Que tem Jerusalém a ver com Gomorra?

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Mas a impudicícia e toda sorte de impurezas ou cobiça nem sequer se nomeiem entre vós, como convém a santos; nem conversação torpe, nem palavras vãs ou chocarrices, coisas essas inconvenientes; antes, pelo contrário, ações de graças. Sabei, pois, isto: nenhum incontinente, ou impuro, ou avarento, que é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus. Ninguém vos engane com palavras vãs; porque, por essas coisas, vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência. Portanto, não sejais participantes com eles. Pois, outrora, éreis trevas, porém, agora, sois luz no Senhor; andai como filhos da luz (porque o fruto da luz consiste em toda bondade, e justiça, e verdade), provando sempre o que é agradável ao Senhor. E não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as. (Efésios 5:3-11)

O twitter oficial da IPB divulgou informação sobre uma atriz “presbiteriana” de novela que atua no papel de uma personagem que a revista Veja retrata como desenvolvendo um dos comportamentos mais depravados dos folhetins. A mensagem do twitter em si é simplesmente descritiva, notando o fato de que existe uma comediante “presbiteriana na Globo”. É significativo o fato de este veículo oficial de comunicação espalhar esse tipo de informação, dado o contexto.

Situação
O twitter “Igreja Presbiteriana” ou “portalipb”, definido no site twitter como “Twitter oficial da IPB” e “Informações do site oficial da Igreja Presbiteriana do Brasil”, anunciou no 16 de Julho de 2011 a seguinte mensagem:

“Deu na Veja: comediante Maria Clara Gueiros, uma presbiteriana na Globo"

A mensagem é seguida por um link com um recorte da revista “Veja”. No recorte consta uma foto, que presumo ser desta pessoa Maria Gueiros (que desconheço), com uma combinação de roupa, joias e pose pouco modestos, para dizer o mínimo.

Gueiros é uma atriz definida como “presbiteriana” tanto na reportagem como no post do twitter “portalipb”, empregada pelo canal Globo. A reportagem, linkada pelo twitter “portalipb”, diz que a atriz faz o papel de uma personagem rica, “cuja única ocupação na vida é devorar garotões”. Embora eu desconheça a novela (e, já há algum tempo, a TV em geral), posso presumir que a frase não quer dizer que a personagem é uma canibal que come carne humana de rapazes. Uma possibilidade mais plausível, e pelo contexto de novela, mais provável, é que a personagem se envolve “romanticamente” e/ou sexualmente com “garotões”.

A Veja diz que, em casa, a atriz “evita conversas” sobre o papel que representa, embora seja elogiada por sua atuação profissional pelo pai. Segundo a revista, esticar tal assunto “poderia causar celeuma num lar em que vigoram os preceitos rígidos da Igreja Presbiteriana”.

A atriz, ao ser entrevistada, define tais preceitos rígidos como (1) ser obrigada a andar de cabelo preso; (2) ser proibida de namorar na escola.

A descrição da personagem continua, dizendo que “as coisas que ela aprontou ao longo da trama a credenciam, com folga, ao posto de mulher mais liberada dos folhetins", superando em sua depravação inclusive uma personagem de novela anterior que, segundo o texto, “não conhecia limites sexuais”, mas ao menos teve um final triste.

Questões
Há casos (como, por exemplo, o do twitter oficial do Senado Federal) em que o encarregado do twitter divulgou informações que não deveria e foi despedido. Contudo, é razoável supor que este não seja um caso semelhante, dada a descrição do canal twitter como divulgação oficial de notícias da IPB.

Também convém notar que tanto o twitter como a Veja definem a atriz como “presbiteriana” e “da Igreja Presbiteriana”. Não se sabe se ela está na IPB. Parece razoável supor que sim, pois o twitter da IPB se define como reportando notícias que dizem respeito à IPB.

Independente disso, pergunta-se: qual o propósito de divulgar esta notícia no twitter? Será que é uma observação de que a atriz está sob disciplina eclesiástica pelo papel que representa e a mensagem que transmite ao lar de milhões e milhões de brasileiros, presbiterianos ou não? Será que é uma divulgação e celebração de a revista Veja ter chamado a “Igreja Presbiteriana” (qualquer que seja) de uma igreja com “preceitos rígidos”?

Ou será que é um alerta à grande tristeza que é, quando “preceitos rígidos” são nada mais que essas pequenas coisas externas como não poder namorar ou andar com o cabelo preso (que por sinal não são de forma alguma recomendações oficiais de qualquer “Igreja Presbiteriana” que eu conheça)? Será que é um protesto contra essa definição de preceitos rígidos que a própria atriz sugere, indicando assim que desconhece a natureza dos “preceitos” da “Igreja Presbiteriana”? Ou talvez contra não a atriz, mas o próprio autor (ou autora) do texto que, “recortando” trechos de toda uma entrevista com a atriz, acabou nessa escolha infeliz de definição de “preceitos rígidos”?

Ou, finalmente, será uma denúncia da contradição entre o fato de a igreja presbiteriana, seja qual for, ser “rígida” e ao mesmo tempo permissiva, por deixar que a situação chegue ao ponto que chegou? Uma situação em que uma atriz que representa tal corrupção vê-se claramente em meio à tensão irreconciliável entre Jerusalém e Gomorra, talvez com algum desconforto, visto que não discute abertamente em casa o comportamento da personagem que representa?

Muito provavelmente, a resposta a essas perguntas é “não”. O twitter da IPB divulga para todos os assinantes a existência de uma atriz presbiteriana que representa artisticamente toda sorte de comportamento condenável. O propósito de tal divulgação é desconhecido, mas divulgar sem condenar essa atitude pecaminosa acaba transmitindo uma mensagem de leniência. Talvez até mesmo um certo orgulho de que uma pessoa “presbiteriana” seja assim famosa e influente na cultura popular?

Análise
O comportamento representado artisticamente pela atriz é claramente condenável. Isso não pelos “preceitos rígidos” descritos pela Veja, que podem ou não ser arbitrários (no caso são), mas por qualquer leitura mais básica do Decálogo, que em tese é a base de disciplina e conduta de qualquer igreja em geral que se diz “presbiteriana” conforme estipulado nos documentos confessionais.

No twitter oficial da IPB não se percebe qualquer tom de desaprovação, lamento, condenação, ojeriza e repúdio a essa forma de expressão cultural de uma conduta pecaminosa, indefensável e ofensiva à santidade do Deus confessado nos Padrões de Westminster, confessados (ao menos em tese) pelas igrejas presbiterianas no país.

Boa parte do problema tem a ver com a forma em que essa personagem de novela é representada, como uma apologia da depravação. Há inúmeras formas (algumas legítimas) de reconhecer e representar a existência da queda no mundo, como parte da história redentiva, mas esta é provavelmente a pior e mais inadequada.

A questão levantada é maior. Diz respeito ao papel dos cristãos, à sua responsabilidade na produção e no consumo de cultura. Seja cultura popular, seja erudita, o chamado para os cristãos é de iluminar o mundo e de salgar a terra. Sal insípido e luz escura de nada servem. O papel cultural dos cristãos não é necessariamente um papel de produzir e consumir arte sacra, evangelística ou explicitamente religiosa. O papel é de entender o propósito criado por Deus para a arte. Arte não precisa de justificativa ‘gospel’ e tem seu próprio lugar. Mas é parte do mandato cultural exercer responsável e biblicamente a mordomia sobre essa esfera da vida.

Além disso, outra questão é levantada. Há um reconhecimento público, feito inclusive pela revista Veja, um órgão claramente secular e talvez até mesmo desinteressado, da incongruência entre o comportamento, igualmente público da atriz, e o seu alegado “presbiterianismo”. Note-se: o grande paradoxo apontado no texto não é tanto aquele entre a personagem da novela e a igreja da atriz, mas sim entre o comportamento da atriz ao representar tal papel e os princípios da sua igreja.

Aplicação
Não conheço Maria Clara Gueiros e provavelmente ela não esteja sequer sob o governo eclesiástico da IPB. IPBista ou não, se ela se considera cristã, deve claramente repensar seu trabalho e responsabilidade. Que pense à luz da bíblia: Deus é santo, justo e demanda obediência e arrependimento dos pecados. De forma alguma Ele vê ‘beleza’ ou ‘arte’ na violação da aliança que Ele tem com o Seu povo, que deve ser santo como Ele é santo. Pelo contrário, promete aborrecer aqueles que, sabendo da aliança, desprezam-nO e não voltam atrás.

Se for presbiteriana, que pense à luz também da fé (oficialmente) confessada pela igreja presbiteriana. Cito o Catecismo Maior, a respeito do sétimo mandamento (“Não adulterarás”):

138. Quais são os deveres exigidos no sétimo mandamento?
Os deveres exigidos no sétimo mandamento são: castidade no corpo, mente, afeições, palavras e comportamento; e a preservação dela em nós mesmos e nos outros; a vigilância sobre os olhos e todos os sentidos; a temperança, a conservação da sociedade de pessoas castas, a modéstia no vestuário, o casamento daqueles que não têm o dom da continência, o amor conjugal e a coabitação; o trabalho diligente em nossas vocações; o evitar todas as ocasiões de impurezas e resistir às suas tentações.

