Do que o homem precisa? Argumentos para a existência de Deus ou persuasão de sua própria culpa?

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A doutrina calvinista do conhecimento de Deus implica numa apologética que, ao invés de fornecer uma demonstração da existência de Deus, persuade os homens a reconhecerem que eles estão suprimindo essa verdade. Uma vez que todos nós sabemos que Deus existe, as alegações de ignorância acerca de Sua existência são apenas um véu utilizado para justificar a nossa rebelião contra Deus. Este conhecimento interno de Deus é a base sobre a qual a apologética deve procurar deixar os homens sem a desculpa de precisarem de provas para acreditar. É este sensus divinitatis (ou sentido do Divino) que torna todos os homens culpáveis diante de Deus. Como tal, a metodologia da apologética não procura demonstrar a verdade de Deus, antes, procura persuadir os homens da verdade de sua culpa.

Pecado, Graça Comum e Significado: Semântica pós-lapsária na Filosofia da Ideia Cosmonômica

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O objetivo deste texto é demonstrar a formulação Dooyeweerdiana sobre a questão do significado metafísico após a Queda adâmica. 

Herman Dooyeweerd (1894-1977) inicia sua Obra filosófica madura (A new critique of theoretical thought – NC) com uma crítica transcendental do pensamento teórico. O conteúdo restante do primeiro Volume é uma extensa crítica a história do pensamento teórico Ocidental. Os outros dois Volumes são articulações positivas de sua filosofia, principalmente sua ontologia com a inovadora ideia da teoria dos aspectos modais.

Em relação ao Significado, Dooyeweerd diz: “Significado é o ser de tudo o que é criado, até mesmo da natureza da nossa própria identidade, tendo raízes religiosas e origem Divina” (NC, Vol I. p. 4; TA). Portanto, dentro de um quadro teórico bíblico de “Criação-Queda-Redenção”, Dooyeweerd não afirma que a realidade meramente “possui” significado, ou que o significado é atribuído por um eu subjetivo humano, que em sua arbitrariedade postula significa à criação, como se essa fosse uma espécie de “tabula rasa” ou uma lousa em branco esperando alguém produzir significado em seu esvaziamento semântico. Pelo contrário, Dooyeweerd diz que as coisas SÃO significado, e a Origem desse significado é o próprio Deus.

Isso levanta uma problemática dentro dos próprios pressupostos de Dooyeweerd. Se as coisas são significado, e o pecado afetou drasticamente a criação, como fica a relação Significado-Realidade após essa virada pecaminosa?

O filósofo reformado Holandês responde a esse problema no segundo Volume do NC (§4). Dooyeweerd diz que, no tocante a sua natureza humana, Cristo é a raiz da criação renascida, e como tal, a própria plenitude do Significado, o fundamento criacional do significado em toda a realidade temporal. Mas nosso mundo temporal, em sua raiz religiosa apóstata está debaixo da maldição de Deus e da maldição do pecado.

HD continua seu raciocínio dizendo que há uma antítese radical no lado-Sujeito da raiz do cosmo terreno, podendo essa antítese ter sido reconciliada na redenção de Jesus Cristo. Mas o problema continua, pois na nossa realidade temporal, a implacável luta entre o reino de Deus e o reino das trevas prosseguirá até o fim do mundo. O pecado afetou nosso Cosmo em sua própria raiz e em sua refração temporal de significado. Isso não seria motivo suficiente (ou final) para diferenciarmos Significado da Realidade? A antítese radical entre o Reino de Deus e o das trevas não nos compele a aceitarmos o dualismo último entre a realidade e o significado? Será que a realidade pecaminosa ainda é significado?

Para HD, esse é o problema mais profundo da Filosofia Cristã, que necessariamente deve se apoiar na revelação Divina se não quiser cair na atitude da Filosofia imanente. Portanto nossa única garantia de resposta deve provir das Escrituras. Não sabemos como seria a realidade se ela fosse plenamente afetada pelo pecado irrestritamente. Mas graças a Deus esses efeitos desimpedidos não existem em nosso Cosmo terreno. O que nós sabemos é que a totalidade dos efeitos do pecado não rompe a dependência da criação com seu Criador, que em Sua justiça Divina, irá expressar sua reprovação a essa criação de um modo terrível e que, nesse processo, a realidade depravada somente pode mostrar seu modo de ser criacional como Significado. Será Significado em sua apostasia absoluta debaixo da maldição da ira de Deus, não podendo ser nessa própria condição, uma realidade sem significado.

A realidade pecaminosa permanece significado apóstata debaixo da lei e da maldição de Deus. No nosso Cosmo temporal a Graça Comum de Deus se revela (como Kuyper reiteradamente afirma) na preservação da ordem desse Cosmo. E é nessa Graça Preservativa que a refração temporal de significado permanece intacta. 

Nosso mundo caído não pode manter seu significado aparte de Cristo e da Graça comum. Portanto, para concluirmos, Dooyeweerd diz que não há nenhuma parte do espaço, não há nenhuma vida temporal, nenhum movimento temporal nem energia temporal, nenhum poder, sabedoria, beleza, amor, fé ou justiça que essa realidade pecaminosa pode manter como sua própria propriedade sem Cristo Jesus, em Quem a realidade encontra sua plenitude de significado e através de Quem Deus nos dará todas as coisas. O mundo temporal resiste à destruição do poder maligno do pecado pela Graça comum de Deus em Cristo.    
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Autor: Willian Orlandi
Divulgação: Bereianos
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Evolucionismo é Ciência? Uma Crítica ao Evidencialismo Cientificista

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O objetivo deste artigo é interrogar sobre a "cientificidade"  da Teoria da Evolução naturalista-(neo)darwinista (que designaremos a partir de agora simplesmente como "Evolucionismo"). Para tanto, será feito um ensaio investigativo do conceito de "ciência" por meio de um questionamento da definição moderna de ciência, em suas bases ontológicas e epistemológicas originárias.

Se conhecemos, então a Trindade existe: um argumento transcendental a partir e para a Trindade

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O argumento a partir e para a Trindade é a peça central do método apologético de Cornelius Van Til.[1] A inspiração para esse argumento é o problema filosófico que iniciou-se nos pré-socráticos[2], chamado de “problema de um e muitos”. Na visão de Van Til, apenas o teísmo – na verdade, apenas o teísmo cristão, com sua visão trinitária de Deus – pode fornecer uma solução para este problema. O que se segue é uma explicação exemplificada do problema. Com a advertência de que exigirá do leitor paciência e reflexão para entender cada parágrafo antes de passar para o próximo.

Uma característica intrigante da realidade é que ela existe em aspectos de unidade e pluralidade: por exemplo, João e Maria manifestam a unidade em virtude do fato de serem humanos e de pluralidade em virtude do fato de que não são os mesmos humanos, mas duas pessoas distintas. Além disso, para ter conhecimento de João, preciso ser capaz (pelo menos em princípio) de compreender tanto o que o unifica com outras coisas no mundo como o que o distingue dessas outras coisas. Se, em princípio, não posso compreender o que distingue João de outras coisas, por que qualquer conhecimento que eu possuir de João seja considerado realmente conhecimento de João, ao invés de Maria ou qualquer outra coisa? E se, em princípio, eu não posso nem mesmo entender o que unifica João com outras coisas (por exemplo, que ele tem qualidades que não são somente dele, mas podem ser exemplificadas[3] por outras coisas, como Maria), por que eu deveria pensar possuir qualquer informação significativa sobre ele?

