Bíblia "Free Style": libertinagem gratuita e sem estilo

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Por Norma Braga


O pastor reformado Ageu Magalhães esteve em um programa de entrevistas na TV para debater com o pr. Ariovaldo Júnior (não é filho do pr. Ariovaldo Ramos!), autor da chamada "Bíblia Free Style". As impressões do pr. Ageu sobre o entrevero (muito polido, por sinal) são descritas aqui. Recentemente, Yago Martins e Felipe Cruz fizeram um vídeo que contribuiu para a discussão, abordando pontos que ficaram de fora na entrevista. Não resisti e resolvi também, como profissional do idioma, apresentar minhas contribuições ao assunto.

Primeira. A linguagem que escolhemos usar está sempre em estreita correlação com a mensagem que pretendemos passar. A paródia free style, em primeiro lugar, não é free style ("estilo livre"), mas adota um "style" só: o de uma linguagem chula, descuidada e vulgar, que nas situações de vida real só surge em contextos muito específicos de informalidade, intenção humorística, desejo de chocar ou insultar o interlocutor. Ao uniformizar todas as situações de discurso da Bíblia (que contém momentos de ensino, exortação, argumentação filosófico-existencial etc.) fazendo-as caber em contextos descontraídos - como se todos os personagens bíblicos estivessem sempre na praia, de roupas de banho, conversando com amigos íntimos e ocasionalmente falando palavrão -, o autor da "free style" demonstra um desconhecimento completo do conceito linguístico da ADEQUAÇÃO. Por utilizar somente um registro informal e chulo, a versão deve ser considerada imprópria por todo aquele que tem não só amor pela Bíblia, mas também amor pela linguagem, pura e simplesmente. Não se trata só da presença de palavrões (falei sobre eles aqui). A formalidade, a contenção, o cuidado com a correspondência entre o que se diz e como se diz (para sentidos altos, palavras respeitosas), tudo isso faz parte da vida e necessariamente se reflete na linguagem. O tradutor que nega isso acaba negando a própria realidade, com toda a sua dinâmica e relações multicolores, plurais.

Segunda. Ao chegar aos evangelizáveis com essa informalidade excessiva, alegando ser esta a linguagem do público-alvo, os utilizadores da "free style" caem em um erro grave. Será que toda prostituta, todo presidiário, todo viciado em drogas e todo morador de rua usam necessariamente, o tempo todo, com todo mundo, uma linguagem chula, descuidada e vulgar? Claro que não. (Que mico: é como abordar todo mundo na rua com risadas e tapinhas nas costas. Coisa de quem quer forçar a amizade.) E será que todas essas pessoas realmente preferirão ouvir pregações bíblicas em uma linguagem chula, descuidada e vulgar? Muito menos! Quem se expressa impropriamente sabe que o faz e provavelmente não gostaria de ver essa linguagem imprópria misturada com pregação religiosa. Sem medo de errar, conhecendo várias experiências de missões urbanas, afirmo que, nesses grupos, a maioria não responderá positivamente a isso. Ao demonstrar tremendo descaso com a Palavra de Deus, envolvendo em baixo calão a mensagem de um Deus santo, tais idealizadores rebaixam ainda mais o que creem ser o padrão linguístico de seus evangelizados. Nas palavras de um amigo, "o Ariovaldo se torna pior que o desbocado comum por querer sacralizar o palavrão como socialmente aceitável em termos absolutos, coisa que nem o xingador comum faz". Ora, o contraste entre obscenidade na forma e santidade de conteúdo é chocante, evidentemente; com isso, os defensores freestylianos se inserem na velharia de uma cultura que, há pelo menos cinquenta anos, agride orgulhosamente o que considera tradição e bom senso com sua pretensa "liberdade". De fato, seria mais honesto que parassem de usar o campo missionário como pretexto para essas atividades textuais grotescas e tivessem a coragem de admitir o que me parece arbitrária preferência pessoal.

Prostitutas, moradores de rua, usuários de drogas e presidiários, como alvos da pregação do Evangelho, merecem exatamente o mesmo tratamento que qualquer outra pessoa. Escolher uma linguagem de baixo nível para essas pessoas na atividade de evangelização é, com todas as letras, preconceito. Se não é conveniente que o cristão use tal linguagem, não a utilizemos de modo algum. Não só porque é pecado, nem apenas em respeito pela Bíblia, mas também por amor aos evangelizados, que em missões urbanas dificilmente serão amigos íntimos. O argumento de que, nesses grupos, muita gente precisará de uma linguagem mais simplificada é respondido de modo também simples: cabe ao evangelista comunicar a Palavra de Deus com suas próprias palavras, personalizando-a de acordo com cada ouvinte, como muitos já fazem; e, caso haja necessidade de uma versão bíblica mais acessível, elas existem e não cedem um milímetro à vulgaridade de uma "Bíblia" que, dizendo-se free, enreda de saída os possíveis novos convertidos em uma atmosfera mundana da qual eles deveriam ser incentivados a se libertar.

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Fonte: Blog da autora

Leia também: Uma análise sobre a "Bíblia Freestyle"
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A imaturidade nossa de cada dia

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Por Norma Braga


Em novembro de 2012, alunos evangélicos de Manaus¹ se recusaram a apresentar um trabalho sobre religiões afro-brasileiras em uma feira sobre cultura africana. Revoltados, armaram uma tenda fora da escola e decidiram falar sobre missões evangélicas na África. Logicamente, o trabalho não recebeu nota. Uma das reclamações adicionais foi a leitura obrigatória de Jorge Amado, com suas referências ao homossexualismo.

Entristeci-me com as implicações do episódio. Não duvido da sinceridade dos meninos, nem de sua fé, de modo algum. Eles acertaram ao identificar tanto as religiões afro-brasileiras quanto o homossexualismo como inseridos em um espírito de antítese à fé cristã. Mas faltou-lhes um terreno bíblico sólido para lidar sabiamente com essa antítese e reagir de um modo que correspondesse ao papel que Jesus espera de nós como agentes transformadores da cultura.

Antes de tudo, preciso afirmar que eles pecaram ao desobedecer às ordens dos professores. Diz Calvino, em consonância com a Bíblia (Atos 5.29), que só podemos desobedecer às autoridades caso elas nos ordenem a desobedecer a Deus. Embora escorados em uma cosmovisão não-cristã, como aliás é o estado de toda a educação secular hoje, os professores não lhes ordenaram que pecassem ao pedir tal trabalho, nem ao passar-lhes a leitura de Jorge Amado. Por quê? Porque é possível trabalhar com conteúdos não-cristãos sem aderir a eles, simplesmente. Essa é uma realidade que a igreja brasileira precisa enxergar com urgência. Toda religião pode ser analisada à luz de seu impacto cultural, e mesmo cosmovisões apóstatas têm seus momentos de verdade. Com o tema em mãos, os alunos poderiam ter comunicado algum aspecto positivo nas manifestações culturais e literárias analisadas; e, ainda que não aceitassem nada de positivo nelas, poderiam ter recorrido ao expediente de citar terceiros. Em seguida, acrescentariam uma "opinião pessoal" sobre o assunto, inclusive apresentando informações sobre as missões africanas. Desse modo, não teriam desobedecido, mentido nem ferido suas consciências, e ainda comunicariam aos professores e a todos os participantes da feira alguma verdade sobre a fé cristã. Ouvi mais de um relato de estudantes cristãos que adotaram esse procedimento, com ótimos resultados.

