Festa RAVE gospel

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Por: Renato Vargens


Em nome da contextualização e da necessidade de se modernizar a propagação da Palavra de Deus, tem sido comum por parte de alguns pastores e líderes evangélicos a utilização de estratégias diferenciadas na “evangelização”.

A cada instante, movidos por poderosas revelações, novas e mirabolantes estratégias tem sido criadas na expectativa de arrebanhar para os apriscos da fé, um número cada vez mais significativo de jovens. E é pensando assim que eventos dos mais estranhos possíveis têm sido criados por parte da liderança evangélica neste país, como por exemplo, o aparecimento de boates e discotecas gospel. Aliás, você já reparou que nós evangélicos temos a facilidade de transformar tudo em gospel? Para tais pastores, boates e discotecas tornaram-se “álibis” indispensáveis para se pregar “as boas novas” de Cristo Jesus. Na verdade, neste Brasil tupiniquim, cada vez mais em nome de uma liberdade cristã, os jovens abandonam a palavra e o discipulado bíblico em detrimento às festas e eventos que celebram efusivamente o hedonismo exacerbado de um tempo pós-moderno.

Para piorar as coisas, tais evangélicos criaram a RAVE GOSPEL. Confesso que fico estupefato com a capacidade evangélica de elucubrar sandices. Sem sombra de dúvidas isso é O FIM DA PICADA. Ouso afirmar que do jeito que a coisa anda daqui a pouco teremos um tipo de ecstasy gospel.



Prezados, confesso que estou absolutamente perplexo e preocupado com os rumos da igreja evangélica brasileira. Isto porque, em detrimento do “novo” têm-se optado por um caminho onde se negocia o que não se pode negociar. Cadê o compromisso com a Santa Palavra de Deus? Onde está o imperioso desejo de se fazer à vontade do Senhor em todos os momentos da vida? Por que será que temos coxeado entre dois pensamentos?

Pois é, isto posto, chego a conclusão que mais do que nunca a igreja evangélica brasileira precisa de uma nova reforma.

Com lágrimas nos olhos,

Renato Vargens
Fonte: [ Blog do autor ]

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Anderson Silva e Vítor Belfort: cristianismo autêntico

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Semana passada, o UFC 126 tomou proporções incríveis, principalmente nas redes sociais, porque se tratava de um duelo entre dois brasileiros que um dia treinaram juntos: Anderson Silva (o "Aranha") e Vítor Belfort (The Phenom), sendo este o desafiante da noite ao cinturão dos pesos médios. Na madrugada de sábado para domingo, milhões de pessoas em todo o mundo acompanharam aquela que foi chamada de "a luta do século". E tomar partido entre um e outro estava difícil até a entrevista coletiva e a pesagem, quando o Anderson mostrou uma petulância que lhe fez merecedor de todas as vaias recebidas na entrada do octógono.

Pronto, agora ficara fácil torcer. Vitor Belfort, após a sua conversão, tem sustentado um bom testemunho e, após o trauma familiar vivido anos atrás, seria perfeitamente justo ele ser coroado com a tão pregada "dupla honra" ou "a glória da segunda casa" ou "ser posto como cabeça". Enfim, torcida e oração se misturaram com naturalidade; ele estava se preparando à exaustão. Por certo, Deus o honraria! Até porque a conquista do cinturão seria para a glória de Deus e uma oportunidade única de falar do seu amor para todo o planeta! Enfim, tudo caminhava para um final feliz, até que... um chute frontal de Anderson Silva fez Belfort quase perder os sentidos e consequentemente a luta.

Talvez você se pergunte o que isto tem a ver com nossas vidas e com a fé que dizemos professar. Tem que uma certa pregação perigosa faz um novo convertido compreender que "estar na igreja é se dar bem". Mesmo quem isso não prega, acaba confirmando essa idéia quando chega a nível de incentivo e diz: ó, Deus tá nesse negócio, hein varão! Ó, grande será a tua vitória! Ó, vejo Deus abrindo uma porta! Ora, ora, se Deus não mandou dizer, não diga nada ou seja sincero, pois, torcer por alguém não é pecado nem coisa de nova era. Bem melhor que criar a falsa expectativa de que uma intervenção divina poderá mudar as coisas ou que se ELE tiver que intervir será a seu favor, é claro, pois você é crente...

Não sei qual é a opção religiosa do Anderson Silva, mas, não pode ser por um acaso que alguém ganha 12 lutas consecutivas sendo 8 delas defesa de cinturão. O cara assiste metodicamente todas as lutas de seus desafiantes e possíveis adversários diariamente. Isso nos deixa claro que Deus não fará por você o que você tem que fazer só pelo fato de você ser crente. Nem pense em melhorar suas finanças contando com uma "mudança de sorte" sem fazer por onde. Todos já somos abençoados em Cristo Jesus, logo, façamos a nossa parte sem ficar numa espécie de espiritualidade mística.

Acredito que o futuro reserva grandes vitórias a Belfort e isso não pelo fato de ser um homem de Deus, mas, porque é persistente e sabe o que é superação (nem me venha com aquele papinho de que ele não venceu porque Deus sabia que ele não estava preparado para a benção e tal... como se o esforço do Anderson de nada servisse, vejam só!). A questão é que mesmo espiritualmente sendo mais do que vencedor ele terá que conviver para sempre com esta derrota. E não foi qualquer derrota. Foi uma derrota acachapante. Daquelas que serão lembradas para sempre.

Assim é o cristianismo autêntico.

Permaneçamos firmes!

O Mito do Livre Arbítrio

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Por: Water Chantry

A maioria das pessoas diz que crê no “livre-arbítrio”. Você tem alguma idéia do que isso significa? Acredito que você achará grande quantidade de superstição sobre este assunto. A vontade é louvada como o grande poder da alma humana, que é completamente livre para dirigir nossa vida. Mas, do que ela é livre? E qual é o seu poder?

O mito da liberdade circunstancial

Ninguém nega que o homem tem vontade – ou seja, a capacidade de escolher o que ele quer dizer, fazer e pensar. Mas, você já refletiu sobre a profunda fraqueza de sua vontade? Embora você tenha a habilidade de fazer uma decisão, você não tem o poder de realizar seu propósito. A vontade pode planejar um curso de ação, mas não tem nenhum poder de executar sua intenção.

Os irmãos de José o odiavam. Venderam-no para ser um escravo. Mas Deus usou as ações deles para torná-lo governador sobre eles. Escolheram seu curso de ação para fazer mal a José. Mas, em seu poder, Deus dirigiu os acontecimentos para o bem de José. Ele disse: “Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem” (Gn 50.20).

E quantas de nossas decisões são terrivelmente frustradas? Você pode escolher ser um milionário, mas a providência de Deus talvez o impedirá. Você pode decidir ser um erudito, mas a saúde ruim, um lar instável ou a falta de condições financeiras podem frustrar sua vontade. Você escolhe sair de férias, mas, em vez disso, um acidente de automóvel pode enviar-lhe para o hospital.

Por dizer que sua vontade é livre, certamente não estão queremos dizer que isso determina o curso de sua vida. Você não escolheu a doença, a tristeza, a guerra e a pobreza que o têm privado de felicidade. Você não escolheu ter inimigos. Se a vontade do homem é tão poderosa, por que não escolhemos viver sem cessar? Mas você tem de morrer. Os principais fatores que moldam a sua vida não se devem à sua vontade. Você não seleciona sua posição social, sua cor, sua inteligência, etc.

Qualquer reflexão séria sobra a sua própria experiência produzirá esta conclusão: “O coração do homem traça o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos” (Pv 16.9). Em vez de exaltar a vontade humana, devemos humildemente louvar o Senhor, cujos propósitos moldam a nossa vida. Como Jeremias confessou: “Eu sei, ó Senhor, que não cabe ao homem determinar o seu caminho, nem ao que caminha o dirigir os seus passos” (Jr 10.23).

