Ortodoxia & Ortopraxia

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Introdução:

No último artigo refletimos sobre a necessidade de piedade e um bom preparo para o Ministro da Palavra. O pastor/mestre é alguém santo e douto, santo porque é regenerado e chamado ao ministério sagrado e douto porque serve à Igreja de Deus por meio da Palavra no exercício da docência. Somente isso seria suficiente para que a prática ministerial se desenvolvesse “como Deus quer”, porém a influência do praticismo pietista e do pragmatismo moderno no protestantismo brasileiro exige uma reflexão sobre a ORTOPRAXIA.

Como o cristão (não) deve lidar com o estudo teológico

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A teologia é sem dúvida uma bênção do Senhor na vida do crente. É através do labor teológico que nós podemos conhecer melhor o Deus a quem servimos e adoramos. É por isso que soa muito estranho quando alguém afirma: “eu só quero Jesus, não doutrina.” Mas não é esse o ponto que pretendo tratar aqui. Que há cristãos que negligenciam o estudo teológico é fato, mas há também aqueles que gostam de teologia, porém não a fazem da maneira correta e pelos motivos corretos. É sobre estes que eu quero falar.

Se por um lado a igreja do Senhor sofre porque há muitos que deixam de lado o estudo doutrinário, há também, cada vez mais, cristãos que, apesar de se dedicarem a teologia, agem de uma maneira inadequada a respeito. Gostaria de citar alguns dos problemas a respeito destes últimos.

O primeiro problema é sobre aqueles que ao começarem a estudar um pouco de teologia, acham que podem opinar sobre todos os assuntos com propriedade. Eu vejo isso com muita frequência nas redes sociais, especialmente no Facebook. Alguém posta algo sobre pentecostalismo e o ex-pentecostal, que se tornou reformado depois de ler dois ou três artigos em sites e blogs, critica ferrenhamente o post sobre este movimento como se fosse conhecedor o suficiente dele (quando na verdade não é). Isso se aplica a outros tópicos teológicos também. Mas a questão é que essas pessoas têm sede por criticar ou opinar sobre qualquer coisa que diz respeito à teologia, quando elas mesmas não tem propriedade o bastante para falar. 

As consequências disso são inúmeras. Um exemplo disso é uma divisão radical no corpo de Cristo por questões secundárias, ao ponto de muitos se comportarem de forma semelhante aos coríntios: “Eu sou de Paulo”, e outro “Eu sou de Apolo” (1 Coríntios 3.4). Tal divisão acarreta ainda outras consequências como até mesmo xingamentos! 

Não é assim que as coisas devem funcionar. O cristão que tem começado a se dedicar a teologia deve sempre ter em mente que muitas coisas não são tão simples como ele pensa que é. E quando isso não ocorre, é uma clara evidência de imaturidade.

Outro problema associado a este é o motivo pelo qual eles estudam teologia. Há muitos cristãos que “teologam” simplesmente por amor a debates. Eles são ávidos por confrontar posições opostas às suas, a fim de derrubar os argumentos contrários e sair como vencedor. Eu não estou aqui dizendo que debates são de tudo ruins. Eu mesmo aprecio isso em alguns casos. Porém, o ponto é: eles não estão preocupados em se aquele debate vai render algum fruto de piedade ou amadurecimento ao seu irmão, ou até mesmo (por que não?) se o debate vai proporcionar troca de conhecimentos e uma interação saudável. Isso pode levar uma das partes a repensar aquilo que ele tem defendido e a amadurecer. 

Além disso, e talvez mais importante ainda, é o fato destes cristãos não usarem a doutrina para o benefício da igreja. Eu mesmo já fui muito tentado a isso e tenho errado bastante. A teologia virou algo que não tem mais nenhuma relação com a igreja local. Estuda-se apenas para benefício próprio, não para instruir seus irmãos. Isso é egoísmo!

É aqui que o trabalho do pastor como teólogo-orientador entra. Ele precisa aconselhar as suas jovens ovelhas que, embora amem a teologia, precisam saber se comportar de forma adequada em relação a ela. Elas precisam entender que teologia não é algo banal, mas algo sério, pois lida com as coisas do Senhor. Além disso, precisam estar cientes do motivo pelo qual elas querem aprender mais da palavra de Deus. Eu penso que isso terá impacto significativo tanto na igreja local quando na igreja do Senhor como um todo.

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Autor: Alison Aquino
Divulgação: Bereianos
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O perigo da Teologia sem a Ortopraxia

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Por Samuel Torralbo

Toda reflexão bíblica ou teológica sempre precisou ser transportada do campo da reflexão para a prática funcional da vida cristã. O maior desafio da teologia cristã nunca esteve atrelado aos enfrentamentos apologéticos com relação às doutrinas heterodoxas, mas em aplicar na vida prática do discípulo de Cristo os ensinamentos bíblicos. De modo que, enquanto a ortodoxia – “orthos” (reto) e “dóxa” (opinião) é a crença correta, a ortopraxia -“órthos” (reto) e “praxe” (pratica) é a prática correta da crença.

