Review | A Alma do Mundo  - A experiência do sagrado contra o ataque dos ateísmos contemporâneos, de Roger Scruton

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A Alma do Mundo — A experiência do sagrado contra o ataque dos ateísmos contemporâneos. Autor: Roger Scruton. Rio de Janeiro. Ed. Record, 2017.

Confesso que essa foi a publicação que mais aguardei neste ano. Roger Scruton é um dos meus filósofos contemporâneos favoritos. Meu contato com os textos do filósofo se deram ainda na faculdade, quando comecei a ler sobre conservadorismo. Desde então tenho acompanhado suas publicações.

Lições Bíblicas para Liderança na Igreja Local - Parte 2/2

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A Liderança de Moisés

Moisés foi o maior líder do povo de Deus depois de Jesus. A história desse homem de Deus nos ensina grandes e valiosas lições. Esse espaço não comportará as inúmeras aplicações que podemos extrair da vida de Moisés. O livro de Êxodo nos mostra o nascimento de Moisés, como Deus preservou sua vida, como a providência guiou a vida deste homem para ser o grande líder do povo de Deus. Moisés enfrentou várias dificuldades em sua liderança. A idolatria do povo construindo um bezerro de ouro, a revolta de seus irmãos Arão e Miriã, a sedição do povo, a rebelião de Corá, Natã e Abirão, a murmuração do povo. O salmo 78 nos mostra com riqueza de detalhes como o povo de Israel foi rebelde no deserto. Moisés foi um líder que orava pelo povo, rogava a misericórdia de Deus, até mesmo quando seus irmãos erraram Moisés pediu por Miriã que estava leprosa.

Clamou, pois, Moisés ao Senhor, dizendo: Ó Deus, rogo-te que a cures. E disse o Senhor a Moisés: Se seu pai cuspira em seu rosto, não seria envergonhada sete dias? Esteja fechada sete dias fora do arraial, e depois a recolham, (Números 12.13,14).

Moisés tinha um coração pastoral, mesmo diante da ingratidão e sedição dos seus liderados ele demonstrava amor por eles. Quando Deus desejou destruir o povo por causa do bezerro de ouro, Moisés também intercedeu por eles:

Moisés, porém, suplicou ao Senhor seu Deus e disse: Ó Senhor, por que se acende o teu furor contra o teu povo, que tiraste da terra do Egito com grande força e com forte mãoPor que hão de falar os egípcios, dizendo: Para mal os tirou, para matá-los nos montes, e para destruí-los da face da terra? Torna-te do furor da tua ira, e arrepende-te deste mal contra o teu povo. Lembra-te de Abraão, de Isaque, e de Israel, os teus servos, aos quais por ti mesmo tens jurado, e lhes disseste: Multiplicarei a vossa descendência como as estrelas dos céus, e darei à vossa descendência toda esta terra, de que tenho falado, para que a possuam por herança eternamente. Então o Senhor arrependeu-se do mal que dissera que havia de fazer ao seu povo, (Êxodo 32.11-14).

Quantas coisas podemos aprender com esse homem de Deus! Um pastor que orava pelo seu rebanho, um líder que suportava a afronta. Um homem que amava seu povo e apelava para as bênçãos do pacto. Poderíamos extrair várias lições para uma liderança bíblica olhando para a história de Moisés, mas, apontaremos apenas algumas:

  1. Um líder não pode ser levado pelo sentimento de injustiça e esmorecer.
  2. Um líder não deve deixar ressentimentos o travarem, deve perdoar quando seus liderados se portam de forma errada, deve orientá-los, deve exortá-los, mas não deve ser dominado pela mágoa e ressentimento.
  3. Um líder deve interceder pelo seu povo, deve lutar em oração por quem Deus o confiou.
  4. Um líder confia em Deus em sua Palavra que é poderosa (Êxodo 14).
  5. Um líder deve ensinar a Palavra mesmo quando seu povo se porta rebeldemente contra o Senhor, um grande exemplo está nas pregações de Moisés em Deuteronômio.
  6. Um líder zela pela santidade do culto a Deus, guiando o povo a pureza espiritual.
  7. Um líder prepara outros líderes, a correta visão de liderança bíblica é preparar sucessores, temos como exemplo Josué e Calebe.

A liderança de Moisés também nos mostra seus erros, quando ele bateu na rocha. Deus cobrou do seu servo, não o permitiu entrar na terra prometida. Com essa correção severa de Deus para com ele, lembramos das palavras de Jesus:

Mas o que a não soube, e fez coisas dignas de açoites, com poucos açoites será castigado. E, a qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá, e ao que muito se lhe confiou, muito mais se lhe pedir, ( Lucas 12.48).

Uma leitura dos livros de Moisés nos mostram a integridade desse homem santo que as Escrituras nos apresentam, sobre ele Deus testemunhou:

E disse: Ouvi agora as minhas palavras; se entre vós houver profeta, eu, o Senhor, em visão a ele me farei conhecer, ou em sonhos falarei com ele. Não é assim com o meu servo Moisés que é fiel em toda a minha casa. Boca a boca falo com ele, claramente e não por enigmas; pois ele vê a semelhança do Senhor; por que, pois, não tivestes temor de falar contra o meu servo, contra Moisés? (Números 12.6-8)

A Liderança de Davi

Nos livros de Samuel encontramos a história de Davi, que era um pastor de ovelhas, vivia a trabalhar ajudando seu pai Jessé e também era músico. A narrativa bíblica nos mostra como Deus chamou aquele jovem e o tirou do pastoreio de animais e o constituiu pastor do povo, rei de Israel. Sobre os reis diz-nos Deuteronômio:

Se quando entrarem na terra que o Senhor, o seu Deus, lhes dá, tiverem tomado posse dela, nela tiverem se estabelecido, vocês disserem: "Queremos um rei que nos governe, como têm todas as nações vizinhas", tenham o cuidado de nomear o rei que o Senhor, o seu Deus, escolher. Ele deve vir dentre os seus próprios irmãos israelitas. Não coloquem um estrangeiro como rei, alguém que não seja israelita. Esse rei, porém, não deverá adquirir muitos cavalos, nem fazer o povo voltar ao Egito para conseguir mais cavalos, pois o Senhor lhes disse: "Jamais voltem por este caminho". Ele não deverá tomar para si muitas mulheres; se o fizer, desviará o seu coração. Também não deverá acumular muita prata e muito ouro. Quando subir ao trono do seu reino, mandará fazer num rolo, uma cópia da lei, que está aos cuidados dos sacerdotes levitas para o seu próprio uso. Trará sempre essa cópia consigo e terá que lê-la todos os dias da sua vida, para que aprenda a temer o Senhor, o seu Deus, e a cumprir fielmente todas as palavras desta lei, e todos estes decretos. Isso fará que ele não se considere superior aos seus irmãos israelitas e a não se desvie da lei, nem para a direita, nem para a esquerda. Assim prolongará o seu reinado sobre Israel, bem como o dos seus descendentes, (Deuteronômio 17.14-20).

Um texto riquíssimo para refletirmos sobre liderança cristã, a partir do rei Davi. Podemos ver aqui que Davi cumpriu muitos desses requisitos da lei, mas, também violou muitos outros. Deus havia dado essa lei ao seu povo, especificamente aos futuros reis de Israel, considerando as tentações que tal liderança sofreria. Um líder pode ser tentado e muito tentado no exercício da sua tarefa, pode ser seduzido pelo poder, pelas facilidades, pela fama, pelo status, pela honra humana, pelo seu ego. Listemos esse valoroso ensino que os reis deveriam manter e zelar por eles em sua vida, numeraremos pela ordem no texto bíblico.

  1. O rei deveria ser um israelita, deveria ser da família da fé. Isso pode nos ensinar algo importante, básico, mas necessário. O líder cristão deve ser cristão.
  2. O rei não deveria acumular cavalos. Um líder cristão, não deve acumular riquezas as custas dos seus liderados. Liderar o povo de Deus não é sinônimo de enriquecimento por meio da fé alheia.
  3. O rei não poderia fazer o povo voltar para o Egito. A bíblia nos ensina que o Egito é sinônimo da nossa vida pregressa no pecado. Um líder cristão não pode fazer o povo de Deus se desviar do caminho da verdade.
  4. O rei não poderia tomar para si muitas mulheres. Isso nos ensina que a vida sexual do líder é importante para o exercício de uma liderança saudável. A impureza sexual impede o exercício da liderança cristã. Paulo nos diz o mesmo em primeira Timóteo 3, o pastor deve ser marido de uma só mulher.
  5. O rei deveria ter uma cópia da lei. Deveria lê-la, conhecê-la, vivê-la. O líder cristão deve seguir esse mesmo padrão. Deve ter contato com a Palavra de Deus diariamente (Josué 1.8). Deve observar a lei de Deus com zelo e piedade, deve viver a palavra dia a dia (Tiago 1.23-25).
  6.  O rei deveria guiar seus súditos na lei do Senhor. O líder cristão deve guiar seus liderados na vontade de Deus expressa em sua Palavra. A autoridade do líder não está nele mesmo, mas, deve entender que é um comissionado, a autoridade da liderança cristã está na Palavra de Deus. O líder deve ser fiel a Palavra.

