Feliz Dia da Reforma!

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Estou vendo alguns posts sobre o Dia da Reforma e decidi tomar um tempinho para escrever alguns de meus pensamentos.

Todos nós sabemos que a escolha da data de 31 de Outubro de 1517 é (como a maioria das datas na história) arbitrária. É claro, você pode identificar 7 de Dezembro de 1941 com o Pearl Harbor porque foi um evento específico, mas (ainda assim) muitas coisas contribuíram para que ele acontecesse naquele dia. A data que escolhemos para o início da Reforma é ainda mais subjetiva. Isso porque era necessário muitos e muitos fatores para que a Reforma pudesse acontecer, e esses fatores tiveram raízes nos séculos que precederam as ações de Lutero.

Duvido, ainda mais, que Lutero colocaria algum peso sobre essa data em específico. Bem, é claro que ele veria alguma relevância sobre o desafio que havia lançado, mas não mais do que em qualquer um dos outros eventos de sua vida. Ele não tinha intenção alguma de criar uma rebelião contra Roma por suas ações, ele estava apenas fazendo o que a maioria dos professores na Europa faziam naqueles dias: convidando uma escola rival a uma versão escolástica de um jogo moderno de futebol. Em sua mente ele estava seguindo os passos de outros homens piedosos da igreja, e, nesse exato momento, ele ainda não havia reconhecido as questões epistemológicas básicas que ele haveria de ser forçado a encarar em apenas uma questão de anos.

Mas é certo sim marcar o início da Reforma (ainda que façamos isso de forma arbitrária). Poderíamos ter voltado até Wycliffe, ou ter escolhido 6 de Julho de 1415 e a morte de João Huss (pois sua morte teve muita importância). Poderíamos ter ido até a divisão entre Zuínglio e Roma ou a Dieta de Worms e o “Aqui permaneço, não posso fazer outra coisa”. Em todo caso, parece adequado marcar o evento (ao menos para uma pequena minoria).

Para a maior parte do Romanismo e Protestantismo, a Reforma é um evento histórico sem qualquer significado duradouro. Para muitos, na verdade é um trágico evento, um erro, digno de arrependimento de seus adeptos e de repúdio pelos outros. Mas para a maioria é apenas uma nota de rodapé na história e, dada sua teologia e prática, não possui significado duradouro. Entre esses estão os católicos nominais que provam, por suas vidas, que eles realmente não acreditam na maioria das coisas que Roma ensinou. Mas também estão aqueles que são protestantes por conveniência e não por convicção. Para eles a Reforma claramente não apresenta qualquer razão para se celebrar ou refletir nos dias de hoje. Se alguém não aprecia a liberdade que a justificação garante, não se alegra com a imputação da justiça de Cristo (saiba que muitos dos grandes nomes de hoje da “cristandade não-católica” riem disso) e não abraça e confessa o Sola Scriptura, esse alguém não tem razão alguma para refletir sobre o Dia da Reforma (seria melhor ir comprar doces e se juntar às festividades pagãs).

Mas para aqueles que ainda abraçam aos Solas não por uma fidelidade partidária ao que é “legal”, mas por um reconhecimento do eterno valor que essas verdades representam, o Dia da Reforma é um lembrete anual do que realmente importa nesses dias de “verdades” borradas e transitórias. Então, para aqueles que entendem isso, um feliz Dia da Reforma!

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Autor: James R. White
Fonte: Página do autor no Facebook
Tradução e adaptação: Erving Ximendes
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Qual a Origem do Termo Reformado?

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Segunda retrasada foi o dia da Reforma Protestante. E com ele veio uma enxurrada de postagens sobre a importância da data. No entanto, muitas versavam sobre a questão de ser "reformado". Alguns diziam que é implicância e estupidez quando afirmam que o termo deve ser aplicado a um grupo específico, não a todos. Subjaz a este entendimento que todos os adeptos do movimento iniciado por Lutero são "reformados", afinal de contas, todos comemoram o dia da Reforma e creem em certas doutrinas.

Pois bem, transcrevo abaixo alguns testemunhos de historiadores sobre a questão do termo. Esclareço, de início, que, de modo algum, tenho a intenção de desmerecer quem quer que seja, ou de insinuar que A é melhor que B, ou que há alguns grupos não têm direito de comemorar a Reforma, ou ainda, que apenas presbiterianos são reformados. Longe disso! Meu objetivo é tão somente oferecer um esclarecimento a partir da historiografia protestante. Vamos começar com um presbiteriano, certamente o mais tendencioso na mente de muitos:

Pouco depois que o protestantismo começou na Alemanha, sob a liderança de Martinho Lutero, surgiu uma segunda manifestação do mesmo no Cantão de Zurique, na Suíça, sob a direção de outro ex-sacerdote, Ulrico Zuínglio (1484-1531). Para distinguir-se da reforma alemã, esse novo movimento ficou conhecido como Segunda Reforma ou Reforma Suíça. O entendimento de que a reforma suíça foi mais profunda em sua ruptura com a igreja medieval e em seu retorno às Escrituras, fez com que recebesse o nome de MOVIMENTO REFORMADO e seus simpatizantes ficassem conhecidos simplesmente como 'reformados'. Inicialmente, o movimento reformado esteve mais ligado à pessoa de Zuínglio. Porém, com a morte prematura deste, o movimento veio a associar-se com seu maior teólogo e articulador, o francês João Calvino (1509-1564). A propósito, os 'protestantes', fossem eles luteranos ou reformados, só passaram a ter essa designação a partir da Dieta de Spira, em 1529. Portanto, o movimento reformado é o ramo do protestantismo que surgiu na Suíça, no século 16, tendo como líderes originais Ulrico Zuínglio, em Zurique, e João Calvino [...] Até hoje, as igrejas ligadas a essa tradição no continente europeu são conhecidas como Igrejas Reformadas (da Suíça, França, Holanda, Hungria, Romênia e outros países) (NASCIMENTO, Adão Carlos; MATOS, Alderi Souza de. O que Todo Presbiteriano Inteligente Deve Saber. Santa Bárbara d'Oeste, 2007. pp. 10-11).
O tipo de Protestantismo de Calvino era conhecido como "reformado". Diferia do sistema luterano no sentido de que a Igreja era uma instituição paralela ao Estado e não subordinada a ele. A Igreja era uma organização independente que mantinha sua vida própria e usava sua posição para corrigir o Estado quando necessário (CLOUSE, Robert G. et alli. Dois Reinos: A Igreja e a Cultura Interagindo ao Longo dos Séculos. São Paulo: Cultura Cristã, 2003. p. 244).
Os milhões que aceitam a fé reformada e sua fundamentação doutrinária testemunham a importância do sistema teológico formulado por João Calvino (1509-1564), designado geralmente pelo termo 'calvinismo'. O termo 'fé reformada' APLICA-SE ao sistema de teologia desenvolvido a partir do sistema de Calvino (CAIRNS, Earle E. O Cristianismo Através dos Séculos. São Paulo: Vida Nova, 1995. p. 251).

