Feliz Dia da Reforma!

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Estou vendo alguns posts sobre o Dia da Reforma e decidi tomar um tempinho para escrever alguns de meus pensamentos.

Todos nós sabemos que a escolha da data de 31 de Outubro de 1517 é (como a maioria das datas na história) arbitrária. É claro, você pode identificar 7 de Dezembro de 1941 com o Pearl Harbor porque foi um evento específico, mas (ainda assim) muitas coisas contribuíram para que ele acontecesse naquele dia. A data que escolhemos para o início da Reforma é ainda mais subjetiva. Isso porque era necessário muitos e muitos fatores para que a Reforma pudesse acontecer, e esses fatores tiveram raízes nos séculos que precederam as ações de Lutero.

Duvido, ainda mais, que Lutero colocaria algum peso sobre essa data em específico. Bem, é claro que ele veria alguma relevância sobre o desafio que havia lançado, mas não mais do que em qualquer um dos outros eventos de sua vida. Ele não tinha intenção alguma de criar uma rebelião contra Roma por suas ações, ele estava apenas fazendo o que a maioria dos professores na Europa faziam naqueles dias: convidando uma escola rival a uma versão escolástica de um jogo moderno de futebol. Em sua mente ele estava seguindo os passos de outros homens piedosos da igreja, e, nesse exato momento, ele ainda não havia reconhecido as questões epistemológicas básicas que ele haveria de ser forçado a encarar em apenas uma questão de anos.

Mas é certo sim marcar o início da Reforma (ainda que façamos isso de forma arbitrária). Poderíamos ter voltado até Wycliffe, ou ter escolhido 6 de Julho de 1415 e a morte de João Huss (pois sua morte teve muita importância). Poderíamos ter ido até a divisão entre Zuínglio e Roma ou a Dieta de Worms e o “Aqui permaneço, não posso fazer outra coisa”. Em todo caso, parece adequado marcar o evento (ao menos para uma pequena minoria).

Para a maior parte do Romanismo e Protestantismo, a Reforma é um evento histórico sem qualquer significado duradouro. Para muitos, na verdade é um trágico evento, um erro, digno de arrependimento de seus adeptos e de repúdio pelos outros. Mas para a maioria é apenas uma nota de rodapé na história e, dada sua teologia e prática, não possui significado duradouro. Entre esses estão os católicos nominais que provam, por suas vidas, que eles realmente não acreditam na maioria das coisas que Roma ensinou. Mas também estão aqueles que são protestantes por conveniência e não por convicção. Para eles a Reforma claramente não apresenta qualquer razão para se celebrar ou refletir nos dias de hoje. Se alguém não aprecia a liberdade que a justificação garante, não se alegra com a imputação da justiça de Cristo (saiba que muitos dos grandes nomes de hoje da “cristandade não-católica” riem disso) e não abraça e confessa o Sola Scriptura, esse alguém não tem razão alguma para refletir sobre o Dia da Reforma (seria melhor ir comprar doces e se juntar às festividades pagãs).

Mas para aqueles que ainda abraçam aos Solas não por uma fidelidade partidária ao que é “legal”, mas por um reconhecimento do eterno valor que essas verdades representam, o Dia da Reforma é um lembrete anual do que realmente importa nesses dias de “verdades” borradas e transitórias. Então, para aqueles que entendem isso, um feliz Dia da Reforma!

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Autor: James R. White
Fonte: Página do autor no Facebook
Tradução e adaptação: Erving Ximendes
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Halloween: uma tradição de mau gosto

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Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce, por amargo!” Isaías 5:20

Em torno do dia 31 de outubro, anualmente, em diversas partes do mundo, é realizada uma festividade denominada Halloween, mais conhecida no Brasil como o “Dia das Bruxas”. Muitos colégios, centros comunitários e até igrejas protestantes reproduzem cenários, fantasias, brincadeiras e até defendem a inocência cultural de tal ocasião.

Esta breve reflexão pretende, objetivamente, destacar a história do Halloweenseu significado, bem como apresentar uma resposta bíblica que auxilie sua aplicação.

Cinco séculos antes de Cristo, os celtas irlandeses começaram a comemorar o fim do verão e início de ano novo para a agricultura. Na ocasião, homenageavam todos que, durante aquele ano, haviam morrido. Esta homenagem envolvia a consagração dos seus mortos ao Sol, conhecida como Samhain (“fim de verão”). Os druidas (magos celtas) acreditavam que nesta data os mortos voltavam para se relacionar com suas famílias, mas para afastar os maus, era preciso deixar doces e comidas na porta dos seus antigos lares.

Para associar-se com tal tradição, em 741 d.C. o Papa Gregório III transferiu a data 13 de maio para 1º de novembro, a fim de comemorar a “Festa de Todos os Santos” ou “Finados” (culto prestado a favor de fiéis católicos mortos). No dia anterior era realizada uma importante vigília, chamada All Hallows Eve: All (todos), Hallows (santos) e Eve ou e’en que é uma contração de evening (fim do dia ou noite), posteriormente adotada como Halloween. Portanto, o significado é “noite de todos os santos”, cujo contexto envolve culto aos mortos. Com o passar dos anos, esta festividade essencialmente religiosa e pagã, tornou-se numa prática folclórica enfatizada por figuras demoníacas, bruxas, caveiras, abóboras com espíritos, zumbis, vampiros, monstros, etc., contrariando a perspectiva de culto aos santos católicos. Por isto, o Vaticano chegou ao ponto de chamar o Halloween de “manifestação contracultural”¹ e, no seu jornal mais conhecido, L'Osservatore Romanocriticou tais práticas por seu pano de fundo ocultista e absolutamente anticristão.²

A prática de cultuar os mortos começou com os egípcios e lentamente seduziu facções do povo de Israel, sendo posteriormente proibido por Deus. Qualquer culto que não seja dedicado exclusivamente a Deus, é idólatra. Deus exige adoração exclusiva e condena qualquer envolvimento com ocultismo pagão (Lv 19:31, 20:6-8, 27; Dt 18:10-12; Sl 106:28, 36-38; Pv 8:36; Is 8:19; Mt 4:10; Jo 4:24; Rm 12:2; 1 Co 10:20; 2 Co 2:11; Ef 5:8-12; 2 Tm 1:7; Hb 9:27; 1 Jo 4:4; Ap 22:15).

Embora muitos permitam e até participem destas festividades alegando folclore inocente e sem intenção de cultuar mortos ou demônios, tais práticas demonstram aceitação e/ou admiração por aquilo que é condenável aos olhos de Deus, independente da intenção, mas da sua prática em si. Por trás da suposta inocência, especialmente por causa do uso tradicional de crianças e doces, há significados tenebrosos relacionados com demônios, medo, idolatria e feitiçaria.

Portanto, não se envolva ou permita a seus filhos se envolverem com festas temáticas do Halloween.
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Notas:
¹http://www.vatican.va: The Salesian Center for Faith and Culture.
²http://the-american-catholic.com: Vatican Condemnation of Halloween is False

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Autor: Rev. Ericson Martins

Leia também:

Porque membresia é importante

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“Por que se preocupar com a membresia da igreja?”

Já me fizeram essa pergunta antes. Às vezes, ela é feita com uma genuína curiosidade: “Explique-me o que ser membro significa”. Outras vezes, ela é feita com um quê de suspeita: “então, diga-me, mais uma vez, porque eu devo me tornar um membro” – como se fazer parte da igreja colocasse a pessoa automaticamente na lista de dízimos por débito automático.

