Qual a chance de um falso profeta chamado Harold Camping acertar a data do Dia do Juízo?

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Por Raniere Menezes


Qu
al a chance de um falso profeta chamado Harold Camping acertar a data do Dia do Juízo?

As chances de uma pessoa acertar na Mega-Sena apostando apenas um cartela simples é de 1 em 50 063 860, isto corresponde a 1/50 063 860 = 0,00000002 que corresponde a 0,000002%. E a chance de um falso profeta chamado Harold Camping acertar a data do Dia do Juízo de Deus é ZER0!

Mas a previsão é subjetiva, não é que o mundo vai acabar dia 21 de maio de 2011, mas que Jesus retorna ao mundo dia 21 de maio de 2011 e o mundo acabará 7 anos depois. É o que defendem os seguidores de Harold Camping, fundador da Family Radio e um dos que anunciam a volta de Jesus dia 21 de maio. Desde 2010 seus seguidores o têm ajudado a propagar essa crença através da internet e de cartazes e outdoors espalhados pelos Estados Unidos.

Seguidores largaram seus empregos e passam o dia colando cartazes e distribuindo folhetos para tentar convencer amigos e familiares que o Julgamento Final está próximo.

“Dia 21 de maio, por volta da 6 horas na Orla do Pacífico, haverá um grande terremoto em cada fuso horário, como nunca houve na história da Terra”, diz a seita. Os verdadeiros crentes em Cristo serão ‘arrebatado’. “Os demais experimentarão mais horror que o das histórias de terror”, diz a seita. “O pior de tudo isso é que não haverá mais salvação nesse momento. A Bíblia diz que 153 dias depois, todo o universo e o planeta Terra serão destruídos para sempre”, diz a seita.

A crença deles está baseada nos escritos de Camping, 89 anos, que já havia previsto o final do mundo para 6 de setembro de 1994. Quando isso não aconteceu, ele voltou a estudar as profecias. “Naquela época ainda não havia chegado às profecias de Jeremias e vi o quanto ele tinha a nos dizer sobre o final do mundo. Refazendo os cálculos ele chegou à data de 21/05/2011. Nesse dia, supostamente completa-se exatos 7 mil anos após o dilúvio.

Os seguidores da seita e seus mentores não temem que a previsão esteja errada. “Temos certeza que vai acontecer. Não há plano B”, explica Camping.

“Aposto” que dia 22 de maio irão refazer o cálculo e alimentar a mentira e loucura.

Respondendo a pergunta: Qual a chance de um falso profeta chamado Harold Camping acertar a data do Dia do Juízo?

Resposta: a mesma de eu nascer em outra vida e namorar a Angelina Jolie!

Fonte: [ Frases Protestantes ]
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Apologética da compaixão

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Ser apologista não é e nunca foi uma tarefa fácil. Defender a fé cristã requer muito estudo, uma boa dose de empenho, grande capacidade de argumentação e o gosto peculiar por questionar a tudo, até mesmo às próprias convicções e trazer respostas satisfatórias para nossa mente e espírito.

Este é um cenário propício para que se perca a essência do foco do ministério de Jesus, que também é nosso: as pessoas.

Não raro percebo um desvio do foco do trabalho apologético nas mais diversas formas: debates em listas de discussão, no Orkut, em programas de rádio ou de TV, em sites focados no tema ou não. Tristemente acompanho debates que são verdadeiras batalhas entre egos, onde o objetivo é ganhar a disputa, ainda que não sirva para mais nada além disto.

Meus anos como participante destes debates levam-me a uma triste constatação: não me recordo de ter visto nenhum debatedor, ainda que vencido pelos argumentos de outrem, converter-se genuinamente à fé cristã por conta de tal debate.

As pessoas que são enganadas por seitas pseudocristãs têm em seus corações o desejo sincero de seguir a Cristo e crêem agir assim. É importante observarmos que todo o ministério de Cristo nesta terra foi pautado pela apologética. Com extrema habilidade e autoridade Jesus defendeu a fé genuína que havia sido vilipendiada pelos fariseus e escribas.

“Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque fechais aos homens o reino dos céus; pois nem vós entrais, nem aos que entrariam permitis entrar.” [Mt 23:13] Este era o tratamento “amoroso” que Jesus dispensava aos líderes religiosos da época. Em contrapartida, o povo que era conduzido pelos fariseus ao engano religioso era tratado de forma muito distinta: “Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem ceifam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não valeis vós muito mais do que elas?” [Mt 6:26]

Esta era a apologética que Jesus usava com o povo: a Apologética da Compaixão. Da mesma forma é assim que devemos agir com os enganados e oprimidos por sistemas religiosos corrompidos em seus princípios e em sua moral, que arrogam para si o título de igreja verdadeira de Jesus Cristo, mas que estão distantes de Cristo e, consequentemente, da verdade.

Para “pelejar pela fé que de uma vez para sempre foi entregue aos santos” [Jd 1:3b] é necessário não somente conhecimento, mas principalmente sabedoria e discernimento sobre como comunicar esta fé de forma a ser compreendida. C S Lewis escreveu certa vez: “Deus nunca se faz de filósofo diante de uma lavadeira”. Nosso Senhor sempre se comunica de forma totalmente inteligível com seus filhos e também com os que deseja alcançar. O mundo não tem ideia do que seja teologia, hermenêutica ou exegese, mas compreende muito bem o amor e a compaixão. Palavras bonitas são apenas palavras bonitas se não resplandecerem o amor de Deus e palavras difíceis não passam de empecilho para comunicar a verdade bíblica.

É hora de revermos conceitos de como atuar na defesa da fé de forma satisfatória, que efetivamente conduza os perdidos e enganados ao caminho da salvação e não seja simplesmente mais um artigo escrito com anseio acadêmico.

Têm cristãos que se encontram frustrados, cansados e abatidos, pois defendem a fé cristã há anos ou até décadas e nenhuma alma ainda se converteu como resultado de sua pregação e ensino. O que talvez estes cristãos não percebam é que estão totalmente fora de sintonia com o mundo em que vivem e que estão oferecendo respostas a perguntas que ninguém mais faz.

A Apologética da Compaixão exercida por Jesus é universal e atemporal. Serviu de forma eficiente durante seu ministério terreno e continua a servir de forma eficientíssima nos tempos atuais.

Brennan Manning relata que o homem natural busca segurança, prazer e poder. O mundo pode oferecer tais benefícios, porém é limitado em sua forma, conteúdo e duração. Por mais segurança que se possa contratar, ninguém está imune a ter uma arma apontada para a cabeça durante um assalto. Por mais prazer que se possa encontrar, vai durar só um momento. Por mais poder que se possa acumular, uma virada na economia mundial ou um golpe de estado podem reduzir tal poder a nada.

Comunicar ao perdido a segurança infinita que só há na salvação em Cristo e que nem mesmo um tiro fatal na cabeça pode tirar tal segurança, que não há prazer terreno que se compare a estar eternamente na presença de Deus na Jerusarém Celestial e que o poder de Deus habita e atua em nós de forma inequívoca e que não podemos perdê-lo por conta dos acontecimentos é exercitar a apologética da compaixão. É correto o pensamento de Blaise Pascal que diz que o homem tem um vazio infinito dentro de si que só pode ser preenchido pelo infinito de Deus.

“A benignidade do Senhor jamais acaba, as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade.” [Lm 3:22-23] As misericórdias de Deus provêm de Seu amor incondicional e tem como resultado a compaixão.

Observo pessoas que se compadecem dos cachorros abandonados nas ruas. Dão-lhe em primeiro lugar um sinal de afeto, de amor e só depois oferecem água e comida. Por vezes tais pessoas vão além e passam a cuidar destes animais. É interessante observar que, mesmo a partir de uma demonstração de amor, muitos destes animais são arredios e desconfiados, vão aproximando-se devagar e a qualquer movimento ou barulho diferente já se esquivam e se distanciam, talvez temerosos pelas inúmeras vezes que foram agredidos, maltratados e ignorados. Por conta disto passam a agir defensivamente por instinto, por esperarem sempre o pior vindo dos homens.

De forma um tanto grotesca, podemos fazer uma analogia entre estes cachorros de rua e os perdidos. Estes também agem de forma defensiva, instintivamente, tamanha quantidade de vezes que já foram machucados pelo mundo ou por “igrejas” que se dizem cristãs. Por conta disto são arredios à Palavra de Deus e a qualquer coisa relacionada a religião. Ficar falando e falando para estas pessoas sobre o amor de Deus sem nenhuma atitude é como apenas contar para o cachorro abandonado como é uma tigela de água ou um prato de ração. Não será na primeira vez que um cachorro destes permitirá um banho ou o cuidado com uma orelha machucada e infeccionada. Mas, depois de demonstrado o amor, o carinho e o cuidado, o animal não sairá correndo em disparada ao ser tratado, ainda que sinta dor.

