É simples, basta obedecer

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Por Renato César


Com alguma frequência ouço crentes argumentarem em torno de como o Diabo pode atormentar a vida dos cristãos, tanto por meio de tentações como mediante seu suposto poder para causar enfermidades ou tragédias. Não satisfeitos, colocam anjos e demônios em todos os lugares e situações, por mais corriqueiras que possam ser.

É verdade que anjos existem e que Satanás pode efetivamente interferir em nossa vidas, mas é notável a necessidade que muitos têm de "sobrenaturalizar" a vida cristã, como se vivessem uma versão hollywoodiana da batalha espiritual travada nas regiões celestiais.

Dessa interpretação equivocada da natureza da vida espiritual do crente surgem dezenas de aberrações, que incluem sonhos corriqueiros com status de revelação, sinais e mais sinais divinos que indicam que decisões tomar e justificativas absurdas para os desfechos negativos da vida pessoal.

Se observamos bem, veremos que pessoas assim têm a forte tendência ao legalismo e apresentam significativa inclinação à exacerbação de seu orgulho próprio, de tal forma que é comum não assumirem a responsabilidade por seus erros e serem presunçosos a ponto de se considerarem possuidores da verdade.

Na realidade, cristãos que veem a caminhada na fé como um show de efeitos especiais tendem a se distanciar drasticamente da praticidade do dia-a-dia, como se vivessem uma realidade paralela, marcada por eventos fantásticos e, consequentemente, ilusórios. São, por assim dizer, pessoas que não são levadas a sério por indivíduos de bom senso.

Lamentavelmente, o evangelicalismo reformado brasileiro, se podemos falar nesses termos, está muito bem servido desse tipo de crente. Alguns são mais tímidos que outros, sentindo-se mais à vontade em sair do armário somente quando estão presentes em reuniões de oração “quentes”, mas camuflando-se quando diante de outros irmãos mais conservadores. Já os mais eufóricos compartilham suas experiências a fim de dar validade a seus posicionamentos e autoridade às suas palavras. Argumentar contra esse tipo de prática sempre fez de mim um incrédulo, no máximo um frio na fé, para os tais espirituais.

O que esses fãs de Rebeca Brown querem está muito além do simples obedecer a Cristo e carregar sua própria cruz, pois isso torna a vida do cristão excessivamente normal, nada muito além do cotidiano do vizinho incrédulo. Tais crentes querem sentir o mover sobrenatural do Espírito, pois o papel deste de consolador, intercessor, capacitador e orientador de nossas vidas não basta. É preciso haver palavras ininteligíveis, visões mirabolantes e respostas de oração espetaculares para autenticar a fé.

Contudo, e felizmente, Jesus não deixou muito espaço para esse tipo de pensamento. Em vez disso, o Senhor nos deu uma fórmula bastante prática para viver nossa fé: obedecê-lo (Jo 15:14). O que Jesus quer de seus seguidores não é que sejam versões cristãs dos Jedi de Guerra nas Estrelas. Ele requer de nós que priorizemos a Reino de Deus e sua justiça e que amemos ao próximo (Mt 22:36-40), que sejamos justos, humildes e mansos (Mt 5:3-6), que antes de pedirmos perdão a Deus perdoemos os que nos devem ou nos ofenderam (Mt 6:12), que repartamos o que possuímos com os mais necessitados (Mt 25:41-46), que nos arrependamos de nossos pecados (Mt 3:2) e sejamos perfeitos (Mt 5:48), para citar alguns dos tantos mandamentos que nos deixou. Simples assim!

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Sobre o autor: Renato César é cristão reformado, formado em administração de empresas e teologia, membro da IPB - Fortaleza/CE. Contatos: renatocesarmg@hotmail.com

Divulgação: Bereianos

Reconstruindo o Daniel Mastral: antes tarde do que nunca


“Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do SENHOR!” – Jr 17.5


Hoje tive uma agradável surpresa ao ler uma nova entrevista do escritor Daniel Mastral (nome fictício) ao site Guia-me, indicada na comunidade do orkut Filhos do Fogo do Mariel Marra, também conhecido como o Crítico.