Para muitos cristãos, membresia soa como algo rígido, algo que você tem em um banco ou em um clube de campo, mas que é formal demais para a igreja. Mesmo quando se aceita que o Cristianismo não é uma religião solitária e que nós precisamos de uma comunidade e de comunhão com outros cristãos, nós, ainda assim, receamos nos tornar oficialmente parte de uma igreja. Para que isso? Por que encaixotar o Espírito Santo em categorias de membro/não membro? Por que se dar ao trabalho de pertencer a uma igreja local quando eu já sou membro da Igreja universal?

Alguns cristãos – por causa da tradição da igreja ou da bagagem que possuem – podem não ser convencidos sobre a membresia, não importa quantas vezes a palavra “membro” apareça no Novo Testamento. Mas muitos outros estão abertos a ouvir sobre algo que eles não conhecem direito.

Aqui vão algumas razões pela qual a membresia importa.

1. Ao fazer parte de uma igreja, você demonstra visivelmente seu compromisso com Cristo e com seu povo

Membresia é uma das formas de se levantar a bandeira da fé. Você assume perante Deus e os outros que você é parte desse corpo local de crentes. É fácil falar em termos quentinhos sobre a igreja invisível – o corpo de crentes que estão perto ou longe, vivos ou mortos –, mas é na igreja visível que Deus espera que você viva a sua fé.

Às vezes eu acho que nós não ficaríamos clamando por viver em comunidade se já tivéssemos realmente experimentado passar por isso. A verdadeira comunhão é algo difícil, pois temos de lidar com pessoas muito parecidas conosco: egoístas, mesquinhas e orgulhosas. Mas é para esse corpo que Deus nos chama.

Quantas cartas Paulo escreveu para apenas uma pessoa? Apenas um punhado, as quais, em sua maioria, foram voltadas para pastores. A maior parte de suas epístolas foram escritas a um corpo local de crentes. Nós vemos a mesma coisa em Apocalipse. Jesus falou com congregações individuais, como a de Esmirna, Sardes e Laodicéia. No Novo Testamento, não há cristãos flutuando na terra do “só eu e Jesus”. Crentes pertencem a igrejas.

2. Fazer um compromisso é uma declaração poderosa, em uma cultura de poucos compromissos

Muitas ligas de boliche exigem mais de seus membros do que a igreja. Onde isso é algo real, então a igreja é um triste reflexo da sua cultura. A nossa cultura consumista faz com que tudo seja feito com o fim de atender as nossas preferências. Quando essas necessidades não são atendidas, nós sempre podemos experimentar um outro produto, trabalho ou esposa.

Juntar-se a uma igreja, nesse tipo de ambiente, é uma afirmação contracultural. É dizer: “estou comprometido com esse grupo de pessoas e eles estão comprometidos comigo. Estou aqui mais para dar do que para receber”.

Mesmo que você vá ficar na cidade por apenas alguns anos, não é uma má ideia participar de uma igreja. Isso faz com que a sua igreja de origem (se você está estudando longe de casa, por exemplo) saiba que você está sendo cuidado e faz com que a sua igreja atual saiba que você quer ser cuidado por ela.

Mas a questão não é apenas sobre ser cuidado, é sobre fazer uma decisão e ser fiel a ela – algo que a minha geração, com a sua variedade de opções, acha difícil. Nós preferimos namorar a igreja – tê-la por perto em eventos especiais, chamá-la para sair quando nos sentimos sozinhos ou mantê-la por perto em dias chuvosos. A membresia é a única forma de parar de namorar igrejas e se casar com uma.

3. Nós podemos ser excessivamente independentes

No ocidente, isso é uma das melhores e piores coisas sobre nós. Nós somos livres e pensadores críticos. Nós temos uma ideia, e corremos em direção a ela. Mas quem está correndo conosco? E será que estamos todos correndo na mesma direção? A membresia afirma formalmente: “eu sou parte de algo maior do que eu. Eu não sou apenas um dentre três mil indivíduos. Eu sou parte de um corpo”.

4. A membresia nos coloca sob supervisão

Quando participamos de uma igreja, estamos nos oferecendo uns aos outros para sermos encorajados, repreendidos, corrigidos e servidos. Estamos nos colocando sob líderes e nos submetendo a sua autoridade (Hebreus 13.7). Estamos dizendo: “Estou aqui para ficar. Eu quero ajudá-lo a crescer em santidade. Você me ajuda a fazer o mesmo?”.

Mark Dever, no livro Nove Marcas de uma Igreja Saudável (Editora Fiel, páginas 12 e 13), escreve:

Identificando-nos com uma igreja particular, permitimos que os pastores e demais membros daquela igreja local saibam que nós pretendemos manter um compromisso na frequência, na oferta, na oração e no serviço. Nós ampliamos as expectativas de outros em relação a nós mesmos nessas áreas, e tornamos claro que estamos sob a responsabilidade desta igreja local. Nós asseguramos a igreja quanto ao nosso compromisso com Cristo ao servir com eles, e pedimos o compromisso deles quanto a nos servir em amor e nos encorajar em nosso discipulado.

5. Juntar-se à igreja ajudará seu pastor e os seus presbíteros a serem pastores fiéis

Hebreus 13.7 diz: “Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles”. Essa é a sua parte como “leigo”. E essa é a nossa parte como líderes: “pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas”. Como pastor, eu levo muito a sério minha responsabilidade perante Deus de cuidar das almas. Em quase todas as reuniões de presbíteros o Manual de Instruções das Igrejas Reformadas da América RCA Book of Church Order – nos orienta a “procurar descobrir se qualquer membro da congregação está em necessidade de cuidados especiais em relação a sua condição espiritual e/ou não tem feito o uso adequado dos meios de graça”. Isso já é algo bem difícil de se fazer em uma igreja como a nossa, onde há uma constante rotatividade. Mas é ainda mais difícil quando nós não sabemos quem realmente é parte desse rebanho.

6. Juntar-se à igreja lhe dá a oportunidade de fazer promessas

Quando alguém se torna membro da University Reformed Church, a igreja que eu pastoreio, ele promete orar, ofertar, servir, comparecer aos cultos, aceitar a liderança espiritual da igreja, obedecer aos ensinamentos e procurar as coisas que trazem unidade, pureza e paz. Nós não devemos fazer essas promessas de qualquer jeito. Elas são votos solenes. E nós devemos ajudar uns aos outros a nos mantermos fiéis a elas. Se você não faz parte de uma igreja, você perde a oportunidade de fazer essas promessas publicamente, convidando os presbíteros e o resto do corpo a ajudarem você a se manter firme nessas promessas. Isso fará com que você, seus líderes e toda a igreja percam grande benefícios espirituais.

Membresia é mais importante do que muita gente pensa. Se você realmente quer ser um revolucionário contracultural, aliste-se em uma classe de membresia, encontre-se com seus presbíteros e junte-se a uma igreja local.

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Autor: Rev. Kevin DeYoung
Fonte: The Gospel Coalition
Tradução: Victor Bimbato
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A intercessão de Cristo, o pacto da redenção e a nossa felicidade eterna

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Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hb 7.25).

Eu fico impressionado com quão pouco paramos para meditar a respeito da maravilhosa verdade da continuidade da obra sacerdotal de Jesus Cristo, no céu, em nosso benefício. Durante o seu ministério terreno, como sacerdote, Jesus foi o sumo sacerdote perfeito, que ofereceu a si mesmo como sacrifício todo-suficiente para a nossa salvação. Após a sua ascensão, o Senhor continua a desempenhar o ofício sacerdotal, nas palavras do autor aos Hebreus, “vivendo sempre para interceder” por aqueles por quem entregou a sua vida como sacrifício agradável a Deus.

