Sobre a idolatria evangelica

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O evangélico é idólatra! Tenho ministrado em alguns grandes congressos e o nível de idolatria assusta. Basta o cantor (ou pregador) ser famoso e pronto, está deflagrado o processo idólatra. Olhinhos brilhando, tietagem, lágrimas, milhares de fotos, celulares brotando do chão, em alguns lugares gritos eufóricos tiram Cristo do foco e assassinam o sagrado.

A mentalidade evangélica do show não é mais novidade - e a idolatria também não - tanto que já não choca, não "escandaliza" ninguém. Já não se respeita o lugar do culto, a ambiência do sagrado, o momento da adoração. O que importa é tirar fotos com o ídolo, abraçar, chorar, entronizar o novo deus do instante.

Os chamados "artistas gospel" adoram isso tudo! Basta ver em seus rostos a expressão de êxtase por estarem na mira dos holofotes. Notei o modus operandi desses deuses de hoje: as mesmas técnicas dos "artistas" seculares em seus shows: "Joga a mão pra cima!" Enquanto o "culto" se desenrola em sua forçada normalidade, o povo tenta esconder sua alarmante ansiedade pelo show, até que chega o momento esperado: "com vocês: o nosso deus!" E o povo... abraça a idolatria em sua mais nefasta expressão - a substituição do Deus verdadeiro pela cópia bizarra do momento.

Eugene Peterson escreveu: "Gostamos dos ídolos porque gostamos secretamente da ilusão de controlá-los. São deuses destituídos de divindade para que nós possamos continuar a ser deuses de nós mesmos. A adoração de ídolos (em todas as dimensões: céu, terra, embaixo da terra) sempre foi o jogo religioso predileto. A adoração de ídolos é o vazio batizado de espiritualidade" Dt. 5. 8-10.

Não preciso lembrar que a idolatria é um pecado que fere profundamente o coração de Deus, preciso? O grande problema na adoração aos ídolos é a inversão teológica que é feita. Passa-se a adorar o objeto criado ao invés do Criador de todas as coisas (Rm. 1.19-23). Alguns estudiosos trabalham com a ideia de que o deus de uma pessoa é aquilo a que ela dedica seu tempo, seus bens e seus talentos; aquilo a que ela se entrega. A ideia teológica dessa linha de pensamento é a de que sempre que alguém, ou algum objeto, ou até mesmo alguma função ocupa o lugar central em nosso coração, mente e intenção, torna-se um ídolo, porque tomou o lugar que pertence a Deus (Mt. 22.37).

Não há problema em gostar do trabalho de alguém, ou mesmo tirar uma foto com ele(a), mas a questão é: dentro do templo? No ambiente do culto? Qual é a intenção em celebrar tão desesperadamente alguém? Em matéria de idolatria, todo cuidado é pouco.

A W Tozer disse: "Um ídolo na mente é tão ofensivo a Deus quanto um ídolo na mão".

Até mais...

Autor: Alan Brizotti
Fonte: [ Blog do autor ]

As heresias do Cristianismo Judaizante.

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Por Renato Vargens

Uma das mais novas crenças dos denominados evangélicos é o cristianismo judaizante. Na verdade, este movimento religioso e herético é a nova febre da atualidade. Isto porque, alguns dos evangélicos têm introduzido praticas vetero-testamentárias nos cultos e liturgias de suas igrejas. Na verdade, tais pessoas têm declarado que o resgate dos valores judaicos é uma revelação de Deus a igreja contemporânea, cujo slogan é “Sair de Roma e voltar para Jerusalém”

Estes modernos fariseus têm disseminado praticas como:

  • Tocar de costas para a congregação, por considerar os ministros de musica “levitas de Deus”.
  • Usar o Shofar, para liberar unção ou invocar a presença divina.
  • Guardar o sábado fezendo dele o dia do Senhor.
  • Observar TODAS as festas Judaicas.
  • Usar o Kipá e o Talit, que são as vestimentas que os judeus praticantes usam para ir a sinagoga.
  • Usar excessivamente símbolos judaicos tais como, a bandeira de Israel, o Menorah ou a Estrela de Davi dentre tantos outros mais.
  • Construir protótipos da Arca da Aliança a fim de simbolizar entre os cristãos a presença de Deus.
  • Mudar os nomes e as nomenclauras bíblicas judaizando tudo, a ponto de chamar Paulo de Rabino.
Caro leitor, não existem pressupostos bíblicos para que a igreja de Cristo, queira “recosturar” o véu do templo. Entretanto, alguns dos crentes atuais teimam em transformar em realidade aquilo que deveria ser uma simples sombra. Foi o Apostolo Paulo quem afirmou: "Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber ou por causa de dias de festa, ou de lua nova, ou de sábados. Estas são sombras das coisas futuras; a realidade, porém, encontra-se em Cristo", Colossences 2.16-17.

As leis cerimoniais judaicas, os ritos sacrificiais, as festas anuais, foram abolidas definitivamente por Cristo na cruz do calvário(o significado de cada uma delas se cumpriu em nosso Senhor). Por esse motivo, mesmo os judeus que se convertem hoje ao cristianismo estão dispensados das leis cerimoniais judaicas. É por esta razão que crentes em Jesus, não fazem sacrifícios de animais, não guardam o sábado, não celebram as festas judaicas, não se prostram diante a Arca da Aliança e nem tampouco fazem uso do shofar.

Nossa mensagem, vida e testemunho deve ser Cristo, o Evangelho pregado deve ser o evangelho de Cristo, nossa mensagem central deve ser para a gloria e o engrandecimento do nome de Cristo.

Soli Deo gloria!

Fonte: [ Blog do autor ]
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Como pregar o evangelho

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Por: Martyn Lloyd Jones

A apresentação do evangelho é assunto sempre importante, pelas consequências eternas que dependem da nossa atitude para com o evangelho. Para mim não há necessidade de argumentar que é especialmente importante nos dias atuais por duas razões: a apostasia geral, o fracasso da parte das igrejas em não apresentarem o evangelho de Jesus do modo como deveria ser apresentado; e a consequente impiedade e o consumado materialismo que crescentemente, caracterizam a vida do povo. Também é um assunto de urgente importância, em face da natureza dos tempos pelos quais estamos passando. A vida é sempre incerta, mas é excepcionalmente incerta hoje. (…)

Que privilégio maravilhoso o Senhor Deus Todo-poderoso confiar a homens como nós esta obra de propagar e pregar o evangelho! Ao mesmo tempo é uma responsabilidade tremenda. (…)

Este assunto é tão amplo e importante que, obviamente, é impossível tratar dele adequadamente numa só preleção. Tudo o que posso fazer é selecionar o que considero como alguns dos mais importantes princípios relacionados com ele; procurarei ser tão prático quanto poder. (…)

Agora se me fosse pedido falar sobre este assunto em certos círculos, meu primeiro trabalho seria tentar definir a natureza do evangelho, e eu iria adiante e perguntaria: o que é o evangelho? Em muitos círculos as pessoas se extraviaram; caíram em heresias; pregam um evangelho que, para nós, não é evangelho nenhum. Pode ser que alguns de vocês perguntem: “Será necessário gastar tanto tempo no estudo da apresentação do evangelho? Não seria uma coisa que podemos considerar ponto pacífico? Se o homem crê no evangelho, ele está incumbido de apresentá-lo do jeito certo. Se um homem é ortodoxo e crê nas coisas certas, a sua aplicação do que ele crê é algo que cuidará de si mesmo”. Isso, para mim é um erro muito grave; e quem quer que seja tentado a falar assim, não somente ignora a sua própria fraqueza, porém, ainda mais, ignora o adversário das nossa almas, que está sempre tentando frustrar a obra de Deus.

