Teologia? Por que e para que?


Hoje é comum ouvirmos nas igrejas evangélicas as seguintes frases ou declarações: “Temos é que conhecer a Bíblia e não Teologia”, “Teologia é invenção de homens e eu sigo só a Cristo”, “Não preciso de Teologia, preciso da Bíblia” e afins.

Eu pergunto: precisamos de teologia? Por que precisamos? E se nós precisamos, para que ela serve, para que ela é útil? Ela tem alguma relação com a nossa vida prática como crentes?

Bom, antes de tudo, temos que entender o que dizemos por Teologia. Essa palavra vem do grego (théos = Deus + logos = conhecimento), logos significa conhecimento, estudo no grego. Por isso temos biologia, arqueologia, etc. A teologia então, nada mais é que uma forma de se organizar o estudo sobre Deus, sobre os ensinos bíblicos.

Aí alguém fala: “Eu não gosto de Teologia, prefiro ficar com Jesus e só”! Mas, deixe-me perguntar uma coisa a você: você crê que Cristo é o seu Salvador? Que Ele morreu na cruz por você, pagando todos os seus pecados? Se você responder sim a essas perguntas (o que creio que vá responder), lamento, mas você já faz teologia, e estuda teologia. Porque a resposta a essas questões é o que chamamos de teologia!

Aí tudo bem. Mas aí você pode perguntar: “Bom, está certo. Eu sei que isso é teologia então. Mas por que precisamos dela, para que ela serve e como posso saber onde isso é bom e onde não? Que critérios eu uso?”. É para isso que eu me propus a escrever. E vamos começar a ver alguns critérios para sabermos se o que lemos, cremos, praticamos, vivemos é boa teologia ou invenções humanas. Ok? Me acompanhe nessa empreitada então.

Antes de tudo, vamos entender o porquê de estudarmos teologia. Como eu falava acima, o motivo de tudo isso é para podermos compreender o que cremos. Teologia, doutrina, dogma, credo não são palavras vazias, que só remontariam a um academicismo. Antes estão no nosso dia-a-dia. Veja só: “credo” vem do latim e significa creio. Oras, todos nós cremos, não é? Cremos nas Escrituras, em Jesus Cristo como nosso Senhor, portanto credo não é algo abstrato, é a nossa fé, o que cremos. Doutrina vem de um termo em latim, “docere”, que significa ensinar. E o ensino sempre fez parte do ministério de Jesus e dos apóstolos. Se você prestar atenção, verá que boa parte do NT é dedicada a ensino, ou seja, doutrina. As cartas de Paulo são o melhor exemplo disso. E por fim, dogma vem do grego “dokeo” que significa pensar. E é impossível você falar de uma fé sem crer, sem ensino e sem pensar. Portanto todos nós precisamos de teologia, credo, doutrina e dogma.

Então veja que a teologia não é algo distante da nossa vida, ao contrário. Ela tem que ser unha e carne com a vida que levamos. Como falou Lutero, “A teologia não é nada mais do que a gramática da língua do Espírito Santo”. A nossa vida tem que refletir a nossa fé ou algo estará errado. E para isso, temos que conhecer o que cremos. E aí entra a teologia.

Agora que entendemos o porquê de estudarmos a teologia, vejamos alguns parâmetros para que não tomemos gato por lebre.

Primeiro, a teologia não é algo somente para nossa instrução e prazer pessoal. Não é algo para que fiquemos fazendo elocubrações privadas sobre o que seria verdade ou não, em especulações sem sentido. Mas antes, a teologia tem de ser um instrumento para o crescimento e instrução da igreja. Ela tem que ser posta a serviço dos crentes como um todo. Senão, desvia-se do propósito para o qual ela foi pensada, destinada que é a instrução, o ensino.

Segundo, a teologia parte necessariamente da revelação da Palavra. Ela tem que nascer das Escrituras, se sair da base da Palavra de Deus já não será teologia, mas sim uma teodicéia. Se perdermos as Escrituras como a base da teologia, aí se perde todo o Resto, perde-se a vida. Por que aí sim você correrá o risco de não estar abraçando ensinamentos bíblicos, mas ensinos e doutrinas de homens!

A verdadeira espiritualidade não consiste em revelações espetaculares, atos sobrenaturais, não! A verdadeira espiritualidade é obedecer a Deus.

Agora já que sabemos qual o propósito da teologia, por que precisamos dela e para que ela serve, possamos nós parar com esse preconceito bobo que muitos evangélicos têm como mencionei no início desse texto, e aprendermos mais de tudo o que Deus se revelou a nós nas Escrituras e termos consciência da nossa fé.

Que possamos saber dar a razão da nossa fé a todos quantos perguntarem a nós.

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A Inerrância da Biblia.



Muitos perguntam: Onde é que está escrito na Bíblia a afirmação que ela é a PALAVRA DE DEUS?

Como abordar as dificuldades Bíblicas, por Norman Geisler.

Há ERROS na Bíblia?

Resposta: N - Ã - O!

Os críticos afirmam que a Bíblia está cheia de erros. Alguns falam, até em milhares de erros. A verdade é que não há nem mesmo um só errôneo texto original da Bíblia que tenha sido demonstrado.

Isso não quer dizer que não haja dificuldades em nossas Bíblias. Dificuldades há, e é delas que vamos tratar.
Nosso propósito é mostrar que não há realmente ERROS nas Escrituras. Por quê? Porque a Bíblia É A PALAVRA DE DEUS E DEUS NÃO PODE ERRAR.

Vamos raciocinar. Vamos tratar isto de uma forma lógica examinando as premissas:

a) Deus não pode errar.
b) A Bíblia é a Palavra de Deus.
c) Portanto, a Bíblia está isenta de erros.


Como qualquer estudante de lógica sabe, este é um silogismo (uma forma de raciocínio) válido. Assim, se as premissas são verdadeiras, as conclusões também são verdadeiras.Como vamos mostrar, a Bíblia declara SEM RODEIOS SER A PALAVRA DE DEUS.(*)

Ela nos informa também que Deus não pode errar. A conclusão então, é inevitável: a Bíblia está isenta de ERROS.

Se ela estivesse errada em qualquer coisa que afirma, então Deus teria cometido um erro.

Mas Deus não pode cometer erros.

Deus não pode cometer erros.

As Escrituras declaram enfaticamente que "é impossível que Deus minta" (Hb 6:18).Paulo fala do "Deus que não pode mentir"(Tt1:2).
Ele é um Deus que, mesmo que não sejamos fiéis, "permanece fiel, pois de maneira nenhuma pode negar-se a si mesmo" (2 Tm 2;13).Deus é a verdade (Jo 14:6) e assim também é a Palavra dele.Jesus disse ao Pai:"a tua Palavra é a verdade" (Jo 17:17).O salmista exclamou:"As tuas palavras são em TUDO VERDADE"(Salmo 119:160).

A Bíblia É A PALAVRA DE DEUS.

Jesus referiu-se ao AT como sendo a "Palavra de Deus", que "não pode falhar" (Jo 10:35). Ele disse: "até que o céu e a terra passem, nem um i ou til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra"(Mt 5:18).

Paulo acrescentou: "Toda Escritura é inspirada por Deus" (2 Tm 3:16) Ela veio "da boca de Deus"(Mt 4:4).Embora tenham sido homens que escreveram aquelas mensagens, "nunca, jamais, qualquer profecia foi dada por vontade humana;entretanto, homens falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo" (2 Pe 1:21).(**)

Jesus disse aos líderes religiosos de seus dias que eles vinham "invalidando a palavra de Deus" pela sua própria tradição (Mc 7:13).
Jesus chamou-lhes a atenção para a Palavra de Deus escrita quando repentinamente afirmou: "Está escrito... está escrito... está escrito..." (Mt4:4,7,10).Esta frase aparece mais de noventa vezes no NT.É uma forte indicação da autoridade divina da Palavra de Deus escrita.
Dando ênfase à natureza inerrante da verdade de Deus, o apóstolo Paulo referiu-se às Escrituras como "a Palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração" (Hb 4:12). Conclusão lógica: A Bíblia está isenta de ERROS.

Sim, Deus falou, e ele não titubeou. O Deus da verdade nos deu a Palavra da Verdade, e ela não contém inverdade alguma. A Bíblia é a inerrante Palavra de Deus.(***)

Pode-se confiar na Bíblia em questões de Ciência e História?

Alguns têm sugerido que as Escrituras sempre podem ser confiáveis em questão de ordem moral, mas que nem sempre são corretas em questões históricas. Eles confiam na Bíblia no campo espiritual, mas não na esfera da ciência.

Se isso fosse verdade, entretanto, negaria a autoridade divina da Bíblia, já que o espiritual, o histórico e o científico estão freqüentemente interligados.

Um cuidadoso exame das Escrituras revela-nos que as verdades científicas (fatuais) e as espirituais são muitas vezes inseparáveis. Por exemplo, não se pode separar a verdade espiritual da ressurreição de Cristo do fato de que seu corpo deixou para sempre vazio o seu túmulo e que depois ele apareceu fisicamente (Mt 28:6;1 Co 15:13-19).

Da mesma forma, se Jesus não tivesse nascido de uma mulher biologicamente virgem, então ele não seria diferente do resto da humanidade, sobre quem recai o estigma do pecado de Adão (Rm 5:12).

Também a morte de Cristo por nossos pecados não pode ser separada do fato de que ele derramou literalmente o seu sangue na cruz, pois "sem derramamento de sangue, não há remissão" (Hb 9:22).

A existência e queda de Adão tampouco podem ser um mito. Se não tivesse havido literalmente um Adão, e se não tivesse havido de fato a queda, então o ensino espiritual quanto ao pecado herdado e quanto à morte física, dele decorrente, estaria errado (Rm 5:12). A realidade histórica e a doutrina teológica juntas permanecem ou juntas caem por terra.

Além disso, a doutrina da encarnação é inseparável da verdade histórica de Jesus de Nazaré (Jo 1:1,14).E ainda, o ensino de caráter moral de Jesus quanto ao casamento baseou-se no que ele ensinou quando disse que Deus juntou literalmente uma Adão e uma Eva em matrimônio (Mt 19:4-5).Em cada um destes casos, o ensino moral e o teológico perdem totalmente o sentido se desconsiderado o evento histórico e fatual.Negando-se que aquele evento ocorreu literalmente no tempo e no espaço, fica-se então sem uma base para crer na doutrina bíblica construída sobre ele. Com freqüência, Jesus comparou eventos do AT diretamente com importantes verdades espirituais. Por exemplo, ele relacionou sua morte e ressurreição com Jonas e o grande peixe (Mt 12:40).Da mesma forma, sua segunda vinda foi comparada com os dias de Noé (Mt 24:37-39).

Tanto as circunstâncias como as características de tais comparações deixam claro que Jesus estava afirmando que aqueles eventos foram fatos históricos, que realmente aconteceram. Defato, Jesus afirmou a Nicodemos: "Se tratando de coisas terrenas não me credes, como crereis se vos falar das celestiais?" (Jo 3:12).

Em resumo, se a Bíblia não falasse com a verdade sobre o mundo físico, então ela não poderia ser digna de confiança ao referir-se ao mundo espiritual. Os dois mundos acham-se intimamente relacionados.

A inspiração inclui não apenas tudo o que a Bíblia explicitamente ensina, mas inclui também tudo a que ela se refere. Isso é verdade quando a Bíblia se reporta à história, à ciência ou à matemática.

Tudo o que a Bíblia declara é verdadeiro - podendo ser tanto um ponto de maior como também de menor importância. A Bíblia é a palavra de Deus, e Ele não se desvia da verdade em nenhum momento.Todas as partes das Escrituras são verdadeiras, assim como o todo que elas formam.

Se é inspirada, é inerrante.

A inerrância é uma decorrência lógica da inspiração. Porque inerrância significa verdade total, sem erros.E o que Deus profere (inspira) tem de ser completamente verdadeiro e sem erros (inerrante).

Contudo, convém especificar com maior clareza o que significa "verdade" e o que constitui um "erro".(****)

Verdade significa aquilo que corresponde à realidade. Um erro, então, é o que não corresponde à realidade.A verdade é dizer o que de fato é. Um erro é não dizer o que é.Conseqüentemente, nenhuma coisa errada pode ser verdadeira, mesmo que o autor pretendesse que o seu erro fosse algo verdadeiro.Um erro é um erro, não simplesmente uma coisa que nos faça errar.De outro modo, toda expressão sincera poderia ser considerada verdadeira ainda que se tratasse de um erro grosseiro.(*****)

Da mesma forma, algo não é verdadeiro simplesmente porque realiza o propósito que havia sido estabelecido, já que muitas mentiras são bem-sucedidas.

A Bíblia vê claramente a verdade como aquilo que corresponde à realidade. O erro é entendido como sendo uma falta de correspondência à realidade.O erro é entendido como se fosse uma falta de correspondência à realidade, não como algo causado intencionalmente.Isso é evidente pelo fato de que a palavra "erro" é usada no caso de erros não-intencionais (Lv 4:2).Na Bíblia inteira está implícita a visão de que a verdade baseia-se numa correspondência entre duas coisas.

