Calem a boca, Nordestinos!

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A eleição de Dilma Rousseff trouxe à tona, entre muitas outras coisas, o que há de pior no Brasil em relação aos preconceitos. Sejam eles religiosos, partidários, regionais, foram lançados à luz de maneira violenta, sádica e contraditória.

Já escrevi sobre os preconceitos religiosos em outros textos e a cada dia me envergonho mais do povo que se diz evangélico (do qual faço parte) e dos pilantras profissionais de púlpito, como Silas Malafaia, Renê Terra Nova e outros, que se venderam de forma absurda aos seus candidatos. E que fique bem claro: não os cito por terem apoiado o Serra... outros pastores se venderam vergonhosamente para apoiarem a candidata petista. A luta pelo poder ainda é a maior no meio do baixo-evangelicismo brasileiro.

Mas o que me motivou a escrever este texto foi a celeuma causada na internet, que extrapolou a rede mundial de computadores, pelas declarações da paulista, estudante de Direito, Mayara Petruso, alavancada por uma declaração no twitter: "Nordestino não é gente. Faça um favor a SP, mate um nordestino afogado!". (clique aqui para entender o caso)

Infelizmente, Mayara não foi a única. Vários outros “brasileiros” também passaram a agredir os nordestinos, revoltados com o resultado final das eleições, que elegeu a primeira mulher presidentE ou presidentA (sim, fui corrigido por muitos e convencido pelos "amigos" Houaiss e Aurélio) do nosso país.

E fiquei a pensar nas verdades ditas por estes jovens, tão emocionados em suas declarações contra os nordestinos. Eles têm razão!

Os nordestinos devem ficar quietos! Cale a boca, povo do Nordeste!

Que coisas boas vocês têm pra oferecer ao resto do país?

Ou vocês pensam que são os bons só porque deram à literatura brasileira nomes como o do alagoano Graciliano Ramos, dos paraibanos José Lins do Rego e Ariano Suassuna, dos pernambucanos João Cabral de Melo Neto e Manuel Bandeira, ou então dos cearenses José de Alencar e a maravilhosa Rachel de Queiroz?

Só porque o Maranhão nos deu Gonçalves Dias, Aluisio Azevedo, Arthur Azevedo, Ferreira Gullar, José Louzeiro e Josué Montello, e o Ceará nos presenteou com José de Alencar e Patativa do Assaré e a Bahia em seus encantos nos deu como herança Jorge Amado, vocês pensam que podem tudo?

Isso sem falar no humor brasileiro, de quem sugamos de vocês os talentos do genial Chico Anysio, do eterno trapalhão Renato Aragão, de Tom Cavalcante e até mesmo do palhaço Tiririca, que foi eleito o deputado federal mais votado pelos... pasmem... PAULISTAS!!!

E já que está na moda o cinema brasileiro, ainda poderia falar de atores como os cearenses José Wilker, Luiza Tomé, Milton Moraes e Emiliano Queiróz, o inesquecível Dirceu Borboleta, ou ainda do paraibano José Dumont ou de Marco Nanini, pernambucano.

Ah! E ainda os baianos Lázaro Ramos e Wagner Moura, que será eternizado pelo “carioca” Capitão Nascimento, de Tropa de Elite, 1 e 2.

Música? Não, vocês nordestinos não poderiam ter coisa boa a nos oferecer, povo analfabeto e sem cultura...

Ou pensam que teremos que aceitar vocês por causa da aterradora simplicidade e majestade de Luiz Gonzaga, o rei do baião? Ou das lindas canções de Nando Cordel e dos seus conterrâneos pernambucanos Alceu Valença, Dominguinhos, Geraldo Azevedo e Lenine? Isso sem falar nos paraibanos Zé e Elba Ramalho e do cearense Fagner...

E Não poderia deixar de lembrar também da genial família Caymmi e suas melofias doces e baianas a embalar dias e noites repletas de poesia...

Ah! Nordestinos...

Além de tudo isso, vocês ainda resistiram à escravatura? E foi daí que nasceu o mais famoso quilombo, símbolo da resistência dos negros á força opressora do branco que sabe o que é melhor para o nosso país? Por que vocês foram nos dar Zumbi dos Palmares? Só para marcar mais um ponto na sofrida e linda história do seu povo?

Um conselho, pobres nordestinos. Vocês deveriam aprender conosco, povo civilizado do sul e sudeste do Brasil. Nós, sim, temos coisas boas a lhes ensinar.

Por que não aprendem conosco os batidões do funk carioca? Deveriam aprender e ver as suas meninas dançarem até o chão, sendo carinhosamente chamadas de “cachorras”. Além disso, deveriam aprender também muito da poesia estética e musical de Tati Quebra-Barraco, Latino e Kelly Key. Sim, porque melhor que a asa branca bater asas e voar, é ter festa no apê e rolar bundalelê!

Por que não aprendem do pagode gostoso de Netinho de Paula? E ainda poderiam levar suas meninas para “um dia de princesa” (se não apanharem no caminho)! Ou então o rock melódico e poético de Supla! Vocês adorariam!!!

Mas se não quiserem, podemos pedir ao pessoal aqui do lado, do Mato Grosso do Sul, que lhes exporte o sertanejo universitário... coisa da melhor qualidade!

Ah! E sem falar numa coisa que vocês tem que aprender conosco, povo civilizado, branco e intelectualizado: explorar bem o trabalho infantil! Vocês não sabem, mas na verdade não está em jogo se é ou não trabalho infantil (isso pouco vale pra justiça), o que importa mesmo é o QUANTO esse trabalho infantil vai render. Ou vocês não perceberam ainda que suas crianças não podem trabalhar nas plantações, nas roças, etc. porque isso as afasta da escola e é um trabalho horroroso e sujo, mas na verdade, é porque ganha pouco. Bom mesmo é a menina deixar de estudar pra ser modelo e sustentar os pais, ou ser atriz mirim ou cantora e ter a sua vida totalmente modificada, mesmo que não tenha estrutura psicológica pra isso... mas o que importa mesmo é que vão encher o bolso e nunca precisarão de Bolsa-família, daí, é fácil criticar quem precisa!

Minha mensagem então é essa: - Calem a boca, nordestinos!

Calem a boca, porque vocês não precisam se rebaixar e tentar responder a tantos absurdos de gente que não entende o que é, mesmo sendo abandonado por tantos anos pelo próprio país, vocês tirarem tanta beleza e poesia das mãos calejadas e das peles ressecadas de sol a sol.

Calem a boca, e deixem quem não tem nada pra dizer jogar suas palavras ao vento. Não deixem que isso os tire de sua posição majestosa na construção desse povo maravilhoso, de tantas cores, sotaques, religiões e gentes.

Calem a boca, porque a história desse país responderá por si mesma a importância e a contribuição que vocês nos legaram, seja na literatura, na música, nas artes cênicas ou em quaisquer situações em que a força do seu povo falou mais alto e fez valer a máxima do escritor: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte!”

Que o Deus de todos os povos, raças, tribos e nações, os abençoe, queridos irmãos nordestinos!

Autor: José Barbosa Junior, na madrugada de 03 de novembro de 2010.
Fonte: [ Crer e Pensar ]
Via: [ Púlpito Cristão ]

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R. N. Champlin - O Místico

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Por Sem. Lindemberg Ferreira

Mas receio que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também seja corrompida a vossa mente e se aparte da simplicidade e pureza devidas a Cristo. 2Co 11:3

Fiquei impressionado com a quantidade de Teólogos, Professores e estudantes das escrituras que adotam R.N. Champlin como base para seus estudos, o que poucos sabem (ou fazem de conta que não sabem) é que este mesmo autor é esotérico, seus escritos estão cheios de conceitos espíritas e misturas ocultistas, diante deste fato e dos que apresentarei logo mais abaixo, pergunto;

1. Como se pode admitir que se divulgue esse tipo de afirmação não-bíblica em uma obra que pretende interpretar a Bíblia?

2. Quem estaria por trás dessa obra que tanto cativa Cristãos em todo o Brasil?

3. Por que a Editora Hagnos não responde as correspondências que questionam os ensinos contidos em tal Obra?

Prepare-se o que você irá ler “por trás da cortina” é apenas a ponta de Iceberg que pretende cauterizar a mente, uma “serpente” que deseja corromper o coração e levar cativas “evas” espalhadas pelo Brasil com bastante astúcia.

Russel Norman Champlin nasceu em 22/12/1933 em Salt Lake City nos EUA, concluiu bacharelado em Literatura Bíblica no Imannuel College; os graus de M.A. e Ph. D. em línguas Clássicas na University of Utah; fez estudos de especialização (em nível de pós graduação) do Novo Testamento na University of Chicago. Em sua carreira como professor universitário e escritor (atuando na UNESP por 30 anos), publicou três grandes projetos, sua magna opera, a Trilogia:

-O Novo Testamento interpretado.
-A Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia.
-O Antigo Testamento Interpretado.

Vamos analisar o comentário de Champlin em Atos 12.15, vejamos: “Eles lhe disseram: Estás louca. Ela, porém, persistia em afirmar que assim era. Então, disseram: É o seu anjo”.

No quarto parágrafo Champlin diz:
“Aqueles primitivos crentes devem ter crido que os mortos podem voltar a fim de se manifestarem aos vivos, através da agência da alma. Observemos que a segunda alternativa, por eles sugerida, sobre como Pedro poderia estar no portão, era que ele teria sido morto e que o seu “anjo” ou “espírito” havia retornado. Portanto, aprendemos que aquilo que é ordinariamente classificado como doutrina “espírita” era crido por alguns membros da igreja cristã de Jerusalém. Isso não significa, naturalmente, que eles pensassem que tal fosse a regra nos casos de morte; porém, aceitaram a possibilidade da comunicação dos espíritos, que a atual igreja evangélica, especialmente em alguns círculos protestantes dogmáticos, nega com tanta veemência.

O famoso escritor evangélico C.S. Lewis apareceu a J.B. Philips tradutor de bem conhecida tradução do Novo Testamento para o inglês, por duas vezes, após a sua morte, e se assentou naturalmente em sua sala de estar, tendo conversado com ele como se nada tivesse acontecido que pudesse ser classificado como falecimento. Porém, por toda parte abundam histórias de fantasmas, e muitos céticos negam tudo. Todavia, há muitos desses fenômenos, sob tão grande variedade, e cruzam todas as fronteiras religiosas, para que se possa duvidar dos mesmos como fatos.