Segue-se como um princípio geral que, para ter conhecimento de objetos no mundo, o mundo deve ser tal que sua unidade e pluralidade sejam relacionadas, mas distintas. Por essa razão, as expressões de unidade e pluralidade no mundo devem manifestar-se pela unidade (através de relações comuns) e pluralidade (através de distinções).

ARGUMENTOS CONTRA OS PLURALISTAS

A questão que surgiu na Grécia antiga questiona qual o aspecto da realidade é o final[4]: unidade ou pluralidade? Suponhamos que a pluralidade é final. Segue-se que a realidade, em última análise, consiste em um agregado de coisas que são completamente diferentes e não relacionadas entre si, uma vez que qualquer coisa que sirva para conectá-las equivaleria a um princípio unificador mais final, que por hipótese não existe. Na verdade, é ilusório falarmos de um “agregado” de “coisas”, uma vez que tais termos pressupõem uma unidade subjacente pelo qual as coisas podem ser “agregadas” como instâncias de “coisa”. No entanto, como eu observei em princípio nada pode ser conhecido sobre coisas completamente diferentes e não relacionadas.

Outros problemas podem ser derivados a partir deste princípio de pluralidade final. O pluralista abraça uma visão da realidade como uma esfera do acaso dentro do qual todas as verdades empíricas, racionais e éticas existem em indiferença relativa para com o outro, não há nenhuma coerência ou ligação entre um e outro. Problematicamente, isso nos dá todas as razões para duvidar de nossas capacidades cognitivas para conhecermos algo. Pois que princípio garante que nosso raciocínio é equipado para entender o mundo como ele realmente é, visto que todas as coisas são desconexas, incluindo a minha razão e a realidade? Se mesmo o menor pedaço de realidade fugir a compreensão da razão, haveria uma área de realidade totalmente desconhecida para todos. E ainda, esta área pode ter alguma influência sobre a realidade que parece termos conhecimento. Por isso, não teríamos nem mesmo conhecimento daquilo que pensávamos ter conhecimento. Van Til considera Kant como indubitavelmente correto em assegurar que a mente do homem e os fatos do universo nunca deveriam ter sido separados.[5]

Podemos pensar também que o mundo só é inteligível se houver princípios abstratos imutáveis. Precisamos pressupor, por exemplo, o princípio da não-contradição[6], até para nos comunicarmos. Sem esse princípio, a Trindade poderia existir e não existir, na verdade, até a comunicação seria impossível. Pois quando eu digo que algo é, não significa que não é. O significado pressupõe o princípio imutável da não-contradição. Mas, numa metafísica pluralista, esse princípio é algo evidente por si mesmo como existindo sem ter qualquer relação com a realidade, pois não há nada que unifique os dois. Assim, a realidade está completamente a mercê do acaso[7] e sujeito a contradições. Talvez a única característica confiável da realidade é o fato de estar constantemente flutuando e passando para o seu oposto. Mas um universo que está constantemente e imprevisivelmente mudando pode muito bem passar para a não-existência completamente, no qual cada característica do universo, incluindo a própria mudança, seria perdida.

Na teoria, o pluralista considera os fatos como objetos básicos e mais imediatos do conhecimento. Ele, por sua vez, se considera um recipiente igualmente vazio e indiferente desses fatos. Mas, na prática, esse ponto de vista revela-se auto-destrutivo. Cada tentativa de identificar conscientemente um fato bruto revela a dependência de qualidades universais (unas) – por exemplo, “ele é um homem”, “isto é vermelho”, etc.

ARGUMENTOS CONTRA OS MONISTAS

Suponhamos que a unidade é final. Segue-se que a realidade é fundamentalmente monista[8]: é uma coisa indiferenciada. Porém, em princípio, mais uma vez, nada pode ser conhecimento sobre tal coisa, porque não pode haver algo a partir do qual distingui-lo, incluindo o “nada” – pois nesse caso até a distinção entre ser e não-ser é dissolvida. Além disso, não poderíamos sequer nos conhecer. Pois para conhecermos qualquer coisa significativa sobre si mesmo, é preciso ser capaz de julgar que se exemplificam certas qualidades e não outras; contudo, se a realidade é uma unidade final, não pode haver distinção genuína entre uma qualidade e outra.

Até as ideias racionais[9] do monista, como “homem”, precisariam ser contrastadas e unificadas entre si em fatos concretos diferentes para serem definidas. O que poderia significar conhecer “homem” a parte de uma consciência empírica de que ele é incompatível com “os animais irracionais” e ainda perfeitamente capaz de união com outras qualidades universais diferentes como “gordo” ou “baixo”. Nesse caso, os universais não são autodefinidos, mas têm sua definição mediada por combinações factuais. Somos levados à conclusão de que os universais são ininteligíveis e indistinguíveis quando tomados em si e por si mesmos.

Em ambos os casos, uma vez que a realidade não pode ser conhecida em seu nível mais básico, a compreensão de qualquer coisa dela é obscura. Na verdade, em ambos os casos, como dito, a noção de “coisa” seria ininteligível.

Mas será que qualquer deus poderia criar a realidade de maneira una e múltipla? Pense em um deus unitário. Nada pode ser precisamente predicado de uma divindade estritamente unitária, uma vez que a multiplicidade envolvida na predicação está em desacordo com sua natureza. Uma coisa que não tem nada a distinguir é impensável, mas igualmente impensável é uma coisa que está tão separado de todas as outras coisas que não tem nada em comum com elas. Se tal ser tivesse uma definição negativa de como ela existe em contraste com a criação, ele só demonstraria sua dependência do universo temporal para ter diferenciação e relação que ele não tem em si mesmo. E mesmo que esse deus fosse considerado como tendo distinções internas entre princípios, faculdades, motivos, interesses que são distintos de sua pessoa, ele então seria um efeito de princípios sub-pessoais.[10] Tal deus não pode ser uma deidade verdadeira.

ARGUMENTO TRANSCENDENTAL A PARTIR E PARA A TRINDADE

Por que Van Til pensa que o teísmo cristão escapa desse dilema? Seu pensamento é que, em uma ontologia[11] teísta cristã, nem a unidade nem a pluralidade é final em relação ao outro, mas sim os dois aspectos da realidade são co-finais, na medida em que eles são expressões da tri-unidade de Deus. Deus exibe tanto unidade última quanto pluralidade última: ele é um em “essência” e três em “pessoa”. Além disso, a criação reflete a unidade e a pluralidade de seu Criador de uma forma derivada e análoga.

Assim, o “único” Deus não pode cair no esquecimento como um universal abstrato e indistinto, pois Ele é definido concreta e infinitamente em relação às “três” pessoas. Os “três” também não se rebaixam em particulares irracionais que evitam a definição, pois são exaustivamente definidos pela dinâmica trinitária. Nada, então, ficaria fora da compreensão pessoal de Deus, incluindo a relação entre Seu ser tríplice e seu autoconhecimento abrangente. Deus seria uma pessoa auto-contido, auto-definida e auto-suficiente.

