Politicamente correto ou vergonhosamente omisso?

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Em nome do “politicamente correto” os cristãos estão se tornando vergonhosamente omissos. A falta de coragem em falar a verdade é mascarada pelo “respeito” e pela “tolerância” que na realidade não é nem uma coisa nem outra, mas, sim, diante da omissão da mensagem que deve ser proclamada, custe o que custar, doa em quem doer.

Em nome do “politicamente correto”:

1) Noé teria visto sua família morrer no dilúvio, pois, anunciar o castigo de Deus ao mundo seria (hoje) uma propaganda terrorista;

2) Moisés teria ficado calado quando viu o egípcio matando aquele hebreu, afinal, seria loucura da parte dele se levantar contra o sistema estabelecido;

3) Ana, mãe de Samuel, hoje teria sido processada por “abandono de incapaz” quando cumpriu sua promessa a Deus de dedicar-Lhe o filho que Ele lhe desse;

4) Elias teria sido um intolerante, agitador e incitador de perseguição quando zombou dos sacerdotes de Baal e de seu culto idólatra, e depois mandou que fossem mortos todos aqueles prevaricadores idólatras;

5) Eliseu teria sido condenado tanto pelo IBAMA por ter usado duas ursas, e pelo MP pelo assassinato daqueles meninos que zombavam do ungido do Senhor;

6) Jeremias seria achincalhado por ser “do contra”, pois, onde já se viu um profeta profetizar “coisas ruins” quando todos os outros profetas só “profetizavam” coisas boas? Na verdade, os falsos profetas (assim como em nossos dias) sempre pregaram o que o povo quer ouvir e não o que Deus de fato manda, como o fez Jeremias;

7) E Ezequiel? Ah! Esse profeta boca suja que deveria passar por uma sessão de psicanálise na melhor linha freudiana, pois, ele só falava de sexo e órgãos genitais, sexo, e órgãos genitais… para repreender o povo.

8) Daniel e seus companheiros seriam condenados (e foram) por rebeldia contra o rei. Onde já se viu um servo de Deus se rebelar contra os governantes?

9) João Batista seria (e foi) chamado de endemoninhado, pois, somente quem tem o capeta no couro come gafanhotos com mel (ainda que em nossos dias algumas culturas saboreiem “iguarias” como essa, mas, aí, dessas culturas dizemos que é normal, e, criticá-las seria “etnocentrismo”);

10) E Jesus? Em nome do “politicamente correto” Ele seria chamado de agitador, perturbador da ordem estabelecida, megalomaníaco (se declara Deus!), absolutista, pois, Se declara como “a Verdade” e não como mais uma verdade.

11) Paulo, Pedro, João, Tiago e os demais apóstolos não passam de um bando de aproveitadores que “institucionalizaram” a Igreja de Cristo dando ensejo para que os muitos pilantras se aproveitassem da ganância travestida de ingenuidade de muitos.

Definitivamente, em nome do politicamente correto a omissão tem se instalado no coração dos cristãos que se acovardam, não têm coragem de chamarem de mal o mal, de denunciarem o pecado seja em quem e aonde for.

“A Igreja de Cristo não foi chamada para fazer relações públicas, mas, sim, dar um ultimato à sociedade” (Rev. Marcos Agripino).

Não fomos chamados para dialogar com o mundo, mas, sim, monologar, pois, pregação é monólogo (e muitas vezes ficamos sozinhos enquanto falamos).

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Autor: Rev. Olivar Alves Pereira
Fonte: Noutesia
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O Princípio Regulador do Culto

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De todas as atividades da Igreja, a mais nobre e a mais importante é o culto a Deus. Fomos criados para, na adoração a Ele, nos deleitarmos e sermos plenamente felizes e satisfeitos em e para a Sua glória; evangelizamos a fim de que os eleitos de Deus sejam alcançados e salvos, e, assim, se juntem à Igreja Invisível e à Visível também no louvor e adoração ao santo Nome de Deus. Mas, o culto a Deus tem de ser da forma como Ele requer de nós. Não deve ter invencionices humanas, nem visar agradar às pessoas, mas, sim, conformá-las à vontade soberana de Deus, e, assim, elas encontrarem a verdadeira felicidade para os seus corações. Por isso mesmo, Deus nos prescreveu princípios que regulam o Seu culto.

