Morris Cerullo no Brasil. Você o conhece?

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Morris Cerullo no Brasil. Você o conhece?
 Revisado, auditado juridicamente e atualizado em 1º/08/2008

Fonte: http://www.institutodeelias.com.br

Hoje recebi este link acima de um amigo sobre a notícia da visita do sr Cerullo aqui no Brasil. Com o nome de "CONFERÊNCIA PASSANDO O MANTO", um dos percussores da teologia da prosperidade desembarca em Brasilia-DF em Julho para "pregar" sua teologia da prosperidade e "passar o manto" por três dias. 

Infelizmente muita gente tem caído nesta distorção doutrinária, enganosa e herética que é a teologia da prosperidade, através de influências de alguns pregadores Brasileiros, tais como o sr Silas Malafaia, Apóstolo René Terra Nova e companhia. O pior é que as pessoas que houvem falar do sr Cerullo através destes pregadores nacionais nem se preocupam em investigar a vida do mesmo para saber quais os seus frutos.

Quando vi este site anunciando esta "conferência passando o manto" e visualizei os preletores desta conferência fiquei impressionado com a "junção" já anunciada uns tempos atrás do sr. Silas Malafaia com o Apóstolo René Terra Nova. O pastor Silas cumpriu sua promessa em fazer uma aliança com o Terra Nova em um congresso. O Pastor Silas que era um declarado combatente da heresia do G12, hoje se posiciona a favor do maior percussor da visão celular no Brasil. 

Para maiores detalhes, clique aqui e veja a postagem que aborda este assunto. 

Voltando ao assunto, Vejam quem serão os preletores da conferência passando o manto de Morris Cerullo:

http://www.institutodeelias.com.br/preletores.html
http://www.passandoomanto.com.br/palestrante.html


Bom, agora vamos direto ao assunto. Afinal de contas, quem é Morris Cerullo?

Pra quem não conhece o Morris Cerullo alem de ser o comentarista da nova Bíblia de Estudo Batalha Espiritual e Vitória Financeira lançada pelo Pastor Silas Malafaia que tem sido chamada pejorativamente por alguns críticos como "Bíblia do Milhão" por difundir o evangelho da prosperidade, ele também é o autor da famosa frase proferida na mensagem "The End Time Manifestation of the Sons of God": Morris Cerullo diz que “o propósito de Deus foi de se reproduzir (...) vocês não estão olhando para Morris Cerullo, vocês estão olhando para Deus, vocês estão olhando para Jesus”.

Morris Cerullo, descrevendo uma experiência que diz ter dito fora do corpo, afirma: “De repente, em frente a uma tremenda multidão, a glória de Deus apareceu. A forma que eu vi foi de um homem de mais ou menos 1,80m, talvez mais, e duas vezes mais largo que os corpos humanos, não tendo feições como olhos, nariz ou boca”. (The Miracle Book, pp. x-xi)

Morris Cerullo afirma ter visto Deus apesar das escrituras afirmarem:

João 1:18 Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou.

I Timóteo 6:16 o único que possui imortalidade, que habita em luz inacessível, a quem homem algum jamais viu, nem é capaz de ver. A ele honra e poder eterno. Amém!

fonte: www.agirbrasil.com (Pastor Paulo Romeiro)


Uma breve biografia do sr. Cerullo:

Morris Cerullo diz que se encontrou com Deus pela primeira vez quando contava oito anos de idade. Alegadamente ele estava de pé sobre um parapeito, pronto a terminar com tudo, quando Deus, miraculosamente, interveio, enchendo com sua presença o quarto de Morris e falando-lhe palavras de segurança. Conforme Cerullo conta, sua vida daquele ponto em diante foi uma maratona de milagres capaz de estourar os miolos de qualquer um.

Com a idade de 14 anos, depois de ter sido instruído pelos "principais rabinos" duma cidade do Estado de Nova Jérsei, Cerullo foi tirado do orfanato judeu "por dois seres angelicais, para um refúgio que havia sido preparado para ele." Menos de um ano depois, ele foi transportado ao céu, onde teve um encontro face a face com Deus. De acordo com o relato, "assim como Moisés contemplou a glória de Deus no arbusto que não queimava, Cerullo foi levado no espírito ao lugares celestiais, onde contemplou a Presença de Deus, sendo o ministério de sua vida claramente detalhado perante ele".

Deus, que foi descrito por Cerullo como alguém com 1,83m de altura e o dobro da largura dum corpo humano, tirou, por assim dizer, "a tampa do inferno e permitiu-me ver do céu para baixo, para os portais do submundo".(fonte: Miracle Book - Morris Cerullo - Cap XI) 

E então, no dizer de Cerullo, Deus falou com ele pela primeira vez. Apesar de Cerullo afirmar que nunca antes ouvira essas palavras, acontece que Deus lhe disse exatamente o que dissera antes ao profeta Isaías: "Levanta-te, resplandece, porque já vem a tua luz, e a glória do Senhor vai nascendo sobre ti... E as nações caminharão à tua luz..." (Is 60:1-3).

Assim, de acordo com Cerullo, ele se tornou o porta-voz de Deus, capaz de "revelar coisas que ainda não aconteceram, comunicando precisa e diretamente as Palavras de Deus, o 'assim diz o Senhor' ''.

Dessa maneira Cerullo desistiu da "grande ambição de se tornar o governador do meu Estado de Nova Jérsei", a fim de ser "um ministro do Evangelho". Cerullo conta e reconta essa história como prova indisputável que ele é, de fato, "um vaso escolhido de Deus". (fonte: Miracle Book - Morris Cerullo - Cap X, Few Are Chosen - Deeper Life - 21-junho-1981)

Mas até onde sabemos um escolhido de Deus fala a Palavra de Deus. Pergunte-se de Cerullo quem foi Jesus durante a encarnação, e ele replicará que quando "Jesus veio a este mundo, ele não veio em sua divindade, e nem como deidade (Deus)". Quanto à sua opinião sobre Deus, Cerullo tem isto a dizer:

"Vocês sabiam que desde o começo do tempo o propósito inteiro de Deus era reproduzir-se?... Quem são vocês? Vamos lá, quem são vocês? Vamos lá, digam: "Filhos de Deus!" Vamos lá, digam!... E quando estamos aqui de pé, vocês não estão olhando para Moris Cerullo; vocês estão olhando para Deus, estão olhando para Jesus! (fonte: The Endtime Manifestation Of the Sons of God - Morris Cerullo - Fita de audio 1, lados 1 e 2, ênfase no original)

De modo um tanto promocional, Cerullo reconhece que "o verdadeiro teste de um profeta é: "o que ele falar acontecerá". E, no entanto, até um exame ligeiro de suas predições demonstram que a média de acertos de Cerullo, quando se trata de profecias, é pouco melhor que a da Sociedade Torre de Vigia. Em 1972, por exemplo, Cerullo afirmou que Deus lhe dissera que "os Estados Unidos da América estão prestes a testemunhar um grande reavivamento". Já se passaram tantos anos e esse "grande avivamento" ainda não pôde ser verificado.

Em setembro de 1991 o Espírito Santo, alegadamente, falou com Cerullo e lhe disse: "Filho, o mundo será alcançado pelo Evangelismo por volta do ano 2.000!"

De acordo com Cerullo, isso significaria que há somente 1460 dias (referindo-nos a partir de 1996, data que foi escrito este livro) para atingir um bilhão de almas.

Se Cerullo tiver de ser crido, parece que Deus canaliza alguns dos apelos de levantamento de fundos mais manipuladores que se possa imaginar, através da boca de seu profeta. (Para variar, a maneira de se alcançar no tempo o objetivo de Deus, tendo Cerullo sido incumbido da solução global, é obter dinheiro para levar a cabo a tarefa). Eis, por exemplo, uma das alegadas "declarações de Deus":

"Entregai a mim as vossas carteiras, diz Deus, e deixai-me ser o Senhor do vosso dinheiro... Sim, sede obedientes à minha voz". 

Fonte do texto biográfico: Livro "Cristianismo em Crise - Hank Hanegraaff - Presidente do Instituto Cristão de Pesquisas nos EUA.

