Uma sobrevivente da visão celular de Rene Terra Nova conta TUDO!

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Por Roselaine Perez

Eu tive que digerir depressa demais o amontoado de quesitos que a Visão Celular possuía, parecia que tinha mudado de planeta e precisava aprender o novo dialeto local, e urgente, para conseguir me adaptar.

Ganhar / consolidar / discipular / enviar, almas / células/ famílias, Peniel, Iaweh Shamá, honra, conquista, ser modelo, unção apostólica, atos proféticos, mãe de multidões, pai de multidões, conquista da nação, mover celular, riquezas, nobreza, encontro, reencontro, encontros de níveis, resgatão, Israel, festas bíblicas, atos proféticos, congressos, redes, evento de colheita, prosperidade, recompensa, multidão, confronto, primeira geração dos 12, segunda geração dos 12, toque do shofar, cobertura espiritual, resultado, resultado, resultado, etc...



Era início do ano de 2002 quando fomos a Manaus, eu e meu marido, para recebermos legitimidade, enquanto segunda geração dos 12 do Apóstolo Renê Terra Nova no estado de São Paulo.As exigências eram muitas e muito caras:

•Compra do boton sacerdotal num valor absurdo.
•Hospedagem obrigatória no Tropical Manaus, luxuoso resort ecológico, às margens do Rio Negro, não um dos mais caros, mas “O” mais caro de Manaus (conheci Pastores que venderam as calças para pagar 2 diárias no tal resort e outros que deixaram a família sem alimentos para entrar na fila dos zumbis apostólicos, num Thriller nada profético).
• Trajes de gala Hollywoodianos.
• Participação obrigatória num jantar caro da preula após a cerimônia, tendo como ilustre batedor de bóia nada menos que o Apóstolo Renê e seus cupinchas.
•Tudo isso para ter a suprema dádiva de receber a imposição de mãos do homem, com direito a empurradinha na oração de legitimação e tudo ( uhuu!).



Nem mesmo em festa de socialite se vê exageros tão grandes em termos de exibição de jóias, carros, roupas de grife e todo tipo de ostentação escandalosa.

Hoje, sem a cachaça da massificação na cabeça, sinto vergonha e fico imaginando como Jesus seria tratado no meio daquela pastorada.

Ele chegaria com sandálias de couro, roupa comum, jeito simples, não lhe chamariam para ser honrado, nem tampouco perguntariam quem é o dono da cobertura dele , pois deduziriam que certamente dali ele não era.

Estive envolvida até a cabeça – porém não até a alma – na Visão Celular durante quase 5 anos, em todas as menores exigências fui a melhor e na inspiração do que disse Paulo "...segundo a justiça que há na lei dos Terra Nova, irrepreensível."

Entreguei submissão cega às sempre inquestionáveis colocações e desafios do líder, sob pena de ser rebelde e fui emburrecendo espiritualmente.

Me pergunto sempre por que entrei nisso tudo e depois que este artigo terminar talvez você me pergunte o mesmo, mas minha resposta tem sempre as mesmas certezas:

Todos nós precisamos amadurecer e, enquanto isso não acontece, muitas propostas vêm de encontro às fraquezas que possuímos e que ainda não foram resolvidas dentro de nós.


A partir da minha experiência pude enxergar as três principais molas propulsoras que fazem funcionar toda essa engrenagem:

1) A lavagem cerebral

A definição mais simples para lavagem cerebral é “conjunto de técnicas que levam ao controle da mente; doutrinação em massa”.

Em todas as etapas da Visão Celular se pode ver nitidamente vários mecanismos de indução, meios de trabalhar fortemente as emoções onde o resultado progressivo desta condição mental é prejudicar o julgamento e aumentar a sugestibilidade.

Os métodos coercivos de convencimento, os treinamentos intensos e cansativos que minam a autonomia do indivíduo, os discursos inflamados, as músicas repetitivas e a oratória cuidadosamente persuasiva são recursos que hoje reconheço como técnicas de lavagem cerebral, onde há mudanças comportamentais gradativas e por vezes irreversíveis.

2)
Grandezas diretamente proporcionais

O Silvio Santos manauara é uma incógnita.Se em por um lado ele é duro e autoritário, noutro ele é engraçado, carismático e charmoso. Num dos Congressos em Manaus, me levantei da cadeira para tirar uma foto dele, que imediatamente parou a ministração e me chamou lá na frente. Atravessei o enorme salão com o rosto queimando, certa de que iria passar a maior vergonha de toda a minha vida, que o “ralo” seria na presença de milhares de pessoas e até televisionado.Quando me aproximei não sabia se o chamava de Pastor, Apóstolo, Doutor, Sua Santidade ou Alteza, mas para minha surpresa ele abriu um sorriso de orelha a orelha e fez pose, dizendo que a foto sairia bem melhor de perto. A reunião veio abaixo, claro, todos riam e aplaudiam aquele ser tão acessível e encantador.


Acontecimentos assim, somados à esperta e poderosa estratégia de marketing que Terra Nova usa para transmitir suas idéias, atraem para ele quatro tipos de pessoas:

•As carentes de uma figura forte (o povo simples que chora ao chamá-lo de pai).
• As que desejam aprender o modelo para utiliza-los em seus próprios ministérios falidos.
•Aquelas que desejam viver uma espécie de comensalismo espiritual, que vivem de abrir e fechar notebooks para ele pregar, ganhando transporte e restos alimentares em troca, as rêmoras da Visão.
•As sadomasoquistas espirituais. É tanta punição, tanto sacrifício, tanta submissão, que fica óbvio que muita gente se adapta a esse modelo porque gosta de sofrer. As interpretações enfermas do tipo “hoje eu levei um peniel do meu discipulador, então me agüentem que lá vou eu ensinar o que aprendi.”, eram a tônica das ministrações.

Pode acreditar que essas quatro classes de pessoas representam a grande maioria.

3) A concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e a soberba da vida

O conceito da Visão Celular mexe demais com o ego, é sedutor, encantador, promissor, põe a imaginação lá no topo, puro glamour. A ganância que existe dentro do ser humano é o tapete vermelho por onde a desgraça caminha. Essa tem sido uma das causas pela queda de tantos e tantos pastores, por causa das promessas de sucesso rápido e infalível.


Renê não sabe com quem está lidando, mas é com gente!


Ele talvez ignore (não que ele seja ignorante) que cada ser humano é um universo e que as informações vão reproduzir respostas completamente inesperadas em cada um.

EU ASSISTI, na terra do Terra Nova, o “tristemunho” de uma discipuladora que, para confrontar e educar uma discípula, havia chegado à loucura de bater nela, para que a mesma parasse de falar em morrer. Esse é o argumento dos incapazes, dos que não conseguem levar cada triste, cada suicida ou deprimido às garras da graça de Cristo, mas que querem se fazer os solucionadores das misérias do povo.

Eu tenho até hoje péssimas colheitas dessa péssima semeadura, assumo meus erros e me arrependo profundamente de cada um deles:

• Quase perdi Jesus de vista
•Minha família ficou relegada ao que sobrava de mim.
•Minha filha mais velha, hoje com 23 anos, demorou um bom tempo para me perdoar por eu ter repartido a maternidade com tantas sanguessugas que me usavam para satisfazer sua sede de poder.
•Minha mãe teve dificuldade para se abrir comigo durante muito tempo porque, segundo ela, só conseguia me ver como a Pastora dura e ditadora. Tenho lutado diariamente para que ela me veja somente como filha.
•Fui responsável por manter minha Igreja em regime escravo (mesmo que isso estivesse numa embalagem maravilhosa), por ajudar a alimentar a ganância de muitos, por não guardá-los dessa loucura.
•Colaborei com a neurotização da fé de muitos, por causa da perseguição desenfreada pela perfeição e por uma santidade inalcançável.
•Fiquei neurótica eu mesma, precisando lançar mão de ajuda psicológica devido a crises interiores inenarráveis, ao passo que desenvolvia uma doença psíquica de esgotamento chamada Síndrome de Burnout*, hoje sob controle.
•Vendi a idéia da aliança incondicional do discípulo com o discipulador, afastando sutilmente as pessoas da dependência de Deus.
•Invadi a vida de muitos a título de discipulado, cuidando até de quantas relações sexuais as discípulas tinham por semana, sem que isso causasse ofensa ou espanto.
•Opinei sobre o que o discípulo deveria comprar ou não, tendo “direito” de vetar o que não achasse conveniente. A menor sombra de discordância por parte do discípulo era imediatamente reprimida, sem qualquer respeito. Quando isso acontecia os demais tomavam como exemplo e evitavam contrariar o líder.
•Aceitei que fosse tirada do povo a única diretriz eficaz contra as ciladas do diabo: a Bíblia. Não que ela não fosse utilizada, mas isso era feito de forma direcionada, para fortalecer os conceitos da Visão. Paramos de estudar assuntos que traziam crescimento para nos tornarmos robôs de uma linha de montagem, manipuláveis, dogmatizados.
•Fomentei a disputa de poder entre os irmãos ignorando os sentimentos dos que iam ficando para trás.
•Perdi amigos amados e sofri demais com estas perdas. Alguns criaram um abismo de medo, que é o de quem nunca sabe se vai ganhar um carinho ou um tapa, um elogio ou um peniel, mas sei que esse estigma está indo embora cada vez mais rápido. Outros me abandonaram porque não aceitaram uma Pastora normal, falível e frágil. Eles queriam a outra, a deusa, aquela que alimentava neles a fome por ídolos particulares.

