10 homens com quem uma mulher cristã não deve casar-se

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Por J. Lee Grady

Minha esposa e eu criamos quatro filhas – sem espingardas em casa! – e três delas já se casaram. Nós amamos nossos genros, e é óbvio que Deus escolheu a dedo cada um deles para combinar com os temperamentos e personalidades das nossas filhas.

Eu sempre achei que Deus gosta de agir como “casamenteiro”. Se Ele pôde fazer isso por minhas filhas, Ele pode fazer por você.

Hoje, eu conheço muitas amigas solteiras que gostariam bastante de encontrar o cara certo. Algumas me dizem que as opções são escassas em suas igrejas, então, estão se aventurado no mundo dos encontros online. Outras desistem em desespero, imaginando se ainda resta algum cristão decente por aí. Elas começam a questionar se deveriam baixar seus padrões para encontrar um par.

Meu conselho permanece: não se conforme com menos que o melhor de Deus. Muitas cristãs têm terminado com um Ismael porque a impaciência as empurrou para um casamento infeliz. Por favor, aceite meu conselho paternal: você está muito melhor solteira do que com o cara errado!

Falando de “caras errados”, aqui estão os 10 tipos principais de homens que você deveria evitar ao procurar por um marido:

1. O incrédulo. Por favor, escreva 2 Coríntios 6.14 em um post-it e cole-o em seu computador do trabalho. O texto diz: “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas?”.. Essa não é uma regra religiosa antiquada. É a Palavra de Deus para você hoje.

Não permita que o charme, o visual ou sucesso financeiro de um homem (ou a disposição dele de ir à igreja com você) te leve a comprometer o que você sabe que é certo. “Namoro missionário” nunca é uma estratégia sábia. Se o rapaz não é um cristão regenerado, risque-o da sua lista. Ele não é o certo para você. Ainda estou para encontrar uma mulher cristã que não se arrependeu de casar-se com um incrédulo.

2. O mentiroso. Se você descobrir que o homem com quem você namora tem mentido sobre o passado, ou que está sempre cobrindo seus rastros para esconder segredos de você, fuja para a saída mais próxima. Casamento deve ser construído sobre um fundamento de confiança. Se ele não pode ser confiável, termine agora antes que ele te engane com uma decepção ainda maior.

3. O playboy. Eu queria poder dizer que se você encontra um cara legal na igreja, pode assumir que ele vive em pureza sexual. Mas esse não é o caso hoje. Tenho ouvido histórias tenebrosas sobre solteiros que servem na equipe de música no domingo, mas agem como Casanovas durante a semana. Se você se casa com alguém que estava dormindo por aí antes do seu casamento, pode ter certeza de que ele estará dormindo por aí depois do casamento.

4. O caloteiro. Há muitos cristãos firmes que experimentaram o fracasso conjugal anos atrás. Desde o divórcio, eles vêm experimentando a restauração do Espírito Santo e, agora, desejam casar-se novamente. Segundos casamentos podem ser muitos felizes. Mas se você descobre que o homem com quem namora não tem cuidado de seus filhos de um casamento anterior, uma falha falta foi exposta. Qualquer homem que não pague por seus erros do passado ou sustente filhos de um casamento anterior não tratará você com responsabilidade.

5. O viciado. Homens de igreja que têm vícios com álcool ou drogas aprendem a esconder seus problemas – mas você não quer esperar até sua lua-de-mel para descobrir que ele é um bebum. Nunca se case com um homem que se recusa a pedir ajuda por seu vício. Insista que ele consiga ajuda profissional e afaste-se. E não entre em um relacionamento codependente em que ele afirma que precisa de você para ficar sóbrio. Você não pode consertá-lo.

6. O vagal. Eu tenho uma amiga que percebeu depois de casar-se com o namorado que ele não tinha planos de arrumar um emprego fixo. Ele tinha elaborado uma ótima estratégia: ele ficaria em casa o dia todo e jogaria videogame, enquanto sua esposa trabalhadora labutava e pagava todas as contas. O apóstolo Paulo disse aos tessalonicenses: “Se alguém não quiser trabalhar, não coma também.” (2 Ts 3.10) A mesma regra aplica-se aqui: se um homem não quer trabalhar, não merece casar com você.

7. O narcisista. Eu sinceramente espero que você encontre um rapaz que é bonito. Mas, seja cuidadosa: se seu namorado gasta seis horas por dia na academia e regularmente posta fotos de seus bíceps no Facebook, você tem um problema. Não se apaixone por um cara egocêntrico.  Ele pode ser bonito, mas um homem que está apaixonado pela aparência e por suas próprias necessidades jamais conseguirá te amar sacrificialmente, como Cristo ama a igreja (Ef 5.25). O homem que está sempre se olhando no espelho nunca perceberá você.

8. O abusador. Homens com tendências abusivas não conseguem controlar sua raiva quando a situação esquenta. Se o rapaz que você namora tem a tendência de perder as estribeiras, seja com você ou com outros, não fique tentada a racionalizar seu comportamento. Ele tem um problema e, se você se casar com ela, terá de navegar por esse campo minado todos os dias evitando desencadear outra explosão. Homens irritados machucam mulheres – verbal e, às vezes, fisicamente. Procure um homem que seja gentil.

9. O crianção. Pode chamar-me de antiquado, mas eu suspeito de alguém de 35 anos que vive com seus pais. Se sua mãe ainda está fazendo a comida, a limpeza e passando as roupas dele, pode ter certeza de que ele está parado no tempo. Você está pedindo por problemas se acha que pode ser esposa de um cara que não cresceu. Recue e, como amiga, encoraje-o a encontrar um mentor que possa ajudá-lo a amadurecer.

