Ética cristã e sua importância

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Falar sobre ética, inicialmente, nos parece uma tarefa difícil, por conta de sua grande abrangência e aparente complexidade. Apesar da enorme importância que a mesma exerce (ou pelo menos deveria exercer) na vida individual e comunitária, pouco ou quase nada se têm pensado ou discutido sobre o tema, seja por negligência ou ainda por medo de ofender alguém que, a princípio, já tenha uma opinião formada sobre como as coisas deveriam ser.

No meio evangélico não é diferente. É comum pensarmos que basta sabermos os dez mandamentos (Ex 20.1-17), e que eles de per si serão suficientes para termos uma perspectiva capaz de dar-nos condições de dirimir as mais diversas situações-problemas que se levantam na nossa caminhada cristã. É também verdade que eles são ordenanças dadas à nós pelo Deus Trino, mas não são as únicas, como constatamos, v.g., no Sl 15, Lv 19.18, Sl 24.4, Is 33.15, Mt 5-7, dentre outros.

Somos salvos pela fé, e não pelas obras (que podem ser pensamentos, palavras, sentimentos, ações e omissões), mas são as boas obras que testificam a veracidade, qualidade e o tamanho da minha fé (Tg 2.18), e não sendo qualquer tipo de obras, que podem nascer das mais diferentes crenças que um indivíduo pode ter e carregar, como fruto de seu desenvolvimento sócio-educativo e cultural (inclusive as decorrentes de tradições enviesadas, legalistas ou antinomistas, transmitidas por algumas igrejas, muitas das vezes por conta de uma péssima interpretação bíblica, sendo outras já pelo mau-caratismo de seus líderes), mas sim aquelas que estão prescritas na Bíblia e deixadas ao povo da aliança a fim de que, por meio da práxis delas, Deus seja glorificado da maneira que O agrada, e não da maneira que “gostamos” e/ou entendemos ser o correto e que está à parte das escrituras.

Para praticar estas obras é necessário estarmos aptos a tomarmos decisões que estejam conforme a “mente de Cristo “ (1Co 2.16), sendo imprescindível a ajuda da ética cristã, que busca o quê é moralmente certo ou errado para o cristão, ainda mais tendo em vista a complexidade do mundo contemporâneo globalizado e altamente tecnológico, que nos impõe inéditos e complicados desafios quanto a forma de procedermos por decorrência dos novos problemas apresentados, e que levantam questões sobre “o quê é ser bom?” e quais coisas boas são moralmente desejáveis.

A Ética é importante por que enfrentamos problemas morais todos os dias, muitos dos quais estão no centro das questões mais importantes da vida (ex.: política), sem contar a grande diversidade dessas questões. Cito alguns exemplos: aborto; divórcio; adultério; pena de morte; ética sexual; jogos de azar e ganância; guerra e paz; alcoolismo e drogas; meio ambiente; desobediência civil; meios de comunicação, entretenimento e pornografia; na legislação da moralidade;  no cuidado dos pobres, oprimidos e órfãos; direitos dos animais e fazendas industriais; riquezas, posses e economia; tecnologias genéticas e clonagem humana; suicídio medicamente assistido e eutanásia; coabitação e fornicação; homossexualidade; racismo e direitos humanos; tecnologias reprodutivas; etc.

Lembremos que há ainda uma diferença entre ética e moral. Sumariamente, a moralidade nos diz o quê é certo e errado e a ética nos dá o processo de como podemos chegar a esta conclusão. A última, na prática, é tão ou mais importante que a primeira.

Vale citar Scott B. Rae (p. 15):

“...A maioria das pessoas tem alguma noção de que tipos de coisas são certas ou erradas. Contudo, explicar por que você pensa que algo é certo ou errado ou se determinada pessoa é boa ou má é uma questão completamente diferente. A base sobre a qual você faz escolhas morais é geralmente tão importante quanto as próprias escolhas em si...”

Os humanistas dirão que a ética e a moral são construtos humanos, contudo, não cremos assim. O cristão crê que há uma fonte transcendente, um legislador moral, que se revelou a um povo escolhido e determinou-lhes como deveriam andar na sua presença.

É verdade que muitas pessoas nunca professaram serem cristãs, e ainda assim possuem uma vida moral invejável. Contudo, isso se dá por conta do quê chamamos na teologia de “graça comum”, em que Deus, por sua infinita misericórdia, concede à todas as pessoas uma porção de seus atributos comunicáveis, como a bondade, a verdade e a misericórdia, mesmo se essas pessoas deliberadamente O rejeitam nesta vida.

Como cristãos, devemos estar preparados para aconselhar os incrédulos, uma vez que se observa um aumento crescente do interesse das pessoas pela ética, por conta da preocupação em relação ao deterioramento moral na sociedade, do surgimento de questões tecnológicas complexas (ex.: utilização de tecidos de fetos humanos para o tratamento de certas doenças) e pelo aparecimento de uma grande quantidade de escândalos. 

Se realmente amamos a Deus de todo nosso coração e ao próximo como a nós mesmos (Mt 22.34-40), e se realmente somos o “sal da terra” e a “luz do mundo” (Mt 5.13-14), temos que estar aptos não apenas a tomar decisões éticas cristãs, mas também de obedecermos a ordenança de responder as indagações sobre a razão da nossa fé (1Pe 3.15), que talvez possa vir de um cristão neófito na mesma, ou até mesmo de um irmão que, apesar de já professar a fé verdadeira há muitos anos, ser ainda fraco nesta por não desejar o genuíno leite espiritual (1Pe 2.2), sem falar no descrente (ateu ou que professa uma falsa religião). Por fim, a exigência dessa tarefa é ainda maior aos pastores, pais (ou responsáveis) e mestres da igreja, que terão que prestar contas no dia do juízo sobre o tipo de cuidado que tiveram em relação àqueles a quem o Senhor da Igreja os confiou.

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Autor: Cláudio da Costa Leão
Divulgação: Bereianos
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Confessionalidade madura também se expressa através de submissão e coerência

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Recentemente vi um vídeo do trecho de uma palestra a respeito de como viver uma confessionalidade madura. Esse tipo de discussão é deveras importante, uma vez que há alguns anos o assunto da confessionalidade era quase que completamente ignorado em nosso meio. Aliado a isso está o fato de que há muitos jovens que, nas redes sociais, discorrem sobre o assunto de modo beligerante e sem qualquer caridade pelas pessoas que pensam de modo distinto.

A minha questão aqui gira em torno de algumas afirmações feitas na palestra, que, possivelmente até de modo inadvertido, esvaziem a autoridade das confissões reformadas de modo geral e, especificamente, dos Padrões de Westminster, símbolos de fé da Igreja Presbiteriana do Brasil, aos quais nós, ministros presbiterianos, juramos submissão.

Sábado e o Pentecostes

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Uma coisa que muitas vezes nos escapa na narrativa de Atos sobre o derramamento do Espírito Santo é que isso aconteceu em um domingo. Pentecostes era um sábado celebrado em uma santa convocação no primeiro dia da Semana. Lembrando que o termo Shabbath, traduzido muitas vezes por sábado, significa descanso. Em Lv 23.15-22 encontramos a instituição da festa das semanas ou pentecostes (cf. Dt 16.9-12). Os judeus precisariam contar sete sábados (sétimo dia) após a páscoa, totalizando 49 dias, e contar o dia seguinte, necessariamente um domingo, para celebrar o sábado (descanso) de pentecostes. Em Atos 2 nós encontramos a igreja reunida no dia de pentecostes, 49 dias após a páscoa de Jesus Cristo, portanto sete vezes sete, mais um dia, assim, sete semanas após a ressureição de Cristo! Isso não parece ser aleatório, mas aponta para a completitude da obra da Redenção.


