Novos Evangélicos?!

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A revista Época desta semana (7/8/10) traz reportagem de capa sobre a reação de diversos segmentos da igreja evangélica ao crescimento das igrejas neopentecostais. O artigo pode ser lido aqui:


O título é Os Novos Evangélicos e a capa é ilustrada com uma foto da construção de uma réplica do templo de Salomão que está sendo realizada pela Igreja Universal em São Paulo.

O artigo representa um avanço na maneira como a mídia em geral trata os evangélicos, como se fossem todos farinha do mesmo saco. E farinha imprestável. Ricardo Alexandre, o articulista, reuniu depoimentos de líderes evangélicos de diversos segmentos (incluiu um sociólogo ateu) e mostrou como todos eles concordam numa coisa: sua rejeição às doutrinas e práticas das igrejas neopentecostais e o desejo por uma mudança profunda nos atuais rumos da igreja evangélica brasileira.

Neste ponto, nada a reparar. De fato, de pentecostais a episcopais, reações contrárias a estas igrejas, consideradas como seitas por algumas denominações históricas(*), têm sido veiculadas abertamente por meio de blogs e livros. Já estava na hora da grande mídia ouví-las e entender que nem todos que fazem reuniões onde o nome de Cristo é citado são necessariamente evangélicos ou mesmo cristãos.

Eu só fiquei um pouco desconfortável com dois ou três pontos da matéria que cito aqui. Estou à vontade para isto uma vez que meu nome foi mencionado no artigo, ainda que de raspão.

1) Achei que o título do artigo na capa é um equívoco histórico, pois “novos evangélicos” se aplica mais exatamente a grupos como a IURD, Renascer e Igreja Mundial e não aos que estão reagindo a estes grupos. Eu não me considero um “novo evangélico” e sim um bem antigo, com raízes históricas na Reforma do séc. XVI e teológicas nas Escrituras Sagradas. Não tem nada de “novo” em nosso desejo de ver o antigo Evangelho ser pregado corretamente em nossa pátria. Estas seitas é que chegaram ontem. Todavia, entendo o autor. Estes grupos neopentecostais cresceram tanto e influenciaram tanto a mídia e a opinião pública que viraram o padrão. Eles é que são os “evangélicos”. Quem não é como eles e quer mudanças é visto como o novo, a novidade.

Num certo sentido foi isto que aconteceu na Reforma. Os reformadores foram acusados pelos papistas de estar trazendo “novidades” na igreja, ao pregar que a justificação era pela fé somente. Lutero e Calvino retrucaram que estavam pregando as antigas doutrinas da graça, encontradas nos Pais da Igreja e nos ensinos de Cristo e de Paulo. Eu entendo que para uma igreja como a de Roma, com vários séculos de existência, os protestantes pareciam nova seita. Mas convenhamos - considerar episcopais, presbiterianos e assembleianos como “novos evangélicos” é passar recibo para a pretensão destes grupos sectários de serem igreja evangélica legítima.

2) Também achei que pode ter ficado a impressão para leitores menos avisados que os reacionários estão unidos entre si e que se aceitam mutuamente, sem problemas. Antes fosse. Mas, nem sempre o inimigo do meu inimigo é meu aliado. Eu entendo que o foco do artigo é as igrejas da prosperidade. Mas não posso deixar de ressaltar que aqueles que se levantam contra os abusos destas seitas não são necessariamente aliados entre si. Na verdade, pode haver entre eles diferenças tão abissais como a que existe entre eles e as seitas da prosperidade.

3) Denunciar o erro dos outros não nos absolve dos nossos. Se por um lado as seitas neopentecostais espalham um falso evangelho deformado pela teologia da prosperidade, há os que também propagam um evangelho distorcido pelo liberalismo teológico e por heresias antigas. As seitas da prosperidade acabaram sendo demonizadas como a própria encarnação do anti-evangelho a ponto de, conforme o artigo de Época, se fazer necessária uma nova Reforma protestante. Não discordo deste ponto, apenas considero que o enfoque nele acaba desviando a atenção de outras linhas de pensamento dentro dos arraiais cristãos que são tão prejudiciais quanto a teologia da prosperidade e que igualmente clamam por uma Reforma.

Por exemplo: e aqueles que destroem a fé em Jesus Cristo e nos padrões morais do Cristianismo? A mídia fica indignada com o mercenarismo dos pastores destas seitas, mas aplaude os evangélicos que defendem o casamento gay, o aborto, a teoria da evolução contra o relato da criação, o relativismo moral, o sexo livre e o ecumenismo com todas as religiões. A mídia não consegue enxergar que liberalismo teológico e teologia da prosperidade são irmãos gêmeos e hipocritamente aplaude um e condena o outro.

Não me entendam mal. A reportagem está correta. É preciso deixar claro que estes grupos neopentecostais estão deturpando o Evangelho de Cristo. Porém, é tendenciosa. Retrata os neopentecostais como a raiz de todos os males no meio evangélico, esquecendo o dano feito pelos liberais, pelos defensores de outro deus e pelos libertinos.

4) Por último, acho que faltou mencionar que os chamados “novos evangélicos” concordam apenas que é preciso uma mudança, mas discordam entre si quanto ao modelo de igreja que deve ocupar o lugar desta seitas. A Reforma do séc. XVI, em que pesem as diferenças entre os reformadores principais, tinha uma mensagem relativamente uniforme e praticava um modelo de igreja que era basicamente o mesmo. É só comparar as confissões de fé escritas por presbiterianos, batistas, episcopais, congregacionais e independentes para se verificar este ponto. Já os tais “novos evangélicos”… bem, há entre eles desde os “desigrejados,” que desistiram completamente de qualquer coisa que se pareça com uma igreja, até aqueles que desejam apenas expurgar o modelo tradicional de igreja dos acréscimos indevidos em sua doutrina, culto e prática, mantendo a pregação, o batismo e a ceia e o exercício da disciplina para os membros faltosos.