Sim, você pode escolher o que quer e pode planejar o que fará, mas a sua vontade não é livre para realizar qualquer coisa contrária aos propósitos de Deus. Você também não tem o poder de alcançar seus objetivos, mas somente aqueles que Deus lhe permite alcançar. Na próxima vez que você tiver tão enamorado de sua própria vontade, lembre a parábola de Jesus sobre o homem rico. O homem rico disse: “Farei isto: destruirei os meus celeiros, reconstruí-los-ei maiores e aí recolherei todo o meu produto e todos os meus bens... Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma” (Lc 12.18-21). Ele era livre para planejar, mas não para realizar. O mesmo acontece com você.

O mito da liberdade ética

A liberdade da vontade é citada como um fator importante em tomar decisões morais. Diz-se que a vontade do homem é livre para escolher entre o bem e o mal. Novamente temos de perguntar: do que ela é livre? E o que a vontade do homem é livre para escolher?

A vontade do homem é o seu poder de escolher entre alternativas. Sua vontade decide realmente suas ações dentre várias opções. Você tem a capacidade de dirigir seus próprios pensamentos, palavras e atos. Suas decisões não são formadas por uma força exterior, e sim dentro de você mesmo. Nenhum homem é compelido a agir em contrário a sua vontade, nem forçado a dizer o que ele não quer dizer. Sua vontade guia suas ações.

Isso não significa que o poder de decidir é livre de todas as influências. Você faz escolhas baseado em seu entendimento, seus sentimentos, nas coisas de que gosta e de que não gosta e em seus apetites. Em outras palavras, a sua vontade não é livre de você mesmo! As suas escolhas são determinadas por seu caráter básico. A vontade não é independente de sua natureza, e sim escrava dela. Suas escolhas não moldam seu caráter, mas seu caráter guia suas escolhas. A vontade é bastante parcial ao que você sabe, sente, ama e deseja. Você sempre escolhe com base em sua disposição, de acordo com a condição de seu coração.

É por essa razão que a sua vontade não é livre para fazer o bem. Sua vontade é serva de seu coração, e seu coração é mau. “Viu o Senhor que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração” (Gn 6.5). “Não há quem faça o bem, não há nem um sequer” (Rm 3.12). Nenhum poder força o homem a pecar em contrário à sua vontade; os descendentes de Adão são tão maus que sempre escolhem o mal.

Suas decisões são moldadas pelo seu entendimento, e a Bíblia diz sobre todos os homens: “Antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato” (Rm 1.21). O homem só pode ser justo quando deseja ter comunhão com Deus, mas “não há quem busque a Deus” (Rm 3.11). Seus desejos anelam pelo pecado, e, por isso, você não pode escolher a Deus. Escolher o bem é contrário à natureza humana. Se você escolher obedecer a Deus, isso será resultado de compulsão externa. Mas você é livre para escolher, e sua escolha está escravizada à sua própria natureza má.

Se carne fresca e salada fossem colocadas diante de um leão faminto, ele escolheria a carne. Isso aconteceria porque a natureza do leão dita a escolha. O mesmo se aplica ao homem. A vontade do homem é livre de força exterior, mas não é livre das inclinações da natureza humana. E essas inclinações são contra Deus. O poder de decisão do homem é livre para escolher o que o coração humano dita; portanto, não há possibilidade de um homem escolher agradar a Deus sem a obra anterior da graça divina.

O que muitas pessoas querem expressar quando usam o termo livre-arbítrio é a idéia de que o home é, por natureza, neutro e, por isso, capaz de escolher o bem ou o mal. Isso não é verdade. A vontade humana e toda a natureza humana é inclinada continuamente para o mal. Jeremias perguntou: “Pode, acaso, o etíope mudar a sua pele ou o leopardo, as suas manchas? Então, poderíeis fazer o bem, estando acostumados a fazer o mal” (Jr 13.23). É impossível. É contrário à natureza. Portanto, os homens necessitam desesperadamente da transformação sobrenatural de sua natureza, pois sua vontade está escravizada a escolher o mal.

Apesar do grande louvor que é dado ao “livre-arbítrio”, temos visto que a vontade do homem não é livre para escolher um curso contrário aos propósitos de Deus, nem é livre para agir em contrário à sua própria natureza moral. A sua vontade não determina os acontecimentos de sua vida, nem as circunstâncias dela. Escolhas éticas não são formadas por uma mente neutra, são sempre ditadas pelo que constitui a sua personalidade.

O mito da liberdade espiritual

No entanto, muitos afirmam que a vontade humana faz a decisão crucial de vida espiritual ou de morte espiritual. Dizem que a vontade é totalmente livre para escolher a vida eterna oferecida em Jesus ou rejeitá-la. Dizem que Deus dará um novo coração a todos que, pelo poder de seu próprio livre-arbítrio, escolherem receber a Jesus Cristo.

Não pode haver dúvida de que receber a Jesus Cristo é um ato da vontade humana. É freqüentemente chamado de “fé”. Mas, como os homens chegam a receber espontaneamente o Senhor? A resposta habitual é: “Pelo poder de seu próprio livre-arbítrio?” Como pode ser isso? Jesus é um Profeta – e receber a Jesus significa crer em tudo que ele diz. Em João 8.41-45, Jesus deixou claro que você é filho de Satanás. Esse pai maligno odeia a verdade e transmitiu, por natureza, essa mesma propensão ao seu coração. Por essa razão, Jesus disse: “Porque eu digo a verdade, não me credes”. Como a vontade humana escolherá crer no que a mente humana odeia e nega?

Além disso, receber a Jesus significa aceitá-lo como Sacerdote – ou seja, utilizar-se dele e depender dele para obter paz com Deus, por meio de seu sacrifício e intercessão. Paulo nos diz que a mente com a qual nascemos é hostil a Deus (Rm 8.7). Como a vontade escapará da influência da natureza humana que foi nascida com uma inimizade violente para com Deus? Seria insensato a vontade escolher a paz quando todo as outras partes do homem clamam por rebelião.

Receber a Jesus também significa recebê-lo como Rei. Significa escolher obedecer seus mandamentos, confessar seu direito de governar e adorá-lo em seu trono. Mas a mente, as emoções e os desejos humanos clamam: “Não queremos que este reine sobre nós” (Lc 19.14). Se todo o meu ser odeia a verdade de Jesus, odeia seu governo e odeia a paz com Deus, como a minha vontade pode ser responsável por receber a Jesus? Como pode um pecador que possui tal natureza ter fé?

Não é a vontade do homem, e sim a graça de Deus, que tem ser louvada por dar a um pecador um novo coração. A menos que Deus mude o coração, crie um novo espírito de paz, veracidade e submissão, a vontade do homem não escolherá receber a Jesus Cristo e a vida eterna nele. Um novo coração tem de ser dado antes que um homem possa escolher, pois a vontade humana está desesperadamente escravizada à natureza má do homem até no que diz respeito à conversão. Jesus disse: “Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo” (Jo 3.7). A menos que você nasça de novo, jamais verá o reino de Deus.

Leia João 1.12-13. Essa passagem diz que aqueles que crêem em Jesus foram nascidos não “da vontade do homem, mas de Deus”. Assim como a sua vontade não é responsável por sua vinda a este mundo, assim também ela não é responsável pelo novo nascimento. É o seu Criador que tem de ser agradecido por sua vida. E, “se alguém está em Cristo, é nova criatura” (2 Co 5.17). Quem escolheu ser criado? Quando Lázaro ressuscitou dos mortos, ele pôde, então, escolher obedecer o chamado de Cristo, mas ele não pôde escolher vir à vida. Por isso, Paulo disse em Efésios 2.5: “Estando nós mortos em nossos delitos, [Deus] nos deu vida juntamente com Cristo, — pela graça sois salvos” (Ef 2.5). A fé é o primeiro ato de uma vontade que foi tornada nova pelo Espírito Santo. Receber a Cristo é um ato do homem, assim como respirar, mas, primeiramente, Deus tem de dar a vida.

Não é surpreendente que Martinho Lutero tenha escrito um livro intitulado A Escravidão da Vontade, que ele considerava um de seus mais importantes tratados. A vontade está presa nas cadeias de uma natureza humana má. Você que exalta, com grande força, o livre-arbítrio está se agarrando a uma raiz de orgulho. O homem, caído no pecado, é totalmente incapaz e desamparado. A vontade do homem não oferece qualquer esperança. Foi a vontade, ao escolher o fruto proibido, que nos colocou em miséria. Somente a poderosa graça de Deus oferece livramento. Entregue-se à misericórdia de Deus para a sua salvação. Peça ao Espírito de Graça que crie um espírito novo em você.

