Onde está Deus quando os desastres naturais acontecem?

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Por Heitor Alves

Em tempos de desastres naturais tais como terremotos, tsunamis, enchentes e tornados, surgem debates a respeito da relação que Deus tem com esses acontecimentos. Lembro-me dos terremotos no Haiti onde a blogosfera foi tomada por vários “porquês” disso, “porquês” daquilo. E o terremoto do Chile? A mesma ladainha: “onde está Deus que não vê isso?”, “onde está Deus que não vê aquilo?”. Sem falar nos desastres naturais que ocorrem em terras brasileiras como as enchentes no Nordeste, em Santa Catarina e no Rio de Janeiro. Deus é sempre questionado, gerando dúvidas com respeito a seu controle sobre a criação.

Agora a discussão ressurge com os recentes desastres de terremotos e tsunamis no Japão. Além disso, declarações do teísta aberto Ricardo Gondim abalaram a blogosfera com suas declarações antibíblicas e caóticas. Antibíblicas porque vai de encontro ao que a Bíblia fala a respeito do relacionamento de Deus com sua criação, que é uma relação íntima e que mantém controle sobre tudo. Caótica porque suas declarações pregam um conceito de um mundo desordenado, sem controle e desesperançoso a respeito de desastres naturais.

É desesperador saber que nós não temos nenhuma garantia de que o mundo não sucumba numa confusão geral dos elementos da matéria. A desordem é a única e terrível expectativa daqueles que acreditam em um Deus distante da sua criação, ou no mínimo, presente porém incapaz e impotente (ou pelo menos se nega a ser onipotente) em garantir o equilíbrio das ações da natureza.

Qual é mesmo a relação de Deus com sua criação? Existe mesmo um relacionamento ou Ele está divorciado dela? E se há um relacionamento, até que ponto vai esse relacionamento? Há algum controle? São essas as perguntas que irei tentar responder à luz da Bíblia.

A Bíblia desconhece o deus dos teólogos relacionais, cuja teologia nega a onipresença, a onipotência e a onisciência de Deus. A Bíblia fala exaustivamente na existência de um Deus presente em todos os lugares ao mesmo tempo, Poderoso sobre tudo e todos e que tem um conhecimento infinito de todas as suas criações. Deixaremos de lado, por hora, o assunto sobre a Onisciência e a Onipresença e trataremos apenas do ensinamento bíblico do controle que Deus tem sobre sua criação, mas especificamente sobre a matéria inanimada.

Deus tem o controle sobre a matéria inanimada

Respondendo à pergunta do título deste artigo, Deus está bem presente quando os desastres naturais acontecem. Ele não somente está presente, mas administra todos os eventos da matéria inanimada. A matéria, mesmo sendo inanimada (objeto sem vida, sem ânimo), existe para obedecer aos mandamentos e ordens de Deus. Isso é evidenciado já nos primeiros registros bíblicos da revelação divina:

Disse Deus: Haja luz; e houve luz. (...) Disse também Deus: Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num só lugar, e apareça a porção seca. E assim se fez. (...) E disse: Produza a terra relva, ervas que dêem semente e árvores frutíferas que dêem fruto segundo a sua espécie, cuja semente esteja nele, sobre a terra. E assim se fez. (Gn 1.3,9,11).

O que se afirma nos primeiros capítulos de Gênesis é confirmado por toda a Bíblia. Veja a declaração do salmista: “Pois ele falou, e tudo se fez; ele ordenou, e tudo passou a existir” (Sl 33.9).

Quando Deus diz que vai usar dos elementos da natureza para executar sua vontade, Ele está afirmando que tem controle sobre eles e que eles são agentes de Deus na execução da sua vontade. Veja, por exemplo, a autoridade de Deus sobre as águas:

Porque estou para derramar águas em dilúvio sobre a terra para consumir toda carne em que há fôlego de vida debaixo dos céus; tudo o que há na terra perecerá (Gn 6.17).

Se tudo o que Ele fala, se faz, então...

No ano seiscentos da vida de Noé, aos dezessete dias do segundo mês, nesse dia romperam-se todas as fontes do grande abismo, e as comportas dos céus se abriram, e houve copiosa chuva sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites (Gn 7.11,12).

Deus disse que derramaria água sobre a terra. Ele não apenas ameaçou, mas cumpriu o que disse mostrando que Ele tem o controle sobre a água que só cai em forma de chuva quando e onde Ele quiser.

E o que dizer do controle de Deus sobre as pragas no Egito? Bastou uma única ordem dEle para a luz se transformar em trevas, o rio em sangue, chover granizo, a ação dos gafanhotos, a morte por todo o Egito. Cada detalhe, cada ação da natureza meticulosamente calculada, agindo exatamente numa região delimitada pelo próprio Deus para que essas pragas não chegassem na região onde estava o seu povo. Sim, até mesmo o local da ação das pragas foi claramente delimitada por Deus! Tudo isso demonstra o absoluto controle de Deus sobre os elementos da natureza:

E Moisés estendeu o seu bordão para o céu; o SENHOR deu trovões e chuva de pedras, e fogo desceu sobre a terra; e fez o SENHOR cair chuva de pedras sobre a terra do Egito. De maneira que havia chuva de pedras e fogo misturado com a chuva de pedras tão grave, qual nunca houve em toda a terra do Egito, desde que veio a ser uma nação. Por toda a terra do Egito a chuva de pedras feriu tudo quanto havia no campo, tanto homens como animais; feriu também a chuva de pedras toda planta do campo e quebrou todas as árvores do campo. Somente na terra de Gósen, onde estavam os filhos de Israel, não havia chuva de pedras. (Êx 9.23-26).

Veja também a maravilhosa descrição do total controle de Deus na nona praga:

Então, disse o SENHOR a Moisés: Estende a mão para o céu, e virão trevas sobre a terra do Egito, trevas que se possam apalpar. Estendeu, pois, Moisés a mão para o céu, e houve trevas espessas sobre toda a terra do Egito por três dias; não viram uns aos outros, e ninguém se levantou do seu lugar por três dias; porém todos os filhos de Israel tinham luz nas suas habitações. (Êx 10.21-23).

Temos também a descrição do controle divino sobre o fogo:

Então, fez o SENHOR chover enxofre e fogo, da parte do SENHOR, sobre Sodoma e Gomorra. (Gn 19.24).

Deus ordenou e as águas do mar Vermelho se dividiram ao meio, de modo que os israelitas o atravessaram em terra seca. De novo, Ele ordenou e as águas retrocederam, destruindo os egípcios que perseguiam os israelitas. Com uma palavra da parte dEle, a terra abriu-se e Coré e sua companhia de rebeldes foram engolidos. A fornalha de Nabucodonosor foi aquecida "sete vezes" além de sua temperatura normal, e três dos filhos de Deus foram lançados ali; mas o fogo nem sequer lhes chamuscou as roupas, apesar de ter morto os soldados que os lançaram naquele temível lugar.

O Novo Testamento também testifica do poder de Deus sobre os elementos da criação. Vemos Jesus Cristo acalmando uma tempestade dando ordens ao vento e ao mar:

E ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: Acalma-te, emudece! O vento se aquietou, e fez-se grande bonança. (Mc 4.39).

Jesus ainda andou sobre o mar. Bastou uma palavra de Jesus e a figueira murchou e ao seu toque as enfermidades fugiam instantaneamente. Jesus demonstrou uma infinita habilidade com os elementos da natureza provando o seu absoluto controle sobre a criação inanimada.

E o que dizer dos corpos celestes? O governo divino sobre eles é igualmente soberano. Hoje sabemos que a terra gira em torno do sol, nos dando as quatro estações e determinando os dias dos anos. Sabemos também que há um movimento que faz a terra girar sobre o seu próprio eixo, nos dando as vinte e quatro horas do dia. Por que estou dizendo isso? Por que há um relato em 2 Reis de Deus retrocedendo a rotação da terra, fazendo com que a sombra no relógio de sol de Acaz retroceda dez graus para trás:

Ezequias disse a Isaías: Qual será o sinal de que o SENHOR me curará e de que, ao terceiro dia, subirei à Casa do SENHOR? Respondeu Isaías: Ser-te-á isto da parte do SENHOR como sinal de que ele cumprirá a palavra que disse: Adiantar-se-á a sombra dez graus ou os retrocederá? Então, disse Ezequias: É fácil que a sombra adiante dez graus; tal, porém, não aconteça; antes, retroceda dez graus. Então, o profeta Isaías clamou ao SENHOR; e fez retroceder dez graus a sombra lançada pelo sol declinante no relógio de Acaz. (2Rs 20.8-11).

Isaías pergunta a Ezequias se ele quer como sinal o adiantamento da sombra do sol. Ezequias responde que esse adiantamento da sombra já era um curso normal. Daí ele pede o mais difícil: que a sombra volte para trás. Que absurdo! O que Ezequias pede é que a terra gire para trás fazendo um movimento ao contrário do que ele já faz. Mas Deus como sendo Soberano sobre os astros celestes que Ele mesmo criou, fez exatamente isso. Pelo seu poder ordenou que a terra girasse no sentido contrário, provocando o retrocesso da sombra no relógio de Acaz.

Esse relato de Deus ordenando um movimento improvável da terra não é único na Bíblia. Há um outro relato onde Deus ordena a terra que simplesmente pare de girar. É isso mesmo. A terra parou de girar por uma ordem de Deus. Veja:

Então, Josué falou ao SENHOR, no dia em que o SENHOR entregou os amorreus nas mãos dos filhos de Israel; e disse na presença dos israelitas: Sol, detém-te em Gibeão, e tu, lua, no vale de Aijalom. E o sol se deteve, e a lua parou até que o povo se vingou de seus inimigos. Não está isto escrito no Livro dos Justos? O sol, pois, se deteve no meio do céu e não se apressou a pôr-se, quase um dia inteiro. Não houve dia semelhante a este, nem antes nem depois dele, tendo o SENHOR, assim, atendido à voz de um homem; porque o SENHOR pelejava por Israel (Js 10.12-14).

