A Regeneração Precede a Fé

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por R.C. Sproul


Um dos momentos mais dramáticos em minha vida, na formação de minha teologia, ocorreu em uma sala de aula de um seminário. Um de meus professores foi ao quadro negro e escreveu estas palavras em letras garrafais:

A regeneração precede a fé

Aquelas palavras foram um choque para o meu sistema. Eu tinha entrado no seminário crendo que a obra principal do homem para efetivar o novo nascimento era a fé. Eu pensava que nós tínhamos que primeiro crer em Cristo, para então nascermos de novo. Eu uso as palavras "para então" aqui por uma razão. Eu estava pensando em termos de passos que deviam ocorrer em uma certa seqüência. Eu colocava a fé no princípio. A ordem parecia algo mais ou menos assim:

"Fé - novo nascimento - justificação."

Eu não tinha pensado sobre esse assunto com muito cuidado. Nem tinha atentado cuidadosamente às palavras de Jesus a Nicodemus. Eu presumia que mesmo sendo um pecador, uma pessoa nascida da carne e vivendo na carne, eu ainda tinha uma pequena ilha de justiça, um pequeno depósito de poder espiritual remanescente em minha alma para me capacitar a responder ao Evangelho sozinho. Possivelmente eu tinha sido confundido pelo ensino da Igreja Católica Romana. Roma, e muitos outros ramos do Cristianismo, tem ensinado que a regeneração é graciosa; ela não pode acontecer aparte da ajuda de Deus.

Nenhum homem tem o poder para ressuscitar a si mesmo da morte espiritual. A divina assistência é necessária. Esta graça, de acordo com Roma, vem na forma do que é chamado graça preveniente. "Preveniente" significa que ela vem antes de outra coisa. Roma adiciona a esta graça preveniente o requerimento de que devemos "cooperar com ela e assentir diante dela", antes que ela possa atuar em nossos corações.

Esta concepção de cooperação é na melhor das hipóteses uma meia verdade. Sim, a fé que exercemos é nossa fé. Deus não crê por nós. Quando eu respondo a Cristo, é a minha resposta, minha fé, minha confiança que está sendo exercida. O assunto, contudo, se aprofunda. A questão ainda permanece: "Eu coopero com a graça de Deus antes de eu nascer de novo, ou a cooperação ocorre depois?" Outro modo de fazer esta pergunta é questionar se a regeneração é monergista ou sinergista. Ela é operativa ou cooperativa? É eficaz ou dependente? Algumas destas palavras são termos teológicos que requerer maior explanação.

Monergismo e Sinergismo

Uma obra monergística é uma obra produzida por uma única pessoa. O prefixo mono significa um. A palavra erg refere-se a uma unidade de trabalho. Palavras como energia são construídas com base nessa raiz. Uma obra sinergística é uma que envolve cooperação entre duas ou mais pessoas ou coisas. O prefixo sun significa "juntamente com".

Eu faço esta distinção por uma razão. O debate entre Roma e Lutero foi travado sobre este simples ponto. A questão era esta: A regeneração é uma obra monergística de Deus ou uma obra sinergística que requer cooperação entre homem e Deus? Quando meu professor escreveu "A regeneração precede a fé" no quadro negro, ele estava claramente tomando o lado da resposta monergística. Depois de uma pessoa ser regenerada, esta pessoa coopera pelo exercício de sua fé e confiança. Mas o primeiro passo é a obra de Deus e de Deus tão-somente.

A razão pela qual não cooperamos com a graça regeneradora antes dela agir sobre nós e em nós é que nós não podemos. Não podemos porque estamos mortos espiritualmente. Não podemos assistir o Espírito Santo na vivificação de nossas almas para a vida espiritual, da mesma forma que Lázaro não podia ajudar Jesus a ressuscitá-lo dos mortos.

Quando comecei a lutar com o argumento do Professor, fiquei surpreso ao descobrir que o estranho som de seu ensino não era novidade. Agostinho, Martinho Lutero, João Calvino, Jonathan Edwards, George Whitefield - até o grande teólogo medieval Tomás de Aquino ensinaram esta doutrina. Tomás de Aquino é o Doctor Angelicus da Igreja Católica Romana. Por séculos seu ensino teológico era aceito como dogma oficial pela maioria dos Católicos. Então, ele era a última pessoa que eu esperava sustentar tal visão da regeneração. Todavia Aquino insistiu que a graça regeneradora é uma graça operante, e não uma graça cooperativa. Aquino falou da graça preveniente, mas ele falou de uma graça que vem antes da fé, que é a regeneração.

Estes gigantes da história Cristã derivaram a visão deles das Sagradas Escrituras. A frase chave na Carta de Paulo aos Efésios é esta: "estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)" (Efésios 2:5). Aqui Paulo localiza o tempo em que a regeneração ocorre. Ela ocorreu "quando estávamos ainda mortos". Com um único raio de revelação apostólica foram esmagadas, total e completamente, todas as tentativas e entregar a iniciativa na regeneração aos homens. Novamente, homens mortos não cooperam com a graça. A menos que a regeneração ocorra primeiro, não há possibilidade de fé.