Os homens que estão afastados de Deus sofrem espiritualmente das mesmas mazelas e, pior ainda, muitas vezes refletidas em seus corpos.

A Apologética da Compaixão não vai tentar limpar e curar sem antes demonstrar o amor do Deus que limpa e cura. Quando servimos a Cristo de forma sincera e permitimos que o Espírito Santo de Deus nos guie sem restrições, manifestamos o mesmo amor de Deus pelas almas perdidas, que sofrem e padecem por estarem afastadas deste amor.

Neste mundo corrompido precisamos ser a voz profética que anuncia a verdade cristã e que defende as pessoas do engano lançado pela astúcia do inimigo de nossas almas, não combatendo contra a carne e o sangue, não combatendo as pessoas que estão neste engano, mas, ao contrário, demonstrando a elas com toda mansidão e doutrina a razão da nossa esperança em Cristo Jesus, amando-as como Cristo nos ama, sendo misericordiosos como nosso Deus é conosco e, movidos de íntima compaixão, conduzi-las ao entendimento da crença em Cristo e crer na ação do Espírito Santo para convencê-las do pecado, da justiça e do juízo.

Fonte: [ NAPEC ]

Surge o poder constituinte terceirizado, capaz de julgar a Constituição inconstitucional

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Por Rubens Teixeira

A Constituição da República, ou Carta Magna do país, é a norma jurídica de mais alto grau de hierarquia. Sua elaboração é feita por meio de uma Assembleia Nacional Constituinte composta por representantes do povo eleitos. O Parágrafo único do primeiro artigo da Constituição afirma que: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”. A sua alteração, prevista no próprio texto constitucional, pode ser feita por meio do poder constituinte derivado, que também são representantes do povo eleitos para o Congresso Nacional: Câmara de Deputados e Senado Federal.

O legislador constituinte originário previu que a Constituição Federal poderia ser alterada por meio de Emenda Constitucional, o que na doutrina se chama poder constituinte derivado. Esta previsão está no artigo 60 § 2º: “A proposta será discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-se aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros”. Ou seja, a proposta de alteração da Constituição, depois de debatida, deve ser submetida à votação quatro vezes: duas vezes na Câmara de Deputados e duas vezes no Senado Federal. Nas quatro votações, deve obter aprovação de pelo menos 3/5, ou 60%, dos membros de cada casa. O legislador criou essa dificuldade exatamente para evitar que a Lei Maior fosse facilmente mudada. São direitos muito importantes e relevantes que estão contidos na Constituição Federal.

A mesma Constituição, no artigo 226 § 3º, prevê: “Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento”. O Supremo Tribunal Federal é a instância máxima do Poder Judiciário e tem como incumbência fundamental julgar as questões de constitucionalidade. Dizer o que é ou não constitucional. Quem tem o poder de alterar a Constituição, no que pode ser mudado, é o Congresso Nacional seguindo o rigoroso rito do artigo 60 descrito acima.

Cada Poder da República tem as suas atribuições previstas na própria Constituição. Essa divisão é antiga e a sua sistematização remonta ao século XVIII com a Teoria da Separação dos Poderes ou Tripartição dos Poderes do Estado. Esta teoria, desenvolvida pelos filósofos gregos Aristóteles e Platão, foi sistematizada pelo filósofo iluminista Montesquieu no seu livro “O Espírito das Leis” escrito em 1748. A ideia da divisão de poderes visava moderar o Poder do Estado, dividindo-o em funções e dando competências a seus diferentes órgãos, evitando-se a concentração sobre as mesmas pessoas e instituições do poder legislativo, executivo e judiciário.

A decisão do Supremo em considerar a união homossexual uma entidade familiar contraria frontalmente o que diz a Constituição em seu artigo 226. O STF declarou inconstitucional parte do artigo 226 da Constituição ao decidir contrariamente ao próprio artigo. Não caberia ao STF alterar a Lei se ela for anacrônica, como não pode outro poder julgar uma questão judicial se o Judiciário demorar em fazê-lo, ou for anacrônico, ou por demais progressista em seu julgamento. Se o judiciário tardar em decidir uma causa, o cidadão não pode fazer uso arbitrário das próprias razões, pois será imputado como crime, conforme prevê o artigo 345 do Código Penal.

A demora no julgamento ou a demora no trâmite de um processo legislativo é um ônus da democracia. A demora na decisão pode ser fruto de um debate, salutar à democracia. Ademais, o artigo 2º. da Constituição Federal afirma que: “Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si: o Legislativo, o Executivo e o Judiciário”. Não pode um poder avocar para si o que é atribuição do outro sob pena de estar insurgindo-se contra a Constituição.

A alegação de uso de princípios para julgamento se aplica de forma adequada quando a lei não deixa claro de que lado está o direito. Se todo poder emana do povo, as instituições que exercem as suas atribuições não podem ser mais ou menos avançadas em seus conceitos, devem estar em sintonia com o desejo do detentor de todo poder democrático no país. Do contrário, estamos em processo de retorno aos idos da Idade Média, antes de Montesquieu, aproximando-nos do século XVIII e do absolutismo.

A prática de desconsiderar a Constituição e o Legislativo pode levar a uma crise institucional que não será em nada salutar à democracia e à segurança do Estado Democrático de Direito. A partir desta decisão, inaugurou-se uma via de desprezo pelo texto da Carta Magna, fazendo-a parecer uma norma romanceada que permite julgamentos consuetudinários decorrentes de um poder constituinte terceirizado. Parte do poder deixou de ser do povo, contrariando o primeiro artigo da Constituição, e passou a ser do próprio Estado que ficou com feições mais absolutistas podendo, inclusive, legislar e cometer o máximo de inconstitucionalidade ao julgar a Constituição inconstitucional.

Fonte: [ Holofote ]
Via: [ Púlpito Cristão ]

Os pais chuparam uvas verdes e os filhos embotaram os dentes

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Um estudo introdutório a
respeito das maldições hereditárias

Introdução:

Vivemos num período caracterizado por uma tremenda confusão doutrinária. Na verdade, de um lado existem aqueles que desprezam os estudos teológicos por acharem que teologia “esfria” a Igreja. Por outro lado existem aqueles, que são herdeiros de uma tradição rica em conceitos sadios e que concordam com a sã doutrina da Palavra de Deus, mas que mesmo assim, se apóiam em doutrinas completamente contrárias aos ensinamentos da Palavra de Deus.

Isso acontece porque tais pessoas desconhecem um princípio hermenêutico (princípio de interpretação) bíblico sadio e correto. A maior verdade de interpretação existente é de que A BÍBLIA INTERPRETA A PRÓPRIA BÍBLIA. Em outras palavras, isso quer dizer que as passagens que são complicadas devem ser interpretadas por outras passagens mais claras. Outro princípio diz que as passagens bíblicas devem ser interpretadas dentro do seu contexto. É bem conhecido aquele ditado que diz que “texto sem contexto é pretexto pra heresia”. Um exemplo de pessoas que viviam dessa forma eram os cristãos da cidade de Beréia que conferiam nas Escrituras se Paulo estava pregando corretamente.

Tais noções nos ajudam contra doutrinas erradas que muitas vezes são passadas dos púlpitos das nossas igrejas. Uma destas doutrinas é a conhecida doutrina das maldições hereditárias. Esta doutrina tão perniciosa é definida por um de seus principais defensores no Brasil da seguinte forma:

A maldição é a autorização dada ao diabo por alguém que exerce autoridade sobre outrem, para causar dano à vida do amaldiçoado... A maldição é a prova mais contundente do poder que têm as palavras. Prognósticos negativos são responsáveis por desvios sensíveis no curso da vida de muitas pessoas, levando-as a viver completamente fora dos propósitos de Deus... As pragas se cumprem. [1]

Algumas perguntas surgem nas nossas mentes: será que Deus castiga os filhos por causa dos pecados dos pais? Será Deus um agente arbitrário que castiga os filhos que não cometeram pecado no lugar dos pais, que são os verdadeiros culpados? Ou há algo que deve ser entendido devidamente nas passagens onde Deus fala sobre maldição hereditária? São exatamente estas perguntas que nos propomos a responder dentro da única regra de fé e prática da Igreja: A BÍBLIA SAGRADA.

EXAME DAS PASSAGENS QUE FALAM SOBRE MALDIÇÃO HEREDITÁRIA

Dentro da revelação bíblica, a primeira passagem onde ocorre um pronunciamento divino a respeito de castigar nos filhos os pecados dos pais é em Êxodo 20: 4-6, que diz exatamente assim: “Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o SENHOR, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos”. Há algumas coisas que devem ser percebidas na passagem acima, as quais são muito elucidativas para o problema em questão.