E no meio ainda temos os emergentes, as igrejas em células sem liderança oficial, igrejas com liturgia inclusiva e por aí vai.

É aquela velha história. Grupos contrários se unem contra um inimigo comum e após vencê-lo começam a brigar entre si. A luta comum contra as igrejas da teologia da prosperidade está longe de representar uma nova Reforma. Quando esta luta terminar - se é que vai terminar um dia - teremos de continuar a outra, mais antiga, que é contra o liberalismo teológico fundamentalista, o relativismo moral, o pluralismo inclusivista e o libertinismo que assolam os evangélicos no Brasil muito antes de Edir Macedo abrir seu primeiro templo. Para mim, estas coisas são até mais perniciosas, pois enquanto que as seitas neopentecostais criam suas próprias igrejas e comunidades, os liberais se infiltram nas estruturas e igrejas criadas por conservadores e drenam seu vigor até deixar somente a carcaça.

(*) A Igreja Presbiteriana do Brasil, por exemplo, passou a considerar a IURD e a Igreja Mundial do Poder de Deus como seitas desde julho de 2010, exigindo que membros destes grupos sejam rebatizados ao ingressarem nas igrejas presbiterianas locais.

Autor: Augustus Nicodemus Lopes
Fonte: [ O Tempora, O Mores! ]

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Candidato "cristão": você ainda vai votar em um

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Em ano eleitoral é sempre a mesma coisa... desperdício de dinheiro público, poluição visual e sonora das ruas e o maior concurso nacional de anedotas e chistes duas vezes por dia na tv. O problema é que esse movimento sazonal não se restringe a área externa da igreja, mas entra nela e ocupa inclusive o púlpito.

Li no blog da Nani, um quadro elaborado pela revista IstoÉ que apresenta a intenção de voto de aproximadamente 30 milhões de brasileiros, membros das maiores denominações evangélicas brasileiras que não votarão por convicção política ou por análise de propostas, mas pelo simples fato de o "pastor ter mandado".

Este ano, um empresário bastante famoso no interior paulista será candidato pela primeira vez. Pelo estado de São Paulo, o sr. Marco Feliciano concorrerá ao cargo de Deputado Federal. No Rio de Janeiro, a nossa "irmã Tati Quebra-Barraco", dona de uma voz angelical e de uma inspiração "divina" para compor suas melodias, também concorrerá ao mesmo cargo do pastor supracitado.

Apesar da aparente "diferença" entre os dois candidatos, ambos se apresentam da mesma forma. São filiados a um partido que carrega o nome de "cristão" e buscam na massa evangélica (paulista e fluminense), a vitória nas urnas.

Não poucos são os candidatos que utilizam a credencial de crente para povoar seu curral eleitoreiro. Pastores, cantores e pregadores itinerantes se apresentam como a "solução do povo de Deus" nas câmaras e assembléias de todo o Brasil. Mas eles são solução para quem realmente?

Lamentavelmente, os próximos meses tornarão muitas igrejas em comites eleitorais. Em muitos lugares do Brasil, principalmente longe dos grandes centros, pastores trocarão alguns minutos de púlpito por bancos novos, o gasofilácio será convertido em uma urna para "doações" e algumas congregações com poucos recursos, inesperadamente, vão pintar o prédio, trocar os vidros quebrados e comprar novos microfones, equipamentos de som e instrumentos.

Se em tempos menos terríveis para a bancada evangélica (veja as orações por dinheiro roubado e escondido na meia) os candidatos "cristãos" defendiam a necessidade da igreja se fazer presente na política para conseguir "defender" seus direitos. Este ano, a menina dos olhos é a PL122, que prevê tratamento diferenciado à minorias como gays e lésbicas. Apesar de não ser favorável a PL122, não creio que esse seja o único problema a ser "resolvido" no Congresso.

Não sou absolutamente contra a presença de cristãos no Congresso Nacional ou em qualquer casa legislativa do Brasil. Entendo cargo político como um cargo público qualquer, eu mesmo ocupo um cargo público. O problema está no verdadeiro estupro da Verdade e violação da igreja como palanque político. A igreja, como lugar de ajuntamento dos santos, não deve ser usada como espaço para discurso político. Ali é um lugar para se proclamar o Nome que é sobre todo Nome e nada mais.

Obviamente, não faço apologia a crentes alienados, pelo contrário, minha defesa é que o cristão, como qualquer outro brasileiro consciente, vote por convicção política ou partidária, depois de muito analisar a proposta política e o passado público do candidato. Em especial, daqueles que concorrem a reeleição. Político que nada fez em 4 anos, fará ainda menos nos próximos 4.

Cabe a nós cristãos, aos que votam ou não em "crentes", fazer também um bom uso das ferramentas de controle que a Justiça brasileira põe a disposição de qualquer cidadão. No site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), é possível acompanhar os gastos de campanha e o atual patrimônio de cada candidato. Além de outros dados como: formação acadêmica, certidões criminais e ocupação... você inclusive vai descobrir que alguns pastores preferem se apresentar como empresário, e não como pastor. Alguns também tem, apenas em automóveis, patrimônios de quase 300 mil reais. Apenas uma prova de que "deus o tem abençoado com bençás sem medida".

Não seja um "crente" panaca... a urna eletrônica não é um Playstation. A coisa ali é séria.