Não está entendendo nada? Bom, senta que lá vem a história!

Daniel Mastral diz ter pertencido, no início de sua vida adulta, a um grupo satânico chamado Irmandade, que estaria planejando a subida do Anticristo ao poder. Entre magias contra os adversários, mega-sacrifícios, riqueza e poder, os satanistas também se empenhavam, na época, em contaminar as igrejas. Segundo o Mastral, algumas igrejas teriam sido criadas pelos próprios satanistas a fim de formar cristãos mornos, afinal se achar cristão não era o problema, o problema era o ser de verdade. Porém um dia o Mastral se converteu a Cristo, e a partir de então passou a escrever seus livros.

Os principais são a trilogia Filhos do Fogo I e II (sua história na Irmandade, leitura de terror proibida para menores de 18 anos), Guerreiros da Luz I e II (sua vida pós-conversão, cheia de perseguições por parte dos outros satanistas) e Voz do que clama I e II (sua vida missionária, quando passou a fazer os Seminários de vários níveis nas igrejas, que por sua vez se mostravam corruptas, não lhe pagando o devido). Porém há outros livros como Satanismo, Alerta Geral e Rastros do Oculto. Nesse último, o autor conta as intervenções satânicas desde o Antigo Egito até os dias de hoje e traz uma revelação satânica discutível: a de que haveria pessoas nascidas com um propósito especial, o de serem generais da batalha espiritual, e que essas pessoas tinham um “selo”, identificável pelos satanistas através de numerologia cabalística. Descoberta a pessoa, os satanistas passariam a interferir desde sua infância, a fim de enche-la de traumas e feridas que a aprisionariam e a incapacitariam de exercer seu ministério no futuro. Nos seminários, o Daniel Mastral dizia enxergar uma luz especial sobre os “selados” participantes do evento e esses eram chamados para receberem uma unção especial.

Quando de sua libertação do satanismo, Mastral foi ministrado pela Apóstola Neuza Itioka, do Ministério Ágape de Reconciliação. A expulsão de todos os demônios teria demorado uns 3 anos. A partir de então, Mastral passou a fazer seus seminários sob a cobertura espiritual de Neuza Itioka e do Apóstolo Jesher Cardoso da Missão Shekinah, outro ministério de libertação e cura interior. Regularmente indicava esses ministérios para quem buscasse solução para seus problemas e concordava plenamente com seus métodos, como a quebra de maldições hereditárias, como pode ser lido na resposta à pergunta 6 de uma entrevista anterior:

http://www.bandasoldier.hpg.ig.com.br/entrevista_satanismo.htm

Daniel Mastral promoveu seminários em todo o Brasil, colecionando nesse interim milhares de fãs. Sim, essa é a palavra: fãs de seu ministério, pessoas que maravilhadas com a grandiosidade do seu testemunho se submetiam totalmente aos seus ensinamentos. Ainda hoje há seus defensores ferrenhos, e ai de quem disser uma palavra contra o ungido de Deus Mastral!

Com o surgimento do Orkut, um dos seus admiradores, Mariel Marra, fundou comunidades com o nome dos livros do autor para debater sobre batalha espiritual. O próprio Mariel foi ex-wicca, fez os cursos de libertação e cura interior da Neuza Itioka e acreditava naqueles ensinos, aliás como muitos de nós. Por conta das comunidades chegou a ser procurado pelo Mastral (conhecido por não conversar com ninguém nos seminários) e tudo ia bem, até que, movido pelas Escrituras, Mariel passou a questionar alguns ensinamentos do Mastral.

