Precisamos guardar a Lei?

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PERGUNTA
Graça e paz a vocês,

Visitando alguns sites há um tempo atrás, procurava algo sobre os crentes messiânicos (judeus crentes no evangelho), e vi algumas coisas interessantes. Em um dos pontos em que não concordei com a doutrina deles estava esse:

"Os gentios que se convertem ao Senhor Jesus não necessitam guardar a Lei, mas nós que somos judeus justificados pelo sangue de Jesus temos que guardá-la".

Eles apresentaram vários textos do novo testamento "comprovando isso". Eles, pelo que lembro, dizem que são justificados somente pela fé, mas que como agora o Espírito Santo está neles, eles podem guardar a Lei que antes, pela carne, não poderiam.

Os judeus que se convertem ao Senhor precisam guardar a Lei?

RESPOSTA

Darei uma resposta simples, mas espero que seja suficiente.

Antes de responder sua pergunta, precisamos entender o que eles (ou você) entendem por Lei. Teologicamente falando, dividi-se a Lei em três partes: a lei civil, a lei cerimonial e a Lei Moral. (Veja este artigo de Solano Portela para um estudo mais profundo)

A lei civil e cerimonial são questões como: forma de governo, circuncisão, "carne de porco", sacrifícios, quem pode ser sacerdote, etc. Estas vertentes da lei foram abolidas. Vejamos:

  • Lei cerimonial:
Porque, mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei. (Hebreus 7:12)

Lendo o contexto, percebe-se que a lei ao qual o autor de Hebreus se refere é a lei que constitui sacerdotes (Hebreus 7:28), ou seja, a lei cerimonial.

  • Lei civil:
Disse-lhes então: Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus. (Lucas 20:25)

Mostrando a separação entre o governo humano e o divino, nesta nova era, que é diferente da de Israel (para um entendimento mais profundo desta diferença de eras leia este artigo de John Piper).


Sendo assim, bem sabemos que Jesus disse:

Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir. (Mateus 5:17)

Então, quando Jesus veio, Ele cumpriu toda a Lei Divina, tanto a sombra da lei cerimonial (sacrifício único e perfeito, sacerdote eterno, etc.) e da lei civil (assumindo o reinado messiânico, etc.), como a Lei Moral.

Contudo, a Lei Moral não foi abolida, porque nem o pode ser, pois é um reflexo do caráter Santo de Deus e é o caráter divino que define algo como pecado. Esta Lei Moral está resumida nos 10 mandamentos e ainda mais resumida nos dois grandes mandamento.

Cabe ressaltar que Jesus não veio trazer uma nova lei. No sermão do monte, Cristo não estava abolindo a Lei Divina, mas o entendimento errado e os mandamentos humanos que colocaram sobre ela; e Ele fez isso mostrando o sentido mais profundo da Lei. Aliás, os dois grandes mandamentos, que são um, também não são uma nova lei, mas Jesus estava respondendo ao fariseu que perguntou qual "o grande mandamento na lei" (Mateus 22:36).

Portanto, a Lei Moral ainda vigora e todo crente (judeu ou gentio) deve cumpri-la. Se o judeu messiânico referia-se a esta Lei, então estou de acordo; e realmente só conseguimos cumpri-la através do poder regenerador e santificador do Espírito Santo.

Contudo, acho que a lei que os judeus messiânicos estavam se referindo é a cerimonial. Assim sendo, é importante dizer que, apesar de alguns crentes judeus continuarem a guardar algumas cerimônias no NT, isso não foi feito porque eles eram obrigados a isso, mas por costume e temporariamente. No NT não existe mais diferença entre judeu e gentio, todos estão debaixo da mesma condenação, todos tem acesso a Deus em um Espírito e todos têm que cumprir a mesma Lei, a Lei de Cristo, que é a Divina Lei Moral.

Para um maior entendimento do perigo de se guardar a lei cerimonial buscando ser aceito por Deus sugiro a leitura de Gálatas, Colossenses e Hebreus.

Autor: Vinicius Pimentel
Fonte: [ Voltemos ao Evangelho ]

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O que a Bíblia diz sobre a Escravidão?

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A Bíblia não condena especificamente a prática da escravidão. Ela dá instruções sobre como os escravos deveriam ser tratados (Deuteronômio 15:12-15; Efésios 6:9; Colossenses 4:1), mas não a declara ilegal. Muitos vêem isto como se a Bíblia permitisse todas as formas de escravidão. O que muitas pessoas falham em entender é que a escravidão nos tempos bíblicos era muito diferente da escravidão praticada nos últimos séculos em muitas partes do mundo. A escravidão na Bíblia não era baseada em raça. As pessoas não eram escravizadas por causa da sua nacionalidade ou pela cor da sua pele. Nos tempos bíblicos, a escravidão era mais um status social. As pessoas vendiam a si mesmas quando não conseguiam pagar os seus débitos ou sustentar a sua família. No Novo Testamento, algumas vezes médicos, advogados e até políticos eram escravos de alguém mais. Algumas pessoas escolhiam ser escravas para ter todas as suas necessidades providas pelo seu senhor.

A escravidão dos últimos séculos era freqüentemente baseada exclusivamente na cor da pele. Os negros eram considerados escravos por causa da sua nacionalidade – muitos donos de escravos realmente acreditavam que os negros eram “seres humanos inferiores” em relação aos brancos. A Bíblia definitivamente condena a escravidão baseada na raça. Considere a escravidão vivida pelos Hebreus quando eles estavam no Egito. Os Hebreus eram escravos, não por escolha, mas porque eles eram Hebreus (Êxodo 13:14). As pragas que Deus lançou sobre o Egito demonstram como Deus se sente em relação à escravidão racial (Êxodo 7-11). Então, sim, a Bíblia condena algumas formas de escravidão. O ponto chave é que a escravidão permitida na Bíblia de forma alguma se parecia com a escravidão racial que contaminou o nosso mundo nos últimos séculos.

O escravo em Israel tinha direitos (Êx 21.20,21; 23.15,16), o que a diferencia da escravidão praticada no chamado Brasil Colônia. O escravo que era liberto deveria receber provisões para recomeçar a sua vida. A atitude dos israelitas para com seus escravos deveria estar fundamentada no fato de Deus ter resgatado os hebreus da servidão no Egito. A Bíblia nos fala constantemente que todos nós, independente de classe social, somos todos escravos de Cristo (1Co 7.22). Com base nisso, os senhores terrenos devem não apenas administrar a relação senhor-escravo com grande paciência e misericórdia, mas também considerar e tratar seus escravos como iguais. Um rico exemplo desta relação encontramos na carta de Paulo a Filemon. Paulo intercede a Filemon que receba seu escravo Onézimo de volta como um irmão em Cristo e que não castigasse pelo seu crime. Uma atitude diferente de Filemon poderia ser caracterizada como pecado.