O princípio regulador do culto é claramente expresso nas Escrituras, mostrando que tudo o que não é ordenado pela Escritura no culto a Deus é proibido. Os textos-chave são: “Agora, pois, ó Israel, ouve os estatutos e os juízos que eu vos ensino, para os cumprirdes; para que vivais, e entreis, e possuais a terra que o Senhor Deus de vossos pais vos dá. Não acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos do Senhor vosso Deus, que eu vos mando” (Dt 4.1,2). “Guarda-te, que não te enlaces seguindo-as, depois que forem destruídas diante de ti; e que não perguntes acerca dos seus deuses, dizendo: Assim como serviram estas nações os seus deuses, do mesmo modo também farei eu. Assim não farás ao Senhor teu Deus; porque tudo o que é abominável ao Senhor, e que ele odeia, fizeram eles a seus deuses; pois até seus filhos e suas filhas queimaram no fogo aos seus deuses. Tudo o que eu te ordeno, observarás para fazer; nada lhe acrescentarás nem diminuirás” (Dt 12.30-32).

Tanto na pregação da Palavra quanto na liturgia (serviço de culto a Deus) não podemos ir além do que está revelado nas Escrituras. Os hinos e músicas cantadas, as orações e a pregação não podem jamais ir além ou aquém das Escrituras. Deus fala por meio delas, e se elas não nortearem cada parte do nosso culto, então não podemos dizer que cultuamos a Deus como Ele requer de nós.

A Assembleia de Westminster além de produzir a nossa Confissão de Fé, os Catecismos, Breve e Maior, também produziu “Um Diretório de Culto”, o qual embora não tenha sido (lamentavelmente) adotado oficialmente pela IPB, podemos utilizá-lo como um norte para o nosso culto.


Da Reunião dos Crentes da Igreja e Seu Comportamento no Culto Público de Deus
Quando a Igreja se reúne para o Culto Público, as pessoas (tendo antes preparado seus corações para o mesmo) devem todas vir, e tomar parte; não se ausentando das Ordenanças Públicas por negligência, ou por pretexto de reuniões particulares.
Que todos entrem no recinto da Reunião, não com irreverência, e sim de maneira comedida e decorosa, tomando seus lugares sem mesuras (cumprimentos) em direção a um ou outro lado, ou outros movimentos de adoração.
Os fiéis estando reunidos, o ministro, depois de convoca-los solenemente à adoração do grande nome de Deus, deverá começar com Oração: “Reconhecendo em toda reverência e humildade a incompreensível grandeza e majestade do Senhor (em cuja presença eles assim se apresentam de modo especial), e sua própria condição vil e indigna de se aproximar Dele; com inteira incapacidade por si mesmos de fazer tão grande obra; e humildemente implorando-Lhe o perdão, auxílio e aceitação em todo o Culto a ser então realizado; e por uma bênção naquela porção definida de sua Palavra que ora será lida; e tudo mais, em o Nome e pela mediação do Senhor Jesus Cristo”.
Uma vez começado o Culto Público, as pessoas deverão dirigir toda sua atenção a este culto, evitando ler qualquer coisa que não seja o que o ministro está lendo ou citando no momento; e abstendo-se sobretudo de todos os cochichos, consultas, saudações, ou cumprimentos particulares a quaisquer pessoas presentes, ou que estejam entrando; como também de todos os olhares fixos, cochilos, e outro comportamento indecoroso, que possam perturbar o ministro ou as pessoas, ou impedir a si mesmo ou a outros de cultuar a Deus.
Se por necessidade as pessoas forem impedidas de estarem presentes no início, não devem, ao entrar na Igreja, se entreter em devoções pessoais, e sim reverentemente se comporem para se unir com a congregação, para a Ordenança de Deus que esteja ocorrendo no momento.
(Extraído do Diretório de Culto de Westminster).

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Autor: Rev. Olivar Alves Pereira
Fonte: Noutesia

Esse artigo é o conjunto das duas primeiras postagens da série O Princípio Regulador do Culto que está sendo publicada periodicamente no site do autor. Fique ligado e acompanhe as futuras publicações da série, aqui!
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Em respeito ao sacrifício supremo de Cristo, não concordo e não participo de autos de Páscoa

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Nestes dias em que a Cristandade relembra o Sacrifício Supremo de Cristo na cruz, uma prática que tem se tornado cada vez mais comum (no sentido de ser vista em todo lugar) e cada vez mais sofisticada (no sentido de buscar o máximo de realismo possível) é a encenação do sacrifício, morte e ressurreição de Cristo. Igrejas evangélicas e católicas, companhias de teatro comprometidas ou não com a glória de Deus se superam em apresentar cada qual o seu “auto de páscoa”.