Isso não diz nada de diferente do que Jesus disse a Nicodemus. A menos que um homem nasça de novo primeiro, ele não pode ver ou entrar no reino de Deus. Se nós cremos que a fé precede a regeneração, então nós colocamos nossos pensamentos, e, portanto, nós mesmos, em direta oposição não só aos gigantes da história Cristã, mas também ao ensino de Paulo e do nosso próprio Senhor Jesus Cristo.

(do livro, O Mistério do Espírito Santo, Tyndale House, 1990)

Meu Comentário:

Outras passagens na Bíblia que claramente ensinam que a regeneração precede a fé:

1 João 5:1 - "Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo, é o nascido de Deus; e todo aquele que ama ao que o gerou, ama também ao que dele é nascido.", João 1:13, Rom 9:16

João 6:63,65 "O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida. E continuou: Por isso vos disse que ninguém pode vir a mim, se pelo Pai lhe não for concedido".

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Fonte: Monergism
Traduzido por: Felipe Sabino de Araújo Neto
Cuiabá-MT, 18 de Março de 2003.
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A Inconsistência dos Sinergistas sobre Eleição e Presciência

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Por John Hendryx


Os Sinergistas ensinam que a ELEIÇÃO é como se segue: Deus previu quem se renderia ao Espírito, e então elegeu para a salvação todos aqueles que Ele previu que assim o fariam. Neste esquema, o absoluto livre-arbítrio do homem natural é necessário para preservar a responsabilidade humana. Mas este conceito de presciência realmente reduz a mesmo à nada. Não há nenhum Sinergista vivo que possa consistentemente crer nesta teoria de presciência, e ainda continuar ensinando suas visões com respeito à salvação. Por que então? Considere o seguinte:

1. Nenhum Sinergista pode consistentemente dizer que Deus previu quem seria salvo e então pregar que Deus está tentando salvar todos os homens. Certamente se Deus sabe quem Ele pode salvar ou quem quer ser salvo, então, quem ousará dizer que Ele está tentando salvar alguém mais? Certamente é tolice dizer que Deus está tentando fazer algo que Ele sabe que nunca poderá ser realizado. Eu tenho ouvido alguns Sinergistas acusarem aqueles que crêem no monergismo de que o Evangelho pregado para os não-eleitos é zombaria, visto que Deus não lhes elegeu. Se há algo válido nesta objeção, então ela igualmente se aplica a eles também, que pregam para aqueles que Deus sabe que não serão salvos. Deus ordena que o Evangelho seja pregado a todos, se claramente entendemos ou aceitamos Seu motivo no assunto.

2. Nenhum Sinergista pode consistentemente dizer que Deus previu que pecadores se perderiam e então dizer que não está dentro da vontade de Deus permitir que aqueles pecadores se percam. Porque Ele os criou então? Que os Sinergistas considerem esta questão. Deus poderia ter da mesma forma facilmente Se privado de criar aqueles que Ele sabia que iriam para o Inferno. Ele sabia que eles iriam para o Inferno antes dEle os criar. Visto que Ele foi em frente e os criou com total conhecimento de que eles se perderiam, está evidentemente dentro da providência de Deus que alguns pecadores se percam, e Ele evidentemente tem algum propósito nisto, o qual nós seres humanos não podem discernir completamente. O Cristão humanista pode reclamar o quanto quiser da verdade que Deus escolheu permitir que alguns homens tivessem como destino final o Inferno, mas esta verdade continua sendo um problema tanto para eles como para qualquer outra pessoa. Na realidade, este é um problema que os Sinergistas devem encarar. Se eles encararem isto, terão que admitir ou o erro de sua teologia ou negar juntamente com isto a presciência de Deus. Mas eles poderão dizer que Deus criou aqueles para perecer, mesmo contra Sua vontade. Isto faria Deus sujeito ao Destino.

3. Nenhum Sinergista pode consistentemente dizer que Deus previu quem seria salvo e então ensinar que Deus puniu a Cristo com o propósito de redimir cada homem em particular que já viveu. Certamente deveríamos creditar a Deus como tendo tanto senso quanto um ser humano. Que ser humano faria um grande, porém inútil e imprestável sacrifício? Os Sinergistas dizem que Deus puniu a Cristo pelo pecados daqueles que Ele sabia que iriam para o Inferno. Esta teoria da expiação – embora os Sinergistas não mencionem isto – envolve o assunto do sofrimento de Cristo exclusivamente para o propósito da salvação do homem – o aspecto substitutivo. Eles falham em ter qualquer apreciação do aspecto da propiciação.

4. Nenhum Sinergista pode consistentemente dizer que Deus previu quem seria salvo e então pregar que Deus o Espírito Santo faz tudo o que Ele pode para salvar todos os homens no mundo. O Espírito Santo estaria desperdiçando tempo e esforço para tentar converter um homem que Ele sabe desde o principio que irá para o Inferno. Você ouve os Sinergistas dizerem sobre como o Espírito tenta alcançar os homens e, se eles não se entregarem a Ele, eles “cruzam a linha” e ofendem ao Espírito, de forma que Ele nunca tentará salvá-los novamente. No fundo, o Sinergista transforma a Deidade Divina numa criatura finita.