Por exemplo, quando os Dez Mandamentos declaram: "Nâo dirás falso testemunho" (Êx 20:6) significa que deturpar fatos está errado. Este mesmo conceito de verdade foi usado quando os judeus foram ao governador falar a respeito de Paulo:"Tu mesmo, examinando-o, poderás tomar conhecimento de todas as coisas de que nós o acusamos".E ao fazer isso, é como se eles estivessem dizendo: "É verdade, tu podes facilmente verificar os fatos" (cf.At. 24:8).

Foi assim que Deus disse?

Naturalmente, toda vez que Deus tornou a verdade bem clara, a estratégia de Satanás foi lançar dúvidas sobre ela. Sempre que Deus falou com autoridade, o diabo desejou solapá-la."Será que Deus disse isso?". ele fala com escárnio (cf.Gn 3:1). Esta confusão, com freqüência, acontece de alguma maneira : A Bíblia é a palavra de Deus, inspirada de alguma forma, mas é também constituída de palavras humanas.Ela teve autores humanos, e "errar é humano". Daí temos de esperar haver alguns erros na Bíblia... Por aí vai esse argumento.Em resumo, a verdade clara e simples de Deus acaba sendo confundida com a mentira de Satanás, o senhor das mentiras (Jo 8:44).

Vamos analisar o que há de errado nessa argumentação. Uma simples analogia nos ajudará.Considere o seguinte raciocínio que, por ser paralelo àquele, é igualmente falho:

1. Jesus era um ser humano.
2. Os seres humanos pecam.
3. Logo, Jesus pecou.

Qualquer estudante da Bíblia sabe de imediato que esta conclusão é falsa. Jesus foi um homem "sem pecado" (Hb 4:15). Ele "não conheceu pecado" (2 Co 5:21).

Ele foi um "cordeiro sem defeito e sem mácula" (1 Pe 1:19). Como João disse a respeito de Jesus:"ele é puro" e "justo" (1 Jo 3:3; 2:1). Mas se Jesus nunca pecou, o que está errado no argumento acima, de que Jesus era humano, de que os seres humanos pecam e de que, portanto Jesus pecou?Onde é que a lógica se perde?

O erro está em se assumir que Jesus era como qualquer outro ser humano. Com certeza, meros seres humanos pecam.Mas Jesus não foi um mero ser humano.Ele foi um ser humano perfeito.De fato, Jesus não era apenas humano, mas ele era também Deus.Da mesma forma a Bíblia não é meramente um livro humano.Ela é também a Palavra de Deus.Como Jesus, ela é tanto divina como humana.E da mesma forma como Jesus era humano, mas não pecou, também a Bíblia é um livro humano, mas sem erros.Tanto a Palavra viva de Deus (Cristo) como a sua Palavra escrita (as Escrituras) são igualmente humanas, mas sem erros.A Palavra viva e a Palavra escrita são também divinas, e não podem conter erros. Não pode haver erros na palavra de Deus escrita, como não houve pecado algum na palavra de Deus viva. É impossível Deus errar e ponto final. HÁ DIFICULDADES NA BÍBLIA? SIM!

Ainda que a Bíblia seja a Palavra de Deus e, como tal, nela não possa haver erro algum, isso não significa que nela não haja dificuldades. Todavia como Agostinho observou com sabedoria:"Se estamos perplexos por causa de qualquer aparente contradição das Escrituras, não nos é permitido dizer que o autor desse livro tenha errado; mas ou o manuscrito utilizado tinha falhas, ou a tradução está errada, ou nós não entendemos o que está escrito" (******)

Os erros não se acham na revelação de Deus, mas nas falhas interpretações dos homens.

A Bíblia é isenta de erros, mas os que a criticam não são. Todas as alegações feitas neste sentido baseiam-se em erros cometidos pelos próprios críticos. Tais erros enquadram-se numa das seguintes categorias:


17 ERROS dos céticos da Bíblia!
17 erros que os céticos cometem ao tentarem achar "contradições" Bíblicas:


1 - Assumir que o que não foi explicado é inexplicável.

Nenhuma pessoa instruída alegaria ser capaz de explicar completamente todas as dificuldades bíblicas. Contudo, é um erro o crítico pressupor que o que não foi ainda explicado nunca o será.

Quando um cientista se depara com uma anomalia da natureza, ele não desiste de fazer cuidadosos exames científicos adicionais. Pelo contrário,ele faz uso daquilo que não foi explicado como uma motivação para descobrir uma explicação.

Nenhum cientista verdadeiro desiste de seu trabalho, em desespero, simplesmente porque não consegue explicar um dado fenômeno.

Ele continua a fazer pesquisas com a confiante expectativa de encontrar uma resposta. E a história da ciência tem revelado que tal fé tem sido recompensada.

Houve épocas em que os cientistas, por exemplo, não tinham explicações para os fenômenos naturais como os meteoros, os eclipses, os tornados, os furacões e os terremotos.

Todos esses mistérios, porém, renderam os seus segredos à inabalável perseverança da ciência. Os cientistas ainda não sabem como a vida pode ocorrer em descargas elétricas nas profundezas do mar, mas nenhum deles se dá por vencido e grita:"é uma contradição!"

Da mesma forma, os eruditos cristãos pressupõem que o que até hoje não foi explicado na Bíblia não é, por isso, inexplicável. Não consideram que discrepâncias sejam contradições.E, quando encontram algo que não podem explicar, continuam pesquisando na certeza de que algum dia encontrarão a resposta.Com efeito, se tivessem uma postura contrária a esta, parariam de estudar.

Por que ir em busca de uma resposta , quando se pressupõe que ela não exista?Tal como o cientista, aquele que estuda a Bíblia tem sido recompensado em sua fé e pesquisa, pois muitas dificuldades para as quais os eruditos não tinham explicação já foram superadas através da história, da arqueologia, da lingüística e de outras disciplinas.

Os críticos, por exemplo, um dia afirmaram que Moisés não poderia ter escrito os primeiros livros da Bíblia porque a escrita não existia na época dele. Agora sabemos que a escrita já existia alguns milhares de anos antes de Moisés.

De igual forma, os críticos um dia acreditaram que a Bíblia estivesse errada ao falar dos hititas (ou heteus), já que este povo era totalmente desconhecido dos historiadores. Sua existência, porém, foi comprovada pela descoberta, na Turquia, de uma biblioteca hitita. Esses fatos nos levam a crer que as dificuldades bíblicas ainda não resolvidas certamente são explicáveis e que, portanto, não há que se presumir que existam erros na Bíblia.

2 - Presumir que a Bíblia é culpada até provar em contrário

Muitos críticos presumem que a Bíblia está errada, até que algo venha provar que ela está certa. Contudo, como acontece com qualquer cidadão acusado de um crime, a Bíblia deve ser tida como "inocente", até que haja a prova da culpa. Isso não é querer dar-lhe nenhum tratamento especial; essa é a forma pela qual todos os relacionamentos humanos são feitos. Se assim não fosse, a vida não seria possível. Por exemplo, se presumíssemos que a sinalização de trânsito nas rodovias ou na cidade não fosse verdadeira, então provavelmente estaríamos mortos antes de poder provar o contrário.

De igual modo, se presumíssemos que os rótulos nas embalagens de alimentos fossem enganosos até prova em contrário, teríamos então de abrir todas as latas e pacotes antes de comprá-los. E o que dizer se presumíssemos que todos os números no nosso dinheiro estivessem errados? E se achássemos que estariam erradas todas as placas nas portas dos sanitários públicos, que indicam o sexo a que se destinam?! Bem, isto já é o bastante.

Temos de presumir que a Bíblia, como qualquer outro livro, está nos dizendo o que os autores disseram e ouviram. As críticas negativas da Bíblia partem de um pressuposto contrário a este. Não é de se admirar, então, que concluam que a Bíblia está crivada de erros.

3 - Confundir as nossas falíveis interpretações com a infalível revelação de Deus.

Jesus afirmou que "a Escritura não pode falhar" (Jo 10:35). Sendo um livro infalível, a Bíblia é também irrevogável. Jesus declarou: "Porque em verdade vos digo: Até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da lei, até que tudo se cumpra" (Mt 5:18, cf. Lc 16:17). As Escrituras têm ainda a autoridade final, sendo a última palavra acerca de tudo que ela aborda. Jesus valeu-se da Bíblia para resistir ao tentador (Mt 4:4, 7, 10); para resolver discussões doutrinárias (Mt 21:42); e para sustentar a sua autoridade (Mc 11:17).

Às vezes um ensinamento bíblico apóia-se num pequeno detalhe histórico (Hb 7:4-10), numa palavra ou numa frase (At 15:13-17), ou mesmo na diferença entre o singular e o plural (Gl 3:16). Mas, conquanto a Bíblia seja infalível, as interpretações humanas não o são. A Bíblia não pode estar errada, mas nós podemos estar errados quanto a alguma coisa dela. O significado da Bíblia nunca muda, mas a nossa compreensão pode mudar.

Os seres humanos são finitos, e seres finitos cometem erros. É por isso que há borrachas para lápis, corretores líquidos para textos datilografados, e uma tecla "apaga" nos computadores. E muito embora a Palavra de Deus seja perfeita (SI 19:7), enquanto existirem seres humanos imperfeitos, haverá erros de interpretação das Escrituras e falsos pontos de vista deles decorrentes.

Em vista disso, não devemos nos apressar em considerar que um determinado preceito científico hoje amplamente aceito seja a palavra final acerca do ponto em questão. Teorias que foram predominantemente aceitas no passado são consideradas incorretas por cientistas do presente. Dessa forma, é de se esperar que haja contradições entre opiniões populares sobre questões científicas e as interpretações da Bíblia amplamente aceitas.

Isso, porém, não consegue provar que há uma real contradição entre o mundo de Deus e a Palavra de Deus, entre a revelação geral de Deus e a sua revelação especial.

Nesse sentido básico, a ciência e as Escrituras não estão em contradição. Somente as opiniões humanas, finitas e falíveis acerca da ciência e das Escrituras é que podem entrar em contradição.

4 - Falhar na compreensão do contexto da passagem.

Talvez o erro mais comum dos críticos seja o de tirar um texto de seu próprio contexto. Como diz o adágio: "um texto fora de contexto é simplesmente um pretexto". Tudo se pode provar, a partir da Bíblia, por meio desse procedimento errôneo. A Bíblia diz: "Não há Deus" (Sl 14:1). É claro, que o contexto é: "Diz o insensato no seu coração: 'Não há Deus"'. Alguém poderá afirmar que Jesus nos advertiu: "não resistais ao perverso" (Mt 5:39), mas o contexto anti-retaliatório em que ele lança esta proposição não deve ser ignorado. Assim também muitos não compreendem corretamente o contexto da afirmativa de Jesus, quando ele disse: "Dá a quem te pede" (Mt 5:42), como se tivéssemos a obrigação de dar uma arma a uma criancinha que nos pedisse, ou de dar armamentos atômicos a Saddam Hussein simplesmente por ele ter pedido.

5 - Basear um ensino numa passagem obscura.

Passagens da Bíblia são difíceis porque o seu significado é obscuro. Isso ocorre geralmente porque uma palavra-chave do texto é empregada uma só vez (ou raramente), e então fica difícil saber o que o autor está dizendo, a menos que seja possível deduzir o sentido pelo contexto. Por exemplo, uma das passagens mais conhecidas da Bíblia contém uma palavra que não aparece em lugar algum, em toda a literatura grega disponível até o tempo em que o NT foi escrito. Esta palavra aparece no que comumente é conhecido como a "Oração do Senhor" (Mt 6:11). Geralmente a tradução que temos é "o pão nosso de cada dia dá-nos hoje". A palavra em questão é a que é traduzida por "de cada dia", ou seja, o vocábulo grego epiousion. Os estudiosos do grego ainda não entraram em acordo quanto à sua origem ou quanto ao seu exato sentido.

Diferentes comentaristas têm tentado estabelecer elos com palavras gregas que são bem conhecidas, e muitas sugestões têm sido propostas quanto ao seu significado. Entre tais sugestões, temos:

"Nosso pão incessante dá-nos hoje."
"Nosso pão sobrenatural (indicando um pão espiritual, do céu) dá-nos hoje."
"O pão para o nosso sustento dá-nos hoje."
"O pão nosso de cada dia (ou, o que necessitamos para hoje) dá-nos hoje."

Cada uma destas propostas tem seus defensores; cada uma faz sentido dentro do contexto, e cada uma é uma possibilidade, tendo-se por base a limitada informação disponível. Parece não haver nenhuma razão que nos force a deixarmos aquela que tem sido a tradução normalmente aceita, mas este exemplo serve muito bem para ilustrar o ponto em questão. Algumas passagens da Bíblia são difíceis de se entender porque uma dada palavra-chave aparece uma só vez, ou com muita raridade.