Evangelho da Prosperidade na Biblia do Morris e Malafaia:

"Pobreza é escravidão! Ela amarra as pessoas, impedindo-as de terem as coisas de que necessitam. A pobreza leva à depressão e ao medo. Não é a vontade de Deus que você viva na escravidão da pobreza. É hora de Deus acabar com a escravidão das dívidas e da pobreza no meio de seu povo! É chegado o momento da liberação de uma unção financeira especial, que quebrará as cadeias da escassez e o capacitará a colher com abundância!”

Extraído da Bíblia de Estudo Batalha Espiritual e Vitória Financeira (clique aqui para visualisá-la) do Morris Cerullo lançada no Brasil por Silas Malafaia.Veja o vídeo do anúncio da Bíblia abaixo:






Veja agora a própria Bíblia
(inclusive a mesma que eles utilizam)

fala sobre pobreza e riquezas materiais:

Vejamos o que a Bíblia diz sobre os pobres:

"Ouvi meus amados irmãos. Não escolheu Deus os que para o mundo são pobres, para serem ricos em fé e herdeiros do reino que ele prometeu aos que o amam? Entretanto, vós outros menosprezastes o pobre." Tg 2:5-6 Grifo meu!
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"Bem aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus". Lc 6:20b Grifo meu!

Vejamos agora o que as escrituras dizem sobre riquezas:

"Se alguém ensina outra doutrina e não concorda com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e com o ensino segundo a piedade, é enfatuado, nada entende, mas tem mania por questões e contendas de palavras, de que nascem inveja, provocação, difamações, suspeitas malignas, altercações sem fim, por homens cuja mente é pervertida e privados da verdade, supondo que a piedade é fonte de lucro. De fato, grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento. Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes. Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores. Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas; antes, segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão." I Tm 6:3 Grifo meu!

"Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam; porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração. São os olhos a lâmpada do corpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas. Portanto, caso a luz que em ti há sejam trevas, que grandes trevas serão! Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas. Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes? Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves? Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida? E por que andais ansiosos quanto ao vestuário? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham, nem fiam. Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós outros, homens de pequena fé? Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas." Mt 6:19-33 Grifo meu!

"E Jesus, vendo-o assim triste, disse: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas! Porque é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus." Lc 18:24 Grifo meu!

Em nenhum lugar na Bíblia encontraremos que Cristo prometeu riquezas materiais terrenas para alguém, mas somente que nosso Deus irá suprir nossas necessidades e que ele mesmo cuidará de nós, pois ele cuida dos pássaros e flores, porque não cuidaria de seus filhos? Isto não impede realmente que com esforço e trabalho alguém venha a prosperar financeiramente. Mas também não impediu que a igreja primitiva tivesse seus bens confiscados (Hb 10:34) e também não impediu que os apóstolos passassem fome e nudez (1 Co 4:11-13, 2 Co 11:23-33).

O verdadeiro Evangelho de Cristo nos aponta para o eterno das riquezas celestiais, pois "onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração".


Enquanto Silas Mafalafia lançava a nova bíblia no Brasil, Morris Cerullo era acusado de crime fiscal nos Estados Unidos:


SAN DIEGO, Califórnia - onetime 

O líder da Inspiration Network, agora localizado em Fort Mill - SC, está em tribunal na próxima semana, em San Diego, sobre a acusação de evasão fiscal de encargos. Dr. Morris Cerullo levantou a Inspiration Network a partir da confusão quando ele estava na propriedade de Jim Bakker do Ministério PTL. Dr. Cerullo é dono do ministério (ou empresa) "Morris Cerullo World Evangelism".

Em seu Web site, Morris Cerullo afirma que 2007 será o ano para o avanço financeiro, mesmo quando ele se prepara para enfrentar acusações de mentir sobre as suas finanças pessoais. Cerullo está enfrentando acusações de evasão fiscal Federal. A "WCNC" obteu uma cópia da acusação federal apresentou contra Cerullo, em San Diego.

Nele estão pedindo que Cerullo se explique porque mentiu sobre o seu rendimento declarado no imposto de renda, onde foi omitindo mais de US $ 500,000 (quinhentos mil dólares). Este, em apenas 15 anos após Cerullo assumir o ministério que foi deixado de Jim Bakker's. Ela se tornou a inspiration Network. Cerullo's assumiu a operação, mas permaneceu envolvido até 2005. Esse é o mesmo ano Cerullo foi indiciado.

O procurador federal disse que o dinheiro em questão provinha de ofertas doadas em cultos e outros eventos. Cerullo vai se apresentar no tribunal de San Diego em 20 de março. Se condenado, Cerullo poderá pegar até nove anos de prisão e pagar centenas de milhares de dólares em multas. 

Fontes: http://www.wcnc.com
http://www.usdoj.gov/usao/cas/press/cas50712-1.pdf

Portanto, vamos ficar atentos a este "doutor" que virá ao Brasil. Se você conhece alguém que demonstre interesse na teologia da prosperidade pregada pelo Cerullo e que queira ir nesta "conferência", alerte esta pessoa sobre o perigo e, se possível, indique este artigo para que a mesma possa conhecer o que realmente prega o Dr. Cerullo.

Como bons bereianos, estamos de olho!


Ruy Marinho
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O Evangelho segundo a Rede Globo

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Por: Euder Faber


A história da Igreja Cristã é marcada por perseguições e todo tipo de discriminação. Durante o Império Romano os cristãos eram jogados às feras como parte do entretenimento das massas. Outros foram mortos ao fio da espada e lançados em tachos quentes, dentre outras barbaridades.

Na Idade Média não foram poucos que terminaram na fogueira. Hoje em diversos lugares do mundo a perseguição continua. Países como Coréia do Norte, Arábia Saudita, China, Irã, Cuba, Vietnã e outras dezenas de nações têm imprimido um intenso estado de perseguição e discriminação aos cristãos, onde muitos têm pago com o próprio sangue para não negarem a fé em Jesus.

No Brasil, em especial no Nordeste, muitos foram os relatos de perseguição no passado, onde muitas Igrejas foram apedrejadas, principalmente no interior da região.

Hoje temos assistido ao surgimento de outro tipo de perseguição. São leis que estão sendo preparadas e que, caso aprovadas, farão ressurgir o fantasma da perseguição, discriminação e preconceito, que no passado assolou muitos cristãos no Brasil.

Parte da grande mídia tem estado a serviço desses movimentos que visam amordaçar o discurso evangélico no país. Uma demonstração de tudo isso se deu na última quarta-feira, dia 12, onde em horário nobre a Rede Globo veiculou em uma de suas novelas (Duas Caras), uma das cenas mais discriminatórias e preconceituosas que se tem notícia na TV brasileira.

Clique aqui para ver o vídeo

No capitulo da referida novela é mostrado uma turma, sendo comandada por um grupo de “evangélicos”, se dirigindo a uma casa onde dois homens e uma mulher mantêm um suposto triângulo amoroso — sendo um deles gays. Na cena vemos os “evangélicos” de Bíblia na mão e uma das “irmãs” gritando: “Nós vamos tirar o demônio de seu corpo e vai debaixo de pau e pedra”. Em outro momento se ouve uma delas dizer: “Eu sou a mão da força divina”. Daí, em certo momento, uma das “evangélicas” atira uma pedra na direção da mulher que estava sendo acusada de manter a aventura amorosa com os dois homens. Depois, ocorre a invasão da casa, onde os “crentes” gritam: “Quem não quiser arder no fogo do inferno me siga”. O desfecho da cena é lamentável. A “crente” por nome de Edvânia de faca na mão esfaqueia o colchão dizendo: “O sangue de Jesus tem poder”.

Mas o que mais chamou a atenção foi quando um dos homens que é apresentado como suposto homossexual, ao ser agredido, gritou: “O pecado está no preconceito, na intolerância, na violência”. Foi aí que revelou-se a intenção da referida cena. Essa frase dita pelo suposto gay é um dos chavões do movimento gay no Brasil, geralmente usada contra a Igreja Evangélica, que fundamentada na Bíblia repudia tal comportamento. Tudo isso faz parte da campanha que visa sensibilizar nossas autoridades para aprovação da denominada “Lei da Mordaça”, a dita lei anti-homofobia (PLC 122/2006 E PL 6418/2005). Tudo isso também faz parte de uma campanha ardilosa que visa jogar a opinião pública contra a Igreja e seus líderes, tachando-os de preconceituosos e intolerantes.