(…) Tomo como prova dois exemplos: Há, por exemplo, homens que parecem evangélicos em sua crença e doutrina; são perfeitamente ortodoxos em sua fé e, todavia, a obra que realizam é completamente infrutífera. Jamais conseguem quaisquer resultados; nunca ficam sabendo de algum convertido resultante do seu trabalho e do seu ministério. Eles são tão firmes quanto você, entretanto o ministério deles não leva a nada. Por outro lado – e esta é a minha Segunda prova – há aqueles que parecem conseguir resultados fenomenais do seu trabalho e dos seus esforços. Empreendem uma campanha, ou pregam um sermão e, como resultado, há numerosas decisões por Cristo, ou o que eles chamam de “conversões”. Contudo, muitos desses resultados não duram; não são permanentes; são apenas de natureza temporária ou passageira. Qual a explicação desses dois casos? (…) Há uma lacuna entre o que o homem crê e o que ele apresenta em seu ensino ou pregação. O perigo quanto ao primeiro tipo é o de apenas falar ACERCA do evangelho, exulta nele; porém, em vez de pregar o evangelho, ele o elogia, diz coisas maravilhosas sobre ele. O tempo todo fica simplesmente falando sobre o evangelho, em vez de apresentar o evangelho. O resultado é que, embora o homem seja altamente ortodoxo e firme, o seu ministério não mostra resultado nenhum.

O perigo quanto ao segundo homem é o de interessar-se tanto e preocupar-se tanto pela aplicação do evangelho e pela obtenção de resultados, que deixa abrir-se uma brecha entre o que ele está apresentando (aquilo que ele crê) e a concreta obtenção dos resultados propriamente dito. Como eu disse, não basta você crer na verdade; você deve ter o cuidado de aplicar da maneira certa o que você crê.

Métodos de Estudo

Há dois meios principais pelos quais podemos estudar este assunto da apresentação do evangelho. O primeiro é estudar a Bíblia mesma, com especial referência a Atos dos apóstolos e às Epístolas do Novo Testamento. Isso deve ser posto em primeiro lugar, se queremos saber como se faz este trabalho. Devemos retornar ao nosso livro-texto, a Bíblia. Devemos retornar ao modelo primitivo, à norma, ao padrão. Em Atos, e nas Epístolas é-nos dito, uma vez por todas, o que é a Igreja Cristã e como é, e como se deve realizar a sua obra. Devemos sempre certificar-nos de que os nosso métodos estão em harmonia com o ensino do Novo Testamento.

O segundo método é suplementar; é fazer um estudo da história da Igreja Cristã subsequente aos tempos do Novo Testamento. Podemos concentrar-nos especialmente na história dos avivamentos e dos grandes despertamentos espirituais; e também podemos ler biografias dos homens que no passado foram grandemente honrados por Deus em sua apresentação do evangelho. Mas devemos notar aqui um princípio da maior importância. Quando digo que é bom fazer um retrospecto e ler a história do passado e as biografias de grandes homens que Deus usou no passado, espero que esteja claro em nossas mentes que precisamos retornar para além dos últimos 100 anos. Vejo muitos bons evangélicos que parecem ser de opinião que não houve nenhum real labor evangelístico até por volta de 1870. Há os que parecem pensar que não se conheceu obra evangelística antes do surgimento de Moody. Conquanto demos graças a Deus pela gloriosa obra realizada nos últimos 100 anos, eu os conclamo a fazerem um estudo completo da história pretérita da Igreja. Vão até o século dezoito. Vão até o tempo dos puritanos, e para mais atrás ainda, à Reforma Protestante. Retrocedam mais ainda, e estudem a história daqueles grupos de evangélicos que viveram no continente europeu na época em que o catolicismo romano detinha o poder supremo. Vão direto aos Pais Primitivos que defendiam idéias evangélicas. É uma história que pode ser rastreada ininterruptamente até a própria Igreja Primitiva. Esse estudo é de importância vital, para que não venhamos a supor, em função de uma falsa visão da história, que a obra evangelística só pode ser feita de uma certa maneira e com a aplicação e o uso de certos métodos.

Eu gostaria de recomendar a vocês um bem completo estudo daquele teólogo americano, Jonathan Edwards. Foi uma grande revelação para mim, descobrir que um homem que pregava como ele podia ser honrado por Deus como o foi, e Ter tão grandes resultados para o seu ministério como teve. Ele era um grande erudito e filósofo, que redigia cada palavra dos seus sermões. Tinha vista fraca, e costumava ficar no púlpito com o seu manuscrito numa das mãos e uma vela na outra e, conforme lia o seu sermão, homens não somente foram convertidos, mas alguns deles literalmente caíam no chão sob a convicção de pecado sob o poder do Espírito. Quando pensamos na obra evangelística em termos de evangelização popular dos 100 anos recém-passados, acho que poderíamos ser tentados a dizer que um homem que pregasse daquela maneira não teria a menor possibilidade de obter conversões . todavia, ele foi um homem usado por Deus no Grande Despertamento ocorrido no século 18. Assim, eu os concito a se entregarem completamente ao estudo da história da Igreja e das coisas grandiosas que Deus fez em várias eras e períodos. Aí estão, pois, as duas linhas mestras que seguiremos na abordagem deste assunto – o estudo da Bíblia e um estudo da Igreja Cristã.

Os Princípios Fundamentais

O objetivo supremo desta obra é glorificar a Deus. Esse é o ponto central. Esse ;é o objetivo que deve dominar e sobrepujar todos os demais. O primeiro objetivo da pregação do evangelho não é salvar almas; É GLORIFICAR A DEUS. Não se tolerará que nenhuma outra coisa, por melhor que seja nem por mais nobre, usurpe esse primeiro lugar.

O único poder que realmente pode realizar esta obra é o Espírito Santo. Quaisquer que sejam os dons naturais que um homem possua , o que quer que um homem seja capaz de fazer como resultado das suas propensões naturais, o trabalho de apresentar o evangelho e de levar àquele supremo objetivo de glorificar a Deus na salvação dos homem, é um trabalho que só pode ser feito pelo Espírito Santo. Vocês vêem isso no próprio Novo Testamento. Sem o Espírito, é-nos dito, não podemos fazer nada. (Desde os tempos bíblicos até a história da igreja nos mostra que somente através da obra do Espírito Santo é que o evangelho foi pregado com poder e autoridade).

O único e exclusivo meio pela qual o Espírito Santo opera é a Palavra de Deus
. Isso é algo que se pode provar facilmente. Vejam o sermão que foi pregado por Pedro no dia de Pentecoste. O que ele fez realmente foi expor as Escrituras. Ele não se levantou para relatar as suas experiências pessoais. Ele deu a conhecer as Escrituras; esse foi sempre o seu método. E esse é também o método característico de Paulo, como se vê em Atos 17:2: “disputou com eles sobre as Escrituras”. No trato com o carcereiro de Filipos, vocês vêem que ele pregou-lhe Jesus Cristo e a Palavra do Senhor. Vocês recordarão as suas palavras na Primeira Epístola a Timóteo, onde ele diz que a vontade de Deus ;e que todos os homem sejam salvos e sejam levados ao conhecimento da verdade (1 Tm.2:4). O meio usado pelo Espírito Santo é a verdade.

A verdadeira motivação para a evangelização deve provir da apreensão destes princípios. E, portanto, de um zelo pela honra e glória de Deus e de um amor pelas almas dos homens.

Há um constante perigo de erro e de =heresia, mesmo entre os mais sinceros, e também o perigo de um falso zelo e do emprego de métodos antibíblicos. Não há nada sobre o que somos exortados mais vezes no Novo Testamento do que sobre a necessidade de constante auto-exame e de retorno às Escrituras.