- Walter Chantry, nascido em 1938, foi pastor da Grace Baptist Church em Carlisle, PA, EUA por 39 anos, até o ano de 2002. Chantry recebeu seu Mdiv pelo seminário teológico Westminster, PA, foi editor da revista “The Banner of Truth” e é escritor e preletor em conferências teológicas.

Traduzido por: Wellington Ferreira
Copyright© Walter Chantry
©Editora Fiel
Traduzido do original em inglês: The Myth of Free Will
Extraído do site: [ The Highway ]
Fonte: [ Editora Fiel ]

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O Ofíuco da Questão

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Por Cleber Olympio

Que não levantes os teus olhos aos céus e vejas o sol, e a lua, e as estrelas, todo o exército dos céus; e sejas impelido a que te inclines perante eles, e sirvas àqueles que o SENHOR teu Deus repartiu a todos os povos debaixo de todos os céus. (Dt 4:14)

O ano de 2011 começou com uma polêmica tida como "assustadora" pela comunidade internacional. Trata-se da inclusão, no Zodíaco, de uma nova constelação, o que em tese terminaria com a suposta "harmonia" de 12 constelações. Essa "nova" constelação é a do Serpentário, também conhecida como Ofíuco (lat. Ophiuchus) e que, na prática, conflita com a Astrologia e sua divisão, tida como equânime, entre as constelações e seus correspondentes signos.

Sobretudo na minha adolescência, fui interessado em observar o céu, e só abandonei o interesse em estudar a Astronomia a fundo por ter de ser, nos dizeres de um antigo professor, "um ótimo químico, um excelente físico e um excepcional matemático", características que jamais possuí. Nessas observações, que percorriam noites adentro, percebia que, ao menos, uma das partes de Ofiúco cruzava a Eclítica, linha imaginária que passa pelo céu e corta as constelações que, segundo o plano terrestre, teriam o Sol em sua área durante determinado tempo. Como o ciclo anual é de doze meses, para cada um deles os povos antigos elegeram uma constelação, e isso tinha a utilidade prática de marcar as estações do ano, auxiliar na previsão de chegada de estações de seca ou chuvosas, dentre outras, que permitiram, na verdade, a criação e evolução da Meteorologia. Acontece que, de uns 5 mil anos para cá, o eixo da Terra mudou, e consequentemente não enxergamos as constelações tal como eram quando ciências, como a Astronomia e a Meteorologia, foram criadas.

As mudanças foram tão repentinas e sérias que muitos signos, pelo (mau) uso que a Astrologia fez desse conhecimento astronômico, tiveram sua configuração completamente alterada. Alguns, como Escorpião, passaram a ter apenas 6 dias de duração, contra o aproximado 1 mês de antes, uma vez que o Sol cruza-lhe a área apenas durante 6 dias. Quem antes tinha um ascendente em determinado signo viu-se desnorteado, pois agora possui ascendente em outro: seus traços de personalidade, então, segundo esse "embasamento" astrológico, seriam completamente diferentes. Alguém que era, por exemplo, de Áries e poderia antes ser "intuitivo", hoje é de Touro e seria "agressivo".

Ora, afinal: a quem interessa essa gama de mudanças? Por que se viram, de uma só vez, todos os astrólogos, enredados por apuros difíceis de se desvencilhar? A explicação está justamente naquilo que lhes faltava, uma base sólida.

Desde há muito tempo sabe-se que os astros mudam de posição, segundo nosso ponto de vista. A Astrologia, entretanto, torna isso algo subjetivo, buscando embasamento "científico" para provar que os astros influem nas vidas de seres humanos que deles distam bastante, tudo sem a menor eficácia. O astrônomo Parke Kunkle, da Sociedade Astronômica do estado de Minnesota (EUA), declarou que o mapa astral de uma pessoa mostra um céu irreal, pois a posição das constelações lá inserida não é a mesma do céu de verdade. Elas, justamente por esse motivo, não têm poder algum de influir na vida e no comportamento de seres humanos, pois não é a posição do Sol numa delas que há de modificar acontecimentos na tão distante e insignificante Terra. O erro astrológico, então, está na origem, no centro de toda discussão e, por mais que teimem os astrólogos, o trabalho da Astrologia não possui eficácia alguma, é relegado ao acaso e à suposição de verdade, que pode dar certo, "desde que a pessoa acredite que vai dar certo". Diante de abundâncias evidências para se comprovar o absurdo astrológico, por que tantos não saem de casa sem ler o horóscopo do dia?

Vários são os problemas que se podem detectar, quando a pessoa não tem a Deus no centro de sua vida. Desde a queda do homem, em Adão, e a consequente formação de seres humanos distantes da graça e conhecimento divinos, cada qual foi trilhando seus próprios caminhos. Usam do conhecimento adquirido com relativa propriedade – até mesmo por questões de sobrevivência – mas erram, ao lhe darem ares espirituais, de algo revestido de uma pretensa autoridade e eficácia que não detêm, impingindo sobre as pessoas temor de tal sorte que contestar o sacerdote era presságio de mau agouro, desastre na vida pessoal ou mesmo a morte. Não apenas entre os egípcios e babilônicos, que tinham mania de divinizar todo e qualquer elemento natural, mas hoje em dia vê-se o mesmo ranço teológico contaminando a vida das pessoas que, pautadas na ignorância, veem nos astros a resposta para seus problemas existenciais, ou algo em que se apoiar para a tomada de decisões. Se isso fosse problema de ignorância intelectual, não teríamos tantos, famosos até, que possuem acesso enorme ao conhecimento, à cultura e à literatura, mas que devotam suas vidas à puerilidade de investigar, de acordo com os astros, "como será o amanhã". E se o problema, então, não é de ordem intelectual, há algo que anda faltando nessas vidas: não fosse assim o Senhor não teria dado a expressa ordem de o hebreu jamais se submeter aos elementos naturais, assim como fazia quando estava no Egito.

O problema principal é o afastamento de Deus, ocasionado pelo pecado. Sem Deus o ser humano encontra-se fora de sua natureza original: a natureza decaída tira do homem a sua dignidade, rebaixando-o a uma condição lamentável, colocando-o aquém dos próprios animais por conta de suas atitudes autodestrutivas. A excelência da criação divina foi maculada por algo tão nocivo que lhe tira o discernimento sobre sua própria natureza. Sem a contaminação do pecado, o ser humano percebe que os astros compõem a criação divina, e podem ser admirados por sua beleza, motivos de louvor ao Senhor e úteis para orientação noturna, não para serem adorados e reverenciados como os responsáveis pelas mudanças na vida do homem. Outro problema são as consequências da separação entre o Senhor e o homem: o principal fruto disso é o cultivo do egoísmo, de buscar ver nos astros a resposta para as perguntas essenciais "quem sou eu?", ou "de onde vim?", ou "para onde vou?", e se esquivar da ideia de um Criador entre o ser humano e seus interesses pessoais, traduzidos num relacionamento com o "Cosmo". Finalmente, traz-se o cultivo da idolatria, uma vez que todas as referências astrológicas têm a referência a supostos poderes dos astros, de influírem no cotidiano humano, respondem-lhes as dúvidas existenciais já expostas e lhes aconselham a tomar decisões, aspectos esses típicos de consulta a um deus qualquer. A Bíblia trata como abominação não apenas a realização de consultas aos astros, mas também a de procurar suas orientações (Dt 17:3-5).