A igreja estava reunida no domingo, sete semanas após a ressureição, mantendo a tradição das aparições do próprio Cristo ressurreto (Jo 20.1;19; 26). E neste domingo, Jesus aparece mais uma vez para derramar o Espírito Santo cumprindo a profecia de Joel 2.28-32. Essa profecia anuncia o grande dia do Senhor (ἡμέραν κυρίου), que é anunciado pelo derramar do Espírito Santo no dia do Senhor (κυριακῇ ἡμέρα), o domingo. Portanto, nesta narrativa nós temos o domingo, dia do Senhor, como o completar da obra de Redenção e capacitação de Cristo, e também o anúncio da vinda de Cristo no grande Dia do Senhor, quando ele virá julgar o mundo e buscar sua noiva para o Eterno Sábado (descanso) que ele tem preparado para a igreja.

Adoremos ao Senhor neste santo dia que ele separou de forma tão maravilhosa e descansemos, como ele descansou, para aguardar aquele grande dia que descansaremos num eterno Shabbath. Maranata!

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Autor: Rev. Ronaldo Vasconcelos
Fonte: Perfil do autor no Facebook
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Antônio Carlos Costa: um protestante em convulsão

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O pastor Antônio Carlos Costa, pastor presbiteriano no Rio de Janeiro, fundador e presidente da ONG Rio de Paz, publicou na manhã de hoje [30/10] um vídeo no qual afirma que as igrejas evangélicas brasileiras necessitam de uma nova Reforma. Abaixo farei um breve resumo do vídeo, seguido de uma crítica às afirmações de Costa.

O amor e o ódio: quem ama, odeia

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Foi realizado hoje, 25/10, um "culto de oração", organizado por um grupo de evangélicos de orientação esquerdista, apoiadores de Fernando Haddad. A programação teve como tema "O Amor Vence o Ódio".

O tema foi escolhido em função do atual clima político do Brasil, e parte do pressuposto que os eleitores de Jair Bolsonaro são apoiadores de alguém que pratica o que, hoje em dia, é chamado de "discurso de ódio". Qualquer afirmação que contrarie o que a agenda esquerdista propõe é, imediatamente, rotulada como "discurso de ódio". Como bem observou o Pr. Augustus Nicodemus, "aquilo em que acreditamos começa a ser rotulado de ódio. Se afirmarmos a família, temos ódio contra os homossexuais; se afirmarmos a vida, somos contra a mulher que tem o direito do aborto; se afirmarmos a defesa própria, é discurso de ódio contra os criminosos, porque deve haver direitos iguais" (Caminhos da Fé. p. 41).

A incoerência do discurso dos evangélicos progressistas está em que, sua mensagem é a de que o ódio é, intrínseca e moralmente, errado. Se alguém diz ser discípulo de Jesus, então, a única coisa que lhe cabe é o amor. Não obstante, qual é o sentimento que, na prática, é nutrido e posto em obras da parte dos progressistas para com aqueles que, de acordo com eles, praticam o "discurso de ódio"? Amor? Tolerância? Não. Longe disso! É ódio! E o ódio se traduz, de modo claro, em agressões, insultos e até mesmo espancamentos. Hoje mesmo, aqui em São Luís, ao tentar apresentar uma palestra sobre o que é o fascismo, um católico conservador foi objeto do ódio de universitários esquerdistas, que o xingaram, cuspiram e pouco faltou para que o agredissem fisicamente.

Um segundo problema com o discurso progressista de que "o amor vence o ódio" é o pressuposto de que amor e ódio são mutuamente excludentes. Quem ama não odeia. E quem odeia não ama. Alguém cheio de ódio é alguém vazio de amor, e vice-versa. Se eu me coloco de modo contrário à ideologia de gênero, é porque eu não amo gays, lésbicas, transsexuais etc. Pelo contrário, eu os odeio. Esta é a lógica da esquerda evangélica.

Há um dito atribuído a Érico Veríssimo, que diz assim: "O oposto do amor não é o ódio, mas a indiferença". Eu sou inclinado a concordar com a afirmação inicial. O oposto do amor não é o ódio. De modo bem interessante, em 1 Coríntios 13, não encontramos a declaração de que o amor não odeia. O apóstolo Paulo diz sobre o amor: "O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta" (vv. 4-7). Perceba, o ódio não figura entre as posturas e sentimentos incompatíveis com o amor.

Existem algumas passagens nas quais amor e ódio são mencionados e, aparentemente, figuram como antagônicos entre si. No Salmo 109.5 está escrito: "Pagaram-me o bem com o mal; o amor, com ódio". Esta passagem é suficientemente clara. Amor e ódio não são antagônicos um ao outro. O que está sendo afirmado aqui é apenas o princípio por trás da conhecida regra de ouro: Faça aos outros aquilo que você quer que façam a você. Se você tem sido beneficiado com o amor de alguém, então, retribua com amor. Se alguém te faz o bem, retribua com o bem, não com mal. Em Provérbios 10.12 está escrito: "O ódio excita contendas, mas o amor cobre todas as transgressões". Nesta passagem, amor e ódio também não devem ser vistos como inimigos. O que o autor está afirmando é o princípio envolvido no ódio pecaminoso, gratuito. Para poder interpretar esta passagem como que ensinando que amor e ódio são absolutamente incompatíveis, eu necessito partir do pressuposto que todo e qualquer ódio é, por necessidade, pecaminoso, mal, vil, perverso, maligno. No entanto, as Escrituras não me permitem fazer isso.

Em Apocalipse 2.6, um dos elogios que Jesus faz à igreja de Éfeso foi o seguinte: "Tens, contudo, a teu favor que odeias as obras dos nicolaítas, as quais eu também odeio". De antemão afirmo que o versículo está traduzido da maneira correta. O verbo grego miséô significa mesmo "odiar". Existem algumas passagens neotestamentárias em que o verbo assume o significado de "amar menos", como em Lucas 14.26. No caso, o verbo faz uma comparação entre nossa afeição a Deus, que deve estar acima de tudo e de todos, e nossa afeição aos nossos pais, irmãos, filhos etc. Mas em Apocalipse 2.6 o objeto do verbo é o pecado. No caso, "as obras dos nicolaítas", que nada mais eram do que a imoralidade, a idolatria e a perversão da verdade, como nos diz Simon Kistemaker (Apocalipse. p. 159). G. K. Beale faz o seguinte comentário sobre "as obras dos nicolaítas": "Provavelmente os nicolaítas ensinavam que os cristãos poderiam participar da cultura idólatra de Éfeso. A cidade fora dominada pelo culto à deusa Artemis, deusa da fertilidade, e seu templo tinha milhares de sacerdotes e sacerdotisas com pesado envolvimento na prostituição" (Revelation: A Shorter Commentary. p. 57). Dessa forma, Jesus não está elogiando a igreja de Éfeso por "amar menos" aquilo que é pecaminoso. Em vez disso, Jesus aprova que aqueles cristão, de modo ativo e intenso, detestem o pecado ensinado e promovido pelos nicolaítas. Ademais, que os evangélicos esquerdistas atentem bem para isto: Jesus diz: "eu também odeio". Jesus odeia. E nem preciso dizer que em Jesus não existe pecado, não é mesmo?

