Filmes, Séries e o Cristão Cinéfilo

image from google

Eis um dos assuntos que lideram o ranking dos mais falados entre os jovens cristãos. Sendo a Bíblia nossa regra de fé e prática, por que tirá-la de cena, ao tratar o assunto? Convém imitar as experiências pessoais de um “famoso da teologia” ou acatar as indicações do escritor de uma obra teológica fabulosa, de olhos vendados? Cabe saber quem lhes deu o papel de diretor das escolhas de alguém que têm a Palavra de Deus como script imutável da vida. Somos protestantes e temos acesso livre às Escrituras, não seguimos um papa, portanto somente uma interpretação bíblica cuidadosa importa.

Existem filmes produzidos por cristãos (poucos) e filmes produzidos por ímpios. Nos filmes produzidos por cristãos, os problemas não são as cenas de nudez, mas textos bíblicos mal interpretados, cabe a estes o mesmo cuidado que devemos ter com filmes produzidos por não cristãos com censura livre, nos quais não contêm cenas de sexo, nudez ou linguagem obscena (em sua maioria), mas podem ter por trás uma ideologia contrária às Escrituras. Para quem estuda a Palavra de Deus, o mais comum é identificar e condenar aquilo que está em desacordo com a mesma. Ao assistir a filmes cristãos, o bom senso não pode ser dispensado, pois é necessário para alertar um não cristão das cenas em que a teologia é trocada pela psicologia ou nas quais o texto bíblico recebeu uma interpretação não ortodoxa e defender a verdade bíblica, se por acaso o filme ferir aquilo que é essencial. Existem filmes voltados ao público infantil com forte apologia ao homossexualismo e outras práticas que a Bíblia condena claramente, é importante que os pais verifiquem o filme antes de deixar que a criança veja, porque ela pode não ter maturidade suficiente para filtrar essas ideologias antibíblicas.

Qual o problema em assistir 50 Tons mais Escuros?

image from google

No dia 10 de fevereiro de 2017, foi lançado o segundo filme da trilogia Cinquenta Tons de Cinza que começou a ser cinematografada há dois anos. A sequência chegou aos cinemas com o título de Cinquenta Tons mais Escuros e promete continuar explorando a proposta do uso do domínio e da violência nas relações sexuais. Os livros que deram origem à produção cinematográfica já haviam se tornado um prodígio de publicações e vendas. O fenômeno contabiliza mais de 100 mil cópias vendidas e traduzidas para 52 línguas.[1] Mas agora, com o lançamento dos filmes, o conteúdo dessa trilogia alcançará inúmeras outras pessoas que não tiveram acesso ao material escrito.

Tragicamente, muitas pessoas defendem que o conteúdo de Cinquenta Tons é apenas literatura fictícia, romântica e inofensiva. A internet está repleta de relatos defendendo esse material, sendo que alguns são escritos por mulheres, inclusive adolescentes. Não seria nenhuma surpresa encontrar dentre os autores, algumas pessoas que frequentam a igreja e professam a fé cristã! Mas, sejamos honestos, a única razão pela qual os livros e filmes se tornaram populares são as cenas de sexo e a proposta de um relacionamento sexual mais “picante”! A questão a ser levantada, porém, é se a proposta desse material é, de fato, tão inocente quanto se pensa.

Antes de continuar, preciso deixar claro que não li nenhum livro da série nem assisti a qualquer dos filmes. Isso pode, certamente, levar alguns a pensar que não estou autorizado a escrever sobre o assunto e muito menos oferecer uma análise crítica sobre esse material. Tudo que tenho feito até o momento é ler sobre esse fenômeno e assistir aos trailers expostos em aeroportos, TV e metrô.

Normalmente eu concordaria que não estou autorizado a emitir opinião sobre o assunto com tão pouco conhecimento. No entanto, creio que esse critério não se aplica quando o conteúdo a ser analisado é pornografia ou romance erótico. Portanto, entendo que a proposta dos Cinquenta Tons pode ser respondida à luz das Escrituras.

Não é necessário assistir a cada detalhe dessa trilogia para concluir que, no geral, sua mensagem é que o sexo pode ser praticado sem compromisso, de maneira egoísta, manipulativa e até violenta, desde que haja prazer ao final. Christian Gray, o nome do personagem principal, é alguém que usa e abusa de mulheres para obter o prazer sexual. Por outro lado, Anastácia, é alguém que se deixa dominar e ser abusada com o mesmo propósito. Daria até para ressaltar a estranha escolha feita pela autora dos nomes dos personagens principais, visto que Christian significa “cristão” e Anastácia, “ressurreição”, dois termos muito usados no cristianismo. Mas o objetivo deste ensaio é notar como a proposta dos Cinquenta Tons contraria o ensinamento bíblico e, por isso, não deveria ser apreciada pelos cristãos.