Não há apenas condenação dessa prática, mas sim deve-se mostrar que a única saída da Astrologia é deixar suas teorias, sua desorientação que se pauta em bases extremamente volúveis, enganosas e fracas, e curvar-se ao Senhor Deus que é dono da dinâmica celeste e de cada estrela componente das constelações do Zodíaco. A busca do ser humano por respostas é legítima, assim como a orientação para o cotidiano e o tratamento das suas questões espirituais, e isso não deve ser tratado com a leviandade do pecado, que seduz pelo enaltecimento do ego de quem é incauto – uma vez que os conselhos astrológicos sempre são genéricos e contêm palavras bonitas – e nada traz de bom, a não ser o estímulo ao erro e a condução à morte. Vê-se que a fé em coisas move muitos que procuram amoldar sua personalidade a um suposto signo, e que mesmo diante de comprovações científicas relativas ao erro de alinhamentos de planetas e constelações nos mapas astrais, essas pessoas insistem em permanecer no erro, por sua conveniência e futura condenação.

Um ninho de cobras – um serpentário – fez movimentar outro ninho de cobras. O sistema se boicotou pelo próprio sistema, de astro para astro. O engano se demonstrou patente diante da comunidade internacional. Há como ficar impassível, diante do que a Astrologia se mostrou, nos últimos tempos? Que estes possam olhar além dos astros, planetas e constelações, e descubram a verdade através do Deus Criador de todas as coisas, o único capaz de reger todo o universo.

Fonte: [ Militar Cristão ]
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Sobre o Orgulho

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Por: J. Edwards

Os cristãos aos quais o apóstolo Paulo remeteu a epísto­la aos Coríntios viviam em uma parte do mundo onde a sabedoria humana ti­nha grande reputação. Como o apóstolo observa no versículo 22 deste capítulo, "os gregos buscam sabedoria". Corinto não ficava longe de Atenas, que por muitos séculos foi a mais famosa cidade da filosofia e aprendizagem no mundo. O apóstolo lhes observa como Deus, pelo evangelho, destruiu e aniquilou a sabedoria de­les. Os gregos cultos e seus notáveis filósofos, mediante toda sua sabedoria, não conheceram a Deus, nem puderam descobrir a ver­dade acerca das coisas divinas. Mas, depois de em vão terem feito o máximo que puderam, por fim aprouve a Deus se revelar pelo evangelho que eles consideravam tolice: "Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus esco­lheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes. E Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são para aniquilar as que são" (1 Co 1.27,28).

O apóstolo os informa no texto por que Ele fez assim: "Para que nenhuma carne se glorie perante ele" — sobre cujas palavras po­demos fazer duas observações:

1. O que Deus visa na disposição das coisas na questão da redenção, ou seja, para que o homem não se glorie em si mesmo, mas só em Deus; "para que nenhuma carne se glorie perante ele. Para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor" (1 Co 1.29,31).

2.Como este propósito é alcançado na obra de redenção, ou seja, pela dependência absoluta e imediata que os homens têm em Deus e nessa obra, visando ao seu benefício.

Em primeiro lugar, consideremos todo o benefício que eles pos­suem em Cristo e através dEle. Ele nos "foi feito por Deus sabe­doria, e justiça, e santificação, e redenção". Todo o benefício da criatura caída e redimida consiste nestas quatro características e não pode ser melhor distribuído do que nelas. Através de nós, Cristo é cada uma delas, e não temos nenhuma delas senão por Ele. Cristo nos foi feito por Deussabedoria. NEle está todo o benefício e a verdadeira excelência do entendimento. A sabedo­ria era algo que os gregos admiravam, mas Cristo é a verdadeira luz do mundo; somente por Ele que a verdadeira sabedoria é concedida à mente. Através de Cristo temos justiça. E permane­cendo nEle que somos justificados, temos nossos pecados per­doados e somos recebidos como justos no favor de Deus. Atra­vés de Cristo temos santificação. Temos nEle a verdadeira exce­lência de coração como também de entendimento. Ele nos é feito justiça inerente como também imputada. E através de Cristo que temos redenção ou a verdadeira libertação de toda miséria e a concessão de toda felicidade e glória. Portanto, temos todo o nosso benefício por Cristo que é Deus.

Em segundo lugar, outra instância na qual aparece nossa depen­dência de Deus para o nosso próprio benefício, é esta, que Deus é quem nos deu Cristo, e que nós podemos ter estes benefícios através dEle, pois Ele nos "foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção".

Em terceiro lugar, é por Deus que estamos em Cristo Jesus e viemos a ter interesse nEle, e assim recebemos essas bênçãos que nos foramconcedidas por Ele. Deus nos dá a fé por meio da qual aceitamos a Cristo.

Este versículo demonstra nossa dependência em relação a cada pessoa da Trindade, para o nosso próprio benefício. Somos de­pendentes de Cristo, o Filho de Deus, visto que Ele é nossa sabe­doria, justiça, santificação e redenção. Nós somos dependentes do Pai que nos deu Cristo e o fez ser estas características por nós. Nós somos dependentes do Espírito Santo, pois por meio dEle estamos em Cristo Jesus. O Espírito de Deus nos dá fé em Cristo, pelo qual o recebemos e o aceitamos.

Fonte:[ Plugados com Deus ]
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Uma Exploração da Fé - Entrevista do Rev. Hernandes Dias Lopes ao Jornal A Gazeta

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Vilmara Fernandes
vfernandes@redegazeta.com.br

O pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória, Hernandes Dias Lopes, é taxativo: o protestantismo no Brasil precisa passar por uma nova reforma. Na avaliação dele, as igrejas evangélicas se desviaram da verdade e vêm utilizando as Escrituras Sagradas para interesses e conveniências pessoais.

Entre eles estariam os milagres, as curas, a prosperidade. "Hoje as pessoas se aproximam de Deus não pelo que Ele é, mas pelo que dá. Desejam o que funciona, o que dá certo, o que permite tirar proveito", pontua Lopes.

Parte dessas igrejas, destaca o pastor, é liderada por pessoas que ficam ricas ao explorarem a inocência dos fiéis. "A maioria sem nenhum preparo cultural e moral", diz Lopes. E quando a igreja se afasta dos princípios do Cristianismo, observa o líder dos presbiterianos, "a vida começa a ficar errada: aparecem as dificuldades, os problemas familiares, a depressão, as drogas". Para ele, o caminho para contornar essa exploração é vencer o analfabetismo bíblico. É conhecer a verdade na fonte, nas Escrituras Sagradas. "Quando falta o conhecimento, as pessoas caem na rede das maiores loucuras, das maiores heresias, dos enganos mais sutis da religiosidade", lembra Lopes.

Na próxima quinta-feira, o reverendo aumenta a lista de suas publicações - que já chegaram à casa dos 90 - com o lançamento de mais três livros. Um deles é de devocionais, reflexões práticas que ajudam a entender os textos bíblicos. Veja abaixo mais detalhes da entrevista concedida pelo pastor Hernandes durante suas férias nos Estados Unidos.

Na próxima quinta, o senhor lança um livro com reflexões práticas sobre a Bíblia.

São 52 devocionais, um para cada semana do ano. É uma forma de mostrar para o leitor as riquezas, a atualidade e a pertinência que a Bíblia tem para os nossos dias. Neles trato de assuntos variados: família, casamento, criação de filhos, depressão, ansiedade, igreja, sociedade, cultura.

O Brasil é um dos países onde mais se imprime bíblias, mas também é onde ela é menos lida.

É um paradoxo. Uma cultura de analfabetismo bíblico. E com isso muitos se tornam inocentes úteis nas mãos dos espertalhões, dos aproveitadores. A Bíblia diz: "O meu povo está sendo excluído porque me falta o conhecimento". Quando falta o conhecimento, as pessoas caem na rede das maiores loucuras, das maiores heresias, dos enganos mais sutis da religiosidade.

Há preconceito?

Há quem pense que se trate somente de um livro religioso e que sua leitura pode deixar a pessoa bitolada, o que é uma tolice. A Bíblia é um livro de cultura geral extraordinário e absolutamente prático. Nenhum livro produziu tanta transformação de vida, de caráter, de família, de pessoas, de sociedade, de cultura. Ninguém pode ser dizer culto sem ler a Bíblia. O triste é que até no meio evangélico há quem a utilize de forma mágica.

Como?

Abre a Bíblia a esmo, põe o dedo em um versículo e diz: "O que Deus esta falando comigo?" A Bíblia não é um livro mágico, mas lógico, racional. Quem assim age está lendo a Bíblia pelo avesso, de cabeça para baixo, não está entendendo nada.