Outras vezes as palavras podem estar claras, mas o significado não é evidente porque não sabemos ao certo a que elas se referem. Isso se dá em 1 Co 15:29, onde Paulo fala sobre os que se batizavam pelos mortos. Será que ele estava se referindo ao batismo de pessoas vivas, representando pessoas mortas que não tinham sido batizadas, e assim assegurando-lhes a salvação (como dizem os mórmons)? Ou será que ele está se referindo aos que, sendo batizados, entram na igreja para preencher o lugar dos que partiram? Ou ainda, não seria o caso de ele estar referindo-se aos crentes sendo batizados "pelos mortos" no sentido de "suas próprias mortes, sendo enterrados com Cristo"? Ou, quem sabe, poderia estar dizendo alguma outra coisa?

Quando não temos certeza, então temos de ter em mente algumas coisas. Primeiro, não devemos construir uma doutrina com base numa passagem obscura. A regra prática na interpretação bíblica é: "as coisas principais são as coisas claras, e as coisas claras são as coisas principais". Chamamos a isso de perspicuidade (clareza) das Escrituras.

Se algo for importante, isso será ensinado nas Escrituras de forma bem clara, e provavelmente em mais de um lugar.

Segundo, quando uma dada passagem não está clara, não devemos nunca supor que ela esteja ensinando o contrário do que uma outra parte nos ensina com muita clareza. Deus não comete erros na sua Palavra; mas nós podemos cometer erros ao tentarmos interpretá-la.

6 - Esquecer-se de que a Bíblia é um livro humano, com características humanas.

Exceto pequenas seções, tal como os Dez Mandamentos, que foram escritos "pelo dedo de Deus" (Êx 31:18), a Bíblia não foi verbalmente ditada. Seus escritores não foram secretários do Espírito Santo. Eles foram autores humanos, que empregaram estilos literários próprios, com suas próprias idiossincrasias, ou seja, com o seu jeito de ver as coisas. Esses autores humanos às vezes tomaram informações de fontes humanas para o que escreveram (Js 10:13; At 17:28; 1 Co 15:33; Tt 1:12). De fato, cada livro da Bíblia é uma composição feita por um escritor humano; foram cerca de quarenta autores.

A Bíblia evidencia também estilos literários humanos diferentes; da métrica melancólica de Lamentações até a exaltada poesia de Isaías; da gramática elementar de João ao complexo grego do livro de Hebreus. As Escrituras manifestam ainda perspectivas humanas. No Salmo 23, Davi falou do ponto de vista de um pastor. Os livros de Reis foram escritos tendo uma abordagem profética, e Crônicas, a partir de um ponto de vista sacerdotal. Atos manifestam um enfoque histórico, e 2 Timóteo, o coração de um pastor.

Os escritores bíblicos escreveram sob a perspectiva de um observador quando se referiram ao nascer do sol (Js 1:15) ou ao pôr-do-sol. Eles também revelam padrões humanos de pensamento, inclusive lapsos de memória (1 Co 1:14-16), bem como emoções humanas (Gl 4:14). A Bíblia revela interesses humanos específicos. Por exemplo, Oséias possuía um interesse rural, Lucas, uma preocupação médica, e Tiago, um amor pela natureza.

Entre os autores da Bíblia há um legislador (Moisés), um general (Josué), profetas (Samuel, Isaías e outros), reis (Davi e Salomão), um músico (Anafe), um boieiro (Amós), um príncipe e homem de estado (Daniel), um sacerdote (Esdras), um coletor de impostos (Mateus), um médico (Lucas), um erudito (Paulo) e pescadores (Pedro e João). Com tal variedade de ocupações entre os que escreveram a Bíblia, é simplesmente natural que seus interesses e diferenças pessoais possam estar refletidos em seus escritos.

Como Cristo, a Bíblia é completamente humana, mas mesmo assim sem erros. Esquecer-se da humanidade das Escrituras pode levar-nos a impugnar falsamente sua integridade por esperarmos um nível de expressão maior do que é o usual num documento humano. Isso vai ficar mais claro quando abordarmos os próximos erros em que incidem os críticos.

7 - Presumir que um relato parcial seja um relato falso.

Com freqüência, os críticos tiram conclusões precipitadas com respeito a um relato parcial, tomando-o como falso. Entretanto, não é bem assim. Do contrário, quase tudo o que se tenha dito seria falso, já que poucas vezes há tempo e espaço suficientes para uma abordagem completa.

Ocasionalmente, a Bíblia expressa a mesma coisa de diferentes modos, ou pelo menos de diferentes pontos de vista, em tempos distintos. Portanto, a inspiração não exclui diversidade de expressão. Cada um dos quatro autores do Evangelho relata a mesma história de uma maneira diferente, para um grupo diferente de pessoas, e às vezes citam o mesmo incidente com palavras diferentes. Compare, por exemplo, aquela famosa confissão de Pedro no Evangelho segundo:

Mateus: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo" (16:16).
Marcos: "Tu és o Cristo" (8:29).
Lucas: "És o Cristo de Deus" (9:20).

Até mesmo os Dez Mandamentos, os quais foram escritos "com o dedo de Deus" (Dt 9:10), quando entregues, pela segunda vez, apresentam-se com variações (compare Êx 20:8-11 com Dt 5:12-15). Há muitas diferenças entre os livros de Reis e de Crônicas nas descrições que eles fazem dos mesmos eventos; contudo, não incidem em nenhuma contradição nos acontecimentos que narram. Se expressões assim tão importantes puderam ser feitas de maneiras diferentes, então não há por que o restante das Escrituras ter de expressar a verdade apenas de uma forma literal e inflexível em sua abordagem.

8 - Exigir que as citações do Antigo Testamento feitas no Novo Testamento sejam sempre exatas.

Os críticos com freqüência apontam para as variações ocorridas quando o NT cita passagens do AT, como provas de erro. Entretanto, se esquecem de que uma citação não tem de ser uma repetição exata do que está escrito. Era então, como é hoje, perfeitamente aceitável o estilo literário que dá a essência de uma afirmação ou pensamento, sem que se empregue precisamente as mesmas palavras. Um mesmo significado pode ser transmitido sem o uso das mesmas expressões verbais.

As variações que ocorrem nas citações de textos do AT feitas no NT enquadram-se em diferentes categorias. Às vezes é outra pessoa que está falando. Por exemplo, Zacarias registra que o Senhor está dizendo: "olharão para mim, a quem traspassaram" (Zc 12:10). Quando isto é citado no NT, é João – e não Deus – que está falando: "verão aquele a quem traspassaram" (João 19:37).

Outras vezes os escritores do NT citam apenas uma parte do texto do AT. Jesus fez isso quando esteve na sinagoga da cidade de Nazaré (Lc 4:18-19, citando Is 61:1-2). De fato, ele parou no meio de uma sentença. Se tivesse ido mais além, Jesus não poderia ter dito o que disse em seguida: "Hoje, se cumpriu a Escritura que acabais de ouvir" (v. 21). É que, precisamente, a continuação daquela frase – "e o dia da vingança do nosso Deus" – é uma referência à sua segunda vinda.

Algumas vezes, o NT parafraseia ou resume um texto do AT (por exemplo, Mt 2:6). Outras vezes, mistura dois textos em um (Mt 27:9-10). Ocasionalmente, uma verdade geral é mencionada sem a citação de um texto específico. Por exemplo, Mateus diz que Jesus mudou-se para Nazaré "para que se cumprisse o que fora dito, por intermédio dos profetas: Ele será chamado Nazareno" (Mt 2:23). Note que Mateus não cita um determinado profeta, mas sim "profetas" em geral, de modo que seria inútil insistir na procura de um determinado texto do AT em que esta profecia fosse encontrada.

Também há momentos em que o NT aplica um texto de um modo diferente em relação ao AT. Por exemplo, Oséias aplica "do Egito chamei o meu filho" à nação messiânica e Mateus, ao produto daquela nação, o Messias (Mt 2:15 e Os 11:1). Em caso algum, porém, o NT interpreta de forma errada ou não aplica corretamente o AT, nem ainda tira qualquer conclusão do que não esteja presente naquele texto. Em resumo, o NT não comete erros quando cita o AT, como acontece quando os críticos citam o NT.

9 - Assumir que diferentes narrações sejam falsas.

Pelo simples fato de divergirem entre si duas ou mais narrações do mesmo acontecimento, isso não significa que elas sejam mutuamente exclusivas.

Por exemplo, Mateus (26:5) diz que havia um anjo junto ao túmulo de Jesus depois da ressurreição, ao passo que João nos informa que havia dois (20:12).Não há, porém, nenhuma contradição.De fato, há uma infalível regra matemática que facilmente explica este problema: onde quer que haja dois, sempre há um - e nisso não existe erro!Mateus não diz que havia apenas um anjo. È necessário acrescentar a palavra "apenas" no registro dele para fazê-lo entrar em contradição com o de João. Mas se o crítico vem até a Bíblia para mostrar os erros dela, então o erro não está na Bíblia, mas sim no crítico.

De igual forma, Mateus (27:5) nos informa que Judas enforcou-se. Mas Lucas diz que Judas, "precipitando-se, rompeu-se pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram"(At 1:18).

Uma vez mais, estes dois relatos diferem entre si, mas não são mutuamente exclusivos. Se Judas enforcou-se numa árvore à beira de um penhasco, e se o seu corpo caiu em pontudas rochas em baixo, então, suas entranhas se derramaram para fora, da maneira como tão bem Lucas descreve.

10 - Presumir que a Bíblia aprova tudo o que ela registra.

É um erro admitir que tudo o que a Bíblia contém seja recomendado por ela. Toda a Bíblia é verdadeira (Jo 17:17), mas ela registra algumas mentiras, como por exemplo as de Satanás (Gn 3:4; conforme Jo 8:44) e a de Raabe (Js.2:4). A inspiração está sobre toda a Bíblia de forma tão completa e abrangente que ela registra com exatidão e verdade até mesmo as mentiras e os erros dos que pecaram. A verdade, na Bíblia, encontra-se no que ela revela, não em tudo que ela registra. Sem que se faça esta distinção, pode-se concluir de maneira errada que a Bíblia ensina imoralidade, porque ela narra o pecado de Davi (2 Sm 11:4); ou que ela promove a poligamia, porque registra o caso de Salomão (1Rs 11:3); ou que ela ensina o ateísmo, por citar o tolo que diz: "não há Deus" (Sl. 14:1).

11 - Esquecer-se que a Bíblia faz uso de uma linguagem comum, não-técnica.

Para que algo seja verdadeiro, não é necessário fazer uso de uma linguagem erudita, técnica ou, assim chamada, "científica". A Bíblia foi escrita por pessoas comuns de todas as gerações, e, portanto, emprega a linguagem comum, do dia a dia. O uso de uma linguagem não-científica, não vai de encontro á ciência, pois ela é anterior à ciência.

As escrituras foram escritas em tempos antigos, com padrões antigos, e seria algo anacrônico impor sobre elas padrões científicos modernos.

Contudo, não é menos científico falar que "o sol se deteve" (Js 10:13) do que se referir ao "nascer do sol" (Js 1:15). Ainda hoje os meteorologistas mencionam todo dia sobre a hora do "nascer" e do "pôr-do-sol".

12 - Considerar que números arredondados sejam errados.

Outro engano algumas vezes cometido pelos críticos é quando eles alegam que há erro em números que foram arredondados. Não é assim. Números arredondados são apenas isso: números arredondados.

Como ocorre no linguajar comum, a Bíblia faz uso de números arredondados (1 Cr 19:18; 21:5).

Por exemplo, quando se referiu ao diâmetro como sendo um terço da circunferência. Do ponto de vista da sociedade tecnológica atual, pode ser impreciso tomar como sendo três o que na realidade é 3,14159265..., o que não é incorreto para um povo antigo, vivendo numa era não tecnológica.Três é o arredondamento do número "PI".Isso é o suficiente para o "mar de fundição" (2 Cr 4:2), na medida de um antigo templo hebreu, embora esta precisão não seja, hoje em dia, suficiente para os cálculos feitos por um computador, num foguete moderno.Mas não temos de esperar encontrar precisão científica numa era pré científica.De fato, isso seria tão anacrônico como usar um relógio de pulso numa peça de Shakespeare.

13 - Não observar que a Bíblia faz uso de diferentes recursos literários.

Um livro inspirado não precisa ser composto num único estilo literário. Foram seres humanos que escreveram os livros da Bíblia, e a linguagem humana não se limita a uma única forma de expressão.Assim,não há por que supor que apenas uma forma de expressão ou apenas um gênero literário tenha de ter sido empregado num livro divinamente inspirado.

A Bíblia revela muitos recursos literários. Vários de seus livros acham-se inteiramente escritos em estilo poético (por exemplo, Jó, Salmos, Provérbios).Os evangelhos sinóticos estão cheios de parábolas. Em Gálatas 4, Paulo faz uso de uma alegoria. No NT acham-se muitas metáforas (por exemplo, 2 Co 3:2-3, Tg 3:6) e comparações (Mt 19:24, 23:24). Figuras de linguagem são comuns por toda a Bíblia.

