Coríntios 14.37, 38; em Gálatas 1.8 com as palavras do autor de Segundo Macabeus. Enquanto Paulo diz “se alguém cuida ser profeta, ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor” (1Co 14.37), o autor de Macabeus diz: “Assim terminou a história de Nicanor. Como desde esse tempo a cidade ficou em poder dos hebreus, eu também porei aqui o ponto final em nossa história. Se consegui deixá-la bem escrita e construída, isso é o que eu queria. Se saiu vulgar e medíocre, fiz o melhor que podia” (2Mc 15.37,38). Em outra ocasião, o próprio autor de Macabeus reconheceu que são “com textos da Lei e dos Profetas” que se devia exortar ao encorajamento (15.9). Tais escritos não foram recebidos pelos crentes da Antiga nem da Nova Aliança.

Sem contar os erros históricos, éticos e teológicos contidos em tais livros. [36] Por exemplo, Tobias (c. 200 a.C) alega ter vivido quando da revolta de Jeroboão (c. 931 a.C) e a conquista de Israel pela Assíria (722 a.C), embora sua idade total, conforme registro, fosse de 158 anos (Cf. Tob 1.3-5; 14.11). De acordo com Judite, o rei da Assíria era Nabucodosor (Jud. 1.1, 7). Enquanto as Escrituras ensinam que Deus criou o mundo a partir do nada (Gn 1.1; Hb 6.3), o livro de Sabedoria ensina que havia matéria (7.17) e Segundo Macabeus ensina a oração pelos Mortos (12.45, 46).

Por fim, perceba no quadro abaixo a maneira correta de discutir o assunto: [37]

 Idéia Incorreta de Canonicidade Idéia Correta de Canonicidade
A Igreja é a Determinadora do Cânon.  A Igreja é a Descobridora do Cânon.
A Igreja é a Mãe do CânonA Igreja é a Filha do Cânon.
 A Igreja é o Magistrado do Cânon.  A Igreja é a Ministra do Cânon.
 A Igreja é a Reguladora do Cânon.  A Igreja é a Reconhecedora do Cânon.
 A Igreja é o Juiz do Cânon.  A Igreja é a Testemunha do Cânon.
 A Igreja é a Mestra do Cânon.  A Igreja é a Serva do Cânon.

Conclusão

Obviamente, questões outras são levantadas e passíveis de muitas discussões. Dentre elas, a do fechamento do Cânon e a se há ou não a possibilidade de novas revelações escritas.

Porém, talvez a mais contemporânea seja a desconfiança do Cânon como o temos hoje. Especialmente no ressurgimento dos escrito Gnóstico [38]  e por Críticas cinematográficas ao Cristianismo Tradicional [39], mas não menos em segmentos que agora não se denominam mais como igrejas. [40]  No primeiro caso, a crítica é histórica, procurando compreender as razões que levaram ao Cristianismo a rejeitar os Gnósticos. [41]  Não é muito difícil reconhecer o motivo da rejeição dos Escritos Gnósticos. Mas que a questão retorna ao cenário, tal como nos primeiros séculos, como bem pode ser visto pelas obras polemistas do Dr. Bart Ehrman. [42]

O segundo caso, e para mim mais preocupante, é fruto do subjetivismo kierkegaardeano em nossa época. Por uma voz interior têm rejeitado completamente as palavras das Escrituras. [43] Aliás, encontramos a formulação de um “cânon dentro do cânon”. Agora, os mais importantes são os Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João) e não as Cartas Paulinas ou mesmo o Antigo Testamento. Certo dia ouvi um líder de uma comunidade dizer: “Se o que Isaías ou Paulo dizem for contrário ao que Jesus Cristo diz, então fico com Cristo”.

