Porque membresia é importante

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“Por que se preocupar com a membresia da igreja?”

Já me fizeram essa pergunta antes. Às vezes, ela é feita com uma genuína curiosidade: “Explique-me o que ser membro significa”. Outras vezes, ela é feita com um quê de suspeita: “então, diga-me, mais uma vez, porque eu devo me tornar um membro” – como se fazer parte da igreja colocasse a pessoa automaticamente na lista de dízimos por débito automático.

Para muitos cristãos, membresia soa como algo rígido, algo que você tem em um banco ou em um clube de campo, mas que é formal demais para a igreja. Mesmo quando se aceita que o Cristianismo não é uma religião solitária e que nós precisamos de uma comunidade e de comunhão com outros cristãos, nós, ainda assim, receamos nos tornar oficialmente parte de uma igreja. Para que isso? Por que encaixotar o Espírito Santo em categorias de membro/não membro? Por que se dar ao trabalho de pertencer a uma igreja local quando eu já sou membro da Igreja universal?

Alguns cristãos – por causa da tradição da igreja ou da bagagem que possuem – podem não ser convencidos sobre a membresia, não importa quantas vezes a palavra “membro” apareça no Novo Testamento. Mas muitos outros estão abertos a ouvir sobre algo que eles não conhecem direito.

Aqui vão algumas razões pela qual a membresia importa.

1. Ao fazer parte de uma igreja, você demonstra visivelmente seu compromisso com Cristo e com seu povo

Membresia é uma das formas de se levantar a bandeira da fé. Você assume perante Deus e os outros que você é parte desse corpo local de crentes. É fácil falar em termos quentinhos sobre a igreja invisível – o corpo de crentes que estão perto ou longe, vivos ou mortos –, mas é na igreja visível que Deus espera que você viva a sua fé.

Às vezes eu acho que nós não ficaríamos clamando por viver em comunidade se já tivéssemos realmente experimentado passar por isso. A verdadeira comunhão é algo difícil, pois temos de lidar com pessoas muito parecidas conosco: egoístas, mesquinhas e orgulhosas. Mas é para esse corpo que Deus nos chama.

Quantas cartas Paulo escreveu para apenas uma pessoa? Apenas um punhado, as quais, em sua maioria, foram voltadas para pastores. A maior parte de suas epístolas foram escritas a um corpo local de crentes. Nós vemos a mesma coisa em Apocalipse. Jesus falou com congregações individuais, como a de Esmirna, Sardes e Laodicéia. No Novo Testamento, não há cristãos flutuando na terra do “só eu e Jesus”. Crentes pertencem a igrejas.

2. Fazer um compromisso é uma declaração poderosa, em uma cultura de poucos compromissos

Muitas ligas de boliche exigem mais de seus membros do que a igreja. Onde isso é algo real, então a igreja é um triste reflexo da sua cultura. A nossa cultura consumista faz com que tudo seja feito com o fim de atender as nossas preferências. Quando essas necessidades não são atendidas, nós sempre podemos experimentar um outro produto, trabalho ou esposa.

Juntar-se a uma igreja, nesse tipo de ambiente, é uma afirmação contracultural. É dizer: “estou comprometido com esse grupo de pessoas e eles estão comprometidos comigo. Estou aqui mais para dar do que para receber”.

Mesmo que você vá ficar na cidade por apenas alguns anos, não é uma má ideia participar de uma igreja. Isso faz com que a sua igreja de origem (se você está estudando longe de casa, por exemplo) saiba que você está sendo cuidado e faz com que a sua igreja atual saiba que você quer ser cuidado por ela.

Mas a questão não é apenas sobre ser cuidado, é sobre fazer uma decisão e ser fiel a ela – algo que a minha geração, com a sua variedade de opções, acha difícil. Nós preferimos namorar a igreja – tê-la por perto em eventos especiais, chamá-la para sair quando nos sentimos sozinhos ou mantê-la por perto em dias chuvosos. A membresia é a única forma de parar de namorar igrejas e se casar com uma.

3. Nós podemos ser excessivamente independentes

No ocidente, isso é uma das melhores e piores coisas sobre nós. Nós somos livres e pensadores críticos. Nós temos uma ideia, e corremos em direção a ela. Mas quem está correndo conosco? E será que estamos todos correndo na mesma direção? A membresia afirma formalmente: “eu sou parte de algo maior do que eu. Eu não sou apenas um dentre três mil indivíduos. Eu sou parte de um corpo”.

4. A membresia nos coloca sob supervisão

Quando participamos de uma igreja, estamos nos oferecendo uns aos outros para sermos encorajados, repreendidos, corrigidos e servidos. Estamos nos colocando sob líderes e nos submetendo a sua autoridade (Hebreus 13.7). Estamos dizendo: “Estou aqui para ficar. Eu quero ajudá-lo a crescer em santidade. Você me ajuda a fazer o mesmo?”.

Mark Dever, no livro Nove Marcas de uma Igreja Saudável (Editora Fiel, páginas 12 e 13), escreve:

Identificando-nos com uma igreja particular, permitimos que os pastores e demais membros daquela igreja local saibam que nós pretendemos manter um compromisso na frequência, na oferta, na oração e no serviço. Nós ampliamos as expectativas de outros em relação a nós mesmos nessas áreas, e tornamos claro que estamos sob a responsabilidade desta igreja local. Nós asseguramos a igreja quanto ao nosso compromisso com Cristo ao servir com eles, e pedimos o compromisso deles quanto a nos servir em amor e nos encorajar em nosso discipulado.

5. Juntar-se à igreja ajudará seu pastor e os seus presbíteros a serem pastores fiéis

Hebreus 13.7 diz: “Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles”. Essa é a sua parte como “leigo”. E essa é a nossa parte como líderes: “pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas”. Como pastor, eu levo muito a sério minha responsabilidade perante Deus de cuidar das almas. Em quase todas as reuniões de presbíteros o Manual de Instruções das Igrejas Reformadas da América RCA Book of Church Order – nos orienta a “procurar descobrir se qualquer membro da congregação está em necessidade de cuidados especiais em relação a sua condição espiritual e/ou não tem feito o uso adequado dos meios de graça”. Isso já é algo bem difícil de se fazer em uma igreja como a nossa, onde há uma constante rotatividade. Mas é ainda mais difícil quando nós não sabemos quem realmente é parte desse rebanho.

6. Juntar-se à igreja lhe dá a oportunidade de fazer promessas

Quando alguém se torna membro da University Reformed Church, a igreja que eu pastoreio, ele promete orar, ofertar, servir, comparecer aos cultos, aceitar a liderança espiritual da igreja, obedecer aos ensinamentos e procurar as coisas que trazem unidade, pureza e paz. Nós não devemos fazer essas promessas de qualquer jeito. Elas são votos solenes. E nós devemos ajudar uns aos outros a nos mantermos fiéis a elas. Se você não faz parte de uma igreja, você perde a oportunidade de fazer essas promessas publicamente, convidando os presbíteros e o resto do corpo a ajudarem você a se manter firme nessas promessas. Isso fará com que você, seus líderes e toda a igreja percam grande benefícios espirituais.

