Paradoxo Bíblico: Deus e a pedra

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Por Pb. Wanderley Santana
Presbítero da Assembléia de Deus – Belém em Birigui/SP
Publicado originalmente em: Pb. Wanderley Santana


Paradoxo ”é uma declaração aparentemente verdadeira que leva a uma contradição lógica, ou a uma situação que contradiz a intuição comum. Em termos simples, um paradoxo é o oposto do que alguém pensa ser a verdade. Os “paradoxos bíblicos” seriam algo do tipo: Jesus é 100% homem e 100% Deus; Deus é soberano e o homem é responsável etc.

• Se Deus é Todo-Poderoso, Ele pode criar uma pedra que Ele mesmo não possa carregar?
• Deus pode criar um circulo quadrado?
• Deus pode criar alguém que seja mais poderoso que Ele?

Estes são alguns exemplos de paradoxos famosos que alguns usam para “demonstrar” que o Deus Todo-Poderoso não existe.

Quando olhamos para a pergunta, imediatamente tiramos a conclusão: Deus não é Todo-Poderoso. Por quê? Bem, se ele pode criar uma pedra, mas NÃO pode carregá-la, então Ele não é Todo-Poderoso. Por outro lado, se Ele NÃO pode criar tal pedra, Ele também NÃO é Todo-Poderoso. Parece que estamos num dilema insolúvel. Apenas parece…

Há, no mínimo, quatro problemas na pergunta que se entrelaçam: dois de caráter lógico (da matéria Lógica, não de “obviedade”) e dois de caráter teológico.

Problemas Lógicos:

Contradição: Este é o mais óbvio. É o que constitui o paradoxo. E a contradição se dá por causa dos termos “Todo-Poderoso” (supondo que signifique “pode tudo”) e o “não pode”. Afirma-se que Deus “pode tudo” e, ao mesmo tempo, afirma-se que ele “não pode”. Em outras palavras, afirma-se que Deus “pode tudo” e simultaneamente nega-se que Deus “pode tudo”. A frase, por si só, não faz o menor sentido. É como se eu dissesse que “minha cachorrinha Pitukinha é um gato”. Não faz sentido. Afirma-se que a Pitukinha é uma cachorrinha e simultaneamente nega-se que ela é uma cachorrinha. É uma contradição: ela não pode ser uma cachorrinha E um gato ao mesmo tempo e no mesmo sentido.

Falácia Lógica:

Uma falácia “é um argumento logicamente inconsistente, sem fundamento, inválido ou falho na capacidade de provar eficazmente o que alega”. Em outras palavras é um erro lógico que contamina a validade de um raciocínio. Por exemplo:

(Premissa 1) Todo gato é mamífero.
(Premissa 2) A Pitukinha é um mamífero.
(Conclusão) A Pitukinha é um gato.

O argumento acima é falacioso, pois, apesar das duas premissas serem verdadeiras a conclusão é falsa. Existem outros mamíferos além de gatos. Um animal ser mamífero não é suficiente para caracterizá-lo como gato! A Pitukinha é, de fato, um mamífero, mas ela é uma cachorrinha!

A falácia que ocorre em “Deus e a pedra” é dizer que Deus “carrega” a pedra. A frase pressupõe que as forças físicas (peso, gravidade etc.) podem limitar o poder de Deus. Ora, Deus é espírito, imaterial, incorpóreo. Ele não tem dimensões físicas (altura, largura, profundidade etc.) e não é limitado por elas. Ele mesmo as criou. Não é correto dizer que Deus possa “carregar” a pedra, como se esta exercesse alguma influência física em Deus ou que Deus usa seus músculos para tentar levantar uma pedra pesada. As categorias físicas não são aplicáveis a Deus.

É como se eu perguntasse a Pitukinha: tem quantos Megabytes? Não faz sentido. As categorias da informática não são aplicáveis à Pitukinha.

Problemas Teológicos:

Má compreensão da Onipotência divina: Deus ser “Todo-Poderoso” não significa que Deus é “Todo-Poderoso-Absurdo”. Em outras palavras, Deus não faz algo que contradiga, ou seja, inconsistente com sua própria natureza, por exemplo: Deus não pode pecar, Deus não pode deixar de ser Deus.

A Onipotência divina não implica que Deus possa “fazer todo tipo de coisas inerentemente contraditórias entre si”. Dessa forma, Deus não pode criar um “círculo-quadrado” por ser um conceito autocontraditório, uma impossibilidade lógica. “Não existe em Deus um poder absoluto divorciado de suas perfeições divinas”.

O propósito de Deus: Deus sempre faz algo com um propósito. “O SENHOR fez todas as coisas para determinados fins e até o perverso, para o dia da calamidade” (Pv 16.4). Se Ele cria uma pedra, não importa quão pesada ela seja, Ele tem uma finalidade para ela. E, como vimos, não pode ser o de “carregá-la”. O fim supremo e principal de todas as ações de Deus é glorificar a si mesmo. A pedra criada tem esta mesma finalidade: a glória de Deus.

Fonte: [ Mantendedor da Fé ]

O Problema do Julgar: Até Onde Ir com a Tolerância?

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Por Cleber Olympio

"Quem é você para julgar teu próximo? Acaso estás se colocando na posição de Deus?"

Um dos argumentos mais usados em debates apologéticos, em quaisquer fóruns de debates - cristãos e não cristãos - versa sobre a questão do julgamento. Boa parte deles é derivada da famosa passagem bíblica, tratada como se texto de lei fosse: "Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós. E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão." (Mateus 7:1-5). Acontece que, como sabemos, muitos equívocos são cometidos quando alguém tira a passagem bíblica de seu contexto, e termina por deturpar o ensino bíblico sobre a questão do julgamento.

1. Da necessidade de julgar

Afinal, qual a raiz do problema? O ser humano, até como instinto de autoproteção, começa a colocar - ou até a impor - freios numa situação de conflito. É, de fato, desagradável uma sensação de antagonismo, vinda de quem quer que seja. Se a pessoa consegue se armar, inclusive psicologicamente, é um bom aspecto; difícil é quando a pessoa se sente acuada, sem ter como enfrentar a força contrária. Restam-lhe alternativas possíveis: render-se, atacar ou o escape. Render-se fica sem cogitação; atacar só é possível com as armas certas; daí que lhe vem, até como meio instintivo de sobrevivência, buscar um escape. Nisso vem a problemática do "não julgar" que, como colocado pelo argumento da tolerância, não possui qualquer validade, senão é uma tentativa errônea e grosseira de se fugir de uma questão.

Esse instinto de sobrevivência, em nome da cordialidade e da tolerância, mascara por vezes uma atitude arrogante de quem não admite a perda, diante de evidências ou argumentos mais fortes. Escorar-se numa pretensa base bíblica não conduz a nada, mas acaba sendo uma alternativa contra quem levanta o argumento e também não está devidamente protegido contra a "falácia do não julgar". Falácia é um argumento que possui a aparência de verdade e legitimidade, mas que no fundo esconde uma enorme mentira.