Autor: Daniel Clós Cesar
Fonte: [ Blog do autor ]

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Insanidade gospel

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“Não vos fieis em palavras falsas, dizendo: Templo do SENHOR, templo do SENHOR, templo do SENHOR é este.” (Jr. 7:4)


Demorou um pouco para cair a ficha, mas depois de ouvir o depoimento “ao vivo” e “a cores” do próprio Bispo Edir Macedo semana passada na TV cheguei à conclusão de que estamos a um passo de um surto de "insanidade gospel".

É bem verdade – e me perdoem os que porventura se ofenderem com minhas declarações – que não dá para chamar de culto evangélico as reuniões da IURD; basta ver a miscelânea ritualista empregada naquela liturgia, tais como: sal grosso, rosa mastigável (de verdade), lingerie ungida, água benta, lascas de madeira, areia de Israel, azeites dos mais variados aromas, corredor “polonês”, quebra de correntes, amarrações, bacias para lavagem de mãos, uniforme branco (ao mais alto estilo espírita cardecista) etc. Uma verdadeira “arca universal de religiões”.

Agora chegou a vez do GRANDE TEMPLO DE SALOMÃO; afinal, o “cristianismo judaizante” não poderia ficar de fora.

De acordo com o líder da IURD trata-se de algo tão “marcante” que só de passar diante do templo, o transeunte sentirá “algo diferente em sua vida”.

O que estará o SENHOR sentindo desde os altos céus?

Minha esposa, que conheceu o Evangelho de Jesus Cristo através da IURD em meados de 85, onde também desceu às águas, foi batizada com o Espírito Santo e serviu como obreira, quase chorou... ficou horrorizada...

Não acredito que ela “sentiria algo diferente em sua vida” se viesse a passar em frente ao futuro e mesmo aos atuais “TEMPLOS” da IURD... Sentiria náuseas!!!

Depois de 23 anos servindo ao Senhor na AD, ela não consegue enxergar nem sombra do que pode ter sido um dia a igreja na qual ela teve um encontro com o Senhor.

Enquanto assistia o “pronunciamento” do bispo, lembrei-me imediatamente da lição 3 da EBD do trimestre passado, baseada no capítulo 7 de Jeremias.

Neste capítulo aprendemos que o profeta Jeremias fora incumbido pelo Senhor de pregar na porta do santuário (Templo de Salomão) em razão da apostasia dos filhos de Israel, que via no GRANDE TEMPLO a “rampa de salvação” contra o iminente ataque dos caldeus. A chamada “teologia do templo”.

Diziam eles: “Templo do SENHOR, templo do SENHOR, templo do SENHOR é este.” Mas o sentimento do Senhor era outro: “É, pois, esta casa, que se chama pelo meu nome, uma caverna de salteadores aos vossos olhos? Eis que eu, eu mesmo, vi isso, diz o SENHOR.” (Jr. 7:1).

Inspirado pelo Espírito Santo, o mestre Claudionor de Andrade (comentarista da lição), define de maneira brilhante o que chamou de “a desmistificação da doutrina do templo”:

“... O compromisso de Deus não é com os símbolos ou com os ícones que o homem sedento de glória teima em criar; seu compromisso é com os que lhe guardam a Palavra e observam-lhe as alianças. Se lhe ouvirmos a voz e lhe observarmos os mandamentos, certamente Ele cumprirá a sua parte no concerto que firmou com o seu povo (Dt 4.40). Todavia, se lhe desconsiderarmos as ordenanças, arcaremos com todas as consequências de nossa rebeldia (2 Tm 2.12).”

Temo que essa insanidade ora revelada nas idéias do grande líder iurdiano se espalhe como um vírus pelas mentes de outros pastores, reverendos, apóstolos etc. Se já não os contaminou?!

Que o ETERNO tenha misericórdia de nós!

Prossigo para o Alvo... Fp. 3:14

Autor: Robson Silva
Fonte: [ Prossigo para o Alvo ]

A (ir)rracionalidade do ser humano sem Deus

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“O boi conhece o seu possuidor, e o jumento, o dono da sua manjedoura; mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende” (Isaías 1.3).

O ser humano é reputado como sendo o único animal racional. Sua capacidade cognitiva e de raciocínio é o fundamento da sua categorização como homo rationalis. Os outros animais, em sua totalidade, são classificados como sendo irracionais. A Bíblia afirma que a capacidade cognitiva e racional humana é de natureza ectípica, ou seja, é derivada de um modelo original e perfeito, o Arquétipo, no caso, o próprio Deus Soberano Criador do universo: “Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança [...] Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gênesis 1.26,27). Uma das características da imagem de Deus no homem é justamente a sua racionalidade.

Não obstante, à luz do que as Sagradas Escrituras afirmam a respeito do homem, podemos afirmar com toda a certeza, que, na realidade, o ser humano, morto em seus delitos e pecados, é o mais irracional de todos os animais. A passagem do profeta Isaías é demasiadamente clara a este respeito: “O boi conhece o seu possuidor, e o jumento, o dono da sua manjedoura; mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende” (Isaías 1.3). Isto não quer dizer, todavia, que, por ocasião da queda, o homem perdeu por completo a sua racionalidade. O homem não é incapaz de fazer uso da razão. O que a Escritura está ensinando, na verdade, é que o pecado causou um estrago imenso na razão humana. Esta se encontra absurdamente deformada, a ponto de Deus afirmar que o seu povo não possuía conhecimento real a seu respeito. É verdade que, no contexto, está enfocado o povo de Israel apóstata. Não obstante, podemos afirmar a mesma realidade no que concerne ao homem enquanto ser criado por Deus.