A gota d’água foi seu questionamento sobre se Mastral ou Itioka teriam provado, segundo 1 Jo 4.1, o anjo Mikhael, que constantemente aparecia ao Mastral, e que foi reconhecido como o arcanjo Miguel bíblico. Essa demonstração de “rebelião” (não de bereianismo, claro) foi suficiente para que o Mastral intimasse seus seguidores a se afastarem das comunidades do Mariel. Chegou-se a roubar a senha de administrador e excluir as comunidades sob o grito, por parte dos seguidores ferrenhos, de “caiu a Babilônia”, porém dias depois o Orkut restituiu as comunidades ao seu dono e os que gritavam se calaram e resolveram deixar o assunto ser esquecido com o tempo. A partir de então, Mariel Marra tornou-se uma voz apologética através de seu blog Ponto Crítico e de suas comunidades.

Pois bem. Anos se passaram, a Apóstola Neuza Itioka deixou de ser cobertura espiritual do Mastral e de sua esposa Isabela e hoje li a tal nova entrevista citada no primeiro parágrafo desse artigo. Alguns trechos interessantes:

“A igreja está doente, ferida, contaminada. Mergulhamos um evangelho místico, cheio de dogmas, rituais, receitas, que levam nada a lugar algum. Nos afastamos dos preceitos de Cristo: amor, unidade, oração, jejum. Jesus não ensinou aos seus discípulos demonologia, mapeamento espiritual. Não fez atos proféticos para restaurar Jerusalém, não fechou templos pagãos. Ele ensinava vida com o Pai. Oração, jejum, intercessão, unidade, amor. Antes que qualquer coisa é necessário restaurar a Noiva.”

“Em Ezequiel cap. 18 vemos claramente que não há maldição hereditária. Cristo levou maldição na Cruz. Nos esquecemos que nosso Deus é um Deus de bênção. Ele visita até 1000 vezes aqueles que fazem a sua vontade. Mas bênção e maldição depende de onde está seu coração.”

(sobre utilização de unção em chakras pelos ministérios de libertação): “Devemos olhar para Cristo. Há um ditado que diz que você é aquilo que come. Se você se alimenta da Palavra, terá uma vida espiritual sadia e o Espirito Santo te dará discernimento para todas as coisas. O que não agradar ao Pai, você saberá, pois entristecerá o Espírito que habita em sua vida.”

(sobre seus objetivos na atual batalha espiritual): “Resgatar valores de Cristo. Ensinamentos de Cristo. Restaurar a Noiva e prepará-la para Jesus. Promover a unidade, o amor. Estimular as vidas a terem vida com Deus de fato e não de fachada. O que Jesus fez em plena Batalha Espiritual que viveu na terra? Orava, ía ao deserto, orava, jejuava. Subia ao monte, orava. Não batia o pé no chão, não gritava, não fazia atos proféticos. Apenas buscava a face de Deus. Moisés fez isso, Josué fez isso, Pedro fez isso. Nós devemos fazer isso!”

É interessante a mudança de posicionamento de Daniel Mastral. A Ap. Neuza Itioka e cia. dão até curso de Atos Proféticos, tal a importância que dão ao assunto.

Ainda há muitas dúvidas a respeito do próprio testemunho do Daniel Mastral e sua relação com seus familiares, tidos por ele e sua esposa como pessoas que se tornaram suas inimigas, talvez pela revelação (ou revelamento) de que o autor fora gerado numa relação extra-conjugal de sua mãe com um importante satanista do “partido do foguinho” (que tem o fogo em seu logotipo), e sua família não aceite essa versão, ainda mais num livro que vendeu talvez milhões de cópias. Também até hoje falta ao Mastral pelo menos um pedido de desculpas ao Mariel por conta do roubo e exclusão de suas comunidades, ato que no início foi citado como pela “vontade de Deus”, mas que foi desfeita em poucos dias, mostrando-se apenas a simples e prepotente vontade de homens.