Membresia é mais importante do que muita gente pensa. Se você realmente quer ser um revolucionário contracultural, aliste-se em uma classe de membresia, encontre-se com seus presbíteros e junte-se a uma igreja local.

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Autor: Rev. Kevin DeYoung
Fonte: The Gospel Coalition
Tradução: Victor Bimbato
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O que a história da igreja pode nos ensinar sobre os lobos?

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Semana passada (abr/17), Joe Carter (não o Joe Carter do beisebol) publicou um artigo perspicaz sobre o fascínio pelos lobos violadores. Isso me fez refletir sobre os falsos mestres na história da igreja.

Quando digo “falso mestre” ou “lobo” não quero dizer todos àqueles que discordam de mim num ponto de vista teológico. Como presbiteriano, penso que batistas, metodistas e pentecostais estão enganados sobre algumas questões importantes, mas desviar-se da confissão de fé de Westminster não faz de você um outro Ário ou um Pelágio. Um falso mestre ou um lobo é alguém que arrebata as ovelhas (João 10:12), afasta os discípulos do evangelho (Atos 20:28), opõe-se à verdade (2 Timóteo 3: 8) e leva as pessoas a naufragar na fé e abraçar a impiedade (1 Timóteo 1:19-20, 2 Timóteo 2:16-17).

Vários anos atrás, fiz uma série sobre heresias e hereges. O preparo das mensagens me ajudou a entender melhor a história da igreja e a articular com mais zelo a fé ortodoxa. Isso também me ajudou a perceber alguns padrões (e não-padrões) relacionados aos falsos mestres. Descobri que a história da igreja pode nos ensinar muito sobre os lobos.

1. Os lobos geralmente não sabem que são lobos.

Enquanto alguns falsos mestres seguem conhecendo hipócritas que tomam a linguagem religiosa a fim de tosquiar o rebanho, muitos erros na história da igreja têm sido promovidos por aqueles que acreditavam sinceramente que estes estavam realizando a obra de Deus. Até onde sabemos, Pelágio não foi um grande idiota. Os Donatistas eram inteiramente conscientes da fé. Não devemos pensar que os mestres lobos e os blogueiros estão tentando conduzir as ovelhas ao desvio. As pessoas podem ser inteiramente sinceras e ainda assim serem genuinamente enganadas.

2. Os lobos podem citar a Bíblia.

É difícil saber com certeza como eram os hereges antigos porque muito do que sabemos sobre eles vem do que os opositores ortodoxos escreviam contra eles. E, ainda, a julgar pelas controvérsias passadas, podemos supor que Ário conhecia sua Bíblia. Os debates trinitários e cristológicos da igreja primitiva, sem mencionar as controvérsias soteriológicas da Reforma, envolveram pessoas de ambos os lados citando as Escrituras. Isso não significa que todo o ponto de vista estava certo. Isso significa que a teologia pode vir com versículos da Bíblia e ainda estar errada.

3. Os lobos tendem a ser desequilibrados.

Desequilibrado pode não ser o termo certo. Não estou sugerindo que a verdade é sempre o significado áureo entre extremos óbvios. O que quero dizer é que os falsos mestres tendem a deixar os grandes temas das Escrituras silenciarem versos específicos. Os lobos ignoram todo o conselho de Deus. Eles gostam de pegar temas como amor, ou justiça, ou hospitalidade, ou lei, ou graça e, em seguida, aparar todas as arestas da Escritura para se adequar a um grande conceito. O problema não é alardear estas gloriosas verdades. O problema é que suas compreensões sobre a verdade ficam truncadas e a aplicação da verdade fica unidimensional. Isso muitas vezes leva à conclusões não bíblicas que acabam soando como bíblicas. Tal como: Se Deus é amor, então não podemos ter inferno ou exigências morais que fazem eu me sentir (ou a meus amigos) desconfortável ou insatisfeito. Se Jesus comeu com os pecadores, então não deveríamos estar exageradamente preocupados com o pecado. Se Deus é soberano sobre todas as coisas, então não deveríamos evangelizar. As verdades gerais pressionam as conclusões antibíblicas.

4. Os lobos são impacientes com demandas de clareza verbal.

O falso ensino cresce em ambiguidade. Ele afasta da cuidadosa atenção às palavras e definições. Os Arianos estavam dispostos a viver com imprecisão doutrinária. Foi Atanásio e o partido ortodoxo que insistiu na definição dos termos. E eles insistiam em dizer não apenas o que era certo, mas também o que era errado. Bons pastores estão dispostos a definir e delimitar. Não confie em mestres que gostam mais de atacar do que os que gostam de transparência.

5. Os lobos vêm em diferentes formas e tamanhos.

Não há uma abordagem única para a resolução de disputas teológicas. Não vamos discernir se imaginarmos que os falsos mestres são sempre fariseus ou sempre libertinos. Ou se vamos supor que são sempre muito rígidos ou muito liberais. Às vezes, a verdade também é / ou é: há apenas um Deus, a salvação é apenas pela fé, não há outro nome abaixo do céu. Mas às vezes, a verdade é ambos / e: um Deus em três pessoas, plenamente Deus e plenamente homem, soberania divina e responsabilidade humana. Às vezes, o erro ocorre porque não prestamos atenção o suficiente a uma importante questão. Outras vezes, o problema está em desperdiçar tempo em “controvérsias tolas”.

Não podemos resolver todos os nossos problemas da mesma forma. Não podemos sempre supor que a resposta mais conservadora é a melhor, ou que a resposta liberal é sempre verdade. Se nós somos flexíveis em algumas áreas, não significa que devemos ser flexíveis em todas elas. Se nós somos rígidos lá, isso não significa que precisamos ser tão rígidos com essa questão aqui. Lobos e falsos mestres não sabem como usar a sabedoria para resolver diferentes questões de diferentes maneiras.

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Autor: Rev. Kevin DeYoung
Fonte: The Gospel Coalition
Tradução: Anderson Rocha
Via: NAPEC
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A tolerância que Jesus não tolera

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Cristãos não devem ser tolerantes com tudo, uma vez que Deus não o é. Nós podemos respeitar opiniões diferentes e tentar entendê-las, mas não devemos afirmar incondicionalmente e sem avaliação toda crença e comportamento, por que Deus não faz isso. Nós devemos amar o que Deus ama. Foi aí que Éfeso falhou. E devemos odiar o que Deus odiou. Aí que Tiatira falhou.

Das sete cidades de Apocalipse, Tiatira é a menos conhecida, a menos impressionante e a menos importante. E, ainda assim, é a maior carta das sete. Havia muita coisa acontecendo nessa igreja – algumas ruins e outras boas.

Vamos começar com as boas. O verso 19 do capítulo 2 diz: “Conheço as tuas obras, o teu amor, a tua fé, o teu serviço, a tua perseverança e as tuas últimas obras, mais numerosas do que as primeiras”. Éfeso foi louvada por suas benfeitorias e seu forte trabalho ético. Tiatira é ainda melhor. Ela tinha os mesmos feitos que Éfeso teve e o amor que faltou a esta. A igreja em Tiatira não era sem virtudes genuínas. Era um grupo unido que amava, servia, cria e perseverava.