Primeiramente, devemos notar que essa ameaça divina está dentro do contexto da entrega dos Dez Mandamentos. Deus estava entregando ao seu servo Moisés uma regra de vida para o seu povo escolhido. Percebamos que a advertência divina está logo após a declaração do segundo mandamento “não farás para ti imagem de escultura...”. logo em seguida o Senhor Deus Todo-poderoso dá a razão porque o povo de Israel não poderia fazer imagens: “porque eu sou o SENHOR, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos”. Deve ser notado o uso da palavra “porque”, que indica a razão do segundo mandamento. De forma simples, a advertência divina de castigar nos filhos os pecados dos pais sempre está conectada com a possibilidade do pecado de idolatria.

Em segundo lugar, Deus diz que é Deus zeloso. A palavra “zeloso” quando usada a respeito de Deus descreve o amor que Deus tem pelo seu nome santo, um zelo que exige a devoção exclusiva de seu povo. Ela é usada quando essa reivindicação é ameaçada por falsos deuses (conferir Dt 6.15; Js 24.19). É por causa do zelo que tem pelo próprio nome que Deus adverte o povo de Israel contra o pecado da idolatria e faz a ameaça de castigar as gerações subseqüentes. João Calvino comenta essa passagem de forma interessante. Ele diz o seguinte: “Ora é completamente estranho à equidade da justiça divina o castigar no inculpado o castigo do pecado alheio”.[2] Ele continua dando a razão pela qual essa advertência seria efetivada: “onde esta maldição pesou, que se pode esperar, senão que o pai de família, destituído do Espírito Santo de Deus, viva de forma abominável e o filho, de forma semelhante, abandonado pelo Senhor por causa da iniquidade do pai, siga o mesmo caminho de perdição? Finalmente, o neto e o bisneto, a mesma semente de homens idólatras também se precipitem nos mesmos pecados”.[3] No catecismo que escreveu para a Igreja de Genebra, Calvino afirma que essa imprecação se concretizaria em todos os descendentes que perpetuassem a iniqüidade de seus antepassados. Ele diz o seguinte:

É como se Deus dissesse que ele é o único a quem devemos nos apegar. Ele não pode tolerar a companhia de outro deus e irá demonstrar sua majestade e glória se alguém transferi-las a imagens ou qualquer outra coisa; e não somente uma única vez, mas nos pais, nos filhos e descendentes, ou seja, em todos enquanto sigam a iniqüidade de seus pais; assim também ele manifestará perpetuamente a sua misericórdia e bondade para com aqueles que o ama e guardam a sua lei. Ele declara a grandiosidade de sua misericórdia nisto, em que ele a estende até mil gerações enquanto designa apenas quatro gerações para sua vingança. [4]

Também é interessante a síntese do pensamento calviniano na obra de J. P. Willes:

Acrescenta-se que o Senhor é um Deus zeloso, para demonstrar que ele não tolerará rival algum, e sim vingará o insulto cometido contra a sua glória, se esta for transferida a criaturas ou imagens de escultura; e que essa vingança será visitada nos netos e bisnetos, visto que estes seguirão nos maus passos dos seus pais. [5]

De forma prática, a fim de que entendamos esta passagem de Êxodo, lembremos que desde os tempos mais antigos, os pais de família são os sacerdotes dos seus lares. Lembremos do caso de Jó, que oferecia sacrifícios continuamente pelos possíveis pecados de seus filhos (Jó 1. 5). Os pais sempre foram os responsáveis primários pela educação religiosa de seus filhos. No livro de Deuteronômio 6. 6, 7 encontramos esta verdade: “Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te”. A família deve ser uma comunidade de ensino e aprendizado a respeito de Deus e da piedade cristã. As crianças devem ser ensinadas pelos seus pais a amarem ao Senhor de todo coração (Gn 18.18, 19; Dt 4.9; 11.18-21; Pv 22.6; Ef 6.4). Logicamente, os pais que falhassem nessa tarefa estariam contribuindo para que seus filhos permanecessem ignorantes a respeito da lei de Deus e, conseqüentemente, dariam abertura para que seus filhos se tornassem idólatras, pecassem contra o Senhor e fossem assim, severamente castigados pelo Deus santo e justo. Somente nesse sentido é que Deus castigaria nos filhos os pecados de seus pais. Reflitamos: nesse caso, qual o pecado dos pais? A resposta é a idolatria e o falso ensinamento para seus filhos. Qual o pecado dos filhos? A resposta é a idolatria aprendida dos pais e a passagem dos maus costumes para os netos de seus pais. Essa é a interpretação correta. Todas as outras passagens onde esta ameaça ocorre, ela está vinculada à possibilidade de pecado e rebeldia contra o Senhor Deus (conferir Isaías 44.15; Deuteronômio 4.24; Números 14.18, 33).

Mais especificamente, há uma outra passagem no Antigo Testamento que mostra que a responsabilidade pelo pecado é pessoal e individual. A passagem é Ezequiel 18.20: “A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniqüidade do pai, nem o pai, a iniqüidade do filho; a justiça do justo ficará sobre ele, e a perversidade do perverso cairá sobre este”. Esta passagem é muito esclarecedora, onde o próprio Deus afirma que cada um dará contas dos seus próprios pecados. Os filhos não têm culpa dos pecados de seus pais, nem os pais têm culpa dos pecados dos filhos. Mas isso desde que um deles tenha vivido de acordo com a vontade de Deus revelada na sua Palavra. No início do capítulo está escrito: “Que tendes vós, vós que acerca da erra de Israel, proferis este provérbio, dizendo: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos é que se embotaram? Tão certo como eu vivo, diz o SENHOR Deus, jamais direis este provérbio em Israel. Eis que todas as almas são minhas; como a alma do pai, também a alma do filho é minha; a alma que pecar, essa morrerá (Ez 18.2-4). Ezequiel está explicando que Deus responde de acordo com os atos de cada indivíduo e geração. Cada um é punido por seus próprios pecados. Recomendo que a Igreja leia para um melhor entendimento todo o capítulo 18 de Ezequiel, de forma mais específica, os versículos que se estendem de 10 a 18. Em suma, o pai não leva a culpa pelo pecado do filho, nem o filho leva a culpa pelo pecado de seu pai, desde que um deles tenha vivido uma vida santa, reta, dedicada ao serviço e adoração ao Deus verdadeiro.

RESPOSTA A UMA MÁ UTILIZAÇÃO DE UMA PASSAGEM DO NOVO TESTAMENTO PARA DAR SUPORTE AO ERRO AQUI COMBATIDO

Muitas pessoas enfatuadas, arrogantes e na verdade ignorantes a respeito da Palavra de Deus utilizam, de forma indevida uma passagem neotestamentária para apoiar sua falsa doutrina de maldição hereditária. A passagem é João 9.1, 2, que diz o seguinte: “Caminhando Jesus, viu um homem cego de nascença. E os discípulos perguntaram: Mestre, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?” A resposta de Jesus foi extraordinária: “Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi para que se manifestassem nele as obras de Deus” (v. 3). Agora eu pergunto aos que afirmam que aqui há uma base para a maldição hereditária: onde esse texto dá apoio à essa doutrina satânica e perniciosa? A resposta é óbvia: EM NENHUM LUGAR! Quereis vós, que distorcem o cristalino ensino da Palavra inerrante de Deus basear os seus falsos ensinamentos apenas na pergunta dos discípulos? Pois bem, não percebem que esta pergunta foi taxada como errada pelo próprio Jesus? A resposta de Jesus Cristo mostra quão errada é esta noção, quão deturpada é a doutrina que ensina que os filhos são castigados pelos pecados dos seus pais. Na verdade, o propósito pelo qual aquele homem havia nascido cego era para que na vida dele as obras poderosas de Deus fossem manifestadas. Ele havia nascido cego para que a glória de Deus fosse manifestada através da cura realizada por Jesus Cristo, a fim de que a sua pregação a respeito do Reino de Deus fosse credenciada diante das pessoas que o ouviam. Esta passagem não ensina nada sobre maldição hereditária a não ser uma única coisa: que esta doutrina é errada!

CONCLUSÃO

Alguns de nossos sofrimentos, como os de Jó, são para a glória de Deus, pois ou resultam em nosso próprio aperfeiçoamento ou em cura espetacular, como no caso do cego de nascença. O propósito de Deus nem sempre é conhecido por nós, mas devemos como cristãos ter a firme convicção de que o seu propósito é bom (Romanos 8.28).