Aí, penso eu, vocês têm cinco princípios fundamentais claramente ensinados na Palavra de Deus e confirmados profusamente na subsequente história da Igreja Cristã.

A Aplicação dos Princípios

Isto me leva à Segunda divisão principal do nosso assunto, que é a aplicação desses princípios à obra concreta da apresentação do evangelho. Este é um assunto que se divide naturalmente em duas partes principais. Há primeiro a obra de evangelização, e depois a obra de edificação e instrução na justiça.

A Evangelização e os Seus Perigos

O primeiro é o de exaltar a decisão como tal, e este é um perigo especialmente quando vocês estão trabalhando com jovens (…). Mostra-se às vezes no uso da música. (…) Fiam-se na música e no cântico de coros para produzirem o efeito desejado e de ocasionarem decisão. (…) Há os que tem o Dom de contar histórias de maneira comovente e eficaz. Outros parecem por a sua confiança no encanto pessoal do orador.(…)

O segundo perigo é que as pessoas podem chegar a uma decisão resultante de um falso motivo. Às vezes as pessoas se decidem por Cristo simplesmente porque estão desejosas de ter a experiência que outros tiveram (…) Ou pode ser o desejo de Ter este maravilhoso tipo de vida do qual lhe falaram. O evangelho de Jesus Cristo dá-nos uma vida da maravilhosa, e louvamos a Deus por isso, mas a verdadeira razão para nos tornarmos cristãos não é que tenhamos uma vida maravilhosa; é, antes, que estejamos em correta relação com Deus. Às vezes Cristo é apresentado como herói. (…) poderá ser que (…) se unam a nossa classe bíblica ou à nossa Igreja simplesmente porque a mensagem atraiu o seu instinto heróico. (…)

E, a seguir, o último perigo que desejo acentuar sob o presente título, é a terrível falácia de apresentar o evangelho em termos de “Cristo precisa de você”, e de dar a impressão de que, se o rapaz não se decide por Cristo, é um mal sujeito. (…)

Devemos apresentar a verdade; esta terá que ser uma exposição positiva do ensino da Palavra de Deus. Primeiro e acima de tudo, devemos mostrar aos homens a condição em que se acham por natureza, à vista de Deus. Devemos levá-los a ver que, independentemente do que façamos e do que tenhamos feito, todos nós nascemos com “filhos da ira”; nascemos num estado de condenação, culpados aos olhos de Deus; fomos concebidos em pecado e fomos formados em iniquidade. Isso vem em primeiro lugar.

Feito isso, devemos prosseguir e demonstrar a enormidade do pecado. Não significa apenas que devemos mostrar a iniquidade de certos pecados. Não há nada que seja tão vital como a distinção entre pecado e pecados. (…) Depois devemos conclamar os nossos ouvintes a confessarem e a reconhecerem os seus pecados diante de Deus e dos homens. E então devemos ir adiante e apresentar a gloriosa e estupenda oferta de salvação gratuita , que se acha unicamente em Jesus Cristo, e Este crucificado. A única decisão, que é do mais diminuto valor, é a que se baseia na compreensão dessa verdade. Podemos fazer os homens se decidirem como resultado dos nossos cânticos, como resultado do encanto da nossa personalidade, mas o nosso dever não conseguir seguidores pessoais. O nosso dever não é simplesmente aumentar o tamanho das nossas classes de estudo da Bíblia ou das organizações e igrejas. O nosso dever é reconciliar almas com Deus. Repito que não há nenhum valor numa decisão que não esteja baseada na aceitação da verdade.

A Edificação

A minha Segunda subdivisão relacionada com a apresentação do evangelho é a obra de edificação. Este é um grande tema, e tudo o que eu posso fazer é simplesmente lançar certos princípios. Em nenhuma oura parte o perigo de um falso método é mais real do que esta particular questão de edificação, como o que me refiro ao ensino concernente à santificação e à santidade. Não se pode ler o Novo Testamento sem perceber logo Que a Igreja Primitiva reagia contra problemas, perigos e heresias incipientes que a assediavam. Havia os que diziam, por exemplo: “Continuemos no pecado para que a graça seja mais abundante”. Havia os que diziam que, contanto que você fosse cristão, não importava o que você tinha feito, que, contanto que você estivesse certo em suas crenças, o seu corpo não importava e você podia pecar o quanto quisesse. Isto é conhecido como antinomianismo. Havia os que se diziam sem pecados. Havia os que partiam em busca de “conhecimento”, que alegavam Ter alguma experiência esotérica especial que os outros , cristãos inferiores, ignoravam. (…)

Se posso fazer um sumário de todos esses perigos, é o perigo de isolar um texto ou uma idéia e construir um sistema em torno dele, em vez de comparar Escritura com Escritura. Isso é procurar atalho no mundo espiritual. As pessoas tentam chegar à santificação com um só movimento, e assim se privam do processo descrito no Novo Testamento. A maneira de evitar esse perigo é estudar o Novo Testamento, especialmente as Epístolas. Devemos ter o cuidado de não tomar um incidente dos Evangelhos e tecer uma teoria em torno dele(…) Devemos compreender que o nosso padrão nesta questão particular(santidade/santificação) acha-se nas Epístolas.(…)

Conclusão

Permitam-me resumir tudo o que eu venho tentando dizer, da maneira seguinte: se vocês quiserem ser competentes ministros do evangelho, se quiserem apresentar a verdade de modo certo e verdadeiro, terão que ser estudantes assíduos da Palavra de Deus, terão de lê-la sem cessar. Terão que ler todos os bons livros que os ajudem a entendê-la e os melhores comentários da Bíblia que puderem encontrar. Terão que ler o que denomino teologia bíblica, a explicação das grandes doutrinas do Novo Testamento, para que venham a entendê-las cada vez mais claramente e, daí, sejam capazes de apresentá-las com clareza cada vez maior aos que venham ouvi-los. A obra do ministério não consiste meramente em oferecer a nossa experiência pessoal, ou em falar das nossa vidas ou das vidas de outros, mas sim, em apresentar a verdade de Deus de maneira tão simples e clara quanto possível. E o jeito de fazer isso é estudar a Palavra e toda e qualquer coisa que nos ajude nessa tarefa suprema.

Talvez vocês me perguntem: quem é suficiente para estas coisas? Temos outras coisas que fazer; somos homens ocupados. Como poderemos fazer o que você nos pede que façamos? Minha resposta é que nenhum de nós é suficiente para estas coisas, todavia Deus pode capacitar-nos para fazê-las, se de fato estamos desejosos de servi-lO. Não me impressionam muito esses grandes argumentos de que vocês são homens ocupados, de que vocês têm que fazer muitas coisas no mundo e, por isso, não têm tempo de ler estes livros sobre a Bíblia e de estudar teologia, e por esta boa razão: alguns dos melhores teólogos que conheci, alguns dos mais santos, alguns dos homens mais culto, tiveram que trabalhar mais duro que qualquer de vocês e, ao mesmo tempo, foram-lhes negadas as vantagens que vocês gozam. “Querer é poder”. Se eu e vocês estivermos preocupados com as almas perdidas, jamais deveremos alegar que não temos tempo para preparar-nos para este grande ministério; temos que fabricar tempo. Temos que aparelhar-nos para a tarefa, consciente da séria e Terrível responsabilidade da obra. Temos que estudar, trabalhar, suar e orar para podermos conhecer a verdade cada vez mais e cada vez mais perfeitamente. Temos que pôr em prática em nossas vidas as palavras que se acham em 1 Tm.4:12-16. Conceda-nos Deus a graça e o poder para fazê-lo, para a honra e a glória do Seu santo nome.