10. O controlador. Alguns cristãos pensam que casamento se trata de superioridade masculina. Eles podem citar a Escritura e soar super-espirituais, mas, por trás da fachada de autoridade há profunda insegurança e orgulho que pode transformar-se em abuso espiritual. Primeira Pedro 3.7 manda que os maridos tratem suas esposas como semelhantes. Se o homem com quem você namora te rebaixa, faz comentários degradantes sobre mulheres ou parece esmagar seus dons espirituais, recue agora. O poder lhe subiu à cabeça. Mulheres que casam controladores religiosos frequentemente terminam em um pesadelo de depressão.

Se você é uma mulher de Deus, não venda sua primogenitura espiritual casando-se com um rapaz que não merece você. A melhor decisão que você pode tomar na vida é esperar por um homem que se entregou a Jesus.

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Traduzido por Josaías Jr | Reforma21.org | Original aqui.
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A Ira de Deus




Por Leonardo Dâmaso

1. Definição

A ira de Deus é a expressão do seu justo juízo contra o pecado e contra o pecador. “É uma manifestação da vingança divina contra os violadores da sua palavra e para quem não há manifestação da sua misericórdia”,1 a saber, os ímpios.  

Pink define a ira de Deus da seguinte maneira:

A ira de Deus é uma perfeição divina tanto como a Sua fidelidade, o Seu poder ou a Sua misericórdia. Só pode ser assim, pois não há mácula alguma, nem o mais ligeiro defeito no caráter de Deus, porém, haveria, se nEle não houvesse a Ira! A ira de Deus é a Sua eterna ojeriza por toda injustiça. É o desprazer e a indignação da divina eqüidade contra o mal. É a santidade de Deus posta em ação contra o pecado. É a causa motora daquela sentença justa que Ele lavra sobre os malfeitores. Deus está irado contra o pecado porque este é rebelião contra a Sua autoridade, um ultraje à Sua soberania inviolável.2

Vicent Cheung ressalta que a ira de Deus é a sua divina cólera contra tudo que é contrário à santidade e à retidão; é seu intenso aborrecimento para com o pecado e a impiedade.3 Em suma, a Ira de Deus, nas palavras J.I.Packer, “é a sua justiça reagindo contra a justiça”.


2. Os aspectos da Ira de Deus

a) A necessidade da sua manifestação

Deus “não pode deixar de punir o pecado”.4 Ele não pode deixar impune o pecador. Ele estaria indo contra a sua própria natureza e negando a sua santidade e justiça. Essa manifestação de Deus em punir o pecado e os pecadores é visto na Escritura como o derramar da sua Ira.

Habacuque 1.13 – "Teus olhos são tão puros, que não suportam ver o mal; não podes tolerar a maldade." (NVI)  

Não obstante, Deus é amor, é paciente e misericordioso. Entretanto, ele não é obrigado a manifestar o seu amor, a sua paciência e a sua misericórdia para com todos os homens. Mesmo Deus deixando de manifestar estes atributos, ele não deixa de possuí-los. Deus não deixará de ser amor, paciente e misericordioso porque faz parte da sua essência ser assim. Contudo, Deus não deve amor, paciência e misericórdia a nenhum dos homens porque eles não têm direito algum de exigir isso de Deus.

Por outro lado, “se Deus deixar de mostrar a sua ira, ele será injusto consigo mesmo (porque negará a sua própria santidade) e com os homens (porque não dará a eles o que merecem). Se Deus deixar de mostrar a sua ira, ele mostrará falta de caráter moral, porque a indiferença com o pecado é uma falta moral”.5  

Se Deus deixa de punir justamente manifestando a sua justiça retributiva aos pecadores obstinados dando-lhes o que castigo merecido, todavia ele estará indo contra si mesmo. Os homens nunca recebem a ira justa de Deus imerecidamente. Eles a recebem porque pecam contra Deus e são dignos dela.

Deus odeia o pecado não porque ele deseja odiá-lo, mas ele o odeia porque a sua natureza santa é impassível ao pecado. Portanto, a manifestação da ira de Deus contra o pecado e o pecador é uma necessidade imperativa. Deus odeia o pecado e, ao mesmo tempo, odeia e ama o pecador!

Provérbios 11.20a – "O Senhor abomina os perversos." (Almeida Século 21)

1 João 2.15 – "Não ameis o mundo nem o que nele há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele." (Almeida Século 21)

Tiago 4.4 – "Adúlteros, vocês não sabem que a amizade com o mundo é inimizade com Deus? Quem quer ser amigo do mundo faz-se inimigo de Deus." (NVI)

b) A sua manifestação é imparcial

A manifestação da ira de Deus para com os todos os homens é justa e imparcial. Ou seja, não favorece um em detrimento do outro. A justiça retributiva de Deus deve ser manifestada a todos os seres racionais que infringem a sua lei porque Deus é justo e porque são dignos de receberem a punição.

Romanos 2.12 - "Todo aquele que pecar sem a lei, sem a lei também perecerá, e todo aquele que pecar sob a lei, pela lei será julgado." (NVI)

Porém, a punição da lei pode ser aplicada ao transgressor de maneira pessoal ou vicária, isto é, sobre a própria pessoa ou sobre alguém que a substitua.

No entanto, mesmo que o transgressor da lei não seja obrigado a receber a pena merecida, pois na administração divina ela não é absoluta, mas relativa; não obstante, ela pode ser transferida a alguém para que possa ser cumprida. O cumprimento da pena é imperativo. A justiça exige que o pecado seja punido sem parcialidade. Portanto, é a partir deste principio que Deus decidiu efetuar a expiação.