O senhor também já fez críticas ao meio evangélico por não se saber orar.


Vivemos em uma cultura antropocêntrica ou humanista, onde a própria religiosidade coloca o homem no centro. Hoje as pessoas se aproximam de Deus não pelo que Ele é, mas pelo que dá. Desejam o que funciona, o que dá certo, o que permite tirar proveito. A pregação é a da prosperidade, dos milagres, para o fiel ficar rico. O que leva a uma exploração da fé.

Essa pregação é a marca do neopentecostalismo, responsável pelo surgimento de inúmeras pequenas igrejas evangélicas.


Que pipocam em vários lugares e que são lideradas por pastores que ficam ricos ao explorarem a inocência das pessoas. A maioria deles sem nenhum preparo cultural e moral, o que gera o descrédito na religião, na fé cristã, e com isso não podemos concordar.

Como evangelizar nesse meio?


O que precisamos no Brasil é de uma nova reforma religiosa. A própria igreja evangélica desviou-se da verdade. Uma verdade que está na Bíblia, que precisa ser estudada como ela é, e não como querem que ela seja. O problema é que a estão usando para interesses próprios, para as conveniências pessoais.

Quais?

Prosperidade, sucesso, milagres, curas. Ninguém quer pagar o preço de conhecer a verdade, de viver a ética. Querem algo enlatado, fast food. A igreja evangélica cresce muito, mas em detrimento da ética. A pessoa se diz cristã, mas o seu comportamento não muda, assim como a sua família e a maneira como lida com o dinheiro. Esquecem que o Cristianismo é transformação. Ele muda o caráter, a vida, a família, a sociedade, a política. Quantos políticos no Congresso Nacional se dizem evangélicos e, muitas vezes, estão à frente da corrupção, usando a fé para benefícios pessoais em vez de serem transformados por ela?

A Reforma Protestante veio de um racha com a Igreja Católica por problemas semelhantes.

A Reforma foi uma volta às Escrituras Sagradas, quando Martinho Lutero e os outros reformadores perceberam que a igreja estava seguindo práticas que não tinham amparo nas escrituras. Hoje as próprias igrejas evangélicas têm práticas contrárias à Bíblia, com enganos, mentiras, milagres a granel. Abrem-se igrejas como se abrem franquias de empresas. É completamente contrário ao que a Bíblia ensina.

Essa discussão está ligada à proposta de retorno à chamada igreja primitiva? O que isso significa?


É o retorno à igreja dos apóstolos, fiel à verdade, disposta a morrer pelo Evangelho, que não negociava a verdade, os princípios, que não vendia sua consciência por dinheiro. Nela os cristãos estavam prontos para morrer pelo Cristianismo.

Era também uma igreja marcada pela vivência em comunidade, bem diferente do individualismo presente na atual sociedade.

Como já disse, é um século humanista, com cada um por si e Deus para todos, onde não há princípios do Cristianismo. Quando se abandona a teologia, a ética se perde. Quando a igreja foge da verdade, a vida começa a ficar errada, aparecem as dificuldades.

Quais?


Problemas no casamento, com os filhos, depressão, ansiedade, uso de drogas. No momento em que a sociedade abandona a verdade, perde o rumo na vida moral.

Há algum movimento em prol dessa reforma?


Sim. Não diria que há um movimento articulado, mas as igrejas históricas estão preocupadas com essa situação.

O que o senhor diria para quem busca espiritualidade?


Que não se pode ter uma fé de segunda mão. A grande conquista da Reforma Protestante foi garantir a independência para buscar a Deus, para ler e entender as Escrituras Sagradas. Não é preciso interveniência de ninguém, não é preciso ser dependente de ninguém. A Bíblia diz: "Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará". Quem a conhece não se torna presa de lobos, não se torna inocente útil nas mãos dos aproveitadores.
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A Nova Perspectiva sobre Paulo

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Por: Augustus Nicodemus Lopes

Quando a gente pensa que já viu de tudo nos círculos acadêmicos de estudos bíblicos é surpreendido com a chegada de uma abordagem potencialmente revolucionária sobre o apóstolo Paulo. Essa abordagem acaba trazendo um profundo impacto em uma das doutrinas mais preciosas para os evangélicos, especialmente aqueles que se identificam com a Reforma protestante do séc. XVI.

Estou falando da “Nova Perspectiva sobre Paulo,” um movimento que tem cerca de 20 anos de existência e que somente mais recentemente chegou ao Brasil, especialmente através dos escritos N. T. Wright, de quem falaremos mais adiante. A NPP (“Nova Perspectiva sobre Paulo”) desde cedo caiu sob fogo cerrado de estudiosos dentro do campo Reformado. Homens do calibre de John Piper, D. A. Carson, Lingon Duncan, Sinclair Ferguson, e muitos outros têm escrito livros e artigos e feito palestras manifestando preocupação com as implicações deste movimento (veja aqui um estudo meu em português).

O que é, então, a NPP? Quais as suas propostas e por que elas têm causado furor entre os estudiosos evangélicos reformados? De maneira sucinta, a NPP defende que desde a Reforma protestante nós temos lido as cartas de Paulo de maneira errada. Pensávamos que o centro da pregação dele era a justificação pela fé sem as obras da lei, quando na verdade Paulo estava polemizando contra aqueles pregadores judeus cristãos que não queriam a presença dos gentios na nascente igreja judaico-cristã. É preciso, então, abandonar a “velha” perspectiva, que teve origem em Lutero e demais Reformadores, e adotar uma nova, que faça justiça aos fatos da época do apóstolo.

Deixe-me tentar explicar melhor como tudo isto começou, se é que é possível fazê-lo num espaço curto e mais ou menos informal como este.

1) Primeiro, é necessário entender que antes de ser uma nova perspectiva sobre Paulo, esta abordagem é uma nova perspectiva sobre o Judaísmo da Palestina nos tempos de Paulo. Estudiosos como E. P. Sanders (Paul and Palestinian Judaism, 1977) conseguiram convencer a muitos que o Judaísmo do primeiro século não era uma religião legalista de busca de méritos para a salvação. Os judeus já se consideravam salvos e faziam as obras da lei para permanecer no povo de Deus. Os fariseus, apesar do seu apego às leis de Moisés, sabiam que a salvação não era pela obediência a estas leis, mas pela fidelidade de Deus à aliança feita com Abraão. Portanto, quando Paulo dizia que a salvação era pela fé sem as obras da lei ele não estava combatendo o legalismo ou a tentativa de salvação pelas obras. Ele estava simplesmente condenando a ênfase que os judeus davam a estas obras a ponto de não permitir que não-judeus convertidos ao Cristianismo fossem considerados parte do povo de Deus.

Apesar de sua importância, há vários problemas com a obra de Sanders. Um deles é que ele usou fontes do século III e IV (Talmude, Mishna, midrashes) para reconstruir o pensamento judaico do século I, algo que chamamos de anacronismo.

2) A nova perspectiva de Sanders sobre o Judaísmo trouxe uma nova perspectiva sobre a Reforma. Para os defensores da NPP, Lutero leu Paulo à luz da sua própria experiência e assim desviou as igrejas reformadas da correta interpretação do que o apóstolo havia escrito sobre salvação, justificação e obras da lei. Já em 1963 o luterano Krister Stendhal havia escrito um artigo influente (“Paulo e a Consciência Introspectiva do Ocidente”) em que ele acusava Lutero de ter imposto a Paulo o seu próprio drama existencial quanto à salvação. Paulo nunca teve problemas de consciência antes de sua salvação, disse Stendhal, nem qualquer outro judeu daquela época. Ninguém estava perguntando “o que posso fazer para ser salvo” – essa foi a pergunta de Lutero, mas não era a pergunta de Paulo e nem dos judaizantes com quem ele discutiu em Gálatas. Além disto, as Confissões de Agostinho também influenciaram em demasia a igreja no Ocidente, levando-a à introspecção e à busca individual da salvação. Isso fez Lutero ver na polêmica de Paulo contra as “obras da lei” em Gálatas e Romanos a sua própria luta em busca de salvação dentro da igreja católica – o que foi um erro. Os defensores da NPP criticam os reformados por terem defendido durante tanto tempo que o centro da pregação de Paulo, bem como do Novo Testamento, era a doutrina da justificação pela fé, quando esta, na verdade, era a agenda de Lutero e não de Paulo.