A princípio quero deixar bem claro que não estou aqui julgando as intenções de quem quer que seja, até mesmo porque conheço as minhas intenções, mas, não as de outrem. Quero tão somente chamar sua atenção para refletir sobre essa prática, a qual, mesmo cercada de boas intenções tornar-se um escárnio, um desrespeito ao sacrifício mais, santo, mais puro e supremo de todos os tempos, o único sacrifício que pode salvar o pecador e livrá-lo do seu pecado e da condenação eterna que o mesmo merece. Refiro-me ao sacrifício de Cristo.

Como podemos encenar o que Cristo passou ali na cruz? Como podemos descrever Sua dor, tanto física quanto espiritual? Como podemos descrever o significado das palavras: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” ou “Está consumado”?

Certa vez ouvi alguém comentando sobre um desses autos de páscoa feito por uma determinada igreja o seguinte: “Este ano eles se superaram. O cara que fez Jesus na peça fez direitinho; foi muito real. Até parecia Jesus mesmo. Ficou igual àquele auto de páscoa que é feito pelos artistas da TV lá naquela cidade do Nordeste”. Um senso de justiça (e de raiva, para a minha tristeza) tomou meu coração neste instante. “Que ridículo!” exclamei, “como você pode dizer um absurdo desses? Como pode um ser humano pecador, um ator encenando ficar parecido com Jesus? Como você pode dizer um absurdo desses comparando o sacrifício de Cristo à encenação de atores promíscuos e pervertidos?” (referia-me àquele espetáculo boçal lá no Nordeste).

Perceba, caro leitor, a que ponto chegamos. Os evangélicos criticam os católicos com suas procissões, mas, quanta hipocrisia. Os católicos com suas procissões pelo menos fazem isso não como espetáculo, mas, como devoção (exceto quando também se rendem a essa prática nefasta dos “autos de páscoa” teatrais).

Alguém vai me dizer: “Mas, você é muito obtuso e retrógrado. Não vê quantas pessoas são alcançadas pelo Evangelho com esses autos de páscoa?”. E eu devolvo a pergunta: “Quantas dessas conversões permanecem? Quantas produzem frutos dignos de arrependimento e demonstram crescimento posterior?”. Certa feita, num desses autos de páscoa feitos aqui em São José dos Campos, o cara que fez o papel de Jesus na peça, no dia seguinte foi visto num boteco da cidade enchendo a cara de cerveja (detalhe: ele estava até com o mesmo visual hippie-cristianizado). Eu fico com o método de sempre: a pregação por meio da exposição bíblica tal como fizeram os apóstolos de Cristo.

Como podemos fazer teatro com o sacrifício mais sublime e mais terrível em se tratando de sofrimento? Como podemos dar um “realismo” àquilo que não compreendemos em sua profundidade? Ainda que uma companhia teatral conseguisse retratar o sofrimento físico de Cristo, não passaria de um mero teatro, e, se quisesse fazer algo real, com sangue sendo derramado de verdade, com açoites, socos, chutes, cusparadas, coroa de espinho de verdade, o insulto ainda seria maior, pois, pretensiosamente se quereria fazer “igual” a Cristo – que sacrifício pode ser comparado ao Dele? Mas, o que dizer dos tormentos que Cristo sentiu em Seu espírito? Poderíamos nós descrevê-lo? As Suas palavras: “Deus meu, Deus meu por que me desamparaste?” apontam para algo terrível que jamais compreenderemos. Naquele momento, diferentemente do que se pensa, Deus não estava dando as costas para Jesus porque não estava suportando ver aquela cena terrível em que Seu Filho santo estava morrendo na cruz. Não! Naquele momento Deus não voltou Suas costas para Jesus, mas, sim Seu olhar de fúria contra o nosso pecado que Cristo carregava sobre Si. A cruz era o lugar onde os pecados deveriam ser destruídos. Para destruí-los, Deus traspassou Jesus Cristo, tal como disse o profeta Isaías uns 700 anos antes de Cristo: “Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” (Is 53.5). Naquele momento na cruz, Cristo suportou a ira de Deus, da qual ninguém poderia livrá-Lo, nem mesmo o próprio Deus porque tinha de ser assim. Ali na cruz, Cristo sofreu as dores do inferno de cada um dos Seus eleitos, ou seja, as dores que sentiríamos eternamente no inferno, Cristo as sentiu e sofreu por nós ali na cruz. Você tem ideia da intensidade dessa dor? Nenhum ser humano tem e por isso mesmo, ninguém pode descrevê-la.