Em 1 João 4.20 a Palavra de Deus diz: "Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê". O princípio é óbvio: quem ama a Deus também ama a seu irmão. Quem odeia a seu irmão, não ama a Deus. Quem odeia a seu irmão também odeia a Deus. A pergunta é: quem é o meu irmão? Não vou entrar na questão da paternidade de Deus, pois aqui já temos informação suficiente para que os evangélicos esquerdistas rilhem os seus dentes por longos anos.

O fato é que o ódio também pode ser compreendido como uma função do amor. Sim, é isto mesmo que você leu. O ódio é uma função do amor. Ora, qualquer coisa que coloque sob ameaça aquilo que é o objeto da minha afeição mais elevada, do meu amor mais intenso, será, automaticamente, objeto do meu ódio, da minha repulsa mais intensa. De igual modo, se eu amo a pureza, então, eu também odiarei a impureza. Se eu amo a santidade, odiarei a iniquidade. Se amo a justiça, odiarei a injustiça. Por amar a Deus acima de todas as coisas, qualquer coisa que ofenda ao objeto do meu amor será objeto do meu ódio. Como Davi, no Salmo 139, pôde dizer que odiava com ódio consumado determinadas pessoas? Ele explica: "Não aborreço eu, SENHOR, os que te aborrecem? E não abomino os que contra ti se levantam? Aborreço-os com ódio consumado; para mim são inimigos de fato" (vv. 21-22). Davi não odiava quem o odiava. Davi odiava quem odiava aquele a quem ele amava de todo o seu coração. Mas nem por isso ele se dava por justificado. Ele, sabendo da inclinação do seu coração, ainda pediu a Deus o sondasse e o livrasse de todo e qualquer caminho mau (vv. 23-24).

O nosso grande perigo é odiarmos aquilo que deve ser objeto do nosso amor e amarmos aquilo que devemos odiar. Quando o Senhor inicia em nós o processo de santificação, ele está nos moldando segundo a imagem de Jesus (Romanos 8.29), a fim de amarmos cada vez mais aquilo que é amável e odiarmos cada vez mais aquilo que é odioso. Por amarem tanto uma ideologia, esquerdistas odeiam aqueles que defendem a fé cristã histórica.

Quem ama a Deus, odeia o pecado.

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Autor: Rev. Alan Rennê Alexandrino Lima
Fonte: Perfil do autor no Facebook
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Uma agenda para o voto consciente

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“Eu tenho ouvido: ‘Não traga a religião [cristã] para a política’. É precisamente para este lugar que ela deveria ser trazida e colocada ali na frente de todos os homens como um candelabro” (C. H. Spurgeon).

Como se costuma dizer, “a política é o espaço do bem comum”, frase que pode ser entendida como uma forma de praticar o amor cristão. Afinal, é pela ação política que muitas pessoas no país podem ser beneficiadas pelo bem e pela justiça. Mas para que isso aconteça, é necessário que a prática política esteja fundamentada em valores éticos. Além disso, a transformação da conjuntura social de acordo com a cosmovisão cristã é, também, uma forma de evangelizar. Portanto, com o objetivo de propor o voto consciente e responsável aos cristãos, sugerimos alguns elementos que deverão ser considerados na hora da sua escolha eleitoral:

Sobre a agressão que um grupo cristão sofreu na UFF por parte dos militantes progressistas

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Como alguns sabem participo de grupos cristãos em universidades públicas e buscamos trazer a estes espaços aulas de apologética para os jovens e palestras sobre temas variados segundo a cosmovisão cristã.

É de conhecimento que hoje o ambiente universitário é dominado por ideologias progressistas que são essencialmente contra o cristianismo, então sabendo que a universidade é justamente o local de pluralidade de ideias, buscamos marcar presença em tais locais para expormos nossa forma de pensar.

Semana passada a Sara Winter foi convidada pelo MCU (Movimento Cristão Universitário) sob o aval de um professor a palestrar sobre o feminismo e o papel da mulher segundo a cosmovisão cristã. Fomos impedidos de estar no local acordado uma vez que os militantes fizeram barricadas na entrada do prédio e, armados com barras de ferro e máscaras, nos ameaçavam. Fomos para outro local sendo seguidos pelos militantes que percebendo que a palestra ocorreria, nos atacaram quando adentramos no prédio. Eles destruíram a fachada para entrar e nos agredir, mas conseguimos impedi-los de entrar. Não havia escolha uma vez que estávamos em dez homens e precisávamos proteger nossas mulheres contra 250~300 agressores. (veja aqui)

Ficamos presos no prédio por aproximadamente 8 horas esperando a Polícia Federal chegar e nos escoltar para fora da universidade.

Hoje me deparo com uma matéria no jornal O Globo assinada por dois professores da UFF alegando que "grupos de extrema direita" (claramente acusando o Movimento Cristão Universitário) querem invadir o espaço público em favor de proselitismos religioso.

Quero esclarecer que nossa missão nunca foi o proselitismo, uma vez que a ninguém tentamos converter ou chamar para um igreja. O Movimento Cristão Universitário não é confessional, não defende uma igreja específica, sendo composto de membros católicos e reformados, nem estávamos ali "pregando". Ora, palestrar sobre um tema comum e fundamentar os argumentos segundo nossa cosmovisão não pode ser classificado, necessariamente, como proselitismo. E aqui fica claro a deslealdade intelectual do texto publicado.

E o argumento da matéria de um espaço laico não pode ser usado. Laico se refere que nenhuma religião sobrepujará a outra ou terá preferência, garantindo espaço para todas. Em momento algum um espaço laico será um espaço ateu, ou um espaço apenas contra o cristianismo, e é justamente isso que temos visto. Uma necessidade ideológica de banir o cristianismo (e seu pensamento) de todo debate público. O que é um contrassenso uma vez que as universidades como as conhecemos são uma criação cristã, e o pensamento cientifico nunca esteve contra o pensamento teísta. Basta vermos quantos "pais" de determinadas áreas eram teístas e cristãos, e em contra partida as "sociedades ateístas" nunca foram o berço de nenhuma descoberta científica significativa. E além disso posso citar alguns benefícios sociais que são oriundos da moral judaico-cristã como direitos humanos, tão alardeados pelos progressistas, são fruto do cristianismo do qual eles se apropriaram.

Um valor moral vale por si, não pela fonte a qual ele veio a se fundamentar, o que inclui até mesmo um religioso. Se um cristão busca uma lei de ajuda aos necessitados porque compreende ser essa a vontades Deus, tal lei é tão válida quanto se fosse proposta por um indivíduo ateu que se baseia unicamente numa visão humanista/naturalista. Por isso o debate público pertence também ao cristão e pedir para que ele deixe sua fé de lado é impossível, uma vez que a concepção religiosa faz parte do indivíduo, sendo impossível sua desassociação. Seria o mesmo que retirar desse indivíduo parte de sua essência em favor de um preconceito contra sua fé e seus valores.

Então o que foi feito na UFF por parte dos militantes de esquerda contra nosso grupo representa justamente o cercear da livre expressão que a todos contempla, e com o agravo de ser por meio de agressões físicas. Uma sociedade em que apenas uma ideologia possui direito de se expressar é, nada além, de uma ditadura de opinião.