Dentro da Visão, nossa Igreja esteve entre as que mais cresceram e deram certo na região, mas desistimos porque, acima de todo homem e todo método, somos escravos de Cristo.

Talvez o mais difícil tenha sido a transição do meu eu, a briga daquilo que eu era com o que sou hoje até que se estabelecesse Cristo em mim, esperança da glória.

Prossigo, perdoada pelo meu Senhor, tomando minhas doses diárias de Graçamicina, recriando meu jeito de me relacionar e compreender mais as falhas alheias e as minhas próprias.

Prossigo, reaprendendo a orar e adorar em silêncio, livre dos condicionamentos, admitindo meus cansaços, me permitindo não ser infalível, sendo apenas gente...Pastoragente!

*SÍNDROME DE BURNOUT: Distúrbio psíquico, de caráter depressivo, precedido de esgotamento físico e mental intenso.Se caracteriza por exaustão emocional, avaliação negativa de si mesmo, depressão e insensibilidade com relação a quase tudo e todos (até como defesa emocional). Resultado de um esforço extremo, um desgaste onde o paciente se consome física e emocionalmente, passando a apresentar um comportamento agressivo e intolerante, com predileção para aqueles que mantêm uma relação constante e direta com atividades de ajuda. Ocorre geralmente em pessoas altamente motivadas, que sentem uma discrepância entre aquilo que investem e aquilo que recebem.

Fonte: [ Genizah ]
Via: [
Libertos do Opressor! ]/[ Ministério Batista Beréia ]

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Homossexualismo: Uma Análise Bíblica

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Por: Brian Schwertley

Esta é uma era de crescente aprovação e aceitação do homossexualismo. O homossexualismo é retratado por muitos no governo, na educação pública e em nossas escolas e universidades como apenas um dos muitos modos normais e legítimos de viver. Aqueles que se opõe ao estilo de vida homossexual sob uma base moral e religiosa são normalmente retratados pela elite intelectual, a mídia e a indústria do entretenimento como fanáticos ignorantes que estão cheios de ódio, “homofóbicos,” e por aí vai.

É verdade que muitas pessoas odeiam homossexuais. Alguns até se envolvem em atos de violência contra gays. Mas é preciso lembrar que as pessoas que se envolvem em tais atividades estão pecando contra Deus; eles não estão de todo vivendo de acordo com a lei de Cristo. O verdadeiro cristão ama o homossexual e mostra isto pela forma como o trata, de uma maneira correta, de acordo com a lei de Deus (1Jo 5.3). Calúnia, violência, ódio e desprezo nunca deveriam ser atitudes de um cristão contra homossexuais; os cristãos devem proteger os homossexuais de ataques pessoais. Todavia, enquanto os cristãos devem amar os homossexuais tratando-os corretamente, eles também devem amá-los sendo biblicamente honestos para com eles. A atitude de alguém contra o homossexualismo não deve ser moldada por nossa cultura pagã e variável, mas pela revelação inspirada e infalível de Deus, a Bíblia. A Bíblia oferece esperança ao homossexual porque ela fala a verdade e proclama perdão dos pecados por meio de Jesus Cristo.

A Criação da Ordenança do Casamento

Ao invés de se ter um entendimento próprio da sexualidade humana, é preciso voltar à origem da humanidade. No princípio Deus criou um homem (Adão) e uma mulher (Eva). Deus não criou dois homens (e.g., Adão e Antônio) ou duas mulheres (e.g., Eva e Tereza). Deus criou primeiro Adão do pó da terra; Então criou Eva da costela de Adão. Eva foi criada para ser esposa de Adão. A Bíblia diz que eles estavam nus e contudo não se envergonhavam. A criação de Deus de um homem e uma mulher para serem marido e esposa é o padrão ou paradigma para a sanção de Deus das relações sexuais normais, morais e abençoadas. “A união do matrimônio é ordenada por Deus, e estes preceitos sagrados não devem ser poluídos pela intromissão de uma terceira parte, de qualquer sexo” (F.F. Bruce).

Jesus Cristo citou Gênesis 2.24 como uma prova clara de que a poligamia (ter mais de uma esposa) e o divórcio (exceto em caso de adultério) são condenados por Deus (Mt 19.5). O apóstolo Paulo, escrevendo sob inspiração do Espírito Santo, disse que há somente uma saída moral e legítima para o caminho deixado por Deus para o sexo – o casamento (1Co 7.2). Monogâmico e heterossexual, o casamento é a única maneira de se ter sexo sem pecado e culpa. “Honrado entre todos seja o matrimônio, e o leito [matrimonial] sem mácula; mas Deus irá os fornicadores e adúlteros” (Hb 13.4 [todas as versões NKJV]). Qualquer coisa contrária a ordenança da criação do casamento entre um homem e uma mulher é pecaminoso e inaceitável perante Deus. A Bíblia condena toda atividade sexual fora do casamento monogâmico e heterossexual: homossexualismo, sexo antes do casamento, poligamia, adultério, bestialismo e assim por diante. “Não deixeis que vos enganem com palavras vãs,” diz Paulo, “porque é em razão destas coisas sobrevêm a ira de Deus sobre os filhos da desobediência” (Ef 5.6).

A Lei de Deus

A lei moral de Deus claramente condena todo tipo de homossexualismo: “Não te deitarás com um homem como se fosse uma mulher. Isto é abominação… Se um homem se deitar com outro homem, como se fosse mulher, ambos praticaram coisa abominável. Devem ser mortos. Seu sangue cairá sobre eles” (Lv 18.22, 20.13). Defensores do homossexualismo tentam evitar as claras e inequívocas declarações da lei de Deus com desculpas esfarrapadas e descarada distorção da Bíblia.

Alguns questionam se a lei de Deus condena o homossexualismo; eles ensinam que a lei de Deus é só um escrito humano com antigos costumes judaicos preconceituosos. Essas pessoas condenam a autoria mosaica da lei e são relativistas éticos. Seus argumentos devem ser rejeitados porque Cristo e os apóstolos aceitaram a autoria divina, infalibilidade e absoluta autoridade do Velho Testamento (Mt 22.39-40; Jo 10.35; 2Tm 3.16-17). Se você rejeitar a lei de Deus alegando que ela não passa de idéias humanas de judeus antigos, então você não pode reivindicar que Cristo é seu salvador. Você deve pensar que ou Jesus se enganou em Sua visão da lei de Deus ou que Ele era um mentiroso. Não esqueça: Jesus Cristo é Deus (Jo 1.1; 8.58-59); Ele não pode se enganar ou mentir (Nm 23.19).

Outros ensinam que as leis que condenam o homossexualismo se aplicavam somente à nação de Israel. As leis do Velho Testamento caducaram com a vinda de Jesus Cristo. Essa visão é popular entre aqueles que reivindicam ser “homossexuais evangélicos.” Essa visão é totalmente anti-bíblica. Quando o Novo Testamento diz que os cristãos estão mortos para a lei, significa que Cristo cumpriu a lei (o pacto das obras) pelos crentes, e removeu a maldição da lei por meio de Sua morte sacrificial. Cristãos que estão unidos a Jesus Cristo em Sua vida perfeita sem pecado e Sua morte sacrificial são elevados com Cristo e capacitados por Seu Espírito a viver para Deus. Paulo disse que “a lei é santa, e o mandamento santo e justo e bom” (Rm 7.12). Cristo não liberta da lei moral. Ele obedeceu a ela perfeitamente para os crentes. Ele morreu para remover a culpa do pecado e enviou o Espírito Santo para que os crentes tenham poder para obedecer à lei de Deus. Se Cristo abolisse a lei no sentido que os apologistas do homossexualismo afirmam, então Ele precisaria morrer, porque se não há lei, não há pecado nem culpa. As únicas leis que não possuem mais validade são as que estão atreladas especificamente à terra de Israel (e.g., o jubileu) e as leis cerimoniais. As leis cerimoniais apontavam para Jesus Cristo e Sua obra por meio de tipos e figuras. A lei moral de Deus e o caso das leis civis baseadas sob a lei moral ainda estão em vigor. A lei de Deus é baseada sob Sua natureza e caráter; portanto, é absoluta, imutável e eterna.