Um pouco antes, Cairns afirmou sobre Zwínglio: “Foram estas as ideias do homem que colocou os fundamentos da fé reformada na Suíça alemã. Embora Calvino tenha se tornado o herói da fé reformada, a igreja não pode esquecer o papel de Zwínglio, erudito, democrático e sincero, na libertação da Suíça das garras do papa” (p. 246).

O prestigiado estudioso Alister E. McGrath divide o protestantismo em três grandes ramos: Luterano (Reforma Luterana), Reformado (Reforma Calvinista) e Anabatista (Reforma Radical):

As origens da Reforma calvinista responsável pela constituição das Igrejas Reformadas (como a igreja presbiteriana), se encontram em acontecimentos ocorridos dentro da Confederação Suíça. Enquanto a Reforma luterana teve suas origens num contexto acadêmico, a IGREJA REFORMADA deve suas origens a uma série de tentativas de reformar a moral e o culto eclesiástico (mas não necessariamente sua doutrina) de acordo com um padrão mais bíblico. É preciso enfatizar que apesar de Calvino ter dado a esse estilo de Reforma a sua configuração definitiva, suas origens remontam a reformadores mais antigos como Zwínglio e Heinrich Bullinger, sediados em Zurique, a principal cidade da Suíça" (MCGRATH, Alister E. Teologia Histórica: Uma Introdução à História do Pensamento Cristão. São Paulo: Cultura Cristã, 2007. p. 180).

David G. Peters, um teólogo luterano, discutindo as controvérsias em torno da presença real de Cristo no sacramento da Ceia, afirmou que os luteranos "acusaram os reformados de separar as naturezas de Cristo do mesmo modo como Nestório havia feito" (PETERS, David G. The “Extra Calvinisticum” and Calvin’s Eucharistic Theology. p. 6. Disponível em: <http://www.wlsessays.net/bitstream/handle/123456789/3632/PetersCalvin.pdf>).

Na mesma página Peters afirma que "o debate eucarístico entre luteranos e reformados era simultaneamente um debate sobre cristologia" (p. 6).

Francis Pieper, dogmático luterano, faz referência aos calvinistas utilizando o termo reformado: "Cada palavra que os reformados falam contra a participação da natureza humana na divina onipresença, falam também contra sua doutrina da participação da natureza humana na Pessoa do Filho de Deus" (PIEPER, Francis. Christian Dogmatics. Vol. 2. Saint Louis, MS: Concordia Publishing House, 1951. p. 167).

Por fim, o grande historiador da Igreja, Kenneth Scott Latourette, afirma:

Paralelo ao luteranismo, outra espécie de protestantismo emergia e se desenvolvia. Esse protestantismo usualmente é conhecido como REFORMADO. Nele há variantes, inclusive o presbiterianismo em suas diversas manifestações. Todavia, de modo semelhante ao luteranismo, ele constituiu uma família de igrejas que, nos séculos 19 e 20, seriam atraídas conjuntamente em uma associação mundial (LATOURETTE, Kenneth Scott. Uma História do Cristianismo. Vol. 2. São Paulo: Hagnos, 2006. p. 1009).

Reafirmo que a intenção não é apontar o dedo para quem quer que seja, afirmando que o tal não tem direito de comemorar a Reforma Protestante. A ideia é tão somente esclarecer que o termo "reformado", em sua gênese, foi aplicado a um grupo distinto dos luteranos e anabatistas. Assim, meu desejo é que protestantes luteranos, protestantes reformados e protestantes anabatistas - ou descendentes destes grupos - juntos se alegrem em Deus pela Reforma, que no próximo ano completa 500 anos.

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Autor: Rev. Alan Rennê Alexandrino Lima
Fonte: Electus
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Minhas impressões sobre a Reforma Protestante

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Hoje, 31 de Outubro é celebrado o Dia da Reforma Protestante pela maioria dos cristãos espalhados pelo mundo. A Reforma resgatou valores e trouxe um impacto profundo sobre os aspectos políticos, econômicos, sociais, literários e artísticos da sociedade. Foi, sobretudo, uma batalha pela fé e a redescoberta das doutrinas esquecidas ou ignoradas das Escrituras. A reforma nos deu a Bíblia, agora disponível em nossas próprias línguas; a liberdade religiosa e de consciência, o Estado de Direito. Ao mesmo tempo, os reformadores lutaram pelos princípios que somente a Escritura é nossa autoridade final, que somente Cristo é o cabeça da Igreja, a justificação é pela fé e tão somente graça de Deus nos méritos da obra consumada por Cristo na cruz do calvário. Os sacrifícios feitos pelos reformadores, o impacto de longo alcance e a aplicação corajosa da Bíblia para cada área da vida são frutos da obra divina.

O legado da Reforma nos inspira. Mais escolas e universidades foram levantadas pelos cristãos do que por qualquer outra religião, nação ou grupo. A elevação das mulheres e a luta contra a exploração degradante da poligamia e da discriminação fez parte da reforma. Os reformadores e missionários conseguiram trazer a abolição da escravatura, canibalismo, o sacrifício de crianças e queimação de viúvas. A verdade é que a influência da igreja tem, ao longo da história, contido a desumanidade do homem. Países que gozam as liberdades civis são geralmente mais aqueles onde o Evangelho de Cristo penetrou mais profunda e poderosamente.

A Reforma Protestante, ainda que não imune a erros, mudou a história do mundo e a vida da própria igreja. Oro para que Deus nos conserve fiéis ao genuíno evangelho e seus valores e, que os clamores da Reforma - Somente a Escritura, Somente a Graça, Somente Cristo, Somente pela Fé e a Deus toda Glória – sejam ouvidos, defendidos e proclamados nas igrejas evangélicas do nosso Brasil.

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Sobre o autor: Marcos Sampaio é teólogo e pastor da Igreja Batista da Caputera, Angra dos Reis-RJ.
Divulgação: Bereianos
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O “Bezerro de Ouro” Dentro da Igreja Evangélica Brasileira

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Em 31 de Outubro de 1517 eclodiu em toda Europa, partindo da Alemanha, a Reforma Protestante. O monge católico da ordem agostiniana, Martinho Lutero, catedrático de teologia na Universidade de Wittenberg, afixou suas noventa e cinco teses convocando a Igreja de Roma para debate. O impacto das teses de Lutero foi revolucionário. Em poucos meses as teses se espalharam por toda Europa através do invento da prensa de tipos móveis de Gutenberg. Deste momento em diante a Igreja Ocidental jamais seria a mesma. O estudioso da história da igreja Roger Olson, comentando em seu livro História da Teologia Cristã, destaca a Reforma Protestante como o terceiro grande Cisma dentro da vasta história da cristandade, depois da divisão em 1054, entre Ocidente e Oriente, e a luta medieval entre os três papas no período de 1378 a 1417 (pg.380).  

Em 1520, Martinho Lutero foi excomungado da Igreja de Roma. E, em 1521, convocado pelo Vaticano para comparecer na Dieta, na cidade alemã de Worms, para dar explicações sobre suas teses e se retratar diante da igreja romana e do imperador Carlos I. O que aconteceu em Worms ficou registrado na história. Martinho Lutero foi obrigado pelo Vaticano a se retratar. Mas, nestas palavras se expressou: “Minha consciência serve à Palavra de Deus. Por isso não posso nem quero me retratar, pois ir contra a minha consciência não é seguro nem salutar. Não posso agir de outra maneira, esta é minha posição. Que Deus me ajude. Amém” (apud, pg. 388). Assim nasceu o Protestantismo. O movimento protestante se espalhou fortemente por vários países. Na Alemanha, Luteranismo. Na Suíça e Países Baixos, Calvinismo. Na Escócia, Presbiterianismo. Na Inglaterra, Puritanismo.