Fonte: [ Liga Calvinista ]
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A desnecessidade do templo

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Nunca se vê no Novo testamento uma única ordem para se construir templos. Quando observamos as orientações aos apóstolos, presbíteros percebemos que ás únicas orientações eram para cuidar de si mesmos, da sã doutrina e do rebanho. Não está escrito construam prédios, preocupem-se com isso, de maneira nenhuma. Isso nunca foi dito.

A exigência de um templo, uma sede, está encarnada na alma cristã moderna, e veja bem, não é qualquer templo, pois foi-se o tempo em que cadeiras de plástico, uma caixa de som e um violão eram necessários. O templo tem que ter cadeiras acolchoadas, ar condicionado, púlpito de mármore e por ai vai. Mera estupidez!

Se os cristãos hodiernos percebessem que a existência ou não de templos não faz a mínima diferença para o verdadeiro adorador tudo ficaria mais fácil. Isso não sou que afirmo, mais o próprio Cristo em seu bate papo com a mulher samaritana. Ah! Se os cristãos percebessem que seus lares podem ser um lugar de adoração a Deus, porque afinal de contas a verdadeira igreja não é visível a nenhum olhar humano.

Ah! Se os obreiros percebessem que construir templos não glorifica a Deus, mas ás suas instituições, e que no final, elas não se lembrarão do suor derramado por eles quando construíam os palácios, que de maneira nenhuma poderiam ser para Deus, pois o Todo Poderoso não pode habitar em construções feitas por mãos humanas.

Ah! Se voltássemos aos tempos antigos, onde cada lar era uma igreja e cada pessoa era um verdadeiro adorador, poderíamos dizer assim: Aqui se reúne uma parte da igreja de Cristo.

Sola Gratia.

Autor: Natanael Tussini
Fonte: [ Pense Teologicamente ]

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O bom exemplo do maligno

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O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar — 1Pedro 5.8
Se Satanás é tão diligente em tentar-nos, deveríamos ser sempre igualmente diligentes em vigiar para impedir as suas tentações. O Sr. Latimer, num dos seus sermões, no qual censura a preguiça do clero, especialmente a dos bispos daqueles dias, propõe-lhes o exemplo dos profetas e dos apóstolos, além do exemplo do próprio Cristo, cuja diligência em pregar deveria estimular àqueles preguiçosos. Mas, disse-lhes, se não quiserem seguir o exemplo dos santos, sigam o de Satanás, que anda sem cessar para cá e para lá na diocese dele. Considerem o seu exemplo em fazer o mal, para que saibam como fazer o bem. Neste ponto, podemos levar em conta o exemplo do Maligno: devemos nos dispor a fazer o bem, do mesmo modo que ele se dispõe a fazer o mal; devemos estar alertas contra ele, assim como ele está contra nós. Se ele se ocupa em andar pelo mundo a fim de devorar almas, então, aonde andarmos no mundo, seja aqui ou acolá, devemos guardar cuidadosamente a nossa alma e ganhar a alma dos outros.

Autor: Joseph Caryl (1602-1673)
Fonte: Bible Thoughts, Ingram Cobbin (org.), Soli Deo Gloria Publications, 1995 (reimp.)
Tradutor: Marcos Vasconcelos
Extraído do blog: [ mensreformata.blogspot.com
]
Via: [ Eleitos de Deus ]

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A importância de estudar e pregar o Antigo Testamento

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Por: Jailson Santos

INTRODUÇÃO

Há quem tenha observado que pouco se prega sobre o Antigo Testamento. Possivelmente, existem pessoas que acreditam que o Antigo Testamento é uma parte superada da Bíblia, tendo se tornado peça de antiquário ou de museu. Dr. Page Kelley, disse hiperbolicamente “que se os livros do Antigo Testamento fossem substituídos por páginas em branco, à maioria dos pastores sequer notaria a diferença”. [1]

Segundo Isaltino professor de homilética a cada quatro sermões pregados apenas um é no Antigo Testamento mesmo ele sendo maior que o novo. [2] Se fizermos uma pesquisa nas Igrejas iremos constatar que a maioria das pessoas lê e estuda mais o Novo Testamento que o Antigo. Há uma supremacia do Novo Testamento e um Desprezo do Velho.

As razões para este desequilíbrio são diversas. Uns dizem que não consegue estendê-lo. Outros dizem que ele não é tão importante, pois estamos “no tempo da Graça”. Ainda outros que vão mais longe e o considera obsoleto.

Todavia o Antigo Testamento é tão relevante quanto o Novo. O autor das Escrituras é o próprio Deus. Ele que a inspirou de Gênesis ao Apocalipse. Essa verdade está explicitamente descrita no capítulo I da Confissão de Fé de Westminster quando diz: “Sob o nome de Escritura Sagrada, ou Palavra de Deus escrita, incluem-se agora todos os livros do Velho e do Novo Testamento, que são os seguintes, todos dados por inspiração de Deus para serem a regra de fé e de prática [...]” [3] (negrito meu). Deus não se revelou apenas em parte da história, mas em todas as épocas e isto nos mostra a unidade das Escrituras como revelação progressiva, lógica e coerente. [4] Quem despreza o Antigo Testamento é ferir a unidade das Escrituras.

Por que muitos cristãos evitam estudar e pregar no antigo testamento? Como entender o antigo testamento? Por que devemos pregar em textos do antigo testamento? O Objetivo deste trabalho é responder as estas perguntas de forma simples e resumida. Não pretendemos aqui esgotar o assunto, mas apenas lançar luz a nossa mente sobre o mesmo.

I. POR QUE MUITOS CRISTÃOS EVITAM ESTUDAR E PREGAR NO ANTIGO TESTAMENTO?

Há varias razões pelas quais os Cristãos não estudam e pregam com freqüência no Antigo Testamento. Aqui veremos apenas três.

1.1. Interpretação Teontológica equivocada.

Uma das principais razões para a falta de pregação no Antigo Testamento, é à má interpretação da pessoa de Deus, no que diz respeito à progressividade da Revelação. Que teve seu inicio com Marcião (Um herege gnóstico que viveu na Ásia Menor no segundo século d.C.), para ele o Deus do Antigo Testamento é diferente e até mesmo inferior ao do Novo Testamento. [5] Ele acreditava que o Deus carrasco e mal da antiga aliança não pode ser conciliado com o Deus amoroso e gracioso do novo pacto da graça.

Essa interpretação de Marcião ganhou força com os racionalistas e trouxe uma dicotomia da Bíblia entre Lei e Graça, onde à última passou a ser exalta e a primeira desprezada. Alguns chegam a dizer: “para que se preocupar com a Lei se nós estamos no tempo da Graça?” Esse pensamento traz a idéia que o Antigo Testamento é pouco importante, e até mesmo para alguns, obsoleto. [6]

Essa má interpretação da Revelação de Deus tem levado muitos pregadores a desprezarem a pregação das verdades contidas no Antigo Testamento. Eles Pregam muito sobre a Graça, mas se esquecem da importância da Lei para se compreender a Graça. Assim é necessário entendermos que “Não podemos cometer o erro de criar uma dialética: AT = Lei e NT = Graça. O Antigo Testamento contém Lei, mas também contém evangelho em forma de promessa e graça, e vice - versa em relação”. [7]

Lloyd-Jones comentando o sermão do montes diz: “Ora isso é algo que mui freqüentemente percebemos haver sido olvidado nessa tentativa de se estabelecer a antítese entre a lei e a graça; e o resultado é que os homens e mulheres com freqüência ignoram, completa e inteiramente, a lei”. [8]

1.2. Ignorância quanto ao contexto, costumes e língua. [9]

Pregar a a Bíblia exige um esforço muito grande, mas pregar no Antigo Testamento exige uma dedicação maior ainda. Há algumas razões para essa dedicação:

1.2.1. Contexto. Para estudar e pregar no Antigo Testamento compreender o contexto histórico, cultural e social do Antigo Testamento. [10]

1.2.2. Costumes. Estudar e pregar no Antigo Testamento exige mais cuidado e mais atenção que no Novo. Exige um bom conhecimento da cultura daquela época. Precisa-se saber dos costumes. [11]

1.2.3. Língua. Talvez essa seja a principal razão pela qual os cristãos evitam o Antigo Testamento. Falta de conhecimento, do Hebraico (língua em que o Antigo Testamento foi escrito) têm levado muitos a não estudar e expor os textos do Antigo Testamento.

