Três milagres por R$ 1.000,00 - mais uma de Malafaia e Murdock

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Mais uma vez fomos atacados violentamente em uma tentativa de espoliação de nosso dinheiro. Mais uma vez Malafaia e seus pares adentraram em nossos lares com promessas não verdadeiras atrás de nosso dinheiro. Tal ataque já tinha sido anunciado há algumas semanas. Malafaia avisou que faria isso quando anunciou que o Sr. M. Murdock participaria de seu programa e para nossa angústia esse programa será reprisado algumas vezes. Como sempre fazem tais vendilhões do templo gospel adentram nossos lares com afirmações de novas revelações por parte do Espírito Santo. Não possuem base bíblica para tais afirmações daí apelarem para novas revelações. Calvino já nos advertia contra tais novas revelações já em 1540 aproximadamente. Lutero disse: “Fiz uma aliança com Deus: que Ele não me mande visões, nem sonhos, nem mesmo anjos. Estou satisfeito com o dom das Escrituras Sagradas, que me dão instrução abundante e tudo o que preciso conhecer tanto para esta vida quanto para o que há de vir.”

Em agosto de 2009 M. Cerullo veio a este programa e tentou nos convencer a doarmos R$900,00 e assim seria liberada sobre nós uma unção financeira ilimitada até dezembro de 2009. Agora M. Murdock se apresenta tentando nos convencer que se doarmos R$ 1.000,00 três milagres serão liberados em nossas vidas.

Gostaria de comentar algumas aberrações ditas neste programa de 03/04/2010:

1 – A reação a um profeta do Senhor é proporcional à reação de Deus para com o homem.

Em primeiro lugar M. Murdock se coloca na posição e condição de profeta de Deus. Como se tivesse um chamado para ser profeta no Séc. XXI. Esse tipo de afirmação tenta respaldar suas falas e afirmações. Quem é competente para questionar um profeta? Nesta base tais pessoas se valem de uma autoridade auto proclamada e auto assumida e querem empurrar isso goela abaixo para a igreja. A afirmação feita por Murdock é descabida e indutiva. Isso leva o povo a crer que está obedecendo a Deus diretamente. Isso não é e nunca será verdade.

Esse tipo de pensamento e ensinamento coloca Deus como um ser desprovido de soberania, pois, fica aguardando o homem fazer para depois Ele fazer. A Bíblia nos diz que: “Agindo Deus quem impedirá?” Na Bíblia sempre a iniciativa é de Deus. Deus não reage ao homem. Deus age em relação ao homem e o homem reage à ação de Deus.

2 – Murdock disse que seu novo livro está cheio de novas revelações. Mais parece com o livro mágico do Pr. Uriel do movimento de Boston, que teve uma revelação do livro que o profeta comeu ou se não me engano de um dos livros do Apocalipse, onde um anjo falava diretamente com uma equipe de seu ministério dando o significado de tal livrinho. Tal livro do Pr. Uriel tinha tanto poder que quando alguém tocava nele caia em arrebatamento espiritual. Ao longo do programa do Malafaia, Murdock leu algumas das novas e profundas revelações que recebeu. Mais parece conto da carochinha. Tentou demonstrar uma sabedoria espetacular, mas frontalmente contrária à Palavra de Deus. Ele disse algo parecido com isso: “se você tentar obter algo que Deus não lhe deu, Deus toma de volta o que lhe deu”. Deus, nesta forma de pensamento, mais parece um menino zangado que dá e porque foi decepcionado retira o que deu. Murdock cita Sansão como exemplo. Deus havia dado a ele o favor de Israel e Seu poder, mas Sansão quis Dalila, aí Deus retira o poder de Sansão. O texto nos fala do pecado de Sanção ao quebrar o voto do nazireado e nunca essa lei imposta por Murdock. Tudo para tal pregado são leis espirituais. Se forem praticadas tudo irá bem, mas se forem quebradas o mal será descarregado em nós. Mais parece com o livro o Segredo. Exatamente o mesmo princípio.

3 – Murdock disse: “A única coisa que cria o favor de Deus é a obediência”.

Nunca vi tanto besteirol como nessa afirmação. Se for favor, Graça então não é por atitude humana. O próprio termo favor ou Graça exclui a participação do homem, pois, Graça é o favor de Deus que nós não merecemos e nem fizemos por merecer. Mas para o grande sábio Murdock o favor de Deus é recebido quando obedecemos e acredito que assim diz para fortificar sua palavra que ele é profeta de Deus.

4 – Outra pérola: “Você deve semear a expectativa de uma semente”. Tal afirmação faz coro com o famigerado ensino do Dízimo Profético. Esse ensino diz que devemos dar o Dízimo Profético, ou seja, devemos dizimar a quantia que esperamos receber 10 vezes mais. Entrego o dízimo antecipadamente sobre a quantia que quero ganhar. Ensino profano e mundano. Chega às raias da obscenidade. A prova disso é que no final do programa Murdock pede para as pessoas ligarem e se comprometerem com a oferta mesmo que não tenham dinheiro. Pede para as pessoas se comprometerem que ofertarão assim que Deus lhes abençoar. Pede para que ofertem daquele dinheiro que está reservado para um carro novo, uma viagem ou mesmo uma imprevisibilidade na vida. No fundo ele pede que ofertem de qualquer maneira, ou seja, não quer saber de onde virá o dinheiro, ele que é o dinheiro. Acredito que centenas de pessoas contrairão empréstimos para ofertar. Muitos deixarão de realizar algo importante para suas famílias e ofertarão.

5 - Murdock orou para liberar três milagres sobre os contribuintes.

1º milagre – Salvação de todos os familiares de todos os contribuintes em 12 meses.

2º milagre – Deus restituirá 7 vezes mais tudo aquilo que o Satanás levou em 90 dias.

3º milagre – Alguém demonstrará favor financeiro para cada contribuinte.

Analisemos os 03 milagres prometidos:

1º milagre: Salvação de todos os familiares de todos os contribuintes em 12 meses.

Ninguém pode garantir a salvação de ninguém, pois, a salvação vem de Deus e é obra de Deus. Sabemos que nem todos os seres humanos serão salvos, pois, Deus tem os seus eleitos e somente os tais serão salvos. Tal afirmação caminha para o Universalismo, doutrina que ensina que todos serão salvos, pois, Cristo morreu por todos. Logo ninguém se perderá. Sendo assim tudo fica mais fácil, pois, basta esperarmos para vê-los salvos. A salvação exige a responsabilidade do homem e esta nunca será deixada de lado. O homem precisa responder ao sacrifício de Cristo e isso ele somente o faz quando é regenerado pela graça mediante a fé.

Agora, afirmar que porque alguém ofertou R$ 1.000,00 no ministério X a salvação chegará a toda sua família no prazo de 12 meses é algo estranho à Bíblia e mentiroso. É um engodo dos mais terríveis. Salvação nunca foi e nunca será vinculada a oferta financeira, mas somente à Graça de Deus. Por isso, os reformadores cunharam uma das máximas da Reforma: SOLA GRATIA.

Está é a mesma mentira proclamada por M. Cerullo em agosto de 2009 no mesmo programa. Naquela ocasião quem desse uma oferta de R$ 900,00 receberia salvação em sua família. Nesse ponto Malafaia é coerente, pois, só trouxe ao Brasil profetas da mesma extirpe. Todos proclamando as mesmas asneiras.

2º milagres: Deus restituirá 7 vezes mais tudo aquilo que o Satanás levou em 90 dias.

Quem é M. Murdock para afirmar o que Deus fará em 90 dias? Será que é tão intimo de Deus a ponto de saber tais segredos da Divindade? Pense um pouco: Por que não 70 vezes mais? Por que não 700 vezes mais? Para quem pensa tão grande como Murdock 7 constitui-se em um número muito pequeno, não acha?