Enquanto que, a ortodoxia mantém a consciência universal da obra de Deus na historia e na encarnação de Cristo, a heterodoxia (opinião diferente) é caracterizada pelas associações com as opiniões e doutrinas que discordem de uma opinião oficial ou ortodoxa.

Em tempos como o nosso, onde o avanço da relativização teológica é bastante comum, é vital para a igreja manter os fundamentos bíblicos da fé cristã. É também importante destacar que, na historia do cristianismo a doutrina ortodoxa contou com os apologistas, que defenderam a fé cristã enfrentando as heresias que surgiam do lado externo (extra muro), enquanto que, os polemistas defendiam a doutrina bíblica do lado de dentro (intra muro), no próprio contexto eclesiológico.

Sendo assim, a vida cristã de certo modo não subsiste apenas do entendimento sistemático da doutrina bíblica, mas principalmente na aplicação dos ensinamentos nas contingencias reais e práticas da vida cristã em comunidade e sociedade.

A verdade que se crê e estuda, também deve ser vivida e praticada. Sendo assim, em síntese, a vida cristã não se resume em códigos de uma cartilha religiosa, gerando alienação ou deformação, mas antes, a teologia e a fé cristã possibilitam que o cristão seja inserido no caminho da vida, influenciando o mundo através da graça de Deus em Cristo Jesus.

Porém, a referência de toda experiência e doutrinação da fé cristã se baseia nos escritos da bíblia. Sendo que, em todo momento existiu a necessidade da contextualização da mensagem bíblica no tempo e na história. Nunca foi um desafio para a Bíblia ser contemporânea, uma vez que, sua natureza é dinâmica e renovável no processo histórico da humanidade.

O desafio sempre esteve presente na maneira com que os homens iriam manuseá-la, aplicando suas verdades. Uma reflexão importantíssima é de como a igreja contemporânea pode ter uma mensagem bíblica contextualizada para a sociedade pós-moderna? O que cada cristão pode fazer para que, o mundo compreenda a mensagem de Deus em Cristo Jesus? Qual o real significado e importância da bíblia para a geração contemporânea? Como identificar e praticar a doutrina bíblica em um tempo de extremo relativismo?

A bíblia sempre foi alvo de atentados, fogueiras, e descrédito ao longo da história, no entanto nenhuma bigorna resistiu o confronto com a palavra de Deus.

Passado o tempo da perseguição literal e concreta na idade média, que pretendia extirpar definitivamente as escrituras sagradas do alcance das pessoas, novas frentes de perseguição objetivam roubar o conteúdo bíblico. È claro que não existem mais as fogueiras, cruzadas e guerras santas em nosso tempo. A oposição às escrituras sagradas atualmente acontece por vias mais subjetivas e sutis, muitas vezes partindo de movimentos, e teológicas desenvolvidas internamente por alguns “cristãos”.

Entre algumas oposições contemporâneas as escrituras sagradas, destacassem algumas:

Teismo aberto – A teologia relacional ou teologia da abertura de Deus como também é conhecida o teísmo aberto não é uma teologia nova. Segundo o escritor e pastor Augustus Nicodemos – Ela tem raízes em conceitos antigos de filósofos gregos, no socinianismo (que negava exatamente que Deus conhecia o futuro, pois atos livres não podem ser preditos) e especialmente em ideologias modernas, como a teologia do processo. O que ela tem de novo é que virou um movimento teológico composto de escritores e teólogos que se uniram em torno dos pontos comuns e estão dispostos a persuadir a igreja cristã a abandonar seu conceito tradicional de Deus e a convencê-la que esta “nova” visão de Deus é evangélica e bíblica.

No Brasil, o teísmo abeto é defendido por algumas lideranças bastante conhecidas no meio evangélico. Os principais pontos teológicos defendidos pelo teísmo aberto podem ser resumidos desta forma: (1) Deus não conhece plenamente o futuro, mas somente aquilo que pode ser sabido. (2) O livre arbítrio do homem depende estritamente da limitação do conhecimento de Deus no tempo. (3) O principal atributo divino é o amor, e isto, relativiza todos os demais atributos divinos. (4) Deus não é soberano, de modo que, pode ser surpreendido como no caso do terremoto no Haiti em 2010. (5)
O futuro é determinado pela combinação de atitudes entre Deus e o homem.

Entre as diversas oposições contra a teologia ortodoxa reformada, o teísmo aberto certamente é uma das principais, porque procura explicar o inexplicável, colocando Deus nos limites da razão humana. Seus adeptos preferem acreditar em um Deus que aprende e adquire conhecimento com o tempo, negando a soberania e a presciência divina.

É verdade que a teologia tradicional adotada pelo cristianismo histórico não responde a todos os questionamentos sobre os planos de Deus, simplesmente porque estamos falando de Deus. Um “Deus” que caiba dentro dos questionamentos humanos torna-se um ídolo. O Deus revelado pelas escrituras sagradas, e fundamentado pela teologia histórica do cristianismo é soberano, pleno, onipotente, conhecedor do futuro e que se manifestou plenamente pela graça em Cristo Jesus.
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Fonte: [ Púlpito Cristão ]
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