Ou seja, Cristo foi o substituto dos pecadores eleitos incapazes de obedecer à lei obedecendo à lei por eles, que podemos chamar de (obediência ativa), e na morte de cruz, que podemos chamar de (obediência passiva), onde Deus transferiu e puniu os pecados dos eleitos pecadores de todas as eras em Cristo na cruz, efetuando assim a sua justiça.

c) A sua manifestação é inexorável

A manifestação da ira de Deus é terrível nos seus efeitos. “Os pecadores brincam com os seus pecados como se nunca fosse acontecer nada com eles”.6 O dia do julgamento já foi determinado por Deus. Terrível será este dia para os ímpios quando a ira de Deus será manifesta implacavelmente!  
  
Apocalipse 6.15-17 – "Então os reis da terra, os príncipes, os generais, os ricos, os poderosos — todos os homens quer escravos, quer livres, esconderam-se em cavernas e entre as rochas das montanhas. Eles gritavam às montanhas e às rochas: "Caiam sobre nós e escondam-nos da face daquele que está assentado no trono e da ira do CordeiroPois chegou o grande dia da ira deles; e quem poderá suportar? " (NVI) 

Hebreus 10.30c-31 – "O Senhor julgará o seu povo. Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo." (ARA)
    
O povo descrito aqui não é o povo de Deus, isto é, os crentes, mas os Israelitas descrentes ou falsos crentes da época do autor a carta aos Hebreus que faziam parte da igreja. Aqui podemos perceber que o autor utiliza como exemplo para exortar e encorajar os crentes na fé, os rebeldes de Israel na época do AT que pereceram no deserto e sobre o terrível julgamento de Deus no qual estavam sujeitos. 
      
Além de Deus julgar o mundo ímpio, ele também julga o seu povo. Ou seja, a igreja composta dos verdadeiros crentes. Note o que Pedro diz acerca disso:

1 Pedro 4.17-18 – "Pois chegou à hora de começar o julgamento pela casa de Deus; e, se começa primeiro conosco, qual será o fim daqueles que não obedecem ao evangelho de Deus? E, se ao justo é difícil ser salvo, que será do ímpio e pecador?" (NVI) 

Este julgamento aqui não se refere à condenação, pelo contrário. Deus julga os seus escolhidos corrigindo-os muitas vezes através das tribulações e dificuldades da vida, cujo intuito é a purificação o aperfeiçoamento deles e da igreja em geral.

d) A sua manifestação é gloriosa

A manifestação da ira divina, ao mesmo tempo em que é algo terrível para os ímpios, é cheia de glória, porque ela é a exaltação da justiça divina. Quando qualquer atributo de Deus é exaltado, o ser de Deus é glorificado. Deus se mostra glorioso cada vez que manifesta a sua justiça em ira, mas essa ira será ainda mais gloriosa no final, porque nesse dia todos haverão, para a glória de Deus, de reconhecer que Jesus Cristo é Senhor, dobrando-se humilhantemente diante dele (Fp 2.10-11)”. 6

3. Diferença entre Ira e ódio7

No caso dos seres humanos, a ira e o ódio não são distintos entre si, ambos representam a mesma coisa, isto é, um mesmo sentimento e uma mesma reação para com algo ou alguém. Porém, existe diferença entre ira e ódio em Deus. Estes dois aspectos que fazem parte da natureza divina são distintos entre si. 

“Enquanto a ira é uma manifestação positiva da justiça divina sobre os transgressores da sua lei, o ódio é um sentimento negativo, onde Deus deixa de mostrar qualquer amor pela pessoa, ou deixa de fazer alguma coisa para redimi-la”.8 Noutras palavras, Deus simplesmente não faz nada em relação à pessoa a quem ele odeia.

A manifestação da ira de Deus é causada devido ao pecado dos seres humanos que ofende a sua santidade. Por outro lado, o ódio de Deus em relação a alguém está contido nele mesmo sem que a própria pessoa odiada tenha cometido algum pecado contra ele.

O ódio de Deus aos seres humanos não é devido ao pecado deles. Contudo, pela sua própria decisão soberana, cujos motivos são desconhecidos de nós, ele decidiu odiar uns não salvando, mas deixando-os entregues aos seus pecados a fim de perecerem sendo condenados ao lago de fogo no dia do julgamento final, e amando outros decidindo elegê-los para a salvação e vida eterna. Um exemplo clássico disso é o caso de Esaú e Jacó. Observe:

Romanos 9.11-16 – "Todavia, antes que os gêmeos nascessem ou fizessem qualquer coisa boa ou má — a fim de que o propósito de Deus conforme a eleição permanecesse, não por obras, mas por aquele que chama — foi dito a ela: O mais velho servirá ao mais novo. Como está escrito: Amei Jacó, mas rejeitei Esaú. E então, que diremos? Acaso Deus é injusto? De maneira nenhuma! Pois ele diz a Moisés: Terei misericórdia de quem eu quiser ter misericórdia e terei compaixão de quem eu quiser ter compaixão. Portanto, isso não depende do desejo ou do esforço humano, mas da misericórdia de Deus." (NVI)

Conforme é dito no texto, Deus amou Jacó para a salvação e odiou Esaú decidindo não salvá-lo deixando entregue aos seus pecados. Isto é o que podemos chamar de preterição. Ou seja, é o ato de Deus em deixar os pecadores entregues nos seus pecados não os favorecendo com a graça regeneradora, cujo fim será a morte eterna para eles.

O motivo pelo qual Deus amou Jacó e odiou Esaú é desconhecido de nós. Não foi pelas obras que porventura eles fizeram, pois antes mesmo deles haverem nascido, Deus já tinha escolhido Jacó em amor para a salvação e odiado a Esaú rejeitando-o para a salvação. Portanto, aqueles foram rejeitados e entregues por Deus aos seus pecados nunca irão crer e se converter abandonando os seus pecados.

Por isso, no dia do julgamento, estas pessoas irão receber a manifestação da ira de Deus como punição pelos seus pecados. Elas serão lançadas no lago de fogo e enxofre onde sofrerão eternamente com dores e angustias prementes sem fim!