Todo o Brasil sabe da contribuição dada pela Igreja Evangélica ao país. Nosso povo também sabe que cenas como as que foram apresentadas nesta novela não condizem com a realidade. Onde já se teve notícia de que evangélicos insuflaram as massas contra os gays no Brasil? Muito pelo contrário: temos sim é pregado o arrependimento, o amor e o perdão para com essas pessoas, em relação Deus.

A Rede Globo agiu de forma maliciosa, discriminadora, preconceituosa e pejorativa em relação a todos os cristãos evangélicos de nossa nação, retratando-nos como fanáticos que desejam impor seu pensamento e seu estilo de vida à sociedade. São fatos como esse que nos fazem acender a luz amarela e percebermos que estamos caminhando para tempos de perseguição religiosa em nosso tão amado e querido Brasil. Lamentável.

Fonte: VINACC

Divulgação: www.juliosevero.com


Teologia da prosperidade

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Teologia da prosperidade

A Teologia da prosperidade é um falso ensino que afirma que possuir bens materiais e riquezas são “direitos” daqueles que seguem a Cristo, e que ser pobre significa estar debaixo de “maldição”, em pecado, sem fé ou autoridade para “reivindicar” seus “direitos”.

“Porque haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina, pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceiras nos ouvidos, e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas”. (IITm.4.3).

Deus de fato é um Pai amoroso e abençoador, que supre nossas necessidades, mas de acordo com a vontade dele, e não da nossa, afinal nós é quem somos seus servos e Ele o Senhor, e não ao contrário. Não podemos reivindicar ou exigir direito algum, pois tudo o que ele nos dá é pela graça, que significa favor imerecido, e não um direito a ser exigido.

Os pregadores da teologia da prosperidade ou do “evangelho de mamom” alegam ter seus templos sob a bênção de Deus, pois esses vivem cheios e suas filiais se espalham por todos os lados, mas na verdade eles usam de covardes estratégias para lotarem suas igrejas, pois estimulam a cobiça do povo, prometem garantia de prosperidade material e terrena, transformam as dificuldades humanas em “maldições a serem quebradas”, exploram a fé e a miséria do povo, que se tornam presas fáceis desse engano e, motivados pelo interesse ou pelo desespero financeiro, se aglomeram nesses templos, sendo iludidos e persuadidos a um evangelho de facilidades, desprovidos da Verdade em Cristo, são induzidos a barganharem com Deus através de suas ofertas/dízimos e aprendem a usar o nome de Jesus como um mero detalhe e “fórmula mágica” para adquirirem seus desejos e riquezas, e quando essas falsas promessas não se cumprem se tornam frustrados e feridos, culpando a Deus e se sentindo rejeitados por ele.

Multidão de sacrifícios, “ofertas generosas”, templos cheios, ajuntamentos solenes e grandes festas “em nome de Deus” nem sempre são agradáveis e aceitáveis ao Senhor, Leiamos Isaías 1:11 a 14 as Palavras do próprio Deus: “De que me serve a multidão de vossos sacrifícios - diz o Senhor. Estou cansado dos holocaustos de carneiros e da gordura dos animais cevados e não me agrado do sangue de novilhos, nem de cordeiros e nem de bodes. Quando vinde para comparecer perante mim, quem vos requereu o só pisardes em meus átrios? Não continueis a trazer ofertas vãs, o incenso é para mim abominação e também as festas de lua nova, os sábados e a convocação das congregações; não posso suportar iniqüidade associada a ajuntamentos solenes.”


Jesus ou mamom?

Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de aborrecer-se de um e amar o outro, ou se devotará a um e desprezará a outro. Não podeis servir a Deus e a mamom (riquezas).” Mt 6:24.

Nessa passagem o próprio Jesus compara as riquezas, a cobiça material a outro senhor, nos mostrando que é como servir a outro deus, a um ídolo. É IDOLATRIA PURA!!! Porém muitos têm escolhido servir a mamom, e vários pregadores e pastores estão levando a igreja a se prostrar diante de altar estranho, rejeitando a Jesus. Se aprendemos que é impossível servirmos a dois senhores, sem amar a um e aborrecer o outro, se um é opositor ao outro, qual o senhor que está sendo servido no meio do povo que aceita a teologia da prosperidade?

A palavra de Deus nos alerta que “o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males” (I Tm.6:10) e que “ onde está o seu coração, aí está o seu tesouro.”(Mt 6:21). O verdadeiro evangelho ensina que somos peregrinos e forasteiros nesse mundo (Hb.11:13), que nossa herança está na eternidade(Mt 25:34).


Aceitando a proposta de satanás?

Em Mt. 4: 8 e 9 foi lançada uma tentadora proposta:

“Levou-o o diabo a um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles, e lhe disse: tudo isso lhe darei se prostrado me adorares”.

A Teologia da prosperidade nada mais é do que essa mesma proposta de satanás feita a Jesus na tentação do deserto, e que hoje está se estendendo a nós e sendo aceita no meio da igreja, e muitos, sem discernimento, não percebem que estão se rendendo à glória desse mundo com toda sua riqueza, cobiça, ostentação e poder, e se prostrando, conseqüentemente ao adversário. Porém Jesus, a quem dizem servir, se negou a aceitar, respondendo: “Então Jesus ordenou: Retira-te satanás, porque está escrito:Ao Senhor teu Deus adorarás e só a ele prestarás culto”.( Mt.4:10).

Que a igreja do Senhor possa seguir a JESUS, não se prostrando a mamom, não se rendendo às propostas cobiçosas de satanás, adorando apenas ao Senhor Verdadeiro e buscando as coisas lá do alto. Que possamos retirar do nosso meio os “bezerros de ouro” que muitos têm levantado, que toda idolatria seja dissipada para glória de Deus!

“Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes. Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males, e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores”. (I Tm.6:8 a 10).


Desmascarando o engano

· Somos abençoados pelo que possuímos? Não! Jesus nos responde em Lc.12:15b: “...porque a vida de um homem não consiste na abundancia de bens que ele possui”.

· Para Deus quem tem riqueza material, tem necessariamente riqueza espiritual? Não! Vejamos em Lc.12:20 e 21: “Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma, e o que tens preparado, para quem será? Assim é o que entesoura para si mesmo , mas não é rico para com Deus”.

· Para Deus aqueles que buscam apenas riquezas têm uma vida espiritual frutífera? Não! Leiamos em Mt.13:22: “O que foi semeado entre os espinhos é o que ouve a Palavra, mas os cuidados do mundo e a fascinação das riquezas sufocaram a Palavra, e ficaram infrutíferas”.

· Quem é pobre foi rejeitado, esquecido ou amaldiçoado por Deus? Não! Em Tiago 2:5 aprendemos: “Ouvi, meus amados irmãos. Não escolheu Deus os que para o mundo são pobres, para serem ricos em fé e herdeiros do Reino que ele prometeu aos que o amam? Entretanto, porque menosprezais os pobres?”

· Os grandes homens de Deus tinham como principal característica os seus bens materiais? Não! Observamos: “Disse Pedro: Não tenho ouro, nem prata, mas o que tenho te dou. Em nome de Jesus Cristo, Levanta-te e anda!”.(Atos 3:6).

· Uma igreja pobre financeiramente também é pobre espiritualmente? Não! Vejamos a carta enviada à igreja de Esmirna em Ap.2;9a : “ Conheço a tua tribulação e a tua pobreza ( mas tu és rico)...”

· Imensas igrejas, luxuosas e ricas podem ser miseráveis e pobres diante de Deus? Sim! Vejamos parte da carta à igreja de Laodicéia, em Ap.3:17: “...pois dizem: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu.”

· Um alerta de Jesus aos mestres que colocam aquilo que é material acima do Próprio Senhor: “ai de vós, guias cegos, que dizeis: quem jurar pelo santuário, isto é nada, mas se alguém jurar pelo ouro do santuário, fica obrigado pelo que jurou. Insensatos e cegos! Pois qual é o maior: O ouro ou o altar que santifica o ouro? E dizeis: quem jurar pelo altar, isso é nada, quem, porém jurar pela oferta que está sobre o altar fica obrigado pelo que jurou. Cegos! Pois qual é o maior: a oferta ou o altar que santifica a oferta?”. Mt. 23:16 a 19.


Conclusão

Como provamos através da Palavra de Deus, a prosperidade pregada pelos homens está muito aquém da verdadeira prosperidade na ótica do Senhor. Pobres podem ser prósperos, enquanto quem confia em suas riquezas podem ser, na realidade espiritual, miseráveis. As coisas do Espírito se discernem espiritualmente (I co 2:13) e não materialmente.