Algumas vezes os mortos voltam, e entram em comunicação com os vivos. Os teólogos judeus aceitavam isso como um fato, havendo entre eles a crença comum de que os “demônios” são espíritos humanos maus, desencarnados. Essa idéia era forte na igreja cristã até o século V D.C., tendo sido apresentada por pais da igreja como Clemente de Alexandria, Justino Mártir e Orígenes, os quais também acreditavam na possibilidade do retorno e até mesmo da reencarnação de alguns espíritos, com o propósito de realizarem ou continuarem suas missões. (Ver esta doutrina em Mat. 16.14). Os essênios, dos quais João Batista parece ter sido membro, também mantinham crenças idênticas. É um equívoco cercarmos as doutrinas de muralhas, supondo em vão que somente nós, da moderna igreja cristã do século XX, temos as corretas interpretações das verdades bíblicas. Ainda temos muito a aprender, sobre muitas questões, e convém que guardemos nossas mentes abertas, pelo menos o suficiente para permitirmos a entrada de uma réstia de luz. Sabemos pouquíssimo sobre o mundo intermediário dos espíritos e supomos que o estado “eterno” já existe, o que todas as evidências mostram não ser ainda assim."
É preciso comentar mais alguma coisa? Prosseguiremos mostrando mais um texto em que Champlin comenta e infiltra com muita “astúcia” seus conceitos espíritas.

Interpretação de R.N. Champlin. Ph. D. de Mateus 14.26: “Os discípulos, porém ao vê-lo andando sobre o mar, assustaram-se e disseram: É um fantasma. E gritaram de medo.”
“FANTASMA”. Tradução de AC, AA e IB, que é melhor do que “espírito”, conforme dizem algumas traduções, pois o grego diz “fantasma” e não “pneuma”. Esta última é que se pode traduzir corretamente como “espírito”. A palavra aparece somente aqui e no paralelo em Marc. 6:49, no N.T. É vocábulo comum na literatura grega, e pode significar aparição sem substância real, visão ou aparição de um espírito humano ou sobre-humano. É interessante observar que os discípulos aceitavam a antiga idéia dessas aparições, até mesmo neste caso que envolveu a Jesus. A aparição de “fantasmas” usualmente era reputada como um mau agouro, especialmente entre os marinheiros. Pode ser que os discípulos tivessem pensado que o “fantasma” quisesse destruí-los mediante a violência do mar ou contra as rochas da costa, e, naturalmente, ficaram aterrorizados.

O comentário de Ellicott diz: “Os discípulos, ainda presos às superstições de seus compatriotas, pensavam que fosse um fantasma”. Bruce escreve: “Um toque de superstição dos marinheiros”. Em contraste com isso, Adam Clarke, o principal expositor do metodismo, opina: “Que os espíritos dos mortos podem aparecer, e, de fato aparecem, tem sido doutrina aceita pelos homens mais santos; essa é uma doutrina que os caviladores, os livres-pensadores e outros, que não se dispõem a aceitar idéias direferentes de suas próprias crenças, jamais foram capazes de refutar”. John Gill acha que o terror dos discípulos foi causado pela crença comum entre os judeus de que os demônios geralmente andavam à noite, procurando fazer mal aos homens. Certa citação, extraída da literatura judaica, diz: “É proibido saudar um amigo à noite, porque pensamos que possa tratar-se de um demônio” (T. Bab. Megella, fol 3.1. Sanhedrin, fol 44.1). Outros se referem a um demônio feminino que se chamava Lilith, que andava à noite com rosto humano, procurando especialmente crianças para roubar e matar. Em face dessas idéias sobre “fantasmas” podemos compreender o medo dos discípulos naquela ocasião.

As pesquisas psíquicas demonstram que não somos tão sábios quanto pensamos e afirmamos, e que neste mundo há muitas coisas sem explicação, e que de fato, fantasmas de algum tipo (ou tipos), de alguma origem (ou origens), existem. Portanto, é possível que a idéia de Adam Clarke, conforme citação acima, contenha uma parte da resposta. Precisamos lembrar que essa questão será uma ciência do século XXI, portanto pouco sabemos sobre a verdadeira natureza do imenso universo em que existimos. Pode ser que nossas idéias venham a sofrer grande revolução e que a nossa cosmologia venha a alterar-se extraordinariamente. Uma boa regra é não negarmos aquilo que não compreendemos, ou acerca das quais pouco temos estudado.

A Natureza Humana: As pesquisas científicas no campo da antropologia metafísica demonstram que o homem é uma complexidade de pelo menos três formas de energias distintas. 1 . O corpo, uma energia física. 2. A vitalidade, uma energia semifísica. 3. A alma (espírito), uma energia espiritual, supostamente fora do campo atômico. O fantasma evidentemente é a vitalidade, que anteriormente fez parte do complexo humano. Esta vitalidade é capaz de certos atos que exigem uma baixa inteligência, e de natureza mecânica. Todavia, o texto aqui está falando da suposta manifestação de um espírito desencarnado."
Realmente parece mesmo ser um agente do espíritismo/ocultismo infiltrado em seminários e bibliotecas de lideres cristãos para introduzir fermento de corrupção e heresias demoníacas...

Ninguém comenta, ninguém fala, mas Russel Norman Champlin escreveu há anos um livro chamado “Evidências cientificas provam que existe vida depois da morte”. No livro ele define suas crenças espíritas... Isto mesmo, o autor da muitas vezes recomendada coleção de comentários bíblicos é espírita e a “obra” dele reflete seu pensamento espírita, como se vê no trecho citado acima.

Que tipo de apologética é esta que se pratica no Brasil? que “engole” há décadas este tipo de “obra”, recomenda, indica, não se importa de ver tal “obra” nas livrarias evangélicas.

Quem desejar se aprofundar nos escritos de Champlin (não recomendo) poderá fazê-lo lendo o livro supracitado: “Evidências científicas..” onde ele defende inúmeras idéias espíritas, ele defende o espiritismo sob capa de “comprovação cientifica” defendendo idéias como reencarnação, fotografia kirliana (fotografar almas) viagens fora do corpo, etc..

Em sua enorme obra enciclopédica comentado o NT (eu li todo o comentário dele a Apocalipse e boa parte de 1 Corintios) ele “semeia” idéias gnósticas e principalmente Universalistas-Unitaristas, um grupo cristão forte nos EUA entre acadêmicos. Os Unitaversalistas crêem na futura salvação de todo ser humano (talvez até do próprio diabo) visto que Deus Criador é amor...

Eu simplesmente não consigo acreditar que o Russel Norman Champlin escreveu sozinho aquela gigantesca obra. Ele é praticamente desconhecido no exterior, sua obra surgiu em épocas em que era comum os EUA enviarem “missionários” que na verdade eram agentes e evidentemente uma “obra” ajudava a dar projeção a uma pessoa. Não estou afirmando, apenas conjecturando uma possibilidade.

Vejam onde o livro dele é lido e recomendado:

Também é livro que consta na bibliografia deste curso:

E na bibliografia internacional de projeciologia (projeção astral):

Ainda recomendo encontrar enciclopédias de melhor origem que as dele.

Sugiro que todos divulguem este artigo em sites, listas, blogs, boletins etc. Que sirva de Admoestação aos irmãos, recomendem que estudantes deixem de consultar esta obra e que institutos e livrarias cristãs a deixem de a oferecer como obra de consulta pelo risco que isto significa em termos de “envenenamento”.
Se não concordam em excluir a obra ao menos concordem em classificá-la adequadamente como obra de motivação e pontos de vistas “espíritas” e heterodoxos.

Paz!

Autor: Sem. Lindemberg Ferreira
Fonte:[ O que se Esconde? ]

O Evangelho da Reforma

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Vivemos numa época em que a mensagem do evangelho está sendo implacavelmente assaltada por dois grandes inimigos: legalismo e antinomianismo. Esses dois erros têm confundido e enganado a muitos, causando estragos espirituais tanto no catolicismo romano como no protestantismo evangélico.

O século dezesseis testemunhou um dos maiores reavivamentos na história da igreja: a Reforma. A igreja protestante nasceu de um protesto contra o legalismo impregnado do catolicismo romano. Os Reformadores pregaram corajosamente o evangelho, testemunhando a mensagem bíblica da suficiência da obra de Cristo, a graça de Deus e a autoridade plena e final da Escritura. Eles trouxeram a igreja de volta à mensagem essencial e libertadora da justificação pela fé como definida pela Palavra de Deus. Desde o século dezesseis o evangelho da Reforma tem sido o padrão de ortodoxia para os protestantes. Hoje, contudo, encontramos um novo interesse no catolicismo romano em todos os lugares do protestantismo conservador, e uma disposição acrítica de abraçar os ensinos da Igreja de Roma.

Isso é devido em parte à natureza fraturada do evangelicalismo e a uma ênfase antinomiana que está se tornando mais e mais prevalecente nos círculos evangélicos. Isso tem desencadeado um debate contínuo dentro do evangelicalismo quanto à natureza da fé salvífica e o significado da salvação. Mas o interesse renovado no catolicismo romano é motivado por mais do que uma reação contra uma forma liberal e antinomista de evangelicalismo. Dado o estado da cultura de hoje há aqueles que desejam que todas as forças conservadoras dentro do cristianismo professante unam-se numa batalha comum na guerra cultural por valores morais. Unidade é o toque de clarim desse movimento, mas uma unidade conseguida à custa da verdade – em particular as grandes verdades do evangelho que foram articuladas pelos Reformadores protestantes. Aqueles evangélicos que promovem tal agenda são míopes. Eles têm esquecido que a Escritura declara que os meios ordenados por Deus para mudar uma cultura é por meio da pregação clara do evangelho de Cristo. Mas é nesse ponto que existe tanta confusão.


Há uma necessidade desesperada hoje de um esclarecimento do evangelho bíblico. Precisamos retornar a uma proclamação corajosa e inflexível da plenitude da verdade do evangelho como revelada na Escritura. Isso é o que caracterizou a pregação e o ensino dos Reformadores. A mensagem do evangelho deles estava fundamentada na autoridade suprema da Palavra de Deus e Deus abençoou os esforços deles com um derramamento do seu Espírito em grande poder e conversão. A resposta para os evangélicos que estão preocupados com a superficialidade do evangelicalismo e o estado da cultura não é a união ou a tolerância com o evangelho legalista de Roma, mas um retorno ao evangelho bíblico da Reforma. É esse evangelho que a grande parte do evangelicalismo abandonou.