E rotular nosso posicionamento como fascista e discurso de ódio é justamente uma forma de desqualificar o argumento proposto por, antes, desqualificar o argumentador. Nada além de falácias usadas contra os cristãos.

Buscamos essencialmente que os espaços públicos sejam um local de debate de ideias sem agressões contra quem for, e as ideias devem ser debatidas e refutadas intelectualmente, nunca fisicamente.

Que o Senhor abençoe a nossa nação.

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Autor: Felippe Chaves
Divulgação: Bereianos

Veja também: A intolerância e o ódio da esquerda nas universidades. Texto do Pr. Franklin Ferreira sobre o fato ocorrido.
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Quando sua vocação não é ser Pastor

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O ministério pastoral é uma tarefa extremamente difícil. Seria difícil para qualquer um encontrar um pastor que não tenha parado para pensar em como sua vida seria se ele tivesse que fazer alguma outra coisa da vida. O amor a Deus, à Sua igreja e ao Seu povo é um pré-requisito fundamental para todo pastor, mas se o pastor não ama a obra do ministério, ele logo perderá a esperança e a motivação necessárias para perseverar. Pastores sem vocação, sem dons e qualificações são os principais candidatos a fracassarem tragicamente. Existem inúmeros livros e artigos disponíveis para ajudar a convencer os homens a se ingressarem ou a continuarem no ministério. Mas, não há muita coisa escrita para ajudar um homem a discernir se é hora de deixar o ministério. Vamos apresentar agora algumas coisas a serem consideradas ao se procurar discernir se é hora ou não de seguir em frente no ministério:

QUESTÕES SOBRE A PREGAÇÃO

A princípio, entre os meios comuns da graça, a pregação é extremamente importante. Pregadores honestos admitirão que todos nós temos sermões bons e ruins; mas, se nossos dons espirituais verdadeiramente são o que nós afirmamos que eles são, devemos prover com mais frequência conhecimento útil da Palavra de Deus que inspire mais estudos e uma devoção mais profunda para aqueles que nos ouvem. Nem tudo o que faremos será como um “golaço”, mas, se não tivermos pelo menos um resultado consistente, talvez devamos considerar se o ministério pastoral é aquilo no qual melhor nos encaixamos. Em um dia em que muitas igrejas estão sem pastor, é fácil ignorar indícios sérios de que um homem possa não ser apto para a pregação regular. Isso de forma alguma tem a ver com dizer algo sobre sua piedade, sua busca pela santidade, ou sobre seu entendimento e o amor pelas Escrituras. Nem mesmo tem a ver com questionar seu zelo pela pregação e pelo ensino. Por exemplo, embora eu tenha grande zelo pelas qualificações de um jogador profissional de golfe, meus dons nessa área em particular são, no mínimo, insuficientes,

Muitos líderes da igreja não estão dispostos a dizer aos jovens que aspiram ao ministério que eles simplesmente não possuem os dons. As igrejas devem ser mais exigentes ao enviar um homem ao seminário, e os professores do seminário também devem ser honestos com eles sobre se eles devem considerar servir em outras áreas. Muitas vezes se assume que falar tais coisas é difícil ou ser crítico demais - ou, um homem pode até ser um pregador ou um mestre ruim agora, mas com tempo suficiente, ele irá melhorar. Talvez ele faça avanços, mas o melhor ambiente para fazê-los está em uma classe de homilética ou ocupando púlpitos como um seminarista, e não depois de ter recebido da sua própria congregação o chamado para estar no púlpito todos os domingos. Às vezes, as igrejas assumem que, que só porque um homem é um professor talentoso de escola dominical ou um líder de um pequeno grupo, ele é qualificado para ser um pregador. A pregação semanal no púlpito é uma tarefa muito diferente do que dar aulas de Escola Dominical. Sugerir o contrário é ser desonesto tanto com o homem quanto com a congregação na qual ele é chamado a servir. 1 Timóteo 3.1 diz: “Fiel é a palavra: se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja.” E, desde que um homem seja piedoso, muitas vezes não se está disposto a considerar se suas aspirações para o ministério são compatíveis com o ser “apto para ensinar” (1 Timóteo 3.2). Às vezes, é difícil dizer a alguém que ele não é o que ele pensa que é. No entanto, as ruínas de um ministério fracassado são muito piores do que sentimentos feridos e são um apelo a uma séria autoavaliação.

O CUIDADO COM O CORPO DE CRISTO

Um homem pode ter o dom de falar com grande eloquência num púlpito, e não possuir os dons necessários para cuidar do povo de Deus na gama mais ampla da obra pastoral, como aconselhamento e visitas. Muito poucos pastorados são voltados apenas à pregação, e poucos são aqueles que não exigem que um homem dispense uma quantidade significativa de tempo cuidando do corpo de Cristo. Pastores que não estão dispostos e que não são capazes de se encontrar com pessoas na igreja para fornecer aconselhamento bíblico, visitá-las no hospital, sentar-se ao lado delas no leito da morte, ou se alegrar com elas diante do nascimento de uma criança ou diante de um importante marco da vida é provável que não sejam bons para o ministério pastoral. Repito, isso não quer dizer nada de negativo em relação à sua piedade e à sua aspiração, mas diz respeito a como Deus tem ou não tem lhe dado esses dons.

PASTORES AUXILARES

Alguns homens podem não ter dons para serem pregadores, mas são hábeis professores de estudos bíblicos, conselheiros bíblicos habilidosos e possuem excelentes habilidades organizacionais. Infelizmente, esses dons importantes são muitas vezes minimizados - tornando a função de um pastor auxiliar muito menos desejável para um homem do que a tarefa de subir ao púlpito semanalmente. Jason Helopoulus explicou que “bons pastores auxiliares são difíceis de encontrar”[1]. A maioria dos que formam no seminário não se candidatam às igrejas com a intenção expressa de assumir e permanecer em uma função de auxiliar. Muitas posições de pastor auxiliar são consideradas como que uma espécie de estágio probatório para que o pastor auxiliar eventualmente substitua o pastor titular ou para que ele seja enviado para outro ministério. Mas para alguns homens, ser um pastor auxiliar é a melhor forma de servir a igreja. Na realidade, muitas igrejas falhariam miseravelmente sem a atenção cuidadosa aos detalhes e habilidades organizacionais que um bom pastor auxiliar geralmente oferece.

A RECUSA EM DEIXAR O PASTORADO

Todo pastor tem dias, semanas, meses e anos ruins de ministério e pode ser tentado a sair. A resposta nem sempre é “você não deve sair”. Alguns homens podem ter um forte senso de que, na verdade, não são qualificados para o ministério pastoral. No entanto, eles se recusam a sair. Uma das razões pelas quais muitos dos que devem deixar o pastorado permanecem é porque foram investidos muito tempo e dinheiro para ajudá-los a ingressar no pastorado. Além disso, muitos se perguntarão o que mais eles estão qualificados a fazer? As igrejas confiaram as almas das pessoas a este homem e dependem dele para perseverar. A igreja não precisa dele? E quem já não ouviu a ideia de que ministério pastoral é diferente de qualquer outra carreira porque é um “chamado”? E, uma vez que um homem tem um “chamado”, como pode abandoná-lo? Outros se fecham no pastorado por medo dos outros ou porque têm uma compreensão não bíblica do chamado ao ministério.

SERÁ QUE É A HORA?