O pensamento e teologia protestante foram se solidificando de acordo com as necessidades através das históricas Confissões. As principais Confissões protestantes são: Confissão Luterana de Augsburgo, Alemanha (1530), Confissão de Westminster, Inglaterra (1647/1648) e o Documento Confessional Calvinista de Dort, na Holanda (1618/1619).

A Reforma Protestante irá completar 499 anos de História. Uma grande herança legada à posteridade, sem dúvida foi o amor a Deus, a Cristo e às Escrituras na total dependência do Espírito Santo. O cristianismo oriundo da Reforma transformou tremendamente o mundo, sobretudo cristão. E uma área de grande relevância da igreja que sofreu fortemente esta transformação foi o culto. O culto Protestante deste momento em diante seria regido somente pela Escritura – Sola Scriptura. Aprendemos com os reformadores que o culto público deve ser bíblico. E o princípio que deve reger este culto está inquestionavelmente registrado nas Escrituras. Sobre a importância do culto e de seu princípio regulador, Paulo Anglada, em seu livro Princípio Regulador do Culto, faz uma citação importante do grande reformador de Genebra, João Calvino:

“... a regra que distingue entre o culto puro e o culto corrompido é de aplicação universal, a fim de que não adotemos nenhum artifício que pareça apropriado, mas atentemos para as instruções do Único que está autorizado a legislar quanto ao assunto. Portanto, se quisermos que Ele (Deus) aprove o nosso culto, esta regra, que Ele impõe nas Escrituras com o máximo rigor, deve ser cuidadosamente observada. Pois há duas razões pelas quais o Senhor, ao condenar e proibir todo culto fictício, requer que obedeçamos apenas à Sua voz: primeiro, porque não seguir o nosso prazer, mas depender inteiramente da Sua soberania, promove grandemente a Sua autoridade. Segundo, porque a nossa corrupção é de tal ordem, que quando somos deixados em liberdade, tudo o que estamos habilitados a fazer é nos extraviar. E então, uma vez desviados do reto caminho, a nossa viagem não termina, enquanto não nos soterremos numa infinidade de superstições...” (p.14. Editora: Pes).

Há um fato bíblico em que esta declaração de João Calvino jamais deve ser desprezada e esquecida. Em Êxodo 32.1 – 35 contêm um registro muito triste e vergonhoso na história do povo de Deus envolvendo um ambiente de culto. Os dois principais personagens desta história são: Moisés e seu irmão, Arão. Para termos uma ideia da importância deles, só em Êxodo, seus nomes até o capítulo 32 aparecem mais de 330 vezes. Foram chamados ao ministério pessoalmente por Deus. Foram instrumentos para libertar Israel do cativeiro egípcio:

Depois, foram Moisés e Arão e disseram a Faraó: Assim diz o Senhor, Deus de Israel: Deixa ir o meu povo, para que me celebre uma festa no deserto. Respondeu Faraó: Quem é o Senhor para que lhe ouça eu a voz e deixe ir a Israel? Não conheço o Senhor, nem tampouco deixarei ir a Israel. Eles prosseguiram: O Deus dos hebreus nos encontrou; deixa-nos ir, pois, caminho de três dias ao deserto, para que ofereçamos sacrifícios ao Senhor, nosso Deus, e não venha ele sobre nós com pestilência ou com espada” (Êx 5.1-3).

Ambos tiveram experiências extraordinárias com Deus. Conheciam muito bem a obstinada idolatria de Israel. Em Êx 32.21, 22 Moisés pergunta a Arão que acabara de fabricar o bezerro fundido de ouro: “Que te fez este povo, que trouxeste sobre ele tamanho pecado?”. Arão respondeu com estas palavras: “Não se acenda a ira do meu senhor, tu sabes que o povo é propenso para o mal”. Estas são algumas características peculiares entre os irmãos. Mas no que se refere à liderança em conduzir o povo em adoração a Deus às diferenças tomam proporções gigantescas. Eis o contraste entre uma liderança bíblica e uma antibíblica.

Podemos aprender muito com estes dois líderes. Creio que a liderança e postura exercida por Moisés neste episódio devem servir de orientação e motivação para igreja buscar a verdadeira reforma que precisa. Creio que Arão representa a maior parte da liderança evangélica brasileira. Creio que a grande maioria dos crentes brasileiros é tão adoradora do “bezerro de ouro” quanto Israel o foi no deserto. Creio que Deus tem reservado um remanescente fiel à semelhança dos fiéis no deserto que não adoraram ao bezerro fundido. Creio que os Reformadores do século XVI foram instrumentos nas mãos do Criador para resgatar a verdadeira adoração, assim como Moisés o foi no deserto. Creio que Arão e seus seguidores representam a adoração em que o princípio regulador do culto é antropocêntrico. Creio que a liderança evangélica tem se acovardado em geral ao enfrentar a pressão do povo em adorar o “bezerro do ouro” dentro da igreja, assim como Arão no deserto.

No período da Reforma Protestante o culto a Deus voltara a ser regido pelo Princípio Regulador: A Escritura.

Quais são os elementos bíblicos que fazem parte de um culto verdadeiro a Deus? Quais são as suas circunstâncias? Citarei elementos e circunstâncias de um culto reconhecendo que não existe unanimidade entre os estudiosos, principalmente nos dízimos, ofertas e bênção apostólica. Espero explorar detalhadamente em outro estudo tais elementos e circunstâncias.

          Elementos:
          1 – Leitura da Palavra
          2 – Louvor
          3 – Oração
          4 – Ordenanças
          5 – Dízimos e Ofertas
          6 – Bênção Apostólica

          Circunstâncias:
          1 – Lugar
          2 – Horário
          3 – Acentos
          4 – Iluminação
          5 – Climatização
          6 – Instrumentos
          7 – Vestes, dentre outros.

Não devemos como igreja desprezar as circunstâncias que envolvem um culto a Deus. Estes elementos circunstanciais devem potencializar a adoração a Deus. Mas não são permanentes nem devem corromper o culto.

O culto Reformado era marcado por confissão de pecados e arrependimento sob a direção do Espírito Santo. A verdadeira alegria cristã protestante tinha este fundamento. Era resultado da adoração cristocêntrica e bíblica. No culto Reformado regido pelo princípio regulador o que a Bíblia não autorizava de maneira explícita ou implícita não era de forma alguma inserida. Quanta diferença para os dias de hoje! Os reformadores em tudo na vida buscavam sempre em primeiro lugar honrar a Deus em a Sua perfeita justiça e santidade. Na adoração não era diferente. Hoje na igreja brasileira o que tem predominado é uma inversão:

  • A bênção no lugar do Deus da bênção;
  • O assistir ao culto no lugar do prestar culto;
  • O culto sentimental no lugar do culto racional;
  • O culto hedonista e místico no lugar do culto reflexivo e bíblico.