Em respeito ao sacrifício supremo de Cristo, por amor ao Seu amor por mim, não participo, não concordo, não apoio esses autos de páscoa.

Um dia desses numa aula de EBD entramos neste assunto. Uma senhora, membro da nossa igreja (não citarei seu nome pois não tenho sua permissão) fez um comentário que simplesmente fechou o assunto. Ela disse em tom de pergunta: “Pastor, será que as pessoas teriam coragem de fazer teatro com a morte de um ente querido?” e ela mesma respondeu: “Creio que não”. Neste momento lembrei-me do falecimento do meu papai. Deus concedeu aos meus dois irmãos, minhas cunhadas e a mim a oportunidade de estar ao lado do papai no exato momento de sua morte. Sua passagem para a Jerusalém Celestial foi algo lindo e inspirador. Se Deus tivesse me dado a oportunidade de escolher um jeito de morrer, eu certamente queria morrer como o meu papai. Mas, jamais teria coragem de fazer um teatro narrando a sua morte, muito menos ainda teria coragem de fazer um teatro com a morte de Jesus (infelizmente, nos tempos da minha ignorância e infantilidade espiritual até já o fiz, mas, me arrependo amargamente de te-lo feito).

Não espero que você mude de opinião se você não concordo com nada do que eu disse. Tão-somente quero que você pense um pouco: você levaria numa boa alguém fazendo um teatro ou algo parecido com aquele momento de maior sofrimento pelo qual você um dia passou?

Não permita que em nome da sinceridade, da boa intenção em evangelizar, o sacrifício supremo de Cristo se torne um espetáculo carnal. Hoje, a Igreja de Cristo tem a Ceia do Senhor para fazer com que os filhos de Deus celebrem e relembrem o sacrifício de Cristo. Eles não precisam de uma data específica no calendário para isso; basta-lhes serem zelosos em participar da Ceia do Senhor.

Na verdade em amor,

Rev. Olivar Alves Pereira

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Sobre o autor: Olivar Alves Pereira é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou de Direita Conservadora.
Fonte: Noutesia
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Cessacionismo, sim; incredulidade, não!

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Cessacionista é a pessoa que crê que os dons extraordinários do Espírito Santo (cura, falar em línguas, etc.,) cessaram porque foram dados especificamente aos apóstolos no nascedouro da Igreja Cristã, com o propósito de autenticar a mensagem revelada pelo Espírito Santo que é o Novo Testamento. Assim como no passado, no Antigo Testamento houveram épocas específicas em que Deus dotou com Seu poder Seus servos para que realizassem milagres justamente na ocasião em que a Palavra de Deus estava sendo revelada, da mesma forma ocorreu no Novo Testamento.

Em seu livro O Caos Carismático, o Dr. John MacArthur Jr., faz um comentário esclarecedor ¹ :

A maioria dos milagres registados na Bíblia ocorreu em três períodos relativamente curtos: Moisés e Josué, durante os ministérios de Elias e Eliseu e no tempo de Jesus e seus apóstolos. Nenhum desses períodos estendeu-se por mais de cem anos. Cada um desses períodos testemunhou a proliferação de milagres em outras eras. Entretanto, mesmo nesses períodos, os milagres não eram a norma para o dia a dia. Os milagres realizados diziam respeito a homens que eram mensageiros extraordinários enviados por Deus – Moisés e Josué, Elias e Eliseu, Jesus e os apóstolos. À parte desses três períodos, os acontecimentos sobrenaturais registrados nas Escrituras foram incidentes isolados (pág. 145).

O cessacionista não é alguém que duvida do poder de Deus; tal pessoa é incrédula. Em vez disso, o cessacionista é alguém que crê que Deus pode fazer milagres ainda hoje, porém, não na mesma intensidade dos dias de Moisés e Josué, de Elias e Eliseu, ou de Jesus e os apóstolos, não porque Deus mudou – para o cessacionista Deus é imutável. Na verdade, o que mudou não foi o caráter de Deus, mas, sim, as razões pelas quais os milagres foram tão intensos nas três épocas mencionadas a pouco. Hoje Deus não precisa mais autenticar Sua Palavra revelada, até mesmo porque tudo o que Ele queria ter revelado, já o fez plenamente na pessoa de Seu Filho Jesus Cristo (cf. Hb 1.1-4).