Outro ponto crucial é que o propósito da vida é mostrar o caminho para a salvação, não reformar a sociedade. A Bíblia freqüentemente aborda os assuntos de dentro para fora. Se uma pessoa tem amor, misericórdia e a graça de Deus, recebendo a Sua salvação – Deus irá reformar a sua alma, mudando a forma como ela pensa e age. Uma pessoa que recebeu o dom da salvação de Deus e liberdade da escravidão do pecado, enquanto Deus reforma a sua alma, irá se dar conta que escravizar outro ser humano é errado. Uma pessoa que verdadeiramente recebeu a graça de Deus irá se tornar graciosa para com os outros. Esta seria a solução da Bíblia para acabar com a escravidão.

Autor: Heitor Alves
Extraído de: [ Blog dos Eleitos ]

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Pela Fé somente

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Por: Augustus Nicodemus Lopes
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Um assunto que geralmente passa batido em meio às nossas discussões teológicas é a questão da salvação individual. Parece que assumimos tacitamente que todos os que se declaram cristãos concordam sobre o que é a salvação eterna e como ela é obtida - ou dada. Ao meu ver, este ponto é da mais alta importância para todos. Foi ele o ponto central da Reforma protestante do séc. XVI. A Reforma obviamente teve aspectos políticos, econômicos e culturais, mas, ao final, foi um movimento essencialmente religioso deflagrado por esta questão no coração de Lutero, "o que faço para ser salvo?" A resposta de Lutero, seguida por Calvino, Zuínglio e todos os reformados até o dia de hoje, foi que o pecador é salvo pela graça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo somente, e não por seus méritos pessoais ou pela mediação da Igreja. A reação da Igreja Católica veio no Concílio de Trento, que consolidou a contra-Reforma católica, realizado sob a liderança do papa Paulo III em 13 de janeiro de 1547. Nos cânones aprovados neste Concílio, que salvo melhor juízo nunca foram revogados pela Igreja Católica de hoje, temos um que trata do assunto:

Cânone 9 - Se alguém disser que o pecador é justificado pela fé somente, significando que nada mais é requerido para cooperar com o objetivo de se obter a graça da justificação, e que não é necessário de forma alguma que ele seja preparado e disposto pela ação de sua própria vontade, que seja anátema. (meu destaque)

Este cânone foi intencionalmente elaborado contra a doutrina protestante. Se ele continua mantido hoje, significa que a Igreja Católica defende que aqueles que acreditam na salvação pela graça mediante a fé somente são "anátema," que na terminologia católica significa exclusão definitiva da Igreja e, portanto, condenação eterna. Isto inclui todos os protestantes evangélicos que pensam, como Lutero, que a salvação é pela fé somente.

Eu sou um deles. O que segue abaixo é o que entendo ser o pensamento padrão reformado sobre o assunto. Lembro ainda que não estou querendo ser exaustivo (e nem poderia!) e que só destaquei aqueles pontos que acredito são mais relevantes para nosso cenário.

1. Todas as pessoas são carentes de salvação, pois todas elas, sem qualquer exceção, são pecadoras. Isto significa que elas, em maior ou menor grau, quebraram a lei de Deus e se tornaram culpadas diante dele. Esta lei está gravada na consciência de todos, disposta nas coisas criadas e reveladas claramente nas Escrituras - a Bíblia. Ninguém consegue viver consistentemente nem com seu próprio conceito de moralidade, quanto mais diante dos padrões de Deus. Como Criador, Deus tem o direito de legislar e determinar o que é certo e errado e de julgar a cada um de acordo com isto.

2. Ninguém é bom o suficiente diante de Deus para obter sua própria salvação ou de fazer boas obras que o qualifiquem para tal. O pecado de tal maneira afetou a natureza do ser humano que sua vontade é inclinada ao mal, seu entendimento é obscurecido quanto às coisas de Deus e sua fé não consegue se firmar em Deus somente. Sem ajuda externa - a qual só pode vir do próprio Deus - pessoa alguma pode obter ou receber a salvação da condenação e do castigo que seus próprios pecados merecem.

3. Deus enviou Seu Filho Jesus Cristo ao mundo para morrer por pecadores, de forma que eles pudessem obter esta salvação a qual, de outra forma, seria inalcançável. Jesus Cristo, por determinação e desígnio de Deus, morreu na cruz como sacrifício completo, perfeito, único, suficiente e eficaz pelos pecados. Ele ressuscitou física e literalmente de entre os mortos ao terceiro dia, vencendo a morte e o inferno, e subiu aos céus. Assim, somente em Jesus Cristo as pessoas podem encontrar a salvação da culpa e condenação de seus pecados. E fora dele, não há qualquer possibilidade de salvação, diante dos pontos 1 e 2 expostos acima.

4. As pessoas tomam conhecimento da pessoa e da obra de Cristo mediante o Evangelho, o qual é pregado ao mundo todo. Sem o conhecimento do Evangelho, é impossível para as pessoas se salvarem. Cristo é a luz do mundo, o caminho, a verdade e a vida, e ninguém pode ir ao Pai senão por ele. Este Evangelho está claramente exposto na Bíblia, e é por ouvir a Palavra que vem a fé em Jesus Cristo. Com respeito àqueles que nunca ouviram falar de Cristo, o Deus justo haverá de tratá-los sem cometer injustiça e em conformidade com a luz que receberam, quer da sua própria consciência, quer da natureza. Todavia, não poderão alegar desconhecer a lei de Deus.

5. Mediante a fé em Jesus Cristo, como seu único e suficiente Salvador, as pessoas, quem quer que sejam, de qualquer país ou cultura, sem distinção alguma de raça, sexo, posição social ou educação, são perdoadas completamente de seus pecados, aceitas por Deus como filhos e recebem o Espírito de Deus como selo e penhor desta salvação, iniciando assim uma nova vida neste mundo. Nesta nova vida, elas demonstram arrependimento pelas obras más cometidas, humildade e constante penitência diante de Deus, aliadas a uma grande alegria e gratidão a Ele por tão grande e completa salvação. A certeza que eles têm aqui nesta vida de terem sido salvos da condenação eterna não decorre de seus méritos ou obras - os quais eles não possuem - mas da graça e do favor de Deus. Por isto falam desta salvação não em termos arrogantes, mas humildemente, como pessoas que foram misericordiosamente salvas do justo castigo que mereciam.

