Gospel de rapina

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Por Walter McAlister

Soube hoje que as Igrejas Cristãs Nova Vida, da qual sou o Bispo Primaz, foram notificadas de que teriam de pagar direitos autorais pela execução de músicas de “louvor” nos seus cultos. Cada uma de nossas igrejas ficaria, assim, responsável por declarar o número de membros e a frequência aos seus cultos, para que fosse avaliado o imposto a ser pago ao Christian Copyright Licensing International (CCLI), sociedade que realiza a arrecadação e a distribuição de direitos autorais decorrentes da execução pública de músicas nacionais e estrangeiras. Por sua vez, o CCLI repassaria o valor devido aos compositores cujas músicas estão cadastradas.

São poucas as vezes em que me vejo sequestrado por um assunto do momento aqui no blog. Tenho como norma pessoal não me deixar levar pelas “últimas”.  Já há bastante alvoroço em torno de assuntos efêmeros e não precisam da minha voz para somar à confusão instaurada por “notícias” e controvérsias. Não obstante essa regra que tento seguir, não posso me calar ante esse fato. Já deixei passar algumas horas até que a minha revolta se acalmasse, para que, no seu lugar, pudesse me expressar com clareza e me reportar às Escrituras como regra. Pois, em meio ao transtorno, ninguém se contém e acaba por pecar pelo excesso. Isso não quer dizer que me sinta menos convicto sobre o que tenho a dizer, mas quero realmente trazer uma perspectiva lúcida.

Comecemos pelo que constitui o direito autoral e o porquê da sua existência. Seria justo que alguém lucrasse pelo trabalho, a inspiração e a arte de outro sem que o autor da obra participasse dos lucros? Certamente que não. Cada emissora de rádio, show ou outro tipo de empreendimento com fins lucrativos deve prestar a devida parcela do seu lucro a quem ajudou a produzir essa arte.

Por outro lado, a Igreja é um empreendimento com fins lucrativos? Não – segundo a definição do próprio Estado brasileiro. Ela goza de certos privilégios, na compreensão de que a sua atividade é religiosa, devota e piedosa e, sendo assim, sem fins lucrativos. Que muitos “lucram” em nome da Igreja ninguém duvida. Mas, em termos estritamente definidos pela legislação, não é um empreendimento que tenha como finalidade o lucro.

Louvar a Deus é uma atividade que gera rentabilidade? Também não. Quando cantamos ao Senhor, estamos nos expressando a Deus em sacrifício santo e agradável a Ele (se bem que não caem nesta categoria muitas das músicas que doravante serão objeto de taxação, por decreto-lei). Mas, para manter o fio da meada desta reflexão, suponhamos que as músicas adocicadas, sem fundamento em qualquer real princípio cristão, emotivas e, em alguns casos, passionais (para não dizer sensuais) sejam realmente louvor (algo que tenho tentado ensinar a nossa denominação que não são).  Cantar essas músicas traz lucro para a igreja? A resposta é não. A igreja não lucra. Não há um centavo a mais caindo nas salvas porque cantamos uma música de uma dessas cantoras gospel da moda em vez de Castelo Forte. É possível fazer um culto fundamentado apenas nas músicas riquíssimas do Cantor Cristão e da Harpa Cristã (para não falar nos Vencedores por Cristo, cuja maioria das canções não recai sobre este novo decreto-lei).

Esses cantores e essas cantoras têm o apoio de empresários da fé. Homens que também lucram absurdamente às custas da boa-fé de pessoas a quem prometem uma vida de lucro pelo seu envolvimento. Não me surpreende ver a lista de “notáveis” que apoiam essa iniciativa.

Agora, esses cantores que se venderam para emissoras de televisão, que ganham fortunas nas suas turnês “gospel” e pela venda de incontáveis CDs e DVDs, não estão satisfeitos. Querem mais. Querem “enterrar os ossos”. Tornaram-se mercadores da fé, e com essa última cartada, suas máscaras caem por terra. Que máscaras? As que fazem com que acreditemos que eles realmente creem que o culto é para Deus somente. Para eles, a igreja não passa de fonte de lucro. A igreja não passa de um negócio. Sim, porque, por essa ação, afirmam não acreditar que a igreja seja uma assembleia de sacrifício. Para eles, a igreja é uma máquina de dinheiro. Sua eclesiologia é clara. Suas lágrimas de comoção são teatro. Seus gestos de mãos erguidas não passam de encenação.

A despeito do meu repúdio por esse grupo de músicos “cristãos”, fico grato a eles por uma razão. Tenho tentado ensinar a denominação que lidero a ser mais criteriosa na escolha das músicas cantadas nos cultos. Por força da popularidade desses “superastros do louvor” a pressão da juventude e dos músicos da igreja tem sido quase insuportável. Então cantam as músicas sem devocionalidade real deles e delas para o enlevo de pessoas que nem precisavam confessar Jesus para cantá-las com comoção. Graças ao mercantilismo dos tais, vou emitir uma circular para as nossas igrejas em que instruirei todas a pagar os direitos autorais devidos caso queiram insistir em usar as referidas músicas da moda em seus cultos.

Os que não querem fazer parte desse mercado de rapina receberão uma lista compreensiva de músicas que continuam sendo de domínio público, inclusive as que compus e pelas quais nunca recebi nem quero receber um centavo. Graças a Deus, são os bons e velhos hinos que têm conteúdo e substância, confissão e verdadeiro testemunho do Evangelho. Há centenas de hinos antigos que vamos tirar das prateleiras e redescobrir. Podemos aprendê-los e retrabalhá-los para torná-los atuais aos nossos dias, com arranjos interessantes. Músicas escritas por santos e não por crianças. Músicas escritas para a glória de Deus e não para lucro sórdido. Sim, falei sórdido. Pois os atuais já lucraram com o que é legítimo. Agora vão atrás do resto. É um gospel de rapina. Sinto-me na necessidade de tomar um banho, pois essa história me forçou a passear pelo lamaçal onde esses chafurdam para encher a própria barriga – que é o seu deus, afinal.

Que bom que já me acalmei, pois realmente tinha vontade de dizer muito mais.