Todavia, como tem sido observado, não foram somente os luteranos que tiveram este entendimento – o protestantismo em geral, inclusive aquele não influenciado diretamente pelas obras de Lutero e demais reformadores, sempre entendeu, lendo sua Bíblia, que ela trata essencialmente deste assunto: de que maneira o homem pode ser justificado diante de um Deus santo e justo?

3) Na seqüencia, veio uma nova perspectiva sobre as “obras da lei”. A Reforma sempre entendeu que “obras da lei” em Gálatas e Romanos, contra as quais Paulo escreve, eram aqueles atos praticados pelos judeus em obediência aos mais estritos preceitos da lei de Moisés. Eles procuravam guardar tais preceitos visando acumular méritos diante de Deus. Foi contra tais obras que Paulo asseverou aos gálatas e aos romanos que a salvação é pela fé em Jesus Cristo, somente. Mas, James G. Dunn, em especial, argumentou que as “obras da lei” a que Paulo se refere em Gálatas e Romanos eram a circuncisão, a guarda do calendário religioso e as leis dietárias de Moisés – sinais identificadores da identidade judaica no século I. Paulo era contra aquelas coisas porque elas separavam judeus dos gentios e impediam que gentios convertidos se sentassem à mesa com judeus convertidos. Em outras palavras, a polêmica de Paulo não era contra o legalismo dos judaizantes, mas contra a insistência deles em manter os gentios distantes. A questão não era soteriológica, mas eclesiástica. A Reforma havia perdido este ponto de vista por causa de Lutero e Agostinho.

Mas, cabe aqui a observação, se as obras da lei não eram esforços meritórios fica muito difícil entender não somente Gálatas e Romanos, mas inclusive passagens de Atos, como esta: “Alguns indivíduos que desceram da Judéia ensinavam aos irmãos: Se não vos circuncidardes segundo o costume de Moisés, não podeis ser salvos” (At 15:1). No fim tenho de escolher se acredito em Atos ou no que Dunn está dizendo.

4) Tudo isto trouxe o que James Dunn chamou de uma “nova perspectiva” sobre Paulo. Esse movimento se dividiu em duas linhas gerais. (a) Os mais radicais, que acham, como H-J Schoeps, que Paulo, por ser um judeu da Dispersão, não entendeu e portanto torceu inadvertidamente a soteriologia do Judaísmo da Palestina, atacando-o por julgar que era uma religião baseada em méritos, quando, na verdade, não era. Outros, como H. Räisänen, alegaram que Paulo era judeu por fora e gentio por dentro, o que lhe causava uma ambigüidade nunca vencida, que o levava a falar mal da lei em Gálatas e bem dela em Romanos. Nesta vertente, o problema é Paulo, que passou uma visão distorcida dos judeus e fariseus do primeiro século. Esta linha dentro da “nova perspectiva” não tem muitos defensores. A que ganhou mais aceitação foi a segunda, (2) aqueles que afirmam que o problema não é Paulo, mas os reformados que o leram com os óculos de Lutero. É preciso olhar Paulo de uma nova perspectiva, que leve em conta as descobertas de Sanders (Judaísmo não era legalista), Stendhal (Paulo era um fariseu sem problemas com a lei), Dunn (obras da lei são apenas marcadores de identidade judaicos). É preciso reler Gálatas e Romanos deste novo ponto de vista e tentar descobrir qual era realmente a polêmica de Paulo com os judeus, judaizantes e fariseus de sua época. Tem que ser outra coisa, mas não este assunto de salvação pela fé sem as obras da lei.

A pergunta que não quer calar é como a Igreja toda, mesmo contando com exegetas e teólogos do maior calibre, conseguiu se enganar por tanto tempo, do sécuilo XVI até hoje, em um assunto tão básico?

5) E por fim, tudo isto trouxe uma nova perspectiva sobre a justificação proposta pelos defensores da NPP. Os reformados sempre afirmaram, com base em Gálatas, Romanos e demais livros do Novo Testamento, que a mensagem central das cartas de Paulo é que os pecadores podem ser justificados de seus pecados mediante a fé em Jesus Cristo, sem obras pessoais e meritórias. E que esta justificação consiste em Deus nos imputar – isto é, atribuir – a própria justiça de Cristo. Lutero dizia que somos justificados com uma justiça alheia, a de Cristo, e não com uma justiça nossa, que procede de nossa obediência à lei de Deus (obras da lei). Lutero e demais reformadores entenderam que esse era exatamente o ponto de discussão entre Paulo e os judaizantes, que à sua época queriam exigir que os crentes não judeus guardassem a lei de Moisés para poderem ser salvos.

É aqui que entra em cena Nicholas Thomas Wright, bispo anglicano de Durham, Inglaterra, provavelmente hoje o estudioso mais conhecido e destacado que defende a “nova perspectiva” sobre Paulo. Ele ganhou a simpatia de muitos evangélicos por suas posições firmes contra o aborto e a eutanásia e as uniões civis de homossexuais dentro da Igreja Anglicana.

O ponto mais controverso da posição de Wright sobre Paulo é sua tentativa de redefinir a doutrina da justificação pela fé. Wright abraça a “nova perspectiva”, seguindo Stendahl, Sanders e Dunn. A principal obra de Wright, que o marcou como um defensor da “nova perspectiva” é What St. Paul Really Said (1997). Segundo ele, para Paulo a justificação não significa que Deus transfere a sua própria justiça ao pecador, como ensina a doutrina da imputação; Deus, à semelhança do que se faz num tribunal, considera vindicado o pecador, sem, todavia, imputar-lhe a sua própria justiça. Segundo Wright, é esse o caso nos tribunais gregos – nenhum juiz imputa ao acusado a sua própria justiça pessoal, simplesmente o absolve. A conclusão é que Paulo nunca ensinou a doutrina da imputação da justiça. Não é isso o que Paulo entende por justificação, justificar e justificado. Deus absolve o pecador por causa de sua fidelidade ao pacto, à aliança. É isso que significa a sua justiça.

Tem coisa boa na NPP? Tem, sim. O movimento nos desperta para estudarmos o contexto de Paulo mais profundamente. Os estudos de Sanders nos trouxeram muitas informações sobre o pensamento rabínico dos séculos III e IV quanto à salvação. As observações de Stendhal nos ajudam a ter uma visão mais correta sobre a relação pessoal de Paulo para com a lei – ele realmente não era um fariseu em crise existencial antes de se converter. E Dunn chama nossa atenção para o aspecto missiológico e social da polêmica de Paulo contra as obras da lei. Todavia, estes aspectos positivos não anulam as sérias implicações do movimento, especialmente quanto à doutrina da justificação.

Isso pode soar como mais uma daquelas questiúnculas irrelevantes que ocupam os teólogos a maior parte do tempo. Todavia, não é. O que a NPP coloca em jogo são duas das mais importantes doutrinas da fé cristã, que são a morte substitutiva de Cristo e a imputação da sua justiça aos que crêem. Mesmo que Wright fale que os crentes terão seus pecados perdoados, fica a pergunta: com base em que, se a morte de Cristo não é substitutiva e nem seus méritos são transferíveis?

Prefiro a velha perspectiva. Nem sempre o vinho novo é o melhor.

Fonte: [ O Tempora, O Mores! ]

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Pastores - Teólogos

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Cristo tenciona que suas igrejas sejam guiadas por homens que preenchem certas qualidades. Em suas cartas a Timóteo e Tito, o apóstolo Paulo escreveu com muita clareza a respeito do que os presbíteros de uma igreja devem ser. A principal preocupação é o caráter. Eles devem ser homens cujas vidas são exemplo de santidade.