Durante uma fase particularmente difícil de ministério, um mentor aconselhou-me com sabedoria a nunca tomar grandes decisões quando as coisas são as piores possíveis. Às vezes, um pastor só precisa passar pelo fogo da provação, pois ele é o meio que Deus para nos tornar mais parecidos com Cristo. Então, antes de decidir sair, siga alguns passos primeiro:

1. Ore, pedindo a Deus a sabedoria que você precisa. Todo pastor deve ter alguma senso de que Deus o chamou para o ministério; mas, podemos facilmente interpretar mal um desejo ou interesse pelo ministério com ser apropriadamente dotado de dons e vocacionados por Deus ao ministério. Acima de tudo, precisamos que Deus nos esclareça o que podemos fazer para ser o mais útil possível para a Sua igreja, mesmo que isso signifique servir em outra competência.

2. Fale com sua esposa e com anciãos - eles devem ser os mais honestos com você. Estas são as pessoas que Deus chamou para ajudá-lo a navegar pelas águas difíceis do ministério e da vida. E, se seus anciãos são o tipo de homens que Deus quer que eles sejam, eles avaliarão amorosamente, graciosamente e honestamente seus dons com você para ajudá-lo a determinar se você está ou não fazendo o que é certo. Talvez você seja mais adequado para ser um pastor auxiliar ou a servir em outro ministério dentro da igreja.

3. Certifique-se de que não está se afastando só porque é difícil. Você nunca será um Charles Spurgeon no púlpito - só existiu um Charles Spurgeon. Mas, só porque pregar semanalmente é uma tarefa difícil, e só porque as sessões de aconselhamento nem sempre saem como você espera, e só porque as pessoas deixam a igreja e dizem coisas desagradáveis ao sair não significa que seus dons estejam em falta. Os ministérios em que Deus chamou seus homens para servir serão repletos de dificuldades. Afinal, as pessoas que nós pastoreamos são muito semelhantes a nós - pecaminosas, quebradas e carentes de muito perdão e graça. Além disso, haverá muitos desafios exteriores por cauda do mundo e do diabo. Quando Paulo queria dar a Timóteo uma ilustração para o ministério, ele usou a figura de um campo de batalha (1 Timóteo 6.12) por causa da força que ele teria que suportar.

4. Tente discernir se você está ou não deprimido e precisa de uma pausa. Encontre um conselheiro bíblico que você possa confiar e deixe-o ajudá-lo a “percorrer” os caminhos dos seus pensamentos. No final, você pode achar que seu problema não é o ministério, mas algo mais sobre o qual você não tomou tempo para pensar. Você simplesmente precisa de tempo livre ou de férias para ajudá-lo a ser realinhado. Mesmo Charles Spurgeon teve que ir ao litoral para passar longos períodos por cauda de deficiências de saúde e vigor (para mais informações sobre as aflições de Spurgeon, leia o livro, “A Depressão de Spurgeon” de Zack Eswine).[2]

Se você fez essas coisas e ainda tem a sensação de que é hora de se afastar, faça isso de uma maneira gentil, paciente e sábia perante Deus e Seu povo. Não importa quão óbvio seja para os outros que seja hora de você seguir em frente, inevitavelmente haverá alguns que ficarão surpresos e outros que ficarão magoados pela sua decisão. Embora você não possa viver para agradar a todos, você pode trabalhar para ajudá-los a entender por que se afastar não é apenas bom para você, mas para toda a igreja. Sempre que possível, procure ser uma benção para o homem que ocupará o púlpito depois de você. Fazendo assim, talvez você ache que Deus usa sua humildade para trazer uma grande colheita no tempo que se segue.

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Notas:

[1] Jason Helopoulos. A good assistant pastor-easier said than done. Disponível em: http://www.christwardcollective.com/christward/a-good-assistant-pastor-easier-said-than-done#.WmNuoh_Qc2z
[2] Zack Eswine. A Depressão de Spugeon. Disponível para comprar em: https://www.editorafiel.com.br/vida-crista/146-a-depressao-de-spurgeon.html

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Autor: Nicholas Kennicott
Fonte: Reformation 21
Tradução e notas: Bruno dos Santos Queiroz
Divulgação: Bereianos
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Filmes, Séries e o Cristão Cinéfilo

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Eis um dos assuntos que lideram o ranking dos mais falados entre os jovens cristãos. Sendo a Bíblia nossa regra de fé e prática, por que tirá-la de cena, ao tratar o assunto? Convém imitar as experiências pessoais de um “famoso da teologia” ou acatar as indicações do escritor de uma obra teológica fabulosa, de olhos vendados? Cabe saber quem lhes deu o papel de diretor das escolhas de alguém que têm a Palavra de Deus como script imutável da vida. Somos protestantes e temos acesso livre às Escrituras, não seguimos um papa, portanto somente uma interpretação bíblica cuidadosa importa.

Existem filmes produzidos por cristãos (poucos) e filmes produzidos por ímpios. Nos filmes produzidos por cristãos, os problemas não são as cenas de nudez, mas textos bíblicos mal interpretados, cabe a estes o mesmo cuidado que devemos ter com filmes produzidos por não cristãos com censura livre, nos quais não contêm cenas de sexo, nudez ou linguagem obscena (em sua maioria), mas podem ter por trás uma ideologia contrária às Escrituras. Para quem estuda a Palavra de Deus, o mais comum é identificar e condenar aquilo que está em desacordo com a mesma. Ao assistir a filmes cristãos, o bom senso não pode ser dispensado, pois é necessário para alertar um não cristão das cenas em que a teologia é trocada pela psicologia ou nas quais o texto bíblico recebeu uma interpretação não ortodoxa e defender a verdade bíblica, se por acaso o filme ferir aquilo que é essencial. Existem filmes voltados ao público infantil com forte apologia ao homossexualismo e outras práticas que a Bíblia condena claramente, é importante que os pais verifiquem o filme antes de deixar que a criança veja, porque ela pode não ter maturidade suficiente para filtrar essas ideologias antibíblicas.

O que você faz quando seu casamento azeda?

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Phil e Emily não vieram para encontrar ajuda na resolução dos problemas no casamento deles, embora tenham ligado para capelão para pedir aconselhamento matrimonial. Realmente, suas mentes já estavam feitas – eles tinham decidido obter o divórcio. Todavia, eles eram Cristãos e sabiam que o divórcio era errado visto que eles não tinham fundamentos bíblicos para ele. Não tinha havido nenhum adultério, nenhuma deserção; somente “um enorme sofrimento”. “Se pudermos apenas fazê-lo concordar que continuar neste casamento é uma impossibilidade”, eles pensaram, “então talvez ele seja capaz de nos mostrar como em nosso caso Deus fará uma exceção à Sua lei”. Era assim que eles estavam raciocinando internamente quando no primeiro encontro contaram suas estórias para o Capelão Cunningham.

Quatro promessas para cristãos que sentem atração homossexual

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Sou casado, pai e pastor e desde que eu possa me lembrar, tenho experimentado desejos por pessoas do mesmo sexo. Embora eu sempre tenha sido atraído, tanto fisicamente, quanto romanticamente, por mulheres, eu também nunca deixei de sentir profundas atrações, tanto sexuais, quanto emocionais, por homens.

Muitos em nossa cultura iriam querer rotular pessoas como eu como “bissexuais”, mas eu acredito que Jesus tenha dito algo melhor.

“Sinto, logo...”