1. Sexo é uma expressão de amor e compromisso que reflete o sublime amor de Deus. De fato, sexo e todos os fatores físicos, emocionais e espirituais que o envolvem, são dons de Deus que ordenou a fecundidade humana (Gn 1.28). O contexto no qual esses dons podem ser desfrutados é o casamento sem mácula, no qual homem e mulher podem se relacionar sem se envergonharem (cf. Gn 2.15). Todavia, a pornografia e a literatura erótica zombam desses dons divinos, reduzindo o sexo ao mero envolvimento casual e praticado para a autogratificação. A mensagem dos Cinquenta Tons traz confusão à mente humana e obscurece o entendimento, pois glorifica o profano e despreza o sagrado.

2. Pensamentos lascivos conduzem a ações lascivas. O propósito de imagens e palavras eróticas é estimular o desejo sexual, mas geralmente de maneira corrompida. Como já foi dito, o desejo sexual não é mal em si, mas o estímulo do mesmo de maneira que contraria o padrão de Deus é pecaminoso e nocivo. O problema é que o cultivo desse desejo acaba resultando em comportamentos condenados pela Palavra de Deus. Seria correto afirmar que a literatura erótica e pornográfica não está interessada em ajudar casais a desenvolver relacionamentos mais sadios e santos. Mas as fantasias sugeridas por esse conteúdo são perigosas, pois conduzem a comparações doentias, enfraquece o comprometimento e debocha da santidade. Além do mais, aquele que muito fantasia, um dia desejará também praticar o que foi fantasiado.

3. O gênero de sexualidade encontrado nos “Cinquenta Tons” é um dos mais perniciosos. Na verdade, a sexualidade promovida por essa literatura é o sadismo ou o sadomasoquismo. De acordo com os seus defensores, a dor, a opressão, o sofrimento e a violência são fontes do prazer profundo. Nada poderia ser mais pernicioso do que isso! A perspectiva bíblica é que sexo é um meio de expressar cuidado e amor ao cônjuge. Nesse processo, tanto marido quanto esposa se entregam um ao outro carinhosamente e com alegria. A dor, a opressão e a violência acabam contrariando a natureza essencial do ato sexual.

4. O fato de se tratar de uma literatura fictícia não significa que o seu consumo seja sem consequências. De fato, não há literatura neutra, desprovida do propósito de influenciar seus leitores e nem filme que apenas entretenha seu público. Tudo o que penetra na mente acaba influenciando a cosmovisão, as emoções, o comportamento e os relacionamentos. Dessa maneira, não há nada que seja “simplesmente inocente”. Os consumidores dos Cinquenta Tons logo serão influenciados a pensar e agir em suas categorias e a considerar se o conteúdo desse material não poderia, de fato, ajudar em seus relacionamentos.

5. A Bíblia exorta a que sejamos criteriosos com o que permitimos moldar nossos pensamentos e desejos. Nesse sentido, o apóstolo Paulo escreveu aos filipenses: “Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento” (Fp 4.8). Qualquer pessoa honesta admitirá que o conteúdo dos Cinquenta Tons não passa nesse teste proposto pelo apóstolo. Portanto, o que deve ser sacrificado não é exortação bíblica, mas qualquer literatura ou conversação que a contrarie.

Finalmente, é preciso esclarecer que o cristão não necessita “estar por dentro” de todos os assuntos de impacto social. O fato de muitas pessoas estarem discutindo os Cinquenta Tons não é uma desculpa e nem uma sanção para que o crente se envolva com esse tipo de conteúdo. Os olhos do crente não precisam contemplar tudo que é divulgado como popularmente aceito, por mais tentador que seja. Em um artigo sobre esse assunto, Marshall Segal, membro da equipe do ministério Desiring God, lembra que “aqueles que optarem por ver menos hoje, poderão contemplar infinitamente mais na eternidade”[2], pois Jesus disse que os limpos de coração verão a Deus (Mt 5.8).

________________________
Notas:
[1]SEGAL, Marshall, “Fifty shades of Nay: Sin is a needle, not a toy”. Disponível em: www.desiringgod.org. Acesso em: 10.02.2017.
[2]Cf. Fifty shades of Gray. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Fifty_Shades_of_Grey. Acesso em: 10 de fevereiro de 2017.

***
Autor: Rev. Valdeci da Silva Santos
Fonte: IPCB - Igreja Presbiteriana do Campo Belo
.

O filme Quarto de Guerra e a batalha espiritual

image from google

O filme 'Quarto de Guerra' foi um dos melhores filmes que eu já assisti, tratando-se de arte cristã. Mas, mesmo assim, falta muito para ser considerado excelente.

Como é de praxe, todo filme cristão traz uma doutrina, de acordo com os pressupostos teológicos de seus idealizadores e neste filme não foi diferente. Infelizmente os filmes produzidos ultimamente sempre trazem doutrinas estranhas que são abraçadas por muitos. Uma delas, a qual creio ser a mais grave - por falta de entendimento de ambos os lados - é sobre o valor da oração. 

O filme mostra, do início ao fim, como nós devemos tratar a oração em nosso dia a dia. Até aí, sem problema algum. No entanto, o erro primordial é tratar a oração como se fosse a "arma principal" de nossa batalha espiritual.


Dois exemplos básicos que podemos ver na Bíblia que refutam essa ideia: Jesus, na tentação no deserto; e Paulo, falando de nossa batalha em Efésios 6. 