Talvez Tiatira fosse o tipo de igreja que você entra e já se sente parte: “Prazer em conhecê-lo. Venha, deixa-me apresentá-lo aos meus amigos. Vou lhe mostrar como você pode participar, usar seus dons, seguir seu ministério. Somos muito gratos de tê-lo conosco.” Era uma igreja que se importava, que se sacrificava e amava.

Essa era a parte boa. E a parte ruim? O amor dela podia ser sem discernimento e cegamente afirmativo. O grande problema de Tiatira era a tolerância. As pessoas de lá toleravam falsos ensinamentos e comportamentos imorais, duas coisas com as quais Deus é ferozmente intolerante. Jesus diz: “você é amorosa de diversas formas, mas a sua tolerância não é amor. É infidelidade.”

O pecado específico de Tiatira era a tolerância com Jezabel. Este não era o nome real da mulher. Mas essa falta profetisa agia como Jezabel – guiando o povo em adultério e em idolatria. Nós não sabemos se sua influência era formal – se ela ia à frente das pessoas e falava esse tipo de coisa enganosa – ou se era informal – em conversas corriqueiras e no “boca a boca”. Contudo, isso estava acontecendo. Essa mulher era um perigo espiritual, como sua xará do Antigo Testamento.

Jezabel foi a filha de Etbaal, rei dos sidônios. Ela adorava Baal e Aserá e levou seu marido Acabe para o mesmo caminho. Foi ela quem planejou matar o inocente Nabote por causa de sua vinha. Ela foi chamada de “maldita” (2 Reis 9.34) e, como punição por sua malícia, eventualmente foi empurrada pela janela, pisoteada por cavalos e comida por cachorros. Ela era uma mulher má, que levou muitos israelitas para o mau caminho.

Jesus disse a Tiatira: “vocês estão permitindo que uma mulher como aquela guie seu povo. Por que vocês a toleram? Não a sigam. Não dialoguem com ela. Não esperem para ver o que vai acontecer. Livrem-se dela… ou eu farei.” Aparentemente, de alguma forma, Deus já a havia alertado para que se arrependesse, mas ela se negou. Então, agora, o Senhor Jesus promete jogá-la na cama doente e fazer com que seus seguidores também sofram, a não ser que se arrependam. “Eu vou atacar mortalmente os seus filhos espirituais”, disse o Senhor. Jesus não está brincando. Isso não é algo secundário, mas um sério pecado digno de morte.

Havia também um pecado arraigado. Havia uma série de cooperativas comerciais em Tiatira. Imagine que você participasse da APT, a Associação de Pedreiros de Tiatira, e, certa noite, a corporação se reunisse para uma festa. Você está sentado em sua mesa, pronto para participar dessa grande celebração com seus amigos e colegas. Então o anfitrião diz algo como: “Que bom que vocês vieram. Que ocasião feliz para a APT. Nós temos uma grande festa preparada para vocês. Mas, antes de começar, nós gostaríamos de reconhecer que o grande deus Zeus, que cuida dos pedreiros, tornou esse jantar possível. Zeus, cuja estátua está ali no canto, nós comemos por você, por sua honra e para adorá-lo. Vamos começar.”

O que você faria nessa situação? Ficaria ou iria embora? O que a sua participação significaria para seus companheiros cristãos, para o mundo e para Deus? Cristãos do mundo antigo não precisavam procurar por idolatria. Ela permeava toda a sua cultura. Não participar desses rituais pagãos chamaria a atenção como um torcedor do Corinthians no Palestra Itália. Essas festas, com sua idolatria e folia sexual, que muitas vezes as seguiam, eram parte normal da vida do mundo Greco-romano. Ficar de fora poderia ser algo social e economicamente desastroso.

Esse é o motivo pelo qual os falsos mestres, como essa Jezabel em Tiatira ou os nicolaítas em Pérgamo, eram tão ouvidos. Eles tornavam o ser cristão em algo muito mais fácil, menos custoso e muito menos contracultural. Mas era um cristianismo diluído e vendido, e Jesus não iria tolerá-lo. Ele iria usar Tiatira como exemplo para mostrar a todas as igrejas que Jesus tem olhos de fogo, puros demais para ver o mal, e pés de bronze polido, santos demais para caminhar entre a maldade. Ele queria que todas as igrejas soubessem que ele é quem perscruta as mentes e corações e que irá punir todo mal não arrependido.

O erro de Jezabel era um pecado sério, arraigado e sutil. Provavelmente ela havia dito às pessoas que os “segredos profundos” não iriam prejudicá-los. Nós não sabemos exatamente o que aprender os chamados segredos profundos de Satanás significava para a igreja. Nós não sabemos se os falsos profetas chamavam eles assim ou se Jesus é quem os está chamando assim. Mas o que está acontecendo é, provavelmente, algum tipo de falso ensinamento que desvalorizava o mundo material. Essa Jezabel poderia estar falando: “O mundo físico não importa. O espiritual é o que conta. Então participem das festas aos ídolos e façam o que vocês quiserem sexualmente. Essas coisas são materiais. Deus não liga para isso”. Ou talvez ela estivesse falando: “Veja, se você é espiritual, então a sua relação com Deus será forte o suficiente para você aguentar as coisas profundas de Satanás. Então vá em frente. Participe das coisas do diabo. Você pode lidar com isso e, além disso, provavelmente aprenderá mais sobre sobre o inimigo durante o processo.” Independentemente do que ela estivesse falando, era uma mentira e estava levando o povo ao pecado. E a igreja era mais tolerante do que Jesus, o que nunca é uma boa ideia.

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Autor: Kevin DeYoung
Fonte: The Gospel Coalition
Tradução: Victor Bimbato
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O que a Bíblia diz sobre nascer gay?

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Essa é uma questão complicada e muito dela depende do que nós queremos dizer com essa frase. Assim, vamos lidar com a pessoa que diz “eu nasci gay” e que afirma que houve alguma causa genética para sua atração por pessoas do mesmo sexo. Eu responderia que nós podemos examinar a literatura científica mais recente, que não apoia com muita força essa conclusão. Na verdade, o discurso oficial das principais associações psiquiátricas ou psicológicas dirá que nós não sabemos ainda de uma causa definitiva e que é provavelmente uma mistura de inato e adquirido. Assim, quaisquer relatos sobre um suposto “gene gay” são grandemente exagerados. Essa é uma coisa que nós poderíamos dizer.

Nós poderíamos ir um pouco além e dizer: “Bem, talvez haja questões de química no cérebro ou há conexões em nós que tornariam as pessoas mais pré-dispostas a serem atraídas por pessoas do mesmo sexo”. Mas, mesmo isso não prova tanto quanto poderíamos pensar, pois temos visto estudos que sugerem que pessoas têm uma pré-disposição ao alcoolismo. Ou nós sabemos que se os homens têm níveis mais altos de testosterona eles podem ser mais ambiciosos, mais atléticos, mais propensos à promiscuidade, talvez mais propensos à irritação. Assim, há todo tipo de maneira de entender nossos corpos. E nós não desejamos um tipo de determinismo biológico que diz: “Como eu ajo e como me sinto é apenas produto dos meus genes, da minha química, ou algum tipo de ligação neural no cérebro”.