Fonte: William Webster, The Gospel of the Reformation (Battle Ground, Washington: Christian Resources, 1997), págs. 12-13.
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto (31 de outubro de 2010).

Publicado no: [ Monergismo ]
Via: [ Nova Reforma ]

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Soldados do Pecado

Por Daniel Clós César

Por que tanta gente defende o pecado? Por que tantos defendem as obras do maligno na igreja? Por que tantos fecham os olhos para Palavra e entregam seus corações a falsos profetas e pastores devoradores de ovelhas?

Não são poucos os leitores deste e de outros blogs apologéticos que militam nas frentes do anjo caído. Não são poucos os que desconhecem a Palavra do Senhor de Toda Glória mas conhecem todas as magias e poções dos feiticeiros do mundo "gospel".

Eu mesmo pretendo responder as perguntas que fiz no início deste post. Não que eu tenha uma resposta definitiva. Não mesmo. Mas a Palavra de Deus me dá uma clara orientação de por onde devo caminhar e de como evitar isso.

Certamente esses mesmos servos das trevas iram afirmar que sou soberbo e que estou me declarando mais santo que eles. Tudo bem... é aceitável isso. Mas a questão poderia ser compreendida da seguinte forma. Estou eu lutando contra aquilo que diz: "louvem a Deus" ou contra aquilo que diz: "Dêem glória a este/a homem/mulher?"

Temo todos os dias por Aquele que pode matar a minha alma. Seu temor em meu coração é a maior prova do Seu amor por mim. Quanto aos que temem os homens que lhe podem tirar a vida, ou menos ainda, a "benção", a dignidade, a oportunidade... a vocês não há nada senão dor e sofrimento eterno. Pois dão glórias aos homens e não glórias a Deus (João 12.43).

Por que tantos defendem o pecado? Entendo que esses ainda não foram libertos (alguma objeção?). Você só irá defender aquilo que crê como verdade. Crê como sendo justo, reto e de boa aparência. Você defenderá a todo custo aquilo que é seu... sua esposa, filhos, pais... ainda que não sejam propriedades suas, você os tem no mais alto valor humano... você dará tudo para defender o pecado se você ainda é escravo dele. Se ele ainda controla suas ações... você dará a vida por ele... e muitos a dão.

Não estou afirmando que o servo de Deus está livre de pecar. Mas ele é livre do pecado. Minha afirmação é pela Palavra e tão somente nela: "...que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos; Quem morreu está justificado do pecado" (Rm 6.6-7). Não renovados pela Palavra vivem sob o domínio de satanás, ainda que freqüentem igrejas, ainda que ofertem e entoem louvores... são servos das trevas e nada compartilham da luz... senão um espaço físico, tão corruptível quanto a própria carne.

Por que tantos defendem as obras do maligno na igreja? Não são capazes de ver que igreja não é sinônimo de Igreja. Entendem "ajuntamento de santos" como sinônimo de "ecumenismo religioso". Esquecem o conselho do salmista: "Não se assente à roda de escarnecedores". Em seus argumentos vazios e em sua teologia pútrida afirmam: Cristo era amigo de prostitutas. Mostre-me pagão, onde um único versículo da Bíblia afirma tal heresia?

Mas ele comia com pecadores! (Mc 2.16) Exclamam. Ora, existe alguém sem pecados? Não pecaram todos e destituídos foram da Glória de Deus? (Rm 3.23) Como então Jesus poderia comer com santos? E a mulher pecadora que ungiu os pés de Jesus? Onde na Bíblia afirma que ela era prostituta. E se fosse, onde afirma que ela continuou a se prostituir e ainda assim era amiga de Cristo.

Esse é o motivo de porque tantos fecham os olhos para a Palavra e ouvem apenas falsos ensinadores, eles pregam aquilo que lhes apraz e não aquilo que realmente alimenta. Eu nunca teria deixado de ser um mentiroso e adúltero se acreditasse que Deus seria amigo de um mentiroso e adúltero... Ele nunca será... isso ofende Sua natureza que é santa... é por isso que ele me transformou. É por este motivo que a todos os quanto o recebem ele os transforma.

Mas poucos desejam serem transformados. A igreja pós-moderna lhes oferece um Deus cambiável. Um Deus que se adapta ao homem.

É por este motivo que tantos enchem as fileiras de satanás dentro de denominações ditas evangélicas. Os maiores inimigos da cruz não estão fora das congregações, mas dentro delas. Como o próprio apóstolo Paulo escreveu aos filipenses "Pois muitos andam entre nós, dos quais, repetidas vezes, eu vos dizia e, agora, vos digo, até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo." (3.18)

Os ímpios olham para o evangelicalismo e vêem uma única massa uniforme. Não distinguem os que servem a Deus dos que cultuam Mamon. Não diferenciam os que aplicam-se à Palavra aos que vivem de magias e fórmulas de salvação e cura... no entanto dentro da igreja trava-se uma grande batalha. Daqueles que desejam servir a Deus daqueles que desejam servir a si mesmos.

Lamentável é saber que esses últimos tem dia após dia ganho terreno. Pastores em troca de algumas moedas de prata preferem esse tipo de seguidor... falsos profetas sabem que é nesse meio que se tornarão proeminentes.

Mas minha esperança é o Senhor. Ele não permitirá que aqueles que buscam a Sua face se cansem e desistam da batalha. Pois ainda que difícil seja o caminhar, a vitória já foi conquistada... Não por mim... nem por nenhum de nós... mas por aquele que viveu sem pecados

"Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegro no SENHOR, exulto no Deus da minha salvação."

Habacuque 3.17-18

Fonte: [ Púlpito Cristão ]
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A Doutrina da Reforma

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Por: Prof. Paulo Cristiano

No dia 31 de Outubro de 1517, na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, na Alemanha, Lutero afixou as suas 95 teses que acabaram provocando o grande movimento religioso, conhecido como a Reforma do Século XVI. Nelas Lutero convidava os interessados a debater a questão das indulgências (que eram vendidas para a construção da Basílica de S. Pedro, em troca de perdão de pecados) e os males que esse tráfico religioso podia acarretar. Era costume na época afixar em lugares públicos temas ou teses para debate e convidar os interessados para discuti-los. Embora ninguém tivesse comparecido para o debate, em pouco tempo toda a Alemanha conhecia as teses de Lutero, que lhe custaram a bula de excomunhão, mas que representaram também o começo da obra de purificação da Igreja e seu retorno à verdade.

Em suas teses, Lutero questionava o poder (ou mesmo a intenção) do Papa de perdoar pecados ou de isentar alguém de penas, a não ser aquelas por ele mesmo impostas. Negava que esse perdão (de penas ou penitências) pudesse se estender aos que já haviam morrido e que, porventura, estivessem no purgatório. Para ele, só o arrependimento, seguido de atos de amor e penitência, com ou sem carta de perdão (indulgência) podia realmente perdoar pecados. Destacava o valor da Palavra de Deus, a qual não deveria ser silenciada em benefício da pregação das indulgências. A intenção do Papa, dizia, deve ser esta: se a concessão dos perdões - que é matéria de pouca importância - é celebrada pelo toque de um sino, com uma procissão e com uma cerimônia, então o Evangelho - que é a coisa mais importante - deve ser pregado com o acompanhamento de cem sinos, de cem procissões e de cem cerimônias (tese 55) e, ainda, o verdadeiro tesouro da Igreja é o sacrossanto Evangelho da glória e da graça de Deus (tese 62). Negava que a cruz adornada com as armas papais (que era carregada pelos vendedores de indulgências) tivesse o mesmo efeito que a cruz de Cristo (tese 79). Muitas outras questões foram levantadas nas teses, as quais acabavam batendo na própria autoridade do Papa e na lisura de suas intenções. Lutero afirmava: Essa licenciosa pregação dos perdões torna difícil, mesmo a pessoas estudadas, defender a honra do Papa contra calúnia, ou pelo menos contra as perguntas capciosas dos leigos. Esses perguntam: Por que o Papa não esvazia o purgatório por um santíssimo ato de amor e das grandes necessidades das almas; isto não seria a mais justa das causas, visto que ele resgata um número infinito de almas por causa do sórdido dinheiro dado para a edificação de uma basílica que é uma causa bem trivial? ... Que misericórdia de Deus e do Papa é essa de conceder a uma pessoa ímpia e hostil a certeza, por pagamento de dinheiro, de uma alma pia em amizade com Deus, enquanto não resgata por amor espontâneo uma alma que é pia e amada, estando ela em necessidade?... As riquezas do Papa hoje em dia excedem muito à dos mais ricos Crassos; não pode ele então construir uma basílica de S. Pedro com seu próprio dinheiro, em vez de fazê-lo com o dinheiro dos fiéis? ... Abafar esses estudados argumentos dos fiéis apelando simplesmente para a autoridade papal em vez de esclarecê-los mediante uma resposta racional, é expor a Igreja e o Papa ao ridículo dos inimigos e tornar os cristãos infelizes (teses 81, 82, 84, 86 e 90).

Com essas e outras proposições Lutero alcançou mais do que podia imaginar. Atingiu o ponto crucial do problema: a situação de distanciamento do Evangelho em que se encontrava a Igreja. Os males da Igreja não eram apenas os seus desvios morais, econômicos e políticos, que a colocavam em descrédito perante o povo. Seu problema principal, responsável também por estes, era o afastamento das doutrinas fundamentais da Palavra de Deus. A Reforma trouxe a Igreja de volta às Escrituras e ao Evangelho pregado pelos apóstolos. O próprio Lutero, de início, não estava totalmente livre dos erros pregados por sua Igreja, como muito bem atesta sua crença no purgatório (teses 10, 11, 15, 16, 17, 22, etc), e no valor da penitência (sofrimento) e do perdão do Papa para certos pecados (teses 6, 7, 8,12, 34, 38, 40, etc.). Foi o estudo da Bíblia que revelou quão longe a Igreja estava afastada da verdade e a trouxe de volta à pureza de sua crença primitiva. A Reforma restituiu à Igreja a crença em doutrinas chaves, que se tornaram essenciais para a sua pregação e para distingui-la dos erros que continuaram e ainda são mantidos pela Igreja Romana até os nossos dias. É a importância dessas doutrinas, conhecidas por sua designação latina Sola Scriptura, Solus Christus, Sola Gratia, Sola Fide e Soli Deo Gloria, que queremos apresentar, ainda que de forma breve, neste estudo.