1.3. Falta de familiaridade com o texto.

Muitos cristãos evitam o estudo do Antigo Testamento por causa dos abismos que há entre ele e o texto. A diferença de tempo, idioma, escrita, costumes e outros aspectos fazem do Antigo Testamento algo não tão familiar para os cristãos contemporâneos. Por não ser história e narrativas do dia-a-dia muitos optam por desprezar o antigo Testamento, por alegar que não consegue entendê-lo.

II. COMO ENTENDER O ANTIGO TESTAMENTO?

Como já foi dito a diferença de tempo, idioma, escrita, costumes e outros aspectos fazem do Antigo Testamento uma parte de difícil interpretação na Bíblia. Aqui falaremos de maneira simples e resumida alguns passos para a interpretação do Antigo Testamento.

2.1. Determine o tipo de literatura.

Um livro qualquer do Antigo Testamento constitui apenas uma das muitas formas literárias que se acham nela. Muitas pessoas nem sequer tem consciência de que as Escrituras contém vários tipos de literatura, tais como: poesias, provérbios, orações, discursos, histórias, leis, biografias e Profecias. Cada um deles deve ser interpretado de forma diferente. Não se interpreta poesias como se interpreta profecias. Compreender o gênero e fundamental para o entendimento da passagem do Antigo Testamento que se está estudando. Para Bill T. Arnold “quando não é levado em consideração o tipo de literatura, pode-se chegar a uma interpretação distorcida da passagem bíblica”. [12]

2.2. Compreenda o contexto do Antigo Testamento.

Para compreender o Antigo Testamento assim como qualquer parte da Bíblia é necessário considerar o contexto cultural, social e religioso da época na qual o mesmo foi escrito. Entender o que está a voltado texto é fundamental para uma boa compreensão do mesmo. Alem disso é necessário analisar os seguintes contextos: [13]

2.2.1. Contexto imediato. Diz respeito às sentencias que vem antes e depois da do texto que se está estudando.

2.2.2. Contexto remoto. O contexto remoto descreve o material bíblico nos capítulos ao redor e mais distantes. Segundo Bill T. Arnold, através dele pode-se e é possível pesquisar uma idéia ao longo de todo o Antigo Testamento. [14]

2.2.3. Contexto histórico. O contexto histórico refere-se ao momento da História em que o autor escreveu determinada passagem da Bíblia. Teremos uma compreensão melhor do livro de Lamentações, por exemplo, se soubermos que o autor estava descrevendo a condição de Jerusalém depois de sua destruição em 587 a.C. Podemos entender melhor o significado de um salmo de Davi se soubermos a ocasião em que ele foi escrito. Assim, o contexto histórico forma o pano de fundo sobre o qual o autor bíblico compôs seu texto. [15]

2.3. Leia o Antigo Testamento de maneira cristocêntrica.

Ao ler o Antigo Testamento não se deve esquecer que ele aponta para cristo. Para Agostinho, o cânon bíblico, inclusive o Velho Testamento, deve ser abordado como uma unidade cristocêntrica. [16] Cristo é o tema central, tanto de Novo como do Velho Testamento. Thomas Adams afirmar que Cristo é “a suma de toda Bíblia, profetizando, tipificando, prefigurando, Exibido, demonstrado, a ser encontrado em cada folha e em cada linha”. [17] Para Calvino, “cristo é a substância, escopo e essência da revelação bíblica, e só é possível compreender as Escrituras, se elas forem lidas ‘com o propósito de encontrar Cristo nelas’”. [18]

Segundo Abraão Kuyper um evento na vida dos patriarcas, um episódio da vida de Davi uma experiência dos profetas não ser apresentada como uma cena isolada, mas como uma unidade Cristologia, [19] sendo assim o Antigo Testamento só será entendido de forma clara e completa se lido na perspectiva Cristocêntrica.


III. POR QUE DEVEMOS PREGAR EM TEXTOS DO ANTIGO TESTAMENTO?

“Prega a palavra, insta a tempo e fora de tempo, admoesta, repreende, exorta, com toda longanimidade e ensino” (2 Timóteo 4. 2). A verdade expressar por Paulo a Timóteo aqui é que ele deve pregar a Palavra. Ele não diz pregue parte da Palavra, mas a Palavra. Aqui observarenos algumas razões pelas quais devemos pregar “todo o conselho de Deus”, inclusive os revelados no Antigo Testamento.

3.1. “Toda Escritura é inspirada por Deus”.

"Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, convencer, corrigir e educar na justiça [...]" (2 Timóteo 3:15-16). O autor das Escrituras é o próprio Deus. Ele que a inspirou de Gênesis ao Apocalipse. Essa verdade está explicitamente descrita no capítulo I da Confissão de Fé de Westminster quando diz: “Sob o nome de Escritura Sagrada, ou Palavra de Deus escrita, incluem-se agora todos os livros do Velho e do Novo Testamento, que são os seguintes, todos dados por inspiração de Deus para serem a regra de fé e de prática [...]” [20](negrito meu). Deus não se revelou apenas em parte da história, mas em todas as épocas e isto nos mostra a unidade das Escrituras como revelação progressiva, lógica e coerente. [21] As Escrituras do Antigo Testamento é tão Palavra de Deus como as reveladas e escritas no Novo. C. H. Spurgeon aconselhava os seus alunos que apegassem a verdade e anunciassem todo o conselho de Deus ao invés de procuraremos ajustar a nossa Bíblia a esta época. [22] Devemos Pregara o Velho Testamento porque também é Palavra de Deus.

3.2. Cristo pregou o Antigo Testamento.

Todas as mensagens pregadas por cristo tiveram como base o Antigo Testamento. O famoso sermão do monte pregado por Jesus teve como base as verdades já reveladas no Antigo Testamento e ele não foi apenas uma interpretação da Lei, mas uma citação da mesma. [23]

Durante todas as suas mensagens Jesus fazia citações ou alusões da Revelação da antiga aliança. Quando tentado usou as Escrituras do Antigo Testamento: Está escrito [...] (Mateus 4. 1-11). Aos escribas judeus Ele disse: "Examinem as Escrituras, pois achais ter a vida eterna através delas, e elas testemunham sobre Mim.” Nosso Senhor disse ainda aos discípulos sobre o Saltério: "há de se cumprir tudo, o que foi dito sobre Mim na lei de Moisés, nos profetas e nos salmos." Após a ceia pascal, "Jesus saiu com seus discípulos cantando para o Monte das Oliveiras" isto indica que eles entoavam os salmos. Conversando com os desanimados discípulos no caminho de Emaus Ele “começando por Moisés, e por todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras” (Lucas 24. 27).

As palavras do Salvador e Seu exemplo são suficientes para que a Igreja estude e pregue a lei de Moisés, os profetas e os salmos. O Antigo Testamento é Bíblia que Jesus usou, e, se o próprio Cristo o usou e dele tirou os mais profundos ensinamentos, nós também devemos usá-lo.