Assim, existe essa maneira de responder a questão. E há a pessoa que diz “Eu nasci gay” e talvez queira dizer “Eu tenho esses desejos por pessoas do mesmo sexo e eu não escolhi conscientemente eles. Eu não acordei um dia e pensei: ‘eu quero ser atraído por pessoas do mesmo sexo’”. Na verdade, talvez elas tenham orado, batalhado e buscado uma maneira de mudar esses desejos.

A essas pessoas eu quero dizer que é verdade que normalmente esses desejos vêm espontaneamente. Eles não são conscientemente escolhidos. E, embora nós possamos precisar nos arrepender de desejos desordenados, aquilo com o qual a Bíblia parece estar mais preocupada é que nós não desejemos em nossos corações e não ajamos com base nesses desejos.

Por fim, a última coisa que devemos dizer é que não importa como alguns de nós nasçam, a ênfase da Bíblia é que podemos nascer de novo de uma maneira diferente. Com certeza, há um pouco de verdade em dizer que só podemos ser quem somos. Isso é um pouco de boa teologia cristã. Porém, o que geralmente falta nessa equação é que nós temos uma nova identidade em Cristo, o que significa que nós somos novas criações, isto é, que agimos como “pequenos Cristos”. E, assim, toda a nossa identidade é remodelada e renascida, e quem nós somos e o que fazemos será inteiramente novo. Isso pode significar para algumas pessoas novos desejos por pessoas do sexo oposto e, para outras que batalham com a atração pelo mesmo sexo, pode significar um longo compromisso de vida ao celibato e mortificação da carne, e seguir a Cristo independentemente do custo.

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Autor: Kevin Deyoung
Fonte: CrossWay

Tradução: Josaías Jr.
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10 princípios para maridos e pais cristãos

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A maioria dos homens cristãos em círculos conservadores abraçam a verdade bíblica de que eles devem liderar suas famílias em Cristo. Embora a maioria abrace essa realidade e esteja convencida da sua necessidade, é igualmente verdade que a maioria de nós não tem certeza de como fazer isso. Poucos de nós cresceram em lares cristãos com pais cristãos fortes e piedosos para nos modelar. Como um marido e pai cristão lidera bem a sua família em Cristo? Eu sugiro que os princípios abaixo são um ponto de partida:

Busque a santidade: essa é a chave para liderar as nossas famílias em Cristo. Um marido e pai cristão não pode liderar onde ele não pisou. Assim como Paulo admoestou Timóteo a respeito do pastorado, “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina” (1 Timóteo 4.16), o mesmo se aplica ao “pastor” da casa. Se falta santidade em nossas vidas, então ela também faltará nos membros da nossa família. O maior impulso para o crescimento deles é o nosso próprio crescimento em Cristo.

Reconheça o que você pode e não pode controlar: aquele que pensa que pode controlar o coração dos outros é um tolo. Nós não temos tal capacidade e graças a Deus por isso. Podemos encorajar, exortar e ensinar nossas esposas e filhos na fé, mas não podemos controlar o seu envolvimento e crescimento na fé. Mas é nossa responsabilidade manter nossos próprios corações. Não negligencie o que você tem por responsabilidade enquanto persegue as coisas pelas quais você não é responsável. Maridos e pais servem melhor suas famílias quando estão tentando controlar a sua própria raiva, egoísmo, orgulho e língua. Que saibamos o que somos habilitados a fazer e aquilo que somente o Senhor pode fazer.

Proveja em todos os meios: a maioria dos maridos e pais cristãos reconhece a necessidade de sustentar as suas famílias materialmente. “Ora, se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior do que o descrente” (1 Timóteo 5.8). Mesmo que isso seja verdade no reino físico, também o é no reino espiritual. Por favor, traga para casa o bacon! Mas não pare por aí. Pratique um culto familiar consistente e regular; lidere a sua família na leitura das Escrituras, orando e cantando. Alegremente, leve a sua família à igreja a cada semana, envolva a sua família no ministério da Igreja, busque a hospitalidade convidando outras pessoas para sua casa, ore com e por sua esposa e filhos. Não pense que seu trabalho está feito apenas ao garantir um teto sobre suas cabeças, roupas nos seus corpos e comida em seus estômagos. Eles são corpo e alma, eles precisam da sua provisão no reino espiritual.

Pratique a humildade: liderar em Cristo é diferente do que o mundo entende por liderança. O mundo promove um tipo de liderança que exige ser servido. A visão cristã de liderança exige o servir. Caro marido e pai cristão, você é o servo chefe de sua casa. Parabéns! Em Cristo, “quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva” (Mateus 20.26). Lideramos ao servir e muitas vezes esse serviço é sacrificial (Efésios 5.25).

Persista em alegria e ação de graças: defina o tom da sua casa. Um marido e pai cristão estabelece a cultura de sua casa mais do que ninguém. O adolescente temperamental, a criança exigente ou mesmo a esposa mal-humorada não são os fatores determinantes. Você é. Prossiga na alegria do Senhor e persista em ação de graças a Deus por todas as Suas boas dádivas (Tiago 1.17). Este é um grande ponto de partida para moldar a sua casa.

Seja efusivo no amor: Nenhuma esposa ou filho já disse: “Eu fui amado além da conta!”. Não seja o marido ou pai que é reservado em expressar seu amor. Faça a sua esposa se sentir preciosa. Nutra e a acalente (Efésios 5.29). Honre a sua vida com elogios, flores, presentes e carinho constante. Abrace-a por trás enquanto ela está lavando os pratos, encontre um tempo regular para ela escapar das demandas da casa, incentive-a a buscar amizades femininas piedosas, agradeça o cuidado que ela dá a você e seus filhos, planeje e execute encontros. Que ela nunca duvide que você a estima mais do que todos os outros. Permita que seus filhos vejam esse carinho. Os pequenos olhos de seus filhos devem te ver abraçar sua esposa constantemente. Quanto aos seus filhos, tenha por eles um amor implacável e infalível. Não importa as falhas, fraquezas, ou lutas que eles possam ter, o seu amor vai ser uma constante em suas vidas. Ele é fixo e nada pode roubá-lo. Você não vai ser um pai perfeito, mas banhar os seus filhos em amor é um passo para ser um grande pai.

Viva pela graça: Pedro diz:vivei a vida comum do lar, com discernimento; e, tendo consideração para com a vossa mulher como parte mais frágil…” (1 Pedro 3.7). Paulo diz: “E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor” (Efésios 6.4). Modele e pratique a graça em sua casa. Seja sensível ao pecado e ainda mais sensível para estender aos outros a mesma graça que você recebeu. Sua esposa e filhos devem te ver como alguém acessível, amável, gentil e gracioso. Ao ouvirem a palavra graça, ela não deve ser um conceito estranho às suas mentes. Eles devem conhecer e receber isso de você consistentemente.