Davi quebrou alguns desses pontos, e acertou em outros deles. Davi foi um líder importante na história do povo de Deus, dele proveio o messias. Davi foi um homem piedoso, mas, que caiu em pecado algumas vezes, desobedecendo ao Senhor. Seu coração arrependido é mostrado de forma belíssima no salmo 51 que mostra seu lamento pelo pecado com a mulher de Urias. Poderíamos apontar vários pecados do rei Davi, mas, não é necessário, evidentemente a Bíblia nos mostra tais pecados e com isso sabemos que líderes e até grandes líderes do povo de Deus podem cair, podem errar e pecar gravemente. Isso nos mostra que somos pecadores, nos mostra que devemos lutar contra o pecado, nos mostra que devemos buscar a vontade de Deus e não a nossa no exercício da liderança na igreja.

A Liderança do Rei Josias

As histórias dos reis de Israel me chamam muita atenção. Na verdade, ao lermos o livro de Josué, Juízes, 1º e 2º Samuel; 1º e 2º Reis; 1º e 2º Crônicas; temos livros inteiros que tratam sobre lideranças do povo de Deus, lideranças boas e lideranças ruins. A história de Josias nos ensina muitas lições importantes para uma liderança genuinamente bíblica. O texto começa expondo algo valioso sobre esse grande homem de Deus:

Josias tinha oito anos de idade quando começou a reinar, e reinou trinta e um anos em Jerusalém. Ele fez o que o Senhor aprova e andou nos caminhos de Davi, seu predecessor, sem desviar-se nem para a direita nem para a esquerda, (2 Crônicas 34.1,2)

O rei Josias foi um homem levantado por Deus para por em ordem o culto e todos os negócios do reino. Um homem de coragem e fé que foi zeloso pela Palavra de Deus. Josias é um exemplo clássico de líder bíblico e reformador. O sacerdote Hilquias achou o livro da lei do Senhor, isso causou uma grande reforma no reinado de Josias, o texto sagrado nos diz que quando o rei teve contato com a notícia disse:

Vão consultar o Senhor por mim e pelo remanescente de Israel e de Judá acerca do que está escrito neste livro que foi encontrado. A ira do Senhor contra nós deve ser grande, pois os nossos antepassados não obedeceram à palavra do Senhor e não agiram de acordo com tudo o que está escrito neste livro, (2 Crônicas 34.21).

Podemos ver claramente que a preocupação do rei era com o cumprimento da Palavra de Deus. Justamente o que era requerido em Deuteronômio 17. O versículo 15 do capítulo 34 de segundo Crônicas nos diz algo que vale para uma aplicação cabível aqui:

Hilquias disse ao secretário Safã: Encontrei o livro da Lei no templo do Senhor. E o entregou a Safã, (2 Crônicas 34.15).

O livro da lei estava perdido na casa do Senhor. Que ensino importante! A liderança cristã precisa estar sempre alerta a isso. Podemos estar liderando o povo de Deus sem a lei de Deus, podemos estar no templo e não acharmos o que é mais importante no tempo: a Palavra, a Lei do Senhor! A lei perdida no tempo, que tragédia.

Podemos aprender algumas questões bem peculiares na narrativa da história deste rei de Israel. Ele também foi um grande administrador da casa de Deus. Devemos compreender que lidar com dinheiro faz parte em muitos casos da liderança bíblica. Devido ao grande crescimento no meio cristão da charlatanice, muitos pastores e líderes se acanharam de falar sobre dinheiro e até mesmo de ensinar sobre isso. Como se fosse algo pecaminoso. Jesus falou mais sobre dinheiro do que sobre o inferno. Vejamos algumas lições importantes no texto bíblico sobre a liderança de Josias sobre a administração da casa de Deus.

Sucedeu que, no ano décimo oitavo do rei Josias, o rei mandou ao escrivão Safã, filho de Azalias, filho de Mesulão, à casa do Senhor, dizendo: Sobe a Hilquias, o sumo sacerdote, para que tome o dinheiro que se trouxe à casa do Senhor, o qual os guardas do umbral da porta ajuntaram do povo, E que o deem na mão dos que têm cargo da obra, e estão encarregados da casa do Senhor; para que o deem àqueles que fazem a obra que há na casa do Senhor, para repararem as fendas da casa; Aos carpinteiros, aos edificadores e aos pedreiros; e para comprar madeira e pedras lavradas, para repararem a casa. Porém não se pediu conta do dinheiro que se lhes entregara nas suas mãos, porquanto procediam com fidelidade, ( 2 Reis 22.3-7).

Desse texto podemos extrair algumas aplicações, vejamos:

  1. Josias delega a Safã. Um líder bíblico não é centralizador, mas compartilha a liderança e as funções, isso é um princípio sábio. O líder forja outros futuros líderes, treina-os e envia-os.
  2. O líder administra os bens sagrados para a glória de Deus e escolhe pessoas habilitadas para fazerem o trabalho.
  3. A liderança bíblica reconhece dons e talentos no meio do povo de Deus, ninguém sabe ou poder fazer tudo. A pessoa certa no lugar certo produz muito fruto.
  4. A integridade, a firmeza de caráter tem grande peso na liderança cristã, a fidelidade na administração dons bens divinos transmite ao povo liderado confiança, segurança e louvor a Deus pelo serviço feito e pelos líderes que Deus dá a seu povo.

Conclusão

A liderança espiritual bíblica pode usar sabiamente ferramentas do conhecimento humano, como administração, comunicação, pedagogia e psicologia. Mas, se ela não for regida por uma sólida base bíblica ela ruirá mais cedo ou mais tarde. O sucesso da liderança bíblica é integridade, piedade, temor ao Senhor. Toda liderança que seguir esses princípios será uma liderança bem-sucedida.

Líderes bíblicos, são líderes que amam a Deus e o servem de todo coração.

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Autor: Rev. Thomas Magnum de Almeida
Divulgação: Bereianos

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Lições Bíblicas para Liderança na Igreja Local - Parte 1/2
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Lições Bíblicas para Liderança na Igreja Local - Parte 1/2

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Introdução

Muitos estudos têm sido empreendidos na área de liderança, na verdade há sempre uma necessidade de reavaliar tais posicionamentos sobre a questão da condução de qualquer obra, grupo, igreja, povo, tribo ou nação. A liderança é algo necessário e presente na cultura humana. A liderança não foi instituída por causa da Queda. Deus já havia instituído tal liderança a Adão e também a Eva. Eram eles subgerentes na criação. Deus havia lhes dado os mandatos da criação: espiritual, social e cultural¹.

Então temos de fato uma necessidade de refletir biblicamente sobre liderança. Sobre os princípios que a Bíblia ensina sobre liderança, a importância disso é muito grande, uma liderança sem princípios é como um navio sem bússola. Liderança sem o processo de experiência é como um navio sem o capitão. Liderança sem um padrão é como um navio sem porto seguro². Tal é a importância dos princípios bíblicos para a liderança, serão uma bússola, um capitão, um padrão, um porto seguro. Os princípios ditarão o que será a liderança e mostrarão os pressupostos da liderança exercida. Se o pressuposto não for a glória de Deus, o que teremos é uma liderança que glorifica a criatura em vez do Criador. Isso é relevante para entendermos o que disse o Dr. Shedd:

Os eventos, as pessoas e as circunstâncias afetam as atitudes e produzem reações que as pessoas desenvolvem desde o nascimento até a morte. Enquanto uma pessoa amadurece, ela aprende através da experiência e da reflexão. A leitura, o estudo e a discussão afetam o processo que transforma um jovem imprudente em um líder respeitado³.

Os princípios serão aprimorados pela experiência do líder, Paulo nos diz isso em várias de suas epístolas, “Não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo”, (1 Timóteo 3.6); é um exemplo escriturístico. Então, como disse Shedd, a experiência e reflexão devem seguir os princípios bíblicos. Tudo na liderança deve girar em torno da sabedoria bíblica. A boa liderança bíblica é marcada pela integridade de caráter e sabedoria bíblica. Alguém pode até ser um bom líder e arrebanhar multidões sem ser bíblico e íntegro. Portanto, o que marca o líder cristão não é o sucesso diante dos homens, mas, sua fidelidade a Deus e sua Palavra. O que um líder cristão precisa ler? Ele pode ler bons livros sobre liderança, pode recorrer a palestras e a congressos, mas, diante da enxurrada de literatura sobre o assunto pautada na literatura secular empresarial, meu conselho é simples, o líder bíblico deve procurar sabedoria, então, leia Provérbios.

Deve ser piedoso, buscar sabedoria. Temos muitos líderes com muito conhecimento, mas pouca sabedoria. Fontes sem águas. A sabedoria bíblica é prática. O conhecimento de Deus deve permear a comunidade e redundar em prática, em vida. Devemos ensinar nosso povo a buscar conhecimento, mas, também devemos ensiná-los a amar a sabedoria, afinal, “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria”, (Pv 1.7), isso é tão básico que esquecemos tamanha riqueza.

Uma liderança bíblica destoa grandemente do tipo de liderança que temos visto em nosso tempo. Não podemos negar que uma grande onda de influência empresarial tem invadido, mudado o foco e distorcido o que dizem as Escrituras sobre uma liderança bíblica. Estratégias, planejamento, projeções, análises de dados tem sido as principais abordagens de muitos autores que escrevem nessa área, não apenas isso, muitos pastores têm tomado conselhos de uma abordagem puramente empresarial e não bíblica da liderança e isso causa consideráveis problemas a igreja. Neste artigo, iremos caminhar observando alguns líderes na Bíblia, extrairemos alguns exemplos nas narrativas que mencionam cada um deles. Necessário é sabermos que o foco não está, de fato, na vida deles, mas, como Deus operou através deles, usou e corrigiu muitos dos seus erros. A Bíblia é o maior manual de liderança já conhecido. Não há e não haverá outro livro que supere a Bíblia nos ensinamentos sobre liderança, nela temos as diretrizes eternas para o exercício da liderança espiritual.