A cordialidade e a tolerância, levada a limites fora da normalidade, conduz a um comportamento incoerente e insensato. O crente é levado pelo seu Senhor a provar pensamentos e atitudes, a exercer suas faculdades mentais para promover uma análise de tudo o que se lhe apresenta aos olhos. Não fosse assim, Paulo não teria recomendado aos crentes: "Examinai tudo. Retende o bem" (1 Tessalonicenses 5:21). Em outra passagem, o mesmo Paulo exorta aos coríntios: "Examinai-vos a vós mesmos, se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados" (2 Coríntios 13:5). Os crentes de Bereia examinavam as Escrituras para conferir se o que os apóstolos ensinavam era, de fato, verdade (Atos 17:11). Jesus mesmo manda que exerçamos nosso discernimento, examinando as Escrituras (João 5:39). Examinar, analisar, pesquisar, procurar, são atitudes do intelecto, que precisa exercer sua capacidade de juízo. Julgar, então, é necessidade de quem caminha com Jesus. Obedece-se aos mandamentos somente por meio da análise de uma situação real e com o juízo transformado pelo poder da Palavra de Deus, a fim de se produzir uma atitude. Se o crente não pudesse julgar, como viveria a realidade dos mandamentos de Cristo? Seria ele submisso a dogmas, impostos por um deus raivoso e mesquinho, que se preocupa tão somente em exigir comportamentos diversos de uma civilização, já corrompida pelo pecado? Entendemos que não. Deus sempre mostra, por toda a Bíblia, que sua Palavra tem finalidade educativa. Os versículos áureos sobre a importância das Escrituras demonstram plenamente esse fator: "Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra" (2 Timóteo 3:16-17).

Vê-se, então, que há coerência na atividade do julgar, inclusive por necessidade de se viver uma vida cristã autêntica, com plena capacidade de discernimento, orientado em obediência às Escrituras. Outro aspecto é a condução necessária do crente na atividade julgadora, uma vez que ele deva examinar todas as coisas e reter o que é bom. Sendo assim, por que pautar-se numa suposta tolerância e expressão de cordialidade para supostamente eviatr um confronto?

2. Do julgamento justo

Aparentemente a tolerância ensinada por Jesus deva ser observada em quaisquer circunstâncias. Cita-se também a passagem em que Jesus liberta a mulher adúltera, partindo-se do seguinte encadeamento de ideias: "Jesus condenou quem tivesse pecado e perdoou a adúltera - Ora, Jesus tem o poder de julgar alguém, e sou pecador - Logo, eu não posso julgar ninguém". Esse raciocínio também é falacioso. A inferência à primeira afirmativa não leva em consideração que Jesus usou-se de um julgamento com um importante adjetivo: "justo". Nisso ele exerceu um julgamento coerente, dada a situação em que se apresentava a condenação pura e simples de uma adúltera, sendo que seus algozes cometiam adultério e coisas até piores aos olhos de Deus às escondidas. O sentido do ensino de Jesus era demonstrar a força do perdão divino a quem cometeu uma série de pecados, não de produzir apenas um julgamento e execução de sentença conforme a Lei de Moisés. Caso ele apenas condenasse a adúltera, demonstrando somente a necessidade da aplicação da lei, que estaria fazendo, senão uma repetição de atos de pecadores, embora ele mesmo não tivesse pecado? Seu ensinamento estaria em franca contradição, ainda mais sendo Jesus conhecedor dos corações de cada um da multidão que se preparava para lapidar a mulher pega em adultério.

Com isso, havemos de discernir sobre o julgamento justo. Deus tem sua medida de justiça, e com ela exorta os homens: Não sabeis vós que os santos hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo deve ser julgado por vós, sois porventura indignos de julgar as coisas mínimas? Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos? Quanto mais as coisas pertencentes a esta vida? Então, se tiverdes negócios em juízo, pertencentes a esta vida, pondes para julgá-los os que são de menos estima na igreja?" (1 Coríntios 6: 2-4) Em todos os períodos há a certeza de que os santos haverão de julgar, seja o mundo, os anjos, ou até mesmo as coisas pertencentes a esta vida. O dever de um santo é julgar. Santo é aquele separado por Deus para constituir um povo eleito e para exercer, perante todos, as ordens de seu Pai celeste no que este comandar. Se isso deve ser feito até entre irmãos - versículo 5: "Não há, pois, entre vós sábios, nem mesmo um, que possa julgar entre seus irmãos?" - quanto mais no que diz respeito a outros assuntos, conforme a necessidade?

A restrição bíblica que se faz a esse respeito está exatamente no termo "justo". Julgamento sem justiça produz injustiça. Se Deus investe os seus santos crentes com a capacidade de a tudo julgarem, Ele o faz requerendo justiça; caso contrário, não é julgamento que proceda do Deus cujo nome é Justiça. Deus requer que o homem faça justiça: "Assim diz o SENHOR: Guardai o juízo, e fazei justiça, porque a minha salvação está prestes a vir, e a minha justiça, para se manifestar" (Isaías 56:1). Repare o leitor acerca da importância de se praticar a justiça, a fim de que a própria justiça divina se manifeste. Não fosse assim, por que Deus incluiria na lei mosaica o mandamento de não se fazer injustiça no juízo (Levítico 19:15)? O justo age exatamente como o salmista: "Fiz juízo e justiça; não me entregues aos meus opressores." (Salmos 119:121). Deus ama a justiça e o juízo (Salmos 33:5); naturalmente, seus filhos amados haverão de observá-la e exercê-la e, ao agirem assim, nada mais farão do que a vontade do Pai.

Sendo assim, fazer julgamentos e exercer a justiça é próprio de quem caminha com Deus, conquanto o faça com a mesma motivação justa de seu Pai celeste. Se, porventura, o crente distorce a justiça, e passa a julgar por seu próprio entendimento, sem que haja fundamento baseado na verdade da Palavra de Deus, ele proferirá um julgamento injusto. Ele se tornará um hipócrita, que não enxerga as próprias falhas e vê as menores praticadas por seu irmão, assim como Jesus diz no texto de Mateus 7. Ele se tornará inimigo da verdade e condenado a suportar o mesmo fardo de justiça que tentou impor a quem não tinha culpa. Nisso estão as opiniões puramente pessoais, baseadas por vezes em suposições preconceituosas e relegadas a costumes, sem qualquer embasamento bíblico; isso também esconde um comportamento legalista ou ascético, que impõe a dureza da letra da lei para que o incauto, debaixo de uma força normativa, venha a se calar e a acatar os mandamentos como lhe são apresentados, sem ponderar. O mesmo comportamento legalista é aquele que provoca a simples conclusão de que "o crente não deve julgar", contrariando João 7:24: "Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça".

Outro texto usado pelos defensores do "não julgar" encontra-se em Romanos 14:10: "Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Cristo". A solução para esse aparente problema encontra-se justamente na segunda questão: "por que desprezas teu irmão?" Ora, se há desprezo por parte de quem julga, então o julgamento é parcial, interesseiro. Logo, não é justo, e não deve ser feito. O julgamento com justiça persiste, portanto.

3. O comodismo e os perigos da tolerância

O comportamento legalista de comandar um "não julgamento" encerra dois perigos: o de produzir comodismo e o de tolerar o pecado. A postura cômoda de não enfrentar uma ideia antagônica torna-se perigosa por produzir indiferença quanto à verdade. Exalta-se a ignorância, com o pretenso argumento de que "no dia do Juízo Deus trará a lume todas as coisas, e que para isso não estamos preparados". Ora, Deus nos deu discernimento para usá-lo; se não o fazemos, cometemos pecado. O fato, ademais, de não termos como vislumbrar um julgamento futuro de todas as coisas não nos dá o direito de ignorarmos o ensino do exercício do juízo, inclusive para assuntos relacionados à nossa jornada nesta terra. E ainda: exercemos nesta vida propósitos e promessas que nos são dadas por Deus, e para tanto ele dá pessoas como juízes, inclusive para executar juízos em seu Nome. Relegar ao "etéreo" é uma forma de escapar da realidade, um recurso ridículo diante da seriedade com que a justiça divina deva ser levada. Por pura negligência, causada pelo comodismo, ações não são corrigidas hoje, e com isso mais vítimas são feitas pelas obras da injustiça.