4. A relação entre Ira e Misericórdia9

Conforme vimos, é absolutamente necessário Deus manifestar a sua justiça em ira, porém, não é necessário “que a sua justiça seja manifesta na pessoa do pecador”.10 No entanto, uma outra pessoa, que no caso, Jesus, foi quem assumiu as responsabilidade legais dos pecadores eleitos recebendo a manifestação da justiça de Deus em ira sobre si na cruz, pagando assim pelos pecados deles.

Como resultado da dívida do pecado paga por Jesus, agora os eleitos redimidos não sofrerão a manifestação da ira divina, pois a eles foi manifestada a misericórdia. Jesus desviou a ira de Deus dos pecadores eleitos para si. Por outro lado, os pecadores não eleitos pelos quais Jesus não pagou a sua dívida de pecado, irão receber a manifestação da ira divina.

Via de regra, é importante enfatizar para que possamos compreender de fato que a misericórdia é a não aplicação da punição divina, e a ira é a aplicação da justiça divina. Estes dois atributos – ira e misericórdia não podem ser aplicados em uma mesma pessoa. Portanto, misericórdia é Deus não punir, ao mesmo tempo em que quando pune disciplinando os seus filhos para o próprio bem deles, também mostra misericórdia (veja Hb 12.4-11).

5. A relação entre Ira e Amor

É lamentável vermos atualmente uma ignorância extraordinária por parte da igreja evangélica em relação ao conhecimento dos atributos de Deus! Para muitos pastores e crentes este assunto é completamente desconhecido. Quando alguns poucos conhecem acerca dos atributos de Deus, conhecem apenas sobre o seu amor, e, ainda assim, o conhecem de maneira equivocada.

No que tange a ira de divina, muitos opositores da fé reformada, especialmente grande parte dos evangélicos neopentecostais, se esquecem de que a justiça de Deus é essencial nele, e que a sua manifestação é imprescindível devido a sua santidade. Apesar de Deus ser um Deus de amor, todavia, ele não está na obrigação de amar todos os seres humanos; em contrapartida, em relação a sua justiça, ele é obrigado a manifestá-la. Mesmo que Deus não ame a todos, contudo, ele não deixa de ser um Deus de amor. O Amar de Deus é uma decisão soberana! Cabe a ele unicamente a decisão de quem amar e de quem não amar!

Porém, a manifestação da ira de Deus é absolutamente necessária devido “a sua prerrogativa de julgar o mundo, que é o violador de suas leis”.11 Deus nunca é injusto por manifestar a sua ira conforme muitos evangélicos pensam. Paulo na sua carta aos Romanos combate esta ideia errônea de se pensar que Deus é injusto em manifestar a sua ira. Veja a sua argumentação:
  
Romanos 3.5b-6 – Mas, se a nossa injustiça (pecado contra Deus) traz a lume a justiça de Deus, que diremos? Porventura, será Deus injusto por aplica a sua ir? (falo como homem.) (ARA) 
  
Se Deus não faz justiça em julgar os homens pecadores ele estará negando a si mesmo. E sabemos que isto é impossível de acontecer com o Deus que é perfeito!

6. O tempo da Ira Divina12

A justiça de Deus nem sempre é executada no momento e da maneira que pensamos que deva ser. Embora Deus seja muito paciente mesmo quando o pecado e a maldade permeiam tão veemente no mundo, ainda assim, a sua justiça é e será manifestada.

Entretanto, mesmo que a justiça de Deus não venha ser executada aqui na terra com todo o seu ápice contra os ímpios obstinados e merecedores dela, todavia, ela é manifesta através de juízos parciais e finais. Senão vejamos:

a) A manifestação parcial da Ira Divina

No Antigo Testamento, podemos ver inúmeros exemplos da manifestação não total e final, mas parcial da ira de Deus contra os que violaram os seus mandamentos (veja Js 7.1, 11, 13, 24-25; Nm 16.1-49; Gn 6.5, 13, 17, 18.25, 19.19, 23-29). Deus no presente momento traz apenas castigos de ordem temporal aos obstinados como um prelúdio anunciando acerca do castigo final e total que sobrevirá a eles no dia do julgamento. Sobre esta manifestação parcial da ira de Deus, Paulo diz:

Romanos 1.18 – "Porque do céu se manifesta (o verbo está no presente, o que implica uma constante manifestação da ira divina) a ira de Deus sobre toda impiedade e injustiça dos homens..." (ARA)

Salmos 7.11  "Deus é juiz justo, um Deus que se ira todos os dias." (ARC)

b) A manifestação final da Ira Divina    

Não obstante, é de vital importância enfatizar que todos os que foram e são objetos da ira parcial de Deus haverão ainda de sofrer a manifestação final e total da sua ira. A ira parcial que é manifestada na história é um prelúdio que elucida a ira final e total que se manifestará no dia do julgamento.

Todavia, no Antigo testamento, o povo já tinha consciência de que o juízo final de Deus seria num dia futuro e já determinando por ele. Observe as palavras do profeta Sofonias sobre isto:

Sofonias 1.14-15, 18 – "O grande dia do Senhor está próximo; está próximo e logo vem. Ouçam! O dia do Senhor será amargo; até os guerreiros gritarão. Aquele dia será um dia de ira, dia de aflição e angústia, dia de sofrimento e ruína, dia de trevas e escuridão, dia de nuvens e negridão; Nem a sua prata nem o seu ouro poderão livrá-los no dia da ira do Senhor. No fogo do seu zelo o mundo inteiro será consumido, pois ele dará fim repentino a todos os que vivem na terra." (NVI)

Aqui, o profeta Sofonias faz menção da manifestação final e total da ira divina no último dia, quando todos irão comparecer diante do Senhor para receberem a recompensa pelos seus pecados.