O homem sem Deus, cego em seu entendimento (2 Coríntios 4.4), é incapaz de reconhecer o Criador e se curvar em obediência e adoração a Ele. O apóstolo Paulo afirma que o ser humano se encontra em estado tal, que em vez de adorar o Criador, adora a criatura (Romanos 1.18-25). Ao passo que os animais irracionais conhecem os seus donos e possuidores, o homem é incapaz de reconhecer o seu Possuidor. A desgraça do pecado consiste nisto: no impedimento ao verdadeiro conhecimento de Deus. Por isso, podemos afirmar com propriedade que o homem é o mais irracional dos animais. Isso nos lembra o dito do puritano Joseph Alleine, na sua obra Um Guia Seguro para o Céu. Ele disse o seguinte: "Ó homem! Que monstro o pecado te transformou!"

O reformador francês João Calvino (1509-1564) estabeleceu as bases da verdadeira epistemologia. Calvino nos ofereceu uma diretriz clara de como o homem pode chegar a conhecer algo verdadeiramente no capítulo de aberturas das Institutas (1559). Eis suas palavras:

Quase toda a soma de nosso conhecimento, que de fato se deva julgar como verdadeiro e sólido conhecimento consta de duas partes: o conhecimento de Deus e o conhecimento de nós mesmos. Como, porém, se entrelaçam com muitos elos, não é fácil, entretanto, discernir qual deles precede ao outro, e ao outro origina.

De fato, é impossível ter qualquer conhecimento verdadeiro se não tivermos o correto conhecimento acerca de Deus e de nós mesmos. A grande questão que se levanta nesse momento é: Como o ser humano morto espiritualmente pode obter qualquer conhecimento acerca de Deus, visto que o pecado tem o poder devastador de impedir o relacionamento entre o Criador e a criatura? Vale salientar ainda que, não se trata de um mero conhecimento acerca da existência de Deus, mas um conhecimento piedoso e devoto, que envolva relacionamento íntimo entre Deus e o homem. Em virtude de o homem trazer em seu coração aquilo que Calvino denominou de semen religionis, ele tem conhecimento da existência de uma divindade. Não obstante, o pecado impede que ele reconheça o seu Criador. Então, como resolver esse dilema?

A resposta é: em Jesus Cristo, o nosso Redentor. É somente por meio de Jesus Cristo que podemos conseguir qualquer conhecimento real. Apenas em Cristo o homem encontra a expressão genuína da sua racionalidade. As Escrituras mostram isso de forma maravilhosa quando afirma: “Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte, porque a terra se encherá do conhecimento do SENHOR, como as águas cobrem o mar” (Isaías 11.9). Não se trata de uma passagem citada fora de contexto. Basta observar que o capítulo 11 de Isaías trata exatamente da vinda dAquele que é o descendente de Davi, Jesus Cristo. Ademais, Deus, falando por meio do profeta Jeremias, no contexto da Nova Aliança, afirma: “Não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao SENHOR, porque todos me conhecerão, desde o menor até ao maior deles, diz o SENHOR. Pois perdoarei as suas iniquidades e dos seus pecados jamais me lembrarei” (Jeremias 31.34; cf. os versículos 31-33).

Então, por mais que os grandes “luminares” do pensamento intelectual pós-moderno postulem a autonomia da razão humana, na verdade, posicionamo-nos nas fileiras daqueles considerados como “loucos” pelo mundo (1 Coríntios 1.18-31), que proclamam a falência da razão humana. Somente por meio do nosso Cristo é que recebemos o verdadeiro conhecimento. Apenas em Jesus é que o homem é salvo (leia-se “passivamente”) da sua irracionalidade.

Graças a Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, “o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção”.

Autor:
Fonte: [ Cristão Reformado ]

Uma Igreja Carente, mas Fiel.

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Por Renato Vargens

A Igreja Haitiana já era pobre, depois do terremoto de 12/01, se tornou mais pobre ainda.

Durante os dias que estive no Haiti pude verificar que dezenas de igrejas evangélicas foram completamente destruídas. Na verdade, vi pouquíssimas igrejas cujas construções não haviam sido danificadas pelo cataclisma de janeiro. Contudo, apesar da dor e do sofrimento proviniente do desastre, em nenhum momento vislumbrei qualquer tipo de reclamação ou murmuração por parte da Igreja Haitiana.

Confesso que estou impressionado com a forma com que os haitianos cultuam a Deus. Os louvores cantados em seus cultos em momento algum exprimem valores antropocêntricos. Não vi, nem tampouco presenciei canções que fazem alusão a prosperidade terrena. Além disso, não presenciei nos momentos de louvor com música, apologia a quebra de maldições e confissão positiva. Na hora das ofertas não vi ninguém incentivando o povo a ofertar tudo o que tinha em troca da unção dos últimos dias. Não testemunhei ninguém comercializando a unção da nobreza, nem tampouco observei pastores reivindicando titulos patriarcais.

Caro leitor, de fato a igreja haitiana é pobre, no entanto, apesar da sua imensa pobreza pude perceber que ela continua fiel ao seu Senhor, e que ao contrário de parte da igreja evangélica brasileira que é rica, mantêm-se firme não negociando os valores cristãos.

Pense nisso!