Neste contexto se valoriza mais um culto informal e livre do que um regido por princípios bíblicos. Não é de se admirar o porquê as mais estranhas e inimagináveis inserções fazem parte “fundamental” de nossa adoração!

Neste momento, lamentavelmente a “síndrome de Arão no deserto” tem exercido imensa influência sobre grande parte da igreja brasileira. Há um “bezerro de ouro” dentro de nossa igreja! Há muito tempo deixamos de lado o princípio regulador do culto fundamentado na Escritura, representado por Moisés pelo princípio antibíblico regido por Arão:

Arão, vendo isto, edificou um altar diante dele e, apregoando, disse: Amanhã, será festa ao Senhor. No dia seguinte, madrugaram, e ofereceram holocaustos, e trouxeram ofertas pacíficas; e o povo assentou – se para comer e beber e levantou – se para divertir – se” (Êx 32.5, 6).

Quando o princípio regulador do culto cai na mão do homem, a adoração a Deus é mesclada e até mesma substituída por outra desviada, estranha e idólatra:

Então, disse o Senhor a Moisés: Vai, desce; porque o teu povo, que fizeste sair do Egito, se corrompeu e depressa se desviou do caminho que lhe havia eu ordenado; fez para si um bezerro fundido, e o adorou, e lhe sacrificou, e diz: São estes, ó Israel, os teus deuses, que te tiraram da terra do Egito” (Êx 32.7, 8).

O “bezerro de ouro” na igreja atual tem se materializado de várias formas:

  • Danças
  • Coreografias
  • Teatros
  • Apresentações
  • Cerimoniais
  • Vendas
  • Indulgências, entre outros elementos estranhos.

Estes elementos foram sistematicamente inseridos no culto que estamos prestando a Deus. Estão tão impregnados que muitos pensam fazer parte integral e permanente de um verdadeiro culto ao Senhor. É fogo estranho sobre o altar. Tem que ser removido. Arão não removeu. Disse ele a Moisés depois de ter fabricado o bezerro de ouro levando o povo à idolatria: “
Não se acenda a ira do meu senhor; tu sabes que este povo é propenso para o mal” (Êx 32.22). Todo líder da escola de Arão jamais enfrentará com êxito a pressão daqueles que desejam idolatrar o “bezerro de ouro”. É muito fácil discernir por este prisma porque a igreja no Brasil está assim! Podemos até dividi–la em três partes: Na entrada, uma banca para venda. No meio, um palco para apresentações. No púlpito, a presença de um palhaço. Lamentável. Triste e decadente. Idolatria pura! Há esperança? Há esperança. Graças a Deus. Deus é grande. Ele ainda procura verdadeiros adoradores.

Quando a idolatria ao bezerro de ouro no deserto começou, Deus chamou seu fiel servo Moisés e disse–lhe:

Vai, desce; porque o teu povo, que fizeste sair do Egito, se corrompeu e depressa se desviou do caminho que lhe havia eu ordenado; fez para si um bezerro fundido, e o adorou, e lhe sacrificou, e diz: São estes, ó Israel, os teus deuses, que te tiraram da terra do Egito” (Êx 32.7, 8).

Quando Moisés desceu do monte para enfrentar a idólatra de Israel, o desfecho terrível fora registrado nestes termos: “... e caíram do povo, naquele dia, uns três mil homens” (Êx 32.28). Deus é fogo consumidor. Ele é santo três vezes. Ele é temível. Depois de tantas mortes, disse ainda ao servo Moisés:

Vai, pois, agora, e conduze o povo para onde te disse; eis que o meu Anjo irá adiante de ti; porém, no dia da minha visitação, vingarei, neles, o seu pecado. Feriu, pois, o Senhor, porque fizeram o bezerro que Arão fabricara” (Êx 32.34, 35).

Fica claro que a adoração a Deus deve ser do jeito que Ele quer e não da maneira que queremos ou achamos. Adoração é vida ou morte. É notório que a grande massa da igreja brasileira tem adorado ao “bezerro de ouro” à semelhança de Arão e os seus discípulos no deserto. É fato também que Deus tem levantado líderes e adoradores à semelhança de Moisés e todos aqueles que não se dobraram nem apostataram diante dos deuses estranhos materializados no bezerro fundido. A igreja e o princípio regulador do culto sempre estarão nas mãos de Deus. Os Reformadores criam assim. Creio que nestes últimos dias Deus tem tirado o princípio regulador do culto das mãos de “Arão” e entregue nas mãos de “Moisés”. Que a verdadeira reforma e o verdadeiro avivamento venham sobre nós. Pois, a igreja evangélica brasileira está na “UTI” urgentemente precisando.
Soli Deo Gloria. Glória somente a Deus. Amém!

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Autor: Pr. Vilmar Rodrigues Nascimento
Divulgação: Bereianos
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João Calvino: um homem zeloso pela Glória de Deus

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Em tempos de escuridão, a luz do Evangelho brilhou e o mundo inteiro foi impactado pela fiel pregação da Palavra. Deus levantou um homem que influenciou todas as igrejas da Europa e toda a estrutura da cultura Ocidental. João Calvino é esse homem.

Neste vídeo o Rev. Dorisvan Cunha narra uma breve história do reformador João Calvino. Assista:




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Autor: Rev. Dorisvan Cunha
Fonte: Guerra pela Verdade
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Lutero: Reformador Destemido

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Quando tudo parecia perdido, eis que Deus levantou um homem de coragem e bravura para trazer o seu povo de volta às Escrituras, seu nome? Martinho Lutero.

"Sou rude e impetuoso ao lutar contra inúmeros monstros e demônios. Nasci para remover os tocos e as pedras, para podar os cardos e abrolhos, para arrancar os espinheiros e limpar as matas selvagens". (Martinho Lutero)

Neste vídeo o Rev. Dorisvan Cunha narra uma breve história do reformador Martinho Lutero. Assista:



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Autor: Rev. Dorisvan Cunha
Fonte: Guerra pela Verdade
Divulgação: Bereianos
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Uma Breve História da Reforma

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Neste vídeo o Rev. Dorisvan Cunha narra uma breve história da Reforma Protestante. Assista:



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Autor: Rev. Dorisvan Cunha
Fonte: Guerra pela Verdade
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John Knox: O Reformador da Escócia

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Sinopse Histórica e Obras.

1513-1515 (?) = A data e o local de nascimento de John Knox são incertos, sendo aceita a data de 1513 como a mais provável. É possível que Knox tenha nascido no povoado de Haddington, às margens do rio Tyne, distrito de Lothian Oriental, cerca de 30 Km a leste de Edinburgo(2). Seu pai, William Knox era homem do campo e sua mãe era membro da família Sinclair. Sua mãe faleceu quando ainda era criança. Foi educado por sua madrasta, que era carinhosa e compreensiva.

Recebeu boa educação, aprendendo latim nos estudos regulares. A seguir matriculou-se na Universidade de Saint Andrews(3), para a formação acadêmica.

