Lutero – O Significado do Livre-arbítrio – R. C. Sproul

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Depois de responder aos argumentos de Erasmo tendo como base os apelos aos escritores antigos na afirmação de que a Bíblia não é clara nesses assuntos, Lutero voltou-se para o corpo principal da obra de Erasmo. Lutero lida primeiramente com a definição de livre-arbítrio de Erasmo: "um poder da vontade humana pelo qual um homem pode se dedicar às coisas que o conduzem à salvação eterna, ou afastar-se das mesmas".

Lutero então apresenta o seu próprio entendimento do que Erasmo queria dizer com livre-arbítrio:

Suponho, então, que este "poder da vontade humana" significa um poder ou faculdade ou disposição ou atitude para desejar ou para não desejar, para escolher ou rejeitar, para aprovar ou desaprovar e para realizar todas as outras ações da vontade. Agora, o que significa para esse mesmo poder "se dedicar" ou "afastar-se" eu não entendo, a não ser que isso refira-se ao real desejar ou não desejar, escolher ou rejeitar, aprovar ou desaprovar - isto é, a exata ação da própria vontade. Assim, devemos supor que esse poder é algo que acontece entre a vontade e sua ação, algo pelo qual a própria vontade produz o ato de desejar ou não desejar e por meio do qual a ação de desejar ou não desejar é produzida. Nada mais é imaginável ou concebível.

Lutero vê na concepção de Erasmo uma reversão ao ponto de vista de Pelágio, embora com menor sofisticação. Ele condena o entendimento de Erasmo sobre as discussões filosóficas anteriores sobre essa questão. Ele, então, discute as três visões distintas de Erasmo do livre-arbítrio: "De uma visão sobre o 'livre-arbítrio' você desenvolve três! A primeira, aquela dos que negam que o homem pode desejar o bem sem a graça especial, não começa, não progride e não termina, etc. parece a você 'severa mas suficientemente provável'... A segunda, aquela dos que afirmam que o 'livre-arbítrio' não é útil para nada exceto o pecado, e que só a graça trabalha o bem em nós, etc, parece a você 'mais severa'; e a terceira, a visão daqueles que dizem que o 'livre-arbítrio' é um termo vazio e que Deus trabalha em nós tanto o bem quanto o mal, e que tudo o que acontece, acontece por mera necessidade, parece a você 'a mais severa'. É contra essas duas últimas que você declara estar escrevendo".

Lutero afirma que as três diferentes visões enumeradas por Erasmo fazem distinções que não há diferenças. Todas as três referem-se à mesma coisa mas com palavras diferentes. Lutero pergunta como Erasmo pode chamar a primeira de "suficientemente provável" quando é claramente divergente da sua própria definição?"Você disse", escreve Lutero, "que o 'livre-arbítrio' é um poder da vontade humana pelo qual um homem pode se dedicar ao bem; mas aqui você diz, e aprova que isso seja dito, que o homem sem a graça não pode desejar o bem".

Lutero diz: "A definição afirma o que a declaração paralela nega! Assim, no seu 'livre-arbítrio' há, ao mesmo tempo, um sim e um não, e no mesmo fôlego você diz que somos tanto certos quanto errados e que você mesmo é tanto certo quanto errado, sobre uma e a mesma doutrina e artigo! Você pensa que se dedicar ao que produz salvação eterna (como sua definição diz que o 'livre-arbítrio' faz) não é bom? Se houvesse bem suficiente no livre-arbítrio para que ele se dedicasse ao bem, não haveria necessidade da graça! Assim o 'livre-arbítrio' que você define é uma coisa, e o livre-arbítrio que você defende é outra".

A essa altura, Lutero indica que a definição de Erasmo do livre-arbítrio não requer a graça para se virar para o bem ou para Deus. Se a graça não é requerida, mas meramente assiste o homem, então a definição de Erasmo do livre-arbítrio não é essencialmente diferente da de Pelágio. Mas Lutero observou que o livre-arbítrio que Erasmo definiu não era o livre-arbítrio que ele estava defendendo. Erasmo não se dispôs a defender uma visão pelagiana pura do livre-arbítrio. Em outro lugar do The Diatribe, ele declarou que "a vontade humana, depois do pecado, é tão depravada que perdeu a sua liberdade e é forçada a servir o pecado, e não pode retornar para um estado melhor".

Se essa é a visão que Erasmo está defendendo, Lutero argumenta, então Erasmo está realmente admitindo algo da própria visão de Lutero: "Se, agora, o 'livre-arbítrio' sem a graça perdeu a sua liberdade, é forçado a servir o pecado e não pode desejar o bem, eu gostaria de saber qual é o legado de todo aquele esforço e diligência da primeira visão, a 'provável'. Não pode ser um bom esforço e diligência, porque o 'livre-arbítrio' não pode desejar o bem, como a concepção declara e você concorda".

Esse é o clássico argumento reductio ad absurdum. Lutero argumenta "para o homem", assumindo as próprias premissas do seu opositor e as conduzindo para a conclusão lógica. Ele chama a visão de Erasmo de um tipo estranho de paradoxo pelo qual Erasmo afirma final e exatamente o que ele se propôs a negar ou nega o que se propôs a afirmar. Lutero diz que todo o Diatribe é "nada além de um ato nobre do 'livre-arbítrio' se condenando em sua própria defesa, e se defendendo na sua própria condenação".

Lutero, então, compara essa visão com as duas outras que Erasmo delineou:
...A segunda é "mais severa", aquela que defende que o "livre-arbítrio" não serve para nada além do pecado. Esta, certamente, é a opinião de Agostinho, a qual ele expressa em muitos lugares." A terceira visão é "a mais severa", a de Wycliffe e Lutero: que o livre-arbítrio é um termo vazio...

...Eu chamo Deus [como minha] testemunha de que pelas palavras das duas últimas visões, eu nada quis dizer e desejei que fosse entendido além do que é declarado na primeira visão. Também não penso que Agostinho pretendia qualquer coisa além disso, nem deduzo qualquer outro significado das suas palavras além do que a primeira visão afirma. Assim... as três visões pormenorizadas no Diatribe são, na minha mente, nada além da visão que defendo. Por essa vez é admitido e estabelecido que o "livre-arbítrio" perdeu a sua liberdade e está obrigado a servir ao pecado e não pode desejar o bem. Nada posso entender dessas palavras a não ser que o livre-arbítrio é um termo vazio cuja realidade está perdida. Uma liberdade perdida, no meu modo de falar, não é liberdade de forma alguma, e dar o nome de liberdade a algo que não tem liberdade é aplicar a ela um termo cujo significado é vazio...

"Se Desejares..."

Em seguida, Lutero responde à outra objeção que Erasmo havia levantado, baseando-se em textos bíblicos que parecem indicar que o homem pode realizar qualquer coisa que Deus ordena. Essa questão é similar àquela que provocou a reação inicial de Pelágio contra a oração de Agostinho, na qual ele pedia a Deus que concedesse o que ele ordenava. No The Diatribe, Erasmo apela aos livros apócrifos: "Eclesiástico, ao dizer 'se desejares manter', indica que há uma vontade no homem de manter ou não manter; caso contrário, qual é o sentido de dizer a alguém que não tem desejo, 'se desejares'? Não é ridículo dizer a um cego: 'se desejares ver, encontrarás um tesouro'? ou a um surdo: 'se desejares ouvir, eu lhe contarei uma boa história'? Isso seria ridicularizar a sua miséria".

Esse tema levanta a questão sobre a própria integridade de Deus. Se ele ordena que algo seja feito e, na realidade, esse algo não pode ser feito, então essa ordem parece ser cruel e injusta. Isso, como Erasmo diz, iria ridicularizar a miséria humana. Ele infere que o mandamento divino indica uma capacidade para obedecer. Caso contrário, a criatura não poderia ser considerada moralmente responsável pela ação. A própria palavra responsabilidade indica a capacidade de responder.

Lutero responde reprovando a razão humana por tirar conclusões insensatas. O que ele, em outro lugar, chama de "uso evangélico da lei", Lutero aqui descreve como uma estratégia divina para mostrar às suas criaturas moralmente impotentes, a própria impotência das mesmas.