Na paz,
+W

Fonte: Site do autor

Nota: No site do Bispo Walter, na parte de comentários desse artigo, há uma réplica do CCLI, bem como uma tréplica feita pelo autor do artigo, veja aqui!

Veja a lista de "artistas" que aderiram ao CCLI aqui! 
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Carta Aberta aos Grupos de Louvor



Por James K.A. Smith

Querido Grupo de Louvor,

Eu aprecio muito a sua disponibilidade e desejo de oferecer seus dons a Deus em adoração. Aprecio sua devoção e celebro sua fidelidade — arrastando-se para a igreja cedo, domingo após domingo, separando tempo para ensaiar durante a semana, aprendendo e escrevendo novas canções, e tantas coisas mais. Assim como aqueles artistas e artesãos que Deus usou para criar o tabernáculo (Êxodo 36), vocês são dispostos a dispor seus dons artísticos a serviço do Deus Triuno.

Portanto, por favor, recebam esta pequena carta no espírito que ela carrega: como um encorajamento a refletir sobre a prática de “conduzir a adoração”. A mim parece que vocês frequentemente simplesmente optaram por uma prática sem serem encorajados a refletir em sua lógica, sua “razão de ser”. Em outras palavras, a mim parece que vocês são frequentemente recrutados a “conduzir a adoração” sem muita oportunidade de parar e refletir na natureza da “adoração” e o que significaria “conduzir”.

Especificamente, minha preocupação é que nós, a igreja, tenhamos involuntariamente encorajado vocês a simplesmente importar práticas musicais para a adoração cristã que — ainda que elas possam ser apropriadas em outro lugar — sejam prejudiciais à adoração congregacional. Mais enfaticamente, usando a linguagem que eu empreguei primeiramente em Desiring the Kingdom¹, às vezes me preocupo de que tenhamos involuntariamente encorajado vocês a importar certas formas de execução que são, efetivamente, “liturgias seculares” e não apenas “métodos” neutros. Sem perceber, as práticas dominantes de execução nos treinam a relacionar com a música (e os músicos) de certa maneira: como algo para o nosso prazer, como entretenimento, como uma experiência predominantemente passiva. A função e o objetivo da música nestas “liturgias seculares” é bem diferente da função e o objetivo da música na adoração cristã.

Então deixe-me oferecer apenas alguns breves conceitos com a esperança de encorajar uma nova reflexão na prática da “condução da adoração”:

1. Se nós, a congregação, não conseguimos ouvir a nós mesmos, não é adoração. A adoração cristã não é um concerto. Em um concerto (uma particular “forma de execução”), nós frequentemente esperamos ser sobrepujados pelo som, particularmente em certos estilos de música. Em um concerto, nós acabamos esperando aquele estranho tipo de privação dos sentidos que acontece com a sobrecarga sensorial, quando o golpe do grave em nosso peito e o fluir da música sobre a multidão nos deixa com a sensação de uma certa vertigem auditiva. E não há nada de errado com concertos! Só que a adoração cristã não é um concerto. A adoração cristã é uma prática coletiva, pública e congregacional — e o som e a harmonia reunidos de uma congregação cantando em uníssono é essencial à prática da adoração. É uma maneira “desempenhar” a realidade de que, em Cristo, nós somos um corpo. Mas isso requer que nós na verdade sejamos capazes de ouvir a nós mesmos, e ouvir nossas irmãs e irmãos cantando ao nosso lado. Quando o som ampliado do grupo de louvor sobrepuja às vozes congregacionais, não podemos ouvir a nós mesmos cantando — então perdemos aquele aspecto de comunhão da congregação e somos encorajados a efetivamente nos tornarmos adoradores “privados” e passivos.

2. Se nós, a congregação, não podemos cantar juntos, não é adoração. Em outras formas de execução musical, os músicos e as bandas irão querer improvisar e “serem criativos”, oferecendo novas execuções e exibindo sua virtuosidade com todo tipo de diferentes trills e pausas e improvisações na melodia recebida. Novamente, isso pode ser um aspecto prazeroso de um concerto, mas na adoração cristã isso significa apenas que nós, a congregação, não conseguimos cantar junto. Então sua virtuosidade desperta nossa passividade; sua criatividade simplesmente encoraja nosso silêncio. E enquanto vocês possam estar adorando com sua criatividade, a mesma criatividade na verdade desliga a canção congregacional.

3. Se vocês, o grupo de louvor, são o centro da atenção, não é adoração. Eu sei que geralmente não é sua culpa que os tenhamos colocado na frente da igreja. E eu sei que vocês querem modelar a adoração para que nós imitemos. Mas por termos encorajado vocês a basicamente importar formas de execução do local do concerto para o santuário, podemos não perceber que também involuntariamente encorajamos a sensação de que vocês são o centro das atenções. E quando sua performance se torna uma exibição de sua virtuosidade — mesmo com as melhores das intenções — é difícil opor-se à tentação de fazer do grupo de louvor o foco de nossa atenção. Quando o grupo de louvor executa longos riffs, ainda que sua intenção seja “ofertá-los a Deus”, nós na congregação nos tornamos completamente passivos, e por termos adotado o hábito de relacionar a música com os Grammys e o local de concerto, nós involuntariamente fazemos de vocês o centro das atenções. Me pergunto se há alguma ligação intencional na localização (ao lado? conduzir de trás?) e na execução que possa nos ajudar a opor-nos contra estes hábitos que trazemos conosco para a adoração.

Por favor, considerem estes pontos com atenção e reconheçam o que eu não estou dizendo. Este não é apenas algum apelo pela adoração “tradicional” e uma crítica à adoração “contemporânea”. Não pense que isto é uma defesa aos órgãos de tubos e uma crítica às guitarras e baterias (ou banjos e bandolins). Minha preocupação não é com o estilo, mas com a forma: O que estamos tentando fazer quando “conduzimos a adoração?” Se temos a intenção que a adoração seja uma prática congregacional de comunhão que nos traz a um encontro dialógico com o Deus vivo — em que a adoração não seja meramente expressiva, mas também formativa² — então podemos fazer isso com violoncelos, guitarras, órgãos de tubos ou tambores africanos.