Até parece extremamente piedoso, mas a implicação é que a Escritura, de Gênesis a Apocalipse, deve conter alguma contradição e, assim, não é ela toda revelação de Deus. Tal postura denunciaria, nas palavras de F.F. Bruce, [44] “uma incapacidade de apreciar o que realmente é o cânon [...]”. Além de criar duas realidades hermenêuticas: 1) a do próprio Cristo e; 2) a dos Apóstolos e Profetas. O resultado disso é a impressão de que os dois se contradizem, como se as Palavras dos Apóstolos e Profetas também não fossem as palavras de Cristo. [45]  Por exemplo, Pedro disse que sobre os Profetas estava o Espírito de Cristo (2Pd 1.10-12). O Evangelho de Paulo é o mesmo do de Cristo (Ef 3.1 – 11) e rejeitá-lo ou corrompê-lo é tornar-se anátema (Gl 1.8). Desse modo podia Jesus dizer que consultando Moisés, os Profetas e os Escritos, encontrar-se-ia o próprio Cristo, a vida eterna (Jo. 5.39). A promessa feita a Abraão é chamada de Evangelho (Gal 3. 6) e quem fez esta promessa foi a Escritura!

Para os neo-evangélicos, sempre que alguma coisa soar (leia-se as palavras dos Profetas ou Apóstolos) diferente do que supostamente Jesus falou, [46]  fica-se com o nível infalível (as palavras que concordam com Cristo) e rejeita-se o nível falível (as outras palavras). A conclusão seria: NEM toda ESCRITURA é DIVINAMENTE inspirada. E também: ALGUMAS profecias da Escritura SÃO de PARTICULAR INTERPRETAÇÃO (dos Profetas e Apóstolos).

A posição, portanto, é contraditória e perigosa. Assim, a implicação de tal postura é uma espécie de fideísmo. Porém, não temos Cristo sem Escritura; não temos Escritura sem Cristo. É Christus, Solus Christus EM Tota Scriptura, Sola Scriptura!

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Notas: Para conferi-las, veja no final do link original.

Sobre o autor: Ministro da Igreja Presbiteriana do Brasil; Docente nos Seminários Presbiteriano do Norte - Recife;  e no Seminário Pentecostal do Nordeste nas áreas de Teologia Exegética e Apologética. Mestrando em Teologia pelo Centro de Pós-Graduação Andrew Jumper (Mackenzie). Casado e pai de duas filhas.

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Homossexualidade é pecado!

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Por Rev. Ronald Hanko


Não é difícil crer que tem havido por muitos anos uma campanha organizada no governo e na mídia para promover um “entendimento” da homossexualidade. Dessa forma, a homossexualidade tem se tornado mais e mais aceita como algo “normal” em nossa sociedade. Mesmo a igreja tem, de modo geral, se rendido nessa questão.

Que a homossexualidade é aceita na sociedade e na igreja, contudo, não significa que ela é aceitável a Deus. A Bíblia fala claramente sobre a homossexualidade. E visto que a Bíblia é a Palavra de Deus, toda discussão deve começar e terminar com o que a Bíblia diz. Você sabe o que a Bíblia diz?

A Bíblia diz claramente que a homossexualidade é pecado. Alguns podem não concordar com o que a Bíblia diz, mas não pode haver dúvida que isso é o que ela ensina. O livro de Romanos, capítulo 1, versículos 26-32, por exemplo, chama a homossexualidade de uma afeição “infame” e fala dela como algo que é “contrário à natureza” – algo que Deus julgará.

"Por causa disso, os entregou Deus a paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza; semelhantemente, os homens também, deixando o contacto natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro. E, por haverem desprezado o  conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes, cheios de toda injustiça, malícia, avareza e maldade; possuídos de inveja, homicídio, contenda, dolo e malignidade; sendo difamadores, caluniadores, aborrecidos de Deus, insolentes, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais, insensatos, pérfidos, sem afeição natural e sem misericórdia. Ora, conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem."