3.3. Os apóstolos pregaram o Antigo Testamento.

De igual modo a base da pregação dos Apóstolos era o Antigo Testamento. É provável que eles usavam a LXX (Tradução do antigo Testamento para O Grego) em suas pregações. Quando Pedro pregou seu primeiro sermão à base a revelação de Deus dada na Lei e nos Profetas: “Homens irmãos, convinha que se cumprisse a Escritura que o Espírito Santo predisse pela boca de Davi”; “Porque no livro dos Salmos está escrito: Fique deserta a sua habitação, E não haja quem nela habite, Tome outro o seu bispado” (Atos 1). De igual modo o sermão de Estevão é um resumo interpretativo da Lei e dos Profetas. A carta aos Hebreus teve como sua base o as verdades reveladas aos Patriarcas. As cartas de Paulo é uma interpretação da Lei e dos profetas.

A base da pregação dos apóstolos e da Igreja primitiva foi o antigo Testamento. E se ele o alicerce da pregação por de Cristo, dos Apóstolos e dos Pais da Igreja, não pode ser desprezados em nossos púlpitos nos dias de hoje.

3.4. Uma pregação que exclui o Antigo Testamento é uma meia verdade.

O último Testamento lança luz sobre primeiro e abre nossa compreensão do mesmo, mas é impossível entendê-lo sem o primeiro. Despreza a pregação do Antigo Testamento é ferir a unidade da Bíblia. Segundo Abraão Kuyper um evento na vida dos patriarcas, um episódio da vida de Davi uma experiência dos profetas não ser apresentada como uma cena isolada, todavia todos os fatos históricos do Antigo Testamento são na verdade fragmentos da grande obra da Revelação de Deus. [24] Estudar e pregar apenas o Antigo Testamento é uma meia verdade e uma meia verdade está a um passo de uma meia mentira.

Estudar e prega a Bíblia sem considera o Antigo testamento é como assiste um filme a partir da metade, você até ver o final, mas não entende a história por completo. Despreza o estudo e a pregação do Antigo Testamento é ferir a unidade da Bíblia.

CONCLUSÃO

Agora que chegamos juntos ao fim deste trabalho, esperamos ter lançado luz sobre a importância do Antigo Testamento, a ponto de vê-lo como Palavra de Deus, respeitá-lo em sua forma e valorizarmos o seu estudo e a pregação do mesmo. Como já dissemos estudar e Pregar no Antigo Testamento exige mais cuidado e mais atenção que pregar no Novo. Exige um bom conhecimento da cultura daquela época, precisa-se saber dos costumes e ter um bom conhecimento do contexto histórico, cultural e religioso.

Essas dificuldades, por sua vez não podem nos impedir de estudarmos de forma sistemática o Antigo Testamento. O seu estudo é fundamental para o entendimento do Novo Testamento, e traz lições grandiosas para vida cristã.

Na Lei há os princípios que regem todas as sociedades. Nos profetas há uma declaração da vontade de Deus para o seu povo. Os Salmos são um conforto para a alma. Provérbios trazem instruções para a vida. Os livros Históricos nos ajudam a entendermos o presente.

Não podemos nos apegar ao Antigo Testamento e anularmos a Cristo como faz muitos Judeus, todavia não podemos desprezá-lo como faz os liberais, mas de forma sensata e equilibrada devemos estudar e pregar “todo o conselho de Deus”, inclusive os revelados no Antigo Testamento.

Por isso estudemos mais e preguemos mais o Antigo Testamento, pois ele também o é a Palavra de Deus.

[1] Page Kelley apud BAPTISTA, Walter Santos. O Antigo Testamento e a Pregação. Artigo disponível em: Acessado em: 16/06/2008
[2] FILHO, Isaltino Gomes Coelho. O uso do Antigo Testamento na pregação contemporânea. Disponível em:
Acessado em: 16/06/2008
[3] A Confissão de Fé de Westminster. 3a ed. São Paulo: Cultura Cristã, 1997. Capitulo I.
[4] Cf. MEISTER, Mauro. Pregação no Antigo Testamento: É mesmo necessária? Artigo disponível em: Acessado em: 16/06/2008
[5] Ver: MEISTER, Mauro. Lei e Graça. São Paulo. Editora: Cultura Cristã, 2004. p.73
[6] Ver ANGLADA, Paulo. Introdução à Hermenêutica Reformada. Ananindeua. Knox Publicações. 2006. p. 49.
[7] Cf. BAPTISTA, Walter Santos. O Antigo Testamento e a Pregação. Artigo disponível em: Acessado em: 16/06/2008
[8] LLOYD JONES, Martyn, Estudos no Sermão do Monte, São Paulo: Editora Fiel, 1999. p. 12
[9] Para compreender a História de Israel ver SCHULTZ, Samuel J., A Historia de Israel no A.T. Ed. Vida Nova, 1986. 413 p.
E também: John Bright, História de Israel. São Paulo: Paulinas, 1978.
[10] Ver Pregação Cristocêntrica
[11] BAPTISTA, Walter Santos. O Antigo Testamento e a Pregação. Artigo disponível em: Acessado em: 16/06/2008
[12] Arnold, Bill T. Descobrindo o antigo testamento São Paulo. Editora: Cultura Cristã, 2001. p. 30.
[13] Ver também: ibid e idem
[14] Ibid e idem.
[15] Cf. Arnold, Bill T. Descobrindo o antigo testamento São Paulo. Editora: Cultura Cristã, 2001. p. 30.
[16] Ver ANGLADA, Paulo. Introdução à Hermenêutica Reformada. Ananindeua. Knox Publicações. 2006. p. 125.
[17] Ibid p. 100
[18] Ibid p. 125
[19] Kuyper apud ANGLADA, Paulo. Introdução à Hermenêutica Reformada. Ananindeua. Knox Publicações. 2006. p. 125.
[20] A Confissão de Fé de Westminster. 3a ed. São Paulo: Cultura Cristã, 1997. Capitulo I.
[21] Cf. MEISTER, Mauro. Pregação no Antigo Testamento: É mesmo necessária? Artigo disponível em: Acessado em: 16/06/2008
[22] Spurgeon apud ANGLADA, Paulo. Spurgeon e o Evangelicalismo Moderno. São Paulo. Editora: Os Puritanos, 1996. p. 31
[23] Vários livros do Antigo Testamento fazem referência à bem-aventurança. Dentre eles o livro de Provérbios e o livro dos Salmos são os que mais fazem referências às bem-aventuranças. Estes livros do Antigo Testamento eram lidos constantemente nas sinagogas, e mesmo aqueles que não sabiam ler conheciam de cor algumas das citações, entre elas as que envolviam a idéia da bem-aventurança.
Ver também os textos que São base para o texto do sermão do monte: Is 57: 15; Sl 51: 17 ; Is 57: 15; Sl 51: 10; Is 61: 1- 2; Nm 12: 3; Is 29: 19; Sl. 22: 26; Sl. 37: 11.
[24] Kuyper apud ANGLADA, Paulo. Introdução à Hermenêutica Reformada. Ananindeua. Knox Publicações. 2006. p. 180.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.

Apostilhas.
LADEIA, Donizeti Rodrigues, Manual Metodológico para produção de monográfica: Anotações de Aulas, da matéria metodologia, apresentadas no Seminário Teológico José Manuel da conceição. São Paulo. 2008. 33 p.
LADEIA, Donizeti Rodrigues, Guia para Confecção de Projeto de Pesquisa: Anotações de Aulas, da matéria metodologia, apresentadas no Seminário Teológico José Manuel da conceição. São Paulo. 2008. 08 p.

Bíblias:
A BÍBLIA VIDA NOVA. Editor responsável: Russel P. Schedd. Antigo e Novo Testamento traduzido por João Ferreira de Almeida. 2 ed. São Paulo, Editora Vida Nova, 1988. 1065 pp.
BÍBLIAS DE ESTUDO GENEBRA. Editor Geral: R. C. Sproul. Editor em português: Cláudio Antônio Batista Marra. Antigo e Novo Testamento traduzido por João Ferreira de Almeida. 2 ed. Revista e atualizada. São Paulo e Barueri, Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. 1728 pp.
BÍBLIA SAGRADA: Nova Versão Internacional. Sociedade Bíblica Internacional, 2003. 1002 pp.