Josué suplicou ajuda divina no combate contra os amorreus. Provavelmente Josué percebeu que a batalha entraria para a noite, o que dificultaria bastante nessa batalha. Poderíamos achar algo absurdo o que Josué pediu, mas para Deus que controla os astros celestes nada é impossível. O sol e a lua pararam de girar. De acordo com o conhecimento que temos hoje, foi a terra que parou de girar juntamente com a lua.

Há ainda mais um relato impressionante de Deus agindo e controlando os elementos da natureza. Trata-se do seguinte texto:

Disse Gideão a Deus: Se hás de livrar a Israel por meu intermédio, como disseste, eis que eu porei uma porção de lã na eira; se o orvalho estiver somente nela, e seca a terra ao redor, então, conhecerei que hás de livrar Israel por meu intermédio, como disseste. E assim sucedeu, porque, ao outro dia, se levantou de madrugada e, apertando a lã, do orvalho dela espremeu uma taça cheia de água. Disse mais Gideão: Não se acenda contra mim a tua ira, se ainda falar só esta vez; rogo-te que mais esta vez faça eu a prova com a lã; que só a lã esteja seca, e na terra ao redor haja orvalho. E Deus assim o fez naquela noite, pois só a lã estava seca, e sobre a terra ao redor havia orvalho. (Jz 6.36-40).

Gideão queria uma “prova” de que Deus realmente livraria Israel dos midianitas. Gideão teve uma idéia: colocar um pedaço de lã no chão e pedir a Deus que o orvalho da noite caia somente em cima da lã e a terra fique seca. Deus, como tendo o controle da natureza, inclusive do orvalho, fez exatamente isso. Achando pouco, Gideão agora pede para que o orvalho caia por toda a terra e a lã fique seca. E vemos que Deus fez exatamente isso. Isso prova que Deus tem o total controle sobre os elementos da natureza, até mesmo controle do sereno!

Ele envia as suas ordens à terra, e sua palavra corre velozmente; dá a neve como lã e espalha a geada como cinza. Ele arroja o seu gelo em migalhas; quem resiste ao seu frio? Manda a sua palavra e o derrete; faz soprar o vento, e as águas correm. (Sl 147.15-18).

As mudanças nos elementos da natureza estão sujeitas ao controle soberano de Deus. É Deus quem retém a chuva e quem a dá, quando, onde, conforme e sobre quem Lhe apraz. Até mesmo os distúrbios atmosféricos são controlados pelo dedo de Deus.

Além disso, retive de vós a chuva, três meses ainda antes da ceifa; e fiz chover sobre uma cidade e sobre a outra, não; um campo teve chuva, mas o outro, que ficou sem chuva, se secou. Andaram duas ou três cidades, indo a outra cidade para beberem água, mas não se saciaram; contudo, não vos convertestes a mim, disse o SENHOR. Feri-vos com o crestamento e a ferrugem; a multidão das vossas hortas, e das vossas vinhas, e das vossas figueiras, e das vossas oliveiras, devorou-a o gafanhoto; contudo, não vos convertestes a mim, disse o SENHOR. Enviei a peste contra vós outros à maneira do Egito; os vossos jovens, matei-os à espada, e os vossos cavalos, deixei-os levar presos, e o mau cheiro dos vossos arraiais fiz subir aos vossos narizes; contudo, não vos convertestes a mim, disse o SENHOR. (Am 4.7-10).

Diante de tudo isso que vemos nas Escrituras Sagradas, a única conclusão que extraio é: Não! Deus não está ausente da criação. Deus não está longe! Ele está perto. Mas do que isso, Ele tem o controle total e soberano sobre a sua criação, administrando as ações de cada elemento da natureza desde o orvalho até o sol.

Deus governa a matéria inanimada. A terra, o ar, o fogo, a água, o granizo, a neve, os ventos, os mares, todos cumprem a palavra do seu poder e executam a sua soberana vontade.

Todo aquele que intentar imaginar que Deus não possui ou que se absteve de possuir controle total das ações da natureza, incorrerá num seríssimo desvio doutrinário e isso tem consequências desastrosas, pois se na teologia de uma pessoa não há espaço para um controle providencial de Deus sobre tudo, sua vida sofrerá as devidas consequências que são a falta de confiança e de esperança em situações de desastres naturais como temos visto no Japão e em tantos outros lugares.

Mesmo em meio de tantas tragédias, o meu coração ainda se acalma no Senhor sabendo que Ele está no controle de tudo e que nada fugirá ao seu controle. Que o deus de Gondim e de tantos outros seja destruído por causa da insuficiência do seu poder e pela inabilidade e impotência de suas mãos, por que o meu Deus, o Deus da Bíblia, esse sim é Poderoso para manejar com suas mãos toda a Sua criação nos dando esperança e confiança de um mundo organizado e controlado.

Soli Deo Gloria

Extraído do blog: [ Blog dos Eleitos ]
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Evangelicalismo, Movimento Carismático e Retorno à Roma

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Por John W. Robbins

O derramamento do Espírito Santo no Século XVI levou milhões de pessoas a redescobrirem a mensagem objetiva da Bíblia acerca da justificação somente pela fé. Essa doutrina invadiu e transformou a mente dos homens com o poder divino e mudou o curso da história. A Reforma Protestante foi fundada sobre a base da restauração da primazia, supremacia e total suficiência da Bíblia e da justificação pela fé.

Ninguém coloca em discussão o fato de a Reforma Protestante ter restabelecido completamente a pureza da fé e da prática que é apresentada na Bíblia. Nem sempre os Reformadores concordavam entre si. Nem sempre eram consistentes em cada área. Tampouco a igreja abandonara de vez todos os erros da Igreja/Estado Romana da Idade Média. Mas apesar das diferenças e das inconsistências, os Reformadores estavam totalmente unidos quanto à importância da Escritura e da justificação somente pela fé — seus significados objetivos e sua centralidade absoluta para a fé cristã.

Há uma tendência na natureza humana pecaminosa de afastar-se do Evangelho objetivo para o subjetivismo religioso, de deslocar o foco central de Cristo para a experiência cristã. Isso foi o que aconteceu na grande “decadência” da Igreja Primitiva. E a mesma evolução tem dado lugar entre os herdeiros do movimento protestante.

O Erro das Seitas

Antes ainda da saída de cena dos Reformadores, diferentes grupos ou seitas (defensores de ideais de igrejas livres) começaram a proliferar-se dentro do movimento protestante e a devastar as igrejas recém plantadas. Esses grupos diziam que Lutero havia feito um bom começo quando restaurou a doutrina da justificação pela fé, mas nutriam o sentimento de que ele ficara apenas no meio do caminho e que deveriam seguir adiante, rumo ao mais alto e ao mais profundo.

Mas Lutero compreendia que eles se equivocavam acerca das doutrinas-chave do Protestantismo — somente a Bíblia, e a justificação somente pela fé— e, no que lhe concernia, se estavam errados nestes pontos, em tudo estavam errados. “Seja quem for que se afaste do artigo da justificação não conhece a Deus, é um idólatra”, escreveu Lutero. “Uma vez removido este artigo, nada mais permanece senão o erro, hipocrisia, impiedade e idolatria, ainda que tenha aparência de estar à altura da verdade, da adoração a Deus, santidade etc..” (What Luther Says [Concordia Publishing House, 1959], Vol. II, 702-704).

Os mestres sectários não negavam a justificação como um passo inicial na vida cristã. O erro deles residia no antigo descaso da justificação como se fosse aquilo sobre o que o crente dá inicio e depois passa para coisas superiores. Com isso, a justificação pela fé nem de longe ocupava uma posição central. O foco deles afastava-se para além da obra de Cristo para a ação deles próprios, do objetivo para o subjetivo.

No tempo dos reformadores, os munzeristas e os anabatistas radicais exaltavam grandemente a obra e os dons do Espírito. O clamor deles era, “O Espírito! O Espírito!” mas Lutero respondia, “eu não seguirei para onde o espírito deles lhes dirige”. Eles separavam o Espírito da Palavra, da Escritura. Eram os carismáticos do Século XVI.

Lá, então, encontramos Osiander. No inicio ele foi discípulo e colaborador de Lutero, mas rompeu com o ensino da Reforma da justificação por imputação (externa) da justiça e começou a ensinar que o crente é justificado pela habitação de Cristo e pela sua justiça essencial disso decorrente. Tanto Lutero como Calvino reconheceram que o ensino de Osiander representava uma volta, em principio, à idéia católica romana de justificação. Algumas das seitas, desses grupos ou igrejas livres, perderam o rumo do Evangelho quando tentaram ultrapassar a justiça que é pela fé, buscando um estado de impecabilidade absoluta nessa vida mortal sobre a Terra. Os reformadores também reconheceram que era realmente o perfeccionismo católico-romano vestido de nova roupagem.

Depois da Era dos Reformadores, o movimento protestante chegou ao período conhecido como de ortodoxia protestante. Heresias foram resistidas pelas cuidadosas definições e redefinições da fé protestante. Na Alemanha, o pietismo surgiu como uma reação contrária à hipocrisia da Igreja Estatal Luterana formalmente ortodoxa. Mas a tendência definitiva do pietismo era distorcer o Evangelho objetivo com ênfase exagerada na experiência. Muito do pietismo alemão recapturou o espírito dos grandes místicos católicos romanos e se lhes assemelhou em suas devoções cristãs sentimentais (e até mesmo efeminadas).