Waldyr Carvalho Luz descreve Knox como um homem comum e de aparência atarracada. Ombros largos, altura abaixo da média; possuindo um olhar brilhante e penetrante; saúde razoável; de temperamento impetuoso e disposição férrea(4). Lloyd-Jones comenta que “havia algo que lhe vinha aos olhos uma vez ou outra, que, literalmente, punha o temor de Deus dentro das pessoas”(5). Cairns nos diz que ele “era um homem corajoso, ríspido até, às vezes, que a ninguém temia, exceto a Deus”(6). 

1528 = As idéias luteranas do jovem pastor Patrick Hamilton, que estudara em Marburg e Wittenberg, com Lutero, foram uma causa positiva do início da reforma na Escócia. Ele ensinava a justificação pela fé e chamou o Papa de anticristo. A morte prematura de Patrick Hamilton, queimado de forma desumana lentamente na fogueira como herege, marcou profundamente John Knox, que tinha por volta de 15 anos nessa época.

1530 = Ordenado sacerdote católico, tornou-se discípulo de George Wishart, que introduzira os ideais da reforma zuingliana na Escócia. Wishart traduziu para o inglês em 1536, a Confissão Suíça. O pensamento de Wishart influenciou fortemente a vida espiritual de Knox. Pouco depois se tornou tutor de filhos de nobres favoráveis à reforma.

1544-46 = Knox serve a Wishart como seu guarda-costas entre 1544-46(7). Wishart foi queimado em uma estaca em Edimburgo, em 1546.

1546 = Pregou aos soldados protestantes no acampamento de Saint Andrews até ser capturado pelo exército francês, por ter participado de uma revolta em prol da reforma (31/07/1547). Trabalhou por 19 meses(8) como escravo nas galés de um navio militar francês até sua libertação na troca de prisioneiros. Nas galés sofreu, não só os rigores desse tipo de vida, como também muita crueldade, debilitando sua saúde(9). 

1549-51 = Retornando à Escócia, como a situação não era favorável, mudou-se para a Inglaterra, sendo designado ministro e pregador em Berwick, na fronteira com a Escócia, e posteriormente Newcastle. Nesse período firmou-se como grande pregador.

1552 = Transferindo-se para Londres, serviu como um dos capelães reais e um dos pregadores da corte, pregando várias vezes na presença do rei. 

Em setembro, poucas semanas antes da publicação dos 45 Artigos, que dariam origem aos 39 Artigos, pregou perante o rei um sermão contra o artigo 38, que obrigava a recepção da ceia (hóstia) de joelhos. Knox afirmou que o ajoelhar-se era idolátrico e pecaminoso. Isso levou Cranmer a inserir, às pressas, uma observação ao artigo, publicado em uma folha em separado, que ficou conhecido como “o Artigo Negro”(10). 

1553-54 = Quando Eduardo VI ofereceu-lhe o bispado de Rochester, Knox o recusou desprendidamente, porque entendeu que esse oferecimento era uma tentativa do regente real Northumberland de silencia-lo e neutralizar sua influencia na corte real(11). 

Com a ascensão de Maria Tudor ao poder na Inglaterra, teve de fugir para a Europa (03/1554). Indo para a Suíça, onde passou algum tempo com Calvino, em Genebra e Bullinger, em Zurique. Também fez visitas a Escócia, a fim de animar a fé dos que deixara no país(12). 

1554-1559 = Nesse período esteve em Genebra e tornou-se aluno de Calvino, o qual considerava “o notável servo de Deus”(13). Sob a persuasão de Calvino aceitou pastorear exilados religiosos ingleses em Frankfurt, na Alemanha. Após algum tempo ali, devido a vários problemas, especialmente devido a disputas com o anglicano Richard Cox, que queria que a igreja de refugiados em Frankfurt tivesse “um rosto inglês”(14). A resposta de Knox refletiria o ponto central das controvérsias que se seguiriam na Inglaterra posterior entre os puritanos e a igreja Anglicana: “O Senhor permita que ela tenha a face da igreja de Cristo”. Por influência e incitação de Cox, Knox foi expulso de Frankfurt e teve de retornar a Genebra, sendo acompanhado por vários dos refugiados que pastoreava. Ali tornou-se novamente pastor da igreja inglesa (1555-59). 

Casou-se com Marjorie Bowes em 1555, numa rápida visita à Escócia. Em 1556 escreveu A Forma de Orações, como diretório de culto.

1557 = Em dezembro de 1557, os nobres escoceses fizeram um pacto de usar suas vidas e bens para estabelecer “a Palavra de Deus” na Escócia. Nessa conjuntura, Knox iria voltar à Escócia para implantar o calvinismo e fundar a igreja presbiteriana escocesa.

1558 = Publica o Primeiro Clarim Contra o Monstruoso Governo de Mulheres, dirigido a Maria Tudor(16), em que ele dizia ser contra a natureza, Deus, e sua palavra, uma mulher governar, pois isso era “a subversão da boa ordem, de toda justiça e equidade”. Seu livro foi publicado em má hora, pois teve de se desculpar com a rainha da Inglaterra (Elizabeth I) por causa disso. A rainha Elizabeth nunca o perdoou por causa desse livro. Ainda nesse ano publicou Supplication (Rogativa), dirigida à regente escocesa; Appellation (Apelação), dirigida à nobreza da Escócia; e por último: Letter to The Commonality of Scotland (Carta ao Povo em Geral da Escócia)(17) .

1559 = A pedido de Calvino, escreveu seu único tratado teológico; Treatise on Predestination (Tratado Sobre a Predestinação). Vendo a atitude da rainha Elizabeth I para com a reforma inglesa, escreveu uma Breve Exortação à Inglaterra a Abraçar Rapidamente o Evangelho de Cristo Doravante, à Supressão e ao Banimento da Tirania de Maria(18). A rainha da Inglaterra fez-lhe forte objeção, por considerá-lo uma intromissão de um escocês nos negócios da Inglaterra; também porque Knox usara de uma linguagem muito forte. Pregava contra os bispados ingleses e afirmava que o reinado de Maria Tudor fora um juízo de Deus sobre a Inglaterra por esta não levar adiante a reforma da igreja(19). 

Knox retornou à Escócia, em abril desse ano, pregando na igreja de S. Giles, em Edimburgo.

1560 = Knox e os Lordes da Congregação iniciam a Reforma na Escócia. Participou da composição da Confissão Escocesa e ajudou a esboçar o Primeiro Livro de Disciplina.

  • Pôs-se fim do domínio papal na igreja escocesa.
  • A missa é declarada ilegal.
  • Revogação de todos os decretos contra os hereges (protestantes).
  • Aceitação da Confissão de Fé dos Seis Johns (Confissão Escocesa), escrita em quatro dias, a pedido do parlamento. Essa confissão, de inspiração notadamente calvinista foi a principal confissão de fé escocesa até a adoção da Confissão de Fé de Westminster em 1647.
  • Organização da igreja em presbitérios, sínodos e uma assembléia geral, semelhantes aos de Genebra. Nesse mesmo ano reuniu-se pela primeira vez a Assembléia Geral da Igreja da Escócia. Foram formalmente implantados em 1567.