É óbvio que a proibição contra o homossexualismo nada tem a ver com o sistema sacrificial; ela claramente não é cerimonial em sua natureza. Além do mais, se as leis contra o homossexualismo foram somente restritas à nação de Israel, então porque o homossexualismo é condenado em Sodoma, cerca de quatrocentos anos antes de a nação de Israel existir: “como Sodoma e Gomorra, e as cidades circunvizinhas, que, havendo-se entregado à imoralidade sexual e seguindo após outra carne [homossexualismo], foram postos para exemplo, sofrendo a vingança do fogo eterno” (Judas 7)? Embora Sodoma fosse genericamente caracterizada pela maldade, Gênesis 19 apresenta o homossexualismo como o último estágio da devassidão. Os homens de Sodoma desejaram ter relações homossexuais com os convidados de Ló e estavam dispostos a estuprá-los, se necessário. Deus enviou total destruição sobre Sodoma. Sodoma não foi destruída porque seus habitantes não eram hospitaleiros, como alguns afirmam. Simplesmente não ser hospitaleiro não explicaria um tal julgamento de Deus. Deus aniquilou a cidade; somente Ló e sua família foram poupados.

Alguns apologistas do homossexualismo argumentam que a lei de Deus condena somente a prostituição ritual masculina. Eles argumentam que o moderno homossexualismo não tem nada a ver com o homossexualismo pagão e idólatra praticado nos tempos antigos. Deus claramente condena a prostituição masculina e os ritos cúlticos de fertilidade associados a ela; Deuteronômio 23.17-18 se aplica à prostituição cúltica. Mas Levítico 18.22 e 20.13 não mencionam a prostituição cúltica em lugar algum. “se um homem se deitar com outro homem como se fosse mulher, ambos cometeram abominação. Devem ser mortos. Seu sangue cairá sobre eles” (Lv 20.13).

A tentativa de consolidar todas as proibições contra o homossexualismo dentro de algo que somente concorde com a antiga prostituição cúltica revela um óbvio viés pró-homossexual por parte destes intérpretes. Eles forçam o texto bíblico à um molde pró-homossexual. Eles estão sendo desonestos com a clara intenção da Palavra de Deus. Eles estão lendo suas próprias pressuposições pró-homossexuais na lei de Deus. É ilegítimo condensar três proibições distintas (Lv 18.22, 20.13; Dt 23.17-18) em apenas uma. Interpretes pró-homossexuais sabem disto mas não se importam, porque eles não estão interessados na verdade; eles estão interessados somente em justificar seu comportamento mau e pervertido. Além disso, sua interpretação pode ser usada para justificar a relação sexual com ovelhas e cabras, porque a bestialidade também era parte dos ritos cúlticos de fertilidade. Não se engane. Deus é contra o homossexualismo em todas as suas formas, tanto ritual quando pessoal.

Os argumentos em favor do homossexualismo são nada mais que lamentáveis desculpas para um comportamento que Deus condena e irá claramente julgar. “Não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis. Nem fornicadores, nem idólatras, nem adúlteros, nem homossexuais, nem sodomitas, nem ladrões, avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus” (1Co 6.9-10). Homossexualismo foi condenado por Deus, séculos antes da chegada da lei (e.g., Gn 19). Ele é explicitamente condenado pela lei de Deus (Lv 18.22, 20.13). Como será mostrado, ele é também claramente condenado no Novo Testamento pelo apóstolo Paulo.

O Novo Testamento

O Novo Testamento concorda com, e confirma, a condenação do Velho Testamento da homossexualidade. Alguma passagem da Bíblia pode ser mais clara na condenação do homossexualismo do que a afirmação de Paulo encontrada no primeiro capítulo de Romanos: “Por isso, Deus entregou tais homens à imundícia, pelas concupiscências de seu próprio coração, para desonrarem seus corpos entre si; pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e adoraram e serviram a criatura mais do que o Criador, o qual é bendito eternamente. Amém. Por essa razão Deus os entregou a paixões infames. Pois até mesmo as mulheres mudaram o modo natural pelo que é contra a natureza. Do mesmo modo os homens, deixando o contato natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, homens com homens cometendo o que é torpe, e recebendo em si mesmos a penalidade devida pelo seu erro. E por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes… os quais, sabendo do justo juízo de Deus, de que aqueles que praticam tais coisas são passíveis de morte, não somente as fazem, mas também aprovam os que as praticam” (Rm 1.24-28,32).

Defensores do comportamento homossexual tentam driblar Romanos 1 alegando que Paulo estava condenando somente a luxúria e promiscuidade homossexual e não as amáveis e monogâmicas relações homossexuais. O problema com essa interpretação pró-homossexual é que Paulo nem sequer sugere tal idéia no texto. Essa idéia, que era pra estar no texto, claramente não está lá. Paulo era um expert em complexos problemas éticos. Sua condenação abrange todas as formas de comportamento homossexual: seja promiscuo, seja monogâmico. Se a homossexualidade é permissível sob certas condições, então a mentira, assassinato, difamação, e outros pecados listados por Paulo também são permitidos sob certas condições? Poderia um apologista do homossexualismo argumentar que o sexo com cabras e ovelhas é permitido desde que o relacionamento seja amoroso e monogâmico?

Outros apologistas dizem que Paulo estava somente se referindo à prostituição cúltica grega. Mas o texto não diz nada sobre a prostituição cúltica grega. Paulo estava focado sobre o que acontece quando as pessoas enxotam Deus de seus pensamentos e adoram ídolos. Paulo estava discutindo o comportamento pessoal moral. Quando as pessoas abandonam Deus, seu comportamento pessoal se torna perverso. Se Paulo condenou somente a prostituição ritual grega, então porque a igreja primitiva condenou todas as formas de homossexualismo? Por que é que toda congregação de igreja cristã e todas as denominações cristãs condenaram todas as formas de homossexualismo durante quase dois mil anos? Foi só nos anos 1970 que o homossexualismo começou a receber aceitação na sociedade. E não é acidental que as igrejas que mudaram suas visões geralmente façam parte de denominações liberais que rejeitaram a autoridade divina da Bíblia. Se Cristo e os apóstolos aceitaram a homossexualidade monogâmica, então por que ela foi universalmente condenada na igreja apostólica?

A Teoria da Pederastia

A tentativa mais sagaz de repudiar a condenação de Paulo da homossexualidade é a teoria da pederastia. Essa visão afirma que Paulo, seguindo a cultura grega, somente estava condenando a exploração sexual e emocional de jovens por parte de homens. Esta visão assume que Paulo era somente um produto da cultura grega pagã de seu tempo. Mas a Bíblia claramente ensina que Paulo escreveu sob a sobrenatural direção do Espírito Santo (2Pe 3.15-16). Para entender a visão de mundo de Paulo, não se deve olhar para a Grécia ou Roma pagãs, mas para o Velho Testamento, os ensinos de Jesus Cristo e dos outros apóstolos. A condenação de Paulo da homossexualidade é totalmente consistente com, e uma continuação da, lei de Deus revelada a Moisés. A pederastia é errada e é condenada por Deus porque é uma forma ou tipo de homossexualidade. É também pecaminosa e perversa porque é uma forma de sexo fora dos laços do matrimônio legal, monogâmico e heterossexual. O homossexualismo é perverso, não interessa a idade dos participantes. A idéia de que pelo fato de dois homens terem alcançado a idade de 18 anos, Deus aprova o sexo oral e anal que eles fazem é absurda. Paulo condena tal pensamento perverso e tolo há muito tempo: “Mas sabemos que a lei é boa e aquele que a utiliza de modo legítimo, mas sabeis disto: que a lei não foi feita para o que é íntegro, mas para os transgressores e rebeldes, para os irreverentes e pecadores, para os ímpios e profanos, para os assassinos de pais e mães, homicidas, para os fornicadores, para os sodomitas, raptores de homens, para os mentirosos, para os perjuros, e para tudo quanto seja contrário à sã doutrina” (1Tm 1.8-10).

Ato e Orientação

Qualquer discussão da homossexualidade será incompleta sem estabelecer a diferença entre ato e orientação. Muitos homossexuais irão dizer, “Eu nasci homossexual – Deus me faz assim; por isso, meus pensamentos, desejos, e modo de vida não devem ser condenados.” Se algumas pessoas nascem com uma predisposição para o comportamento homossexual, isto faz de alguma forma os desejos e o comportamento homossexual deles aceitável a Deus? Absolutamente não!