Quando Jesus foi tentado, antes disso ele que havia passado 40 dias de jejum orando ao Senhor, e aqui nós devemos entender que jejum não tem um tempo estipulado, não existe um tempo fixo para jejuar. No entanto, o jejum requer uma separação e entrega total para orarmos e lermos a Bíblia. Pois bem, após esse período de 40 dias, Jesus foi levado ao deserto para ser tentado. Como Jesus pode resistir às ofertas do Diabo? Usando a Palavra de Deus, neste caso, fazendo-se uso do Antigo Testamento (cf. Mt 4.4; Dt 8.3; Mt 4.7; Dt 6.16 e Mt 4.10; Dt 6.13).

O outro exemplo é quando Paulo disse que a nossa luta não é contra carne e contra o sangue, mas contra as potestade espirituais. O apóstolo nos mostra que existe uma armadura para resistirmos no dia mau (Ef.6.13): estar cingidos com a verdade, vestidos com a couraça da justiça (v.14); estar com os pés calçados na preparação do evangelho da paz (v.15); estar com o escudo da fé (v.16); e estar com o capacete da salvação e com a espada do Espirito, que é a palavra de Deus (v.17). 

Perceba que, o meio pelo qual Paulo diz que podemos resistir a essa batalha é a Palavra. No entanto, como eu disse acima, a oração por si só não é o único caminho, bem como somente a Palavra não é o único caminho, pois o próprio Jesus orou antes de ser tentado, além de Paulo mostrar ao final da descrição da armadura que devemos orar em todo tempo, com toda oração e súplica, vigiando e perseverando por todos os santos (v.18). 

Por fim, irmãos, em nossa batalha diária contra o pecado e as investidas de Satanás estejamos firmes e perseverantes na oração e leitura da Palavra de Deus, as duas ações devem viver juntas e nunca separadas.

Orare et labutare! 

***
Autor: Denis Monteiro
Fonte: Bereianos
.

O Fracasso Espiritual da Teologia da Prosperidade

.

Por Rev. Helio de Oliveira Silva


Essa semana assistimos com os jovens da igreja ao filme evangélico “Pregando o Amor”. Conta a história de um ex-traficante que é convertido a Cristo através do testemunho de sua namorada. É uma boa história de como a conversão a Cristo acontece com vários tipos de pessoas. Todavia, do ponto de vista pastoral e teológico a trama torna explícito muitos equívocos cometidos por cristãos, membros de igreja, quando o assunto é namoro, evangelização e vida cristã.

A tolerância e o incentivo ao namoro com incrédulos como estratégia evangelística da igreja é tomada com muita naturalidade. A conduta da personagem é tratada quase como um manual com os passos a serem seguidos quando esse for o caso.

Em nenhum momento há uma apresentação explícita de Jesus Cristo e seu sacrifício pelos nossos pecados como o fundamento da evangelização cristã. O arrependimento aparece no filme de forma bem superficial e o conceito de perdão exclui qualquer idéia de restituição. A experiência do jovem que enriqueceu com o tráfico e depois mudou de vida é bem diferente da experiência de Zaqueu que enriqueceu com a cobrança ilícita de impostos, mas que a sua conversão implicou em restituir a quem defraudou (Lc 10).

No filme, os cristãos não gostam de ser chamados de cristãos, mas apenas de “homens e mulheres de fé”, como acontece no caso das igrejas emergentes. Ainda há um toque explícito justificador da teologia da prosperidade, quando o pastor auxiliar da igreja estaciona sua belíssima Lamborguine branca no estacionamento da mega-igreja que os personagens freqüentam. Questionado sobre sua opulência, respondeu com ironia: “_Da última vez que li a Bíblia, ela não disse que era pecado ter estilo”.

Valores cristãos bíblicos como singeleza, simplicidade, frugalidade (relativo a frutos, sóbrio, comedido, simples, modesto) parecem não fazer parte do ensino bíblico sobre a vida cristã. Por isso, a obra missionária mundial definha em muitos lugares à medida em que a teologia da prosperidade avança nos países de maioria cristã. Igrejas grandes, carros caros, casas grandes e luxuosas vão tomando o lugar da fé simples em nossos corações. A secularidade avança sobre nós e nos seduz dizendo o tempo todo: _ Por que não usufruir? Por que não se permitir?! Enquanto em nossos olhos brilham reluzentemente os cifrões do Tio Patinhas.

Filmes como esse nos mostram claramente o fracasso espiritual da Teologia da Prosperidade, que embora seja pintada e filmada com glamour num enredo de vitória e sucesso, na verdade subverte a honra e a glória que são devidas unicamente a Cristo. O caminho da glória da Teologia da Prosperidade não é o caminho da cruz do Evangelho de Cristo, porque o primeiro busca a aprovação dos homens, enquanto o segundo serve unicamente à glória de Deus.

Com amor, Pr. Hélio.

***
Fonte: Blog do autor
.

Filme Noé: Fantasia Antibíblica



Por Roger Patterson


Um exame das escolhas de entretenimento do cristão e o filme NoéVer ou não ver?