Além disso, os homens que devem pastorear o rebanho de Deus têm de ser doutrinariamente corretos. Precisam crer sinceramente na verdade e ser capazes de ensiná-la com clareza. Paulo estabeleceu esse fato em Tito 1.9, depois de ressaltar as qualificações morais que todo presbítero tem de possuir. Um presbítero, ele escreveu, deve ser "apegado à palavra fiel, que é segundo a doutrina, de modo que tenha poder tanto para exortar pelo reto ensino como para convencer os que o contradizem".

As igrejas devem ser assistidas pelo ministério de pastores que são teólogos. Essa idéia parece bastante estranha em nossos dias porque nos últimos cem anos testemunhamos uma separação desses ofícios. Pastores estavam ligados às igrejas, enquanto os teólogos, fomos levados a crer, estavam vinculados a universidades e seminários.

No entanto, a instrução de Paulo a Tito nos força a admitir que todo pastor é chamado a ser um teólogo. A verdade que Deus revelou em sua Palavra tem de ser explorada, entendida, crida, ensinada e defendida. Isso descreve a obra de um teólogo, e o ministério pastoral não pode ser realizado eficazmente por um homem que não se engaja nesse tipo de esforço.

As igrejas devem ser governadas pela Palavra de Deus. Os homens que têm a responsabilidade de liderar uma igreja não têm outra alternativa, senão a de serem bem alicerçados nas Escrituras.

Um pastor deve ser firme em sua compreensão da Palavra, "que é segundo a doutrina". Paulo estava se referindo ao que, naquele tempo, havia se tornado um corpo reconhecido de ensino doutrinário. Antes de um homem ser qualificado para servir na função de pastor em uma igreja, ele deve "apegar-se" às doutrinas da Palavra de Deus; ou seja, ele tem de compreender essas doutrinas e crer nelas. Nem o pensamento superficial, nem um compromisso indiferente com os ensinos das Escrituras será suficiente para o homem que deseja ser um pastor na igreja de Jesus Cristo. Isso significa que os pastores devem ser homens que se dedicam com diligência ao estudo e cultivam constantemente fé humilde.

Paulo menciona duas razões por que um pastor tem de ser um teólogo diligente. A primeira diz respeito à sua responsabilidade de nutrir e cuidar do rebanho ao qual ele serve. Pastores têm de alimentar as ovelhas, e a única dieta que Deus prescreveu para seu povo é a sua Palavra (Hb 5.12-14; 1 Pe 2.2). Um presbítero de igreja deve ser "apto para ensinar" (1 Tm 3.2), pois é por meio do ministério da Palavra que os crentes são alimentados. Como David Wells sugere corretamente, um pastor é um agente da verdade, cuja responsabilidade primária é estudar, proclamar e aplicar a Palavra de Deus, para que o "caráter moral seja formado e a sabedoria cristã se manifeste" no povo de Deus. Essa é a primeira razão por que um pastor tem de ser um teólogo – para que possa instruir na "sã doutrina".

Mas um pastor não tem apenas de ensinar os filhos de Deus. Ele precisa também defendê-los. Ele tem de afirmar a verdade e refutar o erro. E ambas as tarefas exigem discernimento resultante de estudo cuidadoso. A igreja de Cristo sempre esteve impregnada de pessoas que "contradizem" a sã doutrina. A tarefa dos pastores consiste de repreender essas pessoas, de modo que o erro delas não se espalhe, como um câncer, na igreja (2 Tm 2.15-18).

O pastor tem de ser "bem instruído", escreveu Calvino, "no conhecimento da sã doutrina; a segunda é que tenha inabalável firmeza de coragem... e a terceira é que ele faça a sua maneira de ensinar tender à edificação".

Os maiores teólogos na história da igreja foram pastores fiéis. E os maiores pastores na história da igreja foram teólogos dedicados. É óbvio que os nomes em ambas as listas (com raras exceções) são os mesmos.

Agostinho, Lutero, Calvino, Gill, Edwards, Fuller, Spurgeon e Lloyd-Jones eram pastores-teólogos. Eram homens que levavam bem a sério as qualificações apostólicas quanto a um presbítero e, no cumprimento de sua chamada para pastorear o rebanho de Deus, dedicaram-se fielmente à obra de teologia.

J. I. Packer observou sabiamente: "Para ser um bom expositor... um homem tem de ser, primeiramente, um bom teólogo. Teologia é aquilo que Deus colocou nos textos da Escritura, e teologia é aquilo que os pregadores devem extrair desses textos".

Se anelamos ver renovada vitalidade espiritual enchendo as nossas igrejas, temos de insistir com aqueles que servem como pastores para que reconheçam estar inerente em sua vocação a responsabilidade de serem teólogos sãos. Somente assim o povo de Deus será instruído apropriadamente no caminho de Cristo e protegido, com eficácia, de erros e heresias que corroem a saúde espiritual.

Traduzido por: Francisco Wellington
Copyright© Tom Ascol
Copyright© Editora FIEL 2011.

Fonte: [ Editora Fiel ]

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Assim como Nós Temos Perdoado aos Nossos Devedores

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Por: R. C. Sproul

Visto que o homem é salvo pela graça, qual melhor evidência poderia haver da salvação de um ser humano do que quando ele oferece aos outros a graça que ele mesmo recebeu com tanta generosidade? Se essa graça não é aparente em nossas vidas, podemos questionar de maneira válida a genuinidade de nossa própria alegada conversão.

Devemos levar Deus a sério quanto a este ponto. Em Mateus 18.23-35, Jesus contou a história de dois homens que deviam dinheiro. Um deles devia aproximadamente dez milhões de reais, e o outro devia cerca de dezoito reais. Aquele que devia os dez milhões de reais teve a sua dívida perdoada pelo homem a quem devia o dinheiro. Mas o devedor, por sua vez, não quis perdoar o homem que lhe devia a soma ridícula de dezoito reais. E bastante interessante que ambos os homens pediram a mesma coisa - mais tempo - e não o perdão da dívida total.

Foi cômico o indivíduo que devia a quantia exorbitantemente elevada pedir mais tempo para pagar a sua dívida, visto que até mesmo pelos padrões de salários atuais, a quantia que ele devia perfazia uma figura astronômica. 0 salário diário da época era, aproximadamente, dezoito centavos por dia. 0 homem com a pequena dívida poderia ter pago a sua dívida em três meses. Seu pedido por mais tempo não foi descabido, mas seu credor, em lugar de expressar o mesmo perdão que já tinha recebido, começou a apertá-lo. 0 ponto deve estar claro. Nossas ofensas que outras pessoas cometem contra nós são como uma dívida de dezoito reais, ao passo que as inúmeras ofensas que temos cometido contra o Senhor Deus onipotente são como a dívida de dez milhões de reais.

Jonathan Edwards, em seu famoso sermão, intitulado "A Justiça de Deus na Condenação dos Pecadores", disse que qualquer pecado é mais ou menos hediondo, dependendo da honra e da majestade daquele a quem tivermos ofendido. Visto que Deus é dotado de honra infinita, majestade infinita e santidade infinita, o pecado mais leve tem uma consequência infinita. Pecados aparentemente triviais são nada menos do que "traição cósmica" quando vistos à luz do grande Rei contra quem temos cometido nossos pecados. E assim, tornamo-nos devedores que não podem pagar, e, no entanto, temos sido liberados da ameaça da prisão merecida pelos devedores. É um insulto contra Deus retermos o perdão e a graça daqueles que os solicitarem a nós, ao mesmo tempo em que reivindicamos ter sido perdoados e salvos por meio da graça divina.

Há um outro ponto importante a considerarmos aqui. Até mesmo em nossos atos de perdão, não temos qualquer mérito. Não podemos exigir o perdão meramente por que temos demonstrado perdão para alguma outra pessoa. 0 perdão que dermos a alguém não obriga Deus a abençoar-nos. O trecho de Lucas 17.10 claramente salienta que não há qualquer mérito mesmo em nossas melhores boas obras: "Assim tam¬bém vós, depois de haverdes feito quanto vos foi ordenado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que devíamos fazer".