Em Hebreus 4.14-15, o autor diz: “Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que penetrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão. Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado”. Por volta de 1645 algumas pessoas chegavam até o puritano Thomas Goodwin e diziam: “Esse texto coloca um problema diante de nós. Ele diz que Cristo penetrou os céus. Ele está exaltado no lugar mais alto e distante. Como é possível que ainda lembre de nós?” A resposta de Goodwin era que esse texto também apresenta a solução, a resposta, pois esse que penetrou os céus se compadece de nossas fraquezas. Goodwin afirmava que essa passagem “por assim dizer, pega as nossas mãos e as coloca no peito de Cristo, e nos deixa sentir como o seu coração bate e suas afeições anseiam por nós” (The Heart of Christ. p. 48).

Assim, de acordo com Goodwin, as nossas fraquezas inspiram a compaixão de Cristo. E ao trabalhar a passagem, ele argumentou que o termo “fraquezas” envolve tanto o mal das aflições quanto o mal dos nossos pecados, pois Hebreus 5.2 diz que Jesus “é capaz de condoer-se dos ignorantes e dos que erram”. Assim, mesmo a nossa tolice e nossas escolhas pecaminosas despertam a compaixão do nosso meigo e doce Redentor.

Quando o autor aos Hebreus nos diz que Jesus, estando á destra do Pai, vive sempre para interceder pelos seus, precisamos compreender que essa intercessão tem como alvo as nossas fraquezas, o que envolve, as nossas dores e também os nossos pecados.

Muitas vezes entendemos errado o que significa a intercessão de Jesus. É como se ele se colocasse diante do Pai e começasse a argumentar, a nos defender, a tentar convencer um Pai indisposto que não deseja nos perdoar. Não! Jesus não argumenta com base em nosso esforço. Ele não tenta lembrar ao Pai que, mesmo ainda cometendo pecados, temos nos esforçado para fazer o que é correto (Rm 7.21). Como afirma Richard D. Phillips: “Jesus não precisa falar nada disso. Ele só precisa identificar você como um daqueles que pertencem a ele” (Reformed Expository Commentary: Hebrews. Posição 3168. Edição Kindle).

A intercessão de Jesus é feita a partir da sua obra em nosso benefício, não do nosso esforço. O apóstolo João nos dá um vislumbre dessa verdade: “Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo” (1Jo 2.1). O nosso advogado é o Justo. Sua intercessão em nosso benefício é feita com base na sua morte na cruz.

Tente imaginar o Filho apresentando ao Pai as marcas nas suas mãos, nos seus pés e no lado do seu corpo, e dizendo: “Foi por ele! Ele é meu!” Não há outra consequência senão perdão e desfrute prático do amor trinitário que é derramado em nossos corações.

Mas, como Jesus pode se dirigir ao Pai, dizendo: “Ele é meu!”?

João, em seu Evangelho, registrou a mais bela oração já feita, a oração sacerdotal do Senhor. E nessa oração, várias vezes Jesus afirma que lhe fomos dados pelo Pai: “Manifestei o teu nome aos homens que me deste do mundo. Eram teus, tu mos confiaste, e eles têm guardado a tua palavra […] É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus” (vv. 6,9). Além disso, no famoso cântico do Servo Sofredor, nós encontramos a seguinte declaração: “Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito; o meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniquidades deles levará sobre si. Por isso, eu lhe darei muitos como a sua parte, e com os poderosos repartirá ele o despojo, porquanto derramou a sua alma na morte; foi contado com os transgressores; contudo, levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu” (Is 53.11-12). Percebam: o Servo, o Senhor Jesus Cristo, como recompensa da sua obra perfeita, da sua obediência perfeita recebeu “muitos”.

A passagem acima e muitas outras nas Escrituras nos falam de um acordo prévio entre o Pai e o Filho, não de forma explícita, é verdade, mas, ainda assim, de forma muito clara. Quando fomos dados pelo Pai ao Filho? Quando foi que muitos foram prometidos pelo Pai ao seu Servo como a sua parte na obra da Redenção? Pense também nas várias passagens em que o Filho declara que veio tão somente para fazer a vontade daquele que o enviou (Jo 4.34; 5.30; 6.38,39).

Considere, por exemplo, Lucas 22.29: “Assim como meu Pai me confiou um reino, eu vo-lo confio”. As palavras de Jesus aos seus discípulos são uma espécie de testamento. Por duas vezes neste versículo Jesus usa um verbo cujo significado é “fazer um pacto”. Literalmente, o Senhor Jesus afirmou: “Assim como meu Pai me confiou, por meio de um pacto, um reino, eu o confio a vocês também por meio de um pacto”. O Filho fala de um Pacto feito entre ele e o Pai. Quando tal Pacto foi feito? Com toda certeza, Jesus está se referindo àquilo que na teologia é chamado de “Pacto da Redenção”, a aliança entre Pai e Filho, na qual todos os detalhes da nossa salvação são acertados. Nesse pacto o Pai, representando a Trindade, apresenta todas as exigências da lei e toda a penalidade que o Filho deveria assumir sobre si. Por sua vez, o Filho recebe as promessas em caso de obediência perfeita. Uma dessas promessas foi um povo, uma Noiva, um rebanho.

Pense nas implicações dessa verdade gloriosa!

Na eternidade passada teu nome foi pronunciado pelo Pai como fazendo parte daqueles que foram dados ao Filho. O Pai se dirige ao Filho, o fiador da Nova Aliança e diz algo como: “O Alan será teu”. Hoje, no tempo presente, teu nome continua a ser pronunciado pelo Filho em sua intercessão. O Filho se dirige ao Pai e diz: “O Alan é meu! Tu mo deste!”. E teu nome continuará a ser pronunciado no céu até à eternidade futura, pelos séculos dos séculos, como alguém que é amado pelo Filho, mas não apenas por ele, mas também pelo Pai e pelo Espírito Santo.

Nossos pecados são tratados completamente por nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por nós e por nós intercede. Nossas aflições também são alvo da intercessão do Senhor. É por causa dele que temos recebido bênção sobre bênção. É por causa dos seus méritos que somos abençoados com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais (Ef 1.3).

De nenhum modo tais conceitos devem nos lançar à inércia na busca pelo crescimento na piedade. Muito pelo contrário, como expressão de nossa gratidão, não nos resta outra coisa a fazer senão lutar, pelo Espírito, para mortificarmos os feitos do corpo (Rm 8.13).

Somos fracos, é verdade. Mas, uma vez que ele é tudo aquilo de que necessitamos, podemos bradar com Richard Sibbes: “Somos fracos, mas somos dele” (The Bruised Reed. p. 62). Somos vacilantes, fracos, tímidos, mas pertencemos a ele; fomos comprados com o seu sangue precioso, puro, sem mácula. Por esta razão, aborreçamos toda dúvida, toda incerteza, todo pensamento que nos leve a imaginar que não há mais esperança, sejam quais forem os nossos problemas e pecados.

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Autor: Rev. Alan Rennê
Fonte: Jovem Reformado
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Não tomemos o nome de Deus em vão

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Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão” Êxodo 20:7. [i]

Eu sei que muitos cristãos se sentem constrangidos quando ouvem ou veem piadas que vão de encontro à fé que professam ou ao Deus que seguem. Neste texto nossa intenção é abordar a falta de observância de muitos cristãos que quebram constantemente o 3º mandamento sem observar a seriedade, severidade e exigência do mesmo. A observância e a obediência deste mandamento estão ligados estritamente ao nosso relacionamento correto com Deus, é o verdadeiro testemunho da santidade de Deus e, também, está relacionado ao nosso culto pessoal ao Deus triúno.

Neste 3º mandamento aprendemos sobre a santidade de Deus e que o mau uso do nome de Deus é irreverência. Todo cristão sério deve pensar e se expressar levando em consideração a devida sobriedade e reverência. Não se deve difamar o nome de Deus ou jurar falsamente em nome de Deus, nem muito menos usar piadas levianas levando o nome do Deus Santo. Somos instados pelas Escrituras a cultuar a Deus com a disposição de espirito que seja compatível com a dignidade e solenidade de tal exercício, levando em consideração a majestade de Deus com sinceridade, humildade e reverência. “Para temeres este nome glorioso e temível, o Senhor teu Deus” (Deuteronômio 28.58).