Além disso, busca-se evitar o conflito pela pretensa tolerância. Comportamentos, organizações e fatos têm clara omissão em nome de uma cordialidade que não deveria existir. Deus chama os pecados pelo nome, e assim deve ser para conosco. Não se defende a "falta de educação", tampouco a falta de compromisso trazida pela tolerância exacerbada. Esse comportamento esconde medo do confronto, de uma indesejável exposição, afora outras consequências advindas de um comportamento mais ousado, desde que esteja seguramente pautado pela Palavra de Deus. O crente deve repudiar a tolerância a qualquer custo: por conta de não agir dessa maneira, toleram-se comportamentos mundanos no seio da igreja, a penetração de doutrinas estranhas que dividem o povo, a semelhança cada vez maior de cultos com shows e espetáculos produzidos por ímpios, dentre outras características que trazem repulsa ao Senhor e serão objeto de julgamento naquele Dia. E se somos do Senhor, devemos repudiar exatamente as mesmas obras, sob pena de sermos julgados pecadores por conivência ao aceitarmos conscientemente algo que Deus condena. O limite da tolerância está naquilo que contrarie, ainda que sutilmente, os ensinamentos das Escrituras. O pecado deve ser tratado como pecado, não como um "sentimento negativo" ou uma "energia do mal". Erros doutrinários devem ser tratados como problemas passíveis de eliminação da seara do Senhor. Tais ideias podem soar como "radicais", mas o ensino de Cristo é radical! Se não fosse assim, por que a Palavra foi comparada como espada? Jesus trouxe a espada, não a paz da falsa tolerância! Não se pode tolerar o pecado: caso tivessem sido tolerantes, Ló e sua família jamais teriam escapado de Sodoma.

Conclusões

Dessa maneira, podemos concluir que:

  • Julgar não é um mau em si mesmo, pois a tudo devemos examinar e reter o que é bom.
  • Julgar é necessário, pois é coerente com o discernimento que possuímos da parte de Deus.
  • Julgar não é tarefa exclusiva de Deus, pois se O imitamos, temos dele a propriedade para exercer juízo sobre todas as coisas.
  • Julgar, porém, deve ser feito sob o exercício da justiça, para não produzir o efeito contrário.
  • Julgar, ainda que contrarie o argumento da pretensa tolerância, deve ser efetivado, pois o crente verdadeiro não concorda com aquilo que a Bíblia chama de pecado, tampouco vem a exercer, em sua vida particular, comportamentos que o levem a ser incluído entre os mentirosos e os hipócritas.
  • Julgar é um ato de obediência à verdade e de amor a Deus, pois Ele é justo e ama a justiça.

Dessa maneira, que ninguém venha a condenar o leitor na sua nobre e necessária atividade de julgar. Que isso seja feito em plenitude, de modo justo e imparcial. Quem é de Deus não se dobrará à chantagem de um argumento que, baseado na mentira, no egoísmo, na falsidade e na corrupção, tenta promover exatamente o contrário da justiça: a tolerância com o erro.


Obra de referência:
KUIPER, Doug. Julgar: O Dever do Cristão (trad. Felipe Sabino de Araújo Neto). Covenant Protestant Reformed Church. Disponível em http://www.cprf.co.uk/languages/portuguese_judging.htm. Acesso em 23/05/2010.

Fonte: [ Militar Cristão ]
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A Cruz ou o cifrão? Gálatas 6:14

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INT: Ao analisarmos as religiões existentes no mundo perceberemos que cada uma delas tem seus aspectos particulares que as distinguem entre si. Alguns segmentos apresentam características religiosas, políticas e sociais, outras apenas tratam de um desses departamentos. Mas o que é inerente a todas religiões são os seus símbolos, suas logomarcas.

O budismo, hinduísmo, islamismo todos eles tem seu símbolo, aquilo que os representa, mas qual a marca que caracteriza o evangelho? A marca do evangelho é a Cruz, mas uma cruz vazia.

Atualmente o que encontramos no cristianismo é uma mensagem anti-biblica, um evangelho que não esta de acordo com as Sagradas Escrituras. O que se prega hoje é aquilo que as pessoas querem ouvir e não aquilo que elas precisam ouvir.
Como vivemos em um mundo capitalista, onde o dinheiro é tudo que o homem precisa, pois com ele se compra tudo, dizem que até felicidade, o cristianismo tornou-se um meio de se tornar rico.

As pessoas buscam a Deus como se o Poderoso fosse um caixa rápido, e que com o cartão de credito espiritual tudo é fácil, simples assim!

Deixaram de pregar a Cruz para pregarem aquilo que o povo quer ouvir. Pregam uma mensagem que também possa fazer bem para seus próprios bolsos.

Vejamos alguns motivos para pregarmos a Cruz.

1º A cruz é o que nos diferencia de outras religiões.

Se não houvesse cruz o evangelho não seria em nada diferente de outras religiões. Se Cristo nos ensina a viver em sociedade, a respeitar e amar o próximo, outros também ensinaram e falaram muitas vezes coisas semelhantes.Se Cristo alimentou a multidão, outros tentaram fazer isso. Se Cristo teve discípulos, outros também tiveram.

Mas o que nos diferencia realmente de qualquer outra religião é que Jesus não foi apenas mais um líder, Ele é o Deus que se fez homem e morreu a morte de cruz em nosso favor.

Muitos líderes surgiram na história da humanidade, mas poucos morreram em favor de uma causa, e apenas um morreu em favor da causa dos outros.

Cristo não precisava de redenção, Cristo não precisava de Glória, Cristo Morreu em nosso lugar. Sua morte não trouxe beneficio para Ele ou para seus familiares, sua morte beneficiou a outros.

2º Foi nossos pecados que pregaram Jesus na cruz.

Quem matou a Cristo? Quem matou um homem que somente fez o bem? Que curou enfermos, libertou oprimidos, deu esperança ao necessitados? Que foi seu algoz? Quem foi que martelou aqueles pregos? Quem lhe infringiu a dor?

Alguns afirmam que foram os romanos ou os judeus. Outros querem condenar os líderes religiosos e políticos da época que usaram de falsas provas, de um julgamento fora dos padrões da época para condenarem a Jesus, contudo os verdadeiros culpados pela dor e sofrimento de Jesus, foram nós mesmos.

A lei estabelecida por Deus era clara: Para se ter comunhão comigo é necessário viver em santidade! O homem terá que escolher a Deus ou o pecado.

Se o homem não houvesse pecado não haveria necessidade da cruz. Se tivesse escolhido por Deus, não precisaria haver a Cruz. Se o homem tivesse cumprido com os pactos que Deus havia estabelecido com ele não haveria necessidade da cruz.

A cruz para a humanidade é o símbolo de seu fracasso, a Cruz para Deus é a marca de seu sucesso.

A condenação imposta a Jesus foi sentenciada por nós mesmos. Aquelas vozes que gritaram crucifica-o, eram nossas. Aqueles que esbofetearam, cuspiram, maltrataram e zombaram de Jesus éramos nós.

3º A cruz nos garante perdão de nossos pecados. Hebreus 10:1-10

O que poderia resolver o problema do pecado e da condenação eterna? Alianças? Obras? Lei?

Nenhuma dessas alternativas foi capaz de solucionar tal problema. Vejamos:

A- As alianças.
Embora todas as alianças que encontramos no Antigo Testamento tem a presença de Deus anunciando e se responsabilizando por elas, não se pode descartar que havia a importância de uma reciprocidade do ser humano, elas eram condicionais, e assim sendo, todas não tiveram um fim feliz, pois dependiam de uma resposta positiva da parte da humanidade.