A ética sexual, em geral, de nossos dias é “Sinto, logo existo”. Vemos isso claramente nas discussões atuais sobre “identidade de gênero”. Os proponentes das chamadas “identidades de gênero não-binárias” sugerem que, se alguém se sente de um gênero contrário ao do seu sexo biológico, ele pertence à uma identidade que se correlaciona melhor com os seus sentimentos. Da mesma forma, muitos na nossa cultura pensariam em pessoas como eu a partir da ideia de que se você sente desejos homossexuais, logo você é homossexual.

Muitas vezes, ouvimos declarações como: “Você não pode escolher quem você ama; seja verdadeiro consigo mesmo”. Ou, “Pare de esconder seus sentimentos e abrace quem você realmente é”. Essas declarações significam que seus desejos sexuais realmente o definem. Seus desejos determinam sua definição. Suas atrações sexuais são quem você realmente é no cerne do seu ser.

A Bíblia, no entanto, não ensina: “Sinto, logo existo”, mas sim, “Sinto, logo careço”. Como resultado da queda, nossos corações estão fora de ordem e são sombrios (Romanos 1.21). Ao invés de amar a luz e odiar as trevas, amamos as trevas e odiamos a luz (João 3.19). E quando nos apaixonamos pelas trevas, pecamos e escolhemos o caminho da morte (Tiago 1.14-15, Provérbios 14.12).

Em resumo, ser humano em um mundo caído significa ser atraído por coisas que são contrárias ao crescimento do homem em Deus, coisas que são contrárias ao bom plano de Deus para nós, coisas que conduzem à morte. Sinto essas atrações pelo pecado, logo, eu careço de um Salvador.
        
Como tenho lutado diariamente contra a atração por pessoas do mesmo sexo, quatro promessas particulares têm sido como “tiros certeiros da graça” em minha luta pela alegria.

Liberdade da Punição da Atração Homossexual
       
Os cristãos que lutam contra desejos por pessoas do mesmo sexo muitas vezes se sentem especialmente embaraçados e envergonhados por causa desses desejos. Sentimos a perversão de nossas vontades e desejos distorcidos e, como resultado, muitas vezes nos sentimos muito sujos para estar em comunidade com os outros, ou para estar em comunhão com Deus.
       
Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.” (Romanos 8.1). Cristãos, Deus nunca usará sua atração por pessoas do mesmo sexo contra você. Visto que Cristo tomou o cálice cheio da ira de Deus em seu favor (Romanos 5. 8-9; 1 Pedro 3:.8), você nunca experimentará em nenhum momento o juízo de Deus sobre seus desejos homossexuais, ou sobre qualquer outra coisa.

Liberdade do Poder da Atração Homossexual
       
Muitas vezes, os cristãos que experimentam desejos homossexuais sentem-se desamparados e desesperados com o poder desses desejos. À medida que as atrações se intensificam, as tentações se aprofundam e as fantasias - como uma miragem de água fria em um deserto - parecem cada vez mais atraentes, o desejo por uma relação com alguém do mesmo sexo pode ser tão potente que parece quase impossível de ser vencido. 
       
Cristão, por causa da obra realizada por Cristo na cruz, suas atrações por pessoas do mesmo sexo não têm mais domínio sobre você (Romanos 6.14); Cristo tem domínio sobre você agora (Romanos 6.22; Efésios 6.6). Visto que você foi crucificado com Cristo (Gálatas 2.20), você não é mais escravo dos seus desejos, você é totalmente livre para rejeitar seus desejos e torná-los impotentes em sua vida (Romanos 6.6-7). 
       
Mesmo em seus momentos de maior tentação, considere-se morto para os desejos homossexuais e viva para Deus através da fé em Jesus Cristo (Romanos 6.11).

Liberdade do Prazer da Atração Homossexual
        
A principal mentira que a atração homossexual nos diz é que uma experiência com alguém do mesmo sexo será mais prazerosa e mais satisfatória do que o que você está experimentando aqui e agora. Mas Deus promete que o próprio Cristo é infinitamente mais prazeroso e satisfatório do que qualquer coisa que este mundo tenha a oferecer (Salmo 16.11; Salmos 107.9), incluindo a falsa salvação da experiência homossexual.
       
Cristão, não acredite nas mentiras que a atração homossexual te diz. Nossas atrações homossexuais podem resultar de bons desejos de intimidade e amor, mas o pecado distorceu esses desejos em uma direção mortal. Assim como um espelho distorcido remodela a realidade e convence o olho de que as coisas parecem diferentes do que realmente são, o pecado remodela nossos desejos e vontades, e convence o coração de que a mentira é, na realidade, a verdade. Não acredite no espelho divertido da atração homossexual.
       
Os desejos que Deus te deu por satisfação profunda e íntima só podem ser cumpridos na pessoa de Jesus Cristo (João 6.35; Salmos 22.26).

Liberdade da Presença da Atração Homossexual
        
Talvez a coisa mais difícil para os cristãos que experimentam desejos homossexuais seja o fato de que esses sentimentos não desaparecem da noite para o dia, ou ao longo de meses, ou, muitas das vezes, nem mesmo durante toda a vida. Embora Deus tenha nos dado armas poderosas para combater o pecado - como a oração e o jejum - ainda devemos viver em nossos corpos caídos com nossas vontades e desejos perversos como nossa realidade sempre presente. Mas essas vontades e desejos têm um prazo de validade.
       
O crente, seu corpo, incluindo suas atrações e desejos pelo pecado, um dia serão finalmente e totalmente redimidos (Romanos 8.23). Quando essa redenção acontecer, em um instante, você nunca mais terá uma atração errada novamente, porque todos os seus desejos de intimidade e amor serão completamente cumpridos em Jesus Cristo.
       
Se você é um cristão lutando contra atrações por pessoas do mesmo sexo, saiba que você não é definido pelo seu pecado. Sua identidade não é determinada pelas suas tentações. “Abrace quem você realmente é” abraçando a Jesus Cristo e sua nova vida encontrada nele (2 Coríntios 5.17). “Seja verdadeiro consigo mesmo”, agarrando-se à própria verdade (João 14.6) e desfrutando das liberdades que Cristo, por meio de seu sangue, comprou para você.

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Autor: Christopher Asmus (Twitter: @ChrisAsmus) é pastor na Vertical Church St. Paul, uma nova igreja em St. Paul, MN. Christopher tem uma família feliz: é casado com Alexandria, com quem tem um filho chamado Haddon. 
Fonte: desiringGod
Tradução: Bruno dos Santos Queiroz
Divulgação: Bereianos
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“Eu sigo Cristo e não religião!” Como assim?

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O ser humano adora clichês – e falar em relacionamento com Cristo e em não ter religião é um dos que mais encontrou eco na nossa geração. Mas esse é um clichê vazio de significado. Na verdade é uma tolice que virou mantra.

A igreja, pastor, cristão... que oferece aos homens “um relacionamento com Cristo” – estão atrasados e fora da realidade.

A palavra religião se tornou completamente pejorativa na boca de muitos pregadores de hoje, e como se era óbvio de esperar, se espalhou pelos bancos das igrejas e redes sociais. Pregadores, bem intencionados ou não – sei lá – se dispuseram a fazer um trabalho duro e muito longo para retratar religião como uma roupa negra de regulamentos e regras. Então, Cristo é apresentado como uma alternativa completamente nova a tudo o que a vilania da religião representa. Então, um clichê quase virou um versículo bíblico: “Cristianismo não é religião, é relacionamento!”

