O ataque dos teístas relacionais à Expiação - 3/3



por John MacArthur


Evangelicalismo? Dificilmente

Claramente, Brown, Pinnock, Greg Boyd e a maioria dos principais defensores do novo modelo do teísmo relacional querem ser aceitos como evangélicos. Próximo do fim de seu artigo, Brow pergunta em voz alta se o novo modelo de pensamento tem lugar debaixo do guarda-chuva evangélico. Mas ele fornece um quadro mais útil das boas-novas de Deus ou é um “outro evangelho”?

As gerações mais antigas de evangélicos teriam respondido essa questão sem hesitação, declarando que a mensagem do teísmo relacional é “outro evangelho” (Gl 1.8, 9). Além disso, seria exatamente assim que eles teriam respondido se socinianos, unitaristas, liberais e vários outros mascates de novas teologias tivessem feito o mesmo desafio ao “velho modelo”.

Infelizmente, o principal segmento dessa geração de evangélicos parece carecer da vontade ou do conhecimento de decidir se os teístas relacionais são lobos em pele de cordeiro ou se são verdadeiros reformadores. Mas deve ser claramente afirmado: por qualquer definição de evangelicalismo com integridade histórica, o teísmo relacional se opõe ao próprio núcleo de verdades que os evangélicos representam. Portanto, por qualquer definição bíblica, eles são hereges, pregadores de um evangelho diferente. Essas duas acusações são substanciadas pelo abandono da expiação substitutiva por parte do teísmo relacional.

De fato, a única diferença significativa entre os teístas relacionais de hoje e os socinianos de tempos passados é que os socinianos negavam a divindade de Cristo, o que os teístas relacionais ostensivamente não fazem. Por outro lado, os teístas relacionais negam a divindade do próprio Deus, humanizando-o e tentando reconciliá-lo com os modernos padrões de correção política.

Em “Evangelical Megashift”, Robert Brow alega que “a influência do vento [a teologia do novo modelo] chega inesperadamente através de cada fenda quando nós lemos As Crônicas de Nárnia, de C. S. Lewis”. Lewis não era um teólogo, e não há dúvida de que suas posições foram atenuadas no que diz respeito às penas eternas. Ele afirmava outras posições que causavam arrepios no velho modelo evangélico, mas seria espantoso se ele realmente tivesse simpatia pela posição dos teístas relacionais sobre uma divindade domesticada e diminuída.

Nas Crônicas de Nárnia, Aslan, o feroz e amoroso leão, representa Cristo. Suas garras são espantosamente terríveis, cortam como facas quando as unhas estão à mostra, mas são macias e aveludadas quando as unhas estão encolhidas. Ele é tanto bom quanto temível. Quando as crianças do conto de Lewis olharam para ele, elas “começaram a tremer”. Sr. Castor diz sobre ele: “Ele é selvagem, vocês sabem. Ele não é um leão domesticado”. E Lewis, como narrador, observa: “As pessoas que não estiveram em Nárnia talvez pensem que uma coisa não possa ser boa e má ao mesmo tempo”.

Esse mesmo falso pressuposto básico foi o ponto inicial da heresia do teísmo relacional. Os teólogos do novo modelo partiram do pressuposto de que Deus não podia ser bom e terrível ao mesmo tempo e, a partir daí, começaram a despir Deus daqueles atributos de que eles não gostavam. Assim como os socinianos e os liberais que os precederam, os teístas relacionais procuram orientar a questão de forma a fazer com que Deus seja “bom” de acordo com uma definição humanista, terrena, de “bom”. Eles estão inventando um deus de sua própria autoria.

No livro final da série Crônicas de Nárnia, um macaco ímpio coloca uma pele de leão sobre um asno e finge que ele é Aslan. Essa é uma sinistra e perigosa pretensão, e no fim ela conduz à perdição de incontáveis narnianos. O deus do teísmo relacional é como um asno com pele de leão, e está afastando muitas pessoas do glorioso Deus das Escrituras. Deus é bom e temível. Sua ira é tão real quanto seu amor. Ele é aquele que “guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocenta o culpado” (Êx 34.7) sem satisfazer sua própria justiça e sua ira.

Os verdadeiros evangélicos nunca abandonam essas verdades, e aqueles que não podem digerir Deus da forma em que ele se revelou não têm o direito de rotular-se de “evangélicos”. Essas são questões pelas quais vale a pena lutar, como provam tanto a história da Igreja quanto as Escrituras. O surgimento do teísmo relacional é uma grave ameaça à causa do verdadeiro evangelho. Deus pode levantar uma nova geração de guerreiros evangélicos com coragem e convicção para lutar pela verdade da expiação substitutiva.


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Fonte: Eu não sei mais em quem eu tenho crido / Douglas Wilson (org.) - São Paulo: Cultura Cristã, 2006. Págs. 92-93

Leia também: 
O ataque dos teístas relacionais à Expiação - 1/3
O ataque dos teístas relacionais à Expiação - 2/3
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O Ataque dos Teístas Relacionais à Expiação - 2/3



por John MacArthur


A doutrina bíblica da expiação substitutiva


Na cruz, Deus fez de Cristo uma propiciação – uma satisfação da ira divina contra o pecado (Rm 3.25). O sacrifício que Cristo ofereceu foi um pagamento da penalidade pelo pecado, penalidade que foi estabelecida por Deus. Cristo ofereceu a si mesmo sobre a cruz a Deus. Ele “nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave” (Ef 5.2, itálico acrescentado). Sua morte foi um sacrifício oferecido para saciar a justiça de Deus. Essa foi a única forma pela qual Deus podia continuar sendo justo enquanto justificava os pecadores (Rm 3.26). Essa foi a única forma pela qual ele podia perdoar o pecado sem comprometer sua própria justiça e santidade. 

A Escritura expressamente ensina isso. Cristo morreu em nosso lugar e em nosso favor. Cristo se ofereceu “uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos” (Hb 9.28). Ele “carregou em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados” (1Pe 2.24), e, quando foi pregado sobre a cruz, ele sofreu a plena ira de Deus em nosso favor. “Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” (Is 53.4, 5). “O Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos
” (Is 53.6). “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar” (Gl 3.13). Esses são princípios estabelecidos no sistema sacrificial do Antigo Testamento, e não conceitos extraídos dos paradigmas legais grego e romano, como os teístas relacionais tanto alegam.  

Foi Deus quem decretou e orquestrou os eventos da crucificação. Atos 2.23 diz que Cristo foi “entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus”. A mão e o conselho de Deus determinaram cada faceta do sofrimento de Cristo (At 4.28). De acordo com Isaías 53.10, “ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar”. Esse mesmo versículo diz que o Senhor fez de seu Servo uma “oferta pelo pecado”. Em outras palavras, Deus puniu Cristo pelo pecado sobre a cruz, e, portanto, fez dele uma oferta pelo pecado. Toda a ira e vingança do Todo-Poderoso ofendido foi colocada sobre ele, e ele se tornou o Cordeiro sacrificial que carrega os pecados de seu povo. 

Essa é a essência do livro de Hebreus. “É impossível que o sangue de carneiros e de bodes remova pecados” (Hb 10.4). O verso 10 diz: “Nessa vontade é que temos sido santificados, mediante a oferta do corpo de Jesus Cristo, uma vez por todas”. Muito claramente esses versos estão ensinando que Cristo foi sacrificado como uma expiação sangrenta para cumprir as exigências da justiça de Deus. Não é de se espantar que muitos achem chocante essa verdade. Ela é chocante. E ela é profunda. Ela deve nos colocar prostrados diante de Deus. Qualquer “novo modelo” que diminua ou negue a verdade do sofrimento vicário de Cristo nas mãos do próprio Deus é um “modelo” seriamente defeituoso.

O que você pensa quando pondera a morte de Cristo sobre a cruz? O teísmo relacional reafirma a velha mentira liberal de que ele foi basicamente um mártir, uma vítima da humanidade – entregue à morte nas mãos de homens maus. Mas a Escritura diz que ele era o Cordeiro de Deus, uma Vítima da ira divina. 

O que fez com que as misérias de Cristo sobre a cruz fossem tão difíceis de suportar não foi o escárnio, nem a tortura, nem o abuso dos homens maus, foi o fato de que ele levou sobre si todo o peso da fúria divina contra o pecado. Os sofrimentos mais dolorosos de Jesus foram não somente aqueles infligidos pelos cravos, pregos e espinhos, a mais excruciante agonia que Cristo suportou foi a plena penalidade pelo pecado em nosso favor – a ira de Deus derramada sobre ele em medida infinita. Lembre-se de que quando ele, finalmente, clamou em agonia, foi por causa das aflições que ele recebeu da própria mão de Deus: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mc 15.34). Nós não podemos sequer começar a saber o que ele sofreu.