Agora, se Deus, como Pai, trata conosco como seus filhos, visando nos mostrar a impotência que ignoramos; ou como um médico fiel, visando nos contar sobre a nossa doença; ou se para ridicularizar seu inimigos que resistem orgulhosamente ao seu conselho e às leis que estabeleceu (pelas quais alcança esse objetivo e da maneira mais efetiva), ele diria: "faça", "ouça", "guarde", ou "se ouvires", "se desejares","se guardares"; pode-se concluir corretamente disso que, por essa razão, podemos fazer livremente essas coisas ou Deus está nos ridicularizando? Por que, de preferência, não deveria seguir esta conclusão: por essa razão, Deus está nos testando para que, pela sua Lei, ele possa fazer com que a nossa impotência seja conhecida...

Aqui Lutero demonstra a diferença entre uma inferência possível e uma inferência necessária. Quando Deus faz algo cujo propósito não conhecemos, somos deixados para especular a respeito desse propósito. Erasmo deduz que se o homem é impotente para fazer o que Deus ordena, então a razão de Deus para a ordem é ridicularizar a miséria humana. Essa é uma inferência possível, mas desaparece rapidamente quando levamos em consideração o caráter de Deus. Mais importante, Erasmo infere, a partir do comando, que somos capazes de obedecer. Essa também, de acordo com Lutero, é uma inferência possível, não uma inferência necessária. Para chegar a esse ponto, Lutero usa um argumento semelhante ao do apóstolo Paulo quando este diz quea lei é uma mestra que nos conduz a Cristo. Somos ordenados a obedecer toda a lei, a ser perfeitos. Isso não significa (a não ser que adotemos o pelagianismo puro) que somos moralmente capazes de alcançar a perfeição.

De acordo com as leis da inferência imediata, uma pessoa nada pode inferir a partir da declaração "Se desejares..." sobre quem tem o poder de assim desejar. Essa é uma frase condicional, indicada pela presença da palavra se. E como a fórmula, se A, então B. Se a condição for satisfeita (A), então a conclusão se seguirá(B). Essa fórmula indica meramente uma conexão entre A e B.

Um texto freqüentemente mencionado a esse respeito é João 3.16, que promete que todo aquele que crer não perecerá. O texto ensina explicitamente que se alguém faz A (crê), então não terá B (perecerá) e terá C (vida eterna). O texto nada diz sobre quem irá crer ou quem pode crer. Ele pode indicar que alguns podem ou irão crer, mas uma indicação não pode anular uma declaração explícita.

Esse é o ponto de onde a discussão prosseguirá. Lutero esforça-se para mostrar que as Escrituras negam explicitamente a capacidade moral do homem para fazer o que Deus ordena. Ele aplicará o princípio da interpretação de que o implícito deve ser interpretado à luz do explícito, não o contrário.

Erasmo continua recorrendo a textos que impõem obrigações ao pecador, argumentando que tais obrigações necessitam de capacidade moral: "Se não está no poder de cada homem manter o que é ordenado, todas as exortações nas Escrituras e todas as promessas, ameaças, repreensões, censuras, súplicas, bênçãos, maldições e multidão de preceitos são, necessariamente, inúteis".

Lutero vê essa conclusão como injustificável, envolvendo um salto quântico da lógica. Novamente ainferência possível é elevada ao nível da inferência necessária. Sem a capacidade plena para realizar o que é ordenado, os comandos seriam necessariamente inúteis. Lutero responde:

O Diatribe continuamente se esquece da questão em debate e trata de assuntos estranhos ao seu propósito; e não vê que todas essas coisas criam [um caso] mais forte contra si mesmo do que contra nós. A partir de todas essas passagens, ele prova a liberdade e capacidade para cumprir todas as coisas, como declaram as próprias palavras da conclusão que tirou; ao passo que sua intenção era estabelecer que "tal 'livre-arbítrio' não pode desejar o bem sem a graça e um esforço que não pode ser atribuído à própria força"....

...e agora, que o próprio Diatribe desminta suas próprias palavras nas quais é dito que o "livre-arbítrio" não pode desejar o bem sem a graça! Deixe-o dizer agora que o "livre-arbítrio" tem tal poder, que não somente deseja o bem mas mantém os maiores mandamentos, sim, todos os mandamentos, com facilidade!
Aqui, Lutero está levando Erasmo para onde Erasmo não quer ir, direto aos braços de Pelágio. Se o argumento de Erasmo for sadio, então ele prova demais, a saber, a plena capacidade sem a assistência da graça. Lutero conclui: "Assim, nada é menos provado pelo todo dessa discussão repetitiva, discursiva e trabalhada do que o que havia sido provado, isto é, a 'visão provável' que descreve o 'livre-arbítrio' como 'tão impotente que não pode desejar qualquer bem sem a graça, mas é forçado ao serviço do pecado, embora tenha se esforçado; isso, porém, não pode ser atribuído ao seu próprio poder'. Uma verdadeira fantasia! - ele nada pode fazer em sua própria força, porém tem-se esforçado dentro da sua própria força; sua constituição envolve uma contradição muito óbvia".

"... deu-lhes o poder..."

Em seguida, Erasmo cita as palavras de João 1 "deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus" (Jo 1.12), dizendo, "Como o poder é dado [a] eles para se tornarem filhos de Deus se não há liberdade da nossa vontade?"

Lutero responde: "Essa passagem também é um martelo contra o iivre-arbítrio', como é quase todo o Evangelho de João; apesar disso, é tão citada a favor do 'livre-arbítrio'! Olhemos para ela, por favor! João não está falando de qualquer obra de homem, grande ou pequena, mas da renovação real e da transformação do velho homem, filho de Satanás, para um novo homem, filho de Deus. Nisso, o homem é simplesmente passivo (como o termo é usado); ele nada faz, mas o seu todo se torna algo. João está falando dessa transformação: Ele diz que nos tornamos filhos de Deus por meio de um poder divinamente dado a nós - não por qualquer poder do 'livre-arbítrio' inerente a nós!"

Mais tarde, Lutero discute o papel de Deus ao endurecer o coração de Faraó. Lutero explica esse difícil conceito do Antigo Testamento dizendo: "Assim Deus endurece Faraó: Ele apresenta à vontade perversa e má de Faraó a sua própria palavra e obra, as quais a vontade de Faraó odeia por causa da própria falha e corrupção naturais. Deus não altera interiormente aquela vontade pelo seu Espírito, mas prossegue apresentando e causando uma pressão a ser tolerada; e Faraó, tendo em mente a sua própria força, riqueza e poder, confia neles mediante essa mesma falha da sua natureza...Tão logo Deus externamente apresenta a ela algo que naturalmente a irrita e ofende, Faraó não pode escapar de ser endurecido..."

O coração de Faraó é necessariamente endurecido, mas não porque Deus tenha criado um mal recente dentro dele ou porque Deus coagiu Faraó ao pecado. Antes, o endurecimento foi o resultado natural da corrupção interior de Faraó quando deparou com a vontade e o comando persistentes de Deus.

A necessidade do resultado (o endurecimento do coração de Faraó) significa que a compulsão estava envolvida? Se Deus desejava que o coração de Faraó fosse endurecido, então esse endurecimento necessariamente teria de acontecer. Se aconteceu por necessidade, como isso pode ter acontecido sem compulsão? The Diatribe admite tanto a necessidade quanto o livre-arbítrio. "Nem toda necessidade exclui o 'livre-arbítrio'", disse Erasmo.

"Assim, Deus, o Pai, necessariamente gera um Filho; porém ele o gera de bom grado e livremente, porque ele não é forçado a agir assim".

"Estamos agora discutindo compulsão e força?" Lutero responde. "Não registrei em muitos livros que estou falando sobre a necessidade da imutabilidade? Eu sei que o Pai gera de bom grado e que Judas traiu a Cristo de bom grado... Eu faço a distinção de duas necessidades: uma eu chamo de necessidade da força(necessitatem violentam), que se refere à ação; a outra eu chamo de necessidade da infalibilidade(necessitatem infallibilem), referindo-se ao tempo".