Proteja e seja forte: Sua esposa e filhos precisam da sua força. Não só eles precisam da sua força, como também precisam saber que você está disposto a usar essa força para o bem deles. Você serve como seu defensor. Você deve defender a sua família com boa vontade e de bom grado, mesmo que isso lhe custe social, profissional, emocional ou mesmo fisicamente.

Glorie-se na fraqueza: mesmo quando você procura ser forte, deve reconhecer a glória em sua própria fraqueza. Sua esposa e filhos devem conhecê-lo como um homem que alegremente depende do Senhor. Quando eles refletirem sobre sua força, devem sempre entendê-la como vinda da parte do Senhor. E você deve se alegrar por eles conhecerem a fonte da sua força. Um marido cristão e pai fiel não vai mergulhar na sua fraqueza, mas glorificará nela. Ele irá continuamente olhar para Cristo e modelar essa virtude cristã suprema em sua família. Ele será um homem de oração, sabendo que grande parte de seu pastoreio ocorre de joelhos. Ele vai liderar o caminho ao pedir perdão em casa, tanto a sua esposa e filhos. Ele será rápido em conceder o perdão quando ofendido, vai refrear-se em ter expectativas muito altas sobre sua esposa e filhos, reconhecendo suas próprias falhas e fraquezas e estenderá a eles a mesma graça de que ele mesmo precisa.

Viva contemplando a Glória de Deus: esteja você no trabalho, descansando ou brincando, procure glorificar o Senhor. Paulo disse: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus.” (1 Coríntios 10.31). Modele a sua família para viver com propósito. Estamos sempre vivendo à sombra da glória de Deus. Mostre a eles que cada momento é importante, cada pessoa é significativa, cada tarefa é importante. Ria ao brincar com seus filhos, sue ao trabalhar e cante alto ao adorar. Faça todas as coisas contemplando a Glória de Deus e as faça com todo o seu coração e alma, especialmente ao liderar a sua família.

Maridos e pais cristãos, a vocês foi dada a tarefa gloriosa e maravilhosa de liderar suas casas em Cristo. Liderar requer pensamento e intencionalidade. Como você está liderando a sua família no Senhor? Que princípios, práticas e atividades você está empregando para o bem deles e para a glória de nossa Cabeça, Cristo Jesus?

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Autor: Kevin DeYoung

Fonte: The Gospel Coalition
Tradução: Kimberly Anastacio
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A santificação é Monergística ou Sinergista? Uma análise reformada

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Por Kevin DeYoung


Os termos monergismo e sinergismo se referem à obra de Deus na regeneração. Monergismo ensina que nós nascemos de novo somente através da obra de um (a palavra mono tem origem no grego e significa ‘um’, erg vem do grego e significa trabalho’). Sinergismo ensina que nós nascemos de novo através da cooperação humana com a graça de Deus (o prefixo sin vem do grego e significa “com”). Os reformadores se opuseram fortemente contra todo o conceito sinergístico para o novo nascimento. Eles acreditavam que dada a morte espiritual, a falha moral do homem, nossa regeneração é devido inteiramente a soberana obra de Deus. Nós não cooperamos e não contribuímos para nosso novo nascimento. Três vivas para o monergismo!

Mas o que nós deveríamos dizer sobre a santificação? Por um lado, cristãos reformados detestam a palavra sinergismo. Não queremos de maneira alguma sugerir que a graça de Deus é de algum modo desprezível na santificação. Nem queremos sugerir que o duro trabalho de crescimento em piedade não é um dom sobrenatural de Deus. Por outro lado, estamos em um terreno perigoso se afirmarmos que somos passivos na santificação da mesma forma que somos passivos na regeneração. Não queremos sugerir que Deus é o único agente ativo em nossa progressiva santificação. Então a questão é: A santificação é monergística ou sinergística?

Eu acho que é melhor ficar longe de ambos os termos. A distinção é muito útil (e muito importante) quando falamos acerca da regeneração, mas esses termos teológicos restritos confundem quando se fala acerca da santificação. Sinergismo soa como um palavrão para os reformados, então ninguém quer dizer isso. E ainda, monergismo também não é uma palavra adequada. Para transformá-la em uma palavra conveniente, nós temos que providenciar uma definição diferente da qual nós damos quando discutimos acerca do novo nascimento. O que significa dizer que regeneração e santificação são ambos monergísticos se nós estamos inteiramente passivos em um e ativos em outro?

Aqueles que dizem que santificação é monergística querem proteger a graça, a natureza sobrenatural da santificação. Aqueles que dizem que a ela é sinergística, querem enfatizar que devemos cooperar ativamente com a graça. Esses exemplos estão ambos corretos. Eu acredito ainda que é melhor defender esses dois pontos com uma cuidadosa explicação do que com termos que normalmente tem sido usados em polêmicas teológicas. Santificação é, ao mesmo tempo, um dom gracioso de Deus, e requer nossa ativa cooperação. Eu tentei mostrar em artigos anteriores que essas duas verdades são bíblicas. Nesse artigo eu quero mostrar que essas duas verdades são também notavelmente reformadas.

Deixe me dar alguns breves exemplos:

João Calvino (1509-64)

No Comentário de 2 Pedro 1:5 (“E vós também, pondo nisto mesmo toda a diligência, acrescentai à vossa fé…”), Calvino diz:

Visto que isso é um grande e árduo trabalho, eliminar a corrupção que há em nós, ele nos ordena a atacar e fazer todo o esforço possível para atingir esse propósito. Ele intima que não se deve dar lugar à preguiça, e que nós devemos obedecer ao chamado de Deus não brandamente ou descuidadosamente, mas que haja necessidade de diligência; conforme ele disse: “Empenhe todos os esforços, e faça seu zelo ser manifestado a todos.

Para Calvino, crescer em piedade é um trabalho difícil. Não há lugar para preguiça. Nós devemos nos esforçar para  obedecer com rapidez e diligência. O crente não é nada passivo na santificação.


Mas depois, enquanto comentava no mesmo verso, Calvino também adverte contra “o delírio” de que nós tornamos os movimentos de Deus eficazes, como se a obra de Deus não pudesse ser feita a menos que nós O permitíssemos fazer. Pelo contrário, “desejos santos são criados em nós por Deus, e são reproduzidos por Ele eficazmente.” Na verdade, “todo nosso progresso e perseverança provém de Deus.” Sabedoria, amor, paciência – todos eles são “dons de Deus e do Espírito”. Então, quando Pedro nos diz para empregar toda nossa diligência, “ele não está querendo dizer que [essas virtudes] são realizadas pelos nossos próprios esforços, mas somente mostra que devemos ter e que deve ser feito.

Francisco Turretini (1623-87)

Turretini emprega santificação como um termo teológico “usado estritamente para uma real e interna renovação do homem.” Nessa renovação, nós somos tanto receptores da graça de Deus quanto atores ativos dela.