6. A fé salvadora não é uma força emocional mística. Antes, é a confiança que parte de um coração regenerado por Deus em todas as suas promessas, principalmente aquela de vida eterna na pessoa de Jesus Cristo, Seu Filho. Esta confiança envolve uma compreensão básica do que o Evangelho nos diz sobre Cristo e sua morte e ressurreição e um assentimento intelectual a estes fatos. Como nem esta compreensão e nem mesmo a fé têm origem na capacidade humana, afetada como está pelo pecado, segue-se que a salvação, tendo custado um alto preço que foi a morte de Cristo, é dada gratuitamente por Deus. Ela não depende de obras, mérito, esforço ou qualquer outra coisa que tenha origem no ser humano. É puramente pela graça, mediante a fé.

É claro que estou falando somente da salvação da culpa e da condenação merecidas por nossos pecados. A obra de Cristo inclui muito mais, desde a santificação até a ressurreição dos mortos e a glorificação - que poderão ser assuntos de outros posts. Na verdade, o que Cristo fez e o que Ele é impactam todas as áreas da vida. Mas isto é assunto para mais adiante.

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PS1: Para os calvinistas que vão reclamar, a doutrina da eleição incondicional está nas entrelinhas. E para os que com isto vão dizer que eu estou escondendo o jogo, remeto para postagens anteriores onde abordei esta doutrina explicitamente.

PS2: O título desta postagem bem que poderia ser, "Enquanto Solano e Mauro não voltam..." Solano está dando um curso em Moçambique e Mauro está oficialmente de férias.

Autor: Augustus Nicodemus Lopes
Fonte: [ O Tempora, O Mores! ]
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Quando o desprezo pela teologia se transforma em misticismo

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Autor: Heitor Alves

É comum as pessoas serem contra o estudo bíblico. Dizem: "para quê estudar teologia se isso não me torna mais íntimo de Deus? O estudo da teologia só causa discussões!" Negam o estudo teológico afirmando que não precisam disso para conhecerem a Deus, mas precisam apenas ter uma experiência com o Divino.

Há muitas igrejas que, ao desprezarem o estudo, assumem um misticismo tal jamais vista! É pura emoção! Só querem saber de experiências!!! "Não quero saber de teologia, só quero saber de Deus!" Óh, quanta espiritualidade! Quanta piedade!

O misticismo, em seu mais simples e essencial significado, é um tipo de religião que enfatiza a atenção imediata da relação direta e íntima com Deus,ou com a espiritualidade, com a consciência da Divina Presença. É a busca da comunhão com a identidade, com, consciente ou consciência de uma derradeira realidade, divindade, verdade espiritual, ou Deus através da experiência direta ou intuitiva. [1]

As igrejas estão correndo atrás de uma "experiência sobrenatural" do Espírito. E essa experiência só é alcançada quando você perde o controle dos seus sentidos, para ser totalmente "controlado pelo Espírito". Nestas ocasiões não há lugar para a lógica. Não há lugar para a razão! Por isso é que a teologia é tão desprezada.

Há aqueles que dizem que quem tem o discernimento do Espírito, não precisa de teologia humana. Então, o que é discernimento do Espírito?

Discernimento do Espírito é um dom que Deus deu para que o irmão julgasse a doutrina e a edificação da igreja. Nós vemos profetas sendo julgados. Não só os profetas eram julgados, mas também qualquer revelação trazida no contexto místico de Corinto. Sem o Novo Testamento a igreja não poderia caminhar com discernimento de espírito; sem ele a igreja estaria com as portas abertas para qualquer heresia.

A cidade de Corinto um centro da filosofia clássica, semelhante à Alexandria de onde saíram os pensamentos de Clemente, Orígenes, que eram coisas estranhas à sã doutrina. Em Corinto encontramos um pensamento doutrinário que em muitos casos era praticamente um “casamento” da teologia com a filosofia. E neste contexto que se fazia necessário Deus levantar pessoas com dons espirituais para julgar e edificar a igreja.

Os ministros e presbíteros hoje julgam, mas julgam a partir do que há na Bíblia completa. Mas naquela época como poderiam julgar os problemas doutrinários da igreja sem o Novo Testamento? Em 1 Co 2.10 vemos esta expressão “discernimento de espírito” que parece sem sentido, mas no grego é “julgar”, “julgamento de espírito”. É um juízo que é trazido (v.10). É um julgamento entre duas coisas — distinção. Esse irmão que tinha este dom era na verdade um juiz na igreja com respeito à doutrina na igreja. [2]

O que estou querendo dizer é que a nossa obrigação, como cristãos, é sermos imitadores de Cristo em tudo, inclusive em buscarmos o estudo das letras:

"Então, os judeus se maravilhavam e diziam: Como sabe estas letras, sem ter estudado?" (Jo 7.15).

"Ao verem a intrepidez de Pedro e João, sabendo que eram homens iletrados e incultos, admiraram-se; e reconheceram que haviam eles estado com Jesus" (At 4.13).

Querido internauta, o estudo bíblico deve fazer parte de todo aquele que anda com Jesus. E, se você não sabe, quem estuda (mesmo que em casa, sozinho) está fazendo teologia!

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Notas:
[1]
http://pt.wikipedia.org/wiki/Misticismo
[2]
Revista Os Puritanos – ANO IX – Nº 04 – Outubro/Novembro/Dezembro 2001. Editora Os Puritanos – Páginas 26-31.

Fonte: [ Eleitos de Deus ]

Nem todo aquele que diz Senhor...

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Essa semana li que o Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil, considerou a IURD e a IMPD, seitas, e necessário é, que pessoas oriundas dessas denominações sejam rebatizadas e façam profissão de fé. (veja aqui) Louvável o posicionamento da IPB. Há muito tempo se espera, pelo menos das grandes denominações evangélicas do Brasil, a definição do que é, e do que não é, CRISTIANISMO. A Bíblia já define bem, mas é preciso ensinar nos púlpitos. O povo cristão tem sede de ensino e exposição bíblica, algo raro até nos mais "sinceros" púlpitos deste país.

Como podemos considerar pastor cristão, alguém que não prega o Evangelho da Cruz? Como podemos considerar cristianismo algo tão contrastante com os ensinos bíblicos? Podemos considerar cristianismo algo, pelo simples fato de "crer" na Bíblia ou fazer uso dela no rito?