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Modificado a partir do Artigo Christian Humanism Cuts Its Own Throat 

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Fonte: WithChrist.org
Tradução livre: Felipe Sabino de Araújo Neto
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Uma breve resposta à doutrina arminiana da graça preveniente

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Por John Hendryx


O termo “graça preveniente” — uma doutrina distintamente arminiana — se refere a uma graça universal que precede e possibilita as primeiras agitações de uma boa vontade ou inclinação em direção a Deus e ela explica a extensão ou grau para o qual o espírito santo influencia uma pessoa anterior a sua vinda à fé em Cristo. O arminiano, junto com o calvinista, afirma a inabilidade moral humana e o total desamparo do homem natural em questões espirituais e a absoluta necessidade pela sobrenatural graça preveniente se houver qualquer resposta certa ao evangelho. Como os calvinistas, os arminianos concordam que, à parte de um ato da graça da parte de Deus, ninguém voluntariamente viria a Cristo. Este ponto é importante distinguir de modo a não confundir o arminianismo clássico com fineyismo ou semi-pelagianismo, que ambos rejeitam a necessidade da graça preveniente. Então a redenção de Cristo é universal num sentido provisório, mas condicional quanto à sua aplicação a qualquer indivíduo, isto é, aqueles que não resistem à graça oferecida a eles através da cruz e do evangelho. A graça preveniente, de acordo com os arminianos, chama (exteriormente), ilumina e capacita antes da conversão e faz a conversão e a fé possíveis. Enquanto os calvinistas creem que o chamado interior ao eleito é irrevogável e efetivamente traz os pecadores a fé em Cristo, o arminiano, por outro lado entende a graça de Deus como finalmente resistível. Em resumo, eles afirmam que a graça preveniente, que é dada a todos os homens em algum ponto em suas vidas, temporariamente traz o pecador para fora da sua condição de depravação total e o coloca em um estado neutro de livre-arbítrio em que o homem natural pode aceitar ou rejeitar a Cristo.

A graça preveniente definida como se segue pela “ordem de salvação de Wesley”:

“Os seres humanos são totalmente incapazes de responder a Deus sem Deus primeiro capacitá-los a ter fé. Esta capacitação é conhecida como graça preveniente. A graça preveniente não nos salva, mas, em vez disso, vem antes de qualquer coisa que nós fazemos, nos atraindo para Deus, nos fazendo QUERER ir a Deus, e nos capacitando a ter fé em Deus. A graça preveniente é universal, tanto quantos todos os homens a recebem, independente deles terem ouvido falar de Jesus. Ela é manifestada no desejo estável da maioria dos humanos conhecer a Deus.”

Portanto, em resposta a afirmação ortodoxa de que a geração de fé dos pecadores por si mesma implica mérito, o arminiano frequentemente responderá afirmando que a vontade humana, socorrida pela graça preveniente, é livre, mesmo em aceitar a graça do perdão; embora esta aceitação não seja mais meritória do que a aceitação de um mendigo de uma fortuna oferecida, ainda é aceita livremente, e com o poder de rejeição, nenhuma é menos graça por isso. Em outras palavras, cada pecador determina por si mesmo, se será salvo ou não, e assim determina sua própria eleição baseado em se ele responde ou não positivamente ao evangelho oferecido a ele por Deus enquanto sob à influência da graça preveniente. O arminiano argumenta que qualquer outra coisa seria injustiça de Deus.

Resposta:

Enquanto o exemplo do mendigo pode soar razoável à primeira vista, eu proponho olhar mais atentamente nestes conceitos. Quais são as semelhanças e diferenças da teologia arminiana com a ortodoxia sobre o conceito de graça salvadora?

Similaridades arminianas com a teologia reformada:

(1) Todos os homens precisam ser salvos da ira de Deus através da obra expiatória de Cristo.

(2) Ambos reformados e arminianos creem que, sem a graça de Deus o homem é totalmente incapaz de responder ao evangelho. Ambas as posições estão em total acordo.

As diferenças arminianas com a teologia reformada está em seu entendimento do significado da graça:

Vamos observar pelo menos três formas nas quais a graça preveniente difere agudamente do ponto de vista monergista:

(1) A doutrina arminiana da graça preveniente é exaustivamente universal; significando que ela é estendida a todas as pessoas independente de se elas ouviram o evangelho ou não. Isto parece estar em contradição direta com a Bíblia, por exemplo, a pergunta do apóstolo: “e como crerão naquele de quem não ouviram falar?” e “... a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” (Rm 10.14,17). Esta visão, então, afirma (ou pelo menos abre espaço) a ideia de que o evangelho não é cognitivamente necessário para alguém ser salvo. Apesar do caso esmagador feito por Paulo contra os gentios em Romanos 1-3, alguns arminianos acreditam que se uma pessoa é temente a Deus, isto é, responde crendo à gradação de salvação feita a eles, então Deus aceitará aquela fé e a imputará a eles como justiça, se tiverem ou não ouvido o evangelho. Isto é puramente especulativo e não derivado da revelação.

(2) A graça preveniente não é eficaz, mas em vez disso torna o pecador “neutro”— capaz de decidir por si mesmo se ele aceitará ou rejeitará a Cristo. Primeiro, desde que nós devemos sempre ir às Escrituras como nossa autoridade em questões de fé (especialmente questões desta magnitude) nós devemos seriamente inquirir se há alguma evidência bíblica qualquer que seja a fundamentar o dogma arminiano de que há um estado de ser que Deus coloca pecadores em que nem é regenerado nem não-regenerado, um estado intermediário que nem é corrupto nem bom. É imperativo que este “estado” seja fundamentado biblicamente, não meramente por especulação sozinha ou necessidade lógica. Onde a Bíblia diz que quando Deus dá graça às pessoas elas se tornam parcialmente regeneradas, mas não totalmente regeneradas?