Depois de duelos sobre vários textos do Antigo Testamento, o debate se move para o Novo Testamento. Erasmo faz objeção ao apelo de Lutero à declaração de Jesus, "Sem mim, nada podeis fazer" (João 15.5).Lutero responde: "Ele se apodera desta pequena palavra nada, corta sua garganta com muita palavras e exemplos e, por meio de uma 'explicação conveniente', chega a isto: que nada pode significar o mesmo que'algo um pouco imperfeito"'.

Erasmo havia interpretado esse texto num estilo elíptico, de acordo com o qual ele significa que sem Cristo, o pecador nada pode fazer perfeitamente. Isso realmente exercita a ira de Lutero. Ele diz, "A não ser que você prove que 'nada' nessa passagem não apenas pode, mas deve ser entendido como 'algo um pouco', você nada fez com a sua vasta profusão de palavras e exemplos além de colocar fogo na palha seca!"Posteriormente ele adiciona, "É completamente desconhecido - da gramática e da lógica -dizer que nada é o mesmo que algo; para os lógicos, a idéia é uma impossibilidade porque os dois são contraditórios!"

Depois de responder aos textos-prova de Erasmo para essa posição, Lutero conclui seu livro apresentando um caso exegético para sua própria posição.

Fonte: [ Josemar Bessa ]
Via: [ Batistas Puritanos ]

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Os apóstolos modernos e o mito da oração forte.

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Por Renato Vargens

Volta e meia eu ouço algumas pessoas dizendo que precisam procurar o irmão X simplesmente pelo fato de que possui uma "oração forte". Há pouco, uma irmã me abordou ao final de um culto pedindo que clamasse a Deus intercedendo por seu marido, visto que na sua perspectiva a oração do pastor é mais forte do que a de outros irmãos.

Pois é, a afirmação de que existe orações fortes entoadas por homens especiais, não encontra subsídio e fundamento nas Sagradas Escrituras. Antes pelo contrário o ensino neo-testamentário, aponta categoricamente para o fato de que todos aqueles que foram salvos por Cristo e regenerados pelo Espírito Santo tornaram-se sacerdotes, e como tais, mediante o sangue do Cordeiro, possuem livre acesso ao Trono da Graça relacionando-se amorosamente com o Criador de todas as coisas de forma filial.

O problema é que existe uma corja de safados que logra para si um poder super especial o qual faz o crente acreditar que as orações do "profeta" são mais poderosas do que a de qualquer outro cristão. Esta bandidagem, que tomou para si o título de "apóstolo" tem nos últimos anos se locupletado discaramente da ignorância do rebanho, impondo sobre estes, doutrinas e ensinamentos absolutamente antagônicos aos das Sagradas Escrituras.

Lamentavelmente, boa parte das igrejas neopentecostais, defensoras da nefasta teologia da prosperidade, estão retomando a figura do “ungido de Deus”, ou seja, estão ressuscitando a figura vétero-testamentária do profeta e do sacerdote. Para estes, o "apóstolo" é o "escolhido" de Deus e quando imbuído de poder espiritual, ergue a voz em oração , o Senhor é obrigado a responder. Ora, Vamos combinar uma coisa? Esses caras são loucos! Aonde na Bíblia encontramos subsidio para esta satânica doutrina? No Novo Testamento, não encontramos a menor referência que justifique este ensimento. Jesus Cristo é o nosso único e suficiente mediador. Ele através de morte de cruz, nos fez sacerdotes. E por causa dEle podemos orar com ousadia na certeza de que se nossas orações estiverem de acordo com a sua Soberana vontade, seremos atendidoS.

A Ele toda honra, glória e louvor!

Fonte: [ Blog do autor ]
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A cruz do passado, e a cruz do presente

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Por A.W.Tozer

Silenciosamente e sem que se apercebesse, uma nova cruz apareceu nesses tempos modernos tomando conta dos círculos evangélicos. É muito parecida com a velha cruz, mas só na aparência, porque é diferente: A semelhança é superficial, e a diferença fundamental. Dessa nova cruz apareceu uma nova filosofia de vida cristã e a partir dessa nova filosofia surgiu uma nova técnica evangélica, um novo tipo de culto e de pregações. Esse novo evangelismo usa a mesma linguagem que o antigo, mas seu conteúdo já não é o mesmo e suas ênfases não são iguais ao velho evangelho.

A velha cruz não estava engajada com o mundo. Para a velha carne adâmica ela significava o fim de uma jornada. Carregava consigo a sentença imposta pela lei do Sinai. A nova cruz não se opõe à raça humana, ao contrário, é uma amiga e, se bem compreendida tornou-se a fonte de bem-estar, de beleza e de inocentes prazeres mundanos. Ela permite que o Adão viva sem interferências. As motivações de sua vida continuam a mesma; o homem não muda. Continua a viver para seu próprio prazer, com a diferença de que agora se deleita em cantar hinos e de ver filmes cristãos – os quais se tornaram substitutos das músicas do mundo e das bebidas. A tônica de sua vida continua o prazer – um prazer num nível mais elevado e intelectualizado.

A nova cruz encoraja uma abordagem evangelística totalmente diferente. O novo evangelho não exige que a pessoa renuncie à vida de pecado para poder receber uma nova vida. Ele não aborda os contrastes, mas as similaridades. Faz questão de mostrar ao seu auditório que o cristianismo não faz exigências e demandas desconfortáveis, ao contrário, oferece o que o mundo dá, apenas num nível superior. Os glamoures do mundo são substituídos pelos glamoures da nova religião que é um produto bem melhor.

A nova cruz não sacrifica o pecador, apenas o redireciona. Ela o conduz por uma vida mais limpa e alegre e preserva sua auto-reputação. Para o auto-determinado diz: Venha e tome uma determinação por Cristo. Ao egoísta proclama: Venha e se alegre no Senhor. Para o aventureiro, diz: Venha e descubra a aventura da comunhão cristã.

A mensagem cristã segue a moda em voga para ser aceitável ao público. A filosofia por trás dessa cruz pode até ser sincera, mas a sinceridade não encobre sua falsidade. É falsa porque é cega. Perde de vista completamente o sentido da cruz. A velha cruz é símbolo de morte. Está ali para dizer ao homem de forma violenta que sua vida chegou ao fim. No império romano quando alguém passava pelas estreitas ruas carregando uma cruz, já havia se despedido de todos os amigos. Não podia voltar atrás. Tinha de seguir até o fim.

A cruz não permitia acordos, nada modificava e nada preservava. Ela matava o homem completamente e para seu bem. A cruz não fazia acordos com sua vítima; ela agia de maneira cruel e dura, e quando sua tarefa terminava, o velho homem deixava de existir. A raça adâmica está condenada a morrer. Não há comutação ou substituição da pena nem escape.

Deus não aprova nenhum dos frutos do pecado, por mais inocente ou belo que pareçam aos olhos do ser humano. Deus salva o homem liquidando-o completamente pra depois ressuscitá-lo a um novo estilo de vida. A evangelização que traça paralelos amistosos entre os caminhos de Deus e do homem é falsa, anti-bíblica e cruel para as almas dos ouvintes.

A fé de Cristo não anda paralela com o mundo; ela o intercepta. Ao nos achegarmos a Cristo não elevamos nossa velha vida a um plano maior; nós a deixamos na cruz. O grão precisa ser enterrado e morrer, antes de ressurgir uma nova planta. Nós os que pregamos o evangelho devemos deixar de lado a ideia de que somos agentes do bom relacionamento de Cristo com o mundo. Não podemos alimentar a ideia de que fomos comissionados para tornar Cristo agradável aos grandes homens de negócios, à imprensa, à mídia, ao mundo dos esportes e da cultura. Não somos diplomatas; somos profetas, e nossa mensagem não é uma aliança, um acordo, e sim um ultimato.

Deus oferece vida, mas não a improvisação da velha vida. A vida que ele oferece é vida que nasce da morte. É uma vida que se posiciona ao lado da cruz. Todos os que a querem têm de passar sob a vara. Precisam negar-se a si mesmo aceitando a justiça de Deus sobre sua vida. O que dizer de uma pessoa condenada que encontra vida em Cristo Jesus? Como essa teologia pode ser aplicada à sua vida? Simples: O homem tem que se arrepender e crer. Ele precisa deixar para trás seus pecados e depois sentir-se perdoado. Não pode encobrir coisa alguma, defender-se e escusar-se.