Sejamos ricos ou pobres, o Senhor não faz acepção de pessoas (Rm.2:11). Ele comprou com seu sangue pessoas de todas as tribos, raças, povos e nações. Ele não rejeita ninguém.

Se aprouver a Deus permitir que alguns de seus servos sejam ricos, a eles ele deixou essa orientação: “Exorta aos ricos do presente século que não sejam orgulhosos, nem depositem sua esperança na instabilidade da riqueza, mas em Deus, que tudo nos proporciona para o nosso aprazimento, que pratiquem o bem e sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir, que acumulem para si mesmos um bom fundamento para o futuro, para que alcanceis a vida eterna”.(I Tm. 6:17 a 19).

Aos que não possuem bens, saibam que nossa esperança não está nas coisas perecíveis desse mundo:

Se nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes dos homens.” I Co 15:19


Autora: Viviane Pinheiro

Viviane Pinheiro Cotta, 29 anos, membro da Igreja Congregacional de Macaé-RJ, Seminarista e Professora de escola dominical da classe jovem, dona da comunidade do orkut "Resgatando a Verdade", com um projeto de construir um site com seus artigos e um livro que se chamará "Resgatando a Verdade em tempos de apostasia".
Clique aqui para enviar um email à autora.

Pontos Discutíveis no Movim. Neopentecostal!

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por

Wemerson Marinho


O movimento neopentecostal cresce muito atualmente. No entanto, esse crescimento não nos impede de questioná-lo, pois, afinal, nós somos vítimas do pragmatismo [1] carismático, que pensa que, se algo deu certo, só pode ser bom e verdadeiro. A nossa base de julgamento é a Palavra, nossa regra de fé e prática. Sem a pretensão de fazer uma abordagem técnica sobre o assunto, discorreremos sobre alguns pontos discutíveis desse movimento, analisando-o sob três perspectivas: a eclesiológica, a teológica e a prática.

Salientamos que estaremos abordando o tema neopentecostalismo [2] e não sobre o movimento pentecostal [3]. Sobretudo, não é nossa intenção atacá-lo como movimento em si, mas apenas refletir sobre os pontos listados acima.


Pontos discutíveis da Eclesiologia [4] Neopentecostal


Nossa abordagem irá explorar apenas três itens: o culto, a evangelização e o ofício ministerial.

a) O culto neopentecostal

Temos entendido que o propósito exclusivo de um culto é a adoração a Deus e a edificação da alma adoradora. Contudo, não se pode dizer que a igreja neopentecostal tem seguido este propósito, isto porque a ênfase dos seus cultos, geralmente, não é a glória de Deus. Na "igreja neopentecostal", o conceito de culto é ambíguo, pois, ao invés de se cultuar, fazem-se "campanhas" de cura, revelação, prosperidade, etc.

Desta forma, se Deus comparecer nestes "cultos", terá que ser para servir a agenda semanal das tais igrejas e não para ser adorado. A liturgia deles é cheia de "glória a Deus", mas é tão desvirtuada de um padrão bíblico que a ênfase recai sobre fenômenos (pouco comprovados) como curas, milagres e testemunhos, muitos dos quais enfadonhos e que resultam mais em projeção pessoal do que em exaltação ao Senhor.

As pregações, quando não são pura aberração, são cheias de confissões positivas do tipo: "Você vai prosperar, use sua fé e prospere, hoje Jesus vai te curar, Deus vai mudar sua vida..." Não existe, portanto, na maioria destas igrejas, uma exposição das Escrituras sequer razoável, capaz de tirar o leigo da ignorância teológica total. Por este fato, quase sempre a palavra do líder tem um valor relativo ao da Palavra de Deus e o que ele determina passa a ser seguido como regra de fé e prática.

Esta valorização da "tradição oral" não difere muito da atitude de uma igreja que se chama primitiva, cujo chefe supremo é considerado infalível no que fala e somente agora, por pressão evangélica, é tolerante com a leitura bíblica.

Outro problema é o que o culto neopentecostal, que não tem espaço para a adoração, corrompe-se mais ainda com a demasiada cobrança de oferta dos fiéis (quase sempre prometendo a estes soluções da parte de Deus) o que tem dado a estes "cultos" um caráter mercantilista e explorador. Não somos contrários a se pedirem ofertas, diga-se de passagem, mas não concordamos com a falta de bom senso e critério bíblico na administração destas coisas no culto a Deus.

b) A Evangelização Neopentecostal

A evangelização do movimento neopentecostal apresenta um problema seriíssimo, que é o proselitismo [5], característica inconfundível das seitas. Muitos deles são do tipo que "pescam no aquário dos outros" por alimentarem a crença de que são os detentores da verdade, enquanto os demais estão enganados. A igreja verdadeira não faz prosélitos, faz discípulos.

A busca do crescimento numérico por meio do proselitismo é no mínimo insensata, pois podemos até persuadir alguém a ser um religioso, mas só Deus pode transformá-lo em nova criatura. (Às vezes penso que as campanhas evangelísticas de nossos dias têm mais aparência proselitista do que evangelística, afinal, a maioria delas é realizada para crentes.)

Outro problema relacionado à evangelização do movimento neopentecostal é a exagerada dependência da mídia. O uso da mídia é, sem dúvida, muito importante para a igreja, mas a dependência da mesma significa a insubordinação ao Espírito. Antigamente a igreja crescia sob a influência do Espírito e trabalho de evangelização pessoal; hoje, a estratégia de algumas igrejas tem sido a de colocar um anúncio apelativo no rádio ou televisão, convidando as pessoas e prometendo-lhes a solução de seus problemas. E eu pergunto: qual igreja que promete cura, paz, prosperidade e solução de conflitos familiares, que não vai crescer? No entanto, praticando isto a igreja deixa de ser igreja do IDE e passa a ser igreja do VINDE, a evangelização passa a ser estratégia de marketing e os que se "convertem" para a igreja, passam a ser clientes e não ovelhas.

Ademais, o evangelismo neopentecostal carece de um conteúdo teológico, que é essencial para a elucidação de verdades elementares da fé cristã. Suas estratégias são pregar promessas de uma realidade virtual e não pregar um evangelho de genuíno, o evangelho de Jesus.

c) O Ofício Ministerial Neopentecostal

Enquanto nas igrejas históricas os candidatos ao ministério pastoral passam por uma preparação e zelosa avaliação quanto ao caráter e chamado, no movimento neopentecostal qualquer um pode ser "pastor". Os critérios baseiam-se em saber pregar, falar línguas estranhas, ter sido revelado, etc e, por esta razão, muitos líderes neopentecostais são tão desvirtuados dos caracteres de um verdadeiro homem chamado ao ministério.

Poucos são aqueles que tem alguma preparação teológica. Segundo Paulo, as características de um homem apto para o ministério devem estar relacionadas ao seu caráter irrepreensível, com sua capacidade de ensinar, com sua boa administração do lar, com sua competência nos relacionamentos, com sua boa conduta para com o mundo, etc (1 Tm 3).

Além de tudo, cada pastor neopentecostal é livre pensador, ou seja, pode pregar o que acredita, sem a supervisão de ninguém, o que favorece ao surgimento de tendências heréticas e inovações doutrinárias no meio deles. E quando são questionados por alguma autoridade, se revoltam e abrem suas próprias igrejas dirigindo-as como bem lhes apetece.

Tendo falado sobre a questão eclesiológica da igreja neopentecostal, apresentaremos agora alguns pontos teológicos questionáveis que eles sustentam.


Pontos Discutíveis da Teologia Neopentecostal

O Rev. Roberto Laranjo, em seu artigo O Neopentecostalismo e suas implicações, publicado pela revista Rhêmata [6] , destaca três tópicos teológicos que o neopentecostalismo interpreta de forma questionável. Tomaremos sua sugestão de tópicos para refletirmos sobre a teologia neopentecostal:

a) A Exclusividade das Escrituras

Os neopentecostais afirmam que a Bíblia é a Palavra de Deus e, com isto, nós concordamos. Mas para eles a palavra dos "profetas", dos visionários também é a Palavra de Deus. E por isto baseiam suas vidas e suas doutrinas também em visões, "novas revelações" e em experiências místicas.