Diante da reflexão aqui empreendida, deve restar a certeza de que Deus trata cada um segundo as suas próprias obras. Digo isso não com relação à salvação, pois se assim fosse, ninguém seria beneficiário da salvação, em virtude da mesma ser única e exclusivamente pela graça soberana do Deus do Pacto; mas esta afirmação tem a ver com a imposição de castigos temporais. Deus disciplinas aos filhos que tanto ama.

Devemos rejeitar toda e qualquer doutrina que vá contra a Palavra de Deus. No caso, uma doutrina que afirme que Deus visita a iniqüidade dos pais nos filhos é uma falsa doutrina e deve ser rejeitada e condenada como herética. Sempre existiram pessoas dispostas a afirmar isso, mas ultimamente tal afirmação ganhou força com a Igreja Universal do Reino de Deus, a qual, nós bem sabemos que é uma instituição que ensina outro evangelho, não o de Cristo. A orientação bíblica é para que rejeitemos também os falsos mestres, que na linguagem do apóstolo João são nada mais nada menos do que “enganadores” (2 João 7).

Em suma, a autoridade para resolver qualquer dúvida a respeito de crença e prática da Igreja é a Escritura Sagrada. Ela é a Palavra inerrante do Deus Todo-poderoso. Ouçamo-la.

SOLI DEO GLORIA!


[1] Jorge Linhares, Bênção e Maldição. Belo Horizonte: Getsêmani, s/d. p. 16.
[2] João Calvino, As Institutas ou Tratado da Religião Cristã, Livro I, cap. VIII, 19. p. 146.
[3]
Ibid. p. 147.
[4]
João Calvino, Instrução na Fé: Princípios Para A Vida Cristã. Goiânia: Logos, 2003. p. 23.[2] João Calvino, As Institutas ou Tratado da Religião Cristã, Livro I, cap. VIII, 19. p. 146.
[5] J. P. Willes,
Ensino Sobre O Cristianismo. São Paulo: PES, 2002. p. 177.

Fonte: [ Cristão Reformado ].
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A falência dos púlpitos brasileiros.

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Os púlpitos brasileiros encontram-se em petição de miséria.

Lamentavelmente, do Oiaopoque ao Chuí o que mais vemos são pregadores despreparados assumindo os púlpitos de suas igrejas. Na verdade, ouso afirmar que encontrar um bom pregador cuja teologia seja saudável é quase uma missão hercúlea. Confesso que estou cansado de ouvir pregações vazias, superficiais, materialistas, humanistas e triunfalistas, de gente que contraria totalmente o ensino bíblico.

Infelizmente o que mais se ouve em nossos púlpitos é "Você vai obter vitória", "Você é um vencedor", "tome posse da bênção", "Use a palavra para trazer à existência as coisas que não existem" e muito mais. Pois é, toda essa parafernália é oriunda das leis de visualização e reprogramação mental que vêm das filosofias e religiões orientais, carregadas também de aspectos inerentes ao Gnosticismo, heresia grega que exalta o conhecimento para a libertação do Homem. Se não bastasse isso, nossos púlpitos estão impregnados de falsos profetas que ensinam os valores da teologia liberal, pregando de forma desavergonhada que o diabo não existe, que a criação é um mito, que Jesus não fez milagres, que o Mar Vermelho não se abriu diante a ordem de Moisés e muito mais. Para piorar a situação, eis que surge no cenário brasileiro, teólogos do teísmo aberto, cujo ensino descaradamente afrontam as verdades bíblicas. Para tais individuos, o Senhor é um deus que abriu mão da sua soberania em prol do amor. Para esta gente transloucada o Deus da história se transformou num tipo de divindade EMO, que chora pelo sofrimento do homem, sem contudo, poder intervir nos dramas e dilemas da humanidade.

Caro leitor, acredito que essa loucura toda se deva em parte a dois fatores. Primeiramente ao fato inequívoco de que os nossos seminários teológicos encontram-se falidos.

Há pouco passei em frente a uma igreja evangélica deparando-me com uma faixa que dizia: "Venha estudar gratuitamente em nosso seminário teológico."

Confesso que ao ler o conteúdo da faixa fiquei intrigado de como aquela igreja de aparência simples, poderia custear um seminário teológico, até porque, como todos sabemos os custos e despesas relacionados a manutenção de um seminário não são nada baratos.

Pois é, assim como o seminário em questão, existem inúmeros seminários esparramados pelo Brasil, oferecendo aos evangélicos um curso básico de teologia. A questão é que boa parte destes seminários não possuem a menor condição de capacitar, formar e qualificar líderes ao ministério pastoral, isto sem falar é claro, de que não possuem em sua equipe pedagógica professores capazes de ensinar aos seus alunos os conceitos mais básicos da fé cristã. Em contra partida, os grandes seminários das igrejas históricas experimentam a mais profunda crise ensinando em suas classes heresias sutis e destruidoras. Se não bastasse isso, tais seminários são tendenciosos ao extremo pregando aos seus alunos as aberrações do liberalismo teológico ou defendendo com unhas e dentes uma volta litúrgica ao século XVI, cujo fundamentalismo é a principal caracteristica.

Para piorar a situação, a maioria dos seminários abandonaram a confessionalidade, ensinando conceitos dúbios e confusos aos seus também confusos alunos. Em nome de uma fé interdenominacional, negocia-se a sã doutrina, o que por consequinte, contribui em muito para a idiotização da igreja de Cristo.

Quanto aos professores, o que se percebe é que ainda que possuam formação acadêmica, suas doutrinas não possuem uma linha teológica definida. Sinceramente confesso que não entendo como liberais dão aula em seminários confessionais, ou como neopentecostais ministram em seminários reformados e calvinistas. Para agravar mais a situação, boa parte destes professores ensinam um evangelho humanista, cuja ênfase principal é a psicanálise e auto-ajuda.

Em segundo lugar, acredito que o fato das Escrituras Sagradas terem deixado de ocupar o centro dos nossos cultos contribuiu em muito para a multiplicação de heresias e distorções teológicas. Infelizmente, a baqueta tomou o lugar da exposição da Palavra de Deus, a música ocupou o espaço que deveria ser destinado ao ensino bíblico, o que por consequinte, porporcionou o aparecimento de um novo tipo de evangelho, cujo foco principal é satisfação do homem.

Pois é, como já escrevi anteriormente creio que boa parte dos nossos problemas eclesiásticos se deve ao fato de termos abandonado a margem da existência as Escrituras. Não tenho a menor dúvida de que somente a Bíblia Sagrada é a suprema autoridade em matéria de vida e doutrina; só ela é o árbitro de todas as controvérsias, como também a norma para todas as decisões de fé e vida. É indispensável que entendamos que a autoridade da Escritura é superior à da Igreja, da tradição, bem como das experiências místicas adquiridas pelos crentes. Como discípulos de Jesus não nos é possível relativizarmos a Palavra Escrita de Deus, ela é lâmpada para os nossos pés e luz para os nossos caminhos.

O reformador João Calvino costumava dizer que o verdadeiro conhecimento de Deus está na Bíblia, e de que ela é o escudo que nos protege do erro.

Prezado amigo, em tempos difíceis como o nosso precisamos regressar à Palavra de Deus, fazendo dela nossa única regra de fé, prática e comportamento, até porque, somente assim consiguiremos corrigir as distorções evangélicas que tanto nos tem feito ruborizar.

Soli Deo Gloria,

Renato Vargens
Fonte: [ Blog do autor ]
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Carta aos Senadores da República - PLC 122/06

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Conforme a agência de notícias do Senado, a senadora Marta Suplicy relatora do Projeto de Lei da Câmara (PLC) 122/06 que trata da criminalização da discriminação por gênero e orientação sexual, deseja submeter o projeto a votação na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) nesta quinta-feira (12).

Diante do que aconteceu recentemente no STF e diante do que pode estar em vias de acontecer no legislativo, creio que nos cabe como cristãos fazer duas coisas: orar e trabalhar. No que diz respeito ao trabalho, uma das coisas que podemos fazer neste momento é enviar uma carta aos senhores senadores que fazem parte da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH).

Abaixo oferecemos um modelo que você pode utilizar. Esta carta foi escrita pelo pr. Mauro Meister, que nos permitiu usá-la. Copie e cole o texto abaixo, mas não esqueça de colocar: sua função (se desejar), seu nome e rg.

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Excelentíssimo Senador da Republica,

Sou cidadão brasileiro e tenho os senhores por legítimos representantes do povo deste país no poder legislativo. Exerço a função de (coloque aqui sua função). A Comissão de Direitos Humanos do Senado está prestes a votar sobre o PLC 122, sobre o qual os senhores deverão posteriormente votar em plenário.