O homem não pode tentar fazer acordos com Deus, tem que baixar a cabeça ante o descontentamento divino. Deve reconhecer que está disposto a morrer. Depois, espera e confia no Senhor ressuscitado, porque do Senhor vem a vida, o renascimento, a purificação e o poder.

A cruz que deu fim à vida terrena de Jesus põe fim ao pecador; e o poder que ressuscitou a Cristo dos mortos, agora ergue o pecador para sua nova vida com Cristo. Àqueles que fazem objeção a esse fato ou acham que é um ponto de vista estreito e particular da verdade, é preciso dizer que Deus estabeleceu sua marca de aprovação dessa mensagem dos dias de Paulo até hoje. Ditas ou não com essas mesmas palavras, este tem sido o conteúdo de todas as pregações que trouxeram vida e poder ao mundo ao longo dos séculos. Os místicos, os reformadores e os avivalistas deram ênfase à cruz, e sinais, milagres e maravilhas de poder do Espírito Santo são testemunhas da aprovação de Deus.

Será que nós, os herdeiros desse legado de poder podemos contender com a verdade? Será que podemos com nossos lápis (escritos) apagar a marca registrada ou alterar o modelo que nos foi mostrado no monte? Que Deus nos proíba! Preguemos sobre a velha cruz e conheceremos o velho poder.

Extraído de Man, the dwelling place of God (O homem, habitação de Deus), 1966.

O Princípio Puritano da Adoração

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Por Dr. W Young

Dito mais precisamente, o objeto do presente estudo pode ser formulado como “O Princípio Regulador do Culto Reformado nos Escritores Puritanos e a Sua Aplicação ao Cântico de Louvor na Adoração”.

A importância do princípio regulador do culto, para a origem e o caráter essencial do movimento Puritano, vê-se na definição de Puritanismo dada pelo Professor Horton Davies em sua obra clássica sobre “O Culto dos Puritanos Ingleses” (The Worship of the English Puritans - Capítulo 1, página 1), “O Puritanismo é definido, mais precisamente, como o modo de ver que caracterizou o partido Protestante radical dos dias da Rainha Elizabeth, que considerava a Reforma como incompleta e desejava moldar o culto e o governo da igreja inglesa de acordo com a Palavra de Deus”.

Pode-se dizer que a aplicação deste princípio goza de uma certa primazia quanto ao culto mais do que sobre o governo da igreja. Apesar disso, na concepção Reformada, ambos são, em estrutura essencial e procedimento, prescritos inteiramente na Sagrada Escritura conforme o princípio regulador, como entendido pelos teólogos Reformados, e especialmente pelos Puritanos. O Puritanismo, na verdade, começou como fato histórico com a aplicação deste princípio ao culto e mais tarde tornou-se crescentemente preocupado com a sua aplicação ao governo da igreja e às relações entre Igreja e Estado. Conquanto, com relação a este último, os Puritanos se dividissem em diversos campos todos tinham um único pensamento quanto a aplicação do princípio regulador ao culto eclesiástico, e é necessário ter um entendimento adequado disso para se compreender apropriadamente o sentido do movimento Puritano no passado e qual a sua relevância para os nossos problemas presentes.

O princípio Puritano do culto não foi invenção dos Puritanos, mas foi formulado por Calvino e adotado por todas as Igrejas Reformadas. Ele se opõe à visão Luterana que, em contraste, defendia que aquilo que não está proibido na Palavra de Deus pode ser permitido no Culto a Deus, e considerava as cerimônias na adoração, em grande parte, como coisas indiferentes (adiaforia), isto é, coisas não ordenadas nem proibidas nas Escrituras. O trigésimo quarto dos trinta e nove Artigos da Igreja da Inglaterra segue a linha Luterana em sua declaração de que “não é necessário que tradições e cerimônias sejam únicas em todas as partes, ou exatamente iguais; pois sempre têm sido diferentes e podem ser modificadas conforme a diversidade de países, os tempos e os modos dos homens, desde que nada seja ordenado contra a Palavra de Deus”.

Em oposição ao Luteranismo a visão Reformada tem sido, por unanimidade, a de que somente aquilo que está prescrito na Palavra de Deus pode ser introduzido no culto a Deus. Calvino afirmou claramente este princípio regulador e aplicou-o consistentemente na Reforma em Genebra. Ele está implícito na sua consagrada definição de religião pura e genuína como a “fé em Deus associada ao verdadeiro temor — temor que traz em si mesmo tanto a reverência voluntária, quanto uma adoração tão legítima como prescrita pela lei” (Institutas I, ii, 3). A corrupção da pura religião com a introdução de formas de culto inventadas pelo homem era, para Calvino, a marca da futilidade e cegueira da natureza humana decaída. Ao argumentar contra a idolatria e o culto a imagens e ao distinguir a verdadeira religião da superstição ele apelava igualmente para este princípio regulador, do mesmo modo que a sua discussão da legislação eclesiástica demonstra como este princípio havia permeado totalmente a sua opinião como a base principal para rejeitar-se as tradições dos homens.

Calvino encontrou o princípio regulador do culto estabelecido no segundo mandamento do decálogo, o qual expôs do seguinte modo:

“Assim como no primeiro mandamento o Senhor declara que é o único Deus, e que além dEle não se deve adorar ou imaginar outros deuses, do mesmo modo Ele aqui explica mais claramente qual é a Sua natureza e por qual tipo de adoração deve ser honrado, para que não nos atrevamos a imaginá-Lo como algo carnal. O teor do mandamento é, portanto, que Ele não permite que o Seu culto legítimo seja profanado com ritos supersticiosos. Por isso, pode-se afirmar resumidamente que Ele quer que nos apartemos totalmente das frívolas observâncias carnais que as nossas mentes néscias têm o hábito de inventar depois de formar uma grotesca idéia da natureza divina; e, conseqüentemente, Ele quer nos manter dentro do culto legítimo que Lhe é devido” (Institutas II, viii, 17).

Fonte: [ Blog dos Eleitos ]
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Um Credo para os Fundamentalistas

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Por: Augustus Nicodemus Lopes

É só uma sugestão. Acho que posso sugerir, pois fui criado numa denominação fundamentalista e mesmo que não pertença a ela hoje, continuo a ser chamado assim. Portanto, segundo meus críticos, devo entender razoavelmente do assunto.

Creio na inerrância das Escrituras. Isto não quer dizer que eu creio que a Bíblia foi ditada mecanicamente por Deus, que ela caiu pronta do céu, que sua linguagem é científica, que não há erros nas cópias, que as traduções são inerrantes (especialmente a King James), que as cópias em manuscritos existentes são inerrantes, que a Bíblia é exaustiva e que tudo que está na Bíblia é fácil de entender e interpretar. Quer dizer que eu acredito que os manuscritos originais foram infalivelmente inspirados por Deus e que, em conseqüência, a Bíblia é verdadeira em tudo o que afirma. Creio que pelas cópias existentes podemos ter certeza quase plena do que havia nos originais e que muitas das partes polêmicas e difíceis de interpretar não afetam a compreensão correta do todo.

Creio na divindade de Jesus Cristo. Isso não quer dizer que eu negue sua plena humanidade, a realidade de suas tentações, a sua preocupação com os pobres e as questões sociais. Não quer dizer que eu negue que ele foi gente de verdade, capaz de rir, de chorar, que passou por perplexidades e que aprendeu muita coisa gradativamente como as outras pessoas. Quer dizer tão somente que creio que ele era verdadeiro Deus e verdadeiro homem, muito embora eu não tenha todas as respostas para as perguntas levantadas pela doutrina das suas duas naturezas. Creio que sua morte na cruz tem eficácia para perdoar meus pecados, visto que não era um mero homem morrendo por suas próprias faltas. Sua vida, suas ações e seus movimentos podem servir de modelo para mim, embora sua religião não possa, pois ele não era cristão, como eu já disse em outra postagem aqui no blog.