Muito, muito mais poderia ser dito. Mas deixe-me parar por aqui, e por favor receba esta carta como o encorajamento que ela foi feita para ser. Eu adoraria vê-los continuar a oferecer seus dons artísticos ao Deus Triuno que está nos ensinando uma nova canção.

Sinceramente,

Jamie

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Notas:

¹ Desiring the Kingdom – Worship, Worldview, and Cultural Formation (Desejando o Reino – Adoração, Cosmovisão e Formação Cultural) [N. do T.]
² De acordo com o The Colossian Forum, a despeito de a adoração ser encarada hoje em dia apenas como algo que se vai em direção a Deus (expressão), ao longo da história ela sempre foi encarada também como a causadora de algo em nós (formação). “A adoração cristã é também uma prática formativa justamente porque a adoração também é um encontro ‘descendente’ no qual Deus é o atuante primário” (Fonte: http://www.colossianforum.org/2011/11/09/glossary-worship-expression-and-formation/). [N. do T.]

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Auto Retrato da música cristã brasileira - por João Alexandre


Por Antognoni Misael

A Mackenzie TV Digital passou a apresentar recentemente o programa Auto Retrato da Música Cristã Brasileira.Pra quem gosta de música boa e inteligente, deixo a dica para apreciação e conhecimento sobre nossas origens musicais verdadeiramente cristãs.

Neste vídeo, temos como personagem do auto retrato o cantor e compositor João Alexandre. Quiçá, um dos mais relevantes formadores de opinião da música cristã atual, gente que pensa, se posiciona e busca lidar com a música de forma madura, sem mitos e cismas e o mais importante, com excelência. Confira:


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A maquininha do cartão e a generosidade de Stênio Március

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Por Antognoni Misael

 Ano passado editei parte da declaração do cantor Stênio Marcius que dizia: “Jamais a venda de CDs será prioridade. Não quero nada, fama, elogios, reconhecimento, estou bem satisfeito com a salvação. Quero + de Cristo!” Mais surpreendido fiquei quando tive uma experiência real com o querido Stênio e sua esposa, Selma – que pode parecer simples, porém foi fantástica.
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Durante alguns dias pude ser grandemente abençoado com a presença do querido e suas canções no evento do Encontro para a Consciência Cristã na cidade de Campina Grande-PB. Canções como O Tapeceiro, É n’Ele, Alguém como eu, dentre tantas cantadas naquele tabernáculo com mais de 6 mil pessoas, me fizeram imaginar uma sinfonia de louvor sendo entoada na eternidade para a glória de Deus. Há tempos que eu almejava ver a igreja do Senhor O adorando com canções de graça, sem mantra, pula-pula, frases desconexas, rimas pobres, etc., onde a arte, a glória e a honra são oferecidas ao maior artista, o Rei do Universo.
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O fato mais relevante ocorreu quando me dirigir ao standard dos CD’s do Stênio Marcius para adquirir o seu mais novo álbum A Beleza do Rei. Ao me dar conta de que estava sem dinheiro em espécie e acreditando que os queridos usavam a tão prática maquininha do Cielo para cartões de crédito e débito, perguntei a Selma se vendiam em débito automático. Ela me falou que infelizmente não tinham a maquininha. No mesmo instante, ao informar que iria realizar o saque num caixa eletrônico mais próximo e em seguida retornar para a compra fui interceptado por ela que disse: – “leve o CD, e quando puder deposite o valor em nossa conta indicada no encarte do disco”! No momento não aceitei, visto que nunca tinha feito uma compra de CD assim; embora não pondo em jogo a minha honestidade, mostrei que reprovei essa transação haja vista não ser conveniente pra quem vende: “- estamos no Brasil, e isso não é legal”, falei em tom de riso.
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Selma insistiu. Me constrangeu ao dizer que levasse pois sempre faz isso quando as pessoas estão sem o dinheiro na hora, e que Deus nunca lhes deixou faltar as despesas investidas nas prensagens dos discos. “- Não é você nem as pessoas que compram nossos discos que nos sustentam, mas Deus! Leve o CD, seja abençoado, e quando puder nos abençoe”, foi mais ou menos isso que ouvi. Contudo, diante dessa situação resolvi ficar com o disco “A Beleza do Rei” e constrangido com a alegria, fé e energia dela, fiquei por ali a observá-la fazer o mesmo com alguns irmãos que por lá passavam crendo que iam compra o CD via maquininha.
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Pouco tempo depois chega Stênio, super simpático, atencioso, gente de Deus. Pessoal, naquela oportunidade pude conversar um pouco e conhecer de perto alguém que não tem nada de astro, mas é gente simples, humilde, cheia de graça, e que vive literalmente na dependência de Deus. Alguém que de fato não tem pretensão de fama, riqueza, dinheiro, e sucesso na mídia, como bem frisou ele outrora, “estou satisfeito com a salvação”. Que possamos aprender com tal exemplo.
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Enquanto os astros de “Gezui$” cobram altos ingressos em prol de show’s onde o dito cujo entra pelos fundos e no fim foge pela culatra cumprindo o seu contrato profissional (ou até mesmo com medo do assédio de muitos “gospelmaníacos”), tem gente fazendo a obra de forma séria e abençoando a igreja do Senhor com simplicidade e excelência. Nos dias de hoje, falando-se de música cristã, as diferenças são claras. Quem tem olhos, veja!
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Fonte: [ Púlpito Cristão
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Uma "Palavrantiga" aos novos adoradores

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Por: Leonardo Bruno Galdino

Eu que pensei que a música cristã não tinha mais solução, haja vista que o rótulo de “gospel” se incrustou em sua pele, me alegro em ver que meus presságios não se confirmaram. Recebi de bom grado a sugestão de alguns amigos que, algum tempo, me recomendaram o som feito pelos caras do Palavrantiga. De fato, a banda é muito boa!

O som deles não é apenas para quem está farto das “chuvas” que frequentemente estão caindo no cenário musical gospel, mas principalmente para aqueles que querem realmente enxergar algo de sóbrio na cultura cristã bíblica e histórica. É bem verdade que Calvino provavelmente estranharia a guitarra estridente (do bom e velho rock n’ roll, diga-se de passagem) do Josias Alexandre, mas fica a sugestão. Recomendo a todos!