Essa é uma terrível realidade a ser ponderada. Mas nós temos coragem para não seguir os teístas relacionais na rejeição da noção de que ele suportou a punição de seu Pai por causa de nossos pecados, pois nessa verdade está a própria espinha dorsal do genuíno Cristianismo. Essa é a principal razão pela qual a cruz é uma ofensa (cf. 1Co 1.18). 

A Escritura diz: “[Deus] o [Cristo] fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (2Co 5.21). Nossos pecados foram imputados a Cristo, e ele suportou o preço cruel de ser nosso substituto. Da mesma forma, sua justiça foi imputada a todos os que crêem, e esses crentes ficam diante de Deus plenamente justificados, vestidos com as puras vestes brancas da perfeita justiça de Deus. Em outras palavras, esse é o sentido do que aconteceu na cruz para cada crente: Deus tratou Cristo como se ele tivesse vivido nossa vida pecaminosa, de forma que ele possa nos tratar como se nós tivéssemos vivido a vida perfeita e imaculada de Cristo. 

Negue a natureza vicária da expiação – negue que nossa culpa foi transferida a Cristo e que ele suportou a penalidade correspondente a ela – e você terá negado o próprio fundamento de nossa justificação. Se nossa culpa não foi transferida a Cristo e paga na cruz, como a justiça de Cristo pode ser imputada a nós para nossa justificação? Toda visão deficiente da expiação tem que lidar com esse problema, e, infelizmente, aqueles que compreendem equivocadamente o sentido da expiação, invariavelmente, acabam proclamando um evangelho diferente, um evangelho que nega o princípio da justificação pela fé. 


A luta pela expiação

A expiação é um tema teológico que tem sido debatido desde que Anselmo de Canterbury (1033-1109) começou a focalizar a clara luz da Escritura sobre esse tão negligenciado e geralmente mal compreendido aspecto da redenção. A Igreja primitiva, consumida por controvérsias sobre a Pessoa de Cristo e a natureza da Divindade, mais ou menos tomou por certa a doutrina da expiação. Ela raramente era um assunto de debate ou análise sistemática nos escritos da Igreja primitiva, mas, quando os Pais da Igreja escreveram sobre a expiação, eles empregaram a terminologia bíblica sobre resgate e propiciação. 

Poucos argumentam que os Pais da Igreja tinham uma compreensão bem formada da expiação como uma substituição penal, mas Augustus Hodge salientou que a idéia de expiação vicária estava mais ou menos implícita em sua compreensão, exatamente como se ela fosse “geralmente deixada em um alto grau como pano de fundo e misturada confusamente com outros elementos da verdade ou da superstição”. Especificamente, alguns dos Pais da Igreja pareciam confusos sobre a natureza do resgate pago por Cristo – especialmente sobre a questão de a quem esse resgate era devido. Alguns deles pareciam pensar que esse resgate foi pago a Satanás, como se Cristo tivesse pago uma taxa ao demônio para libertar os pecadores. Essa posição geralmente é chamada de teoria do resgate da expiação.

Contudo, de acordo com Hodge, “com poucas exceções, toda a Igreja, desde o começo, tem afirmado a doutrina da redenção no sentido de uma propiciação literal de Deus através da expiação do pecado”. Certos comentários sobre o resgate de Cristo, feitos pelos Pais da Igreja, não deveriam ser admitidos como afirmações doutrinárias estudadas e conscientes, mas como expressões infantis de uma deformada e inadequada doutrina da expiação. Philip Schaff, comentando sobre a falta de clareza sobre a expiação nos escritos da Igreja primitiva, diz:

“Os mestres da Igreja primitiva viviam mais em grata alegria da redenção do que em reflexão lógica sobre ela. Nós percebemos em suas exibições desse abençoado ministério a linguagem de um sentimento entusiástico em vez da linguagem de uma análise aguda e de definições cuidadosas”. Contudo, Schaff acrescenta: “Todos os elementos essenciais da posterior doutrina da redenção podem ser encontrados, de forma expressa ou implícita, antes do fim do século 2º” 

Até Anselmo, nenhum teólogo de ponta tinha gasto realmente muita energia na sistematização da doutrina bíblica da expiação. Anselmo escreveu sobre esse assunto a obra Cur Deus Homo? [Por que Deus se Tornou Homem?], oferecendo evidência bíblica de que a expiação não foi um resgate pago por Deus ao demônio, mas um débito pago a Deus em favor dos pecadores, uma satisfação da justiça divina. A obra de Anselmo sobre a expiação lançou os fundamentos para a Reforma Protestante e se tornou o próprio coração da teologia evangélica. A articulação da doutrina de Anselmo, conhecida como teoria da substituição penal, há muito tempo tem sido considerada um aspecto essencial de toda doutrina verdadeiramente evangélica. Historicamente, todos aqueles que abandonaram essa posição passaram a integrar movimentos fora do evangelicalismo.

Um contemporâneo próximo de Anselmo, Pedro Abelardo, respondeu com uma posição sobre a expiação que é virtualmente a mesma posição mantida por alguns dos principais teístas relacionais modernos. De acordo com Abelardo, a justiça de Deus é submissa ao seu amor. Ele não exige pagamento pelo pecado. Em vez disso, o valor redentivo da morte de Cristo consistiu no poder do exemplo amoroso que ele deixou para que os pecadores seguissem. Essa posição é geralmente chamada de teoria da influência moral da expiação. A posição de Abelardo foi posteriormente adotada e refinada pelos socinianos do século 16 (como discutido acima).

Claro, como acontece com a maioria das heresias, há um pedacinho de verdade na teoria da influência moral. A obra expiatória de Cristo é a expressão consumada do amor de Deus (1Jo 4.9, 10). Ela também é um motivo para o amor do crente (1Jo 4.7, 8, 11), mas o grande problema com a abordagem de Abelardo é que ele fez da expiação nada mais que um exemplo. Se Abelardo estivesse certo, a obra de Cristo na cruz nada realizaria de objetivo em favor dos pecadores – pois não haveria o aspecto de propiciação real na morte de Cristo. Isso faz com que a redenção do pecador seja essencialmente nossa responsabilidade. Os pecadores são “redimidos” por seguirem o exemplo de Cristo. A “salvação” é reduzida a uma reforma moral motivada pelo amor. Trata-se de uma forma de salvação pelas obras.

A posição de Abelardo sobre a expiação é a doutrina que está no núcleo da teologia liberal. Como toda forma de salvação pelas obras, ela é um evangelho diferente daquele apresentado como boas-novas na Escritura.

Uma terceira posição sobre a expiação foi inventada por Hugo Grotius (1583- 1645) durante a controvérsia arminiana na Holanda. Conhecida como a teoria governamental da expiação, essa posição é uma espécie de meio-termo entre Abelardo e Anselmo. De acordo com Grotius, a morte de Cristo foi uma demonstração da justiça de Deus, mas não um pagamento real em favor dos pecadores. Em outras palavras, a cruz mostra com o que se pareceria a punição pelo pecado se Deus o tratasse como merece, mas nenhum pagamento vicário do débito dos pecados foi feito por Cristo.

Grotius, assim como Abelardo e os socinianos, cria que Deus pode perdoar pecados sem qualquer tipo de pagamento, mas dizia que a dignidade e autoridade da lei de Deus ainda precisavam ser afirmadas. O pecado é um desafio ao direito que Deus tem de governar. Se Deus simplesmente negligenciasse o pecado, ele estaria abrindo mão de seu direito moral de governar o universo. Dessa forma, a morte de Cristo foi necessária para manter sua autoridade como governante, pois ela provou sua prontidão e seu direito de punir, muito embora ele renuncie às reivindicações de sua justiça contra pecadores arrependidos. A morte de Cristo, portanto, não foi uma substituição pela punição merecida por alguma outra pessoa, mas simplesmente um exemplo público da autoridade moral de Deus e de sua aversão ao pecado.

Em outras palavras, diferentemente de Abelardo, Grotius viu que a morte de Cristo revelou tanto a ira quanto o amor de Deus. Como Abelardo, contudo, Grotius cria que a expiação foi exemplar, e não substitutiva. Cristo realmente não sofreu no lugar de qualquer outra pessoa. A expiação não teve uma realidade objetiva em favor dos pecadores, ela foi somente um gesto simbólico. A morte de Cristo foi somente um exemplo e a redenção, portanto, depende completamente de algo que o pecador precisa fazer. Dessa forma, a teoria governamental também resulta inevitavelmente em salvação pelas obras.