[Santificação] segue a justificação e se inicia pela regeneração e é promovida pelo exercício da santidade e das boas obras, até que uma seja consumada na outra pela glória. Nesse sentido, ela é passiva, na medida em que é operada por Deus em nós, e em outro sentido é ativa, na medida em que deve ser feito por nós. Deus realiza seu trabalho em nós e através de nós. (Institutes of Elenctic Theology 2.17.1)

Quando se trata da graça de Deus na regeneração, Turrentini se opõe a “todos os sinergistas”. Ele tem em mente os Socinianos, Remonstrantes, Pelagianos, Semipelagianos, e especialmente os Católicos Romanos, que anatematizaram: “Eles dizem que o livre arbítrio do homem, movido e estimulado por Deus, coopera de alguma forma” no chamado eficaz (Concílio de Trento). Turrentini foi feliz em ser o tipo de monergista que foi contra Trento. Entretanto, ele faz um esclarecimento:

Esse assunto não diz respeito ao segundo estágio da conversão, em que é certo que o homem não é meramente passivo, mas coopera com Deus (ou melhor, opera em submissão a Ele). Na verdade, ele realmente acredita e se converte a Deus; se move ao exercício da nova vida. Antes, essa questão diz respeito ao primeiro momento quando ele é convertido e recebe nova vida na regeneração. Nós afirmamos que ele é meramente passivo nesse caso, como um sujeito que recebe e não como um princípio ativo (2.15.5).

Dada essa ressalva, é difícil pensar que Turrentini se sentisse confortável em dizer que santificação é monergística, embora ele certamente acreditasse que a santidade é trabalhada no crente por Deus.

Wilhelmus A Brakel (1635-1711)

Semelhantemente a Turrentini e Calvino, A Brakel deixa claro que a santificação é um trabalho de Deus. Somente Deus é sua causa” ele escreve: “Assim como o homem não pode contribuir para sua regeneração, fé e justificação, da mesma forma não pode contribuir para sua santificação” (The Christian’s Reasonable Service, 3.4). Isso pode soar como se fôssemos completamente passivos na santidade, mas não é o que A Brakel quer dizer:

Crentes odeiam o pecado, amam a Deus, e são obedientes, e fazem boas obras. Entretanto, eles não fazem isso por conta própria nem independentemente de Deus; antes, o Espírito Santo, tendo infundido vida neles na regeneração, Ele mantém essa vida pela Sua contínua influência, despertando, ativando e fazendo com que ela funcione em harmonia com sua natureza espiritual. (3.4)

Nós não contribuímos em nada para santificação, e o crescimento em piedade é um dom de Deus. No entanto, nós devemos ser ativos no exercício desse dom. A Brakel vai ainda além quando diz: “Homem, sendo assim movido pela influência do Espírito de Deus, age, santifica a si mesmo, se compromete na atividade a qual sua nova natureza deseja e na direção que ela está disposta, e faz o que ele sabe que é seu dever” (3.4, grifo do autor). É por isso que A Brakel depois exorta seus leitores a “fazer um diligente esforço para se purificar de toda contaminação da carne e da mente, aperfeiçoando sua santificação no temor a Deus. Permita me despertá-lo para a obra santa; incline seu ouvido e permita que essas exortações endereçadas a você entrem seu coração” (3.24). Então em um certo sentido (no nível da causa e da origem) nós não contribuímos em nada para santificação e em outro sentido (no nível da atividade e esforço) nós santificamos a nós mesmos.

Charles Hodge (1797-1878)

Nós achamos os mesmos temas – santificação como um dom e santificação como uma ativa cooperação – em um grande sistematizador de Princeton. Hodge enfatiza que a santificação é “sobrenatural” e que as santas virtudes na vida de um crente não podem “ser produzidas pelo poder da sua vontade”, ou por todos os recursos do homem, embora possam ser prolongadas no seu exercício. Elas são presentes de Deus, fruto do Espírito” (Systematic Theology, 3.215).

Entretanto, Hodge é rápido em acrescentar que essa obra sobrenatural da santificação não exclui “a cooperação como causa secundária” Ele explica:

Quando Cristo abriu os olhos dos cegos, nenhuma causa secundária se interpôs entre sua vontade e o efeito. Mas os homens desenvolvem sua própria salvação, enquanto Deus trabalha neles o querer e o fazer, de acordo com Sua própria vontade. No trabalho da regeneração, a alma é passiva. Ela não pode cooperar. Mas na conversão, o arrependimento, a fé, e o crescimento em graça, todos seus poderes são chamados a entrar em exercício. Quando, porém, os efeitos produzidos superam a eficiência de nossa natureza caída, isso se deve a atividade do Espírito, e a santificação não deixa de ser sobrenatural, ou uma obra da graça, porque a alma é ativa e coopera no processo (3.215).

Há muitas idéias importantes no resumo do Hodge. Primeiro, ele afirma que a santificação é uma obra da graça sobrenatural. Isso não é algo que vem de nós ou poderia ser efetuado por nós. Segundo, ele sugere que a alma é passiva (monergismo) na regeneração, mas não no restante de nossa vida espiritual (nota: “conversão” nesse trecho significa seguir Cristo, não se refere ao novo nascimento). Terceiro, ele não hesita em usar a linguagem da cooperação. Nós somos ativos no processo de santificação com Cristo enquanto Ele trabalha em nós.


Herman Bavinck (1854-1921)

Mais do que Hodge, e da mesma forma que Calvino, Bavinck enfatiza a natureza “em Cristo” da santificação. Ele quer que vejamos que não somos “santificados pelo que realizamos por nós mesmos”. Antes, a santificação evangélica “consiste na realidade de que, em Cristo, Deus também nos garante, junto com justiça, plena santificação, e não apenas atribui, mas também nos concede pela obra regeneradora e renovadora do Espírito Santo até que nós tenhamos sido completamente conformados à imagem de seu Filho” (Reformed Dogmatics, 4.248). Bavinck continua ao dizer que a doutrina romana da “justiça imputada” não está incorreta como tal. Os Crentes “realmente obtém a justiça de Cristo por imputação”. O problema é que Roma faz dessa justiça, um motivo para o perdão. A nós é dado o dom da justiça ( por Cristo “vindo habitar em nós pelo Espírito Santo e nos renovar a Sua imagem”), mas nós somos declarados justos somente pelo dom da justiça imputada (4.249).

Santificação, para Bavinck, é antes de tudo o que Deus faz em e por nós. Mas isso não é tudo que devemos dizer acerca da santificação:

É admitido, em primeiro lugar que [santificação] é uma obra e dom de Deus (Fp 1:5; 1Tess 5:23); um processo no qual se inicia na regeneração. Embora essa obra seja estabelecida nos homens, ela alcança, em segundo lugar, um sentido ativo, e as próprias pessoas são chamadas e capacitadas a santificar a si mesmas e a devotarem completamente suas vidas a Deus. (Rom. 12:1; 2 Cor. 7:1; 1 Tess. 4:3; Heb. 12:14; e assim por diante). (4.253)

Enquanto Bavinck pode estar mais decidido a enfatizar a natureza passiva da santificação do que usar a linguagem de cooperação, no final ele ataca os mesmos tópicos que nós vimos em Calvino, Turrentini, A Brakel, e Hodge. Bavinck não vê conflito “entre essa atividade de Deus realizada em graça e a busca da santificação pelos cristãos” (4.254). Ele exorta que os cristãos perdem o foco quando não conseguem conciliar esses dois significados. Santificação é um dom de Deus, e nós somos ativos nesse dom.