139. Quais são os pecados proibidos no sétimo mandamento?
Os pecados proibidos no sétimo mandamento, além da negligência dos deveres exigidos, são: adultério, fornicação, rapto, incesto, sodomia e todas as concupiscências desnaturais; todas as imaginações, pensamentos, propósitos e afetos impuros; todas as comunicações corruptas ou torpes, ou o ouvir as mesmas; os olhares lascivos, o comportamento impudente ou leviano; o vestuário imoderado; a proibição de casamentos lícitos e a permissão de casamentos ilícitos; o permitir, tolerar ou ter bordéis e a freqüentação deles; os votos embaraçadores de celibato; a demora indevida de casamento; o ter mais que uma mulher ou mais que um marido ao mesmo tempo; o divórcio ou o abandono injusto; a ociosidade, a glutonaria, a bebedice, a sociedade impura; cânticos, livros, gravuras, danças, espetáculos lascivos e todas as demais provocações à impureza, ou atos de impureza, quer em nós mesmos, quer nos outros.

Não somente a atriz, mas também todo aquele que se diz cristão deve repensar o seu comportamento: será que é legítimo consumir cultura com “provocações à impureza, ou atos de impureza, quer em nós mesmos, quer nos outros”? Que contém “comunicações corruptas ou torpes”? Que em nada edifica a alma? Que em nada dá glória ao Criador e Mantenedor de todas as coisas? Que é condenado pelo Juiz de todas as coisas? Mas o comportamento não é a única coisa a ser repensada. É do coração que ele procede (Pv. 4:23), e é o coração que deve ser mudado. Um coração salvo pela graça de Cristo é, tem que ser, um coração que procura sempre obedecer a voz de Cristo, e que, ao cair, reconhece a gravidade e o perigo da situação e corre o mais rápido possível, arrependido, de volta para o Pai.

Não somente a atriz e os cristãos individuais, mas o povo de Deus em conjunto, deve repensar sua posição. Por causa do pecado de um que seja, todo o povo pode sofrer, e de fato sofre. Pior ainda, por causa de um pecado público, influente e denunciado de certa forma até mesmo pelo mundo, é certo que a igreja não será tomada por inocente em sua ‘neutralidade’. Agora que entrou na questão, cabe à IPB manifestar sua posição. A atriz é uma IPBista? Seja alertada, exortada, repreendida, disciplinada. Não é? Que seja publicamente condenada pelas IPB em todo caso, que tanto fez para divulgar tal comportamento.

Os membros da igreja são coniventes com esse tipo de cultura? A disciplina e a censura eclesiástica devem ser exercidas, de forma clara, confessional, bíblica, ordeira, decente e pastoral. Que as chaves do céu, que Deus dá a Seus representantes na terra, sejam usadas da forma sábia. Que a igreja se pronuncie, da mesma forma que a igreja verdadeira tem feito ao longo dos séculos, contra a imoralidade e impunidade. Que os pais sejam chamados a exigir obediência dos filhos e a dar-lhes bom exemplo. O problema não é, nem foi, ver novela. O problema é o coração rebelde, que despreza a aliança da graça de Deus em Cristo, e que vai continuar desobedecendo se a igreja continuar desprezando a alma dos seus membros e não se marcar como igreja fiel.

“Princípios rígidos”? Não sugiro isso, e sim o uso dos princípios bíblicos, confessionais e razoáveis que a verdadeira igreja presbiteriana, seja qual for e onde estiver, deve aplicar neste e em tantos outros casos. E quem divulgar pecado de outrem, que o faça com propósito e a forma que edifique o próximo, glorifique a Deus e expanda o domínio do Reino de Cristo sobre a terra. É possível? Sim. Com denúncia e amor cristão.

Deus justo e Pai misericordioso,
nós nos acusamos por causa dos nossos pecados.
Reconhecemos que merecemos
a tristeza que o pecado causa.
Sim, todos nós somos dignos
de sermos excluídos da tua presença
por causa dos nossos terríveis pecados.
Mas, Ó SENHOR! Sê gracioso para conosco por amor de Cristo.
Nós estamos arrependidos de nossos pecados
e pedimos-Te perdão.
Faze que sempre nos guardemos da má influência do mundo
e daqueles que se desviaram de Ti.
Concede que nos esforcemos,
cada vez mais, a Te servir.
Faze que nossas palavras e nosso comportamento
possam contribuir para que esses em pecado se voltem para Ti.
Assim será engrandecido o teu nome
e nós os poderemos acolher em nosso meio, com alegria.
Porque Tu, SENHOR, não tens prazer na morte do pecador,
e, sim, na sua conversão e vida.
Leva ao arrependimento
todos os demais que se desviaram de Ti.

Em Cristo Jesus. Amém.

Lucas G. Freire
Extraído de:[ Blog dos Eleitos ]
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Devemos Impor a Fé Cristã aos Outros?

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Devemos Impor a Fé Cristã aos Outros?

Por Mark Dever

Talvez a objeção contemporânea mais comum à evangelização seja esta: “Não é errado impor nossas crenças aos outros?”

Algumas pessoas não praticam a evangelização por acharem que estão se impondo aos outros. E pela maneira como a evangelização é freqüentemente realizada, posso entender a confusão! No entanto, quando compreendemos o que a Bíblia apresenta como evangelização, reconhecemos que evangelizar não é realmente uma questão de impor suas crenças.

É importante entender que a mensagem que você compartilha não é mera opinião, e sim um fato. Essa é a razão por que compartilhar o evangelho não pode ser chamado de imposição, assim como um piloto não pode impor a todos os passageiros a sua crença de que a pista de aterrissagem é esta e não aquela.

Além disso, as verdades do evangelho não lhe pertencem, no sentido de que se referem unicamente a você, ou à sua perspectiva, ou à sua experiência; ou no sentido de que você as descobriu. Quando você evangeliza, não está dizendo: “Isso é o que eu penso sobre Deus”; ou: “É assim que eu vejo as coisas”. Você está apresentando o evangelho de Cristo. Você não o inventou e não tem autoridade para alterá-lo.

Na evangelização bíblica, não impomos nada. De fato, não podemos fazer isso. De acordo com a Bíblia, evangelizar é apenas contar as boas-novas. Não é assegurar-nos de que a outra pessoa responderá corretamente ao evangelho. Gostaríamos de poder conseguir isso, mas, conforme a Bíblia, isso é algo que não podemos fazer. De acordo com a Bíblia, o fruto da evangelização vem de Deus. Como Paulo disse aos coríntios:

Quem é Apolo? E quem é Paulo? Servos por meio de quem crestes, e isto conforme o Senhor concedeu a cada um. Eu plantei, Apolo regou; mas o crescimento veio de Deus. De modo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento (1 Co 3.5-7; cf. 2 co 3.5-6).

Lembro-me de que em certa ocasião, quando estava em Cambridge, conversei com Bilal, um amigo libanês muçulmano. Falamos sobre um de nossos amigos que era um muçulmano secular. Bilal desejava que nosso amigo abraçasse um estilo de vida islamita mais fiel. Eu queria que ele se tornasse um cristão. Condoíamo-nos juntos pela dificuldade de viver em meio à cultura secular britânica. Bilal comentou quão corrupto era o país cristão chamado Grã-Bretanha. Respondi que a Inglaterra não era um país cristão e que, de fato, não existe tal coisa como um país cristão. Aproveitando a oportunidade, ele disse que esse é o problema do cristianismo quando comparado ao islamismo. O cristianismo, ele disse, não provê respostas e diretrizes para todas as complexidades da vida real. Não tem um padrão social e político abrangente para oferecer à sociedade. Respondi que isso acontece porque o cristianismo retrata realisticamente a condição humana e o problema da situação humana. Ele me perguntou o que isso significava.

Disse-lhe que o islamismo tem um entendimento superficial dos problemas do homem porque ensina que nossos problemas são basicamente uma questão de comportamento. A solução para o nosso problema é apenas a vontade. Mas o cristianismo, eu disse, tem um entendimento mais profundo e mais acurado da situação do homem, um entendimento que inclui uma admissão franca da pecaminosidade humana como um agregado de ações más e como uma expressão de um coração mau que está em rebeldia contra Deus. O problema é a natureza do homem. Disse que o cristianismo não tem nada que Bilal reconheceria como um programa político abrangente porque não pensamos que nosso verdadeiro problema pode ser corrigido por poder político. Eu poderia colocar uma espada sobre a garganta de uma pessoa e torná-la um bom muçulmano, mas, disse-lhe, não posso tornar ninguém cristão servindo-me desse método.

A Bíblia apresenta o problema do homem como algo que não pode ser resolvido por força coerciva ou imposição. Portanto, tudo que posso fazer é apresentar as boas-novas com exatidão, viver uma vida de amor para com os incrédulos e rogar a Deus que os convença de seus pecados e lhes dê os dons de arrependimento e fé.

A verdadeira evangelização bíblica e cristã não envolve, por sua própria natureza, coerção, mas somente proclamação e amor. Devemos apresentar o evangelho gratuito a todos. Não podemos manipular ninguém para que o aceite. Os cristãos bíblicos sabem que não podem obrigar ninguém a receber a vida.