Dessa maneira, não é que tal esquema crie uma compreensão abrangente do universo possível para nós, mas sim torna possível a Deus, que por sua vez pode nos fornecer uma compreensão parcial e derivada do universo. Em todo o caso, o ponto principal aqui é que somente uma ontologia na qual unidade e pluralidade são co-finais no nível mais fundamental pode permitir o conhecimento.

Se quisermos ter coerência em nossa experiência, deve haver uma correspondência de nossa experiência com a experiência eternamente coerente de Deus. O conhecimento humano, em última análise, repousa sobre a coerência interna dentro da divindade; nosso conhecimento repousa sobre a Trindade ontológica como o seu pressuposto.

A surpreendente conclusão é que até a negação da existência da Trindade, afirma-o. Todo ato de conhecimento ou predicação pressupõe a existência da harmonia absoluta e pessoal da unidade e da pluralidade, dentro do Deus Trino. Negações que a Trindade existe são afirmações de posse de conhecimento e atos de predicação. Portanto, o Deus Triúno existe.[12]

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Notas:
[1]Cornelius Van Til foi o fundador do método apologético chamado pressuposicionalismo. Neste mesmo blog você pode encontrar mais informações sobre essa metodologia em minha autoria.
[2] Os pré-socráticos foram os primeiros filósofos. Movimento que surgiu na Grécia Antiga.
[3] Como, por exemplo, ambos serem uma pessoa. “Exemplificados” é um termo que os filósofos usam para se referir que um universal está instanciado em algum particular.
[4] Por “final” eu quero dizer aquilo que é último ou definitivo, o que tem primazia.
[5] Você pode observar que a visão pluralista de mundo costuma ser o pressuposto dos cientistas contemporâneos que se professam ateus.
[6] Este princípio afirma que algo não pode ser e não ser ao mesmo tempo e no mesmo sentido.
[7] Esse argumento serve para qualquer outro princípio lógico que tem a utilidade de tornar o mundo inteligível, isto é, entendível para a mente humana.
[8] Monismo afirma a unidade da realidade como um todo.
[9] Por ideias racionais, eu me refiro a tanto universais quanto a princípios lógicos e éticos.
[10] Isto é, ele não é uma pessoa em si mesmo. Mas o resultado de diversas partes juntas que em si mesmo são menores que uma pessoa. A exemplo temos o Exodia do desenho animado Yu-Gi-Oh! que só se torna quem ele é devido a junção de suas partes, e ele é o efeito dessas partes. Mas, novamente, falar de “partes” aqui seria ilusório conforme argumentei em pontos anteriores. Outro artigo será necessário para esclarecer melhor o argumento contra um deus estritamente unitário.
[11] “Ontologia” é o estudo daquilo que existe.
[12] Está é uma versão de um argumento transcendental para a existência de Deus. Esse modo de argumento transcendental busca as condições de possibilidade para a experiência inteligível. E dado que Deus é essa condição, tanto a afirmação quanto a negação de sua existência irá afirmá-lo.

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Sobre o autor: Gabriel Reis é Aspirante ao seminário na 1ª Igreja Presbiteriana do Brasil em Duque de Caxias-RJ. Graduando em filosofia pela UFRJ. Namora a Márcia Dias. Sonha em atuar no campo missionário transcultural junto com sua futura esposa. E fundador da Página Apologética Reformada.
Fonte: Gospel Prime
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Criacionismo e Psicologia

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A psicologia humanista nos dá uma doutrina do homem em desacordo radical com as Escrituras. Para os clérigos, tornou-se rotina olhar para psicologias humanistas como guias para o aconselhamento pastoral, e livros aplicando essas psicologias para os problemas pastorais têm tido um mercado receptivo e uma ampla influência. O resultado tem sido a constante infiltração nociva do humanismo em círculos cristãos e a erosão paulatina das doutrinas bíblicas do homem e da salvação.

Podemos confiar na Bíblia mais do que na ciência evolucionária?

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Nota do tradutor:


O ensaio elaborado pelo Dr. James N. Anderson, apesar de não conter detalhes técnicos e científicos sobre a discussão Evolucionismo vs. Criacionismo, servirá de grande ajuda aos cristãos que se deparam com argumentos ateístas e secularistas. O mecanismo por trás do processo de seleção de teorias científicas é analisado e comentado de tal maneira que dá ao cristão comum ferramentas suficientes para fornecer uma defesa filosófica racional de sua posição no debate em questão. Como um cientista em formação, esse ensaio me ajudou a perceber e relembrar várias coisas que fazemos ao obter evidências empíricas e, creio eu, que será de grande proveito para todas as classes de cristãos.

Cosmovisão Cristã

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Como você se posiciona frente aos vários acontecimentos do mundo? Qual a sua opinião a respeito do aborto e da sexualidade? Como você vê o casamento? Qual deve ser o destino da educação e da política? Homossexualismo? Sobre o trabalho? Educação infantil?

A resposta para todas estas perguntas dependerá em qual cosmovisão você crê. E para todas estas perguntas o cristianismo oferece respostas adequadas. Esta é a Cosmovisão Cristã! O Cristianismo aborda vários temas sobre a vida, trabalho, sexualidade, educação, política, ética, família e sobre muitas outras coisas presentes na sociedade. Tudo isso faz parte de uma Cosmovisão Cristã.

Mas, o que é “cosmovisão”?

Cosmovisão é um conjunto de suposições e crenças que alguém usa para interpretar e formar opiniões acerca da sua humanidade, propósito de vida, deveres no mundo, responsabilidades para com a família, interpretação da verdade, questões sociais, etc. Todo ser humano possui uma cosmovisão, mesmo que ele não saiba.

Uma cosmovisão define o que a pessoa é, o que ela irá defender e até como irá viver. É a maneira pela qual a pessoa vê ou interpreta a realidade. É uma visão que direcionará a maneira como você verá e interpretará o mundo. Ela é como um óculos, para que a realidade faça sentido é preciso visualizá-la de acordo com uma cosmovisão coerente e verdadeira, ou seja, com as “lentes corretas”.

A cosmovisão é como um mapa mental que nos diz como navegar de modo eficaz no mundo.

Porém, hoje, vamos focar em uma Cosmovisão Cristã. Para o cristão, ela vai colocar o entendimento do universo como criação de Deus, e em todas as esferas de conhecimento, possíveis de estarem presentes na humanidade, como procedentes do Deus único e verdadeiro, Senhor do universo, comunicadas a nós por Cristo “… no qual estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento” (Cl 2.3).

Uma Cosmovisão Cristã é fundamental para ser um contraponto aos sistemas ideológicos vigentes na atualidade. O mundo diz que a moral é relativa, a Bíblia diz que ela é absoluta. O mundo secular exalta o homem, exalta governos, exaltam intelectos e pensamentos, a Bíblia exalta a Deus e sua Soberania.