Apesar disso, Knox teve muitos problemas com os lordes da congregação, que desejavam apossar-se das terras católicas. Knox insistia que deveriam ser utilizadas para o alívio da pobreza no país, estabelecer um sistema de educação universal e sustentar a igreja escocesa(20). 

Em dezembro desse ano, faleceu sua esposa, deixando-lhe dois filhos pequenos: Nathanael (3 anos e meio) e Eleazer (dois anos). Calvino lhe escreveu uma carta demonstrando a sua solicitude e condolências.

1561 = Maria Stuart assume o trono escocês, segundo Gonzalez, a convite dos lordes da congregação(21). Era uma mulher bela e inteligente. Ela teve vários encontros duros e francos com Knox, que não cedeu frente às suas lágrimas e lisonjas, tentando levar a igreja escocesa de volta ao catolicismo(22). 

1564 = Publicação do Livro de Ordem Comum.

1567/68 = Maria Stuart, abdica ao trono escocês e refugia-se na Inglaterra, sob a tutela de Elizabeth I. Após a abdicação de Maria Stuart, Knox pregou na coroação do filho dela, James I, como rei da Escócia(23). 

1572 = Próximo à data que marcou a noite de S. Bartolomeu, na França (24de agosto) Knox teve um ataque de paralisia e retirou-se da liderança da reforma. Mesmo assim, ao saber dos eventos dessa noite, fez um grande esforço para retornar ao púlpito, avisando a seus compatriotas que igual destino lhes cairia se fraquejassem na luta(24). 

24/11/1572. Na manhã desse dia pediu à sua esposa que lesse dois textos bíblicos para ele; I Coríntios 15, que fala da ressurreição; e João 17, a oração sacerdotal de Cristo, sobre o qual comentou; “Aqui lancei a minha primeira âncora”(25). Por volta das 22 horas, seu médico perguntou-lhe se ouvira as orações dos presentes a seu favor, ao que respondeu: “Quisera Deus que vocês e todos os homens as ouvissem como eu as ouvi; e a Deus louvo por este som celestial... Agora chegou”. Foram as suas últimas palavras, então faleceu.

Ainda neste ano, tentou-se restabelecer o sistema episcopal na igreja escocesa, contudo, Andrew Melville (1545-1622), reitor da Universidade de Glasgow, conduziu a luta pela restauração do sistema presbiteriano. 

Em 1581, foram restabelecidos os presbitérios e em 1592, debaixo de forte oposição real (James VI) o presbiterianismo tornou-se a religião oficial dos escoceses. A vitória final, porém, só seria definitiva em 1690(26). 

Apanhado Teológico.

Não é correto afirmar que o pensamento de John Knox não tinha originalidade e que foi um mero repetidor das idéias de Calvino. Lloyd Jones(27) aponta dois pontos de seu pensamento em que isso fica claro. Primeiro na questão da relação entre Igreja e Estado; segundo na atitude para com diversas cerimônias religiosas da Igreja Anglicana, exemplificadas em seu livro “O Primeiro Toque da trombeta Contra o Governo Monstruoso das Mulheres” de 1558.

Knox via a si mesmo como um pregador e não como um teólogo acadêmico. Entendia que sua função era a de “tocar a trombeta do seu mestre”(28). Seus sermões eram caracterizados pela exposição bíblica e pela preferência pelo Antigo Testamento(29), atacando a idolatria e a corrupção do culto cristão.. Knox seguia à risca o princípio da sola Scriptura, tendo a Bíblia como a única base autorizada em que a doutrina pode ser fundamentada. Afirmou, seguindo Lutero e Wishart a justificação pela fé somente (sola fide).

Sua teologia era profundamente calvinista. Sua obra, Tratado Sobre a Predestinação (1559) segue de perto as formulações de Calvino e Beza, quando ensina que Deus escolheu soberanamente alguns para a salvação e outros para a condenação eterna, afirmando que a salvação do homem depende exclusivamente da graça divina.

Participou da confecção da Confissão Escocesa, caracterizada “pela centralidade de Cristo em cada um de seus vários tópicos, bem como pela riqueza da espiritualidade e o calor de expressão”(30). 

Knox também percebeu que como a Igreja estava mudando de uma forma para outra completamente, seria necessário a composição de um Livro de Disciplina, onde fosse elaborado um plano para a vida eclesiástica e social da nação. É no Livro de Disciplina, seguindo a Confissão Escocesa, que ficam definidas como marcas da verdadeira igreja: a pregação correta da Palavra de Deus, a administração correta dos sacramentos (batismo e ceia) e o exercício correto da disciplina eclesiástica(31). 

As marcas, sinais e símbolos seguros pelos quais a imaculada noiva de Cristo é distinguida da horrível meretriz, a falsa igreja, nós afirmamos, não são nem antigüidade, nem título usurpado, sucessão linear, lugar indicado, número de homens que provocam o erro... As marcas da verdadeira Igreja, portanto, nós cremos, confessamos e admitimos ser: primeiro, a pregação da verdadeira Palavra de Deus, na qual Deus tem nos revelado a si mesmo, como os escritos dos profetas e dos apóstolos declaram; segundo, a correta ministração dos sacramentos de Cristo Jesus, com os quais devem ser associados a palavra de Deus e a promessa de Deus para selá-las e confirmá-las em nossos corações; e por último, disciplina eclesiástica corretamente ministrada, como a Palavra de Deus prescreve, com a qual a imoralidade é reprimida e a virtude é alimentada. (Confissão Escocesa 18)(32) .

A inclusão da disciplina como terceira marca da igreja o distingue de Calvino, que embora tivesse a disciplina em alta conta, nunca afirmou ser ela a terceira característica da igreja verdadeira. É exatamente nesse ponto que se percebe a influência de Bullinger em seu pensamento, pois é na Confissão Belga de 1536, que essa distinção aparece pela primeira vez. Também sua visão da disciplina, não pode ser entendida legalisticamente, mas deve ser vista à luz da participação do crente no sacramento da ceia, que não deveria “ser profanada com a permissão de que os negligentes e os deliberadamente iníquos se aproximassem da Santa Mesa no momento sagrado em que o Senhor e os participantes estivessem (como diz Knox) ‘unidos simultaneamente’”(33). 

O Livro de Disciplina também orientava sobre o culto. Nele ficava claro que a exposição das Escrituras é a parte central do culto verdadeiro. Em Knox, mais do que em qualquer outro reformador fica clara a aplicação do princípio regulador do culto, pois ensinava, seguindo Zuínglio e John Hooper, que nenhuma prática era legítima no culto público, a não ser que especificamente ordenada nas Escrituras. Sua compreensão sobre a Ceia era semelhante a de Calvino e Bucer, ou seja, cria numa presença espiritual de Cristo na ceia, sendo recebida somente pela fé. H. Griffith(34), argumenta que o Primeiro Livro de Disciplina não era rigorosamente presbiteriano, mas já continha a sua semente.