Por meio desta mensagem quero deixar a minha opinião. Creio que todo o cidadão deve ser protegido pela força da lei e de nossa Constituição Federal e que nenhum cidadão ou estrangeiro deve ser discriminado. Isto é o que mantém o estado de direito e faz com que tenhamos, de fato, um pais livre, em todas as necessárias liberdades, inclusive a liberdade de expressão. O artigo 5º de nossa constituição já garante isto:

"Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

(...)
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;
VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva;
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;"

A questão é que o proposto PLC 122 fere a nossa Constituição e o direito da liberdade de expressão e cria uma classe especial de cidadãos. Em que pese o fato de nosso estado ser laico, a liberdade religiosa no Brasil é protegida e faz parte do nascedouro da nossa nação. O PL 122 é uma ameaça a liberdade religiosa, à liberdade de consciência e à liberdade de expressão.

Assim, solicito, apesar das muitas funções e atividades, que este projeto seja objeto de sua especial atenção e apreciação. O povo brasileiro deve ser devidamente representado e considerado e não simplesmente um lobby de minoria que pretende calar a boca daqueles que não concordam com sua postura, ainda que respeitem seus direitos como cidadãos.


Atenciosamente,
(Coloque aqui seu nome)
RG: (o número de seu rg)
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A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) é composta por 19 senadores titulares e 19 suplentes (para ver a lista clique aqui). Mas no momento existem 15 nomes entre os titulares e 15 entre os suplentes. Por via das dúvidas o ideal é mandar a carta para todos eles. Abaixo você tem o nome de cada um deles com seus respectivos emails. Se puder envie a carta para todos eles.

Titulares
Ana Rita (PT) - ana.rita@senadora.gov.br
Marta Suplicy (PT) - marta.suplicy@senadora.gov.br
Paulo Paim (PT) - paulopaim@senador.gov.br
Wellington Dias (PT) - wellington.dias@senador.gov.br
Magno Malta (PR) - magnomalta@senador.gov.br
Cristovam Buarque (PDT) - cristovam@senador.gov.br
Pedro Simon (PMDB) - simon@senador.gov.br
Garibaldi Alves (PMDB) - garibaldi@senador.gov.br
João Alberto Souza (PMDB) - joao.alberto@senador.gov.br
Sérgio Petecão (PMN) - sergiopetecao@senador.gov.br
Paulo Davim (PV) - paulodavim@senador.gov.br
Ataídes Oliveira (PSDB) - ataides@senador.gov.br
Demóstenes Torres (DEM) - demostenes.torres@senador.gov.br
Mozarildo Cavalcanti (PTB) - mozarildo@senador.gov.br
Marinor Brito (PSOL) - marinorbrito@senadora.gov.br

Suplentes
Angela Portela (PT) - angela.portela@senadora.gov.br
Gleisi Hoffmann (PT) - gleisi@senadora.gov.br
Humberto Costa (PT) - humberto.costa@senador.gov.br
João Pedro (PT) - joaopedro@senador.gov.br
Vicentinho Alves (PR) - vicentinho.alves@senador.gov.br
João Durval (PDT) - joaodurval@senador.gov.br
Lídice da Mata (PSB) - lidice.mata@senadora.gov.br
Geovani Borges (PMDB) - geovaniborges@senador.gov.br
Eunício Oliveira (PMDB) - eunicio.oliveira@senador.gov.br
Ricardo Ferraço (PMDB) - ricardoferraco@senador.gov.br
Wilson Santiago (PMDB) - wilson.santiago@senador.gov.br
Eduardo Amorim (PSC) - eduardo.amorim@senador.gov.br
Cyro Miranda (PSDB) - cyro.miranda@senador.gov.br
José Agripino (DEM) - jose.agripino@senador.gov.br
Randolfe Rodrigues (PSOL) - randolfe.rodrigues@senador.gov.br

Para ter uma lista só com o endereço de email dos senadores da comissão, para copiar e colar, clique aqui:

A idéia é enviar esta mensagem curta e que tem mais chance de ser lida pelos senadores, ainda mais seu suas caixas de email ficarem lotadas com a mesma. Por isso, é importante não somente que você envie a carta, mas também ajude a divulgar esta campanha nas redes sociais e também em blogs que você administre.

Comunicamos que o Projeto Romanos 13 tem um grupo de discussão no facebook no qual desejamos definir as bases do projeto e sua aplicação a fim de articularmos uma ação política mais organizada por parte de cristãos de confissão reformada. Se você deseja participar, clique aqui ou deixe um comentário comunicando seu desejo.

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Fonte: Projeto Romanos 13
Extraído de: [ Blog dos Eleitos ]
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Como era a Inglaterra em que Spurgeon pregou

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Por I. Murray

É impossível avaliar a significação da vida de C. H. Spurgeon sem conhecer algo das condições do país no tempo em que o seu ministério começou, em meados do século dezenove. O cristianismo protestante era mais ou menos a religião nacional; o domingo era observado rigorosamente; as Escrituras eram respeitadas; e, fora os milhares de pessoas não sensibilizadas de algumas das maiores cidades, a freqüência à igreja era costume geral. Essas coisas eram aceitas tão comumente e, segundo se via, tão entrincheiradas, que as mudanças que daí em diante varreram a nação eram tão remotas para a mente vitoriana média como os automóveis e os aviões. Contudo, não é preciso demorar muito num exame para ver no cristianismo que prevalecia na década de 1850 alguns sinais muito pouco parecidos com o que vemos no Novo Testamento - era muito elegante, muito respeitável, e estava em demasiada paz com o mundo. Era como se textos semelhantes ao que diz "o mundo inteiro jaz no maligno" (1 João 5:19, ARA) já não fossem certos.

A Igreja não tinha falta de riqueza, nem em homens, nem em dignidade, mas lamentavelmente lhe faltavam unção e poder. Havia a tendência geral de esquecer a diferença entre o saber humano e a verdade revelada pelo Espírito de Deus. A eloqüência e a cultura não eram raras nos púlpitos, porém era marcante a ausência da espécie de pregação que quebranta o coração dos homens. Talvez o pior de todos os sinais fosse o fato de que poucos estavam despertos para essas coisas. A Igreja era exteriormente próspera, o bastante para contentar-se em manter a rotina dos anos passados. Um escritor contemporâneo, lamentando esse formalismo insípido, observou: "O pregador fala durante o seu tempo habitual; o povo fica sentado pacientemente quanto necessário, talvez; canta-se o número de estrofes usuais, e assim se termina a atividade do dia; em geral não há nada mais que isso. Ninguém pode negar que esta é, nem mais nem menos, uma simples exposição do real estado em que se encontra a maioria das nossas igrejas na atualidade. Se o pregador deixar cair seu lenço no seu hinário, ou der um murro um pouco mais forte do que o comum com o punho eclesiástico, isso será notado, lembrado e comentado, ao passo que haverá nada menos que o total esquecimento do assunto e a natureza do tema discutido".

Spurgeon logo se pôs a atacar, numa linguagem mais direta, esse tradicionalismo sem vida. "Vocês pensam que porque uma coisa é antiga, por isso deve ser venerável. Vocês são amigos de antiqualha. Vocês não consertam a estrada porque o seu avô dirigia a carroça pelo sulco que lá está. "Deixem-na lá como sempre esteve", vocês dirão, "deixem-na assim, como sulco fundo até o joelho." Seu avô não passava por lá quando o sulco, cheio de lama, dava nos joelhos? E por que vocês não fariam o mesmo? Era suficientemente bom para ele; é suficientemente bom para vocês. Vocês sempre se acomodaram bem em seus bancos na capela. Nunca viram um avivamento; e não querem vê-lo".

Os segmentos evangélicos (bíblicos) não escaparam às tendências dominantes na época. A obra de Whitefield e a de Wesley eram admiradas, mas pouco seguidas. As lâminas cortantes da verdade evangélica tinham sido abrandadas aos poucos. As ásperas doutrinas metodistas, que tinham aba­lado o país um século antes, não foram abandonadas - e uns poucos ainda as apregoavam fervorosamente - porém o sentimento geral era que na era vitoriana necessitava-se de uma apresentação mais refinada do evangelho.