A Igreja não funciona como uma empresa

Não queremos dizer com isso que a igreja não deve se preocupar com suas obrigações como registro de funcionários, pagamentos de contas como de água, luz, telefone e internet. Não queremos dizer com isso que uma igreja não possa ter trabalhos como creches ou escolas infantis, absolutamente não. Não queremos dizer que a igreja não deva valer-se de recursos vindos do mundo empresarial, porque se fizéssemos isso, estaríamos negando a graça comum. Quando dizemos que a igreja não funciona como uma empresa, dizermos que o rebanho do Senhor não pode ser visto como consumidores, funcionários, gerentes, supervisores (no sentido empresarial) e proprietários. A igreja é uma organização no sentido de que ela precisa estar organizada com fins a melhor testemunhar com evangelho de Cristo, mas, a igreja também é um organismo vivo. Então, é necessário cuidado com abordagens seculares a respeito da liderança, liderar na igreja não é a mesma coisa de chefiar um departamento numa empresa. A liderança espiritual está totalmente ligada a edificação da igreja para glória de Deus.

A Igreja não funciona como um clube

Muitos tem figurado a igreja como um clube ou agremiação. Uma associação de pessoas que estão ali para viverem juntas em com um objetivo terapêutico. Não devemos duvidar que a vida em comunidade na igreja também é terapêutico, pessoas solitárias, deprimidas, atribuladas, indecisas, assoladas por tragédias e sofrimentos que não temos como listar, estão na igreja e são atraídas para a igreja. Essas pessoas são, em grande medida, transformadas pelo evangelho e desfrutam na comunidade de fé de amizades saudáveis, relacionamentos que lhes fazem bem, companhia e cura de dores dos seus sofrimentos. É verdade que na igreja pessoas tristes encontram alegria de viver em comunidade, mas, isso não faz da igreja um clube. A igreja é a comunidade da Palavra, todos os benefícios que a igreja proporciona deve girar em torno da Palavra. Toda comunhão, alegria, solidariedade, compaixão, misericórdia, bondade, longanimidade e fé são frutos da Palavra e para a glória da graça que opera na santa igreja de Deus.

A Igreja como Comunidade Cristã

Segundo a confissão de fé congregacional, mais conhecida como Declaração de Savoy, sobre a igreja:

A igreja católica ou universal, a qual é invisível, consiste de todo o número dos eleitos que têm sido, são ou serão reunidos num só corpo, sob Cristo – sua Cabeça; ela é a Esposa, o corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas⁴.

Isso é a igreja de Cristo, a reunião dos eleitos de Deus, que foram predestinados, chamados, justificados, santificados e que serão glorificados, para a glória única do Deus triúno. Nos diz ainda o Catecismo de Heidelberg, pergunta 55:


O que você crê sobre a comunhão dos santos?
Resposta: Primeiro, creio que todos os crentes, juntos e cada um em particular, como membros de Cristo, têm comunhão com Ele e participam de todos os Seus tesouros e dons. Segundo, creio que cada um têm o dever de usar seus dons com disposição e alegria para o benefício e o bem-estar dos outros membros.

Através dessa pergunta do catecismo podemos mensurar o que é a liderança bíblica: o exercício de dons para a edificação da igreja. Os dons de liderança que foram dados a igreja em todas as eras, mostram que a finalidade da existência de líderes é para o bem-estar  da comunidade de fé que é regida pela Palavra de Deus. Líderes bíblicos servem a Deus e o glorificam, cuidando da igreja seguindo os princípios bíblicos e não formulas empresariais ou publicitárias. A liderança cristã bíblica é cativa ao ensino bíblico e a busca da sabedoria bíblica. 


A Liderança Espiritual Bíblica

Aqui temos um princípio básico, a liderança espiritual é humilde e exemplo. Quando era menino ouvi muito um ditado proferido por cristãos imaturos dizendo “manda quem pode e obedece quem tem juízo”, há certa verdade nesse ditado, mas absolutamente ele não transmite o que a Bíblia diz sobre liderança cristã. Temos vários exemplos de liderança cristã nas Escrituras, vamos falar um pouco sobre cada uma delas. Nossos objetos de estudo serão as lideranças de Adão, Moisés, Davi e Josias.

A Liderança de Adão

Poderíamos tratar de vários personagens bíblicos que serviriam de estudo de caso para a liderança bíblica, mas, por questões de espaço selecionamos alguns. Nosso primeiro estudo será com base na liderança de Adão. Deus criou o homem e a mulher (Gn 1.26,27) a sua imagem e semelhança. Colocando-os como vice-gerentes na criação. Eles tinham que cuidar, gerir tudo aquilo que Deus tinha colocado em suas mãos. Nesse contexto, temos a liderança de Adão como o cabeça de sua esposa. Adão deveria governar o que Deus havia lhe dado como trabalho na criação e também sua mulher e seus filhos. Observamos na narrativa bíblica algo interessante, vejamos:

E ouviram a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim pela viração do dia; e esconderam-se Adão e sua mulher da presença do Senhor Deus, entre as árvores do jardim, (Gênesis 3.8)

Podemos extrair algumas aplicações desse texto sagrado. Depois de pecarem, o homem e sua mulher, não mais eram atraídos pela voz do Senhor, mas, temeram juízo. A liderança de Adão foi destruída por causa do seu pecado, Adão agora perdera a comunhão com Deus; sem comunhão como poderia liderar justamente, como poderia exercer aquilo para que Deus o havia criado? Adão pecou, seu pecado comprometeu sua liderança. Uma liderança bíblica deve ser santa, uma vida que busca a piedade e afasta-se do pecado. O apóstolo Paulo disse que o presbítero deve ser irrepreensível, equilibrado, modesto e que tenha domínio próprio (1 Timóteo 3). Essas são algumas das características para um pastor, mas, devemos perceber que tais atribuições morais e espirituais não são restritas a pastores, mas a todo cristão. Mas, de fato, principalmente aqueles que lideram. Um líder intemperante, ímpio, sem equilíbrio não promoverá saúde aos seus liderados.


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Continua em breve...
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Notas:
[1] Para estudos mais profundos sobre esse assunto da liderança de Adão e Eva, as obras de Gerard Van Groningen são uma contribuição ímpar. Criação e Consumação, são três volumes publicados pela editora cultura cristã.
[2] SHEDD, Russell. O Líder que Deus Usa. Ed. Vida Nova, p. 25.
[3] Ibid, p. 24.
[4] Declaração de Savoy. Capítulo 26. 1. Ed. Aliança.

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Autor: Rev. Thomas Magnum de Almeida
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A Importância da Teologia Sistemática Para o Aconselhamento Bíblico

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Introdução

A prática do aconselhamento Pastoral¹ tem sido estudada por muitos teólogos como uma atividade pastoral e cristã. O aconselhamento bíblico é ensinado nas Sagradas Escrituras e é também um meio de ensino da Palavra. Ao tratarmos do aconselhamento pastoral, no entanto, precisamos partir de algum lugar. Esse ponto inicial deve ser, de fato, alicerçado na rocha e não em areia. Ao observarmos todo o conteúdo das epístolas no NT notaremos que a estrutura que encontramos em parte teológica (teórica) e em parte prática, se bem que essa divisão se dá por uma necessidade pedagógica, mas, toda teologia de fato redunda em doxologia. Ao tratar teologicamente, por exemplo, no início de Colossenses sobre a divindade do Filho e o conhecimento de Deus, isso é a base, o fundamento para se tratar de questões práticas que virão na epístola, a seguir nos capítulos posteriores.

Review | Pilares da Fé - Franklin Ferreira

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PILARES DA FÉ | A atualidade da mensagem da Reforma. Edições Vida Nova 2017. Autor: Franklin Ferreira.

Neste ano comemora-se os 500 da Reforma Protestante. Dada essa importante e singular data, muitas obras tem sido publicadas no Brasil sobre o tema. Em especial destaco as publicações de Edições Vida Nova, empreendendo uma série de publicações sobre a História, Documentos e Teologia da Reforma.

Dentre as boas publicações, está o livro do pastor e professor Franklin Ferreira. Já é sabido, mas, vale notificar que Franklin é um dos mais expressivos teólogos do nosso país em nossa geração. Suas obras envolvem Teologia Sistemática, História da Igreja, Espiritualidade e Teologia Política. Além de escritor o pastor na Igreja da Trindade, Franklin está a frente do importante Seminário Martin Bucer que tem dado grande contribuição a Teologia Reformada no Brasil. Também exercendo importante trabalho junto as editoras Vida Nova e Fiel.

Chegando ao livro, então, gostaria de dizer algumas palavras sobre a obra do professor Franklin. O livro é fruto de uma série de palestras proferidas em 2015, entre 20 e 22 de novembro, na Igreja Batista Reformada do Ipiranga em São Paulo (p.11). De fato nada incomum, muitas grandes e expressivas obras foram frutos de palestras como por exemplo, o clássico livro de Abraham Kuyper - Calvinismo - ou o Rosto de Deus do filósofo Roger Scruton, bem como outra obra de Franklin sobre o Credo Apostólico, publicado pela editora Fiel.