Dicionários:
CHAMPLIN, Russel Norman. O Velho Testamento Interpretado Versículo por Versículo: dicionário. São Paulo, Editora Candeia, 1995. v.5, 670 pp.
FERREIRA, Aurélio. Buarque de Holanda. Minidicionário da Língua Portuguesa. 3 ed., Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira S.A., 1993. 557pp.

Livros:
ANGLADA, Paulo. Introdução à Hermenêutica Reformada. Ananindeua. Knox Publicações. 2006. p. 180.
ANGLADA, Paulo. Spurgeon e o Evangelicalismo Moderno. São Paulo: Editora Os Puritanos, 1996. 50 pp.
ARNOLD, Bill T. Descobrindo o antigo testamento. Editora Cultura Cristã, 2001. 527 p.
ASSEMBLÉIA DE WESTMINSTER. Símbolos de fé: contendo a Confissão de Fé, Catecismo Maior e Breve. São Paulo: Cultura Cristã, 2005. Capitulo I
BRIGHT, John. História de Israel. São Paulo: Paulinas, 1978.
CARSON, D.A., Os Perigos da Interpretação Bíblica. São Paulo: Edições Vida Nova, 1992. 143 p.
LLOYD JONES, Martyn, Estudos no Sermão do Monte, São Paulo: Editora Fiel, 1999.
MEISTER, Mauro. Lei e Graça. São Paulo. Editora: Cultura Cristã, 2004. p.73
KAISER, Walter C. Jr. e Moisés Silva. Introdução À Hermenêutica Bíblica. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2003. 288 p.
Schultz, Samuel J. A história de Israel no Antigo Testamento. Sociedade Religiosa Edições Vida Nova, 1984. 413 p.
UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENSIE. Apresentação de Trabalhos Acadêmicos: guia para alunos. São Paulo: Editora: Mackenzie, 2001.

Internet:
BAPTISTA, Walter Santos. O Antigo Testamento e a Pregação. Artigo disponível em: Acessado em: 16/06/2008
FILHO, Isaltino Gomes Coelho. O uso do Antigo Testamento na pregação contemporânea. Disponível em:
Acessado em: 16/06/2008
Isaltino Gomes Coelho. O uso do Antigo Testamento na pregação contemporânea.
Disponível em:
Acessado em: 16/06/2008
MEISTER, Mauro. Pregação no Antigo Testamento: É mesmo necessária?
Artigo disponível em: Acessado em: 16/06/2008


Fonte: [ Eu e meus neurônios ]
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Fogo estranho: bizarrices na igreja evangélica brasileira é tema da revista Cristianismo Hoje

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Em tempos de aberrações teológicas, apologistas e líderes evangélicos demonstram perplexidade diante de desvios doutrinários

O crente brasileiro sabe: vez por outra, a Igreja Evangélica é agitada por uma novidade. Pode ser a chegada de um novo movimento teológico, de uma doutrina inusitada ou mesmo de uma prática heterodoxa, daquelas que causam entusiasmo em uns e estranheza em outros. Quem frequentava igrejas nos anos 1980 há de se lembrar do suposto milagre dos dentes de ouro, por exemplo. Na época, milhares de crentes começaram a testemunhar que, durante as orações, obturações douradas apareciam sobrenaturalmente em suas bocas, numa espécie de odontologia divina. Muito se disse e se fez em nome dessa alegada ação sobrenatural de Deus, que atraiu muita gente aos cultos. Embora contestados por dentistas e nunca satisfatoriamente explicados – segundo especialistas, o amarelecimento natural de obturações ao longo do tempo poderia explicar o fenômeno, e houve quem dissesse que a bênção nada mais era que o efeito de sugestão –, os dentes de ouro marcaram época e ainda aparecem em bocas por aí, numa ou noutra congregação.

Outras manifestações nada convencionais sacudiram o segmento pentecostal de tempos em tempos. Uma delas era a denominada queda no Espírito, quando o fiel, durante a oração, sofria uma espécie de arrebatamento, caindo ao solo e permanecendo como que em transe. Disseminada a partir do trabalho de pregadores americanos como Benny Hinn e Kathryn Kuhlman, a queda no poder passou a ser largamente praticada como sinal de plenitude espiritual e chegou com força ao Brasil. A coqueluche também passou, mas ainda hoje diversos ministérios e pregadores fazem do chamado cair no poder elemento importante de sua liturgia. A moda logo foi substituída por outras, ainda mais bizarras, como a “unção do riso” e a “unção dos animais”. Disseminadas pela Comunhão Cristã do Aeroporto de Toronto, no Canadá, a partir de 1993, tais práticas beiravam a histeria coletiva – a certa altura do culto, diversas pessoas caíam ao chão, rindo descontroladamente ou emitindo sons de animais como leões e águias. Tudo era atribuído ao poder do Espírito Santo.

A chamada “bênção de Toronto” logo ganhou mundo, à semelhança das mais variadas novidades. Parece que, quanto mais espetacular a manifestação, mais ela tende a se popularizar, atropelando até mesmo o bom senso. Mas o que para muita gente é ato profético ou manifestação do poder do Senhor também é visto por teólogos moderados como simples modismos ou – mais sério ainda – desvios doutrinários. Pior é quando a nova teologia é usada com fins fraudulentos, para arrancar uma oferta a mais ou exercer poder eclesiástico autoritário. “A Bíblia diz claramente que haverá a disseminação de heresias nos últimos dias, e não um grande reavivamento, como alguns estão anunciando”, alerta Araripe Gurgel, pesquisador da Agência de Informações Religiosas (Agir). Pastor da Igreja Cristã da Trindade, ele é especialista em seitas e aberrações cristãs e observa que cada vez mais a Palavra de Deus tem sido contaminada e pervertida pelo apelo místico. “Esse tipo de abordagem introduz no cristianismo heresias disfarçadas em meias-verdades, levando a uma religião de aparência, sensorial, sem a real percepção de Deus”, destaca.

“Não dá para ficar quieto diante de tanta bizarrice”, protesta o pastor e escritor Renato Vargens, da Igreja Cristã da Aliança, em Niterói (RJ). Apologista, ele tem feito de seu blog uma trincheira na luta contra aberrações teológicas como as que vê florescer, sobretudo, no neopentecostalismo. “Acredito, que, mais do que nunca, a Igreja de Cristo precisa preservar a sã doutrina, defendendo os valores inegociáveis da fé cristã. A apologética cristã é um ministério indispensável à saúde do Corpo de Cristo”. Na internet, ele disponibiliza farto material, como vídeos que mostram um pouco de tudo. Um dos mais comentados foi um em que um dos líderes do Ministério de Madureira das Assembleias de Deus, Samuel Ferreira, aparece numa espécie de arrebatamento sobre uma pilha de dinheiro, arrecadado durante um culto. “Acabo de ver no YouTube o vídeo de um falso profeta chamado reverendo João Batista, que comercializa pó sagrado, perfume da prosperidade e até um tal martelão do poder”. acrescenta Vargens. Autor do recém-lançado livro Cristianismo ao gosto do freguês, em que denuncia a redução da fé evangélica a mero instrumento de manipulação, o pastor tem sido um crítico obstinado de líderes pentecostais que fazem em seus programas de TV verdadeiras barganhas em nome de Jesus. “O denominado apóstolo Valdomiro Santiago faz apologia de sua denominação, a Igreja Mundial do Poder de Deus, desqualificando todas as outras. E tem ensinado doutrinas absolutamente antibíblicas, onde o ‘tomá-lá-dá-cá’ é a regra”. Uma delas é o trízimo, em que desafia o fiel a ofertar à instituição 30% de seus rendimentos, e não os tradicionais dez por cento. A “doutrina das sementes”, defendida por pregadores americanos como Mike Murdock e Morris Cerullo nos programas do pastor Silas Malafaia, também rendeu diversos posts. Segundo eles, o crente deve ofertar valores específicos – no caso, donativos na faixa dos mil reais – em troca de uma unção financeira capaz de levá-lo à prosperidade. “Trata-se de um evangelho espúrio, para tirar dinheiro dos irmãos”, reclama Vargens. “Deus não é bolsa de valores, nem se submete às nossas barganhas ou àqueles que pensam que podem manipular o sagrado estabelecendo regras de sucesso pessoal.”