Renato Vargens
Fonte: [ Blog do autor ]

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Não me envergonho do "antigo" evangelho

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Por: Daniel Cesar Clós

"Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a AMIZADE DO MUNDO É INIMIZADE CONTRA DEUS? Portanto, qualquer que quiser ser AMIGO DO MUNDO CONSTITUI-SE INIMIGO DE DEUS. Ou cuidais vós que em vão diz a Escritura: O Espírito que em nós habita tem ciúmes?" Tiago 4.4-5

É fato: as igrejas evangélicas no Brasil, nunca estiveram tão cheias de gente. Nunca estiveram também tão cheias de mentes carnais, tão cheias de falsos profetas, tão cheias de lobos... tão carentes de ensino da Palavra, tão deficientes e doentes. Deixando de ser um lugar para atender feridos e os levar à cura (não falo de cura interior, falo de Salvação), passou a ser um depósito de doentes. Deixando de ser fonte de alimento saudável, tornou-se fornecedora de comida insípida.

Um dos retratos disso... desse "sucesso" como empreendimento comercial, é que no passado os ímpios olhavam para um pastor e o rotulavam de imbecil, pobre, sem estudo, fanático etc. Hoje, esses mesmos seres que odeiam a Deus quando olham para um pastor lhe imprimem outro rótulo, o de sem-vergonha, ladrão, mentiroso, inescrupuloso entre outros menos simpáticos.

O pastor de ontem, apesar de ser considerado parvo, era também visto como sincero, talvez pela ingenuidade a ele atribuída. O pastor, bispo, apóstolo ou patriarca de hoje, é tido pelos não cristãos como um cara malandro que está ali para enriquecer. Se o pastor "das antiga" era considerado um fanático porque ameaçava todo mundo com o inferno... o de hoje é visto como um estelionatário que manipula pessoas para que lhe entreguem seu dinheiro.

No que o evangelho melhorou? Qual foi o sucesso alcançado pelo evangelho contemporâneo? Para que tem servido o evangelho? Ou ainda, para QUEM ele tem servido?

A igreja, como congregação, e não como Igreja de Cristo, deixou, ou tem gradativamente e apressadamente deixado de ser um lugar de comunhão de santos, eleitos e com uma verdadeira aliança com Deus, para ser o lugar de ajuntamento de pessoas carnais, comprometidas apenas com seu próprio umbigo e que apresentam apenas um conceito positivo em relação a Deus. Afinal, "Ele é o camarada que pode me dar aquilo que desejo".

O mundanismo encontrou na igreja evangélica contemporânea um fértil campo. Enquanto religiões como islamismo, hinduísmo, budismo e outros "ismos" lutam para manterem-se intactas à "evolução" secular, o cristianismo abriu às portas ao mundo e deseja avidamente pacificar as relações com este inimigo eterno.

Creio que este meu último parágrafo será pano para que se costurem todo tipo de manga indesejada pelos de mente cauterizada, então o explico. Quando digo que o mundo não presta, não me refiro à criação de Deus, ainda que esta tenha se tornado inútil e na esperança daquele que a sujeitou esteja aguardando ser liberta da corrupção (Rm 8.20-21). Refiro-me ao pecado que abundou onde a graça não superabundou, a saber, naqueles que permanecem afastados de Deus por não terem sido crucificados com Cristo e portanto, permanecem mortos em seus próprios pecados.

Pois bem, a congregação tornou-se um lar de homens que não desejam cultuar a Deus, não desejam ter um compromisso com Ele e alimentam verdadeira ojeriza à vergonha da Cruz. Assim, os que deviam estar sendo alimentados na igreja, os que lavaram as vestes no Sangue do Cordeiro, são obrigados a compartilhar e a suportar a "lavagem" que os carnais tanto desejam comer, pois parece que a igreja é para estes e não para aqueles. Pastores se desdobram para manter no seio da congregação pessoas que nada querem com o evangelho senão os benefícios que ele "aparenta" proporcionar. E os que desejam buscar ao Senhor são os "retrogrados", "ultrapassados" e "reformados". Que pararam no tempo e espaço e não entenderam a "nova visão" que Deus deu à igreja.

O mais impressionante é que são os carnais que ditam as regras na igreja contemporânea. São os menos capacitados, os cegos e surdos, os que mais odeiam a verdade do evangelho. Esses são os que decidem o que deve ou não ser servido no cardápio de domingo.

Não penso em uma igreja tecnologicamente ultrapassada (ainda que não tenha nenhuma objeção às que assim são). Não estou dizendo que não se pode tocar guitarra na igreja, que não se pode fazer uso do teatro ou ainda que deviamos banir alguns benefícios da ciência de nossos cultos, como os projetores de vídeo ou microfones, por exemplo. Não sou um imbecil. Não desejo viver uma utopia. Refiro-me a Verdade. Refiro-me a Doutrina Cristã.

O cerne da questão é: Devemos comprometer o evangelho da Cruz em prol de alguns que não a desejam? Sejam eles milhares e milhares ou apenas meia dúzia?

O apóstolo Paulo escreveu que em nada ele se gloriava senão na cruz, pois ele fora crucificado para o mundo nela. A cruz havia sido o limiar de sua separação com o mundo (Gl 6.14). A nova "classe de crente" deseja não se separar do mundo, mas incorporá-lo a igreja, abandonou-se a pregação da cruz, abondonou-se os ensinos apostólicos da igreja primitiva e adotou-se os "ensinos" apostólicos(?) contemporâneos, onde Deus existe para servir ao homem e não o contrário. Onde a cruz é símbolo amigável, um pingente, uma tatuagem, um slogan... tudo, menos a minha morte para o mundo.

Estamos em guerra contra dominadores de um mundo tenebroso, e não me refiro aos diabinhos de Frank Peretti, refiro-me à secularização da igreja, ao pragmatismo, à pregação pós-moderna, ao marketing gospel e ao comprometimento com o homem. Verdadeiras potestades e principados que parecem anjos de luz.

O mundo não deseja ser amigo de Deus e Deus o tem como inimigo. Ele e todos os que desejam ser seus amigos.

Então... do lado de quem você vai ficar?