Precisamos entender que o nome de Deus diz muito a respeito de sua natureza e seus atributos. O nome de Deus é tomado em vão quando o usamos sem a devida consideração e reverência, quando lemos a Bíblia podemos observar que os serafins velam seus rostos diante da infinita majestade e glória de Deus. A.W Pink [ii] nos diz:

Existem apenas duas finalidades que podem autorizar o nosso uso de qualquer um de seus nomes, títulos e atributos: para a sua glória e para a nossa própria edificação e de outros. Qualquer coisa além disso é frívolo e perverso, não fornecendo base suficiente para fazermos menção de tão grande e santo nome, que é cheio de glória e majestade.

A citação acima aponta a seriedade e profundidade deste mandamento, precisamos afastar de nós toda hipocrisia. Precisamos destacar que é pecado seríssimo quando professamos hipocritamente em relação ao nome de Deus. O pecado do povo de Israel muitas vezes foi usar o nome de Deus e não obedecer à revelação contida neste nome, assim violava o mandamento.


O cristão deve levar em consideração a solenidade do nome santo de Deus, assim evitaríamos sermos chamados de levianos, irreverentes e praticantes do crime de perjúrio. R. Alan Cole [iii] comentando a passagem de Exôdo 20.7, nos diz o seguinte:

Não tomarás... em vão. No judaísmo mais recente, esta proibição envolvia qualquer uso impensado e irreverente do nome YHWH. Este só era pronunciado uma vez por ano, pelo sumo-sacerdote, ao abençoar o povo no grande Dia da Expiação (Lv 23:27). Em sua forma original, o mandamento parece ter-se referido a jurar falsamente pelo nome de YHWH (Levítico 19:12). Este parece ser o verdadeiro sentido do texto hebraico.

Ao voltarmos para o texto bíblico somos exortados a pensar seriamente e solenemente sobre nosso Deus e como nos relacionamos com Ele e com as pessoas em nosso dia a dia. É quase impossível andar nas ruas e não ouvir o nome de Deus sendo tratado com desprezo blasfemo. As novelas, programas televisivos e redes sociais são terríveis detratores do nome de Deus. Cabe a nós como povo de Deus, eleitos em Cristo, honrar e cultuar o nome santo do nosso Deus. Cessem todas as piadas e brincadeiras inoportunas usando o nome santo de Deus.


Portanto, a finalidade do 3º mandamento é afirmar a santidade de Deus. Não devemos profana-lo nem trata-lo irreverentemente. Este mandamento proíbe qualquer uso do nome de Deus de forma leviana, blasfema e insincera. Devemos reverenciar o nome divino porque tal nome revela o próprio caráter de Deus.

Soli Deo Gloria!

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Notas:
[i] https://www.bibliaonline.com.br/acf/ex/20
[ii] Pink, Artur Walkington, 1986-1952. Os Dez Mandamentos; Tradução Claudino Batista Marra e Felipe Sabino de Araújo Neto – Brasília, DF: Publicações Monergismo, 2009. p.36.
[iii] R. Alan Cole, Exôdo. Ed. Vida Nova, 1981, p. 151.

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Autor: Samuel Alves
Fonte: Electus
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A nossa esperança nos faz perseverar e fazer boas obras

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Texto base: Tito 2:11-14

Qual a nossa motivação principal para perseverar e fazer boas obras? Será que existe a possibilidade de uma pessoa verdadeiramente salva não perseverar e, muito menos, fazer boas obras? A perseverança e as boas obras provam que nós somos salvos ou são meios para que nós alcancemos a salvação? O que nos faz confiantes de que Deus trabalhará em nosso favor para que possamos ter um futuro glorioso?

Ao olharmos para a carta do Apóstolo Paulo a Tito, vemos que Paulo dá um único motivo – e mais que necessário - para encorajar o crente a perseverar e fazer boas obras: a manifestação da glória de Cristo.

Em resumo, aquele que persevera constantemente e suas boas obras são manifestas a todos, demonstra expressões visíveis da graça de Deus.

Portanto, para entendermos a passagem; podemos vê-la como a Graça de Deus manifestada na perseverança (2.11-13) e a Graça de Deus manifestada nas boas obras (2.14). Imagine um lanche, dois pães e um recheio. As duas fatias de pães são os versos 11/12 e o verso 14. Entre eles está o verso 13, o qual direciona todo o sabor. E é assim que Paulo vai mostrar.

A Graça de Deus manifestada na perseverança (2.11-13)

As instruções que Paulo passa a Tito no capítulo 2.1-10 são resumidas de forma simples, em sua primeira parte, nos versos de 11 a 13, mostrando que a graça de Deus manifestada nos educa a renegar a impiedade e as paixões mundanas, partindo do negativo para o positivo. Em resumo, da parte negativa, como citado por Calvino, podemos dizer que impiedade é a “negligência religiosa em relação a Deus [...] Pois ainda que professem alguma sorte de religião, nunca temem a Deus e o reverenciem sincera e verdadeiramente; senão que, ao contrário, têm suas consciências adormecidas”¹. E, assim, como consequência de uma vida ímpia e longe de Deus, as paixões mundanas significa os desejos da carne que faz com que caracterize ainda mais o distanciamento de Deus.

No entanto, nós sabemos que essa luta é difícil e podemos questionar, dizendo: Como perseverar constantemente neste mundo mal? Um personagem bíblico pode nos dar resposta usando ele mesmo como ilustração. Veja Gn 5.21-23. O texto mostra que Enoque era o sétimo depois de Adão (Jd 1.14), e que ele andou com Deus. A intensidade do verbo “andar” significa que ele tinha prazer em andar com Deus constantemente. Mas, será que a época em que Enoque andou com Deus era igual a nossa, pecaminosa, ou será que o pecado ainda estava crescendo?

Quando olhamos para o texto de Judas 1.14, 15 vemos que Enoque foi também alguém que anunciou a vinda do Senhor Jesus para um povo que praticava obras de impiedade (v.15). Veja, qual palavra no verso 15 se repete constantemente? Ímpio! Ou seja, o tempo em que Enoque vivia era de impiedade, da mesma forma, Judas escreve para igreja daquela época e, da mesma forma, em nossa época. Por que Enoque andou na presença de Deus? Porque ele tinha prazer nisso! Mesmo em meio a impiedade do mundo, Enoque andou com Deus. Mesmo quando o desemprego bateu à porta e quando os filhos foram desobedientes, ele andou com Deus.

Portanto, da mesma forma que Enoque disse ao povo “vejam, o Senhor”, na sua expectativa da vinda do Senhor, Paulo mostra positivamente a Tito que a manifestação de Cristo é o que nos motiva a viver de forma sensata, justa e piedosamente. Essa foi a primeira fatia do pão junto ao recheio.

A Graça de Deus manifestada nas boas obras (2.14)

A segunda fatia de pão que Paulo coloca é relacionada às boas obras, partindo novamente do negativo para o positivo. De forma negativa, Paulo mostra a Tito que a graça de Deus, manifestada na morte de Cristo, veio para que possamos ter uma vida redimida da iniquidade e, positivamente, ser um povo exclusivo do Senhor, zeloso de boas obras (v.14). Ou seja, se antes nós dedicávamos todo o nosso ser às paixões mundanas, Paulo diz que, ao recebermos essa graça, nós devemos dedicar tudo o que fazemos a Deus. Não para alcançar algo, mas em forma de gratidão. A ordem é essa: Deus nos salva para fazermos boas obras, nunca o contrário. Pois, se quisermos nos justificar em nossas obras, a Escritura é clara em mostrar que elas são trapos de imundícia (Is 64.6).