[Alerta de spoilers: Esta breve análise revela certos elementos do filme Noé, mas apenas até o ponto de comunicar as preocupações com o filme. Esta crítica pré-lançamento se baseia em informações de uma variedade de fontes, inclusive afirmações de várias pessoas que foram à pré-estreia do filme e publicaram artigos em vários sites, assim como informações de um membro da equipe do Answers in Genesis que viu todo o filme na versão sem cortes em novembro de 2013. Eu fiz o melhor que pude para representar o filme de forma precisa com base nessas informações. Se houver algum equívoco revelado quando o filme for lançado, eu alegremente os corrigirei como um adendo a este artigo. A AiG publicará uma análise breve inicial em 28 de março e uma crítica completa assim que puder.]

Ultimamente, há muita discussão sobre se cristãos deveriam investir em certos filmes. Esses filmes vêm em vários formatos e têm níveis diferentes de precisão bíblica. Alguns são relatos fictícios retratando a vida de cristãos, enquanto outros presumem retratar relatos bíblicos na telona.

Minha esperança com este artigo é usar o filme Noé como um arcabouço para discutir a questão de assistir a filmes com temas cristãos e enredos bíblicos. Espero que você consiga entender os princípios discutidos aqui e aplicá-los a outras situações. Por exemplo, há um filme retratando o Êxodo a ser lançado no futuro, assim como outros que certamente virão. Eu não tenho a menor intenção de dizer a você o que fazer ou pensar (...). Antes, peço que você procure pensar com o filtro das Escrituras e tomar todo pensamento cativo à obediência de Cristo segundo a sua consciência quanto a essas questões.

Que fique claro, eu pretendo assistir o filme Noé com alguns colegas quando este sair, mas não por entretenimento. Eu pessoalmente creio que seja errado buscar entretenimento em meios que promovem blasfêmia (más representações de Deus e Sua Palavra ou Seus representantes[1]) ou que celebram os pecados pelos quais meu Salvador morreu (e.g., linguagem vulgar, fornicação, indecência, humor impróprio e por aí vai). Porém, há aqueles no corpo de Cristo que trabalham para ajudar outros a entender certas questões e a exercitar discernimento. Compreendo esse como um dos meus papéis como presbítero na minha igreja local e parte do meu papel no Answers in Genesis. Eu também dependo de outros para me ajudar a fazer escolhas sábias e que glorificam a Cristo no que se trata de livros, filmes, e coisas tais. Isso dito, não creio que seja sábio que todos os cristãos saiam correndo para assistir a esse filme ou outros que aparecerão no futuro. Não estou sendo hipócrita; estou clamando que nós, como corpo, tenhamos sabedoria. Peço que considerem meu argumento quanto a isso abaixo.

Noé: Um Estudo

Num artigo publicado online recentemente no Christian Post, John Snowden, o consultor bíblico da produção, conta às pessoas da fé que elas podem aceitar o novo filme Noé. Eu gostaria de examinar algumas das afirmações dele e chamar os cristãos a considerar cuidadosamente se vale a pena investir nesse filme. Outros acrescentaram suas vozes à discussão, e eu incluirei links para alguns deles dentro do artigo.

Erros na abertura

Snowden começa seu artigo afirmando, “Infelizmente, aqueles que se sentiram compelidos a criticar o filme nessas histórias, na verdade, não o viram – então é difícil entender exatamente o que eles estão criticando. Eu assisti a Noé – na verdade, estive trabalhando nele durante os últimos dois anos como o consultor bíblico dos produtores”[2]. Bem, essa censura não é verdadeira no caso da crítica vinda do Answers in Genesis. Em novembro de 2013, um membro da equipe e outros assistiram o filme na forma bruta (rough cut)[3] e, em fevereiro de 2014, outros membros da equipe participaram de uma discussão na Convenção Nacional de Broadcasters onde o Sr. Snowden discutiu essas questões. As críticas publicadas neste site se basearam nessa sessão e na discussão, em vez de em especulação cega. Mesmo os cristãos postando em nossas páginas do Facebook a respeito do filme – supostamente nossos apoiadores – têm batido na mesma tecla dizendo que não devemos condenar um filme ao qual não assistimos. Isso não é verdade e apenas mostra que, ironicamente, as pessoas que nos criticam por criticar o filme, na verdade, não leram o que escrevemos sobre ele.

Sr. Snowden também afirma que “as Escrituras são abertamente citadas por vários personagens em Noé. As palavras de Deus da Bíblia são indiscutivelmente uma parte deste filme. O filme é pró-Deus”. Então, quero tratar essa questão neste artigo para ver se esse realmente é o caso. Intencionalmente distorcer a Palavra de Deus e representar mal o que a Bíblia claramente ensina é blasfêmia. Fazer um filme cheio de distorções blasfemas não é pró-Deus.

Para validar ainda mais esse ponto, Darren Aronofsky, o produtor do filme, contou a um amigo que Noé é “o filme bíblico menos bíblico já feito”[4], e outra fonte diz que “o filme é completamente honroso ao texto”[5]. Parece que a “história” é o que importa, em vez de ser fiel ao que Deus revelou.