Com essa generalizada maneira de ver as coisas, era inevitável que a precisa e forte teologia reformada da Inglaterra dos séculos 16 e 17 não gozasse nenhum favor. O historiador da Reforma Merle d'Aubigné, de Genebra, em visita a este país em 1845, declarou que se viu forçado a perguntar a si mesmo: o puritanismo "ainda existe na Inglaterra? Não terá caído sob a influência dos desenvolvimentos nacionais e do escárnio dos romancistas? Seria necessário, enfim, voltar ao século 17 para encontrá-lo? Não obstante, é verdade que alguns dos líderes evangélicos do país, particularmente os mais velhos, estavam profundamente preocupados com as condições espirituais das igrejas. John Angell James, por exemplo, que fora ministro da famosa Igreja Congregacional de Carr's Lane, Birmingham, a partir de 1805, escreveu em 1851: "O estado da religião em nosso país é baixo. Creio que nunca preguei com menos resultados salvadores desde quando me tornei ministro; e essa é a situação de muitos outros. Essa é uma queixa geral". Se essas coisas eram verdadeiras com relação ao país em geral, eram particularmente verdadeiras com relação a Lon­dres, e a Capela Batista da Rua do Novo Parque, situada numa "obscura e suja" região, próxima da margem sul do Tâmisa, em Southwark, não era exceção. Os membros da igreja tinham uma grande história, que se estendia até ao século 17, todavia agora os restantes eram como os barcos largados ali perto, na lama, na maré baixa. Durante alguns anos estiveram em declínio, e o grande e bem adornado edifício, construído para acomodar cerca de mil pessoas sentadas, tinha três quartos dos seus bancos vazios. Esse foi o cenário com o qual se defrontou o jovem de Essex, com dezenove anos de idade, quando subiu pela primeira vez ao púlpito da Capela da Rua do Novo Parque na fria e sombria manhã de 18 de dezembro de 1853. Foi a primeira vez que se ouviu a voz de Spurgeon em Londres, porém quase imediatamente ele foi chamado para iniciar um pastorado que haveria de continuar por trinta e oito anos, até sua morte, em 31 de janeiro de 1892.

Fonte: [ C. H. Spurgeon ]
Via: [ Ministério Batista Beréia ]

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Manifesto do pastor Daniel Sampaio contra a união homoafetiva

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Podemos discordar, concordar… mas certas coisas não dá para ignorar. Impossível negar, por exemplo, que a decisão do Supremo foi de um SUPREMO DESPOTISMO. Inconstitucional.

Fonte: [ Púlpito Cristão ]
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O Espirito Calvinista e o Espírito Brasileiro

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Por Antônio Carlos Costa
Há algum tempo chegou-me às mãos o livro – A Riqueza e a Pobreza das Nações, escrito por David S. Landes, professor emérito de história e economia política na Universidade de Harvard. Seu propósito ao escrever foi o de tentar responder a difícil e necessária questão: por que algumas nações são ricas e outras são pobres?

Landes, pôde perceber nas suas pesquisas, que há certa uniformidade no comportamento das nações pobres e das nações ricas. Esses destinos diferentes não podem ser atribuídos ao acaso. Existem razões para a riqueza e a pobreza dos povos. Estas explicações têm relação direta com o nível de assimilação por parte dessas mesmas nações de certas leis, que são conducentes ao desenvolvimento de um país. Ao mesmo tempo, leis que se não forem respeitadas, fazem com que países inteiros paguem um tributo social altíssimo.

Sendo assim, convém salientarmos o primeiro ponto: nessa busca por explicações com base na realidade dos fatos, o escritor da renomada universidade, encontrou um comportamento uniforme, conforme já mencionei, tanto nas nações que se tornaram ricas, quanto nas nações que se tornaram pobres. As causas são múltiplas - clima, geografia, papel do estado, educação, abertura intelectual, curiosidade, espírito empreendedor, capacidade de aperfeiçoar as coisas, iniciativa privada, entre outros tantos fatores mais. Entre eles, a religião. É este o ponto que gostaria de enfocar.

Nas suas análises comparativas entre os povos ricos e pobres, Landes encontrou diferenças em termos de prosperidade entre as próprias nações européias. Essas diferenças não fazem parte apenas dos contrastes existentes entre primeiro, segundo e terceiro mundo. Elas existem na Europa. Chamou sua atenção o fato do sul do continente europeu não ter alcançado o mesmo tipo de progresso que foi atingido pelo norte. Como explicar o atraso de Portugal e Espanha (agora minimizado pela inclusão de ambos na União Européia)? Nações que um dia foram as donas dos oceanos. Exploradoras de territórios imensos no mundo todo. Não se curvando a tese de que o clima representa a melhor explicação (já que há diferenças climáticas entre ambas as regiões, o norte mais frio do que o sul) – “Esses estereótipos contêm um grama de verdade e um quilo de pensamento indolente”, Landes acredita que a melhor solução para questão tem relação com a emergência do protestantismo, especialmente o de linha calvinista na Europa setentrional.

O escritor americano começa por mencionar a explicação dada pelo cientista social alemão Max Weber. Ao publicar em 1904-1905 – A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, Weber expressou o seguinte ponto de vista, apresentado resumidamente por Landes: “o protestantismo – mais especificamente, suas ramificações calvinistas – promoveu a ascensão do capitalismo, ao definir e sancionar uma ética de comportamento cotidiano que conduzia ao sucesso nos negócios”. Para Landes, o calvinismo produziu um código secular de comportamento: trabalho perseverante, honestidade, seriedade, uso parcimonioso do dinheiro e do tempo (ambos concedidos por Deus) – “Todos esses valores ajudam os negócios e a acumulação de capital, mas Weber sublinhou que o bom calvinista não visa às riquezas... a tese de Weber é que o protestantismo produziu um novo tipo de homem de negócios, um diferente tipo de pessoa, que tinha por objetivo viver e trabalhar de um certo modo. Esse modo é que era importante e a riqueza seria, quando muito, um subproduto”.

Landes menciona como exemplo, as atitudes protestante e católica em relação aos jogos de azar no começo do período moderno: “Ambas o condenaram, mas os católicos condenaram-nos porque uma pessoa poderia perder (perderia) e nenhuma pessoa responsável comprometeria seu bem-estar e o de outros dessa maneira. Os protestantes, por outro lado, condenaram os jogos porque uma pessoa poderia ganhar, e isso seria ruim para o seu caráter”. Ele traz a memória de todos, o ponto de vista sobre a ética puritana do historiador social inglês R. H. Tawney no seu livro – Religião e Ascensão do Capitalismo: “Esta protegeu os comerciantes e fabricantes contra as pedras e flechas de desprezo das classes altas e seus códigos de bom-tom. Deu-lhes um sentimento de dignidade e virtude, um escudo num mundo de preconceitos anticomerciais. E assim, não cedendo a tentação do ócio aristocrático, os bons calvinistas mantiveram-se fiéis à sua tarefa de geração para geração, acumulando riqueza e experiência pelo caminho”.

Já o sociólogo Robert K. Merton, argumentou a favor da existência de um vínculo direto entre o protestantismo e o nascimento da ciência moderna. Landes lembra que não foi Merton o primeiro a defender essa tese – “No século XIX, Alphonse de Candolle, de uma família huguenote de Genebra, procedeu a um levantamento segundo o qual dos 92 membros estrangeiros eleitos para a Academia de Ciências francesa no período de 1666-1866, 71 eram protestantes, 16 católicos e os cinco restantes judeus ou de filiação religiosa indeterminada – isto numa população de 107 milhões de católicos e 68 milhões de protestantes fora da França. Uma contagem semelhante de membros estrangeiros da Royal Society de Londres em 1829 e 1869 mostrou igual número de católicos e protestantes num conjunto em que os católicos superavam numericamente os protestantes em mais de três para um”.

Para os que julgam as teses de Weber implausíveis ou inaceitáveis, Landes apela para os dados empíricos sacados da história: “... a documentação nos mostra que mercadores e fabricantes protestantes desempenharam um papel destacado no comércio, nos negócios bancários e na manufatura. Nos centros fabris (fabriques) da França e da Alemanha Ocidental, os protestantes eram tipicamente os empregadores, e os católicos os empregados. Na Suíça, os cantões protestantes eram os centros da indústria manufatureira de exportação (relógios, maquinaria, têxteis); os católicos eram primordialmente agrícolas. Na Inglaterra, que em fins do século XVI era preponderantemente protestante, os dissidentes (leia-se calvinistas) eram ativos e influentes, de um modo desproporcional, nas industrias fabris e nas forjas da nascente Revolução Industrial”.

Landes não se contenta apenas com a apresentação das provas empíricas. Ele parte para o nível teórico também: “A questão essencial consiste, com efeito, na criação de um novo tipo de homem – racional, metódico, diligente, produtivo. Essas virtudes, embora nada tivessem de novas, tampouco se podia dizer que fossem moeda corrente. O protestantismo generalizou-as entre os seus adeptos, que julgavam uns aos outros pela conformidade a esses padrões... características especiais dos protestantes refletem e conformam essa ligação... a ênfase sobre a instrução e a cultura, tanto para moças quanto para rapazes. Isso era um subproduto da leitura da Bíblia. Esperava-se que os bons protestantes lessem a Sagrada Escritura para si mesmos. (À guisa de contraste, os católicos foram catequizados mas não tinham que ler, e eram explicitamente desencorajados a ler a Bíblia.) O resultado: maior número de pessoas instruídas e um maior pool de candidatos para a escolaridade de níveis superiores; também maior garantia de continuidade de instrução de geração para geração. Mães instruídas fazem a diferença”.