Se nós desejamos fazer boas obras para ganharmos a salvação em troca, nós estaremos reduzindo a obra de Jesus na Cruz. Mas se as nossas boas obras estão em forma de gratidão a Deus, nós temos entendido que Cristo morreu por nós e fez com que as nossas atitudes, quer seja por palavras, pensamentos e ações, glorifiquem a Deus.

Conclusão

Você já imaginou pensar estar vivendo para a glória de Deus, mas na verdade não? Vamos voltar ao caso de Enoque. Vimos que ele teve prazer em andar constantemente com Deus. Mas nós, quase sempre, não damos atenção necessária as genealogias. Se nós observarmos com calma e fizermos alguns cálculos, veremos que quando Enoque nasceu, Adão já estava vivo. E quando Enoque foi tomado, Adão ainda estava vivo[2].

Já pensou? Adão foi criado e esteve no jardim de onde foi expulso. Adão tinha a presença de Deus na viração do dia, mas um dia perdeu o posto. No entanto, Enoque, em meio a um mundo mal, viveu na presença de Deus o qual lhe proporcionou a glória de não provar da morte para estar eternamente com Deus.

Que a nossa esperança, a gloriosa manifestação da glória de Cristo, seja o motivo pelo qual nós perseveramos e façamos boas obras.

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Notas:
[1] CALVINO, João. Série comentário bíblicos João Calvino: Pastorais. Ed. Fiel. São José dos Campos, p. 337
[2] Enoque foi o melhor homem das primeiras gerações. Numa sociedade indizivelmente perversa, ele “andou com Deus”. Nascido 622 anos após a criação de Adão, foi contemporâneo dele durante 308 anos. “Deus o havia arrebatado” já aos 365 anos de idade. Halley. 

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Autor: Denis Monteiro
Fonte: Bereianos
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Aconselhamento cristão versus psicologia?

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Já passa do limite. Do jeito que a coisa vai, muitos psicólogos e conselheiros precisarão de ajuda para resolver problemas de ira e de maledicência. Digo isso entre jocoso e sério. A parte séria, pelo menos, merece uma resposta satisfatória. Mas como satisfazer ambos os lados? A única maneira que vejo, será por meio de romper a barreira e permitir uma boa conversa que provavelmente não convencerá quem não quiser entender, mas que esclarecerá qual seja o limite.

Primeiro, consideremos a relação entre a Bíblia e a psicologia. Explicando aos meus alunos, costumo perguntar: Entre a Bíblia e um livro de psicologia, qual você escolheria? A resposta dos cristãos, na maioria das vezes, é: A Bíblia, lógico! Por mais piedosas que pareçam, qualquer das escolhas é inadequada. Quem diz preferir a psicologia, terá exaltado o livro à altura da Bíblia; quem preferir a Bíblia terá rebaixado a Palavra de Deus à altura da psicologia. Isso é por que os dois são elementos de diferentes categorias. A psicologia é o estudo observacional do homem e a Bíblia é a revelação do criador sobre o conhecimento dele mesmo e da criatura, em uma relação essencial. A Bíblia foi dada ao homem para, entre outros usos decorrentes, ser o critério para interpretação da vontade de Deus, do homem e do mundo – incluindo o livro de psicologia. Não é fato que existem diversos tipos de aconselhamento (vocacional, profissional, legal, médico etc.)? Não existe a expressão aconselhamento psicológico? Poderíamos dizer aconselhamento aconselhar ou psicologia psicológica? Isso mostra que são termos diferentes.

Segundo, consideremos as psicologias. Estranho o uso do plural? Mas é isso mesmo. Cada teoria de psicologia expõe e defende interpretação e processo diferentes e, à vezes, antagônicos. Ora, há uma razão para isso. Deixe-me ilustrar. Imagine uma estrada plana e reta em que, onde a vista alcança, você enxerga algo como uma metade de uma esfera. Um besouro? Uma quenga (meia casca de coco)? Um capacete de soldado? Aproximando-se o objeto, você advinha mais. Uma tartaruga? Um tatu galinha? De repente, você percebe: é um fusca! Bem próximo, a satisfação do conhecimento enche os olhos. Mais perto, um metro, é uma raridade, sem amassado e com a cor original. Quase junto, dois centímetros, e tudo que você vê, agora, é o brilho de um pedaço bem pequeno de cor e luz, impossível de descobrir a natureza. Se existisse elefante polido e pintado, poderia ser um deles. Imagine, então, que diferentes observadores estejam olhando para estradas diferentes, tentando elaborar teorias sobre a natureza de objetos parecidos que se movem na direção deles? Certamente teríamos tantas teorias quantos fossem os observadores. Assim, temos tantas psicologias quantos são os estudiosos dos movimentos internos e externos dos homens. Isso é mau? Não por isso. O Dr. J. Adams, pioneiro da reabilitação do aconselhamento bíblico disse, em What About Nouthetic Counseling (Grand Rapids: Baker, 1976, p. 31), que ele mesmo tirou proveito de estudos psicológicos sobre o sono, e que não vê com maus olhos a psicologia observacional (método científico honestamente aplicado). Ele rejeita, sim, o uso impróprio de abstrações das psicologias como métodos de redenção do ser humano.

Essa perspectiva nos leva a uma terceira consideração: o que é que a Bíblia diz sobre aconselhamento e psicologia? Em 1Coríntios 2.9-16, o apóstolo Paulo disse que nem olhos viram nem ouvidos ouviram, nem o coração humano pode entender o que Deus tem preparado para aqueles que o amam. Isso, ele disse sobre o conhecimento do homem pelo próprio homem, tanto do incrédulo quanto do crente, dando como referência o conhecimento do Criador. Os crentes, ele continua, recebem revelação do Espírito que a tudo perscruta – as profundezas de Deus e do homem. O método desse conhecimento é, portanto, espiritual e não natural. Aqui, Paulo estabelece a distinção feita acima: o espiritual não é paralelo ao natural nem somente uma questão de divisão interna do homem. Na verdade, espiritual e natural são conceitos que pertencem a categorias diferentes. Além disso, o espiritual é uma totalidade abrangente que compreende e deveria reger o natural. Hoje, tal como os observadores das estradas, vemos algo com forma de homem, mas não entendemos sua natureza nem sua condição. Se o Espírito não no-lo revelar, concluiremos qualquer coisa.

O fato é que o Espírito nos revela, na Palavra, que o homem foi criado bom, que presentemente se encontra decaído por causa do pecado, e que ele é passível de redenção. Ocorre que o homem decaído não entende nem discerne as coisas espirituais. Paulo disse que o homem espiritual escrutina todas as coisas e ele mesmo não é escrutinado por ninguém; o homem natural, por sua vez, não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. A palavra grega traduzida como natural, nesse texto, é psuchikos (psíquico). Você vê outra interpretação senão que o aspecto interior do homem sem Deus, a psique, é o objeto de estudo das psicologias? Não estou esbordoando os psicólogos, mas apenas, dizendo que a consideração do homem somente sob o critério psicológico é considerá-lo fora de sua natureza, descartando sua condição e sem possibilidade de tratar seu verdadeiro problema. Tudo o que as psicologias podem fazer, é tentar adivinhar. Muitas vezes, o gênio que Deus concedeu a todos, crentes e incrédulos, não pode evitar o reconhecimento de coisas verdadeiras no homem e no mundo. Contudo, se falha em considerar a Deus e sua revelação quanto ao homem e ao mundo, ele fica como quem imagina diferentes coisas a diferentes distâncias.