Louis Berkhof (1873-1857)

Nós percebemos em Berkhof a mesma tendência de se resguardar contra qualquer ideia de auto-ajuda por um lado e a inatividade humana por outro.

[Santificação] é uma obra sobrenatural de Deus. Alguns tem a ideia equivocada de que santificação consiste apenas no alongamento da nova vida, inserida na alma pela regeneração, apresentando motivos convincentes para o desejo. Mas isso não é verdade. Isso consiste fundamentalmente e principalmente em uma divina operação na alma, por meio da qual, uma santa disposição é originada na regeneração e fortalecida e as boas obras são aperfeiçoadas. (Systematic Theology, 532).

Em outras palavras, santificação é essencialmente uma obra de Deus. Embora seja também “uma obra no qual crentes cooperam.” Quando é dito que o homem participa na obra da santificação, isso não significa que o homem seja um agente independente nesse esforço, de forma que parte seria trabalho de Deus e parte do homem, mas significa apenas que Deus efetua a obra através do homem como um ser racional, requerendo dele uma cooperação piedosa e inteligente com o Espírito. (534)

Conclusão

Então o que vemos nessa breve análise de teólogos reformados. Para começar, não vimos exatamente as palavras monergismo ou sinergismo aplicada à santificação. Em segundo lugar, percebemos que, dadas certas restrições, cada termo pode ser usado com mérito.

“Monergismo” pode funcionar porque santificação é um dom de Deus, Sua obra sobrenatural atuando em nós.

“Sinergismo” também pode, pois nós cooperamos com Deus na santificação e ativamente nós esforçamos para crescer em piedade.

Em terceiro lugar, vemos nessa análise reformada a necessidade de sermos cautelosos com nossas palavras. Por exemplo, “passivo” pode descrever nosso papel na santificação, mas somente se nós também dissermos que há um sentido no qual somos ativos. Do mesmo modo, nós podemos usar a linguagem da cooperação desde que entendamos que santificação não depende fundamentalmente de nós. E se tudo isso parece confuso, você pode simplesmente dizer: nós desenvolvemos nossa santificação assim como Deus trabalha em nós (Fp 2:12-13). Essa são duas verdades que devemos proteger: o dom de Deus na santificação e a atividade do homem. Nós buscamos o dom, é como John Webster coloca. Eu atuo o milagre, é uma frase de Piper. Ambos estão dizendo a mesma coisa. Deus nos santifica e nós também santificamos a nós mesmos. Com certas restrições e definições, eu creio que Calvino, Turrentini, A Brakel, Hodge, Bavinck, e Berkhof concordariam plenamente.

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Fonte: The Gospel Coalition
Tradução: Henderson Fonteneles
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Em que a ascensão de Cristo nos beneficia?

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Por Kevin DeYoung


Primeiro, a ascensão de Cristo nos beneficia porque temos um Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo (1Jo 2.1). Nosso Senhor Jesus está no céu defendendo a nossa causa, para que sempre, seja do que for que Satanás nos acusar em nossa consciência ou se atrever a fazer acusação contra nós diante do Pai, Jesus Cristo, Filho de Deus e nosso advogado impecável, está pronto para defender e apresentar seu próprio sangue por nós. Pense sobre isso. Cristo é o nosso parceiro de oração no céu. Ele intercede por nós diante do trono (Rm 8.34). 

Segundo, a ascensão de Cristo nos beneficia porque agora temos a nossa própria carne no céu; nossa vida está escondida com Cristo que habita em glória acima (Cl 3.3-4). A carne de Cristo no céu é uma garantia de que a nossa vai estar lá também algum dia. A nossa esperança não é uma eternidade como alma desencarnada, mas um corpo humano material real, ressuscitado, na presença de Deus para sempre. O corpo de Cristo é o primeiro lá, mas não o ultimo. 

Terceiro, a ascensão de Cristo nos beneficia porque temos o Espírito Santo como um resultado. Como o próprio Jesus explicou aos seus discípulos: "Mas eu vos digo a verdade: convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei" (Jo 16.7). Isso não era um golpe no seu próprio ministério terreno, mas Jesus entendia que, como homem, ele estava limitado a um só lugar ao mesmo tempo. Porém, uma vez que subisse ao céu, ele poderia enviar outro Consolador (Jo 14.16) para nos dar poder do alto e estar conosco para sempre. 

Você pode não pensar sobre a ascensão de novo por algum tempo, então medite sobre esta doutrina comigo por mais dois minutos. Pense nas implicações da ascensão de Cristo. A ascensão significa que estamos no céu, neste momento. Por meio da união com Cristo, nós realmente não somos cidadãos deste mundo. Colossenses diz-nos para fixar a mente nas coisas lá de cima, porque nossa vida está escondida com Cristo, que habita lá (3.2-3). 

A ascensão de Cristo implica também que "pedir a Jesus que entre em seu coração" não significa convidar um amigo ou tipo de reconfortante de terapeuta para dentro de sua vida. Isso significa - se estamos usando frase não bíblica de uma maneira bíblica - que estamos expressando o nosso desejo de sermos um com o rei do universo. O Jesus que mora dentro de nosso coração está sentado, à direita de Deus Pai Todo-Poderoso. 

Mais surpreendente de tudo, a ascensão significa que Deus concedeu todo governo, poder, autoridade e domínio (Ef 1.21-22) a um homem. Talvez seja por isso que Tolkien fez tal afirmação em O Senhor dos Anéis para enfatizar que um homem se sentaria no trono de Gondor, e a raça dos homens reinaria mais uma vez. Jesus Cristo está exercendo o domínio que o homem foi feito para ter desde o início (Gn 1.28). Por causa da ascensão de Cristo, nós sabemos que a encarnação continua, a humanidade de Cristo vive no céu, o Espírito vive em nosso coração. E um ser humano divino e de carne governa o universo. 

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Fonte: Trecho extraído do livro As Boas novas que quase esquecemos (p. 94)

Obs.: O título referido não é assim no livro. Tal título é retirado de uma palavra em que o autor do livro explica sobre os benefícios da ascensão.
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Em que a ascensão de Cristo nos beneficia?

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Por Kevin DeYoung


Primeiro, a ascensão de Cristo nos beneficia porque temos um Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo (1Jo 2.1). Nosso Senhor Jesus está no céu defendendo a nossa causa, para que sempre, seja do que for que Satanás nos acusar em nossa consciência ou se atrever a fazer acusação contra nós diante do Pai, Jesus Cristo, Filho de Deus e nosso advogado impecável, está pronto para defender e apresentar seu próprio sangue por nós. Pense sobre isso. Cristo é o nosso parceiro de oração no céu. Ele intercede por nós diante do trono (Rm 8.34). 

Segundo, a ascensão de Cristo nos beneficia porque agora temos a nossa própria carne no céu; nossa vida está escondida com Cristo que habita em glória acima (Cl 3.3-4). A carne de Cristo no céu é uma garantia de que a nossa vai estar lá também algum dia. A nossa esperança não é uma eternidade como alma desencarnada, mas um corpo humano material real, ressuscitado, na presença de Deus para sempre. O corpo de Cristo é o primeiro lá, mas não o ultimo. 