Creio em todos os milagres que a Bíblia relata. Isso não quer dizer que eu acredite que milagres acontecem todos os dias, que milagres contemporâneos são indispensáveis para que eu acredite em Jesus Cristo, que Deus cura somente pela fé e que tomar remédio e ir ao médico é pecado. Também não quer dizer que eu acredite que os milagres narrados na Bíblia foram coincidências com fenômenos naturais, interpretados pelos antigos como ações de Deus, como uma enchente de barro vermelho no Nilo que parecia sangue, um tremor de terra exatamente no mesmo momento em que Josué mandou tocar as trombetas em Jericó ou um eclipse na hora que ele mandou o sol parar. Quer dizer que eu creio que os milagres bíblicos realmente aconteceram conforme estão escritos, que não são mitos, lendas, sagas, estórias ou midrashes. Creio que Deus, se quisesse, poderia fazê-los todos de novo hoje apesar de que, mesmo assim, os incrédulos continuariam a procurar outras explicações.

Creio na ressurreição física de Cristo de entre os mortos. Isso não quer dizer que eu coloque o corpo acima do espírito e nem que eu seja um ingênuo que ignora o fato que cadáveres não revivem cotidianamente. Também não quer dizer que eu ignore as tentativas de explicações alternativas existentes para o túmulo vazio, a falta do corpo de Jesus até hoje e a mudança de atitude dos discípulos. Também não quer dizer que eu acredito que Jesus hoje apareça diariamente às pessoas. Quer dizer que eu creio que ele realmente ressurgiu dos mortos e que vive eternamente com aquele corpo ressurreto e glorioso, com o qual retornará em data não sabida a esse mundo, para buscar os seus e julgar os demais. Creio que a ressurreição de Cristo é essencial para o Cristianismo. Se Cristo não ressuscitou fisicamente dos mortos, o Cristianismo é uma farsa.

Creio que somente mediante a fé em Jesus Cristo como único Senhor e Salvador é que as pessoas podem ser perdoadas e salvas. Isto não quer dizer que eu desconheça o fato de que existem pessoas de bem, honestas, sinceras e de boa conduta entre aqueles que não acreditam em Deus e muito menos em Cristo. Tampouco quer dizer que todos aqueles que têm fé em Jesus Cristo são perfeitamente bons, justos e santos. O que eu quero dizer é que somos todos pecadores, uns mais, outros menos, uns ostensivamente, outros em oculto, e que somente pela confiança no que Cristo fez por nós é que poderemos ser aceitos por Deus – e não por méritos pessoais. Neste sentido, acredito que fora da fé em Cristo não há salvação, perdão ou reconciliação com Deus.

Creio em verdades absolutas. Isto não quer dizer que eu ignore que as pessoas têm diferentes compreensões de um mesmo fato. Quer dizer apenas que, para mim, quando não se complementam, tais diferentes compreensões são contraditórias e uma delas – ou várias – devem estar erradas. Acredito em absolutos morais, em leis espirituais de natureza universal, em declarações unívocas e também que Deus se revelou de maneira proposicional nas Escrituras.

Creio em tolerância. Isto não quer dizer que eu seja inclusivista e relativista, mas simplesmente que não deixarei de me relacionar com uma pessoa simplesmente porque considero que ela está equivocada teologicamente. Para mim, a tolerância pregada pelo mundo moderno é aquela característica de pessoas que não têm convicções, que não têm opiniões formadas sobre nada e que vivem numa perpétua metamorfose ambulante. Eu acredito que é possível, sim, ter convicções profundas – especialmente na área de religião – e ainda assim se manter o diálogo com quem diverge.

Tem mais coisa a ser incluída neste credo fundamentalista, mas tá bom. O que eu quero mostrar é que tem muita gente que tem o mesmo credo acima, e que é fundamentalista sem saber. Alguns ultra-fundamentalistas vão achar que eu sou liberal.

Fonte: [ O Tempora, O Mores! ]
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Festa RAVE gospel

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Por: Renato Vargens


Em nome da contextualização e da necessidade de se modernizar a propagação da Palavra de Deus, tem sido comum por parte de alguns pastores e líderes evangélicos a utilização de estratégias diferenciadas na “evangelização”.

A cada instante, movidos por poderosas revelações, novas e mirabolantes estratégias tem sido criadas na expectativa de arrebanhar para os apriscos da fé, um número cada vez mais significativo de jovens. E é pensando assim que eventos dos mais estranhos possíveis têm sido criados por parte da liderança evangélica neste país, como por exemplo, o aparecimento de boates e discotecas gospel. Aliás, você já reparou que nós evangélicos temos a facilidade de transformar tudo em gospel? Para tais pastores, boates e discotecas tornaram-se “álibis” indispensáveis para se pregar “as boas novas” de Cristo Jesus. Na verdade, neste Brasil tupiniquim, cada vez mais em nome de uma liberdade cristã, os jovens abandonam a palavra e o discipulado bíblico em detrimento às festas e eventos que celebram efusivamente o hedonismo exacerbado de um tempo pós-moderno.

Para piorar as coisas, tais evangélicos criaram a RAVE GOSPEL. Confesso que fico estupefato com a capacidade evangélica de elucubrar sandices. Sem sombra de dúvidas isso é O FIM DA PICADA. Ouso afirmar que do jeito que a coisa anda daqui a pouco teremos um tipo de ecstasy gospel.



Prezados, confesso que estou absolutamente perplexo e preocupado com os rumos da igreja evangélica brasileira. Isto porque, em detrimento do “novo” têm-se optado por um caminho onde se negocia o que não se pode negociar. Cadê o compromisso com a Santa Palavra de Deus? Onde está o imperioso desejo de se fazer à vontade do Senhor em todos os momentos da vida? Por que será que temos coxeado entre dois pensamentos?

Pois é, isto posto, chego a conclusão que mais do que nunca a igreja evangélica brasileira precisa de uma nova reforma.

Com lágrimas nos olhos,

Renato Vargens
Fonte: [ Blog do autor ]

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Anderson Silva e Vítor Belfort: cristianismo autêntico

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Semana passada, o UFC 126 tomou proporções incríveis, principalmente nas redes sociais, porque se tratava de um duelo entre dois brasileiros que um dia treinaram juntos: Anderson Silva (o "Aranha") e Vítor Belfort (The Phenom), sendo este o desafiante da noite ao cinturão dos pesos médios. Na madrugada de sábado para domingo, milhões de pessoas em todo o mundo acompanharam aquela que foi chamada de "a luta do século". E tomar partido entre um e outro estava difícil até a entrevista coletiva e a pesagem, quando o Anderson mostrou uma petulância que lhe fez merecedor de todas as vaias recebidas na entrada do octógono.

Pronto, agora ficara fácil torcer. Vitor Belfort, após a sua conversão, tem sustentado um bom testemunho e, após o trauma familiar vivido anos atrás, seria perfeitamente justo ele ser coroado com a tão pregada "dupla honra" ou "a glória da segunda casa" ou "ser posto como cabeça". Enfim, torcida e oração se misturaram com naturalidade; ele estava se preparando à exaustão. Por certo, Deus o honraria! Até porque a conquista do cinturão seria para a glória de Deus e uma oportunidade única de falar do seu amor para todo o planeta! Enfim, tudo caminhava para um final feliz, até que... um chute frontal de Anderson Silva fez Belfort quase perder os sentidos e consequentemente a luta.

Talvez você se pergunte o que isto tem a ver com nossas vidas e com a fé que dizemos professar. Tem que uma certa pregação perigosa faz um novo convertido compreender que "estar na igreja é se dar bem". Mesmo quem isso não prega, acaba confirmando essa idéia quando chega a nível de incentivo e diz: ó, Deus tá nesse negócio, hein varão! Ó, grande será a tua vitória! Ó, vejo Deus abrindo uma porta! Ora, ora, se Deus não mandou dizer, não diga nada ou seja sincero, pois, torcer por alguém não é pecado nem coisa de nova era. Bem melhor que criar a falsa expectativa de que uma intervenção divina poderá mudar as coisas ou que se ELE tiver que intervir será a seu favor, é claro, pois você é crente...

Não sei qual é a opção religiosa do Anderson Silva, mas, não pode ser por um acaso que alguém ganha 12 lutas consecutivas sendo 8 delas defesa de cinturão. O cara assiste metodicamente todas as lutas de seus desafiantes e possíveis adversários diariamente. Isso nos deixa claro que Deus não fará por você o que você tem que fazer só pelo fato de você ser crente. Nem pense em melhorar suas finanças contando com uma "mudança de sorte" sem fazer por onde. Todos já somos abençoados em Cristo Jesus, logo, façamos a nossa parte sem ficar numa espécie de espiritualidade mística.