No Novo Testamento, vemos também a descrição acerca dessa manifestação final e total da justiça de Deus onde será executada no dia do julgamento. Note as palavras de Paulo no seu discurso aos gregos e filósofos no areópago de Atenas:

Atos 17.30-31 – "Deus não levou em conta os tempos da ignorância, mas agora ordena que todos os homens, em todos os lugares, se arrependam, pois determinou um dia em que julgará o mundo com justiça, por meio do homem que estabeleceu com esse propósito. E ele garantiu isso a todos ao ressuscitá-lo dentre os mortos." (Almeida Século 21) 

Não há como os homens escaparem da justiça divina! Não há como escapar do julgamento daquele grande dia já reservado desde antes a fundação do mundo!

Romanos 2.8  "Mas haverá ira e indignação para os que são egoístas, que rejeitam a verdade e seguem a injustiça." (NVI)

João 3.36 – "Quem crê no Filho tem a vida eterna; já quem rejeita o Filho não verá a vida, mas a ira de Deus permanece sobre ele." (NVI)

7. Jesus e a ira de Deus

Jesus possui três papéis com relação à ira de Deus. Um tem a ver consigo mesmo, outro tem a ver com os filhos de Deus, e outro com os ímpios.13 Senão vejamos:

a) Jesus recebeu a Ira de Deus no lugar dos pecadores eleitos

Isaías 53.5 – "Mas ele foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniquidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados." (NVI)

b) Jesus salvou os pecadores eleitos da Ira de Deus

Romanos 5.9 – "Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira." (ARA)

c) Jesus é o aplicador da Ira de Deus aos ímpios

Atos 17.31 – "Pois (Deus) determinou um dia em que julgará o mundo com justiça, por meio do homem que estabeleceu com esse propósito. E ele garantiu isso a todos ao ressuscitá-lo dentre os mortos." (Almeida Século 21) 

João 5.27 – "(o Pai) deu-lhe autoridade para julgar, porque é o Filho do homem." (NVI) 

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Notas:
[1] Heber Carlos de Campos - O Ser de Deus e os Seus atributos, Ed. Cultura Cristã.
[2] A.W.Pink. Os atributos de Deus, Ed. PES.
[3] Vicent Cheung. Teologia Sistemática.
[4] Heber Carlos de Campos - O Ser de Deus e os Seus atributos, Ed. Cultura Cristã.
[5] Ibid.
[6] Ibid.
[7] Ibid.
[8] Ibid.
[9] Ibid.
[10] Ibid.
[11] Ibid.
[12] Ibid.
[13] Ibid.
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Cobertura espiritual, isso é bíblico?

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Por Thomas Magnum


A cada dia o sincretismo religioso no meio evangélico fica mais absurdo e assustador. Porque muitas vezes o indivíduo não sabe onde está entrando, se num templo evangélico ou num centro espírita ou ainda num sei lá o que, que tem a palavra gospel no meio. Uma das mais novas modinhas doutrinárias das igrejas neopentecostais é a cobertura espiritual. Ou poderíamos chamar também como personal prophet. O crente agora tem um guru que vai guiar suas decisões e escolhas na vida, e nisso temos as mais absurdas colocações a ponto até de interferir na vida conjugal de um casal. Essa prática tem crescido muito em solo brasileiro, e vemos muitos grupos antes históricos no meio evangélico agora abraçarem cegamente o movimento da cobertura espiritual.

Interessante ressaltar uma semelhança indissociável com os espíritos guias do espiritismo. O fiel vai comprar um carro, tem que perguntar ao seu líder, vai namorar, tem que ter autorização de seu líder, vai sair pra jantar com a esposa, tem que ter a aprovação de seu líder. E aí vemos um desenvolvimento herético de um tipo de cativeiro da vontade, exercido por parte de muitos líderes desses grupos que geralmente se subdividem em pequenos grupos ou células, como forma estratégica para manterem os membros sob o controle do líder maior.

Um dia desses conversando com um rapaz de uma dessas igrejas, me pediu uma indicação de um bom livro teológico, ao lhe indicar, ele me disse que não podia ler aquele autor ou autores que não fossem Kenneth Hagin, Benny Hinn, T.L. Osborn, Rebecca Brown ou John Bevere que é o mais novo no ranking. Ou seja o rapaz foi proibido de ler algumas coisas que confrontem os ensinos de tais profetas do erro.

Ao conviver com pessoas que saíram de grupos neopentecostais pela graça de Deus, pude constatar de perto, tais pessoas serem amaldiçoadas por seus antigos líderes, ficarem isoladas e abandonadas por antigos amigos que ainda pertencem ao grupo. Ao sair de tais grupos existe realmente um impacto psicológico e emocional, que é uma característica de seitas heréticas, que excluem e desprezam e muitas vezes perseguem antigos membros do grupo, causando um dano emocional reparado somente pela misericórdia e graça de Deus.

O controle mental impulsona tais pessoas a fazerem e viverem dessa forma, em conformidade com esse evangelho malfazejo e maldito (Gálatas 1.8). Devemos avaliar qualquer ensino religioso com a palavra de Deus, vejamos:

- A Bíblia diz que o Espirito Santo é nosso guia. Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir. João 16:13

- Nos diz que o próprio Deus guia seu povo. Guiará os mansos em justiça e aos mansos ensinará o seu caminho. Salmos 25:9

- Que os filhos de Deus tem o Espírito de Deus. Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus esses são filhos de Deus. Romanos 8:14

- Que a palavra de Deus deve ser nosso guia. Também os teus testemunhos são o meu prazer e os meus conselheiros. Salmos 119:24

É claro que não há pecado algum em sermos aconselhados, porque a Bíblia nos recomenda isso. Mas, vejamos uma advertência Bíblica sobre o domínio do povo de Deus:

"Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; Nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho." I Pedro 5:2-3.