Não se constitui erro o autor bíblico fazer uso de uma figura de linguagem, mas é errado tomar uma figura de linguagem de forma literal.

Obviamente, quando a Bíblia fala do crente que se acolhe à sombra das "asas" de Deus (Sl 36:7), isso não quer dizer que Deus seja uma ave com bela plumagem. De igual modo, quando a Bíblia fala que Deus "desperta" (Sl 44:23), como se ele estivesse dormindo, trata-se de uma figura de linguagem que indica a inatividade de deus antes de ele ser levado a exercer o juízo pelo pecado humano.Temos de ter todo o cuidado na leitura das figuras de linguagem das Escrituras.

14 - Esquecer-se que somente o texto original é isento de erros, e não qualquer cópia das Escrituras.

Quando os críticos descobrem um genuíno erro numa cópia (manuscrito) cometem outro erro fatal. Eles assumem que o erro se encontra também no texto original das Escrituras, no texto inspirado.Esquecem-se que Deus proferiu o texto original das Escrituras, não as cópias.portanto, somente o texto original é isento de erros. A inspiração não garante que toda cópia do original fique sem erros. Portanto, temos de levar em conta que pequenos erros podem ser encontrados em alguns manuscritos, que são cópias do texto original. Mas, de novo, como Agostinho com sabedoria observou, quando nos depararmos com um, assim chamado, "erro" na Bíblia, temos de admitir uma entre duas alternativas: ou o manuscrito não foi copiado corretamente, ou não entendemos as escrituras direito. O que não podemos pressupor é que deus tenha cometido um erro na inspiração do texto original.

Embora as atuais cópias das Escrituras sejam muito boas, elas também não são isentas de erros. Por exemplo, 2 Reis 8:26 dá a idade de Acazias como sendo 22 anos, ao passo que 2 crônicas 2:22 registra 42 anos.Este segundo número não pode estar correto, pois implicaria que Acazias fosse mais velho que seu pai.Obviamente trata-se de um erro do copista, mas isso não altera a inerrância do original.

Algumas coisas temos de observar com respeito ao erro dos copistas. Em primeiro lugar são erros feitos nas cópias, não no original.Jamais alguém encontrou um original com um erro.Em segundo lugar são erros com menor importância (com freqüência em nomes e números), que não afetam nenhuma doutrina da fé cristã.

Em terceiro lugar, esses erros dos copistas são relativamente em pequeno número.

Em quarto lugar, geralmente pelo contexto ou por outro texto das Escrituras, podemos saber qual passagem incorre em erro. Por exemplo, no caso acima, a idade certa de Acazias é 22 e não 42, já que ele não poderia ser mais velho que seu pai.

Finalmente, muito embora possa haver em erro de cópia, a mensagem inteira ainda assim é perfeitamente entendida. Nesses casos, a validade da mensagem não se altera.por exemplo, se você recebesse uma carta como esta, você não entenderia a mensagem por completo?E você não iria correndo atrás do seu dinheiro?

Você foi contemplado no sorteio tal e tal e é o ganhador da importância de cinco milhões de reais.”.

Mesmo havendo um erro na primeira palavra, a mensagem inteira é compreensível - você possuiu mais cinco milhões! E se no dia seguinte você recebesse mais uma carta, com os dizeres, aí você teria ainda mais certeza:

"Você foi contemplado no sorteio tal e tal e é o ganhador da importância de cinco milhões de reais."

Na verdade, quanto mais erros deste tipo houver (cada um num lugar diferente), tanto mais certo você estará com respeito á mensagem original. É por isso que os erros dos escribas nos manuscritos bíblicos não afetam a mensagem básica da Bíblia.Assim , na prática, por mais imperfeições que haja nos manuscritos utilizados, a Bíblia que temos em nossas mãos transmite a verdade completa da original Palavra de Deus.

15 - Confundir afirmações gerais com universais.

Com freqüência os críticos rapidamente chegam à conclusão de que afirmações que não mencionam restrições não admitem exceções.

Apoderam-se de versículos que apresentam verdades geraise então regozijam-se em mostrar óbvias exceções. Ao fazerem isso, se esquecem de que tais afirmações foram feitas com a intenção de serem generalizações.

O livro de Provérbios é um bom exemplo de casos assim. Dizeres proverbiais, por sua própria natureza, dão-nos apenas uma direção, e não uma certeza aplicável a todos os casos.

São regras para a vida, mas regras que admitem exceções. Provérbios 16:7 é um destes casos.A afirmação é: "Sendo o caminho dos homens agradável ao Senhor, este reconcilia com eles os seus inimigos".Isto obviamente não tinha a intenção de ser uma verdade universal.Paulo era agradável ao Senhor, e seus inimigos o apedrejaram (At 14:19).Jesus foi agradável ao Senhor e seus inimigos o crucificaram!Não obstante, esta é uma regra geral: aquele que vive de modo a agradar ao Senhor poderá minimizar o antagonismo de seus inimigos.

Outro exemplo de uma verdade geral é Provérbios 22:6: "Ensina a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velho não se desviará dele”. Entretanto, outras passagens da Bíblia nos mostram que nem sempre é verdade.De fato, alguns homens piedosos na Bíblia, inclusive Jó, Eli e Davi) tiveram filhos perversos.Este provérbio não contradiz a experiência, por ser um princípio geral, que se aplica de maneira geral, mas que permite exceções em casos isolados.Os provérbios não têm a característica de ser garantias absolutas.Antes, eles expressam verdades que nos proporcionam conselhos e direções úteis, que cada um de nós deve aplicar à nossa própria vida, a cada dia.

Não passa de um simples erro presumir que a sabedoria de um provérbio seja sempre uma verdade universal. Os provérbios são sabedoria (direções gerais), não leis (imperativos com aplicação universal).Quando a Bíblia declara "...vós sereis santos, porque eu sou santo" (Lv 11:45), então não há exceções.Santidade, bondade, amor, verdade e justiça estão na raiz precisa da natureza de deus, que é imutável e, por isso, não admite exceções.Mas a sabedoria toma as verdades universais de Deus e as aplica a circunstâncias específicas sujeitas a alterações, as quais por sua própria natureza mutável, nem sempre produzirão os mesmos resultados.Não obstante, a sabedoria ainda assim é muito útil como um guia para a vida, mesmo admitindo-se eventuais exceções.

16 - Esquecer-se que uma revelação posterior sobrepõe-se a uma anterior.

Algumas vezes os críticos das Escrituras se esquecem do princípio da revelação progressiva.. Deus não revela tudo de uma só vez, nem determina sempre as mesmas condições para todos os períodos do tempo. Portanto, algumas de suas revelações posteriores vão sobrepor-se a afirmações anteriores.

Os críticos da bíblia às vezes confundem uma mudança na revelação com um erro.

O erro, entretanto é do crítico. Por exemplo, o fato de que mão ou pai de uma criança permita que ela quando bem pequena coma com a mão, para somente mais tarde ensinar-lhe a comer com a colher não é uma contradição.Nem ainda a mãe ou o pai estará se contradizendo quando, mais tarde insistir para que o filho use um garfo, e não mais uma colher, para comer vegetais.Isto é revelação progressiva, sendo cada ordenança adequada á circunstância particular em que a pessoa se encontra.

Houve uma época em que Deus testou a humanidade proibindo-a de comer o fruto de uma determinada árvore no jardim do éden (Gn 2:16-17). Este mandamento do AT não está mais em vigor, mas a revelação posterior não contradiz a anterior. Também houve um período (sob a lei de Moisés) em que Deus ordenou que animais fossem sacrificados pelo pecado do povo. Entretanto, desde que Cristo ofereceu o sacrifício perfeito pelo pecado (Hb 10:11-14), esse mandamento de AT não está mais em vigor.Aqui, de novo, não há contradição entre o mandamento posterior e o anterior.

De igual forma, quando Deus criou a raça humana, ele ordenou que se comessem apenas frutas e vegetais (Gn1:29).Mas depois, quando as condições se alteraram após o dilúvio, Deus ordenou que se comesse também carne (Gn 9:3).Tal mudança de uma condição herbívora para uma carnívora é uma revelação progressiva, mas não se constitui uma contradição.

De fato, todas as subseqüentes revelações são simplesmente mandamentos diferentes para pessoas diferentes em tempos diferentes, dentro de um plano geral de Deus para a redenção.

É certo que Deus não pode alterar mandamentos que têm que ver com a sua natureza imutável (cf. Ml 3:6;Hb 6:18).Por exemplo, sendo Deus amor (1 Jo 4:16), ele não pode ordenar que o odiemos.Nem pode ordenar o que é logicamente impossível, como, por exemplo, oferecer e, ao mesmo tempo e com o mesmo propósito, não oferecer um sacrifício pelo pecado.

Mas apesar desses limites de ordem lógica e moral, Deus pode e revelou-se de forma progressiva e não contraditória. Quando porém, os fatos relativos a sua revelação são tirados do próprio contexto e comparados a outros anteriores, podem parecer uma contradição.Esse contudo, é o mesmo tipo de erro de quem acha que a mãe está se contradizendo ao permitir que o filho, agora mais velho, vá dormir mais tarde.

Depois de quarenta anos de estudo contínuo e cuidadoso da Bíblia, a única conclusão a que se pode chegar com respeito aqueles que pensam ter descoberto um único erro na Bíblia é que eles não sabem muita coisa a respeito dela - na verdade, sabem é muito pouco sobre a Bíblia!

Isso não significa, é claro que entendemos todas as dificuldades existentes nas Escrituras. Mas certamente, isso nos faz crer que Mark Twain tinha razão ao concluir que não era a parte da Bíblia que ele não entendia o que mais o incomodava, mas as partes que ele compreendia, estas, sim, o incomodavam!

17 - Deixar de interpretar passagens difíceis à luz das que são claras.

Algumas passagens das Escrituras são de difícil compreensão. Às vezes a dificuldade é por serem obscuras.Outras vezes a dificuldade está em que uma passagem parece estar ensinando algo contrário ao que em outra parte da escritura ensina com clareza.Por exemplo, Tiago parece estar dizendo que a salvação é pelas obras (Tg 2:14-26), ao passo que Paulo ensinou com toda clareza que é pela graça (Rm 4:5;Tt 3:5-7; Ef 2:8-9). Neste caso, Tiago não deve ser interpretado de maneira a contradizer Paulo. O apóstolo Paulo está falando de justificação perante Deus (o que é pela fé somente), ao passo que Tiago está se referindo à justificação perante os homens (que não têm como ver a nossa fé, mas somente as nossas obras).
Um outro exemplo encontra-se em Filipenses 2;12, em que Paulo diz: "desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor".Aparentemente isto parece estar dizendo que a salvação é pelas obras.Contudo,inúmeras passagens das escrituras claramente contradizem tal idéia, pois afirmam: "salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de deus para que ninguém se glorie"(Ef 2:8-9);"ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça (Rm 4:5);"não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, (é que) ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo" (Tt 3:5).

Quando esta frase de difícil compreensão - "desenvolvei a vossa salvação" - é entendida à luz dessas passagens tão claras, podemos ver que, qualquer que seja o significado dela, uma coisa é certa: ela não significa que somos salvos pelas obras. De fato, o seu significado é encontrado principalmente no versículo seguinte.Temos de desenvolvera nossa salvação porque a graça de Deus tem operado em nosso coração.Nas próprias palavras de Paulo:" porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade" (Fp 2:13).


SOLA SCRIPTURA!

Alerta Geral 02 !!!