Tal afirmação de Murdock deixa Deus à mercê do Diabo. Como se Satanás fizesse o que bem entende sem prestar satisfação para ninguém. Não entendo essa mania ou ensino idiota de atribuir nossos fracassos a Satanás. Tudo o que deu errado foi o Diabo. Isso tira a responsabilidade do homem e transfere para o mundo espiritual. Ai vem alguém especial e promete que por R$ 1.000,00 que tudo voltará 7 vezes mais. Acho engraçado isso, pois, a Bíblia nos diz que Deus retribuiu a Jó 2 vezes. Muito esquisito isso!

Agora fica a pergunta: O que foi que Satanás levou? Ou o que foi perdi por causa dos meus pecados e erros de avaliação? Ou onde entra nisso tudo a Soberania de Deus?

3º - Alguém demonstrará favor financeiro para cada contribuinte.

Parece-me que alguém aparecerá do nada e dará dinheiro e resolverá todos os problemas instantaneamente. Que coisa ridícula e descabida.

O que achei mais lindo nisso tudo foi a garantia que o ofertante receberia um exemplar do novo livro de M. Murdock e um belíssimo certificado de participante do seleto grupo que quer ganhar um milhão de almas. Algo subsidiado por princípios de marketing. Acredito que centenas e cristãos colocarão o tal certificado em seus escritórios, salas de jantar ou mesmo nas cabeceiras de suas camas e se sentirão realizados e orgulhosos do que fizeram. Que pena!

Terminando Mudorck profetizou que Deus estava revelando a ele que havia uma pessoa que estava precisando de um milagre financeiro, pois, tal pessoa passa por grande crise, então deveria plantar uma semente dos seus negócios, ou seja, dizimar sobre valores arrecadados em sua empresa. Que profecia esdrúxula! Que profecia caquética! Que profetada! Observe a afirmação: Existe uma pessoa que está passando por sérios problemas... Fiquei a me perguntar: Qual pessoa? Quantos entenderão que a tal profecia diz respeito a eles? Acredito que milhares. Não houve nome de ninguém. Não houve indicação dos negócios desta pessoa. Nada específico, somente o geral. Isso contraria a Palavra de Deus que nos diz que quando o Espírito Santo falou Ananias sobre Paulo, Ele disse quem era a pessoa, como se encontrava, na casa de quem se encontrava e o nome da rua onde tal casa se localizava. Isso é profecia. Inquestionável. Ágabo profetizou utilizando o cinto de Paulo, ou seja, identificou a pessoa e mostrou o que aconteceria e Paulo recebeu tal profecia, creu nela e não se intimidou ou abalou diante dela, mas confiantemente disse que estava pronto não somente a viver, mas também a morrer por Cristo.

Logo depois o grande profeta Murdock profetizou que Deus levaria ao sucesso 12 pessoas e que era para que tais pessoas ofertassem os R$ 1.000,00. Embasou o número 12 nos números dos 12 apóstolos, nas 12 tribos de Israel e nas 12 portas da Nova Jesuralém. Estas 12 pessoas deveriam ofertar 12 sementes de R$ 1.000,00 durante os próximos 12 meses. Estas 12 pessoas são sementes extras. São 12 negócios que terão favor sobrenatural de Deus.

JÁ VIMOS ESTE FILME EM AGOSTO DE 2009. CERULLO EMBASOU ASSIM SEUS R$900,00: O PORQUE DOS R$ 900,00 É POR ESTARMOS EM 2009 E NOVE É NÚMERO DE COMPLETUDE. 2008 ERA O ANO DE DO INÍCIO E 2009 ANO DE SER COMPLETO.

No final do apelo Murdoch disse assim: “Quanto mais rápido a semente entrar no solo, mais rápido você verá o seu crescimento.

Lembrou o grande enviado Papa Leão X Johann Tetzel. Padre dominicano que foi encarregado pelo papa para vender indulgências na Alemanha no tempo de Lutero. Tetzel tinha uma máxima: “Tão logo a moeda no cofre ressoa, a alma sai do purgatório.”

O que muito me estranha é não ver nenhum tipo de censura por parte da denominação pertencente a tais pastores. Que pena! O que me estranha também é não existir ninguém com penetração na mídia para questionar essas coisas. Mesmo as denominações tidas como históricas têm se calado, concordando assim com essa orgia gospel.

Creio que ainda restam os 7000 que não dobraram seus joelhos a Baal.

Soli Deo Glória

Pr. Luiz Fernando R. de Souza
Fonte: [
Ministério Força para viver ]

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O ensino moderno ou o bíblico?

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Por: D. M. Lloyd-Jones

Aí estão eles, homens e mulheres, verdadeiros fracassos, apesar de tudo o que Deus faz por eles. Nos livros de história secular lemos sobre as grandes civilizações que se elevaram e depois entraram em colapso, lemos sobre a cultura geral da Grécia, e, todavia, o veredicto do Novo Testamento sobre tudo isso é o seguinte: "O mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria" (1 Coríntios 1:21). Deus deu ao mundo a grande oportunidade de, com sua capacidade, sabedoria e entendimento, encontrar o caminho da salvação, porém o mundo falhou completamente, e foi então que Deus enviou Seu Filho ao mundo.

Mas nós só vemos o sentido da salvação provinda de Deus quando nos damos conta do caráter do problema, que consiste no fato de que o problema está no lado de Deus. Digo isso com grande reverência. Devido à natureza e ao caráter de Deus, o pecado do homem constitui um problema para Deus. Nós temos a tendência de criar Deus à nossa imagem. Acaso não é verdade que O imaginamos como um pai moderno, indulgente? Tal pai não acredita em disciplina, donde decorre o estado da sociedade, os problemas morais, a delinqüência, etc. O pai moderno não tem disciplina em casa, e se opõe se os professores disciplinam as crianças na sala de aulas. E ele acha que Deus é desse jeito. Contudo, não é. Ele é "o Deus da glória"; "Deus é luz, e não há nele trevas nenhumas" (1 João 1:5).

Eu e vocês não podemos conceber isso, podemos? Não, mas isso não importa, pois Deus é assim. Ele Se revelou, e revelou-Se como um Deus santo. Ele é "tão puro de olhos que não (pode) ver o mal", e não pode contemplar a iniqüidade (Habacuque 1:13). Ele é um Deus de justiça, um Deus de retidão, é o Deus da verdade. Ele é a eterna antítese de muito do que sabemos, o oposto de tudo quanto está torto, pervertido, indigno, mesquinho, egoísta. Oh, o nosso problema é que não sabemos nada sobre Deus! Em todo o conteúdo do Velho Testamento Deus se revela um Deus santo, que tem ódio eterno ao pecado e a todo mal, e Ele está determinado a puni-lo.

Chegamos então aqui ao nó górdio de toda a questão. Sei que estou dizendo algo que não somente sofre oposição dos homens e das mulheres modernos, mas também é algo que eles abominam e ridicularizam; e, como temos visto, eles fazem isso em termos do amor de Deus. Vocês certamente estão familiarizados com a prática moderna de contrapor o Novo Testamento ao Velho Testamento. Dizem muitos: "Este Deus da ira, este Deus do juízo, este Deus de vocês, que odeia o pecado e que vai punir os pecadores, não é o Deus de Jesus. Esse é o Deus do Monte Sinai, o Deus do Velho Testamento". Essa idéia é muito popular na Igreja Cristã atual. Dizem-nos que não falemos em ira ou punição, porque Deus ama a todos.

De fato, muitos vão tão longe que chegam a dizer que um homem como eu, que se contenta em pregar a Palavra de Deus nos termos em que ela se nos apresenta, e que, portanto, fala sobre a ira de Deus contra todo pecado, impiedade e injustiça - que tal homem não é cristão. "O espírito cristão", dizem eles, é "um espírito de amor, e a idéia de que Deus pode punir este ou aquele, que Deus tem ira em Seu ser, é uma contradição de termos. E impossível haver ira e amor na mesma pessoa ao mesmo tempo." E assim eles jogam fora todo o Velho Testamento.