Temos realmente um crescimento de uma terapia espiritual multifacetada por idiotices e ridicularizações do intelecto humano. Deus nos dotou de racionalidade para julgarmos nossas decisões e exercermos senso crítico em nosso andar diário. Devido a essa idiotização coletiva vivemos nessa neurose religiosa que está muito distante da santa palavra de Deus.

O líder cristão deve ser usado por Deus para instruir seu povo em amor e exemplo, não por domínio. Voltemos ao Evangelho Cristocêntrico, mas uma vez o movimento neopentecostal descentraliza Cristo e exalta uma religião humana, antropocêntrica, egocêntrica, hedonista e sincrética. Que Deus nos guarde e nos ajude a propagarmos o verdadeiro e puro evangelho de Cristo.

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Sobre o autor: Thomas Magnum é formado em teologia e graduando em jornalismo, pesquisador na área de religiosidade brasileira, é casado a oito anos com Kelly Gleyssy e mora em Recife.

A Obra do Espírito Santo na Regeneração



Por John Owen


A obra do Espírito Santo na regeneração de almas precisa ser estudada e claramente compreendida pelos pregadores do evangelho, e por todos aqueles a quem a Palavra de Deus é pregada. É pelos verdadeiros pregadores do evangelho que o Espírito Santo regenera as pessoas (1Cor 4:15; Fm 10; At 26: 17,18). Por isso, todos aqueles que pregam o evangelho precisam conhecer totalmente a regeneração para que possam com Deus e o Seu Espírito trazer almas ao “novo nascimento”. É também dever de todos os que ouvem a Palavra de Deus estudar e entender a regeneração (2Cor 13:5).

O grande trabalho do Espírito Santo é a obra de regeneração (Jo 3:3-6). Certa noite Nicodemus, um mestre de Israel, veio até Jesus, que lhe disse: “se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. (...) O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito”. O nosso Senhor tendo o conhecimento de que a fé e a obediência a Deus, e a nossa aceitação da parte de Deus, dependem de um novo nascimento, fala a Nicodemus do quão necessário é nascer de novo. Nicodemus fica surpreso com isso, e assim Jesus segue adiante a ensinar-lhe que obra de regeneração é esta. Ele diz: “quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus” (v.5).

A regeneração, portanto, ocorre por meio “da água e do Espírito”. O Espírito Santo faz a obra de regeneração na alma do homem, da qual a água é o sinal exterior. Este símbolo externo é um solene compromisso e selo do pacto que até então lhes vinha sendo anunciado por João Batista. A água pode também significar o próprio Espírito Santo.

João nos fala que todos aqueles que receberam a Cristo só o fizeram por terem nascido de Deus (Jo 1:12,13). Nem a hereditariedade, nem a vontade do homem podem produzir um novo nascimento. A obra como um todo é atribuída tão-somente a Deus (veja também Jo 3:6; Ef 2:1,5; Jo 6:63; Rm 8:9,10; Tt 3:4-6).

É sempre importante lembrar que toda a Trindade está envolvida nesta obra de regeneração. Ela se origina na bondade e no amor de Deus como Pai (Jo 3:16; Ef 1:3-6), da Sua vontade, propósito e conselho. É uma obra do Seu amor e graça. Jesus Cristo nosso Salvador a adquiriu para pecadores (Ef 1:6). Mas o verdadeiro “lavar regenerador e renovador do Espírito Santo” nas nossas almas é obra do Espírito Santo (Tt 3:4-6).

Todavia o meu presente objetivo é confirmar os princípios fundamentais da verdade concernente a essa obra do Espírito Santo que vêm sendo negados e combatidos.

A regeneração no Velho Testamento

No Velho Testamento a obra de regeneração ocorria desde a fundação do mundo, e foi registrada nas Escrituras. Contudo o seu conhecimento era muito vago comparado ao conhecimento que temos dela no evangelho.

Nicodemus, um importante mestre de Israel, declarou a sua ignorância quanto a isso. “Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, voltar ao ventre materno e nascer segunda vez?”. Cristo maravilhou-se de que um mestre de Israel não conhecesse esta doutrina da regeneração. Estava nitidamente declarado nas promessas especificas do Velho Testamento, como também em outras passagens (conforme veremos), que Deus haveria de circuncidar os corações do Seu povo, tirar-lhes o coração de pedra e dar-lhes um coração de carne. Em sua ignorância os mestres de Israel imaginavam que a regeneração significava apenas uma reforma de vida. De modo semelhante muitos hoje consideram a regeneração como nada mais que o esforço para se levar uma vida moral. Mas se a regeneração significar nada mais do que se tornar um novo homem moral — algo a que todos, tanto mais ou menos, recomendam — dessa forma o nosso Senhor Jesus Cristo, bem mais do que esclarecer a Nicodemus sobre esta questão, a obscureceu mais ainda.

O Novo Testamento ensina claramente que o Espírito Santo faz uma obra secreta e misteriosa nas almas dos homens. Agora, se esta obra secreta e misteriosa for na verdade apenas uma reforma moral que capacita os homens a viverem melhor, se for apenas um convencimento externo para abandonar o mal e se fazer o bem, então, a doutrina da regeneração ensinada por Cristo e todo o Novo Testamento, é definitivamente incompreensível e sem sentido.

A regeneração e a doutrina da regeneração existiram no Velho Testamento. Os eleitos de Deus, de qualquer geração, nasceram de novo pelo Espírito Santo. Mas antes da vinda de Cristo, todas as coisas dessa natureza, estavam “desde o princípio do mundo, ocultas em Deus” (Ef 3:9 — tradução literal NKJV).