Em vez de procederem à revolta aberta, idealmente os alunos teriam sido despertados por seus pais e pastores para o aspecto louvável da iniciativa da escola, que consiste no seguinte: por décadas a fio, o pressuposto de todo o ensino institucional tem sido materialista e ateu; quando alguém propõe que se fale de determinada religião no ambiente escolar, está quebrando uma gigantesca barreira e indiretamente cavando espaço para que os estudantes também falem de suas crenças. Onde foi apontada uma ordem abusiva e intolerável, havia uma abertura para a pregação do Evangelho — que infelizmente, por imaturidade pessoal e teológica, deixou de ser percebida.

A chave para a compreensão dessa diferença fundamental na segunda atitude em relação à primeira não é um argumento, mas sim uma postura interior, que poderia ser descrita assim: em vez de esperar que o mundo aja em conformidade com a Palavra de Deus e rebelar-se e retirar-se (Jo 17.15) quando isso não ocorre (passividade e ira), nós salgamos o mundo (Mt 5.13), sabendo que todos os que têm algum contato conosco na vida são alvos potenciais da graça de Deus (atuação e amor). No primeiro caso, fechamos os olhos para a cultura e para as percepções alheias, ignorando tanto pecados quanto momentos de verdade; no segundo, trabalhamos com a cultura, mas sem nos deixarmos submergir por ela. Se a preocupação dos alunos era apologética, eles deveriam ter sido orientados para a compreensão de que não há apologética sem diálogo. A tenda fora da escola simbolizou o desejo de falar sem ouvir em um espaço "neutro": pura fantasia, que ainda é bastante atuante na alma da igreja brasileira, infelizmente, mesmo entre adultos e até líderes, que deveriam manifestar uma postura mais madura.

A Bíblia nos fornece um exemplo emblemático de um tratamento equilibrado e eficaz da cultura nas palavras do apóstolo Paulo. A consciência da presença da cultura no próprio ato de evangelização é uma constante nele. Em Atos 17, uma das passagens bíblicas mais interessantes do Novo Testamento, atestamos a capacidade de adaptação do apóstolo na apresentação da mensagem. Na sinagoga (Atos 17.2-4), diante de judeus eruditos, seu ponto de partida é a cultura comum daquele ambiente, ou seja, o conhecimento das Escrituras, e, partindo disso, a identificação de Jesus como o Messias. No mesmo capítulo, já no Areópago (Atos 17.19-34), Paulo inicia sua explanação de um modo totalmente diferente com os gregos que ali estavam — filósofos estoicos e epicureus —, mas imbuído do mesmo princípio: ele parte da cultura comum daquele ambiente para apresentar o mesmo Cristo como o Messias, a quem Deus ressuscitou dos mortos. Ele começa com a menção a um “deus desconhecido”, aparentemente distante de todas as excessivas humanizações atribuídas aos deuses conhecidos que reinavam em Atenas, para falar do Deus da Bíblia, que não precisa dos homens (os deuses atenienses precisavam de ofertas constantes) nem habita em templos. Ele começa a combater a idolatria reinante ali partindo de algo que já estava presente naquela cultura. E, embora a maioria dos presentes tenha zombado dele — pois falou em “ressurreição dos mortos” a um público que só queria saber das “últimas novidades” e provavelmente não levava a religião a sério ao ponto de crer em milagres — , várias almas foram salvas naquele dia.

Paulo se utilizou magistralmente de conteúdos da cultura grega, sem ceder um milímetro nas considerações acerca da verdade do Evangelho. Podemos seguir seu modelo. Mas, se ignoramos os dados da cultura e nos fechamos pada a voz do outro, acabamos desprezando a humanidade que nos é comum. Acreditamos assim que estamos acima da cultura, como se vivêssemos fora do tempo, e experimentamos uma espiritualidade fechada para os desafios seculares. Nesse arremedo de santidade, equiparamo-nos a um ídolo (fora do tempo, da cultura, da humanidade), tornando-nos soberbos como deuses, além de ignorantes quanto a nosso próprio acolhimento inadvertido de influências culturais na mensagem evangélica.

Venho testemunhando nos últimos tempos, com preocupação crescente, a adesão, por pessoas cristãs, a um tipo de conservadorismo cuja postura dominante é a desse afastamento murmurador e autoprotecionista. Com grande frequência, o conservador — ou seja, aquele que acalenta os valores cristãos remanescentes na cultura, lamenta a galopante descristianização do Ocidente e deseja o atraso ou a interrupção desse processo — se comporta desse modo opaco, recusando-se a compreender e assumir temporariamente o olhar do outro para melhor comunicar sua cosmovisão. Entendo que um não-convertido se sinta assim, pois só o cristão verdadeiro pode assumir sua missão de "estar no mundo sem ser do mundo", ou seja, comprometer-se com o bem ao mesmo tempo em que se guarda do mal (Tg 1.27). Mas, enquanto o esquerdista inventa uma moralidade própria para sentir que age em nome do amor (e promove destruição, de modo consciente ou inadvertido), muitos conservadores se refugiam na memória de tempos mais morais e se entrincheiram ali, como se o máximo a fazer fosse alvejar a bagunça do mundo com cusparadas.

Que o leitor não se engane: eu sou conservadora. Mas aprendi na carne, com dores, que não posso reproduzir acriticamente um comportamento comum de meu meio. E um dos mais constantes é uma consequência do autoprotecionismo: a ira pecaminosa. O conservador cristão que coloca seu conservadorismo no lugar das ênfases bíblicas adota a ira como modo preferido de reação, ou seja, vive irado, por indignar-se com a malignidade do mundo. Mas essa certeza bíblica deveria suscitar em nós apenas isso? A indignação, isolada, é a resposta emocional de quem espera que o mundo naturalmente obedeça a Deus, sem nossa intervenção como anunciadores de Cristo. E quem não consegue aceitar a realidade do pecado se revela incapaz de se posicionar redentivamente, pois percebe o incrédulo como um alvo primordial de ira (humana!), não de pregação. Trata-se de um desvio monstruoso na cosmovisão que o localiza mais perto do farisaísmo que de Cristo. Afinal, se o pecado alheio só suscita surpresa e indignação, em vez de compaixão, provavelmente a santidade é superficial e exteriorizada, como a dos fariseus.