Os Pilares da Fé, trada dos Cinco Solas da Reforma: Sola Scriptura, Solus Christus, Sola Gratia, Sola Fide, Soli Deo Gloria. Com um prefácio do escritor e teólogo Solano Portela e uma apresentação feita pelo deputado estadual do Rio Grande do Sul, cristão luterano, Marcel Van Hattem. Iniciando, então, a obra mostrando a importância do livro nas esferas teológica e política em nosso país.

Alguns podem pensar: mas já não temos livros publicados sobre essa temática? Posso dizer que gosto bastante de outras publicações sobre o assunto, mas considero o livro de Franklin Ferreira importante por dialogar com nosso contexto no Brasil, aplicando de forma muito pastoral aos problemas correntes na teologia das igrejas no país e a realidade cultural e política do país.

Ao tratar do do primeiro sola, gostei muito quando Franklin trabalhou sobre a questão do Sola Scriptura e a Confessionalidade, tratando dos conceitos de Norma Normans e Norma Normata. Também a questão surgida posteriormente do Nuda Scriptura que rompe com a tradição confessional, asseverando que esta não valida o Sola Scriptura. Algo interessante dito pelo autor é que a Escritura é Deus falando conosco, os documentos confessionais somos nós confessando o que cremos, a Deus aos homens (paráfrase minha).

Ao tratar sobre o Solus Christus, Franklin trabalha de forma magistral a teologia da cruz em Lutero. O capítulo é profundamente evangélico e teologicamente reformado.

Os capítulos seguintes sobre o Sola Gratia e Sola Fide tratam sobre a Justificação Pela Fé Somente. Riquíssimos, posso dizer que este é um tipo de livro que todo cristão deveria ler. Com um sólido trabalho em Teologia Sistemática e Teologia Histórica, Franklin dialoga com grandes autores e nos trás valiosos ensinamentos e aplicações sobre a doutrina da justificação. Uma questão que me chamou atenção foi o diálogo do autor com a Declaração de Cambridge.

Ao final de cada capítulo se encontra uma tese dessa declaração importante feita pela Aliança de Evangélicos Confessionais em 1996. O livro inclui um apêndice com a declaração transcrita. O livro de Franklin é notavelmente pedagógico, podendo ser usado em seminários ou grupos de estudos bíblicos e Escolas Bíblicas Dominicais.

Franklin termina o livro falando do quinto sola: Soli Deo Gloria. Um capítulo jubiloso, doxológico, aplicando a cada esfera da vida e da atuação da igreja a glorificação do nome de Deus. Franklin inicia o capítulo com uma frase marcante: Por que Deus existe? Para sua própria glória! E essa é a paixão última de Deus. Todo propósito da história - e mesmo todo propósito da nossa existência - é a glória de Deus, p. 176.

Termino dizendo que é um livro importante, necessário e urgente.

Soli Deo Gloria

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Autor: Rev. Thomas Magnum
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Igreja Confessante

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Muitos questionam a confessionalidade nas igrejas que herdaram a teologia reformada, relegando isso como se fosse uma prática não bíblica, na verdade há um engano sério, doutrinário e histórico. 

Há um significado importante na prática confessional no culto. O povo de Deus está debaixo de uma aliança com Yhaweh. Essa aliança nas Escrituras é demonstrada e reiterada em várias administrações. Em cada administração era lembrado o que Deus havia feito na história do seu povo, na história da salvação.

O povo de Deus era incentivado pelo próprio Deus a lembrar dos atos poderosos de Deus, a contar aos filhos e as próximas gerações o que Deus havia feito em favor do seu povo. O povo confessava esses atos poderosos e prezava pela perpetuação memorial no ato da transmissão oral as novas gerações.

É mostrado nas Escrituras alguns tipos de confissão. Podemos apontar quatro.

  1. A confissão pública de fé no Salvador e Senhor Jesus (Rm 10.8-11), cujo ato público é demonstrado no sacramento do batismo;
  2. A confissão pessoal dos pecados do crente (1 Jo 1. 9);
  3. A confissão coletiva dos pecados do povo de Deus e da nação ( Dn 9.4-19);
  4. A confissão de fé, o credo da Igreja (1 Co 15.3, 4; 11. 23-26).

Ser confessional é ser bíblico. A prática confessional da Igreja está em seu DNA, confessando nossa fé no Salvador como testemunho ao mundo, isso é claramente mostrado no batismo como sinal visível do pacto e isso é estendido a toda família da aliança.

Confessamos nossa fé no ensino do Salvador revelado no Antigo e Novo Testamento. Confessamos a doutrina bíblica como ensinado nas Escrituras. Confessamos visivelmente e não verbalmente apenas nossa fé, através do sacramento da ceia (Mt 26.26-29).

Confessamos nossos pecados como reconhecimento do testemunho de Cristo, nosso Senhor, que nos garante perdão (1 Jo 1.9). A Igreja de Cristo é confessional.

Por tudo que foi dito, não podemos negar a prática histórica dos símbolos de fé e da confessionalidade da Igreja em toda história.

Os Credos e Confissões nos legam essa confissão doutrinária, isso é um tesouro para a igreja reformada. Mas, não devemos esquecer que a confissão doutrinal deve ser acompanhada da confissão dos pecados e do testemunho como nova criação que é a Igreja (2 Co 5.17).

A Igreja deve ser confessante. A Igreja, melhor dizendo, é confessante. Isso deve estar presente em seu ato cúltico, particular, familiar e público.

A Igreja de Cristo é confessional.

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Autor: Rev. Thomas Magnum
Divulgação: Bereianos
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O Ministério Pastoral e a Tarefa Apologética

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Pastorear não é uma tarefa simples. Estar num contexto em que várias pessoas estão inseridas com suas experiências de vida, variedade de formação educacional, intelectual, acadêmica é algo no mínimo complexo.


O trabalho do pastor, de fato, deve contemplar a exposição da Bíblia, ensino sólido da teologia, aconselhamento, instrução individual, disciplina eclesiástica e visitação aos membros da igreja. No entanto, o pastor além de ter que obrigatoriamente ser versado em teologia deve ler o mundo com as lentes do Sagrado Evangelho. Diante de tantas ideologias, que de forma subversiva seduz cristãos moldando sua cosmovisão a algo completamente oposto ao Evangelho de Cristo.

Antropologia e Política sob Perspectiva - Uma Avaliação Teológica

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É um erro supor que todos os homens, ou ao menos todos os ingleses, queiram ser livres. Ao contrário, se a liberdade acarretar responsabilidade, muitos não querem nenhuma das duas. Felizes, trocariam a liberdade por uma segurança modesta (ainda que ilusória). Mesmo aqueles que dizem apreciar a liberdade ficam muito pouco entusiasmados quando se trata de aceitar as consequências dos atos. O propósito oculto de milhões de pessoas é ser livre para fazer, sem mais nem menos, o que quiserem e ter alguém para assumir quando as coisas derem errado.[1] — Theodore Dalrymple

Evangelização Reformada

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Introdução

Ao examinarmos ainda que rapidamente o assunto – evangelização – pelo prisma mais popular notamos que comumente algumas frases prontas são utilizadas como:

  • a) “Aceite Jesus, ele quer morar em seu coração...”
  • b) “Dê uma chance a Deus, ele pode mudar sua vida...”
  • c) “Jesus te ama e quer te salvar... só depende de você...”

Esse tipo de abordagem é totalmente antropocêntrica, ou seja, a preocupação maior da evangelização é o homem, e vale tudo para que o homem entenda a mensagem. De fato, o homem é alvo da graça de Deus e por ter sido feito a imagem e semelhança do criador ele precisa cumprir os mandatos que lhe foram dados no início, mas, sem a graça redentora de Deus ele não poderá cumprir esses mandatos contidos em Gênesis 1.26-30. Nessa passagem nós temos três mandatos pactuais – mandato cultural, mandato social e mandato espiritual. Esses mandatos foram dados antes da grande comissão (Mt 28.19), nesses mandatos dados pelo Criador o homem teria que glorificar a Deus em todas as suas atividades culturais, em todas as suas atividades familiares e em toda sua atividade espiritual. Ao estarmos na Queda do pai da raça que era Adão não seria possível o homem cumprir esses mandatos como Deus havia determinado, o pacto foi quebrado, e na teologia aliancista chamados esse pacto de: Pacto de Obras. E o que viria a ser o Pacto de Obras? Primeiro, entendamos em que consiste esse pacto e o que é o pacto de obras, a Confissão de Fé de Westminster (CFW) nos diz que

Tão grande é a distância entre Deus e a criatura, que, embora as criaturas racionais lhe devam obediência como seu Criador, nunca poderiam fluir nada dele como bem-aventurança e recompensa, senão por alguma voluntária condescendência da parte de Deus, a qual foi ele servido significar por meio de um pacto [1].
O primeiro pacto feito com o homem era um pacto de obras; nesse pacto foi a vida prometida a Adão e nele à sua posteridade, sob a condição de perfeita obediência pessoal [2].

Essa é nossa base inicial para que compreendamos qual a posição do homem na evangelização e qual a posição de Deus na salvação de pecadores. Notemos que o homem não é o personagem principal no drama da salvação, mas, Deus. Por isso chamamos a evangelização bíblica de Teocêntrica e não de Antropocêntrica, a evangelização bíblica tem Deus no centro e não o homem. Visto que o homem quebrou esse pacto de obras o próprio Deus providenciou outro pacto para a salvação do homem caído vejamos:

O homem, tendo-se tornado pela sua queda incapaz de vida por esse pacto, o Senhor dignou-se fazer um segundo pacto, geralmente chamado o pacto da graça; nesse pacto ele livremente oferece aos pecadores a vida e a salvação por Jesus Cristo, exigindo deles a fé nele para que sejam salvos; e prometendo dar a todos os que estão ordenados para vida o Santo Espírito, para dispô-los e habilitá-los a crer [3].