As Declarações

Depois de afirmar que o filme é mais próximo do texto bíblico do que já foi sugerido, o Sr. Snowden sustenta a declaração, dizendo, entre outras coisas, “Ninguém mais sobrevive o dilúvio que não devia. Há uma pomba, um arco-íris, dois de cada animal…” Mas quem sobrevive no filme? Noé, sua esposa, seus três filhos e uma nora. Isso não é fiel ao texto; é um erro que leva aqueles que estão assistindo o filme a crer que a Bíblia ensina que um casal repopulou o planeta, em vez de confiar no que as Escrituras ensinam em Gênesis 9–11. Isso também rejeita o ensinamento claro do Novo Testamento de que oito pessoas foram salvas (2Pedro 2.5). Além disso, fica claro a partir do trailer e do filme bruto (rought cut)[6] que mais do que dois de cada tipo de animal foi salvo na arca. Vários que assistiram o filme se referem aos animais sendo “apertados” para dentro da arca. Isso é uma distorção do texto e provavelmente servirá para reforçar a ideia promovida por escarnecedores de que não havia espaço suficiente na arca para todos os animais.

Snowden aponta para Noé buscando sabedoria com um ancião como um ponto positivo: “Num mundo pós-moderno que diz para nunca confiarmos em quem tem mais de 30 anos, essa história mostra Noé buscando seu avô amoroso, sábio (e bíblico), Matusalém, para ajudá-lo a interpretar a visão que está recebendo de Deus e a agir com base nisso. Matusalém também dá a explicação bíblica chave de por que Deus está causando o dilúvio. Fique atento a isso.” O único problema é que o personagem de Matusalém “é um tipo de pajé, cuja saúde mental é questionável”, de acordo com quem viu o filme bruto. Um pajé dando explicações bíblicas é blasfemo e só promoverá a má compreensão do caráter de Deus na mente do espectador que não é cônscio do verdadeiro caráter de Deus revelado nas Escrituras.

Sob o título “Noé toma uma posição firme pela justiça”, Snowden afirma, “Um Noé hollywoodiano bonzinho seria tentado a deixar uma penca de humanos ‘bonzinhos’ ou ‘legais’ entrar no barco, ou três ou quatro girafas muito fofas das quais ele tivesse pena. Mas Noé é firme. Sua missão é clara: Ninguém além de sua família sobrevive.”

Então o personagem de Noé no filme só se importa com sua família e os “inocentes” – os animais. Essa é uma forma incrível de interpretar a Bíblia, especialmente quando sabemos a partir de 2Pedro 2.5 que o Noé bíblico era um pregador de justiça. Qual era o assunto da pregação? Chamar as pessoas ao arrependimento. Por que Noé pregaria sobre a justiça encontrada na graça de Deus (Gênesis 6.8) se ele só se importava com sua família e os animais? Retratar mal um dos servos fiéis de Deus (Hebreus 11.7) assim é total zombaria da Palavra perfeita de Deus. Isso desconecta o Novo do Antigo Testamento, uma violação da boa interpretação bíblica. Pregadores não apontam para longe da salvação.

Ademais, o filme retrata Noé como um homem ríspido e perverso. Não há dúvida de que o Noé verdadeiro era um pecador (ele era um descendente de Adão), mas Deus descreve Noé com estas palavras: “Esta é a história da família de Noé: Noé era um homem justo, íntegro entre o povo da sua época; ele andava com Deus” (Gênesis 6.9). No filme bruto, apresenta-se um retrato diferente da personagem de Noé:

Noé a princípio é retratado como um homem humilde, contudo forte e bom — um pai e um marido que protegia a sua família do mal que sobreviera a terra. Porém, ao ajudar a construir a arca, ele era retratado mais como um maluco que estava convencido de que a sua família era a última geração. Ele repetia vez após vez que Deus não permitiria que eles repopulassem, visto que Deus replantaria o Éden sem o homem e a perfeição se reestabeleceria com os ‘animais inocentes’ que Deus trouxera à arca. Mesmo quando o filho de Noé trouxe à família na arca a notícia de que sua esposa estava grávida, o Noé do filme disse, essencialmente, ‘Se for macho, ele viverá. Se for menina, eu a matarei porque não é a vontade de Deus que o homem repopule’.

Outra distorção apresentada no filme é a de que Noé não entende claramente a mensagem de Deus a ele. Isso está em clara contradição do texto de Gênesis 6–7, onde Deus clara e diretamente Se comunica com Noé. Não foi uma série de sonhos enigmáticos que Noé tinha que decifrar. Snowden apresenta essa luta interna na personagem de Noé. “É saudável que Noé lute para compreender exatamente o que Deus está dizendo, porém, a despeito disso, Noé confia e age com fidelidade. A luta nem sempre é fácil de ver, especialmente em partes posteriores do filme, mas os valores que saem dessa narrativa são especiais.” Como um humano, Noé provavelmente teve momentos de dúvida, mas Deus falou claramente a Noé. Sugerir o contrário é representar mal a Palavra de Deus. Sugerir o contrário é afirmar que Deus manteve Noé no escuro, sem Se comunicar claramente com ele. Isso é uma má representação do caráter de Deus conforme é revelado a nós na Bíblia.