Preciso explorar reações comuns a outros episódios, também recentes. No dia 28 de fevereiro deste ano, em São Paulo, por iniciativa do DA da Faculdade de Direito, foi realizado na Universidade Presbiteriana Mackenzie um debate entre o dr. Guilherme Schelb, jurista, e o deputado e militante LGBT Jean Wyllys. Jean Wyllys? O nome causou rebuliço. Dedos acusatórios se voltaram contra os líderes da instituição. Na tímida publicidade do evento, alguns chegaram a enxergar uma estratégia de “abafa”, como se um debate público em uma universidade de peso pudesse ser ocultado... enquanto outros foram qualificados como “heróis” por divulgarem o acontecimento. Os mais afoitos denunciaram um suposto processo de liberalização da Igreja Presbiteriana do Brasil... Isso diz muito sobre o estado da igreja cristã protestante entre nós, ainda regida sob o mandato inconfessado do não-vejo, não-ouço, não-falo.

Mas a questão merece ser examinada. Que dolo houve em receber em suas dependências um militante LGBT para um debate? Há anos o Mackenzie recebe personalidades não-cristãs para discutir temas das mais variadas áreas. O pecado de um homossexual seria tão grave ao ponto de impedi-lo de comparecer às instituições cristãs? Mais grave que o ateísmo ou que a idolatria? Pensar (e sentir) assim não é bíblico. Se a ideologia LGBT tem alcançado projeção em todo o mundo ocidental, estando grandemente em desacordo com o que a Bíblia nos ensina, não só podemos, mas devemos abordar o assunto em público. E uma universidade cristã é o ambiente ideal para isso, pois a cosmovisão bíblica, se bem desenvolvida, possibilita uma base sólida para examinar todos os temas em pauta na sociedade.

O mesmo escândalo ocorreu entre antiesquerdistas confessos quando o Mackenzie convidou certos preletores para um debate no dia 13 de novembro. Marina Silva e Ariovaldo Ramos, entre outros, estiveram no campus de Campinas para o V Simpósio de Ética e Cidadania. O chanceler da instituição, rev. Davi Charles Gomes — em quem eu confio o suficiente para dizer com segurança que não é de esquerda —, fez o contraponto tanto de Ariovaldo quanto de Marina. Infelizmente, não estive lá para fornecer minhas impressões sobre debates e debatedores. Mas não pude deixar de ouvir mais uma vez as vozes dos contrariados que, diante da notícia, de longe, teceram seus prognósticos sombrios sobre a instituição e a denominação.

De que lugar exato bradam os desgostosos? Muitos não têm uma cosmovisão bíblica adequadamente formada; neles, é instintiva uma aversão ao contato com descrentes, por purismo farisaico ou medo do confronto. Outros não entendem que universidade não é igreja; em uma igreja, pressupõe-se que o convidado para falar sempre esteja em consonância com os conteúdos da fé cristã, pois, sendo ecclesia (de onde se origina o termo) a reunião dos remidos por Cristo, o pregador se expressa do púlpito com autoridade espiritual. Já a universidade, mesmo confessional, deve abarcar todos os lados das questões públicas. E isso pressupõe ouvir até mesmo o pior inimigo da fé cristã, como o oponente declarado Richard Dawkins, convidado por muitas universidades confessionais americanas para debater com cientistas cristãos. Se você não é contra a presença de Dawkins em debates nas universidades cristãs americanas, não pode ser contra a presença de militantes gays ou de esquerda no Mackenzie. Pelo contrário: nesses casos, a maturidade cristã consiste em compreender que o contraditório está por aí, nas ruas, e trazê-lo para nosso meio, com cristãos aptos para enfrentar seus desafios, não passa de nossa obrigação — por amor a quem se deixa seduzir pelos encantos do pensamento apóstata.

“Mas Norma”, imagino a objeção do leitor, “a esquerda quer ajudar a implantar leis no Brasil que impeçam a liberdade cristã de expressão. É um contrassenso receber LGBTs e esquerdistas para falar”. Seria um contrassenso, sim, caso não devêssemos obedecer a Jesus. Por acaso Jesus diz que devemos pagar aos outros na mesma moeda? Não; pelo contrário, ele afirma: “Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós também a eles” (Mt 7.12). Além de trazer à baila pontos controversos da atualidade — algo que jamais deveríamos estranhar —, a universidade deu a essas pessoas um excelente exemplo de comportamento cristão. Algo que poderá lhes ser lembrado da próxima vez que erguerem a voz para defender os projetos de lei autoritários que estão em voga ou que proibirem os cristãos ortodoxos de falar nas arenas públicas.

O problema não é pequeno. A quem suspeita de que estou apenas preocupada com a reputação de instituições e líderes presbiterianos, devo lembrar que urge, mais que nunca, colocar sobre a mesa um dado inequivocamente identitário do discipulado de Jesus. Se agirmos conforme o mundo, seremos pisados. Se devolvermos o desprezo com que somos tratados, qual será nossa utilidade nesta cultura? Nossa época é de um proselitismo arrogante nos mais variados setores, em geral travestido de neutralidade. A palavra "tolerância" nunca foi usada tão seletivamente: infinita para materialistas e relativistas, zero para religiosos e conservadores. Quando contam com algum poder coercivo, representantes desses setores não hesitam em usá-lo. Enquanto o Mackenzie sempre convidou cientistas ateus para debater com cientistas cristãos em eventos sobre darwinismo, a Unicamp cancelou de véspera², em outubro deste ano, o I Fórum de Filosofia e Ciência das Origens, do qual participariam evolucionistas e criacionistas. Pressão estudantil? Não: pressão indignada dos próprios professores da universidade, que não queriam a presença de criacionistas em seu espaço sacrossanto. Um deles chegou a vociferar: "Que façam isso numa igreja".

Vamos responder na mesma moeda de ira ou continuar dando e aprovando exemplos de amor cristão? A escolha é sua — mas, antes de falar ou agir, tenha a certeza de conformar-se ao padrão bíblico.

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Notas:

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A antítese no coração

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Por Norma Braga


Nos dias 15 e 16 de novembro, haverá o Congresso dos Jovens da Igreja Presbiteriana Paulistana, e o rev. Davi Charles Gomes gravou o vídeo abaixo explicando o que é a antítese (conceito reformado do qual venho tratando também em minhas palestras).


No mesmo dia em que vi o vídeo, li esse trecho fantástico de Roots of Western Culture, de Herman Dooyeweerd, p. 93:

A revelação divina conecta o temporal com o eterno. Deus é o Eterno que se revela ao homem no tempo. Cristo Jesus, a Palavra que se tornou carne, é a plenitude da revelação divina. É justamente essa revelação que representa a grande pedra de tropeço para o pensamento arrogante do apóstata; o homem não deseja a revelação de Deus porque ela ameaça sua pretensa autossuficiência; Ele quer manter Deus a uma distância teorética infinita para que possa especular à vontade sobre "o Ser mais perfeito", um "Ser" alienado de tudo quanto toca a vida temporal. Mas Deus não respeita a divisão teórica humanamente forçada entre o tempo e a eternidade. Ele se revela em meio ao tempo. Pecadores redimidos por Cristo que ouvem essa revelação passam a orar: "Senhor, tem misericórdia de nós. Cobrimos Teu mundo com ódio, ira, sangue e lágrimas. E o Senhor está aqui e vê tudo isto!" Essa é a revelação de Deus em Sua Palavra e em todas as obras de Suas mãos! A revelação lança sobre a terra a antítese, dividindo pais e filhos, dispondo amigo contra amigo, causando divisões no interior das nações e colocando o homem contra si mesmo [ênfase minha]. "Não penseis que vim trazer paz à terra", disse o Salvador, "não vim trazer paz, mas espada" (Mateus 10.34).