Acredito que o futuro reserva grandes vitórias a Belfort e isso não pelo fato de ser um homem de Deus, mas, porque é persistente e sabe o que é superação (nem me venha com aquele papinho de que ele não venceu porque Deus sabia que ele não estava preparado para a benção e tal... como se o esforço do Anderson de nada servisse, vejam só!). A questão é que mesmo espiritualmente sendo mais do que vencedor ele terá que conviver para sempre com esta derrota. E não foi qualquer derrota. Foi uma derrota acachapante. Daquelas que serão lembradas para sempre.

Assim é o cristianismo autêntico.

Permaneçamos firmes!

O Mito do Livre Arbítrio

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Por: Water Chantry

A maioria das pessoas diz que crê no “livre-arbítrio”. Você tem alguma idéia do que isso significa? Acredito que você achará grande quantidade de superstição sobre este assunto. A vontade é louvada como o grande poder da alma humana, que é completamente livre para dirigir nossa vida. Mas, do que ela é livre? E qual é o seu poder?

O mito da liberdade circunstancial

Ninguém nega que o homem tem vontade – ou seja, a capacidade de escolher o que ele quer dizer, fazer e pensar. Mas, você já refletiu sobre a profunda fraqueza de sua vontade? Embora você tenha a habilidade de fazer uma decisão, você não tem o poder de realizar seu propósito. A vontade pode planejar um curso de ação, mas não tem nenhum poder de executar sua intenção.

Os irmãos de José o odiavam. Venderam-no para ser um escravo. Mas Deus usou as ações deles para torná-lo governador sobre eles. Escolheram seu curso de ação para fazer mal a José. Mas, em seu poder, Deus dirigiu os acontecimentos para o bem de José. Ele disse: “Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem” (Gn 50.20).

E quantas de nossas decisões são terrivelmente frustradas? Você pode escolher ser um milionário, mas a providência de Deus talvez o impedirá. Você pode decidir ser um erudito, mas a saúde ruim, um lar instável ou a falta de condições financeiras podem frustrar sua vontade. Você escolhe sair de férias, mas, em vez disso, um acidente de automóvel pode enviar-lhe para o hospital.

Por dizer que sua vontade é livre, certamente não estão queremos dizer que isso determina o curso de sua vida. Você não escolheu a doença, a tristeza, a guerra e a pobreza que o têm privado de felicidade. Você não escolheu ter inimigos. Se a vontade do homem é tão poderosa, por que não escolhemos viver sem cessar? Mas você tem de morrer. Os principais fatores que moldam a sua vida não se devem à sua vontade. Você não seleciona sua posição social, sua cor, sua inteligência, etc.

Qualquer reflexão séria sobra a sua própria experiência produzirá esta conclusão: “O coração do homem traça o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos” (Pv 16.9). Em vez de exaltar a vontade humana, devemos humildemente louvar o Senhor, cujos propósitos moldam a nossa vida. Como Jeremias confessou: “Eu sei, ó Senhor, que não cabe ao homem determinar o seu caminho, nem ao que caminha o dirigir os seus passos” (Jr 10.23).

Sim, você pode escolher o que quer e pode planejar o que fará, mas a sua vontade não é livre para realizar qualquer coisa contrária aos propósitos de Deus. Você também não tem o poder de alcançar seus objetivos, mas somente aqueles que Deus lhe permite alcançar. Na próxima vez que você tiver tão enamorado de sua própria vontade, lembre a parábola de Jesus sobre o homem rico. O homem rico disse: “Farei isto: destruirei os meus celeiros, reconstruí-los-ei maiores e aí recolherei todo o meu produto e todos os meus bens... Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma” (Lc 12.18-21). Ele era livre para planejar, mas não para realizar. O mesmo acontece com você.

O mito da liberdade ética

A liberdade da vontade é citada como um fator importante em tomar decisões morais. Diz-se que a vontade do homem é livre para escolher entre o bem e o mal. Novamente temos de perguntar: do que ela é livre? E o que a vontade do homem é livre para escolher?

A vontade do homem é o seu poder de escolher entre alternativas. Sua vontade decide realmente suas ações dentre várias opções. Você tem a capacidade de dirigir seus próprios pensamentos, palavras e atos. Suas decisões não são formadas por uma força exterior, e sim dentro de você mesmo. Nenhum homem é compelido a agir em contrário a sua vontade, nem forçado a dizer o que ele não quer dizer. Sua vontade guia suas ações.

Isso não significa que o poder de decidir é livre de todas as influências. Você faz escolhas baseado em seu entendimento, seus sentimentos, nas coisas de que gosta e de que não gosta e em seus apetites. Em outras palavras, a sua vontade não é livre de você mesmo! As suas escolhas são determinadas por seu caráter básico. A vontade não é independente de sua natureza, e sim escrava dela. Suas escolhas não moldam seu caráter, mas seu caráter guia suas escolhas. A vontade é bastante parcial ao que você sabe, sente, ama e deseja. Você sempre escolhe com base em sua disposição, de acordo com a condição de seu coração.

É por essa razão que a sua vontade não é livre para fazer o bem. Sua vontade é serva de seu coração, e seu coração é mau. “Viu o Senhor que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração” (Gn 6.5). “Não há quem faça o bem, não há nem um sequer” (Rm 3.12). Nenhum poder força o homem a pecar em contrário à sua vontade; os descendentes de Adão são tão maus que sempre escolhem o mal.

Suas decisões são moldadas pelo seu entendimento, e a Bíblia diz sobre todos os homens: “Antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato” (Rm 1.21). O homem só pode ser justo quando deseja ter comunhão com Deus, mas “não há quem busque a Deus” (Rm 3.11). Seus desejos anelam pelo pecado, e, por isso, você não pode escolher a Deus. Escolher o bem é contrário à natureza humana. Se você escolher obedecer a Deus, isso será resultado de compulsão externa. Mas você é livre para escolher, e sua escolha está escravizada à sua própria natureza má.

Se carne fresca e salada fossem colocadas diante de um leão faminto, ele escolheria a carne. Isso aconteceria porque a natureza do leão dita a escolha. O mesmo se aplica ao homem. A vontade do homem é livre de força exterior, mas não é livre das inclinações da natureza humana. E essas inclinações são contra Deus. O poder de decisão do homem é livre para escolher o que o coração humano dita; portanto, não há possibilidade de um homem escolher agradar a Deus sem a obra anterior da graça divina.

O que muitas pessoas querem expressar quando usam o termo livre-arbítrio é a idéia de que o home é, por natureza, neutro e, por isso, capaz de escolher o bem ou o mal. Isso não é verdade. A vontade humana e toda a natureza humana é inclinada continuamente para o mal. Jeremias perguntou: “Pode, acaso, o etíope mudar a sua pele ou o leopardo, as suas manchas? Então, poderíeis fazer o bem, estando acostumados a fazer o mal” (Jr 13.23). É impossível. É contrário à natureza. Portanto, os homens necessitam desesperadamente da transformação sobrenatural de sua natureza, pois sua vontade está escravizada a escolher o mal.

Apesar do grande louvor que é dado ao “livre-arbítrio”, temos visto que a vontade do homem não é livre para escolher um curso contrário aos propósitos de Deus, nem é livre para agir em contrário à sua própria natureza moral. A sua vontade não determina os acontecimentos de sua vida, nem as circunstâncias dela. Escolhas éticas não são formadas por uma mente neutra, são sempre ditadas pelo que constitui a sua personalidade.

O mito da liberdade espiritual

No entanto, muitos afirmam que a vontade humana faz a decisão crucial de vida espiritual ou de morte espiritual. Dizem que a vontade é totalmente livre para escolher a vida eterna oferecida em Jesus ou rejeitá-la. Dizem que Deus dará um novo coração a todos que, pelo poder de seu próprio livre-arbítrio, escolherem receber a Jesus Cristo.