B- As obras.
A Palavra de Deus afirma que a Trindade não permitiu que assim fosse, pois seria motivo de vã-glória para o homem. Outro detalhe importante é que nenhum homem poderia realizar somente boas obras, pois ele esta morto nos seus delitos e pecados, o homem é totalmente depravado. Suas escolhas são más, seus desejos contaminados e acima de tudo isso de maneira nenhuma ele quer a Deus.

Uma pessoa somente escolhe aquilo que ela deseja, e definitivamente o homem não deseja a Deus.

C- A lei.
2 Coríntios 3:6 Afirma que lei mata. Ela mata porque apresenta o pecado, aponta o erro do pecador, mas de maneira nenhuma apresenta a solução para tal.

A solução para a condenação eterna está na Cruz. Foi no madeiro que o escrito de divida que era contra nós foi pago. Veja bem, ele não foi anulado, foi pago. A divida que tínhamos com a justiça de Deus era real. Foi o próprio Deus que estabeleceu essa lei, e foi ele mesmo que a quitou.

Alguns argumentam que Deus apenas poderia ter sumido com essa divida, porém aqueles que afirmam dessa maneira se esquecem de que isso seria dar um “jeitinho” e Deus não é Deus de falcatruas, Ele é Deus de justiça, e pagou nossa divida com a lei espiritual, e assim entregou seu filho em nosso lugar.

A cruz proporciona uma esperança futura.

4º Devemos também nós carregarmos nossas própria cruz. Mateus 10:38.

Quatro aspectos queremos ressaltar sobre cruz.

A- O peso.
Os estudiosos dizem que a cruz tinha aproximadamente 150 Kilos, e mesmo debilitado, enfraquecido por causa dos flagelos que havia recebido Jesus a carregou.

Isso nos ensina que abraçar a fé cristã não é algo “leve” para se fazer. Quem quer viver o verdadeiro cristianismo tem que estar preparado para sentir o peso da cruz.

B- O Sofrimento.
Não inventaram ainda um método mais cruel de pena de morte que a crucificação. O cristianismo exige mudança de atitude e muitas delas trarão sofrimento.

C- A dor.
A cruz proporcionava momentos de angustia e dor profundos. Os lábios secavam, câimbras ocorriam, a dor era insuportável.

D- A renúncia.
Cristo renunciou por um instante aquilo que era seu por direito. Seu trono, sua glória, seu poder. Foi Ele que escolheu os cravos, foi Ele que escolheu os espinhos, foi Ele que escolheu a CRUZ! Não foi imposto a Ele isso. Deus não poderia fazer isso, já que Ele é um bom Pai. A cruz não poderia ser imposta a Cristo porque ele nunca pecou, ele não merecia condenação.

Jesus Cristo escolheu a cruz, porque sabia que se renunciasse por um momento sua posição de Deus, ele resgataria a muitos, a todos os eleitos.

CRISTO ESCOLHEU OS CRAVOS PARA QUE NÓS TIVÉSSEMOS VIDA.

Conclusão:

Muitos têm buscado a Deus como se Ele fosse o gênio da lâmpada mágica. Essas pessoas vão as igrejas para buscar sua benção, e de preferência benção financeira. Elas estão atrás do Cifrão!

No evangelho que Cristo nos ensinou nunca prometido riqueza e bens materiais. A promessa feita e que irá se cumprir na vida dos escolhidos é que através da Cruz podemos ter paz com Deus. Sua ira não será mais imposta a nós, pois sua graça nos alcançou, seu perdão foi derramado, e na Cruz temos a confirmação disso.

A igreja é lugar para buscarmos a cruz e não o cifrão.

Autor: Natanael Tussini
Fonte: [ Pense Teologicamente ]

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Vai um óleo ungido aí? E um título de presbítero…

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image O Wagner Lemos, do blog Web Evangelista, estava “navegando a procura de atualidades para o blog” e aportou no site Igreja em Casa. Alguém me mandou o post do blog por email e lá fui eu, para o mesmo porto. Se alguém quiser poupar o trabalho de ir conferir, adianto que apesar do nome “igrejaprimitiviano” trata-se apenas de mais uma picaretagem virtual gospel. Daquelas que você não cai se não tiver pelo menos R$ 100,00 dando bobeira na conta corrente. Mas se quiser ser um otário completo “amigo exclusivo”, por R$ 1.201,00 ou mais você recebe “quatro frascos de óleo Ungido e Consagrado” além da “Santa Ceia da Vitória Ungida e Consagrada”. Tudo pelo correio.

Cansado dos “e não é somente isso” dos polishops da vida e não fazendo questão de exclusividade, me interessei por dois produtos anunciados: título de presbítero e óleo ungido e consagrado. Então entrei no atendimento on line, para obter maiores informações, especialmente quanto ao que vem a ser “óleo ungido”.

image Fui atendido por Marcio Almeida que solicitamente perguntou “posso lhe ajudar?”. "Não entendi direito, como é isso? Unge óleo com o que?”, perguntei, acrescentando “sempre aprendi que o óleo é usado para ungir, por isso fiquei sem entender direito”. O rapaz também não me entendeu, e disse que “no site igrejaemcasa.com.br tem especificado direitinho”. Acreditei nele e procurei, mas não achei a especificação do óleo ungido. Por isso, pedi “não consegui encontrar a explicação no site indicado, poderia informar o link para a explicação?”. Não, ele não podia e se desculpou dizendo “fica difícil para mim te explicar eu posso me equivocar” mas disse eu fazer “um fale conosco no site que irá entrar uma consultora em contato com você”.

Perguntei então sobre o título de presbítero, que já sabia custar R$ 1.300,00 mas que estava com preço promocional de R$ 390,00. Minha dúvida era “a Bíblia diz que é para o presbítero ungir com óleo, se eu fizer o curso de presbítero, vou aprender ungir meu próprio óleo?”. Aqui ele sabia a resposta: “poderia sim”. Como por R$ 100,00 a 300,00 ganha-se um frasco do “óleo ungido da alegria”, seria um bom investimento, pois vendendo quatro frasquinho desses pago o título de presbítero.

Animado, perguntei sobre a linha do curso de teologia oferecido, se calvinista ou arminiana. A resposta: “calvinia” (sic). Quase me matriculei, mas pelo sim, pelo não, perguntei: “tenho amigos que diz que o homem não tem livre-arbítrio, que as pessoas são predestinadas pra salvação, fazendo o curso saberei dar uma explicação pra eles?” e a resposta rápida: “concerteza (sic), você tera mais conhecimento”. Decidido, pedi: “você pode me passar a grade do curso? o conteúdo? por email?” e o atendente: “acabei de mandar para você”.

Soli Deo Gloria

Fonte: [ Cinco Solas ]

Fazemos qualquer negócio!

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Por Renato Vargens

Na década de 80, o famoso comediante Chico Anísio tinha um programa humoristico na televisão Chamado "Escolinha do Professor Raimundo." Na época, um dos personagens que mais chamava a atenção era o Samuel Blaustein, que sempre que entrava em cena dizia: "Fazemos qualquer negócio."

Pois é, o quadro em questão me faz lembrar de algumas pessoas que no afã de alcançarem seus objetivos pessoais mentem descaradamente! Para estas, a mentira faz parte do negócio, afinal de contas o que importa é atingir seus objetivos pessoais. Um exemplo claro disso é a candidata do PT Dilma Rousseff, que para ser eleita, é capaz de jurar de "pés juntos" que é católica praticante. Ora, todos sabemos que Dilma nunca foi religiosa, e que já afirmou inúmeras vezes ser marxista. Em uma entrevista a Folha de São Paulo, ela até defendeu o aborto, só que agora, em virtude da pressão da sociedade, que é desfavorável ao assassinato de crianças, Dilma nega isso, só faltando afirmar para os eleitores brasileiros que é "filha de Maria."

