A Trindade, a Criação e os “Pais e Mães de Pets”

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Tem se tornado cada vez mais comum encontrarmos proprietários de animais de estimação, como cães, gatos e pássaros, que denominam o seu relacionamento com os seus “pets” como “pais e filhos”. São homens e mulheres que se declaram “pais” e “mães de pets”, que tiram fotos com os seus animais e nas legendas escrevem frases como: “Uma selfie com a mamãe” ou “Primeira foto com a filha”. Além disso, sobrenomes de famílias são atribuídos aos animais, festas de aniversário são organizadas, decorações dispendiosas são utilizadas e até mesmo funerais, com a família em torno do caixão do animal são situações cada vez mais comuns. Toda a rotina da pessoa ou do casal é alterada, de modo a incluir o animal em todas as ocasiões. Até mesmo datas comemorativas, como o dia das mães e dos pais, são modificadas para contemplar os “pais e mães de pets”.¹

Reformado ou deformado? Algumas reflexões sobre teoria e prática

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Temos acompanhado atualmente um grande número de evangélicos, especialmente os jovens, aderindo às doutrinas reformadas como modelo doutrinário. Isto nos alegra, pois é sempre bom ver crentes querendo conhecer mais a Deus através do arcabouço de teses reformadas. Porém, o que de um lado nos traz alegria, por outro lado gera uma preocupação enorme ao constatarmos que muitas dessas adesões são feitas apenas por modismo (pra onde a galera tá indo, eu também vou). Poderiam perguntar: "Mas não é bom, pois no meio disso tudo tem gente comprometida?". Seria, se esta adesão fosse simplesmente fogo de palha, mas não é. E pior, é uma adesão sem compromisso com os princípios bíblico-reformados. E isto causa uma anomalia, uma deformação, um reformado longe do Sola Scriptura, um cristianismo sem Cristo, um ateísmo prático. Verdadeiras deformações. Estas manifestações não só passam longe dos princípios da reforma como fazem muitos se afastarem deles. Há também aqueles que já vivem em igrejas reformadas e até professaram a fé, acham bonito o modelo reformado, mas na prática, vivem do jeito que querem e não desejam prestar contas a ninguém.

Onde quero chegar? No simples fato de que é moda se dizer reformado, mas viver de acordo com isto são outros quinhentos. Ou seja, por mais que se diga cristão reformado e até professe publicamente tal fé, é no viver que isto vai se manifestar. O grande estopim disso tudo é que, quando se trata de viver as Escrituras, começa-se a relativizar as Escrituras. "Eu sei que a Bíblia diz assim, mas não tem nada demais." E, assim, de nada demais em nada demais, vai se tentando fazer largo um caminho que é estreito, e forçar uma porta também estreita. 

Quando se pergunta a posição de um crente sobre determinado assunto, a resposta começa assim: "Na minha opinião...", quando deveria ser: "Conforme as Escrituras..". E, assim, poderíamos expressar melhor a unidade do pensamento cristão sobre família, governo, trabalho, descanso e muitos outros assuntos presentes em nossa vida e que fazem parte de nossa estada neste mundo. 

Quando trocamos a Escritura pelo que achamos, caímos no pecado da idolatria e passamos a viver como senhores de nossas vidas. Não, não é assim, pois o "sola scriptura" (2 Tm 3.14-17) deve ser uma constante em nossas vidas e viver longe disso só vai trazer juízo (Os 4.6). Ao colocarmos as Escrituras acima de nosso pensar, glorificamos a Deus, mortificamos nossa carne e vivemos, na prática, o lema igreja reformada sempre reformando. O oposto também causa prejuízos enormes: à igreja, pois um testemunho de vida longe das Escrituras afeta a todos os membros; ao crente que vive longe dos princípios das Escrituras; e também aos perdidos, que em vez de serem exortados a confessarem e se arrependerem de seus pecados, são estimulados a continuar atolados em sua miséria por cristãos deformados em suas práticas de vida. Será que pensamos nisto quando mantemos ou estimulamos crentes a namorarem descrentes? A Bíblia é clara quando diz não haver comunhão entre luz e trevas. Mas, mesmo assim, muitos jovens enveredam por esses caminhos, e quando são exortados, sejam por pais ou por outros crentes, se dizem julgados e não admitem estar fazendo nada de errado. Sexo antes do casamento? Como Deus pode reprovar o amor? Estes são apenas alguns exemplos. No seu livro Ouro de Tolo (p. 13), publicado pela Editora Fiel, John MacArthur afirma que 

"De fato, o discernimento está tão na moda quanto a verdade absoluta e a humildade. Fazer distinções e julgamentos claros contradiz os valores relativistas da cultura moderna. O pluralismo e a diversidade tem sido exaltados como virtudes mais elevadas do que a verdade. Não devemos estabelecer limites definitivos ou afirmar qualquer absoluto. Isto é considerado retrógrado e deselegante. E, embora esta atitude para com o discernimento bíblico seja esperada do mundo secular, ela tem sido cada vez mais abraçada por um número cada vez mais de cristãos evangélicos."

O livro é de 2005, mas mostra claramente o mal que assola o evangelicalismo brasileiro.

A vida de renúncia está cada vez mais longe dos cristãos modernos. Parece até que textos como Mt 16.25 e 1 Pe 3.8-17 sumiram das Bíblias do povo. Queremos viver uma vida nos regalando do bom e do melhor por aqui, como se isto fosse tudo que temos. A filosofia do "comamos e bebamos que amanhã morreremos" tem afetado os crentes, e estes tem corrido desenfreadamente atrás do tesouro corruptível e deixando o que tem realmente valor em segundo plano (Mt 6.20). É promoção no trabalho, melhores salários, aquisição de mais bens de consumo, nem que pra isso morramos de trabalhar relegando a família, o descanso e o Dia do Senhor. Como pais dizemos que queremos nosso filhos crescendo piedosamente, mas os entupimos de atividades, preparando-os para este mundo e não para glorificar a Deus neste mundo; dizemos querer nossas filhas sendo esposas submissas e piedosas, mas na prática, enfatizamos o curso superior que ela deve fazer do que qualquer outra coisa. Estas coisas citadas são legítimas, mas se colocadas em primeiro plano desonram a Deus, afastam o crente do culto, pois a atividade (ou trabalho para os adultos) é sempre mais importante. Queremos uma igreja fiel às Escrituras, mas relativizamos a aplicação dos princípios bíblicos por medo de perder membros e a disciplina, uma das marcas distintivas de uma igreja, vai se tornando peça de museu.

No aspecto litúrgico, os cultos tem sido cada vez mais centralizados no homem, as celebrações tem sido cada vez mais transformadas em shows, pastores e cantores se fazem artistas se apresentando, enquanto o público sai satisfeito por ter visto o espetáculo da fé. Lamentável! O Soli Deo Gloria há muito tem dado lugar ao glória ao homem. O pecador, em vez de ser confrontado com seu pecado, tem seu ego massageado, o crente, em vez de prestar um culto a Deus, quer receber entretenimento de qualidade. Sobre este assunto, e falando especificamente sobre pregação, MacArthur diz:

"A pregação 'sensível aos interessados' nutre pessoas centralizadas em seu próprio bem estar. Quando você diz às pessoas que o principal ministério da igreja é consertar para elas o que estiver de errado nesta vida - suprir suas necessidades, ajudá-las a enfrentar seus desapontamentos neste mundo e coisas assim - a mensagem que você está enviando é que os problemas desta vida são mais importantes do que a glória de Deus e a majestade de Cristo. Novamente, isto corrompe a verdadeira adoração."