Quanta riqueza em todas essas palavras (do vídeo e da citação)! Creio que não só os calvinistas reformados, mas todos os que zelam pela boa doutrina - sobretudo os mais jovens - , devem reter principalmente isto: precisamos viver dia a dia as implicações da antítese no coração, confrontando nossos pecados na graça de Deus e resistindo à tentação de viver a vida cristã apenas externamente - o que resultará em uma triste e penosa guerra sem frutos. "Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, pois dele procedem as fontes de vida" (Pv 4.23).

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Fonte: Norma Braga
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O patético resultado do assistencialismo (II): o caso sueco

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Por Norma Braga


Você certamente já ouviu aquele amigo que se diz social-democrata citar o exemplo da Suécia como de um socialismo bem-sucedido. Bom, faça-lhe dois favores: dê a ele de presente o livro do Janer Cristaldo (já desatualizado, pois é de 1973: procure em sebos) O paraíso sexual democrata, e mostre-lhe o artigo de Gary North (teólogo e economista presbiteriano) do dia de hoje, O estado assistencialista sueco está em chamas. Isso vai funcionar como um panorama bastante amplo da situação daquele país, que de paraíso não tem nada. As “chamas” do título são literais: faz seis dias que a Suécia vem sofrendo na mão de incendiários.

Dois fatores contribuíram para essa situação de guerra civil: uma grave crise econômica desde os anos 1990 (obrigatória em países com governos que se encarregam pesadamente da “justiça social”) e a imigração em massa de gente do Iraque, do Afeganistão, da ex-Iugoslávia, da Somália, da Síria, para o que é considerado um país preferencial em toda a Europa. Alocados em guetos no subúrbio, sem perspectivas e sem desejo de integração (o governo fornece até cursos gratuitos de sueco), esses imigrantes fomentam um enorme ressentimento contra o Estado Papai – ressentimento que um dia explode. Perfazem 15% da população e são os mais atingidos pelo desemprego. (Mais sobre isso, em francês, aqui e aqui.) Gary North sentencia: "Um arranjo que combina imigração livre com Estado provedor está propenso ao desastre."

Deveria ser o contrário? Não! O Estado é um mau criador de empregos e oportunidades. Ele é como um pai que mima os filhos ao ponto de assumir todas as rédeas da vida deles. Não sabe dar o “empurrãozinho” de que precisam desde crianças para crescerem por si. Depois, o pai se lamenta quando precisa sustentar adultos dependentes pelo resto da vida. A metáfora dá conta somente das boas intenções, que podem até existir (muitas vezes duvido), mas nunca vêm sozinhas: governos socialistas assumem tarefas demais, via de regra, para embriagar os governantes de poder e dinheiro público. Desestimulando ou até inibindo a iniciativa privada com assistencialismo, leis abusivas e impostos altos, o Estado socialista diminui drasticamente o número de empregadores e, logicamente, o de empregos. Resultado: a desigualdade social aumentou muito na Suécia desde 1995. E toda a culpa recai agora sobre o costumeiro bode expiatório das esquerdas, claro, na figura do primeiro-ministro Frederik Reinfeldt, eleito em 2006 e decidido a fazer alguns cortes no benefício da galera. Uma reportagem desinformativa, certamente desejando salvaguardar a (ainda) boa fama da social-democracia sueca no Brasil, afirma que os próprios incendiários são de “extrema-direita” (direita contra direita?) e completa: “Os subúrbios afetados pela onda de violência têm em comum uma alta concentração de imigrante e problemas sociais, que se viram agravados pela política de cortes implementada há sete anos pelo governo de direita liderado pelo primeiro-ministro conservador Fredrik Reinfeldt.” Pois é. Se a mamata diminuiu e o povo resolveu tacar fogo nas ruas, a culpa é de quem reduziu a mamata, não é? Lógica perversa!

Trazida por North, achei tocante a fala de Marc Abramsson, líder do Partido Nacional Democrata:

Nós somos o país que mais se esforçou para integrar essas pessoas, muito mais do que qualquer outro país europeu; gastamos bilhões em um sistema de bem-estar que foi criado para ajudar imigrantes desempregados e garantir a eles uma boa qualidade de vida. Ainda assim, temos áreas em que existem grupos étnicos que simplesmente não se identificam com a sociedade sueca.  Eles veem a polícia e até mesmo as brigadas de incêndio como parte do aparato repressor, e os atacam.  Já tentamos de tudo, de tudo mesmo, para melhorar as coisas, mas nada funcionou.  Não se trata de racismo; a questão é simplesmente que o multiculturalismo não reconhece como os humanos realmente funcionam.

Ele chegou ao ponto: como os humanos realmente funcionam? Eis a resposta bíblica: eles são pecadores, naturalmente inclinados ao mal. Um sistema de governo que não considere essa verdade revelada (e provada no dia-a-dia), buscando continuamente fazer surgir a bondade interior do povo por meio de privilégios de todo tipo, como se a gratidão pudesse ser acionada automaticamente, está fadado ao esgotamento. Não existe a associação – tão cantada entre os poetas românticos do século XIX – entre pobreza e bondade. Dentre os imigrantes pobres que recebem assistência especial do governo sueco, alguns serão gratos e procurarão andar com as próprias pernas depois de algum tempo; mas outros, muitos outros, serão cruéis, nunca dispostos a ganhar o pão com o suor do rosto, mas, humilhados, sempre prontos a morder a mão que os ajuda. São esses que contribuindo para a destruição do país, de dois jeitos: inércia e, agora, fogo. Inutilizam a própria vida e a dos outros. O sistema não funciona, e mais: produz espertalhões, como aquela mulher que queria o Bolsa Família para dar à filha uma calça de trezentos reais.

Volto à frase do apóstolo Paulo em 2 Tessalonicenses 3.10: “Quem não quer trabalhar, que também não coma.” A aplicação da Bíblia ultrapassa nosso egoísmo comezinho: o amor de Deus não se deixa confundir com sentimentalismos destrutivos. O princípio enunciado por Paulo não se esgota no indivíduo que queria viver às custas da igreja congregada dos primeiros séculos da era cristã, mas tem profundidade e amplitude na sociologia, na psicologia, na política. Quem deseja se empenhar na formação da cosmovisão cristã falhará estrondosamente se continuar lendo a Palavra e mirando somente seu próprio umbigo – ou o umbigo dos pobres idealizados pela cultura socialista.

Foto: Carro incendiado no subúrbio de Estocolmo, Suécia, dia 21 de maio de 2013 (JONATHAN NACKSTRAND / AFP). Tirada desse site.