Todos os argumentos de que a homossexualidade é genética, de forma que uma pessoa não pode fazer nada sobre isso, não mudam o que Deus diz em Sua Palavra. Nem podem os cristãos que creem na Bíblia ficar em silêncio sobre o que a Palavra de Deus diz, mesmo que a questão toda seja altamente carregada de emoção e política.

Porque a homossexualidade é pecado, a mesma coloca homens e mulheres debaixo da ira de Deus e em perigo dos Seus julgamentos. O mesmo capítulo e versículos de Romanos já mencionados nos dizem que o julgamento de Deus contra a homossexualidade e outros pecados é esse: aqueles que cometem tais pecados são dignos de morte.

Condenar a homossexualidade como pecado, contudo, não é excluir os homossexuais praticantes e aqueles que lutam com desejos homossexuais de qualquer esperança de salvação. A homossexualidade não é o pecado imperdoável. O sacrifício e morte de Jesus Cristo são a ajuda e esperança de todos os pecadores que se arrependem.

No livro de 1 Coríntios, capítulo 6, versículos 9-11, a Bíblia diz o seguinte de alguns membros da igreja: “Tais fostes alguns de vós”. Mas diz também: “mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus”.

"Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus. Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus."

Estamos mais interessados, portanto, que aqueles que estão envolvidos nesses pecados sejam chamados ao arrependimento e confissão de pecado diante de Deus. Possam aqueles que estão envolvidos em tais pecados, dizerem pela graça de Deus: “Tais fomos alguns de nós, mas fomos lavados e santificados”.

Tradução:  Felipe Sabino de Araújo Neto
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Fé e Ciência no Século XXI - próximo grande evento no Mackenzie!

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Por Augustus Nicodemus Lopes


A relação entre fé e ciência continua no palco das grandes discussões de nossos dias. O tema será alvo de um encontro a ser realizado no Mackenzie nos dias 14 a 15 de maio. Já estão confirmados os seguintes palestrantes:

Dr. Karl Kienitz - concluiu o doutorado em Engenharia Elétrica na Eidgenössische Technische Hochschule Zürich (ETHZ), Suíça, em 1990. Atualmente é Professor Associado do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Foi bolsista da Fundação Humboldt e pesquisador visitante do Centro Aeroespacial Alemão (DLR) em 1996/7 e 2004/5, e da Universidade Técnica de Berlim de 12.2012 a 02.2013. Publicou mais de 30 artigos em periódicos especializados e mais de 120 trabalhos em eventos. Possui 1 livro publicado na área de Engenharia Elétrica. Atua nas áreas de Engenharia Elétrica e Engenharia Aeroespacial, com ênfase em Sistemas e Controle.

Dr. Anderson Correia - Possui graduação em Engenharia Civil pela Universidade Estadual de Campinas (1998), mestrado em Engenharia de Infraestrutura Aeronáutica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (2000) e doutorado em Engenharia de Transportes - University of Calgary (2004). Atualmente é professor e pró-reitor de extensão e cooperação do Instituto Tecnológico de Aeronáutica. É pesquisador do CNPQ. Assessor da FAPESP e CNPQ.

Dr. Johannes Janzen - professor de engenharia na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Possui doutorado em Hidráulica e Saneamento pela Universidade de São Paulo com período sanduíche na Universidade de Karlsruhe, Alemanha. Tem experiência na área de Engenharia Civil e Ambiental com ênfase em Fenômenos de transporte e Hidráulica.