O cenário é caótico. Em vez de reformados, temos verdadeiros cristãos deformados. Mas Deus é fiel com a sua Palavra e sustenta seu povo. Mesmo em meio ao caos, o remanescente é sustentado (veja o exemplo do profeta Jeremias), Josué e Calebe, entre outros. Todos estes testemunharam momentos terríveis de desobediência na história do povo de Deus, mas foram sustentados por Deus e se mantiveram firmes na fé. Assim tem sido com pastores e igrejas que, mesmo em meio às dificuldades, pecado e apostasia, mantem-se fiéis a Deus, aos princípios bíblicos e confessionais, sendo sal e luz neste mundo mergulhado na podridão do pecado. Jovens buscando relacionamentos saudáveis, castos e santos. Mulheres submissas aos seus maridos e homens que amam suas esposas a ponto de dar a sua vida por elas, e assim, refletindo a graça do amor de Cristo por seu povo. Pais que orientam seus filhos nos princípios bíblicos, no caminho em que devem andar, vendo-os crescer em estatura, graça e sabedoria, da qual o princípio é o temor ao Senhor (Pv 1.7). Cristãos comprometidos com o mandato cultural, manifestando a glória de Deus nesta sociedade pervertida, sendo bons servos, patrões, alunos, professores, motoristas, e em tudo que Deus nos colocar, a fim de glorificar o seu santo nome. Deus nos conduza a estar neste rol. Através da santa reforma pela Palavra, abandonemos o conformar-se com o século (deformação), tomando a forma de Cristo (2 Co 3.18), para a glória d'Ele.

Deus nos abençoe!

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Autor: Presb. Cicero Pereira
Fonte: UMP da Quarta
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Minhas impressões sobre a Reforma Protestante

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Hoje, 31 de Outubro é celebrado o Dia da Reforma Protestante pela maioria dos cristãos espalhados pelo mundo. A Reforma resgatou valores e trouxe um impacto profundo sobre os aspectos políticos, econômicos, sociais, literários e artísticos da sociedade. Foi, sobretudo, uma batalha pela fé e a redescoberta das doutrinas esquecidas ou ignoradas das Escrituras. A reforma nos deu a Bíblia, agora disponível em nossas próprias línguas; a liberdade religiosa e de consciência, o Estado de Direito. Ao mesmo tempo, os reformadores lutaram pelos princípios que somente a Escritura é nossa autoridade final, que somente Cristo é o cabeça da Igreja, a justificação é pela fé e tão somente graça de Deus nos méritos da obra consumada por Cristo na cruz do calvário. Os sacrifícios feitos pelos reformadores, o impacto de longo alcance e a aplicação corajosa da Bíblia para cada área da vida são frutos da obra divina.

O legado da Reforma nos inspira. Mais escolas e universidades foram levantadas pelos cristãos do que por qualquer outra religião, nação ou grupo. A elevação das mulheres e a luta contra a exploração degradante da poligamia e da discriminação fez parte da reforma. Os reformadores e missionários conseguiram trazer a abolição da escravatura, canibalismo, o sacrifício de crianças e queimação de viúvas. A verdade é que a influência da igreja tem, ao longo da história, contido a desumanidade do homem. Países que gozam as liberdades civis são geralmente mais aqueles onde o Evangelho de Cristo penetrou mais profunda e poderosamente.

A Reforma Protestante, ainda que não imune a erros, mudou a história do mundo e a vida da própria igreja. Oro para que Deus nos conserve fiéis ao genuíno evangelho e seus valores e, que os clamores da Reforma - Somente a Escritura, Somente a Graça, Somente Cristo, Somente pela Fé e a Deus toda Glória – sejam ouvidos, defendidos e proclamados nas igrejas evangélicas do nosso Brasil.

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Sobre o autor: Marcos Sampaio é teólogo e pastor da Igreja Batista da Caputera, Angra dos Reis-RJ.
Divulgação: Bereianos
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Os Filhos de Deus e a Cultura Popular

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Quando Deus determinou criar a raça humana, ele estabeleceu alguns propósitos e parâmetros para um bom relacionamento entre criador e criatura. Esses propósitos e parâmetros são descritos pela Bíblia e por nossa teologia na forma de uma aliança. Deus fez uma aliança com a criatura e estabeleceu pelo menos três diferentes mandatos para a humanidade: o mandato espiritual (seu relacionamento com o Criador), o mandato social (seu relacionamento em família) e o mandato cultural (seu relacionamento com a sociedade). Não estarei surpreendendo ninguém se disser que quebramos os três! O homem negou seu Criador, desobedecendo suas ordens, quebrou os seus elos familiares com mentiras, acusações e esquivando-se de suas responsabilidades (Adão e Eva - marido e esposa - Caim e Abel -irmãos) e desenvolveu o mandato cultural da pior forma possível (poligamia, assassinato, brutalidade, etc.). Por curiosidade, verifique Gênesis 4:17-23. Coisas boas aconteceram, mas as ruins... prevaleceram.

Este artigo vai tratar do problema da quebra do terceiro mandato – o cultural. Como os cristãos podem e devem relacionar-se com o que tem acontecido no nosso mundo? Quais devem ser os nossos limites e a nossa influência na cultura em que vivemos? O que de fato tem acontecido com os cristãos na modernidade?

É fundamental que, antes de mais nada, o cristão conheça a sua cidadania: “Eles continuam no mundo... Eles não são do mundo...” (João 17:11,16). Nós somos cidadãos dos céus, mas as nossas passagens para lá ainda não chegaram, e enquanto estamos aqui temos muito o que fazer, sem no entanto esquecermos que somos de lá. O problema é que além de sermos muitos parecidos com o pessoal do lado de cá, muitas vezes nos deixamos influenciar com os erros do mundo, desobedecendo o mandato cultural.

Observando o que acontece nos Estados Unidos, de onde as missões que nos trouxeram o evangelho saíram, pode-se observar como as coisas estão se deteriorando rapidamente, e mais rápido ainda, chegando aqui. Ao contrário do nosso Brasil, os Estados Unidos nasceram de ideais religiosos, recebendo forte influência da Palavra de Deus. Hoje é proibido falar em Deus nas escolas públicas (professores que por ventura o façam correm o risco de ser demitidos); o mesmo povo que luta por salvar as baleias (o que se deve fazer), luta pela legalização do aborto e igualdade para os homossexuais (algo semelhante acontecendo no Brasil). Onde chegamos!? Ora, estes são apenas exemplos dos extremos. Muitas coisas bem pequeninas tem influenciado comunidades inteiras de cristãos (estou falando de verdadeiros cristãos e não dos que apenas se chamam assim), e essas pequenas influências vão se tornando imensos tropeços. Por favor não me entenda mal. Não estou defendendo nenhum isolacionismo cristão (a história já comprovou que os monastérios não funcionam). Isto é errado. Mas penso que os cristãos precisam conhecer melhor o terreno em que estão pisando.

Como esta influência nos assalta? Já que nos livramos dos perigos de imperadores malucos como Nero e de ameaças terríveis como o Coliseu (a propósito, não há evidências claras de que cristãos tenham morrido no Coliseu), como livrar-nos da má influência cultural? (por favor, não é livrar-se da cultura, mas do que é podre nela). Em primeiro lugar, entendendo-a (devo estas idéias ao Dr. Kenneth Meyer em seu livro All God's Children and Blue Suede Shoes [“Todos os Filhos de Deus e Sapatos Azuis de Veludo” esta última parte referindo-se a uma música muito popular cantada por Elvis Presley] e ao Dr. David Wells, preletor no Francis Schaeffer Institute, Covenant Theological Seminary, Saint Louis, EUA, em setembro de 1992).