As grandes corporações que pregam a teologia da prosperidade, que incluem promessas de riqueza, saúde, bons relacionamentos, cura interior, libertação de demônios etc... não pregam uma coisa: a Cruz. Não o principal, mas o ÚNICO meio para a Salvação do homem. Para nós que cremos no Evangelho, trilhar os caminhos da prosperidade humana a qualquer custo tem um único fim, o inferno, lugar que caiu em desprestígio nessas denominações, que publicamente não o negam, mas o expurgam das pregações para serem continuamente agradáveis a seus clientes.

Constantemente escuto a frase: lá é um pronto-socorro! Em outras épocas eu diria... ok! Pode ser... mas meu posicionamento hoje no entanto é outro. Primeiro eu pergunto: Por quê? Quem vai lá vai atrás de quê? Falta de dinheiro, saúde, casamento arruinado? É bastante provável que a resposta se encaixe nesses quesitos ou em outros bastantes semelhantes. Creio também, que a maioria dos verdadeiramente salvos também respondem algo bem parecido. Ai faço a segunda pergunta: Não são estes desesperados, os mesmos que já foram aos centros de umbana, "tiraram" cartas e consultaram os búzios e agora estão atrás de mais uma opinião? O impressionante é que muitos se encaixam aqui também. Chego então a uma última pergunta: Cristo: Salvador ou Solução? E a resposta é sempre a mesma: SOLUÇÃO. É aqui que diferenciamos os salvos dos não salvos.

Não buscam um salvador, buscam uma solução para satisfação de suas almas. Buscam desde um emprego a um carro novo... buscam da cura da filha soropositivo à aprovação em um concurso público... buscam de tudo... menos a Cristo... Como alguém assim pode ser considerado cristão? Como uma igreja que doutrina seus membros dessa forma pode ser cristã? Como pode alguém que odeia a cruz e não entende o seu significado ser declarado salvo? Basta "sinceridade" para alguém ser salvo?

Já é hora de pastores que pregam o verdadeiro Evangelho de Cristo condenarem esse ensino de demônios que prega de tudo, de psicologia barata à atitude positiva, mas nega o principal: a Palavra de Deus. Que distorcem a Palavra e deleitam-se em fábulas. Igrejas pastoreadas por lobos vorazes que cerram a porta dos céus impedindo que outros entrem, prometendo um céu na terra que nunca existirá.

Que este concílio da IPB possa ser um primeiro brado entre muitos outros contra as corporações da "salvação por obras", que rejeitam o sacrifício da cruz em troca de sacrifício financeiro. Que viram as costas à Cruz e voltam-se para o deus riqueza.

Autor: Daniel Cesar Clós
Fonte: [ Blog do autor ]

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Hipocrisia "santa"

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Estava aqui a pensar sobre tantas coisas que me aconteceram nos últimos tempos quando, novamente, fui transportado àquele tempo em que vivia a combater as estripulias gospel na igreja onde congregava. O arrepio percorreu da espinha ao dedão do pé somente com a horrenda lembrança, hei de confessar.

E não é que dia desses alguém novamente veio me dizer que certa pessoa , dentre as tantas que conheço, continua a praticar das suas! E então começou a discorrer sobre o fato. Sabem como é, embora detestando a coisa, a curiosidade nos faz prestar atenção à narrativa, quando o melhor seria não ouvi-la.

Disse-me o narrador que um dos praticantes do misticismo daquela 'grei', reunindo-se a um grupo de jovens novos convertidos e ainda bastante imaturos na fé, 'carreou-os' até um certo monte para que se sentissem mais próximos de 'deus'. E lá chegando, vendo uma das jovenzinhas triste e sorumbática, certamente por algo que lhe acontecera ao longo do dia, começou, 'in continenti', a lhe ministrar , pondo-lhe as mãos sobre a cabeça e murmurando a cantilena de sempre, tão peculiar no meio. Ato contínuo, sentenciou que a pobre jovenzinha estava acometida de espíritos maus.

Senti o mesmo descontentamento e tristeza de outrora ao ouvir a triste história. Temi pela fé da garota, bombardeada por tantas heresias e enganos. Ao mesmo tempo, dei graças a Deus por me guiar cada vez mais longe dessas práticas horrorosas e nefastas.

Cada dia mais me convenço que o evangelicalismo de agora está mesmo deturpado em sua grande maioria, salvo raras exceções. O sincretismo tem avançado pelas fileiras evangélicas cada vez mais ostensivamente, sem disfarces, sutilezas.

Evangélicos se transformam em espíritas, dando vazão ao sincretismo, em busca de uma suposta comunhão transcendente com um suposto deus. Buscam experiências mais e mais esdrúxulas, sem se dar conta que ao final do caminho nada encontrarão de bom ou edificante.

E então me recordo das palavras de Cristo: "Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade". (Mateus 7. 22-23)

Continuam com a mesma necessidade de exaltação, pavoneando-se da sua "grande espiritualidade", seja orando em alta voz na igreja ou nos montes, ou "clamando" aos gritos de aleluia para serem ouvidos, evocando uma certa aura de intocável santidade. Homens com a necessidade do aplauso (clap, clap, clap), ansiosos pela admiração dos seus pares. Por todos os poros transpiram a "unção" que lhes foi transmitida pelo seu "deus".

Sobre pessoas iguais a essas, Cristo já asseverara há quase dois mil anos: "Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens" (Mateus 15.8-9)

Com a mesma tristeza com que iniciei este post, me vem à memória outras palavras de Jesus, quando, por esta terra de dores passou: "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, , porque rodeais o mar e a terra para fazer um prosélito ; e, uma vez feito, o tornais filhos do inferno duas vezes mais do que vós" (Mateus 23.14). "Ai de vós escribas e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia. Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens , mas, por dentro, estais cheios de hipocrisia e iniquidade." (Mateus 23.27-28).

Não posso dizer que me apiedo desses tais, pois eles conhecem a verdade, mas são cegados pelo poder que a 'autoridade' lhes traz, pela busca do aplauso, pelo orgulho travestido de falsa piedade.

Que Deus, na sua infinita misericórdia, lhes abra os olhos.

Autor: Ricardo Mamedes
Fonte: [ A verdade liberta, o erro condena ]
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Confissão Positiva

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Há realmente poder em nossas palavras?

por :Antônio Pereira da Costa Júnior


Há alguns dias entrei numa livraria evangélica. Olhando as novidades, vi, estupefato, que as obras que estavam à vista eram aquelas que falavam sobre o poder inerente da língua. Como: “Há poder em suas palavras”, “Zoe: a própria vida de Deus”, “A sua saúde depende do que você fala”, etc.