ABAIXO-ASSINADO

e
MANIFESTO À SOCIEDADE BRASILEIRA E AOS PODERES CONSTITUÍDOS DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL
CONTRA O PLC 122/2006(Senado Federal), PL 6418/2005(Câmara dos Deputados)


A Sociedade Brasileira, através dos signatários deste abaixo-assinado, vem perante os Poderes constituídos da República Federativa do Brasil, por meio do presente expediente declarativo e denunciativo, fulcrado no nosso direito constitucional fundamental de livre manifestação do pensamento – art. 5º, IV da Constituição Federal – apresentar-lhes, para reflexão e engajamento nesta causa, nosso Manifesto em Defesa da Liberdade Religiosa e Institucional, da Livre Manifestação do Pensamento e contra a aprovação do Projeto 122/2006, que tramita no Senado Federal, e o Projeto 6418/2005, que tramita Câmara dos Deputados, que visam, a pretexto de combater a homofobia, amordaçar os cidadãos e instituições deste país, tendo em vista as razões adiante explicitadas:

1) Somos contra a aprovação dos PL's 122/2006 e 6418/2005, porque estes, ao criminalizarem toda e qualquer manifestação contrária ao homossexualismo e às suas práticas, ferem o direito fundamental que cada cidadão tem de, livremente, manifestar-se, expressar-se e opinar sobre qualquer tipo de conduta moral ou tema social. A Constituição Federal garante a todos, como mandamento jurídico inviolável, o direito de se posicionar, a favor ou contrariamente, em relação a qualquer fato social ou comportamento humano. Vivemos sob a égide de um sistema constitucional que estabelece, ainda, como objetivo fundamental da República Federativa do Brasil a construção de uma sociedade livre, justa e plural, sem espaço para qualquer tipo de discriminação, inclusive a religiosa, como fazem os dois PL's.
2) Somos contra a aprovação dos PL's 122/2006 e 6418/2005, porque estes cerceiam o direito constitucional fundamental que temos de liberdade de consciência, crença e culto. Ao afirmarem que toda e qualquer manifestação contrária ao homossexualismo – incluindo aqui sermões e textos bíblicos que se posicionam contra as práticas homossexuais – constitui-se em crime de homofobia – isto é, violência contra os homossexuais – o Projeto está a estabelecer no Brasil o mais terrível tipo de legislação penal, típica de Estados totalitários, os Crimes de Mera Opinião. Repudiamos, veementemente, tal tentativa de censura e limitação das liberdades individuais e coletivas, pois manifestar-se contrariamente – sem violência – a respeito de um comportamento nada mais é do que o exercício constitucional, legítimo e legal do direito de liberdade de consciência e crença.
3) Somos contra a aprovação dos PL's 122/2006 e 6418/2005, porque a Constituição Federal nos afirma e estabelece que, ao contrário do que se quer realizar – isto é, tornar crime manifestações religiosas, filosóficas, científicas e políticas reprovando as práticas homossexuais – “ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política” (CF, art. 5º, VIII).
4) Somos contra a aprovação dos PL's 122/2006 e 6418/2005, porque tais proposições legislativas, por serem de natureza penal e não simplesmente civil, demonstra-nos que o objetivo não é combater a violência contra os homossexuais, mas sim impor tal condição a todos e torná-la imune de críticas ou de posicionamentos contrários. A idéia das proposições legislativas referidas não é conscientizar ou incluir; a idéia é “colocar na cadeia” qualquer do povo que seja contrário ao homossexualismo e manifesta essa sua posição moral e de consciência. Isso nos resta claro, tendo em vista os projetos de lei serem de natureza criminal. Se assim não o fosse, nós nos solidarizaríamos e apoiaríamos tal iniciativa legislativa, porque também somos contra toda e qualquer tipo de violência.
5) Somos contra a aprovação dos PL's 122/2006 e 6418/2005, porque entendemos que o nosso Ordenamento Jurídico – seja através da Constituição Federal, seja através das demais leis ordinárias ou complementares deste país, já contemplam as reivindicações de proteção que os adeptos dos PL's buscam implementar. Por exemplo, se qualquer cidadão sofrer contra si um ato de violência, seja ela física, psicológica ou moral, já temos leis penais suficientes para serem usadas num caso como esse. Por qual razão, então, se querer privilegiar, concedendo super-direitos, verdadeiros privilégios, a um grupo específico? Todos são iguais perante a lei! E se há necessidade de maior proteção a um grupo específico que se criem políticas públicas de atendimento e não leis penais que visam colocar o restante da sociedade na cadeia!
6) Ademais, cremos na Bíblia como única regra de fé e prática e, em assim sendo, Deus criou o ser humano a Sua imagem e semelhança como homens e mulheres que se unem, religiosa e legalmente, em casamento para a constituição de uma família fundamentada nos princípios e valores da fé cristã. Para nós, a Bíblia, ao estabelecer como pecado o homossexualismo, fá-lo do mesmo modo como o faz para outros tantos tipos de pecado, tais como, a prostituição, o adultério, a inveja, a idolatria, o homicídio, o incesto, a pedofilia, a mentira, a glutonaria, a maledicência, o roubo e etc. Assim, cremos que toda e qualquer conduta pecaminosa deve ser reprovada, porque o pecado afasta o homem e a sociedade de Deus.
7) Por assim ser, crendo na Bíblia como única regra de fé em prática, sabemos que cada um dará conta de si mesmo a Deus, de modo que, as escolhas e predileções que cada um faz aqui neste mundo acontecem, porque Ele nos deu o livre-arbítrio. Deus, através da sua Palavra, aponta-nos o Caminho, a Verdade e a Vida em que devemos andar. Por isso, pregamos, baseados na Bíblia, contra o pecado e amando o pecador. Mas a mensagem da Palavra de Deus é para os que, voluntariamente, abrem o seu coração para a Salvação em Cristo Jesus. O Cristianismo não é impositivo. Ele dá espaço para que o ser humano faça a sua escolha. É assim que a Igreja atua na sociedade: respeitando a liberdade de cada um, mesmo que esta vá de encontro à Palavra de Deus. Somos, assim, porque o nosso Deus não nos fez seres adestrados, ao contrário, Ele nos deu total liberdade para decidirmos sobre as nossas vidas. Ele não nos quer à força ou sob coação. Para nós, quem nos convence do pecado, é o Espírito Santo de Deus e, por assim ser, nada é por força ou por violência.
8) Assim, conclamamos a Sociedade Brasileira e os Poderes Constituídos da República Federativa do Brasil, especialmente, o Senado Federal e a Câmara dos Deputados, a se unirem contra estes Projetos de Lei (PL 122/2006 e PL 6418/2005), inconstitucionais e ilegítimos, que restringem, de modo absoluto, direitos e garantias fundamentais do ser humano e da sociedade em geral, que foram conquistados, historicamente, a preço de muito sangue, suor e lágrimas. Todos são iguais perante a lei. Que não haja nenhum tipo de discriminação promovida pelo próprio Estado, nem que este queira impor – colocando o aparato policial e o sistema prisional a serviço disso – a toda uma sociedade – que, no nosso caso, é eminentemente cristã – o modo de ser de um grupo específico, seja ele qual for, seja ele minoria ou maioria.

Que Deus abençoe a todos!


Dr. Uziel Santana
Professor de Direito da UFS
Colaborador da VINACC


Fonte: http://www.conscienciacrista.org.br/abaixo-assinado/

Faça a sua parte. No final deste link há instruções de como você poderá proceder.

A importância da Apologia!


Geralmente muitos cristãos nunca ou quase nunca ouviram falar em apologia e uma grande parcela nunca leu nada sobre o assunto.


O que é apologia? Para que serve? Onde emprega-la?

Para sabermos o que é apologia precisamos primeiro saber o que não é.

O Que Não é Apologia:

1. Apologia não é criticar a religião dos outros.
2. Apologia não é menosprezar as demais crenças.
3. Apologia não é declarar guerra aos demais credos.

Etimologia da Palavra.

O dicionário "Aurélio século XXI" define apologia como: "Discurso para justificar, defender ou louvar." A palavra grega nos escritos neotestamentario para "responder" é apologia. Essa palavra aparece em I Pedro 3:15 "antes santificai em vossos corações a Cristo como Senhor; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós".

Portanto, apologia dentro do contexto evangélico-eclesiástico, é a habilidade de responder com provas adequadas e sólidas a fé cristã perante as demais religiões. Já que o cristianismo é uma religião de fatos, ou como bem expressou certo apologista: "é uma religião que apela aos fatos da história", ela se serve de tais meios para fundamentar seus argumentos.A apologia é parte inseparável da teologia, sendo que aquela, serve-se desta, para desenvolver um plano lógico e sistemático nas questões argumentativas concernentes á fé cristã.

O cristianismo é uma religião que por sua natureza exclui quaisquer outros credos como verdadeiros, a não ser ele mesmo. Por isso, ele entra em choque com as demais religiões existentes, que são sem exceções, produtos das idéias dos homens, que na ânsia de sua procura pelo sagrado, por Deus, aliena-se nas suas próprias imaginações, resultado da depravação total da qual está sujeita a humanidade sem Deus.

Enquanto as demais religiões apresentam vários intercessores e deuses e mormente vários caminhos que levam a tais deidades, o cristianismo por sua vez apresenta um só mediador e um só caminho que leva a um único Deus verdadeiro. Neste choque de crenças a apologia se torna indispensável. Ela nasce forçosamente como uma resposta ao ataque á sã doutrina que muitas vezes se apresenta sob diversas faces.

Quase todas as epístolas foram escritas visando à defesa da fé cristã (no sentido de corrigir erros doutrinários) contra os ataques de fora, e muitas vezes de dentro da própria igreja.

Por: Presb. Paulo Cristiano
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O que é Hermenêutica?



Hermenêutica Bíblica

O termo "hermenêutica" deriva do grego hermeneuein, "interpretar". A Hermenêutica Bíblica cuida da reta compreensão e interpretação das Escrituras. Consiste num conjunto de regras que permitem determinar o sentido literal da Palavra de Deus.


A IMPORTÂNCIA DESTE ESTUDO

O próprio Pedro admitiu que há textos difíceis de entender: "os quais os indoutos e inconstantes torcem para sua própria perdição" (2 Pedro 3:15 e 16).

A arma principal do soldado cristão é a Escritura, e se desconhece o seu valor ou ignora o seu legítimo uso, que soldado será? (2 Timóteo 2:15).

As circunstâncias variadas que concorreram na produção do maravilhoso livro exigem do expositor que o seu estudo seja meticuloso, cuidadoso e sempre científico, conforme os princípios hermenêuticos.

A REGRA FUNDAMENTAL

A Escritura é explicada pela Escritura. A Bíblia interpreta a própria Bíblia..

PRIMEIRA REGRA

Enquanto for possível, é necessário tomar as palavras no seu sentido usual e ordinário..

SEGUNDA REGRA

É absolutamente necessário tomar as palavras no sentido que indica o conjunto da frase..

Esta regra tem importância especial quando se trata de determinar se as palavras devem ser tomadas em sentido literal ou figurado. Para não incorrer em erros, convém, também, deixar-se guiar pelo pensamento do escritor, e tomar as palavras no sentido que o conjunto do versículo indica.

TERCEIRA REGRA

É necessário tomar as palavras no sentido que indica o contexto, isto é, os versos que precedem e seguem o texto que se estuda.

QUARTA REGRA

É preciso tomar em consideração o desígnio ou objetivo do livro ou passagem em que ocorrem as palavras ou expressões obscuras..

QUINTA REGRA

É indispensável consultar as passagens paralelas explicando as coisas espirituais pelas espirituais (I Cor 2:13). (I Cor 2:13).

SEXTA REGRA

Um texto não pode significar aquilo que nunca poderia Ter significado para seu autor ou seus leitores.

SÉTIMA REGRA

Sempre quando compartilhamos de circunstâncias comparáveis (isto é, situações de vida específicas semelhantes) com o âmbito do período quando foi escrita, a Palavra de Deus para nós é a mesma que Sua Palavra para eles.

Graça e Paz!


Pr. Ruy Marinho

Quebra de maldições Hereditárias?

.


Reconheço que existe uma maldição na vida de alguns crentes que devemos quebrar. E esta maldição é a “quebra de maldições hereditárias”, propriamente dita. Algo que está impregnado em muitas igrejas pelo Brasil e pelo mundo afora.


Para abordar este tema, gostaria de colocar um pouco de minha vida para justificar que eu vivi essa realidade no passado. Portanto, conheço bem os parâmetros colocados pelos defensores de tal prática.

Eu me converti em uma igreja onde é praticada a quebra de maldições hereditárias, fui ensinado com base nessa doutrina e durante alguns anos também preguei a mesma para muitas pessoas, até mesmo ministrei cultos de quebra de maldições hereditárias (para a minha vergonha).

Mas, na época, eu sempre questionei sobre a autenticidade dessa doutrina, pois apesar de ter aprendido em minha igreja (na época) sobre a necessidade de se quebrar maldições hereditárias e também ministrar sobre isto, sempre quando me deparei com algumas passagens bíblicas eu ficava com muita dúvida. A Bíblia diz em II Co 13:8 que “nada podemos contra a verdade se não pela verdade”. Portanto, não podemos ir contra a Bíblia jamais. Ela é a nossa única regra de fé e conduta. E a Bíblia estava me confrontando...

Um exemplo de passagem confrontadora está em Romanos 14:12, onde diz: “Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus”. Como poderia alguém fazer quebra de maldições de antepassados se cada um de nós prestará contas de si mesmo á Deus?

Outra passagem que sempre me deixava preocupado era Romanos 8:1, diz: “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.” Como posso ter alguma condenação de maldição se estou em Cristo?

Mais uma passagem, 2 Co 5:17: “E assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura: as cousas antigas já passaram; eis que se fizeram novas. Se estamos em Cristo e tudo se fez novo, as coisas antigas já passaram, como poderei ter maldições sobre a minha vida?

E o que dizer desta passagem: E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos; tendo cancelado o escrito de dívida que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando na Cruz. Cl 2:13-14

Diante destas e outras passagens que veremos a seguir, levou-me a buscar um aprofundamento teológico sobre este assunto. O conteúdo do estudo e a conclusão que eu cheguei na época, você verá a seguir.

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O EVANGELHO DA MALDIÇÃO

Uma das distorções doutrinárias mais difundidas entre o povo de Deus ultimamente é o ensino das “maldições hereditárias”, conhecido também como “maldição de família ou “pecado de geração”. Estes conceitos circulam bastante através da televisão, rádio, literatura e seminários nas igrejas. Muitos líderes, ministérios e igrejas, antes sólidos e confiáveis, acabaram sucumbindo a mais esse ensino controvertido e importado dos Estados Unidos.