Fonte: [ Blog Fiel ]

Por Que Não Aceito os Evangelhos Apócrifos

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Por Augustus Nicodemus Lopes

Vamos iniciar perguntando o que é um “evangelho”. O termo é a tradução da palavra grega euaggelion, “boas novas”, usada a princípio para se referir ao conteúdo da mensagem de Jesus Cristo e dos seus apóstolos. Posteriormente, a palavra veio se referir a um gênero literário específico que nasceu com o Cristianismo no séc. I. Lembremos que o Cristianismo, em termos culturais, ocasionou o surgimento, não somente de novas músicas, mas também de gêneros literários como epístolas e evangelhos.

Esse novo gênero literário tinha algumas características distintas. Incluía obras escritas entre o séc. I e o séc. IV por autores cristãos que giravam em torno da pessoa de Cristo, sua obra e seus ensinamentos. Essas obras reivindicam autoria apostólica ou de alguma outra personagem conhecida da tradição cristã. Reivindicavam também que seu conteúdo remontava ao próprio Jesus.

Existem centenas de “evangelhos” conhecidos. Alguns são apenas mencionados na literatura dos Pais da Igreja e deles não temos qualquer amostra do conteúdo. Outros sobreviveram em fragmentos ou reproduzidos em parte em outras obras, como, por exemplo:

  • Evangelho dos Hebreus
  • Evangelho dos Ebionitas (ou dos Doze Apóstolos)
  • Evangelho dos Egípcios
  • Evangelho Desconhecido
  • Evangelho de Pedro, para mencionar alguns.


Já outros, sobreviveram em cópias completas ou quase, como:

  • Os Evangelhos canônicos de Mateus, de Marcos, Lucas e de João,
  • Evangelho de Tomé
  • Evangelho de Judas
  • Evangelho de Nicodemus
  • Proto-Evangelho de Tiago
  • Evangelho de Tomé o Israelita
  • Livro da Infância do Salvador
  • História de José, o Carpinteiro
  • Evangelho Árabe da Infância
  • História de José e Asenate
  • Evangelho Pseudo-Mateus da Infância
  • Descida de Cristo ao Inferno
  • Evangelho de Bartolomeu
  • Evangelho de Valentino, entre outros.
Esses evangelhos são tradicionalmente classificados em canônicos e apócrifos.

Evangelhos Canônicos

Nessa primeira categoria se enquadram somente 4 evangelhos, os Sinóticos e João. Conforme a tradição patrística e da Igreja em geral, eles foram escritos no séc. I pelos apóstolos de Jesus Cristo ou alguém do círculo apostólico. Marcos teria sido o primeiro a ser escrito, no início da década de 60, por João Marcos, que segundo a tradição, registrou o testemunho ocular de Simão Pedro. Ele escreveu aos cristãos de Roma para ajudá-los e fortalecê-los diante das perseguições.

Mateus teria sido escrito em meados da década de 60 por Mateus, o publicano apóstolo, para evangelizar os judeus, a partir do seu testemunho ocular e usando talvez o Evangelho de Marcos como base para a estrutura da narrativa.

Lucas, escrito pelo médico gentio Lucas, convertido ao Cristianismo, que foi companheiro de viagem de Paulo e que freqüentava o círculo apostólico, teria produzido esse evangelho pelo final da década de 60, a partir de pesquisa que fez da tradição oral e escrita que remontava aos próprios apóstolos. Seu objetivo, conforme declaração no início da obra Lucas-Atos, era firmar na fé um nobre romano chamado Teófilo.

Já o Evangelho de João teria sido escrito pelo apóstolo amado por volta da década de 70 ou 80, com aparentemente vários objetivos, entre eles combater o crescimento do gnosticismo. João escreve a partir de seu testemunho ocular, a partir do seu entendimento acerca da pessoa e da obra de Cristo.

Esses 4 evangelhos cedo foram reconhecidos pela Igreja cristã nascente como inspirados por Deus e autoritativos, como Escritura Sagrada, visto que seus autores foram apóstolos, a quem Jesus havia prometido o Espírito Santo para os guiar em toda a verdade (Mateus e João), ou alguém proximamente relacionado com eles (Lucas e Marcos). Assim, eles aparecerem em listas importantes dos livros recebidos como canônicos pela igreja, como o Cânon Muratório (170 d.C.), a lista de Eusébio de Cesareia (260-340) e a lista de Atanásio (367).

Os demais evangelhos, chamados de apócrifos, implicitamente reconhecem a validade do critério canônico da apostolicidade, ao reivindicar para si também a autoria apostólica e o conhecimento de segredos que não foram revelados aos apóstolos.

Evangelhos Apócrifos

O nome vem do grego apocryphon, “oculto”, “difícil de entender”. Esses evangelhos são geralmente classificados em narrativas da infância de Jesus, narrativas da vida e da paixão de Jesus, coleção de ditos de Jesus e diálogos de Jesus.

As narrativas da infância mais conhecida são o Proto-Evangelho de Tiago, Evangelho de Tomé o Israelita, o Livro da Infância do Salvador, a História de José, o Carpinteiro, o Evangelho Árabe da Infância, a história de José e Asenate e o Evangelho Pseudo-Mateus da Infância. Entre as narrativas da vida ou paixão de Cristo mais importantes se destacam o Evangelho de Pedro, o Evangelho de Nicodemus, o Evangelho dos Nazarenos, o Evangelho dos Hebreus, o Evangelho dos Ebionitas e o Evangelho de Gamaliel.

Existem apenas dois que se enquadram na categoria de coleção de ditos de Jesus, o Evangelho de Tomé e o suposto documento Q (quelle, “fonte” em alemão), do qual não se tem prova concreta da existência. Na categoria de diálogos de Jesus com outras pessoas e revelações que ele fez em secreto mencionamos o Diálogo com o Salvador e o Evangelho de Bartolomeu.

Essas obras são chamadas de evangelhos apócrifos por que não são considerados como obras genuínas, produzidas pelos apóstolos ou pelos supostos autores. Além disso, pretendem transmitir um conhecimento esotérico, oculto, além daquele conhecimento dos apóstolos. Em grande parte, esses evangelhos foram escritos por autores gnósticos com o propósito de difundirem as suas idéias no meio da igreja, usando para isso a autoridade dos evangelhos canônicos e dos apóstolos. Alguns deles foram encontrados século passado em Nag Hammadi, norte do Egito.

O Proto-evangelho de Tiago, por exemplo, escrito no século II, que descreve o nascimento e a infância de Jesus e a juventude da Virgem Maria, é tipicamente uma tentativa de satisfazer à curiosidade popular em torno de coisas não mencionadas nos evangelhos canônicos. A teologia desse "evangelho" é a de um docetismo popular: Jesus tem um corpo não sujeito às leis do espaço e do tempo. O escrito não tem valor como fonte histórica sobre Jesus.

Outro exemplo é o Evangelho da Verdade. Esse não é um evangelho no sentido costumeiro da palavra; é antes uma meditação, uma espécie de sermão sobre a redenção pelo conhecimento (gnosis) de Deus. É atribuído ao gnóstico Valentino, que viveu em meados do século II e por conseguinte, não ajuda em nada a pesquisa sobre o Jesus histórico. Na mesma linha vai o Evangelho de Filipe, escrito antes de 350. É, evidentemente, uma compilação de materiais mais antigos. O texto causou certo sensacionalismo quando da sua publicação, porque sugere uma relação amorosa entre Jesus e Maria Madalena. O Evangelho de Pedro – um fragmento que se conservou – descreve o processo contra Jesus, sua execução e sua ressurreição. Sua cristologia é a do docetismo: aquele que sofre e morre é apenas uma aparição do verdadeiro Jesus, que é divino e por isso não pode sofrer e morrer. Conforme esse evangelho, o corpo de Jesus se volatiliza na cruz antes de subir ao céu.

É preciso dizer que existem vários destes evangelhos apócrifos que foram compostos por autores cristãos desconhecidos, não gnósticos, e que aparentam refletir um tipo de cristianismo popular marginal. A maior parte deles pretende suprir a falta de informação histórica nos evangelhos canônicos, fornecendo detalhes sobre a infância de Jesus, diálogos dele com os apóstolos, informações sobre Maria e demais personagens que aparecem nos evangelhos tradicionais. Em alguns casos, parece que foram escritos para defender doutrinas não apostólicas e que estavam começando a ganhar corpo dentro do Cristianismo, como por exemplo, o conceito de que Maria é mãe de Deus e medianeira. O Proto-Evangelho de Tiago, já do séc. III, explica porque Maria foi a escolhida: por sua virgindade e santidade, e a defende como mãe de Deus e medianeira.

Alguns contém exemplos morais não recomendáveis. Por exemplo, o Evangelho de Tomé, o Israelita, narra diversos episódios em que o menino Jesus amaldiçoa e mata quem fica em seu caminho. Quase todos são recheados de histórias lendárias e bobas, como o Evangelho de Nicodemus, que narra como José de Arimatéia, Nicodemus e os guardas do sepulcro se tornaram testemunhas da ressurreição de Jesus. É um livro cheio de lendas, fantasias e histórias fantásticas.

Os evangelhos apócrifos usaram diversas fontes em sua composição: o Antigo Testamento, os próprios evangelhos canônicos e as cartas de Paulo. Usaram também tradições cristãs extra-canônicas, de origem desconhecida e suas próprias idéias e conceitos.