Isso nos dá a base para afirmar que todo homem que não creu no Filho de Deus como seu suficiente salvador está debaixo do pacto de obras, notemos que ele está sob o pacto de obras, mas, não pode cumpri-lo porque está caído, está irredimido, está destituído da glória de Deus como nos diz o Texto Sagrado: “...pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus”. (Romanos 3.23-NVI)

Por que a ideologia é idolátrica?

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Introdução

Ao tratarmos de ideologia, tratamos - sem sombra de dúvida - do estabelecimento de uma cosmovisão que pretende exercer domínio sobre um grupo, religião, sociedade, país ou, meramente, sobre o indivíduo no claustro de si e dominado pela ideia de domínio do que o cerca, por meio da construção e do empreendimento engenhoso de um conjunto de ideias e discursos autorrealizáveis, beirando a profecia “auto-cumprível”.

Notemos que a ideologia, como dizia Marx, é um vestido de ideias que procura estabelecer um contorno determinante e religiosamente seguido para o sucesso do que foi planejado. Vemos, com isso, que a ideologia exerce, então, certa dosagem de engenharia da ideia.

Idea + Logos = Telos

Tratando de ideologia, discorremos sobre o vislumbre[1] e cumprimento de ideias estabelecidas, pois ideologia nos fala de discurso das ideias. O logos, nos fala de articulação lógica das ideias. No sentido político, a ideologia é uma articulação lógica do que se pretende alcançar e fazer. Toda ideologia visa um telos, e para que esse telos tenha sucesso no cumprimento, ele precisa de meios e, anteriormente, precisa-se de ter um a priori, um pressuposto. O telos é o propósito último de uma ideia, discurso, doutrina, religião, ou qualquer que seja o ponto onde está centrado o discurso, todo discurso tem um objetivo, ainda que o objetivo seja não ter objetivo.

A Lógica na Ideologia

Temos aqui claramente a lei da contradição, um discurso não visa não pretender nada, isso é lógica (logos), a lógica pretende organizar, dinamizar e apontar para um tipo de bem a ser alcançado com o discurso, ainda que esse bem não seja para ambos – emissor e receptor. O projeto do discurso lógico na ideologia visa o cumprimento da lógica estabelecida pela ideia, que pretende chegar ao telos. Diz Olavo de Carvalho: "Uma ideologia é, por definição, um simulacro de teoria científica. É, segundo a correta expressão do próprio Marx, um 'vestido de ideias' que encobre interesses ou desejos"[2]. 

Ainda dentro do universo ideológico concebe-se que

A estrutura interna do pensamento ideológico caracteriza-se pela compressão forçada da realidade para dentro de uma única dimensão, portanto pela recusa ou proibição de examinar os fatos e aspectos que não caibam no padrão escolhido[3].

A Estrutura Fundacional de uma Ideologia


É verdade que a ideologia monta-se em bases pseudoverdadeiras. Há falsificação no discurso, com o fim de manobrar as circunstâncias para uma montagem circunstancial que promova o cumprimento do ideal proposto no logos teleológico[4].

Em geral os fundadores de uma ideologia sabem que ela é objetivamente falsa. Não a defendem porque creem que ela descreve acuradamente a realidade, mas porque esperam que, se um número suficiente de pessoas acreditar no que dizem, a conduta delas se tornará mais previsível e manipulável na direção desejada. Toda ideologia é nesse sentido uma profecia autorrealizável: ela visa a criar as próprias condições sociais e psicológicas que lhe darão retroativamente uma aparência de veracidade. Mas no fundo a ambição dos ideólogos fundadores é transcender a distinção de aparência e realidade, fazendo com que esta copie tão bem aquela que se torne indiscernível dela e acabe por se transformar nela efetivamente. Essa ambiguidade inata do pensamento ideológico escapa geralmente à quase totalidade dos seus aderentes e seguidores, sendo uma espécie de segredo originário bem guardado pelos fundadores e só acessível, em cada geração, a uma reduzida elite de seus discípulos mais talentosos e clarividentes[5].

Ideologia, Soteriologia e Escatologia


Dadas as condições acima mencionadas para formulação da ideologia, temos então um quatro interessante a ser analisado e ponderado com profunda observação, não apenas por um prisma da filosofia política, ou por um prisma da teologia política que vai estabelecer uma base divergente no processo de exposição do bem-estar humano em contraparte com as tentativas da ideologia. A ideologia vai propor uma esperada redenção que somente se dará através da adesão ao discurso e a luta para tal instauração ideológica. A ideologia irá exigir um posicionamento no que se refere ao espectro do discurso lógico que se deflagra um “evangelho”, boas novas para oprimidos e grupos minoritários que em muitos casos se transformam de oprimidos para opressores, logo a lógica da ideologia é de domínio soberano e aniquilação do inimigo que se opõe ao discurso escatológico da pauta em questão. Ainda, nos diz Koysis:

[...] vejo as ideologias como tipos modernos do fenômeno perene da idolatria, trazendo em seu bojo suas próprias teorias sobre o pecado e a redenção. Desde o início de sua narrativa, a Escritura denuncia o culto aos ídolos, falsos deuses que os seres humanos criaram. Como as idolatrias bíblicas, cada ideologia se fundamenta no ato de isolar um elemento da totalidade criada, elevando-o acima do resto da criação e fazendo com que esta orbite em torno desse elemento e o sirva. A ideologia também se fundamenta no pressuposto de que esse ídolo tem a capacidade de nos salvar de um mal real ou imaginário que há no mundo[6]. 

Ideologia Política e Imaginação Totalitária


A política é alvo da construção ideológica e assim compreendida de forma errada, o que era para ser voltado para o bem comum começa a girar em torno de uma facção, um grupo que articula ideologicamente para estabelecer centros de poder dominante na sociedade, assim foi com os regimes socialistas na China, Alemanha e Rússia, para citar alguns países. Razzo nos diz que:

A relação entre os conceitos de política e de imaginação pode gerar uma variedade de modos de compreensão e abrir uma série interessante de perspectivas a respeito do seu significado. Quando vinculada à política, toda compreensão corre o risco de se tornar ideológica na medida que se reduz a variedade da compreensão a uma unidade inequívoca, a partir da qual se presume  ser a única forma – correta e inegociável – de atividade política[7].

Toda construção ideológica é uma caricatura e uma distorção do cristianismo. A ideologia perpetra uma redução da realidade, fundamentando-se numa suposta realidade não realizável que buscará ser uma profecia “auto-cumprível”. Portanto, há na ideologia uma soteriologia que emana do discurso axiomático que ela se vale por seu pressuposto salvífico imaginário. Com isso, também se vale a ideologia de uma escatologia autocriada e buscada pela guerra cultural e ideológica. Como então pode um cristão aderir a ideologias?

Percebamos que a construção de uma ideologia transita por fatores religiosos, temos estabelecida uma guerra de questões não apenas políticas, mas metafisicas e teológicas. A realidade e o futuro são objetos do empenho ideológico. O Cristianismo não convive com isso. O Cristianismo é exclusivista e possui uma cosmovisão particular e reinante. Toda ideologia é quebra do primeiro e segundo mandamentos do decálogo. É a divinização de um ídolo e a reconfiguração de uma adoração a ele. É um rompimento com o mandamento de adoração e submissão àquele que governa soberanamente. 

Ideologia e Domínio

Pelo que já vimos até aqui, fica evidente que a intensão última da ideologia é o domínio de ideias contrárias a ela, estabelecendo métodos de centralização e atração de poder para si. A ideologia acaba agindo de forma totalitária, tomando e estabelecendo princípios para toda a vida humana individual e em sociedade. Podemos fazer uma ligação teológica interessante no que se refere aos axiomas.

Axiomas – Ontológico e Epistemológico

A ideologia vai lidar com axiomas, quando esta estabelece uma axioma ontológico que se refere ao ser, ela obstrui e substitui a divindade, ou seja, temos no cristianismo dois axiomas básicos para a compreensão filosófica da fé cristã e como isso se desenvolve no âmbito da teologia e da filosofia política por um prisma cristão. O axioma ontológico do cristianismo é Deus. O axioma epistemológico do cristianismo é a Escritura. A ideologia vai substituir esses axiomas, estabelecendo uma nova fundamentação filosófica que perpasse a vida humana e redime os flagelos e moléstias sociais. Temos então uma clara estabilização de falsos deuses para uma cosmovisão. Por isso, toda ideologia é idolatria.

Conclusão

Os fundamentos da ideologia não são apenas filosóficos, são religiosos. A busca por soluções redentoras e escatológicas ultrapassam os limites da função da política no mundo. A ideologia é uma violação explícita dos dois primeiros mandamentos do decálogo, o que é idolatria.