Conversando com a atendente perguntei-la sobre os livros que estavam mais escondidos, como por exemplo, os livros de teologia, de referências, de história da Igreja, etc. Ela respondeu-me que são livros que não sai das estantes, a não ser que algum pastor, professor ou seminaristas venham a adquiri-los. E disse-me que mais de 90% das pessoas que freqüentam a livraria só compram livros dessa “nova teologia”.

É lamentável que isto seja um reflexo da falta de conhecimento da Igreja hodierna. As pessoas não querem mais pesquisar a fundo o que se vende ou se escuta por ai. Só querem bênçãos, sem se importar com o abençoador. Querem as coisas de Deus, embora não pensem em conhecê-Lo. Buscam o pão da terra, mas rejeitam o pão do céu. Nestas poucas linhas tentarei demonstrar que apesar de estar impregnada na Igreja como um todo, a confissão positiva é uma falha grave da chamada “teologia moderna”.


DEFININDO OS TERMOS

O que é o Movimento do Pensamento Positivo? É a crença em que o pensamento de uma pessoa é o fator primordial em relação a suas circunstâncias. Só em ter pensamentos positivos todas as influências e circunstâncias negativas serão vencidas.

E o Movimento de Confissão Positiva? É a versão cristianizada do pensamento positivo que essencialmente substitui a fé em Deus pela habilidade de ter fé em si mesmo. O simples fato de confessar positivamente o que se crê faz com que o desejo confessado aconteça. (1)

O verbo decretar está sendo conjugado dia-a-dia pelas mais variadas denominações. Não são poucas as pessoas que usam o jargão evangélico: “Tá decretado!” Não faz muito tempo às famosas frases de efeito no meio evangélico eram outras bem menos danosas para a fé cristã, como, por exemplo: “O sangue de Cristo tem poder” – nem sempre usada no contexto correto –, “Tá amarrado!” etc.

Mas, qual o motivo da frase “tá decretado” – e suas variações – estar errada? Não temos que reivindicar os nossos direitos junto ao Pai? Não somos filhos do Rei? As nossas palavras não possuem poder?

Para responder, sinceramente, a estas e outras perguntas, gostaria de dar algumas explicações do por quê não creio na assim chamada “confissão positiva”.

Devemos também lembrar-nos de que o termo “decreto” pertence somente ao Senhor de Toda Glória, como bem falou Rubens Cartaxo Junior: “ Os Decretos eternos de Deus é exclusivo de Sua pessoa o qual fez desde a Eternidade - Sl 33.11; Is 14.26-27; 46.9-10; Dn 4.34-35; Mt 10.29-30; Lc 22.22; At 2.23; 4.27-28; 17.26; Rm 4.18; 8.18-30; I Co 2.7; Ef 1.11; 2.10; II Tm 1.8-9; I Pe 1.18-20. Estes textos demonstram que Deus tem um propósito, ou um plano, para o Universo que criou. Este plano existe antes da criação. É um plano sábio, de acordo com o conselho de Deus. Ninguém pode anulá-lo, pois é Eterno”. (2)

A “confissão positiva” é parte da “teologia da prosperidade”, tão divulgada e recebida pela Igreja brasileira. Esta doutrina vem sendo divulgada há alguns anos no Brasil, especialmente por R. R. Soares que é o responsável pela divulgação dos livros de Kenneth E. Hagin, principal expositor desta doutrina. Hagin diz que recebeu a fórmula da fé diretamente de Jesus, e mandou escrever de 1 a 4 esta “fórmula”. Com ela, diz, pode-se conseguir tudo. Consiste em:

(1) "Diga a coisa" , positiva ou negativamente, tudo depende do indivíduo.

(2) "Faça a coisa" , o que nós fazemos irá determinar a nossa vitória.

(3) "Receba a coisa", a fé irá dinamizar a ação e Deus tem que responder, pois está preso a “leis espirituais”.

(4) "Conte a coisa", para que outras pessoas possam crer. Deve-se usar palavras como: decretar, exigir, reivindicar, declarar, determinar, e não se pode pedir “se for da tua vontade”, pois isso destrói a fé.

Não são poucos os líderes que adotam e pregam essa doutrina. Como disse o próprio R. R. Soares em uma entrevista para a Revista Eclésia, quando perguntado se ele era adepto da teologia da prosperidade, ele respondeu:

“...Agora, eu prego a prosperidade. Prefiro mil vezes pregar teologia chamada da prosperidade do que teologia do pecado, da mentira, da derrota, do sofrimento... A teologia da prosperidade, pelo que se fala por aí, eu bato palmas. Não creio na miséria. Essa história é conversa de derrotados. São tudo um bando de fracassados, cujas igrejas são um verdadeiro fracasso”. (3)

Para muitos, ganhar e ter dinheiro viraram sinônimos de vitória. E o que mais nos impressiona é a suposta “base bíblica” para defender seus devaneios. Um exemplo clássico é o texto de Filipenses 4:13 – que virou um moto na boca dos cristãos hodiernos – que diz: “Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece” . Só que os adeptos da teologia da prosperidade ignoram por completo o contexto da passagem. Veja o que diz os versos 11 e 12: “Não digo isto como por necessidade, porque já aprendi a contentar-me com o que tenho. Sei estar abatido, e sei também ter em abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade”.

Em outras palavras Paulo diz-nos que poderia passar por qualquer situação – fome, abatimento, necessidade, ter de tudo e não ter nada – pelo simples fato de que a sua força, em momentos de tribulação ou não, era Jesus Cristo.

Esse movimento pensa que a língua e a mente têm um poder que pode criar as circunstâncias ao nosso redor. Não é mais do que uma “parapsicologia evangélica”. Muitas das coisas que os “doutores da fé” dizem são clones dos ensinamentos do poder da mente, muito explorado pelo Dr. Joseph Murphy anos atrás. Ele escreveu alguns livros como: “Como usar as leis da mente”, “Conversando com Deus”, “As grandes verdades da Bíblia”, “A magia do poder extra-sensorial”, “O poder do subconsciente”, dentre outros.