O grande problema que temos ao enfrentar a chamada “cultura popular” é que na verdade somos moldados por ela, não só naquilo que pensamos e sentimos, mas na forma como pensamos e sentimos. Como isso aconteceu?

Primeiro, filosoficamente. O fato é que os “grandes filósofos” conseguiram destruir toda a base para que o homem continue crendo em verdades absolutas. Tudo é relativo tudo é meia-verdade (não meia-mentira). Nos meios sociais a ideia de contar uma mentirinha de vez em quando é muito comum, afinal, foi por uma boa causa, não é mesmo? A cultura moderna apresenta um boa oportunidade para muitos aproveitarem e serem 'meio-cristãos' (precisamos urgentemente de uma teologia da meia-salvação, se é que já não inventaram). Portanto, nosso primeiro grande problema diante da cultura popular é a relativização da verdade.

Em segundo lugar, a cultura popular especializou-se em oferecer-nos gratificação instantânea (depois da Polaroid, o que falta inventar - lembranças eternas reveladas instantaneamente - nem acabamos de viver o momento e já o trocamos pela foto). Nós, cristãos modernos, estamos mergulhados na nossa cultura sem perceber o que de mal ela pode nos fazer. Faça um auto-teste de QCP (Quociente de Cultura Popular).

Se você for comprar uma TV, você prefere com controle ou sem controle? Se for fazer compras, qual a loja lhe chama mais a atenção, a loja com entrega imediata ou sem entrega imediata? Se for a um restaurante, prefere um com bufê ou aquele demorado a la carte? O telefone, sem fio ou com fio? (eu sempre preferi os primeiros). Faça as contas de quantos aparelhos de TV, rádios, gravadores, vídeo cassetes, CDs, PCs, Fax, telefones e demais controles remotos você tem em casa. Por aí dá pra se tirar uma ideia. O ter estas coisas todas não é o mal, deixar que elas moldem seus desejos é muito ruim. Se eu posso ter isto imediatamente, por que deixar para amanhã? (a mesma ideia da cultura inflacionária). Ora, tudo isto que a cultura Pop nos oferece matou outros valores que certamente demandam mais tempo. Por exemplo, por que perder tempo lendo um livro se eu posso ver o filme? E o pior, por que fazer algo que demanda da minha mente se eu tenho quem pensa por mim?

Aqui está, creio eu, o grande perigo para todos os cristãos com alto QCP. A cultura popular não só se especializou em gratificação imediata como também em moldar a mente daquele a quem gratifica. Ela lhe diz o que é bom e você perde o direito de pensar e analisar o que é realmente bom e agrada a Deus.

A cultura da gratificação instantânea invadiu a igreja! Esta foi a última arma do inimigo para destruir os filhos de Deus, e tem funcionado bem. Já há algum tempo temos as igrejas instantâneas, os crentes instantâneos, as curas instantâneas, líderes instantâneos, tudo instantâneo. Nada pode esperar, e tudo tem que ser como eu quero. As consequências são óbvias: não só a igreja tem que ser como eu a quero, com todo o tipo de gratificação instantânea que a cultura popular oferece, mas o Deus desta igreja tem que ser também moldado à imagem e semelhança da minha cultura. Não é de se admirar que o nosso povo ande tão confuso.

Não sei se este artigo vai ajudá-lo a entender um pouco de si mesmo e das coisas que lhe cercam. Porém recomendo: não espere entender tudo instantaneamente... Pra terminar, posso dizer que as respostas a estes problemas todos não aparecem instantaneamente, mas somente quando observamos as palavras de Paulo em Romanos 12:2 - “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.
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Autor: Rev. Mauro Meister
Fonte: Monergismo
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Os Mandatos Criacionais

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Introdução

O registro da revelação apresenta-se com três mandatos específicos: Cultural, Social e Espiritual. Estes mandatos são os condutores da aliança de Deus com seu povo. Estes fios condutores da aliança configura a vida humana em sua totalidade. Dentro desta concepção insere-se a ideia da tríplice estruturada bíblica de uma cosmovisão que envolve: a criação, queda e redenção.

A tríplice estrutura e os mandatos criacionais são discutidos e apresentados pela Teologia Bíblica.  A definição desta ciência é a seguinte: “Teologia bíblica é aquele ramo da teologia exegética que lida como o processo da auto revelação de Deus registrada na Bíblia”.[1]  

Politicamente correto ou vergonhosamente omisso?

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Em nome do “politicamente correto” os cristãos estão se tornando vergonhosamente omissos. A falta de coragem em falar a verdade é mascarada pelo “respeito” e pela “tolerância” que na realidade não é nem uma coisa nem outra, mas, sim, diante da omissão da mensagem que deve ser proclamada, custe o que custar, doa em quem doer.

Em nome do “politicamente correto”:

1) Noé teria visto sua família morrer no dilúvio, pois, anunciar o castigo de Deus ao mundo seria (hoje) uma propaganda terrorista;

2) Moisés teria ficado calado quando viu o egípcio matando aquele hebreu, afinal, seria loucura da parte dele se levantar contra o sistema estabelecido;

3) Ana, mãe de Samuel, hoje teria sido processada por “abandono de incapaz” quando cumpriu sua promessa a Deus de dedicar-Lhe o filho que Ele lhe desse;

4) Elias teria sido um intolerante, agitador e incitador de perseguição quando zombou dos sacerdotes de Baal e de seu culto idólatra, e depois mandou que fossem mortos todos aqueles prevaricadores idólatras;

5) Eliseu teria sido condenado tanto pelo IBAMA por ter usado duas ursas, e pelo MP pelo assassinato daqueles meninos que zombavam do ungido do Senhor;

6) Jeremias seria achincalhado por ser “do contra”, pois, onde já se viu um profeta profetizar “coisas ruins” quando todos os outros profetas só “profetizavam” coisas boas? Na verdade, os falsos profetas (assim como em nossos dias) sempre pregaram o que o povo quer ouvir e não o que Deus de fato manda, como o fez Jeremias;

7) E Ezequiel? Ah! Esse profeta boca suja que deveria passar por uma sessão de psicanálise na melhor linha freudiana, pois, ele só falava de sexo e órgãos genitais, sexo, e órgãos genitais… para repreender o povo.

8) Daniel e seus companheiros seriam condenados (e foram) por rebeldia contra o rei. Onde já se viu um servo de Deus se rebelar contra os governantes?

9) João Batista seria (e foi) chamado de endemoninhado, pois, somente quem tem o capeta no couro come gafanhotos com mel (ainda que em nossos dias algumas culturas saboreiem “iguarias” como essa, mas, aí, dessas culturas dizemos que é normal, e, criticá-las seria “etnocentrismo”);

10) E Jesus? Em nome do “politicamente correto” Ele seria chamado de agitador, perturbador da ordem estabelecida, megalomaníaco (se declara Deus!), absolutista, pois, Se declara como “a Verdade” e não como mais uma verdade.

11) Paulo, Pedro, João, Tiago e os demais apóstolos não passam de um bando de aproveitadores que “institucionalizaram” a Igreja de Cristo dando ensejo para que os muitos pilantras se aproveitassem da ganância travestida de ingenuidade de muitos.