A doutrina bíblica do pecado original ensina que todos os homens nascem com uma natureza ou disposição pecaminosa. O primeiro homem, Adão, era o cabeça do pacto e representante de toda a raça humana perante Deus. Quando Adão pecou, a culpa e poluição do pecado passaram à toda a raça humana (Rm 5.12, 17, 19). Cada pessoa (exceto Jesus Cristo que foi concebido pelo Espírito Santo) é nascida com uma natureza pecaminosa. É errado dizer, “Deus me faz um homossexual (ou um mentiroso, ou um assassino),” porque o pecado não se originou com Deus, mas com o homem (i.e., Adão, nosso antepassado).

O fato de que todos os seres humanos nascem com uma orientação (ou inclinação) para o pecado não justifica desejos ou comportamento pecaminosos. A Bíblia diz que todos os homens nascem mentirosos (Sl 58.3). A Bíblia também diz que mentir é pecado (Ex 20.16, Dt 5.20); e adiante diz que os mentirosos não entrarão no reino de Deus (Ap. 21.27). Se algumas pessoas nascem com uma inclinação para o roubo, homossexualismo, assassinato, bestialidade, sadomasoquismo, mutilação, etc., isto de forma alguma justifica seu comportamento pecaminoso. O argumento de que a orientação para a homossexualidade de alguma forma a faz aceitável a Deus pode ser usado para justificar qualquer comportamento pecaminoso. Um tal argumento destrói a responsabilidade pessoa; ele tornaria a lei de Deus sem sentido e desnecessária a salvação por meio de Cristo. Todos os homens certamente serão responsabilizados perante Deus por cada pensamento, palavra e ação pecaminosas que cometam, sem importar suas orientações. Culpar Deus pelo comportamento pecaminoso de alguém pode fazer o homossexual se sentir melhor, mas isto irá ser ineficiente no dia do juízo, quando todos os impenitentes homossexuais serão lançados no inferno (1Co 6.9-10, Ap. 21.27). Além disto, a Bíblia ensina que nenhum homem pode culpar Deus por seu comportamento pecaminoso, porque Deus não pode tentar o homem. O homem é tentado por seus próprios desejos: “Ninguém ao ser tentado diga, ‘Fui tentado por Deus’; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, nem a ninguém tenta”. Mas casa um é tentado quando engodado e atraído por seus próprios desejos. Então, quando o desejo concebe dá à luz ao pecado, que quando consumado, gera a morte. (Tg 1.13-15).

Alguns afirmam que os atos homossexuais são de fato imorais, mas sentimentos e desejos homossexuais para alguns são inatos e, portanto, inevitáveis e não pecaminosos. A Bíblia ensina que não é pecado ser tentado (Cristo foi tentado, embora nunca tenha cometido pecado, Hb 2.18). O que é pecaminoso é quando uma pessoa abriga aquilo que o tenta, fantasia e faz planos para praticar aquele comportamento pecaminoso. A Bíblia claramente ensina que não somente é um pecado cometer atos maus, mas é também pecado ter desejos e pensamentos imorais, luxuriosos.

Jesus Cristo proibiu a luxúria heterossexual em Mateus 5.27-29. Jesus disse que quando um homem olha para uma mulher com desejo lascivo, ele já cometeu adultério com ela em seu coração (Mt 5.28). A idéia de condenar só o ato externo mas não a luxúria interna era uma doutrina dos Fariseus; Cristo condenou veementemente esse falso ensino (Mt 5.21-22, 15.19-20). O apóstolo Paulo proibiu fantasias perversas, luxúria, e maus desejos (Cl 3.5). Paulo disse que os cristãos devem santificar (i.e., fazer santo) os seus próprios pensamentos (Fp 4.8). Tiago disse que se os desejos não forem controlados, o pecado irá seguí-lo (Tg 4.1). O desejo homossexual está condenado dentro de Romanos 1:.4, 26, 27. O profeta Isaías disse que o arrependimento de alguém deve ser estendido aos “pensamentos” e aos “caminhos” (Is 55.7). Uma vez que a Bíblia condena os desejos e atos pecaminosos, não pode existir tal coisa como um cristão homossexual – ou um cristão assassino ou um cristão ladrão. Se um homossexual se torna um cristão, ele deve deixar de lado tanto atos quanto pensamentos homossexuais; portanto, quando se torna um cristão, ele deixa de ser um homossexual. Ele deve ainda às vezes ser tentado mas ele se recusa a abrigar, a flertar com, e a cometer tais ações abomináveis. “Finalmente, irmão, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é digno de honra, tudo o que é justo, todo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude e se algum louvor existe; pense sobre estas coisas” (Fp 4.8). “Não devemos cobiçar as coisas más, como eles também cobiçaram” (1Co 10.6).

Conclusão

A condenação bíblica da homossexualidade é muito clara e bastante forte. Deus disse que o homossexualismo é uma “abominação”; o que significa que Deus aborrece, odeia e detesta completamente o comportamento homossexual. O Antigo Testamento ensina que as pessoas que são condenadas pelo crime de se envolver em um procedimento homossexual devem ser mortas (Lv 18.22, 20.13). O Novo Testamento está em total acordo: o apóstolo Paulo disse que o comportamento homossexual é “digno de morte” (Rm 1.32). Essa não é a opinião do homem, mas é o claro ensino da Palavra de Deus.

As pessoas que reivindicam serem compassivas com os homossexuais pela justificativa e aprovação de seu comportamento perverso são mentirosos e falsos mestres. Suas tentativas de reinterpretar a Bíblia para fazê-la aceitar o homossexualismo são nada mais que desculpas esfarrapadas criadas para aqueles que não querem se arrepender. Eles estão conduzindo os homossexuais ao caminho que leva à destruição (Mt 7.13). Eles são os verdadeiros inimigos da comunidade homossexual.

Sua única esperança é aceitar o que Deus diz com respeito ao seu comportamento pecaminoso. Se você for se arrepender dos seus pecados e crer em Jesus Cristo, você deve se convencer de que seu procedimento é errado, perverso e digno de juízo. Depois de dizer que os homossexuais não herdarão o reino de Deus, Paulo diz, “Tais foram alguns de vocês. Mas vocês foram lavados, mas vocês foram santificados, mas vocês foram justificados em o nome do Senhor Jesus e pelo Espírito do nosso Deus” (1Co 6.11). Havia cristãos na igreja de Corinto que rejeitavam seu anterior estilo de vida homossexual e abandonaram seus pecados. Eles se arrependeram e creram em Jesus Cristo.

Jesus Cristo, como Ele é apresentado nas Escrituras, é a única esperança de salvação dos pecadores: “Nem há salvação em nenhum outro, pois não há nenhum outro nome debaixo do céu, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” (At 4.12). Se você crê nEle, todos os seus pecados serão perdoados. “Se com a boca confessares o Senhor Jesus e creres em teu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, você será salvo. Porque com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação. Porque a Escritura diz, ‘Qualquer que crê nEle não será confundido’” (Rm 10.9-11).

O sangue imaculado de Cristo remove a culpa e a maldição do pecado. Sua vida perfeita e sem pecado é dada como um presente àqueles que creem nEle. Quando os cristãos se apresentarem perante Deus no dia do julgamento, eles serão vestidos com a perfeita justiça de Cristo. Os crentes irão para o céu tão-somente em razão dos méritos de Jesus Cristo. Quando Cristo ascendeu da morte ao terceiro dia, isto provou que Seu sacrifício foi aceitável a Deus o Pai. Cristo ressurgiu vitorioso sobre o pecado, a culpa, a morte e o inferno para todos que põe sua confiança nEle. Após sua ressurreição, Cristo, como o mediador divino-humano, foi feito Rei e Senhor sobre todas as coisas no céu e na terra. “Arrependei-vos, portanto, e convertei-vos, para que seus pecados possam ser cancelados, a fim de que tempos de refrigério possam vir da presença do Senhor” (At 3.19-20).