Nem toda a sabedoria deste mundo poderá entender a totalidade do que Deus tem para os seus. Nenhuma psicologia poderá resgatar o homem de seu problema básico. Só Deus, em Cristo, é Redentor e Senhor da humanidade. É certo que, uma vez conhecido o fusca, alguém poderá lavá-lo, consertar suas partes e dirigi-lo, mas jamais poderá lhe conceder vida, mente, vontade e sentimentos. Lembre-se do que Paulo também disse: Ninguém, senão Deus, no Espírito, poderá assegurar a salvação; ninguém, senão Deus Trino poderá assegurar o anseio último da alma, isto é, um senso de dignidade, pertencimento, uma imaginação interpretativa acurada e criativa, nem uma operação interior e exterior que reflita a razão de sua própria criação. Fomos criados para habitar em Deus, para pensar seus pensamentos e para atuar em verdade e amor sobre as obras de Deus.

Você percebe, então, que não se trata de uma rivalidade entre aconselhamento bíblico e psicologia secular? Como Paulo disse em outro lugar, nossa luta não é contra o sangue e a carne (Efésios 6.12). Deverá haver uma psicologia bíblica – biblicamente teológica, antropológica e soteriológica, – que não seja uma visão reduzida do homem de maneira secularmente antropológica, sociológica ou fisiológica. Antes ela deve vir de Deus, ser revelada na Bíblia e ser testemunhada ao coração pelo Espírito Santo. O aconselhamento cristão pretende ter essa noção, mas não está limitado ao homem interior ou exterior. Ele trabalha em todos os limites que Deus preparou e

...manifestou aos seus santos aos quais Deus quis dar a conhecer qual seja a riqueza da glória deste mistério entre os gentios, isto é, Cristo em vós, a esperança da glória; o qual nós anunciamos, advertindo a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, a fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo... (Colossenses 1.26b-28).

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Autor: Rev. Wadislau Martins Gomes
Fonte: Coram Deo
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A tolerância que Jesus não tolera

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Cristãos não devem ser tolerantes com tudo, uma vez que Deus não o é. Nós podemos respeitar opiniões diferentes e tentar entendê-las, mas não devemos afirmar incondicionalmente e sem avaliação toda crença e comportamento, por que Deus não faz isso. Nós devemos amar o que Deus ama. Foi aí que Éfeso falhou. E devemos odiar o que Deus odiou. Aí que Tiatira falhou.

Das sete cidades de Apocalipse, Tiatira é a menos conhecida, a menos impressionante e a menos importante. E, ainda assim, é a maior carta das sete. Havia muita coisa acontecendo nessa igreja – algumas ruins e outras boas.

Vamos começar com as boas. O verso 19 do capítulo 2 diz: “Conheço as tuas obras, o teu amor, a tua fé, o teu serviço, a tua perseverança e as tuas últimas obras, mais numerosas do que as primeiras”. Éfeso foi louvada por suas benfeitorias e seu forte trabalho ético. Tiatira é ainda melhor. Ela tinha os mesmos feitos que Éfeso teve e o amor que faltou a esta. A igreja em Tiatira não era sem virtudes genuínas. Era um grupo unido que amava, servia, cria e perseverava.

Talvez Tiatira fosse o tipo de igreja que você entra e já se sente parte: “Prazer em conhecê-lo. Venha, deixa-me apresentá-lo aos meus amigos. Vou lhe mostrar como você pode participar, usar seus dons, seguir seu ministério. Somos muito gratos de tê-lo conosco.” Era uma igreja que se importava, que se sacrificava e amava.

Essa era a parte boa. E a parte ruim? O amor dela podia ser sem discernimento e cegamente afirmativo. O grande problema de Tiatira era a tolerância. As pessoas de lá toleravam falsos ensinamentos e comportamentos imorais, duas coisas com as quais Deus é ferozmente intolerante. Jesus diz: “você é amorosa de diversas formas, mas a sua tolerância não é amor. É infidelidade.”

O pecado específico de Tiatira era a tolerância com Jezabel. Este não era o nome real da mulher. Mas essa falta profetisa agia como Jezabel – guiando o povo em adultério e em idolatria. Nós não sabemos se sua influência era formal – se ela ia à frente das pessoas e falava esse tipo de coisa enganosa – ou se era informal – em conversas corriqueiras e no “boca a boca”. Contudo, isso estava acontecendo. Essa mulher era um perigo espiritual, como sua xará do Antigo Testamento.

Jezabel foi a filha de Etbaal, rei dos sidônios. Ela adorava Baal e Aserá e levou seu marido Acabe para o mesmo caminho. Foi ela quem planejou matar o inocente Nabote por causa de sua vinha. Ela foi chamada de “maldita” (2 Reis 9.34) e, como punição por sua malícia, eventualmente foi empurrada pela janela, pisoteada por cavalos e comida por cachorros. Ela era uma mulher má, que levou muitos israelitas para o mau caminho.

Jesus disse a Tiatira: “vocês estão permitindo que uma mulher como aquela guie seu povo. Por que vocês a toleram? Não a sigam. Não dialoguem com ela. Não esperem para ver o que vai acontecer. Livrem-se dela… ou eu farei.” Aparentemente, de alguma forma, Deus já a havia alertado para que se arrependesse, mas ela se negou. Então, agora, o Senhor Jesus promete jogá-la na cama doente e fazer com que seus seguidores também sofram, a não ser que se arrependam. “Eu vou atacar mortalmente os seus filhos espirituais”, disse o Senhor. Jesus não está brincando. Isso não é algo secundário, mas um sério pecado digno de morte.

Havia também um pecado arraigado. Havia uma série de cooperativas comerciais em Tiatira. Imagine que você participasse da APT, a Associação de Pedreiros de Tiatira, e, certa noite, a corporação se reunisse para uma festa. Você está sentado em sua mesa, pronto para participar dessa grande celebração com seus amigos e colegas. Então o anfitrião diz algo como: “Que bom que vocês vieram. Que ocasião feliz para a APT. Nós temos uma grande festa preparada para vocês. Mas, antes de começar, nós gostaríamos de reconhecer que o grande deus Zeus, que cuida dos pedreiros, tornou esse jantar possível. Zeus, cuja estátua está ali no canto, nós comemos por você, por sua honra e para adorá-lo. Vamos começar.”

O que você faria nessa situação? Ficaria ou iria embora? O que a sua participação significaria para seus companheiros cristãos, para o mundo e para Deus? Cristãos do mundo antigo não precisavam procurar por idolatria. Ela permeava toda a sua cultura. Não participar desses rituais pagãos chamaria a atenção como um torcedor do Corinthians no Palestra Itália. Essas festas, com sua idolatria e folia sexual, que muitas vezes as seguiam, eram parte normal da vida do mundo Greco-romano. Ficar de fora poderia ser algo social e economicamente desastroso.

Esse é o motivo pelo qual os falsos mestres, como essa Jezabel em Tiatira ou os nicolaítas em Pérgamo, eram tão ouvidos. Eles tornavam o ser cristão em algo muito mais fácil, menos custoso e muito menos contracultural. Mas era um cristianismo diluído e vendido, e Jesus não iria tolerá-lo. Ele iria usar Tiatira como exemplo para mostrar a todas as igrejas que Jesus tem olhos de fogo, puros demais para ver o mal, e pés de bronze polido, santos demais para caminhar entre a maldade. Ele queria que todas as igrejas soubessem que ele é quem perscruta as mentes e corações e que irá punir todo mal não arrependido.