Implantar uma cosmovisão cristã é uma necessidade, vide o fracasso das cosmovisões seculares. Ao observarmos a sociedade, fica evidente que ela vai muito mal. O relativismo e o politicamente correto têm tomado conta da televisão, das notícias, das pessoas. A sociedade se tornou um antro de pornografia, violência, de gratificação imediata dos prazeres. O culto ao homem tomou lugar do culto a Deus. Os preceitos morais estão a cada dia sendo “desconstruídos” e erradicados. A família se tornou descartável, perdeu sua importância, tornou-se apenas um mero arranjo entre pessoas.

Por tudo isso, há uma necessidade urgente de estabelecer uma Cosmovisão Cristã, há a necessidade de que ela seja ensinada aos cristãos e à sociedade. Por isso, a importância de escolas cristãs, de faculdades e centros acadêmicos que tenham a palavra como balizador de seus ensinos. A fé cristã deixa de ser uma “questão religiosa” para o domingo, apenas para dentro das igrejas, e volta a assumir o seu posto original de guia moral e cultural para o mundo.

O Cristianismo vai além da fé que temos ou do culto que prestamos na igreja. Ele é uma estrutura para compreender e modificar a sociedade, a realidade. Vai muito além das questões religiosas, ele define a moral de um povo, de uma sociedade. Através dele podemos moldar a cultura de uma nação, podemos mudar o rumo de uma sociedade. 

Não nos deixemos moldar pelas visões vigentes neste mundo, não andemos de braços dados com ideologias pagãs e satânicas, olhemos para a Palavra, e dela devemos extrair uma cosmovisão para nossas vidas e para toda uma sociedade.

Soli Deo Glória!

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Autor: Hugo Coutinho
Fonte: Reformai
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O Mito da Neutralidade

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Quem não é por mim é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha. (Mateus 12:30)

1. PREOCUPAÇÕES CENTRAIS

Você é um cristão. Você crê em Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador. Você o adora em tudo o que faz. Você procura obedecer a Sua Palavra. Você quer honrá-lo em tudo o que faz e como filho de Deus quer que outros creiam em Cristo e sirvam a Deus. Você sabe como desafiar outros que não creem em Jesus Cristo, Senhor e Salvador para que também submetam as suas vidas a Ele.

A principal pergunta a ser considerada é como pode dar melhor testemunho do Senhor. O EUA foi fundado como uma nação cristã[1], e hoje a maioria das pessoas se declaram cristãos. Há igrejas quase em cada esquina e muita gente que você conhece pessoalmente diz ser cristã.[2] Como alcançar essas pessoas? Como deveria raciocinar com eles? Que método deve seguir para mostrar-lhes que Deus existe? É disso que trata este livro.

Ateísmo: um suicídio intelectual

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Cornelius Van Til foi um proeminente filósofo cristão do século XX. Ele é mais conhecido por sua defesa de um método apologético (defesa da fé) chamado de pressuposicionalismo. Para Van Til, o apologista cristão, ao invés de ignorar os pressupostos do incrédulo que norteiam a sua cosmovisão, ele deve expô-los e desafiá-los diretamente com seus próprios pressupostos cristãos.

Ele propôs o argumento transcendental para a existência de Deus. Um argumento transcendental é um tipo distinto de argumento que visa identificar os pressupostos do pensamento racional. A afirmação máxima de Van Til foi que esses pressupostos só podem ser explicados por uma visão cristã de mundo.

Outra proposta de Van Til é que devemos fazer uma crítica interna em cada visão de mundo. Qual visão de mundo podemos dar sentido para as coisas que nós tomamos como concedidas a todo o momento; que o universo é ordenado, que nossas mentes são equipadas para pensarmos racionalmente e que é verdade que existem padrões objetivos?

O que Van Til propôs era que fizéssemos uma redução ao absurdo na cosmovisão incrédula, assumindo ela por hipótese, e demonstrando que ela não fornece as condições de possibilidade para o pensamento racional, mas pelo contrário, ela destrói. Para Van Til, um ateu argumentando contra a existência de Deus é semelhante a um bebê que bate no rosto do seu pai. Ele só pode fazer isso porque o pai o mantém em seus braços.

A partir dessa analise de Van Til, uma série de pensadores cristãos têm comprado a briga pra levar o projeto de Van Til pra frente. Um fato curioso é que há um número crescente de ateus que estão demonstrando, mesmo que inconscientemente, que Van Til estava correto.

O absurdo de um mundo sem Deus

Pense em Friedrich Nietzsche, o filósofo alemão do século 19 que era contra a religião. Sua frase mais famosa é “Deus está morto”, que significava a morte da crença significativa em Deus. Nietzsche reconheceu que colocar Deus de lado não é uma questão trivial, mas que tem profundas implicações. Você não pode destruir o Sol e depois esperar que você viva sem calor e luz. Da mesma forma, depois que você tira Deus do mundo – reconheceu Nietzsche  você deve tirar todas as coisas que dependem de Deus, tais como: significado e propósito da vida, moralidade objetiva, a racionalidade e a inteligibilidade do mundo, e até mesmo a ideia de verdade objetiva.

Então, Nietszche era um bom vantiliano fora de época, pelo menos nesse sentido dito, que se você nega a realidade de Deus você nega tudo o que vem com Ele. Mas eu gostaria de analisar uma obra mais recente chamada “O Guia do Ateu para a Realidade: Apreciando a vida sem ilusões”, de um ateu vantiliano, Alex Rosenberg. Para ele, nem o universo como um todo, nem a vida humana em particular, tem algum significado ou propósito. Não há liberdade ou qualquer diferença objetiva entre o certo e o errado. E que o ateu consistente deveria ser um niilista.

Embora ele compartilhe a visão de mundo naturalista-evolucionista de Richard Dawkins, a diferença importante entre esses dois ateus é que Rosenberg é filosoficamente treinado e muito mais equipado para reconhecer todas as implicações de sua visão de mundo. E isso é precisamente o que o Guia do Ateu propõe a fazer.

O livro é dirigido principalmente aos seus companheiros ateus e procura convencê-los de que eles não fizeram o suficiente para limpar a sua casa intelectual. Se eles estão a tomar a sua visão de mundo a sério, devem limpá-la de cada coisa até o último remanescente do teísmo. A realidade é dura e fria e muito mais estranha do que nós pensamos.

O ateísmo e a destruição da moral

Rosenberg argumenta que o niilismo teleológico leva ao niilismo moral. Quando se trata de questões de moralidade, “vale tudo”. Simplesmente não existem respostas corretas para quaisquer questões morais. Isso inclui o aborto, a eutanásia, o homicídio, o estrupo e qualquer outro tipo de atrocidade humana. Nada é certo ou errado. Não há fundamento moral sem Deus.

O ateísmo e a destruição do pensamento

Rosenberg escreveu que “a seleção natural não é muito boa em escolher crenças verdadeiras” e “há fortes evidências de que a seleção natural produz grande quantidade de crenças falsas, mas úteis.” Se o naturalismo evolucionista é verdadeiro, o nosso cérebro não foi desenvolvido para alcançar a verdade. Existe uma possibilidade maior da seleção natural ter selecionado crenças em mim que são falsas, mas que no fim garantem a minha sobrevivência, pois a verdade não importa. Se eu creio que o naturalismo é verdadeiro, então, as crenças no meu cérebro não foram formadas a fim de alcançarem a verdade. E isso inclui a minha crença no naturalismo.