Soli Deo Gloria!

Autor: Leonardo Bruno Galdino
Fonte: [ Optica Reformata ]

Grata surpresa em conhecer esta banda através da dica do irmão Leonardo. Realmente os caras são bons, meus ouvidos agradecem Leo. Vale a pena!

RM
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E lá se vai mais um dia...

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Por Leonardo Gonçalves

Inegáveis são os talentos que Deus deu aos homens, e não há doutrina de Depravação Total, por mais puritana que consiga ser, que possa o axioma de uma graça comum da qual toda a humanidade participa.

Esta é a graça que nos faz despertar e dormir, que nos dá a variedade das estações e dos aromas, e sabores apreciáveis ao paladar. Uma porção do amor de Deus que se derrama no fascinante ocaso à beira-mar, mas que também está presente na água fresca de uma moringa ou num café feito na hora. Esta graça se esconde nas estrelas, e as vezes surge na forma de um sorriso de quem nos quer bem. Ela compõe versos, escreve prosa, e transborda os corações de alegria. Em um mundo tão conturbado e perdido, essa graça nos permite seguir vivendo e sonhando, à despeito desilusões e das piores circunstâncias.

Sou admirador da boa arte musical – que para mim é a máxima expressão dessa graça comum – e quando a encontro sinto o aflorar de doces sentimentos. Nada arrebatador, confesso, mas sinto fluir uma brisa suave que comove o peito e muitas vezes transborda em lágrimas plácidas de gratidão.

Assim transito, entre minhas crenças ortodoxas, certezas monérgicas e uma fé supralapsariana, e o apetite insaciável pela musicalidade “bastarda”, deslumbrando-me a cada verso de “Só você”, do poeta Lenine, ou com a fantástica musicalidade do Clube da Esquina. Ao final de cada execução, me pego agradecendo a Deus pela sua bondade, que em meio a tanto gospel estigmatizado encomendado pelas “Emekás” da vida, me permite deleitar os ouvidos santos com boa e velha musica “profana”.

Louvado seja Deus pela graça comum!

Fonte: [ Púlpito Cristão ]
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Música de qualidade [29]





Autor: Gladir Cabral
Música: Alguma Esperança
Ao vivo para o Programa Plataforma

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Cristo VIVE!

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Autor: Leonardo Gonçalves
Música: Ele vive!
Ao vivo no Bless Burger - Talbaté-SP
Via: [ Pensar e Orar ]

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Sobre todas as coisas. Uma maravilhosa interpretação de Maria Rita

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Por Renato Vargens

Deus estabeleceu como ordem a graça comum. E que esta é a fonte de toda, cultura, e virtude comum que encontramos entre os homens. Em outras palavras isto significa que Deus em sua infinita graça fez com que o sol nascesse sobre o justo e o injusto, e mandasse chuva sobre o bom e o mau. Entre as bênçãos mais comuns que devem ser atribuídas a esta fonte, podemos enumerar a saúde, a prosperidade material, a inteligência em geral, os talentos para a arte, música, oratória, literatura, arquitetura, comércio, invenções e etc.

A luz desta afirmação assistam por favor este maravilhoso vídeo interpretado por Maria Rita:



Caro leitor, isto posto, eu louvo a Deus pela Graça comum! Meu amigo, não consigo ver deteminadas menifestações musicais ou culturais como satânicas ou malignas, antes pelo contrário, a multiforme manifestação cultural no ser humano, aponta diretamente para um Deus generoso que é absolutamente apaixonado pela arte, música e cultura.

Louvado seja o Senhor pela graça comum!

Fonte: [ Blog do autor ]
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É nEle, somente nEle!




Música de Stênio Marcius.

Canções assim traz cura para o coração em meio aos caos e a correria da vida.

Somente em Jesus podemos descansar e esperar!

Segue abaixo a letra:

É nEle que nos movemos
Vivemos e existimos
É nEle, é nEle
Se amo, falo, choro ou canto
É nEle que tudo acontece
É nEle, é nEle
Batidas do meu coração
Dependem desse Maestro
E até o ar que eu respiro
É Ele mesmo quem me dá
Em volta da mesa com os meus
Celebro com vinho a vida
É Ele quem dá gosto a tudo
Com Ele a alegria sempre está

É nEle que eu descanso
Pois sei em Quem tenho crido
É nEle, é nEle
Fui salvo por Sua Graça
Eu trago comigo esta glória
É nEle, é nEle

Arrasto por onde vou
Correntes de amor eterno
E grito ao universo inteiro
Quem dEle vai me separar?
Silêncio na terra e no mar
Silêncio nos mundos distantes
Pois nada me arranca dos braços
D'Aquele que me amou primeiro

Letra disponível no blog do Stênio Marcius
Paz seja convosco!

André Santos
Fonte: [ Blog do autor ]
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Os mercadores da música gospel

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Por Renato Vargens

Robson Fernandes relata uma triste experiência que teve ao tentar marcar um evento com uma cantora gospel famosa aqual reproduzo abaixo:

"Durante essa semana tivemos a oportunidade de entrarmos em contato com determinada agência de promoções e eventos para sabermos as condições necessárias para se realizar um evento com certa “cantora” gospel e sua banda. É necessário obtermos essas informações para que possamos estar a par da real e atual situação no denominado “mundo gospel”, que encontra-se recheado de estrelismos e fanatismos, abusos e concessões, descaracterização do evangelho genuinamente bíblico e aceitação de modismos. A comentada “cantora” apresenta entre as muitas exigências para se “louvar a Deus” em um evento evangélico, um carro novo com ar condicionado exclusivo para ela e seu marido, com motorista particular. Exige, ainda, passagem aérea para 14 pessoas unicamente pela empresa TAM. Exige, ainda, duas vans: uma com 16 lugares para o transporte de sua equipe e outra para os equipamentos. Exige, ainda, que a hospedagem seja realizada em um hotel com categoria máxima, e um quarto diferenciado para a “cantora” e seu marido. Exige, ainda, que não fará refeições no hotel, mas em um restaurante que disponibilize o seu café da manhã, almoço, jantar e lanche da tarde. Exige, ainda, que sejam utilizados o equipamento de show e mapa de palco de acordo com o que a “cantora” estipular. Como se todas essas exigências não bastassem, a cantora cobra pela “apresentação” o valor de R$ 25.000,00. Isso mesmo, vinte e cinco mil reais por cerca de uma hora a uma hora e meia de “show”. E mais, exige que nenhuma gravação em áudio, vídeo ou qualquer outro meio seja realizado, seja parcial ou integral do seu “show”. Agora, eu me pego a pensar: onde está Jesus nessa história toda? Jesus nos dá a salvação como um presente, mas uma cantora cobra R$ 25.000,00 para dar uma hora de música.