O erro de Jezabel era um pecado sério, arraigado e sutil. Provavelmente ela havia dito às pessoas que os “segredos profundos” não iriam prejudicá-los. Nós não sabemos exatamente o que aprender os chamados segredos profundos de Satanás significava para a igreja. Nós não sabemos se os falsos profetas chamavam eles assim ou se Jesus é quem os está chamando assim. Mas o que está acontecendo é, provavelmente, algum tipo de falso ensinamento que desvalorizava o mundo material. Essa Jezabel poderia estar falando: “O mundo físico não importa. O espiritual é o que conta. Então participem das festas aos ídolos e façam o que vocês quiserem sexualmente. Essas coisas são materiais. Deus não liga para isso”. Ou talvez ela estivesse falando: “Veja, se você é espiritual, então a sua relação com Deus será forte o suficiente para você aguentar as coisas profundas de Satanás. Então vá em frente. Participe das coisas do diabo. Você pode lidar com isso e, além disso, provavelmente aprenderá mais sobre sobre o inimigo durante o processo.” Independentemente do que ela estivesse falando, era uma mentira e estava levando o povo ao pecado. E a igreja era mais tolerante do que Jesus, o que nunca é uma boa ideia.

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Autor: Kevin DeYoung
Fonte: The Gospel Coalition
Tradução: Victor Bimbato
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Meninos anseiam ser homens

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Nossa sociedade não possuiu, para os homens, conceitos como ritos de passagem para a vida adulta, fato este que não se repete com meninas. Elas tem a garantia de duas fases bem marcadas: a menstruação e festa de debutantes, que as apresentam socialmente e emocionalmente para a vida adulta.


Meninos não possuem um correlato, sendo deixados a própria sorte nesse quesito, principalmente por ausência paterna, motivada por excesso de trabalho do pai ou separação do casal, onde a guarda fica primariamente com a mãe.

Nisso, somos uma geração de homens criados por mulheres, e que delas recebem a concepção errônea do que é o masculino. É impossível aprender a ser um homem pelos ensinos de uma mulher.

Os garotos, assim abandonados, criam para si seus próprios "ritos de passagem", onde se juntam para, de forma coletiva e motivados por um desejo subconsciente, "inventar o que seja a masculinidade", daí temos tanto envolvimento de jovens em violência e promiscuidade, os tornando adeptos do conceito errado de ser macho. A ausência de uma figura paterna forte que eles respeitem e imponha limites os tornam esteriótipos, caricaturas do que imaginam ser o masculino, pela sua aplicação errada e falta de direcionamento.

Outra via comumente seguida é os vermos renegando a masculinidade por eles também imaginada, censuram em si mesmos as atitudes erradas do pai. Logo, se o pai traiu a mãe e a deixou (sem entrarmos no mérito da questão), o garoto busca se afastar, seja por decisão consciente ou inconsciente, da expressão sexual com mulheres, seja física ou psicológica. Assim temos meninos efeminados que cultuam em si ideais femininos para redimir em si mesmos as angústias percebidas na figura feminina materna. O que não confere as armas emocionais que poderia os prover com as habilidades no trato social com mulheres. Pois, para eles, a relação com mulheres se dará no nível mulher-mulher, e não homem-mulher. O que nos leva ao motivo de tantas relações fracassadas. Gerando mulheres frustradas pelas decepções amorosas com esses homens ensinando seus filhos mais conceitos errados, retroalimentando o ciclo.

Devemos lembrar que meninos querem ser aceitos em comunidades de homens e, na falta destes, buscarão aceitação naquilo que reconhecem como ideal ou em grupos que os acolham. O que abre as portas para todas as distorções imagináveis, criando uma sociedade doente.

Interessante notarmos que tais "ritos" por eles criados não conseguem efetivamente torna-los homens em suas próprias percepções, eles continuam sendo meninos e por isso a necessidade constante de repetir tais ritos continuamente. Um rito original para a vida adulta é um evento momentâneo e marcado no tempo, tem seu início e fim, que após cumprido não é retornado com o mesmo status. A partir dali temos um homem que se um dia voltar a participar desse rito, será auxiliando um menino (comumente seu filho) em seu momento. O que temos hoje é o inverso disso, eternos meninos presos em ciclos que não se findam em busca de uma sensação de saciedade que nunca virá. São meninos que a todo momento expressam sua frustração.

A função de um homem é formar novos homens, e tal função tem sido preterida pelos homens e usurpada por mulheres que, por militância e ideologias, querem emascular a sociedade. E vemos claramente a vontade de Deus no seguinte texto:

"Porquanto Eu o escolhi, para que instrua seus filhos e todos os seus descendentes acerca de conservarem-se no Caminho do SENHOR, praticando o que é justo e direito" - Gênesis 18:19

Normalmente termino meus textos com a minha visão para a resolução da questão por mim levantada, mas hoje desejo fazer diferente: convido você, homem, a ponderar sobre sua própria concepção de masculinidade e como tem se apresentado ao mundo. A sua função de formar novos homens têm sido realmente posta em prática?

Lembrando que o exercício da masculinidade não é apenas para próprio benefício, ou mesmo restrito apenas a família, mas se da em um contexto comunitário/social, onde o ensino contribui para o caminhar correto de todos.

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Autor: Felippe Chaves
Divulgação: Bereianos
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Como lidar com sentimentos de culpa pelo pecado?

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Ultimamente vivi um período difícil no que diz respeito a sentimentos de culpa. Isso exigiu de mim uma busca por respostas nas Escrituras. Tais respostas trouxeram conforto ao meu coração. Assim, resolvi redigir este artigo a fim de compartilhar aquilo que aprendi para que outras pessoas também encontrem na graça alívio para a consciência pesada. Vou discutir alguns versículos e algumas doutrinas que são de grande relevância ao se lidar com sentimentos de culpa.

O papel do filho na família da aliança

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Sempre quando tratamos sobre o papel da família, geralmente, focamos nossos olhares para o pai e a mãe, para a função do esposo e da esposa, mas nunca olhamos diretamente para a função dos filhos. 

Quando se trata de filhos e família sempre analisamos algumas passagens, como Romanos 1.28-32 e 2Timoteo 3.1-5, as quais nos falam que uma das características de uma sociedade perversa e longe de Deus é o fato dos filhos serem desobedientes aos pais.

E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes, cheios de toda injustiça, malícia, avareza e maldade; possuídos de inveja, homicídio, contenda, dolo e malignidade; sendo difamadores, caluniadores, aborrecidos de Deus, insolentes, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais, insensatos, pérfidos, sem afeição natural e sem misericórdia. Ora, conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem. Rm 1.28-32 (Negrito acrescentado). 

E, também, como mostra Paulo ao jovem pastor Timóteo:


Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes. (2Tm 3.1-5. Negrito  acrescentado). 

Em 2015, no aeroporto de Brasília, um voo atrasou cerca de 45 minutos porque uma criança se recusou a colocar o cinto de segurança. Uma criança, que não é dona do seu próprio nariz, fazer com que centenas de pessoas fiquem “reféns” por causa de uma birra é dar o poder à criança que não lhe pertence.


Há meios que contribuem para que ocorram esses desvios. Por exemplo, alguns métodos de ensino entendem que as crianças são uma tabula rasa as quais não precisam de professores, mas de educadores.

Outro meio que atrapalha na relação de pais e filhos é a intervenção do Estado. Devemos entender uma coisa, quando o Estado decidiu intervir na criação dos pais e filhos, a priori, o Estado estava tentando prevenir que as nossas crianças não sofram com espancamentos. No entanto, a sua intervenção foi além dos limites criando a “lei da palmada”, contrariando assim diversas passagens que falam da correção aplicada aos filhos (Pv. 13.24; 22.15; 23.13, 14; 29.15).