1. Sola Scriptura - "Somente a Escritura", ou a autoridade e suficiência das Escrituras.

Para os reformadores, somente a Escritura Sagrada tem a palavra final em matéria de fé e prática. É o que ficou consubstanciado nas Confissões de Fé de origem reformada. A Confissão de Fé de Westminster, que adotamos, afirma: Sob o nome de Escritura Sagrada, ou Palavra de Deus escrita, incluem-se agora todos os livros do Velho e do Novo Testamento, ... todos dados por inspiração de Deus para serem a regra de fé e de prática..

A autoridade da Escritura Sagrada, razão pela qual deve ser crida e obedecida, não depende do testemunho de qualquer homem ou igreja, mas depende somente de Deus (a mesma verdade) que é o seu autor; tem, portanto, de ser recebida, porque é a palavra de Deus... O Velho Testamento em Hebraico... e o Novo Testamento em Grego..., sendo inspirados imediatamente por Deus e pelo seu singular cuidado e providência conservados puros em todos os séculos, são por isso autênticos e assim em todas as controvérsias religiosas a Igreja deve apelar para eles como para um supremo tribunal... O Juiz Supremo, pelo qual todas as controvérsias religiosas têm de ser determinadas e por quem serão examinados todos os decretos de concílios, todas as opiniões dos antigos escritores, todas as doutrinas de homens e opiniões particulares, o Juiz Supremo em cuja sentença nos devemos firmar não pode ser outro senão o Espírito Santo falando na Escritura.(I, 2,4,8,10).

A Igreja Católica Romana também aceita as Escrituras como Palavra de Deus, mas não só as Escrituras. Ela acredita que as decisões da Igreja através dos seus concílios e do Papa, quando fala oficialmente (ex cathedra) em matéria de fé e de moral, são igualmente a palavra de Deus, infalível. É o que se chama de Tradição da Igreja. Sobre a autoridade da Igreja e do Papa, assim diz um autor católico: "Cristo deu à Igreja a tarefa de proclamar sua Boa-Nova (Mt 28, 19-20). Prometeu-nos também seu Espírito, que nos guia"para a verdade" (Jo 16,13). Este mandato e esta promessa garantem que nós, a Igreja, jamais apostataremos do ensinamento de Cristo. Esta incapacidade da Igreja em seu conjunto de extraviar-se no erro com relação aos temas básicos da doutrina de Cristo chama-se infalibilidade... A infalibilidade sacramental da Igreja é preservada pelo seu principal instrumento de infalibilidade, o Papa. A infalibilidade que toda a Igreja possui, pertence ao Papa dum modo especial. O Espírito de verdade garante que quando o Papa declara que ele está ensinando infalivelmente como representante de Cristo e cabeça visível da Igreja sobre assuntos fundamentais de fé ou de moral, ele não pode induzir a Igreja a erro. Esse dom do Espírito se chama infalibilidade papal. Falando da infalibilidade da igreja, do Papa e dos Bispos, o Concílio Vaticano II diz: "Esta infalibilidade, da qual quis o Divino Redentor estivesse sua Igreja dotada... é a infalibilidade de que goza o Romano Pontífice, o Chefe do Colégio dos Bispos, em virtude de seu cargo... A infalibilidade prometida à Igreja reside também no Corpo Episcopal, quando, como o Sucessor de Pedro, exerce o supremo magistério" (Lúmen Gentium, nº 25) - (http://www.geocities.com/Augusta/3540/doutrina.htm).

Sobre a relação entre as Sagradas Escrituras e a Tradição, diz esse mesmo autor: O Concílio Vaticano II descreve a Sagrada Tradição e as Sagradas Escrituras como sendo "semelhante a um espelho em que a Igreja peregrinante na terra contempla a Deus" (Constituição Dogmática Dei Verbum, sobre a Revelação Divina, nº 7). A palavra revelada de Deus chega até você mediante palavras faladas e escritas por seres humanos. A Escritura Sagrada é a Palavra de Deus "enquanto é redigida sob a moção do Espírito Santo" (Dei Verbum, nº 9). A Sagrada Tradição é a transmissão da Palavra de Deus pelos sucessores dos apóstolos. Juntas, a Tradição e a Escritura constituem um só sagrado depósito da palavra de Deus, confiado à Igreja"(Dei Verbum, nº 10). E mais adiante acrescenta: A Sagrada Tradição é a transmissão da Palavra de Deus. Esta transmissão é feita oficialmente pelos sucessores dos apóstolos, e não oficialmente por todos os que cultuam, ensinam e vivem a fé, tal como a Igreja a entende. (Ibidem).

No dias de Lutero a Igreja Romana já pensava assim e assim pensa até hoje. Na prática, a Tradição está acima da Bíblia para o catolicismo. Já que cabe à Igreja transmitir e interpretar a Bíblia, com igual autoridade e infalibilidade, é a palavra da Igreja, em última instância, que tem valor. O escritor católico, acima referido, diz: O Vaticano II fez o que a Igreja docente sempre tem feito: expressou o conteúdo imutável da revelação, traduzindo-o para formas de pensamento do povo de acordo com a cultura de hoje. Mas esta "tradução do conteúdo imutável" não é como que vestir notícias velhas com linguagem nova. Como afirmou o Vaticano II: "Esta Tradição, oriunda dos Apóstolos, progride na Igreja sob a assistência do Espírito Santo. Cresce, com efeito, a compreensão tanto das coisas como das palavras transmitidas... no decorrer dos séculos, a Igreja tende continuamente para a plenitude da verdade divina, até que se cumpram nela as palavras de Deus". (Dei Verbum, nº 8).

Pelo Vaticano II a Igreja deu ouvidos ao Espírito, empenhou-se na sua "tarefa de perscrutar os sinais dos tempos e interpretá-los à luz do Evangelho" (Constituição Pastoral Gaudium et Spes sobre a Igreja no Mundo Moderno, nº 4). Nem sempre é claro aonde o Espírito está nos conduzindo. Mas o terreno no qual nós, a Igreja, caminhamos adiante da nossa peregrinação é firme: o Evangelho de Cristo. Nesta etapa da nossa história, um de nossos instrumentos básicos de Tradição - de transmissão da fé - são os documentos do Vaticano II (Ibidem).

Por este texto percebe-se que a Igreja Romana arroga a si não só a autoridade de interpretar e contextualizar a Bíblia, de modo infalível, mas a de continuar a sua revelação. Por isso a leitura da Bíblia pelos leigos não é vista como necessária; e, em alguns casos, é tida até como perigosa. A Reforma ensinou o livre exame das Escrituras. Qualquer pessoa tem o direito e até o dever de examinar, por si mesma, se o ensino da Igreja está de acordo com as Escrituras. Foi o que fizeram os crentes de Beréia, pelo que foram elogiados (At 17:11). A Igreja pode errar e tem errado. A infalibilidade deve ser atribuída apenas ao texto bíblico, não aos que o interpretam. Em nenhum lugar da Bíblia lemos que a promessa, dada aos apóstolos, de que o Espírito os conduziria a toda a verdade se estenderia aos demais líderes da Igreja, em todos os tempos. Jesus prometeu-lhes que o Espírito não só os guiaria a toda verdade (Jo 16:13), mas lhes ensinaria todas as coisas e os faria lembrar de tudo o que lhes tinha dito (Jo 14:26). Isto só poderia aplicar-se a eles, os apóstolos. Só eles ouviram o que Jesus disse para poder lembrar-se depois, não os bispos nem os papas. A infalibilidade do Papa (e, por extensão, da Igreja) só foi declarada como dogma em 1870, no Concílio Vaticano I. Tal dogma, naturalmente, serviu ao propósito de dar "legitimidade" aos inúmeros ensinos contrários às Escrituras, tanto os já anteriormente estabelecidos como outros que viriam depois, como a oração pelos mortos (310), a instituição da missa substituindo o culto (394), o culto a Maria (431), a invenção do purgatório (503), a veneração de imagens (783), a canonização dos santos (933), o celibato clerical (1074), o perdão através da venda de indulgências (1190), a hóstia substituindo a Ceia (1200), a adoração da hóstia (1208), a transubstanciação (1215), a confissão auricular (1216), os livros apócrifos como parte do cânon (1546), o dogma da Imaculada Conceição de Maria (1854) e o dogma da Assunção de Maria (1950), dentre outros.

Lutero se opôs naturalmente a esse ensino da Igreja. Já nas suas teses proclamava que comete-se uma injustiça para com a palavra de Deus se no mesmo sermão se concede tempo igual, ou mais longo, às indulgências do que à palavra de Deus (tese 54) e que o verdadeiro tesouro da Igreja é o sacrossanto Evangelho da glória e da graça de Deus (tese 62). Comparava o Evangelho como "redes com que, desde a antiguidade, se pescam homens de bem" enquanto que as indulgências eram "redes com que agora se pescam os bens dos homens" (teses 65 e 66). Mas foi na Dieta de Worms, em 1521, que demonstrou estar totalmente convencido de que as Escrituras eram a sua única autoridade reconhecida. Quando perguntado se estava disposto a se retratar das afirmações que fizera, negando autoridade a certas decisões de alguns concílios, sua resposta foi: É impossível retratação, a não ser que me provem que estou laborando em erro, pelo testemunho das Escrituras ou por uma razão evidente; não posso confiar nas decisões dos concílios e dos Papas, pois é evidente que eles não somente têm errado, mas se têm contradito uns aos outros. Minha consciência está alicerçada na Palavra de Deus, e não é seguro nem honesto agir-se contra a consciência de alguém. Assim Deus me ajude. Amém.

Tanto a autoridade única como também a suficiência das Escrituras têm sido doutrinas preciosas para as igrejas reformadas. Só a Escritura e toda a Escritura! Não precisamos de outra fonte para saber o que devemos crer e como devemos agir. Hoje há uma tendência para se colocar a experiência humana e supostas revelações do Espírito no mesmo nível de autoridade das Escrituras, por parte de alguns grupos evangélicos. Na prática, às vezes essas experiências acabam se tornando mais desejadas e tidas como mais valiosas do que o próprio ensino das Escrituras. Tomam hoje o lugar que, no passado, tomava a Tradição. É preciso que voltemos ao princípio da Sola Scriptura, se queremos ser realmente reformados em nossas convicções e práticas. A Escritura, e não a nossa experiência subjetiva, deve ser o nosso critério de verdade. Nossa pregação não deve visar o que agrada aos homens, mas o que agrada a Deus. Já dizia Lutero que os tesouros das indulgências eram muito mais populares dos que os tesouros do Evangelho (teses 63 e 64), e isso, certamente, porque faziam as pessoas se sentirem bem, aliviadas do sentimento de culpa, pela promessa, ainda que falsa, de perdão de pecados. Só a pregação da Lei associada ao Evangelho pode realmente trazer o homem ao arrependimento e ao perdão divino. As Escrituras são a espada do Espírito. É por elas, e não independente delas, que o Espírito age. Nossas experiências espirituais só têm valor se forem produzidas pela persuasão da Palavra.