A Atitude da Igreja para com os Evangelhos Apócrifos

No período pós-apostólico alguns desses Evangelhos chegaram a ser recebidos por um tempo, como leitura proveitosa, como o Evangelho de Pedro, a princípio recomendado por Serapião, bispo de Antioquia em 191 d.C., mas depois, ele mesmo reconhece que ele tem elementos estranhos e o desrecomenda. Assim, nenhum deles jamais foi reconhecido como autêntico e apostólico.

Desde cedo a Igreja Cristã rejeitou estas obras, pois não preenchiam o critério de canonicidade: não foram escritas pelos apóstolos ou por alguém ligado a eles, contradiziam a doutrina cristã, tinham exemplos e recomendações morais e éticas pouco recomendáveis, e seus autores falsamente atribuíram a autoria aos apóstolos, como por exemplo, o Evangelho de Tomé, de Pedro, de Bartolomeu, de Filipe. Além do mais, suas histórias fantásticas acerca de Cristo claramente revelavam seu caráter especulativo e supersticioso, ao contrário da sobriedade e da seriedade dos evangelhos bíblicos. Não é de admirar, portanto, que eles não aparecem em nenhuma das listas canônicas, onde os 4 evangelhos canônicos aparecem.

Aqui cabe-nos mencionar o testemunho de Eusébio em sua História Eclesiástica, ao falar do Evangelho de Pedro, Tomé e Matias:
"Nenhum desses livros tem sido considerado digno de menção em qualquer obra de membros de gerações sucessivas de homens da Igreja. A fraseologia deles difere daquela dos apóstolos; e opinião e a tendência de seu conteúdo são muito dissonantes da verdadeira ortodoxia e claramente mostram que são falsificações de heréticos. Por essa razão, esse grupo de escritos não deve ser considerado entre os livros classificados como não autênticos, mas deveriam ser totalmente rejeitados como obras ímpias".
Essa postura prevaleceu até a Reforma Protestante e o período posterior chamado de ortodoxia protestante. Com a chegada do método histórico-crítico, filho do Iluminismo e do racionalismo, passou-se a negar a autoria apostólica e a inspiração divina dos Evangelhos canônicos. Os mesmos passaram a ser vistos como produção da fé da Igreja, sem valor real para a reconstrução do Jesus histórico. Dessa perspectiva, os evangelhos apócrifos chegaram então a ser considerados como literatura tão válida como os canônicos para nos dar informações sobre o Cristianismo nascente, embora não sobre o Jesus histórico.

O renascimento do interesse pelos evangelhos apócrifos, em particular, os gnósticos.

A partir da visão crítica defendida pelo liberalismo teológico e pelo método histórico-crítico, em anos recentes os evangelhos escritos pelos gnósticos passaram a receber grande atenção e importância nos estudos neotestamentários das origens do Cristianismo e na chamada busca do Jesus histórico.

Vários fatos têm contribuído para isso. Primeiro, o surgimento do Jesus Seminar nos Estados Unidos, considerada a 3ª. etapa da busca do Jesus histórico iniciada pelos liberais do século XVIII. Um de seus membros mais conhecidos, cujas obras têm sido traduzidas e publicadas no Brasil é John Dominic Crossan. Em sua obra O Jesus Histórico: A vida de um camponês judeu do mediterrâneo de 1991, ele emprega os apócrifos Evangelho de Pedro e especialmente o Evangelho de Tomé para a reconstrução do Jesus histórico. Segundo Crossan, essas duas obras são mais antigas que os Evangelhos canônicos e contém informações importantes que não foram incluídas em Mateus, Marcos, Lucas e João. Essa atitude de Crossan é característica dos demais membros do Jesus Seminar e de muitos outros eruditos neotestamentários, que aceitam a autoridade dos evangelhos apócrifos, especialmente os gnósticos, acima daquela dos canônicos. Aqui podemos mencionar Elaine Pagels, cuja obra Os Evangelhos Gnósticos, recentemente traduzida e publicada em português, vai nessa mesma direção.

Segundo, a publicidade e o sensacionalismo da grande mídia em torno da descoberta e publicação dos textos dos evangelhos gnósticos, como o Evangelho de Judas e de Tomé. A mídia tem difundido a teoria de que a Igreja cristã teria ocultado e guarda até hoje outros evangelhos que remontam à época de Jesus e que contradiriam e refutariam totalmente o Cristianismo tradicional e ortodoxo. A veiculação pela mídia vai na mesma linha de propaganda e especulações anticristãs voltadas mais diretamente contra a Igreja Católica Romana e que acaba respingando nos protestantes, especialmente as igrejas históricas. Em 2004 foi o Evangelho de Tomé. Em 2006 foi a vez do Evangelho de Judas ganhar a capa de revistas populares pretensamente científicas. A ignorância dos articulistas, o preconceito anticristão, a busca do sensacionalismo, tudo isso contribuiu para que a publicação do manuscrito copta do Evangelho de Judas recebesse uma atenção muito maior do que a devida. Em 2007 foi a suposta sepultura de Jesus, uma inscrição antiga contendo o nome de Tiago, irmão de Jesus, e outras “descobertas” arqueológicas, fizeram a festa da mídia em anos mais recentes.

Não se deve pensar que essa atitude é um fenômeno atual. Desde os primórdios do Cristianismo, escritores pagãos como Celso e Amiano Marcelino publicam material atacando as Escrituras e o Cristianismo. Estou acostumado a assistir, anos a fio, a exploração sensacionalista dessas descobertas. Quando da descoberta dos Manuscritos do Mar Morto e das polêmicas e questões inclusive legais que envolveram a tradução e a publicação dos primeiros rolos, a imprensa da época especulava que os Manuscritos representariam o fim do Cristianismo, pois traria informações que contradiriam completamente o Evangelho. Os anos se passaram e verificou-se a precipitação da imprensa. Os rolos na verdade tiveram o efeito contrário, confirmando a integridade e autenticidade do texto massorético do Antigo Testamento.

Terceiro, produções de Hollywood como “O Código da Vinci”, “O Corpo”, “Estigmata”, “A última Ceia de Cristo” que se baseiam nesses evangelhos gnósticos têm servido para difundi-los popularmente.

O Evangelho de Judas

Examinemos mais de perto os dois evangelhos gnósticos que têm atraído recentemente a atenção da academia e do público em geral, que são os evangelhos de Judas e de Tomé.

O Evangelho de Judas preservou-se em um manuscrito copta do século IV, que supostamente conteria uma tradução do evangelho apócrifo grego de Judas, cuja origem é estimada em meados do século II. A restauração e a tradução do manuscrito copta foram anunciados em 6 de abril de 2006, pela National Geographic Society em Washington.

Não se trata da descoberta do Evangelho de Judas. O mesmo já é um velho conhecido da Igreja cristã. Elaborado em meados do século II, provavelmente na língua grega, era conhecido de Irineu, um dos pais apostólicos. Na sua obra Contra as Heresias, Irineu o menciona explicitamente, como sendo uma obra espúria produzida pelos gnósticos da seita dos Cainitas. No século V o bispo Epifânio critica o Evangelho de Judas por tornar o traidor em um feitor de boas obras.

Não se trata também da descoberta de um manuscrito antes desconhecido contendo essa obra. Acredita-se que o único manuscrito conhecido, escrito em copta, foi descoberto em meados da década de 1950 e depois de uma longa peregrinação nas mãos de colecionadores, bibliotecas, comerciantes de antiguidades e peritos, chegou às mãos das autoridades. Sua existência foi anunciada ao mundo em 2004. Trata-se de um códice com 25 páginas de papiro, envoltas em couro, das 62 páginas do códice original. Somente essas 25 páginas foram resgatadas pelos especialistas. A tradução que veio a lume em 2006 é dessas páginas.

O que é de fato novo é a tradução do texto desse apócrifo, texto até então desconhecido. Contudo, o ponto central que a mídia tem destacado com sensacionalismo, já era conhecido mediante as citações de Irineu e Epifânio, ou seja, que esse evangelho procura reabilitar Judas da pecha de traidor, transformando-o em vítima e herói.

Várias matérias publicadas na mídia diziam que Judas Iscariotes é o autor desse evangelho. Contudo, não existe prova alguma disso. Segundo o relato dos quatro Evangelhos canônicos, Judas suicidou-se após a traição. Como poderia ser o autor dessa obra? Irineu, no século II, atribuía a autoria do evangelho de Judas aos Cainitas, uma seita gnóstica. No códice descoberto e agora publicado, não consta somente o evangelho atribuído a Judas, mas duas obras a mais: a “Carta a Filipe” atribuída ao apóstolo Pedro e “Revelação de Jacó”, relacionado com o patriarca hebreu. A presença do evangelho de Judas em meio a essas duas obras apócrifas é mais uma prova da autoria espúria desse evangelho. Chega a ser irritante o preconceito da mídia, que sempre veicula matérias que negam a autoria tradicional dos Evangelhos canônicos, mas que rapidamente atribui a Judas Iscariotes a autoria desse apócrifo.