Definitivamente, em nome do politicamente correto a omissão tem se instalado no coração dos cristãos que se acovardam, não têm coragem de chamarem de mal o mal, de denunciarem o pecado seja em quem e aonde for.

“A Igreja de Cristo não foi chamada para fazer relações públicas, mas, sim, dar um ultimato à sociedade” (Rev. Marcos Agripino).

Não fomos chamados para dialogar com o mundo, mas, sim, monologar, pois, pregação é monólogo (e muitas vezes ficamos sozinhos enquanto falamos).

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Autor: Rev. Olivar Alves Pereira
Fonte: Noutesia
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A melhor forma de governo

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No último capítulo indicamos as principais funções do estado segundo a concepção calvinista. Neste capítulo demonstraremos que tipo de estado o calvinista poderia considerar ideal – o que é ordenado por Deus – para consumar as suas funções. Se o mundo não tivesse caído em pecado não haveria a possibilidade da incerteza quanto à forma ideal de estado. Este seria um estado mundial, um império mundial: o Reino de Deus. A forma de governo seria monárquica, com Adão à cabeça do império. Na nova terra haverá outras vezes um império mundial sob o segundo Adão – como rei. Mas nesta terra de pecado não poderá se estabelecer o estado mundial disposto por Deus. Para minimizar de algum modo a corrupção do homem, na torre de Babel, Deus dividiu os povos da terra em diferentes nações e línguas. Todavia, vários foram os intentos para conseguir um império mundial. O Anticristo com o recurso da força tratará de estabelecer um império; mas, este império será destruído por Cristo. Pode se dizer que Calvino favoreceria a formação de estados não tão extensos e poderosos, para que assim pudesse eliminar o perigo inerente em toda concentração excessiva de poder governamental. 

A inconsistência da ciência sem Deus

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É importante deixar claro também que o conhecimento cientifico é a obediência ao mandato cultural de Gênesis 1:26.


Recentemente, a revista VEJA publicou uma entrevista com o astrofísico americano Neil Degrasse Tyson, com a frase: “Não vejo evidências que corroborem a existência de Deus” estampada.

O que este artigo visa não são argumentos a posteriori para a existência de Deus, nem tampouco apresentam uma solução sobre o que os filósofos chamam de “problema do mal” (Se bem que se há algum problema, o problema é deles!), que foi o que astrofísico tanto frisou em sua entrevista, e muito menos mostrar a falibilidade do método cientifico.

Talvez em outra oportunidade eu possa tratar dessas coisas, mas no momento o meu objetivo principal neste artigo é demonstrar a inconsistência da ciência à parte de Deus, como bem já apresentou o título, e como a ciência é possível somente com Deus.

O presente artigo também não tem por finalidade fornecer argumentos exaustivos sobre o assunto (apesar de este ser o meu desejo, mas não vejo momento propício para isso); antes, procura ser objetivo e direto em poucas linhas.

Alguns poderão achar prepotência da minha parte, afinal, não é comum um jovem de 18 anos de idade querer ensinar algo à um astrofísico de 56 anos; mas não nego que renomeados intelectuais incrédulos são verdadeiramente inteligentes no sentido de que fazem uso extremamente sofisticado e engenhoso das suas faculdades mentais, mas são estultos em rejeitar o óbvio e demonstrarei isso aqui. Mas, por que homens inteligentes fogem tanto de Deus? Porque estão determinados a serem antes “modernos” que fiéis à Palavra de Deus.

É importante deixar claro também que o conhecimento cientifico é a obediência ao mandato cultural de Gênesis 1:26 quando no versículo, existe uma ordem explícita para “dominarmos sobre a terra”. Sim, os cientistas incrédulos cumprem o plano pactual de Deus mesmo sem saber!

Um breve resumo das origens da ciência moderna

Alfred North Whitehead, um renomeado pesquisador na área da filosofia da ciência, diz na sua exposição do tema “Ciência e o mundo moderno” que o Cristianismo é a mãe das ciências, por causa da insistência da Idade Média na racionalidade inteligível de Deus”. Whitehead também falava da confiança “na racionalidade inteligível do ser pessoal”.

Naquelas palestras, ele também dizia que foi graças à racionalidade de Deus que os primeiros cientistas conseguiram manter a sua “confiança inexpugnável em que qualquer evento detalhado pode ser correlacionado com antecedentes, de forma perfeitamente definida, exemplificando princípios gerais. Sem esse tipo de fé, todos os inacreditáveis esforços dos cientistas seriam em vão”. Em outras palavras, os primeiros cientistas não ficavam nada surpresos em descobrir que era possível alguém achar algo de verdadeiro sobre a natureza e o universo com base na razão, e o motivo disso era a crença de que o mundo foi criado por um Deus inteligível.

Vivendo com a concepção de que o mundo foi criado por um Deus inteligível, os cientistas podiam progredir com confiança, na expectativa de poder descobrir coisas acerca do mundo por meio da observação e experimentação. Esta era a sua base epistemológica – os fundamentos filosóficos que lhe davam a certeza de que podiam desenvolver conhecimentos (epistemologia é a teoria do conhecimento – como sabemos, ou como sabemos que podemos saber).

Já que o mundo foi criado por um Deus inteligível, esses cientistas não ficavam surpresos por encontrar uma correlação entre eles enquanto observadores e a coisa observada – isto é, entre o sujeito e objeto. Este fundamento serve de norma para toda pessoa ou coisa, no âmbito da estrutura de pensamento cristão, não importa se está observando uma cadeira ou as moléculas que compõem uma cadeira. Sem este fundamento, não teria nascido a ciência moderna no mundo ocidental.

Francis Bacon, considerado o fundador da ciência moderna, levava a Bíblia a sério, sobretudo a temática sobre a queda do homem em Adão, isto é, a rebeldia do homem na história. Em Novum Organum Scientiarum, ele afirmava que: “com a queda, os homens perderam o seu estado de inocência e, ao mesmo tempo, o seu controle sobre a criação. Ambas as perdas, entretanto, podem, em parte, ser reparadas ainda neste mundo; a primeira pela religião e fé e a última, por meio das artes e ciências”. Note que Bacon não vê a ciência como autônoma. O homem não é autônomo – inclusive sua ciência. O homem, portanto, deve levar a sério o que a Bíblia ensina sobre a História e sobre o que ela diz ter ocorrido no cosmos.

Citando novamente Bacon: para concluir, portanto, não podemos deixar nenhum homem, por pretensões insanas à sobriedade, ou uma doentia moderação aplicada, pensar ou sustentar que o homem possa ir longe demais na pesquisa ou ser excessivamente entendido no livro das palavras de Deus ou no livro das obras de Deus”. Para Bacon, o “livro das palavras de Deus” é a Bíblia; “o livro das obras de Deus” é o mundo que Deus criou.

Portanto, para Bacon, bem como para os demais cientistas que trabalhavam a partir do fundamento cristão, não havia, em última instância, nenhuma separação ou conflito entre os ensinamentos da Bíblia e da ciência. Eles defendiam uma concepção de uniformidade das causas naturais em um sistema aberto, ou, como também pode ser dito, eles defendiam a uniformidade das causas naturais em um espaço de tempo limitado e somente o cristianismo pode servir de base para isso.

A uniformidade da natureza

A uniformidade da natureza é o fundamento de toda a ciência, isto é, pressupor que o universo seja lógico e ordenado, e que siga as leis matemáticas constantes sobre o tempo e o espaço. A uniformidade simplesmente insiste que as leis da natureza são consistentes e não mudam arbitrariamente no tempo ou no espaço, embora condições e processos específicos possam mudar. O astrofísico citado no início do artigo demonstra implicitamente isso na entrevista completa concedida ao afirmar sobre as predições que a ciência pode fazer.