Ora, este é um assunto muito sério, e lhes faço esta pergunta: Vocês crêem neste ensino moderno, ou crêem no ensino do protomártir, Estêvão, que os leva de volta ao Velho Testamento? Vocês encontram satisfação num Deus que não tem justiça nem retidão, que não mostra nenhuma indigna¬ção contra o pecado, nenhuma ira sobre o mal, e que não é o Deus da Bíblia?

Mas permitam-me mostrar-lhes o completo erro e perigo deste ensino moderno. O nosso Senhor aceitou pessoalmente, em sua inteireza, o ensino do Velho Testamento. Constan¬temente o citava. Ele o tinha na ponta da língua, por assim dizer, e sempre citava a palavra própria para consubstanciar o que estava dizendo. Não somente isso, Ele dizia que veio cumprir o Velho Testamento. Disse Ele: "Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir... até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei" - e isso significa todos os mínimos detalhes do Velho Testamento - "sem que tudo seja cumprido" (Mateus 5:17,18).

Portanto, se você rejeita o Velho Testamento e seu ensino, está não meramente rejeitando o Velho Testamento, está rejeitando Jesus de Nazaré, Aquele que o povo em geral contrapõe ao Deus do Velho Testamento. Mas Ele cria no Deus do Velho Testamento. Ele O servia, e mostrou que este Deus era o Seu Deus e o Seu Pai. E, pois, coisa grave rejeitar o Velho Testamento.

Examinemos, então, mais pormenorizadamente, o ensino desse Velho Testamento no qual o nosso Senhor cria. A lei do Velho Testamento revela a santidade de Deus: "Santos sereis, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo" (Levítico 19:2). Leiam os Dez Mandamentos, a grande exposição do Deus eterno.

O mesmo ensino acha-se nos profetas. Essa era a sua grande mensagem aos filhos de Israel. Eles diziam: vós dizeis que credes em Deus, mas Deus, diz: "Este povo... com os seus lábios me honra, mas o seu coração se afasta para longe de mim" (Isaías 29:13).

Os filhos de Israel diziam: "Nós somos o povo de Deus, nós cremos nEle" - mas viviam no pecado e no vício; faziam ídolos para si. Por isso os profetas vinham e os conclamavam ao arrependimento, por causa da natureza de Deus. Eles diziam: vocês não podem fazer isso. Deus vê tudo, ele tudo conhece, nada Lhe fica oculto. O Deus de vocês é um Deus da sua própria imaginação. O Deus do céu é um Deus santo, e Sua ira pesa sobre o pecado.

Fonte: [ Martyn L. Jones ]
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Teologia Relacional: um novo deus no mercado

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Por: Rev. Augustus Nicodemus Lopes

Os reflexos da onda gigante que provocou a tremenda catástrofe na Ásia no final de dezembro de 2004 alcançaram também os arraiais evangélicos, levantando, entre outras coisas, perguntas acerca de Deus, seu caráter, seu poder, seu conhecimento, seus sentimentos e seu relacionamento com o mundo e as pessoas diante de tragédias como aquela. Dentre as diferentes respostas, uma chama a atenção pela ousadia de suas afirmações: Deus sofreu muito com a tragédia e certamente não a havia determinado ou previsto. Ele simplesmente não pôde evitá-la, pois Deus não conhece o futuro, não controla ou guia a história, e não tem poder para fazer aquilo que gostaria. Esta é a concepção de Deus defendida por um movimento teológico conhecido como teologia relacional, ou ainda, teísmo aberto ou teologia da abertura de Deus.

A teologia relacional, como movimento, teve início em décadas recentes, embora seus conceitos sejam bem antigos. Ela ganhou popularidade através de escritores norte-americanos como Greg Boyd, John Sanders e Clark Pinnock. No Brasil, estas idéias têm sido assimiladas e difundidas por alguns líderes evangélicos, às vezes de forma aberta e explicita.

A teologia relacional considera a concepção tradicional de Deus como inadequada, ultrapassada e insuficiente para explicar a realidade, especialmente catástrofes como o tsunami de dezembro de 2004, e se apresenta como uma nova visão sobre Deus e sua maneira de se relacionar com a criação.

Seus pontos principais podem ser resumidos desta forma:

1. O atributo mais importante de Deus é o amor. Todos os demais estão subordinados a este. Isto significa que Deus é sensível e se comove com os dramas de suas criaturas.

2. Deus não é soberano. Só pode haver real relacionamento entre Deus e suas criaturas se estas tiverem, de fato, capacidade e liberdade para cooperarem ou contrariarem os desígnios últimos de Deus. Deus abriu mão de sua soberania para que isto ocorresse. Neste sentido, ele é incapaz de realizar tudo o que deseja, como impedir tragédias e erradicar o mal. Contudo, ele acaba se adequando às decisões humanas e ao final, vai obter seus objetivos eternos, pois redesenha a história de acordo com estas decisões.

3. Deus ignora o futuro, pois ele vive no tempo, e não fora dele. Ele aprende com o passar do tempo. O futuro é determinado pela combinação do que Deus e suas criaturas decidem fazer. Neste sentido, o futuro inexiste, pois os seres humanos são absolutamente livres para decidir o que quiserem e Deus não sabe antecipadamente que decisão uma determinada pessoa haverá de tomar num determinado momento.

4. Deus se arrisca. Ao criar seres racionais livres, Deus estava se arriscando, pois não sabia qual seria a decisão dos anjos e de Adão e Eva. E continua a se arriscar diariamente. Deus corre riscos porque ama suas criaturas, respeita a liberdade delas e deseja relacionar-se com elas de forma significativa.

5. Deus é vulnerável. Ele é passível de sofrimento e de erros em seus conselhos e orientações. Em seu relacionamento com o homem, seus planos podem ser frustrados. Ele se frustra e expressa esta frustração quando os seres humanos não fazem o que ele gostaria.

6. Deus muda. Ele é imutável apenas em sua essência, mas muda de planos e até mesmo se arrepende de decisões tomadas. Ele muda de acordo com as decisões de suas criaturas, ao reagir a elas. Os textos bíblicos que falam do arrependimento de Deus não devem ser interpretados de forma figurada. Eles expressam o que realmente acontece com Deus.

Estes conceitos sobre Deus decorrem da lógica adotada pela teologia relacional quanto ao conceito da liberdade plena do homem, que é o ponto doutrinário central da sua estrutura, a sua “menina dos olhos”. De acordo com a teologia relacional, para que o homem tenha realmente pleno livre arbítrio suas decisões não podem sofrer qualquer tipo de influência externa ou interna. Portanto, Deus não pode ter decretado estas decisões e nem mesmo tê-las conhecido antecipadamente. Desta forma, a teologia relacional rejeita não somente o conceito de que Deus preordenou todas as coisas (calvinismo) como também o conceito de que Deus sabe todas as coisas antecipadamente (arminianismo tradicional). Neste sentido, o assunto deve ser entendido, não como uma discussão entre calvinistas e arminianos, mas destes dois contra a teologia relacional. Não poucos lideres calvinistas e arminianos no âmbito mundial têm considerado esta visão da teologia relacional como alheia ao Cristianismo.

A teologia relacional traz um forte apelo a alguns evangélicos, pois diz que Deus está mais próximo de nós e se relaciona mais significativamente conosco do que tem sido apresentado pela teologia tradicional. Segundo os teólogos relacionais, o Cristianismo histórico tem apresentado um Deus impassível, que não se sensibiliza com os dramas de suas criaturas. A teologia relacional, por sua vez, pretende apresentar um Deus mais humano, que constrói o futuro mediante relacionamento com suas criaturas. Os seres humanos são, dessa forma, co-participantes com Deus na construção do futuro, podendo, na verdade, determiná-lo por suas atitudes.