Os pregadores da maldição afirmam que se alguém tem algum problema relacionado com alcoolismo, pornografia, de­pressão, adultério, nervosismo, divórcio, diabete, câncer e muitos outros, é porque algum antepassado viveu aquela situação ou praticou aquele pecado e transmitiu tal pecado ou maldição a um descendente. A pessoa deve então orar a Deus a fim de que lhe seja revelado qual é a geração no passado que o está afetando. Uma vez que se saiba qual, pede-se perdão por aquele antepassado ou pela geração revelada e o problema estará resolvido, isto é, estará desfeita a maldição.

Marilyn Hickey, autora norte-americana e que já esteve várias vezes no Brasil em conferências da Adhonep (Associação de Homens de Negócios do Evangelho Pleno), promove constantemente este ensino. Note suas palavras:

Se você ou algum de seus ancestrais deu lugar ao diabo, sua família poderá estar sob a “Maldição Hereditária”, e esta se transmitirá a seus filhos. Não permita que sua descendência seja atingi­da pelo diabo através das maldições de geração. Os pecados dos pais podem passar de uma a outra geração, e assim consecutiva­mente. Há na sua família casos de câncer, pobreza, alcoolismo, alergia, doenças do coração, perturbações mentais e emocionais, abusos sexuais, obesidade, adultério’? Estas são algumas das características que fazem parte da maldição hereditária nas famílias. Contudo, elas podem ser quebradas!

Um dos textos bíblicos mais usados pelos pregadores da maldição hereditária para defender este ensino é Êxodo 20:4-6: “Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o SENHOR teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem, e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos”.

É preciso que se leve em consideração o assunto do texto aqui citado. De que trata, afinal, tal passagem? Alcoolismo, pornografia, depressão, ou problemas do gênero? É óbvio que não. O texto fala de idolatria e não oferece qualquer base para alguém afirmar que herdamos maldições espirituais de nossos antepassados em qualquer área das dificuldades humanas.

A narrativa do Antigo Testamento nos informa que sempre que a nação de Israel esteve num relacionamento de amor com Deus, ela não podia ser amaldiçoada. Vemos a prova disso em Números 23:7, 8, quando Balaque pediu a Balaão que amaldiçoasse a Israel. A resposta de Balaão aparece no versículo 23: “Pois contra Jacó não vale encantamento, nem adivinhação contra Israel”. Por outro lado, sempre que a nação quebrou a aliança de amor com Deus, ela ficou exposta a maldição, calamidades e cativeiro.

É verdade que os filhos que repetem os pecados de seus pais têm toda a possibilidade de colher o que seus pais colheram. Os pais que vivem no alcoolismo têm grande possibilidade de ter filhos alcoólatras. Os que vivem blasfemando, ou na imoralidade e vícios, estão estabelecendo um padrão de comportamento que, com grande probabilidade, será seguido por seus filhos, pois “aquilo que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6:7). Isso poderá suceder até que uma geração se arrependa, volte-se para Deus e entre num relacionamento de amor com ele através de Jesus Cristo. Cessou aí toda a maldição. Não deve ser esquecido também que o autor da maldição ou punição é Deus e que ela é a manifestação da sua ira. Note que, no final do versículo cinco do capítulo vinte de Êxodo, a Palavra de Deus declara que a maldição viria apenas sobre aqueles que aborrecem a Deus, algo que não se passa com o cristão.

A Bíblia ensina uma responsabilidade individual pelo pecado, como pode ser observado no livro do profeta Ezequiel:

“Veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Que tendes vós, vós que, acerca da terra de Israel, proferis este provérbio, dizendo: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos é que se embotaram? Tão certo como eu vivo, diz o SENHOR Deus, jamais direis este provérbio em Israel. Eis que todas as almas são minhas; como a alma do pai, também a alma do filho é minha; a alma que pecar, essa morrerá” (Ez 18:1-4). Seria o mesmo que afirmar nos dias atuais: os pais comeram chocolate e os dentes dos filhos criaram carie.

O capítulo 18 de Ezequiel dá a entender que havia se tornado um costume em Israel colocar a culpa dos fracassos pessoais nos antepassados ou em outros. Isso faz lembrar o que aconteceu no jardim do Éden, quando, por ocasião da Queda, o homem colocou a culpa na mulher e a mulher na serpente. Parece ser próprio do ser humano não admitir seus erros, buscando evasivas para não tratá-los de forma responsável à luz da Palavra de Deus. Infelizmente, alguns acham mais fácil culpar os antepassados do que enfrentar suas tentações.

O ensino da maldição de família mais escraviza do que liberta. Até crentes que há vários anos viviam alegres, evangelizando, servindo ao Senhor e dando frutos, agora estão preocupados, deprimidos, pensando que talvez as tentações, as dificuldades e lutas pelas quais estão passando sejam de fato reflexo de pecados ou do comportamento dos seus ancestrais. Não faz muito tempo, numa grande igreja pentecostal, um diácono, que havia participado de um desses seminários para quebra de maldições hereditárias, me procurou para aconselhamento. Tal irmão encontrava-se confuso e deprimido com as informações que recebera e queria saber o que a Bíblia tinha a dizer sobre tudo isso. Depois de uns dez minutos de conversa, ele respirou aliviado. Temos encontrado e ajudado a muitos outros em situações semelhantes pelos lugares por onde passamos, em diferentes partes do Brasil.

Ora, todo cristão é tentado, de uma forma ou de outra, uns mais, outros menos. Se um cristão enfrenta problemas em relação à pornografia, ao alcoolismo, ao adultério, à depressão ou a qualquer outro aspecto ligado às tentações, os métodos para vencer tais lutas devem ser bíblicos. O caminho para a vitória tem muito mais a ver com a doutrina da santificação, com o cultivo da vida espiritual através da oração, do jejum, da comunhão saudável numa determinada parte do Corpo de Cristo e do contato constante com a Palavra de Deus. O ensino da quebra de maldições hereditárias aparece como um atalho mágico e ilusório para substituir a doutrina da santificação, que é um processo indispensável a ser desenvolvido pelo Espírito Santo na vida do cristão, exigindo dele autodisciplina e perseverança na fé.


DOENÇA OU MALDIÇÃO?

Um outro aspecto incorreto desse ensino é confundir as doenças transmitidas por herança genética com maldições hereditárias espirituais. Isto pode ser observado nas declarações de Marilyn Híckey:

Será que você já observou uma família na qual todos os membros usam óculos? Desde o pai e a mãe até a criança menor, todos estão usando óculos, e geralmente os do tipo de lentes grossas. Essas pobres criaturas estão debaixo de uma maldição, e precisam ser libertas.

Não se pode construir uma doutrina em cima de uma observação, experiência ou somente porque uma família toda usa óculos! Existem muitas famílias em que apenas um ou outro membro usa óculos. O que aconteceu? Por que só alguns herdam a maldição e outros não? E se as doenças são maldições transmitidas de pais para filhos através dos genes (geneticamente), por que os pregadores dessa doutrina não quebram, por exemplo, a maldição da calvície, transmitida geneticamente? Até hoje não há notícia de que alguém tenha feito isso.

O Senhor Jesus nunca ensinou tal doutrina. Quando perguntado sobre o cego de nascença: “Mestre, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?”, ele respondeu: “Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi para que se manifestem nele as obras de Deus” (Jo 9:2-3). Alguns usam este texto para afirmar que os discípulos acreditavam na maldição de família, procurando dar assim legitimidade a tal ensino. É preciso lembrar que os discípulos nem sempre estiveram certos no período de treinamento que passaram juntos a Jesus. Certa vez, em alto-mar, quando Cristo se aproximava, eles pensaram ser ele um fantasma (Mt 14:26). Felizmente, os discípulos estavam errados em suas conclusões, pois eram humanos, sujeitos a erros. É óbvio que não erraram quando falaram e escreveram inspirados pelo Espírito Santo. Quanto ao cego de nascença, Jesus destruiu qualquer superstição ou crença que os discípulos pudessem ter de que a cegueira fora provocada pelos pecados de seus antepassados, e o próprio Jesus nunca ensinou tal doutrina.

Tal ensino não encontrou espaço também nos escritos do apóstolo Paulo. Ao contrário, quando escreveu aos coríntios pela segunda vez, declarou com muita certeza: “E assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura: as cousas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2 Co 5:17). Aos efésios, ele afirma: “Bendito o Deus e pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo” (Ef 1:3). Onde existe espaço para maldições na vida de um cristão diante de uma declaração como esta?

Paulo não se deixou prender ao passado. Quando escreveu aos crentes de Filipos, declarou: “Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma cousa faço: esquecendo-me das cousas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus (Fp.3:13, 14).

É importante observar a sugestão do apóstolo Paulo a Timóteo, quando lhe escreveu a primeira carta: “Não continues a beber somente água; usa um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas freqüentes enfermidades” (1 Tm 5:23). Paulo nunca insinuou que a enfermidade de Timóteo fosse uma maldição de seus antepassados, pois sabia que Timóteo vivia numa natureza afetada pela desobediência dos primeiros país (Adão e Eva). Apesar de o Reino de Deus estar entre nós, ele ainda não chegou à sua plenitude, pois até a criação geme, aguardando ser redimida do cativeiro da corrupção (Rm 8: 19-23). Paulo apenas sugeriu que Timóteo tomasse um pouco de vinho como um remédio para suas freqüentes enfermidades estomacais e não que fizesse a quebra das maldições hereditárias.


A CONVERSÃO É A SOLUÇÃO

Ensinar que um cristão tem que romper com maldições ou pactos dos antepassados pedindo perdão por eles é minimizar o poder de Deus na conversão. Isso está mais para o espiritismo ou mormonismo (com sua doutrina anti-bíblica do batismo pelos mortos) do que para o cristianismo. A Bíblia declara com muita ousadia: “Por isso também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hb 7:25). O advérbio “totalmente” (panteles, no grego) tem o sentido de pleno, completo e para sempre. Jesus não salva em prestações, mas de uma vez por todas.

Marilyn Híckey chega a afirmar que: “Você pode decidir quanto ao destino exato da sua linhagem. Eles ou vão para Jesus, ou vão para o diabo”. Nada poderia estar mais longe da verdade. Quantos filhos há que hoje vivem uma vida cristã exemplar, são cheios do Espírito Santo, enquanto seus pais permanecem alheios ao Evangelho, rejeitando constantemente a palavra de salvação e até tentando dificultar-lhes a vida espiritual! Comigo também foi assim. Ai de mim se fosse esperar meu pai decidir sobre o meu futuro espiritual. Não sei onde estaria hoje.

É claro que os pais têm grande influência na formação espiritual dos filhos, mas o milagre da salvação é obra de Deus, e é pela graça que somos salvos (Ef 2:8, 9). É o Espírito Santo, o Consolador, quem convence o coração do pecado, da justiça e do juízo, como o próprio Senhor Jesus disse (Jo 16:7, 8). Paulo relatou aos gálatas que foi Deus quem lhe revelou seu Filho (Gl 1:15, 16). Assim, a salvação é uma revelação de Jesus Cristo em nossos corações, e não algo decidido somente pelos pais.

Observe o que aconteceu com os filhos de Samuel, um profeta de Deus e um homem íntegro, como pode ser observado em 1 Samuel 3:19 e 12:3. Apesar da integridade do pai, a Bíblia diz que seus filhos não andaram pelos caminhos dele:

“antes se inclinaram à avareza, e aceitaram subornos e perverteram o direito” (1 Sm 8:3).

Veja os reis de Israel e Judá. A narrativa do Antigo Testamento revela que muitos deles foram ímpios e tiveram filhos piedosos, enquanto outros foram piedosos e tiveram filhos ímpios. Eis alguns exemplos: Abias foi mau (1 Rs 15:3), mas seu filho Asa “fez o que era reto perante o SENHOR” (1 Rs 15:11). Jotão “fez o que era reto perante o SENHOR” (2 Rs.15:34), porém Acaz, seu filho, “não fez o que era reto perante o SENHOR” (2 Rs 16:2). Jeosafá agradou a Deus (2 Cr 17:1-4), enquanto Jeorão, seu filho, “fez o que era mau perante o SENHOR” (2 Cr 2 1:6). Assim, a seqüência de bondade ou maldade que deveria suceder na linhagem dos reis de Israel e Judá, de acordo com o que ensinam os pregadores da maldição de família simplesmente não aconteceu. A esses exemplos certamente não se poderia aplicar o provérbio: “Tal pai... tal filho”.

Inspirado pelo Espírito Santo, Paulo escreveu aos irmãos de Corinto, na sua primeira carta, uma palavra tremendamente elucidativa quanto a esta questão: “Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus. Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados, em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus” (1 Co 6:9-11; leia também Gl.5:17-21).