O novo modelo teísta relacional parece vacilar entre duas opiniões erradas, às vezes ecoando o governamentalismo de Grotius, às vezes ecoando suspeitosamente a teoria de Abelardo, mas uma coisa sobre a qual todos os teístas relacionais concordam é esta: Anselmo e a posição da substituição penal da expiação são obsoletos, parte de um modelo ultrapassado que eles mal podem esperar para que o movimento evangélico jogue fora.

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Continua nos próximos dias...

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Fonte: Eu não sei mais em quem eu tenho crido / Douglas Wilson (org.) - São Paulo: Cultura Cristã, 2006. Págs. 87-91

Leia também: 

O ataque dos teístas relacionais à Expiação - 1/3
O ataque dos teístas relacionais à Expiação - 3/3 (em breve)
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O ataque dos teístas relacionais à Expiação - 1/3

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Por John MacArthur


Há mais de uma década, um artigo controvertido em Christianity Today anunciou o surgimento do teísmo relacional. O artigo “Evangelical Megashift” foi escrito por Robert Brown, um proeminente teólogo canadense. Brown descreveu uma mudança radical no horizonte evangélico – uma “mega mudança” em direção a um “novo modelo” de pensamento, distanciado do teísmo clássico (que Brown rotulou de “velho modelo” teológico). O que o artigo destacava era o movimento que hoje é conhecido como visão “relacional” de Deus, ou“teísmo relacional”. 

Embora o próprio Brown seja um defensor do teísmo relacional, seu artigo de 1990 nem exaltou nem condenou essa mega mudança. Nele, Brown procurou apenas descrever como a nova teologia era radicalmente diferente do conceito evangélico de Deus, propondo novas explicações para conceitos bíblicos como ira divina, justiça divina, julgamento e expiação – e assim por diante, sobre cada aspecto da teologia evangélica. 

A questão de uma Divindade manipulável 

O artigo de Brown retratou o novo modelo teológico em termos benevolentes. Ele viu o movimento como uma tentativa de remodelar algumas das mais difíceis verdades da Escritura, empregando paradigmas mais amigáveis para explicar Deus. 

De acordo com Brown, o velho modelo teológico coloca Deus sob uma luz severa. No evangelicalismo do velho modelo, Deus é um magistrado rigoroso cujo julgamento é um veredito cruel e inflexível. O pecado é uma ofensa contra sua lei divina; a ira de Deus é a fúria de um soberano indignado, é uma retribuição sem alento pelo pecado; e a expiação pode ser adquirida somente se o pagamento total pela penalidade judicial do pecado for feito.

No novo modelo teológico, contudo, o modelo de Deus como magistrado é colocado de lado em favor de um modelo mais congênito – o modelo de Deus como um Pai amoroso. Os pensadores do novo modelo querem eliminar as conotações negativas associadas com as difíceis verdades bíblicas, tais como a ira divina e a justa retribuição de Deus contra o pecado. Dessa forma, eles simplesmente redefinem esses conceitos utilizando modelos que evocam “a ternura de um relacionamento familiar”. Por exemplo, eles sugerem que a ira divina nada mais é que um tipo de desprazer paterno que inevitavelmente faz com que Deus nos dê encorajamentos amorosos. Deus é um “juiz” somente no sentido dos juízes do Antigo Testamento (como Débora, Gideão ou Samuel) – significando que ele é um defensor de seu povo, e não uma autoridade que move um julgamento contra ele. O pecado é simplesmente um “mau comportamento” que rompe a comunhão com Deus, e a solução para ele é sempre correção, nunca retribuição. Nem mesmo o inferno é realmente uma punição, mas a maior expressão da liberdade dos pecadores, porque, de acordo com o pensamento do novo modelo, “a destinação ao inferno não é uma sentença judicial”– de forma que, se alguém vai para lá, é puramente por escolha própria. 

Foram-se todos os vestígios da severidade divina. Deus foi diminuído e domesticado. De acordo com o novo modelo teológico, Deus não deve ser pensado como justamente indignado contra a desobediência de suas criaturas. Aliás, o artigo de Brown tinha um subtítulo: “Por que você pode não ter ouvido sobre ira, pecado e inferno recentemente”. Ele caracterizou o Deus do novo modelo teológico como uma divindade mais gentil, amorosa e amigável. 

Além disso, um dos principais objetivos da mega mudança promovida pelo teísmo relacional parece ser eliminar completamente o temor do Senhor. De acordo com Brown, “ninguém negaria que é mais fácil se relacionar com um Deus percebido como mais gentil e amoroso”. 

Logicamente, o Deus do velho modelo teológico também é incessantemente gracioso, misericordioso e amoroso (um fato que não poderia ser percebido na grosseira caricatura que os defensores do novo modelo pintam quando descrevem “o velho modelo da ortodoxia”). Mas os teólogos do velho modelo ensinam que há mais no caráter de Deus do que beneficência. Deus também é santo, justo e irado contra os ímpios todos os dias (Sl 7.11). Ele é ardente em sua indignação contra o pecado (cf. Sl 78.49; Is 13.9-13; Sf 3.8). O temor do Senhor é a própria essência da verdadeira sabedoria (Jo 28.28; Sl 110.10; Pv 1.7; 9.10; 15.33). O “temor do Senhor” é até mesmo motivo para o evangelismo (2Co 5.11). “Nosso Deus é fogo consumidor” (Hb 12.29; cf. Dt 4.24) e “terrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hb 10.31). 

Contudo, os teístas relacionais estão determinados a eliminar ou deixar de explicar toda característica do caráter de Deus exceto aquelas que são instantaneamente “percebidas como gentis e amorosas”. Eles não querem se comprometer com um Deus que exige ser temido. Sua teologia tem o objetivo de construir uma divindade manipulável, um deus com o qual “é mais fácil se relacionar” – um ser semi-divino que foi despido de todas as características da glória e da majestade divina que possam provocar qualquer temor ou medo na criatura. Eles o transformaram em um gentil e inofensivo criado celestial.

Redefinindo a expiação 

Acima de tudo, o deus do novo modelo nunca exige qualquer pagamento pelo pecado como uma condição para o perdão. De acordo com o novo modelo, se Cristo sofreu por nossos pecados, foi somente no sentido de que ele “absorveu nosso pecado e suas consequências” – certamente não que ele tenha recebido qualquer punição imposta por Deus em nosso lugar na cruz. Ele simplesmente tornou-se participante conosco no problema humano de dor e sofrimento (afinal, a “dor e o sofrimento” terrenos são exatamente as piores consequências do pecado que os teólogos do novo modelo podem imaginar). 

O ponto mais perturbador no artigo de Robert Brown é uma observação dispensável quase incidental já perto do fim, na qual ele afirma que, de acordo com a teologia do novo modelo, “a cruz não foi um pagamento judicial”, mas simplesmente uma expressão visível, espaço-temporal, de como Cristo sempre sofreu por causa de nosso pecado. Em outras palavras, de acordo com o novo modelo teológico, a obra expiatória de Cristo não foi verdadeiramente substitutiva; ele não fez um pagamento de resgate pelo pecado; nenhuma culpa foi imputada a ele; Deus não o puniu como um substituto pelos pecadores. Nada de seu sofrimento na cruz foi administrado por Deus. Em vez disso, de acordo com o novo modelo, expiação significa que nossos pecados são simplesmente “perdoados” pelo simples exercício da tolerância amorosa de Deus; nosso relacionamento com Deus é normalizado; e Cristo “absorveu as consequências” de nosso perdão (o que provavelmente significa que ele sofreu a indignidade e vergonha que acompanham a resignação à ofensa). 

Então o que significa a cruz, de acordo com os teólogos do novo modelo? Muitos deles dizem que a morte de Cristo foi nada mais que uma exposição pública das terríveis consequências do pecado – de forma que, oferecendo seu sangue para satisfazer a justiça de Deus, Cristo estava apenas demonstrando os efeitos do pecado para cumprir uma percepção pública de justiça. Outros teólogos do novo modelo vão ainda mais além, virtualmente negando a necessidade de qualquer tipo de resgate pelo pecado. Além disso, todo o conceito de um pagamento para expiar a culpa do pecado é um non sense se os teístas relacionais estiverem certos. 


Dessa forma, os teólogos do novo modelo modificaram drasticamente a doutrina da expiação de Cristo, e nesse processo eles formaram um sistema que em nenhum sentido é verdadeiramente evangélico, mas é um repúdio do núcleo da singularidade do evangelho. Realmente não é exagerado dizer que sua doutrina rala e franzina da expiação oblitera o verdadeiro significado da cruz. De acordo com o teísmo relacional, a cruz é simplesmente uma prova demonstrativa da “espontaneidade para sofrer” que Cristo tinha – e, nessa visão aguada da expiação, ele sofre juntamente com o pecador, e não no lugar do pecador. 