Assumindo por causa do argumento que tal estado foi mostrado que existe, mais questões rapidamente surgem. Se, como resultado da graça preveniente, nossos desejos são repentinamente “neutros”, o que, então, causa um homem escolher um caminho ou outro? Aos olhos de Jesus, as decisões e atos de uma pessoa são inevitavelmente determinados por sua condição interior, “uma árvore boa dá bons frutos, uma árvore má dá maus frutos,” pensar o contrário é impossível. O que então de uma árvore que nem é boa nem má, o que determina seu fruto? Você simplesmente não pode ter uma vontade que é indisposta e simplesmente crê ou rejeita a Cristo por acaso. Argumentar isto implicaria que Deus elege seu povo com base na escolha casual destas pessoas. Pelo contrário, as pessoas creem em Cristo porque elas veem o terrível estado do pecado delas, da grande necessidade de um salvador e a beleza, verdade e excelência do evangelho de Cristo. Apenas os homens espirituais regenerados podem entender e ver a bondade no evangelho (1 Co 2.14), uma suposição impossível para alguém com um coração não renovado. Um homem cego não pode ver a menos que seus olhos sejam abertos. Do mesmo modo, aqueles cegos espiritualmente só podem ver se eles forem curados, e quando eles são curados, eles veem. É bíblico e evidente por si mesmo que nós sempre escolhemos algo baseado no que nós somos por natureza— uma macieira nunca produzirá uvas.

Além disso, nós deveríamos observar que Jesus nos conta muitas vezes na escritura por que alguns não creem. “Vocês não creem porque não são das minhas ovelhas” (João 10). A ordem aqui é de grande importância. Jesus não diz: “Vocês não são minha ovelhas porque não creem”, fazendo desse modo a fé uma condição de se tornar uma ovelha. Antes, ele diz o contrário, “Vocês não creem porque não são das minhas ovelhas.” Crer, portanto, longe de ser uma condição, é o sinal (ou fruto) de que alguém é já uma ovelha. Assim também, Jesus falando para alguns dos judeus disse, “Quem é de Deus ouve as palavras de Deus. A razão pela qual vocês não as ouvem é que vocês não são de Deus.” A natureza da pessoa determina a escolha que ele faz. E quem exatamente é de Deus? Jesus responde claramente em sua oração ao pai em João 17.9 quando ele diz “Eu rogo por eles. Eu não rogo pelo mundo, mas por aqueles a quem tu me deste, pois são teus.” O pai separou certas pessoas para ele mesmo e, em sua oração aqui, Jesus é visto apenas por orar por eles, enquanto simultaneamente excluindo outros que não foram “dados” a ele.

Ironicamente, o arminiano acredita no compatibilismo anterior à graça preveniente... Significando que o homem faz escolhas morais necessárias baseadas na sua natureza. Ainda que, após a graça preveniente, ele creia que o homem é libertado da natureza (sem ser dada uma nova), contudo nenhuma evidência bíblica é dada para mostrar a fonte desta doutrina. Em outras palavras, antes da graça de Deus, o arminiano vê assim como o calvinista a impotência da vontade humana, mas quando a graça vem ele muda de repente por especular que o homem agora não escolhe de acordo com a natureza (como antes) mas agora é concedido um livre-arbítrio libertariano, isto é, aquele homem pode escolher o contrário independente de quem ele é por natureza. Intrigante, desde que a Bíblia nenhuma vez dá um fragmento de evidência, de que é dado às pessoas um livre-arbítrio libertariano temporário. Em vez disso, retornando novamente às palavras de Jesus, nós ouvimos, “Ou fazei a árvore boa, e o seu fruto bom; ou fazei a árvore má, e o seu fruto mau” (Mt 12.33). A doutrina arminiana da graça preveniente, portanto parece ter sua origem na ideia de que Deus deve ser “justo”. Os arminianos logicamente concluem que desde que Deus é bom, ele deve tratar aqueles opostos a/e em rebelião contra ele com absoluta equidade. A fim de preservar esta definição de “justiça”, o arminiano declara que Deus deve dar a todas as pessoas uma oportunidade igual. Porém, Deus não é obrigado a dar aos filhos do diabo (Jo 8.44) nenhuma oportunidade se ele não quiser. Deus teria sido perfeitamente justo em fazer ao homem o que ele fez aos anjos caídos, por quem ele não morreu. E se Deus poderia justamente deixar toda humanidade ir para o inferno (todos nós concordamos) então por que seria injustiça da parte de Deus perdoar as dívidas de alguns, rejeitando os outros? Jesus não conta a parábola do proprietário que termina dizendo “Não tenho eu o direito de fazer o que eu quiser com o meu próprio dinheiro? Ou vocês são invejosos porque eu sou generoso?(Mt 20.15).

E apesar de tudo, se este é o caso, então por que Deus ficaria contente com uma escolha de uma pessoa que é indiferente acerca da escolha, alguém que não ama o objeto de sua escolha? Se o motivo para crer que o evangelho é indiferente, então é o ato... Se nós não desejamos Deus, a escolha ou é impossível ou é por mero acaso.