A contribuição mais importante de Knox para a teologia protestante foi o seu conceito do relacionamento entre Igreja e Estado. Ele cria que Igreja e Estado perfaziam a mesma comunidade. A reforma religiosa não se imporia sem uma reforma política. A religião verdadeira deveria transformar tanto o indivíduo como a sociedade. Seu modelo para o governo civil foi retirado dos conceitos do Antigo Testamento. Na época da Reforma, a religião do príncipe era a religião do povo. Como Knox lutava contra o governo das rainhas católicas, achou um precedente no Antigo Testamento, para a desobediência civil quando as autoridades do povo contradiziam a Lei superior das Escrituras. Seu pensamento a respeito consta de sua obra: An Admonition or Warning (Uma Admoestação ou Advertência - 1554). Por fim, propôs que os cristãos são obrigados a derrubar um monarca idólatra (The First Blast of the Trumpet Against the monstrous Regiment of Women – O Primeiro Toque da trombeta Contra o Governo Monstruoso das Mulheres - 1558). Os ensinos de Knox contribuíram para o crescimento do conceito de liberdade religiosa.

Mesmo não sendo um revolucionário social, Knox também desenvolveu uma visão social bem clara para a Igreja. “Ele afirmou a obrigação de cada cristão cuidar dos pobres e elaborou um sistema mediante o qual cada igreja sustentaria seus próprios necessitados e administraria escolas de catequese para todas as crianças, ricas e pobres”(35). 

Segundo Lloyd-Jones, Knox é o pai do puritanismo, apontando como razões a originalidade de seu pensamento e também porque apresentou com muita clareza os princípios normativos do puritanismo, quais sejam, a autoridade suprema das Escrituras; uma reforma que alcançasse mais do que a doutrina apenas, mas que também atingisse a vida prática de cada pessoa como cristão e como cidadão mais plenamente, uma reforma “de raiz e ramos”(36). 

Lançou as bases mais concretas do princípio regulador do culto, contra o cerimonialismo anglicano, ao defender que a Igreja deveria reformar suas cerimônias, na forma de conduzir o culto e na administração das ordenanças. Para ele, nada podia ser acrescentado ou diminuído ao ensinado expressamente nas Escrituras. Segundo interpreta Lloyd-Jones: “Diziam que ele afirmava que o homem não pode formar nem inventar uma religião aceitável a Deus, mas está obrigado a observar e a manter a religião que de Deus é recebida, sem trocas nem mudanças”(37). 

Knox também escreveu uma História da Reforma na Escócia(38), que foi publicada somente em 1587, na Inglaterra, após a sua morte. A publicação na íntegra apareceu somente em 1644.

O Que Podemos Aprender com Knox?

1. Sua firmeza na defesa daquilo em que acreditava.

Ele sobressai na sua conscienciosa aplicação daquilo que acreditava ser o modelo neotestamentário concernente à natureza da Igreja, às ordenanças e cerimônias, e ao exercício da disciplina(39). Ele é o pai do puritanismo no seu conceito de culto e do princípio regulador. Seus ensinos sobre a desobediência civil ao Estado forneceram “as diretrizes para uma doutrina da Igreja e do Estado desenvolvida pelos presbiterianos e pelos huguenotes franceses em tempos posteriores”(40). 

2. Sua paciência e perspicácia pastoral.

É sabido que em seu tempo em Newcastle e Berwick, sob a jurisdição da Igreja da Inglaterra, ele simplesmente deixava de lado a aplicação em sua congregação dos Livros de Oração Comum de 1548 e 1549. Ele não pregava contra, mesmo discordando deles, simplesmente não os aplicava. Lloyd-Jones chama a atenção para o fato de que não precisamos ficar dizendo o que vamos fazer e assim chamando a atenção para a questão e causando polêmica, pois muitas vezes na vida pastoral, fazer em silêncio é mais importante do que falar(41). 

Essa atitude sua milita contra as acusações freqüentes de que Knox era um fanático autoritário, movido por presunção e ambições. Mas a moderação, muitas vezes é encontrada na paciência de esperar a hora certa de agir. Para Knox essa hora veio quase vinte anos depois, Quando pastoreou refugiados ingleses em Genebra e quando implantou o presbiterianismo na Escócia, sem os ritos do Livro de Oração Comum, e na aprovação de seu Livro de Disciplina e na Ordem do Culto. Embora a Reforma escocesa acontecesse sem derramamento de sangue, Knox e seus amigos passaram por difíceis testes na sua fé antes que o ideal reformador se estabelecesse completamente. Em meio a todos eles perseveraram com paciência.

Esse ponto também fica claro em sua carta de 1567 aos pastores puritanos que estavam sendo perseguidos pelos bispos anglicanos. Knox argumentou com eles que não cortassem seus laços com a Igreja da Inglaterra, mas que “deveriam manter o acordo pela paz e pela unidade, por algum tempo”(42). Na verdade, Knox os aconselhava a serem mais pacientes e aguardarem uma oportunidade mais favorável às reformas puritanas, pois tinha esperança de mudanças.

3. Sua pregação fiel e ao mesmo tempo contextual.

Knox não hesitava em ir ao púlpito e pregar abertamente contra aquilo que não concordava, de acordo com as Escrituras. Também várias vezes usou da pregação para refrear a cobiça dos lordes pelas terras da Igreja católica desapropriadas na Escócia. Knox nos ensina que a pregação da palavra tem de ser a exposição bíblica e que essa exposição não pode estar alienada do mundo ao seu redor, antes deve falar a ele partindo da Escritura como única regra de fé e conduta.

Knox nos dá um exemplo primoroso do que seja uma teologia engajada, que busca aplicar os preceitos bíblicos em todas as áreas da vida cristã privada e pública. A rainha da Escócia declarou que temia mais as orações e pregações de John Knox, do que dos soldados e dos canhões da Inglaterra. Seu sermão tinha a capacidade de colocar o temor de Deus nas pessoas.

Seu senso da total dependência humana da graça divina, que compunha o seu pensamento e sua vida tornou-se “o centro da vida das igrejas reformadas durante toda a sua história”(43). 

4. Seu amor pela Igreja de seu país.

Knox orava pela igreja escocesa; “Oh Deus! Dá-me a Escócia, senão eu morro”. Buscou de todas as formas que pode conceber, reformar a igreja de seu país, mesmo quando estava em Genebra, enviava-lhes seus livros, exortando-os à reforma. Por fim, no último dia de sua vida, pediu, segundo o relato de sua própria filha, que sua esposa lesse para ele João 17, dizendo: “Leia a parte onde eu lanço a minha primeira âncora”(44). 