Ademais, os animais na terra não eram inocentes:

Ora, a terra estava corrompida aos olhos de Deus e cheia de violência. Ao ver como a terra se corrompera, pois toda a humanidade havia corrompido a sua conduta, Deus disse a Noé: ‘Darei fim a todos os seres humanos, porque a terra encheu-se de violência por causa deles. Eu os destruirei juntamente com a terra’.” (Gn 6.11-13)

Toda carne enfrentava o juízo de Deus como extensão da maldição que sobreviera aos animais assim como à humanidade.

A intenção de Deus em trazer os animais à arca era salvá-los e repopular a terra (Gn 8.17). O filme bruto retrata um homem frustrando os planos de Deus: “Um Tubal-Caim entra às machadadas na arca em mais ou menos dez minutos e se esconde lá dentro… Tubal-Caim sobrevive alimentando-se de lagartos que hibernavam”. Como animais impuros, os lagartos teriam sido representados por um par. Ao comer os lagartos, ele teria frustrado o plano de Deus de manter aqueles lagartos vivos para repopular a terra. Isso apresenta Deus como um desastrado que não consegue realizar os Seus planos. Isso pode parecer picuinha, mas é exatamente esse tipo de coisa que zombadores usam para tirar sarro da Bíblia e de Deus, sugerindo que Noé ou os tigres podem ter sentido vontade de comer uma carninha e feito uma refeição de alguma outra criatura a bordo. Mas a Bíblia revela que homens e animais ainda estavam comendo uma dieta vegetariana, e só após o dilúvio Deus permitiu que se comesse carne (Gn 1.29-31; 9.3-4).

Snowden também indica em seu apelo que o filme retrata a intervenção sobrenatural de Deus. “Um Deus ativo com um plano frequentemente se moverá em poder para fazer milagres acontecerem. Nosso Deus torna conhecido o fim desde o começo; Seus propósitos permanecerão e Ele fará tudo que Lhe agrada, inclusive curar os fisicamente afligidos para realizar o Seu plano.” Isso aparentemente faz referência a essa descrição (a partir da apresentação do filme bruto) de uma menina sendo curada de um ferimento, mas não de forma sobrenatural que dê glória a Deus:

Por exemplo, os principais personagens no filme são Noé, sua esposa e três filhos – e uma garotinha que eles salvaram depois que toda a família dela foi assassinada por uma tribo perversa. Ela estava gravemente ferida quando a encontraram, mas a esposa de Noé passou um néctar curativo na barriga dela, e ela cresceu para se tornar depois a esposa do filho mais velho. Por bastante tempo ela foi estéril até que a esposa de Noé convenceu Matusalém de abençoar o ventre dela – contra a vontade de Noé.

Há outros elementos do filme que são apresentados como mágicos ou fantasiosos. Isso também mina a autoridade das Escrituras, fazendo o relato depender de um Noé com uma pulseira de superpoderes e criaturas de pedra gigantes que não estão em nenhum lugar do texto. Em cima disso, a criação dos animais é descrita por Noé como um processo evolutivo, não uma criação especial de Deus, e os tons ambientalistas são altos, para não dizer retumbantes.[7]

Uma plataforma para o evangelho

Snowden sugere que em “uma época em que conversas sobre a cultura pop tende a focalizar entretenimento que apresenta super-heróis, vampiros e zumbis, todo o país está alvoroçado por uma história que abraça temas das Escrituras”. Mas ela ainda distorce a Palavra de Deus. Ela pode abraçar um tema bíblico, mas ela abraça a verdade sobre o Deus que inspirou a Bíblia?

Snowden encerra com:

Se você está preocupado que um descrente vai aprender a história com detalhes errados, eu o encorajo a reler a lista acima e começar a ter conversas lindas sobre fé para acompanhar um pouco de pipoca e refrigerante de forma não ameaçadora com pessoas com as quais você nunca teria essa oportunidade de outra forma. O Evangelho por si só é boa nova com ou sem um filme, mas quando perguntas teológicas começam a emergir de dentro de qualquer pessoa, eu preferiria muito que você e eu ouvíssemos em vez de criticar. Lembre-se: é a responsabilidade da igreja anunciar o evangelho – não de Hollywood. Que Noé dê início a uma conversa sobre Deus e Seu plano de salvação para nós é uma bênção ponderável.

Eu concordo que esse filme abrirá oportunidades para as pessoas se engajarem em conversas, mas isso não significa que todo cristão precisa assistir o filme para ter uma conversa. Eu duvido que o sr. Snowden encorajaria as pessoas a assistirem a um filme que maldissesse a mãe dele da forma como esse filme faz para com a verdade da Bíblia e o caráter de Deus – mesmo que viesse com um aviso de isenção na introdução. Podemos engajar as pessoas numa conversa perguntando o que elas aprenderam sobre Noé ou Deus ou sobre outros aspectos do filme e as ouvindo. Porém, por causa da natureza muito antibíblica da história, há de haver alguma crítica – erros precisarão ser apontados ou a verdade não será revelada. A verdade sempre critica a mentira.