Não pode haver dúvida de que receber a Jesus Cristo é um ato da vontade humana. É freqüentemente chamado de “fé”. Mas, como os homens chegam a receber espontaneamente o Senhor? A resposta habitual é: “Pelo poder de seu próprio livre-arbítrio?” Como pode ser isso? Jesus é um Profeta – e receber a Jesus significa crer em tudo que ele diz. Em João 8.41-45, Jesus deixou claro que você é filho de Satanás. Esse pai maligno odeia a verdade e transmitiu, por natureza, essa mesma propensão ao seu coração. Por essa razão, Jesus disse: “Porque eu digo a verdade, não me credes”. Como a vontade humana escolherá crer no que a mente humana odeia e nega?

Além disso, receber a Jesus significa aceitá-lo como Sacerdote – ou seja, utilizar-se dele e depender dele para obter paz com Deus, por meio de seu sacrifício e intercessão. Paulo nos diz que a mente com a qual nascemos é hostil a Deus (Rm 8.7). Como a vontade escapará da influência da natureza humana que foi nascida com uma inimizade violente para com Deus? Seria insensato a vontade escolher a paz quando todo as outras partes do homem clamam por rebelião.

Receber a Jesus também significa recebê-lo como Rei. Significa escolher obedecer seus mandamentos, confessar seu direito de governar e adorá-lo em seu trono. Mas a mente, as emoções e os desejos humanos clamam: “Não queremos que este reine sobre nós” (Lc 19.14). Se todo o meu ser odeia a verdade de Jesus, odeia seu governo e odeia a paz com Deus, como a minha vontade pode ser responsável por receber a Jesus? Como pode um pecador que possui tal natureza ter fé?

Não é a vontade do homem, e sim a graça de Deus, que tem ser louvada por dar a um pecador um novo coração. A menos que Deus mude o coração, crie um novo espírito de paz, veracidade e submissão, a vontade do homem não escolherá receber a Jesus Cristo e a vida eterna nele. Um novo coração tem de ser dado antes que um homem possa escolher, pois a vontade humana está desesperadamente escravizada à natureza má do homem até no que diz respeito à conversão. Jesus disse: “Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo” (Jo 3.7). A menos que você nasça de novo, jamais verá o reino de Deus.

Leia João 1.12-13. Essa passagem diz que aqueles que crêem em Jesus foram nascidos não “da vontade do homem, mas de Deus”. Assim como a sua vontade não é responsável por sua vinda a este mundo, assim também ela não é responsável pelo novo nascimento. É o seu Criador que tem de ser agradecido por sua vida. E, “se alguém está em Cristo, é nova criatura” (2 Co 5.17). Quem escolheu ser criado? Quando Lázaro ressuscitou dos mortos, ele pôde, então, escolher obedecer o chamado de Cristo, mas ele não pôde escolher vir à vida. Por isso, Paulo disse em Efésios 2.5: “Estando nós mortos em nossos delitos, [Deus] nos deu vida juntamente com Cristo, — pela graça sois salvos” (Ef 2.5). A fé é o primeiro ato de uma vontade que foi tornada nova pelo Espírito Santo. Receber a Cristo é um ato do homem, assim como respirar, mas, primeiramente, Deus tem de dar a vida.

Não é surpreendente que Martinho Lutero tenha escrito um livro intitulado A Escravidão da Vontade, que ele considerava um de seus mais importantes tratados. A vontade está presa nas cadeias de uma natureza humana má. Você que exalta, com grande força, o livre-arbítrio está se agarrando a uma raiz de orgulho. O homem, caído no pecado, é totalmente incapaz e desamparado. A vontade do homem não oferece qualquer esperança. Foi a vontade, ao escolher o fruto proibido, que nos colocou em miséria. Somente a poderosa graça de Deus oferece livramento. Entregue-se à misericórdia de Deus para a sua salvação. Peça ao Espírito de Graça que crie um espírito novo em você.

- Walter Chantry, nascido em 1938, foi pastor da Grace Baptist Church em Carlisle, PA, EUA por 39 anos, até o ano de 2002. Chantry recebeu seu Mdiv pelo seminário teológico Westminster, PA, foi editor da revista “The Banner of Truth” e é escritor e preletor em conferências teológicas.

Traduzido por: Wellington Ferreira
Copyright© Walter Chantry
©Editora Fiel
Traduzido do original em inglês: The Myth of Free Will
Extraído do site: [ The Highway ]
Fonte: [ Editora Fiel ]

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O Ofíuco da Questão

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Por Cleber Olympio

Que não levantes os teus olhos aos céus e vejas o sol, e a lua, e as estrelas, todo o exército dos céus; e sejas impelido a que te inclines perante eles, e sirvas àqueles que o SENHOR teu Deus repartiu a todos os povos debaixo de todos os céus. (Dt 4:14)

O ano de 2011 começou com uma polêmica tida como "assustadora" pela comunidade internacional. Trata-se da inclusão, no Zodíaco, de uma nova constelação, o que em tese terminaria com a suposta "harmonia" de 12 constelações. Essa "nova" constelação é a do Serpentário, também conhecida como Ofíuco (lat. Ophiuchus) e que, na prática, conflita com a Astrologia e sua divisão, tida como equânime, entre as constelações e seus correspondentes signos.

Sobretudo na minha adolescência, fui interessado em observar o céu, e só abandonei o interesse em estudar a Astronomia a fundo por ter de ser, nos dizeres de um antigo professor, "um ótimo químico, um excelente físico e um excepcional matemático", características que jamais possuí. Nessas observações, que percorriam noites adentro, percebia que, ao menos, uma das partes de Ofiúco cruzava a Eclítica, linha imaginária que passa pelo céu e corta as constelações que, segundo o plano terrestre, teriam o Sol em sua área durante determinado tempo. Como o ciclo anual é de doze meses, para cada um deles os povos antigos elegeram uma constelação, e isso tinha a utilidade prática de marcar as estações do ano, auxiliar na previsão de chegada de estações de seca ou chuvosas, dentre outras, que permitiram, na verdade, a criação e evolução da Meteorologia. Acontece que, de uns 5 mil anos para cá, o eixo da Terra mudou, e consequentemente não enxergamos as constelações tal como eram quando ciências, como a Astronomia e a Meteorologia, foram criadas.

As mudanças foram tão repentinas e sérias que muitos signos, pelo (mau) uso que a Astrologia fez desse conhecimento astronômico, tiveram sua configuração completamente alterada. Alguns, como Escorpião, passaram a ter apenas 6 dias de duração, contra o aproximado 1 mês de antes, uma vez que o Sol cruza-lhe a área apenas durante 6 dias. Quem antes tinha um ascendente em determinado signo viu-se desnorteado, pois agora possui ascendente em outro: seus traços de personalidade, então, segundo esse "embasamento" astrológico, seriam completamente diferentes. Alguém que era, por exemplo, de Áries e poderia antes ser "intuitivo", hoje é de Touro e seria "agressivo".

Ora, afinal: a quem interessa essa gama de mudanças? Por que se viram, de uma só vez, todos os astrólogos, enredados por apuros difíceis de se desvencilhar? A explicação está justamente naquilo que lhes faltava, uma base sólida.

Desde há muito tempo sabe-se que os astros mudam de posição, segundo nosso ponto de vista. A Astrologia, entretanto, torna isso algo subjetivo, buscando embasamento "científico" para provar que os astros influem nas vidas de seres humanos que deles distam bastante, tudo sem a menor eficácia. O astrônomo Parke Kunkle, da Sociedade Astronômica do estado de Minnesota (EUA), declarou que o mapa astral de uma pessoa mostra um céu irreal, pois a posição das constelações lá inserida não é a mesma do céu de verdade. Elas, justamente por esse motivo, não têm poder algum de influir na vida e no comportamento de seres humanos, pois não é a posição do Sol numa delas que há de modificar acontecimentos na tão distante e insignificante Terra. O erro astrológico, então, está na origem, no centro de toda discussão e, por mais que teimem os astrólogos, o trabalho da Astrologia não possui eficácia alguma, é relegado ao acaso e à suposição de verdade, que pode dar certo, "desde que a pessoa acredite que vai dar certo". Diante de abundâncias evidências para se comprovar o absurdo astrológico, por que tantos não saem de casa sem ler o horóscopo do dia?