A Bíblia é a revelação perfeita e final de Deus para o homem; visões e profecias, foram acessórios usados neste processo de formação da Sagrada Escritura. Hoje porém, temos a fé de que a Palavra de Deus é viva, eficaz e suficiente (HB4.12) sendo esta a nossa única regra de fé e prática. E uma vez que o cânon [7] do Novo Testamento foi concluído, devemos nos apoiar apenas na Palavra e em nada mais.

Não ignoramos a iluminação do Espírito propiciada para que entendamos mais profundamente a Palavra, mas negamos que sejam necessárias "novas revelações". Em Jo 16.13 o Senhor Jesus diz que o Espírito nos guiaria em toda a verdade e não que nos revelaria "novas verdades".

b) A Trindade

A maioria deles defende a doutrina da Trindade, como nós também; porém a pessoa mais enfatizada no culto neopentecostal é o Espírito Santo. Praticamente tudo no culto é atribuído ao Espírito, cura, expulsão de demônios, decisões, etc. Com isso, o papel das outras pessoas da Trindade é ignorado. Parece que eles consideram o Espírito superior aos demais membros da divindade, ou pelo menos, mais importante.

No entanto, a Bíblia diz que o Filho glorifica o Pai e, o Espírito, glorifica o Filho, que por sua vez, derrama o Espírito que faz o homem orar ao Pai em nome de Jesus (Jo 13. 32; 14.13; 16.14). A verdade é que, embora a Divindade seja composta de três Pessoas distintas, elas formam uma unidade essencial perfeita. De forma que é impossível um existir e agir sem a participação de todo o conselho divino .

c) A Superficialidade Espiritual

Devido à ênfase na liturgia envolvente, nas curas e nos exorcismos, os neopentecostais são, na sua maioria, superficiais na fé e no conhecimento das Escrituras. Este superficialismo os faz presa fácil de perniciosas heresias e de lobos vestidos de cordeiro. Por isto também é que as comunidades neopentecostais são tão suscetíveis ao empirismo [8] , misticismo [9] , materialismo e muitas outras tendências tão nocivas à fé cristã.

O resultado desta superficialidade é a imaturidade manifesta numa vida carnal não experimentada no fruto do Espírito Santo. Não estamos dizendo que todos os neopentecostais são leigos, por que não são. Contudo, a hermenêutica deles é profundamente comprometida com "novas revelações" o que os faz suscetíveis a tendenciosidade.

d) Quanto à Salvação

O pensamento deles sobre salvação não se limita a considerá-la apenas obra do Espírito, mas a ensinam como produto da cooperação humana, A salvação torna-se, portanto, tão inflacionável como nossa economia: hoje tenho, mas amanhã posso ter perdido.

Contudo, a Bíblia ensina com muita segurança que a salvação é pela graça e não por méritos previstos ou praticados pelo homem, 2 Tm 1.9, e que a salvação é eterna, Hb 5.9. O conceito arminiano [10] tem larga expressão e até sofre uma radicalização dentro do neopentecostalismo.

Como conseqüência, alguns se revestem de um humanismo tão grande, à semelhança de Erasmo de Roterdam [11] , que chegam a pregar que Deus depende carentemente da vontade humana para realizar seus desígnos e, que se o homem não quiser, Deus não pode fazer nada senão esperar até o dia que tal pessoa resolver dar uma chance para Ele.

Este, sinceramente, não é o meu Deus, nem o revelado na Bíblia e na história como soberano, criador e mantenedor de todas as coisas. Estas exaltações do "livre arbítrio humanas" são contrárias à Soberania de Deus. Se falarmos de liberdade de escolher no homem, não nos esqueçamos da liberdade de escolher de Deus. E não é injusto Deus fazer o que lhe aprouve, assim como não é injusto você queimar seu carro se o desejar fazer.


Pontos Discutíveis da Prática Neopentecostal

Este tópico pode parecer um pouco estranho, tendo em vista que já abordamos a prática eclesiológica e teológica neopentecostal. Eu poderia dar outro título, pois não me faltariam opções, contudo, eu quero abordar aqui a conclusão prática dos dois tópicos acima. Ou seja, o resultado de uma eclesiologia e teologia distorcida é uma praxe confusa e antibíblica. Vejamos, pois, algumas praxes neopentecostais cuja natureza são incoerentes com o ensino bíblico.

a) A Prática Mística Neopentecostal

Misticismo é o conjunto de normas e práticas que tem por objetivo alcançar uma comunhão direta com Deus. O problema é que quase sempre, os místicos são induzidos a prescindir da Bíblia e a se basear apenas em suas experiências. Este é um dos grandes problemas dos neopentecostais, pois eles colocam suas experiências acima da Bíblia e dão a ela uma interpretação particular fora dos recursos hermenêuticos.

O Misticismo neopentecostal é a mistura de figuras, objetos e símbolos para representarem coisas espirituais. Eles tomam figuras do Antigo e Novo Testamento e as espiritualizam, transformando-as em "proteções" semelhantes às usadas pelas magias pagãs. Deste ato, aparecem crentes com fitinhas no braço, com medalhas de símbolos bíblicos, ungindo portas e janelas com azeite, colocando sal ao redor da casa para impedir a entrada de maus espíritos; outros bebem copos de água abençoada, usam óleos consagrados em Jerusalém, guardam gravetos que misteriosamente aparecem brilhando nos montes, ungem roupas para libertar as pessoas e etc.

Estas coisas se estabelecem como pontos de contato e não passam de artifícios que roubam o lugar da fé e da eficácia da obra de Cristo. Esta prática é rejeitada tantos pelos Pentecostais como pelas Igrejas Históricas, visto ser uma fruto de uma doutrina pagã que visa estabelecer por meio de objetos um ponto de contato entre Deus e o homem. As magias pagãs estabelecem como pontos de contatos objetos como amuletos, talismãs, patuás, cristais, pedras e coisas para "proteção".

Basicamente, a cosmologia neopentecostal brasileira é sincretizada pelo cristianismo europeu, pelo animismo [12] dos índios e pelo fetichismo [13] dos africanos.

O animismo prega que existe uma alma ou poder, a permear cada objeto. E o fetichismo manifesta-se na cultuação, veneração ou uso religioso de um objeto que representa uma pessoa, coisa, divindade ou ritual. Estas práticas pagãs não possuem uma relação muito intima com os pontos de contato [14] ?

Tais ensinos anulam a obra de Cristo, criando um novo meio de justificação ou arranjando um amuleto de fé para as pessoas se apoiarem. O problema é que tais pessoas acabam baseando sua fé em objetos assim como fez Gideão (Jz 8.27). A questão não é se Jesus ou os apóstolos usou algumas vezes objetos em suas ministrações, mas no que isto pode implicar. O ponto de contato dos verdadeiros cristãos é a fé em Jesus, pois Ele é o único mediador entre Deus e o homem.

b) A Prática Legalista e Liberal do Neopentecostalismo

Em matéria de ética, os neopentecostais em geral se comportam de forma legalista [15] ou "liberal" [16] , sendo poucos deles equilibrados. Os legalistas enfatizam, sobretudo, a observância dos usos e costumes como um processo de santificação e preparação para a salvação. Desenvolvem um "evangelho ascético" [17], que opta pela "mortificação da carne", isolamento social e confinamento espiritual como um tipo de disciplina pessoal. Os "liberais" já não se importam com mudança de vida; preocupam-se apenas com prosperidade, saúde e felicidade neste mundo. Estes últimos vivem uma espécie de "evangelho hedonista16 " que enfatiza apenas o prazer como o fim último da vida.

Somente um entendimento correto acerca da doutrina da graça de Deus, poderia conduzir estas pessoas a uma coerência bíblica e, conseqüentemente, a uma prática religiosa sadia.

Enfim, existem ainda muitos pontos discutíveis do neopentecostalismo que aqui não apresentamos, no entanto, esta abordagem dará a você uma visão geral do movimento. É bom lembrar que nossa exposição não é contra os crentes, mas contra o sistema neopentecostal.


NOTAS

[1] - Filosofia que prega que a verdade é medida pelos efeitos que produz, basicamente, se deu certo é verdade, se não, não é verdade.

[2] - Movimento surgido em meados XX que enfatizava o batismo com o Espírito Santo e os dons espirituais, dinamizando o método litúrgico e incluindo em sua teologia, doutrinas rejeitadas pela fé apostólica e ortodoxa.