Infelizmente nossa sociedade encontra-se tão adoecida, que para atingir os seus objetivos se faz "qualquer negócio" Na verdade, parece que vivemos debaixo de uma síndrome, onde o que é importa é prevalecer sobre o outro, independente de que pra isso precisemos mentir.

Caro leitor, como cristãos somos desafiados a não vivermos segundo as regras deste sistema. De maneira alguma podemos permitir que valores antiéticos e amorais conduzam nossas vidas.

Na perspectiva bíblica jamais nos será permitido negociarmos o inegociável, nem tampouco, instrumentalizarmos as pessoas com vistas ao nosso sucesso pessoal. Os pressupostos do reino nos motivam a vivermos uma vida justa, reta e equânime, onde nem sempre venceremos.

Pense nisso!

Renato Vargens
Fonte: [ Blog do autor ]

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Os pastores e a sua relação com o sermão

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Por: Renato Vargens

Freqüentemente ouvimos alguns pregadores afirmando que Deus mudou seu sermão na ultima hora. Claro que Deus pode fazer o que quiser, até porque, ele é Senhor e Soberano sobre nossas vidas. Entretanto, acredito que os que comumente fazem isto, demonstram não ter efetivamente se preparado para o culto, isto porque, se assim tivessem, teriam sido instruídos pelo Senhor quanto o sermão a ser pregado.

Diferentemente de muitos pastores do nosso tempo, o reformador francês João Calvino se preparava com afinco para pregar a Palavra de Deus. Calvino tratava de tal responsabilidade com muita seriedade. Ele pregava duas vezes a cada domingo e, em semanas alternadas, todos os dias da semana também. Isto soma a algo perto de 300 sermões ao ano, um total espantoso, especialmente quando alguém se lembra que ele também ensinava quase todo dia na Academia de Genebra.

Calvino via a pregação do evangelho como o centro da vida e obra da igreja. Ele cria que a pregação era central na igreja porque ela era o modo de Deus salvar o Seu povo, até o ponto dele se considerar também um ouvinte: "Quando eu subo ao púlpito não é para ensinar os outros somente. Eu não me retiro aparte, visto que eu devo ser um estudante, e a Palavra que procede da minha boca deve servir para mim assim como para você, ou ela será o pior para mim. "

Para o reformador a pregação da Palavra era um meio de graça para o povo de Deus - “Quando nos reunimos em nome de Deus”, ele dizia, “não é para ouvir meros cânticos" (diferentemente da nossa geração que valoriza extravagantemente o momento de louvor). Para Calvino, os que desenvolviam tais práticas se alimentavam exclusivamente de vento. Além disso, Calvino cria que a pregação deveria ser “sem exibição”, para que o povo de Deus pudesse reconhecer nela a Palavra de Deus e para que o próprio Deus, e não o pregador pudesse ser honrado e obedecido.

Caro leitor, em dias tenebrosos como os nossos, mais do que nunca necessitamos de pastores como o reformador João Cavino que com afinco se dedicava ao nobre oficio de pregar a Palavra de Deus.
Que Deus tenha misericórdia de nossa geração.

Pense nisso!

Renato Vargens
Fonte: [ Púlpito Cristão ]

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0 O coração, essa máquina tão poderosa quanto enganosa...

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O ser humano traz no interior de seu peito uma máquina poderosíssima, pela biologia denominada coração. Possui cerca de 12 cm de comprimento, 9 cm de largura e 6 cm de espessura, pesando aproximadamente 250 gr, medidas e peso estimado para o coração de uma pessoa adulta.

Essa pequena máquina possui três camadas: o endocárdio (seu revestimento interno), o miocárdio (porção muscular de sua parede) e o pericárdio (revestimento externo derivado das cavidades do celoma). O compartimento cardíoco de parede mais espessa e vigorosa é o ventrículo esquerdo, responsável pelo bombeamento do sangue através de toda a grande circulação.

Existem válvulas entre os compartimentos cardíacos, dentre eles os grandes vasos que a elas se ligam. Entre o átrio e o ventrículo direitos, se encontra a válvula tricúspide, a qual possui três folhetos membranosos. Quando da contração do átrio, ela se abre e permite que o sangue passe. Quando o ventrículo se contrai, ela se fecha e impede o refluxo de sangue para o interior do átrio.

Entre o átrio e o ventrículo esquerdos, situa-se a válvula mitral (ou bicúspide), com dois folhetos membranosos. Seu comportamento é similar ao da válvula tricúspide.

A contração do coração se chama sístole, e corresponde à fase de ejeção ou esvaziamento. O movimento de relaxamento e enchimento de suas câmaras chama-se diástole.

Mecanismos extremamente precisos ajustam a frequência dos batimentos cardíacos, garantindo a chegada de oxigênio e nutrientes na medida necessária para todas as partes do corpo.

O coração de um adulto bate cerca de 72 vezes por minuto e bombeia cerca de 7200 litros de sangue por dia. É uma bomba tão potente que é capaz de jogar o sangue a uma distância de 120 metros (!). Sim, mas enquanto como órgão humano é poderoso, como sede dos sentimentos, isto é, figuradamente, é enganoso ao extremo. Não por acaso, a Palavra nos afirma que "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?" (Jeremias 17.9). Nos informa ainda que "(...) do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias" (Mateus 15.19), além de centenas de outras referências bíblicas que podem ratificar essa verdade.

Mas o mais interessante é que, apesar de saber que ele é enganoso, muita gente se deixa levar por ele. Toma decisões segundo os seus próprios sentimentos (i.e., segundo o próprio coração) e tenta justificar com a assertiva de que "Deus falou comigo". Dessa maneira se colocam como Deus, uma vez que seguem seus próprios desejos. Depois não adianta reclamar...

Prezado, deixe de querer seguir o seu coração. Ele é enganoso. Tome decisões pautadas nos ditames da Palavra, que é bem melhor.
Deus abençoe sua vida.

Soli Deo Gloria

Alessandro Cristian
Fonte: [ Blog do autor ]

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O que foi impossível à lei. - João Calvino

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- ( Rm 8.3 ) -

O Senhor nos justificou em Cristo, movido por sua soberana misericórdia. Tal coisa é impossível à lei fazer. Todavia, visto que esta cláusula é por demais notável, examinemos cada uma de suas partes.

O apóstolo afirma em termos claros que os nossos pecados foram expiados pela morte de Cristo, visto que era impossível que a lei nos conferisse a justiça. Daqui se infere que muito mais nos é ordenado na lei do que somos capazes de fazer. Se fôssemos capazes de cumprir a lei, não teria sido necessário buscar remédio em outra fonte. Portanto, é simplesmente absurdo medir a força humana pelos preceitos da lei, como se Deus, ao ordenar o que é justo, houvera considerado o caráter e a extensão de nossas faculdades.

No que estava enferma pela carne. Para que ninguém imaginasse que o apóstolo estava sendo irreverente, acusando a lei de enferma, ou restringindo-a às simples observâncias cerimoniais, ele expressamente afirma que esta defecção não era devido a alguma falha na lei, e, sim, às corrupções de nossa carne. E preciso admitir que, se alguém pudesse satisfazer a lei divina em termos absolutos, então o mesmo seria justo diante de Deus. Portanto, o apóstolo não nega que a lei seja suficiente para justificar-nos no que respeita à doutrina, visto que a mesma contém a norma perfeita de justiça. Contudo, visto que nossa carne não atinge essa justiça, todo o poder da lei falha e se desvanece. Por isso não é difícil refutar o erro ou, antes, a ilusão daqueles que imaginam que Paulo está privando somente as cerimônias da virtude de justificar. Porquanto Paulo expressamente põe a culpa em nós mesmos, e declara que ele não encontra falha na própria doutrina da lei.