Vários são os problemas que se podem detectar, quando a pessoa não tem a Deus no centro de sua vida. Desde a queda do homem, em Adão, e a consequente formação de seres humanos distantes da graça e conhecimento divinos, cada qual foi trilhando seus próprios caminhos. Usam do conhecimento adquirido com relativa propriedade – até mesmo por questões de sobrevivência – mas erram, ao lhe darem ares espirituais, de algo revestido de uma pretensa autoridade e eficácia que não detêm, impingindo sobre as pessoas temor de tal sorte que contestar o sacerdote era presságio de mau agouro, desastre na vida pessoal ou mesmo a morte. Não apenas entre os egípcios e babilônicos, que tinham mania de divinizar todo e qualquer elemento natural, mas hoje em dia vê-se o mesmo ranço teológico contaminando a vida das pessoas que, pautadas na ignorância, veem nos astros a resposta para seus problemas existenciais, ou algo em que se apoiar para a tomada de decisões. Se isso fosse problema de ignorância intelectual, não teríamos tantos, famosos até, que possuem acesso enorme ao conhecimento, à cultura e à literatura, mas que devotam suas vidas à puerilidade de investigar, de acordo com os astros, "como será o amanhã". E se o problema, então, não é de ordem intelectual, há algo que anda faltando nessas vidas: não fosse assim o Senhor não teria dado a expressa ordem de o hebreu jamais se submeter aos elementos naturais, assim como fazia quando estava no Egito.

O problema principal é o afastamento de Deus, ocasionado pelo pecado. Sem Deus o ser humano encontra-se fora de sua natureza original: a natureza decaída tira do homem a sua dignidade, rebaixando-o a uma condição lamentável, colocando-o aquém dos próprios animais por conta de suas atitudes autodestrutivas. A excelência da criação divina foi maculada por algo tão nocivo que lhe tira o discernimento sobre sua própria natureza. Sem a contaminação do pecado, o ser humano percebe que os astros compõem a criação divina, e podem ser admirados por sua beleza, motivos de louvor ao Senhor e úteis para orientação noturna, não para serem adorados e reverenciados como os responsáveis pelas mudanças na vida do homem. Outro problema são as consequências da separação entre o Senhor e o homem: o principal fruto disso é o cultivo do egoísmo, de buscar ver nos astros a resposta para as perguntas essenciais "quem sou eu?", ou "de onde vim?", ou "para onde vou?", e se esquivar da ideia de um Criador entre o ser humano e seus interesses pessoais, traduzidos num relacionamento com o "Cosmo". Finalmente, traz-se o cultivo da idolatria, uma vez que todas as referências astrológicas têm a referência a supostos poderes dos astros, de influírem no cotidiano humano, respondem-lhes as dúvidas existenciais já expostas e lhes aconselham a tomar decisões, aspectos esses típicos de consulta a um deus qualquer. A Bíblia trata como abominação não apenas a realização de consultas aos astros, mas também a de procurar suas orientações (Dt 17:3-5).

Não há apenas condenação dessa prática, mas sim deve-se mostrar que a única saída da Astrologia é deixar suas teorias, sua desorientação que se pauta em bases extremamente volúveis, enganosas e fracas, e curvar-se ao Senhor Deus que é dono da dinâmica celeste e de cada estrela componente das constelações do Zodíaco. A busca do ser humano por respostas é legítima, assim como a orientação para o cotidiano e o tratamento das suas questões espirituais, e isso não deve ser tratado com a leviandade do pecado, que seduz pelo enaltecimento do ego de quem é incauto – uma vez que os conselhos astrológicos sempre são genéricos e contêm palavras bonitas – e nada traz de bom, a não ser o estímulo ao erro e a condução à morte. Vê-se que a fé em coisas move muitos que procuram amoldar sua personalidade a um suposto signo, e que mesmo diante de comprovações científicas relativas ao erro de alinhamentos de planetas e constelações nos mapas astrais, essas pessoas insistem em permanecer no erro, por sua conveniência e futura condenação.

Um ninho de cobras – um serpentário – fez movimentar outro ninho de cobras. O sistema se boicotou pelo próprio sistema, de astro para astro. O engano se demonstrou patente diante da comunidade internacional. Há como ficar impassível, diante do que a Astrologia se mostrou, nos últimos tempos? Que estes possam olhar além dos astros, planetas e constelações, e descubram a verdade através do Deus Criador de todas as coisas, o único capaz de reger todo o universo.

Fonte: [ Militar Cristão ]
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Sobre o Orgulho

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Por: J. Edwards

Os cristãos aos quais o apóstolo Paulo remeteu a epísto­la aos Coríntios viviam em uma parte do mundo onde a sabedoria humana ti­nha grande reputação. Como o apóstolo observa no versículo 22 deste capítulo, "os gregos buscam sabedoria". Corinto não ficava longe de Atenas, que por muitos séculos foi a mais famosa cidade da filosofia e aprendizagem no mundo. O apóstolo lhes observa como Deus, pelo evangelho, destruiu e aniquilou a sabedoria de­les. Os gregos cultos e seus notáveis filósofos, mediante toda sua sabedoria, não conheceram a Deus, nem puderam descobrir a ver­dade acerca das coisas divinas. Mas, depois de em vão terem feito o máximo que puderam, por fim aprouve a Deus se revelar pelo evangelho que eles consideravam tolice: "Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus esco­lheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes. E Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são para aniquilar as que são" (1 Co 1.27,28).

O apóstolo os informa no texto por que Ele fez assim: "Para que nenhuma carne se glorie perante ele" — sobre cujas palavras po­demos fazer duas observações:

1. O que Deus visa na disposição das coisas na questão da redenção, ou seja, para que o homem não se glorie em si mesmo, mas só em Deus; "para que nenhuma carne se glorie perante ele. Para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor" (1 Co 1.29,31).

2.Como este propósito é alcançado na obra de redenção, ou seja, pela dependência absoluta e imediata que os homens têm em Deus e nessa obra, visando ao seu benefício.

Em primeiro lugar, consideremos todo o benefício que eles pos­suem em Cristo e através dEle. Ele nos "foi feito por Deus sabe­doria, e justiça, e santificação, e redenção". Todo o benefício da criatura caída e redimida consiste nestas quatro características e não pode ser melhor distribuído do que nelas. Através de nós, Cristo é cada uma delas, e não temos nenhuma delas senão por Ele. Cristo nos foi feito por Deussabedoria. NEle está todo o benefício e a verdadeira excelência do entendimento. A sabedo­ria era algo que os gregos admiravam, mas Cristo é a verdadeira luz do mundo; somente por Ele que a verdadeira sabedoria é concedida à mente. Através de Cristo temos justiça. E permane­cendo nEle que somos justificados, temos nossos pecados per­doados e somos recebidos como justos no favor de Deus. Atra­vés de Cristo temos santificação. Temos nEle a verdadeira exce­lência de coração como também de entendimento. Ele nos é feito justiça inerente como também imputada. E através de Cristo que temos redenção ou a verdadeira libertação de toda miséria e a concessão de toda felicidade e glória. Portanto, temos todo o nosso benefício por Cristo que é Deus.

Em segundo lugar, outra instância na qual aparece nossa depen­dência de Deus para o nosso próprio benefício, é esta, que Deus é quem nos deu Cristo, e que nós podemos ter estes benefícios através dEle, pois Ele nos "foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção".

Em terceiro lugar, é por Deus que estamos em Cristo Jesus e viemos a ter interesse nEle, e assim recebemos essas bênçãos que nos foramconcedidas por Ele. Deus nos dá a fé por meio da qual aceitamos a Cristo.

Este versículo demonstra nossa dependência em relação a cada pessoa da Trindade, para o nosso próprio benefício. Somos de­pendentes de Cristo, o Filho de Deus, visto que Ele é nossa sabe­doria, justiça, santificação e redenção. Nós somos dependentes do Pai que nos deu Cristo e o fez ser estas características por nós. Nós somos dependentes do Espírito Santo, pois por meio dEle estamos em Cristo Jesus. O Espírito de Deus nos dá fé em Cristo, pelo qual o recebemos e o aceitamos.

Fonte:[ Plugados com Deus ]
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