Leia também: O patético resultado do assistencialismo
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Anteparo contra a verdade.

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Por Norma Braga


Todo comportamento está escorado por um conjunto de crenças; todo modo de agir se reporta a uma cosmovisão específica, seja declarada, seja inconsciente. E as cosmovisões não surgem no vácuo, mas são parte do tecido de ideias que sustenta determinada sociedade. Ninguém é um núcleo absolutamente original e imprevisível de pensamentos; sempre reproduzimos em alguma medida as ênfases de nosso tempo. Essas percepções me parecem estar desaparecendo das mentes contemporâneas, à medida que a descontinuidade ganha terreno sobre a continuidade e oferece a sensação de que é impossível um desenho nítido do que vivemos.

Assim, um dos maiores problemas de nossa época é que as pessoas se acostumaram a um afrouxar de laços entre o crer e o agir. Não sabem mais no que creem e por quê, e não sabem o que as motiva em suas decisões práticas. A proliferação de analistas parece ter coincidido com o abandono de um autoexame informado culturalmente: buscam soluções tão individualizadas, tão personalistas, que perdem de vista o todo que poderia fornecer-lhes explicações para esse estado de divisão interior. Embriagadas da ilusão romântica (Girard), esquecem-se de que são seres de imitação.

Um dado que me parece óbvio nesse quadro é que as crenças partilhadas, hoje, são de fato desconectadas da realidade, tão incapazes de escorar ações efetivas no mundo que passam a compor apenas uma atmosfera indiscernível, uma bruma difusa, que só obscurece o caminho em vez de apontar direção. Acreditar que a moralidade é relativa mas continuar vivendo de modo compatível com a existência do bem e do mal (porque não se pode viver de outro modo, a não ser como sociopata) é um dos exemplos mais recorrentes dessa dissociação. A frequência com que o discurso nega a vida é tão grande que o pensar não só deixa de acompanhar a experiência, mas a atomiza ainda mais.

E há outro exemplo que nos diz respeito diretamente. Você fala a alguém de sua fé em Cristo e narra algum fato miraculoso ou extraordinário relacionado a sua fé, e imediatamente seu interlocutor proclama com seus botões, ou até em alta voz, que você só pode ter um parafuso a menos. Porém, ao mesmo tempo, nada em seu comportamento ou suas atitudes mudarão em relação a você. Em 99% das vezes, você continuará sendo, aos olhos dele, uma pessoa amiga e confiável. A presumida "loucura" que ele lhe imputa, nesse caso, é operacional e só funciona para que se mantenha a salvo da ameaça da crença.

Eis a marca de nossos dias: antes, as cosmovisões davam identidade, ainda que uma identidade idólatra e inconsistente; hoje, foi dado um passo para trás: o relativismo engole toda possibilidade de um posicionamento público que esteja de acordo com a cosmovisão, persistindo, como forte anteparo, contra qualquer tentativa de organizar mentalmente o real. Lamentamos essa situação, mas ao mesmo tempo podemos nos indagar se um mecanismo que se afigura claramente como proteção contra a verdade não seria mais fácil de desmascarar, já que resulta (ou deveria resultar) em maior desconforto existencial. Por outro lado, assusta que nossos contemporâneos se mostrem tão voluntários em preferir a ilusão e permanecer nela, ainda que em tudo se assemelhe de fato ao que é: uma ilusão.

Só Deus poderá nos comunicar com eficácia as reações adequadas aos desafios que a igreja está prestes a enfrentar nesse novo século. Estejamos atentos.

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Quero trazer à memória

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Por Norma Braga


Há muito do velho paganismo em nós. Mesmo o mais racionalista dos seres pode manifestar uma ponta de irracionalismo quando, por exemplo, adia ad infinitum a visita ao dentista esperando inconfessadamente que o problema se resolva por si.

Mas, ao contrário do racionalista que às vezes se comporta de modo irracional, tenho uma personalidade naturalmente inclinada para o irracionalismo. Foi o que me levou a buscar Deus nos meios esotéricos, por exemplo, antes de me converter. Uma das manifestações mais dolorosas dessa inclinação é a presença de medos obscuros e inconfessáveis cuja irrealidade só é percebida com muito custo.

Cito alguns. Um pavor antigo, desde criança, era a possibilidade de ficar louca do nada, ou de bater a cabeça no chão em algum acidente e perder as faculdades mentais mais básicas. Derivava de uma pregação comum no esoterismo: a mente podia transformar os pensamentos em realidade. Uma vez convencido disso, tente dormir à noite enquanto seu cérebro fabrica os acontecimentos mais indesejados de sua vida.

Boa parte disso foi debelada com o trabalho do Espírito Santo em mim. Com poucos anos de conversão, pude identificar de imediato um inacreditável twist argumentativo em uma irmã que citou Jó para confirmar o ensinamento esotérico: “Aquilo que temo me sobrevém, e o que receio me acontece” (Jó 3.25) – um desabafo evidentemente descritivo. Se Deus não tivesse me transformado, sabe-se lá que tipo de síntese mística eu teria feito com o cristianismo.

Deus continua debelando em mim os medos mais tenazes. O processo de cura, como descobri, é exemplificado em Lamentações 3: “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança” (Lm 3.21). Assim como o versículo de Jó, essa frase tem sido retirada de seu contexto para justificar uma esperança mundana, baseada na lembrança de “tempos melhores”. Mas relembrar o passado feliz em um contexto infeliz, além de nada garantir para o futuro, é uma verdadeira tortura autoinfligida. E pior: às vezes não há o que lembrar. Uma infância infeliz, uma cadeia de insucessos amorosos, o cotidiano de pobreza que atravessa gerações... Nesses casos, como o versículo se aplicaria? Percebe-se então que a ênfase do texto não pode estar nos fatos da vida. Mas onde estará?

Vejamos. Jeremias relembra o passado, mas um passado nada glorioso: “Eu sou o homem que viu a aflição pela vara do furor de Deus” (Lm 3.1), resume ele seus infortúnios. Todo o livro é uma grande lista de infortúnios, resultantes dos contínuos pecados do povo de Israel. Até que o versículo 21 do capítulo 3 inaugura a mudança de foco:

"Quero trazer à memória o que me pode dar esperança. As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se a a cada manhã. Grande é a tua fidelidade. A minha porção é o Senhor, diz a minha alma; portanto, esperarei nele."

Onde Jeremias foi buscar esperança? Nenhum acontecimento pessoal é evocado, mas sim essa característica divina: o Deus de Israel é misericordioso. Caso haja arrependimento, Sua ira não dura para sempre. Jeremias sabia disso a partir do registro de tudo o que havia sido feito a seu povo até então. Hoje, também sabemos disso, primordialmente, pelo registro bíblico de tudo o que Deus fez nas vidas de Abraão, Moisés, Josué, Isaías, Paulo e de todos aqueles que, tendo sido alvo da grande misericórdia do Senhor, andaram com Ele. Assim como somos “enxertados” na família da fé (Rm 11), também ocorre conosco essa apropriação da vivência de outros: todo novo cristão, inicialmente sem referenciais para pensar e enxergar Deus, apropria-se das maravilhas do passado e as integra a seu horizonte. Quando não há lembrança pessoal dos feitos de Deus, a fé inaugura o processo e a Palavra entra como experiência adquirida.