Fonte: [ Blog do autor ]
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Theologia crucis

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Por: James Montgomery Boice

É impossível superestimar a importância da cruz de Cristo. Pois se pensamos a respeito da necessidade da cruz, significado da cruz, pregação da cruz, ofensa da cruz ou o caminho da cruz — apesar de podermos pensar a respeito disto — em todo caso o que estamos dizendo, e devemos dizer, é que a cruz é central para o Cristianismo. Na verdade, dizemos mais. Dizemos que sem a cruz de Jesus Cristo não há verdadeiro Cristianismo.

Emil Brunner escreveu um livro sobre a pessoa e obra de Cristo chamado O Mediador, no qual ele ligou a correta compreensão da cruz com a Reforma. Ele disse: "Lutero certamente acertou o alvo quando descreveu teologia cristã... como uma theologia crucis [teologia da cruz]." Na verdade, acrescentou Brunner, "Todo o empenho da Reforma pela sola fide, soli deo gloria, foi simplesmente o empenho pela correta interpretação da cruz. Aquele que entende a cruz corretamente — esta é a opinião dos reformadores — entende a Bí¬blia e entende Jesus Cristo". Ele então cita Lutero diretamente: "Portanto este texto — 'ele suportou nossos pecados' — deve ser entendido particularmente por inteiro como o fundamento sobre o qual se apoia o todo do Novo Testamento ou o Evangelho, como aquilo que por si só nos distingue e à nossa religião de todas as outras religiões... Quem quer que acredite neste artigo de fé está guardado contra erros, e Deus Espírito Santo está sempre com ele."

Se isto é verdade, se a cruz de Cristo é o verdadeiro coração e essência do Cristianismo, deveríamos esperar, por um lado, que a teologia da cruz fosse a própria simplicidade: "Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras" (ICo 15.3), e "Crê no Senhor Jesus e serás salvo" (At 16.31). Ela deve ser acessível ao entendimento e crença de todos. E assim é! A cruz é apresentada precisamente desta forma na Bíblia — simplesmente e com a mais direta demanda pela fé de alguém.

Por outro lado, se a cruz é a própria essência do Cristianismo, podemos esperar que ela expanda nossas mentes ao máximo. E de fato, podemos esperar que, em parte, o completo significado da cruz esteja muito além de nosso entendimento, além de qualquer compreensão completa de nossa parte. Neste duplo sentido, a teologia da cruz pode ser descrita pelas palavras que um escritor usou para descrever a teologia do quarto evangelho. Ele o chamou "uma piscina na qual uma criança pode se divertir" bem como "um oceano no qual um elefante pode nadar".

Começamos a ver a complexidade da cruz logo que arrolamos as palavras comumente usadas para explicá-la: substituição, sacrifício, satisfação, expiação, propiciação, compra, redenção, resgate, mediação, reconciliação e assim por diante.

Ou quando começamos a arrolar textos importantes. Estes textos são encontrados ao longo da Bíblia, tanto no Antigo Testamento quanto no Novo Testamento. Lembramos que quando Jesus começou a explicar o significado de sua morte aos dois discípulos que estavam a caminho de casa em Emaús após a ressurreição, ele o fez a partir de todo o Antigo Testamento. Diz: "E, começando por Moisés, discorrendo por todos os profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras" (Lc 24.27). Isto se refere ao que os judeus chamam tenach. A palavra tenach é composta de três consoantes, cada qual representando uma das três partes maiores do Antigo Testamento: "T" para a torah ou lei de Moisés; "N" para neviim ou profetas; e "K" para ketuvim, isto é, os escritos ou Escrituras. Jesus estava ensinando que o significado de sua morte é encontrado ao longo do Antigo Testamento, de Gênesis a Malaquias.

E isto é o que descobrimos. Em Gênesis, lemos sobre a semente da mulher que "esmagará" a cabeça da serpente enquanto Satanás ataca "seu calcanhar" (Gn 3.15). Este é o primeiro anúncio do evangelho. Refere-se à cruz. Mais tarde lemos sobre a promessa de Deus de um filho para Abraão, por intermédio do qual "todas as nações da terra serão benditas" (Gn 12.3; 17.15,16; 22.18). Enfim, o filho que seria nascido na descendência de Abraão era Jesus. Isaías escreve de alguém que foi ...traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos (Is 53.5,6).

Na Lei, particularmente em Levítico, a cruz era prefigurada nas instruções de como os sacrifícios deviam ser oferecidos e pelos detalhes para a construção e uso da arca da aliança que permaneceu dentro do Santo dos Santos do tabernáculo do deserto e mais tarde no templo de Jerusalém. O Salmo 22 proporciona uma predição particularmente gráfica da morte de Cristo por crucificação. Zacarias fala de uma geração futura que olharia "a quem traspassaram" e o pranteariam (Zc 12.10). Malaquias, no final do Antigo Testamento, escreve sobre um "sol de justiça trazendo salvação em suas asas" (Ml 4.2).

No Novo Testamento existem até mais textos acerca da cruz, o que já seria de se esperar: porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles (Mt 1.21).

Isto é o meu corpo oferecido por vós... Este é o cálice da nova aliança no meu sangue derramado em favor de vós (Lc 22.19,20).

Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! (Jo 1.29).

Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus (2Co 5.21).

E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois disto, o juízo, assim também Cristo, tendo-se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos... (Hb 9.27,28).

carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos aos pecados, vivamos para a justiça; por suas chagas fostes sarados (IPe 2.24).

Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus (IPe 3.18).

Àquele que nos ama, e, pelo seu sangue, nos libertou dos nossos pecados, e nos constituiu reino, sacerdotes para o seu Deus e Pai, a ele a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém! (Ap 1.5,6).