Vou apenas citar um trecho do livro “A paz interior”, do Dr. Murphy para vermos que se parece muito com os “doutores da fé”. Comentando João 1:5-7 ele diz: “As trevas referem-se à ignorância ou falta de conhecimento da maneira como a mente funciona. Estamos nas trevas quando não sabemos que somos o que pensamos e sentimos. O homem está num estado condicionado do Não-condicionado, com todas as qualidades, atributos e potenciais de Deus . O homem está aqui para descobrir quem é. Não é um autônomo. Tem a capacidade de pensar de duas maneiras: positivamente e negativamente . Quando começa a descobrir que o bem e o mal que experimenta são decorrentes exclusivamente da ação de sua própria mente, começa a despertar do senso de escravidão e limitação ao mundo exterior. Sem conhecer as leis da mente , o homem não sabe como produzir seu desejo”. (4) (grifo nosso)

Vejamos ainda o que Jorge Linhares diz em seu livro: “Bênção e Maldição”, onde mostra um Deus dependente do homem, este é o Evangelho da Confissão Positiva e do Evangelho da Maldição – “Palavras produzem bênção... [ou] maldição... Palavras negativas... dão lugar a opressão demoníaca... ...Palavras positivas (confissão positiva), amorosas, de fé, de confiança em Deus, liberam o poder divino para desfazer a opressão...” (5)


SUPOSTA BASE BÍBLICA DA CONFISSÃO POSITIVA

Existem algumas supostas bases bíblicas que os defensores da confissão Positiva usam para defender esta doutrina, vamos dar apenas três passagens para não tomar muito tempo, no entanto, as demais passagens seguem basicamente esta linha de interpretação.

Marcos 11:22-23 “E Jesus, respondendo, disse-lhe: Tende fé em Deus; Porque em verdade vos digo que qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, tudo o que disser lhe será feito”.

Os defensores apregoam que o verso acima ensina que devemos ter a fé de Deus, ou seja, a confissão que gera as coisas. Declarar a existência de coisas que do nada virão a existir, podendo assim criar a realidade que quisermos.

O Pr. Jorge Issao Noda explica muito bem esta passagem em seu livro: “Somos deuses?”, ele diz; “Copeland editou uma Bíblia de referência onde este texto tem uma leitura alternativa: ‘Tende a fé de Deus'. Capps, Price, Hagin, são unânimes nesta interpretação. Hagin afirma, inclusive, que ela está de acordo com a visão dos eruditos em grego. O texto diz: echete (tende) pistin (fé) theou (de Deus). De Deus? Então Deus tem fé! Sendo assim, os mestres da Fé têm razão. Os cristãos, através dos séculos, estiveram interpretando erroneamente este texto. Xeque-mate? De maneira nenhuma. Robertson, um dos maiores eruditos em grego, afirma que o texto deve ser traduzido para ‘tende fé em Deus' porque se trata de um genitivo objetivo. Neste caso Deus não é o sujeito da fé (fé de Deus), mas o objeto da fé (fé em Deus). Os eruditos em grego maciçamente concordam com Robertson, contrariando a afirmação de Hagin”. (6)

Temos que ter fé em Deus, essa nossa fé em Deus é que faz com que os montes que enfrentamos a cada dia sejam superados, não pelo poder inerente a fé, mas no poder inerente do doador da fé, ou seja, o nosso Deus. Sem essa fé não venceremos, mas com Ele somos mais do que vencedores.

Provérbios 6:2 – “E te deixaste enredar pelas próprias palavras; e te prendeste nas palavras da tua boca”.

Este texto, dizem, significa que o poder de não passar por problemas está na língua. No entanto, Salomão está falando da pessoa que ficou por fiador de outro, como expressa o versículo anterior: “Filho meu, se ficasse por fiador do teu companheiro, se deste a tua mão ao estranho, e te deixaste enredar pelas próprias palavras; e te prendeste nas palavras da tua boca”. (grifo nosso)

A Bíblia de Genebra explica o termo “enredado”: “Pedir dinheiro emprestado é uma coisa, mas prover segurança para outrem é caminhar para dentro de uma armadilha feita pelo próprio indivíduo”. (7)

Provérbios 18:21 – “A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a utiliza come do seu fruto”.

Este versículo explica que devemos ter o cuidado de que nossas palavras não venham a nos trazer situações embaraçosas. Temos que saber como dizer as coisas, pois certamente colheremos situações que são causadas por nós mesmos. No entanto, este verso não dá margem para dizer que são as palavras em si que nos dá o controle das circunstâncias da nossa vida. São situações específicas e não o destino do ser humano que é traçado pela verbalização dos nossos desejos interiores.

Para uma compreensão melhor do que eu quero dizer, deixe-me mostrar-lhes algumas implicações práticas sobre a Confissão Positiva. Se você crer nesta doutrina, então terá que desconsiderar aquilo que eu irei falar a seguir. Mas se você quer ponderar o assunto, leia com atenção as frases seguintes.


IMPLICAÇÕES PRÁTICAS DE SE CRÊ NA DOUTRINA DA CONFISSÃO POSITIVA

Citaremos algumas implicações preocupantes que comprovam a periculosidade desta doutrina para os cristãos menos desavisados:

1 – A Doutrina da confissão positiva aniquila a Soberania de Deus.

Deus não depende das palavras dos homens para agir. Deus é e sempre será Soberano. Soberania é o atri buto pelo qual Deus possui completa autoridade sobre todas as coisas criadas, determinando-lhe o fim que desejar (Gn 14:19; Ne 9:6; Ex 18:11; Dt 10:14-17; I Cr 29:11; II Cr 20:6; Jr 27:5; At 17:24-26; Jd 4; Sl 22:28; 47:2,3,8; 50:10-12; 95:3-5; 135:5; 145:11-13; Ap.19:6).

Já imaginou um Deus que depende do homem para agir? Com certeza Ele entraria em enrascada se estivesse sujeito às oscilações da vontade humana. Eu mesmo não queria um Deus desse tipo. Prefiro o Deus da Bíblia que “tudo faz como lhe apraz”. (Sl 115:3).

2 – A Doutrina da confissão positiva enaltece o homem.

Quando entendemos biblicamente quem na realidade é o homem, ficamos sobremaneira conscientes de nossas falhas e limitações. Quanto mais a confissão Positiva enaltece o homem, mais eu vejo o seu erro. A Bíblia nos mostra claramente que o homem nada é comparado ao Senhor nosso Deus.

A Bíblia retrata como na verdade é o homem (Ezequiel 16:4-5; Is 1:6 Rm 3:10-18; Sal 51:5; 58:3; Is 48:8; João 5:40; Rm 1:28; 3:11, 18; II Pedro 3:5; Rm 8:8; Jr 13:23; João 6:44-45; Rm 8:6-8; Ef 4:18; Rm 1:21; Jr 17:9).

3 – A Doutrina da confissão positiva dá mais valor a palavra falada do que às Escrituras.