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Sobre o autor: Brian Schwertley é mestre em Teologia (Seminário Episcopal Reformado, 1984). Casado há mais de duas décadas com Andréa, é pai de cinco filhos. Ele pastoreia a Igreja Presbiteriana de Westminster de Waupaca, congregação da Igreja Presbiteriana de Westminster nos Estados Unidos. Foi preletor do Simpósio “Os Puritanos” em junho de 2001 no Recife (Brasil). Em português foram publicados, de sua autoria, O modernismo e a inerrância bíblicaSola Scriptura e o Princípio Regulador do Culto (São Paulo: Os Puritanos, 2001, 207p.), O movimento carismático e as novas revelações do Espírito (São Paulo: Os Puritanos, 2001, 58p.). (São Paulo: Os Puritanos, 2000, 64p.),

Fonte: reformedonline.com
Tradução:
Márcio Santana Sobrinho
Via:
Monergismo
Extraído de: [ Eleitos de Deus ]

Calvino e a unidade da Igreja

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Ao mesmo tempo em que se preocupava com a expansão do movimento, Calvino desejava manter a unidade da igreja reformada. Calvino sempre se demonstrou solícito em dialogar e buscar a unidade dos protestantes. Em várias de suas cartas, Calvino demonstra o desejo de ver as igrejas reformadas unidas, encontrando um caminho para o diálogo entre as várias vertentes e cidades sob a Reforma. Quando foi convidado pelo arcebispo Cranmer para uma reunião para tratar a respeito das divergências da Ceia do Senhor, com o objetivo de fazer um credo que fosse consensual para as igrejas reformadas, em sua resposta, a certa altura, Calvino disse: “Estando os membros da igreja divididos, o corpo sangra. Isso me preocupa tanto que, se pudesse fazer algo, eu não me recusaria a cruzar até dez mares, se necessário fosse, por essa causa” (1980, págs. 132-133). Anteriormente, ele já havia dito que os zwinglianos e os luteranos tinham errado em não entrar num acordo sobre esse tema. Ele comentou: “Erraram em não ter paciência para escutar-se a fim de seguir a verdade sem parcialidade, onde quer que se encontrasse”.

É claro que não se faria justiça ao ensino do reformador se fosse dito que ele era um ecumênico nos termos atuais. Calvino foi um reformador, ele criou uma igreja separada de Roma e não tinha a menor intenção de se reconciliar com o papado. Calvino tinha uma fixação pela verdade e um rigor pela precisão doutrinária. Ele com certeza não estava disposto a sacrificar a verdade pela unidade, porém, segundo Leith, dentro do possível, ele poderia até admitir alguns erros doutrinários menores dos outros para manter a unidade. É claro que desde que não comprometesse o todo e não fossem assuntos referentes à salvação. Calvino entendia que uma igreja que mantivesse razoavelmente a pregação da Palavra e a administração dos sacramentos, mesmo que tivesse alguns problemas e pequenos desvios teológicos, ainda deveria ser considerada como verdadeira. Ele escreveu:

Pois se mantém o ministério da Palavra, tendo-a em alta estima, e tem a administração dos sacramentos, deve-se ter por igreja de Deus. Porque é certo que a Palavra e os sacramentos não podem existir sem produzir fruto. Desta maneira conservaremos a união da igreja universal (Institutas, IV, 1,9).

Logo em seguida ele repete a mesma ideia com mais detalhes:

É certo que onde quer que se escute com reverência a pregação do Evangelho e não se menospreza os sacramentos, ali há uma forma de igreja, de que se não pode duvidar, e não é lícito menosprezar a sua autoridade, ou fazer caso omisso de suas admoestações, nem contradizer seus conselhos, ou burlar suas correções. Muito menos será lícito afastar-se dela e romper sua união (Institutas, IV, 1,10).

Por outro lado, enfatizou que se uma igreja “pretende ser reconhecida como igreja não se pregando nela a Palavra de Deus, nem se administrando seus sacramentos, não tenhamos menor dificuldade de fugir de tal temeridade e soberba para não ser enganados com tais embustes” (Institutas, IV, 1,11). Calvino sabia fazer distinção entre assuntos principais e assuntos secundários. Ele escreveu:

Porque nem todos os artigos da doutrina de Deus são de uma mesma espécie. Há alguns tão necessários que ninguém os pode pôr em dúvida como primeiros princípios da religião cristã. Tais são, por exemplo: que existe um só Deus; que Jesus é Deus e Filho de Deus; que nossa salvação está só na misericórdia de Deus. E assim outras semelhantes. Há outros pontos em que não concordam todas as igrejas e, contudo, não rompem a união da igreja. Assim, por exemplo, se uma igreja sustém que as almas são transportadas ao céu no momento de separar-se de seus corpos, e outra, sem se atrever a determinar o lugar, diz simplesmente que vivem em Deus, quebrariam estas igrejas entre si o amor e o vínculo da união, se esta diversidade de opinião não fosse por polêmica ou por obstinação? (Institutas, IV, 1,12).

Nisso, é possível perceber que Calvino estava disposto a tolerar divergência de opiniões, desde que não comprometessem o ensino central a respeito da salvação e dos meios de graça. Ele obviamente achava que as polêmicas causavam mais prejuízos, por isso admoestou os fiéis a se manter unidos na igreja:

É verdade que é muito melhor estar de acordo em tudo e por tudo; mas dado que não há ninguém que não ignore alguma coisa [nuvenzinha de ignorância], ou não poderemos aceitar nenhuma igreja, ou perdoaremos a ignorância aos que faltam em coisas que podem ignorar sem perigo algum para a salvação e sem violar nenhum dos pontos principais da religião cristã. Não é meu intento sustentar aqui alguns erros, por pequenos que sejam, nem quero mantê-los dissimulados e fazendo como se não os visse. O que defendo é que não devemos abandonar por qualquer dissensão uma igreja que guarda em sua pureza e perfeição a doutrina principal de nossa salvação e administra os sacramentos como o Senhor os instituiu. Do mesmo modo, se procuramos corrigir o que ali nos desagrada, cumprimos com nosso dever (Institutas, IV, 1,12).

Calvino estava disposto até a tolerar certas “extravagâncias” litúrgicas para o bem da unidade da igreja, como parte das cerimônias da igreja anglicana que ele considerava “toleráveis” (1980). Seu resumo de tudo isso é: “Quero dizer em poucas palavras que, ou renunciamos à comunhão da igreja, ou se permanecemos nela, não perturbemos a disciplina que possui” (Institutas, IV, 1,12).

Calvino adverte severamente contra aqueles que procuravam encontrar divisões nas igrejas a partir de um zelo irrefletido:

Este grande rigor e severidade, na maioria das vezes, nasce da soberba, arrogância e falsa santidade; não de verdadeiro nem de autêntico zelo dela [...]. Os homens malignos que por desejo de polêmica, mais que por ódio que podem ter contra os vícios, se esforçam em atrair a si os simples, ou em dividi-los, estão inchados de altivez, transbordando de obstinação, astutos para caluniar, ardendo em sedições, e pretendendo usar de severidade para que todo mundo creia que eles possuem a verdade; abusam para conseguir seus cismas e divisões na igreja, enquanto que a Escritura nos manda ter moderação e prudência na correção das faltas dos irmãos com amor sincero e união de paz (Institutas, IV, 1,16).

Sua conclusão novamente é curta e clara: “E finalmente, tenham em conta que, quando se trata de discernir se uma igreja é de Deus ou não, o juízo de Deus deve ser preferido ao dos homens” (Institutas, IV, 1,16).

Calvino fazia uma distinção entre a igreja visível e a igreja invisível. A igreja invisível era composta de todos os crentes verdadeiros em todas as eras, inclusive os que já estavam no céu. A igreja visível, entretanto, não era perfeita, pois havia muitos hipócritas nela que, segundo Calvino, “de Cristo não tinham outra coisa senão o nome e a aparência” (IV, 1,7). Assim, Calvino concluía que: “Da mesma maneira que estamos obrigados a crer na igreja invisível para nós e conhecida somente de Deus, também se nos manda que honremos esta igreja visível e que nos mantenhamos em sua comunhão” (IV, 1,7).

Isso o ajudava a entender as imperfeições na igreja visível e a tolerá-las. Uma questão importante é que a “igreja” para Calvino e para os reformadores não era uma instituição definida em termos denominacionais, como se entende hoje, antes eles a definiram “em termos de ação de Deus no mundo e sacramento, e não em termos de estruturas ou de doutrina correta”. Assim, segundo Leith, este conceito de igreja permitiu que as comunidades reformadas reconhecessem os ministros, sacramentos e membros de outras igrejas. Nenhuma das principais comunidades cristãs tem sido mais ecumênica nesse sentido, ou mais aberta no reconhecimento de outros membros, sacramentos e ministérios cristãos.

Portanto, vemos em Calvino uma mistura de precisão doutrinária e tolerância, um zelo por pureza e expansão da igreja, que não foi comum encontrar em outros líderes religiosos da história.

Autor: Leandro Antonio de Lima
In: O futuro do calvinismo, Editora Cultura Cristã
Via: [ Cinco Solas ]

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Neopentecostalismo Cartoon – parte 2

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No primeiro texto falei sobre algumas coisas e as relacionei diretamente ao movimento Neopentecostal, o que gerou alguns comentários de amigos.

É preciso deixar claro que não estou “combatendo por combater”. A proposta é expor em cinco textos alguns dos pontos mais falhos do movimento Neopentecostal, para dedicar o sexto texto a uma exposição diferenciada, embora todos os artigos não sejam apenas exposições de feridas, mas em caráter apologético, apontam para um caminho bíblico ortodoxo.

É preciso ressaltar que tais problemas não se restringem apenas ao movimento Neopentecostal, mas que se infiltraram nas diversas tradições, embora esteja muito mais evidente no segmento Neopentecostal.