Pois é, o número de cantores evangélicos cobrando nababescos cachês é um verdadeiro absurdo! Infelizmente essa coisa chamada gospel virou febre neste tupiniquim país! A conseqüência disso é que em nome da espiritualidade a fé bíblica-cristã tem sido comercializada de modo escandaloso. Em nome de Deus, a música e a adoração, passaram a ser vendidas como um produto qualquer em nossos templos. Cantores, cantoras em nome do ministério, estipulam valores altíssimos, para adorar aquele que é digno de todo louvor.

Isso me faz lembrar do episódio em que Jesus entra no templo com azorrague nas mãos derramando o dinheiro dos cambistas no chão. “E encontrou no templo os que vendiam bois, ovelhas e pombas e também os cambistas assentados; tendo feito um azorrague de cordas, expulsou a todos do templo, bem como as ovelhas e os bois, derramou pelo chão o dinheiro dos cambistas, virou as mesas, e disse aos que vendiam as pombas: tirai daqui estas coisas, não façais da casa de meu Pai casa de negócio." Jo 2:14-16

No texto em questão a Bíblia nos mostra um Jesus indignado, isto porque, os valores da casa de Deus estavam absolutamente deteriorados. Vendia-se tudo que se era possível para o sacrifício. Na verdade eles estavam muito mais preocupados com o lucro do que com o sacrifício em si. Repare que Jesus repreendeu os que vendiam as pombas (vs 16), isto se deve ao fato das pombas ser geralmente oferecidas como sacrifício pelos mais pobres. Jesus aqui combate também a espoliação dos menos favorecidos pela sociedade. Sim, combate o enriquecimento de alguns em detrimento da religiosidade de outros. O Interessante é que ele joga o dinheiro no chão. Isto nos leva a entender de que o lugar que dinheiro deve estar é bem longe da cabeça e do coração. Dinheiro tem que estar no chão! Debaixo dos nossos pés, submetido inteiramente a Deus.

Caro leitor, por favor, pare, pense e responda: Qual a diferença dos chamados artistas gospel para os artistas seculares? Ambos não cobram cachês? Qual a diferença das músicas cantadas? Ambas não são para entretenimento do ouvinte? Qual a diferença entre seus fãs clubes? Ambos não adoram seus ídolos? E quanto as suas canções? Não são ambas antropocêntricas? Ora, vamos combinar uma coisa? Esta historia de artista gospel é uma verdadeira vergonha. Afirmar que seus shows fazem parte de um ministério cristão é no mínimo afrontar o conceito bíblico de serviço.

Isto posto, repudio veementemente os que em nome Deus se locupletam da fé publica cobrando valores imorais por seus shows e apresentações.

"Ao contrário de muitos, não negociamos a Palavra de Deus visando lucro; antes, em Cristo falamos diante de Deus com sinceridade, como homens enviados por Deus." (II Coríntios 2. 17)

Renato Vargens
Fonte: [ Blog do autor ]

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A graça da garça - A arte de viver em meio a lama sem sujar as vestes

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Descoberto a partir da dica de Lindembergh Ferreira
Fonte: [ 5 solas ]
Via: [ Púlpito Cristão ]


Segue a letra do rap:


A graça da garça.
A arte de viver em meio a lama sem sujar as vestes.

A paz do Senhor, agradeço pela rica oportunidade pois o momento é oportuno pra que alguém fale a verdade.

O Espírito Santo toma o meu ser e guia a ponta da pena, eu já começo a receber a luz do grande Estratagema.

Entrego todo o meu ser e toda minha premissa, então começa a nascer fome e sede de justiça.

Crescemos acreditando em alguns personagens dos púlpitos, mas descobrimos que alguns da liga da justiça eram corruptos, mas ai de nós que temos espírito de ousadia, no mínimo dirão que é espírito de rebeldia.

Deus tem o Espírito Santo, o Diabo espírito imundo, os homens criaram espírito de rebeldia pra manter nosso espírito mudo.

shhh, calado! Nem pense em fazer cara feia.

É melhor não discordar se quiser participar da ceia.

Eu vim pra fazer graça, mas não sorria porque é sério, foi fazendo essa mesma graça que morreu Martin Lutero.

Nossos teólogos respondem perguntas que ninguém fez, nossos representantes são servos submissos da altivez, eu prefiro seguir ao Mestre que nos ensinou a lição: "Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração".

E os programas de TV que eram pra pregar salvação estão fazendo propaganda de igreja e divulgação de livros e revistas, cds e dvds e transformando o servo humilde em um fantoche em seus porquês.

Cadê a pregação da cruz? pegaram emprestado como emblema o nome do nosso Senhor Jesus, mas quando forem aplaudidos pensando que se deram bem... não se esqueça que Deus não divide sua glória com ninguém.

A graça da garça.
A arte de viver em meio a lama sem sujar as vestes.

Num país onde nosso futuro dorme em baixo de viadutos com
frio, febre e fome, infelizes mentes de adultos,

os nossos profetas diriam: "Eis que também não vivem na luz"

E eu te pergunto no evangelho o que diria Jesus?

O Filho do homem não tem lugar pra reclinar a cabeça,
alguém me explique este evangelho antes que eu enlouqueça!

Qual evangelho está certo? O de Jesus ou o da igreja?
Me explique irmão! Porque esta expressão de surpresa?

Vejo que não é o mesmo evangelho, conquanto,
nos ensinam a chamar nossas culpas de Espírito Santo.