Novamente, a Bíblia nunca ensina de uma maneira clara e aberta o conceito de graça preveniente. A resposta acima é, portanto, para apresentar o absurdo dessa insustentável crença. Os arminianos desajeitadamente forçam isto na escritura a fim de sustentar seu sistema. Só isso deveria nos levar a rejeitá-lo. A razão pura nunca deveria ser a base de nossas concepções teológicas, especialmente uma de tamanha importância.

(3) Os arminianos sustentam que enquanto não regenerados, alguns podem e melhorarão naquela graça. Em outras palavras, a graça preveniente de Deus toma parte de nós do caminho para a salvação (nos faz parcialmente regenerados), mas a vontade do homem (ou natureza) faz o resto (ou completa). Dado fosse esse o caso, se todos os seres humanos tem esta graça preveniente em algum ponto em suas vidas, considere, se duas pessoas ouvem o mesmo evangelho, por que um homem crê e não o outro? O que faz que eles difiram? Obviamente foi algo na natureza que fez a diferença, não a graça. Disto nós suspeitamos que não foi a graça preveniente que fez estas duas pessoas diferirem um do outro, mas, algo no homem que fez uso da graça preveniente que os fez divergir. Simplificando, se nós desejamos crer em Cristo, de onde veio este bom desejo? Da graça ou da natureza? O arminiano pode dizer “graça”. Se for assim, por que alguém que o rejeitou também tem essa grande graça? Desde que graça não é em última análise o que separa os dois homens, deve ser algo mais. Em outras palavras, um homem de alguma maneira teve a habilidade natural ou inata para criar um pensamento correto, gerar um afeto correto, ou originar uma volição correta em direção a Cristo. E se estes pensamentos foram por si mesmos autônomos e independentes desta graça preveniente que levaram a sua salvação, brotando do coração do homem natural, então esta é uma doutrina bastante incômoda. Isto nos leva a perguntar, por que alguns homens fazem uso da graça preveniente e outros não? O arminiano, portanto, ainda vê a graça de Deus como apenas uma penúltima causa da salvação enquanto a fé dos pecadores é que é a final, a sine qua non de sua salvação. Isto pode, portanto, ser demonstrado que a graça preveniente arminiana não ensina a salvação pela graça apenas, mas a salvação pela graça mais a natureza. Então se Deus estende ou não a graça preveniente você ainda tem o mesmo resultado: um homem da sua vontade não-regenerada gerá fé, outro homem da sua vontade não-regenerada não gera fé e rejeita a Cristo. Um tem uma submissão natural faltando no outro? Não é a submissão por si mesma um dom da graça? O apóstolo diz, “E que tens tu que não tenhas recebido?” (1 Co 4.7) e, “Mas pela graça de Deus sou o que sou” (1 Co 15.10). No caso de crer no evangelho, uma pessoa está fazendo uma escolha moralmente boa e o outro uma escolha moralmente má. Na verdade, qualquer forma de olhar a graça preveniente resume-se ao princípio interno do mérito de uma pessoa que no final das contas o faz diferir dos outros. Isto então leva a se gabarem de que são diferentes dos outros que não têm fé. Mas novamente, ainda mais importante, a graça preveniente não tem suporte bíblico e isto é o que faz a posição insustentável. Os arminianos estão fazendo a assistência da graça depender da humildade ou obediência dos homens e não concordam que é pelo dom eficaz da graça por si mesmo que nós somos obedientes e humildes. Eu suponho que os arminianos acreditam que alguns mendigos são mais iguais que os outros.

No final, o problema com a graça preveniente arminiana é que ela é dirigida pela lógica humana sozinha e racionalidade em vez das Escrituras. As Escrituras testificam que os homens sem o espírito não podem entender as coisas de Deus (1 Co 2.14). Mesmo com a graça preveniente teoricamente colocando a humanidade em uma posição neutra, nós ainda careceríamos do espírito vivificante para nos dar o que nós precisamos. Como é então que o homem natural pode entender ou desejar Deus independente de tal graça vivificante e renovadora? Um homem cego pode ver antes de seus olhos serem abertos? Um homem com um coração de pedra ama e deseja Deus antes do seu coração ser feito carne? Como pode um boi desejar carne para comer... A água pode subir acima da sua fonte? Nós acreditamos que a salvação é do Senhor do início ao fim. Ele merece toda a glória. Enquanto nós éramos ainda perdidos Cristo morreu por nós e sua morte comprou tudo o que nós precisamos para ser salvos, incluindo nossa regeneração. Para um homem não regenerado, nunca desejaria as coisas de Deus. Se a graça de Deus não nos salva então o homem em última análise decide baseado em algum princípio interno, bom ou mau.