Essas predições só podem existir se houver certa regularidade no universo. O problema para o ateísmo é que tal regularidade somente faz sentido numa cosmovisão de criação bíblica.

Numa cosmovisão ateísta, o mundo dos “fatos” surge do “caos” – isto é o acaso final. E consequentemente, assume que a realidade não é divinamente criada e controlada de acordo com o plano de Deus. Contraditoriamente, ele assume fazendo ciência que a realidade é segundo toda racionalidade constituída.

Pois se o mundo não fosse racional, ou como eu disse “uniforme”, não poderia haver ciência. Em contrapartida, para os cristãos, a uniformidade da natureza repousa sobre o plano de Deus. A coerência que ele vê é tomada como analógica de resultado da absoluta coerência de Deus na criação do universo.

A tarefa do cristão, nas ciências, é a de descobrir a estrutura do mundo, ordenada por Deus. Para o cristão, o homem e o mundo são feitos um para o outro, de maneira que as habilidades racionais do homem são aplicáveis ao mundo à medida que o homem “domina a terra”.

Esses princípios cristãos são absolutamente essenciais para a ciência. Quando executamos um experimento repetidamente, nas mesmas condições anteriores, esperamos que ele tenha os mesmos resultados todas às vezes. Os cientistas são capazes de fazer predições apenas porque existe uniformidade como resultado do poder consistente e soberano de Deus.

A experimentação científica seria inútil sem uniformidade; nós obteríamos resultados diferentes toda vez que realizássemos o mesmo experimento, destruindo a própria possibilidade do conhecimento científico. Se por hipótese Deus não existisse, a alternativa seria dizer que tudo é ordenado por acaso, todo pensamento é fútil e todos os juízos éticos são nulos e vazios.

É bom deixar claro que eu não estou dizendo que aqueles que rejeitam a cosmovisão cristã não fazem ciência. O que estou dizendo é que um cientista é inconsistente quando não professa o cristianismo. Ele alega que o universo não é projetado, mas faz ciência como se o universo fosse projetado e mantido uniformemente por Deus.

Em Gênesis 8:22, Deus promete que podemos ter em vista certo grau de uniformidade no futuro. Sem a criação bíblica, a base racional para a uniformidade está perdida! A escolha é simples: Deus e a inteligibilidade do Universo ou o Caos e a ininteligibilidade do Universo.

A idolatria científica

O coração do homem é uma fábrica de ídolos, escreveu Calvino. O grande problema de boa parte dos cientistas modernos é a idolatria. A perda total de significado implícita no ateísmo é demais para que muitos suportem. As pessoas precisam de alguns valores, alguns padrões, algumas maneiras para orientarem suas vidas. Entre essas pessoas, aqueles que continuam a resistir à crença no verdadeiro Deus tornam-se inconsistentes quanto ao seu ateísmo. Se não querem o verdadeiro Deus, terão de procurar outro.

E um dos deuses deste século é a ciência moderna à parte de Deus. A ciência não cristã é amplamente divinizada e cultuada, mas agora está mais vulnerável do que em todos estes últimos quatrocentos anos. O compromisso do coração do descrente é opor-se a Deus, e, assim, ele procura fugir da sua responsabilidade de obedecer qualquer lei escriturística, inclusive as normas requeridas para o conhecimento. Mas ele não pode ter sucesso. Na verdade, ele não pode nem sequer atacar a lei sem presumir sua verdade, tornando dessa maneira o seu pensamento duvidoso.

A queda do homem no Éden foi uma tentativa de independência de Deus em cada aspecto da vida. O homem buscou seus próprios ideais de verdade em algo fora de Deus, diretamente dentro de si mesmo (racionalismo), ou indiretamente no universo ao seu redor (empirismo). Originalmente, o homem havia interpretado o universo sob a direção de Deus, mas agora busca interpretar o universo sem referência a Deus.

O homem fez de si mesmo um ideal falso de conhecimento, um ideal de compreensão absoluta não derivativa. Ele nunca teria feito isso se mantivesse o reconhecimento de sua condição de criatura. O homem buscou um ideal inatingível, e o resultado? Uma miséria intelectual sem fim.

Cristo, É o Senhor soberano de tudo, inclusive do nosso pensamento. Intelectuais são geralmente orgulhosos de sua autonomia e esse orgulho não pode prevalecer. Nas palavras de John Frame: Deus rejeita a sabedoria do mundo e chama seu povo, oferecendo-lhe uma sabedoria especial, dele próprio, uma sabedoria que se contrapõe agudamente aos valores do mundo. Os crentes são pela sabedoria de Deus e contra o falso ensino, mesmo quando enfrentam os mais difíceis desafios.

Esse assunto é melindroso para os homens modernos; é difícil apresentar de modo atraente o autoritarismo intelectual! Liberdade intelectual, liberdade acadêmica, liberdade de expressão e de pensamento – esses são valores importantes em nosso tempo. Podem os homens modernos serem levados adorar um Deus que é um autoritário intelectual? Isso depende, claro, de Deus e de sua graça. O fato é, porém, que esse autoritarismo é a fonte da verdadeira liberdade intelectual.”

Eu reitero dizendo que não há como fugir: Deus é a sua autoridade intelectual ou algum aspecto da realidade criada; se você escolher a segunda opção, você estará condenado a idolatria, e consequentemente, fadado a inconsistência intelectual no mundo de Deus.

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Obras referenciais:
Ciência e o mundo moderno, de Alfred North Whitehead
• Novum Organum Scientiarum, de Francis Bacon
• A Doutrina do Conhecimento de Deus, de John Frame
• Como Viveremos?, de Francis Schaeffer
• O Pastor Reformado e o Pensamento Moderno, de Cornelius Van Til

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Sobre o autor: Gabriel Reis é aspirante ao ministério pastoral na 1ª Igreja Presbiteriana do Brasil em Duque de Caxias-RJ. Graduando em filosofia pela UFRJ. E fundador da Página Apologética Reformada.
Revisão: Raquel Magalhães
Fonte: Gospel Prime
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O que esperar de um político cristão?

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Lugar De cristão é na política? E por que não seria? Uma das coisas que herdamos da reforma é que toda vocação, inclusive a política, glorifica a Deus. João Calvino dedica parte de sua obra máxima, as Institutas, para falar sobre política e enaltece o trabalho dos magistrados, isto é, os que integram o poder do Estado. O próprio apóstolo Paulo diz que os governantes são servos de Deus e que sua autoridade é derivada do próprio SENHOR (Rm 13.1-7). Ademais, os cristãos foram chamados para exercer o que na teologia chamamos de “mandato cultural”. Exercer este mandato é se integrar ao mundo criado por Deus e administrá-lo com excelência, observando as leis divinas para o louvor do Criador. O poder político está intensamente ligado ao mandato cultural dos homens. No entanto, precisamos ressaltar que a postura política de um cristão deve ser íntegra e se ele almeja participar do poder político, deve manter-se fiel a ética contida na Bíblia Sagrada e por ela se guiar.