Estes textos apresentam-nos algumas idéias como: um resgate, retirar ou suportar pecado; um pacto de sangue; sacrifício; redenção; e uma compra através do sangue.

Como lidamos com um assunto ao mesmo tempo tão simples e também tão rico e complexo como a Cruz de Cristo? Uma forma de fazê-lo é olhar para as três palavras mais importantes para compreender o que a cruz significa e então buscar vários versos que se relacionam a estes três temas. As palavras essenciais ao entendimento do que a cruz significa são satisfação, sacrifício, e substituição. Elas são fáceis de serem lembradas porque começam com a letra s.

Fonte: [ Josemar Bessa ]
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"Louvado seja EU": sobre o homem como centro da hinologia contemporânea

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Faz muito tempo que Deus não é louvado na igreja brasileira. A esmagadora maioria dos "hinos" cantados são focados única e exclusivamente no homem, em seus anseios mais infantis, em seus delírios consumistas. No reinado da mesmice musical, as frases, os determinismos, sempre giram em torno dessa autoajuda empobrecida que se alastrou pelas igrejas. Os novos mantras da musicalidade e(vã)gélica invasiva dos cultos, não tratam Deus como Deus, mas como um serviçal sagrado, cada vez mais vítima dos desmandos de uma gente mandona!

Não suporto mais a coreografia gospel do: "vire para o seu irmão e profetize!"; "dá glória!"; "determine!" Estive observando a repetitividade das frases de efeito: "Você é um campeão" (campeã das frases). "Você nasceu pra vencer" (agora, se dez pessoas estiverem orando por uma vaga de emprego, nove serão perdedores, né?). "Você nasceu pra brilhar"; "Você é uma estrela"; "Seus inimigos não vão morrer enquanto você não for exaltado na terra!" (essa é a teologia Bin Ladeniana, onde o que importa não é vencer, mas sim humilhar os que perderam).

Não suporto mais o culto invasivo. Quero ter o direito de ficar sentado. Quero poder estar triste no culto! Quero ter o direito de não cantar. Não preciso ficar em pé, abraçar o indivíduo ao meu lado ou levantar a mão para que todos saibam que estou cultuando, ou que sou vitorioso. Não preciso provar nada pra ninguém! E tem mais: se o culto é pra Deus, somente Ele pode julgá-lo bom ou ruim, e não os tais "ministros de louvor".

Isso sem falar no choro sem lágrima, a nova modalidade de "quebrantamento" utilizada pelos gurus musicais das igrejas. Aquela ladainha melosa, misturada a uma fungadinha aqui outra lá. Gente passando o lenço no rosto pra enxugar lágrimas tão falsas quanto seu ministério. Enquanto isso Deus chora - e com muitas lágrimas - por ver ao que reduzimos o louvor ao seu nome. Ele sofre pela tragédia musical da atualidade.

O homem contemporâneo tornou-se o deus de seu próprio louvor. Quando isso acontece, biblicamente só há um nome: idolatria!

Por essas e outras é que ainda amo o louvor do silêncio...
Até mais...

Alan Brizotti
Fonte: [ Blog do autor ]

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Da graça interior

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St. Agostinho
(354 - 430)


Decidi discorrer sobre a necessidade da graça, por causa de alguns irmãos nossos, que se deixaram envolver nesse erro - sem malícia alguma de sua parte, mas envolvidos entretanto. Ao exortarem alguém à justiça e à piedade, julgam que sua exortação opera pela força do homem junto ao homem, para que o esforço humano se exerça. Não crêem que a graça de Deus ajuda. O bom resultado vem unicamente do arbítrio da vontade livre. Como se ela pudesse ser bastante livre para realizar alguma boa obra, sem ser libertada pela graça de Deus. Não percebem ser dom de Deus o fato mesmo de poderem exortar com vigor a vontade preguiçosa do homem e levá-lo a iniciar vida honesta; a inflamar as vontades indiferentes; a corrigir as perversas; a converter as desencaminhadas; a pacificar as rebeldes. Pois só assim podem eles, de fato, persuadir aqueles a quem aconselham. E caso não o consigam, que fazem? De que servem tantos discursos? Que abandonem então os homens a seu livre arbítrio.

Se conseguem exercer essa influência, que pensem: seria possível ao homem influir tanto com a sua única palavra sobre a vontade do homem, e Deus, com sua graça, nada poderia fazer? Bem ao contrário!

Qualquer seja a eloquência humana para insinuar a verdade na vontade do homem, pela habilidade do raciocínio e suavidade do discurso, para alimentar a caridade, expulsar o erro pela doutrina e o torpor pela exortação, contudo "aquele que planta nada é; aquele que rega nada é; mas importa tão-somente Deus, que dá o crescimento" (I Cor 3,7). Em vão o operário multiplicará seus esforços exteriormente, se o criador não operar secretamente, no interior.

"Sem a graça agindo no interior, nada vale a exortação exterior"

***Cartas a Proba e a Juliana: Direção espiritual, p.66-67. Ed. Paulinas.
Fonte: [ Soli Deo Gloria ]
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Soldado ou guerrilheiro: Quem é você afinal?

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Por: Pastor Leonardo Gonçalves

O recente pronunciamento de Índio da Costa sobre o envolvimento do PT com as FARC, grupo terrorista colombiano, embora não seja nenhuma novidade, tem levantado o debate sobre a legitimidade da guerrilha da Colômbia. Antes de continuar, permita-me esclarecer que não defendo Sendero, nem FARC, nem Fidel Castro. Sou a favor da liberdade de consciência, e me oponho a tudo aquilo que restrinja meu direito de pensar. Lugar de terrorista é na cadeia, e quem se vale da ilegalidade do tráfico de drogas e armas não deveria ser chamado de soldado.