Contudo, a teologia relacional não é novidade. Ela tem raízes em conceitos antigos de filósofos gregos, no socinianismo (que negava exatamente que Deus conhecia o futuro, pois atos livres não podem ser preditos) e especialmente em ideologias modernas, como a teologia do processo. O que ela tem de novo é que virou um movimento teológico composto de escritores e teólogos que se uniram em torno dos pontos comuns e estão dispostos a persuadir a Igreja Cristã a abandonar seu conceito tradicional de Deus e a convencê-la que esta “nova” visão de Deus é evangélica e bíblica.

Mesmo tendo surgido como uma reação a uma possível ênfase exagerada na impassividade e transcendência de Deus, a teologia relacional acaba sendo um problema para a igreja evangélica, especialmente em seu conceito sobre Deus. Muito embora os evangélicos tenham divergências profundas em algumas questões, reformados, arminianos, wesleyanos, pentecostais, tradicionais, neopentecostais e outros, todos concordam, no mínimo, que Deus conhece todas as coisas, que é onipotente e soberano. Entretanto, o Deus da teologia relacional é totalmente diferente daquele da teologia cristã. Não se pode afirmar que os aderentes da teologia relacional não são cristãos, mas sim que o conceito que eles têm de Deus é, no mínimo, estranho ao cristianismo histórico.

Ao declarar que o atributo mais importante de Deus é o amor, a teologia relacional perde o equilíbrio entre as qualidades de Deus apresentadas na Bíblia, dentre as quais o amor é apenas uma delas. Ao dizer que Deus ignora o futuro, é vulnerável e mutável, deixa sem explicação adequada dezenas de passagens bíblicas que falam da soberania, do senhorio, da onipotência e da onisciência de Deus (Is 46.10a; Jó 28; Jó 42.2; Sl 90; Sl 139; Rm 8.29; Ef 1; Tg 1.17; Ml 3.6; Gn 17.1; etc). Ao dizer que Deus não sabia qual a decisão de Adão e Eva no Éden, e que mesmo assim arriscou-se em criá-los com livre arbítrio, a teologia relacional o transforma num ser irresponsável. Ao falar do homem como co-construtor de Deus de um futuro que inexiste, a teologia relacional esquece tudo o que a Bíblia ensina sobre a Queda e a corrupção do homem. Ao fim, parece-nos que na tentativa extrema de resguardar a plena liberdade do arbítrio humano, a teologia relacional está disposta a sacrificar a divindade de Deus. Ao limitar sua soberania e seu pleno conhecimento, entroniza o homem livre, todo-poderoso, no trono do universo, e desta forma, deixa-nos o desespero como única alternativa diante das tragédias e catástrofes deste mundo e o ceticismo como única atitude diante da realidade do mal no universo, roubando-nos o final feliz prometido na Bíblia. Pois, afinal, poderá este Deus ignorante, fraco, mutável, vulnerável e limitado cumprir tudo o que prometeu?

Com certeza a visão tradicional de Deus adotada pelo Cristianismo histórico por séculos não é capaz de responder exaustivamente a todos os questionamentos sobre o ser e os planos de Deus. Ela própria é a primeira a admitir este ponto. Contudo, é preferível permanecer com perguntas não respondidas a aceitar respostas que contrariam conceitos claros das Escrituras. Como já havia declarado Jó há milênios (42.2,3): “Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado. Quem é aquele, como disseste, que sem conhecimento encobre o conselho? Na verdade, falei do que não entendia; coisas maravilhosas demais para mim, coisas que eu não conhecia.”

Fonte: [ IPB ]
Via: [ Eleitos de Deus ]

Que é o homem?

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Quando o salmista perguntava "que é o homem para que Te lembres dele?", a pergunta retórica indicava uma compreensão profunda do lugar do homem diante de Deus.

A pergunta sobre o "lugar" do homem no espaço e no tempo define uma série de outros pontos do nosso modo de viver. Alguém com uma concepção por demais pessimista sobre a humanidade é levado ao niilismo, existencialismo, ou qualquer abordagem que cede ao desespero. Do outro lado, quem desenvolve uma visão exageradamente otimista do ser humano, acaba vivendo em uma ilusão ineficaz para explicar os problemas e crises humanas.

João Calvino afirmava que o conhecimento de Deus produziria auto-conhecimento na medida correta. Partindo desta premissa, já observamos os atributos de Deus e percebemos pontos importantes de Sua Palavra. Agora, então, é a hora de concentrarmos o foco no que a Bíblia diz a respeito de nós.

Longe das fórmulas prontas e psicologizadas, buscamos uma abordagem acima de tudo fiel à Palavra de Deus, e consoante com a tradição Reformada. Entendemos que muitos dos problemas nas comunidades cristãs atuais, brota de uma antropologia confusa nestes aspectos: ou é (1) "psicologizada" demais, conhecedora de todas as teorias e postulados das várias escolas da psicologia enquanto desconhece ou minimiza a perspectiva bíblica sobre o assunto; ou (2) falha na fidelidade à Escritura, às vezes rejeitando a psicologia, mas ainda assim se apegando a tradições teológicas que rejeitam aspectos fundamentais da antropologia bíblica; ou (3) rejeita a produção do período da Reforma, considerando-a severa ou pessimista demais, bem como o ensino reformado a respeito do homem.

O Dr. Michael Horton sugeriu que, se você tem uma visão inadequada do problema, a sua solução para o problema será compatível com a sua percepção, e também será indequada para a dificuldade em evidência. A partir disso, ele utilizou a pesquisa de um sociólogo norte-americano - Christian Smith - e chegou à conclusão de que muito da teologia dos evangélicos naquele país (e não só lá) se tornou uma nova religião: o Deísmo Moralista e Terapêutico. Essa solução contemporânea parte de noções erradas sobre Deus, o homem, e sua relação. Quando você desconhece o problema, surgirá com soluções ineficazes problemáticas.

A mentalidade terapêutica se fundamenta na percepção de que, em última análise, o problema do homem é psicológico. Podemos confiar nesta percepção?

Neste mês de Abril os 5 calvinistas analisarão o homem. Uma antropologia bíblica será o nosso foco. Acompanhe-nos nessa jornada!

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Allen Porto é blogueiro do BJC, e escreve às quintas no 5 Calvinistas.
Fonte: [ 5 Calvinistas ]
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Uma igreja baseada nas Escrituras, para o bem do Reino de Deus

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Igreja cristã que se baseia na Bíblia Sagrada idealmente teria que ser uma igreja saudável! Você pode questionar:

Mas as igrejas cristãs baseadas na Palavra de Deus, não são sempre saudáveis?
Eu responderia: Depende. E você: Mas, como assim ?

Depende, pelo fato de que o elemento humano constituinte da igreja, todos nós portanto, nem sempre estarmos inteiramente apegados ao que dizem as Escrituras e introjetarmos ideias próprias ao texto sagrado. Uma questão de interpretação, portanto. Veja o exemplo dos proponentes do Movimento de Batalha Espiritual. É muito óbvio para todo crente que lê sua Bíblia e compara com sua experiência diária de vida, que estamos de fato envolvidos em uma luta contra os principados e potestades que nos fala Paulo em Efésios 6. Mas os defensores ferrenhos daquele movimento, teimam em interpretar erroneamente várias passagens bíblicas, trazendo a questão para um terreno inteiramente místico e desprovido do equílíbrio que se faz necessário. Vamos a alguns exemplos.

Veja sobre a questão da famigerada doutrina da maldição hereditária. Distorcem, por exemplo, o texto de Êxodo 20 sem nenhum pudor. Esta passagem inteiramente se coaduna com a nação de Israel e à idolatria, nada falando portanto sobre “espíritos” de pornografia, adultério, alcoolismo e outros imagináveis. E este é um grande erro porque fazem com que o texto fale o que não está absolutamente dizendo. Claramente se vê neste e em outros textos que o que prevalece, são ideias realmente preconcebidas, achegam-se ao texto com uma ideologia pronta e enxergam na Palavra de Deus o que ela não está dizendo de forma alguma.