O manuscrito que agora foi traduzido não data do século II, mas do século IV. Especula-se que é uma tradução para o copta de uma obra mais antiga escrita em grego, que por sua vez dataria de meados do século II. Daí a inferir a autoria de Judas Iscariotes, que morreu na primeira parte do século I, vai uma grande distância. A seita dos Cainitas, segundo Irineu em Contra as Heresias, era especialista em reabilitar personagens bíblicas malignas, como Caim, os sodomita e Judas. A produção de um evangelho reabilitando o traidor se encaixa perfeitamente no perfil da seita.

Ao final, pesando todos os fatos e filtrando o sensacionalismo e o preconceito anticristão, a publicação do evangelho de Judas em nada contribuirá para nosso conhecimento do Judas Iscariotes histórico e muito menos do Jesus histórico – servirá apenas para nosso maior conhecimento das crenças gnósticas do século II. Não representa qualquer questionamento sério do relato dos Evangelhos canônicos, cuja autoria e autenticidade são muito mais bem atestadas, datam do século I e receberam reconhecimento e aceitação universal pelos cristãos dos primeiros séculos.

O Evangelho de Tomé

Esse Evangelho consiste numa coleção de 114 ditos que Jesus supostamente teria ditado a seu irmão gêmeo, Tomé. Ele faz parte da livraria gnóstica descoberta em Nag Hammadi em meados do século passado. O que temos é um manuscrito copta, tradução de uma versão em grego desse Evangelho, datada do séc. III. Calcula-se que o evangelho original deve ter sido escrito no séc. II.

Não se trata de um evangelho no sentido usual do termo, visto que não contém qualquer narrativa sobre o nascimento, ministério ou paixão de Cristo. Trata-se de uma coleção de ditos de Jesus sem qualquer moldura geográfica, temporal ou histórica que nos permita localizar quando, onde e em que contexto Jesus os teria pronunciado. Calcula-se que foi escrito na região da Síria, onde existem tradições sobre o apóstolo Tomé e onde se sediava a seita dos encratitas, ascéticos que defendiam uma forma heterodoxa de Cristianismo.

Apesar de trazer muitas citações dos evangelhos canônicos, a teologia do Evangelho de Tomé é abertamente gnóstica. Defende a salvação através do conhecimento secreto e esotérico que Jesus revelou a seu discípulo Tomé. Está eivado das dicotomias e dualismos característicos do pensamento gnóstico mais evoluído do séc. II. Trata-se claramente de uma produção dos mestres gnósticos, que se valeram dos evangelhos canônicos e do nome do apóstolo Tomé para divulgar e espalhar suas crenças.

Como reagimos a tudo isso?

Apesar de todos os esforços da mídia e dos liberais, não se consegue provar que os evangelhos gnósticos foram escritos no primeiro século. Eles são produções posteriores aos canônicos e que se valeram dos canônicos como fontes. O maior argumento dos liberais para provar que o Evangelho de Tomé, contendo ditos de Jesus, foi escrito no séc. I antes dos canônicos depende da existência do suposto proto-Evangelho “Q”, a qual nunca foi provada.

O testemunho dos pais apostólicos é unânime em rejeitar esses evangelhos e atribuí-los a falsificações feitas pelos gnósticos com o propósito de espalhar suas ideais e ensinamentos. O conteúdo deles é distintamente diferente dos evangelhos canônicos e da religião ensinada no Antigo Testamento.

As reconstruções do Jesus histórico feitas pelos que dão prioridades aos apócrifos, especialmente os evangelhos gnósticos, deixam sem explicação o surgimento das tradições escatológicas a respeito dele que hoje encontramos nos Evangelhos canônicos. Nem mesmo a tese da “imaginação criativa da comunidade” defendida pela crítica da forma pode explicar satisfatoriamente como um camponês judeu, com idéias e estilo de vida de um filósofo cínico, praticando o curandeirismo entre o povo simples, cheio de idéias gnósticas, acabou por ser transformado no Cristo que temos nos Evangelhos em tão curto espaço de tempo, e ainda com as testemunhas oculares dos eventos ainda vivas.

Fonte: O Tempora, O Mores!
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Um bom ministro de Cristo

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Por Alan Renê Alexandrino

“Expondo estas coisas aos irmãos, serás bom ministro de Cristo Jesus, alimentado com as palavras da fé e da boa doutrina que tens seguido” (1Timóteo 4.6).

Certa feita tive a honra de participar de um culto em ações de graças pela jubilação de um fiel ministro de Cristo. De fato, o pastor em questão é um fiel servo de Deus, um homem zeloso pela Palavra. Na ocasião várias pessoas receberam a oportunidade para testemunhar algo do pastor jubilado. Um deles afirmou que algo que chamou a sua atenção, foi o fato de nunca ter encontrado uma pessoa sequer para expressar alguma queixa contra o pastor. De acordo com a testemunha, isso mostrava que aquele ministro era, verdadeiramente, um bom pastor.

Pressuposto errado

Creio, de coração, que a testemunha partiu de um pressuposto completamente errado. Repito: o pastor em questão é um fiel ministro e alguém que deve ser admirado. O que questiono é: O fato de não ter aparecido ninguém para se queixar é prova da fidelidade ministerial de alguém? Se é assim, então, o que podemos dizer das palavras do apóstolo Paulo a Timóteo: “Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (2Timóteo 3.12)? O que dizer, então, da afirmação de Jesus Cristo, em Mateus 5.11: “Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós”? E João 16.1-3: “Tenho-vos dito estas coisas para que não vos escandalizeis. Eles vos expulsarão das sinagogas; mas vem a hora em que todo o que vos matar julgará com isso tributar culto a Deus. Isto farão porque não conhecem o Pai, nem a mim”? O que dizer ainda do apóstolo Paulo e as “queixas” de muitos coríntios contra ele? A História da Igreja também é recheada de situações nas quais pastores foram alvo de grande insatisfação: Calvino em Genebra (1538) e Jonathan Edwards em Northampton (1750). Será que alguém ousaria dizer que esses dois gigantes da fé cristã foram maus pastores? Creio que não!

Jesus Cristo, no seu Sermão do Monte conforme registrado pelo evangelista Lucas, afirmou algo que vai diametralmente contra o pensamento da testemunha supracitada: “Ai de vós, quando todos vos louvarem! Porque assim procederam seus pais com os falsos profetas” (6.26). Agradar a todas as pessoas não é a marca de um ministério bem-sucedido! Labora em erro aquele que parte do pressuposto de que a ausência de queixas e mágoas implica em bom ministério pastoral. O oposto é verdade. Com muita frequência, um bom ministro de Cristo desperta queixas, insatisfação e mágoa. No caso do pastor jubilado, com toda certeza ele despertou mágoas por defender a verdade; foi alvo de queixas por não se dobrar diante de hábitos pecaminosos de algumas de suas ovelhas; gerou insatisfação por manter a sua consciência cativa à Sagrada Escritura. É de se esperar que, por obra da graça de Deus, algumas das pessoas que se magoaram com ele no passado, tenham reconhecido que o pastor estava sendo fiel a Deus e, por isso, em depoimento reconheçam suas virtudes.

Para ser um bom pastor, é preciso...

Então, qual o parâmetro para se determinar quem é um bom ministro de Cristo? O que torna um pastor digno da alcunha de “servo bom e fiel”? A passagem de 1Timóteo 4.6 é muito interessante nesse sentido: “Expondo estas coisas aos irmãos, serás bom ministro de Cristo Jesus, alimentado com as palavras da fé e da boa doutrina que tens seguido”. O que tornaria Timóteo um bom pastor, alimentado com as Sagradas Escrituras e a boa doutrina? Timóteo deveria expor “estas coisas”. Que coisas? As mencionadas nos versículos anteriores (vv. 1-5):

Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência, que proíbem o casamento e exigem abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos, com ações de graças, pelos fiéis e por quantos conhecem plenamente a verdade; pois tudo que Deus criou é bom, e, recebido com ações de graças, nada é recusável, porque, pela palavra de Deus e pela oração, é santificado.

O caminho para se tornar um bom pastor deve passar pela fiel exposição daquilo que o Senhor revelou nas Sagradas Escrituras. No caso de Timóteo, ele seria um bom ministro de Cristo, alimentado com as palavras da fé e da boa doutrina que tinha seguido à medida que ensinasse a doutrina apostólica à igreja. O comentário de William Hendriksen é muito interessante: “‘Um ministro excelente’ é alguém que, com amorável devoção à sua tarefa, ao seu povo e, acima de tudo, ao seu Deus, adverte contra a apostasia da verdade, e mostra como se deve tratar o erro. Tal homem realmente representa (e pertence a) Cristo Jesus”[1].

O que se requer é fidelidade

Em 1Coríntios 4.2, Paulo faz outra afirmação importante a respeito da natureza do ministério pastoral: “Ora, além disso, o que se requer dos despenseiros é que cada um deles seja encontrado fiel”. Essa palavra de reveste de uma importância imensurável em uma época como a nossa. O Pr. Augustus Nicodemus chama a atenção para o fato de que, “em todo lugar, os pastores que querem seguir um modelo bíblico de ministério estão enfrentando questionamentos dos membros de suas igrejas, que tomaram como padrão e referencial de pastorado bem-sucedido” modelos antibíblicos[2]. Esse era exatamente o problema enfrentado por Paulo diante da igreja de Corinto, que fora plantada por ele.