Além do mais, é preciso que entendamos a enfermidade da lei no sentido em que o apóstolo usualmente toma a palavra, a qual significa não simplesmente uma leve fraqueza, e, sim, impotência. Ele adota este sentido com o fim de enfatizar que não é absolutamente a função da lei conceder justiça. Vemos, pois, que estamos inteiramente excluídos da justiça de Cristo, visto que não pode haver justiça em nós mesmos. Tal conhecimento é especialmente necessário, porque jamais seremos vestidos com a justiça de Cristo, a menos que antes saibamos com certeza que não possuímos em nós qualquer justiça que mereça chamar-se nossa. A palavra carne é sempre usada no mesmo sentido, significando nós próprios. A corrupção, pois, de nossa natureza torna a lei de Deus de nenhuma utilidade para nós. Embora nos mostre o caminho da vida, ela não nos impede de nos precipitarmos de ponta cabeça na morte.

Isso fez Deus enviando seu próprio Filho. Ele agora mostra a maneira como nosso Pai celestial nos restaurou à justiça por intermédio de seu Filho. O Pai condenou o pecado na carne de Cristo, ou seja: ao cancelar o escrito de dívida [Cl 2.14], ele aboliu a culpa que nos mantinha condenados na presença de Deus. A condenação proveniente do pecado nos trouxe para a justiça, porque, visto que nossa culpa foi desfeita, estamos absolvidos, de sorte que Deus nos considera justos. Em primeiro lugar, contudo, Paulo afirma que Cristo foi enviado, a fim de lembrar-nos que a justiça de forma alguma reside em nós, já que devemos buscá-la nele. E em vão que os homens confiam em seus próprios méritos, porquanto são justos somente através do beneplácito de outro, ouse apropriam da justiça procedente da expiação que Cristo efetuou em sua carne. Cristo, diz ele, veio na semelhança de carne pecaminosa. Embora a carne de Cristo fosse incontaminada por qualquer mancha, ela tinha a aparência de pecaminosidade, visto que levava em si o castigo devido aos nossos pecados. Certamente, a morte manifestava, na carne de Cristo, cada partícula de seu poder, como se sua carne se sujeitasse [espontaneamente] à morte. Visto que nosso Sumo Sacerdote tinha que aprender, de experiência própria, o que significa participar da fraqueza [Hb 4.15], aprouve a Cristo carregar nossas enfermidades, a fim de poder inclinar-se para nós com mais compaixão. Neste aspecto, também, transpareceu nele uma certa semelhança [—imago] com a nossa natureza pecaminosa.

Fonte: [O Calvinista]

Movimento "O $how Tem Que Parar!" em Recife

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"Porque nada podemos contra a verdade, senão pela verdade.”(2 Co 13.8)

Por Gaspar de Souza

No último dia 25 de setembro de 2010 aconteceu em Recife, no bairro de Boa Viagem, a conhecida “Marcha para Jesus”. Nós, Cristãos Protestantes, estivemos lá. Mas não fomos para dançar, pular, declarar que “Recife é do Sinhor Gezuis”, não fomos “profetizar virado para os edifícios à beira mar”, não fomos “derrubar muralhas” – havia muitas “mulheres evangélicas” vestidas e dançando de tal forma que eram capazes de derrubar muitos...hehehe... misericórdia – não fomos “marchar para o Gezuis” da Marcha. Não! Fomos para um protesto, tal como nos declaramos: fomos ser protestantes.


Seguindo o exemplo do movimento “Marcha Pela Ética Evangélica Brasileira – O $how tem queparar!”, que começou em São Paulo com os irmãos Paulo e Vera Siqueira, uma turma composta por dez jovens (eu não tão jovem assim, não é?) foi às ruas de Recife portanto faixas e camisas contendo versos bíblicos (1 Tm 6. 3 – 10; 2 Pe 2.3a) e o dizer “Voltemos ao Evangelho Puro e Simples. O $how tem que Parar!”.

Nos encontramos na Igreja Presbiteriana dos Guararapes, pastoreada pelo Rev. Gaspar de Souza (eu de chapéu) e, de lá, seguimos até o centro da passeata. Estávamos apreensivos ao que poderia acontecer. E, de fato, aconteceram algumas coisas. Ficamos pouco mais de 200 metros do primeiro trio-elétrico. Ali mesmo abrimos as faixas, o que logo chamou a atenção de muitos. Procuramos ficar próximos para evitar algum atrito e isolamento do pequeno grupo.


Qual não foi a nossa surpresa ao encontrarmos manifestação de apoio, como o rapaz aí no vídeo que disse que encomendou a camisa, mas ainda não havia chegado. Outras manifestações foram altamente positivas, como a do irmão de Guiné-Bissau aí no vídeo, que indignado chamou o evento de “pura babilônia”.


Claro que nem tudo são flores. Uma senhora, vestindo camisa da “Marcha”, ameaçava-nos processar porque estávamos filmando o evento. Outros nos mandaram “evangelizar os gays, na parada gay”. Em toda ocasião procuramos ficar calados e não responder às provocações. Apenas quando alguém nos perguntava o motivo do protesto, respondíamos e filmávamos. Em outra ocasião, os “abre-alas ou porta-bandeiras” da Marcha pararam em frente às faixas, talvez tentando barrar a massa ignara da leitura dos textos. Outro episódio foi de uma mãe que, ao ver o filhote fotografando uma das faixas, perguntou ao moleque: “é isso que você quer pra você? Eu não quero isso não!”. Parece-nos que a faixa era a que dizia: “voltemos ao Evangelho Puro e Simples!”

O que presenciamos foi um show de horrores, um babilonismo; assemelhava-se às saturnálias romanas; era uma evento dionisíaco, sem a embriaguez e as orgias explícitas, mas com as “dancinhas sensuais” embaladas pelo “timbalada gospel” do “expresso suingueira” e “expresso louvadeira”. Tinha mãozinha aos altos, os “sai do chão”, as “reboladas gospel”, “trenzinho gospel”, “mãozinhas gospel nos joelhos gospel”. Até um boneco (parecido com os da “turminha da graça” do R.R. Soares) distribuía – no Recife a gente diz que estava “fazendo bamburim” – pacotinhos de biscoitos para os “miseráveis da fé”. Lembrei-me do “pão e circo”.


Enquanto isso, um “abre-alas” chegou a ler uma de nossas faixas. Um momento cômico foi quando a chuva começou a cair. Os “poderosos da fé” levantaram as mãos aos céus e começaram a repreender a chuva! Putz! E o pior! Pareceu-nos que eles não tinham tanta fé assim, pois começaram a cobrir os trio-elétricos com os toldos...kkkkkk. Os caras nem perceberam a contradição entre o que estavam fazendo e o que estavam dizendo.

A cada trio, lá estava a multidão pulando, correndo, requebrando, berrando, misturando os comícios políticos – não faltou oportunista na ocasião. Até a Shirley Carvalhaes estava no trio. Como candidata, claro. Bandeiras de apoio a político e partidos; propagandas de aguardentes (Pitú e 51) e alguns “Após Tolos” de plantão.

Ficamos até o último trio, quando a chuva caiu mais fortinha. Os garis da Emlurb (Empresa de Limpeza Urbana) – Prefeitura de Recife – estavam lá para limpar a sujeira. Claro, ao fazerem isto, foram pagos com dinheiro de TODOS os Contribuintes de Recife, quer fosse evangélicos, católicos, ateus, espíritas ou sem religião. Enfim, os “de Gezuis” fazem a “Marcha” da saturnália, e TODOS pagam...