Outro exemplo gritante refere-se ao legalismo de usos e costumes. Igrejas há que defendem com muito ardor suas ideias neste campo. Santidade para eles é uma questão de fazer ou deixar de fazer alguma coisa. Ou então, refere-se a aspectos exteriores tão somente. Fala-se em alguns destes ministérios sobre o chamado “espírito de Jezabel” (?!?!) que seria o espírito inspirador das “vaidades” nas irmãs. Mais um erro de interpretação. Jezabel foi uma rainha pagã má, casada com o rei Acabe de Israel que, como qualquer outra mulher, gostava de produzir-se e fez isto pela última vez quando Jeú foi ao seu encontro (2 Re 9.30). Nada no texto há de condenatório, da parte de Deus, pelo fato de ela ter pintado-se em volta dos olhos e ter enfeitado sua cabeça. Aliás, em uma passagem notável que deita por terra as doutrinas legalistas de que a mulher cristã não pode usar jóias ou enfeites, Ezequiel 16.1-14, mostra o próprio Deus como o sujeito da ação, nos versos 11 a 13 a dar a Israel, concebida na figura de uma formosa mulher, adornos, braceletes, colar, pendente, brincos, tudo de ouro e prata, além de vestidos de linho fino e de seda. Tudo da mais alta qualidade. Ainda sobre o “espírito” de Jezabel (que na verdade tornou-se um jargão usado por crentes legalistas) não encontra-se na passagem de 2 Reis e nem em Ap 2.20 na carta à igreja em Tiatira, onde uma certa mulher por nome Jezabel é mencionada, e nem em nenhum outro lugar na Bíblia, a existência de um espírito, um demônio, por nome Jezabel que seria o mentor das “vaidades” nas crentes em Jesus.

A prosperidade na vida do crente, é outro exemplo que queríamos abordar. Igrejas há que enfatizam com grande audácia que o seguidor de Cristo deve ser “cabeça” e não “cauda”. Ele é filho de Deus, herdeiro do Reino e portanto, deve dominar sobre tudo. “Tomar posse” é a palavra de ordem. “Determinar” também porque temos autoridade e tudo deve estar-nos sujeitos, pensam. A Teologia da Properidade viola regras básicas da exegese e hermenêutica bíbica. Enfatizam sobremaneira o fator monetário e afirmam com todas as letras que ser dizimista e ofertante é ser abençoado. De fato, cremos que há uma benção de Deus sobre o crente que, numa atitude de gratidão ao Senhor e amor ao Reino, dizima e oferta fielmente, mas isto numa atitude repito, voluntária e com amor e liberalidade (2Co caps. 8 e 9). Sem forçar a barra.

Outra área em que a Igreja deve basear-se inteiramente no que diz a Bíblia e não nas elucubrações humanas é no que tange aos relacionamentos entre os membros do Corpo de Cristo. 1 Coríntios 12 é uma passagem que mostra a mutualidade que deve haver entre os membros da Igreja. Esta reciprocidade nos relacionamentos nem sempre acontece nas igrejas por causa de uma visão de valorização extrema da grande reunião, da multidão, onde não se pode cultivar a amizade e a real comunhão entre os crentes. Muitas vezes, isto não é exemplificado pelos pastores e/ou obreiros que parecem fazer questão de manter uma relativa distância dos membros, das ovelhas, não visitando-as, não procurando-as e muito menos, não estimulando-as a manterem comunhão uns com os outros. Necessário se faz que os crentes aprendam a relacionar-se (1 Co 12.26). Isto é inteiramente bíblico, ou seja, é a vontade de Deus para a Igreja.

Muitos outros exemplos poderiam ser arrolados, mas estes foram trazidos à baila na expectativa de suscitar uma reflexão em você, leitor. Uma Igreja cristã pode estar com a Bíblia aberta em seu púlpito e mesmo assim não basear sua prática no que realmente está escrito, por falhas na interpretação. E a pregação do Evangelho, a expansão do Reino de Deus entre os homens deixa a desejar, para não dizer sobre a baixa qualidade de vida cristã que se vivencia em muitas destas denominações.

No final, o que realmente importará é se seguimos de fato o que ensina a Bíblia ou se preferimos a Bíblia misturada com ensinamentos humanos que podem ser discernidos e evitados pelo próprio estudo da Palavra sob a orientação do Espírito Santo, conforme as palavras do Senhor Jesus: “Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito”; “Mas, quando vier aquele, o Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir” (Jo 14.26; 16.13).

A Igreja pode e deve ser saudavelmente bíblica, pense nisto!

Fonte: [ Observatório Teológico ]
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No fim dos tempos, a fé verdadeira será raríssima

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Digo-vos que, depressa, lhes fará justiça. Contudo, quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na terra? – Lucas 18.8
O Senhor Jesus mostra isso ao fazer pergunta mui solene: “quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na terra?”.

A indagação que temos diante de nós é deveras vexatória e mostra a inutilidade de esperarmos que o mundo inteiro esteja convertido antes que Cristo volte. Mostra a tolice de supormos que todas as pessoas são “boas” e que, apesar de diferirem em questões externas, todas estão certas no coração, e vão todas para o céu. Essas noções não encontram apoio no texto diante de nós.

Afinal, de que adianta ignorar os fatos que estão diante dos nossos olhos: fatos no mundo, fatos nas igrejas, fatos nas congregações a que pertencemos, fatos lado a lado das nossas portas e lares? Onde a fé deve ser vista?

Quantos ao nosso redor creem realmente naquilo que está na Bíblia? Quantos vivem como se cressem que Cristo morreu por eles e que há um juízo, um céu é um inferno? Essas são perguntas dolorosas e graves. Mas exigem e merecem uma resposta.

E nós mesmos, temos fé? Se temos, louvemos a Deus por isso. É uma grande bênção crer na Bíblia inteira. É motivo para ações de graças diárias, se temos consciência dos nossos pecados e confiamos realmente em Jesus. Podemos ser pecadores débeis, frágeis, imperfeitos, insuficientes; mas cremos de fato? Essa é a grande questão. Se crermos, seremos salvos. Quem não crê, porém, não verá a vida e morrerá em seus pecados (João 3.36; 8.24).

Autor: J. C. Ryle (1816–1900)
Fonte: Day by day with J. C. Ryle, org. Eric Russell, Christian Focus Pub., p.100
Tradutor: Marcos Vasconcelos
Via: [ Mens Reformata ]

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"Igrejas lotadas {de} crentes vazios"

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Triste, lamentável, insuportável! É o que sinto em relação à situação da maioria das "igrejas" de hoje.

Grandes instituições e que se envaidecem com o crescimento numérico, mas que não enxergam sua real situação. Nos púlpitos, líderes que se autodenominam "Apóstolos", "Bispos", "sacerdotes". E na multidão, pessoas seduzidas pelas falsas promessas de prosperidade, grandeza e poder.

O véu do templo foi rasgado, porém os camaradas insistem em recosturá-lo, pior ainda, constroem "Templos" e dizem: "Esta é a casa de Deus, fora dela não há salvação",esquecendo-se que Deus fez do homem Seu tabernáculo através de Jesus Cristo.

Não apascentam as ovelhas de Cristo, não pregam o Evangelho do Senhor e sim criam técnicas de manipulação, querem "crescer" em números, querem a glória para si, fama, ibope. "Aqui é a última porta", "ninguém faz mais milagres que EU"! Falam de si como se fossem como um deus.

Poder é o que pregam, querem o tal "PODER".'Vocês tem que pedir mais poder"! (Eu sei é que por conta desse tal de poder, muitos foram à ruína).

A palavra chave é: "Sobrenatural".

"Hoje vamos trazer o céu até aqui"! Ué, não é a "Igreja" que vai para o céu?