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Notas:

[1] No conceito de ideia temos uma busca e uma mentalização do algo que ainda não é. A idealização gera o vislumbre, o vislumbre e a idealização são inevitavelmente fundamentados por axiomas ontológicos e epistemológicos. O que vai intermediar a ideia entre os axiomas são as pressuposições.
[2] http://www.olavodecarvalho.org/semana/confronto.html
[3] http://www.olavodecarvalho.org/semana/070910dc.html
[4] O termo que uso por logos teleológico refere-se a um discurso que se esmera a uma finalidade de cabal cumprimento, via de regra a luta para que esse cumprimento ocorra procede de regimes totalitários.
[5] http://www.olavodecarvalho.org/semana/070910dc.html
[6] Koysis, David. Visões e Ilusões Políticas. 2014. São Paulo, ed. Vida Nova, p.18.
[7] Razzo. Francisco. A Imaginação Totalitária. Ed. Record, Rio de Janeiro. 2016, p.9.

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Autor: Thomas Magnum
Fonte: Electus
Foto: Arquivo PT. Arte: Bereianos
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Ideologia de Gênero: Uma Questão Teológica e Biopolítica

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Em toda história da Igreja Cristã podemos pontuar vários ensinos contrários ao que a igreja professa. Isso é um fato inegável. O Cristianismo sempre sofreu oposição ideológica. A Ideologia de Gênero que tem sido pauta para os últimos debates sócio-educacionais é um assunto que precisa ser refletido com seriedade pela igreja e não pode ser ignorado, pelo simples fato de ser uma proposta alteradora do modelo bíblico para a sexualidade humana, a saber, homem e mulher (Gn 1.26-28). Ao me referir ao discurso hipermoderno sobre gênero, estabeleço uma ligação própria com a heresia, o termo usado por heresia é o que a Igreja tem professado no decorrer dos séculos, uma distorção da verdade declarada nas Escrituras de forma axiomática. A heresia é um desfoque da fala divina, é uma corrupção do ensino bíblico; e questão do gênero defendida por correntes psicológicas, antropológicas e sociológicas é uma distorção clara e confrontadora do que diz a Bíblia a respeito do homem e da mulher e de seu comportamento sexual[i].

De fato e de verdade, as teorias relativas à ideologia de gênero (também conhecidas como teoria queer ou gender) são desdobramentos de ideologias sociais referentes ao feminismo[ii], homossexualidade e demais distorções do comportamento sexual humano. O processamento de tal ideologia na sociedade é desastrosa e extremamente prejudicial. Crianças de ambos os sexos usarem o mesmo banheiro na escola? Deixar que a criança descubra suas inclinações sexuais sem nenhum molde – seja da religião, seja da moral vinda dos pais, seja de um padrão social ocidental – é uma violação da liberdade e não uma proclamação da liberdade. A intenção claramente é destruir a autoridade estabelecida, e isso é quebra do quinto mandamento descrito no decálogo. É força empregada por ideologias de gênero, obviamente ligadas a questões de hegemonia nas ideias biopolíticas. É um poder ideológico que dá cabo a uma guerra cultural para erradicação da moralidade cristã estabelecida no Ocidente. É um desmonte cultural em relação à função do homem e da mulher na sociedade e uma nova formulação da ideia de família, obviamente contrária a Palavra de Deus.

De um ponto de vista teológico podemos dizer que a ideologia de gênero é uma negação da realidade, uma negação da verdade e uma negação da autoridade. A realidade de que a criança nasce com um sexo e gênero é o sinônimo e não algo a ser escolhido, essa negação da realidade é uma violação do mandato social descrito em Gênesis 1. Onde lemos que o homem e a mulher deveriam procriar, assim a humanidade só se multiplicaria pelo cumprimento do mandato social, e para que isso acontecesse a sexualidade criada por Deus deveria ser cumprida como no plano original do Criador e não no exercício da homossexualidade ou na neutralidade do sexo. Deus criou o homem para se relacionar sexualmente com a mulher e não com outro homem (Rm 1.24-27). O feminismo em seu formado agressivo de desestabilização da autoridade masculina e exaltação da independência da mulher de toda opressão do sexo oposto também é uma distorção do que dizem as Escrituras sobre o papel da mulher no casamento e o papel do marido (veja Ef 5. 22-33), a submissão da mulher ao marido é estabelecida pelo próprio Deus em sua Palavra e todo ensino contrário é uma afronta a vontade do Criador.

É triste observarmos quietos a invasão diabólica de tal ideologia, que em muitos casos é inserida em materiais didáticos e paradidáticos aprovados pelo MEC. A ideologia de gênero tem sido subliminarmente colocada nestes materiais, demonstrando o tamanho da covardia e sordidez de gente que se diz educador e implanta monstruosamente na mente de crianças, padrões de reconstrução moral e social[iii]. Obviamente, nosso objetivo aqui não é examinar historicamente e exaustivamente a questão da ideologia, mas, direcionar para uma pesquisa mais ampla, diga-se de passagem, urgente principalmente para pastores, pais e professores cristãos.

A urgência e a importância de refletirmos a partir de uma visão teológica sobre o assunto é sem precedentes, nenhum cristão que esteja envolvido nos campos de conhecimento está autorizado pela Palavra de Deus a pensar autonomamente sobre quaisquer assuntos envolvendo a criação de Deus. Com isso não estou defendendo a falta de liberdade científica, mas, pontuando um princípio cristão (1 Co 10.31) que tudo que fazemos deve ser para a glória de Deus. Nossa teologia deve atender a questões sociais e devemos cultivar uma mente bíblica para o exercício de uma cosmovisão redentora, uma percepção de mundo que aponte para Cristo, o Cristo total, o Cristo que é um cerne da teologia, da revelação, da Criação e da ordem devida ao mundo criado.

Desenvolvermos uma reflexão social a partir de bases bíblicas e teológicas é ordem das Escrituras (Êx 20.1-3). O professor Felipe Nery, fundador do Observatório Interamericano de Biopolítica relata em um de seus artigos que “... na Alemanha. Dois pais são presos por não permitirem que seus filhos compareçam às aulas de sexo na escola”. E continua:

O caso dos pais presos na Alemanha por não aceitarem que sua filha fosse doutrinada pela cartilha de “gênero” ilustra bem a índole dos promotores da nova moral mundial. Trata-se de um grupo claramente totalitário. Embora use com frequência termos como “liberdade”, “tolerância” e “diversidade”, aqueles que ousam discordar de suas teorias mirabolantes são imediatamente punidos, ora por meio da mentira e da difamação, ora por sanções legais – como é o caso de Eugen e Luise Martens.
A atitude desse casal, no entanto, não é uma simples “reação”, como se os dois estivessem preocupados apenas em “desmascarar” a ideologia de gênero, ou fossem meros soldados preocupados em matar o inimigo. Talvez, Eugen e Luise Martens, pais de nove filhos, nem se interessassem muito por toda essa discussão, por essa que é realmente uma guerra cultural. A situação com que se depararam, no entanto, obrigou-os a agir. Não por ódio ao adversário, mas por amor àquilo que tinham de mais valioso: os seus filhos[iv].

Felipe Nery completa dizendo:

Algum pai poderia imaginar-se na mesma situação? A escola do próprio filho, que ele criou com tanto amor, dedicação e cuidado, querendo incutir em sua mente toda “variedade” de práticas sexuais... O que fazer? Qual atitude tomar? Ora, o gesto de Eugen e Luise parece bastante compreensível. É o mínimo que qualquer pai e qualquer mãe podem fazer para preservar a integridade e a pureza de seus filhos. Contudo, o Estado quer essas crianças para si, quer educá-las do “seu” jeito, quer implantar nelas as suas ideias, ainda que sejam essas, absurdas, citadas acima. É o que alguns parlamentares também absurdamente defendem, quando trabalham pela implantação da ideologia de gênero em nosso país. Filhos doutrinados, pais encarcerados – é este o futuro de uma nação que mina a célula-base da sociedade, a família, e entrega as suas crianças nas mãos do Estado. Eugen e Luise Martens representam a resistência dos homens de bem de todo o mundo, que não querem ver os seus filhos sequestrados de suas mãos, para serem manipulados por um Estado imoral e por uma ideologia depravada. Eugen e Luise lembram, com sua atitude, que os pais, por serem os transmissores da vida aos filhos, devem ser reconhecidos como seus primeiros e principais educadores, e que essa função é essencial, insubstituível e inalienável. Eugen e Luise não negam a importância da educação sexual, mas recordam que esta deve ser dada fundamentalmente pelos pais, e não em oposição aos seus princípios e valores[v].

Portanto o que nos resta quanto cristãos? Com certeza, não um conformismo com tamanha calamidade moral e social que nos cerca, não um isolacionismo irresponsável para com nossa confissão de fé e para com a missão que nos foi dada (Rm 12.1-2). Finalizo com um grandioso texto da Escritura que me faz refletir sobre nossa postura:

"Destruindo os conselhos, e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo..." (2 Coríntios 10:5)

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Notas:
[i] Recomendo ao leitor para aprofundamento do assunto, principalmente para um alerta sobre a prática de ensino nas escolas sobre a questão gender (gênero), o site do Observatório Interamericano de Biopolítica que tem discutido de forma competente sobre o assunto de gênero (http://biopolitica.com.br/)
[ii] Para esclarecimentos históricos a respeito da origem e desdobramentos da questão recomendo o livro  - Gender, Quem és tu? Sobre a ideologia de gênero, escrito por Olivier Bonnerwijn, editora Ecclesiae.
[iii] Citação do meu artigo no blog Electus – Ideologia de Gênero, a negação da autoridade, da realidade e da verdade. http://blogelectus.blogspot.com.br/2015/10/ideologia-de-genero-negacao-da.html#.V0cL_jUrLIU
[v] Ibdem.