Foi impossível continuar a leitura do livro sem parar para pensar no Brasil. E temos que admitir – parar para pensar sobre o Brasil é parar para pensar sobre a história de um dos maiores desperdícios que a humanidade já viu. Desperdício de terra, beleza natural, circunstâncias históricas favoráveis e patrimônio humano. Sim, o Brasil é um desperdício. Desperdício de terra. Poluímos nossos rios, sujamos nossas praias, devastamos nossas florestas. Desperdício de beleza natural. Parte do que era belo se tornou feio ao ter contato com o povo brasileiro. Nossas cidades não estão à altura da formosura da natureza que nos cerca. São cidades sujas, sem graça, mal planejadas e cercadas de favelas. Desperdício de circunstâncias históricas favoráveis. Não passamos por nenhuma tragédia natural, nossa nação jamais soube o que significa ter que se erguer da devastação de uma guerra, nossos campos jamais se recusaram dar-nos o pão. Encontramos, contudo, pessoas vivendo na miséria no Brasil. A nação onde mais se mata, onde pune-se menos. A primeira em defasagem social. Não há país com tamanho fosso entre ricos e pobres. Desperdício de patrimônio humano. Somos milhões. Resultado de uma história da miscigenação racial das mais lindas da trajetória humana. Alemães, italianos, japoneses, portugueses, árabes, índios, africanos, poloneses, todos morando num mesmo país, falando uma mesma língua, casando uns com os outros e trazendo para nosso país toda sua riqueza genética e cultural. Mas, percebe-se que no contato com a nossa terra as coisas parecem se atrofiar. São milhões de brasileiros que recusam-se a estudar. Uma perda irreparável de neurônios. Domesticados por uma cultura que ensina a mentir, a ser impontual, a deixar para amanhã o que deve ser feito hoje, a trabalhar de modo desleixado, entre tantas mazelas mais que envergonham, ou deveriam envergonhar a todos nós.

Jogamos a culpa na genética (como se fôssemos uma sub-raça), na globalização (como se ela fosse responsável pelo desabamento do metrô de São Paulo e da marquise de um hotel em Copacabana), nos países desenvolvidos (quando vemos a Coréia do Sul e o Chile não precisando se fazer valer dessa espécie de racionalização), na colonização (como se os portugueses tivessem deixado de conduzir os rumos do país no mês passado), em karma (crença infeliz, que nos leva a dizer que nessa vida pagamos pelos erros praticados numa vida da qual não nos lembramos). Em suma, nos recusamos a encarar nossas deformidades. Julgamo-nos o povo gente boa, apesar de sermos os campeões mundiais em assassinato e disparidade social.

Não há como deixar de pensar na igreja. Os evangélicos. Povo ao qual pertenço e que Deus usou para levar-me a Cristo. Por que a igreja evangélica brasileira tem se demonstrado incapaz de salvar o brasileiro do Brasil? Qual a razão de vermos em nossas igrejas pessoas mais brasileiras do que cristãs? Onde estão os resultados históricos que costumam fazer parte da passagem do protestantismo por uma nação?

Quero dizer que tenho esperança. Eu não estou aqui para reclamar da vida. Não suporto a crítica que não vem acompanhada de resposta. Não é da essência da fé cristã fazer apresentação de problemas sem apresentar esperança. Minha esperança consiste no sonho de um dia ver o calvinismo - "o cristianismo que se achou" - entrar no sangue do povo evangélico brasileiro. Nesse dia a igreja haverá de ser salva do Brasil e o Brasil salvo de si mesmo.

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Antônio Carlos Costa é pastor da Igreja Presbiteriana da Barra, Presidente do Rio de Paz e há dez anos apresenta o programa de televisão Palavra Plena.
Fonte: [
O Observador Cristão ]
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As Nossas Melhores Piores Desculpas…

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As Nossas Melhores Piores Desculpas

Por Rev. Jáder Borges

…eu nunca ouvi falar de alguém que tenha
machucado o cérebro enquanto pensava.

À hora da ceia, enviou o seu servo para avisar aos convidados: Vinde, porque tudo já está preparado. Não obstante, todos, à uma, começaram a escusar-se. Disse o primeiro: Comprei um campo e preciso ir vê-lo; rogo-te que me tenhas por escusado. Outro disse: Comprei cinco juntas de bois e vou experimentá-las; rogo-te que me tenhas por escusado. E outro disse: Casei-me e, por isso, não posso ir. (Lucas 14.17-20)

Eu sempre li esta parábola do Senhor Jesus impressionado com as desculpas ou motivos arranjados para a não participação no banquete. Pareceu que todos os convidados aceitaram e não vimos ninguém que tivesse declinado. O anfitrião enviou a informação que eles poderiam vir, porque estava tudo preparado. Aí foi quando começaram as desculpas. De tantas lições que o texto proporciona, pensei sobre as desculpas que arrumamos para não realizarmos como deveríamos o evangelismo, sendo este pessoal ou nas diversas possibilidades públicas. Creio que no início da caminhada cristã a maioria dos crentes comprometeu-se com o Senhor em evangelizar; em falar do seu amor, do seu poder e da Sua maravilhosa pessoa. E penso que muitos fizeram isso. Mas depois… o evangelismo foi parando, tanto na prática como na ênfase, que nem é mais dada em muitos púlpitos sobre esta importante ação da Igreja e de cada crente. Assim, já percebo de Norte a Sul membros que não evangelizam, ou pior: nem sabem o que venha a ser isto, na prática, como fizeram os crentes de não muito tempo atrás. Será que a liderança e seus pastores não deveriam rever algumas prioridades? Quais seriam algumas das nossas desculpas para não participarmos deste banquete, principalmente quando temos o privilégio de levar comida que alimenta e sustenta a alma dos famintos?

Recife, início dos anos 1980

Augustus Nicodemus, que eu conheci quando ainda não tinha barba, foi um líder de jovens impressionante e que incentivou muita gente. Fez parte da equipe de acampamentos no Palavra da vida Nordeste e ali sempre nos exortava a trabalhar por Cristo. Aí, Augustus iniciou um evangelismo em um bairro de Olinda chamado Ouro Preto, que contava com uma população imensa de jovens e entre estes, muitos drogados ou envolvidos em vícios. Eu ainda era novo convertido e acabara de ler o livro “A Cruz e o Punhal”, do recém-falecido pastor David Wilkerson, de modo que ocorreram quatro coisas que me deixavam “sem saída”: o evangelho de Cristo estava pulsando em meu coração e se espalhando pelas veias; a Organização Palavra da Vida sempre nos incentivava a evangelizar, a leitura do livro de Wilkerson muito me impactara e Augustus nos incentivava, indo conosco, tocando violão e pregado a muitos daqueles jovens de Olinda. Só tinha um “problema”: a evangelização que fazíamos naquelas tardes (e que entrava tantas vezes pela noite) coincidia com o horário do nosso bate-bola, que eu amava tanto. E agora, ir a qual campo?

Fiz a escolha certa e fui ao campo missionário de Ouro Preto, começando a falar de Cristo na minha Jerusalém (Recife) e indo até Samaria (Olinda… e olhe que eu ainda não cheguei até os confins da terra), vendo milagres de salvação e conversão acontecendo entre rapazes e moças, alguns dos mais malucos do pedaço.

Como fez bem à minha iniciante vida cristã sair para evangelizar! Eu nunca orei tanto; dependi tanto do Espírito Santo e estudei tanto a Palavra, pois, eram tantas as perguntas e tantos os conflitos que surgiam, que eu sempre respondia aos que me indagavam com um: “espera aí que eu vou estudar sobre este assunto e na semana que vem em volto”. E voltava, e respondia… e sempre aprendia! Aprendi a confiar em Deus enquanto evangelizava.

Até hoje, passados 30 anos daqueles dias das ruas de paralelepípedos desnivelados de Ouro preto eu procuro evangelizar: no ônibus, em uma fila para pagar uma conta; no avião… sempre que tenho alguém ao meu lado, faço daquela pessoa o meu alvo missionário e daquela poltrona ao meu lado, um campo missionário. Mas, confesso: ando entristecido, pois não estou vendo mais gente evangelizando. Nem pessoalmente, nem de púlpito e nem mais em praça pública. Nós que temos o evangelho da Graça de Deus, andamos nos esquivando… Não estamos falando de Cristo como deveríamos e poderíamos, através dos tantos recursos que temos. E aí, temos que arrumar mesmo desculpas para não evangelizar. Quais são as nossas “melhores”? Eu não sei quais são as suas, mas sejam elas quais forem para não evangelizar, elas serão sempre as piores.