É minha convicção que esse erro é a raiz de uma árvore doente que nunca poderá gerar frutos (cf. Mt 7.18-20; Lc 6.43). A história da Igreja está cheia de exemplos daqueles que rejeitaram a natureza vicária da expiação de Cristo e, portanto, naufragaram na fé. 

A redução sociniana 

De fato, as inovações do “novo modelo” descritas por Robert Brown no artigo de 1990 – e os princípios distintivos do teísmo relacional, inclusive a posição dos teístas relacionais sobre a expiação – não são um “novo modelo”. Elas cheiram a Socinianismo, uma heresia que floresceu no século 16. 

Assim como o moderno teísmo relacional, o Socinianismo do século 16 foi uma tentativa de livrar os atributos de Deus de tudo aquilo que parecia cruel ou severo. De cordo com o Socinianismo, o amor é o atributo governante de Deus. Seu amor essencialmente subjuga e anula seu desprazer pelo pecado. Sua bondade cancela sua ira. Portanto, de acorodo com os socinianos, Deus é perfeitamente livre para perdoar os pecados sem exigir pagamento de qualquer tipo. 

Além disso, os socinianos argumentavam que a idéia de que Deus exige um pagamento pelos pecados é contraditória com a própria noção de perdão. Eles alegavam que os pecados podiam ser redimidos ou resgatados, mas não os dois. Se um preço deve ser pago, então os pecados não são verdadeiramente “perdoados”. E se Deus realmente deseja perdoar o pecado, então nenhum pagamento de resgate é necessário. Além disso, de acordo com o argumento sociniano, se um preço é exigido, então a graça não é mais graça do que qualquer transação legal, como o pagamento de um ticket de zona azul. 

Inicialmente, esse argumento pode parecer sutilmente apelativo à mente humana, mas ele é completamente contrário ao que a Escritura ensina sobre graça, expiação e justiça divina. Ele depende de definições daqueles termos que ignoram o que a Escritura ensina claramente. 

A graça não é incompatível com o pagamento de um resgate. Foi puramente pela graça que o próprio Deus (na Pessoa de Cristo) fez o pagamento que nós devíamos ter feito. De fato, de acordo o 1João 4.9, 10, essa é a expressão consumada da graça e do amor divino – que Deus prontamente enviou seu

Filho para suportar um mundo de culpa e morrer pelo pecado para propiciar sua justa indignação, satisfazer plenamente sua justiça, e, portanto, redimir os pecadores:

Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” [grifo acrescentado] (1Jo 4.10). Cristo veio para ser “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). Essa linguagem é uma clara referência ao sistema sacrificial do Antigo Testamento, deliberadamente evocando o conceito de expiação, que, no sistema sacrificial judaico, envolvia o pagamento de um preço de sangue, uma penalidade pelo pecado. 

Além disso, qualquer pessoa que estude o que a Escritura tem a dizer sobre o perdão de pecados verá muito rapidamente que a aspersão do sangue de Cristo é o único fundamento sobre o qual os pecados podem ser perdoados. Não pode haver perdão a menos que um resgate sangrento seja pago. Lembre-se, isso é exatamente o que socinianos e teístas relacionais negam. Eles dizem que o perdão é incompatível com o pagamento de uma penalidade – os pecados que devem ser resgatados nunca foram remidos verdadeiramente. Mas Hebreus 9.22 refuta claramente essa alegação: “Sem derramamento de sangue não há remissão”.

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Continua nos próximos dias...

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Fonte: Eu não sei mais em quem eu tenho crido / Douglas Wilson (org.) - São Paulo: Cultura Cristã, 2006. Págs. 83-87

Leia também: 
O ataque dos teístas relacionais à Expiação - 3/3 (em breve)
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O conhecimento exaustivo de Deus sobre o futuro



por John Frame


[...] A responsividade divina observada nas Escrituras não nos refuta a crença no decreto eterno e na presciência exaustiva de Deus. Mas a Escritura dá testemunho da presciência eterna de Deus?

A Escritura tipicamente nos mostra o conhecimento de Deus sobre o futuro através do fenômeno da profecia. Um aspecto da profecia é a predição de eventos futuros. Além disso, uma evidência que revela um verdadeiro profeta é que suas predições sobre eventos futuros deve ser verdadeira (Dt 18.22). Em Isaías, Deus desafia os deuses das outras nações a predizerem o futuro, sabendo que somente ele é capaz de fazer isso (Is 41.21-23; 42.9; 43.9-12; 44.7; 46.10; 48:3-7).

Os teístas relacionais concordam que há um elemento preditivo na profecia, mas insistem em que esse elemento preditivo não implica que Deus tenha presciência exaustiva. Para mostrar isso, eles enumeram três tipos de profecia:

Uma profecia pode expressar a intenção de Deus em fazer alguma coisa no futuro, independente da decisão da criatura. Se a vontade de Deus é a única condição exigida para que alguma coisa aconteça, se a cooperação humana não está envolvida, então Deus pode garantir seu cumprimento de forma unilateral e pode anunciar esse cumprimento com antecedência... Uma profecia também pode expressar o conhecimento que Deus tem de que alguma coisa acontecerá porque as condições necessárias para isso foram cumpridas e nada pode evitá-la. Na época em que Deus predisse a Moisés o comportamento de Faraó, o caráter desse governante era tão rígido que seu comportamento era totalmente previsível... Uma profecia também pode expressar o que Deus quer fazer se certas condições forem cumpridas. 

Eu concordo que na Escritura há profecias de todos esses tipos. Eu discuti acima as profecias condicionais, e é claro que eu admito que Deus pode anunciar suas próprias ações independentemente da decisão das criaturas. O segundo tipo de profecia que Rice menciona deve ser problemático para os teístas relacionais, porque (como foi mencionado anteriormente com relação à interpretação de Boyd sobre Judas) ela sugere que algumas decisões humanas (a decisão de Faraó, na citação de Rice) são moralmente responsáveis, muito embora elas claramente não sejam livres no sentido libertarista. É estranho ver os teístas relacionais falando em “condições necessárias” para o comportamento de uma pessoa e usando termos como “rígido” e “totalmente previsível” – linguagem determinista em apoio à posição libertarista! É claro que, para os teístas relacionais, Faraó e Judas se endureceram antes de seu endurecimento se tornar irreversível, isto é, uma vez que o endurecimento surgiu, Deus fez com que essas pessoas fossem responsáveis por ações que não podiam ser evitadas.

Eu creio, contudo, que, além das profecias desse tipo, há outros tipos que (1) não afirmam simplesmente as intenções divinas, mas dependem, para seu cumprimento, das escolhas humanas; (2) implicam em que as decisões de Deus determinam as escolhas humanas; e (3) não são meramente condicionais.

Considere, como exemplos, as antigas profecias da história do povo de Deus, dadas por Deus a Noé (Gn 9.26, 27), Abraão (Gn 15.13-16), Isaque (Gn 27.27-  29, 39, 40), Jacó (Gn 49.1-28), Balaão (Nm 23 – 24) e Moisés (Dt 32.1-43; 33.1-29). Aqui Deus anuncia (de forma categórica, e não condicional), com muitos séculos de antecedência, o caráter e a história dos patriarcas e de seus descendentes. Essas profecias antecipam incontáveis decisões livres de seres humanos, muito tempo antes que qualquer um dos envolvidos tivesse tempo de formar seu caráter.

Em 1Samuel 10.1-7, o profeta Samuel diz a Saul que, depois que deixa Samuel, encontrará três homens, e mais adiante um grupo de profetas. Samuel lhe diz precisamente o que os três homens levarão e quais serão os acontecimentos da jornada. Através de Samuel, Deus claramente antecipa em detalhes as decisões livres dos homens e profetas sem nome, tanto quanto os eventos da jornada. Compare um registro semelhantemente detalhado dos movimentos de um inimigo de guerra em Jeremias 37.6-11.

Em 1Reis 13.1-4, Deus, através do profeta, diz ao ímpio rei Jeroboão que levantará um rei fiel, chamado Josias. Essa profecia foi feita três séculos antes do nascimento real do rei Josias. Compare referências em Isaías 44.28 – 45.13 ao rei persa Ciro aproximadamente um século antes de seu nascimento. Muitos casamentos, muitas combinações de esperma e óvulo, muitas decisões humanas foram necessárias para que esses indivíduos fossem concebidos, nascessem, assumissem o trono e cumprissem essas profecias. Esses textos pressupõem que Deus sabe como todas essas contingências serão cumpridas. O mesmo é verdade com relação a Jeremias 1.5, onde se diz que Deus conhecia Jeremias antes que ele estivesse no ventre materno e o designou para ser um profeta. Compare também a conversa entre Elias e Hazael da Síria, em 2Reis 8.12, e a detalhada cronologia futura em Daniel 9.20-27 sobre a vida dos impérios e a vinda do Messias. 