Nova convertida, eu não tinha acesso à experiência direta com a cura divina de meus temores. Foi trazendo à memória o caráter de Deus, com o poder do Espírito Santo, que meu coração foi orientado para a segurança da onipotência do Pai sempre que pseudoverdades, tais como a do pensamento mágico e do poder da mente, ameaçavam me submergir. Em um processo longo, que durou anos (e ainda continua em alguma medida), grandes medos foram vencidos com a lembrança – em meio a grande choro e oração – de que toda a realidade está nas mãos dele. Diante de pecados recém-descobertos, é a partir da experiência adquirida biblicamente que precisamos clamar: “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança.” Não algum ponto de nosso passado, que no caso sequer existe, mas o foco no contínuo educar da mente para pensar toda a realidade – inclusive a realidade mais apavorante dos medos obscuros – segundo os conteúdos expressos em Sua Palavra: o que pode – é capaz – de nos dar esperança é o maravilhoso caráter de nosso Deus, atestado nos relatos de nossa fé e posteriormente, se o provamos (Sl 34.8), na nossa vida.

Racionalista ou irracionalista, sejam quais forem os males que o assediam, você deve se apropriar conscientemente dessa Palavra que agora, por causa do nosso enxerto na família de Deus, pertence-nos por completo, como parte da própria seiva que nos alimenta como galhos enxertados. Se não o fizer, sua esperança será puro saudosismo, sem apoio consistente algum.

Oro para que você faça isso, aplicando-a contra todos os seus pecados e em todas as suas aflições.

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Onde está a contracultura?

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Por Norma Braga

Estamos no mundo mas não somos do mundo. Somos o sal da terra, a luz do mundo. São palavras de Jesus sobre nós. Os cristãos são chamados por Ele para ser contracultura. “Eles não são do mundo, como eu também não sou” (Jo 17.14). Isto significa que lutamos pela pureza: dentro de nós, no caminho tão pessoal e bonito da santificação, pela graça de Deus; e também fora de nós, denunciando a crueldade do pecado e convidando a outros para que sigam o mesmo caminho, escorados de igual modo na graça de Deus. Quando o fazemos fora de nós, confrontamos não só os incrédulos, para que se convertam, mas também os próprios crentes, para que deixem determinados pecados e se santifiquem, desatando os laços com outros (falsos) doadores de identidade – bens materiais, aparência, ideologias, saberes, profissões, condição social etc. Nossa identidade realmente última deve ser Cristo em todas as esferas da vida.

Quando o cristão adere inadvertidamente ao culto a um ídolo mundano, incorporando ao cristianismo elementos espúrios, esse chamado de Cristo tende a se tornar inócuo. Afinal, se nossa identidade é partilhada entre Cristo e ídolos, não nos diferenciamos do mundo o suficiente para salgá-lo. E o sal que não salga “só presta para ser pisado pelos homens” (Mt 5.13). Esse culto ambíguo e informe recebe um nome na filosofia reformada: “síntese”. E há muito mais sínteses do que conseguimos identificar, certamente: como dizia Calvino, o coração é uma incansável fábrica de ídolos.

No blog, e também no livro, uma das sínteses mais presentes em minha denúncia do pecado é a que mistura cristianismo com esquerdismo. Dediquei longo tempo ao estudo do esquerdismo em suas variadas formas – soviético, chinês, cubano, politicamente correto – e ainda pretendo fazê-lo muito mais. Porém, sabendo que o pecado nos empurra para extremos que apenas parecem opostos, mas são análogos, tenho ocupado minha mente hoje com a síntese que indiferencia cristianismo e conservadorismo – ou, de modo mais específico, cristianismo e luta contra o esquerdismo (ou luta cultural). Encerro a ambas as sínteses – com esquerdismo e com conservadorismo – sob a expressão “politização da fé”.

O que ocorre quando o cristianismo se dilui na politização da fé? A luta contra o pecado se torna predominantemente exterior, quando na verdade é primordialmente interior – ou seja, sempre se inicia com a identificação dos pecados íntimos, seguindo-se com arrependimento, perdão e cura diante de Deus. De fato, esse autoexame é uma condição sine qua non para o exame adequado dos pecados exteriores, conforme enfatizou Jesus em Lucas 6.41-42. Se não conhecemos nem nossos próprios pecados, como enxergaremos o pecado alheio?

Em Letters of Francis A. Schaeffer [Cartas de Francis A. Schaeffer], o grande apologista apresenta um referencial para que a importância da interioridade na vida cristã seja preservada, representado por um esquema onde aparecem três círculos concêntricos:


O círculo da apologética se correlaciona com “a aplicação da teologia à incredulidade” (John Frame), ou seja, com a luta da verdade contra a mentira que reside no coração humano (a começar pelo coração do próprio apologista: não esquecer Lucas 6.41-42). O das doutrinas diz respeito à afirmação positiva da fé cristã. E o interior é de onde fluem “os rios de água viva”, onde ocorre a conversão, onde se dá o relacionamento pessoal da alma individual com Deus . Sem o interior, nenhum dos outros dois pode constituir um cristianismo legitimamente bíblico. Sem o interior, de fato, não pode haver um salgar efetivo, pois somente nos diferenciamos do mundo à medida que nos deixamos transformar por Cristo.

Para Schaeffer, e também para mim, não há alternativa a não ser pedir a graça de Deus para que cada um desses círculos esteja em seu devido lugar na nossa vida. Porque somos pecadores, nossa tendência sempre será nos afastar de Deus para manter nossos pecados intactos (Jo 3.19). Então, para disfarçar esse afastamento, tenderemos a substituir a vida interior com Deus pela luta exterior com as pessoas, as ideologias, os pais, os professores, o “sistema”, achando que servimos a Deus com isso, sem perceber o quanto estamos secos por dentro. É quando o empunhar das armas toma o lugar da novidade de vida em Cristo. Se você acredita ter caído nessa armadilha, talvez ajude lembrar que estamos soldados neste mundo, mas nossa verdadeira natureza é de adoradores: amar a Deus e aos irmãos é o que faremos por toda a eternidade.

É precisamente nessa inversão – que suprime a primazia da vida interior e a substitui pela luta cultural – que eu identifico o cruzamento entre esquerdismo e conservadorismo como sínteses com o cristianismo. A única diferença é que não creio ser possível, para o cristão, aderir ao esquerdismo sem realizar sínteses, enquanto o conservadorismo, por ser a posição mais natural biblicamente, pode ser adotado sem corromper o cerne da fé. Porém, isto não significa que o cristão conservador deva se sentir imune ao mecanismo da inversão – e de fato, nesses tempos em que (finalmente!) as posições conservadoras “saem do armário” e se mostram à luz do dia, vários exemplos desse mecanismo já podem ser percebidos. Ainda tratarei mais disso aqui.