O texto de 1Coríntios 4.2 nos ensina acerca do que o Senhor espera e exige dos seus ministros. Cada pregador, cada pastor, como mordomo da revelação de Jesus Cristo, deve ser encontrado pistós, ou seja, fiel. Isso significa “pregar, ensinar e expor os mistérios de Deus da maneira que Deus os revelou e determinou que fossem transmitidos”[3]. Lembremos que, a função dos apóstolos era a de se consagrarem à oração e ao ministério da Palavra (Atos 6.4). Hoje não existem mais apóstolos, de maneira que o encargo da pregação da Palavra e a responsabilidade da consagração na oração passou aos pastores, como deduzimos da ordem de Paulo a Timóteo: “Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina” (2 Timóteo 4.2). Sendo assim, um bom pastor deve ser fiel no cumprimento da sua principal função, que é a pregação, e, ao pregar, deve ser fiel na transmissão exata daquilo que o Senhor revelou nas Sagradas Escrituras, nem mais nem menos.

Ainda de acordo com o Pr. Augustus Nicodemus, se há algo que pastores fiéis não fazem é falsificar, adulterar e diluir a Palavra, para poderem ganhar adeptos e admiradores[4]. Esse era o desejo de Paulo. Ele queria ser fiel, pois sabia que era isso que o Senhor exigia dele. Pouco importava para Paulo o sucesso externo. Pouco importava se as pessoas o amariam. Ele queria apenas receber louvor da parte do Senhor. Ele desejava apenas “ser encontrado fiel”. Esse “ser encontrado” aponta para o dia do juízo, “quando Deus haverá de julgar as intenções e motivos do coração e aferir a fidelidade dos obreiros”[5].

Diferentemente dos coríntios, a única coisa que o Senhor exigia de Paulo era fidelidade. Pensando nisso, quais são as exigências que muitas vezes são feitas aos pastores? O que é exigido da parte da igreja está em harmonia com aquilo que é exigido pelo Senhor Deus? Como devemos avaliar um obreiro? Por não encontrar ninguém que se queixe dele? Pela dureza? Por não passarem a mão na cabeça daqueles que estão em erro? Pelo número de visitas? Ou por aquilo que Deus espera e exige deles? Pela fidelidade? Por buscarem a glória de Deus? Por insistirem em que abandonem seus pecados? Resta-nos aguardar o dia do julgamento e o resultado da avaliação divina.

Queira o Senhor que nossas igrejas compreendam essa verdade e, assim, julguem os seus pastores pelos parâmetros estabelecidos pelo próprio Deus em Sua Palavra inerrante, inspirada e autoritativa.

Encerro com a oração de um puritano do século 17. Faço dela a minha sincera oração ao Senhor:

Ó MEU SENHOR,

Que meu ministério não tenha somente a aprovação dos homens,
ou meramente conquiste a estima e as afeições das pessoas;

Mas opera a obra da graça em seus corações,

chama os teus eleitos,

sela e edifica os regenerados,

e envia bênçãos espirituais sobre suas almas.

Salva-me de presumir que sou muito e de buscar fazer a minha vontade;

Rega os corações daqueles que ouvem a tua Palavra,

que aquilo que é semeado em fraqueza possa germinar em poder;

Faz com que, enquanto aqui, tanto eu quanto aquele que me ouvem

vejamos a ti na luz especial da fé,

e, depois daqui, na chama da glória infinita;

Torna cada sermão meu um meio de graça para mim mesmo,

e ajuda-me a experimentar o poder de teu amor agonizante,

pois teu sangue é bálsamo,

tua presença é felicidade,

teu sorriso é o céu,

tua cruz é o lugar onde verdade e misericórdia se encontram.

Considera as dúvidas e desencorajamentos de meu ministério

e livra-me de considerar-me importante;

Suplico perdão pelos meus muitos pecados, omissões, infirmezas,

como homem, como ministro;

Envia tuas bênçãos sobre meu trabalho fraco e indigno,

e sobre a mensagem da salvação entregue;

Esteja com teu povo,

e que tua presença possa ser a porção deles e a minha.

Na pregação, que minhas palavras não sejam meramente elegantes e educadas,

meu raciocínio polido e refinado,

meu desempenho não seja débil e sem tato,

mas que eu possa exaltar a ti e humilhar os pecadores.

Ó Senhor de poder e graça,

todos os corações estão em tuas mãos, os acontecimentos à teu dispor,

imprime o selo da tua toda-poderosa vontade sobre meu ministério.[6]

SOLI DEO GLORIA

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Notas:
[1]William Hendriksen. Comentário do Novo Testamento: 1 Timóteo, 2 Timóteo e Tito. São Paulo: Cultura Cristã, 2001. pp. 187-188.
[2]Augustus Nicodemus Lopes. Uma Igreja Complicada. São Paulo: Cultura Cristã, 2011. p. 11.
[3] Ibid. p. 130.
[4] Ibid. p. 131.
[5] Ibid.
[6] Arthur Bennett (Ed.). The Valley of Vision: A Collection of Puritan Prayers & Devotions. p. 186. Tradução: Márcio Santana Sobrinho. Extraído do site: http://www.monergismo.com.[1]

Fonte: [ Cristão Reformado ]
Extraído do site: [
Eleitos de Deus ]
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Principais Conceitos na Espiritualidade Reformada

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por Michael Horton

1. União com Cristo

Toda doutrina relacionada à salvação e à vida cristã deve ser orientada em torno dessa pedra de toque da fé. Nenhuma teoria de crescimento ou desenvolvimento cristão pode obscurecer ou ignorar esse fato central. Na espiritualidade reformada, o objetivo e o subjetivo, o exterior e o interior, estão ligados inseparavelmente por essa realidade. “Em Cristo” somos justificados e estamos sendo santificados.

2. Justificação pela Fé Somente

“Declarado justo”: essa expressão jurídica é o cerne das Boas Novas. Se buscarmos obter o favor divino por meio da nossa vontade ou do nosso correr, terminaremos rapidamente com a justiça própria ou o desespero. O progresso na obediência vem somente à medida que reconhecemos Cristo como sendo nossa justiça, santidade e redenção.

3. Santificação

Eis aqui outra palavra bíblica essencial. Uma vez declarado justo pela imputação da justiça de Cristo, agora crescemos em justiça pessoal em união com Cristo e Sua justiça. Em nossa salvação, não contribuímos com nada, exceto o nosso pecado. Mas uma vez regenerados pela graça de Deus (à parte da nossa cooperação), estamos livres para cooperar com o Espírito Santo pela primeira vez. A santificação, portanto, diferente da regeneração, justificação, etc., requer a nossa energia e participação. Crescemos na graça e no conhecimento de Cristo, ativamente animados pelo evangelho. Tanto a justificação como a santificação são dom de Deus, em virtude da nossa união com Cristo.

4. Chamado/Vocação

Também relacionado ao “sacerdócio de todos os crentes”, essa doutrina reformada enfatiza o fato que tudo o que fazemos honra a Deus se o fizermos em fé. Um lixeiro não é menos espiritual que um missionário. Deus criou cada um de nós com certos dons e nós devemos encontrar significado e realização não somente nas coisas relacionadas à igreja, mas em nosso trabalho e lazer também. Essa doutrina, mais do que qualquer outra, foi responsável pelo que veio a ser identificado como “a ética protestante de trabalho”.

5. Sacramentos

Batismo e Santa Ceia, na espiritualidade reformada, figuram proeminentemente como “meios de graça”. Batismo é o começo da nossa vida em Cristo, e na Santa Ceia nos alimentamos de Cristo – o Pão da Vida – ao longo da nossa jornada no deserto.§

Fonte: Revista Modern Reformation, Volume 5, Número 6, Nov/Dez 1996.
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto – junho/2011.
Via: [ Monergismo ]

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Podcast sobre teísmo aberto!

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Pessoal,

Esses dias atrás recebi um convite do Paulinho Degaspari, Giuliano Barcelos e João Rodrigo Weronka para participar do podcast apologético do site irmãos.com, sobre o “Teísmo Aberto”.

Pra mim foi uma honra participar do podcast com os caras, me diverti demais gravando com eles.

O resultado deste trabalho saiu ontem e você pode conferir clicando aqui.

Leonardo Gonçalves, via Púlpito Cristão.

Parabéns ao Leo, ao João Rodrigo e aos demais participantes deste excelente podcast.

Ruy Marinho
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Igrejas do pão e circo

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Por João Rodrigo Weronka


Prometo: não vou chover no molhado.

Lá por meados de 2010 escrevi um texto que era um verdadeiro desabafo. Publiquei e depois voltei atrás, reconhecendo um conteúdo raso, emotivo demais e sem solução prático-teológica. Optei remover o texto, embora o mesmo tenha sido replicado em outros sites.

É o preço deste tempo: o que entra na rede, se multiplica em velocidade exponencial. Assim como os devaneios das “Igrejas Pão e Circo”, que se multiplicam em velocidade alarmante.

Creio que você já deve ter ouvido alguma vez a expressão “Pão e Circo” em sua vida, correto?