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Autor: Thomas Magnum
Fonte: Electus
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Cosmovisão Sob Perspectiva - Criacional, Redentora e Escatológica

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O passo mais importante para os cristãos é tornar-se informado sobre a cosmovisão cristã, uma visão abrangente e sistemática da vida e do mundo como um todo. Nenhum crente hoje pode ser realmente eficaz na arena das ideias até que tenha sido treinado a pensar em termos de cosmovisão.” (Ronald Nash) 

Não raro, a aplicação do estudo teológico as mais variadas esferas da vida humana se limitam a comunidade cristã local e a seu calendário de programações semestrais ou anuais; com conferências, congressos, simpósios etc. Não sou contra essas programações, pelo contrário, participo tanto ouvindo, como falando em eventos assim e acho benéfico, mas, o problema é que esse tipo de reflexão não pode se limitar a períodos programados.

Ao pedir que cristãos leigos, ou mesmo seminaristas, apliquem o estudo teológico de forma contextual a sociedade, arte, música, família, relacionamentos, atividade profissional e atividades intelectuais ou acadêmicas, deve-se saber que esbarraremos em grandes muralhas que precisam ser transpostas. A aplicação da teologia na vida prática muitas vezes é um grande dilema para muitos cristãos. Como ser um profissional para glória de Deus ou como ser um pai ou mãe par glória de Deus? Ou mesmo, como ser um pintor ou escultor ou poeta para glória de Deus? Por vivermos num contexto secularizado e, como dizia Francis Schaeffer, pós-cristão, temos dificuldades enormes para equiparar nossa vida de forma integral com o ensino do cristianismo. Ao falarmos da visão teológica é necessário que esclareçamos alguns pontos importantes. Todo homem possui a semen religionis (semente da religião), todo homem ou mulher tem afeições religiosas, sejam essas direcionadas corretamente ao Deus da Bíblia ou a um deus criado pela imaginação humana.

Ao tratarmos de culto e cultura estaremos em campos paralelos, à prática cultural é identificável pela prática religiosa de indivíduos, grupos sociais, cidades, países ou num contexto mundial. A visão teológica está presente em todos os contextos culturais, o missiólogo e antropólogo. Ronaldo Lidório nos diz que

Observar a cultura como ela é (a partir de uma observação êmica) e estudá-la à luz de um processo bíblico (observação teológica) é um exercício válido para todos os que lidam com a exposição e a vivência do evangelho com outras culturas, a fim de entender bem como aquele valor bíblico está de fato sendo compreendido e aplicado pelo grupo receptor.[i]

A observação pelo espetro sócio-cultural, como diz Lidório em seu livro Comunicação e Cultura, não pode ser apenas pelos primas ético e êmico, a partir de meus valores culturais e a partir somente dos valores culturais do outro, daquele que será receptor da mensagem do evangelho, mas sim, por uma observação êmico-teológica num contexto missiológico. A cultura também é beneficiada pela graça comum de Deus em muitos aspectos, no nosso caso, no Ocidente temos uma forte influência da moral cristã. O pensamento social e político em muitas esferas nacionais são fruto da cristandade. No entanto, há uma dificuldade de empregabilidade dos ensinos cristãos a uma prática ética, esta prática não tem compromisso com a Escritura Sagrada. Quando um contabilista é tentado a realizar manobras ou transações que chocam com o ensino cristão? O que fazer? É evidente que a resposta a essa pergunta é a mesma para toda a ética ensinada pelo cristianismo que são fruto da lei de Deus, não furtarás


A Bíblia é a lente pela qual devemos ler o mundo. O cristianismo é a única forma correta de ler a sociedade em todas as suas camadas – familiar, política, educacional, artística, relacional. Nosso grande desafio, de fato, é uma visão teológica teo-referente. No desenvolvimento do pensamento cristão a cristandade foi tentada a mudar sua referência teológica de Deus para uma referência antropocêntrica, houve uma convergência para o homem, centralizando a criatura. 

Precisamos ter uma visão teo-referente, Deus como referencial não só para a vida em comunidade de fé, mas, nosso papel na sociedade, na academia, na vizinhança e na família. Essa visão será fruto inicialmente de uma correta apreensão da criação descrita nas Escrituras Sagradas.

A doutrina da criação é de grande importância para uma cosmovisão teo-referente, se não houver uma correta abordagem da origem do mundo e do homem não se obterá uma completa e correta concepção do propósito para o qual o homem fora criado, para o qual o mundo fora criado. A criação ex nihilo é nosso ponto de partida para uma cosmovisão cristã bíblico-teológica tendo Deus como o ponto central de sua gênese ao seu sentido último. Franklin Ferreira nos diz que

Esse Deus criou por seu poder todas as coisas do nada, e, originalmente, toda a criação era boa. Essa noção da criação do nada é importantíssima para a fé cristã. A expressão latina é ex nihilo. Deus não precisou de nada preexistente para criar. O Deus Eterno cria tudo do nada, sem precisar de nenhuma ajuda. Portanto, não havia nenhuma matéria prévia ao lado de Deus na criação. Deus cria a matéria. Aliás, Deus cria o próprio tempo. Deus cria a história. Tudo foi criado por Ele. Deus criou toda a criação muito boa. Gênesis 1.1-31 afirma esta verdade seis vezes. Deus cria e diz: “É bom” (Gn 1.10,12,18,21,25,31). Deus cria, e é bom. E no final do relato bíblico, Deus cria e diz: “Muito bom”. E Deus cria todas as coisas para que estas anunciem sua glória, amor e bondade.[ii]

Deus não precisava criar, afinal, Deus não precisa de nada, se precisasse não era Deus. Ele decidiu criar em um ato de soberania e sabedoria divina e o propósito dessa criação é sua glória. Deus criou do nada, seu eterno poder criou de forma boa, sua criação segue seu propósito, seu decreto estabelece a história da humanidade, sua providência guia o mundo a encarnação do seu eterno propósito, trazendo a cabo o que foi estabelecido por seu decreto eterno.


O estudo dos decretos leva naturalmente à consideração da sua execução, e esta começa com a obra da criação. É a primeira, não somente em ordem cronológica, mas, também como prioridade lógica. É o começo e a base de toda revelação divina e, consequentemente, é também o fundamento de toda vida ética e religiosa. A doutrina da criação não é exposta na Escritura como uma solução filosófica do problema do mundo, mas, sim, em seu significado ético e religioso, como uma revelação da relação do homem com seu Deus. Ela salienta o fato de Deus ser a origem de todas as coisas, e de que todas as coisas Lhe pertencem e Lhe estão sujeitas. O conhecimento desta doutrina só se obtém da Escritura e se aceita pela fé (Hb 11.3).[iii]

Fica entendido que por nossa perspectiva teológica é incoerente interpretar a criação e seu propósito sem o decreto de Deus. Como nos disse Berkhof: o estudo dos decretos nos levam à consideração lógica da sua execução. Sem essa compreensão a partir do decreto de Deus na criação toda ordem do mundo é adulterada, somente através do que diz a Bíblia sobre o mundo e a finalidade de sua existência podemos ter um verdadeiro entendimento da criação e sua ordem missional.[iv] Como dito anteriormente essa adoração do universo e toda a criação de Deus lhe é prestada como finalidade, o telos. Deus, sendo Deus não precisa de nada nem de ninguém, como Hodge afirma:

[...] À luz da auto-suficiência absoluta de Deus, deduz-se que a criação não foi designada para suprir ou satisfazer qualquer necessidade de sua parte. Ele não é mais perfeito ou mais feliz por haver criado o mundo. Além disso, deduz-se da natureza de um ser infinito que a razão (ou seja, tanto o motivo quanto o fim) da criação deve estar nele mesmo. Como todas as coisas são dele e por meio dele, assim também são para ele.[v]

O fato da criação não alterar em nada o caráter de Deus é um tema claro na teologia sistemática, Deus não se tornou criador, mas é o eterno criador. Deus é imutável e antes do tempo existir Deus era Deus, auto-suficiente, o
Eu Sou o que Sou. Essa independência de Deus e sua suficiência nele mesmo o eleva a um Ser necessário para explicar o sentido da criação. Nos diz Bavinck que

[...] Deus é o Eterno: nele não há passado nem futuro, nem transformação e nem mudança. Tudo o que ele é, é eterno: seu pensamento, sua vontade, seu decreto. Eterna nele é a ideia do mundo, que ele pensa e expressa no Filho; eterna nele também é a decisão de criar o mundo; eterna nele é a vontade de que o mundo seja criado no tempo; eterno nele também é o ato de  criar  como um ato de Deus, uma ação tanto interna quanto imanente. Deus não se tornou Criador, de modo que, primeiro , por um longo tempo, ele não criou e depois criou. Em vez disso ele é o Criador Eterno, e, como Criador, ele era o Eterno, e como o Eterno, ele criou.[vi]

A observação por meio sociocultural não é suficiente para uma conceituação antropológica.


O estudo teológico não tem por obrigação somente a instrução dos cristãos no âmbito devocional e eclesiástico. Toda construção teológica desembocará em resultados práticos na vida de um receptor, daquele que for recipiente do discurso dogmático. A teologia não serve como um depósito de debates infindáveis e sem utilidade (embora tenha sido assim em muitos casos), a teologia deve atender e responder questões ligadas a Deus, a sua igreja, ao homem como ser criado e onde ele está inserido na sociedade. A teologia versa ou dialoga com todas as áreas do conhecimento, sobrepujando-as. Ela é, por assim dizer, superior a todos os campos de conhecimento, por ter como objeto de estudo a revelação escrita de Deus. Com isso não estou invalidando a importância dos variados campos do saber, pelo contrário, Deus tem dois “livros” que o revelam, a revelação geral e a especial/histórico-redentiva. As duas, com distinta importância, mas, a última como superior a primeira, conforme nos mostra o Salmo 19.