[3] - Movimento evangélico surgido no Estados Unidos no início do século XX que enfatizava o batismo com Espírito Santo como uma bênção subseqüente à conversão e a contemporaneidade dos dons espirituais .

[4] - Matéria da teologia sistemática que estuda a respeito da igreja.

[5] - Pessoa que abraça uma religião ou uma doutrina. Fazer proselitismo é tentar converter alguém a uma religião.

[6] - Revista de escola dominical publicada pela Igreja Presbiteriana semestralmente em Ipatinga.

[7] - Conjunto de livros que compõem o Novo e Velho Testamento que foram reconhecidos pela igreja cristã como inspirados por Deus.

[8] - Doutrina que prega que todo o conhecimento adquirido pelo homem passa necessariamente pelos sentidos.

[9] - Conjunto de normas e práticas quem tem por objetivo alcançar uma comunhão direta com Deus. O problema que os místicos sempre exaltam a experiência em detrimento a Palavra.

[10] - É uma doutrina elaborada como uma enérgica reação à teologia de Calvinista. [Para conhecer melhor este tema, leia o texto: Os Cinco Pontos do Calvinismo.]

[11] - Teólogo humanista que se opôs a Lutero na questão da livre arbitro.

[12] - Crença de que existe uma alma a permear cada objeto. Para o animista todo o objeto tem alma ou poder e, basicamente, esta é uma crença dos índios.

[13] - Fetiche é um objeto de culto forte que possui associação simbólica com o ritual, divindade, pessoa ou coisa que representa.

[14] - São objetos usados como meios de se transmitir uma bênção, ou uma cura, etc.

[15] - Aquele que pratica o legalismo, sistema que enfatiza as obras como coadjuvantes na salvação.

[16] - Esta expressão denota as pregações modernas que centram-se no oferecimento de prazer, prosperidade e saúde.

[17] - Esta expressão faz referência a um tipo de pregação que enfatiza o legalismo.


Wemerson Marinho é membro da Igreja Presbiteriana do Cariru Ipatinga, Bacharelando em Teologia e diretor da Revista de Estudos Renascer.

Este artigo é parte integrante do site www.monergismo.com, para ver o artigo original, clique aqui!

Fanatismo e Êxtase, da Ignorância ao Misticismo.

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por

Raniere Menezes


Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos. Mateus 24:24


Não é raro encontrar pessoas que se dizem crentes relatarem testemunhos “sobrenaturais”, “sinais e maravilhas”, “mistérios”, etc. Vigílias onde coisas estranhas acontecem, gente que vê folhas de árvores douradas, prateadas, brilhantes, reluzentes ou pegando fogo. Falar em vocábulos estranhos e “sentir” Deus enviando Sua Palavra são coisas mais do que “normais” para vários grupos evangélicos. Cultos onde pessoas choram, riem, batem palmas, caem, convulsionam, e tudo de forma descontrolada.

Igreja evangélica, hoje, é sinônimo de concentrações de pessoas e múltiplas manifestações físicas, gente que marcha como soldado de um lado para o outro, gente que fica rodopiando e gesticulando como animais, ruídos estranhos, experiências de “sair” do corpo e voar por cima das outras pessoas, visões de anjos e pétalas de rosas caindo do céu, visões de entidades monstruosas, viagens ao céu, viagens ao inferno, enfim, fanatismo e êxtase.

É inútil relatar tantas esquisitices. O que importa dizer é que essa religiosidade mística é predominante no Brasil, e de uns anos para cá, sorrateiramente isso tem influenciado o comportamento de muitos protestantes históricos, que agora, querem ser chamados de “RENOVADOS”. Até a IPB – Igreja Presbiteriana do Brasil – que possuía o símbolo da sarça (a antiga sarça emblema da Igreja da Escócia) inseriu há um tempo uma “pomba” no centro da sarça por causa dessa influência pentecostalizada. Este fato é apenas um pequeno exemplo do poder de interferência dos chamados carismáticos sobre as igrejas históricas. Não são poucas as igrejas históricas que vem sofrendo ascendência mística.

Em geral, a religiosidade evangélica de hoje está abraçada a uma espécie de neopaganismo. O conceito do panteísmo ganhou nova roupagem. Deus agora “é fácil”. A Bíblia não é mais a única regra de fé e prática como diziam os antigos cristãos. Quanto maior a ignorância bíblica, mais forte o misticismo.

Hoje se fala muito em “culto festivo” – Princípio Regulador de Culto, nem falar! -, parece um bem intencionado discurso, mas de onde vem toda essa “festividade”? Alguns querem justificar seus cultos “renovados e festeiros” reportando-se ao povo judeu em suas peregrinações, mas uma exegese superficial logo demonstra que o judaísmo nunca teve liturgia de culto festiva, nem no templo nem na sinagoga – peregrinação não é culto! - Liturgia festeira é coisa da cultura africana e indígena. E não precisa ser antropólogo para saber disso.

As pessoas querem transcender. A busca da embriaguez mística é o objetivo dos cultos. Falar em linguagem estranha, ter visões e “profetizar”, ser arrebatado em espírito, “voar”, etc. Essas coisas têm muito mais semelhança com o misticismo afro-indígena. Não há qualquer tradição judaico-cristã nessa contemplação do incompreensível.

O uso racional da cabeça em conhecer algo está sendo substituído por um mergulho de cabeça nas experiências. Muita gente não está interessada em CONHECER os atributos de Deus e Sua vontade, mas “tocar” no Seu trono, nas Suas vestes, “experimentar” a liturgia dos anjos. É preferível experimentar uma força subjetiva, uma energia, e não ficar aprisionado no mundo racional que ouve algo inteligível. A fórmula “mágica” é esvaziar o púlpito de todo conteúdo doutrinário objetivo e encher as pessoas de revelações subjetivas e emocionais. Temos adoradores com paralisia intelectual!

No lugar de se invocar a Santíssima Trindade e humilhar-se em Sua presença, os invocadores apelam à presença de um Deus por demais imanente, como se fosse um de nós, e invocam e evocam muito mais os anjos e os demônios. Acham que podem achegar-se a Deus como bem entendem.

O movimento carismático ou pentecostal é uma forma moderna de misticismo, porque é fundamentado não na doutrina dos apóstolos, mas num conceito de fé irracional e irreal. O movimento é atraente porque muitas pessoas não querem CONHECER as Escrituras, mas querem “algo mais” (e de preferência: rápido e fácil). John MacArthur Jr., teólogo contemporâneo, crítico ferrenho do misticismo, observou de forma cuidadosa que existe uma intolerância teológica quanto ao ensino bíblico por parte dos evangélicos pentecostalizados. Escreveu ele: “As experiências místicas não se alinham com a verdade bíblica, elas afastam as pessoas da verdade de Cristo. As pessoas começam a buscar experiências paranormais, fenômenos sobrenaturais e revelações especiais – como se nossos recursos em Cristo não fossem o bastante” (...) “Os sentimentos se tornam mais importantes do que a própria Bíblia”.

O crescimento numérico dos evangélicos no Brasil é algo significativo. E existe uma estatística bem interessante e curiosa sobre um determinado segmento: o que cresceu não foi tanto o número de protestantes históricos, mas o número de pentecostais que pulou de 8,1 milhões em 1991, para 17,6 milhões em 2000. Atualmente os pentecostais representam quase 68% dos evangélicos. Ora, é exatamente esse movimento que tem influenciado quase todas as alas do protestantismo. A influência vem daí, e eles [os pentecostais] são influenciados por líderes despreparados, emergentes e místicos. Um novo xamã ressuscitou no Brasil. Se conseguimos vestir calções de futebol nos índios e também ensinamos a usar a Internet, eles agora estão de “terno e gravata” influenciando a teologia.

Em várias localidades a diferença entre uma igreja evangélica renovada (que se diz mais séria) e uma igreja pentecostalizada está somente nos decibéis. Seus vizinhos que o digam. O que é que se pode esperar de um encontro emotivo onde o culto é uma válvula de escape? Gente fraca é presa fácil das falsas promessas do misticismo.

No início do século passado os protestantes brasileiros acusavam os católicos romanos de sincretismo religioso com os elementos da religiosidade africana. Eles também foram criticados por sua religiosidade popular sincretista com os espíritas, e também com traços cúlticos da religiosidade indígena. Mas hoje os canhões mudaram de alvo, podemos dizer que, literalmente, o tiro saiu pela culatra. Hoje temos o império pós - modernista - da - igreja - evangélica - tupiniquim - do - reino - dividido - afro - kardecista.