Toda a ideia é um tanto superficial. Você não tem que fazer rituais estranhos, raspar a cabeça, se vestir estranho, usar gravata... para ser “religioso” – Um grupo de pessoas – não importa como eles sejam, abraçando um determinado conjunto de crenças qualifica-se como religião. Na verdade, todas as pessoas são religiosas de alguma maneira.

Ateus, por exemplo, são muito mais religiosos do que supostamente “racionais – em sua fé obstinada de incredulidade em algo, quando abraçam a fé em outras determinadas coisas e pressupostos – insistindo no nada racional – “o nada criou tudo!”

Não se engane, você é religioso quando repete a crença de um grupo que inventou um clichê, e que repete junto que não é religioso, mas que tem um relacionamento. Você é religioso, mesmo quando nega enfaticamente que é religioso. Na verdade, Paulo diz em Romanos 1 que todos os homens estão adorando e cultuando algo.

A questão primordial, na verdade, é se a religião – não importa se agora você odeia o nome – que você abraça é verdadeira ou falsa. Se ela glorifica a Deus ou o ofende. Se lhe dá glória ou “rouba” Sua glória.

A Bíblia lança luz sobre isso o tempo todo – definindo uma religião pura que reflete o correto relacionamento com Deus. A Bíblia não se furta em dizer: “A religião pura e imaculada é esta...

O Cristianismo bíblico, ou a religião divina, é uma questão de tendo sido regenerado e levado a Cristo pelo Espírito, ser levado a uma vida de santa obediência à Palavra de Deus – que é refletida em um enfrentamento com honestidade do que nós somos – moralmente falidos e dependentes da Graça soberana, que chama, regenera, dá o arrependimento, santifica... nosso interesse pela igreja de Cristo e pelo próximo é uma posição espiritual e moral intransigente em relação ao mundo e sua cultura que religiosamente adora a tantos deuses quanto é possível o homem criar.

A religião pura – que Tiago descreve, por exemplo – é o transbordar de um coração humano regenerado e por isso, em correta relação com o Deus único e Verdadeiro, Pai, Filho e Espírito Santo. Portando, sendo levado pelo amor que esse novo coração tem pela Nova Aliança, a obediência alegre e cheia de deleite à Sua Palavra.

A ideia de que o cristianismo não é religião, mais um relacionamento – essa frase – não faz nenhum sentido. É vazia.

A religião que um homem pratica (e todo homem pratica) depende, e é um reflexo do nosso relacionamento com o Deus verdadeiro. (E todo homem tem um).

Como dissemos no início, a igreja, pastor, cristão... que oferece aos homens “um relacionamento com Cristo” – estão atrasados demais e fora da realidade.

O ponto claro e evidente que parece que os repetidores de clichês evangélicos perderam, é que todos os homens estão num relacionamento com Deus, com Jesus... A questão apenas é se é um relacionamento bom ou ruim... todas as criaturas estão num relacionamento com Deus para o bem ou para o mal.

No que diz respeito aos homens, a Bíblia define o relacionamento do homem com Deus em duas categorias:
  1. Aqueles que são seu inimigos.
  2. Aqueles que eram inimigos e foram reconciliados por Graça Soberana.

Alguém me perguntou: “Como alguém pode ter um relacionamento com alguém que não conhece?” - Paulo responde: “Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se veem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis; Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu.” - Romanos 1:19-21 - (Deus! Pai, Filho e Espírito Santo!)

A Regeneração, Chamado Eficaz, arrependimento e conversão é a transição entre estar num relacionamento com Ele ou no outro.

Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida. E não somente isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual agora alcançamos a reconciliação.” - Romanos 5:10,11

Você vê – antes de sermos chamados, não estávamos sem um “relacionamento” com Deus... vivendo uma vida neutra... estávamos nos relacionando com Ele... como inimigos. E sendo religiosos, como todo ser humano, de forma errada – expressando nossa inimizade e desprezo a Ele.

Em Adão todos nascemos rebeldes contra Deus – nos relacionamos com Ele como Caim se relacionava... e todos os homens que já nasceram. Essa relação pessoal era tal, que estávamos debaixo da Ira infinita de Deus. Cada coisa que você fazia em toda a sua vida fora de Cristo se relacionava a Deus e era feita num relacionamento de inimizade contra Ele. Toda a obra de salvação cai num vazio, quando a reduzimos a um convite simplesmente a um “relacionamento”.

O problema humano JAMAIS FOI UMA FALTA DE RELACIONAMENTO COM DEUS! O problema era um relacionamento hostil – de nossa parte, e da parte d'Ele em relação a nós. É isso que torna a Graça Soberana tão surpreendente: “Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também.” - Efésios 2:3

Então o problema era o tipo de relacionamento pessoal que tínhamos com Ele – inimigos e hostis! – E esse é o estado ainda de todo homem que está fora de Cristo – debaixo da Ira infinita, neste relacionamento inevitável com Deus.

É por isso que a pregação não é descrita como formar um relacionamento, mas como uma mudança de relacionamento. Nosso ministério não é o ministério de relacionamento – pois relacionamento já existe – nosso ministério é “o ministério da reconciliação” ( 2 Co 5.18 ) – Através da expiação e propiciação o status do relacionamento pode ser mudado.

Se você falar que o cristianismo não é uma religião, mas um relacionamento, você criou uma dicotomia totalmente falsa e enganadora. Porque o que você está oferecendo é a escolha entre religião ou um relacionamento. Mas a divisão que existe é entre falsa e verdadeira religião, e um relacionamento reconciliado pela expiação e propiciação e um relacionamento de inimigos debaixo da Ira.

Quando o homem é reconciliado pela obra soberana de Cristo, então a religião pura e imaculada começa.

Essa é a tragédia em andarmos por clichês, eles obscurecem a verdade. Para diferenciar coisas, precisamos de profundas raízes bíblicas e perspicaz discernimento da Palavra. Clichês são “boas ideias” (assim achamos quando os inventamos) – que soa tão bem exatamente por seu distanciamento da verdade – a mente natural logo os começa a reproduzir – enquanto que normalmente acha difícil e não gosta das profundas definições bíblicas.

Os clichês se tornam populares da mesma forma que as falsas promessas de políticos, falsos pregadores, falsos profetas... não são verdade, mas nós já queríamos acreditar naquilo... então acreditamos quando alguém diz o que queríamos que fosse dito.

Precisamos pensar tão somente e claramente em termos bíblicos – Sem novos insights, clichês ou frases de efeito. A Palavra basta. Sola Scriptura!!

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Autor: Josemar Bessa
Fonte: Site do autor
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O que é masculinidade biblicamente qualificada?

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Vivemos numa época em que a noção de masculinidade é completamente ignorada e terrivelmente distorcida. Não são poucas as vezes em que vemos na TV, os homens, especialmente os pais, como tolos, incompetentes e fracos, enquanto seus filhos parecem fontes de sabedoria. Ou então, os homens são vistos como valentões que usam de sua força para ameaçar e intimidar. Na verdade, as estrelas masculinas de Hollywood no esporte e na música, não são diferentes disso na vida real. A maioria destes famosos não parece ter o desejo de cuidar de sua mulher nem de suas próprias crianças. São abusivos, imaturos; adolescentes presos em corpos de homens-feitos; são efeminados e fracos – física, psicológica e espiritualmente. Hoje em dia, infelizmente, modelos de masculinidade são raros na sociedade em geral.