Independente de tudo isso, é bom ver que o autor pelo menos reviu alguns dos valores espirituais que defendia. Não sei se foi por revelação de Deus ou por ter perdido a cobertura espiritual de sua antiga tutora, mas de qualquer forma isso mostra a todos nós, e em especial a seus seguidores-cegos-ferrenhos, que não devemos confiar cegamente em nenhum ensino e em nenhum homem, por mais maravilhoso ou ungido que possa parecer. A verdade é e está apenas em Deus e na Sua Palavra.

Que essa nova entrevista do Mastral sirva, pelo menos, para tirar da prisão sem algemas (que são as teorias de libertação e cura interior de alguns ministérios) os incautos que se deixaram fascinar pelo testemunho maravilhoso do autor. A batalha espiritual não é privilégio de ex-satanistas: é a luta diária de todos os cristãos pela renovação das suas mentes em Cristo.

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A Armadura de Efésios 6:11

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A Armadura de Deus

Ao descrever a armas espirituais do crente, Paulo, em Efésios 6:13, diz o propósito: “...para que possais resistir no dia mau.” Este vocábulo, “resistir”, é um verbo: (Gr.) "anqisthmi". Ele exprime a idéia de opor-se, defender-se, fazer face a, colocar-se contra, permanecer firme. A idéia que exprime este vocábulo é a de não retroceder diante dos ataques do inimigo, para não lhe conceder nenhuma vantagem ou vitória. Ele aparece, também, em passagens como Tg 4:7 e I Pe 5:9.

A pergunta é: como resistir, opor-se, fazer face ao diabo? Em Efésios 6: 14-17, Paulo passa a dizer que o crente deve resistir ao diabo revestindo-se da armadura de Deus.

Quando Paulo cita a armadura, ele tinha em mente o soldado romano preparado para a guerra. Ele usa esta figura para exemplificar a luta do crente e como, este, pode vencer. A metáfora denota o revestimento do Senhor Jesus que o crente deve ter. Todas as partes da armadura são pertencentes ao caráter de Cristo e são adquiridas pelo crente através do Espírito Santo.

Alguns vestem a armadura como algo místico de eficácia instantânea, ao proferir algumas orações. No entanto, não cremos que seja isso que Paulo tinha em mente. É certo que o apóstolo, quando advertia os crentes a vestirem a armadura de Deus, estava pensando no revestir-se da natureza moral de Cristo; revestir-se do próprio Cristo.

Portanto, essa é a arma que Deus nos oferece para resistir no dia mau. A seguir, veremos as armas de defesa que as Escrituras nos oferecem:

A Verdade - O cinto, ou cinturão, era posto em torno da cintura, usado com a finalidade de apertar a armadura em volta do corpo e sustentar a adaga e a espada.

Esta verdade poderia, muito bem, significar a verdade moral, o oposto da mentira - o que seria lógico, pois satanás é o pai da mentira. No entanto, é certo que o significado desta verdade, exposta por Paulo, vai muito além do significado de verdade ética. Considera-se que esta verdade é a verdade de Deus; ou seja, a verdade cristã, o conjunto das doutrinas cristãs, que é o que sustenta tudo o mais - segundo o mesmo uso que palavra denota em Ef 4: 15.

A justiça - A couraça era uma peça da armadura romana que constituía-se em duas partes: a primeira, cobria a região do tórax, e a outra parte cobria a região das costas. Esta peça tinha a finalidade de proteger as regiões vitais do corpo.

Paulo, ao usar esta peça, como metáfora, para exemplificar a justiça, tinha em mente a justificação. Em Rm 8, Paulo comenta que nada poderá condenar o crente, pois é Deus quem o justifica. Isso quer dizer que (1) não podemos confiar em nossa própria justiça, ou santidade, para vencer o inimigo, mas confiar na justiça que vem de Deus, através do sacrifício de Jesus; por isso, é que nada, nem anjos nem potestades, poderá nos separar do amor de Deus. (2) Quando somos justificados, o Espírito Santo opera em nós a obra da santificação; uma obra conjunta com o crente, no qual, este, assume, de forma gradual, o caráter de Cristo, em particular, o caráter justo, íntegro - Paulo aplica este termo, desta forma, em Ef 4:24 e 5:9.