Wesleyanismo

A Inglaterra do Século XVIII presenciou um notável movimento que inclusive foi também uma reação ao formalismo da Igreja Anglicana. A verdade da justificação somente pela fé tinha sido perdida pela maior parte da igreja. Eram dias em que os párocos caçadores de raposa amavam mais os seus cães de caça do que o seu rebanho. Além disso, havia uma crescente classe operária, excluída e desconsiderada por uma igreja indiferente. John Wesley foi um dos homens mais influentes do Século XVIII. Sua influência na vida nacional de toda a Inglaterra (em especial na classe operária) foi tão marcante que alguns creditam ao seu ministério o livramento da Inglaterra de uma revolução semelhante àquela em que foi mergulhada a França.

John Wesley aparentava crer na justificação somente pela fé. A sua fixação, entretanto, era com a santificação. Tinha sido profundamente influenciado pelo pietismo morávio e com certeza pelos místicos católicos romanos. A ênfase de Wesley na santificação foi dos principais pontos fracos do Movimento Metodista. Junto com a justificação pelo sangue de Cristo, Wesley enfatizou o poder renovador Espírito Santo para se viver em conformidade com a verdadeira obediência à Lei de Deus. Aparte da obediência santificada à Lei de Deus, Wesley declarava, nenhuma alma poderia reter a benção da justificação. Isso implicou, naturalmente, em justificação pelas obras. Representou, portanto, uma volta a Roma.

Wesley desenvolveu a doutrina da inteira santificação, conhecida também como “segunda benção” ou “perfeição metodista”. Propôs que após a justificação e um processo de santificação, o crente poderia receber, pela fé, uma segunda benção repentina que removesse completamente da alma o pecado natural, possibilitando a inteira santificação, nada mais que o amor perfeito. Chamou esta experiência de “uma salvação ainda mais elevada”, “imensamente maior do que quando alguém foi justificado” (Plain Account, 7). Wesley e seus pregadores desafiavam seus ouvintes a procurarem essa segunda benção da perfeição com toda a diligência. Assim fizeram, e deram prova dela por meio de vidas de séria (às vezes frenética) piedade.

Com Paulo e Lutero, a justificação somente pela fé era a verdade plena do Evangelho. Mas no Wesleyanismo, a centralidade e a total-suficiência da justificação foram perdidas, ficando esta subordinada à santificação. A própria justificação podia ser perdida pelo fracasso dos crentes em perseverarem nas boas obras.

Entretanto, ainda que tenha pregado isso a outros, até os seus últimos dias, Wesley confessava francamente que não tinha alcançado a sua famosa “segunda benção”. Ele sempre a perseguiu, mas apenas conseguiu alcançar a esperança dela. Era por demais humilde e franco em confessar que apesar de tudo ele sentia pungente o pecado dentro dele.

Infelizmente, nem todos os seguidores de Wesley eram tão prudentes ou tão humildes quanto o fundador do metodismo. Alguns professaram que tinham alcançado a segunda benção da inteira santificação. Alguns eram pregadores, sendo que uns deles chegaram logo a cair na tentação de se imaginarem superiores a Wesley. O reavivamento metodista foi conseqüentemente submetido ao arminianismo e ao fanatismo. O fanatismo não aflorou enquanto por muito tempo os metodistas procuravam a perfeição. Isso emergiu quando alguns reivindicaram tê-la alcançado.

O Reavivamento Americano e o Movimento de Santidade

O Protestantismo Americano do Século XVIII e do começo do XIX veio se tornar herdeiro do fervor religioso do metodismo. Os EUA desenvolveram o seu próprio estilo e marca registrada de reavivamento. Este talhou o temperamento nacional que foi moldado pelo espírito de fronteira.

A vida na fronteira era crua, rude e excitante. Algumas das pessoas de fronteira viam igrejas ou pregadores muito pouco, talvez uma vez por ano em um encontro de reavivamento feito em grandes toldos, as tendas. Assim como os bezerros que iam crescendo e precisavam ser reunidos num lugar para uma vez por ano serem marcados, a juventude, da mesma forma, precisava ser reunida para ser “salva”, enquanto o pessoal mais velho sentia a necessidade de uma boa “limpeza” assim como no tempo do reavivamento. Assim, Vinson Synan, historiador do pentecostalismo, disse muito bem: “Os que atendiam a tais encontros em acampamento... geralmente esperavam que suas experiências religiosas fossem tão vividas como a vida na fronteira que os cercava. Acostumado com 'briga com ursos e guerra com índios', eles receberam essa religião de grande colorido e excitamento”. (Vinson Synan, The Holiness-Pentecostal Movement in the United States [Eerdmans Publishing Co., 1971], 25). Por vezes, o fervor religioso foi acompanhado de grandes excessos emocionais tais como "divina histeria”, quedas, convulsões, “riso santo”, latidos semelhantes a dos cães e “danças antigas como as que Davi fazia perante a Arca do Senhor”.

No Século XIX, Charles Finney era um evangelista bem sucedido. Já em 1850, o avivamento dentro do estilo de Charles Finney — se tornou numa espécie de religião nacional dos EUA. A Teologia Sistemática de Finney (ainda hoje um dos mais populares manuais de teologia nas igrejas pentecostais) é muito crítica em relação a Lutero e Calvino face ao ensino deles da justificação pela fé por meio da imputação da justiça que é de Deus. A ênfase predominante de Finney é na santificação e na obra de Deus no contexto da experiência humana — uma ênfase que não é bíblica nem reformada. Sua pregação levava as pessoas à verdadeira experiência de crise emocional e a uma busca posterior de uma experiência de santidade que poderia ser aceitável a Deus.

Em todas essas influências avivalistas, a ênfase predominante era encontrar com Deus por meio de uma experiência íntima do coração verdadeiramente dramática, emocional, empírica. Havia um foco muito pequeno em ser aceitável a Deus pela fé numa justiça não propriamente nossa, mas completamente externa a nós existente na pessoa de Cristo. O avivamento americano era mais subjetivo do que objetivo, mais centralizado na experiência do que centralizado no Evangelho.

Em meados do Século XIX, a Igreja Metodista (que era então a maior igreja dos EUA) experimentou o notável ressurgimento do interesse na doutrina da “segunda benção”. A década de 1840 testemunhou uma enchente de ensino perfeccionista na Igreja Metodista. Líderes, pastores, bispos, e teólogos conduziram o movimento, dando-lhe respeitabilidade institucional e intelectual. Este desenvolvimento espraiou-se para outros corpos protestantes, e em 1869 ficou conhecido como “movimento de santidade”. Publicações independentes sobre “santidade” pulularam por todo o País. O movimento transbordou para a Inglaterra e encontrou expressão na famosa Convenção Keswick.

A ênfase popularizada do movimento de santidade foi na vida vitoriosa cheia do Espírito. Seu ponto focal não era nem na justificação nem na conversão, mas na realização de uma experiência empírica de santidade e inteira santificação subseqüente à conversão. Boardman, Inskip, A. B. Simpson, R. A. Torrey e Andrew Murray eram alguns dos bem conhecidos escritores e líderes do movimento. O titulo da obra de Hannah W. Smith, OSegredo da Vida Feliz do Cristão (ainda amplamente circulada hoje), expressa muito bem as aspirações dos adeptos da santidade. Outros títulos também dizem por si o que pode geralmente ser detectado, uma experiência maior em vez do Evangelho (A Vida Vitoriosa, Chaves para um Viver Vitorioso, A Vida Cheia do Espírito etc.). A linha seguida por estes livros é geralmente em Romanos 7 e Romanos 8: “Saia de Romanos 7 e entre em Romanos 8” (que, incidentalmente, é decididamente contrário a tudo o que os reformadores ensinaram).

A natureza objetiva e o valor da justificação e do perdão deixaram de ser o centro do ensino do movimento de santidade. Isso tudo foi subestimado, e mesmo rebaixado, devido a preocupação dominante com a experiência religiosa e o perfeccionismo. O movimento de santidade seguiu pelos corredores formados pelas rochas do subjetivismo, e por essa causa, veio estar mais em harmonia com o Catolicismo Romano do que com o ensino da Bíblia. Nos anos de 1890, a Igreja Metodista tomou medidas administrativas contra o movimento de santidade. Conseqüentemente, entre os anos 1890 e 1900, vinte e três denominações de santidade foram fundadas.

O Movimento Pentecostal

Ao fim do Século XIX, muitos dentre o movimento de santidade começaram a falar e a buscar o “batismo de fogo”. Um ramo do movimento de santidade foi chamado de “Igreja Holiness do Batismo com Fogo” (originada em Iowa em 1895 e dirigida por Benjamin Irwin). Quem recebia “o fogo” freqüentemente poderia gritar, berrar, cair em transes, ou falar enrolado. Este “batismo de fogo” foi considerado como uma visitação milagrosa do Espírito que seguia à inteira santificação. Os mestres mais conservadores do movimento de santidade rejeitaram essa “terceira” benção de fogo, por considerarem a mesma coisa a segunda benção e o batismo especial do Espírito.

Mas os radicais defensores do "fogo" continuaram exercendo influência dentro do movimento com ardentes pregações e publicações semelhantes a Live Coals of Fire – Brasas Vivas de Fogo - (publicado pela primeira vez em outubro de 1899). Este opúsculo falava "do sangue que limpa, do Espírito Santo que enche, do fogo que queima, e da dinamite que arrebenta". Não é difícil imaginar as manifestações excêntricas e desconcertantes que acompanharam o estágio de explosão religiosa que decorreu. O resultado lógico dessa tendência religiosa foi o aparecimento, no século XX, do Movimento Pentecostal, cujo inicio é traçado pelo ministério de Charles Parham em Topeka, Kansas, em 1900.