Ele também argumenta que a introspecção humana é radicalmente enganosa. Porque se levarmos a ciência a sério, nós nunca pensamos sobre a forma que pensamos. E que, na verdade, o nosso maior erro é pensar que nós pensamos sobre alguma coisa.

Rosenberg admite que isso soa absurdo, mas ele acha que tem um argumento definitivo para isso. Ele afirma que a introspecção, os seus pensamentos, exibe intencionalidade. Intencionalidade é quando os meus pensamentos estão dirigidos a alguma coisa, é sobre alguma coisa. No entanto, Rosenberg explica, a intencionalidade pode não ser uma propriedade intrínseca dos objetos físicos.

Ele diz que “um aglomerado de matéria não pode ser sobre outro aglomerado de matéria”. No entanto, o cientificismo diz que não há mente distinta do cérebro: o pensamento é algo que o seu cérebro faz. E o cérebro é apenas mais um amontoado de matéria no universo. Logo, se os seus pensamentos são nada além do que estados cerebrais físicos, então, seus pensamentos não podem realmente ser sobre qualquer coisa. Portanto, o seu pensamento não é sobre nada, caso o ateísmo seja verdade.

Outros absurdos do ateísmo

No decorrer do livro, Rosenberg vai mais além dizendo que os ateus deveriam negar o propósito cósmico do mundo, o progresso histórico, a existência humana significativa, a vida após a morte, verdades morais, livre vontade, o direcionamento de nossos pensamentos, nossa capacidade de formular e executar planos.

Rosenberg também diz que se o naturalismo é verdadeiro, nenhuma sentença possui um significado, que não existem sentenças verdadeiras e que ninguém perdura por dois momentos no tempo, você não é a mesma pessoa que era quando começou a ler esse artigo. E eu chamaria o livro de: O guia do ateu para o suicídio intelectual.

A loucura da incredulidade

Devemos observar que isso confirma o que a Bíblia diz sobre a loucura da incredulidade. A ideia bíblica de loucura tem a ver com a inteligência, e o tempo nos mostra que essa loucura é revelada no ato de abandonar o senso comum e abraçar absurdos auto-destrutivos, tudo para não aceitar a realidade de Deus. Não é surpreendente porque algumas pessoas estão mais dispostas a negar que existe diferença entre o certo e o errado e que os nossos pensamentos são sobre alguma coisa, do que admitir que eles são criados por Deus.

Quer saber em mais detalhes? Assista a aula completa no vídeo!


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Sobre o autor: Gabriel Reis é aspirante ao ministério pastoral na 1ª Igreja Presbiteriana do Brasil em Duque de Caxias-RJ. Graduando em filosofia pela UFRJ. E fundador da Página Apologética Reformada.
Fonte: Gospel Prime
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A impossibilidade do conhecimento no ateísmo

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No decorrer dos séculos, várias visões de mundo alternativas à cristã tem surgido. Uma delas, que é a principal cosmovisão concorrente do cristianismo na atualidade, que é o naturalismo, tem sofrido grandes ataques dos filósofos cristãos.

Naturalismo, basicamente, é a visão de que a natureza é tudo o que existe. O universo é um sistema fechado de coisas, isto é, não existe nada além da natureza.

De acordo com eles, portanto, tudo pode ser explicado em última análise, em termos de entidades físicas em conjunto com as leis naturais que descrevem seu comportamento. Isso se aplica até mesmo a fenômenos mentais, que devem ser ou reduzidos a física ou eliminados. Consequentemente, não existem seres sobrenaturais ou não-naturais, como almas, fantasmas, anjos e o mais importante, Deus.

Naturalismo é assim aceito por grande parte dos filósofos e cientistas do Ocidente hoje. Os defensores do naturalismo são conhecidos por terem uma visão de mundo racional, no sentido de ser uma visão que exclui toda superstição religiosa.

Porém, eu vou argumentar aqui de modo que seja evidente que o naturalismo exclui a possibilidade de conhecimento por completo. Ironicamente, a cosmovisão antiteísta que mais é aceita como racional acaba sendo um dos piores inimigos da razão.

A minha reivindicação é que o conhecimento pressupõe a existência de Deus; portanto, uma vez que sabemos, pelo menos, algumas coisas, segue-se que Deus deve existir. Conhecimento, segundo a definição tradicional na filosofia, é crença verdadeira justificada.

A crença envolve o aspecto subjetivo. A verdade envolve o aspecto situacional, sendo verdade o que corresponde com a realidade. E a justificação envolve o aspecto normativo. Iremos esclarecer eles e demonstrar como o naturalismo não consegue preencher os requisitos necessários para se ter conhecimento.

O aspecto normativo do conhecimento é algo necessário para a justificação. Intuitivamente falando, uma crença DEVE ser formada ou mantida no caminho certo, a fim de ser justificada. Ela refere-se a como crenças DEVEM ser formadas, ao invés de COMO as crenças são formadas.

Não é uma noção descritiva, mas prescritiva. Isso implica que existem normas epistêmicas que determinam se a crença em algo é realmente conhecimento. Os conceitos normativos opõem-se aos descritivos no sentido em que, em vez de descreverem como as coisas são, dizem-nos como estas deveriam ser. Neste sentido, pode-se entender o conceito de justificação epistêmica em paralelo com os de bem e mal. Podemos dizer que a pessoa tem boas ou más razões para manter determinada crença.

O fato que existe tal coisa como a normatividade epistêmica coloca problemas sérios para o naturalismo metafísico. Em primeiro lugar, não há espaço dentro do naturalismo pra qualquer normatividade irredutível.

De acordo com o naturalismo metafísico, todos os fenômenos são, em última análise, explicável em termos científicos, mas a ciência é uma disciplina puramente descritiva. A ciência descreve, em vez de prescrever. Ela nos diz como as coisas são, como uma questão de fato empírico; não tem nada a nos dizer sobre como as coisas deveriam ser.

Alvin Plantinga escreveu: “O calcanhar de Aquiles do naturalismo é que ele não tem espaço para normatividade. Não há espaço para certo ou errado, bom ou ruim.” Assim podemos fazer o seguinte silogismo:

  1. A justificação, que é um pré-requisito para o conhecimento, é normativa;
  2. Não há normatividade num mundo naturalista;
  3. Logo, no naturalismo o conhecimento é impossível.

Vamos pensar no aspecto situacional, que nos leva a pensar na verdade de como o mundo é. O argumento que se segue, ao contrário do anterior que é uma redução ao absurdo do naturalismo, é transcendental no sentido filosófico.


Ou seja, busca as condições de possibilidade para a verdade ser tal coisa como a verdade. E o Todo-Condicionar que possibilita a verdade ser verdade é Deus. Pois a verdade existe. Sua negação acarreta numa auto-contradição, visto que para afirmar a inexistência da verdade, tem de alcançar alguma verdade.

A verdade também é imutável. Porque se ela mudasse, é possível que ela mude até que seja imutável. A verdade é eterna. Sua negação é uma auto-negação, visto que haveria a verdade eterna de que ela não é eterna. A verdade também é necessária.