O Evangelho da paz - A sandália romana, usada como figura pelo apóstolo Paulo, era feita de couro e possuía vários cravos, formando uma camada espessa. Esta peça tinha a finalidade de proteger os pés do soldado, onde quer que ele fosse.

Para esta peça, são usadas algumas interpretações, como a que diz que Paulo está referindo-se ao evangelismo. No entanto, é preferível a interpretação de que Paulo refere-se à paz com Deus, consigo mesmo e com o próximo, que o Evangelho proporciona. Esta paz é a tranqüilidade mental e emocional - oriunda da consciência da plena aceitação da parte de Deus - que o crente tem por onde vai, e em toda e qualquer situação.

A fé - O escudo, usado como ilustração pelo apóstolo, era grande o bastante para proteger o corpo inteiro do soldado. Ele era formado de duas partes de madeira, recobertas de lona e, depois, de couro.

Aqui, o apóstolo Paulo, refere-se a fé salvífica, de acordo com o contexto de Ef 1:15, 2:8; 3:12, que produz entrega total da alma do crente a Cristo. É a crença que Cristo, como Senhor, domina, controla e dirige todos os aspectos da vida do crente. Esta fé tem a eficácia de anular os dardos inflamados o maligno.

Salvação - O capacete, usado por Paulo para exemplificar a salvação, era formado de couro grosso ou metal. Era usado para proteger o soldado de golpes de espada, proferidos em sua cabeça.

A salvação do crente, recebida pela graça divina, mediante a fé, é o que o livra dos ataques aterradores do diabo. Ela é uma proteção divina para o guerreiro que é crente. Quando a pessoa é salva da morte e do pecado através de Cristo, ela está escondida em Cristo e o diabo não a toca.

A Palavra de Deus - Poder-se-ia pensar que a espada é uma arma de ataque, e realmente o é; no entanto, ela, também, pode ser usada como defesa, e o contexto do texto de Efésios, nos da o subsídio necessário para pensar que aqui, ela é usada para defesa.

O que Paulo queria dizer usando a espada como ilustração? Certamente ele estava falando da atuação do Espírito na vida do crente, de tal forma, que torna a Palavra de Deus uma força viva na vida diária, a torna eficaz em nós e torna vigoroso o uso que fazemos dela.

Assim como a espada é morta quando não manuseada assim é a Palavra sem o atuar do Espírito na vida de quem a lê. A Palavra de Deus respaldada pelo Espírito Santo, da vida é mais cortante do que qualquer espada de dois gumes e é apta para discernir as intenções do coração (Hb 4:12).

Alguns interpretam este texto como se dissesse para usar a declaração de versículos contra o diabo. No entanto, o diabo não corre da mera declaração de versículos, mas, sim, da eficácia que a operação das Escrituras, através do Espírito Santo, obtém na vida do crente.


Fontes: “4 Princípios Básicos da Batalha Espiritual”, Augusto Nocodemus Lopes, http://solascriptura-tt.org/ e “Movimento de Batalha Espiritual”, Nelson Leite Galvão, www.cacp.org.br.

Pesquisa e organização: Clériston Andrade - Juazeiro-BA
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A terra é de satanás?

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O movimento de batalha espiritual
ensina que a Terra é de Satanás

De acordo com os ensinos do movimento de Batalha Espiritual, a administração e governo terrenos pertencem a Satanás. Isso se deveu ao pecado de Adão. Ao primeiro homem foi dada administração e governo sobre a criação; no entanto, ele, quando pecou, teria entregado a autoridade ao diabo. Decorrente disto, o diabo tem controle sobre os governos, e Deus não interfere nisso, por questões éticas e legais. Daí o ensino da legalidade e ilegalidade.