Crise teológica


Numa confissão religiosa tão multifacetada em suas expressões e diversa em termos de organização e liderança, é natural que o segmento evangélico sofra com a perda de identidade. O próprio conceito do que é ser crente no país – tema de capa da edição nº 15 de CRISTIANISMO HOJE – é extremamente difuso. E muitas denominações, envolvidas em práticas heterodoxas, vez por outra adotam ritos estranhos à tradição protestante. Joaquim de Andrade, pastor da Igreja Missionária Evangélica Maranata, do Rio, é um pesquisador de seitas e heresias que já enfrentou até conflitos com integrantes de outras crenças, como testemunhas de Jeová e umbandistas. Destes tempos, guarda o pensamento crítico com que enxerga também a situação atual da fé evangélica: “Vivemos uma verdadeira crise teológica, de identidade e integridade. Os crentes estão dando mais valor às manifestações espirituais do que à Palavra de Deus”.

Neste caldo, qualquer liderança mais carismática logo conquista seguidores, independentemente da fidelidade de sua mensagem à Bíblia. “Manifestações atraem pessoas. O próprio Nicodemos concluiu que os sinais que Cristo operou foram além do alcance do povo, mas não temos evidência de que ele tenha mesmo se convertido”, explica o pastor Russel Shedd, doutor em teologia e um dos mais acreditados líderes evangélicos em atuação no Brasil. Ele refere-se a um personagem bíblico que teve importante discussão com Jesus, que ao final admoestou-lhe da necessidade de o homem nascer de novo pela fé. “Líderes que procuram vencer a competição entre igrejas precisam alegar que têm poder”, observa, lembrando que a oferta do sobrenatural precisa atender à imensa demanda dos dias de hoje. “Mas poder não salva nem transmite amor”, conclui.

“A busca pela expansão evangélica traz consigo essa necessidade de aculturação e, na cultura religiosa brasileira, nada mais puro do que a mistura”, acrescenta o pastor Fabrício Cunha, da Igreja Batista da Água Branca, em São Paulo. “O candomblé já fez isso, usando os símbolos do catolicismo; o espiritismo, usando a temática cristã; e agora, vêm os evangélicos neopentecostais, usando toda uma simbologia afro e um misticismo pagão”, explica. Como um dos coordenadores do Fórum Jovem de Missão Integral e membro da Fraternidade Teológica Latinoamericana, ele observa que mesmo os protestantes são fruto de uma miscigenação generalizada, o que, no campo da religião, tem em sua gênese um alto nível de sincretismo.

Acontece que, em determinadas comunidades cristãs, alguns destes elementos precisam ser compreendidos como estratégias de comunicação e atração de novos fiéis. Aí, vale tanto a distribuição de objetos com apelo mágico, como rosas ungidas ou frascos de óleo, como a oferta de manifestações tidas como milagrosas, como o já citado dente de ouro ou as estrelinhas de fogo – se o leitor ainda não conhece, saiba que trata-se de pontos luminosos que, segundo muitos crentes, costumam aparecer brilhando em reuniões de busca de poder, sobretudo vigílias durante a noite ou cultos realizados nos montes, prática comum nas periferias de grandes cidades como o Rio de Janeiro. O objetivo das tais estrelinhas? Ninguém sabe, mas costuma-se dizer que é fogo puro, assim como tantas outras manifestações do gênero.

“Alguns desses elementos são resultado de um processo de sectarização religiosa”, opina o teólogo e mestre em ciências da religião Valtair Miranda. “Ou seja, quanto mais exótica for a manifestação, mais fácil será para esse líder carismático atrair seguidores para seu grupo”. Miranda explica que, como as igrejas evangélicas, sobretudo as avivadas, são, em linhas gerais, muito parecidas, o que os grupos sectários querem é se destacar. “Eles preconizam um determinado tópico teológico ou passagem bíblica, e crescem em torno disso. Objetos como lenços ungidos, medalhas, sal ou sabonete santificados são exemplos. Quanto mais diferente, maior a probabilidade de atrair algum curioso”. A estratégia tende a dar resultado quando gira em torno de uma figura religiosa carismática. “Sem carisma, estes elementos logo provocam sarcasmo e evasão”, ressalva. O estudioso lembra o que caracteriza fundamentalmente um grupo sectário – o isolamento. “Uma seita precisa marcar bem sua diferença para segurar seu adepto. Quanto mais ele levantar seus muros, mais forte será a identidade e a adesão do fiel.”


“Propósito de Deus”

Mas quem faz das manifestações do poder do Espírito Santo parte fundamental de seu ministério defende que apenas milagres não bastam. “É necessário um propósito e uma mudança de vida”, declara o bispo Salomão dos Santos, dirigente da Associação Evangélica Missionária Ministério Vida. Como ele mesmo diz, trata-se de uma igreja movida pelo poder da Palavra de Deus, “que crê que Jesus salva, cura, liberta e transforma vidas”. O próprio líder se diz um fruto desse poder. Salomão conta que já esteve gravemente doente, sofrendo de hepatite, câncer e outras complicações que a medicina não podia curar. “Cheguei a morrer, mas miraculosamente voltei à vida”, garante o bispo, dizendo que chegou a jazer oito horas no necrotério de um hospital. “Voltei pela vontade de Deus”, comemora, cheio de fé.

Consciente, Salomão diz que milagres e manifestações naturais realmente acontecem, mas “somente para a exaltação e a glória do Senhor, e não de homens ou denominações”. O bispo também observa que alguns têm feito do poder extraordinário de Jesus uma grande indústria de milagres: “O Senhor não dá sua glória para ninguém. Ele opera maravilhas através da instrumentalidade de nossas vidas”. E faz questão de reiterar a simplicidade com que Jesus viveu sua vida terrena e que, muitas vezes, realizou grandes milagres sem nenhum alarde. “O agir de Deus não é um espetáculo.”


Sangue fajuto

A novidade chama a atenção pelo seu aspecto bizarro. Num templo da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), fiéis caminham através de pórticos representando diversos aspectos da vida (“Saúde”, “Família”, “Finanças”). Até aí, nada demais – os chamados atos proféticos como este são comuns na denominação. O mais estranho acontece depois. Caracterizados como sacerdotes do Antigo Testamento, pastores da Universal recebem as pessoas e, sobre um pequeno altar estilizado, fazem um “sacrifício de sangue”. A nova prática vem ganhando espaço nos cultos da Iurd, igreja que já introduziu no neopentecostalismo uma série de elementos simbólicos. Tudo bem que o sangue não é real (trata-se de simples tinta), mas a imolação simulada vai contra tudo o que ensina o Novo Testamento, segundo o qual Jesus, o Cordeiro de Deus, entregou-se a si mesmo como supremo e definitivo sacrifício pela humanidade. Com sangue puro, e não cenográfico.

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Fonte: [ Cristianismo Hoje ]
Via: [
Púlpito Cristão ]

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