Em termos de lógica modal, a verdade existe em todos os mundos possíveis. A verdade também é mental. Elas não são físicas por serem proposições. Você não vê a verdade andando por aí. A verdade é superior a mente humana, pois se os homens ou até mesmo o universo deixasse de existir, ainda haverá a verdade de que não há mentes humanas e nem o universo. Logo, a verdade existe na mente imutável, eterna e necessária de Deus.

Finalmente, iremos considerar a perspectiva existencial do conhecimento, que nos convida a refletir sobre o sujeito do conhecimento na formação das suas crenças. O naturalismo filosófico evolucionista é a crença que o mundo natural é tudo o que existe e humanos vieram a existir por um acidente através do trabalho cego da matéria.

Nós teríamos evoluído por acidente, de animais inferiores, passando traços e crenças que nos ajudariam a sobreviver. E isso inclui a química do cérebro e como ela funciona.

O cérebro evoluído do ser humano teria vindo apenas como uma forma de ajudar o organismo na sobrevivência. Então, se o naturalismo é verdadeiro, tudo o que o cérebro faz é para a sobrevivência, o que deve necessariamente incluir todas as crenças e pensamentos que ele tem.

O que iria ocasionar no fato de que todas as crenças que pensamos ser verdadeiras são apenas formadas no cérebro para nos ajudar a sobreviver. Mas consequentemente, isso inclui a crença no naturalismo. Então, se crermos que o naturalismo é verdadeiro, então também teremos de acreditar que, crer que o naturalismo é verdadeiro foi por causa do meu cérebro que decidiu que essa crença é benéfica para a sobrevivência, não porque seja verdadeira.

Plantinga apontou que o naturalismo filosófico cai em um ciclo auto-refutável: Se eu creio que o naturalismo seja verdadeiro > então eu devo acreditar que sou apenas um produto do naturalismo evolucionista > portanto, minhas crenças são programas em mim para me ajudar a sobreviver > incluindo minha crença de que o naturalismo seja verdadeiro.

De acordo com Charles Darwin, a probabilidade de nossas faculdades cognitivas serem confiáveis é muito baixa. Ele escreveu: “Em mim sempre nasce a horrível dúvida se as convicções da mente humana, a qual desenvolveu-se a partir da mente dos animais inferiores, têm qualquer valor ou são confiáveis. Confiaria alguém nas convicções da mente de um macaco, se houvesse alguma naquela mente?”

Logo, a crença no naturalismo refuta a si mesma. A verdade seria impossível de se obter. Se a razão não é baseada na razão, mas em processos físicos cegos, então a própria razão está perdida. Mas na cosmovisão cristã não enfrentamos esse problema. Pois não acreditamos que propriedades mentais da consciência e da razão não podem ser redutíveis a processo físicos. Crer que essas coisas são redutíveis, cria mais problemas do que alguns podem pensar ou imaginar, como vimos aqui.

É evidente como o ateísmo em sua forma mais pura acarreta na impossibilidade do conhecimento, seja para satisfazer a perspectiva normativa, situacional ou existencial, que corresponderia a justificação, factividade e a crença. Portanto, se sabemos algo; o naturalismo é falso e Deus existe. Pois “o temor do Senhor é o principio do conhecimento.” (Prov 1:7)

Quer saber em mais detalhes? Assista a aula deste vídeo:


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Autor: Gabriel Reis
Fonte: Gospel Prime
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Dez maneiras como a apologética auxilia no aconselhamento bíblico

image from google

O que se segue é uma lista do modo como a apologética em geral e pressuposicional em particular tem ajudado a me tornar um conselheiro bíblico melhor (não que eu já tenha alcançado, mas adiante...)

1) A apologética em geral tem me feito pensar mais claro e logicamente. Isso tem me ajudado a me tornar mais claro e preciso em como eu aconselho a outros. 

2) A apologética em geral tem me feito ouvir aos outros mais cuidadosamente e fazer perguntas que esclareçam o que eles querem dizer, e por que eles pensam o que pensam e fazem o que fazem. 

3) A apologética em geral me levou a vê-la com uma ferramenta adicional ao meu aconselhamento: às vezes, o aconselhando faz algumas declarações preocupantes durante a abordagem, eu escrevo diversas das mais importantes e, então, assinalo-lhe a pensá-las através daquelas que podem ser problemáticas e não bíblicas. Então, quando nos encontramos, vejo que ele pode surgir com suas próprias conclusões, louvando a Deus porque ele pôde por si mesmo identificá-las, ao mesmo tempo em que ele aponta outras coisas que poderiam ter se perdido ou que precisam de mais elaboração. Esse exercício é logicamente rigoroso e eu creio que a aplicação da apologética seja útil para treinar essa aplicação.

4) Em particular, a apologética pressuposicional tem me tornado mais consciente que as pessoas frequentemente fazem coisas por causa de suas cosmovisões. Então, no aconselhamento eu estou agora mais consciente em identificar as pressuposições não bíblicas que as pessoas adotam e que podem estar conduzindo seus problemas. 

5) Em particular, a apologética pressuposicional tem me tornado mais consciente sobre assuntos de autoridade das Escrituras e a ênfase vantiliana sobre a Escritura reforça a importância de usar habilmente a Escritura aplicando-a à minha vida e à vida de outros no cuidado de nossos problemas. Ela me faz determinado a estudar a Escritura e ver suas implicações na abordagem de questões práticas

6) Do ponto 5, a apologética pressuposicional em particular também tem sido útil em me fazer perceber que, muitas vezes, pecados e comportamentos destrutivos são irracionais, de acordo com o pensamento cristão pareceriam “racionais” se suas consequências seguissem de suas cosmovisões. Por isso, é importante ver que a questão da idolatria (a raiz do problema) seja abordada (seja ela a busca pelo prazer a qualquer custo, orgulho etc), uma vez que ela dirige todas as coisas.

7) A apologética pressuposicional em particular relembra-me do efeito noético do pecado e que apelar ao que é racional ou razoável não é o suficiente se a vontade de alguém já está decidida. Isso me leva a ver a importância da oração, do uso da Lei de Deus para apelar à consciência e aplicar-lhe o Evangelho de modo a afetar as afeições do indivíduo.

8) A apologética pressuposicional em particular com sua ênfase sobre o efeito do pecado sobre todas as nossas faculdades também tem grandemente me humilhado e me guardado contra a auto-justiça quando aconselho a outros. Eu me percebo como um pecador que necessita da Graça: que, como conselheiro, eu posso cometer enganos e, então, eu preciso de muitas perguntas para que eu saiba o que realmente está acontecendo, em vez de assumir que já sei; ela também me faz perceber o meu próprio pecado e preciso me aplicar o mesmo remédio que estou oferecendo; me faz perceber que, se eu estiver errado na forma como aconselho, também devo confessá-lo ao meu aconselhando.

9) A apologética pressuposicional me faz perceber que na raiz de todos os nossos problemas nós precisamos de Jesus Cristo como nosso Senhor e Salvador.

10) A apologética pressuposicional me faz perceber que no centro de muitos problemas, tais como pecados sexuais, drogas etc. está a questão da adoração. A verdade de Deus faz-me querer adorar a Deus mais e mais por sua grandeza. A apologética pressuposicional e o perspectivalismo¹ de John Frame fazem-me adorar a Deus por ver a beleza da verdade de Deus como um todo coerente, complementando e tendo implicações para outras esferas da vida. O inter-relacionamento da apologética e aconselhamento bíblico é belo. Nós precisamos ter uma apologética doxológica. 