A Escritura não é duvidosa ao mostrar como Deus consegue esse conhecimento extraordinário. Deus conhece, como eu disse anteriormente, porque ele controla todos os eventos da natureza e da história por seu próprio plano sábio. Deus faz tudo de acordo com sua sabedoria (Sl 104.24) e realiza tudo de conformidade com o propósito de sua vontade (Ef 1.11). Portanto, Deus sabe tudo sobre as estrelas celestiais (Gn 1.15; Sl 147.4; Is 40.26; Jr 33.22) e sobre os menores detalhes do mundo natural (Sl 50.10, 11; 56.8; Mt 10.30). “Deus o sabe” é uma forma de expressão semelhante a um juramento (2Co 11.11; 12.2, 3) que garante a verdade das palavras humanas sobre o pressuposto de que o conhecimento de Deus é exaustivo, universal e infalível. O conhecimento de Deus é conhecimento absoluto, uma perfeição pela qual ele deve ser louvado (Sl 139.17, 18; Is 40.28; Rm 11.33-36).  

Dessa forma, “Deus conhece todas as coisas” (1Jo 3.20) e  

Não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas” (Hb 4.13).  

Esse conhecimento inclui o conhecimento exaustivo do futuro? Considerando a inadequação dos argumentos dos teístas relacionais, a forte ênfase da Escritura sobre o conhecimento exaustivo de Deus sobre o futuro e o ensino bíblico de que o plano de Deus abrange toda a história, nós devemos dizer que sim.

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Fonte: Eu não sei mais em quem eu tenho crido - Douglas Wilson (org.) - São Paulo: Cultura Cristã, 2006. Págs. 79-81
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Uma breve resposta a uma rápida pergunta

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Por James Anderson


O teólogo arminiano Roger Olson postou uma rápida questão para seus interlocutores calvinistas (seja quem for estes):

Aos meus interlocutores calvinistas eu pergunto: se o livre arbítrio como escolha não causada é logicamente incoerente, o que dizer sobre a decisão de Deus de criar o mundo?

O Dr. Olson aparentemente acha que isto levanta um problema para os calvinistas, mas eu realmente não tenho certeza por quê. A ideia, presumivelmente, é que a decisão de Deus em criar foi não causada e, portanto a ideia de uma escolha não causada deve ser logicamente coerente. Mas a questão tem várias suposições problemáticas por trás dela.

Em primeiro lugar, poucos defensores contemporâneos do livre arbítrio libertariano (LFW) admitiriam que isto envolva escolhas não causadas. Eu suspeito que a maioria dos filósofos cristãos hoje que sustentam o livre arbítrio libertariano aceitam alguma versão do agente causal. Mas nesta visão, as escolhas livres não são não-causadas; elas são causadas pelo agente (sem causa suficiente antes). Se o Dr. Olson pensa que o livre arbítrio libertariano (LFW) envolve escolhas não causadas (como ele parece crer, dada a forma como ele coloca a questão) então eu diria que ele está em uma minoria até mesmo entre seus companheiros libertários.

Mas deixemos essa questão de lado. O principal problema aqui é que os calvinistas não precisam estar comprometidos com a ideia de que o livre arbítrio libertariano é logicamente incoerente. Sim, há alguns calvinistas que têm esta visão. Mas ela não é implicada pelo calvinismo propriamente dito. Um calvinista pode consistentemente sustentar que o livre arbítrio libertariano é uma ideia coerente, mas que ela na verdade não é esclarecida (isto é, criaturas poderiam ter tido livre arbítrio libertariano, mas na verdade não têm).

Na verdade, um calvinista pode ir mais longe e dizer que enquanto o livre arbítrio libertariano propriamente dito pode ser coerente (isto é, não há nada incoerente com a ideia de livre arbítrio libertariano) é necessariamente falso que quaisquer criaturas têm livre arbítrio libertariano. Ele pode sustentar (como muitos calvinistas fazem) que o livre arbítrio libertariano humano é incompatível com a onisciência divina ou providência divina meticulosa. E se Deus possui seus atributos de onisciência e soberania essencialmente (isto é, ele não poderia falhar em possuir aqueles atributos) então o livre arbítrio libertariano deve ser impossível no sentido lógico amplo: não há mundo possível no qual as criaturas tem livre arbítrio libertariano. (Isto não quer dizer, é claro, que as criaturas não poderiam ter livre arbítrio em algum outro sentido significante). Mas isto não se segue a partir da afirmação de que o livre arbítrio libertariano humano é logicamente impossível que o livre arbítrio libertariano propriamente dito é logicamente incoerente. O calvinista poderia consistentemente sustentar uma das seguintes visões:

1. O livre arbítrio libertariano é logicamente coerente, e Deus tem livre arbítrio libertariano, e necessariamente nenhuma criatura tem.

2. O livre arbítrio libertariano é logicamente coerente, mas Deus não tem livre arbítrio libertariano, e necessariamente nenhuma criatura tem.

Então, é difícil ver por que os calvinistas deveriam estar abalados pela pergunta de Olson. Ele relata uma troca de E-mail com John Frame na qual (como ele recorda) ele extraiu uma concessão do Dr. Frame no sentido de que o livre arbítrio libertariano deve ser coerente se nós admitimos que Deus faz escolhas livres. Mas por que nós deveríamos considerar tal concessão significante? Isto não levanta nenhum problema para o calvinismo.

Uma observação final. A pergunta de Dr. Olson também é pressuposta na hipótese de que nós devemos conceder que Deus tem livre arbítrio libertariano se nós afirmamos que Deus escolheu livremente criar. Mas esta hipótese não está além da questão também. Steve Cowan, por exemplo, argumentou que há alguns problemas com construir a liberdade divina nos termos libertários padrão. Portanto esta hipótese não pode simplesmente ser presumida e passar despercebida. Mas ainda que ela produza a ideia de que Deus tem livre arbítrio libertariano, isto não deveria fazer nenhum calvinista se envergonhar. Os calvinistas têm muitas outras boas razões para negar que as criaturas tem livre arbítrio libertariano sem ter que argumentar que o livre arbítrio libertariano propriamente dito é logicamente incoerente.

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Fonte: Analogical Thoughts
Tradução: Francisco Alison Silva Aquino
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Bate papo zona sul - com Rev. Augustus Nicodemus

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Confira a entrevista com o Rev. Augustus Nicodemus, realizada por Jorge Alberto da Igreja Congregacional da Zona Sul de Campina Grande/PB, falando de vários assuntos. Gravado durante da 14º edição da consciência cristã realizada em Campina Grande, PB. Assista:


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Todos serão salvos no final?

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Por Rev. Augustus Nicodemus Lopes


Os que acreditam que Deus, no final, vai perdoar, receber e dar a vida eterna a todos os seres humanos são geralmente chamados de universalista ou restauracionistas. Esta última expressão vem de apokatastasis, termo grego tirado de Atos 3:21. Ali, o apóstolo Pedro fala da “restauração de todas as coisas”. Apesar de Pedro estar se referindo à restauração da criação, os universalistas entendem que a salvação de toda a raça humana está incluída no processo. 

O universalismo, portanto, é a crença de que, ao final da história deste mundo, Deus haverá de salvar todos os seres humanos, reconciliando-os consigo mesmo mediante Jesus Cristo. Nesta crença, não há lugar para a doutrina da punição eterna, a saber, a ideia de um inferno onde os pecadores condenados haverão de sofrer eternamente por seus pecados.

Muitos podem pensar que o universalismo é coisa recente de pastores modernos, como o famoso Rob Bell, por exemplo. Todavia, a salvação universal de todos é uma ideia muito antiga. O conceito já era encontrado entre os primeiros mestres gnósticos, e constituiu uma heresia que ameaçou o Cristianismo no primeiro século. Cerca de cem anos depois de Cristo, pais da Igreja como Clemente de Alexandria e seu famoso discípulo Orígenes defendiam explicitamente o universalismo. Orígenes acreditava, inclusive, que o próprio diabo seria salvo no final. Já na Reforma do século 16, Lutero, Calvino e os demais protagonistas das mudanças na Igreja igualmente rejeitaram a ideia da salvação universal de todos ao final. 