Meu Pai Me Ensinou a Como Morrer

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Será que nos atreveríamos a pensar na morte como uma vocação? O autor de Eclesiastes fez esta declaração:


Tudo tem o seu tempo determinado, e há o tempo para todo propósito debaixo do céu: há tempo de nascer e tempo de morrer.” (Ec. 3.1, 2a) 

Da mesma forma, o escritor de Hebreus diz:

E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois, o juízo.” (Hb 9.27)

A Escritura fala da morte em termos de um “propósito debaixo do céu” e de “ordenamento”. A morte é um ordenamento divino. É parte do propósito de Deus em nossas vidas. Deus chama pessoas para morrer. Ele é soberano sobre tudo da vida, incluindo a experiência final de vida. 

Estou ciente de que há professores nos dizendo que Deus não tem nada a ver com a morte. A morte é vista estritamente como um dispositivo demoníaco do Diabo. Toda dor, doença, sofrimento e tragédia são atribuídos ao Maligno. Deus é absolvido de qualquer responsabilidade. Essa visão é formulada para se certificar de que Deus seja absolvido da culpa por qualquer coisa que dê errado neste mundo. “Deus sempre deseja curar”, nos é dito. Se essa cura não acontece, então a culpa recai sobre Satanás - ou a nós mesmos. A morte, eles dizem, não é o plano de Deus. Ela representa a vitória de Satanás sobre o Reino de Deus.

Tais visões podem trazer alívio temporário para o aflito. Mas elas não são verdadeiras. Elas não têm nada a ver com o cristianismo bíblico. Em um esforço para absolver Deus de qualquer culpa, eles fazem isso à custa da soberania de Deus.

Sim, existe um Diabo. Ele é o nosso arqui-inimigo. Ele fará qualquer coisa ao seu alcance para trazer miséria para as nossas vidas. Mas Satanás não é soberano. Satanás não guarda as chaves da morte. 

Quando Jesus apareceu em uma visão a João na ilha de Patmos, ele se identificou com estas palavras:

Não temas; eu sou o primeiro e o último e aquele que vive; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e do inferno.” (Ap. 1.17, 18)

Jesus segura as chaves da morte. Satanás não pode apanhar essas chaves de suas mãos. O pulso de Cristo é firme. Ele segura as chaves, porque são propriedades dele. Toda a autoridade no céu e na terra foi dada a ele. Essa autoridade inclui toda a autoridade sobre a vida e toda a autoridade sobre a morte. O anjo da morte está à disposição e chamado dele. 

Acima de todo sofrimento e da morte está o Senhor crucificado e ressurreto. Ele derrotou o último inimigo da vida. Ele venceu o poder da morte. Ele nos chama para morrer, mas esse chamado é um chamado à obediência para a transição final da vida. Por causa de Cristo, a morte não é o final. É uma passagem de um mundo para o outro. 

Eu nunca esquecerei as últimas palavras que o meu pai disse para mim. Estávamos sentados juntos no sofá da sala. O seu corpo havia sido arruinado por três derrames. Um lado do seu rosto estava distorcido pela paralisia. Seu olho e lábio do lado esquerdo pendiam de maneira incontrolável. Ele falou comigo com uma pronúncia pesada. Suas palavras eram difíceis de entender, mas o seu significado estava muito claro. Ele proferiu estas palavras: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé”.

Essas foram as últimas palavras que ele me falou. Horas mais tarde, ele sofreu a sua última hemorragia cerebral. Encontrei-o caído no chão, um fio de sangue escorrendo no canto da sua boca. Ele estava em coma. Misericordiosamente, ele morreu um dia e meio depois, sem recuperar a consciência. 

Enquanto as suas últimas palavras para mim foram heroicas, minhas últimas palavras para ele foram covardes. Eu protestei suas palavras premonitórias. Eu disse de forma rude: “Não diga isso, pai”. 

Há várias coisas que eu disse em minha vida que desejo desesperadamente que não tivesse dito. Nenhuma das minhas palavras é mais vergonhosa para mim do que essa. Mas as palavras não podem ser trazidas de volta, assim como uma flecha acelerando após a corda do arco ter vibrado em lançamento pleno. 

Minhas palavras foram repreensão a ele. Eu me recusei a lhe permitir a dignidade de um último testemunho para mim. Ele sabia que estava morrendo. Eu me recusei a aceitar o que ele já havia aceitado graciosamente. 

Eu tinha 17 anos. Não sabia nada sobre a morte. Não foi um ano muito bom. Eu vi meu pai morrer um pouco de cada vez durante um período de três anos. Eu nunca o vi reclamar. Nunca o ouvi protestar. Ele sentava na mesma cadeira dia após dia, semana após semana, ano após ano. Ele lia a Bíblia com uma lupa enorme. Eu estava cego para as ansiedades que deve tê-lo atormentado. Ele não podia trabalhar. Não havia renda nenhuma. Nenhum seguro por invalidez. Ele sentava lá, esperando morrer, observando as suas economias da vida esvaírem-se juntamente com a sua própria vida. 

Eu estava zangado com Deus. Meu pai não estava zangado com ninguém. Ele viveu os seus últimos dias fiel à sua vocação. Ele combateu o bom combate. Um bom combate é um combate travado sem hostilidade, sem amargura, sem autopiedade. Eu nunca havia estado em um combate assim. 

Quando meu pai morreu, eu não era cristão. A fé era algo além da minha experiência e além da minha compreensão. Quando ele disse, “guardei a fé”, não me dei conta do peso de suas palavras. Eu me fechei para elas. Eu não tinha ideia de que ele estava citando a última mensagem do apóstolo Paulo para o seu discípulo amado, Timóteo. O seu testemunho eloquente foi desperdiçado comigo naquele momento. Mas não agora. Agora eu compreendo. Agora eu quero perseverar como ele perseverou. Quero completar a carreira e terminar o percurso como ele fez antes de mim. Não tenho nenhum desejo de sofrer como ele sofreu. Mas quero guardar a fé como ele guardou. 

Se meu pai ensinou alguma coisa, foi a como morrer. Meu pai completou a carreira porque Deus o chamou a completa-la. Ele terminou o percurso porque Deus estava com ele ao passar por cada obstáculo. Ele guardou a fé porque a fé o guardou. 

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Autor: R. C. Sproul
Fonte: GUTHRIE, Nancy. Antes de Partir: Encarando a Morte Com Confiança Corajosa em Deus. São José dos Campos, SP: Fiel, 2013, pp. 75-79
Divulgação: Bereianos
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Os perigos de uma igreja que não te disciplina

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Disciplina eclesiástica (Mateus 18.15-20) é muitas vezes confusa, custosa e danosa. Quando um crente tem de ser publicamente afastado da igreja local, a dor sentida costuma ser inigualável.

Ainda assim, quando praticada biblicamente, ela é biblicamente consistente com o amor, o cuidado, e a obediência bíblica a Cristo. Mark Dever acertadamente afirmou que a disciplina eclesiástica é “um amoroso, provocativo, atrativo, distinto, respeitoso e gracioso ato de obediência e misericórdia, e ajuda a construir uma igreja que traz a glória de Deus”. Nessa mesma linha, um amigo meu foi biblicamente disciplinado para fora de uma grande igreja, e, até os dias de hoje, admite que isso foi uma das melhores coisas que já aconteceu com ele. Mas, mais importante, isso é uma questão não negociável no tipo de Igreja que Deus deseja.