Pode-se notar que Paulo não afirmou no versículo onze:

“Mas haveis quebrado as maldições hereditárias, mas haveis pedido perdão pelos pecados dos antepassados” ou algo similar. Não, de modo algum, este não é o seu pensamento. Paulo afirma que aqueles que estiveram presos nos pecados haviam sido lavados, haviam sido santificados e justificados, sem qualquer necessidade de quebrar maldições dos antepassados.

Cabem aqui algumas perguntas: Qual é a maior das maldições? Sem dúvida é estar fora de Cristo. Qual a maior das bênçãos? Certamente é o estar em Cristo. Como se elimina a maior das maldições? Introduzindo a maior das bênçãos.

Os pregadores da maldição hereditária não deveriam pedir perdão pelos pecados da décima, nona, oitava ou de qualquer outra geração, mas deveriam, sim, pedir perdão pelos pecados de Adão e Eva, pois se houve brecha, foi ali, na queda do jardim do Éden, onde as maldições tiveram início. Ali está a raiz do problema. Isso, sim, seria um trabalho perfeito e completo. O leitor já imaginou se funcionasse? De repente, ninguém mais precisaria trabalhar para ganhar o pão, a mulher não sofreria mais ao dar à luz e os espinhos desapareceriam da Terra. É claro que não funciona, pois tal ensino não tem base na Palavra de Deus.


TEXTOS MAL INTERPRETADOS

Espíritos Familiares

Para defender o ensino da maldição hereditária, seus pregadores usam a expressão “espíritos familiares”, tradução de Levítico 19:31 e de outras passagens na Bíblia em inglês do Rei Tiago (King James Version). Observe o comentário de Marilyn Hickey quanto a isso:

O que são “espíritos familiares”? São maus espíritos decaídos que se tornaram familiares numa família. Eles a seguem, com suas fraquezas — pecado físico, mental, emocional — por todo caminho, atacando e tentando cada membro seu naqueles aspectos, pois estão cientes de suas inclinações. “Marilyn, como é que você sabe disso?” Porque o Antigo Testamento fala acerca dos “espíritos familiares” (Versão King James).

Usando o mesmo argumento, um certo autor comenta:

Nas traduções em português, usamos as palavras necromantes, adivinhadores e feiticeiros. Mas em inglês usa-se o termo espíritos “familiares” e é esta a base bíblica que temos para demonstrar que estes espíritos de adivinhação, necromancia e feitiçaria passam de geração em geração. Há um acompanhamento, por parte destes demônios, sobre as famílias. E eles transmitem os mesmos vícios, comportamentos e atitudes de que temos falado.

Defender um ensino controvertido com base na tradução de uma Bíblia em inglês (Versão do Rei Tiago) é algo inaceitável à luz da hermenêutica e da exegese bíblica. É preciso ter em mente que a Bíblia Sagrada não foi escrita em inglês. Para se entender o texto bíblico, é necessário que se faça a tradução e interpretação com base na língua em que ele foi escrito. No caso do Antigo Testamento, o hebraico, e não o inglês. Ao afirmar: “Mas em inglês se usa o termo espíritos familiares, e é esta a base bíblica que temos para demonstrar que estes espíritos de adivinhação, necromancia e feitiçaria passam de geração em geração”, o autor demonstra exatamente o contrário: não ter base bíblica para tal ensino.

Robert L.Alden, Ph.D., professor do Velho Testamento no Seminário Teológico Batista Conservador de Denver, Estado do Cobrado, nos Estados Unidos, esclarece:

A palavra ‘ob (original hebraico) aparentemente se refere àqueles que consultavam os espíritos, pois 1 Samuel 28 descreve alguém assim em ação. A famosa “feiticeira” de Endor é uma ‘ob. Ao povo de Deus foi ordenado ficar longe de tais ocultistas (Levítico 19:31). A punição por se envolver com tais “médiuns” era morte por apedrejamento (Levítico 20:27). Naturalmente ‘ob é incluída na lista de abominações semelhantes em Deuteronômio 18:10,11. Todas essas ocupações têm a ver com o ocultismo. Isaías desconsidera estes “necromantes” e sugere, pela sua escolha de palavras, que os sons dos espíritos assim emitidos não são nada mais do que ventriloquismo: “os necromantes e os adivinhos que chilreiam e murmuram” (Isaías 8:19).

É importante observar ainda que a Septuaginta (a versão grega do Antigo Testamento) emprega o termo eggastrímithoi (ventríloquo) para traduzir a palavra ‘ob de Levítico 19:31. A Bíblia informa em 1 Samuel 28:3 que Saul havia banido de Israel os adivinhos e os encantadores e não os espíritos familiares. Assim, a palavra hebraica ‘ob significa o “vaso” ou instrumento dos espíritos, portanto o médium ou necromante, conforme aparece na maioria das traduções da Bíblia, não oferecendo tal vocábulo base para quebra de maldições hereditárias na vida do cristão.

A crença de que a violência é provocada por espíritos familiares também não tem base bíblica. O apóstolo Paulo foi um homem violento. A Bíblia diz que “Saulo, porém, assolava a igreja, entrando pelas casas, e, arrastando homens e mulheres, encerrava-os no cárcere” (At 8:3). O apóstolo João, antes de se tornar o discípulo do amor, não hesitava em dar vazão à sua ira. Certa vez ele chegou a desejar que caísse fogo do céu para consumir os samaritanos que se recusaram a receber Jesus (Lc 9:52-54). Como abandonou Paulo sua violência e João deixou de ter um espírito ou temperamento vingativo? Sem dúvida, através da conversão e do viver com Cristo foi que eles foram transformados e libertos, e não através da quebra de maldição de família, algo que nunca fez parte de seus escritos.


ARVORE GENEALÓGICA

Embora haja quem sugira às pessoas para que desenhem árvores genealógicas a fim de facilitar a quebra das maldições, tal prática não encontra apoio na Bíblia. É verdade que encontramos genealogias nos Evangelhos de Mateus e de Lucas, as quais tinham a intenção de apresentar a linhagem de Jesus como o Messias de Israel. Não há, depois disso, em todo o Novo Testamento, preocupação com tal ensino. Ao contrário, o apóstolo Paulo até recomendou a Timóteo e a Tito que não se envolvessem com esse assunto (1 Tm 1:4 e Tt 3:9). Os mórmons, sim, na tentativa de resolver os problemas espirituais de seus falecidos através do batismo pelos mortos (uma prática antibíblíca), gastam muito tempo e dinheiro com genealogias, contrariando assim as Escrituras Sagradas.

Há os que dizem que devemos pedir perdão pelos pecados de P. C. Farias e de políticos acusados como corruptos. Outros estão sugerindo que, ao se encontrar uma pessoa negra na rua, deve-se chegar a ela e pedir perdão pelos pecados dos que promoveram a escravidão no Brasil. Há até aqueles que afirmam que os carros roubados no Brasil e levados ao Paraguai são uma maneira de Deus fazer os brasileiros pagarem aos paraguaios pelo mal que lhes fizeram em guerras passadas. Que absurdo!

Os que isto sugerem gostam de citar as orações de Esdras (capítulo nove), Neemias (capítulo nove) e Daniel (capítulo nove), em que eles fizeram confissão a Deus, citando os pecados de seus antepassados. Sabemos que as bênçãos do antigo pacto eram condicionadas à obediência do povo de Israel. Quando desobedecia, as maldições de Deus vinham sobre ele. Esdras, Neemias e Daniel de fato reconheceram o pecado de seus antepassados, mas pediram perdão pelos pecados do presente, da geração atual. Embora seja possível alguém sofrer as conseqüências dos pecados de terceiros, o mesmo não acontece com a culpa. A Palavra de Deus não culpa ninguém pelos pecados dos outros. A Bíblia em nenhum lugar ensina a interceder por quem já morreu, uma vez que após a morte segue-se o juízo, não oração ou pedido de perdão pelos mortos (Hb 9:27).

É preciso lembrar ainda que, à luz da Bíblia, ninguém pode se arrepender por outra pessoa. O arrependimento é algo pessoal, que se faz diante de Deus. A idéia de que “temos que até interceder, pedir perdão por pecados que aqueles antepassados cometeram, e quebrar os pactos que fizeram”, contradiz a Palavra de Deus, que afirma: “Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus” (Rm 14:12).


PROVÉRBIOS 26:2

Eis aqui outro texto freqüentemente mal usado pelos pregadores da maldição de família. Allen P Ross comenta que era comum acreditar que as bênçãos e as maldições tinham existência objetiva — uma vez proferidas, produziam efeito. Ele acrescenta: “As Escrituras esclarecem que o poder de amaldiçoar e de abençoar depende do poder daquele que está por trás dele (por exemplo, Balaão não pôde amaldiçoar o que Deus havia abençoado; Nm 22:38 e 23:8). Este provérbio realça a correção da superstição. A Palavra do Senhor é poderosa porque é a Palavra do Senhor — ele a cumprirá”. Nota-se então que não existe base para se usar tal texto a fim de defender a transferência de maldições de geração em geração.


MALDIÇÃO DE NOMES PRÓPRIOS

É o que ensina o livro Bênção e Maldição quando afirma:

A verdade é que há nomes próprios que estão carregados de maldição —já trazem prognóstico negativo (...) Por isso não convém dar aos nossos filhos nomes que tenham conotação negativa, que expressem derrota, tristeza, dureza: Maria das Dores, Mara (amargura), Dolores (dor e pesar), Adriana (deusa das trevas), Cláudio (coxo, aleijado), Piedade, Aparecida (sem origem, que não se sabe de onde veio).

Este é mais um ensino que vem acrescentar cargas desnecessárias sobre os crentes que passam a acreditar nele. Existem muitas pessoas hoje vivendo preocupadas devido ao nome que receberam ao nascer, algo sobre o que não tiveram controle e nem escolha. E, de novo, não há base bíblica para isso.

É verdade que há na Bíblia alguns nomes de pessoas que corresponderam às suas personalidades e às circunstâncias em que viveram. O próprio Deus mudou o nome de Abrão para Abraão, que significa “pai de uma grande multidão”. (“A mudança de Abrão para Abraão teve por fim reforçar a raiz da segunda sílaba para dar maior ênfase à idéia de exaltação”, J. D. Davis, Dicionário da Bíblia, p. 11.) O nome de Jacó foi ligado à “usurpador”, e ele assim se comportou por um bom período de sua vida (ver estudo "falácia da maldição nos nomes") , O legislador de Israel recebeu o nome de Moisés por que foi salvo das águas. Contudo, não se pode criar uma regra baseada em tais exemplos pelas razões que veremos em seguida.

A Bíblia está cheia de exemplos de pessoas ímpias com nomes de bons significados, enquanto outras são boas, mas com nomes de significados nada recomendáveis. Veja o caso de Abias, que quer dizer “Jeová é pai”, filho de Samuel, um homem de Deus. Apesar de ter um bom nome e um bom pai, a Bíblia diz que ele não andou nos caminhos de Samuel e se corrompeu (1 Sm 8:3).

Já Absalão quer dizer “pai da paz”. Embora tendo um nome tão pacífico, ele tentou usurpar o trono de seu pai Davi, teve uma vida turbulenta e morreu de forma trágica (2 Sm.3:3; 13-19).

Daniel e seus amigos tiveram os nomes mudados pelo rei de Babilônia (Dn 1:7). Mesmo depois de receberem nomes ligados a deuses pagãos, isso não impediu que desfrutassem da bênção de Deus e permanecessem firmes na fé em Jeová. Logo, pode-se notar que o nome não influiu em nada.

Judas quer dizer “louvor”, um significado muito piedoso, mas isso não impediu que ele traísse o Senhor (Mt 26:48,49). Por outro lado, um outro Judas foi fiel e deixou uma carta escrita no Novo Testamento.

Bar-Jesus é um nome fantástico, que quer dizer “filho de Jesus”. Apesar do nome, ele era um mágico, um falso profeta, e resistiu a Paulo quando este pregava ao procônsul Sérgio Paulo (At 13). Apenas o nome não faz o homem. Se fizesse, as prisões no Brasil não estariam cheias de presidiários chamados de Abel, Moisés, Isaías, Daniel, Pedro, Lucas, Paulo e outros nomes bíblicos.

Há também homens e mulheres na Bíblia que serviram a Deus fielmente e foram vencedores na fé cristã, apesar dos nomes que tiveram com significados nada recomendáveis.

Apolo foi um homem de Deus, poderoso nas Escrituras (At 18:24-28), mas seu nome significa “destruidor”.

Hermes é um dos irmãos a quem Paulo envia saudações cristãs (Rm 16:14), porém seu nome é de um deus mitológico.

O interessante é que Paulo nunca instruiu esses irmãos para que fizessem oração de renúncia pelos nomes que possuíam, pois eles terão um novo nome no céu (Ap 2:17).

Alguns crentes até dão testemunho em público depois de pensar que foram bem-sucedidos ao amaldiçoar uma pessoa, uma empresa ou organização. Contam, por exemplo, que por não terem sido bem servidos num restaurante, o amaldiçoaram e o restaurante faliu. A Bíblia, porém, ensina que o cristão não deve amaldiçoar, mas, sim, abençoar. Ouçamos o conselho de Paulo: “Abençoai, e não amaldiçoeis” (Rm 12:14).