O principal argumento usado em defesa do universalismo é que a Bíblia descreve Deus como sendo essencialmente amor: A consequência lógica é que o amor de Deus haverá de vencer ao final, salvando todos os homens da condenação merecida por seus pecados. 

Mas, será que a Bíblia diz que o Senhor é somente amor? Encontramos no Novo Testamento quatro afirmações sobre o que Deus é, e três delas são feitas por João: Deus é “espírito” (João 4.24); “luz” (1João 1.5); e “amor” (1João 4.8,16). A quarta é contundente: “Deus é fogo consumidor” (Hebreus 12.29, reiterando o texto de Deuteronômio 4.24). É claro que essas afirmações não são definições completas de Deus – não têm como defini-lo no sentido estrito do termo –, mas revelam o que ele é em sua natureza. “Deus é amor” significa que ele não somente é a fonte de todo amor, mas é amor em sua própria essência. É importante, entretanto, reconhecer que, se Deus é amor, ele também é espírito, luz e fogo consumidor. 

É preciso manter em harmonia esses aspectos do ser de Deus, pois só assim é possível compreendê-lo como um Senhor que é amor e castiga os ímpios com ira eterna. “Fogo” e “luz” são metáforas, é verdade; porém, metáforas apontam para realidades. No caso, elas querem simplesmente dizer: “Deus é santo e verdadeiro; ele se ira contra o pecado e não vai tolerar a mentira. E punirá os pecadores impenitentes.”

O maior problema que os universalistas enfrentam é lidar com as passagens da Bíblia onde, claramente, se estabelece uma divisão na humanidade entre salvos e perdidos e aquelas outras onde, abertamente, se anuncia o inferno como o destino final dos pecadores não arrependidos. A divisão da humanidade em salvos e perdidos é central nas Escrituras do Antigo Testamento (Deuteronômio 30.15-20; Jeremias 21.8; Salmo 1; Daniel 12.2 e muitas outras). Foi o próprio Jesus quem anunciou esta divisão de maneira clara no seu sermão escatológico, ao profetizar o juízo final onde a humanidade será repartida entre ovelhas e cabritos – sendo os segundos destinados ao fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos, ao contrário daqueles destinados à felicidade eterna (Mateus 25.31-46). 

Foi o próprio Jesus quem anunciou a realidade do inferno, mais do que qualquer outro personagem do Novo Testamento: “Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não seja todo o teu corpo lançado no inferno” (Mateus 5.29); “Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo” (10.28). Mais adiante, no capítulo 23 do evangelho de Mateus, a advertência de Cristo é clara: “Serpentes, raça de víboras! Como escapareis da condenação do inferno?

No evangelho de Marcos, uma série de admoestações alerta sobre a realidade do inferno. Ao longo de três versículos do capítulo 9, o Mestre diz que é melhor ao fiel perder uma mão, um pé ou um dos olhos a ser “lançado no inferno”, caso aqueles membros o levem ao pecado. Já Lucas registra um diálogo travado entre Abraão, o patriarca, e um homem rico e impiedoso que foi lançado no fogo eterno, descrito como um lugar de “choro e ranger de dentes”. E, finalmente, uma passagem do evangelho de João explica bem a diferença entre morrer crendo ou rejeitando a salvação: “Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora, à semelhança do ramo, e secará; e o apanham, lançam no fogo e o queimam” (João 15.6).

O universalismo é um erro teológico grave. Na verdade, mais que isso, é uma perigosa heresia. Além de não pertencer ao mundo teológico dos autores do Antigo Testamento e do Novo Testamento, a ideia da salvação universal traz diversos riscos. 

Em primeiro lugar, por enfraquecer e, finalmente, extinguir todo espírito missionário e evangelístico. Se todos serão salvos ao final – inclusive os ímpios renitentes, pecadores não convertidos, incrédulos e agnósticos –, por que pregar-lhes o Evangelho? Os universalistas transformam a chamada ao arrependimento da Igreja num simples anúncio auspicioso de que todos já estão salvos em Cristo, e traveste sua missão em apenas ação social. 

Segundo, porque essa doutrina falsa, levada às últimas conseqüências, acarreta necessariamente no ecumenismo com todas as demais religiões mundiais. Se todos serão salvos, as religiões que professam não podem mais ser consideradas certas ou erradas, e se tornam uma questão indiferente. Logo, o correto seria buscar uma união de todos, pois ao final teremos todos o mesmo destino.

Por último, o universalismo é um forte incentivo a uma vida imoral. Por mais que sejamos refratários à ideia das pessoas fazerem o que é certo por terem medo do castigo de Deus, ainda assim, temer “aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma quanto o corpo” (na descrição de Mateus 10.28) ainda é um dos mais poderosos incentivos de Jesus para que vivamos vida santa e reta. A tendência natural do pecador que está seguro de que não sofrerá as consequências de seus pecados é mergulhar ainda mais neles. Assim, o universalismo retira os freios da consciência e abre as portas para uma vida sem preocupações com Deus.

O fato de que eu defendo a verdade bíblica do sofrimento eterno dos ímpios não significa que eu tenha prazer nisto. Só deveríamos falar deste assunto com lágrimas nos olhos e uma oração pelos perdidos em nossos lábios.

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Fonte: Augustus Nicodemus, via Facebook
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O perigo da fé presumida

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Por Frank Allred


Por trás de todas essas falsas esperanças está o pecado da soberba. A pessoa que tem uma forma de religião presume que seu cumprimento de obrigações religiosas o colocará nas boas graças de Deus. A pessoa supersticiosa presume que é do seu interesse praticar certos ritos e gestos religiosos, e a pessoa farisaica presume que ela é boa o suficiente para ir ao céu pelos seus próprios méritos.

Uma pessoa presunçosa é aquela que toma as coisas por certo. Em questões de religião, ela é uma pessoa que pensa que pode confiar nas suas próprias ideias não averiguadas sobre Deus. Ela baseia sua "fé" em vagas noções sobre a bondade de Deus. Ela faz as pazes consigo mesma ao ignorar a evidência das Escrituras e reprimindo sua consciência. A presunção não tem limites. Ela pode se desfazer do inferno simplesmente ao considerá-lo como uma ideia pouco atraente e consegue transformar o céu num lugar onde os ímpios descansam em paz. A esperança que a presunção oferece é tão real quanto o pote de ouro no fim do arco-íris, isto é, esperança nenhuma.

Ao enfrentar decisões importantes na vida, a maioria das pessoas é sábia o bastante para não presumir nada. Quando elas estão doente, consultam o médico; quando estão comprando uma casa, chamam uma avaliador; quando estão comprando um carro usado; pedem para um bom mecânico examiná-lo. No entanto, quando se diz respeito à questão mais importante de todas - o destino eterno delas - muitas pessoas estão preparadas para confiar nas suas próprias presunções e não fazem nenhum esforço para descobrir a verdade. A explicação para esse comportamento tolo não é difícil de encontrar. Não é preciso engolir o orgulho para consultar o médico, o avaliador ou o mecânico. Todavia, o cristianismo lida com questões de pecado e culpa. E visto que a pessoa presunçosa se considera tão bem-informada como qualquer outra pessoa, ela não admitirá sua necessidade de orientação sobre a salvação. Seu próprio bom senso, pensa ela, é tão bom quanto o de qualquer outra pessoa e é só isso que importa.

O pecado da presunção impediu que os israelitas entrassem na terra prometida. Quando chegou a hora de capturar a terra, eles se recusaram a confiar em Deus; em vez disso, confiaram em seu próprio discernimento. Entretanto, quando ouviram qual seria seu castigo (nem um deles jamais veria a terra), mudaram de ideia e decidiram atacar. "Por que transgredis o mandado do Senhor?" indagou Moisés. "Pois isso não prosperará. Não subais, pois o Senhor não estará no meio de vós, para que não sejais feridos diante dos vossos inimigos." Contudo, persistiram e sua presunção levou a uma derrota humilhante (Números, capítulo 14). Essas coisas foram escritas para o nosso conhecimento - nossa "terra prometida" não será ganha ao seguirmos nossos próprios planos presunçosos, e sim ao confiarmos na Palavra de Deus (Hebreus 4.1-3).

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Fonte: Como Posso Eu ter Certeza? Ed. PES, págs. 77 e 78.
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Fred Benê Twist e o tsunami universalista na Água Suja

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Por Leonardo Gonçalves


Acabo de ouvir uma preleção do pastor Fred. Nela, ele afirma categoricamente que arrependimento e confissão de pecados não são critérios para assentar-se à mesa de Deus no reino celestial. Tendo como texto base João 1.29, ele defende que o cordeiro de Deus tirou o pecado do mundo, e que isso envolve todos os pecados de todas as pessoas, quer tenham se arrependido ou não, de modo que as pessoas podem ser salvas, sem a necessidade de se arrependerem e confiarem em Jesus.