Dr. Marcos Eberlin - Graduação (1982), mestrado (1984) e doutorado (1988) em Química pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP e pós-doutorado no Laboratório Aston de Espectrometria de Massas da Universidade de Purdue, USA (1989-1991). Atualmente é professor titular MS-6 da Universidade Estadual de Campinas, na qual coordena o Laboratório ThoMSon de Espectrometria de Massas (http://thomson.iqm.unicamp.br). É membro da Acadêmia Brasileira de Ciências (2002) e comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico (2005). Recebeu o Prêmio Zeferino Vaz de Reconhecimento Acadêmico (2002) e Prêmio Scopus-Capes (2008) de excelência em publicações e formação de pessoal. É presidente (2009) da Sociedade Internacional de Espectrometria de Massas (IMSF) e vice-presidente da Sociedade Brasileira (BrMASS), e editor associado dos periódicos Advances da Royal Society of Chemistry e Jounal of Mass Spectrometry da Wiley. Orientou quase uma centena de mestres, doutores e pós-doutores e seu grupo de pesquisa conta hoje com cerca de 45 pesquisadores. Já publicou cerca de 500 artigos científicos (2012) com mais de 6500 citações em áreas diversas da Química e Bioquímica, e Ciências dos Alimentos, Farmacêutica e dos Materiais

Dr. José Maria Bechara - possui graduação em Bacharelado Em Física pela Universidade de São Paulo (1968) , mestrado em Física [Sp-Capital] pela Universidade de São Paulo (1973) , doutorado em Física [Sp-Capital] pela Universidade de São Paulo (1979) e pos-doutorado pela Massachussets Institute Of Technology (1981) . Atualmente é professor doutor da Universidade de São Paulo.

Dr. Marcel Mendes - Engenheiro Civil pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (1971), Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (1999) e Doutor em Ciências (Área de concentração História Social) pela Universidade de São Paulo (2005). Especialista e Consultor na área de estruturas em concreto armado, é Professor Titular e ex-Diretor (três mandatos) da Escola de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Atua como docente-pesquisador nos seguintes temas: Avaliação, Ensino de Engenharia, Ensino de Arquitetura, História da Ciência & Tecnologia no Brasil, História Institucional do Mackenzie e História do Protestantismo no Brasil.

Veja alguns dos temas das palestras e oficinas que serão ministradas:

“A história do conflito entre religião e ciência"
“Fé cristã & ciência ao invés de especulações teológicas x especulações científicas”
“Os limites da ciência”
"Fé cristã, ciência, universidade: aprendendo a viver com algumas certezas e muitas perguntas".
"A teoria do Design Inteligente: Ciência ou Religião?" 
“A ciência refuta a fé cristã?”
"Ciência e Fé na história do Mackenzie"

Em breve as inscrições estarão aberta ao público.

Divulgação: Bereianos
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O argumento fracassado de Leandro Quadros contra o DOMINGO – Final

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Por Luciano Sena


Os últimos argumentos apresentados por Leandro Quadros, na sua primeira postagem contra o Domingo, são:

“Nem o Pai nem o filho reclamaram o domingo como “SEU” em qualquer sentido. Se seguirmos a lógica dos oponentes (em guardar o domingo por que Jesus ressuscitou no primeiro dia), poderíamos santificar a sexta-feira – o dia da crucificação. Ele não tem menos importância para nós cristãos! Por que não chamar o dia da “ascensão” de “dia do Senhor?” Qual critério bíblico é utilizado para dizer que o momento da ressurreição é mais importante que o dia em que Cristo morreu e subiu aos céus?” (AQUI)

Em primeiro lugar, a argumentação só teria alguma validade SE o texto de Apocalipse 1.10 não fosse aplicado ao primeiro dia da semana. João Ricardo Ferreira diz: “O significado do termo “Kyriakê Hêmera” literalmente é: que diz respeito ao Senhor, fala do Senhor, senhorial, dominical... A Tradução de Apocalipse 1.10 seria: Eu fui arrebatado no dia Senhorial. O sinônimo usado é “dominical”. 

Segundo, a prática litúrgica neotestamentária não enfatizou o dia da morte, nem da ascensão, e sim o dia da ressurreição (apesar de a Ceia do Senhor lembrar a morte e a volta de Cristo).