Agora, não pense que eu estou escrevendo isso para fazer uma defesa do Exército Brasileiro ou apenas para demonstrar minha discordância com a guerrilha colombiana ou com o PT. Eu apenas tomei emprestada essa analogia para exemplificar uma realidade comum ao cristianismo, pois cada dia que passa eu me dou conta que os guerrilheiros estão se apoderando do evangelho, enquanto está cada vez mais raro deparar-se com um verdadeiro soldado.

Mas qual é a diferença entre um soldado e um guerrilheiro? A linha que os divide parece um tanto tênue. Observe que os membros de uma guerrilha quase sempre têm uniformes, coturnos, armas e munição, rádios comunicadores e até se falam com jargões militares. Eles também possuem uma hierarquia, passam por um treinamento severo, tudo muito parecido com um exército “formal”. Apesar disso, não possuem a legitimidade de um verdadeiro exército. Por que razão? Ora, o motivo é simples: Os grupos guerrilheiros lutam por sua própria ideologia, por seus interesses comuns, enquanto soldados lutam pela pátria, estão sob comando da nação e a serviço do seu país. Deu para entender? Vou repetir a idéia: grupos guerrilheiros lutam por sua própria ideologia, por seus interesses comuns, por sua utopia particular, enquanto soldados lutam pela pátria. Captou?

Diante dessa confirmação, eu pergunto a você: Quais os interesses que movem os pastores, missionários e a liderança evangélica de modo geral? Por quem lutam? Seriam eles soldados ou guerrilheiros? Em um conflito de ideologias, qual força prevalece: a claridade das Escrituras ou a força de um estatuto? A palavra de Deus ou as palavras dos homens? O amor à Deus ou o apego à tradição denominacional? Por quem nossos líderes estão lutando?

Ainda lembro com tristeza das muitas vezes que tive que abster-me de gostos e gestos, de interesses e afinidades não porque a bíblia condenava minha conduta, mas porque o mesmo ia contra os famigerados “usos e costumes denominacionais”. Quantas vezes, na minha adolescência e juventude deixei de jogar bola, de freqüentar a piscina do clube, de tomar banho de cachoeira e outras diversões inocentes só para não ir contra as imposições do ministério? Transformaram-me em alguém que eu não era, violentaram a minha individualidade, e eu, simplesmente me deixei levar pela ideologia do grupo, pensando que ao final do treinamento me converteria em um bom soldado. Qual não foi a minha decepção quando descobri que haviam me transformado em um guerrilheiro!

Colegas pastores, ouçam por um momento este jovem que não tem direito sobre vocês, mas que os adverte e exorta com amor de um irmão: Por quem é que nós lutamos? Pelo reino de Deus ou pelos “reinos” dos homens? E se é pela glória de Deus, então alguém me diz, por favor, por que raios os imperativos deste reino não prevalecem nas discussões de Ministério ou nas mesas das Convenções? Porque é que nos recusamos a ensinar certos princípios bíblicos por reverencia a tradições retrógradas que muitas vezes estão em aberta oposição aos princípios do Reino? Será que já não lutamos pelo Reino? Já não defendemos nossa Pátria? Já não somos soldados dAquele Senhor?

Vejo em nossos dias homens e mulheres dispostos a morrer por um ministério, tatuando o rosto do seu apóstolo predileto nas costas, marchando (literalmente marchando!) alienados pelas idéias particulares de coronéis do evangelho, batendo continência para bispos, bispas, apóstolos e patriarcas cuja honra há muito se perdeu, e pergunto se não estamos rodeados por guerrilheiros, os quais andam muito preocupados com “seus evangelhos”, com “suas verdade”, com “seus reinos”, quando deveriam marchar como verdadeiros soldados aos quais somente importam as ordens do verdadeiro General.

Não quero dizer com isso que não se deve obedecer pastores, nem que seja um pecado honrá-los. O mandamento é bíblico, mas não existe nas Escrituras nenhuma razão que nos obrigue a honrar aqueles que negociaram o evangelho, mercadejaram a fé, se corromperam no poder e perderam a honra. Devemos obedecer àqueles que, orientados pela ideologia do Reino, nos guiam na batalha e demonstram fidelidade ao Deus que os comissionou. Quanto à geração de líderes caídos, vendidos e reprovados, valho-me das palavras de Pedro: “É mais importante obedecer a Deus do que aos homens”.

Há tempos venho observando essa guerrilha boba, e há muito já não cedo à suas ideologias e interesses. E como sempre acontece nas ditaduras comunistas, todos aqueles que ousam se opor ao status quo e lutar pela liberdade são taxados de rebeldes, são a “força inimiga”, os “traidores”. Assim, por uma grande ironia, no dia em que decidi lutar pelo meu Senhor aceitando o desafio de ser um autêntico soldado, meu antigo exército me perseguiu, me humilhou, me chamou de rebelde. Quando desejei com toda minha alma ser soldado, a “igreja” “evangélica” me transformou em um guerrilheiro subversivo. Que contradição!

Mas isso já não me importa, pois soldado que é soldado não teme enfrentar um grande exército. Prefiro ir à guerra com 300 valentes que amam à Deus do que lutar ao lado de 32 mil que buscam seus próprios interesses. Nem sempre a verdade está com a maioria, e tratando-se do evangelicismo brasileiro, está cada vez mais provado que a lógica não prevalece.

Mas e você, amigo leitor? Você é Soldado ou Guerrilheiro? De que lado você está?