2. Solus Christus - "Somente Cristo", ou a suficiência e exclusividade de Cristo.

O Catolicismo Romano afastou-se do Evangelho e instituiu o culto a Maria, já em 431, o culto às imagens, em 787, e a canonização dos santos, em 933. Instituiu também a figura do sacerdote como vigário de Cristo, a quem devem ser confessados os pecados e a quem supostamente foi conferido poder para perdoá-los, mediante a prescrição de penitências. Um dos pontos centrais das teses de Lutero tinha a ver exatamente com o poder do Papa e dos sacerdotes de perdoar pecados, que ele questionava, pelo menos no que diz respeito aos mortos. Dizia ele: O Papa não tem o desejo nem o poder de perdoar quaisquer penas, exceto aquelas que ele impôs por sua própria vontade ou segundo a vontade dos cânones. O Papa não tem o poder de perdoar a culpa a não ser declarando ou confirmando que ela foi perdoada por Deus; ou, certamente, perdoando os casos que lhe são reservados. Se ele deixasse de observar essas limitações a culpa permaneceria. Os cânones da penitência são impostos unicamente sobre os vivos e nada deveria ser imposto aos mortos segundo eles (teses 5, 6 e 8). Mas admitia o sacerdote como vigário de Deus, perante quem Deus podia perdoar a culpa, mediante humilhação do penitente ( tese 7). Só mais tarde Lutero se libertou totalmente de alguns desses ranços de sua formação católica. Nem poderia ser diferente. Quando ele escreveu as teses, era ainda um monge católico romano.

O que o catolicismo ensina a respeito de Cristo não é diferente daquilo que professamos em nossos credos. A encarnação, nascimento virginal, divindade, morte vicária e ressurreição são cridos e ensinados. O problema é que a Igreja Romana não crê na suficiência e exclusividade da obra de Cristo para a salvação. Maria é erigida à posição de intercessora e até co-redentora (não oficialmente, ainda) e os santos entram também com os méritos de sua intercessão para a obra salvífica. O autor católico, acima citado, assim se refere a Maria: No seu livro "Maria em Sua Vida Diária", o teólogo Bernardo Häring observa: "O Concílio Vaticano II coroou a Constituição Dogmática sobre a Igreja com um belo capítulo sobre Maria, como protótipo e modelo da Igreja. A Igreja não pode chegar a entender plenamente a união com Cristo e o serviço a seu Evangelho, sem um amor e um conhecimento profundos de Maria, Mãe de Nosso Senhor e nossa Mãe". Com uma visão penetrante na natureza profundamente pessoal da salvação, o Vaticano II abordou o influxo de Maria em nossas vidas.

Por ser mãe de Jesus, Maria é a Mãe de Deus. É o que afirma o Vaticano II: "Na Anunciação do Anjo, a Virgem Maria recebeu o Verbo de Deus no coração e no corpo, e trouxe ao mundo a Vida. Por isso, é reconhecida e honrada como verdadeira Mãe de Deus e do Redentor"(Lumen Gentium, nº 53).

Como Mãe do Senhor, Maria é uma pessoa inteiramente singular. Como seu Filho, ela foi concebida como ser humano (e viveu toda a sua vida) isenta de qualquer vestígio do pecado original, isto se chama sua Imaculada Conceição. Antes, durante e após o nascimento de seu filho Jesus, Maria permaneceu fisicamente virgem. No final da sua vida Maria foi assunta - isto é, elevada - ao céu, de corpo e alma; a isso chamamos sua Assunção.

Na qualidade de Mãe de Cristo, cuja vida vivemos, Maria é também a mãe de toda a Igreja. Ela é membro da Igreja, mas um membro totalmente singular. O Vaticano II exprime sua relação conosco como a de um membro supereminente e de todo singular da Igreja, como seu modelo... na fé e na caridade. "E a Igreja católica, instruída pelo Espírito Santo, honra-a com afeto de piedade filial como mãe amantíssima"(Lumen Gentium, nº 53).Como Mãe do Senhor, Maria é uma pessoa inteiramente singular. Como seu Filho, ela foi concebida como ser humano (e viveu toda a sua vida) isenta de qualquer vestígio do pecado original, isto se chama sua Imaculada Conceição. Antes, durante e após o nascimento de seu filho Jesus, Maria permaneceu fisicamente virgem. No final da sua vida Maria foi assunta - isto é, elevada - ao céu, de corpo e alma; a isso chamamos sua Assunção.

Na qualidade de Mãe de Cristo, cuja vida vivemos, Maria é também a mãe de toda a Igreja. Ela é membro da Igreja, mas um membro totalmente singular. O Vaticano II exprime sua relação conosco como a de um membro supereminente e de todo singular da Igreja, como seu modelo... na fé e na caridade. "E a Igreja católica, instruída pelo Espírito Santo, honra-a com afeto de piedade filial como mãe amantíssima"(Lumen Gentium, nº 53).

Como uma mãe que aguarda a volta dos seus filhos adultos para casa, Maria nunca cessa de influenciar o curso de nossas vidas. Diz o Vaticano II: "Ela concebeu, gerou, nutriu a Cristo, apresentou-o ao Pai no templo, compadeceu com seu Filho que morria na cruz... Por tal motivo ela se tornou para nós Mãe, na ordem da graça"(Lumen Gentium, nº 61). "por sua maternal caridade cuida dos irmãos de seu Filho, que ainda peregrinam na terra rodeados de perigos e dificuldades, até que sejam conduzidos à feliz pátria"(Lumen Gentium, nº 62).

Essa Mãe, que viu seu próprio Filho feito homem morrer pelo resto de seus filhos, está esperando e preparando seu lugar para você. Ela é, nas palavras do Vaticano II, seu "sinal da esperança segura e do conforto" (Lumen Gentium, nº 68) (Ibidem)

Com relação aos santos, diz esse autor: A igreja venera também os outros santos que já estão com o Senhor no céu. São pessoas que serviram a Deus e ao próximo dum modo tão notável, que foram canonizados, isto é, a Igreja declarou oficialmente heróicos, e nos exorta a rezarmos a eles, pedindo sua intercessão por todos nós junto a Deus. E ainda, A Comunhão dos santos é uma rua de mão dupla:.. o Vaticano II afirma que, assim como você na terra pode ajudar aqueles que sofrem o purgatório, assim os que estão no céu podem ajudá-lo na sua peregrinação, intercedendo por você junto de Deus (Ibidem).

Embora a Igreja Católica não tenha ainda proclamado oficialmente o dogma de Maria como co-redentora, o que vem sendo buscado por muitos de seus cultuadores (até agosto de 1997 o atual papa já havia recebido 4.340.429 assinaturas de 157 países solicitando que ele exercesse o poder da sua infalibilidade para proclamar o dogma de que "a Virgem Maria é co-redentora, mediadora de todas as graças e advogada do povo de Deus", cf. http://www.msantunes.com.br/juizo/odesvirt.htm), na prática ela é assim considerada e com o apoio e ensino explícito do clero. No boletim diocesano da cidade de Itabuna (BA), assim se expressa Dom Ceslau Stanula, bispo da diocese: "Maria Co-Redentora - Mês de maio, um dos mais lindos do ano, a humanidade dedicou a Nossa Senhora. Quase em todas as igrejas e capelas diariamente neste mês, o povo se reúne para cantar ladainhas e louvores a nossa Senhora. Nossa Senhora é invocada, venerada e cultuada pelas razões muito profundas e bíblicas. Maria é a Mãe de Jesus que é Deus, Filho de Deus nosso Salvador, e portanto ela é a Co-Redentora da humanidade". E para consusbstanciar sua declaração cita documento do Concílio Vaticano II que diz: "Assim de modo inteiramente singular, pela obediência, fé, esperança e caridade, ela cooperou na obra do Salvador para a restauração da vida sobrenatural das almas. Por tal motivo ela se tornou para nós mãe na ordem da graça". (LG 61) (http://www.snow.icestorm.net/siteverde/boletim1.htm)

Certamente este não é o ensino da Bíblia. Ela nos diz que "há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem" (1Tm 2:5), que, "por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles" (Hb 7:25) e que "não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos" (At 4:12). Não precisamos de intercessão de Maria ou dos santos, nem têm eles qualquer poder para tal. Quem disse "na casa de meu Pai há muitas moradas... vou preparar-vos lugar", foi Jesus e não Maria (Jo 14:2). A obra de Cristo é suficiente para a nossa salvação. Maria e todos os demais crentes só puderam ser salvos pela graça e mediação eficaz de Cristo. Assim cantou ela: "A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador, porque contemplou na humildade da sua serva. Pois, desde agora, todas as gerações me considerarão bem-aventurada, porque o Poderoso me fez grandes coisas. Santo é o seu nome" (Lc 1:46-49). Quando o povo de Listra quis adorar a Paulo e Barnabé, sua resposta foi a seguinte: Senhores, por que fazeis isto? Nós também somos homens como vós, sujeitos aos mesmos sentimentos, e vos anunciamos o evangelho para que destas coisas vãs vos convertais ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que há neles (At 14:15). Os verdadeiros santos nunca reivindicaram qualquer poder, glória ou honra para si mesmos. Certamente é falsa esta aspiração atribuída a Maria: "Até que eu seja reconhecida no lugar em que a Santíssima Trindade desejou que eu estivesse, eu não poderei exercer meu poder totalmente, no trabalho materno de co-redenção e de mediação universal das graças... (Nossa Senhora a Padre Gobbi, 14/06/80)" (http://www.geocities.com/Athens/Delphi/3665/milesp2.html)

Uma outra conseqüência do princípio do Solus Christus foi a doutrina que ficou conhecida como a do "Sacerdócio Universal dos Crentes". Não necessitamos de outro sacerdote ou mediador entre nós e Deus que não seja o Senhor Jesus Cristo. Cada um pode chegar-se a Ele diretamente, sem intermediários humanos. Como diz o autor aos Hebreus: "Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que penetrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão. Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna" (Hb 4:14-16).