Ao fazer boas perguntas, podemos extrair as ideias apresentadas no filme e então convidar as pessoas a se sentarem conosco com uma Bíblia aberta. Podemos ler para elas as palavras inspiradas das Escrituras que entesouramos e guiar as pessoas até a magnífica graça de Deus revelada em todas as Escrituras, mas finalmente à vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo em favor dos pecadores.

Muitos cristãos sugerem que se eles não assistiram o filme, não serão capazes de falar com credibilidade com um descrente. Isso é um falso argumento – você não diria a mesma coisa sobre ver pornografia, ficar bêbado ou outros atos impiedosos a fim de falar deles com mais credibilidade. Em cada um desses casos, tudo que você precisa fazer é comparar essas coisas com a verdade da Palavra de Deus. Você não precisa experimentar a embriaguez para poder falar com um beberrão sobre a verdade. O mesmo é verdadeiro sobre qualquer filme – seja ele baseado na Bíblia ou não. Não engula essa falsa linha de raciocínio se você está convencido que não vale a pena assistir a esse filme. Você pode tomar essa decisão inicial lendo uma resenha do filme escrita por alguém em quem você confia e que escolheu assistir o filme, e então usar esses elementos para discutir com outros. Além disso, não julgue seus irmãos e irmãs que optam por assistir a filmes que você acha impróprio com base em questões da consciência que não são questões claras de pecado (Rm 14.5-13).

Na verdade, responder a alguém que lhe pergunta se você assistiu o filme com, “Eu decidi não assistir porque soube de uma fonte fidedigna que ele retrata mal as Escrituras e o Deus a quem amo tanto”, pode ser um testemunho forte para eles. Diga-lhes, com graça e verdade, que você escolheu tomar uma posição quanto a suas convicções e evitar algo que você considera blasfemo. Fale que você ama seu Deus mais do que o entretenimento. Esse é um testemunho radical em nossa cultura.

Pergunte a eles qual é o propósito da arca no filme. Pergunte como era Noé. Peça que lhe contem e depois abra a fonte de verdade e esperança com eles e mostre o que Deus realmente disse e como Ele realmente é. Diga-lhes que Ele abriu um caminho para eles serem perdoados dos seus pecados, assim como Noé foi, ao confiar no Salvador para receber perdão.

Temas ou Verdade

Um padrão fica claro no artigo – sr. Snowden está mais interessado nos “temas” das Escrituras a serem retratados do que na sua veracidade. Certamente há temas na Bíblia, mas esses temas são alicerçados na verdade. Essa verdade se alicerça no caráter de Deus. Esse filme apresenta um Deus que não cumpre aquilo que a Bíblia claramente diz que Ele Se propôs a fazer nem Se comunica claramente com Seus filhos. Apresenta Noé não como um homem reto, justo e fiel que é perfeito em meio a sua geração, mas como um homem iracundo e perturbado que pretende assassinar sua neta pra exterminar o futuro da humanidade.

“Pessoas de fé” talvez possam aceitar esse filme, mas eu sinceramente peço que você considere se um cristão que confia na Palavra inspirada, infalível, inerrante e suficiente de Deus pode aceitá-lo. Muitos ditos cristãos não creem que Noé foi uma pessoa real da qual todos descendemos. Muitos creem que o dilúvio foi apenas um evento regional. Outros creem que o dilúvio é apenas uma alegoria que comunica um certo tema que todos aceitamos. Eu oro para que todos nos posicionemos ao lado da autoridade da Palavra de Deus e busquemos defender Sua honra a todo custo, mesmo à custa do nosso próprio entretenimento.

A Paramount Pictures quer o seu dinheiro, e querem que você creia, como um aviso acrescentado ao material promocional diz, que Noé “é inspirado pela história de Noé. Por mais que a licença artística tenha sido tomada, cremos que o filme seja fiel à essência, aos valores e à integridade de uma história que é a pedra angular de fé para milhões de pessoas por todo o mundo. A história bíblica de Noé se encontra no livro de Gênesis.”[8] Deixarei a seu encargo decidir se eles estão contando a verdade ou uma estória. Antes de você comprar um ingresso, leia Efésios 4.17–5.21 e peça por sabedoria do Espírito Santo, para que você caminhe em obediência a seu Senhor, Jesus Cristo.