Entretanto, fica claro que não cabe um pragmatismo raso nesta questão, já que é impossível tentar relacionar um movimento que dá mais ênfase a curas, dinheiro, soluções imediatistas, egocentrismo, hedonismo, materialismo, demônios e sacrifícios humanos com o cristianismo bíblico, e é isso que combato. Não é por acaso que recentemente uma denominação tradicional passou a considerar algumas Igrejas Neopentecostais como seitas.

Os que defendem esse modelo pragmático do Neopentecostalismo se assemelham àqueles que votam em políticos corruptos com base na falsa premissa: “Esse rouba, mas faz!”.

Explicado isso, vamos adiante! Neste texto, falarei sobre um assunto muito interessante: vamos conquistar o mundo!

A analogia da vez é com a série de desenhos “Pink e o Cérebro”.

Pink e o Cérebro

Quem não se lembra dessas duas figuras? Pink e o Cérebro são dois ratinhos brancos de laboratório que tramam os mais loucos planos para dominar o mundo, embora nunca exponha os motivos para tal empreitada esdrúxula.

Criada por Tom Ruegger e Steven Spielberg, a transmissão original se deu ao final da década de 90. A marca desta série é sem dúvida alguma a expressão presente no início e final de cada episódio:

Pink: - Cérebro, o que faremos amanhã à noite?

Cérebro: - A mesma coisa que fazemos todas as noites, Pink! Tentar conquistar o mundo!

Analisando essas figuras, temos mais um cenário Neopentecostal.

Pink, o rato mais alto, é magricelo, com dentes tortos e saltados e com atitudes infantis, de modo tão exagerado que beira o cúmulo da ignorância. É peça nas mãos de Cérebro, mas sempre comete besteiras agudas que estragam seus planos mirabolantes. As besteiras de Pink normalmente deixam Cérebro nervoso, mas ainda assim Pink o considera como um grande amigo.

Cérebro, o rato mais baixo, tem uma enorme cabeça, evidenciando sua grande massa cinzenta. Cobiçoso que é, vive tramando planos de conquista. Normalmente seus planos acabam por água abaixo, recheados com mancadas do Pink.

Mas e aí? Onde entram as esquisitices Neopentecostais?

Vou relacionar três delas:

a. Modelos de crescimento exponenciais: para muitos, falar a palavra discipulado é motivo de pânico. Quem quer que tenha participado desses movimentos (ou participa) deve ter ouvido algum líder berrando: “Eu vejo multidões atrás de você!”; “Deus te chamou para conquistar as nações!”; “Estamos no tempo da colheita, e essa é a visão!”; “Eu estou na visão!”; e por aí vai. Até 5 anos atrás, quem não tinha adotado algum movimento de crescimento estava por fora. Era só mais um cristão antigo, que não tinha captado a estratégia de conquista.

Vale o adendo: eu conheço pessoas que filtraram os ensinos desses movimentos e, ao trabalhar com grupos de edificação e crescimento espiritual tiveram resultados positivos. Mas estou aqui tratando das esquisitices destes movimentos que, sejamos francos, causaram muito mais feridas que qualquer outra coisa. Poucos são os que tiveram respeito suficiente pelas pessoas para que tais se tornassem verdadeiros cristãos. A maioria usou dos métodos como instrumento de domínio.

Assim como Cérebro, os líderes viviam forçando seus “Pinks” a “conquistar o mundo”. Forçando multiplicações celulares, impondo sua ideologia e, assim como Cérebro, sua cobiça sem fim, afinal, para tais homens, igreja cheia é sinal de sucesso (para eles, sucesso financeiro principalmente).

Eu fui “Pink” por muito tempo e falo com propriedade. Hoje, nenhum Cérebro me domina, a não ser Cristo, cabeça da igreja.

b. Atos Proféticos: conquista de cidades, estados e nações: é duro saber que ainda nos dias de hoje essa prática perdura. Muitos crentes ainda vivem debaixo de ensinos mágico-gospel liberando sua voz profética determinando um sem fim de vitórias. Como um abracadabra, querem “conquistar o mundo” na marra.

A cidade onde moro, São José dos Pinhais – PR, viu nos últimos anos inúmeras entregas das “chaves da cidade para Jesus”. Foram tantas e tantas chaves passadas por políticos que, brincadeiras a parte, deu para montar um belo molho de chaves para Jesus. Nada mais que misticismo travestido de cristianismo.

Você deve ter visto em sua cidade tal cena também. Nessa ânsia de encher templos e bolsos, muitos desses “Cérebros” tem feito uso de um sem número de “Pinks” para poder “conquistar o mundo”. O problema dessa dominação acaba desdobrando-se em outros níveis da vida dos crentes, onde o líder é o guru exclusivo para assuntos aleatórios.

c. Sacerdócio: é fato, a maioria das pessoas que hoje entram numa igreja vêem em seu líder um ser místico e mágico-religioso, ou um pai, ou o melhor amigo, etc. Muitos acabam por se submeter a regimes paramilitares-eclesiásticos. Nesses regimes, o Cérebro é o referencial para tudo, e Pink fica a mercê de seus mandos e desmandos.

Tenho uma pessoa próxima que esteve por anos numa denominação pentecostal histórica. Hoje ela faz parte de uma denominação Neopentecostal da onda neoapostólica, e segundo ela está com todos os dias da semana “dedicados à obra”. Como ela mesmo me disse: “fora do trabalho, não me sobra tempo pra mais nada”. Me pergunto o que é isso?! A família, os relacionamentos, a própria vida com Deus é substituída pelo ministério, pelas funções, pelos cargos e afins.

O sacerdote Cérebro é inquestionável, ele é a voz de Deus e ai se Pink questionar seus mandos, é um rebelde! Cérebro manda: “Pink, devemos estar aqui, totalmente dedicados para conquistar esse mundo!”.

Vi um Cérebro desses no meu passado. O controle era tanto que até relatório financeiro era solicitado. Era preciso prestar contas do que era feito com o salário. Enfim, uma fanfarra gospel para que pudéssemos “conquistar o mundo”.

Voltemos ao Evangelho

Como não ser um Pink nas mãos de um Cérebro nesses dias tão fragmentados? Voltemos ao Evangelho.

A dedicação ao estudo da Palavra, o uso da racionalidade diante de cenários tão bizarros e o entendimento de que diante de Deus existe o sacerdócio universal dos santos, nos fará uma igreja mais próxima dos moldes gentílicos tão explícitos no Novo Testamento.

Amigo leitor, sugiro de imediato uma atitude para entendimento mais amplo do que é ser igreja: leia o Novo Testamento e faça um estudo mais enfático nas cartas do apóstolo Paulo. Peça ajuda ao professor da Escola Bíblica (sim, em alguns locais elas ainda existem!) de sua igreja para trabalhar com esse estudo. Compre um bom comentário bíblico e mãos à obra!

Estamos na Nova Aliança pelo Sangue de Cristo, espargido no Calvário, portanto, vivamos nela!

Toda honra e glória ao Senhor!

Fonte: [ NAPEC ]

Porque você precisa estudar teologia?

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Palavras como teologia e doutrina têm conotações negativas para muitos cristãos. Isto é uma grande tragédia, pois acredito firmamente que todo cristão precisa estudar teologia em algum momento de sua caminhada cristã. Em nenhuma ordem em particular, aqui vão cinco razões de porque você precisa estudar teologia, e possivelmente algumas delas você não tenha considerado antes.

1. Você já é um teólogo.

Por que você precisa estudar teologia? Porque teologia não é uma coisa que apenas o professor de teologia tem – todos nós cremos em alguma coisa sobre Deus e, portanto, somos teólogos à nossa própria maneira. No entanto, o que precisa ser questionado é se o que você crê é correto, e o estudo da teologia pode ajudar a responder essa pergunta.

2. Seu amor por Jesus é intrisicamente ligado com seu conhecimento de sua Palavra.

Por que você precisa estudar teologia? Porque Jesus disse: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (João 14.15). Ouvi alguém dizendo que o certo cristão pode não ser grande teologicamente, mas estava tudo bem porque ele realmenteamava Jesus. Entretanto, Jesus diz que se nós o amamos, obedeceremos o que ele ordena. Como nós podemos obedecê-lo se nós não vamos à sua Palavra para conhecer corretamente seus mandamentos?

3. Sua doutrina determinará como você vive.

Por que você precisa estudar teologia? Porque o que você acredita (sua doutrina) determinará como você vive (sua prática). Isto pode ser visto em sua vida cotidiana. Se você acredita que alguma coisa é venenosa, você simplesmente não a bebe. Similarmente, suas crenças sobre Deus e sua Palavra determinam como você vive dia a dia. Por exemplo, se você acredita que Deus fala somente através de sua Palavra então você a estudará diligentemente. Entretanto, se você acredita que Deus fala através de impressões e coisas parecidas, então você procurará por aquela pequena voz silenciosa. O exemplo acima drasticamente muda como uma pessoa procurará encontrar a vontade de Deus para sua vida, e ilustra porque você precisa estudar teologia.