A Reforma trouxe à Igreja o Evangelho simples dos apóstolos, centrado na suficiência e exclusividade da obra de Cristo para a salvação. A velha confissão de Paulo foi de novo a confissão dos reformadores: "Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado" (1Co 2:2)

3. Sola Gratia - "Somente a Graça", ou a única causa eficiente da salvação

Intimamente ligado ao princípio do Solus Christus está o da Sola Gratia. A Bíblia ensina que o homem é totalmente incapaz de fazer qualquer coisa para a sua salvação. Está espiritualmente morto em delitos e pecados. Um morto nada pode fazer sem que antes seja vivificado. Paulo ensina como se operou a nossa salvação: "Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados ... e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, - pela graça sois salvos" (Ef 2:1,5). Foi "pela graça", diz Paulo, que fomos vivificados, estando nós mortos. A doutrina da inabilidade total do homem para salvar-se foi um dos marcos da Reforma. No seu livro De Servo Arbitrio ("A Escravidão da Vontade"), Lutero nega que o homem tenha livre arbítrio, ou seja, a capacidade de escolher entre o bem e o mal, depois da queda. Vendido ao pecado, o homem não tem mais a habilidade para escolher o bem, pois sua vontade está presa ou escravizada pelo pecado. Só pode e só quer escolher o pecado. A salvação é, portanto, exclusivamente ato da livre e soberana graça de Deus. Não só Calvino, como geralmente se pensa, mas também Lutero e os demais reformadores deram grande ênfase na necessidade da graça soberana de Deus para a salvação do homem. É por isso que a eleição divina é incondicional.

Todavia, não era isso que a Igreja ensinava nos dias da Reforma. O catolicismo, seguindo o pensamento de Pelágio e, principalmente, de Tomás de Aquino, acreditava e ainda acredita que o homem não está totalmente corrompido em sua vontade e natureza. Ele precisa da graça de Deus, mas não no sentido regenerador, como cremos. Segundo a teologia romana o homem pode conhecer a Deus através de sua razão, conhecimento que é chamado de Teologia Natural. O documento 1806 (Denzinger) do Concílio Vaticano I (1869-1870) diz: "(Contra os que negam a teologia natural) - Qualquer que disser que o Deus verdadeiro, nosso Criador e nosso Senhor, não pode ser conhecido com verdadeira exatidão pelas coisas que foram feitas, pela luz natural da razão humana, seja anátema (cf. 1785) (Cf. Denzinger 1810, 1812, 1816) (cf F.H. Klooster, Introduction to Systematic Theology (Grand Rapids: Calvin Theological Seminary, 1985, pp. 182-183).

No artigo católico que temos citado, encontramos como eles entendem o pecado original: Com exceção de Jesus Cristo e de sua Mãe Maria, todo ser humano nascido neste mundo está contaminado pelo pecado original. Como São Paulo declara em Rom, 5, 12: "Por meio de um só homem o pecado entrou no mundo e pelo pecado a morte, e assim a morte passou a todos os homens porque todos pecaram".

Embora continue a mostrar que há o mal neste mundo, a Igreja não está sugerindo que a natureza humana esteja corrompida. Ao contrário, a humanidade é capaz de fazer muito bem. Não obstante sintamos uma "tendência para baixo", ainda mantemos o controle essencial sobre nossas decisões. Permanece a vontade livre. E - o que é mais importante - Cristo, nosso Redentor, venceu o pecado e a morte pela sua morte e Ressurreição. Essa vitória cancelou não apenas nossos pecados pessoais, mas também o pecado original e seus propalados efeitos. A doutrina do pecado original, portanto, entende-se melhor como um escuro pano de fundo contra o qual pode ser aplicada, fazendo contraste, a brilhante redenção adquirida para nós por Cristo, nosso Senhor. (http://www.geocities.com/Augusta/3540/doutrina.htm).

Assim, o catolicismo estabeleceu os sacramentos da Igreja (que para eles são sete e não dois) como meios pelos quais o problema do pecado pode ser tratado e a graça recebida. A Igreja torna-se medianeira ou mediadora da graça de Deus. Daí o ensino de que "fora da Igreja não pode haver salvação", entendida "Igreja" aqui não como o número total dos eleitos (sentido espiritual) mas como a organização (visível) que, supostamente, detém o poder de distribuir e administrar a graça de Deus. No século XVI o cardeal Roberto Belarmino assim descreveu a Igreja Romana: "A única e verdadeira Igreja é a comunidade de homens reunidos pela profissão da mesma fé cristã e pela comunhão dos mesmos sacramentos, sob o governo dos legítimos pastores e especialmente do vigário de Cristo na terra, o Romano Pontífice" (Ibidem). Mas vem de longa data esse ensino. Assim se expressaram alguns dos papas do passado: Papa São Gregório I (590-604): "Agora a Santa Igreja Universal proclama que apenas dentro dela Deus pode ser realmente adorado, e que fora dela ninguém pode ser salvo." Papa Inocêncio III (1198-1216): "Realmente, existe apenas uma Igreja Universal dos fiéis, fora da qual ninguém é salvo. (...) Cremos com nossos corações e confessamos com nossos lábios que existe apenas uma Igreja, não a dos hereges, mas a Santa Igreja Católica e Apostólica Romana, fora da qual acreditamos que ninguém pode ser salvo." Papa Bonifácio VIII (1294-1303): "Nós declaramos, dizemos, definimos e proclamamos que é absolutamente necessário para a salvação de toda a criatura humana estar sujeita ao Pontífice Romano." Papa Eugênio IV (1431-1439): "A Santa Igreja Romana acredita, professa e prega que todo aquele que permanece fora da Igreja Católica, não apenas os pagãos, mas também judeus, heréticos e cismáticos, não tomarão parte da vida eterna, mas irão para o fogo perpétuo, que foi preparado para o diabo e seus anjos, a não ser que antes da morte eles se unam à Igreja. É de tal modo importante a união com o corpo da Igreja, que seus sacramentos são úteis para a salvação apenas para aqueles que permanecem dentro dela, e jejuns, esmolas e outros trabalhos piedosos, assim como a prática da guerra cristã, só proporcionarão recompensas eternas a eles tão-somente." Papa Leão X (1512-1517): "Onde a necessidade de salvação se referir a todos os fiéis de Cristo, deverá estar sujeita ao Pontífice Romano, como nos foi ensinado pelas Sagradas Escrituras, pelo testemunho dos santos padres e pela constituição do nosso predecessor de feliz memória, Bonifácio VIII." ( http://www.msantunes.com.br/juizo/odesvirt.htm. )

E não pensemos que a Igreja Romana mudou. Recentemente o cardeal Joseph Ratzinger, da Congregação para a Doutrina da Fé, o novo nome da velha "Congregatio Propaganda Fide", mais conhecida como Inquisição, "causou escândalo" por afirmar na declaração Dominus Iesus, aprovada pelo papa, que "a Igreja Católica é o verdadeiro caminho para a salvação" (Folha de S. Paulo, de 27/09/2000, p. E8). Os mais ingênuos, que acreditam na sinceridade do diálogo do Vaticano com as outras religiões (ecumenismo), consideraram isso um retrocesso. Nada mais óbvio para a Igreja Católica, que jamais abdicará desta posição, sob pena de admitir seus erros e reconhecer-se falível.É por essa razão que a Igreja se julgava no direito de distribuir o perdão de pecados através da venda das indulgências, pela prescrição de penitências e outros atos de contrição. Foi a Reforma que trouxe à luz a verdade da Sola Gratia, ensinada nas Escrituras. Onde a total inabilidade do homem for negada e os pretensos méritos humanos forem cridos, não haverá verdade bíblica. O homem nem mesmo pode cooperar com a graça regeneradora do Espírito. A salvação não é, em nenhum sentido, obra humana. Não são os métodos ou técnicas humanas que operam a salvação, mas tão somente a graça regeneradora do Espírito. A fé não pode ser produzida por uma natureza decaída e morta. "Pois nós também, outrora, éramos néscios, desobedientes, desgarrados, escravos de toda sorte de paixões e prazeres, vivendo em malícia e inveja, odiosos e odiando-nos uns aos outros. Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com todos, não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador" (Tt 3:3-5)

4. Sola Fide - "Somente a Fé", ou a exclusividade da Fé como meio de Justificação.

Falando da eleição, Paulo argumenta: E, se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça (Rm 11:6). A graça exclui totalmente as obras. O homem nada pode e nada tem para oferecer a Deus por sua salvação. A única coisa que lhe cabe fazer é aceitar o dom da salvação, pela fé, quando esta lhe é concedida. Fé na obra suficiente de Cristo, que lhe é imputada (creditada em sua conta) gratuitamente. Essa obra consiste na sua vida de perfeita obediência à lei de Deus, em lugar do homem, obediência que nem Adão nem qualquer de sua descendência pôde prestar, dada a sua condição de morte espiritual. Por isso Cristo é chamado de o segundo ou o último Adão (1Co 15:45). Ela consiste também, e principalmente, de sua morte sacrificial em lugar do pecador eleito, através da qual é pago o preço exigido pela justiça de Deus para a justificação. A justiça de Deus exige punição do pecado. Ele é aquele que "não inocenta o culpado" (Ex 34:7). Exige justiça perfeita. Para que Deus pudesse punir o pecador, mas ao mesmo tempo declará-lo justo (que é o significado bíblico de justificar), foi preciso que alguém, sem culpa e com méritos divinos, assumisse o seu lugar. Foi o que o próprio Deus fez através de Cristo. Assumiu a culpa do pecador eleito e morreu em seu lugar, satisfazendo assim a justiça de Deus, ofendida pela pecado. Nada menos do que isso foi suficiente para justificar o pecador. É o que se chama na teologia de "expiação". Desta forma, Paulo pôde falar em Deus como "aquele que justifica o ímpio" (Rm 4:5) e da morte de Cristo como a manifestação da sua justiça, para que ele pudesse ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus. Diz ele: "sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus" (Rm 3: 24-26). É por isso também que os reformadores chamavam o crente de simul justus et peccator - ao mesmo tempo justo e pecador.