Agradecemos a todos que participaram conosco: Danilo, Teófilo, Tatyana, Ana, Mirian, Davison e as duas meninas (Danilo, por favor, coloque os nomes delas, ok?). A todos que apoiaram este protesto, os nossos agradecimentos. Querendo Deus, no próximo ano estaremos lá novamente. Ainda este ano enfrentaremos outro evento que acontecerá aqui em Recife. Aguardem notícias.

Rogamos a Deus que as suas ovelhas sejam acordadas para o engodo que é a tal Marcha.

Mais Fotos. O vídeo já foi editado. Aguardem para a postagem.


Davison e Taty


Esta senhora nos ameaçava....


Danilo, Rhyane e Teófilo


A marca de uma famosa aguardente aqui na região


Marcha e Campanha Política


Indo em direção aos Trios

Postado por Gaspar de Souza
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Fonte: Eis Nosso Tempo!
Extraído de: [ Blog dos Eleitos ]
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A igreja de Cristo e os Desafios do Novo Milênio

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Vivemos numa época chamada por muitos de “pós-moderna”, caracterizada por forte desconfiança da razão, muitas e novas “verdades”, individualismo e consumismo. Há uma semelhança muito grande entre o nosso tempo e a época em que o cristianismo surgiu. O que temos visto é o ressurgimento de uma cultura pagã, muito parecida com a cultura do tempo de Jesus e dos apóstolos. A Igreja Cristã hoje é ignorada pelo mundo, tendo que lutar por sua sobrevivência ao lado de muitos outros movimentos religiosos. Estas mudanças, que estão ocorrendo no mundo, tem tido poderosa influência sobre nossa doutrina, nossa pregação e nossa forma de ser igreja. Este estudo é dividido em duas partes. Na primeira, examinaremos brevemente o impacto na igreja de uma forma de pensar “pós-moderna”, e, na segunda parte, examinaremos onde a história da Igreja pode nos ajudar a mantermos a fé evangélica de forma fiel à herança cristã.

1. Qual o impacto da forma de pensar de nosso tempo na vida da igreja?

O impacto da “pós-modernidade” pode ser visto de forma muito forte no meio evangélico hoje. Atualmente é cada vez menor o número de pessoas que buscam adorar a Deus “em Espírito e em verdade” (Jo 4.24). Em nossas igrejas temos visto a influência deste novo paganismo, levando nossas comunidades a adotar ordens de culto em que o sentimento de reverência cede lugar à descontração e o bem-estar do adorador torna-se mais importante que a sua humilhação e dedicação a Deus. O Senhor Deus é transformado numa espécie de “força”, disponível sempre que necessário, mas que não incomoda. Louvor e adoração espontânea são a ênfase dos cultos – a pregação da Palavra de Deus muitas vezes é desprezada! Neste contexto, o canto e o louvor produzem um elevado clima emocional, onde é proposta uma “teologia” que não se apóia muito numa doutrina, mas que é baseada numa experiência emocional dos crentes, sem um apelo à razão. Por outro lado, o que podemos constatar é que a emocionalidade buscada pelos cristãos muitas vezes é pobre em relações de amizade profundas e verdadeiras. É por isso que poderíamos sugerir que a igreja tem sido influenciada pelo discurso pós-moderno, preso às emoções e individualista. O importante é só o que o fiel consegue experimentar!

A crítica atual à razão e à instituição, além de promover divisões nas igrejas, as tem deixado sem defesa para as novas tendências teológicas. Por isso, os cristãos de hoje não vêem dificuldades nem empecilhos em assumir conceitos e palavras que fazem parte de outros grupos religiosos, inclusive surgidos em esferas opostas ao cristianismo. Podemos ver esta descaracterização do evangelho naqueles que acreditam em “simpatias”, copos d’água em cima do rádio (ou televisão) e benzedeiras, imitando o catolicismo popular, criando até mesmo uma versão “evangélica” das superstições populares da Idade Média, como vendas de “óleo ungido”, “água do Rio Jordão”, etc. Outros entram em “transe” nas reuniões, e outros viajam quilômetros somente para orar com alguém que, supostamente, tem dons especiais, ou que sua oração é “mais poderosa”. Mesmo os cultos de origem africana, como o candomblé e a macumba, encontram certa semelhança em algumas igrejas evangélicas, onde indivíduos caem e rolam no chão, supostamente possuídos por demônios, tais como os possuídos por “espíritos” nos “cultos afros”. Até o discurso de tais reuniões é usado em meio à obsessão por demônios, pela qual passa a igreja evangélica no Brasil (“maldição hereditária”, “amarrar espíritos”, “tranca-ruas”, etc.). A própria simplicidade bíblica (Fp 4.11; 1Tm 6.8; Hb 13.5) é substituída pela teologia da prosperidade com seu vocabulário sem significado, “eu repreendo”, “eu declaro”, “tá amarrado”.

O mais trágico é que há igrejas ensinando que para uma pessoa ser salva ela precisa cumprir uma elaborada lista de itens, da qual constam: receber o Senhor Jesus como único salvador, participar das “reuniões de libertação” da igreja para se ver livre do diabo, buscar o batismo com o Espírito Santo, andar em santidade, ler a Bíblia diariamente, evitar más companhias, ser batizado, freqüentar as reuniões de membros da igreja, ser fiel nos dízimos e nas ofertas e orar sem cessar e vigiar. Essas igrejas acabam confundindo salvação com santificação. E, pior ainda, mesmo cumprindo toda a lista, no entender destas igrejas, um cristão pode vir a perder a salvação. Mas as Escrituras claramente nos ensinam que homens e mulheres pecadores são salvos somente pela fé, somente em Cristo! Parece que os dirigentes destas igrejas nunca leram as epístolas de Paulo aos Romanos e aos Gálatas!

Estas tendências são extremamente perigosas, porque o cristianismo, que sempre sofreu ameaças de ser seduzido pela cultura de seu tempo (e por vezes sucumbiu a ela), mais uma vez está diante deste desafio. A cultura do prazer, do individualismo, das soluções mágicas de nosso tempo, de um “deus” que pode ser manipulado através de técnicas, tem agora o seu representante “cristão”. A partir desse quadro, podemos facilmente perceber que o resultado será uma espiritualidade sem significado. É interessante notar que as antigas confissões de fé cristãs, seguindo os ensinamentos das Escrituras, afirmavam que a pureza ou não de uma igreja se mede pela fidelidade com o qual o Evangelho é pregado (o que inclui as doutrinas centrais do cristianismo) e as ordenanças celebradas (o que aponta para a teologia prática das igrejas), e não pela quantidade de membros que elas conseguirem!

2. Aprendendo da História: uma direção para a Igreja

(1) Se desejamos ser uma igreja fiel, precisamos redescobrir as doutrinas centrais da fé cristã – e isto não é pouca coisa! Precisamos estudar todas as doutrinas bíblicas, buscando saber quais são aquelas que são vitais para nossa salvação, e quais são as que podemos ter opiniões diferentes. Então, a partir deste ponto, devemos pregar e ensinar doutrinariamente, enfatizando a centralidade das Escrituras, a doutrina da trindade, que nos ensina que Deus é o Pai, o Filho e o Espírito Santo, o ofício e a obra de Cristo, verdadeiro Deus, verdadeiro homem, o pecado e a culpa, expiação, regeneração, a fé e o arrependimento, a justificação, a santificação como obra do Espírito, julgamento, céu e inferno, e, em tudo isto, denunciando o cristianismo hipócrita e nominal. Tragicamente temos sido afastados “da simplicidade e da pureza que há em Cristo Jesus” (1Co 11.4). Nossa atenção também precisa ser chamada para o fato de que a verdadeira doutrina é que produz a unidade na Igreja (Ef 4.1-16).