Alguns têm dito que a quebra das maldições hereditárias é bíblica, já que deu certo ou funcionou para um ou outro. O fato de ter dado certo não quer dizer que seja bíblica. Há muita coisa que funciona no espiritismo, na umbanda e na Ciência Cristã que ne m por isso é bíblica. Geralmente, as distorções no seio da Igreja são muitas vezes baseadas apenas nas experiências, no subjetivo. Ora, não importa quão maravilhosa tenha sido a experiência; se ela contradiz as Escrituras e não tem base na Palavra de Deus, deve ser rejeitada, prevalecendo somente a Bíblia Sagrada, única regra de fé e prática para o cristão.

Para maiores informações, veja o estudo: A falácia da maldição nos nomes



PODE UM CRISTÃO TER DEMÔNIOS?

Um dos temas mais polêmicos que a batalha espiritual tem gerado é se um cristão pode ter demônios. Muitos ministérios de libertação incluíram algum ritual para expulsar demônios de crentes em seus programas e isso tem acontecido em simpósios de batalha espiritual em muitas igrejas. Alguns teólogos também passaram, nos últimos anos, a aderir a tal posição e muitos deles reconhecem que o assunto é controvertido. De qualquer forma, a Bíblia Sagrada tem a palavra final sobre esta questão ou sobre qualquer outro assunto relacionado com a vida espiritual e o cristão. 

Merrill F. Unger, um autor lido e seguido por várias pessoas que hoje desenvolvem ministérios de libertação espiritual no Brasil, reconhece a dificuldade de se tratar do assunto, ao declarar: A verdade da questão é que as Escrituras em nenhum lugar declaram que um verdadeiro crente não pode ser invadido por Satanás ou seus demônios. Naturalmente, a doutrina deve sempre ter precedência sobre a experiência. Nem pode a experiência jamais oferecer base para a interpretação bíblica. Apesar disso, se experiências consistentes chocam com uma interpretação, a única conclusão possível é de que há alguma coisa errada, ou com a própria experiência ou com a interpretação da Escritura que vai contra ela. Certamente a Palavra inspirada de Deus nunca contradiz a experiência válida. Aquele que procura a verdade com sinceridade deve estar preparado para consertar sua interpretação a fim de traze-la em conformidade com os fatos como eles são.

Unger já ensinou e escreveu, no passado, que somente os incrédulos estão sujeitos a endemoninhamento ou possessão demoníaca. Mais tarde ele mudou de idéia, e diz por que:

Em Biblical Demonology (Demonologia Bíblica), publicado primeiramente em 1952, a posição tomada era de que somente os incrédulos são expostos ao endemoninhamento. Mas, através dos anos, várias cartas e relatórios de casos de invasão demoníaca de crentes têm chegado a mim de missionários em várias partes do mundo. Como resultado, em meu estudo sobre a explosão atual do ocultismo intitulado Demons in the World Today (Demônios no Mundo de Hoje), que apareceu em 1971, a confissão é feita livre­mente de que a posição tomada no Biblical Demonology (Demonologia Bíblica) “foi assim entendida, pois a Escritura não resolve claramente a questão”.

Há alguns problemas com as declarações de Unger. Primeiro, ele diz que a Bíblia não afirma com clareza que um cristão não pode ser invadido por demônios. Ora, se a Bíblia não diz isso com clareza (o que não é verdade), como pode alguém então afirmar e ensinar sobre aquilo que não está claro na Palavra de Deus? Seria o mesmo que tentar ensinar escrever sobre o sexo dos anjos quando a Bíblia nada fala a questão. Se a Bíblia não é clara sobre a possessão de crentes, como pode alguém desenvolver então, biblicamente, uma prática de expulsar demônios de crentes? Simplesmente impossível.

Pode-se perceber também que Unger, que no passado ensinava que crentes não podiam ficar possessos, depois mudou de posição. A mudança veio não pela avaliação bíblica, mas, como ele mesmo conta, através de cartas e relatórios de missionários baseados em experiências dos campos de missões. Mas Unger não está só ao basear a possessão de crentes em experiências e não na Bíblia. Veja a opinião de Bill Subbritzky sobre o assunto: “Pode um cristão ter demônios? A resposta é enfaticamente sim! Se você tem sido informado de que isso não acontece, continue lendo e deixe o Espírito Santo guiá-lo nesta questão. Estou ciente do muito que se tem ensinado a respeito de os cristãos não poderem ter demônios. Contudo, através de minha experiência no ministério há quatorze anos, constatei que tal opinião é totalmente incorreta”.

Uma autora no Brasil demonstra ter também opinião semelhante ao declarar:

Muitos defendem que, uma vez que o crente é habitação do Espírito (1 Coríntios 6:19), torna-se impossível um demônio habitar onde o Espírito habita (...) o fato de o nosso corpo ter-se tornado o templo do Espírito Santo não quer dizer que jamais poderá ser ocupado por maus espíritos. Não deveria, mas é possível (...) Todos quantos se envolvem no ministério de libertação testemunham a manifestação de demônios em cristãos.

Certa líder na área da batalha espiritual segue a mesma linha desses autores e conclui:

Se partirmos do pressuposto de que os crentes não podem ter demônios ou não podem ficar endemoninhados, corremos o risco de deixar muitos crentes opressos dentro da igreja, vivendo uma vida de grande prisão, mornidão, com uma dificuldade tremenda para crescer. Afinal, o inimigo deseja uma vida cristã medíocre. E aqui é preciso esclarecer a questão da terminologia usada. De acordo com dezenas de estudiosos do grego, daimonozomenai significa “ter demônios” e é melhor traduzido pela palavra “endemoninhado”, nunca possesso, pois no Novo Testamento não vemos o uso do termo (...) Endemoninhado tem um significado lato, indicando o estado da pessoa que tenha um demônio ou até muitos demônios perturbando ou oprimindo sua vida. Quanto ao local onde ele fica, não é o mais importante. Ele pode ficar no corpo, fora do corpo, na alma da pessoa.”(Neuza Etioka).

Dois outros autores norte-americanos, John e Paula Sanford, acrescentam também:

Há aqueles que crêem que o cristão cheio do Espírito Santo não pode ser ocupado pelo poder demoníaco. Temos descoberto que isto não é um fato histórico, ainda que a teologia diga que o Espírito Santo e os demônios não podem habitar a mesma área. E o que tem acontecido. Temos expulsado demônios de centenas de crentes cheios do Espírito Santo, alguns deles não apenas cheios do Espírito Santo, mas poderosos servos do Senhor! Como isso acontece eu não posso explicar, mas tem sido para nós um fato incontestável de muitos anos de experiência exaustiva.’

Este é o segundo problema de Unger e é também o problema dos demais autores aqui mencionados: experiência, experiência, experiência. Na última citação, os autores até informam que nem sabem explicar como pode acontecer a expulsão de demônios de crentes, mas continuam levando tal prática adiante.


CRENTES NÃO FICAM POSSESSOS

Não creio na possessão demoníaca em crentes, pelas seguintes razões bíblicas:

1o - razão: o crente é santuário do Espírito Santo. “Acaso não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo.” (1 Co 6:19, 20.)

O Espírito Santo não é um visitante esporádico na vida do crente. É morador definitivo, e não se ausenta de sua morada.

Paulo garante que não há possibilidade de convivência entre Cristo (Rm 8:9) e o maligno (Ef 2:2.) “Que harmonia entre Cristo e o maligno?” (2 Co 6:15.)

2o - razão: o Espírito Santo é zeloso pelo seu santuário. “Ou supondes que em vão afirma a Escritura: Ë com ciúme que por nós anseia o Espírito, que ele fez habitar em nós?” (Tg 4:5.).

O Espírito Santo é a pessoa da trindade santa para a qual Jesus mais reivindicou o nosso cuidado na análise de fatos ou no evitar de palavras precipitadas. “Por isso vos declaro: Todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito Santo não será perdoada. Se alguém proferir alguma palavra contra o Filho do homem, ser-lhe-á isso perdoado; mas se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será isso perdoado, nem neste mundo nem no porvir.” (Mt 12:31, 32.)

Atribuir as obras de Jesus ao poder de Belzebu, o maioral dos demônios, já era pecado e blasfêmia contra o Espírito Santo, que estava sobre Jesus (Lc 4:18, 19), pois o Espírito Santo não pode ser veículo usado por Satanás. Diante de tal santidade e zelo será possível admitirmos que o Espírito Santo permitiria a entrada de força maligna em seu santuário? Louvado seja o seu nome porque ele não permite.

3o - razão: o crente é propriedade de Deus. É maravilhosa a declaração, de Paulo em Efésios 1:13, 14: “Em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa; o qual é o penhor da nossa herança até ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória.” No verso 14, os crentes são chamados de “propriedade de Deus”. O sublime de tudo isto é que o Espírito Santo é o “penhor” da nossa ressurreição futura, ou seja, a garantia de que não estamos órfãos (Jo 14:18) e de que seremos transformados na ressurreição (1 Co 15:52.). A presença do Espírito Santo em nós é a garantia de que somos propriedade de Deus.

“Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.” (1 Pe 2:9.) 

A propriedade é exclusiva. Essa “propriedade” não será loteada e vendida ao diabo.

4o - razão: Jesus é o valente que tomou posse da propriedade.

“Quando o valente, bem armado, guarda a sua própria casa, ficam em segurança todos os seus bens. Sobrevindo, porém, um mais valente do que ele vence-o, tira-lhe a armadura em que confiava e lhe divide os despojos. (Lc 11:21, 22.)”.

O Senhor Jesus veio ao mundo “para destruir as obras do diabo.” (1 Jo 3:8.)

Jesus me fascinou pela sua valentia e coragem diante da cruz. Essa valentia é a mesma no que diz respeito a guardar os seus filhos das investidas do diabo na tentativa de possuí-los.

Jesus é o Senhor absoluto de sua casa (1 Pe 2:5) e de seu tabernáculo (2 Co 5:1), que são os nossos corpos.

5o - razão: O Espírito Santo intercede pelos crentes em suas fraquezas.

“Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira com gemidos inexprimíveis.” (Rm 8:26.)

É porque o Espírito Santo perscruta até mesmo as profundezas de Deus que Ele pode interceder por nós de acordo com a vontade perfeita do profundo e humanamente insondável coração de Deus. “Porque, qual dos homens sabe as cousas do homem, senão o seu próprio espírito que nele está? Assim também as cousas de Deus ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus.” (1 Co 2:11.)

Davi invocava o Espírito Santo para ajudá-lo a viver na perfeita vontade de Deus. “Ensina-me a fazer a tua vontade, pois tu és o meu Deus; guie-me o teu bom Espírito por terreno plano”.(Sl. 143:10.)!

O cristão não é um super-homem, mas é superprotegido graças à intercessão do Espírito Santo nas horas de maior fraqueza e necessidade.

6ª - razão: O imutável amor de Cristo garante a segurança.

“Em todas estas cousas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque eu estou bem certo de que nem morte, nem vida, nem anjos, nem principados, nem cousas do presente, nem do porvir, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Rm 8:37-39.)

O que nos dá segurança é o fato de o amor ser o de Cristo Jesus. Seu amor é sublime e leal, “é forte como a morte” (Ct 8:6) e a sua fidelidade está para além da fidelidade do crente, porque “se somos infiéis, ele permanece fiel, pois de maneira nenhuma pode negar-se a si mesmo”. (2 Tm 2:13.)

“Bem-aventurado o homem que confia no amor de Cristo por sua vida”. A promessa para ele é: “O Senhor é quem te guarda; o Senhor é a tua sombra à tua direita. De dia não te molestará o sol, nem de noite a lua, O Senhor te guardará de todo o mal; guardará a tua alma. O Senhor guardará a tua saída e a tua entrada, desde agora e para sempre.” (Sl 121:5-7.)

O crente jamais será esquecido pelo amado Senhor Jesus, pois o seu nome está nas palmas de Sua mão. “Acaso pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, eu, todavia, não me esquecerei de ti. Eis que nas palmas das minhas mãos te gravei; os teus muros estão continuamente perante mim.”(Is 49:15, 16.)

O crente pode reivindicar todas as promessas da Palavra de Deus, “Porque quantas são as promessas de Deus tantas têm nele o sim; porquanto também por ele é o amém para a glória de Deus, por nosso intermédio” (2 Co 1:20.)

Um filho de Deus jamais ficará possesso por espíritos malignos. Esta é a confiança.

Fonte: [ CACP

Esta é a minha conclusão e afirmação teológica: Não existem maldições hereditárias, muito menos um crente pode ficar possesso! A afirmativa contrária a esta conclusão é herética, maligna e carece de respaldo bíblico. Portanto, fujam de pessoas que ensinam essas heresias destrutivas e aprisionadoras. Se você, de fato, estiver em Cristo, o maligno não pode lhe tocar (1 Jo 5.18)!

Soli Deo Gloria!

Ruy Marinho
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