Mas agora chegou o grande médico, aquele que haveria de curar a terrível ferida das nossas naturezas pela qual estávamos mortos em nossos “delitos e pecados”. Ele abre a ferida, mostra-nos o quão é terrível e revela a situação de morte que ela trouxe sobre nós. Ele assim o faz para que sejamos verdadeiramente agradecidos quando nos curar. Assim pois, nenhuma doutrina é mais completa e claramente ensinada no evangelho do que esta doutrina da regeneração.

Quão corrompidos, portanto, são os que a negam, desprezam e rejeitam.

A constante obra do Espírito

Os eleitos de Deus não eram regenerados de uma maneira no Velho Testamento e de outra completamente diferente, pelo Espírito Santo, no Novo Testamento. Todos eram regenerados de um mesmo modo pelo mesmo Espírito Santo. Aqueles que foram milagrosamente convertidos, como Paulo, ou que em suas conversões lhes foram concedidos dons miraculosos, como muitos dos cristãos primitivos, não foram regenerados de um modo diferente de nós mesmos, que também temos recebido esta graça e privilégio.

Os dons miraculosos do Espírito Santo nada tinham a ver com a Sua obra de regeneração. Não eram a comprovação de que alguém havia sido regenerado. Muitos dos que possuíram dons miraculosos jamais foram regenerados; outros que foram regenerados jamais possuíram dons miraculosos.

É também o cúmulo da ignorância supor que o Espírito Santo no passado regenerava pecadores miraculosamente, mas que agora Ele não o faz de modo milagroso, mas por persuadir-nos que não é razoável que não nos arrependamos dos nossos pecados.

Jamais cairemos neste erro se considerarmos o seguinte:

a) A condição de todos os não-regenerados é exatamente a mesma. Uns não são mais não-regenerados que outros. Todos os homens são inimigos de Deus. Todos estão sob a Sua maldição (Sl 51:5; Jo 3:5, 36; Rm 3:19; 5:15-18; Ef 2:3; Tt 3:3-4).

b) Há variados níveis de malignidade nos não-regenerados, assim como há diversos níveis de santidade entre os regenerados. Todavia o estado de todos os não-regenerados é o mesmo. Todos carecem de que se faça neles a mesma obra do Espírito Santo.

c) O estado a que os homens são trazidos pela regeneração é o mesmo. Nenhum é mais regenerado do que outro, contudo uns podem ser mais santificados que outros. Aqueles gerados por pais naturais nascem de um mesmo modo, embora alguns logo superem os outros em perfeições e habilidades. O mesmo também ocorre com todos os que são nascidos de Deus.

d) A graça e o poder pelos quais esta obra de regeneração é operada em nós são os mesmos. A verdade é que aqueles que desprezam o novo nascimento, fazem-no porque desprezam a nova vida. Aquele que odeia a ideia de viver para Deus, odeia a ideia de ser nascido de Deus. No final, entretanto, todos os homens serão julgados por esta pergunta: “Você nasceu de Deus?”.

A compreensão errada sobre a regeneração

Em primeiro lugar regeneração não é meramente ser batizado e dizer: “eu me arrependi”. A água do batismo é apenas um sinal externo (1Pe 3:21). A água mesmo só pode molhar e lavar alguém da “imundícia da carne”. Mas como um sinal exterior ela significa “uma boa consciência para com Deus, por meio da ressurreição de Jesus Cristo” (1Pe 3:21. Veja Hb 9:14; Rm 6:3-7). O apóstolo Paulo faz claramente a distinção entre a ordenança exterior e o ato de regeneração em si mesmo (Gl 6:15). Se batismo acompanhado de confissão de arrependimento for regeneração, então todos aqueles que foram batizados e se confessaram arrependidos têm de ser regenerados. Mas é claro que isso não é assim (veja At 8: 13, 21, 23).

Em segundo lugar a regeneração não é uma reforma moral da vida exterior e do comportamento. Por exemplo, suponhamos uma tal reforma exterior pela qual alguém volta-se de fazer o mal para fazer o bem. Deixa de roubar e passa a trabalhar. Não obstante, haja o que houver de justiça real nessa mudança moral exterior de comportamento, ela não procede de um novo coração e de uma nova natureza que ama a justiça. É tão-somente pela regeneração que um corrupto e pecaminoso inimigo da justiça pode ser trazido a amá-la e a deleitar-se em praticá-la. Há os que escarnecem da regeneração como sendo inimiga da moralidade, justiça e reforma, mas um dia hão de descobrir o quanto estão errados.

A ideia de que a regeneração nada mais é do que uma reforma moral da vida, procede da negação do pecado original e do fato de sermos maus por natureza. Se não fôssemos maus por natureza, se fôssemos bons no fundo do nosso coração, então não haveria necessidade de nascermos de novo.

A regeneração não produz experiências subjetivas

A regeneração nada tem a ver com enlevos extraordinários, êxtases, ouvir vozes celestiais ou com qualquer outra coisa do tipo. Quando o Espírito Santo faz a Sua obra de regeneração nos corações dos homens, Ele não vem sobre eles com grandes e poderosos sentimentos e emoções aos quais não podem resistir.

Ele não se apodera dos homens como os maus espíritos se apossam das suas vitimas. Toda a Sua obra pode ser racionalmente compreendida e explicada por todo aquele que crê na Escritura e recebeu o Espírito da verdade que o mundo não pode receber. Jesus disse a Nicodemus: “O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai”, assim é com a obra de regeneração do Espírito Santo.

A natureza da regeneração

Regeneração é colocar na alma uma nova lei de vida que é verdadeira e espiritual, que é luz, santidade e justiça, que leva à destruição de tudo o que odeia a Deus e luta contra Ele. A regeneração produz uma milagrosa mudança interior do coração. “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura”. A regeneração não se dá pelos sinais exteriores de uma mudança moral do coração e é muito distinta deles (Gl 5:6; 6:15).