Porque as mulheres que por Jesus foram perdoadas
hoje por nós são vitimadas, julgadas e apedrejadas?

Por que o confesso é excluído? Por que o possesso é incluído?
Por que os que foram injustiçados sempre fecham comigo?
Por que os que cobrem seus pecados são chamados de amigo
enquanto o confesso que pede perdão é humilhado e banido?


Eles bradam arrependei-vos sem arrependimento,
depois que conheceram as riquezas já não pregam o arrebatamento.

Não acho ruim ter mansão, nem carro nem condição,
nem lancha, nem ter dinheiro, nem jato nem avião.

Só digo uma coisa meu irmão, melhor prestar atenção:
"onde estiver seu tesouro estará também o coração."

Os nossos levitas fazem show, sua fama é um mundo ilusório,
já não existe adorador, só animador de auditório.

Viram? Eles já não levam mais a arca da aliança
porque são carregados por um bando de seguranças.

Deus vê todas as coisas, nada lhe é oculto nas cidades,
mas ainda procura quem o adore em espírito e em verdade.

E a nossa fé a cada dia vai descendo ao declive,
Deus destruiu Sodoma e Gomorra mas o seu espírito ainda vive:

Quem não tem carro e dinheiro tem encosto,
quem tem bens, ações e milhões paga o imposto,
me diga, esse é o evangelho por Jesus Cristo proposto?

Porque o antigo brilho no olhar já não está no seu rosto?
Eles bradam como João Batista e são mestres,
mas ninguém fica no deserto comendo gafanhoto e mel silvestre.

Terno de microfibra, sapato italiano modelo,
mas ninguém quer ficar no sol vestindo pele se camelo.

Numa coisa eles imitam a João Batista, reconheça,
receberam a missão de acabar perdendo a cabeça.

Loucos! E se hoje te pedirem a tua alma?
Louco! Pra que te servirá todas as palmas?
Louco! Se a selva de concreto se tornou tua mansão
não se esqueça que nela Deus soltou seu filho o Leão.

A graça da garça.
A arte de viver em meio á lama sem sujar as vestes.

Mas quem tem fome e sede de justiça farto será!
Eles falam em línguas estranhas o que eu faço é interpretar.
Ela desce a minha face, as vezes mais quente que o magma,
eu interpreto língua estranha por que Deus interpretou minhas lágrimas.

Arrependa-se, não viva mais uma vida de farsa,
não deixe Satanás sorrir do que você chama de graça.

Nós não precisamos de saquinho de sal pra apaziguar nossa guerra,
nós somos a luz do mundo, nós somos o sal da terra!

Nós não precisamos de pedrinha de Israel
porque temos a pedra de esquina chamada Deus Emanuel!

Eu não quero pão de Jerusalém, nem mesmo água ungida,
Já bebi águas vivas, já comi o pão da vida!

Eu não creio em oração poderosa, dela eu tenho aversão,
Eu creio num Deus poderoso que ouve a minha oração!

Eu pensei que eles não me aceitavam por causa do ritmo,
mas agora sei que não me aceitam porque eu prego o evangelho legítimo.

Mas como foi escrito nos tempos remotos da antiguidade:
Que eles rangeriam os dentes ao ouvir a verdade.

Enfim no grande dia em que Deus mostrar seu poder,
verá que o evangelho fez graça, mas nunca brincou com você!

A graça da garça.
A arte de viver em meio a lama sem sujar as vestes.
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Músicas de qualidade [28] - Tiago Vianna

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Música: E quem não quer
Autor:
Tiago Vianna
Fonte: [ Plataforma ]

João Alexandre - Não é Proibido Escutar

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Um divertido bate-papo com João Alexandre, um dos maiores nomes da música cristã Brasileira. Gravado diretamente do 3º Nossa Música Brasileira.

Download Alta
Download Baixa


Fonte: Jv na Estrada
Via: [ Emeurgência ]
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Sou edificado ouvindo MPB

Atualizado em: 14/set/09

Estava conversando na reunião do clamor com meu amigo Guilherme e falando de diversos assuntos ele soltou uma pérola! Me disse o seguinte: “Márcio, porque você não escrever sobre o tema, sou edificado com MPB?” Achei simplesmente genial e aqui estamos nós!

Mas vamos o assunto. É fato que pouca coisa sobra na música evangélica pra se ouvir hoje em dia. Por conta disso, meu rádio não sai da MPB FM. Quando ouço pessoas como Lenine, Chico Buarque, Gil, Toquinho, Ivan Lins, vejo que Deus dotou gente de diferentes talentos para nos brindar com boa música. Sinceramente, quando ouço certas canções, me sinto edificado, mais perto de Deus.

É o caso de “Se eu quiser falar com Deus” de Gilberto Gil, Que diz o seguinte:

“Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz
Tenho que encontrar a paz”


É o caso de
“Aquarela” do Toquinho:

“E o futuro é uma astronave
Que tentamos pilotar
Não tem tempo, nem piedade
Nem tem hora de chegar
Sem pedir licença
Muda a nossa vida
E depois convida
A rir ou chorar...”


É o caso de
“Quem é o menino” de Ivan Lins:

“Quem é o menino a repousar nos braços de Maria?
A quem os anjos vêm cantar seus hinos de alegria?
Ele é Jesus, o Rei, a quem os anjos vêm cantar.
Honra e louvor trazei ao Filho de Maria!”


Eu poderia
ficar aqui horas e mais horas escrevendo e citando trechos geniais de músicas compostas por artistas seculares, mas acho que pra bom entendedor, meia palavra basta. Ouçam aquilo que é bom, que não traz peso pro seu coração, lembrando que música não se converte, ou é música boa, ou é música ruim. Eu fico com as boas!

E no mais, tudo na mais santa paz!

Autor: Márcio de Souza
Fonte: [ Blog do autor ]


Excelente colocação Márcio. Eu também sou edificado - e muito - escutando MPB. Louvado seja Deus pela música Brasileira de qualidade!