Loucos, lobos devoradores é o que são. E os analfabetos de bíblia dizem "amém" para tudo o que dizem, parecem até aquelas lagartixas que a cabeça balança à toa.

Os cultos são "alegres", "avivados", cheios de festa. Danças, palmas, gritos, gemidos.Há todo tipo de bizarrice e estupidez. Onde está o Evangelho? Onde está Jesus Cristo em suas músicas egocêntricas e chantagistas?

O "tal" Novo Testamento já não é mais lido, pra quê? É tão sem graça, não tem atos proféticos, nem profecias ou promessas de triunfo e vida arregalada.

Como mitômanos vivem cegamente a sua historinha que só é verdade para eles. E, cheios de "poder", "profetizam" e "declaram" :"Somos, temos, podemos".

Se parassem por um instante para ler o Evangelho de Jesus Cristo, se calassem suas bocas tagarelas por um minuto ouviriam o Senhor falar. Então perceberiam que são muitos, milhares de "crentes" vazios.

E ao anjo da igreja que está em Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus:

Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente!

Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca.
Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu;

Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas.

Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-te.

Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.

Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono.

Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Apocalipse 3;14-22.

Qualquer semelhança não é mera coincidência.

Márcia Gizella.
Fonte: [ Não abro mão da Graça ]
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Eudemonismo

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Eudemonismo é uma palavra incomum pela qual eu talvez deva pedir desculpas. Eu a uso porque é a única palavra que eu conheço que serve. Não tem nada a ver com demônios. Vem da palavra grega para "feliz", eudaimon, e Webster a define como "o sistema de filosofia que faz da felicidade humana seu objeto mais alto". Uso a palavra como rótulo para a ótica da felicidade, significando a presença do prazer, e o livrar-se de tudo que é desagradável.

O eudemonismo diz que, já que a felicidade é o valor supremo, podemos confiantemente olhar para Deus aqui e agora para nos proteger de coisas desagradáveis em cada circunstância, ou então, se as coisas desagradáveis aparecerem, livrar-nos delas imediatamente, pois nunca é da vontade dele que tenhamos que conviver com elas. Este é um princípio básico da religião da banheira quente. Infelizmente, entretanto, é um princípio falso. Perde de vista o lugar do sofrimento na santificação, por onde Deus treina seus filhos para compartilharem de sua santidade (veja Hb 12.5-11). Tal erro pode provocar uma ruína.

A felicidade, no sentido em que a definimos, será gozada no céu. Apocalipse 7.16-17 nos mostra isso. Quando formos glorificados com Cristo, nossa condição será de alegria consciente e deleite completo em tudo que nos cerca (o mais alto grau de felicidade), e não simplesmente de quieto contentamento com o modo como as coisas são (felicidade em seu grau mais baixo). Mas há um perigo. O céu é um estado de santidade que somente pessoas com gostos santos apreciarão e no qual somente pessoas de caráter santo podem entrar (Ap 21.27; 22.14ss). De acordo com isso, o propósito presente de Deus é operar santidade — isto é, a semelhança de Cristo — em nós, para nos adequar ao céu. É precisamente o interesse de Deus em nossa felicidade futura que o leva a concentrar-se aqui e agora em nos tornar santos, pois "sem santidade ninguém veráaDeus"(Hb 12.14).

A santidade não é um preço que pagamos para a salvação final; é, antes, a estrada pela qual nos aproximamos dela, e a santificação é o processo pelo qual Deus nos guia por essa estrada. O Novo Testamento nos mostra que na escola da santificação muitas modalidades de dor têm seu lugar — desconforto físico e mental, e pressão, desapontamento pessoal, restrição, mágoa e aflição. Deus usa essas coisas para ativar o poder sobrenatural que opera nos crentes (2Co 4.7-11); para substituir a autoconfiança com confiança total no Senhor que nos dá forças (1.8ss; 12.9s.);e para dar continuidade a seu trabalho santo de nos transformar daquilo que somos por natureza na semelhança moral de Jesus "de glória em glória" (2Co 3.18). Assim ele nos prepara para aquilo que já havia preparado para nós, confirmando a afirmação de Paulo de que "Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade ... para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo" (2Ts 2.13-14; cf.Ef 5.25-27; Tt2.11-14; 3.4-7).

Crianças que fazem o que querem e são constantemente protegidas de situações em que poderiam sentir-se magoadas, nós as descrevemos como crianças estragadas. Quando dizemos isso, estamos expressando que a paternidade superindulgente não só as deixa malcomportadas hoje como também não as prepara para as exigências morais da vida adulta amanhã — dois males pelo preço de um. Mas Deus, que tem sempre os olhos no amanhã enquanto trata conosco hoje, nunca estraga seus filhos, e o curso de treinamento em vida santificada em que nos matricula, e que dura a vida toda, propõe-nos desafios e testa-nos até o máximo repetidas vezes. Os hábitos de agir e reagir à semelhança de Cristo — em outras palavras, o fruto do Espírito: amor, alegria, paz, generosidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio (Gl 5.22s.) — ficam cada vez mais arraigados à medida que aprendemos a mantê-los através de experiências de dor e desagrado, que em retrospecto parecem ter sido o formão de Deus para esculpir nossas almas. A santificação é mais do que isso, mas não menos. "É para disciplina que perseverais (Deus vos trata como filhos)", escreve o autor de Hebreus. "Pois que filho há que o pai não corrige? Mas, se estais sem correção, de que todos se têm tornado participantes, logo, sois bastardos e não filhos" (Hb 12.7-8). Filhos bastardos reconhecidamente passam sem cuidados, mas para vocês que crêem, o escritor afirma, não será assim. Seu Pai celeste tem amor suficiente para instruí-los no viver santo. Apreciem o que ele está fazendo e estejam dispostos para as asperezas que o programa dele para vocês inclui.

Assim, visto que Deus realmente nos ama, qualquer forma da idéia de que ele deva ter a intenção de isentar-nos, ou então imediatamente livrar-nos, de todas as dificuldades que ameaçam — problemas de saúde, isolamento, família desfeita, falta de dinheiro, hostilidade, crueldade, ou o que quer que seja — precisa ser descartada como totalmente errada. Os crentes fiéis irão experimentar ajuda e livramento em tempos de angústia muitas e muitas vezes. Mas nossa vida não vai ser de bem-estar, conforto e prazer de fio a pavio. Serão abundantes os carrapichos debaixo da sela e os espinhos na cama. Ai do adepto da religião do “prazer materialista” que fizer vista grossa para esse fato.

Autor: J. I. Packer
Via: [ Josemar Bessa ]

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A Matança dos cananitas

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Por William Lane Craig

Questão 1:

Nos fóruns, tem havido muitas boas questões levantadas acerca do assunto da ordem de Deus para os judeus cometerem “genocídio” às pessoas da terra prometida. Como você tem colocado em alguns de seus trabalhos escritos que estes atos não se ajustam com o conceito ocidental de Deus sendo um doce papai no céu. Agora nós certamente podemos encontrar justificativas para aquelas pessoas ficarem debaixo do julgamento de Deus por causa dos seus pecados, idolatria, sacrifício de suas crianças, etc. Mas uma difícil questão é a matança de crianças e bebês. Se as crianças são jovens o suficiente juntamente com os bebês são inocentes dos pecados que a sua comunidade tinha cometido. Como nós reconciliaremos esta ordem de Deus para matar as crianças com o conceito de Sua Santidade? – Obrigado, Steven Shea.