Finalmente, eu quero deixar claro que eu não estou aqui tentando mostrar que os arminianos não são salvos. Pelo contrário, eu escrevo isto na esperança de que isto sensibilizará da inconsistência entre os nossos irmãos arminianos. É verdade que Deus frequentemente nos salva apesar de nossa má ou inconsistente teologia, ou então a graça não seria graça. Na verdade, ele salvou todos nós apesar de nós mesmos e nossas visões incorretas. Se nós sabemos ou entendemos qualquer coisa é porque Deus escolheu revelá-la para nós (Mt 16.17). Mas nós devemos esclarecer que a teologia arminiana não é ortodoxa em suas visões da graça, desde que ela não tem suporte bíblico do qual falar. (Obviamente uma destas posições pode ser verdade, então uma ou outra é ortodoxa). Mas sua inconsistência é tal que eu acredito que a maioria são crentes sinceros. Por exemplo, aquilo que o arminiano afirma junto conosco, que eles justamente merecem a ira de Deus, salvo pela misericórdia de Jesus Cristo apenas, significa que talvez nós precisamos dar a eles algum amparo. Mas nós nunca deveríamos afrouxar ou se cansar de desafiá-los a verem o problema profundo em sua teologia da graça, desde que Deus tem esclarecido abundantemente que ele nos salva pela graça apenas. 

Considere: ao grau que nós pensamos pensamentos errados sobre Deus e como ele nos salva, àquele mesmo grau nós somos culpados da idolatria, e nisto Deus não se agrada. Então nós devemos declarar tal visão da graça ineficaz ser errada, mas ao mesmo tempo, vê-la como uma batalha acontecendo dentro do campo. É sério o suficiente justificar um debate feroz que pode continuar até o fim da era porque a ideia da graça preveniente é realmente apenas em menor grau o mesmo erro como o semi-pelagianismo (isto é, sinergista; que a fé é produzida por nossa natureza humana não-regenerada) e ainda dá ao homem tanta esperança nele mesmo e em suas próprias habilidades naturais. Do crente verdadeiro, Paulo diz que eles adoram em Espírito, glória em Cristo Jesus apenas e não tem confiança na carne (Fl 3:3).

Minha oração pela igreja universal é que todos nós estejamos em unidade da verdade como Deus tem revelado para nós e que a teologia que desonra a Deus, de onde quer que ela possa vir, seja pisoteada.

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Fonte: Monergism
Tradução: Francisco Alison Silva Aquino
Divulgação: Bereianos

Nós podemos julgar a moralidade de Deus?

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Por James R. White


O debate entre monergistas e sinergistas tem de ser lutado mais uma vez em cada geração, pois não há nada mais oposto à exaltação inerente do homem de seus próprios poderes da vontade do que o reconhecimento da liberdade soberana da graça. Enquanto nós podemos, e fazemos, nos beneficiar muito dos esforços daqueles que foram antes de nós, o fato que permanece é que cada geração de crentes enfrenta essa questão e deve vir aos apertos com as ramificações das respostas dadas.

Quando Roger Olson anunciou que ele estava lançando um livro, parte de um contra-ponto de dois livros com Michael Horton, intitulado contra o calvinismo, havia esperança para algo que poderia comprometer a força real da teologia reformada a clara e consistente exegese do texto bíblico que o “jovem, agitado e reformado” tem descoberto tão convincente. Mas mesmo antes do seu lançamento, o Dr. Olson deu clara indicação de que seu foco não era ser exegético. Em vez disso, como o livro fundamentou, seu argumento pode ser sumarizado com bastante facilidade: o Deus do calvinismo é um “monstro moral”, e os calvinistas simplesmente precisam pensar em suas crenças o bastante para ver o que Olson tem sido capaz de ver.

Há duas razões primárias porque eu acredito que a abordagem do Dr. Olson terá de pouco a nenhum impacto sobre os crentes calvinistas como eu, mesmo pessoas que não nasceram e se desenvolveram em uma tradição reformada e por isso não mantém seus pontos de vista fora de um compromisso com a tradição. Primeiro é a ausência de força exegética por trás da apresentação de Olson, e o segundo é o fundamento auto-professado de Olson por fazer a “grande decisão” quanto à bondade e a soberania de Deus. Eu comentarei brevemente sobre o primeiro e focarei no segundo.

Não há argumentação a ser feita contra a afirmação de que a escola de pensamento da reforma tem produzido uma quantidade monumental de material exegético. Sua profundidade e amplitude são, simplesmente, surpreendentes. Mas o Dr. Olson escolheu focar unicamente em alguns representantes modernos, e propositalmente evitar outros (eu mesmo entre outros) “no princípio”. Isto resultou em uma apresentação profundamente enviesada que não se comprometeu com respostas exegéticas a textos chaves como 1 Timóteo 2.4, um texto repetidamente usado como uma proteção do seu argumento. Olson foi tão longe a ponto de insistir que a linguagem original do texto “não pode ser interpretada de qualquer outra maneira do que se referindo a cada pessoa sem limite” (uma afirmação muito facilmente refutada, mas que Olson não ofereceu nenhuma evidência ou autoridade). Neste nível, a apresentação de Olson deixou muito a desejar.