Para saber mais sobre este assunto, recomendo a leitura dos seguintes artigos:

Eu ouço música do mundo.
No ritmo de zoroastro

RM
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Flash Back: A música Cristã nos Anos 80 e 90

Por: Mauro Guerra

No ano em que o mundo celebra os 40 anos da interminável geração de Woodstock, fizemos uma retrospectiva das últimas 2 décadas da música cristã brasileira (ops! desculpe, gospel)

É verdade que durante os anos 80 houve uma grande explosão musical que influenciaria e marcaria as gerações até os dias de hoje... de Michael Jackson, Bruce Springsteen, Toto Band, Aha e tantos outros nomes (Madonna, Cindy Lauper...) no Brasil, Legião Urbana, Kid Abelha, Barão Vermelho e Cazuza por assim vai.

Nessa época, a musica Evangelica ainda chamada de música de crente, no Brasil passou por significantes mudanças muito bem vindas e necessárias. O comportamento social da igreja tambem passou por mudancas profundas o que permitiu uma abertura mais ampla da mensagem transmitida. (independentemente do que se desejava pregar através das mesmas) mas o que fato é de que naquela época, as igrejas (na sua maiorias as pentecostais) usavam ainda hinos e corinhos, simples e fáceis de cantar, que foram introduzidos pelas cruzadas evangelisticas vindas da America do Norte nas décadas de 50 e 60. A fabricação dos Lps era praticamente artesanal e não haviam muitas gravadoras especializadas no seguimento “gospel” que ainda estava por vir.

Quem não se lembra daqueles Lps “bregas” com a "cara" do cantor estampado na capa? Jair Pires, Andreia Fontes (que era o sucesso da igrejas pentecostais com seu “Joao Viu”), Shirley Carvalhais – que vivia correndo do Faraó! Irmãs andorinhas e passarinhas e infindáveis quartetos regionais com o nome Arautos do Rei do príncipe ou embaixadores de Cristo. Tudo muito simples!

A música cristã ainda vivia fora do chamado mercado consumidor e ser cantor, muitas vezes, não requeria mais do que ter um testemunho muito forte e um “louvor” muito forte, o pensamento da igreja ainda era outro, muitas denominações ainda usavam o forte hábito de “botar fogo no diabo” e chamar “pelo anjo com a espada de fogo” transformando (alguns cultos de algumas igrejas) num próprio Cirque du Soleil!

Na decada de 80 na California, a Chapel Calvary Church introduziu um segmento de Cds totalmente inovador chamado “Praise and Worship” (louvor e adoração) com o selo que viraria a se tornar Vineyard Music, aonde comecou-se a padronizar os louvores de forma que as canções tornaram-se uma mistura de coral, com bandas e música ao quase-vivo, de uma forma mais simples. Essa nova empreitada foi quem finalizou com um famoso movimento de cristãos que desde os fim dos anos 60 lutaram e relutaram contra o movimento Hippie na california, criando a Jesus Music, para atrair jovens (esse mesmo movimento criou o slogan Jesus Freak).

Já no Brasil a música cristã ainda era vista apenas como “primeira parte” do culto, sem muita influência na igreja, houveram muitos grupos que lutaram vigorosamente para cantar mais de 3 músicas durante o culto e ainda havia pastores que nem durante o louvor ficavam: Subiam pregavam e pronto.

Mas houveram também, grandes pioneiros ainda nessa primeira fase das mudancas de comportamento da igreja em relação a música, o Brasil produziu grandes cantores ; Banda Logos, Rebanhao, (VCP) Vencedores por Cristo, Adhemar de Campos, Asaph Borba e Altos louvores e Joao Alexandre, somente para citar alguns. Ainda pouco influenciados pela música no exterior que ja havia consagrado Amy Grant, Ron Kenoly, a Serie Winds of Worship da Vineyard, Don Moen.

Já no inicio da década de 90 o mercado de música gospel se estabilizou e cresceu, MK publicitá toma conta do mercado brasileiro, Aline Barros passa a primeira nas paradas com Consagração (ela cantou até na Xuxa esse louvor) ela ainda era da Com. Vila da Penha , e a música torna-se gospel, outros como Marquinhos Gomes e Sergio Lopes são tambem referência. Aqui inicia-se a fase das gravações ao vivo, podemos colocar em prospectiva nacional a série que creio que foi a mais cantada nas igrejas brasileiras que foi “A Vigilia” com Marcos Goes, delas sairam: 'Os que confiam no Senhor', 'Autoridade e Poder', 'Maior e' o que esta em nos' e as Séries “Frutos do Espirito” do Daniel de Souza, os primeiros Cds da Renascer Praise – a inconfundível voz rouca da Bispa Sonia – com grandes ministrações e mensagens, divisão vocal incofundível no melhor estilo americano! Bandinhas moderninhas eram Novo Som, Resgate e Oficina G3!

Canções com influências internacionais já haviam chegado aos ouvidos dos cristãos brasileiros, a cancao de Rita Springer traduzida para o português como “ Grande e' o Senhor” e “Ele e' Exaltado” ambas cantadas por Adhemar de Campos, e as canções congregacionais como a PIB em Tridande Grava 'Deus é Maior' e a Comunidade Internacional da Zona Sul com 'Rompendo em fe', E assim (resumidamente) chegamos ao ano de 1997 quando Fernanda Brum é sucesso Gravando o CD Sonhos, que trazia ate uma faixa em CD-Rom (tempos modernos). Grandes gravadoras como Hosana Music/Integrity Music e Marcos Witt com a Canzion Produções!

Ainda no Exterior o Kirk Frankly deixa “The Family” para seguir carreira solo, e M. W Smith é o sucesso entre as irmazinhas, Ron Kenoly e Alvin Slaugther gravam no Congresso Hillsong de 1998 o Shout the Lord 2000 e no final de 1998 no cenário surge no nacional o Diante do Trono com traduções bem arranjadas da Hillsong, Maxwell W., Coreografias e, vejam só, uma irmã usando calça comprida!!! (se vc é novo convertido não deve lembrar da polêmica da calças e dessas dancas 'estranhas' no pultipo). Mas apartir daí já sabemos que o cenário da música nacional nunca mais seria o mesmo! Fosse para a pior - bandas magníficas e pastores-cantores-artistas-extravagantes ou para melhor - qualidade das gravações e maior variedade de ritmos e sons - mas é sempre bom lembrar de onde viemos, talvez assim possamos olhar para traz e tentar consertar o presente, para que no futuro possamos voltar a essência de tudo que a música crista (deveria) representar... Jesus somente Jesus!