Esta foi a doutrina central da Reforma. Lutero, de início, não podia compreender como a "justiça de Deus se revela no evangelho" ("visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé". Rm 1:17). Para ele, a justiça de Deus só poderia condenar o homem, não salvá-lo. Tal justiça não seria "boas novas" (evangelho). Só quando compreendeu que a justiça de que Paulo fala nesse texto não é o atributo pelo qual Deus retribui a cada um conforme os seus méritos (o que implicaria em condenação para o homem), mas o modo como Ele justifica o homem em Cristo, é que a luz raiou em seu coração e a verdade aflorou em sua mente. Tornou-se, então, um homem livre, confiante e certo do perdão dos seus pecados. Compreendeu o evangelho! O Evangelho é a manifestação dessa justiça de Deus, que é recebida somente pela fé. Não é produzida pelas obras, pois o homem não as tem. ("Visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado"... "concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei" Rm 3:20,28).

É pela fé que o justo viverá. Quando Paulo cita esta passagem de Habacuque, ele a usa para ensinar que é através da fé, e não das obras, que alguém é declarado justo em Cristo. Isto está mais claro na outra citação em Gl 3:11, quando ele diz: "E é evidente que, pela lei, ninguém é justificado diante de Deus, porque o justo viverá pela fé". Cristo é a justiça de Deus ("mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção" - 1Co 1:30) e pela fé nele nós também somos feitos "justiça de Deus" ("Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus" (2Co 5:21). A fé, todavia, é apenas o meio, dado pelo próprio Deus, pelo qual essa justiça é imputada ao pecador, não a sua causa ou motivo. Do contrário, a própria fé seria "obra humana". Per fidem propter Christum - "pela fé, por causa de Cristo", como deixou claro a Reforma. A fé não é a base nem a causa meritória da justificação, mas o meio pelo qual ela é comunicada.

Quão longe estava a Igreja dessa verdade simples do Evangelho quando ensinava que o perdão podia ser comprado com dinheiro e a salvação adquirida com o mérito dos santos. Tetzel, o vendedor das indulgências do Papa Leão X na Alemanha, dizia que "ao som de cada moeda que cai neste cofre, uma alma se desprende do purgatório e voa até o paraíso", refrão que seus ridicularizadores rimaram no que em português equivaleria a "no que a moeda na caixa cai, uma alma do purgatório sai" ("sobald das Geld im Kasten Klingt, di Seele aus dem fegfeuer springt")
(http://www.infohouse.com.br/usuarios/zhilton/Luteranismo.html).

Mas não pensemos que a Igreja Católica mudou. Ainda agora, neste ano considerado o do Jubileu 2000, o Vaticano criou novas indulgências para reduzir ou anular as penas dos pecados. Um "Manual de Indulgência", de 115 páginas, apresenta algumas das obras que podem aliviar a punição dos pecadores no purgatório, dentre as quais estão um dia sem fumar, rezar com o Papa em frente à televisão, ajudar refugiados, orar mentalmente com surdos-mudos, não comer carne, etc, (cf. artigo "Igreja Católica cria novas indulgências", Folha de S. Paulo de 19/09/2000), além das que são permanentemente concedidas como visitar o Vaticano e peregrinar por lugares sagrados. Isto na mesma época em que a Igreja assinou, juntamente com luteranos da Federação Luterana Mundial, um acordo em que os dois grupos professam que : " a salvação decorre da graça de Deus e não das boas obras; só se chega à salvação pela fé; e, embora não levem à salvação, as boas obras são conseqüência natural da fé" (cf. artigo "Católicos e luteranos se reconciliam", da mesma edição da Folha de S. Paulo, já citada). O acordo não é levado a sério pelos que conhecem o catolicismo e o modo como age, e recebeu críticas inclusive da parte de igrejas luteranas fiéis à sua origem. É visto apenas como uma manobra para promover o ecumenismo e, principalmente, para combater o mercantilismo das igrejas neo-pentecostais, que vêm tirando adeptos das igrejas tradicionais, principalmente do catolicismo, com sua pregação da "teologia da prosperidade" (cf. artigo "Acordo visa combater 'mercantilismo'", da referida edição da Folha).

A ênfase na doutrina da justificação somente pela fé é tão oportuna e necessária agora quanto nos dias de Lutero, e não só porque o catolicismo não mudou, mas porque o protestantismo mudou. São poucos os evangélicos hoje que ainda dão ênfase ao aspecto objetivo da justificação unicamente pela fé. Experiências subjetivas, avivamentos emocionais, respostas a apelos e outras práticas estão tomando o lugar da pregação dos temas chaves da Reforma. As doutrinas do pecado original, da expiação vicária, da eleição incondicional e da justificação somente pela fé estão sendo negadas hoje por muitos evangélicos que buscam uma acomodação à cultura da modernidade.

5. Soli Deo Gloria - "A Deus somente, a glória", ou a exclusividade do serviço e da adoração a Deus.

Coroando estes temas que a Reforma nos legou está o da "glória somente a Deus". Dar glória somente a Deus significa que ninguém, nem homens nem anjos, deve ocupar o lugar que pertence a Ele, no mundo e em nossa vida, porque somente Ele é o Senhor. É o que exige o 1º mandamento: "Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim" (Ex 20:1-2). A história do homem é uma história de quebra desse mandamento. Depois do pecado, o homem tem constituído deuses para si em lugar do Deus verdadeiro. Geralmente, esse deus é ele próprio. Quando decide o que deve ou não crer, o que pode ou não ser verdadeiro, está dizendo que ele é o seu próprio deus. Sua razão (distorcida pelo pecado) é o seu critério de verdade. Quando a Igreja se coloca na posição de julgar o que deve ou não aceitar da Bíblia, e se arvora em sua intérprete infalível, está assumindo para si o lugar de Deus. Quando ela prega a devoção a Maria e aos santos (ainda que diga que venera mas não adora), está usurpando a Deus da prerrogativa de sua glória exclusiva ("Eu sou o SENHOR, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de escultura"; Isa 42:8). A doutrina católica, com sua ênfase nos méritos e obras humanos, rouba a Deus de sua glória exclusiva.

A glória de Deus é o fim para o qual Ele criou todas as coisas. Não é só o fim principal do homem (conforme o nosso Breve Catecismo), mas o fim de todas as coisas. É o fim do próprio Deus, como crê John Piper, porque Ele é o bem supremo (cf. Desiring God, Leicester: Inter-varsity Press, 1990, p. 13). Todas as coisas, e isso inclui a salvação, visam a glória de Deus, não o bem estar dos homens (Ef 1:6,12,14). Por isso Deus é glorificado também nos que se perdem. É o que chamamos de "teocentrismo".

Michael Horton afirma que Lutero lutou para distinguir sua obra de 'reformas' anteriores. Semelhantes a muitos dos movimentos frenéticos de reforma, renovação e avivamento dos nossos dias, as outras reformas se preocupavam com moralidade, vida da igreja e mudanças estruturais, mas Lutero disse: 'Nós visamos a doutrina'. Não que fossem sem importância essas outras áreas, mas seriam secundárias. Contudo, com sua 'Revolução Copernicana', nasceu um movimento teocêntrico que teve enormes efeitos sobre a cultura mais ampla. A orientação da vida e do pensamento centrados em Deus começou no culto, em que o enfoque era na ação de Deus em sua Palavra e sacramento, em vez de estar em deslumbrar e entreter as pessoas com pompa e aparato. Quando os crentes estavam centrados em volta de Deus e sua obra salvífica em Cristo, seus cultos ajustavam sua visão a outro grau: deixavam de servir como pessoas mundanas para verem-se como pecadores redimidos, cuja vida só poderia ter um propósito: glorificar a Deus e gozá-lo para sempre" (Reforma Hoje, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1999, p.124).

E foi devido a esse conceito de que vivemos para Deus e de que para ele devemos fazer o melhor que a Reforma contribuiu para uma grande revolução não só no campo religioso, mas no mundo das artes, da ciência e da cultura em geral. Soli Deo Gloria passou a ser o lema não só de reformadores, mas de músicos (como Bach), pintores (como Rembrandt) e escritores (como Milton), que apunham às suas obras esta expressiva dedicatória ( Ibidem)

Esta visão teocêntrica a Reforma encontrou na Bíblia. Depois de tratar das doutrinas da salvação, Paulo declara: "Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!" (Rm 11:36) e, ao concluir sua epístola aos Romanos, louva ao Senhor com estas palavras: "ao Deus único e sábio seja dada glória, por meio de Jesus Cristo, pelos séculos dos séculos. Amém! (16:27). A glória de Deus também foi o tema do cântico dos anjos ao redor do trono, dos seres viventes e dos anciãos, e de todas as criaturas que João ouviu em suas visões, os quais diziam: "Digno é o Cordeiro que foi morto de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor" (Ap 5:12) e '"Àquele que está sentado no trono e ao Cordeiro, seja o louvor, e a honra, e a glória, e o domínio pelos séculos dos séculos" (Ap 5:13) e ainda "Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro, pertence a salvação...O louvor, e a glória, e a sabedoria, e as ações de graças, e a honra, e o poder, e a força sejam ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. Amém!" Ap 7:10-12.

Quero concluir citando a esse respeito as palavras de James M. Boice, ex-pastor da 10ª Igreja Presbiteriana da Filadélfia, recentemente falecido. Ele diz: Meu argumento é que o motivo pelo qual a igreja evangélica atual está tão fraca e o porquê de não experimentarmos renovação, embora falemos sobre nossa necessidade de renovação, é que a glória de Deus foi, em grande, parte esquecida pela igreja. Não é muito provável vermos avivamento de novo enquanto não recuperarmos as verdades que exaltam e glorificam a Deus na salvação. Como podemos esperar que Deus se mova entre nós, enquanto não pudermos dizer de novo, com verdade: "Só a Deus seja a glória"? O mundo não pode dizer isso. Ao contrário, está preocupado com sua própria glória. Como Nabucodonozor, ele diz: Veja essa grande Babilônia que construí pelo meu poder e para minha glória" . Os arminianos não podem dizê-lo. Podem dizer "a Deus seja a glória", mas não podem dizer "só a Deus seja a glória", porque a teologia arminiana tira um pouco da glória de Deus na salvação e a dá para o indivíduo, que tem a palavra final em dizer se vai ou não ser salvo. Mesmo aquelas pessoas do campo reformado não podem dizê-lo, se o principal que estão tentando fazer nos seus ministérios é edificar seus próprios reinos e tornar-se importantes no cenário religioso. Nunca vamos experimentar a renovação na doutrina, no culto e na vida enquanto não pudermos dizer honestamente: "só a Deus seja a glória" (Reforma Hoje, pp. 192-193).