O Brasil é um país místico, obcecado pelo “espiritual”. A baixa cultura acadêmica retira o alicerce escriturístico sem pedir licença, e por falta de filtro, muitos estão sendo explorados por lobos vorazes. E o Cristianismo genuíno sofre porque é uma religião da Bíblia; é uma experiência que passa pela compreensão do que é COMPREENSÍVEL.

O misticismo nos arraiais evangélicos é usado também para a intimidação “espiritual” para rebaixar os neófitos. Não é incomum que certos líderes experientes, pessoas que dizem ter sonhos, visões ou experiências transcendentais menosprezarem os inexperientes, e desenvolverem uma competição carnal e orgulhosa. Isso não tem nada de espiritual! E todos sabemos disso.

Estamos mais do que nunca mundanizados e paganizados. Que os pentescostais, que se dizem “tradicionais”, não venham com desculpas, dizendo que não são como outros grupos pentecostais e neo-pentecostais, quando na verdade estão substituindo o “sabonete ungido” por “óleo ungido”. Os católicos romanos sempre tiveram suas novenas, hoje os evangélicos tupiniquins têm “correntes de oração”. Isso não é misticismo?

Não precisamos estudar antropologia para saber que “culto de libertação” é religiosidade pagã. Antigamente, no tempo em que éramos protestantes, ouvia-se os salmos metrificados, hoje se ouve louvorzão “mantrificado” (neologismo derivado de “mantra” – palavra, som monossilábico ou verso usado de forma repetitiva e musicada proporcionando um estado contemplativo-místico). Os chamados “levitas” modernos encantam seus ouvintes por horas, até deixá-los “soltos” e leves.

As grandes doutrinas da graça, chão firme e sólido para a caminhada cristã, são substituídas por diálogos retóricos agressivos sobre os males da existência. Hoje ouvimos muito mais discursos sobre sofrimentos, dores, doenças, filhos, solidão, separação, desemprego, marginalidade, vícios, prostituição, brigas, traições, “encostos”, libertação, poder, prosperidade, miséria material, do que: Autoridade das Escrituras, o Ser de Deus, os Decretos Soberanos de Deus, obediência ao Criador, o louvor de Sua Providência, sobre a Corrupção da natureza humana, a exigência da Justiça de Deus, do Pacto Eterno de Deus com Seu povo eleito, da cruz de Cristo, dos ofícios do Senhor Jesus Cristo, da Justificação pela fé, da Regeneração, da Adoção, da Santificação, da Fé Salvadora, da vida cristã de arrependimento, da certeza da graça e da salvação, da Lei de Deus, do Dia do Senhor e do Princípio Regulador de Culto, da Ressurreição, do Juízo e da ira de Deus, enfim, das Doutrinas (com “d” maiúsculo) cristãs históricas.

Muitos pregadores ruidosos gostam de vociferar o lema: “abaixo os dogmas! Abaixo os dogmas!” (mas, o que é mesmo dogma?, alguém pergunta. “Sei, lá!” é a resposta). Acredito que temos um problema diante de nós que poucos ou ninguém quer mexer. As doutrinas cristãs que realmente alimentam o rebanho de Cristo não vêm em forma de revelação extra-bíblica, elas precisam ser sistematizadas, racionalizadas e discursadas. E a maioria dos evangélicos (e por que não dizer dos brasileiros) é analfabeta funcional, ou seja, sabe soletrar e ler, mas não entende o conteúdo. Portanto é muito mais fácil “conectar-se” com Deus de forma intuitiva, sem ter de ouvir ou estudar doutrina. Muitos cristãos estão marchando em êxtase numa busca do extraordinário, e sob seus pés não se encontra Satanás, mas as Escrituras estão sendo pisoteadas!

O Pr. Isaías Lobão P. Jr., fez algumas observações interessante ao resenhar o livro de John Stott, Crer é também pensar (publicado aqui no site), eis um trecho: “No primeiro capítulo, Cristianismo de Mente Vazia, Stott desafia a tendência anti-intelectual de muitos crentes. Baseados na filosofia secular do pragmatismo, muitos crentes abandonam a doutrina em busca da prática. Stott critica esses crentes afirmando que toda boa doutrina é sempre acompanhada de um ensino prático. Ele cita três grupos que fazem isto: os católicos (e acrescento, muitos evangélicos) que ritualizam sua relação com Deus, mecanizando sua relação com Deus. O segundo grupo, os cristãos radicais que concentram suas energias na ação social e na preocupação ecumênica. Se bem que este grupo seja (ainda) pequeno no evangelicalismo brasileiro, é uma postura bastante comum entre os crentes britânicos. Sua luta social esconde uma ignorância e desprezo pela doutrina. O terceiro grupo alistado por Stott, são os crentes pentecostais. (esses nós temos de sobra!). A busca incessante dos pentecostais por experiências com Deus, os leva, geralmente, a colocar o subjetivismo e o emocionalismo acima da doutrina bíblica”. Que podemos dizer? A tendência anti-intelectualista necessariamente exclui uma reforma genuína. Uma nova reforma não virá através dos manipuladores de emoções.

Mais um dado surpreendente (que não surpreende mais), uma matéria do Jornal Nacional que foi ao ar dia 26/11/04, mostrou um índice alarmante de reprovação da OAB – Ordem dos Advogados do Brasil. – Os estudantes de Direito brasileiros bateram todos os recordes de incapacidade: reprovação de 91,5% (Isso mesmo: quase 100%!!!). Ou seja, 18 mil bacharéis em Direito não estão em condições mínimas para ingressar no mercado de trabalho! Isto reflete o nível de educação no Brasil de forma conclusiva.

“Surpreende e aborrece”, disse o presidente da OAB de São Paulo, Sr. D’urso. Vale a pena transliterar um trecho da reportagem: “Justiça seja feita: segundo especialistas na preparação de candidatos, o problema não está apenas no ensino superior. Faculdade fraca atrapalha, mas para muitos aspirantes a advogado O MAIOR OBSTÁCULO É MESMO A LÍNGUA PORTUGUESA, diz a diretora de curso especializado, Rosângela Santos de Jesus Romano Matos: ‘Os alunos são tecnicamente muito bem preparados, mas quando chega a hora da prova ele não consegue passar pro papel todo o conteúdo técnico.’” Ora, se os nossos estudantes das ciências jurídicas e sociais estão desse jeito, que diremos dos estudantes de teologia de muitos seminários que mais se assemelham a um curso profissionalizante de baixa classificação? Como iremos ter uma nova reforma religiosa sem uma reforma educacional? Não se pode viver o cristianismo sem apologética, e isto requer discurso e recurso.

O CACP – Centro Apologético Cristão de Pesquisa – descreveu a etimologia da palavra “apologia” nesses termos: “Apologia dentro do contexto evangélico-eclesiástico, é a habilidade de responder com provas adequadas e sólidas a fé cristã perante as demais religiões. Já que o cristianismo é uma religião de fatos, ou como bem expressou certo apologista: ‘é uma religião que apela aos fatos da história’, ela se serve de tais meios para fundamentar seus argumentos.

“A apologia é parte inseparável da teologia, sendo que aquela, serve-se desta, para desenvolver um plano lógico e sistemático nas questões argumentativas concernentes á fé cristã.

“O cristianismo é uma religião que por sua natureza exclui quaisquer outros credos como verdadeiros, a não ser ele mesmo. Por isso, ele entra em choque com as demais religiões existentes, que são sem exceções, produtos das idéias dos homens, que na ânsia de sua procura pelo sagrado, por Deus, aliena-se nas suas próprias imaginações, resultado da depravação total da qual está sujeita a humanidade sem Deus. (...)

“Neste choque de crenças a apologia se torna indispensável. Ela nasce forçosamente como uma resposta ao ataque à sã doutrina que muitas vezes se apresenta sob diversas faces.

“Quase todas as epístolas foram escritas visando à defesa da fé cristã (no sentido de corrigir erros doutrinários) contra os ataques de fora, e muitas vezes de dentro da própria igreja.” (Paulo Cristiano). Como defender a fé sem SOLA SCRIPTURA? Como fundamentaremos argumentações sem as mínimas condições que a língua pátria exige?