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Revolucionários e Conservadores

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Por Norma Braga
"Precisamos viver uma vida mais revolucionária que a dos revolucionários." Irmão André
Vamos pensar nesses termos em seu sentido mais básico e universal. O que são as tradições em si? Apenas o saber humano acumulado ao longo do tempo e cristalizado em linguagens, costumes, valores morais, comportamentos, leis. Nada são, se Deus não as sanciona, ou seja, se não procedem da sabedoria divina. E o que são as revoluções? Apenas as mudanças radicais e corajosas.

Nessa apreciação mais ampla da palavra, Jesus foi, sim, um grande revolucionário em sua época. Ele desafiou e aboliu as tradições vazias do judaísmo que vigorava então, oferecendo a quem desejasse um relacionamento profundo e verdadeiro com Ele, a fonte de vida. Da mesma forma, podemos dizer que nossa fé é revolucionária: enquanto todas as demais religiões enaltecem o mérito humano, pois procedem do coração enganoso, viver na graça de Deus será sempre novidade de vida enquanto estivermos neste mundo. Por outro lado, Jesus deixou muito claro que não vinha para abolir a Lei judaica, mas para a cumprir. Reportava-se sempre ao Antigo Testamento como fonte de verdade, assim como fazemos hoje em relação à Bíblia inteira. Ele não jogou tudo fora, muito pelo contrário: seus embates com os fariseus objetivavam restabelecer o espírito original e legítimo da Lei. Assim, Jesus também foi um conservador, afirmando o sentido correto de uma tradição que não vinha de mãos humanas, mas havia sido entregue aos homens pelo próprio Deus.

A questão central, como o leitor já deve ter percebido, não é a postura conservadora ou a postura revolucionária em si, mas a boa triagem do que se deve conservar e do que se deve abolir - um equilíbrio que deve ser mantido tanto no nível individual quanto no da sociedade, já que tal equilíbrio é responsável pelo progresso. Não se consegue muito na vida apegando-se demais ao passado, sem critério algum; muito menos projetando tudo para o futuro, sem o devido apreço por aquilo que funciona adequadamente há gerações.

Tendo dito isso, passo a considerar o sentido moderno e contextualizado no mundo ocidental dos termos "conservador" e "revolucionário". Afinal, palavras e conceitos não são unívocos, mas ganham sentidos específicos de acordo com cada tempo e cultura. Assim, há certo consenso em torno dos termos "conservador" e "revolucionário" hoje quando usados como "termos técnicos", ou seja, por gente que entende minimamente de política.

Esse sentido, moderno e contextualizado, obviamente tem história, e sua história se confunde com a do próprio cristianismo ocidental. Através da graça comum de Deus, o Ocidente passou a moldar-se pela ampla influência da igreja cristã, desde os tempos do primeiro imperador cristão, Constantino (272-337), dando um fim aos aspectos mais cruéis dos costumes romanos. Esse processo gerou aos poucos um consenso cultural em torno de valores legitimamente bíblicos, tais como: a apreciação incondicional pela vida humana independentemente de status social; o amor como mais alto ideal; o amor pelos inimigos; a importância da interioridade; a inviolabilidade da consciência; o cuidado com os mais fragilizados da sociedade (pobres, estrangeiros, órfãos e viúvas); a valorização da mulher e da criança, e muitos outros. Se você abre sua Bíblia, encontra nela esses valores e concorda com eles de imediato, como se respondesse "é óbvio" à Palavra de Deus, não se engane: foram necessários séculos para que você chegasse a esse estado. A graça comum de Deus gerou consensos na cultura e você, leitor, como ser social, também é fruto desses consensos.

No século XIX, Karl Marx (1818-1883) definiu toda a realidade em torno do conceito de luta de classes. Para ele, uma sociedade igualitária seria desprovida de classes sociais, diferenças econômicas e divisão do trabalho. Ora, tal nivelamento não-natural dos indivíduos só pode ser conseguido através de um poder gigantesco que atue em duas frentes: coerção violenta (prisões arbitrárias, execuções sumárias, instituição do crime de consciência) e pressão ideológica onipresente (controle estatal da mídia e da educação). Assumido como tarefa do Estado, tamanho ideal aniquilava as vocações pessoais, as benesses merecidas por esforço, o livre pensar, a individualidade.  O povo precisava deixar seus princípios mais básicos de lado e consentir com assassinato, roubo, mentira, manipulação, tudo em nome da idolatria ao Estado. Quem não se adaptasse seria suprimido - por isso os regimes comunistas e socialistas mataram tanto na antiga União Soviética, na China, e ainda matam em Cuba e na Coreia do Norte.

Nos países mais democráticos, imaginava-se que, expandindo-se o marxismo pelo mundo, o proletariado se levantaria naturalmente para lutar pela causa socialista. Tal não ocorreu, e os ideólogos da Escola de Frankfurt culparam os valores cristãos pela ausência de um espírito revolucionário espontâneo. O Deus cristão, zeloso e exclusivista, passou a ser novamente o alvo maior por parte de poderosos e aspirantes ao poder, tal como havia sido na época do Império Romano. A diferença é que, enquanto a ambição dos ditadores romanos não era totalitária, a nova ideologia coletivista demandava que essa idolatria fosse prestada de coração, substituindo por completo tanto a consciência individual inviolável perante Deus quanto os limites morais em conformidade com os dez mandamentos e os ensinamentos de Jesus. Para isso, em prol da revolução por vir, conforme concluíram esses ideólogos, a "cultura judaico-cristã" teria de ser combatida. Sob as bandeiras da modernidade, do progressismo, da juventude e do amor, as mentes revolucionárias de nosso tempo buscam solapar toda ideia do Deus cristão, negando o certo e o errado, a moral sexual, os laços familiares, a noção dos deveres. Intentam criar uma geração de pessoas vazias, mesquinhas e devassas, mais facilmente corruptíveis ou manipuláveis.

Esses são os "revolucionários" de hoje, que, além da revolução socialista propriamente dita, geralmente defendem causas relacionadas ao marxismo cultural, ou pensamento politicamente correto, aferrando-se ao feminismo, ao movimento gay, às ações afirmativas, à negação de qualquer autoridade (divina ou constituída por Deus), a projetos de descriminalização do aborto, do infanticídio (cf. Peter Singer) etc. Em contraste, os conservadores ocidentais (sempre nessa segunda acepção, mais específica) são os não-socialistas que se importam com a manutenção do substrato cristão na cultura, cujos ideais são frontalmente opostos aos anteriores. Esses sabem que a preservação dos valores cristãos que compõem a civilização judaico-cristã é fundamental para impedir a morte e a destruição  de pessoas e sociedades - em um sentido literal. Sabem que, quando abençoa a cultura, o cristianismo:

- protege o indivíduo, impedindo a injustiça e a opressão máxima, inclusive a estatal (pois estamos todos igualmente debaixo de autoridade divina e a ela respondemos);
- protege os laços familiares (pois milita contra o divórcio e o adultério);
- protege a mulher do abandono e  da maternidade enquanto solteira (pois a ajuda a guardar-se para um homem que realmente se comprometa com ela);
- protege a criança no ventre e fora do ventre (pois abomina o aborto, o infanticídio e os abusos sexuais).