4. Suas afeições determinarão o que você estuda.

Por que você precisa estudar teologia? Porque onde suas afeições estão colocadas determinará o que você gastará tempo estudando. Se seu hobby é fotografia você desejará estudar o assunto para saber como melhorar suas fotografias e aumentar seu amor e apreciação por esse passatempo. Da mesma forma, se você é cristão e sua afeição principal está sobre Deus, por que você não desejaria estudar a Palavra para aumentar seu amor e apreciação por ele e sua Palavra?

5. Sua humildade depende disso.

Por que você precisa estudar teologia? Porque sem estudar teologia, é possível que você pense muito bem sobre você, mas não bem o bastante de Deus. Se é verdade que o conhecimento incha (1 Coríntios 8.1), as Escrituras, pelo contrário, quando corretamente entendidas e aplicadas, darão a você, por exemplo, o conhecimento da depravação e miserabilidade humana diante de Deus, e também darão conhecimento da magnificência, santidade, soberania e graça de Deus, o que somente pode servir para levar um verdadeiro convertido a ajoelhar-se em humildade.

Possa Deus ser glorificado quando você estudar teologia, com o desejo de saber mais sobre sua revelação especial ao homem.

Autor: Nathan W. Bingham
Fonte: [
Iprodigo ]
Via: [ Blog do Pedro Pamplona ]

Descobrindo o que é culto racional

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“ROGO-VOS, POIS, IRMÃOS, PELAS MISERICÓRDIAS DE DEUS, QUE APRESENTEIS O VOSSO CORPO POR SACRIFÍCIO VIVO, SANTO E AGRADÁVEL A DEUS, QUE É O VOSSO CULTO RACIONAL” (ROMANOS 12:1)
O termo ‘racional’ remete a raciocínio. Parece bastante óbvio. Assim como também, por associação, se entende que somente os seres humanos podem apresentar tal culto, visto que somente eles possuem raciocínio. Os anjos também possuem raciocínio, porém, por natureza não possuem corpo, visto que são espíritos (Hebreus 1:14). Paulo está falando aqui exclusivamente à igreja.

O vocábulo correspondente na versão original o grego “logikên latreian”, ou seja, ‘culto racional’, também pode ser entendido, sem prejuízo, como ‘culto lógico’. De fato, há lógica na racionalidade e vice-versa. Quem acha que essas coisas trazem prejuízo à fé, precisa rever seus conceitos.

O que Paulo está querendo dizer à igreja de Cristo?

Por suas colocações vemos que há uma preocupação do apóstolo em mostrar aos irmãos a necessidade de que se realmente entenda a natureza de tudo isso, no caso, a igreja.

Por que estou aqui? Quem me trouxe aqui? O que vim fazer aqui? O que estão me ensinando é verdade? São questionamentos que todos os crentes deveriam se fazer até que encontrassem respostas racionais para todos eles.

O contrário de culto racional é culto irracional. Ou seja, algo que é feito instintivamente, sem critérios ou razões que justifiquem os procedimentos adotados. Em um culto assim é praticamente impossível se seguir o que está escrito: “Tudo, porém, seja feito com decência e ordem” (I Coríntios 14:40) . É impossível que haja qualquer um dos dois componentes pedidos sem que se entenda a natureza de cada um. E é preciso racionalidade para que isso aconteça. Por isso Deus nos fez diferentes das demais criaturas, ou seja, nos criou à sua imagem e semelhança: para que o adorássemos em espírito e em verdade, conscientes de nosso ato e de nossa missão de adoradores.

O reino de Deus é um reino de decência e ordem. Não há espaço para improvisos de última hora. A construção da arca e do tabernáculo comprovam a mensagem de organização que Deus quer nos ensinar. Até na salvação haverá ordem (I Coríntios 15:23).

Esse é o padrão que deve ser perseguido pela igreja de Cristo. Deus se agrada de uma obra organizada.

Em dias atuais podemos identificar como grande adversário desse padrão, o excesso de emocionalismo que tem se alastrado no meio cristão. A busca incessante pelo êxtase e pela experiência sobrenatural extrabíblica, a incorporação de ‘anexos’ doutrinários à Palavra de Deus, como se esta não fosse suficiente e os modismos importados recheados de técnicas mirabolantes de quebra de maldições e encontros obscuros são os componentes deste fim de séc. XX e início de séc. XXI. O que não é uma surpresa, Paulo já alertava que essas coisas fatalmente aconteceriam (I Timóteo 4:1).

Nesse caldeirão doutrinário sem consistência – já que não se sustentam biblicamente – as pessoas estão se dirigindo às igrejas sem saber exatamente o que vão fazer por sua espiritualidade. Vão dançar, cantar, aplaudir, gritar, enfim, sem entrar no mérito dessas questões, quase sempre falta o elemento principal: a Palavra de Deus. Entram e saem alegres e exaustas. O problema é: entenderam a mensagem? A palavra que foi pregada edificou suas vidas? Deus falou com elas através de seu evangelho? Se à maioria dessas perguntas as respostas forem algo como “acho que sim”, algo está fora do lugar.

Cultos de estudo são sempre vistos como ‘enfadonhos’ e ‘entendiantes’. Já pensou, passar quase uma hora apenas consultando referências na Bíblia? Que chato, não? Agora observe Neemias 8:3 “E leu no livro, diante da praça, que está fronteira à Porta das Águas, desde a alva até ao meio-dia, perante homens e mulheres e os que podiam entender; e todo o povo tinha os ouvidos atentos ao Livro da Lei.” Estudo bíblico das seis da manhã até o meio-dia. Após isso, inclinaram-se, e adoraram o Senhor com o rosto em terra. Que lindo, não?

Uma proposta dessas nos dias de hoje seria impensável. Mas se o trabalho for uma celebração com um nome da moda, aí somente um dia inteiro é pouco.

A questão é que não há culto racional sem o entendimento da Palavra. Os ‘avivalistas’ de plantão trocam a bíblia por apostilas preparadas especialmente para direcionar as pessoas para a conclusão que lhes interessa. Seguem o exemplo das testemunhas de Jeová. Alguém já viu um deles evangelizando com uma bíblia em punho? Não, só vão às ruas com exemplares de ‘sentinela’ e ‘despertai’ ou, quando muito, com seus livretos particulares.

Por isso Paulo fala em ‘sacrifício vivo’. Ou seja, sacrifício da vontade da carne para fazer a vontade de Deus. E isso requer dedicação à sua Palavra e não somente àquilo que dá prazer, como por exemplo, ir para um retiro. Requer decência e ordem. Compromisso e organização.

Autor: Missionário Neto Curvina
Fonte: [ Palavra Prudente ]
Via: [ Novo olhar Reformado ]

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Quando pregar se torna inútil

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A cruz em si mesma proclama um veredicto sobre o homem decaído. A cruz afirma que Deus exige a morte pelo pecado, ao mesmo tempo em que proclama para nós a glória da substituição. Ela resgata os que estão perecendo...





Autor: Josemar Bessa
Fonte: [ Site do autor ]

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Um culto cristão essencialmente judaico

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Por: Samuel Torralbo

Fui convidado para o aniversário de uma igreja onde a reunião começou com o alarido de um shofar, em seguida o pastor convocou a congregação para uma peregrinação em direção a tenda do Abraão que estava montada atrás do púlpito, depois a viagem seguiu rumo a benção contida dentro de uma replica da arca da aliança no canto direito da igreja e por fim todos receberam a unção com óleo de Israel. No final da reunião pensei: Como é possível uma igreja que se diz cristã passar pela tenda do Abraão, pela arca da aliança, receber o óleo ungido de Israel, e não passa pelo significado da cruz em sua liturgia?

É crescente o número de comunidades cristãs com rituais e liturgias saturadas com simbolismos e figuras judaicas. É inegável o significado histórico da cultura judaica para o cristianismo, de modo que, não resta dúvida da importância hermenêutica que as figuras do antigo testamento carregam consigo para a interpretação da graça divina contida no novo testamento, mas, fazer do culto cristão um ato cerimonial essencialmente judaico é não discernir o significado e a liberdade contida em Cristo Jesus.

Shofar, estrela de Davi, arca da aliança, pano de saco, teshuvá e outros apetrechos judaicos tem ganhado mais importância em alguns redutos cristãos do que o próprio significado da cruz.

O perigo é inegável quando a centralidade da vida, das Escrituras e do culto, deixa de ser Jesus Cristo e passa a ser um outro elemento, ainda que tenha grande relevância ou significado religioso.