O teólogo Wayne Grudem, ao escrever sobre o papel do cristão na política, afirma o seguinte:

(...) os cristãos devem procurar influenciar o governo civil conforme os padrões morais de Deus e conforme os propósitos de Deus para o governo revelados na Bíblia (e devidamente compreendidos). Enquanto os cristãos exercem essa influência, porém, devem continuar a proteger a liberdade religiosa de todos os cidadãos. Além disso, a "influência expressiva" não é sinônimo de influência irada, beligerante, intolerante, julgadora, desatinada e cheia de ódio, mas sim uma influência cativante, gentil, solícita, amável, persuasiva, própria para cada circunstância e que sempre protege o direito do outro discordar. Ao mesmo tempo, é firme no que se refere à veracidade e à excelência moral dos ensinamentos da palavra de Deus.[1]

Outra coisa de suma importância é ter preparo. Uma carreira na política demanda vocação e conhecimento dos mecanismos do poder. Ademais, a política não é imparcial. Ela está encharcada de ideologia, sendo que tais ideologias são, em grande parte, antagônicas a fé cristã. O Pr. Franklin Ferreira é bastante feliz em sua colocação, ao dizer que:

Os políticos cristãos devem saber utilizar as várias disciplinas acadêmicas para desenvolver uma cosmovisão cristã que permita, de um lado, identificar as premissas das posições filosóficas e religiosas que mais influenciam a sociedade e, de outro, oferecer respostas respeitáveis satisfatórias, com base na fé cristã.[2]

Infelizmente, muitos políticos que se denominam evangélicos, têm dado um mau testemunho, parecendo ignorar o preceito bíblico de que deveriam ser luzeiros deste mundo. Muitos, não todos, também fazem das igrejas um curral eleitoral e cumprem seus mandatos beneficiando apenas os seus eleitores “crentes”. Eles promovem eventos como “marchas para Jesus” e “dia da consciência evangélica”. Fazem shows com os mais famosos artistas do segmento Gospel e elaboram projetos que não saem da órbita evangelical. Isso está errado e a Bíblia demonstra com exemplos.


José quando esteve no Egito era autoridade destacada. Acima dele apenas faraó. Ao interpretar o sonho do soberano egípcio e prever que haveria sete anos de fartura seguidos de sete anos de seca, teve a ideia de estocar alimentos para que quando viesse o período das “vacas magras”, o povo egípcio tivesse como se alimentar. Além do mais, povos vizinhos também puderam comprar alimentos e assim ir sobrevivendo num período de imensa dificuldade. José, um hebreu, na posição política que exercia tratou de realizar um bem comum. Toda a população - e não um segmento dela - foi beneficiada com aquele empreendimento. De igual modo, Daniel foi um administrador político do império persa. Ele se destacou sobre os demais ao ponto do rei querer elevar a sua posição e coloca-lo como administrador de todo o reino e não apenas de uma província. A Bíblia nos diz que o político Daniel era “fiel; não era desonesto nem negligente” (Dn 6:4).

Outra passagem bíblica que não fala diretamente sobre governo, mas pode nos repassar um bom princípio, é Jeremias 29:7. O versículo diz o seguinte:

Busquem a prosperidade da cidade para a qual eu os deportei e orem ao Senhor em favor dela, porque a prosperidade de vocês depende da prosperidade dela”. 

O contexto corresponde ao período do cativeiro da Babilônia. O povo de Israel, deportado, teria de permanecer na cidade que não era a cidade santa de Jerusalém, mas a cidade de seus inimigos, e contribuir para a sua prosperidade. Foi uma ordem divina! Sabemos que para que um povo prospere, um cenário político favorável dá aquele empurrão para que as engrenagens da economia se movam a todo o vapor. Assim sendo, os judeus deveriam se envolver em toda e qualquer atividade que levasse a Babilônia ao caminho do progresso e da paz. Será que isso não envolve – em maior ou menor grau – um engajamento na esfera política?


O que pretendo demonstrar citando tais exemplos escriturísticos é que aquele que ingressa na política deve exercer o seu papel sem segmentar o público alvo. Os benefícios derivados da atuação de um político cristão devem refletir em toda a sociedade. E dentro de nosso ambiente plural, um político cristão também governa para ateus e pessoas de outros credos. Ele tem que ser representante destes grupos também e atender as demandas mais urgentes da sociedade. Se um político é alguém que deveria, ao menos em tese, servir a população, um cristão teria de ter uma atenção redobrada quanto a esta questão do servir, pois, este é o estilo de vida que o próprio Senhor Jesus adotou. O próprio disse que veio ao mundo para servir e não para ser servido (Mt 20:28).

Além da Bíblia, podemos extrair da história bons exemplos de cristãos que foram excelentes políticos. Lord Shaftesbury (1801-1885) foi membro do parlamento inglês por mais de quarenta anos. Um homem dedicado às causas humanitárias. Ele criou lei em prol do bem estar daqueles que eram os mais explorados pela revolução industrial, sobretudo crianças e mulheres. Seus projetos de lei eram pensados para amparar os párias da sociedade. Embora conhecido como “o evangélico dos evangélicos”, teve uma atuação não segmentada e legislou para todo o povo, sem acepções. Que os políticos brasileiros que compõem a bancada evangélica (ou conservadora) sigam tais modelos de gestão e façam com que os seus mandatos sejam relevantes para a nossa sociedade como um todo. Finalizo com mais uma citação do Pr. Franklin Ferreira:

Aqueles que servem a Deus na esfera pública, mesmo contaminada e distorcida pelo pecado, podem ver sua atuação política como um meio de glorificar ao Senhor, mas não precisam mencionar o nome santo nos palácios e centros de decisão política para justificar seu serviço público. [3]

Que o SENHOR abençoe o Brasil!


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Notas:
[1] Política Segundo a Bíblia. Edições Vida Nova, p.77.
[2] Contra a Idolatria do Estado. Edições Vida Nova, p. 45.
[3] Ibdem, p. 83. 

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Sobre o autor: Thiago Oliveira é graduado em História e especialista em Ciência Política, ambos pela Fundação de Ensino Superior de Olinda (Funeso). É casado e atualmente pastoreia a Igreja Evangélica Livre em Itapuama/PE.
Fonte: Electus
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Política sob Perspectiva Reformacional: O Motivo Básico Cristão

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O que conhecemos como motivo básico cristão é a linha histórico/redentiva de: Criação/Queda/Redenção. A importância dessa questão se expande por toda teologia reformada como uma importante questão para uma hermenêutica redentiva. O relevante livro: A Missão de Deus, de Christopher J. H. Wright, nos mostra que há uma linha hermenêutica missional nas Escrituras, sua abordagem é uma excelente defesa do método histórico/redentivo para uma perspectiva missional. Podemos dizer que o lastro é bem maior que não se aplica somente ao pensamento missiológico ou a teologia da missão, mas, o motivo básico cristão se aplica as mais variadas áreas da teologia e da cosmovisão cristã e a todas as atividades exercidas pela igreja. 

Muito se tem debatido no Brasil sobre questões políticas devido aos freqüentes escândalos envolvendo importantes nomes do governo nacional. O crescimento da inflação causa interesse no povo pela informação econômica, o fato é que quando temos alterações em nossos bolsos é quando nos interessamos mais em entender de economia, na verdade, na maioria das vezes perdemos o tempo, a banda passou enquanto o país estava numa doce ilusão semelhante a Alice nos País das Maravilhas. Enquanto era dito que os cofres públicos estavam muito bem, obrigado, e muito da riqueza do país estava indo para vários lugares menos para o crescimento do país, enquanto não afetava diretamente os bolsos do povo, as multidões nesse Brasil varonil não se preocupavam com política, nem com o que se estava fazendo com verbas e mais verbas em apoio a conchavos políticos na América Latina, com interesses escusos que são uma realidade quase sendo esfregada no rosto de cada brasileiro. Enfim, perdoe-me a divagação, mas, o crescente interesse político por um dos lados é porque estamos sendo extremamente prejudicados diretamente. Mas, por outro lado, existe um crescente interesse de cristãos, principalmente jovens, por política. O que preocupa é que tais interesses não são regados por um olhar teológico e, consequentemente, acarretará erros na formação de um pensamento político. 