De acordo com isso, Satanás teria todo o direito legal de administrar o sistema terreno, e Deus romperia com a ética se interferisse nesse direito. Foi por isso que Jesus veio, para devolver o direito ao homem de governar. A partir de Jesus, portanto, temos a autoridade de governar sobre a criação. Para apoiar essa idéia, citam-se textos como Mt 4: 8 e 9, que diz: “Levou-o ainda o diabo a um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles e lhe disse: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares” e 2 Co 4:4 “nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus”.


O que a Bíblia diz sobre a terra ser de Satanás?

Quando nos voltamos para a Bíblia e nos deparamos com Deus julgando a humanidade através do dilúvio Gn 6:11-26, com textos como Sl 24:1: "Do Senhor é a terra e sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam...” - Como poderíamos abraçar a idéia de que Satanás é governante da terra e concorrente em pé de igualdade de Deus? Quando nos deparamos com o Sl 50:10-12, em que o Senhor diz: “... meu é todo o animal da selva e as alimárias sobre milhares de montanhas. Conheço todas as aves dos montes; e minhas são todas as feras do campo... pois meu é o mundo e a sua plenitude” e Dn 2:21: “... é Ele quem muda o tempo e as estações, remove reis e estabelece reis” - Que fazemos com estes textos? Somente nos redermos a eles e reconhecermos que Deus nunca deixou e nunca vai deixar de ser soberano sobre todas as coisas.

No Livro do profeta Isaías ficamos vislumbrados em saber que Deus usou o rei da Assíria para julgar a Israel e depois também julga à Assíria (Is 10:5-12). Em I Sm 2: 6 e 7, encontramos Ana orando da seguinte forma: “O Senhor é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz subir. O Senhor empobrece e enriquece; abaixa e também exalta”. O salmista, inspirado, declara no Sl 103:19: “Nos céus estabeleceu o Senhor o seu trono, e o seu reino domina sobre tudo”.

Deus é soberano e governa sobre todas as coisas, inclusive sobre o diabo. Porventura diante destes textos encontramos alguma coisa que sobrou para Satanás governar? Tenho certeza que não.

No entanto o que fazer com textos bíblicos que dizem que satanás é o deus deste mundo? A fim de responder esta pergunta, precisamos nos perguntar que “mundo” que é este. Russell Shedd nos dá um esclarecimento sobre isto:

“... trata do sistema de valores alienado de Deus, que orienta o pensamento dos homens em oposição a Ele. Assim, o kosmos jaz no maligno (o diabo, 1 Jo 5:19; cf. Jo 12:31; 14:30). As trevas dominam este mundo (Jo1:5; 12:46) e o pecado macula sua existência como um todo.”

Por isso não nos estranha Jesus e Paulo atribuírem este título a Satanás. Ele é o deus de um mundo pecaminoso e que se nega a submeter ao único Deus e também reina sobre as heresias e mentiras que querem afastar o povo de Deus da Verdade.

E é exatamente disso que se refere os textos de Mt 4:8, 2 Co 4:4 e outros. No entanto, é necessário notarmos que inclusive sobre o mundo pecaminoso Deus é soberano. No sentido de delimitar a ação maligna. Vemos isso na crucificação, onde era um ato soberano de Deus para cumprir os seus propósitos, mas também um ato pecaminoso do homem incitado pelo diabo: “sendo este Jesus entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos” (At 2:23). Erickson comenta sobre o assunto da seguinte forma: “Há várias maneiras pelas quais Deus pode relacionar-se e de fato se relaciona com o pecado: ele pode (1) preveni-lo; (2) permiti-lo; (3) dirigi-lo ou (4) limitá-lo. Note que em cada caso, Deus não é a causa do pecado humano, mas age em relação a ele”.

Autor: Clériston Andrade
Contato: mensagemdacruz@ibest.com.br

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