Mas o mais importante foi a fundamental conclusão tirada de suas próprias palavras: realmente não importaria mesmo se estes textos consistentemente atestassem ao que os calvinistas acreditam. Dr. Olson não adoraria este Deus de nenhuma maneira, não importa o que a Bíblia diz sobre o assunto. Como ele expressou de si mesmo (p.85 ênfase original):

Um dia, no fim de uma sessão de aula sobre as doutrinas da soberania de Deus do calvinismo, me fez uma pergunta que eu tive que parar de levar em consideração. Ele perguntou: “se fosse revelado a você de uma forma que você não pudesse questionar ou negar que o Deus verdadeiro na verdade é como o calvinismo diz e os preceitos como o calvinismo afirma você ainda o adoraria?” Eu sabia que a única resposta possível sem um momento de reflexão, embora eu soubesse que isto chocaria muitas pessoas. Eu disse não, que eu não o adoraria porque eu não podia. Tal Deus seria um monstro moral. É claro, eu tenho consciência de que os calvinistas não pensam que os seus pontos de vista da soberania de Deus fazem dele um monstro moral, mas eu posso simplesmente concluir que eles não têm pensado nisso através de sua conclusão lógica ou mesmo levado suficientemente a sério as coisas que dizem sobre Deus e o mal e o sofrimento inocente no mundo.

Este parágrafo me paralisou e assim tem sido a experiência da maioria dos outros leitores reformados. É incrível que Dr. Olson acredita que ele tem sondado as profundidades da teologia reformada ao mais profundo nível do que fez Calvino, Beza, Zanchius, Turretini, Owen, Edwards, Warfield ou Hodge. Mas o mais marcante foi a ousadia da postura de Olson. A pergunta do estudante foi clara, e Olson enfatiza seu ponto. A questão se reduz a se Olson, confrontado com a clara revelação de que os calvinistas estão certos, e Deus existe, e age como os calvinistas dizem que ele faz, adoraria aquele “Deus calvinista” ou não. Sua resposta é clara: ele não adoraria. Tal Deus seria um “monstro moral.” Este é o cerne de rejeição de Olson da posição reformada, e isso é algo que ele tem afirmado em seu diálogo com Michael Horton que aconteceu em Southern California seguindo o lançamento do seu livro. A mais alta autoridade para Roger Olson na questão de determinar a natureza de Deus não é a revelação da escritura, é seu próprio entendimento do que deve constituir a “bondade”.

É aqui que o crente reformado convicto deve romper com Roger Olson. É uma separação fundamental que vai ao mais profundo nível do que a acusação de Olson de “seu Deus é um monstro moral.” Isto vai a se nós, como criaturas, temos o direito de estabelecer padrões que determinam o que é aceitável e inaceitável para Deus. A revelação de Deus de sua própria natureza e ações no universo determina a verdade sobre o Deus que nós adoramos, ou nós colocamos os limites do que será “aceitável” para nós antes de nós estarmos dispostos para se render a adoração? Arão ficou em silêncio diante de Deus quando Deus destruiu os seus filhos (Lv 10). Jó aprendeu que o homem não tem direito de questionar a Deus e estabelecer padrões fora de sua revelação (Jó 40.3-5).

As objeções de Roger Olson a bondade de Deus á luz de seu decreto soberano tem sido respondido, a um mais profundo nível do que ele parece estar ciente, muitas vezes. Mas é sua afirmação fundamental que ele estabelecerá um padrão pelo qual Deus deve ser julgado que é mais preocupante. Ele deveria se lembrar das palavras de Dn 4.34-35 de um rei pagão que ao receber de volta a sua razão e mente sã proferiu estas palavras:

Mas ao fim daqueles dias eu, Nabucodonozor, levantei ao céu os meus olhos, e voltou a mim o meu entendimento, e eu bendisse o Altíssimo, e louvei, e glorifiquei ao que vive para sempre; porque o seu domínio é um domínio sempiterno, e o seu reino é de geração em geração.
E todos os moradores da terra são reputados em nada; e segundo a sua vontade ele opera no exército do céu e entre os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes?

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- Sobre o autor: James White é Pastor da Igreja Batista Reformada em Phoenix/Arizona,  diretor do Alpha e Ômega Ministries, um importante ministério de Apologética Cristã. É autor de mais de vinte livros, professor e um debatedor talentoso.

Tradução: Francisco Alison Silva Aquino
Divulgação: Bereianos
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A Inconsistência dos Sinergistas sobre Eleição e Presciência

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Por WithChrist.org


Os Sinergistas ensinam que a ELEIÇÃO é como se segue: Deus previu quem se renderia ao Espírito, e então elegeu para a salvação todos aqueles que Ele previu que assim o fariam. Neste esquema, o absoluto livre arbítrio do homem natural é necessário para preservar a responsabilidade humana. Mas este conceito de presciência realmente reduz o mesmo a nada. Não há nenhum Sinergista vivo que possa consistentemente crer nesta teoria de presciência, e ainda continuar ensinando suas visões com respeito à salvação. Porque então? Considere o seguinte:

1. Nenhum Sinergista pode consistentemente dizer que Deus previu quem seria salvo e então pregar que Deus está tentando salvar todos os homens. Certamente se Deus sabe quem Ele pode salvar ou quem quer ser salvo, então, quem ousará dizer que Ele está tentando salvar alguém mais? Certamente é tolice dizer que Deus está tentando fazer algo que Ele sabe que nunca poderá ser realizado. Eu tenho ouvido alguns Sinergistas acusarem aqueles que crêem no monergismo de que o Evangelho pregado para os não-eleitos é zombaria, visto que Deus não lhes elegeu. Se há algo válido nesta objeção, então ela igualmente se aplica a eles também, que pregam para aqueles que Deus sabe que não serão salvos. Deus ordena que o Evangelho seja pregado a todos, se claramente entendemos ou aceitamos Seu motivo no assunto.