Onde fica a luta de reformadores como Lutero? Muitos foram aqueles que lutaram para que hoje tivéssemos a Palavra de Deus em nossas mãos. Muito sangue foi derramado para que pudéssemos ler às Escrituras sem a interferência da vontade humana. Onde fica o princípio da “Sola Scriptura”? A Bíblia deixou de ser relevante para as nossas vidas? Creio firmemente que não e os textos bíblicos confirmam isso - Sl 19:7-11; Sl 119; Jo 5:39; Rm 15:4; II Tm 3:16-17.

Amado irmão, se precisássemos apenas falar e declarar para que as circunstâncias adversas fossem resolvidas e vivêssemos rica e abundantemente sem problemas, então porquê a Bíblia dá tanta ênfase a suportar o sofrimento? Se Paulo tivesse o poder de parar de sofrer decretando, então como foi que ele teve que ficar com o espinho na carne? Deixemos de incoerência e vivamos a verdade da Palavra do Senhor!

“Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte”. II Co 12:10.

4 – A Doutrina da confissão positiva dá um conceito simplista da fé cristã.

O evangelho de Cristo é o evangelho da cruz, da renúncia, do arrependimento, do nascer de novo. O cristianismo de hoje é um cristianismo sem cruz, sem sacrifícios. Gosto de dizer que é o “evangelho boa vida”, evangelho “não-faça-nada-e-ganhe-tudo”. Esse não é o evangelho de Cristo. Basta vermos alguns textos para comprovar o que estou dizendo – Jo 3; Mt 16:24; Mc 8:34; Lc 9:23; Gl 6:12; Mt 3:8; Lc 5:32; II Pd 3:9, etc.

5 – A Doutrina da confissão positiva não tem o respaldo na História da Igreja.

Fico imaginando Lutero ou Calvino orando da seguinte maneira: “Eu decreto que a partir de hoje o papado vai morrer, reivindico que todos os inimigos do evangelho sejam transportados para o inferno. Declaro explicitamente que não mais haverá mais heresias e que os inimigos da cruz de Cristo vão desaparecer da face da terra. Está decretado em nome de Jesus!”

Essa oração nunca aconteceu. Dentro da História da Igreja não se tem notícia de coisas absurdas como essa. Será que todos os grandes homens de Deus estavam enganados a respeito de sua fé? Quando examinamos biografias diversas dos homens de Deus, seja de quem for, notamos uma única nota coerente em todos: Verdadeira humildade. Todos foram humildes em afirmar a soberania de Deus e a fraqueza do homem. Agora, o homem quer mandar em Deus? Meus amados somos servos e não senhores. E basta para nós sermos apenas servos.

Conclusão: Estude a Palavra e não fique por ai repetindo, como papagaio, aquilo que você escuta na televisão. É muito fácil pregar heresias. É muito prático dizer um “abracadabra” evangélico para que tudo se resolva. Difícil é estudar com afinco às Escrituras, passar horas debruçado sobre as páginas santas desse livro. Buscar de Deus o verdadeiro sentido da vida, entender às verdades centrais desse livro, no entanto, é salutar.

Como a Igreja do Senhor está precisando de bereanos hoje em dia. Você quer ser um deles? Oxalá que sim! Deus o abençoe.

SOLI DEO GLORIA NUNC ET SEMPER

NOTAS:
(1) A Sedução do Cristianismo, pg 268.
(2) Retirado da Internet - http://br.geocities.com/ipnatal
(3) Revista Eclésia, Ano V, Nº 67, Junho de 2001, pg 26.
(4) A paz Interior, pg 14-15, 8 a . edição, Record, Rio de Janeiro - 1979.
(5) Linhares, Pg. 16, 18.
(6) Somos Deuses? P. 28
(7) Bíblia de Genebra, p.732


Sobre o autor: O Pr. Antônio Pereira da Costa Júnior, nasceu em Esperança – PB. Co-Pastor da 1ª. Igreja Congregacional em St a Cruz do Capibaribe – PE. Faz parte do quadro de ministros da AIECB (Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil). Casado com Esther Monteiro da Costa, e Pai de Rachêl Hellen Monteiro da Costa. Palestrante e pesquisador na área de Apologética em geral, Técnico Agrícola pela UEPB e Bacharel em Teologia pelo STEC (Seminário Teológico Evangélico Congregacional). E fez um curso de Apologética por extensão pelo ICP (Instituto Cristão de Pesquisas). Faz Especialização em Teologia Bíblica pelo SPN – Extensão Campina Grande. E-mail: juniorapologista@yahoo.com.br

Fonte: [ Monergismo ]
Via: [ Presbiterianos Calvinistas ]

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Seja maldito!

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Por: Vincent Cheung

Se alguém não ama o Senhor, seja maldito! Vocês me ouviram. Se alguém não ama o Senhor independentemente da razão, por não ser cristão, ou por ser alguém que se diz cristão, mas não ama o Senhor — não sendo de fato cristão — seja maldito! Esta é minha teologia. Esta é minha declaração de fé. E esta é minha mensagem para vocês hoje.

Neste exato momento, vocês podem não estar se agradando muito de mim. Imaginem quantos líderes cristãos, pregadores, teólogos, igrejas, seminários, denominações, pais, mestres, políticos e pessoas de todas as esferas da vida denunciariam a mim por esta declaração e atitude completamente anticristãs? Quantas pessoas pegariam a Bíblia para citar passagens contra mim? Quanta gente reclamaria que minha fé é completamente contrária à religião de Jesus Cristo e seus apóstolos?

E isto me diria quantas pessoas se encontram longe de Deus e do contato com a fé cristã, pois estou apenas repetindo o que Paulo diz em 1 Coríntios 16.22. Na verdade, o versículo 21 indica que ele pegou a pena do amanuense para poder escrever esta declaração de próprio punho: “Cumprimento da minha mão, de Paulo. Se alguém não ama o Senhor Jesus Cristo, seja maldito”. Eu, Vincent Cheung, também ponho meu nome nessa declaração. Ela conta com meu endosso pleno. Meu desafio a vocês é se vocês pegarão a pena e assinarão seu nome nela. Ou a fé cristãs não é “cristãs” o suficiente para vocês?

Mesmo sendo a fé cristã a revelação do amor de Deus aos pecadores, sua preocupação principal é sempre a honra de Deus e não o bem-estar e consolo dos homens. Tão logo se reverta essa situação, o cristianismo deixa de existir. Minha declaração inicial é um teste da religião autêntica, um teste de ortodoxia e reverência. E todos os que a rejeitarem ou me criticarem por pronunciá-la são os que falharão no teste.