Questão 2:

Eu tenho ouvido você justificar a violência do AT com a base de que Deus usou o exército Israelita para julgar os cananitas e a eliminação deles pelos israelitas é moralmente correta por que eles estavam obedecendo a uma ordem de Deus (devia ser errado se eles não tivessem obedecido a Deus na ordem de eliminar os cananitas). Isto se assemelha um pouco em como os Muçulmanos definem moralidade e justificam a violência de Maomé e outras questões morais questionáveis (os muçulmanos definem moralidade como o cumprimento da vontade de Deus). Você pode ver alguma diferença entre a sua justificativa da violência no AT e a justificação islâmica de Maomé e os versículos violentos do Alcorão? São a violência e as ações questionáveis de moralidade e os versículos do Alcorão bons argumentos ao falar com os muçulmanos? - Anônimo

Dr. Craig responde:

De acordo com o Pentateuco (os cinco primeiros livros do Antigo Testamento), quando Deus tirou seu povo da escravidão do Egito e os fez voltar para a terra dos seus antepassados, Ele os direcionou para matar todo o povo cananita que estavam vivendo na terra (Dt. 7:1-2; 20:16-18). A destruição seria completa: cada homem, mulher e criança seriam mortos. O livro de Josué conta a história dos israelitas levando a cabo a ordem de Deus cidade após cidade do começo ao fim de Canaã.

Esta história ofende nossa sensibilidade moral. Ironicamente, contudo, nossa sensibilidade moral no Ocidente foi basicamente, e para muitas pessoas inconscientemente, formada por nossa herança judaico-cristã, a qual nos ensinou os valores intrínsecos dos seres humanos, a importância da conduta justa mais que caprichosamente, e a necessidade da adequada punição para o crime. A Bíblia mesma inculca os valores os quais estas histórias parecem violar.

A ordem para matar as pessoas cananitas está discordante precisamente porque ela parece tão em desacordo com o retrato de Javé, o Deus de Israel, como Ele é pintado nas Escrituras Hebraicas. Contrariamente à retórica vituperante de alguns como Richard Dawkins, o Deus das Escrituras hebraicas é um Deus de justiça, que sofre e de compaixão.

Você não pode ler os profetas do Antigo Testamento sem um senso de profundo cuidado de Deus pelos pobres, oprimidos, humilhados, órfãos e outros. Deus demanda justas leis e justas regras. Ele literalmente suplica às pessoas que se arrependam de seus caminhos errados que Ele poderia não julgá-los. “Vivo eu, diz o Senhor DEUS, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva” (Ez. 33:11).

Ele enviou um profeta até mesmo para a cidade pagã de Nínive por causa da Sua compaixão pelos habitantes, “homens que não sabem discernir entre a sua mão direita e a sua mão esquerda” (Jn 4:11). O próprio Pentateuco contém os 10 mandamentos, um dos maiores códigos morais da antiguidade, os quais moldaram a sociedade ocidental. Até mesmo o severo “olho por olho, dente por dente” não foi uma descrição de vingança, mas uma verificação na punição excessiva para cada crime, servindo para moderar a violência.

O julgamento de Deus é qualquer coisa, menos caprichoso. Quando o Senhor anunciou de julgar Sodoma e Gomorra pelos seus pecados, Abraão corajosamente perguntou,

E chegou-se Abraão, dizendo: Destruirás também o justo com o ímpio? Se porventura houver cinqüenta justos na cidade, destruirás também, e não pouparás o lugar por causa dos cinqüenta justos que estão dentro dela? Longe de ti que faças tal coisa, que mates o justo com o ímpio; que o justo seja como o ímpio, longe de ti. Não faria justiça o Juiz de toda a terra? (Gn 18:25).

Tal como o negociante do Oriente Médio pechincha em uma barganha, Abraão continuadamente diminuiu o preço, e a cada vez Deus se comprometeu, sem nenhuma hesitação, garantindo a Abraão que se houvesse até mesmo 10 pessoas corretas na cidade, Ele não a destruiria por causa deles.

Então o que é que Javé está fazendo comandando o exército judeu para exterminar o povo cananita? É precisamente porque nós esperamos que Javé agisse justamente e com compaixão que nós achamos estas histórias tão difíceis de compreender. Como pode Ele comandar soldados para matar crianças?

Agora, antes de tentar dizer algo em forma de responda para esta difícil questão, nós devemos por bem primeiramente parar e perguntar a nós mesmos o que está em jogo aqui. Suponha que nós concordemos que se Deus (que é perfeitamente bom) existe, Ele não poderia ter emitido semelhante ordem. O que se segue? Que Jesus não ressuscitou dos mortos? Que Deus não existe? Dificilmente! Então qual é o suposto problema?

Eu tenho freqüentemente ouvido populares levantarem esta ordem como uma refutação do argumento moral para a existência de Deus. Mas eles estão obviamente enganados. A afirmação de que Deus não pode ter emitido tal ordem não falsifica ou diminui qualquer das duas premissas no argumento moral que eu defendo:

  1. Se Deus não existe, valores morais objetivos não existem;

  2. Valores morais objetivos existem;

  3. Então, Deus existe.

De fato, à medida que os ateus pensam que Deus fez algo moralmente errado na ordenação do extermínio dos cananitas, eles afirmam a premissa (2). Então, qual é o suposto problema?

O problema, parece-me, é que se Deus não emitiu tal ordem, então a história bíblica deve ser falsa. Qualquer um dos incidentes nunca realmente aconteceu, mas é apenas folclore israelita; ou senão, se elas aconteceram então Israel, cheio de um completo fervor nacionalista, pensando que Deus estivesse do lado dele, afirmou que Deus os comandou para cometer estas atrocidades, quando de fato Ele não os comandou. Em outras palavras, este problema realmente é uma objeção à inerrância bíblica.

De fato, ironicamente, muitos críticos do Antigo Testamento são céticos que os eventos da conquista de Canaã ocorreram. Eles tomam estas histórias como parte da lenda da fundação de Israel, de forma semelhante ao mito de Rômulo e Remo e a fundação de Roma. Para tais críticos o problema das ordenações de Deus desaparece.

Agora vamos colocar esta ordem em uma perspectiva totalmente diferente! A questão da inerrância bíblica é importante, mas não é como a existência de Deus ou a deidade de Cristo! Se os cristãos não podem encontrar uma boa resposta para a questão antes de nós e estão, além disso, convencidos que tal comando é inconsistente com a natureza de Deus, então nós teremos que desistir da inerrância bíblica. Mas nós não devemos deixar um descrente levantar esta questão enganando-se pensando que ele implica mais do que ele realmente faz.

Eu penso que um bom começo para este problema é enunciar nossa teoria ética que fundamenta nossos julgamentos morais. De acordo com a versão do mandamento divino ético que eu defendo, nossas obrigações morais são constituídas pelos mandamentos de um santo e amoroso Deus. Uma vez que Deus não emite ordens a si mesmo, Ele não tem obrigações morais para cumprir. Ele certamente não esta sujeito às mesmas obrigações e proibições a que nós estamos. Por exemplo, eu não tenho nenhum direito de tirar a vida de um inocente. Para mim, fazer isto me tornaria um assassino. Mas Deus não tem tal proibição. Ele pode dar e tirar a vida como Ele decidir. Nós todos reconhecemos isto quando censuramos alguma autoridade que presume tirar vidas como “brincar de Deus”. Autoridades humanas arrogam a si mesmas direitos os quais cabem somente a Deus. Deus não está sob qualquer obrigação para estender minha vida por mais um segundo. Se Ele quiser me desferir a morte agora, esta é Sua prerrogativa.

O que isto implica é que Deus tem o direito de tomar as vidas dos cananitas quando Ele achar melhor. Quanto tempo eles vivem e quando eles morrem é decisão Dele.

Então o problema não é que Deus terminou com a vida dos cananitas. O problema é que Deus mandou os exércitos israelenses acabarem com elas. Não é como mandar alguém cometer assassinato? Não, não é. Antes, uma vez que nossas obrigações morais são determinadas pelos mandamentos de Deus, Ele está mandando fazer algo que, na ausência da ordem divina, poderia ser assassinato. O ato era moralmente obrigatório para os soldados israelitas em virtude do mandamento divino, ainda que, tivessem eles o tratado em sua própria iniciativa, eles estivessem errados.