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Nota:    
[1] Veja http://frame-poythress.org/a-primer-on-perspectivalism/

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Autor: Jim Lee
Fonte: The Domain for Truth
Tradução: Rev. Gaspar Souza
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Pequeno Excerto da Obra A Doutrina Protestante das Escrituras, de Cornelius Van Til

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PEQUENO EXCERTO DA OBRA THE PROTESTANT DOCTRINE OF SCRIPTURE [A DOUTRINA PROTESTANTE DAS ESCRITURAS], DE CORNELIUS VAN TIL


1. A NECESSIDADE DA REVELAÇÃO NATURAL

A fim de apresentar a inter-relação existente entre a revelação de Deus nas Escrituras e Sua revelação na natureza, devemos primeiramente tratar da necessidade da Revelação Natural. É costume apresentar a necessidade da Revelação Sobrenatural devido ao fato de não existir, em toda a extensão da natureza, nenhum tipo de revelação a respeito da graça. Contudo, é igualmente verdadeiro que a revelação da graça operar-se-ia num vácuo caso não se operasse na natureza, revelando, assim, a Deus. É impossível reconhecer o sobrenatural por aquilo que é, a menos que o natural também o seja: ambos devem ser reconhecidos mediante a luz da revelação sobrenatural de Deus. Tudo aquilo que o homem faz em relação à natureza, ele o faz como uma forma de manutenção ou de transgressão do pacto de graça que Deus estabeleceu com o homem. Dessa forma, tanto o cientista no seu laboratório quanto o filósofo em seu estudo estão lidando com seus materiais, quer como mantenedores do pacto ou como seus transgressores. Todos os atos do homem, todos seus questionamentos, todas suas afirmações – de fato, todas as suas negações em qualquer domínio de seus interesses, são pactualmente condicionadas.

2. A AUTORIDADE DA REVELAÇÃO NATURAL

Naturalmente, se, de fato, todos os atos humanos realizados tanto no que concerne à natureza quanto às Escrituras são pactualmente condicionados, isso se dá porque Cristo se comunica com o homem de forma ubíqua, e Se comunica sempre com absoluta autoridade. O cientista pode ou não reconhecer este fato. Se ele não é um cristão, ele há de argumentar que o fato de Cristo possuir autoridade, uma absoluta autoridade no que diz respeito ao seu procedimento científico, é algo que destrói totalmente a própria ideia de ciência. Ele há de argumentar que a ideia de ciência pressupõe liberdade por parte do cientista para conceber quaisquer hipóteses que julgue se encaixar aos fatos. Qualquer autoridade absoluta – como aquela mencionada anteriormente – também exclui (no raciocínio do cientista) a ideia de que as palavras de Cristo podem e devem ser testadas pelos fatos e pela ordem dos fatos, isto é, pelas leis naturais já conhecidas pelos homens, a partir de seus experimentos e experiências prévias. “Suponha”, o cientista talvez diga, “que eu tenha de trabalhar sob a absoluta restrição da ideia de uma Providência redentora e soberana de Deus, tal como ensinado pela Bíblia – isto seria contra a ideia de um universo absolutamente aberto. Assim, minha hipótese teria que ser de uma natureza tal que esteja em total concordância e mesmo subordinada à ideia dessa Providência soberana. Isso excluiria quaisquer novidades e descobertas na ciência. Tudo já estaria de antemão fixado. Por outro lado, a ideia de uma Providência redentora que abarcasse todas as coisas exigira, de minha parte, a aceitação, de bom grado, da possibilidade de Deus, arbitrariamente, Se manifestar na ‘unidade’ da natureza que a ciência descobriu mediante árduos esforços, e, dessa forma, destruísse essa ‘unidade’ com inserções miraculosas. Teríamos, então, que aceitar que todos os fatos com os quais lidamos são, essencialmente, criações arbitrárias de Deus. Portanto, teríamos que interpretar a ideia de ‘lei’ científica como sendo subserviente àquela lei do relato bíblico acerca do pecado e redenção, a qual é controlada pelo fiat do Deus soberano. Isso não pode ser assim, e, portanto, não aceitaremos tal coisa!

Dito de outro modo, a metodologia científica que não é definitivamente baseada sobre a história redentiva da Bíblia é baseada, na verdade, sobre a suposição de que, de um lado, o universo deve ser totalmente aberto e, de outro, que ele deve ser totalmente fechado. Aludindo a essa ideia, Morris Cohen diz que a ciência necessita tanto da ideia do universo aberto quanto da ideia do universo fechado, mas delas necessita não como elementos constituintes, antes, como conceitos que se limitam reciprocamente.

Caso o homem não possua a autoridade de Cristo no campo da ciência, ele passa a considerar a si mesmo como a autoridade definitiva, como a retaguarda de seu esforço. A controvérsia entre aquele que guarda o pacto e aquele que o quebra nunca se dá, exclusivamente, a respeito de um fato particular ou a respeito de certo número de fatos. É sempre, e ao mesmo tempo, sobre a natureza dos fatos. Além disso, atrás do argumento a respeito da natureza dos fatos, há ainda o argumento sobre a natureza do homem. Por mais restrito que o debate entre o crente e o cético possa ser a qualquer momento, em última análise há sempre duas cosmovisões em desacordo entre si. De um lado, é um homem que vê a si mesmo como incapaz de encontrar uma interpretação inteligível da experiência sem referência a Deus como seu Criador e a Cristo como seu Redentor. De outro lado, é o homem que está certo de que ele não pode encontrar qualquer interpretação desse tipo. Ele supõe que reside junto a ele o poder de fazer um juízo universal negativo acerca da natureza de toda a realidade.

Consequentemente, o cientista que é um cristão possui o dever de mostrar ao seu amigo e colega que não é cristão que, a menos que este último esteja disposto a se posicionar a partir da narrativa cristã com respeito ao mundo que tem sido redimido por meio de Cristo, não há nada para ele, a não ser o fracasso. O labor científico é totalmente ininteligível a não ser que seja francamente baseado sobre a ordem disposta no universo de fatos criados por Cristo, o Redentor.

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Autor: Cornelius Van Til
Fonte: WTSBooks
Tradução: Fabrício Tavares
Divulgação: Bereianos
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A rejeição da Escritura como fundamento epistemológico e a resultante confusão de termos

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Por Paulo Ribeiro


Como pressuposicionalista eu defendo que, a não ser que o cristianismo, com todas as suas implicações, seja adotado integralmente, o conhecimento não é possível, em qualquer área. Por consequência, nenhum raciocínio lógico poderia ser empregado sem as premissas bíblicas pois só elas possibilitam e justificam a existência da razão, e amparam a ideia de ordem e continuidade no universo e na mente. Com efeito, essas condições para o conhecimento e para a lógica não são percebidas pela avassaladora maioria das pessoas, obviamente. É triste que até mesmo uma grande parcela de cristãos pense diferente ou não concorde com a absoluta necessidade das premissas bíblicas para que qualquer conhecimento seja possível. Entretanto, uma das consequências da rejeição da Bíblia como fundamento epistemológico é mais facilmente identificável, ao menos para os cristãos: a impossibilidade de definirmos muitos termos empregados cotidianamente pela maioria das pessoas. Palavras que portam conceitos densos como "amor", "justiça", "Deus", "ciência" e "mal", por exemplo, tornam-se COMPLETAMENTE desestruturadas, amorfas e desamparadas de sentido quando utilizadas em detrimento da Palavra de Deus.