O Dr. Frederick Dale Bruner escreve: "Como resultado dos movimentos de santidade mundiais, nasceu o movimento pentecostal. O historiador pentecostal, Charles Conn, aponta 'que o movimento pentecostal é uma extensão do avivamento da santidade que ocorreu durante a última metade do Século XIX'" (Frederick Dale Bruner, Teologia do Espírito Santo [Edições Vida Nova, 1977], 44). Diz o notório autor católico-romano e defensor da unificação da igreja, Kilian McDonnell: "John Wesley foi o pai do intenso fervor religioso americano do Século XIX, um dos seus filhos foi o Movimento de Santidade de que originou o pentecostalismo do Século 20" (Kilian McDonnell, "The Classical Pentecostal Movement," Vol. I, No. 11 [Maio/1972], 1). O movimento pentecostal esteve envolvido diretamente na questão da insistência que o sinal físico do falar em "línguas" era a evidência do batismo do Espírito. Esta questão das línguas causou uma divisão entre o movimento de santidade e o pentecostal, ainda que a teologia básica dos dois movimentos permanece a mesma. O pentecostalismo é o resultado inevitável do avivamento subjetivo. Os avivamentos que ocorreram nos Estados Unidos talvez não fossem do gênero abertamente pentecostal ou carismático, mas eles tendiam para aquela direção porque eram, acima de tudo, orientados para o experiencialismo religioso.

Tendência em direção a Roma

Por mais de 400 anos, têm sido exercidas influências no âmbito do Movimento Protestante no sentido de corroer a ênfase objetiva da doutrina reformada da justificação somente pela fé. Isso não passa de uma volta ao romanismo. Há alguns anos, o conhecido autor católico-romano, Louis Bouyer, fez essas impressionantes observações:

A Renovação Protestante... lembra os melhores e o mais autênticos elementos da tradição católica... Vemos por toda essa nação protestante, cristãos que tem como sua religião o movimento a que chamamos, no geral, de Renovação, o qual, mais ou menos, não passa de catolicismo... Os mais valiosos e duradouros reavivamentos contemporâneos em seus resultados em tudo apresentam uma impressionante analogia com o processo de redescoberta do catolicismo... o rumo que instintivamente se tomam em direção ao catolicismo... isso pode conduzir ao caminho da reconciliação entre protestantes e católicos”. (Louis Bouyer, The Spirit and Forms of Protestantism [World Publishing Co., 1964], 186, 188, 189, 197).

Bouyer conclui com um apelo para os seus confrades católicos se preparem para a volta inevitável dos "irmãos separados" sob a influência dos reavivamentos contemporâneos. Não faz diferença o fato de que muitos reavivalistas consideram-se anticatólicos, conforme Bouyer anota, eles estão simplesmente no escuro quanto ao fato de que o cerne da sua ênfase está em profunda harmonia com o catolicismo. Se o leitor deseja saber o que Roma pensa hoje sobre os mais populares reavivalistas americanos, pode ficar seguramente bem informado a respeito através da matéria saída em julho de 1972 no Digesto Católico.

A alguns anos atrás, Paul Tillich abordava o tema "o fim da era protestante":

O tipo de protestantismo que tem sido desenvolvido na América não é bem a expressão da Reforma, mas tem mais elementos do chamado evangelicalismo radical. Há grupos luteranos e calvinistas que são fortes, mas em grau surpreendente eles têm-se adaptado ao protestantismo americano. Este clima não foi produzido por eles, mas pelos movimentos sectaristas. Assim que cheguei à América, há vinte anos atrás [em 1933], a teologia da reforma era quase desconhecida no Union Theological Seminary [New York] por causa das diferentes tradições, e a redução da tradição protestante avizinhava-se das tradições não-reformadas. O conflito de Lutero com os evangélicos radicais é especialmente importante para os protestantes americanos porque o tipo prevalecente de cristandade na América não foi produzido pela Reforma diretamente, mas pelo efeito indireto da Reforma através do movimento de radicalismo evangélico“. (Paul Tillich, A History of Christian Thought [S.C.M. Press Ltd., 1968], 225-226, 239. Das conferências apresentadas primeiramente em 1953).

As últimas décadas têm mais do que justificado as observações de Bouyer e Tillich. O movimento histórico de volta a Roma tem-se tornado como aquele lugar onde no Rio Niágara os canoeiros alcançam aquele ponto que não há volta quando as águas se aceleram em direção às cataratas. O movimento tem-se acelerado em sua corrida, e evangélicos e carismáticos estão, a taxas crescentes, sendo re-introduzidos a Roma.

O Movimento Neopentecostal ou Carismático

De 1900 a 1960, o movimento pentecostal continuou a crescer fora do protestantismo convencional. Todavia já em 1960 tinha atingido uma membresia mundial da cifra de aproximadamente oito milhões de pessoas. Naquele tempo, gente como Henry Van Dusen já começava a chamar o movimento de "terceira força" da Cristandade.

Então, próximo de 1960, teve lugar uma mudança notável quando de repente o pentecostalismo começou a ultrapassar linhas demarcatórias denominacionais para penetrar nas igrejas protestantes históricas. Como John Sherrill diz em seu livro, Eles Falam em Outras Línguas, "caíram os muros". Logo havia milhares, e depois milhões, de episcopais, metodistas, luteranos, batistas, presbiterianos, congregacionais e outros, protestantes-pentecostais. Esta fase interdenominacional do movimento ficou conhecida como movimento neopentecostal, ou carismático. Não foi um movimento para que houvesse uma denominação separada, mas uma experiência que transcendesse todas as linhas divisórias denominacionais. Os que compartilhavam a experiência em diferentes denominações se viram tendo mais em comum mutuamente entre si do que com os não-carismáticos da mesma igreja. Muitos confiantemente previram que este seria o começo do maior avivamento que o mundo jamais conhecera.

Lá para o fim dos anos 1960, o movimento neopentecostal deu duas de suas mais esplendidas passadas. Ele penetrou na nova cultura jovem e ficou conhecido como o Movimento de Jesus. (Estima-se que noventa por cento do Povo de Jesus, como foram chamados, tiveram alguma forma de experiência pentecostal). Muito da cultura da droga ficou "alta" com Jesus ao invés de com drogas. Então, para o coroamento do seu sucesso, o movimento neopentecostal entrou na Igreja Católica Romana em 1967. Depois do começo modesto em dois de seus grandes centros de ensino (Duquesne e Universidade Notre Dame), agora se espalha rapidamente na Igreja Católica Romana, atraindo o apoio de cardeais, bispos, milhares de padres e freiras, e o próprio Papa. Visto que os católicos romanos têm agora recebido idêntica experiência pentecostal que os protestantes, os pentecostais da velha linha estão re-avaliando a sua atitude para com o catolicismo romano. Tradicionalmente antipapais, as igrejas pentecostais clássicas estão mudando sua posição, do "pentecostes" têm-se mudado para Roma.

Embora o pentecostalismo tenha sido introduzido na Igreja Católica Romana inicialmente por pentecostais protestantes, tem encontrando menos resistência em círculos católicos do que em círculos protestantes. De fato, como muitos autores católicos estão apontando, o pentecostalismo se sente em casa na Igreja/Estado Romana. Está mais em casa lá porque a ênfase dominante pentecostal na experiência subjetiva está em harmonia essencial com o ensino e tradição da Igreja Romana. Diz o monge beneditino, Edward O'Connor da Universidade Notre Dame:

Embora tenham se originado da plataforma protestante, as igrejas pentecostais não são tipicamente protestantes em suas crenças, atitudes ou práticas.... não se pode pressupor que o movimento pentecostal represente uma incursão da influência protestante [dentro da Igreja Católica Romana]. ... Católicos que têm aceitado a espiritualidade pentecostal tem-se deparado que esta está em harmonia com sua fé e vida tradicionais. Eles a experimentam, não como um empréstimo de uma religião estranha, mas como um desenvolvimento natural de sua própria... a experiência do movimento pentecostal tende a confirmar a validade e relevância de nossas autênticas tradições espirituais. Outrossim, o desenvolvimento das igrejas pentecostais hoje parece seguir através de estágios muitos parecidos com o que ocorreu nos primeiros anos da Idade Média quando a doutrina clássica estava tomando forma (Edward O'Connor, The Pentecostal Movement in the Catholic Church [Ave Maria Press, 1971], 23, 32,28, 183, 191, 193, 194).

Além disso, o neopentecostalismo não faz nada no sentido de perturbar a fé católico-romana e suas igrejas e tradições. Diz O'Connor:

Semelhantemente, as devoções tradicionais da Igreja têm-se revestido de mais significado. Algumas pessoas têm sido levadas de volta para o uso freqüente do sacramento da penitência através da experiência do batismo do Espírito. Outras têm descobertos em suas vidas um lugar para devoção à Maria, enquanto que antes mantinham repulsas ou indiferença para com ela. Um dos mais extraordinários efeitos da ação do Espírito Sagrado tem sido o de promover a devoção à Presença Real na Eucaristia. (Edward O'Connor, Pentecost in the Catholic Church[Dove Publications, 1970], 14, 15).

O Movimento Carismático e Roma

Os anos de 1970 nos trouxeram para a grande fase ecumênica do reavivamento e do movimento carismático. Em 1º de fevereiro de 1972, a revista Christianity Today escreveu em editorial:

Ao que parece, a força que se apresenta como a maior contribuição para o atual avivamento que varre a face da Terra é o pentecostalismo. Este movimento, que começou a várias décadas atrás, e que em seus anos iniciais tinha um caráter muito sectário, agora é ecumênico no seu sentido mais profundo. Parece que ultimamente o neopentecostalismo tem incluído muitos milhares de católicos romanos... Uma nova era do Espírito tem começado. A experiência carismática mexe com os cristãos em coisas que vão além da glossolalia... Há uma luz no horizonte. Uma renascença evangélica está-se tornando visível ao longo da rodovia cristã, das fronteiras dos grupos sectários aos altos lugares da comunhão católico-romana. Parece ser este um dos momentos mais estratégicos da história da Igreja.