Vou contar brevemente o motivo de tal expressão. Nos dias da Roma antiga praticava-se a política “panem et circenses” (política do pão e circo), já que devido a fatores socioeconômicos, houve um considerável êxodo dos moradores das regiões rurais em direção a Roma. Sem emprego e sem ter o que comer, a multidão se tornava um perigo crescente para ordem social, levando o império a tomar uma decisão que entorpeceria o povo, fazendo-os esquecer da realidade e maquiando a verdade onde estavam inseridos. Manobra de manipulação em massa.

Tudo muito simples: de modo constante ocorriam lutas envolvendo gladiadores nos estádios, sendo o Coliseu o mais conhecido de todos. Durante as lutas o povo era “gentilmente” alimentado. Enquanto se divertiam com o show de horrores e se alimentavam de modo precário, a multidão ficava “domada”. Mesmo estando mal alimentado e podendo curtir um entretenimento raso, o povo se contentava e não haveria preocupações relacionadas à massa para que os poderosos viessem a ter incômodos.

Vindo para nossa proposta, temos como fato que nossos dias têm sido marcados por agito eclesiástico. Onde olhamos é possível constatar gente que anda “em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente” (Ef 4.14).

Vi recentemente coisas que – infelizmente – não chocam mais. Ilustrações trágicas travestidas de mensagem do Evangelho, mas que são vazias do mesmo. “Pastores” utilizando poço e lama para ilustrar e infectar seus seguidores com a nefasta Teologia da Prosperidade e similares; outros da ala dos “revoltados” com a vida utilizando crianças para expor suas teorias mercantilistas mirabolantes; igreja emprestando o altar para que o sósia de um apresentador faça micagens; a infestação da Teologia Relacional (Teísmo Aberto), com seus “pensadores” liberais e moderninhos, e por aí vai. A lista é grande, e você sabe bem disso, não é preciso repetir.

De modo claro e direto, tais demonstrações nada mais são que “pão e circo”. Todo mundo se diverte com o show de horrores com jeitinho de Evangelho, “come” um pãozinho aqui e acolá, volta para sua casa e se engana achando que está alimentado com pão genuíno. Seja sincero: você acredita que tais práticas correspondem ao Evangelho e a missão da Igreja no mundo? Se você acha que sim, peço que calque biblicamente sua resposta, já que as Escrituras quase não são utilizadas nos Coliseus eclesiásticos, e quando são, é de modo pervertido e desconexo.

Mas não vamos gastar mais linhas falando sobre o problema. A proposta é falar mais sobre o que acredito – biblicamente – ser um caminho de solução. Lendo muito sobre o assunto, vendo a prática de muitos pastores e professores, de pessoas não presas a métodos e a números, mas sim enveredadas na senda da qualidade eclesiástica.

O que fazer para melhorar um pouco este cenário?

Fato é que os líderes que apregoam o “Pão e Circo” dificilmente mudarão a sua práxis. O foco deste texto é tentar alcançar aqueles que estão seduzidos pelo erro e vacinar os que não têm contato com as modinhas, bem como reforçar e incentivar os cristãos a permanecerem na Verdade.

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COISAS SIMPLES E FUNCIONAIS

Exposição bíblica / pregação expositiva: Você já teve a oportunidade de receber alimento sólido através de uma exposição bíblica?

Os púlpitos estão cada vez mais carentes da exposição da Verdade. É chocante ver que dia-a-dia nossos pastores estão se transformando em animadores de plateia e terapeutas se distanciando da genuína vocação. Nesta via de mão dupla, a plateia anseia pelo espetáculo e quer a todo custo ouvir o que agrada, enquanto aquele que deveria expor a Verdade a todo custo, acaba cedendo a vontade dos seguidores.

Se uma mãe alimenta o filho apenas de batata frita, por mais que o filho ame tal comida, o deixará doente, desnutrido e obeso. E a analogia bate com a saúde do povo evangélico. Um povo carente de alimento sólido e obeso de teorias e filosofias humanas de sucesso e prosperidade.

Mark Dever é um pastor que pensa assim. Veja sua opinião:

Se alguém me procura e pergunta se deveria aceitar o pastorado de uma igreja que não deseja que ele pregue de maneira expositiva, talvez eu o desestimulasse a aceitar essa posição. Se um cristão me procura e diz que um falso evangelho é ensinado consistentemente no púlpito de sua igreja, provavelmente eu o encorajaria a mudar de igreja.

Por que digo isso com tanta firmeza? Pela mesma razão que desestimularia alguém de ir a um restaurante onde não servem alimentos, mas somente figuras de alimentos. A Palavra de Deus, somente a Palavra de Deus, dá vida! [1]

De fato, existem métodos variados de pregação: pregação em tópicos, pregação biográfica, pregação histórica, etc. Porém a pregação expositiva é a que provem o sólido alimento pelo fato de expor a Palavra de Deus. Expor as Escrituras demonstra submissão total ao Deus da Palavra. Como é maravilho mergulhar num determinado texto, absorver seu conteúdo contextual e poder absorver o ensino e aplicar na própria vida! Não há preço que pague tamanha refeição.

Minha esperança é que o pastor que leia este ensaio se desperte para a pregação expositiva. Desta forma a autoridade da pregação sempre começa e termina na Escritura. Sempre! Não devemos nos enganar, igrejas cujo eixo não é a Palavra (existem igrejas onde o louvor é o centro do culto, ledo engano) tendem a superficialidade. Antes que os “levitas” [2] me apedrejem, reafirmo a necessidade do louvor, porém a Palavra de Deus é o foco do culto. A igreja não deve estar edificada sobre a música, mas sobre a Palavra.

E vou além: nossas canções precisam de base bíblica profunda. É duro constatar um sermão profundamente bíblico e expositivo, porém regado a canções centradas no homem para que ele se sinta bem, prosperando “para direita, para esquerda” e por aí vai.

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Bíblia, maravilhosa Bíblia

A teologia bíblica é o norte que nos garante o caminho certo. Quando se desvirtua a centralidade da Palavra, tende-se a migrar para caminhos ermos. Tende-se a correr atrás de um horizonte utópico, como certo pensador falou acerca de algo profundamente bíblico e absolutamente verdadeiro.

Em nossos dias, onde a pseudoteologia dos neopensadores tenta a todo custo derrubar a teologia, falar em sã doutrina é visto como insanidade, intolerância, pensamento na caixinha.

Quero incentivar o leitor a ir um pouco além. O cristão de nossos dias não se sente motivado a estudar sobre doutrinas centrais da fé cristã. O ambiente é tão hostil, tão modificado, que soa estranho (e sinceramente, as vezes me sinto um dinossauro) quando incentivo alunos e leitores ao estudo sistemático das Escrituras e ao estudo – ao menos superficial – de matérias teológicas.

Aquilo que até pouco tempo atrás era fundamental e verdadeiro, foi travestido de pensamento bitolado pelos dirigentes dos Coliseus eclesiásticos. E viva a farra do “pão e circo”.

A Bíblia é incisiva ao alertar que o ensino correto deve ser aplicado na igreja. Não fui eu que inventei isso, mas é alerta da Palavra. Tomemos por exemplo a exaustiva insistência de Paulo para Timóteo e Tito (leia as cartas, são curtas e profundas). A insistência de Paulo na questão doutrinária é impressionante, um verdadeiro megafone para a igreja de hoje.

A pregação expositiva, em aliança com a teologia bíblica, fará toda a diferença. Deixo as palavras sábias de um mestre nas Escrituras, Lawrence Richards, que de certo modo é uma bela aplicação sobre tudo que foi dito até aqui:

1) Conhecer a verdade , estar comprometido com a sã doutrina, precisa nos levar à santidade de vida, ao autocontrole, à reverência etc.; 2) Não se espera somente que a verdade tenha um grande impacto sobre a nossa vida, mas que a vida esteja em harmonia com a verdade. Nossas boas obras precisam refletir nossas crenças; 3) É a verdade que produz o estilo de vida marcado pela santidade, e não o contrário. Ser uma “boa pessoa” não leva o indivíduo à verdade. Mas ela, aceita e aplicada, produz a santidade em nós. [3]

Não seja apenas um “revoltado com o sistema”. Precisamos ser mais práticos neste momento e tentar melhorar o quadro, ao menos com alertas na neblina. É nosso dever.

Oremos pela igreja para que os pastores se voltem para as Escrituras e para que nossos irmãos em Cristo busquem esse compromisso. Ainda há esperança.

Pão e circo, não. Pão da vida, sim (Jo 6.35).

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NOTAS

[1] DEVER, Mark. O que é uma igreja saudável? São José dos Campos: Editora Fiel, 2009. p.56
[2] “Levitas” estão em aspas, pois, biblicamente falando, em nossos dias, o ofício levítico simplesmente não existe. Os que usam o título para si o fazem por ignorância ou propositalmente. A pregação expositiva é um remédio para tratar tamanho equívoco.
[3] RICHARDS, Lawrence. Comentário bíblico do professor. São Paulo: Editora Vida, 2004. p. 1124-25

Fonte: [ NAPEC ]

Pastores vão ao mar da Galileia para buscar a “unção de achar” #hein?

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Que legal seria se ao entrar nessa água esses pilantras achassem “vergonha” para suas fuças!

Sem mais.