A teologia reformada tem sido um baluarte desde a reforma protestante. Lutero, Calvino e os demais reformadores foram pensadores sociais também, sua teologia era missional, encarnacional, aplicada a realidade de sua época de forma que o Evangelho responde questões referentes ao homem e seu habitat. Toda construção da antropologia social irá versar sobre questões contingentes e não contingentes em relação à vivência humana ou a seus aspectos observacionais e psicológicos. Conquanto muitas vezes ou a maioria delas, essas observações são tomadas como axiomáticas de forma que tais observações acabam ser tornando “canônicas” na determinação de quem é o homem, o que ele faz aqui, qual é sua função no âmbito social e qual é o propósito de sua vida. Toda essa construção tem um viés ideológico e espiritual, tudo que promove exame da persona irá atrelar-se ou pelo menos tentar ligar-se a realidade, o problema é que a realidade acerca do que é o homem e seu propósito escatológico somente pode ser determinado por uma conceituação fora do homem. A forma de saber quem é o homem e porque ele está aqui é algo espiritual, nem o epicurismo, nem o marxismo, nem o freudismo, nem o psicologismo, nem o sexismo, nem o feminismo, nem sócio-construtivismo tem condições de determinar o que é o homem, a antropologia através de suas investigações observacionais pode até eximir algum raio de luz em relação ao que é o homem, mas, não pode de forma observacional apenas, dizer o que é o homem. O ser humano não pode ser apenas observado eticamente [vii], nem êmicamente [viii], mas, de forma que seja observado por um prisma maior e eficaz, em que a ética e a observação êmica serão julgados por um exame êmico-teológico.

Um arcabouço doutrinário/teológico frouxo nunca poderá produzir um pensamento social e político coerente com o Ser de Deus revelado nas Escrituras. Uma teologia que mina a soberania de Deus e a vileza e o estado caído do homem e sua total inabilidade para alcançar a Deus, produzirá um sistema de pensamento contrário ao cristianismo bíblico. Toda teologia que defende a autonomia da razão humana será um pressuposto para sistemas políticos totalitários, opressores, ímpios, e promotora de atitudes contrárias a uma ética que sobrepuje a construção ideológica.

Sem uma correta abordagem teológica viabilizada pela dogmática cristã, não podemos construir ou descobrir qual é o modelo correto de sociedade, política, abordagens artísticas, métodos educacionais, crescimento dos campos do saber. A teologia irá nos mostrar, através de suas abordagens do dogma cristão, como Deus deseja que sua criação funcione. É entendível que não há na Bíblia uma fórmula sagrada para a composição de sinfonias, ou uma determinação musical sagrada para a utilização de determinados compassos, ou para uma sacramentalização de determinados instrumentos musicais. Como não há uma fórmula bíblica para técnicas de artes plásticas, ou uma aprovação teológica ao impressionismo ou expressionismo quanto escolas de arte, não há uma ordenança bíblica para se tomar o cubismo ou dadaísmo como escolas de arte cristãs ou mesmo o surrealismo como algo fundamental para a cristandade. O que teremos nas Escrituras é o estabelecimento de uma cosmovisão criacional e redentora. A partir da criação e dos mandatos estabelecidos em Gênesis 1.26-30, temos todo um fundamento para a visão cristã de mundo que será desenvolvido e aplicado em todas as Escrituras.

Podemos concluir  que a cosmovisão cristã é fundamentalmente criacional e redentora. O motivo básico cristão de criação –  queda – redenção é muito importante para uma correta leitura teológica que estabelecerá a ponte para percepções cristãs de mundo. Essa percepção cristã do mundo se exalta sobre toda e qualquer cosmovisão concorrente. Como nos diz Ronald Nash:

Óculos corretos são capazes de por o mundo em foco mais claro - e a cosmovisão correta pode funcionar de um modo muito parecido. Quando alguém olha o mundo pela perspectiva da cosmovisão errada, o mundo não faz muito sentido. Ou o que a pessoa pensa fazer sentido estará, na verdade, errado em aspectos importantes. Aplicar o esquema conceitual correto, isto é, ver o mundo através da cosmovisão correta, pode ter repercussões importantes para o resto da compreensão da pessoa de acontecimentos e ideias.[ix]

Com essa afirmação de Nash podemos dizer que, em grande medida, cosmovisões não cristãs tem sua dose de niilismo. Não há propósito último. Numa cosmovisão cristã que se desenvolve a partir de uma abordagem criacional, temos claramente uma ordem básica de entendimento em
arche, ethos e escathon. Existe um criador de todas as coisas e esse criador estabeleceu leis para o funcionamento de todas as coisas e para suas criaturas. Essas leis, sejam elas as leis naturais que estarão ligadas a uma abordagem da teologia natural ou leis preceituais ligadas a revelação especial de Deus, uma teologia redentiva, uma revelação que leva a humanidade a salvação. Essa revelação está em Jesus Cristo encarnado, verbo de Deus e nas Sagradas Escrituras. Com isso estabelecido, é evidente que todo esse plano criacional tem um fim, um escathon. Aqui está a importância da progressividade e organicidade da revelação de Deus aos homens; a Bíblia. A teologia da revelação é crescente e progressivamente dirigida ao clímax da história da redenção de toda criação, essa redenção final contempla tanto os homens como o mundo criado, a restauração de todas as coisas cumpre o escathon de Deus. Sem uma cosmovisão criacional e redentora não chegaremos a uma compreensão escatológica do plano divino.

O passo mais importante para os cristãos é tornar-se informado sobre a cosmovisão cristã, uma visão abrangente e sistemática da vida e do mundo como um todo. Nenhum crente hoje pode ser realmente eficaz na arena das ideias até que tenha sido treinado a pensar em termos de cosmovisão.[x]

Ronald Nash mais uma vez nos esclarece a importância da cosmovisão para o mundo visto por óculos redentivos. Sem essa compreensão, cristãos não terão condições de cumprirem devidamente sua missão, que não é apenas evangelizar, mas, glorificar a Deus entre todas as nações. Por isso nos diz o Salmo 98:

Cantem ao Senhor um novo cântico, pois ele fez coisas maravilhosas; a sua mão direita e o seu braço santo lhe deram a vitória! O Senhor anunciou a sua vitória e revelou a sua justiça às nações. Ele se lembrou do seu amor leal e da sua fidelidade para com a casa de Israel; todos os confins da terra viram a vitória do nosso Deus. Aclamem o Senhor todos os habitantes da terra! Louvem-no com cânticos de alegria e ao som de música! Ofereçam música ao Senhor com a harpa, com a harpa e ao som de canções, com cornetas e ao som da trombeta; exultem diante do Senhor, o Rei! Ressoe o mar e tudo o que nele existe, o mundo e os seus habitantes! Batam palmas os rios, e juntos, cantem de alegria os montes; cantem diante do Senhor, porque ele vem, vem julgar a terra; julgará o mundo com justiça e os povos, com retidão. Salmos 98 (NVI)

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Notas:
[i] Ronaldo Lidório - Comunicação e Cultura, Ed. Vida Nova, 2014, p.59.
[ii] Franklin Ferreira –  O Credo dos Apóstolos – As doutrinas centrais da fé cristã, p.110,111. Ed. FIEL.
[iii] Louis Berkhof - Teologia Sistemática, p.119. Ed. Cultura Cristã.
[iv]  Ao tratar de ordem missional na criação ressalto que tudo que foi criado por Deus rende glória ao Criador, a criação adora ao Criador e lhe obedece às ordens que são manifestadas como obra da providência, sejam de forma ordinária ou de forma extraordinária, logo concluo que a criação também atende a um chamado missional no que se refere a proclamar a glória de Deus (Salmos 19).
[v] Charles Hodge - Teologia Sistemática, p. 422, ed. Hagnos.
[vi] Herman Bavinck - Dogmática Reformada, vol 2, p. 438 – Ed. Cultura Cristã.
[vii] Me refiro ao julgamento cultural baseado em valores culturais peculiares de um povo, ao utilizar o termo ética aqui não há ligação com o julgamento da ético-teológico, mas, a um sistema de costumes e valores de um povo sendo ou não antagônicos ao cristianismo.
[viii] Ao me referir e usar o termo êmico, bem trabalhado pelo antropólogo e missiólogo, Ronaldo Lidório, verso sobre a observação do homem pela lente dele mesmo, observando a cultura por pela ótica do nativo, isolando tal análise de um exame teológico.
[ix] Ronald Nash - Cosmovisões em conflito, Editora Monergismo, p.27.
[x] Ibdem, p.22.

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Sobre o autor: Thomas Magnum é bacharel em teologia pelo Centro de Estudos Teológicos Brasileiro; Bacharel em Comunicação Social pela Faculdade Joaquim Nabuco; Mestrando em Estudos Teológicos pelo Mints International Seminary, Miami. É professor de Teologia Sistemática no Seminário Congregacional do Nordeste (Campus Recife e Maceió) e no Seminário Presbiteriano Fundamentalista do Brasil, campus Recife. É presbítero na Igreja Evangélica Congregacional de Casa Amarela na cidade do Recife em Pernambuco.
Fonte: Electus
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