____________
Notas:
[1] O dicionário bíblico Tyndale inclui esta explicação sob o verbete “Blasfêmia”: “A forma mais comum de blasfêmia no Novo Testamento é a blasfêmia contra Deus. Pode-se insultar Deus diretamente ( Ap 13.6; 16.9), zombar da sua palavra (Tt 2.5), ou rejeitar sua revelação e seu portador (At 6.11)” (Tyndale Bible Dictionary, Logos Version 2001, s.v. “Blasphemy”).
[2] John Snowden, Why People of Faith Can Embrace the ‘Noah’ Movie, Christian Post, February 26, 2014.
[3] Para ler uma resenha da pré-estreia, veja Ken Ham, Don’t Be Taken in by the Noah Movie’s Promotion, Around the World with Ken Ham. Embora seja possível que algumas pequenas mudanças tenham sido feitas desde que o filme bruto foi apresentado em novembro, é impossível que todos esses elementos antibíblicos tenham sido removidos, visto que são centrais para o enredo do filme.
[4] Darren Aronofsky Gets Biblical, The New Yorker, March 10, 2014. 
[5] Darren Aronofsky: Noah is the perfect film to bring believers and non-believers together, Christianity Today, March 11, 2014.
[6] A partir do filme bruto, “parece que todas as espécies foram apertadas para dentro da arca em vez de só os tipos de animais, assim zombando do relato da arca da mesma forma que os secularistas fazem hoje”.
[7] Ed Stetzer, Noah: Five Negative Features about the Film, Christianity Today, March 3, 2014.

***
Traduzido por: Tirzah Fernandes Pinto
Confira o original, clicando aqui!
Imagem: Tuporém
Fonte: Tuporém
.

Uma rara crítica cristã

.
Por: Angélica Fernandes de Oliveira Vitalino

É muito bom poder fazer opções entre os filmes em cartaz... Sim, porque na maioria das vezes, nós, cristãos, não temos esse privilégio. Filmes carregados de misticismo e mentiras maliciosas lotam as telas e não são adequados aos cristãos.

Estreou esta semana o filme “O Livro de Eli” protagonizado por ninguém menos que nosso irmão Denzel Washington. A trama do filme é despretenciosa e simples, porém agrada ao paladar cristão: Eli é um andarilho solitário que pretende levar o último dos exemplares de uma Bíblia ao oeste americano. O cenário é uma terra desolada por uma guerra – que o filme não se presta a contar os detalhes – em um cenário futurista.

A filmagem realizada no deserto mexicano permitiu uma fotografia azulada quase monocromática, mundo perceptivelmente arrasado pela falta de mordomia humana. Em todo o percurso do filme, Eli salta com textos bíblicos que deixam a trama ainda mais densa e familiar.

A história é cheia de metáforas bastante compreensíveis para aqueles familiarizados com a Palavra. A começar pela destreza notável do personagem em lidar com uma espada afiadíssima que porta, maior responsável pelas fortes cenas de violência esquartejante: “cortante e penetrante” (Hb 4.12). A analogia é clara.

Também a maldade humana é cruelmente revelada – homens agindo quase que irracionalmente revelam uma ‘involução moral’ –, teoria pouco aceita nesses atuais dias, entretanto apregoada na Palavra em 2 Timóteo 3.1-2: “ Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem…”.

Um outro aspecto que nos chama a atenção é o fato de o vilão déspota Carnegie (Gary Oldman) ter uma real obsessão pelo livro, alegando que este o dará poderes de manipulação e sedução de massa, fazendo menção aos falsos profetas do seio eclesiástico da última geração na Terra : “Porque os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, transformando-se em apóstolos de Cristo” (2 Co 11.13). O antagonista detém o poder sobre sua terra porque possui acesso a água, extremamente escassa nesse cenário futurista. A água, essencial à vida, é ainda mais desejada por Carnegie, o que mostra o poder valioso que o livro tem.

É inspirador o fato do cuidado sobrenatural na vida de Eli que, por trinta longos anos, é o guardião desse livro. Salvo o lado hiperbólico e ficcional, comuns aos filmes de aventura, o protagonista é milagrosamente salvo de ataques de canibais e mercenários e conservado em vida. Tudo sob incríveis efeitos sonoros. Ele anda com um destino certo – o oeste – e também é precisa a sua missão (Isaías 46.3-4: “Vós, a quem trouxe nos braços desde o ventre e sois levados desde a madre e até a velhice, eu serei o mesmo, e ainda até as cãs eu vos carregarei; eu vos fiz, e eu vos levarei”).

É óbvio, também, o enaltecimento da Palavra, que a todo custo é preservada por Eli. A visão grandiosa e gloriosa de que ela trará salvação é explícita e faz com que a glória de todas as bibliotecas, quando comparadas a este único livro, diante de seus ensinamentos eternos, seja desprezível e vã.

A lição do sacrifício de Eli em função de algo que realmente vale a pena é clara. Eli, com todos os perigos desfavoráveis de sua missão, é um lutador diligente e treinado com técnicas de defesa e sobrevivência. A correlação entre o esforço do personagem e o andar cristão de hoje pode ser assim feita: o convite ao combate do bom combate, não sendo possível aos cristãos evitar tal conflito. Uma guerra prevista no tão comentado livro, que exige estratégia e perseverança. Uma guerra de jubiloso fim com vitória prometida àqueles que corajosa e sacrificialmente se entregam aos planos de Deus.


Angélica Fernandes de Oliveira Vitalino tem formação acadêmica em Letras e Teologia, é professora e psicopedagoga e membro da Igreja Cristã Eterna Aliança em Parnamirim/RN.
Fonte: [ Ultimato ]

.