Nada merecemos pela nossa obediência, porquanto a obediência - mesmo que chegássemos à perfeição - é o requerimento mínimo para alguém ser um cidadão do reino de Deus. A obediência é o nosso dever. A única coisa que poderíamos reivindicar seria a ausência de punição, mas certamente não mereceríamos nenhuma recompensa, por termos feito somente aquilo que era esperado de nossa parte. A obediência nunca qualifica como serviço "acima e além da chamada para o dever". Estamos meramente em uma posição de nos prostrarmos diante de Deus e implorar pelo Seu perdão. Mas, se assim tiver de acontecer, devemos estar preparados para mostrar que sabemos perdoar; de outro modo, nossa posição em Cristo se inclinará na direção do tombamento de modo precário. A linha de conclusão daquilo que Jesus estava dizendo é esta: "As pessoas perdoadas perdoam outras pessoas". Não ousaremos reivindicar-nos possuidores da vida de Cristo e de Sua natureza, ao mesmo tempo em que falharmos de exibir essa vida e essa natureza.

Levando mais adiante ainda esse pensamento. Se Deus perdoou a alguém, poderíamos nós fazer menos do que perdoar? Seria incrível pensarmos que nós, que somos tão culpados, nos recusaríamos a perdoar alguém que foi perdoado por Deus, e que, portanto, é completamente inocente. Devemos ser espelhos da graça para outros, refletindo aquilo que nós mesmos temos recebido. Isso implementa a Regra Áurea em termos práticos.

O perdão não é uma questão particular, mas uma questão coletiva. O corpo de Cristo é um grupo de pessoas que vivem diariamente no contexto do perdão. O que nos distingue é o fato que somos pecadores perdoados. Jesus chamou a nossa atenção não somente para os elementos horizontais existentes nessa petição, mas também os elementos verticais. Devemos orar todos os dias pelo perdão de nossos pecados.

Alguém poderia indagar neste ponto: "Se Deus já nos perdoou, por qual razão deveríamos pedir perdão? Não é errado pedir por algo que Ele já nos deu?" A resposta final a perguntas semelhantes a essa será sempre a mesma. Fazemos assim por causa dos mandamentos de Deus.

1 João 1.9 salienta que uma das características do crente é o seu contínuo pedido de perdão. O tempo verbal, no original grego, indica um processo em andamento. O perdão separa o crente como uma criatura diferente das demais. O incrédulo tenta esconder a sua pecaminosidade, mas o crente é sensível para com sua falta de valia. A confissão toma uma porção significativa de seu tempo de oração.

Pessoalmente penso ser um tanto assustador pedir perdão a Deus, na mesma extensão em que temos perdoado a nossos semelhantes. É quase como pedir justiça da parte de Deus. Costumo advertir meus alunos: "Não peçam justiça da parte de Deus. Vocês poderão obtê-la". Se Deus, de fato, me perdoasse na exata proporção em que me disponho a perdoar outras pessoas, tenho medo de que estarei em profunda dificuldade.

0 mandato para perdoarmos a outras pessoas, conforme temos sido perdoados, aplica-se também à questão do auto-perdão. Quando confessamos nossos pecados a Deus, contamos então com a Sua promessa de que Ele nos perdoará. Infelizmente, nem sempre acreditamos nessa promessa. A confissão requer humildade em dois níveis. 0 primeiro nível é a admissão real de culpa; o segundo nível é a aceitação humilde do perdão.

Um homem perturbado diante do problema do senso de culpa, veio a mim certo dia e disse: "Já pedi de Deus que me perdoasse desse pecado por muitas e muitas vezes, mas ainda me sinto culpado. Que poderei fazer?" Essa situação não envolvia a múltipla repetição do mesmo pecado, mas a múltipla confissão de um pecado cometido por uma só vez.

Repliquei: "Você deve orar de novo e pedir que Deus lhe perdoe". Um olhar de impaciência frustrada se estampou em seus olhos. "Mas eu já fiz isso!" exclamou ele. "Tenho pedido que Deus me perdoe, por muitas e muitas vezes. Que bem me fará se eu Lhe pedir isso de novo?"

Em minha resposta apliquei a força firme e proverbial do cacete na cabeça da mula: "Não estou sugerindo que você peça a Deus que lhe perdoe por esse pecado. Estou sugerindo que você busque perdão por sua arrogância".

O homem ficou incrédulo. "Arrogância? Que arrogância? 0 homem estava supondo que suas repetidas solicitações eram uma prova positiva de sua humildade. Ele estaria tão contrito diante de seu pecado que sentia que tinha que arrepender-se do mesmo para sempre. Seu pecado era grande demais para ser perdoado por uma única dose de arrependimento. Que outros se satisfizessem com a graça divina. Quanto a ele, ele haveria de sofrer por seu pecado, sem importar quão gracioso Deus se mostrasse. O orgulho tinha fixado uma barreira na aceitação daquele homem do perdão de Deus. Quando Deus nos promete dar o perdão, insultamos a integridade do Senhor quando nos recusamos a aceitar o Seu perdão. Perdoar a nós mesmos depois que Deus nos perdoou é um dever, bem como um privilégio.

Fonte: [ Josemar Bessa ]
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O Melhor para Deus

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A expressão “O melhor para Deus” é uma das mais repetidas nos púlpitos de muitas igrejas.

Constantemente insatisfeitos com as instalações do templo, os dirigentes vivem apresentando projetos e orçamentos para reformas e também uma relação de melhorias e novidades, como por exemplo: O piso (por outro mais caro e moderno), o tapete (por outro mais macio), microfones mais potentes, cadeiras mais confortáveis, uma placa bem luminosa na frente da igreja (como uma empresa) etc...

Então uma série de desafios são lançados, todos com o objetivo de despertar o povo (membros e visitantes) a contribuir, “dando o seu
($$$) melhor para Deus”.

Infelizmente, é assim que acabamos entendendo sobre o melhor para Deus,
como se Deus precisasse de alguma dessas coisas.

O piso, o tapete, o microfone, as cadeiras, e outros utensílios, todos são para o nosso próprio proveito. E ainda chegamos ao cúmulo de acreditar que é para Deus, só para Ele.

Vamos deixar da cegueira ou hipocrisia, pois estamos enganando ou sendo enganados.

Na verdade, não foi assim que Jesus e os apóstolos nos ensinaram a respeito do melhor para Deus,
pelo contrário, o melhor para Deus foi e sempre será todo aquele que estiver liberto dessas coisas.

Podemos imaginar os lugares em que Jesus e seus discípulos pregavam os seus sermões e ensinos. O evangelho registra alguns desses lugares: prisões, ilhas, montes, casas, praias, barcos e outros.

Jesus e os discípulos jamais reclamaram do piso, da pintura, do assento, ou da falta de conforto de algum ambiente.

Os primeiros cristãos fizeram uma reforma total no templo em que Deus verdadeiramente habita.

Eles RENOVARAM A MENTE, LIMPARAM AS MAÕS, e PURIFICARAM OS CORAÇÕES e conseguiram compreender o SACRIFÍCIO DE JESUS e a MENSAGEM DA CRUZ.

Reconheceram a necessidade de uma
MUDANÇA COMPLETA, deixando de lado toda TRADIÇÃO, PRECEITO e DOUTRINA DE HOMEM, QUE NÃO MUDA NEM TRANSFORMA NINGUÉM DE VERDADE.

Creio que precisamos realmente fazer uma reforma, uma faxina no templo de Deus e tirar toda mentira, inveja, malícia, a concupiscência dos olhos e a soberba, que tanto danifica e macula o caráter (a marca visível do cristão).

Necessitamos da ação do Espírito Santo para ter a mente e o caráter de Cristo e, então, com o proceder de uma nova vida, oferecer o melhor para Deus.

“O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Deus no céu e na terra,
NÃO HABITA EM TEMPLOS FEITOS POR MÃOS DE HOMENS. Nem tampouco é servido por mãos de homens, COMO QUE NECESSITANDO DE ALGUMA COISA”. Atos 17.24,25

“Não sabeis vós que
SOIS O TEMPLO DE DEUS e que o Espírito de Deus HABITA EM VÓS?”. I Cor. 3.16

Extraído da apostila Um Mestre de Sandálias Pg. 21
Fonte: [ Caminhando na Graça, de graça! ]
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