Quando todos os símbolos religiosos são colocados diante do significado da Cruz, tornam-se apenas sombras. Todos os rituais religiosos do antigo testamento quando confrontados com a liberdade cristã, passam a ser simplesmente apontamentos que existiram no passado e que indicavam a graça de Deus em Cristo Jesus.

O apóstolo Paulo enfrentou a força do ritualismo religioso, tendo inclusive que inúmeras vezes denunciá-lo e combate-lo: “É alguém chamado, estando circuncidado? fique circuncidado. É alguém chamado estando incircuncidado? não se circuncide. A circuncisão é nada e a incircuncisão nada é, mas, sim, a observância dos mandamentos de Deus. Cada um fique na vocação em que foi chamado.”I Co 7.18-20

O modus operandis da graça divina simplificou o caminho em direção a Deus, fazendo com que, os rituais e as performances religiosas perdessem o seu valor e significado diante da plenitude de satisfação do sacrifico de Cristo Jesus diante da justiça divina.

Mas como abandonar as performances humanas relacionadas ao rito? O que fazer com os diversos apetrechos litúrgicos que encantavam e ludibriavam a alma? Como substituir o complexo, ardoroso e extensivo sistema litúrgico da auto justificação humana pela simplicidade da liberdade em Cristo Jesus?

O abandono da religiosidade pagãs sempre foi o desafio de toda alma humana propensa ao ritualismo, que procura evitar a qualquer custo os benéficos da graça divina.

Um dos objetivos da graça de Deus em Cristo Jesus é promover uma varredura e libertação do paganismo, amuletos, e toda espécie de quinquilharia religiosa que objetivam substituir a glória de Deus manifestada em Cristo.

O que estão chamando de evangelho forte (principalmente pela teologia da prosperidade) tem gerado pessoas fracas e adoecidas espiritualmente, enquanto que, a máxima do evangelho permanece o mesmo – “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamo-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus.” II Co 5.19,20.

Estou convencido de que, quanto maior for a centralizada singela em Cristo Jesus, mais poderosa será a vida da Igreja.

Fonte: [ Ultimato ]

Recomendo a leitura de um artigo que aborda este tema, clique aqui!
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Eliminando o Estresse do Casamento.

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Os empregadores lutam contra o fato de que mais de 50% da perda de dias trabalhados ocorre devido a problemas ligados ao estresse. Muitas pessoas sofrem em decorrência de sintomas da vida ocupada e sob pressão; elas não conseguem manter um bom desempenho em seus empregos e igualmente são incapazes de fazê-lo no casamento e na vida familiar.

Eventos marcantes da vida atuam como uma enorme fonte de estresse. Quando pensamos nos acontecimentos que nos causam ansiedade nossa tendência é enfatizar o pior, como a falência, a morte ou o divórcio. Estas são as principais fontes de pressão mas não são as únicas. Até mesmo as situações de alegria podem deixar nossos relacionamentos sob pressão e elevar nosso nível de tensão. O nascimento de um bebê, a ida dos filhos para a escola pela primeira vez, ou jovens saindo de casa para a faculdade podem gerar enorme pressão. Um casamento na família pode ser particularmente estressante devido a todos os interesses familiares envolvidos.

O estresse é identificado quando o corpo começa a reagir à tensão constante e começa a desmoronar, o que só acontece após um longo processo de “esgotamento” devido às preocupações diárias. Inúmeros problemas de saúde são associados ao estresse incluindo problemas cardíacos, câncer, depressão, deficiência imunológica, dores de cabeça, perda de memória e obesidade..

Casamentos sob estresse podem ter sintomas semelhantes; quase sempre quando os problemas surgem no relacionamento, eles são um sintoma de tensão e pressão já existente há anos. Os problemas no casamento incluem: ausência de comunicação, solidão, discussões, separação e divórcio.

Talvez você sinta pressão em seu casamento, mas não possa atribuí-la aos principais fatores já mencionados. Todavia isso não significa que seu casamento não esteja sentindo os efeitos do estresse.

Um tornado pode atingir uma cidade e causar destruição em poucos segundos, os danos são terríveis e o projeto de reconstrução parece impossível. Igualmente a erosão pode causar devastação num terreno, mas o processo é muito mais lento, é um processo gradual e subterrâneo, mas ao final produz os mesmos resultados.

Controvérsias diárias se não resolvidas podem, pouco a pouco, erodir um relacionamento, pequenas coisas como: meias deixadas no chão, reclamações, o estresse da manutenção do lar e críticas podem, lentamente, causar a pressão no casamento. A pressão pode ser contida por um tempo, mas no fim o refluxo pode ser tanto uma explosão quanto um colapso emocional.

Então o que você pode fazer para lidar com o estresse no relacionamento? Observe que nós não perguntamos o que você pode fazer para evitar o estresse. Esta seria uma tarefa impossível no mundo em que vivemos, contudo há coisas que podemos fazer para trazer algum alívio.

Derrotando o Estresse no Casamento

• Diminua o ritmo – identifique as coisas que possam ser ‘deixadas de lado’ e que causem pressão.
• Reserve tempo para conversarem entre si.
• Lembre-se que todas as coisas cooperam para aqueles que amam a Deus.
• Passem tempo como casal, encontrem uma atividade que vocês dois gostem e divirtam-se juntos.
• Resolvam os problemas juntos ao invés de tentar solucioná-lo sozinho.
• Sexo, uma vida amorosa sadia em seu casamento reduzirá o estresse..
• Orçamento – estabeleça um orçamento e viva dentro dele.
• Compreenda que mudanças levam tempo, não tenha metas irreais.
• Durma, você precisa de pelo menos sete horas ou mais para ficar bem.
• Tente identificar as coisas que são as maiores fontes de estresse, uma vez que você conheça os tigres desenvolva estratégias para vencer cada um deles. (Por exemplo, se perder as chaves gera discussão arrume um lugar onde elas sempre possam ser encontradas).
• Todos os dias reservem tempo para orar e ler a Bíblia, juntos.
• Resolva logo os problemas.
• Semeie a semente certa. Ao invés de dizer “Eu não consigo” declare a Palavra de Deus “Posso todas as coisas naquele que me fortalece”.

Estatísticas do Estresse.

• Mais de 90% de todas as visitas dos médicos da família são geradas devido a problemas ligados ao estresse.
• Os gastos com saúde são aproximadamente 50% maiores para trabalhadores que apresentam elevado nível de estresse.
• 40% da renovação de pessoal é devido ao estresse.
• As mulheres que trabalham tempo integral e possuem filhos menores de treze anos apresentam os maiores níveis mundiais de estresse.

Referencias:

* Field, Ironson, Pickens et al. (1996). A terapia de massagem reduz a ansiedade e acentua o padrão EEG de computação matemática. Jornal Internacional de Neuroscience 86, 197-205
* Jornal de Medicina Ocupacional e do Meio Ambiente
* Instituto Americano de Estresse
* Pesquisa Mundial Roper Starch 2003

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A necessidade da apologética.

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No livro da autora Nancy Pearcey, intitulado “Verdade Absoluta”, trás um relato de um jovem chamado Denzel. Rapidamente é mostrada a vida sofrida do rapaz, que passou por várias dificuldades até se entregar ao evangelho. Mas havia algumas respostas sobre Deus que ele ainda não tinha encontrado, mesmo depois de fazer perguntas teológicas para os líderes da igreja. Essa procura se agravou quando ele percebeu que, em seu trabalho, havia vários muçulmanos e também Testemunhas de Jeová que falavam sobre suas crenças. "Todos no trabalho defendiam suas crenças espirituais, exceto os cristãos. Eles eram os únicos que pareciam não ter respostas." (PEARCEY, 2006, p. 188) Denzel percebeu que, na sociedade de hoje, é preciso ser um cristão apologista e que saiba defender sua fé.

Mas, ao contrário de Denzel, existem cristãos que não percebem a importância da apologética, afirmando que não há necessidade de tal atividade ou que Deus é suficientemente capaz para se defender. Muitos se contentam com apenas o leite espiritual, sem dar mérito a alimentos mais sólidos. Ficam apenas no que é preciso para se salvar. Por que algumas pessoas têm esse tipo de mentalidade? Qual a razão para que muitos cristãos não deem valor para a defesa de sua fé?

Grandes homens no passado, enfáticos em defenderem suas posições doutrinárias, construíram a igreja que é hoje e as doutrinas nas quais os cristãos Reformados acreditam. Esses homens foram questionados e responderam às heresias levantadas. Hoje, com a abrangência do relativismo, o crescimento do ateísmo e várias outras seitas “se revelando” ao homem, cobram do cristão respostas sérias e coerentes.

Autor: Paulo Romão
Fonte: [ MCA ]

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