Na teoria do mandamento divino, então, Deus tem o direito de ordenar uma ação, a qual, ausente de um mandamento divino, seria pecado, mas a qual é moralmente obrigatória em virtude deste mandamento.

Muito bem; mas tal ordem não é contrária à natureza de Deus? Vamos olhar este caso mais de perto. É talvez significativo que a história da destruição de Sodoma por Javé – juntamente com Suas sérias garantias a Abraão que se houvessem tantas quanto até mesmo 10 pessoas retas em Sodoma, a cidade não seria destruída – dá forma a parte do fundo para a conquista de Canaã e ao mandamento de Javé de destruir as cidades lá. A implicação é que os cananitas não são pessoas retas, mas estão sob o julgamento de Deus.

De fato, antes da escravidão no Egito, Deus falou a Abraão,

“Sabes, de certo, que peregrina será a tua descendência em terra alheia, e será reduzida à escravidão, e será afligida por quatrocentos anos... e a quarta geração tornará para cá; porque a medida da injustiça dos amorreus não está ainda cheia.” (Gn. 15:13,16)

Pense nisto! Deus suspende seu julgamento aos cananitas por 400 anos porque sua perversidade ainda não tinha atingido o ponto de intolerabilidade! Este é o Deus que suporta a dor que nós conhecemos das Escrituras hebraicas. Ele até mesmo permite que Seu povo escolhido definhe na escravidão por 4 séculos antes de determinar que o povo cananita esteja pronto para o julgamento e tirar o Seu povo do Egito.

No tempo de sua destruição, a cultura cananita era, de fato, devassa e cruel, abraçando práticas tais como prostituição cultual e até mesmo sacrifício de crianças. Os cananitas estão para ser destruídos “Para que não vos ensinem a fazer conforme a todas as suas abominações, que fizeram a seus deuses, e pequeis contra o SENHOR vosso Deus.” (Dt 20:18). Deus tinha razões moralmente suficientes para Seu julgamento sobre Canaã, e Israel era meramente o instrumento da Sua justiça, da mesma fora que centenas de anos depois Deus usaria as nações pagãs da Assíria e Babilônia para julgar Israel.

Mas tirar a vida de crianças inocentes? A terrível totalidade da destruição foi incontestavelmente à proibição da assimilação de nações pagãs. No ordenamento da destruição completa dos cananitas, o Senhor falou: “Nem te aparentarás com elas; não darás tuas filhas a seus filhos, e não tomarás suas filhas para teus filhos; Pois fariam desviar teus filhos de mim, para que servissem a outros deuses; e a ira do SENHOR se acenderia contra vós, e depressa vos consumiria.” (Dt 7:3-4). Este mandamento é parte e parcela de toda a estrutura da complexa e característica lei judia de práticas puras e impuras. Para a contemporânea mente ocidental muitas das regras da lei do Antigo Testamento parecem absolutamente bizarras e sem sentido: não misturar linho com lã, não usar os mesmos recipientes para carnes e laticínios, etc. O impulso que sobrepujava estas regras é a proibição de vários tipos de mistura. Linhas claras de distinção são esboçadas: isto e não aquilo. Isto serviu como um tangível e diário lembrete que Israel é um conjunto especial de pessoas separado para Deus.

Eu falei uma vez com um missionário indiano que me contou que a mente oriental tem uma tendência inveterada com respeito à amalgamação (fusão). Ele falou que os Hindus ouvem o evangelho sorrindo e dizem “Sub ehki eh, sahib, sub ehki eh!” (Tudo é Um, sahib, Tudo é Um!). Faz quase o impossível para alcançá-los por causa até mesmo das contradições lógicas incluídas no todo. Ele disse que ele pensa que a razão de que Deus deu a Israel tantas ordens arbitrárias sobre pureza e impureza era para ensiná-los a Lei da Contradição!

Por definição em tal grau forte, severa dicotomia Deus ensinou Israel que qualquer assimilação com a idolatria pagã era intolerável. Era Sua forma de preservar a saúde e posteridade espiritual de Israel. A matança das crianças cananitas não apenas serviu para prevenir uma assimilação da identidade cananita, mas também serviu como uma ilustração tangível e detalhada da separação de Israel como um povo exclusivo de Deus.

Além do mais, se nós acreditarmos, como eu acredito, que a graça de Deus é estendida para aqueles que morreram na infância ou como pequenas crianças, a morte destas crianças era verdadeiramente sua salvação. Nós somos tão apegados à perspectiva naturalista terrena, que nós esquecemos que aqueles que morrem estão felizes por deixar esta terra pela alegria incomparável do paraíso. Então, Deus não faz nada errado ao tomar suas vidas.

Então o que Deus faz de errado ao comandar a destruição dos cananitas? Não os cananitas adultos, porque eles eram corruptos e mereciam o julgamento. Não as crianças, porque eles herdaram a vida eterna. Então quem é o transgressor? Ironicamente, eu penso que a maior dificuldade de todo este debate é o aparente erro que os soldados israelenses fizeram a si mesmos. Você pode imaginar que seria como ter que invadir uma casa e matar uma mulher aterrorizada e seus filhos? O efeito brutal nestes soldados israelenses são perturbadores.

Mas então, novamente, nós estamos pensando de um ponto de vista ocidental cristianizado. Para as pessoas do mundo antigo, a vida já era brutal. Violência e guerra eram fatos da vida na vivência das pessoas no oriente antigo. Evidências deste fato é que as pessoas que contam estas histórias aparentemente não pensam nada do que os soldados israelenses estavam ordenados a fazer (especialmente se estas são lendas da fundação de uma nação). Ninguém estava com peso na consciência pelos soldados terem matado os cananitas; aqueles que o fizeram se tornaram heróis nacionais.

Além do mais, meu ponto acima retorna. Nada podia ilustrar para os israelitas a seriedade de sua chamada como povo escolhido de Deus somente. Javé não estava brincando com eles. Ele estava falando sério, e se Israel apostatasse, a mesma coisa aconteceria com eles. Como C. S. Lewis colocou, “Aslan não é um leão manso”.

Agora, como relacionar tudo isto a Jihad Islâmica? O islamismo vê a violência como um meio para propagar a fé muçulmana. O Islamismo divide o mundo em duas partes: a dar al-Islam (Casa da Submissão) e a dar al-harb (Casa da Guerra). A primeira são aquelas terras as quais têm sido adquiridas em submissão ao Islamismo; a última são aquelas nações que ainda não se submeteram. Assim é como o Islamismo verdadeiramente vê o mundo!

Em contraste, a conquista de Canaã representa o justo julgamento de Deus sobre aquelas pessoas. O propósito não era fazê-los se converterem ao judaísmo! A guerra não foi usado como um instrumento de propagação da fé judaica. Além do mais, o extermínio dos cananitas representou uma circunstância histórica incomum, não uma habitual forma de comportamento.

O problema com o Islamismo, então, não é que ele tem a teoria moral errada; é que ele tem o Deus errado. Se os muçulmanos pensam que nossas obrigações morais são constituídas de mandamentos de Deus, então eu concordo com eles. Mas os muçulmanos e os cristãos diferem radicalmente sobre a natureza de Deus. Os cristãos crêem que Deus é um Deus amoroso, enquanto os muçulmanos acreditam que Deus ama somente os muçulmanos. Alá não tem amor pelos incrédulos e pecadores. Então, eles podem ser mortos indiscriminadamente. Além do mais, no Islamismo, a onipotência de Deus supera tudo, inclusive sua própria natureza. Ele é então absolutamente arbitrário na sua conduta com a humanidade. Em contraste, os cristãos sustentam que a natureza santa e amorosa de Deus determina seus mandamentos.

A questão não é, então, de qual a teoria moral está correta, mas qual é o verdadeiro Deus?

Traduzido e adaptado por Leandro Teixeira.