A regeneração é um ato onipotente de criação. Um novo princípio ou lei é criado em nós pelo Espírito Santo (Sl 51:10; Ef 2:10). Esta nova criação não é um novo hábito formado em nós, mas uma nova capacidade e faculdade. É chamada, portanto, de “natureza divina” (2Pe 1:4). Esta nova criação é o revestir de uma nova capacidade e faculdade criada em nós por Deus e que traz a Sua imagem (Ef 4:22-24).

A regeneração renova as nossas mentes. Ser renovado no espírito de nossas mentes significa que as nossas mentes possuem agora uma nova e salvadora luz sobrenatural que as capacita a pensarem e a agirem espiritualmente (Ef 4:23; Rm 12:2). O crente é renovado em “conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” (Cl 3:10).

O novo homem

Esta capacidade e faculdade nova produzida em nós pela regeneração é chamada de “novo homem”, porque envolve uma completa e total mudança da alma, de onde procede toda ação espiritual e moral (Ef 4:24). Este “novo homem” é contraposto ao “velho homem” (Ef 4:22,24). Este “velho homem” é a nossa natureza humana corrompida que tem a capacidade e faculdade de produzir pensamentos e atos malignos. O “novo homem” está capacitado e habilitado a produzir atos religiosos, espirituais e morais (Rm 6:6). Denomina-se de “novo homem” porque é uma “nova criação de Deus” (Ef 1:19; 4:24; Cl 2:12, 13; 2Ts 1:11).

Este “novo homem” é criado de imediato, num átimo. É por isso que a regeneração não pode ser uma mera reforma de vida, que é o trabalho de toda uma vida (Ef.2:10). É a obra de Deus em nós que antecede todas as nossa obras para com Deus. Somos feitura de Deus, criados para produzir boas obras (Ef 2:10).

Assim pois não podemos produzir boas obras aceitáveis a Deus sem que primeiro Ele produza esta nova criação em nós. Está dito que este “novo homem” é “criado segundo Deus [i.e., à Sua imagem], em justiça e retidão procedentes da verdade” (Ef 4:24). A imagem de Deus no primeiro homem não foi uma reforma de vida. Nem foi um padrão de bom proceder. Adão foi criado à imagem de Deus antes que fizesse qualquer boa obra. Esta imagem de Deus era a capacidade e faculdade dada a Adão para viver uma vida tal que manifestasse verdadeiramente o caráter santo e justo de Deus. Tal capacidade e faculdade foi dada a Adão antes mesmo dele começar a viver para Deus. É verdadeiramente indispensável que o mesmo ocorra também conosco. Primeiro, a imagem de Deus, a qual é o “novo homem”, é novamente criada em nós. Então podemos começar mais uma vez a apresentar em nossas vidas o caráter santo e justo de Deus (Lc 6:43; Mt 7:18).

A aliança de Deus

Deus já nos tem dito como nos trata em Sua aliança (Ez 36:25-27; Jr 31:33; 32:39,40). Ele primeiro lava e limpa a nossa natureza; arranca o nosso coração de pedra e dá-nos um coração de carne; escreve as Suas leis em nossos corações e coloca o Seu Espírito em nós para nos capacitar a guardar essas leis. É isso o que significa regeneração. Que também é descrita como o santificar, o tornar santo todo nosso espírito, alma e corpo (1Ts 5:23).

Comprovado pela Escritura

O Espírito Santo não opera de qualquer outro modo senão por aquilo que nos mostra a Escritura. Tudo que alega ser obra de regeneração Sua, precisa ser comprovado pela Escritura. O Espírito Santo, por ser onisciente, conhece as nossas naturezas perfeitamente, e por isso sabe com exatidão como operar nelas sem as ferir ou danificar, sem forçá-las de modo algum a concordar com a Sua vontade.

A pessoa ao ser regenerada, jamais, em momento algum, sente que está sendo malignamente forçada contra a sua vontade. A despeito disso, muitos que são verdadeiramente regenerados têm sido tratados pelo mundo como se fossem loucos, ou algum tipo de fanático religioso (2Rs 9:11; Mc 3:21; At 26:24, 25).

A obra do Espírito Santo na regeneração de almas precisa ser estudada e claramente compreendida pelos pregadores do evangelho, e por todos aqueles a quem a Palavra de Deus é pregada. É pelos verdadeiros pregadores do evangelho que o Espírito Santo regenera as pessoas (1Cor 4:15; Fm 10; At 26: 17,18). Por isso, todos aqueles que pregam o evangelho precisam conhecer totalmente a regeneração para que possam com Deus e o Seu Espírito trazer almas ao “novo nascimento”. É também dever de todos os que ouvem a Palavra de Deus estudar e entender a regeneração (2Cor 13:5).

A regeneração foi-nos revelada por Deus (Dt 29:29). Assim pois não estudar nem tentar compreender esta grande obra é revelar a nossa própria estultícia e loucura. Enquanto não tivermos nascido de Deus nada poderemos fazer que Lhe agrade, nem obtemos dEle quaisquer consolações, e nada somos capazes de entender a Seu respeito ou sobre o que Ele está realizando no mundo.

Há o grande perigo de que os homens possam estar enganados quanto à regeneração e que estejam, portanto, eternamente perdidos. Crendo erroneamente que podem obter o céu sem que lhes seja necessário nascer de novo, ou que havendo nascido de novo podem continuar a levar uma vida pecaminosa. Tais opiniões contradizem claramente o ensinamento do nosso Senhor e dos apóstolos (Jo 3:5; 1Jo 3:9).


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Fonte: Jornal Os Puritanos – Ano X – No 04 – Out./Nov./Dez./2002 
Extraído do Livro “O Espírito Santo”, do teólogo puritano John Owen (O Príncipe dos Puritanos), publicado pela Banner Of Truth, cap 8, pg 43-51. Adaptado das suas obras para uma linguagem contemporânea por R.J.K. Law.