Leandro Quadros continua sua investida contra o dia do Senhor: “Toda a vez que o Novo Testamento se refere ao primeiro dia da semana, usa a expressão “primeiro [dia] após o sábado” (Mt 28:1; Mc 16:2; Lc 24:1; Jo 20:1,19; At 20:7; 1Co. 16:2). Ou, “segundo [dia] após o sábado”, etc. Isto dá mais valor ao sétimo dia como ponto central da semana, para os escritores evangélicos.”

Isto dá mais valor?! Como?

Ao contrário, está enfatizando que o sábado ficou para trás! Que o ponto da confissão de fé salvífico, da Igreja Eleita, foi realizado NO primeiro dia da semana:

“Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.”  Romanos 10.9

Deus preservou por meio da Igreja do Novo Testamento, um testemunho semanal da Ressurreição do Senhor Jesus Cristo: O Domingo!

Conclusão:

Como eu disse em postagens anteriores, os argumentos de Leandro Quadros são apenas celeumas religiosas. Mais nada. O trabalho dele é vomitar o que bebeu de sua 'fonte de verdade', Ellen White! Que segundo ela, a marca da besta será o domingo. Por isso, ele precisa ser um feroz opositor do dia do Senhor, dia oficial da celebração cristã.

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Os cristãos e o álcool - R. C. Sproul

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Por R.C. Sproul


"Lembro-me de certo jantar em que eu estava com um grupo num restaurante. A garçonete veio nos servir e perguntou: "O que desejam para beber? Alguém gostaria de um drinque?". Um dos nossos anfitriões a cortou dizendo: "Não, somos cristãos". O presunçoso farisaísmo de nosso anfitrião não somente embaraçou a garçonete, que estava simplesmente fazendo seu trabalho, mas passou uma mensagem errada sobre o cristianismo. Cristianismo não é sobre comida nem bebida.

Beber álcool é um assunto controverso na comunidade cristã. Muitos argumentam que Jesus nunca bebeu vinho e que quando os fariseus o chamaram de beberrão estavam distorcendo a verdade. Eles também argumentam que o vinho que Jesus criou nas bodas de Caná era sem fermento. Esse tipo de argumento, contudo, reflete uma péssima e tortuosa abordagem do texto bíblico; isso acontece quando as pessoas abordam o texto bíblico com um viés cultural. Muitos estão convencidos de que a abstinência total é o único caminho espiritual, mas não aprendemos tal coisa das Escrituras - nem do Antigo Testamento ou da celebração da Páscoa. Se fizéssemos um estudo da palavra vinho na Bíblia, veríamos as coisas como são. Deus santificou a bebida e alertou contra o excesso, porque embebedar-se é pecado. Deus não faria advertências contra a embriaguez para pessoas que bebiam suco de uva.

Essa visão é ofensiva para muitos. Os que estão convencidos de que não podem beber vinho, não devem jamais permitir que vinho toque seus lábios, já que para eles isso é pecado. Para outros não é. Nosso irmão não deve nos julgar, e não devemos julgar nosso irmão."

Fonte: R. C. Sproul. Estudos bíblicos expositivos em Romanos.  Ed. Cultura Cristã, p. 431.

NOTAS deste blogger (UMPCGYN):

1. Eu, particularmente, não gosto do sabor alcoólico nos alimentos e mesmo não pertencendo a turma dos crentes que bebem, gostei (e muito!) do comentário do Sproul em cima de Rm 14.1-13.

2. Confesso que em raríssimas exceções, em determinadas circunstâncias e perto de pessoas selecionadas, um pouquinho de vinho tinto suave gelado cai bem. E nada mais!

3. O tema dessa mensagem MERECE um bom estudo nos textos de Rm 14.1 - 15.13 e 1Co 8 - 10. Ser um crente forte ou fraco na fé, conforme os textos referidos, depende e muito disso! Portanto, não despreze a doutrina e cresça na graça e no conhecimento de Jesus (2Pe 3.18). Amém.

Danilo Neves de Almeida
Fonte: UMPCGYN
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