2. Nenhum Sinergista pode consistentemente dizer que Deus previu que pecadores se perderiam e então dizer que não está dentro da vontade de Deus permitir que aqueles pecadores se percam. Porque Ele os criou então? Que os Sinergistas considerem esta questão. Deus poderia ter da mesma forma facilmente se privado de criar aqueles que Ele sabia que iriam para o Inferno. Ele sabia que eles iriam para o Inferno antes dEle os criar. Visto que Ele foi em frente e criou-lhes com total conhecimento de que eles se perderiam, está evidentemente dentro da providência de Deus que alguns pecadores se percam, e Ele evidentemente tem algum propósito nisto, o qual nós seres humanos não podem discernir completamente. O Cristão humanista pode reclamar o quanto quiser da verdade que Deus escolheu permitir que alguns homens tivessem como destino final o Inferno, mas esta verdade continua sendo um problema tanto para eles como para qualquer outra pessoa. Na realidade, este é um problema que os Sinergistas devem encarar. Se ele encarar isto, terá que admitir ou o erro de sua teologia ou negar juntamente a presciência. Mas ele poderá dizer que Deus criou aqueles para perecer, mesmo contra Sua vontade. Isto faria Deus sujeito ao Destino.

3. Nenhum Sinergista pode consistentemente dizer que Deus previu quem seria salvo e então ensinar que Deus puniu a Cristo com o propósito de redimir cada homem em particular que já viveu. Certamente deveríamos creditar a Deus como tendo tanto senso quanto um ser humano. Que ser humano faria um grande, porém inútil e imprestável sacrifício? Os Sinergistas dizem que Deus puniu a Cristo pelo pecados daqueles que Ele sabia que iriam para o Inferno. Esta teoria da expiação – embora os Sinergistas não mencionem isto – envolve o assunto do sofrimento de Cristo exclusivamente para o propósito da salvação do homem – o aspecto substitutivo. Eles falham em ter qualquer apreciação do aspecto da propiciação.

4. Nenhum Sinergista pode consistentemente dizer que Deus previu quem seria salvo e então pregar que Deus o Espírito Santo faz tudo o que Ele pode para salvar todos os homens no mundo. O Espírito Santo estaria desperdiçando tempo e esforço para tentar converter um homem que Ele sabe desde o principio que irá para o Inferno. Você ouve os Sinergistas dizerem sobre como o Espírito tenta alcançar os homens e, se eles não se entregarem a Ele, eles “cruzam a linha” e ofendem ao Espírito, de forma que Ele nunca tentará salvá-los novamente. No fundo, o Sinergista transforma a Deidade Divina numa criatura finita.

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Modificado a partir do Artigo Christian Humanism Cuts Its Own Throat por WithChrist.org
Tradução livre: Felipe Sabino de Araújo Neto
Cuiabá-MT, 16 de janeiro de 2004.
Fonte: Monergismo
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Santificação é efeito e não causa da salvação

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Por Charles. H. Spurgeon

Quero dizer três coisas sobre a maneira pela qual Deus nos salvou.

(I)  Nossa salvação é completa. O apóstolo diz: "Que nos salvou". Crentes em Jesus Cristo são salvos no momento que colocam sua confiança em Cristo. Eles não esperam que sejam salvos. Deus salvou completamente Seu povo. Ele o escolheu para esta salvação. O preço total da salvação desses pecadores escolhidos por Deus foi pago quando Cristo morreu por eles na cruz. Cristo disse quando pendurado na cruz: "Está consumado" (João 19:30). Estávamos completamente perdidos por causa da desobediência de Adão. Fomos completamente salvos quando Cristo, o segundo Adão, terminou Sua obra redentora por nós.

(II). Meu segundo pensamento é que o texto diz: "Que nos salvou, e chamou". Será que Deus nos salvou antes de nos chamar? O texto diz que Ele assim o fez. Não sabemos que somos salvos até que o Espírito Santo opere em nossos corações, trazendo-nos a Cristo. Entretanto, no propósito de Deus e na redenção de Cristo, somos salvos antes de sermos chamados. O Senhor Jesus Cristo pagou as dívidas do Seu povo quando foi crucificado. Por conseguinte, vocês podem ver que fomos salvos antes de sermos chamados.
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(III).  Deus nos chamou para uma vida santa. Aqueles pecadores pelos quais Cristo morreu são chamados pelo poder do Espírito Santo à santidade. Eles deixam seus pecados; tentam ser como Cristo. Antes de serem salvos amavam o pecado. A velha natureza deles amava tudo que era maligno. A sua nova natureza não pode pecar porque é nascida de Deus. Deus chama Seu povo à santidade. O povo de Deus não é santo porque quer que Deus o salve. Deus, através do Espírito Santo, opera a santidade nele. Portanto, o belo fruto espiritual que vemos num crente tanto é a obra de Deus quanto é o resultado da expiação pela qual Cristo o comprou. A salvação de um crente é unicamente pela graça. Deus é o autor dessa graça. Salvação tem que ser pela graça, pois não pode ser adquirida. A seqüência verdadeira é: Deus nos salvou antes de nos chamar.

Esta ordem mostra que nossa santificação não é a causa, e sim o efeito, da nossa salvação.
"Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos" (II Tim. 1:9).
Fonte: [ C.H.Spurgeon ]
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