Podemos exemplificar isso de forma muito simples, a teologia reformada tem trabalhado questões relacionadas à cosmovisão cristã de forma muito importante, isso é resultado da ênfase dada pelos reformadores na vocacionalidade dos crentes ou ao que conhecemos como sacerdócio universal de todos os crentes. Essa vocação se estende a todas as áreas de atuação da vida e conhecimento humano. Francis Schaeffer dizia que o Marxismo é uma heresia cristã porque tem um fim soteriológico que é empregado no proletariado que atua como um messias que trará a igualdade através da revolução. Temos aqui uma substituição do Cristo como libertador, resgatador, redentor dos eleitos. Temos uma distorção da redenção. 

Ao termos o motivo básico cristão: criação - queda - redenção, podemos avaliar toda e qualquer ideologia ofensiva ao homem pelo homem. Quando o ideal criacional é subjugado por ideologias que acabam tendo também um motivo básico que confrontam com o motivo cristão, o sistema entra em colapso com a realidade última do telos humano. Ao termos uma substituição do conceito de queda, se corrompe o conceito de justiça na sociedade e quebra o sentido de juízo do crime e da maldade, seja pelo poder despótico, seja no âmbito civil/jurídico. E ao substituirmos o conceito redentivo, teremos um messianismo ideológico que tomará assento soberano com ideologias totalitárias, detonando os conceitos de liberdade seja na religião, educação, economia, arte, etc. Quando o conceito da redenção é substituído por uma ideologia, automaticamente temos um ato idolátrico.

Toda cosmovisão está fundamentada em um motivo básico, por isso toda ideologia tem reais intenções redentivas, alterando o sentido de pecado e, provavelmente, o transferindo para um outro ponto que representará a culpa que não seja o próprio homem, mas, a fatores externos e que não estão sob seu controle. A solução para esse ideário será uma alternativa redentiva, como no caso do marxismo que totalitariza o Estado, ou no caso do Liberalismo que põe o homem entronizado. Temos, como segue, um exemplo disso.


Veja que a visão Totalitária tem o Estado como cabeça, na análise das demais visões vemos que o motivo básico é evidentemente corrompido também. Ao corromper a perspectiva criacional também, se corrompe o conceito de queda e redenção e se sobrepõe esses conceitos, com alternativas que tomam o lugar deles, mas, exercendo a mesma função na cosmovisão. Como nos diz o professor David T. Koysis:

A maior parte dos movimentos políticos tenta recrutar entusiastas com lemas concisos e populares que ficam bem na faixa e soam bem nos lábios de que marcha pelas ruas. “Liberté, égalité, fraternité!” “Vida, liberdade e busca da felicidade!” “Trabalhadores do mundo inteiro, uni-vos” “Todo poder para o povo!” Estas bandeiras têm a vantagem de ser facilmente compreendidas, de simplificar o que é complexo em vista de uma finalidade política. Contudo, elas também enganam seus potenciais seguidores, levando-os a crer que a salvação é um assunto simples – mera questão de, por exemplo, proclamar a emancipação, garantir os direitos do povo, decretar a prosperidade universal ou legislar para acabar com a pobreza, a opressão, os sem-teto e assim por diante. Junto com tudo isso, vem também a tendência a pressupor que fazer justiça significa apenas remover os obstáculos que se interpõe no caminho dela; depois disso, a “sociedade justa” surgirá sem nenhum esforço, como que por encanto. Talvez o exemplo mais famoso dessa filosofia seja o postulado marxiano de que um breve episódio revolucionário pelo qual o proletariado exproprie os bens da burguesia poderá produzir imediatamente a sociedade sem classes. [1]

Não poderemos ter uma correta percepção se, como cristãos, não identificarmos o motivo básico que rege a vida humana e todas as esferas que a cercam. Fica claro que, quando temos uma falsa concepção do homem e do que ele é e em seu estado alocado num contexto social e psicológico apontado pela realidade descrita nas verdades da revelação de Deus, que é a única forma que o mostrará quem realmente ele é ontologicamente, pelo fato de que, ao se retirar da conjuntura social o conceito bíblico de Queda temos uma erupção de desordem e um alargamento da maldade descontrolada, temos uma barbárie.

Diferenças na visão da natureza humana refletem-se em diferenças na visão dos processos sociais. Isso não significa apenas que os processos sociais são vistos como atenuadores das fraquezas da natureza humana em uma visão e como agravadores em outra. A própria forma de funcionar e de não funcionar dos processos sociais é vista de modo diferente [...] Os processos sociais englobam uma enorme gama de elementos, do idioma à guerra, do amor aos sistemas econômicos.[2] 

Ainda podemos nos aperceber disso, de forma mais clarificada, no que nos diz o filósofo holandês Herman Dooyeweerd:

O Motivo básico da religião cristão – criação, queda e redenção por meio de Cristo Jesus – opera por meio do Espírito de Deus como força motriz na raiz religiosa da vida temporal. Assim que toma conta de nós por completo, promove uma conversão radical da nossa posição diante da vida e de toda a concepção da vida temporal. A profundidade dessa conversão só pode ser negada por aqueles que não conseguem fazer justiça à integralidade e do caráter radical do motivo básico cristão. Aqueles que atenuam a antítese absoluta, buscando inutilmente ligar esse motivo básico cristão aos das religiões apóstatas, acabam de fato tomando parte nessa negação.
Mas aqueles que, pela graça, chegam ao verdadeiro conhecimento de Deus e deles próprios, inevitavelmente vivenciam a libertação espiritual do jugo e do fardo do pecado sobre a concepção que têm da realidade, mesmo sabendo que o pecado não deixará de existir em suas vidas. Eles percebem que nada na realidade criada fornece alicerces nem uma base sólida para a existência. Compreendem como a realidade temporal e seus aspectos e suas estruturas multifacetadas e cheias de nuances estão concentrados como um todo na comunidade  básica religiosa  da dimensão espiritual da humanidade. Veem que a realidade temporal procura incansavelmente sua origem divina no coração humano, e compreendem que a criação não pode descansar até que ela descanse em Deus.[3] 

A compreensão e a defesa de que a teologia reformada faz do motivo básico, bem como de uma cosmovisão que tem suas raízes na teologia do pacto, são a melhor alternativa teológica para uma leitura de mundo genuinamente cristã. O calvinismo tem refletido numa base teológica solidificada pelas Escrituras e que Deus é soberano sobre a criação e sobre todas as esferas que existem nela, que Ele mesmo criou e designou o homem para cumprimento dos mandatos da criação. Portanto, observando toda e qualquer ideologia político/social, notamos uma deformação dos mandatos criacionais – Espiritual, Social e Cultural. Kuyper nos elucida sobre as teses calvinistas de governo:

1 - Somente Deus – e nunca qualquer outra criatura – possui direitos soberanos sobre o destino das nações, porque somente Deus as criou, as sustenta por seu grande poder, e as governa por suas ordenanças.
2 - O pecado tem, no campo da política, demolido o governo direto de Deus, e por isso o exercício da autoridade com o propósito de governo tem sido subsequentemente conferido aos homens como um remédio mecânico.
3 - E, em qualquer forma que esta autoridade possa revelar-se, o homem nunca possui poder sobre seu semelhante em qualquer outro modo senão por uma autoridade que desce sobre ele da majestade de Deus.[4]
A Soberania das Esferas é a forma ideal de compreendermos o motivo básico cristão de Criação – Queda – Redenção. Mas, vejamos então o que é Soberania das Esferas, nos diz Solano Portela que

Em resumo, ele ensina que cada instituição criada por Deus (a família, a escola, o estado), possui uma área específica de autoridade e regência, ou seja, são esferas bem delimitadas e específicas.
Isso não significa que tais esferas sejam autônomas. Ainda que independentes, cada uma deve responder a Deus, o doador desta autoridade. A soberania de cada uma quer dizer que elas não devem usurpar ou interferir na autoridade da outra esfera. Cada uma dessas esferas, autoridades em si, é responsável por sua missão e pelas suas ações, na providência divina, perante Deus.
Por exemplo, no caso de uma escola cristã, ela deve entender que não usurpa a autoridade da família, nem da igreja. Muito menos substitui essas outras esferas, mas deve trabalhar conjuntamente, em colaboração e respeito. A esfera da escola, e nisso ela tem autoridade, é ministrar conhecimento, sendo responsável, perante Deus, de transmitir esse conhecimento reconhecendo o Criador em todas as áreas do saber.[5]

Com esse esclarecimento podemos ilustrar a importância do motivo básico cristão da seguinte forma:



Nos diz o falecido teólogo bíblico do Antigo Testamento Gerard Van Gronigen que

Era para o homem e a mulher exercitarem suas prerrogativas reais governando sobre o cosmos, desenvolvendo-o e simultaneamente mantendo-o. Todas as formas de vida na terra foram, de forma específica, colocadas sob a supervisão dos vice-gerentes humanos. Com esta responsabilidade, veio o privilégio de usar plantas, seus frutos e sua semente para manter a vida e a energia para realizar as tarefas reais. A humanidade poderia responder obedientemente ao mandato cultural para a glória de Deus por causa da sua criação à imagem e semelhança de Deus. Deus, por meio da sua exposição deste mandato, colocou a humanidade em um relacionamento de governador sobre o domínio cósmico. Mas este governo envolvia trabalho. O trabalho é, consequentemente, tanto um privilégio real como também uma responsabilidade.[6]  

Essa é a importância de compreendermos a política a luz das Escrituras, há um mandato cultural que envolve nossa atividade nas esferas criadas por Deus, essa responsabilidade cultural não se esvaiu com o pecado, certo é que após a queda o pecado afeta totalmente a percepção de mundo, sobre a vontade de Deus que Adão e Eva tinham, o que sua semente teve e o que temos hoje, toda maldade, depravação moral, aversão a religião e a verdade é decorrente do pecado. Ao identificarmos que Deus é criador e soberano e que em todas as esferas deve ser Ele glorificado, precisamos entender um pouco mais sobre a Soberania das Esferas e sua relação com o Estado.

Num sentido calvinista nós entendemos que a família, os negócios, a ciência, a arte e assim por diante, todas as esferas sociais que não devem sua existência ao Estado, e que não derivam a lei de sua vida da superioridade do Estado, mas obedecem uma alta autoridade dentro de seu próprio seio; uma autoridade que governa pela graça de Deus, do mesmo modo como faz a soberania do Estado.
Isso envolve a antítese entre o Estado e a Sociedade, mas com a condição de não concebermos esta sociedade como um conglomerado, porém como analisada em suas partes orgânicas, para honrar, em cada uma destas partes, o caráter independente que pertence a elas. 
Neste caráter independente está necessariamente envolvida uma autoridade superior especial, a que intencionalmente chamamos de soberania nas esferas sociais individuais, a fim de que possa estar claro e decididamente  expresso que estes diferentes desenvolvimentos da vida  social nada tem acima deles exceto Deus, e que o Estado não pode intrometer-se aqui e nada tem a ordenar em seu campo. Como vocês imediatamente percebem, esta é a questão profundamente interessante de nossas liberdades civis.[7]  

As Esferas de Soberania nos mostram e garantem a liberdade das instituições civis e também o dever para com Deus que é o soberano sobre todas as esferas sociais. Gostaria de destacar aqui alguns pontos importantes no pensamento de Kuyper sobre uma teoria política reformada calvinista. 

- A Liberdade: O calvinismo levou a lei pública a novos caminhos, primeiro na Europa Ocidental, depois nos dois Continentes, e hoje mais e mais entre todas as nações civilizadas, é admitido por todos os estudantes científicos, se não ainda, plenamente pela opinião pública. 

- A Visão Abrangente da Soberania de Deus: Este princípio dominante não era, soteriologicamente, a justificação pela fé, mas, no sentido cosmologicamente mais amplo, a Soberania do Deus Trino sobre todo cosmos, em todas as suas esferas e reinos, visíveis e invisíveis. Essa é uma soberania primordial que se irradia na humanidade numa tríplice supremacia, a saber:

• A Soberania do Estado
• A Soberania da Sociedade
• A Soberania da Igreja

Portanto teremos alguns princípios do mandato cultural, relacionados à política.

1 - Deus é o grande Soberano e todo governo pertence a Ele;
Todo governo humano deve estar submisso a Deus, pois seu poder foi delegado por Ele próprio; 
2 - Todo governo deve atentar para os mandamentos de Deus, tais mandamentos são a expressão da vontade de Deus, seja por expressa aplicação ou aplicação por princípio;  
3 - A humanidade foi criada à imagem e semelhança de Deus, por isso deve ser governada com dignidade, liberdade e integralidade.

Conclusão

O crescente interesse pela política no Brasil, também por parte de cristãos, tem se dado ao estado caótico da moral parlamentar e do desmoronamento econômico no país com grandes escândalos recorrentes como mensalão, petrolão e tudo que tem decorrido das mazelas da ideologia socialista que tem herdado o Brasil. O calvinismo tem uma teoria política que pode atender a uma demanda para esse país, precisamos de crentes versados nas ciências sociais e teologicamente orientados para lerem suas áreas de conhecimento com lentes bíblicas e centralizadas em Cristo e na redenção. O motivo básico cristão é a melhor forma de contribuirmos para um crescimento no país. A Igreja deve estar envolvida nisso e sair do gueto teológico e aplicar sua teologia a realidade do mundo, devemos debater, estudar, mas, devemos empregar isso e não nos perdermos em discussões que não saem da internet, da academia e dos seminários. A Igreja pode fazer algo, atentemos para a Escritura. 

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Notas:
[1] Visões e Ilusões Políticas, ed. Vida Nova, 2014, p.319. 
[2] Thomas Sowell, Conflitos de Visões – Origens Ideológicas das Lutas Políticas, p. 83 – Ed. É Realizações 
[3] Herman Dooyeweerd, Raízes da Cultura Ocidental, Ed. Cultura Cristã, 2015, p.55. 
[4] Abraham Kuyper, Calvinismo, Ed. Cultura Cristã, 1ª edição 2002, p.92 
[5] Solano Portela, Artigo publicado no blog – O Tempora, O Mores. 
[6] Gerard Van Groningen, Criação e Consumação, vol.1. Ed. Cultura Cristã, p.90. 
[7] Calvinismo, p.98. 

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Autor: Thomas Magnum
Divulgação: Bereianos
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