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Notas de referência: 

[1] Apresentação do autor abaixo das notas de referência.
[2] Waldyr Carvalho Luz, John Knox, O Patriarca do Presbiterianismo, ECC, p.13.
[3] Cairns diz que foi em Glasgow (Earlie Cairns, O Cristianismo Através dos Séculos, Vida Nova, p. 260).
[4] Waldyr C. Luz, John Knox, O Patriarca do Presbiterianismo, p.14.15.
[5] D. Martin Lloyd-Jones, John Knox: O Fundador do Puritanismo, PES, p.4,5.
[6] Earlie Cairns, O Cristianismo Através dos Séculos, p. 260.
[7] Waldyr Carvalho Luz, John Knox, O Patriarca do Presbiterianismo, p.32.
[8] Agosto de 1547 a Fevereiro de 1549. Ibid., p.57..
[9] Lloyd-Jones, John Knox: O Fundador do Puritanismo, p.2.
[10] Ibid., p.20.
[11] Waldyr Carvalho Luz, John Knox, O Patriarca do Presbiterianismo, p.63.
[12] Justo Gonzalez, A Era dos Reformadores, Vida Nova, p.138.
[13] Earlie Cairns, O Cristianismo Através dos Séculos, p.260.
[14] Lloyd-Jones, John Knox: O Fundador do Puritanismo, p.9.
[15] Tony Lane, Pensamento Cristão, Vol. II, Abba Press, p.42.
[16] As outras mulheres governantes eram as católicas Maria de Lorena, na Escócia; e Catarina de Médicis, na França. Justo Gonzalez, A Era dos Reformadores, vol. VI, p.139.
[17] Waldyr Carvalho Luz, John Knox, O Patriarca do Presbiterianismo, ECC, p.93.
[18] A Brief Exhortation to England for the Speed Embracing Christ’s Gospel Heretofore by Tyranny of Mary Suppressed and Baniished.
[20] Lloyd-Jones, John Knox: O Fundador do Puritanismo, p.24,25.
[21] Justo Gonzalez, A Era dos Reformadores, vol. VI, p.141.
[22] Ibid.
[23] Earlie Cairns, O Cristianismo Através dos Séculos, p.261. Veja um extrato de uma dessas conversas em: John Leith, A Tradição Reformada, Pendão Real, p.342.
[24] H. Griffith, “John Knox”, EHTIC (Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã) vol. II, Vida Nova, p.403.
[25] Justo Gonzalez, A Era dos Reformadores, p.143.
[26] F. F. Bruce, João, Introdução e Comentário, Vida Nova, p. 280. Lloyd Jones coloca de forma ligeiramente diferente: “Leia a parte onde eu lanço a minha primeira âncora” (Lloyd-Jones, John Knox: O Fundador do Puritanismo, p.32).
[27] Earlie Cairns, O Cristianismo Através dos Séculos, p.262.
[28] Lloyd-Jones, John Knox: O Fundador do Puritanismo, p.9.
[29] H. Griffith, “John Knox”, EHTIC vol. II, Vida Nova, p.403.
[30] John Leith, A Tradição Reformada, p.211. Embora John Leith classifique os sermões de Knox com a expressão “literalismo bíblico”, preferimos a terminologia “exposição bíblica”, pois reflete melhor o método de Knox.
[31] H. Griffith, “John Knox”, EHTIC vol. II, Vida Nova, p.404.
[32] Ibid.
[33] Citada por Tony Lane, Pensamento Cristão, Vol. II, p.43.
[34] James S. Mcewen, citado por: John Leith, A Tradição Reformada, p.247.
[35] H. Griffith, “John Knox”, EHTIC vol. II, p.404.
[36] Ibid., p.405.
[37] Lloyd-Jones, John Knox: O Fundador do Puritanismo, p.13.
[38] Lloyd-Jones, John Knox: O Fundador do Puritanismo, p.14.
[39] O título completo é: História da Reforma de Religião Dentro do Reino da Escócia. A versão integral dessa obra apareceu somente em 1644, segundo Tony Lane (Pensamento Cristão, Vol. II, p.42).
[40] Lloyd-Jones, John Knox: O Fundador do Puritanismo, p.15.
[41] H. Griffith, “John Knox”, EHTIC vol. II, p.405.
[42] Lloyd-Jones, John Knox: O Fundador do Puritanismo, p.6,15.
[43] Lloyd-Jones, John Knox: O Fundador do Puritanismo, p.26. Itálicos meus.
[44] H. Griffith, “John Knox”, EHTIC vol. II, p.405.
[45] Lloyd-Jones, John Knox: O Fundador do Puritanismo, p.32.

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Autor: Rev. Hélio de Oliveira Silva, é Bacharel em Teologia (BTh-SPBC-1990). Mestre em Teologia Histórica (STM-CPPGAJ/2004). Bacharel em Teologia (Convalidação - FAIFA/2011). Pastor auxiliar na Igreja Presbiteriana do Jd. Goiás - Goiânia/GO. É professor no SPBC desde 1999, onde leciona dentre outras matérias, Literatura Patrística e Reformada e História da IPB.

Fonte: Anunciando Todo o Desígnio de Deus

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Uma Reforma Urgente

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Por Rev. Ericson Martins


Não é difícil contemplar os rumos para os quais o evangelicalismo brasileiro tem se guiado sem nos sentirmos preocupados; não tanto pelos frequentes escândalos financeiros nos quais se envolvem certas lideranças ditas cristãs, nem pelos notórios desvios da ortodoxia doutrinária. Mas, especialmente, pela falta de temor do Senhor. Esse sim é uma causa fundamental para a evolução dos problemas até aqui mencionados, como também para com o descrédito moral de inúmeras igrejas na sociedade por parte daqueles que, desiludidos e frustrados, negam retornarem à elas.

A muito se fala sobre a necessidade de uma nova reforma, uma reforma séria que inclua não somente o retorno à suficiência da Palavra de Deus e da obra de Cristo, mas também à uma conduta ética que eleve os atuais padrões de transparência quanto aos interesses que movem a relação da Igreja com este mundo.

No dia 31 de outubro é comemorado em todo o mundo o “Dia da Reforma Protestante” por seus 497 anos de história (1517-2014). Essa data relembra o dia em que o monge agostiniano Martinho Lutero protestou publicamente contra as condutas institucionais e dogmáticas da Igreja Católica da sua época, ao fixar 95 teses na porta da Igreja de Wittenberg (Alemanha). Naquele contexto, Lutero denunciou a corrupção generalizada do clero, a infalibilidade papal e a venda das indulgências com a primeira tese: “Ao dizer: ‘Arrependei-vos’, etc (Mt 4:17), o nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo quis que toda a vida dos fiéis fosse de arrependimento”. Para ele nenhuma reforma ocorreria e nenhum avivamento seria experimentado sem arrependimento!

Sem o temor do Senhor igrejas e líderes negociam a guerra contra o pecado para ser mais atraente ao pecador, homens reivindicam falsamente a autoridade apostólica em busca de exaltação na hierarquia do poder eclesiástico e recursos financeiros são explorados ilicitamente dos crentes pelos discursos do medo, da culpa e das expectativas em promessas infundadas da Palavra de Deus. Lutero viveu em um contexto assim; porém, não podendo mais conter a indignação que crescia em seu coração, tomou para si a primeira resolução, antes das suas 95 teses, de protestar contra a mentira e o engano, e de se tornar um agente de reflexão e transformação, pela Escritura, das imoralidades que permeavam a fé e a conduta cristã dos seus dias.

Diante desse exemplo, o Dia da Reforma Protestante deve ser comemorado resgatando do testemunho de Lutero e de outros reformadores do século XVI, o compromisso de nos pautar na suficiência da Palavra de Deus e da obra de Cristo, arrependendo-nos e chamando todos ao arrependimento diante de Deus. Se isso ocorrer, uma profunda reforma será realizada em cada um de nós e nos tornaremos agentes de transformação, da parte de Deus, onde já nos encontramos.

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Fonte: Reflexões e Cotidiano
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