Em maio de 1972, matéria da New Covenant (publicação católica carismática) destaca os católicos e os protestantes unidos numa grande confraternização carismática. Proclama-se que o movimento carismático mantém a esperança de cura das feridas abertas no Século XVI . Destaque para Henry Van Dusen do Union Theological Seminary que teria dito:

A presença do movimento carismático (pentecostal) entre nós diz-se que é para marcar uma nova era no desenvolvimento da cristandade. O novo pentecostalismo parecerá aos historiadores do futuro a "verdadeira reforma" (comparada à do Século XVI) da qual nasce a terceira força do mundo cristão (protestante-católico-pentecostal) (19).

Essa união não está fundamentada na verdade objetiva, mas na experiência subjetiva. A cristandade americana está se afogando num oceano de subjetivismo religioso. A literatura carismática (e ai incluímos todo este reavivalismo subjetivo) está infestando a terra como as rãs do Egito (ver Apocalipse 16:13, 14). Nunca se viu uma massa de literatura tão destituída do Evangelho de Cristo. Praticamente não existe sequer um pensamento objetivo, extrínseco. É tudo na base do "já que é assim, então é desse jeito”, uma volta ao misticismo medieval, efeminado, sentimental. Não é de estranhar que um dos pontos de diálogo entre os líderes pentecostais e os da Igreja Católica Romana é a semelhança notável entre o pentecostalismo e o misticismo católico. O fato aterrador é que o desmoronamento das resistências protestantes ao movimento carismático ilustra a decadência das igrejas protestantes. Até mesmo o termo Protestante está se tornando uma palavra suja. E ser crítico ao romanismo virou agora uma obscenidade nos círculos evangélicos.

O Cumprimento de Profecia

Multidões estão exultantes por causa da igreja que tem sido impactada pelos fogos do reavivamento. Não se trata de uma moda passageira, mas de um notável cumprimento da profecia bíblica. Partamos do principio que os protestantes tenham geralmente aceitado o fato de que a besta semelhante a leopardo de Apocalipse 13 era o símbolo do papado, que dominara a civilização européia por aproximadamente mil anos. Munida da verdade objetiva da justificação somente pela fé, a Reforma provocou no "homem do pecado" a "ferida fatal". Ao quebrar a camisa de força do pensamento papal, as nações começaram a se libertar da dominação papal (ver Apocalipse 13:3). Mas a profecia do Apocalipse claramente prediz uma restauração da força da igreja antiga para dominar as mentes e escravizar as consciências dos homens. O profeta declara:

E operava grandes sinais, de maneira que fazia até descer fogo do céu à terra, à vista dos homens; e, por meio dos sinais que lhe foi permitido fazer na presença da besta, enganava os que habitavam sobre a terra e lhes dizia que fizessem uma imagem à besta que recebera a ferida da espada e vivia. (Apocalipse 13:13,14).

"Fogo... do céu... à vista dos homens" é um quadro terrivelmente preciso da religião contemporânea envolvida em fogos do falso reavivamento e do movimento carismático. Fogo, que é o símbolo favorito do movimento carismático, é utilizado por Deus para descrever o movimento que nada mais é senão uma contrafação do derramamento do Espírito Santo. Não é realmente fogo do Céu, mas parece ser fogo do Céu. É “fogo do céu... à vista dos homens." Mas, em virtude dessa influência, levará "a terra e os que nela habitavam” a adorarem “a primeira besta, cuja ferida mortal fora curada". (Apocalipse 13:12).

Os últimos dias serão marcados por grandes decepções religiosas. Operando a pretexto de "fogo...do Céu" (o batismo do Espírito Santo), "os espíritos de demônios" operarão "sinais diante dos reis da Terra, para os congregar para a batalha do grande dia do Deus Todo-Poderoso" (Apocalipse 16:14; veja também II Tessalonicenses 2:8-12).

Agora mesmo é considerada blasfêmia falar contra a obra sobrenatural levada a efeito no movimento carismático. Um espírito de prepotente certeza e arrogante intolerância tem sido freqüentemente manifesto pelos que "tem o espírito". A preocupação com experiência interior tem dirigido multidões a retornarem à filosofia religiosa da Idade Média e da igreja medieval. O Vaticano sabe o resultado. Lê-se o que é. Muitos protestantes parecem estar tão paralisados quanto Melanchthon esteve quando não soube o que falar, ou não, aos fanáticos espiritualistas que vieram a Wittenberg enquanto Lutero estava escondido no Castelo de Wartburg. Foi essa a questão que foi levada ao grande reformador que o levou a sair de seu esconderijo e arriscar sua vida. Os líderes "cheios do espírito" conseguiram uma entrevista com Lutero em que clamavam: "O Espírito! O Espírito!" O reformador decididamente não ficou impressionado. "Eu esbofeteio no focinho este seu espírito", ele trovejou. Ele viu que a grande verdade da justificação somente pela fé estava diametralmente oposta a esses assim qualificados por eles mesmos, "profetas alemães".

Estamos agora vivendo numa época em que as questões do Século XVI têm sido de novo combatidas. Avançando para o final desse tempo, o conflito se intensificará. Dobrar-se-ão as velhas linhas demarcatórias denominacionais. O mundo religioso está se agrupando. De um lado, a grande união de católicos romanos, pseudoprotestantes e pentecostais que tem a aparência de ser um movimento para a conversão de todo o mundo. De outro lado, haverá um movimento para restaurar o Evangelho eterno em sua pureza original e força. O Evangelho triunfará. Embora o Anticristo possa ser vitorioso num momento, sua ruína é certa. Uma pequena palavra, e cairá.

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Extensivamente revisado e adaptado de um panfleto publicado em 1972 pelo Australian Forum. Novembro/Dezembro de 1986
Traduzido por: Anamim Lopes da Silva
Fonte: [ Internautas Cristãos ]
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Fora com as palhaçadas ministeriais – Deus requer que os líderes obedeçam as regras!

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Por J. Lee Grady

Cerca de dois anos atrás um dinâmico pregador, pastor de uma igreja em crescimento no sul dos Estados Unidos foi pego em adultério. A perplexa esposa conversou com a “outra”, uma dançarina de outro país e falou de Jesus pra ela. Nesse ínterim um pequeno grupo de pastores “encobriu” o problema e rapidamente despachou o pastor para algumas sessões de aconselhamento. Logo depois, o pastor se divorciou, e os membros da igreja que não estavam cientes da situação culparam-na pela quebra de relacionamento conjugal.

Hoje este pastor continua pregando – ainda que sejam pregações ocas. Alguns membros da igreja se afastaram quando souberam da infidelidade do pastor. No entanto, outro tanto ficou por achar que não podiam julgar o pastor por seu pecado.

Inda que seja doloroso ter de afastar um líder talentoso do púlpito, este deve ser afastado para preservar o temor do Senhor.

Coisas deste tipo vêm se repetindo nos últimos anos. Jamal Harrison-Bryant, pastor de uma igreja de dez mil membros em Baltimore foi acusado de ser pai de uma criança fora do casamento. Sua esposa, Gizellle, ao saber do caso, pediu o divórcio. No entanto, Bryant pregou um novíssimo sermão em sua igreja usando o exemplo de Davi e seu adultério com Bate-Seba para se justificar.

“Eu ainda sou o homem!” gritou do púlpito para vibração e alegria do povo que o aplaudiu. “A unção que possuo é maior que qualquer erro”. E deixou claro que não queria ser disciplinado. Para Bryant a unção está acima do caráter.

Essa imoralidade entre os líderes deixa a maioria dos crentes confusos. Será que um líder pode ser desqualificado? A restauração deve ser imediata? Seremos fariseus pelo fato de pedir que os líderes deixem o púlpito e se assentem novamente entre o povo até que provem que estão restaurados? É preciso rever algumas regras básicas:

1. Existem regras de qualificação para que uma pessoa seja líder na igreja, e o apóstolo Paulo deixou claro que existe um teste decisivo para que alguém seja líder. Em 1 Timóteo 3.2-7 ele afirma que o líder deve ser (1) irrepreensível; (2) marido de uma só mulher; (3) temperado (não pode ser dado ao álcool ou outras substâncias); (4) Prudente; (5) respeitável; (6) hospitaleiro; (7) apto para ensinar; (8) que saiba governar bem sua própria casa; (9) que tenha bom testemunho dos vizinhos e (10) que não seja um novo convertido (neófito).

Escrevendo a Tito Paulo faz as mesmas exigências e acrescenta outras qualificações: (11) não seja arrogante; (12) nem cobiçoso (13) ou ganancioso.

Observe que apenas uma das qualificações requer unção, que é a capacidade de ensinar. Todas as demais qualidades são de caráter. Paulo nada diz sobre a capacidade que o líder deve ter de profetizar, curar enfermos, ter visões, conversar com anjos, levantar dinheiro, cantar, gritar ou levar a audiência a um frenesi. Nem tão pouco requer credenciais acadêmicas. O caráter é a chave!

Os comentaristas concordam que a expressão “marido de uma só mulher” era um avanço na era do Novo Testamento para afirmar que “ele deve ser marido de uma única mulher”. Não pode ser um adúltero. (Nem bígamo). Os líderes têm de viver em pureza sexual. Precisam ajustar-se à definição bíblica de casamento e permanecer fiel neste contexto.

2. Os que não preenchem tais qualificações devem ser afastados. Ao exigir caráter de seus líderes Paulo está inferindo que os que não preencherem tais qualificações devem ser afastados do ofício – pelo menos até preencherem todas as exigências. Se fracassarem, diz Paulo, devem ser repreendidos na presença de todos para que os demais temam… (1 Tm 5.20). O pecado do líder não deve ser minimizado, desculpado ou varrido pra baixo do tapete.

E nada disto era opcional – e Paulo advertiu a Timóteo sobre a tentação de ser parcial. Ele escreveu: “Conjuro-te… que guardes estes conselhos…” (V 21). A disciplina bíblica tem de ser firme. Não se pode afastar uma pessoa por adultério e dar tratamento diferenciado a outra pessoa com o mesmo problema só porque é nosso amigo. Mesmo que seja dolorido fazê-lo, tem de ser feito para trazer o temor do Senhor sobre as pessoas.