Mauro Guerra - direto da Croácia, via e-mail
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A riqueza da língua portuguesa em contraposição à pobreza de algumas canções "evangélicas"

Nossa Língua Portuguesa é falada por aproximadamente 250 milhões de pessoas ao redor da Terra. É a quinta língua mais falada no mundo e a terceira mais falada do lado ocidental do globo.

Trata-se de um idioma riquíssimo. Tal riqueza até mesmo nos impossibilita de afirmar exatamente a quantidade de palavras existentes, embora se fale em algo em torno de 500.000. Essa variedade de vocábulos deve-se ao fato de que nosso vernáculo possui palavras cuja etimologia vem do grego, do latim, do árabe, dos dialetos indígenas e africanos, etc.

No entanto, a multidão de palavras que constitui a “Flor do Lácio” não se reflete em parte das composições evangélicas hoje em voga.

A mesmice que grassa (por falta da graça?) nos “hinos” cantados em nosso meio é sofrível.

Há algumas palavras-chave que, ao que nos parece, tem servido de inspiração ad nauseum pelos compositores “gospel”. Elencarei aqui algumas delas:

- chuva, chover;
- abundante;
- restitui, restituição;
- noiva;
- derrama, derramar;
- shekinah;
- incendeia, incendiar, fogo;
- apaixonado (s);
- vitória.

Tal qual verdadeiros mantras, versos são elaborados com as palavras supra e as mesmas 4 ou 5 frases são repetidas “ad eternum” pelos “levitas”.

Prováveis causas dessa mesmice:

- O pensamento de que “um-fez-e-deu-certo-deixa-eu-fazer-também-para-ver-se-cola”.

- A soma de melodias que grudam pela insistência + letras fáceis são a mistura perfeita para vender CD.

- É disso que o povo gosta: ser levado pela emoção, e não pela razão. E pensamentos batidos/frases de efeito cumprem bem esse papel.

- o real desconhecimento do vernáculo por parte dos compositores.

Mas também não vou generalizar. Há verdadeiros adoradores e há “adoradores”.

Na primeira categoria se enquadram aqueles que não aderem às letras da moda, e estão preocupados unicamente em adorar a Deus. Já os “adoradores”, seguem o esquema palavras chave + frases fáceis + melodias que grudam não tanto pela qualidade, mas pela repetição + um toque de emocionalismo = milhares de CD vendidos. E se não tiver canções novas para lançar o CD anual, o negócio é mandar um “ao vivo”. E se no ano que vem as novas composições ainda não estiverem prontas, é só lançar um “acústico”... Ou quem sabe um "remix"... Os fãs se agradam disso. (Mas... E Deus?)

Soli Deo Gloria!

Autor: Alessandro Cristian
Fonte: [ Blog do autor ]

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Músicas de qualidade[27]

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Stênio Marcius e Silvestre Kuhlmann
Música: Fim de tarde no portão

Ao vivo no Som do Céu 2009
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Eu ouço música do "mundo"

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[música+do+mundo.jpg]


Lembro que no início da minha caminhada cristã fui ensinado pelos meus discipuladores que toda música que não fosse evangélica vinha do diabo. Com isso tive que jogar fora todos os meus discos (na época não existiam CDs).

Com o passar do tempo e com a maturidade cristã, entendi a doutrina da graça comum. Em virtude desta compreensão, voltei a ouvir a boa música popular brasileira. Bom, antes que seja apedrejado pelos religiosos de plantão, é importante salientar de que Deus estabeleceu como ordem a graça comum. E que esta é a fonte de toda, cultura, e virtude comum que encontramos entre os homens. Em outras palavras isto significa que Deus em sua infinita graça fez com que o sol nascesse sobre o justo e o injusto, e mandasse chuva sobre o bom e o mau. Entre as bênçãos mais comuns que devem ser atribuídas a esta fonte, podemos enumerar a saúde, a prosperidade material, a inteligência em geral, os talentos para a arte, música, oratória, literatura, arquitetura, comércio, invenções e etc.

Talvez por ignorância, parte dos evangélicos em nome de Deus dicotomizaram a existência dualizando o mundo. Infelizmente fundamentados numa pseudo-espiritualidade, um número imensurável de cristãos tem ao longo dos anos avaliado como profano e imoral tudo aquilo que não brota dos arraiais evangélicos. Para estes, quem ouve musica do mundo ou vai ao teatro assistir uma peça, cede às tentações do diabo. Segundo esta perspectiva, a arte, a cultura e a música secular foram “divinamente satanizadas”.Como disse o pastor Marcio de Souza é absolutamente impossível negar a ação de Deus entre os homens ao ouvir clássicos da música como “One” do U2, ou "Miss Sarajevo" onde Luciano Pavarotti leva qualquer um às lágrimas com sua participação especial.

Eu particularmente sou tocado com a musicalidade de Elis, com o ritmo da bossa nova, com a voz de Maria Rita, com a brasilidade de Gonzaguinha, Com as letras de Renato Russo, com a inteligência do Lenine, com o doce gingado do baião nordestino, com a voz de Frank Sinatra, com as sinfonias de Bethoven, Bach e Mozart, com a música de Roberto Carlos, com a arte do Police, U2 , Dire Straits e tantos outros mais.

Meu amigo, não consigo ver deteminadas menifestações musicais ou culturais como satânicas ou malignas, antes pelo contrário, a multiforme manifestação cultural no ser humano, aponta diretamente para um Deus generoso que é absolutamente apaixonado pela arte, música e cultura.

Louvado seja o Senhor pela graça comum!

Autor: Pr. Renato Vargens
Fonte: [ Blog do autor ]


Parabéns pelo artigo Renato, eu também ouço música do "mundo".

Recomendo a leitura de um ótimo artigo de autoria do irmão Aldo Menezes sobre o assunto, clique aqui!

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Músicas de qualidade [26]

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Silvestre Kuhlmann
Música: Todas as manhãs

Ao vivo para o programa Plataforma
www.plataforma.art.br

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