Jonara Gonçalves
Fonte: [ Púlpito Cristão ]
Créditos do video: [ O Pensador ]

Arrogância, principal tentação do reformado

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Por Rev. Naziaseno C. Torres

O que leva reformados ao caminho da arrogância e soberba? Essa pergunta pode soar estanha e imprópria. Entretanto a altivez e o orgulho espiritual é um pecado no qual muitos reformados caem. A razão para o deslize – por incrível que pareça - é causado pelo conhecimento doutrinário que se recebe. O que fazer com ele? A resposta a essa pergunta é que faz toda a diferença.

Diz o velho jargão que “conhecimento é poder”. É fato que aqueles que têm contado com a fé reformada - e se afadigam no estudo da mesma - estão à frente daqueles cristãos evangélicos que só conhecem superficialmente o Evangelho de Cristo. Os reformados estão entre os leitores de livros doutrinários e históricos, freqüentam simpósios e encontros, além de utilizar ferramentas da mídia eletrônica para se atualizarem nos blogs e sites. Esse conhecimento os separa e os distingue das massas alienadas fabricadas pelo raso evangelicalismo moderno. Como resultado alguns reformados se julgam superiores ao demais gerando, assim, soberba e arrogância.

Estranho esse proceder, pois quanto mais conhecimento obtemos de Deus mais conscientes deveríamos ficar da nossa miséria e falência. Como resultado Isso deveria nos levar ao quebrantamento e a servidão de tal forma que consideraríamos os outros superiores a nós mesmos.

Ao contemplar a glória de Deus no Templo, após uma profunda crise , Isaías em êxtase gritou: “Ai de mim! Estou perdido!”. O peso da glória divina esmagou toda a prepotência e vaidade do profeta - fê-lo conhecer sua insignificância e vileza. Além disso, logo após essa confissão, brotou uma identificação com o próximo de tal maneira que o levou ao serviço: “eis-me aqui”. Essa visão reformou completamente o profeta. O conhecimento de Deus o lançou ao povo a fim de instruí-lo na verdade. Eis um homem consciente da sua miséria e depravação com uma mensagem de perdão e esperança nos lábios. A contemplação da majestade de Deus não levou Isaías ao orgulho espiritual e nem ao isolamento dos demais homens.

Mas, hoje, em muitos casos, não é isso o que acontece. Por quê? É simples: muitos têm uma apreensão intelectual da Verdade, porém essa nunca desceu para o coração. Assim sendo, o conhecimento de Cristo e da sua doutrina quando não nos leva à humildade, inevitavelmente, nos conduz à soberba e, por que não dizer, ao farisaísmo.

Às vezes ouço a antiga oração ecoando por aí: “Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, arminianos, pentecostais e dispensacionalistas, nem ainda como um liberal; leio a Confissão de Fé duas vezes por dia e dou o máximo de tudo quanto ganho para comprar livros reformados, freqüentar congressos e simpósios”. Esses se consideram justos e desprezam os demais. Algo não muito raro no nosso meio.

Concluo enfatizando que precisamos de um calvinismo experimental - uma reforma que nos leva a uma experiência diária de real quebrantamento diante de Deus e humildade perante os demais homens. O “eis-me aqui” de Isaías precisa ser acompanhado pelo “Ai de mim! Estou perdido!”. São essas duas expressões que devem moldar o caráter do reformado, pois somente assim poderemos fazer diferença no nosso meio e na nossa geração. Então, quando o discurso e a prática estiveram presentes na nossa fé reformada seremos realmente relevantes para o mundo. Porém, se tivermos apenas a fé reformada sem a experiência de vida reformada estaremos falando de nós para nós mesmos – presos no gueto da nossa própria vaidade e futilidade. Medite nessas cousas!

Estrelas errantes: A decadência de alguns líderes

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Por: Marcos Pinheiro

Em Judas 13 encontramos uma sentença contundente:
“Estes homens são estrelas errantes, para os quais está eternamente reservada a negrura das trevas”.
A figura “estrelas errantes” faz-nos pensar em algo que deixou de funcionar adequadamente, ou seja, algo que saiu da rota. Portanto, a sentença “Para os quais está eternamente reservada a negrura das trevas” refere-se àqueles que não permaneceram sob a ordenança de Deus, ou seja, saíram da trajetória santa estabelecida pelas Escrituras.

As estrelas errantes são líderes liberais, amigos dos deleites e que mudaram a glória de Deus em corrupção, simplesmente para agradar aos homens e seus prazeres. Esses líderes, estrelas errantes, não tomam posição, não só com medo de serem criticados e perseguidos, mas, principalmente, para poderem mudar de lado, quando algo lhe for conveniente. Vivem no “cinza”, pois, não querem ser “preto” e nem “branco”.

Os seus sermões é uma tentativa de dizer “sim” e “não” sobre o mesmo assunto. Estão engolfados no pragmatismo relativista maligno, portanto, são pedras de tropeços para o cristianismo teológico autêntico. O ufanismo pelo crescimento numérico, o apetite por promoção pessoal, a preocupação em construir impérios, a politicagem, os conchaves, a bajulação e o nepotismo tomaram conta das almas desses líderes.
Essas estrelas errantes passam para o povo uma imagem deturpada do Espírito Santo como se Ele fosse um palhaço, um tolo, um bobão, um moleque.

Nos cultos promovidos por esses agentes de satanás, a Santa reverência é perdida, pois a adoração se resume em gritos de molecagem, assobios e vaias, e para induzir nas pessoas um estado de excitação e expectativa usam o chavão: “Deus é tremendo”. Além disso, Alguns promovem a doutrina pagã no ambiente de culto: tomam figuras do Antigo e Novo Testamento e as espiritualizam, transformando-as em “proteções” semelhantes às usadas pelas magias pagãs.


Como conseqüência, constatamos muitos crentes com fitinha no braço, com medalhas de símbolos bíblicos, ungindo chaves, portas e janelas com óleo, colocando sal grosso ao redor da casa para impedir a entrada de maus espíritos; outros bebem copos de água “abençoada”, usam azeite de oliva consagrado em Jerusalém, ungem toalhas; enfim, utilizam toda espécie de estrambotismo.

O apóstolo Judas caracteriza a horrenda prática de pessoas que andam qual uma estrela errante “Andam segundo as suas concupiscências, e cuja boca diz coisas mui arrogantes admirando as pessoas por causa do interesse”.
A decadência da igreja é real. A imposição do pensamento moderno está bem diante de nossos olhos. O “cristianismo moderno” que se infiltrou nas igrejas tem como base a vontade do homem e a ética contextualizada. Esse cristianismo fez desaparecer das igrejas as verdades sagradas e implantou blasfêmias abolindo os padrões e diretrizes absolutos de Deus.

Nesse contexto, nos chamados “louvorzão” ou “encontrão apimentado” abraçam a música “culturalmente relevante” tal como rock, rap, samba e forró regados com coreografias dançantes, tudo no melhor estilo de casas noturnas. Ademais, usam e abusam da vestimenta imodesta: shorts, camisetas no estilo Havaiano, mini-saias e vestidos decotados e transparentes. Qual o resultado dessa técnica? Igreja lotada e orçamento gordo!

O apóstolo Paulo diz em Efésios 5:11 “Não comuniqueis com as obras infrutuosas das treva, mas antes condenai-as”. Jesus descreve a salvação como entrar numa porta estreita e num caminho apertado. A conclusão do sermão do monte pode ser resumida na frase: Seja diferente do mundo. Portanto, a pessoa realmente nascida de novo, deve andar em novidade de vida, isto implica em renúncia, tomada de posição clara contra o mau, o erro e o pecado.


As estrelas errantes têm o dom de marqueteiro e são especialistas em construir monstruosas igrejas, ou seja, igrejas-shoping onde se oferece estacionamento, pessoas pomposas a prestar assistência, poltronas, central de ar-condicionado, recreação, restaurante, apresentação de teatro, berçários, play ground e salão de jogos. Enfim, o Evangelho já não representa o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crer, mas representa o poder do homem para a obtenção de tudo aquilo que quer.


As igrejas dos pastores-shoping são especificamente projetadas para fabricar convertidos. Não é uma comunidade de fé, ou seja, as pessoas que lá estão não são envolvidas em uma koinonia cristã. As igrejas das estrelas errantes assemelham-se a uma estação rodoviária ou a um aeroporto em período de alta estação onde as pessoas são clientes que se cruzam sem se conhecerem à procura de tomar seu ônibus ou avião. É cada um por si, cada um para resolver seu problema e cuidar de sua vida. Isto não cristianismo.

A função da igreja não é fabricar convertidos, mas pregar a sã doutrina e deixar que o Espírito Santo regenere as pessoas de sua condição de pecadores impenitentes condenados ao inferno eterno. A igreja não é apenas ajuntamento, ele deve conhecer profundamente o que é ter uma só alma, deve ser unida de pensamento, desfrutar da comunhão do Espírito Santo e trescalar o perfume de Cristo.

É preciso resgatar a mensagem bíblica como regra de fé e prática, mesmo que a igreja seja impopular e não agregue multidões, pois a degeneração doutrinária é pior que a perseguição externa. Que o Senhor nos livre de um sacerdócio decaído que agrada o homem e não repreende o pecado!


Ir. Marcos Pinheiro
Enviado via e-mail ao Blog Bereianos

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