…“Não tenho tempo” – Tempo nós temos. O que estamos fazendo com ele é outra coisa! A verdade é que temos perdido muito tempo e, com isso, muitas vidas. Vejo hoje, por exemplo, muitos pastores jovens querendo “conquistar” diplomas, procurando títulos, como mestrado, doutorado, etc e tal. Meu querido pastor jovem, o seu melhor diploma são vidas salvas. Seu melhor mestrado? No campo e na prática. É praticando que a gente vai afiando a espada e fiando a fé em Cristo, sempre. Vejam bem, vocês, que eu não sou contra o estudo. Sou contra o fazer do estudo, do título, do diploma uma obsessão; um ídolo, pois, no final, é isso que ele é ou termina sendo. Infelizmente conheço jovens pastores – e pastores velhos, também – que têm mais diplomas na parede do que filhos na fé. Não ter tempo para evangelizar é um mau início de ministério. “Ah Jáder, mas espere aí? Eu sou pastor-mestre e não, evangelista!” E eu lhe diria: antes de ser pastor eu sou crente, salvo, perdoado e comissionado. Eu não preciso ser pastor para falar de Cristo. Mas, como pastor eu também devo falar de Cristo aos perdidos. Como pastor, eu devo sair com as minhas ovelhas ao campo, para que elas falem de Cristo. Um dia desses eu tive o privilégio de sair com as crianças da nossa UCP (União de Crianças Presbiterianas) pelo bairro, distribuindo folhetos. Fomos com uma turma de 30 pessoas (um adulto para cada 4 crianças) e distribuímos porções da Palavra de Deus. Foi tão bom! Fizemos contato com tanta gente! E muitos vizinhos agradeceram. Portas foram abertas. Querido irmão, seja você pastor ou não, todos deveríamos evangelizar mais. E melhor! David Livingstone dizia que ‘Deus tinha um único Filho e fez dEle um missionário’. E Jesus mesmo dizia: “vamos a outros lugares, às povoações vizinhas, a fim de que eu pregue também ali, pois para isso é que eu vim” (Mc 1.38). E o texto segue dizendo que o Senhor Jesus foi por toda a Galiléia…(Mc 1.39). Enfim: crente – seja ele quem for – que não tiver tempo para evangelizar, deve urgentemente rever a sua agenda e as suas prioridades, pois está é perdendo tempo.

…“Não tenho recursos” – Tem. Todos os que precisa para evangelizar. Vivemos em um país livre! Saturado de ‘mercadores da Palavra’, é verdade, mas totalmente carente do evangelho de Cristo. Você sempre encontrará alguém carecendo do evangelho de Cristo, muito mais do que um sedento carece de um copo d’água. E não demorará muito. É só começar. Não espere ter meios, julgando com isso, equipamentos, recursos financeiros, equipe de música, etc. O melhor meio você já tem: a Palavra de Deus. Abra, pregue, ouça as pessoas, fale… e você verá como a espada do Espírito é apta para chegar ao coração e trazer discernimento para todos que a ouvem e a quem o Senhor quer salvar! (Hb 4.12).

…“Vou dar oportunidade para outras pessoas”… – Tinha um membro de uma igreja que eu pastoreei que sempre vinha com esta desculpa: “pastor, agora eu vou dar oportunidade para outra pessoa”, quando queria largar a sua função na Igreja. Só que não tinha esta “outra pessoa”. Aí, ele entrava com a sua segunda e bem surrada desculpa: “...é que eu ando muito cansado”. E eu dizia: “irmão, e quem foi que disse que aqui é lugar de descanso?” Todos os verbos que eu vejo para aqui e para agora são: “arar”, “semear”, “combater”, “ir”, “defender”… “Descansar é um verbo nesta nossa causa aqui na terra”, dizia eu àquele irmão, “só para o Céu, meu querido. Aqui, é guerra. E em uma guerra eu vou com dupla missão: resgatar os feridos e arrebentados pela vida e fazer retroceder o inimigo. E isso não para nunca”!

Paremos nós com essa desculpa. A oportunidade foi Deus quem deu a mim e a você. E tome cuidado, pois o diabo “ama” crente que não evangeliza; “ama” crente que se acomoda e “aplaude” crente que se acovarda. Estes são os seus “crentes preferidos”… e se você não aproveita oportunidades, elas poderão ser desperdiçadas, e o sangue de muitos cairá sobre a terra e você destes terá que prestar contas ao Senhor (ver, Ez 3.18). “Ah, mas evangelizar dá muito trabalho”. Dá. Dá um trabalho enorme! Mas, quem foi que disse que no Reino de Deus não haveria trabalho certo? E mais: crente que não trabalha, acaba é dando trabalho.

…“Preciso me especializar mais em evangelização”. – Que bom que seja isso mesmo! Então, a melhor especialização em evangelização pessoal que eu conheço, é na prática. E não conheço outro e melhor meio e método. É ali que eu acerto ou erro; que eu vou me aprimorando, e orando, e estudando e decorando as Escrituras. Claro: leia o que puder, faça cursos… mas faça entre intervalos de evangelização. Eu mesmo conheço “um monte” de doutores em missiologia – para citar outro exemplo – que nunca foram ao campo missionário. Então, evangelizar é uma santa e doce prática, muito mais na prática! E quando a gente começa e pega gosto… que gosto bom tem na boca o falar de Cristo! E que alegria toma o coração da gente quando um pecador ora com a gente, entregando a sua vida a Cristo.

Evangelizar não é questão de diploma. É questão de diplomacia! De ir em nome do Senhor, como embaixador do Rei (ver, 2 Co 5.18-21;6.1,2).

…“Não estou evangelizando porque preciso ensinar doutrina” – Precisamos de doutrina, é verdade, principalmente nesses dias confusos. Como obreiros zelosos, muitos de nós denunciamos que quase ninguém mais prega sobre temas como “santidade”; “santificação”, “pecado”, “Céu e Inferno” e é verdade. Muitos sermões por aí são, no máximo, de ‘auto-ajuda’ ou pragmatistas em nome de uma religiosidade confusa e tantas vezes, oca. Mas eu não vejo como dissociar doutrina de evangelização. Os dois são aspectos muito importantes na vida, saúde e prática da Igreja. E pergunto: quando foi que as ovelhas na sua igreja ouviram uma pregação sobre a necessidade da evangelização? Ou, quando foi que com igual fervor, denunciamos a falta de sermões evangelísticos e que também orientassem os nossos irmãos a tal prática? A propósito, quando foi o seu último sermão evangelístico? Ah, precisamos de mais homens como George Whitefield em nossos púlpitos.

“…Vou orar”. – Que lindo! Mas que grande desculpa pode ser esta, quando fica só nisso: “vou orar” e nunca agir. Uma das formas que eu acho bonita na oração é que esta palavra em Português é bem significativa. Ore mesmo e ore muito, e nunca saia para evangelizar sem orar. Oração é primordial. Agora, é assim no evangelismo em nosso idioma: Ora… ação!

Ore e dependa. Ore e fale, Ore por aqueles com quem você compartilhou a sua fé em Cristo recentemente. Fale de Cristo em tempo e fora de tempo. Será sempre o melhor tempo este para o pecador, pois perdido, poderá ser achado. Culpado, poderá ser perdoado. Inimigo, poderá ser filho! E quem não gostaria de ouvir sobre isso?! Vá e pregue; vá e fale. Tem muita gente nesta cidade que Deus lhe colocou para falar de Cristo. Em tempo… qual foi o seu último filho/filha na fé? Quanto tempo faz que você ganhou alguém para Cristo? Quem você evangelizou esta semana?

Não se entristeça com as minhas palavras. Antes, tome fôlego e faça três coisas: a) ajoelhe-se e ore; b) volte à pratica deste amor por evangelização e missões e saiba: c) o Senhor Deus colocará alguém bem perto de você, quando você menos esperar, e este será o seu campo missionário.

Fale com sabedoria da Soberania de Cristo. E deixe os resultados com o Espírito Santo. É Ele quem convence e converte. Mas é você quem Ele quer e pode usar para testemunhar de Cristo. Você sabia que evangelizar é um mendigo contando a outro onde foi que ele encontrou pão? E o que não falta ao nosso redor são mendigos famintos.

A grande verdade é que não temos desculpas para não evangelizar. Falar de Cristo, este é o nosso maior privilégio. Para nós que somos salvos, e para os perdidos que poderão ser salvos por Deus.

Falemos de Cristo, Ele é o Salvador,
Senhor tão singular, do mundo o Criador.
Ele foi nos preparar, mansões celestiais.
Falemos de Cristo, mais e mais.

Fonte: [ Blog Fiel ]