A Reforma Protestante desencadeada na Alemanha não só precisou de Lutero, mas de Melanchton. Este teólogo era muito mais do que um reformador, era um educador. Sua obra como “ministro” da educação passou a ser sinônimo do seu nome. – “Pelo menos 56 cidades alemãs procuraram a sua ajuda na reforma de suas escolas. Ele ajudou a reformar oito universidades e a fundar outras quatro. Escreveu numerosos livros didáticos para uso nas escolas e mais tarde foi chamado o Instrutor da Alemanha” (fonte: Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã). – Precisamos de uma reforma não só teológica, mas educacional. Pois o misticismo é contrário ao conhecimento das Escrituras. E este é o problema que poucos ou ninguém quer mexer.

A Reforma foi um movimento altamente literário e o protestantismo genuíno é uma experiência literária. O movimento evangelical contemporâneo está na contramão da história da Igreja cristã. A ênfase hoje está em buscar respostas fora do que já foi dito nas Escrituras, em sinais e prodígios. Muitos só crêem quando vêem grandes milagres! Contrariando estas palavras:

Então, Jesus lhe disse: Se, porventura, não virdes sinais e prodígios, de modo nenhum crereis. Rogou-lhe o oficial: Senhor, desce, antes que meu filho morra. Vai, disse-lhe Jesus; teu filho vive. O homem creu na palavra de Jesus e partiu. (João 4.48-50).


Não sei até onde os pesquisadores fizeram suas elucubrações, mas acredito que boa parte da nossa miscelânea evangélica tupiniquim se dá por esses motivos:

1. Influência de elementos paganizados do catolicismo romano;

2. Influência de elementos litúrgicos afro-indígenas;

3. Influência da renovação carismática, subseqüentemente dos pentecostais – A origem do movimento é anti-intelectual;

4. Analfabetismo total e funcional da nação;

5. Maioria feminina. – As mulheres são mais suscetíveis ao misticismo. Embora não liderem (em grande parte, ainda) são as maiores sustentadoras dos trabalhos.

6. A busca de uma identidade e posicionamento social. – Pessoas pobres e simples saem do anonimato e conquistam um status de poder e influência “espiritualistas”.

7. A busca por soluções imediatas.


Admito que são muitos os fatores que contribuem para uma mentalidade mística, mas de uma forma ou de outra, essas são as bases do misticismo evangélico brasileiro. Pessoas que sentem um intenso desejo de relacionar-se imediatamente com o divino. Experiências intuitivas e extáticas nunca foram novidades na religiosidade popular. Mas no fundo, no fundo, o que há no misticismo é um escape para fugir da obediência da Palavra de Deus. Contudo, o conhecimento de Deus não permite atalhos! Não haverá reforma genuína enquanto o pentecostalismo (seja chamado de “carismáticos” ou “renovados”) não for corajosamente combatido!

O SOLA SCRIPTURA foi um dos pilares da Reforma do Século XVI, experiências místicas não podem determinar a fé verdadeira. DEUS NOS DEU AS ESCRITURAS, NÃO HÁ OUTRA AUTORIDADE. A BÍBLIA É INFALÍVEL, INSPIRADA E SUFICIENTE. A base comum (e inerrante) de conhecimento nunca poderá ser uma revelação extra-bíblica. Muitos evangélicos, embora admitam a infabilidade das Escrituras, com suas práticas dizem que a Bíblia não é suficiente! A base da sua fé é a experiência, e a Suficiência das Escrituras é desprezada. A palavra de Cristo não é suficiente para esses “fanáticos, iludidos, desmiolados, imbecis, tratantes e cães danados” – (adjetivos que Calvino costumava chamar os místicos).

A livre interpretação da Bíblia é uma marca protestante, de maneira nenhuma podemos nem queremos proibir ninguém de interpretar as Escrituras por si mesmo. Há necessidade de uma boa hermenêutica e exegese? Há. Mas não podemos fazer como a igreja romana que proibiu a livre interpretação da Bíblia alegando que os leigos interpretariam mal. E a Confissão de Fé de Westminster, uma confissão genuinamente protestante, não perde isso de vista:

A seção VII do capítulo I – Da Escritura Sagrada – assevera: Na Escritura não são todas as coisas igualmente claras em si, nem do mesmo modo evidentes a todos; contudo, as coisas que precisam ser obedecidas, cridas e observadas para a salvação, em um ou outro passo da Escritura são tão claramente expostas e explicadas, que não só os doutos, mas ainda os indoutos, no devido USO DOS MEIOS ORDINÁRIOS, podem alcançar uma suficiente compreensão delas. Ref. II Pedro 3:16; Sal. 119:105, 130; Atos 17:11. Observe bem: “...os indoutos”... “...podem alcançar uma suficiente compreensão delas”. Porém, o ponto essencial em questão é que NÃO ESTÁ HAVENDO USO DEVIDO DOS MEIOS ORDINÁRIOS, que supõem princípios de interpretação lógica e racional. Este é o problema! Protestantismo é uma religião do Livro.

Nós somos criaturas racionais, criados para agir inteligentemente. Temos intelecto; vontade, emoções e mente. John Owen, um homem erudito e piedoso, bem disse que o homem foi criado para conhecer o bem por intermédio de sua mente, sem descartar a emoção (esta, em seu devido lugar, deseja e apega-se ao bem conhecido). A emoção nos impulsiona, mas não antes da verdade adquirida através da Palavra de Deus. Disse Owen: “As emoções talvez sejam o leme do navio, mas a mente é que deve pilotar; e a carta marítima a ser seguida é a verdade revelada por Deus” [na Sua Palavra escrita]. E como bem resumiu, ainda disse: “O intelecto é o olho da alma”. Daí podermos dizer que o misticismo é cego! É um movimento anti-revelacional!

A BÍBLIA É TUDO O QUE PRECISAMOS, NADA MAIS É NECESSÁRIO! Não precisamos de novas revelações, sonhos, visões, anjos, êxtase, vozes ou reações físicas. O SOLA SCRIPTURA é suficiente! “O Cristianismo fundamenta-se na Revelação. Nosso conhecimento de Deus abrange aquilo que Lhe aprouve nos revelar a respeito de Sua Pessoa. Todos os esforços humanos destinados a conhecê-Lo levam à falsas religiões ou misticismo. Ou somos submissos à Sua Revelação ou à nossa imaginação” (Bruce Bickel). Podemos afirmar que a fonte de conhecimento da linha carismática-pentecostal não é Deus! Ou então temos de concordar que Deus nos dá um conhecimento direto pela excitação dos sentimentos, independentemente do ensino de Sua Palavra.

Respondeu Abraão: Eles têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos. (Lc 16.29)

“O conhecimento é indispensável à vida e ao serviço cristãos. Se não usamos a mente que Deus nos deu, condenamo-nos à superficialidade espiritual, impedindo-nos de alcançar muitas riquezas da graça de Deus. Ao mesmo tempo, o conhecimento nos é dado para ser usado, para nos levar a cultuar melhor a Deus, nos conduzir a uma fé maior, a uma santidade mais profunda, a um melhor serviço. Não é de menos conhecimento que precisamos, mas sim de mais conhecimento, desde que o apliquemos em nossa vida”. (John Stott).

Escreveu Heber C. de Campos: “Tudo o que a igreja deve crer sobre Deus e seu relacionamento com os homens, está registrado nas Santas Escrituras que foram escritas, na sua grande maioria, pelos profetas do Antigo Testamento e pelos apóstolos do Novo Testamento”.

Finalmente é sempre bom ouvirmos repetidas vezes a exortação pastoral de MacArthur Jr., “Se algum dia alguém o perturbar dizendo que você precisa dessa ou daquela experiência mística ou espiritual, NÃO ACREDITE. O Espírito de Deus, agindo por meio de Sua Palavra é suficiente para torná-lo totalmente maduro em Cristo”.

À lei e ao testemunho! Se eles não falarem desta maneira, jamais verão a alva. (Is 8.20)

Que Deus tenha misericórdia da ignorância de tantos que se dizem cristãos, e que abra os olhos daqueles que, em Sua Igreja, estão se afastando de Suas verdades, levando-os de volta à pureza e simplicidade devidas a Cristo. Que eles venham a entender que NÃO HÁ OUTRO FUNDAMENTO senão dos apóstolos e profetas.


Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor, no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito. (Ef 2.20-22).

Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho... (Hb 1.1,2 a).



Fonte: www.monergismo.com