O cessacionista é alguém que crê na soberania de Deus, e, por isso mesmo, quando ora demonstra sua confiança na vontade de Deus para a sua vida, razão pela qual não se revolta contra Deus quando a resposta às suas orações é diferente do que ele esperava que fosse. O cessacionista descansa na fidelidade de Deus, pois, sabe que por não faltarem lutas e dores na sua vida, também não falta o cuidado de Deus e a alegria do Senhor Deus que é a sua força (cf. Ne 8.10).

Diferentemente daqueles que o insultam e o questionam (porque pensam que ele é um incrédulo que tenta colocar Deus num limite humano, ou um simplório que não consegue entender a Bíblia), o cessacionista vive a cada dia enfrentando as lutas em vez de “rejeitá-las”, e em nome de Jesus vive na dependência de Deus sabendo que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito (…) de serem conformes à imagem de Seu Filho” (Rm 8.28,29).

Ele não é um masoquista que gosta de sofrer, mas, sente profunda alegria em seu coração porque sabe que até o sofrimento em sua vida é propósito de Deus.

Para o cessacionista Deus não mudou. Ele continua sendo hoje o mesmo Deus de ontem e o será para todo o sempre, isto é, o Deus Todo-Poderoso que pode fazer tudo o que bem quiser, mas, que nem sempre quer fazer tudo o que pode.

O cessacionista tem profundo amor pela Palavra de Deus e, por este motivo, não anda em busca de novidades “reveladas” pelos ditos “profetas” contemporâneos. Para o cessacionista, as profecias de Deus se cumprirão, inclusive aquelas que dizem que no fim dos tempos surgirão muitos falsos cristos e falsos mestres, dizendo que estão agindo em nome de Deus, realizando sinais e prodígios no céu e na terra para enganar, se possível, os eleitos (Mt 24.24). Por esta razão, o cessacionista anda pela Palavra de Deus e não se deixa levar por ventos de doutrinas (Ef 4.12) que não passam de mentiras forjadas no inferno e engendradas nos corações arrogantes.

O cessacionista não se deixa levar pela emoção, mas, também não é uma pedra de gelo diante da ação de Deus quando Ele quer realizar um milagre. O cessacionista se emociona, se impressiona, e se rende ante ao poder de Deus e por isso mesmo teme afastar-se da Sua Palavra porque sabe que é terrível coisa cair nas mãos do Deus vivo (Hb 10.31).

Podem me chamar do que quiserem, mas, como um cessacionista que sou, eu sei em quem tenho crido e sei que é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia (2Tm 1.12). Minha fé é histórica, e não está baseada em movimentos que vem e vão com o tempo.
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Nota:
¹ MACARTHUR Jr, John> O Caos Carismático. Formato em e-book, Editora Fiel da Missão Evangélica Literária; São José dos Campos (SP).
           
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Autor: Rev. Olivar Alves Pereira
Fonte: Noutesia
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Resgatando nossa confessionalidade e reafirmando sua importância em nossos dias

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De onde viemos e para onde vamos? Essa pergunta não diz respeito somente à nossa origem conquanto seres vivos e pensantes. Ela também aplica-se à questão da nossa confessionalidade.

Essa palavra (confessionalidade), que originariamente veio do meio acadêmico, aos poucos está se tornando mais e mais conhecida e empregada em nosso dia a dia, especialmente nas questões da nossa fé. Daí daremos o enfoque a essa palavra no nosso contexto presbiteriano, e falaremos aqui sobre a “confessionalidade presbiteriana”.

Vejamos primeiramente:

I – A essência da nossa confessionalidade

Olhando para as nossas origens destacamos que a nossa confessionalidade é: puritana, confessional e reformada (e tudo isso é sinônimo de “bíblico”).

A Igreja Presbiteriana em seu nascedouro é puritana. Os puritanos ingleses do século XVI eram homens piedosos que buscavam uma igreja pura, que não fosse influenciada e dominada pelo Estado. Para isso tiveram de lutar contra os vestígios remanescentes do catolicismo romano e expurgar do ministério e do meio da congregação todos aqueles que se comportassem como incrédulos e ímpios. Daí receberam o nome de “puritanos”. Não deveríamos nos esquivar dessa identificação, ainda que em nossos dias ela tenha uma conotação pejorativa da parte dos ímpios. Deus nos chama à pureza, e o crente deve amar a pureza que Cristo lhe conquistou na cruz.