Se vocês ficaram ofendidos ou envergonhados com essa declaração, se chegaram apensar que não sou cristão por causa dela, e que ela se opõe de forma total ao espírito de Cristo, então há algo muito, mas muito errado com vocês. Vocês estão fora de contato com o que é a fé cristã de verdade, e o que ela ensina de fato. Estão vocês desalinhados como o espírito de Cristo e a religião do Novo Testamento.

No período em que a maior parte da igreja se ocupa com os assuntos dos homens e não com os assuntos de Deus, esta é a única forma de traçar a linha da fé e esclarecê-la. Sim, Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê seja salvo. Sim, quem ama o Filho ama também o Pai, e eles farão nessa pessoa sua morada. Contudo, caso sejamos cristãos também diremos: se alguém não ama o Senhor Jesus Cristo, seja maldito!

Fonte: Graça Prístina
Extraído do site: [ Eleitos de Deus ]

Tão cristãos, mas tão diferentes de Cristo...

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É de Gandhi a famosa frase: “Eu gosto do seu Cristo… mas não de seus cristãos. Seus cristãos são tão diferentes de seu cristo”. Para completar seu pensamento, aquele que foi indicado cinco vezes ao Prêmio Nobel da Paz acrescentou: “Estou seguro de que se ele vivesse agora entre os homens, abençoaria a vida de muitos que talvez jamais tenham ouvido sequer seu nome”.

Gandhi estava absolutamente certo em relação à sua percepção do cristianismo. Boa parte dos cristãos não se parece nada com Cristo. O que é lamentável, porque o desejo de Jesus é que seguíssemos suas pisadas. Ele mesmo disse que deveríamos fazer nós também o que ele havia feito: servir, amar, promover a justiça e a paz. Quando, na forma de servo, lavou os pés dos discípulos, ele disse que tinha feito para eles assim também fizessem a outros.

Jesus deu grande ênfase na proposta de que fossemos um com ele, assim como ele era um com o Pai. Tivéssemos unidade, identidade, semelhança. Esse é o propósito final na obra de Cristo, o sonho de Deus para nós, que sejamos semelhantes a ele. Filhos e filhas de Deus, irmãos e irmãs de Jesus, nosso irmão mais velho.

Ser semelhante a Jesus é amar a Deus com todas as suas forças, com todo o entendimento e de todo o coração. E ao próximo como a si mesmo. E o próximo é mulher, homem, preto, branco, rico, pobre, índio, não índio, heterossexual, homossexual, religioso, ateu. Todos devem ser amados, sem discriminação.

Se todos amassem ao próximo como a si mesmos, o paraíso seria estabelecido na terra. Seria feita a vontade de Deus assim na terra como no céu. O Reino de Deus já estaria estabelecido. Porque esse é o amor absoluto, como diz François Varillon, com que Deus nos amou e nos ama, a ponto de morrer por nós. Eu não teria coragem de morrer por outros, talvez por algumas pessoas mais próximas, mas não por um desconhecido. Mas Deus, em Jesus, assim nos amou.

Como o bom samaritano, preciso aprender a amar e ajudar o pobre à beira do caminho, o vizinho necessitado, o familiar desassistido, o irmão que sofre. Esse amor tem se revestir de concretude para que eu vista o nu, dê comida ao faminto, água ao sedento, visite o preso e o doente, acolha o estrangeiro.

Ser semelhante a Cristo é abraçá-lo, olhar para ele e dizer: “quero ser como você quando crescer. Sei que não sou o que deveria ser, mas quero ser como você”.

Diante de tudo isso, só me resta concordar com Gandhi. Os cristãos somos muito diferentes do nosso Cristo. Eu, de minha parte, estou tentando e desejando muito ser parecido com ele. Estou tentando.

Autor: Márcio Rosa da Silva
Fonte: [ Blog do autor ]
Via: [ Emeurgência ]

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Lei da ondulação

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Nossa vida espiritual é oscilante e por isso não devemos ficar desesperados quando não estamos nos nossos melhores momentos. Não somos super-heróis da espiritualidade, nem mesmo foram aqueles que são chamados hoje de "heróis da fé". Leia um pouco da biografia destes homens e você verá que a conversão nunca foi um ato de fé único e isolado, mas algo contínuo e dinâmico.

O problema para muitos cristãos hoje é a cobrança excessiva de seus líderes espirituais quanto a uma espiritualidade sempre triunfante. Não há dúvidas de que essa petulância gera culpa, desespero e ativismo. No livro de C.S. Lewis - Cartas de um diabo a seu aprendiz - um diabo mais experiente chamado Fitafuso instruiu seu sobrinho Vermebile em relação a vida de um cristão que não andava nos seus melhores dias. “Não o deixe sequer suspeitar da existência da lei da ondulação. Deixe-o pensar que seria natural que o entusiasmo inicial de sua conversão durasse e que deveria ter durado para sempre, e que o seu atual estado de aridez é um estado igualmente permanente”. Acho que é isso mesmo que o diabo faz; ele tenta nos convencer que o entusiamo inicial da conversão deve ser um sentimento perene e que deve durar para sempre. A tragédia é que ele anda usando muitos púlpitos para oferecer esses fardos pesados de carregar. Dizem por ai que o seu texto preferido de manipulação é justamente aquele que trata sobre o "primeiro amor".

Esse equívoco muito bem mapeado por Lewis tende a surgir em nossa jornada espiritual quando o fervor inicial da conversão parece ter se apagado. Em uma outra ocasião, Lewis escreve um carta para seu amigo Malcolm e fala sobre esse fervor inicial como uma espécie de Era Dourada que não foi projetada para durar para sempre.

"Muita gente religiosa se queixa de que o fervor inicial da conversão se apagou. Essas pessoas pensam - às vezes com razão, mas nem sempre, creio eu - que seus pecados sejam responsáveis por isso. É possível até que tentem, por meio de esforços deploráveis da vontade, ressuscitar o que lhe parece agora um era dourada. Mas será que esse fervor foi feito para durar? [...] a ironia, ou a tragédia de tudo isso, é que aqueles momentos dourados do passado, e que tanto nos atormentam a partir do instante em que os convertemos em norma, nos enriquecem, nos encantam e nos fazem muito bem desde que nos contentemos em aceitá-los pelo que são: lembranças.

O ponto não é que o fervor vai embora e nunca mais retorna, mas que o fervor não deve ser visto é um padrão normativo para toda vida. Deixemos a semente morrer para que nasça um fruto novo.

Autor: Daniel Grubba
Fonte: [ Soli Deo Gloria ]

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