A Reforma nos legou esses grandes temas, que são doutrinas preciosas da Bíblia. Cabe a nós hoje, seus legatários, dizer se somos ou não dignos herdeiros dessa herança e continuadores dessa obra. O que cremos e o que pregamos representa nossa resposta.

Fonte: [ CACP ]
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Comece o Dia em Oração

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Por: Edward McKendree Bounds

Os homens que mais fizeram para Deus neste mundo dobravam cedo seus joe­lhos. Aquele que joga fora o início da manhã, sua oportunidade e frescor, perseguindo outras coisas ao invés de buscar a Deus fará pobre progresso no sentido de buscá-lo o resto do dia. Se Deus não é o primeiro em nossos pensamentos e esforços pela manhã, ele estará em último lugar no resto do dia.

Por trás do levantar cedo e cedo orar está o desejo ardente que nos preme no pro­pósito de buscar a Deus. O sono profundo pela manhã é indício de um coração em sono profundo. O coração que é tardo em buscar a Deus pela manhã perdeu seu prazer por Deus. O coração de Davi ardia por buscar a Deus. Ele tinha fome e sede de Deus, e por isso ele buscou a Deus cedo, antes da luz do dia. A cama e o sono não puderam encar­cerar sua alma em sua ânsia por Deus. Cristo almejou comunhão com o Pai; e por isso levantava-se muito antes que fosse dia, e ia ao monte orar. Os discípulos, quando com­pletamente despertos e envergonhados de sua indolência, sabiam onde encontrá-lo. Nós poderíamos seguir a lista dos homens que impactaram poderosamente o mundo para Deus, e iríamos encontrá-los buscando-o logo cedo.

Um desejo por Deus que não quebra as cadeias do sono é algo fraco e fará muito pouco por Ele depois que tiver satisfeito completamente a si mesmo. O desejo por Deus que mantém a distância tanto o diabo quanto o mundo no início do dia nunca será es­cravizado.

Não é simplesmente o levantar que põe os homens à frente e os faz capitães nas hostes de Deus, mas é o desejo ardente que os instiga e quebra todas as cadeias da auto-indulgência. Mas o levantar-se traz alento, aumento, e força ao desejo. Se eles estivessem deitados na cama agradando a si mesmos, o desejo teria se extinguido. O desejo é o que os desperta e os faz curvar-se perante Deus, e isto atendendo e agindo em resposta à sua fé; aproximam-se de Deus e seus corações recebem a mais doce e completa revelação dEle; e esta força de fé e abundância de revelação os faz santos por eminência, e o halo de sua santidade chega. a nós, e entramos no gozo de suas conquistas. Nos deleitamos com isto, mas não o executamos. Nós construímos suas tum­bas e escrevemos seus epitáfios, mas não cuidamos em seguir seus exemplos.

Precisamos de uma geração de pregadores que busque a Deus e o busque cedo, que dê o frescor e o orvalho dos esforços a Deus, e assegure de volta o frescor e a abun­dância do Seu poder; que Deus possa ser para eles como o orvalho, pleno de alegria e força, através de todo o calor e labor do dia. Nossa preguiça por Deus é nosso la­mentável pecado. Os filhos deste mundo são mais sábios do que nós. Eles estão nisto cedo e tarde. Nós não buscamos a Deus com ardor e diligência. Nenhum homem busca a Deus e não o segue firme, e nenhuma alma que o segue firme não o busca cedo pela manhã.

Sobre o autor: Edward McKendree Bounds (1835-1913) exerceu a advocacia durante três anos até ser chamado para pregar o evangelho. Serviu como capelão na Guerra Civil Americana, tendo sido capturado e feito prisioneiro em Nashville, no Tennessee. Depois de posto em liberdade exerceu diversos pastorados. O seus livros sobre a oração continuaram como os mais vendidos ao longo de mais de cinquenta anos.

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Fonte: Revista Os Puritanos, ano XIV, nº IV, 2006
Extraído do site: [ Eleitos de Deus ]

Combatendo o relativismo com uma mentalidade bíblica

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Por Marcos Sampaio

Nenhuma idéia é mais politicamente incorreta hoje entre muitos evangélicos do que o antigo pensamento protestante de que vale a pena lutar pela verdade absoluta, incluindo as proposições essenciais da doutrina cristã. Na verdade, muitos acreditam que as discussões sobre as crenças religiosas são as mais inúteis e arrogantes de todos os conflitos. Penso que isso pode ser verdade em casos onde as opiniões humanas são a única coisa em jogo. Mas onde a Palavra de Deus fala claramente, temos o dever de obedecer, defender e proclamar a verdade que Ele nos deu, e devemos fazer isso com uma autoridade que reflete a nossa convicção de que Deus falou com clareza e finalidade.

Estou lendo o livro Irmãos, Nós não Somos Profissionais de John Piper e ele faz exatamente esse apelo para que os ministros de Deus tenham de fato um ministério radical diante da existente mentalidade antibíblica pela profissionalização do ministério pastoral. E isto é particularmente crucial em contextos onde as doutrinas fundamentais do cristianismo histórico estão sob sorrateiro ataque.

Aliás, as verdades fundamentais das Escrituras, estão sendo atacadas duramente. Penso que o principal campo de batalha de Satanás hoje é o ideológico. Isso porque o objetivo principal dentro da estratégia de Satanás em nossa época é confundir, negar, distorcer, corromper a verdade, e isso significa que a batalha é muito mais grave do que imaginamos. Com isso, ser capaz de distinguir entre a sã doutrina e o erro deve ser uma das maiores prioridades de cada cristão e da igreja evangélica contemporânea.

Tomar tal posição, entretanto, é desafiador hoje diante de vozes dizendo que pregar a verdade absoluta está fora de moda e que precisamos adaptar a fé às necessidades das pessoas. A metáfora “guerra pela verdade” simplesmente não funciona em uma cultura pós-moderna onde o relativismo é prevalecente. A epistemologia pós-moderna começa e termina com o pressuposto de que qualquer questão sobre o que é verdadeiro ou falso é meramente acadêmica. Nossas diferenças são, em última análise, triviais. Cada sugestão de militância em busca da verdade absoluta é considerada inadequada nestes tempos de sofisticação e progresso.

No entanto, essa posição em defesa da verdade também foi impopular no primeiro século e isso não impediu os apóstolos de confrontarem o erro e ensinar todo o conselho de Deus. O apóstolo Paulo, por exemplo, foi justo com seus adversários no sentido de que ele nunca deturpou o que eles ensinaram, entretanto, ele claramente enxergando os erros em que eles estavam, falou a verdade. Em seu estilo de ensinar todos os dias, Paulo falou a verdade suavemente e com a paciência de um pai amoroso. Mas quando as circunstâncias justificavam um forte tipo de franqueza, Paulo falava muito francamente (1 Coríntios 4:8-10). Ele empregou a verdade de forma eficaz e adequada (Gálatas 5:12).

A verdade é que Paulo não sofria da mesma escrupulosa angústia que faz com que muitas pessoas hoje caiam em erros. A idéia do apóstolo em relação à gentileza não era o tipo de benevolência do falso. Não o vemos convidando os falsos mestres em erro religioso para o diálogo, nem ele aprovaria essa estratégia hoje (Gálatas 2:11-14). O apóstolo compreendeu e estava disposto a lutar pela verdade. Ele defendia a verdade, mesmo quando ela era impopular para fazê-lo ou era até mesmo desprezada pelos homens da cristandade.

E hoje lidar com qualquer indício de certeza a respeito do que as Escrituras significam, mesmo em questões fundamentais da fé cristã, parece trazer um alto nível de desconforto para muitas pessoas também. Para estes, a verdade é admitida como algo inerentemente obscuro, indistinto, incerto e, em última análise, talvez até mesmo incognoscível.

Brian McLaren, um escritor muito popular principalmente entre o movimento da Igreja Emergente, certa vez disse que “ainda não conseguimos entender corretamente o evangelho... acho que os liberais também não conseguiram. Mas acho que nós também não o entendemos de modo certo. Ninguém entre nós chegou à ortodoxia”. E diz ainda o ex-pastor: “capturamos, recheamos e fixamos a verdade”.

E esse tipo de mentalidade traz muita popularidade numa época de tantas meias verdades. Brian MacLaren, por exemplo, foi autor de diversos livros em seu total desprezo pela certeza e fez muito sucesso. E esta tem sido a mensagem até mesmo de muitas congregações cristãs onde se acredita que o evangelho deve ser mantido adaptável e ambíguo para principalmente atrair as pessoas que vivem em harmonia com a cultura e amam o espírito dessa época e não podem suportar que a verdade bíblica autoritária seja aplicada com precisão como um corretivo para estilos de vida mundanos, mentes profanas e comportamento ímpio. Muitos líderes estão obcecados com o estilo e a metodologia; perderam o interesse pela glória de Deus e se tornaram apáticos quanto à verdade e à sã doutrina. E Lamentavelmente esse “veneno... está sendo injetado, cada vez mais, na igreja evangélica”, diz John MacArthur.

Creio firmemente que essa mentalidade não vem do Cristianismo puro e simples das Escrituras. Não saber o que você crê, recusar-se a reconhecer e defender a verdade revelada da parte de Deus e abraçar a ambigüidade, exaltando a incerteza e amenizando a pregação com superficialidades não é o autêntico evangelho deixado por Cristo e pregado com toda certeza pelos Seus apóstolos. Penso que o cristão genuíno conhece e ama a verdade. Os ímpios odeiam a verdade (2 Tess 2:10). O amor à verdade está ligado à fé salvífica. Cristo disse que os que conheceram a verdade, por ela foram libertos (João 8:32).

Portanto, numa época em que a idéia da verdade está sendo desprezada e atacada, até mesmo por aqueles que deveriam defendê-la, precisamos com o nosso coração reverente e voltado para Deus nos apegarmos ao sábio conselho de Salomão que disse “compra a verdade e não a vendas”. Assim sendo, que a igreja de Deus nesse mundo de mentiras e relativismo seja de fato “coluna e baluarte da verdade” mesmo que isso nos custe muitas lutas e até mesmo o próprio desprezo deste século tão confuso.

Pense nisso!

Autor: Marcos Sampaio
Fonte: [ Ideias Protestantes ]

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