Fred já foi um cara do bem. Infelizmente, o discurso que ele tem sustentado atualmente só mostra o quanto ele anda longe da verdade. Se antes ele era uma das poucas vozes que se levantam contra o erro religioso, hoje se destaca como um dos maiores hereges deste país e um dos mais perigosos, já que seu discurso mistura verdades e mentiras que são oferecidas em um só pacote. Em uma mesma pregação ele esculacha os falsos profetas da prosperidade, ganhando a aprovação de seus seguidores para depois introduzir o veneno mortal do universalismo, teísmo aberto e outras heresias sinistras que uma vez abraçadas, conduzem a uma classe de engano ainda maior que a teologia da prosperidade que ele tanto detesta (e nós do Púlpito Cristão também).

Para quem não sabe muito sobre este tema, o Universalismo é a crença no fato de que todos serão salvos no final, isto é, todos os homens irão para o Céu com o Senhor, independente do que pensem sobre Cristo. Os universalistas enfatizam muito o amor e a compaixão de Deus, e por isso acreditam que ele não enviará pessoas para o inferno. No entanto, a Escritura é clara quanto ao destino eterno dos homens: Salvação para aqueles que se arrependeram e creram em Cristo, e tormento eterno para aqueles que rejeitaram o filho de Deus. Em Mateus 25:46 diz: “E irão estes [não-redimidos] irão para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna”.

O universalismo nega a existência do inferno e coloca em duvida a integridade de Cristo. Como disse meu amigo, pastor Renato Vargens, “Se Jesus repetidamente advertiu sobre o inferno. (Mateus 5:21-22, 27-30; 23:15,33.), então, negar a existência do inferno é rejeitar a autoridade de Jesus. Seria estranhamente inconsistente aceitar Cristo como Senhor, mas rejeitar um aspecto de Seu ensino. Além do mais, isto seria colocar uma gigantesca falha moral no caráter de Cristo, se Ele ensinasse sobre a realidade do inferno quando na verdade ele não fosse um perigo para ninguém”.

O Universalismo também anula a necessidade do arrependimento e da fé como apresentadas na Escritura. Como disse o Dr Russel Shedd: “De acordo com o Novo Testamento, a salvação de qualquer pessoa, judeu ou gentio, dependia da confissão que Jesus é Senhor (normalmente no batismo que marcava a morte e ressurreição com Cristo) e crer na ressurreição de Jesus (Rm 10.9). Todos que se arrependiam e criam eram incluídos nos salvos. A Grande Comissão que Jesus deu aos seus seguidores foi de fazer discípulos de todas as nações, batizando e ensinando-os a obedecer tudo que Jesus ensinou (Mt 28.19,20)”.

As vezes me pergunto por que é que tanta gente segue o Fred Benê, apesar do cara falar tantas heresias inúteis, e a única razão que encontro é a ignorância bíblica disfarçada de intelectualidade que predomina entre os jovens da Água Suja. Vivemos uma época em que há tão poucos mentores sérios por aí, que qualquer maluco beleza que fale umas palavras bonitas e não tenha medo de peitar o Pedir Maiscedo, Silas Maracutaia e os profetas da prosperidade acaba sendo aclamado como profeta de Deus, mesmo que seja um herege em outro sentido.

Espero sinceramente que o pastor Fred se arrependa de sua pregação. Espero que os seus seguidores reflitam neste texto e repensem sua teologia. Desejo de todo coração que estes jovens atuem como bereianos, leiam suas bíblias e comparem o ensino do seu pastor com as declarações do pastor Jesus. Animo estes irmãos a procurarem o Fred Benê a fim de indagar acerca deste tema. Espero que o façam com amor, com desejo de trazê-lo ao arrependimento e à luz.

Gostaria de terminar este texto citando mais uma vez o Dr Russell Shedd:

“Mesmo que pareça convincente o argumento exegético, quem examinar mais profundamente encontrará boas razões para rejeitar a salvação universal. Considerar estes textos dentro do seu contexto mais amplo convencerá o intérprete não preconceituoso que os autores bíblicos não estão declarando a possibilidade de salvação sem fé no Senhor Jesus Cristo. Considere Hebreus 11.6 que diz que “sem fé é impossível agradar a Deus (…) O dualismo que divide toda a humanidade aparece em todo o Novo Testamento. O juiz tem sua pá na mão, limpará completamente a sua eira; “recolherá o seu trigo no celeiro, mas queimará a palha em fogo inextinguível” (Mt 3.11,12). Sem nascer de novo não há esperança de ver o Reino de Deus. Achar que o amor de Deus é tão extenso que ninguém pode cair fora dele, é uma crença muito conveniente para os que rejeitam o teor de todo o ensino da Bíblia. Não convém se arriscar em tão fraca esperança”.

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Feito à imagem do homem

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Por Jorge Fernandes Isah


Há a falsa premissa de que todos os caminhos levam a Deus; e de que Deus pode ser tocado e alcançado pelo esforço humano, seja qual for, desde que haja sinceridade e empenho e alguma dose de sacrifício no homem para se achegar, pois ele ama a diversidade e os esforços de união da humanidade [ecumenismo]. Ainda outro diz ser Deus amor, a tal ponto que nenhuma das suas criaturas, mesmo o diabo e seus anjos, perecerá, pois Deus não pode negar a si mesmo, logo, todos, sem exceção, serão salvos [universalismo]. Temos outra mentira: a de que Deus amou o homem a tal ponto que se colocou em seu próprio nível, descendo de sua condição de Deus para a de um “deus”, de tal forma que não pode intervir em nada na criação, estando tão impotente como um espectador diante de um filme [teísmo aberto].

Não citarei outras premissas equivocadas e falsas, pois estas são suficientes para exemplificar o meu argumento. Vejamos o que elas têm em comum: um “Deus” amoroso mas permissivo com o pecado e o erro.

Aos que são pais, ficará claro que os argumentos das três doutrinas são um absurdo [e não é necessário sê-lo para perceber o equívoco]. Por exemplo, qual de nós, em sã consciência, não puniria o filho que, furtiva e sorrateiramente, tomou dinheiro da nossa carteira? Alguns, talvez, não fizessem nada na primeira vez, seja lá o temor que tivessem para não puni-lo. Acontece que o filho, livre do castigo, iria uma segunda, terceira, quarta, quinta vez até a carteira, sempre surrupiando valores maiores, num crescente grau de delinquência. Por mais negligentes que sejam os pais, chegará um momento que o abuso passará de todos os limites, e ele dará um basta à situação [ainda que os motivos não sejam morais, mas meramente financeiros]. Portanto, mesmo que o pai seja irresponsável e não ame o filho, chegará um momento em que tomará a atitude de não sofrer mais o dano, denunciá-lo e puni-lo. Ainda que a pena seja a própria impossibilidade do filho continuar o seu crime [por exemplo, colocando o dinheiro em um cofre-forte]. Em certo sentido, não permitir que ele continue a praticá-lo é, em si mesmo, uma atitude ativa de penalizar-lhe a não desenvolver e satisfazer o seu desejo perverso.

E no caso de Deus?

Há de se considerar alguns pontos: primeiro, não se pode tirar nada de Deus. Segundo, Deus é autoridade, e por ele todas as coisas foram criadas e sustentadas. Logo, alegar passividade ou omissão da sua parte é ilegítimo e uma injúria. Terceiro, Deus é santo, e convir com o pecado ou o mal afetaria a sua santidade, o que faria dele um ser mutável. Se um pai, por mais relapso e fraco, chegaria ao ponto de não permitir mais os abusos do filho, o que levaria os adeptos dessas três doutrinas [entre outras] a acreditar que o Deus Todo-Poderoso o permitiria?

Mas alguém pode dizer: “O pai pode, simplesmente,  conviver com os furtos do filho sem se importar ou tomar alguma providência que o impeça de continuá-los. Sendo conivente com eles…”. Realmente, seria uma hipótese, que o tornaria no homem frouxo, amoral, omisso, negligente e cúmplice do filho. Ele seria o co-autor da subtração, o estranho caso de alguém colaborar e participar do crime contra si mesmo. E aí está a questão: alguém, que se diz cristão, e em sã consciência, pode alegar que Deus agiria assim?