E, por fim, outra maneira que atrapalha o desenvolvimento das crianças é a adultização delas com algumas responsabilidades impostas, nas quais não pertencem a elas. E isso nós podemos ver em alguns filmes infantis. Por exemplo, Caçadores de Trolls. Um seriado fala sobre um garoto (Jim, de 15 anos) que é criado por uma mãe médica solteira que recebe uma convocação para se tornar um guerreiro, um caçador de Trolls. No entanto, mesmo que o filme foque no desenvolvimento heroico do garoto, há cenas claras de uma mãe que trabalha 24 horas por dia, mas quem cuida da casa é o garoto. 

Há uma enorme diferença entre um adolescente ajudar seus pais e um adolescente desenvolver responsabilidades de um adulto, as quais podem atrapalhar em sua vida, em um todo. Se nós prestarmos atenção, nesses últimos anos houve um surgimento de filmes em que os principais atores são crianças e eles carregam a responsabilidade de “salvar o mundo”, como os filmes: Como treinar o seu dragão (uma animação infantil que mostra um adolescente contrariando a vontade do pai – um matador de dragão – que vira amigo de um dragão e ensina ao pai como viver com o diferente e como ser um verdadeiro guerreiro); e o Hotel Transilvânia (outra animação infantil que mostra o Conde Drácula pai de uma adolescente que se apaixona por um humano contrariando a vontade do pai, mas no final a filha mostra como o pai pode viver mesmo com o contrário). 

No entanto, o apóstolo Paulo, indo ao contrário daquilo que o mundo diz, mostra que há um caminho mais do que excelente: A Palavra de Deus. 

Em Efésios 6.1-3 podemos ver o texto assim: A quem o filho deve obedecer (v.1); Como o filho deve obedecer (v.2) e; Por que o filho deve obedecer (v.3).

A quem o filho deve obedecer – 6.1

Parece estranho fazer tal afirmativa – de que os filhos devem obedecer seus pais -, mas não é.

Quando olhamos para a Lei de Deus, vemos que ela pode ser dividida em duas tábuas: A primeira relaciona-se com Deus e a segunda se relaciona com o próximo. E o mandamento que abre a segunda tábua é justamente o que Paulo tem em mente: “Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá.” (Êx 20.12). 

Obedecer significa colocar-se debaixo da voz de alguém, dar ouvidos. Mas esse “dar ouvidos” não é como uma obrigação cega, e sim, com respeito a fim de considerá-los e até, no futuro, sustentá-los. Obedecer no Senhor não se aplica somente se o pais são crentes ou não, significa que Deus está ordenando. Em Colossenses 3.20 podemos ver uma explicação a isso: “é grato diante do Senhor”, ou seja, faz parte de nossa devoção a Deus sermos obedientes aos nossos pais. Basta ver Lv 19.2,3a, o texto mostra que a relação de santidade ao Senhor está, também, relacionada ao fato de os filhos obedecerem seus pais.

Portanto, um filho que diz que serve ao Senhor e não obedece a seus pais, ele, na verdade, não ama a Deus e nunca obedecerá a nenhum superior. E ai nós podemos entender o porquê dos filhos viverem em pé de guerra com seus pais, não é porque os pais são quadrados ou retrógrados, mas porque os filhos não vivem em devoção a Deus, possuem uma comunhão prejudicada com o Senhor. 

Como o filho deve obedecer – 6.2


A forma que a Bíblia coloca de como os pais devem ser obedecidos é através de honra (reverência). Enquanto alguns filhos têm rancor, raiva, não perdoam e desonram seus pais, aquele que serve ao Senhor devem honrar e amar a seus pais.

Devemos entender uma coisa, entre os mandamentos qual a diferença de desobedecer a Deus com desonras e idolatrias e o pecado de desonrar os pais? Nenhuma! Filhos que desobedecem aos pais, não obedecem outras pessoas. Filhos que não honram seus pais, não honram a Deus. A palavra “honra” (Êx. 20.12) é a mesma utilizada em algumas passagens para falar da honra que o povo eleito deve dar a Deus (cf. 1Sm 2.30 [honrar]; Sl 22.23 [reverenciar]; Pv 3.9 [honrar]; Is 24.15 [glorificar]). 

É o primeiro mandamento como promessa, pode-se entender a primeira promessa da segunda tábua dos dez mandamentos. Deus promete abençoar aqueles que honram, respeitam e amam a seus pais.

Por que o filho deve obedecer? – 6.3

A promessa para aqueles que honram seus pais é: “Para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra.

Aqui não devemos entender que os filhos que honram e amam seus pais terão vinda longa ou serão bem-sucedidos, mas que a vida em sociedade será bem e longa. Ou seja, uma sociedade bem fundamentada começa com uma família que serve e ama ao Senhor.

Mas podemos entender esse “para que te vá bem, e seja de longa vida sobre terra” de uma outra maneira. Pois, se olharmos para Êx. 20.12 veremos que Paulo não usa o mesmo tom da promessa que Moisés relata: “para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá” (Êx. 20.12). Veja que o texto se refere à terra que o povo estava prestes a possuir, e Paulo não menciona isso. 

Quando olhamos para um dos temas principais de Efésios - que é o tema da “nova criação” (Ef 2.15; 3.9; 4.13, 24) -, podemos entender que a ideia da nova criação esteja por detrás do pensamento do apóstolo, como mostra Frank S. Thielman: 

“Os filhos cuja obediência aos pais tem origem no compromisso com 'o Senhor' (6.1) viverão eternamente, não numa terra em particular, com fronteiras nacionais, como o antigo Israel, mas numa terra sem fronteiras, como Deus pretendia que fosse ao criá-la.

Ou seja, uma das formas que os filhos podem mostrar publicamente que fazem parte da "nova criação" é obedecendo e honrando aos seus pais. 

Conclusão 

A obediência aos pais não faz, somente, parte de nossa devoção a Deus, mas expressa a realidade da nova criação em Cristo Jesus e uma vida cheia do Espírito Santo.

Aplicação 

Devemos obedecer aos nossos pais em tudo, indistintamente? Não! As ordens que eles nos dão que contrariam a vontade de Deus podem ser desobedecidas com amor (cf. Dt 13.6-8).  

Não copie seus amigos. Basta lembrar do relato que 1Reis nos mostra. No capítulo 12.6-11 o autor relata que Roboão estava com uma dúvida de como ele deveria tratar o povo. Ele pediu conselho aos anciãos sobre como poderia proceder, e eles disseram ao jovem rei que deveria ser amigo do povo (vv. 6,7), no entanto, ele rejeita. Não satisfeito, o texto mostra que ele busca conselhos com os jovens da cidade os quais haviam crescido com ele (vv. 8-10) e o conselho deles fizeram com que Roboão fosse pior que seu pai. O final da história todos nós já sabemos: o povo de Israel se rebelou (vv. 16-19). 

Coloque em ordem o relacionamento com seus pais. Passe mais tempo com eles, pois um dia você terá que sair de casa e esse contato diminuirá. Lave louça com a sua mãe, lave o carro com seu pai, ajude-o consertar as coisas em casa, vá ao mercado com eles. Saia um pouco da rede social e socialize com seus pais. 

Você não conseguirá cumprir tudo isso sem a ajuda do Espírito Santo. Se nós olharmos Efésios 5.18 veremos que é dever do crente ser cheio do Espírito Santo e uma das características deste enchimento é o nosso relacionamento com os nossos pais. Portanto, rogamos ao Pai que Ele nos encha com o Seu Santo Espírito, para que possamos ter uma vida que glorifique o Seu nome e que tenhamos um relacionamento com nossos pais que expresse o nosso relacionamento com Deus. 

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Nota:
1 - THIELMAN, Frank, S. Efésios. In: BEALE, G. K., CARSON, D. A. (org). Comentário do uso do Antigo Testamento no Novo Testamento. – São Paulo: Vida Nova, 2014, p. 1028

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Autor: Denis Monteiro
Fonte: Bereianos
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