3. A igreja não prosperará se não disciplinar seus líderes. Com ternura Paulo advertiu a Timóteo quanto a líderes ordenados precocemente. Ele escreveu: “A ninguém imponhas precipitadamente as mãos” (1 Tm 5.22). Em outras palavras os líderes serão julgados por Deus caso ordenem alguém que não preencha as qualificações bíblicas. Se tivermos o hábito de ordenar líderes desqualificados, a corrupção fincará raízes na igreja e não poderemos fugir ao juízo de Deus.

Não podemos reescrever as regras. Oro para que os líderes da igreja deixem de ser circenses e restaurem a ordem bíblica.

J. Lee Grady, editor da revista Charisma!

Não há poder em suas palavras!

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Por Marcos Batista Lopes

Existe um documentário nas locadoras, muito controvertido. É o vídeo do Dr. Masaru Emoto que alega ter descoberto o poder da água, e que nossas palavras e pensamentos positivos podem influenciar até um copo de água. Bons pensamentos e palavras agradáveis formam lindos cristais de água, ao passo que maus pensamentos e palavras negativas não se formam cristais ou aparecem maus formações de cristais.

Tudo com um ar cientifico, laboratórios onde são apresentados suas descobertas, livros editados como a “A Mensagem da água” e o vídeo – O Poder da Água – a força dos nossos pensamentos e emoções”.

O vídeo – O Poder da Água – pode ser enquadrado como “Pseudociência”, ou seja não faz parte da ciência reconhecida ou ortodoxa. A problemática é que milhões acabam aceitando estas descobertas “cientificas” como comprovadamente verdadeiras.

Cristãos podem beber desta fonte?

Trazendo estas questões para o Cristianismo, veremos logo em breve – se já não estiverem acontecendo em alguns lugares – alguns pregadores falando sobre esta descoberta que afirma “O Poder das Palavras.” Nos anos oitenta e inicio dos anos noventa não ouvíamos este falso ensino de “Poder das palavras” em muitos lugares cristãos. Mas no final dos anos noventa e entrando no Novo Milênio este falso ensino se popularizou e ganhou força.

Este ensino Neopentecostal está muito em moda nestes dias onde muitos pregadores dizem que “Há Poder em Suas Palavras” e expõem um sermão cristão misturado com paganismo místico. Todo este ensino de “há poder nas palavras” surgiu no mundo cristão nos anos 50 quando um pastor americano Norman Vicent Peale lançou o livro O Poder do Pensamento Positivo – em 1952. Era um livro evangélico de auto-ajuda, que ensinava que a fé pode conseguir qualquer coisa. A síntese do livro é a seguinte formula: “Ore, imagine, realize”.

A Revista Veja de 4 de abril de 2007, apresenta a crença no pensamento positivo é bem explorado pela filosofia da “Auto-Ajuda”, sendo que a revista declara na pg. 78:

Ninguém obviamente pode “atrair” um câncer ou se curar de um tumor apenas pela força do pensamento negativo ou positivo, conforme o caso. Todas as pesquisas criteriosas mostram isso com clareza aritmética.”

Devemos entender que este ensino não provém da Bíblia, mas das seitas místicas e movimentos esotéricos, como a Nova Era, que também ensinam que “as palavras tem poder”. Nem Jesus nem a Igreja Primitiva, nem os apóstolos, assim como em toda a Historia da Igreja Cristã Mundial não encontramos estes ensinos, é algo pagão e provém de mitos, é um ensino que veio do mundo das superstições e compartilhado no mundo pagão sem Deus (2Tm 4: 3,4).

Qualquer passagem usada para defender tal ensino é uma afronta a inteligência, pois não existe tal ensino em toda a Bíblia, no Antigo Testamento e também no Novo Testamento. Passagens do Antigo testamento como Provérbios 18.21 ensinam “um poder nas palavras”? O único ensino de “poder nas palavras” que observamos pela Bíblia é o poder destruidor das palavras e seus efeitos. Por exemplo: Através de palavras ofensivas a uma pessoa poderei magoar um irmão de tal maneira que será mais fácil conquistar uma cidade do que aquele irmão (Pv 18.19).

Aliás, por todo o capitulo 18 de provérbios o ensino do bom uso da língua é uma realidade, mas o ensino místico e esotérico de que nossas palavras sejam “entidades” carregadas de bênçãos e maldições, não encontra apoio nem no judaísmo nem na Bíblia, mas no ocultismo.

Em Provérbios 18.7, encontramos tal declaração: “A boca do tolo é a sua própria destruição”, ou seja, não que as palavras que saem de nossas bocas sejam maldições, mas por falar demais ou em horas inapropriadas, poderei acarretar vários problemas e destruições que poderiam ser evitadas. No Novo Testamento o ensino sobre a língua e as palavras que proferimos se encontra em algumas passagens dentre elas (Tiago 3.1-12).

Onde apresenta o dever de controlar este membro e também é apresentado o seu poder destrutivo. O poder da língua (VV.3-5), que é comparado ao freio do cavalo, ao leme e ao fogo, mas o ensino ocultista e esotérico que muitos alardeiam de “há poder das palavras”, não encontra apoio em nenhuma passagem das Escrituras. O que existe na verdade, são os efeitos destas palavras sobre as pessoas, nada mais!

Alguns usando passagens indevidas, e outros usando argumentações sem a devida interpretação fazem muita confusão. Por exemplo, alguns argumentam que Jesus é apresentado sendo o Verbo e falar e não pensar quando ia realizar suas obras, era para mostrar ao povo que “As Palavras tem Poder”. Este raciocínio é falso, pois na verdade a intenção de Jesus era mostrar para as pessoas que Ele era o Cristo. Quando Deus disse que: “Haja Luz”, não estava ensinando que “Há Poder nas suas Palavras”, mas sim que Ele é o Criador de todas as coisas, e somente Ele pode realizar obras criadoras. O ensino que afirma que devemos “anular as palavras de maldições senão damos legalidade para o Diabo”, também não é sustentável pela Palavra de Deus.

Conclusão

Estamos presenciando a era do fim, os momentos que antecedem o Anticristo, e é notório que a mentira se espalhe de uma maneira mais eficaz. A Operação do Erro já opera nos filhos da desobediência (2 Tss. 2.8-11) e a mentira encontrará mais aceitação entre aqueles que não obedecem a Palavra do Senhor, e também de cristãos materialistas e secularizados.

O líder que hoje menosprezar a Historia da Igreja e a Hermenêutica Bíblica aceitará enganos quase imperceptíveis. Nosso dever como lideres é conhecer a Bíblia de uma maneira profunda (Tito 1:9). Infelizmente quem sofre é o povo de Deus por acreditar nestes falsos ensinos e palavras mágicas que são usadas pelas seitas da Nova Era, assim como pelo Xamanismo, Seicho-No-Ie, Logosofia e toda sorte de ocultismo.

Recomendamos a leitura de livros que alertam sobre o engano pelos falsos mestres em nosso meio. Somente para citar alguns: “O que estão fazendo com a Igreja” – Augusto Nicodemus- Ed Mundo Cristão – “Evangélicos em Crise”- Paulo Romero, Mundo Cristão –“ Erros que os pregadores devem evitar”, Ciro Sanches Zibordi, CPAD.

Fonte: [ NAPEC ]
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Ensaios sobre avivamento

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Por Diogo Henrique de Sá

Outro dia atrás eu estava conversando com uma pessoa amiga e ele me falou sobre o grande avivamento que está ocorrendo no Brasil e inclusive em sua igreja, ao que eu argumentei que não estava vendo este avivamento todo que ela estava falando. Ela então, um pouco irritada, disse que como eu não poderia estar vendo se o tal avivamento era notório. Eu então perguntei do avivamento na “igreja” dela, se eles liam a Bíblia e se isso fazia parte da rotina dos membros, se era algo de prioridade máxima para a direção da denominação a qual ela faz parte. A resposta foi não, mas que havia muita comunhão e que aqueles que lêem a Bíblia não fazem nada para o Senhor. Eu então perguntei: Como eu posso fazer qualquer coisa para Deus se eu não sei o que ele pede de mim? A resposta foi aquela clássica “a letra mata, mas o Espírito vivifica”. Eu expliquei tudinho pra ela, e acho que ela entendeu. Mas vamos pensar um pouco sobre avivamento.

Muito se fala sobre avivamento (principalmente no meio Pentecostal e Neo-pentecostal), mas será que estamos vivenciando realmente um avivamento? Há muito barulho, muito estardalhaço mesmo, mas será que temos um avivamento ocorrendo em nossos dias?

Para responder essa pergunta eu gostaria de analisar as Sagradas Letras e a história cristã, é lógico que eu não terei tempo para considerar essa questão em todos os seus pormenores, mas poderei fazer uma análise uma boa amostra dos avivamentos passados. Mas antes...

A palavra avivamento significa tornar a ter vida, ou seja, voltar a viver, reanimar. Desta forma é preciso que algo que esteja morto ou próximo a morte, seja reanimado. Nós precisamos disso, voltar ao primeiro amor, sempre que nos distanciamos de Deus, o Espírito Santo nos induz ao retorno, principalmente através da pregação bíblica, dessa forma podemos sentir a presença mística (não pense que eu estou falando de esoterismo, não me entenda mal) de Deus perto ou dentro de nós.

Se o avivamento está realmente acontecendo podemos verificar biblicamente, isto por que, de tempos em tempos Deus toma a iniciativa e atrai novamente o seu povo para Ele, a Bíblia e a história nos dá uma pista de como acontece o verdadeiro avivamento, então vejamos

Avivamento através de Moisés

Em se tratando de Moisés não podemos usar o termo avivamento no sentido estrito da palavra, mas não poderia deixar de mencioná-lo pois através dele Deus começou a forjar sua autocracia.