Foram esses homens que produziram a Confissão de Fé de Westminster, os Catecismos Maior e Breve e um Diretório de Culto para instrução da Igreja na Assembleia que foi convocada em 12 de junho de 1643, em Londres. Muitas igrejas de confissão reformada adotaram esses Símbolos de Fé, inclusive a nossa amada IPB.

Por séculos as igrejas reformadas que adotaram esses Símbolos de Fé prevaleceram enquanto tantos modismos e pragmatismos devastaram outras denominações. Estes Símbolos de Fé são instrumentos de “fiel exposição das Escrituras Sagradas”. Não visam substituí-las, mas, sim, conduzir-nos no estudo e aplicação das Escrituras Sagradas ao nosso coração.

II – Resgatando a confessionalidade

“Mas, pastor, lá vem o senhor com doutrina de novo! Nós precisamos de ensinamentos que sejam atuais, que nos ajudem a enfrentar as questões do nosso cotidiano!”. Quase todos (senão todos) pastores que são zelosos pelo ensino e pregação doutrinária já ouviram esse tipo de comentário; e provavelmente, sucumbiram a ele.

É muito comum encontrarmos pastores que evitam ensinamento doutrinário nas igrejas, preferindo assuntos “do dia a dia”. Mas, queridos irmãos e colegas de ministério, definitivamente, esta não é a hora de cedermos a esses comentários. A Igreja de Cristo deve ser alimentada com a Sã Doutrina da Palavra de Deus. Não devemos ter medo de nos debruçarmos sobre esses assuntos, de transformá-los em algo prático (essa é a função daqueles que ensinam) para que as nossas Igrejas entendam que somente a Sã Doutrina sustentará seus corações quando as tribulações, provações e ataques vierem sobre nós.

Neste sentido, os nossos Símbolos de Fé são ferramentas imprescindíveis. Eles são riquíssimos, profundos e refletem com segurança o que a Palavra de Deus ensina. Por isso, faz-se necessário que os estudemos em nossas Escolas Dominicais, nos Estudos Bíblicos durante a semana, ou em outras reuniões da Igreja. Nós pregadores devemos saturar nossas exposições bíblicas citando trechos ou perguntas dos Símbolos de Fé explicando-os; devemos despertar a curiosidade das nossas ovelhas para conhecê-los, e, assim, amá-los. Devemos incentivar nossas crianças a memorizarem o Breve Catecismo, e os adultos, o Catecismo Maior, tal como era feito nas Escolas Dominicais, quando os professores davam a “tarefa da semana” que era a memorização de uma ou duas perguntas.

III – A importância da confessionalidade

A confessionalidade de uma igreja está diretamente ligada à sua estabilidade e crescimento. Alguém disse que as igrejas de hoje dão muita atenção à porta da frente, mas, pouca à porta dos fundos, ou seja, estão ansiosas para ver mais e mais pessoas entrarem na igreja, mas, não se preocupam em mantê-las. Daí tais igrejas serem comparadas a rodoviárias, pois, estão sempre cheias de pessoas, mas, a rotatividade destas faz com elas não permaneçam nas igrejas.

As nossas Igrejas que estão se empenhando para resgatar a nossa confessionalidade e identidade bíblica e reformada estão experimentando um crescimento consistente e constante; estão vendo pessoas entrando e permanecendo porque encontraram alimento real para os seus corações. Em dias como os nossos em que o descartável é a característica dos objetos, relacionamentos e das “programações” das igrejas, aqueles que bebem da Sã Doutrina e nela deleitam-se não saem atrás de “ventos de doutrinas”. Crentes que são alimentados com a Palavra de Deus e com pregação e ensino que refletem a autoridade da Palavra jamais se satisfarão com eventos e métodos carnais.

Numa época em que a identidade de tudo e de todos está sendo não só questionada, mas, desconstruída, nós, presbiterianos reformados e confessionais, devemos ser firmes e zelosos pela Palavra de Deus. Ele sabe recompensar os fiéis, “Porque Deus não é injusto para ficar esquecido do vosso trabalho e do amor que evidenciastes para com o seu nome, pois servistes e ainda servis aos santos” (Hb 6.10).

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Sobre o autor: Rev. Olivar Alves Pereira é Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou de Direita Conservadora.

Fonte: Noutesia
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