(2) Agora, uma palavra especial para aqueles que têm servido à igreja na pregação e no ensino. Não basta apenas uma recuperação teológica, pois se nossa teologia não serve para ser pregada, então ela é uma má teologia. Precisamos recuperar uma pregação bíblica e doutrinária. Precisamos de pregadores expositivos, que busquem pregar toda a Palavra de Deus, e saibam que só o Espírito Santo, ligado à Palavra, pode salvar pecadores. O que é a pregação expositiva? Talvez, melhor do que definir, seja ilustrar. Martinho Lutero (1483-1546) pregava da seguinte forma para sua congregação: no domingo, às 5h: Epístolas Paulinas; às 9h: os Evangelhos; à tarde: o catecismo; segundas e terças: o catecismo; quarta: Evangelho de Mateus; quinta e sexta: Epístolas Gerais; sábado: Evangelho de João. Em nosso tempo, D. M. Lloyd-Jones (1899-1981) pregou dez anos na Epístola aos Romanos, e seis anos na Epístola aos Efésios – e sua igreja ficava lotada! Lutero, Lloyd-Jones e outros que têm seguido este método de pregação, têm buscado enfatizar “todo o conselho de Deus” (At 20.27), ensinando toda a Bíblia para o povo.

No tempo da Reforma, a promoção deste tipo de pregação era um claro ataque contra os métodos de ensino católicos. Estes usavam a dramatização, que era chamada de “dramatização dos mistérios”, quando atores profissionais eram pagos para, junto ao altar, representar diante do povo, que eles consideravam incultos e incapazes, as verdades das Escrituras – que muitas vezes eram romanceadas! Mas, segundo uma antiga confissão de fé, “a pregação da Palavra de Deus é a Palavra de Deus”! Então, por causa de seu alto conceito das Escrituras (1Tm 3.16; 2Pe 1.19-21), por entender que a exposição da Palavra é o meio de salvação (Rm 10.13-17; 1Pe 1.23), e que o homem, por ter a imagem de Deusé um ser com capacidades racionais, nossos pais espirituais rejeitaram estes acréscimos. O único “sacramento” que eles aceitaram era a pregação da Palavra. Além disto, a pregação bíblica não pode ficar de fora dos cultos, pois é parte integrante da adoração. Precisamos voltar a ensinar toda a Palavra, não apenas aquilo que gostamos mais, ou que nos é mais familiar, mas toda a Palavra de Deus. Quando o fiel ensino e a pregação da Palavra são negligenciados, sempre surgirão superstições e crendices dentro da própria igreja evangélica. Esta ênfase se torna mais urgente quando vemos que, em recente pesquisa, a Sociedade Bíblica Ibero-americana divulgou que 51% dos pastores evangélicos no Brasil nunca leram a Bíblia inteira! A ênfase que Jesus dá a crermos nele “como diz a Escritura” nos ensina que a doutrina correta tem poder para produzir vida (Jo 7.37-39)!

(3) Precisamos redescobrir uma nova forma de ser igreja. O Novo Testamento oferece limites para sermos igreja, mas dentro destes limites há muita liberdade para adaptações às mudanças que aparecem nos diferentes lugares e épocas. Partindo deste ponto, precisamos reafirmar de forma criativa a vida em comunidade. Para isto devem ser encorajados meios para incluir os vários dons espirituais dos cristãos no ministério de nossas igrejas, lembrando que cada crente é importante e tem um ministério necessário no Corpo de Cristo (Rm 12.4-8; 1Co 12.8-11, 28-30; Ef 4.11-16; 1Pe 4.8-11). Ao mesmo tempo, todos os membros deveriam estar conscientes de suas responsabilidades de mútua submissão e auto-doação na igreja em que participam (Ef 5.18-21). A igreja, enquanto estabelecida por verdades bíblicas, existe para nutrir relações de cuidado entre seus membros (1Co 13.1-13). Para imitar a igreja do Novo Testamento, a igreja local tem que cultivar amizades profundas. Cultos nos lares, núcleos de estudos bíblicos, retiros e outras formas de comunhão contribuem para reunir em amor o povo de Deus, exaltando a alegria e o amor da Trindade, antecipando a comunhão abençoada do céu.

O preço do discipulado e a disciplina precisam novamente ser enfatizados na igreja, pois o que tem prevalecido em nosso meio é conhecido como “graça barata”. Não podemos nos deixar de espantar com o ataque de Dietrich Bonhoeffer (1906-1945) contra esta perversão da livre graça de Deus: “Graça barata significa a graça vendida no mercado como quinquilharia ordinária… Graça barata não é o tipo de perdão que nos liberta dos laços do pecado. Graça barata é a graça que concedemos a nós mesmos. Graça barata é a pregação do perdão sem a exigência do arrependimento, batismo sem disciplina na igreja, comunhão sem confissão, absolvição sem confissão pessoal. Graça barata é a graça sem discipulado, graça sem a cruz, graça sem Jesus Cristo vivo e encarnado”.

Precisamos também recuperar o rico conceito bíblico de sacerdócio de todos os crentes (1Pe 2.5,9; Ap 1.6; 5.10; 20.6). Segundo Lutero, todo cristão é sacerdote de alguém, e somos todos sacerdotes uns dos outros. Este sacerdócio deriva diretamente de Cristo, pois “somos sacerdotes como Ele é sacerdote”. É uma responsabilidade tanto quanto um privilégio: “O fato de que somos todos sacerdotes significa que cada um de nós, cristãos, pode ir perante Deus e interceder pelo outro. Se eu notar que você não tem fé ou tem uma fé fraca, posso pedir a Deus que lhe dê uma fé sólida.” Não podemos ser cristãos sozinhos, precisamos da “comunhão dos santos”: uma comunidade de intercessores, um sacerdócio de amigos que se ajudam, uma família em que as cargas são compartilhadas e suportadas mutuamente. Nem todos podem ser pastores, mestres ou conselheiros. Há um só “estado” (todos os cristãos são sacerdotes), mas uma variedade de funções (cada cristão tem um chamado específico da parte de Deus, para glorificá-Lo no mundo). Em todas estas coisas, somos ensinados que Deus, em Cristo, por meio do Espírito, nos chama como indivíduos para vivermos em comunidade, pois não existe uma fé solitária segundo o Novo Testamento (Hb 10.19-25).

Conclusão

Num tempo de mudanças tão profundas e complicadas, temos diante de nós uma grande tarefa – a de, na dependência do Espírito, orar, pregar e ensinar, de tal forma que a Igreja de Cristo passe da infantilidade para a maturidade (Ef 4.11-16). Uma petição do Livro de Oração Comum expôs toda nossa responsabilidade e toda a nossa esperança na tarefa de proclamarmos com força renovada a fé evangélica: “Todo-poderoso e eterno Deus, que pelo Espírito Santo preside no concílio dos apóstolos, livra-nos do erro, da ignorância, do orgulho e do preconceito; e confiados em tua misericórdia, te imploramos, dirige, santifica e governa sobre nosso trabalho, pelo grande poder do Espírito Santo, a fim de que o confortante evangelho de Cristo seja verdadeiramente pregado, verdadeiramente recebido e verdadeiramente seguido em todos os lugares, para a derrota do reino do pecado de Satanás e da morte; até que ao fim todas as tuas ovelhas dispersas, juntadas no teu aprisco, se tornem participantes da vida eterna; pelos méritos e morte de Jesus Cristo, nosso Salvador. Amém”.

Autor: Franklin Ferreira, é teólogo, escritor e editor da Editora Fiel.
Fonte: [ Púlpito Cristão ]
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