O povo de Israel embora reconhecido por Deus como seu povo, não sabia nada sobre o Deus de Abraão, Isaque e Jacó, os quatrocentos anos no Egito lhes fizeram esquecer quem era El Shaday. Deus, para se fazer conhecido de seu povo, deu-lhes a Lei escrita, através da Lei, que deveria ser lida de dia e de noite, Israel conheceria o seu Senhor. Através da Lei Israel passaria a ter vida em Deus. Isso mudou completamente a relação entre os hebreus e Jeová. Agora havia uma regra escrita, não mais tradição oral, assim Deus registrava a sua vontade a nação.

Avivamento através de Josué

No livro de Josué nos capítulos 23 e 24, nós temos as tribos mais ou menos encaminhadas, a maior parte dos inimigos já havia sido destruída, e as tribos partem para tomar posse da parte que lhes cabia na herança, temendo que a nação viesse a se esquecer do Senhor, o substituto de Moisés, no final de sua vida, reúne a nação e traz um reascender levando o povo a se lembrar do que Deus fez e reafirmando a Lei, o que resultou em uma renovação da Aliança por parte de Israel.

Avivamento através de Josias (2º Reis 22 e 23)

Com o passar dos anos vieram os reis, Israel se dividiu em duas nações a nação do Norte manteve o nome de Israel e a nação do Sul com o nome Judá. Por se afastar irremediavelmente de Deus a nação do Norte foi-se levada pelos Assírios, que dizimaram a nação. O reino do Sul também se afastou, mas a administração de alguns Reis piedosos e tementes fizeram com que o castigo divino fosse protelado.

Um desses reis foi Josias, filho de um mal rei, Josias foi coroado muito jovem, mas logo começou uma reforma na nação. Deu-se início a uma reforma no Templo, então algo surpreendente aconteceu, o livro da Lei é encontrado (2º Reis 22:8). O livro chega até as mãos de Josias que rasga suas vestes em desespero. O rei, e a nação estavam sobre grande perigo, as Escrituras haviam sido negligenciadas e a morte pairava sobre a nação. O Senhor é consultado a respeito disso, mas Deus tem boa vontade para com o rei que se humilhara diante Dele, o castigo não virá logo, o rei pode descansar em paz. Mas a despeito do livramento que recebera o rei não se contem: a nação precisa ouvir o que está escrito no Livro do Concerto, e é isso que acontece. Todos os moradores de Jerusalém são reunidos no templo, e as Escrituras são lidas diante do povo. O Resultado foi um verdadeiro avivamento na fé judaica: os ídolos foram destruídos, os altares profanos foram derrubados, os feiticeiros caçados e extirpados, as casas de prostituição ritualística foram derrubadas, os sepulcros dos falsos profetas foram abertos e seus ossos queimados (uma grande ofensa para o judeu) e o pacto entre os judeus e Iahweh é renovado.

Avivamento através de Esdras (Neemias 8 e 9)

Após a morte de Josias, Judá tornou a se afastar de Deus, o que resultou no cativeiro babilônico. Com o passar do tempo determinado por Deus os judeus receberam permissão para retornar à Jerusalém. Mas após mais de 70 anos o povo de Judá não se lembrava da Lei. E nem mesmo conseguiam entender o que nela estava escrito, o hebreu já não era tão bem compreendido (as pessoas agora falavam e liam em aramaico, um idioma semelhante ao hebraico). Para superar essa dificuldade, já que a tradução do Antigo Testamento para outros idiomas não era visto como bons olhos (apesar de haver alguns textos escritos em aramaico), Esdras, a pedido dos filhos de Israel, leu o Livro do Senhor e os seus ajudantes iam explicando o sentido do texto de tal forma que todos podiam entender (cap. 8:8).

Isso abalou a estruturas dos israelitas, a leitura da Lei, por si só acarretou um dos maiores avivamentos da nação. As pessoas choraram pelos seus pecados, houve confissões e arrependimentos de pecados, houve adoração em gratidão a Deus. A nação como um todo voltou sua atenção para a vontade escrita de Deus. A aliança foi renovada mais uma vez.

O maior dos avivamentos: o Advento do Messias

O tempo se passou, e mais uma vez a nação de Israel se encontrava distante do Criador, mas chegada a Plenitude dos Tempos (Gl.4:4) Deus enviou a própria Palavra aos homens. Bom eu não preciso dizer que uma vez que Cristo era a própria Palavra, ele cumpriu em sua vida terrena toda a Lei, e revelou as “coisas que estavam ocultas desde a criação do mundo” (Mateus 13:35). Em Cristo Jesus o mundo teve vida, é exatamente isso que João fala em sua primeira epístola: “O que era desde o princípio, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida” (1ª João 1:1). Em Jesus a humanidade passou a ter vida, houve uma mudança estrutural na história, o que resultou no maior de todos os avivamentos, pois em Cristo o homem foi reconciliado para com Deus. Jesus explicou que todo o Antigo Testamento se cumpria Nele: “E, começando por Moisés, e por todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras” (Lucas 24:27).

Em Jesus, Deus estabeleceu uma nova aliança, que alcança todos os homens. Eu poderia passar páginas e mais páginas escrevendo sobre o que Jesus realizou, tamanha a profundidade da obra de redenção. Na verdade a vinda de Cristo, foi tão marcante que podemos dizer que em toda a História não houve algo tão marcante. Tudo mais que ocorreu no Novo Testamento foi em decorrência da vinda do Messias, inclusive a descida do Espírito Santo, registrado no capítulo 2 de Atos, pois com Cristo “o povo que estava assentado em trevas viu uma grande luz; e aos que estavam assentados na região e sombra da morte a luz raiou.” (Mateus 4:16). João fala que se tudo o que Jesus fez fosse relatado não haveriam livros suficientes para acomodá-los (João 21:25).

Avivamento sob os Apóstolos

Com a disseminação do Evangelho vários grupos tentaram, em todo o período apostólico, perverter as Boas Notícias de Salvação: O judeus queriam dar um jeitinho para harmonizar a Lei e a Graça (como se isso fosse possível ser Salvo pela Graça e ainda cumprir a Lei); os gnósticos queriam perverter a mensagem evangélica diluindo-a em sua filosofia; Isso tudo regado com os aproveitadores (é já existiam naquela época) que volte-e-meia tentavam se beneficiar com a Igreja, é o caso de Simão (Atos 8:18) e Diótrefes (3ª João 9) a resposta dos apóstolos foi estabelecer aquilo que Cristo havia ensinado. As epístolas nada mais são do que a explicação dos Ensinos de Cristo e a aplicação destes na vida do crente. A firmeza da “Palavra é o Escudo que nos protege do erro” como disse Calvino, é a Espada do Espírito como disse o Apóstolo Paulo.

Reforma Protestante [1]

Com o passar do tempo os cristãos se afastaram dos princípios neo-testamentários, os cristão não tinham acesso a Bíblia, e por conta disso uma casta sacerdotal corrupta, dominava a sociedade ao seu bel prazer. As palavras dos clérigos tinha peso de vida e morte. Por desconhecer as Verdades que Libertam os chamados “cristãos” jaziam em seus pecados (algo muito parecido com os dias atuais). Isso perdurou até que alguns homens entenderam que era necessário um retorno para as Escrituras, o homem precisava ter acesso a Palavra de Deus, como era difícil ter acesso a Bíblia, e impossível no idioma do povo, estes homens começaram a traduzi-la, outros as lia para o povo, e lhes explicava isso causou um efervescer das idéias, o homem comum enfim pôde ter conhecer a Deus e assim se achegar a Ele, sem nenhum outro intermediário além de Cristo. Esse retorno a Palavra fez ruir o então inabalável império das trevas, e o homem se viu livre para entender a maravilhosa Graça de Deus. O que Lutero, Calvino, Ulrico Zuínglio, John Knox, Teodoro de Beza, Erasmo de Roterdã e outros fizeram foi entregar novamente a Palavra aos homens, estes reformadores da igreja estavam apenas imitando o exemplo do próprio Salvador, que simplesmente pregava de maneira fiel às Escrituras, trazendo um grande despertar aos cristãos de sua época e, inclusive, dos dias hodiernos.

O avivamento do século XVIII [2]

Para falar sobre este grande último avivamento eu gostaria de usar como base o relato de J.C. Ryle. Segundo ele, a condição moral deplorável em que se encontra o nosso país quase dispensa qualquer comentário. A impiedade e a perversão dos homens, que cada dia mais têm trocado a verdade de Deus pela mentira, mudando a glória do Deus incorruptível, adorando e servindo a criatura em vez do Criador, têm suscitado a ira de Deus sobre Portugal. Por isso, Deus tem entregue o nosso povo à imundície, pela concupiscência dos seus próprios corações. E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem toda a espécie de coisas inconvenientes e aprovarem os que assim procedem. A Inglaterra da primeira metade do século XVIII caracterizava-se pela impiedade, corrupção e imoralidade. As trevas espirituais assolavam todas as camadas sociais daquele país. A terra de muitos reformadores e dos puritanos decaiu tanto, que a corrupção, a desonestidade e o desgoverno nos altos postos era a regra, e a pureza, a exceção.