Esses são aspectos concernentes à graça comum. Mas sabemos que o cristianismo ultrapassa em muito os benefícios para esta vida, iniciando-se com a morte do velho homem e o renascimento espiritual em Cristo. Assim, caso sejam cristãos verdadeiramente convertidos, os conservadores conseguirão escapar ao moralismo raivoso e infrutífero que por vezes os caracteriza, salgando e iluminando a terra, ao mesmo tempo em que apontarão para a necessidade de conservar, sem tradicionalismos vãos, mas de modo vívido e atento, todas as bênçãos advindas da graça comum de Deus para a sociedade, através da infusão da Bíblia na cultura. E é por amor que o farão.

É claro que, na prática, o espectro de variações é enorme. Há os conservadores naturais, pouco afeitos a mudanças, e os revolucionários naturais, muitas vezes "rebeldes sem causa". No âmbito político, além de conservadores e revolucionários, há os liberais, que defendem o Estado mínimo mas, presas de um economicismo que é quase a outra face da moeda marxista, não se importam com o fim dos valores cristãos na cultura; nos EUA, há os "neocons", menos apegados ao cristianismo. Mas atenção: no Brasil, "direita" é coronelismo e militarismo; nunca houve um verdadeiro conservadorismo histórico em nosso país. Existem esquerdistas moderados, não totalitários, mas são bichos raros na América Latina, continente rico de vitimizações e antigos complexos de colônia, onde se espera que tudo venha do governo. O Brasil, infelizmente, tende à esquerda "deixe que o governo faça por você". Entre os cristãos, além dos conservadores convictos, há muitos conservadores inconscientes que simpatizam de longe com a esquerda somente pela "causa social". Conheço alguns deles e, quando encontro abertura, procuro ajudá-los a compreenderem melhor sua posição. E há muitos esquerdistas cristãos que tentam, sem sucesso, preservar a ideologia, rejeitando o relativismo moral que lhe é inerente e adotando apenas o amor aos pobres e o sonho de uma sociedade igualitária. O problema é que, ao sancionarem regimes como o de Cuba ou demonstrarem indiferença diante das matanças comunistas, aderem ao relativismo moral inescapavelmente (em outras questões também, via de regra - e quanto mais socialistas, mais tenderão a confundir revolução com Reino de Deus).

Ainda uma nota sobre Francis Schaeffer. Quando o grande apologista escreveu isto:

"A maior injustiça que se pode pedir a um jovem é pedir que ele seja conservador. O cristianismo não é conservador, mas revolucionário. Ser conservador é não entender o principal, pois o conservadorismo significa permanecer na corrente do status quo, e isso não mais nos pertence."

Espero que tenha ficado claro agora, com meu artigo, que ele se referia ao sentido universal de "conservador", e não ao sentido moderno, político. Na política, Schaeffer era indiscutivelmente conservador, ou seja, não comungava de modo algum com os ideais esquerdistas. Se você não leu o suficiente de sua obra para constatar isso, fique atento, pois pretendo escrever mais sobre o tema "Schaeffer conservador" no futuro. Se tiver pressa, porém, leia O grande desastre evangélico e Como viveremos, e depois venha falar comigo nos comentários.

Por fim, uma observação pessoal. É no sentido político que me considero conservadora, e não no sentido amplo. Nunca deixei de ter coragem para mudar, e quem me conhece há muitos anos sabe disso. Aliás, minhas inclinações naturais sempre foram progressistas em vários aspectos, mas foi Deus que me ensinou a abandonar os deslimites tão daninhos incentivados hoje pela cultura e a abraçar Seus limites protetores. Glória a Ele por isto!

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Sobre a autora: Norma Braga é doutora em literatura francesa pela UFRJ e mestranda em teologia filosófica pelo Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper.


Fonte: Norma Braga
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Um só livro

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Por Norma Braga

Não entendo que muitos que se denominam “cristãos” hoje consigam tranquilamente negar a base de toda a nossa fé: a unidade da Bíblia.

Em primeiro lugar, eles demonstram com isso uma tremenda falta de confiança nos irmãos que tanto trabalharam, antes deles, durante séculos, nas mais variadas áreas, para reconhecer e confirmar a autenticidade de todos os 66 livros das Escrituras. Exibem-se assim não só como pretensos “descobridores da pólvora” – e Deus sabe o quanto a tentação do ineditismo, em nossos dias, é avassaladora – , mas sobretudo como desdenhosos (e, não duvido, ignorantes) de todo o generoso encaminhamento investigativo que Deus permitiu para que tivéssemos esse impressionante Livro, coeso, em nossas mãos.

Em segundo lugar, fazem com a Bíblia algo que jamais fariam com seu autor literário predileto: ignoram pedaços inteiros como “corpos estranhos” para dar coerência a uma ideia previamente estabelecida por eles, imputando-a ao todo como uma camisa-de-força. Agem assim como verdadeiros Jacks Estripadores do livro que sustenta todo o cristianismo. Fico imaginando um crítico literário que, diante de um romance de Albert Camus como A peste, tentasse provar intenções espúrias do personagem principal, doutor Rieux, argumentando que todas as páginas que descrevem seus esforços contra a praga “não foram, na verdade, escritas por Camus e não pertencem ao livro”. Será que daríamos tanta atenção a esse crítico quanto damos aos teólogos universalistas, por exemplo – que, contra toda palavra do próprio Cristo sobre o inferno, preferem “pular” os trechos que os tiram de sua zona de conforto ou, pior, preferem interpretá-los esotericamente? Por que levaríamos as Escrituras menos a sério, em sua inteireza, do que consideramos uma obra de literatura? Posso entender essa leitura afrouxada por parte de um descrente, mas não de um crente em Cristo, sobretudo quando pensamos o quanto Cristo conhecia, estudava e amava a Palavra que tinha em suas mãos: o Antigo Testamento.

Diante de qualquer texto, requer-se do leitor que não projete seus próprios anseios e preconceitos por sobre a leitura. Caso proceda assim, será um mau leitor e não conseguirá formar uma ideia adequada do que está lendo, seja uma narração, uma descrição ou uma peça argumentativa. A Bíblia precisa de leitores que a abordem, no mínimo, como a um texto coerente, não um amontoado de frases ou livros sem conexão entre si. Mas, sobretudo, precisa de leitores que se aproximem dela como se aproximariam do próprio Cristo: com “ouvidos para ouvir”, ou seja, humildade para aprender e coração fértil para as mudanças que Deus quer operar em nós, para a Sua glória. Só para esse leitor humilde a Bíblia será, como foi para Timóteo, “as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus” (2Tm 3.15).

Fonte: [ Blog da autora ]
Via: [ Púlpito Cristão ]
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