Nesta reflexão, enfocarei o amor. A Bíblia fala no amor de Deus por ele mesmo (amor ad intra), no amor de Deus pela obra de suas mãos (amor ad extra) e no amor de Deus por seus eleitos, que se enquadra no amor ad extra, porém, de uma forma redentiva. Há também o amor das pessoas umas pelas outras, pela criação divina, bem como há o amor do cristão pelo próximo, por seu inimigo e por Deus. Definitivamente foge aos nossos propósitos, neste momento, investigar o amor na Bíblia empregando análises etimológicas. O que nos interessa é observar, partindo de uma perspectiva ontológica, a definição última de amor, segundo a Escritura nô-la fornece; e a Bíblia diz que "Deus é amor" (1Jo 4.8). Desconsiderando momentaneamente todas as implicações desta afirmação da Escritura, concentremo-nos no simples fato de que a Bíblia nos fornece uma definição de "amor". Na verdade, a Bíblia vai muito além de definir o amor; ela revela a propriedade metafísica do amor. Deus não "tem" amor, ele "é" amor. O significado disso é que tudo o que o ser humano concebe por "amor" (seja como sentimentos, seja como ações, ou seja o que for), não é amor senão como um eco do verdadeiro amor, que integra a natureza divina como uma de suas perfeições, sendo, por isso mesmo, tão eterno quanto à própria divindade. Deixe-me colocar isso de outra forma. Se a Palavra de Deus é eterna como é o próprio Deus (Is 40.28), então tudo deve ter tido origem nele. E se tudo teve origem nele (Gn 1.1), dele somos criação, e empregamos o termo "amor" em nosso vocabulário, então não podemos arrogar para nós mesmos o direito de manipular um termo de autoria divina, e que só tem sentido dentro da definição que o próprio Deus outorgou a ele. Assim, se o amor É uma propriedade de Deus, então ele NÃO É outra coisa e NÃO É o que nós queremos que ele seja. Nós podemos usar o termo "amor" somente nos parâmetros e nas aplicações permitidas pelo que não "tem" amor, mas É amor.

Frequentemente empregamos a palavra amor em nossa vida. Dizemos que amamos nossas esposas, filhos, amigos, animais de estimação etc., mas jamais poderemos entender o amor conforme nossa própria mente o definir pois o amor é eterno ("Deus é amor...") e já era antes que tudo fosse criado. Então, somos encorajados por Deus para que o amemos e para que exercitemos este amor para com próximo. Na verdade, somos chamados até mesmo a amar aos nossos inimigos, conforme pontuei em outro texto. Mas nunca fomos autorizados a alterar a definição de amor! Por exemplo, se eu, na prática, resolvo amar a meu inimigo, eu não posso, com base em suposições fúteis a respeito do que significa amar o inimigo, empreender um esforço para conciliar nossos ideais e valores; ou mesmo tentar "sentir coisas boas" por ele. A Bíblia diz que os cristãos têm a mente de Cristo (1Co 2.16) e que o incrédulo é tolo (Sl 14.1). Não há o que ser conciliado. Sendo assim, eu não devo utilizar a palavra "amor" independentemente de sua definição original, e eu não deveria amar meu inimigo segundo o que EU entendo por "amor ao inimigo". Antes, eu devo definir o amor segundo os usos e definições do que detém sobre ele os direitos autorais.

Este é o ponto. Ao abrirmos mão da Escritura como alicerce para o conhecimento, sujeitamo-nos ao mais pernicioso relativismo: a definição de amor ficaria por nossa própria conta e poderíamos defini-lo da maneira que mais nos agradasse. De fato, poderíamos sustentar inúmeras definições distintas para o amor, caindo, então, na impossibilidade completa de termos qualquer definição e, por extensão, qualquer conhecimento.

Isso parece um cenário terrível, não é? Não obstante, vivemos uma versão deste cenário em nossos tempos. O maciço abandono dos pressupostos bíblicos e a crescente hostilidade às heranças éticas e culturais do cristianismo (como consequências do apelo histérico à "laicidade do Estado" - apenas um nome diferente para REBELDIA) têm produzido, há anos, uma enfática relativização do significado não só do amor, que foi um exemplo, mas de diversas palavras, de modo que as consequências para o Reino de Deus são visíveis. A palavra casamento foi relativizada. O significado de casamento pertence somente a Deus, pois Deus o instituiu e exerceu seu direito de defini-lo conforme a boa determinação de sua vontade (Ef 1.11). Mas no momento em que lançamos mão da Bíblia como fundamento epistemológico, passamos a definir casamento por nós mesmos. Então, o casamento não precisa mais ser casamento. Ele pode ser "união estável" ou qualquer outra besteira, sob qualquer formato e parâmetro que quisermos. Outras palavras foram também roubadas de seu fundamento eterno e mergulhadas no oceano ímpio do relativismo. "Família", "paraíso", "pecado", "homem", "mulher", "bom e mal", "certo e errado" foram igualmente estupradas. A agenda anticristã atualmente estabelecida é, indubitavelmente, um catalisador da relativização dos termos (e conceitos subjacentes) e da aproximação de um estado latente de não-conhecimento.

Entretanto, apesar do evidente cenário relativista em que vivemos, notamos também que o caos não é absoluto. Há ainda uma consciência geral, ainda que tímida e sufocada, acerca dos corretos significados das palavras, ou, mais precisamente, de uma direção que aponta para um sentido mais acurado delas. E isso, mesmo com a rejeição da Palavra de Deus. Tal ordem se deve ao fato de que Deus, em sua grande sabedoria, implantou no homem uma vívida intuição acerca de sua lei, bem como categorias de raciocínio lógico e proposições que as instrumentalizam. Destarte, ainda que o homem, em rebeldia contra seu criador, ouse cerrar os punhos e negar a Palavra de Deus como fundamento de todo o conhecimento, ele ainda PRECISA dos pressupostos bíblicos para viver. O homem natural consegue, por exemplo, concluir que dois mais dois somam quatro; ele só não é capaz de fornecer uma justificativa para este resultado, para a lógica. A não ser que o homem assuma a Bíblia como fundamento de todo o seu conhecimento, ele jamais encontrará justificativas últimas para a existência da lei moral, para a lógica e para a beleza. Mesmo assim, nós sabemos que se a experiência humana levar às últimas consequências sua rejeição da Escritura como único fundamento epistemológico possível, o resultado mais óbvio dessa rejeição será a completa relativização dos termos e, por fim, a imersão em um "limbo" epistemológico. Dirão os homens: "Não podemos conhecer nada; [porém] conhecemos que não podemos conhecer; e não sabemos explicar a razão desta flagrante incoerência! Nada tem sentido, nem mesmo o que eu estou dizendo agora".

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Fonte: Teologia Expressa
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