A Igreja da Inglaterra, na sua grande maioria, jazia inerte, sem nenhum vigor. Os sermões, meros ensaios morais, nada podiam fazer no sentido de despertar, converter e salvar os pecadores. As importantes verdades pelas quais os pré-reformadores tinham ido para a fogueira, e muitos dos puritanos, para a prisão, pareciam ter sido totalmente esquecidas e colocadas na prateleira. Um conhecido advogado cristão da época afirmou que visitou todas as igrejas mais importantes de Londres, e que não ouviu um único discurso que apresentasse mais Cristianismo do que os escritos de Cícero, e que lhe seria impossível descobrir, do que ouvira, se o pregador era um seguidor de Confúcio, de Maomé ou de Cristo! Os bispos e arcebispos da época, na sua grande maioria, eram homens mundanos; tão mundanos que houve casos em que o próprio rei teve de intervir para restringir a impiedade deles. Para se ter uma ideia da situação, conta-se que, quando a pregação de Whitefield começou a incomodar o clero, foi sugerido com seriedade pelo próprio clero que a melhor maneira de dar um fim à sua influência era torná-lo bispo. Quanto ao clero paroquial, Ryle afirma que os seus sermões eram tão indizível e indescritivelmente ruins, que é reconfortante lembrar que eram geralmente pregados a bancos vazios.

Nos Estados Unidos a situação não era diferente. No começo do século 18, era visível nas 13 colônias — que em breve seriam conhecidas como Estados Unidos — o declínio da fé evangélica, provocado pela influência do processo colonizador, com seu subseqüente aumento populacional, sucessão de guerras brutais e declínio da espiritualidade dos ministros.

Isso tudo mudou quando George Whitefield, John Wesley, William Grimshaw, William Romaine, Daniel Rowlands, John Berridge, Henry Venn, Samuel Walker, James Harvey, Augustus Toplady e John Fletcher começaram a pregar na Inglaterra e Jonathan Edwards nos EUA, estes foram divinamente inspirados, e trouxeram de volta um efervescer da Fé. Eles não pregaram modismos, não dominaram as pessoas ao seu bel prazer, nunca fizeram um “Ato Profético, mas todo o conselho de Deus, especialmente doutrinas como a suficiência e a supremacia das Escrituras, a total corrupção da natureza humana, a morte expiatória de Cristo na cruz, a justificação pela graça mediante a fé, a necessidade universal de conversão e de uma nova criação pelo Espírito Santo, a união inseparável da verdadeira fé com a santidade pessoal, o ódio eterno de Deus pelo pecado e o seu amor pelos pecadores. Eles não hesitavam em proclamar clara e diretamente às pessoas que elas estavam mortas e precisavam viver; que se encontravam culpadas, perdidas, desamparadas, desesperadas e em perigo iminente de destruição eterna, somente a Palavra bastava. Como disse J. I. Packer, "por toda a sua vida, Edwards alimentou a alma com a Bíblia; por toda a sua vida, alimentou o rebanho com a Bíblia". Isso mudou o mundo de então.

Esse grande despertar se manteve por quase duzentos anos, e quando parecia que iria se arrefecer, uma nova chama acendia, no século XIX Moody nos Estados Unidos e Spurgeon na Inglaterra mantiveram a chama acesa.

Conclusão

É muito interessante vermos em Israel que, apesar da renovação dos pactos, volte e meia a nação se afastava do Deus vivo. Isso perdurou durante toda o Antigo Pacto e não é diferente no Novo, Deus através das séculos vem atraindo providencialmente seu povo de volta para ele.

Em todos esses avivamentos duas coisas são padrões:

Deus sempre tomou a iniciativa, nunca partiu do homem a busca, sempre foi Deus que atraiu o homem. Deus sempre foi em busca do perdido.
Em todos os casos a Palavra de Deus foi o combustível usado por Deus para acender a chama no coração do homem.

Desta forma se não está havendo um retorno a Palavra de Deus, se as pessoas não estão buscando Deus no local correto, ou seja, em sua Palavra, então todo este barulho, todo este “suposto avivamento” não passa de falso fogo, de intenso barulho. E como diz um amigo meu: “lata vazia faz mais barulho e é levado por qualquer vento de doutrina”. Não existe avivamento. O homem hoje está tentando tomar a iniciativa no buscar a Deus, através de métodos não bíblicos, isso não tem resultado em ação do Espírito Santo. Mas, ao meditar na conversa que tive com minha colega (início do artigo), eu conclui que realmente Deus está lançando os fundamentos de um avivamento, o Senhor Jesus silenciosamente está atraindo novamente um pequeno, mas crescente, grupo de pessoas até a sua Palavra. Isto resultara em uma nova Reforma (ou avivamento se preferirem), Deus fará (sempre partiu Dele). O avivamento planejado por Deus, não tem nada a ver com os lenços suados, com as sementes, com as carteiras de trabalhos sobre uma mesinha, com os paletós mágicos, com os gritos, pulos, danças, transes, unções de risos, de leões, de colas, de sopros, de quedas. O avivamento que Deus esta trazendo tem a ver com Sua Palavra, com seu Evangelho Santo, outra marca do avivamento é que somente um é honrado no processo e este alguém não é o profeta, nem o apóstolo, nem o bispo, nem pastor algum, mas somente Jesus.

Se você caro leitor não está retornando a Bíblia, as doutrinas basilares, aos Estudos Bíblicos, lamento lhe informar, mas vocês está longe de Deus. Precisa ser Avivado.

A Jesus Cristo meu Senhor, seja a Glória para Sempre!!!

Nota:
[1] Propositalmente eu não falei dos Pré-reformadores e dos pais da Igreja, que também desempenharam um valioso papel ao manter sempre um remanescente fiel a Cristo. Fiz isso por motivos óbvios, isso é apenas um resumo, dos avivamentos durante a história.
[2] Para compor esta seção eu utilizei quase que exclusivamente citações de J.C. Ryle e foram retiradas do site: http://www.iqc.pt/index2.php?option=com_content&do_pdf=1&id=1213, acesso em 17 de janeiro de 2011. A utilização das citações não tem valor comercial e não é minha intenção lucrar com elas


Autor: Diogo Henrique de Sá
Artigo enviado por e-mail ao Blog Bereianos
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A Essência da Verdadeira Adoração

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Por Kevin Reed

Cristo descreve a verdadeira adoração durante sua conversa com a mulher no poço (Jo 4: 5-26). Durante esta conversa a mulher propõe a Jesus a controvérsia religiosa preeminente que existia entre os Judeus e Samaritanos.

Especificamente, a disputa era sobre onde adorar. É verdade que Deus havia prescrito Jerusalém como o local para os rituais públicos – embora isto logo fosse mudado. Externamente, quando ao local para os rituais públicos os judeus estavam certos. Deus havia prescrito um padrão de adoração que tinha seu foco em Jerusalém. Este padrão divino foi desenhado como um testemunho para toda a humanidade, no que diz respeito à salvação. “A salvação vem dos Judeus” (Jo 4:22) porque “a eles foram confiados os oráculos de Deus” (Rm 3:22). Neste sentido, os judeus adoravam o que eles conheciam: isto é, eles aderiam ao conhecimento da lei no que dizia respeito ao local para os rituais divinos. (Aqui estamos novamente nos dirigindo para a importância da religião revelada, como dada na lei). Os samaritanos haviam abandonado a lei e forjaram a sua própria religião híbrida (2 Rs 17).

Expressado de forma diferente, Jesus reitera a importância da ordem de Deus na religião. Uma grande mudança estava preste a acontecer no que diz respeito às ordenanças externas da adoração. Em qual direção? Não pela designação humana, mas pela designação de Deus. Ele somente é o legislador. Ninguém pode adulterar o padrão que Ele estabeleceu; ainda mais, é prerrogativa divina fazer alterações de conformidade com seus propósitos.

Em seguida Jesus resume a essência da verdadeira adoração, que inclui a união inseparável de piedade e conhecimento. Os verdadeiros adoradores adorarão a Deus “em espírito e em verdade”. A adoração dos verdadeiros adoradores é caracterizada desta forma, como um resultado da graça salvadora de Deus. A soberania de Deus na salvação se estende não apenas à forma na qual os eleitos são salvos, mas também aos propósitos para os quais estes são redimidos. Um motivo essencial na salvação dos eleitos é de que eles venham a adorar em espírito e em verdade: “são estes que o Pai procura para seus adoradores (Jo 4:23).

A linguagem é repetida na forma imperativa. É uma linguagem semelhante a outros imperativos nos ensinos de Cristo, tal qual a afirmação registrada no capítulo prévio do evangelho de João: “Importa-vos nascer de novo”. Os verdadeiros adoradores “devem adorar o Pai em espírito e em verdade... importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade” (Jo 3:7; 4:23-24).

A verdadeira adoração deve ser “em espírito”. Isto envolve o homem interior, exigindo sinceridade e amor. A adoração inclui mais do que meras formas de devoção externa. Muitas vezes Deus pronunciou uma maldição contra pessoas devotadas a formas vazias de religião.

Os judeus incrédulos tinham o coração distante do Senhor, apesar de estarem no local correto para os rituais externos. A verdadeira adoração deve fluir do coração sincero e do amor a Deus, nosso Salvador.

Da mesma forma, a adoração genuína deve ser “em verdade”. Isto é, nossa adoração deve estar de conformidade com a revelação escrita de Deus. Existe, de fato, uma medida externa para a nossa adoração. É comum, nos dias de hoje, ouvir comentários de que o “coração” é tudo o que importa: um conceito errado de que a sinceridade de motivos e a emoção fervorosa sejam a substância da adoração genuína. Mas Cristo não reduz a essência da adoração à adoração em espírito; ele acrescenta a medida da verdade. A adoração aceitável é mais do que a exaltação sentimental de um coração ardente. Sem a verdade tal fervor é uma ofensa diante de Deus; é zelo, mas “não com entendimento” (Rm 12:2).

As afirmativas de Cristo sugerem uma advertência solene. Por sua referência a “verdadeiros adoradores” (Jo 4:23). Podemos perceber algo distinto que os separa dos outros adoradores. Em outras palavras, existe uma classe de adoradores que são falsos em sua adoração. Portanto, devemos examinar a nossa própria adoração cuidadosamente para que possamos discernir a classe a qual pertencemos.

Para ver o artigo completo acesse o site Eleitos de Deus

Fonte: [ Blog dos Eleitos ]
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