Este é o ponto: para Deus ser o que os ecumênicos, universalistas e teístas-abertos reivindicam, teria de ser imoral, fraco, negligente, permissivo, participante do pecado e do mal; a transgredir sua própria lei; a infringir danos a si mesmo. O problema é fazer de Deus um formador de quadrilhas, a se associar ao crime. Por não punir o infrator, ele se tornaria em partícipe, que colaboraria de alguma forma na conduta típica do filho, o furto. Isso o faria ainda mais criminoso do que este; um criminoso qualificado, visto ter uma atuação pessoal e própria na qualificação do delito, ou seja, ele seria o fator estimulador, que incitaria os homens a cometê-lo, visto não puni-los, tendo o poder de fazê-lo. Assim Deus violaria sua própria lei, fazendo-se réu de si mesmo. É claro que o juiz não pode ser réu no mesmo processo, então, quem o seria?

Além de quebrar a sua própria lei, ele criaria um código moral inútil, que seria rasgado a cada delito cometido, ao ponto do pecado ser um delírio, uma divagação, uma intolerável e inadmissível possibilidade dentro da impossibilidade. Fazendo de “Deus” um artesão imperfeito, injusto, cínico… mas além disso o mantenedor do caos, ao se aproximar dele sem impedi-lo, ou ao se aproximar dele sem os meios suficientes para impedi-lo. No primeiro caso, ele seria dissoluto, no segundo, incapaz.

Quando ecumênicos, universalistas, teístas-abertos e outros, mesmo que se digam cristãos, dizem que o Cristianismo bíblico faz de Deus o autor do pecado, podemos replicar-lhes que os seus conceitos tornam-no o praticante do pecado. A Bíblia diz que Deus é o criador de todas as coisas, materiais e imateriais, boas e más, de sorte que nada, absolutamente nada, escapa-lhe do controle e da criação. Deus idealizou o pecado e o mal dentro de um plano perfeito, sábio e santo: o decreto eterno. Porém, ele não faz o mal, por simplesmente não poder fazê-lo, sendo bom. Ele não pode criar o caos, porque é o Deus ordeiro. Nem cometer o pecado, porque é santo. Em sua perfeição, não há imperfeição. Em sua imutabilidade, não há sombra de variação. Em seu poder, não há fraqueza. Em sua sabedoria, não há tolice. Quem pratica o mal e o pecado são suas criaturas, anjos e homens, segundo o seu poder e autoridade, mas não por sua ação direta. O fato de Deus ser efetivo e atuante em tudo não o torna no sujeito ativo de tudo [com isso não quero dizer que Deus seja passivo, mas ele não é o agente ativo do acontecimento, ainda que esteja a agir ativamente para que ele ocorra segundo o seu plano]. Com isso, estou a dizer que o homem nunca é passivo em seu pecado. Mesmo quando negligente ou omisso, o homem é ativo em pecar ou em concordar com o pecado. O grau de culpabilidade não o exime do dano. Dependerá sempre de sua decisão. E sua escolha o tornará réu do crime ou não.

Porém as doutrinas não-bíblicas fazem de Deus, em algum aspecto, o autor do crime, ainda que seja na condição de um espectador, uma testemunha de vista, um voyeur sádico.

Assim, só há duas religiões: a divina e a humana. Uma se contrapõe à outra. Infelizmente, alguns crentes e denominações cristãs têm se apegado a parte da verdade e não à sua totalidade, unindo-a ao paganismo e ao sincretismo para construir uma cosmovisão demoníaca e anticristã, onde Deus é um mero espectador, um observador lânguido a dar longos bocejos, ou a assentir tacitamente os desvios das suas criaturas.

Esse padrão é muito parecido com o da mitologia geral, em que deuses se misturam entre os homens como se fossem iguais, igualmente errando sem que possam mudar em nada o seu destino ou das suas criaturas. Em suas fraquezas, incertezas e confusões como poderiam julgar ou punir? Esse conjunto de ideias é como erguer casas no pântano ou na areia… desmoronarão irrevogáveis à menor investida, sem qualquer resistência.

Dentro da cosmovisão bíblica é impossível conservarem-se harmoniosas, racionais e lógicas. Pois elas partem do pressuposto de que o mundo pode ser entendido a partir dele mesmo, como se fosse auto-explicável, e de que não é necessário Deus para torná-lo inteligível e aplicável, mas de que o seu significado está muito além dele… de maneira que nem mesmo ele pode compreendê-lo.

O objetivo é um só: criar um conjunto uniforme de ideais que se oponha ao Cristianismo bíblico; operando a partir do ponto de vista relativista, pragmático e imanentista, colocando o homem como o ser supremo, o centro do universo; ou quando não, ele se encarregará de colocar outro em seu “trono”, de forma que será escravo de si pelos meios mais sórdidos e nefastos de se auto-subjugar: a rebeldia contra Deus e o amor pelo pecado.

Desta forma, a religião humanista [e nela, de certa forma, está contido o arminianismo] subverte algo do Cristianismo para moldar a síntese de que todas as concepções são legítimas, de que todos os caminhos são aceitáveis, vistos que eles ensinam e se preocupam apenas com o bem-estar do homem ou a liberdade de desejar e operar a autodestruição sem as consequências advindas dela: a condenação e o sofrimento eternos.

A cosmovisão que declara o verdadeiro estado de depravação e iniquidade do homem tem de ser combatida a fim de se resguardar a integridade humana e a sua absolvição diante de um tribunal que não julga e de um juiz comprometido com a injustiça. A cosmovisão a declarar que somente Cristo é a única possibilidade de reconciliação do homem com Deus, sendo ele o Verbo encarnado, pelo qual os pecados não nos são imputados, é exclusivista, e tem de ser erradicada. Um deus desobrigado consigo mesmo; ainda mais irresponsável que suas criaturas, as quais abusam da sua tolerância de consentir com aquilo que deveria impedir, é o arquétipo correspondente às muitas formas de auto-idolatria humana.

Não há lugar para a biblicidade, nem para Deus como o ser supremo, justo e santo, que irá julgar esse mesmo homem. Por isso, criou-se a imagem de um “Deus” paspalhão, um sentimentalóide tosco e tolo, que acaba por se sujeitar ao padrão estabelecido pelo homem e que o próprio homem desconhece quais serão as suas consequências. Esse “Deus” não é reconhecido na Escritura, nem em momento algum é visto ou descrito por ela; o que os levará, primeiramente,  à necessidade de relativizar e desqualificar o texto bíblico como a fiel palavra de Deus; colocando-o somente como mais um manual ético-moral entre tantos outros criados pela mente humana, e que nem mesmo deve ser observado, tendo-se em vista a sua contextualização cultural e temporal; cujo prazo de validade expirou.

Com isso, estão a dizer que a Escritura está ultrapassada, de que não há mais contato entre a verdade e o mundo atual… a verdade não tem mais lugar no presente século; tornou-se obsoleta, em um código que não exprime nenhuma sintonia com os nossos dias, não sendo mais do que a alternativa pífia para as mentes mais conservadoras, tacanhas e sub-desenvolvidas. E inclui-se também e, urgentemente, a necessidade de se destruir qualquer aspecto sobrenatural e histórico em suas páginas.

Num mundo subjetivo, onde as “verdades” são mutáveis e adaptáveis a todas as formas de corrupção, qualquer defesa da Bíblia, como a palavra fiel e inspirada de Deus, deve ser combatida. E o Estado, com a falsa premissa de ser laico, acaba por ser antireligioso, mas não o suficiente para impedir que “técnicas religiosas” se convertam em métodos “científicos” aplicados à satisfação humana. A prova está na aceitação pacífica do yoga, da acupultura e da ecologia [o culto secular da deusa "Gaia"... olha a mitologia aí, novamente] como o padrão aceitável de espiritualidade e civilidade humana. Qualquer referência ao Absoluto deve ser substituído por conceitos paliativos, que, quando muito, entretêm e prolongam os desejos e esperanças inalcansáveis. Eles sustentam a expectativa de que são possíveis, quando sua realização é improvável, e não passam de vãs promessas.

Assim todas as formas que possam se fundir ao humanismo são aceitas, exceto o Cristianismo Bíblico, ortodoxo e histórico, o qual não é antropocêntrico, mas teocêntrico, e por isso, tem de ser destruído.

Presenciamos a união entre o secular e o religioso com o único objetivo de erradicar o Deus biblico; e, para isso, têm de criar uma forma diluída ou descaracterizada da verdade; iludindo os incautos de que a mentira pode, em último caso, substituí-la eficientemente. Formas aparentemente cristãs são criadas como sabotadores, intrusos que invadirão a seara do Senhor e disseminarão o veneno da incredulidade e da dúvida; ou da incerteza como única convicção a se defender.

Custe o que custar, a esperança tem de morrer. Nem que para isso tenha-se de criar um “Deus” covarde. Feito à imagem e semelhança do homem.

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Fonte: NAPEC
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