Terceiro, a ascensão de Cristo nos beneficia porque temos o Espírito Santo como um resultado. Como o próprio Jesus explicou aos seus discípulos: "Mas eu vos digo a verdade: convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei" (Jo 16.7). Isso não era um golpe no seu próprio ministério terreno, mas Jesus entendia que, como homem, ele estava limitado a um só lugar ao mesmo tempo. Porém, uma vez que subisse ao céu, ele poderia enviar outro Consolador (Jo 14.16) para nos dar poder do alto e estar conosco para sempre. 

Você pode não pensar sobre a ascensão de novo por algum tempo, então medite sobre esta doutrina comigo por mais dois minutos. Pense nas implicações da ascensão de Cristo. A ascensão significa que estamos no céu, neste momento. Por meio da união com Cristo, nós realmente não somos cidadãos deste mundo. Colossenses diz-nos para fixar a mente nas coisas lá de cima, porque nossa vida está escondida com Cristo, que habita lá (3.2-3). 

A ascensão de Cristo implica também que "pedir a Jesus que entre em seu coração" não significa convidar um amigo ou tipo de reconfortante de terapeuta para dentro de sua vida. Isso significa - se estamos usando frase não bíblica de uma maneira bíblica - que estamos expressando o nosso desejo de sermos um com o rei do universo. O Jesus que mora dentro de nosso coração está sentado, à direita de Deus Pai Todo-Poderoso. 

Mais surpreendente de tudo, a ascensão significa que Deus concedeu todo governo, poder, autoridade e domínio (Ef 1.21-22) a um homem. Talvez seja por isso que Tolkien fez tal afirmação em O Senhor dos Anéis para enfatizar que um homem se sentaria no trono de Gondor, e a raça dos homens reinaria mais uma vez. Jesus Cristo está exercendo o domínio que o homem foi feito para ter desde o início (Gn 1.28). Por causa da ascensão de Cristo, nós sabemos que a encarnação continua, a humanidade de Cristo vive no céu, o Espírito vive em nosso coração. e um ser humano divino e de carne governa o universo. 

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Fonte: Trecho extraído do livro As Boas novas que quase esquecemos (p. 94)

Obs.: O título referido não é assim no livro. Tal título é retirado de uma palavra em que o autor do livro vai explicar sobre os benefícios da ascensão.
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Os três benefícios que vivenciamos por meio da obra do Espírito Santo

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Por Kevin DeYoung


O Espírito não opera para fazer cristãos anônimos que têm as bênçãos de Cristo dissociada da fé em Cristo. Os benefícios são nossos apenas pela fé. É pela confiança em Cristo, por descansarmos em Cristo e dependermos unicamente de Cristo que o Espírito Santo opera nós. 

O primeiro benefício é que partilhamos de Cristo e de todas as suas bênçãos. Certamente, se alguém é abençoado de Deus, é seu Filho. E pelo Espírito, nós também partilhamos agora de todas as suas bênçãos. Também somos contemplados com favor. Tudo o que Cristo realizou é nosso. Tudo o que ele ganhou é nosso. A herança prometida a Abraão é nossa (Gl 3.14). Tudo isso e muito mais, porque nós pertencemos a Cristo e as bênçãos de Cristo pertencem a nós mediante as ministrações do Espírito.

O segundo benefício é o consolo do Espírito Santo. A maioria de nós já ouviu que o Espírito Santo é um Consolador (Jo 14.16). Outras traduções trazem paracletos como um "Ajudante" (ESV). um "Conselheiro" (NVI), ou um"Advogado" (NRSV), mas a verdade ainda está lá: Deus consola o seu povo pelo o Espírito Santo. Isso acontece de várias maneiras. O Espírito Santo pode sobrenaturalmente fortalecer a sua alma e dar-lhe uma paz que ultrapassa o entendimento ou uma calma confiança no trabalho do Senhor (At 9.31). Ele também pode consolar você por meio de outros cristãos enquanto você compartilha da comunhão do Espírito Santo. Como o Espírito da verdade, ele, muitas vezes, fala com você por meio da Palavra de Deus, levando-o a toda a verdade (Jo 16.13), incentivando-o com as palavras da Escritura que ele inspirou e a gora ilumina. Ele pode levar você a se lembrar de uma preciosa verdade bíblica ou direcionar seus pensamentos para a obra consumada de Cristo ou fazer com que seus olhos vejam mais claramente a glória de Deus. 

O terceiro benefício é a presença do Espírito Santo para sempre. No céu, o Espírito continuará a nos ensinar mais sobre as riquezas inesgotáveis de Cristo. Ele continuará a ser o vinculo pessoal que une os crentes em comunhão. E ele continuará a ministrar para nós a presença de Deus Pai e Deus Filho, que juntamente com o Espírito Santo são o Deus triuno, bendito para sempre, amém. 

Fonte: Trecho extraído do livro As Boas novas que quase esquecemos (pags. 101,102)

Fazer boas ações nos faz merecedor do favor divino?

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Por Kevin L. DeYoung


Por que fazer boas ações e negar a si mesmo se tais obras não podem fazer nada para merecer o favor divino, afinal?

Há três respostas a essa pergunta: fé, fruto e gratidão.

Primeira, a verdadeira fé funciona. Teria sido fácil para Abraão dizer que ele confiou em Deus quando o Senhor lhe disse para matar seu filho. Porém, não teria sido verdadeira a fé a menos que Abraão tivesse levantado a faca no ar e estivesse pronto para mergulhá-la em Isaque. A fé salvadora não é mero assentimento intelectual, mas uma firme confiança, desempenhada na vida real, de que as promessas de Deus são verdadeiras e as suas promessas não falham.

Segunda, uma árvore boa dá bons frutos. Se nós formos realmente regenerados pelo Espírito de Deus e recebemos nova vida espiritual, vamos mostrar os efeitos. Se vivermos habitualmente como pessoas egoístas, ignorando a Deus, apreciadoras do pecado, então não mudamos realmente, e não vivenciamos realmente a graça.

Finalmente, a graça não leva à licenciosidade porque a graça leva à gratidão. Se eu fosse chamado para jogar pelo Chicago White Fox, com a minha incapacidade de bater uma bola fora do marco, minha resposta não seria a preguiça, mas trabalho duro. Eu estaria tão atordoado pela indignidade absurda do chamado que, além de me sentir muito grato, estaria motivado a não decepcionar. A gratidão leva às boas obras.

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Fonte: DEYOUNG, L. Kevin As Boas novas que [quase] esquecemos. p. 118. Ed. Cultura Cristã. São Paulo.
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Existe em algum lugar da Escritura que fala da ira de Deus sendo dirigida a Jesus na Cruz?




Por Kevin L. DeYoung


Porventura não é a mensagem pregada em centenas de nossas igrejas simplesmente esta: Deus nos criou à sua imagem; por causa da queda somos por natureza filhos da ira; abandonados à nossa própria sorte não podemos comparecer diante de um Deus santo; merecemos ser punidos por ofender a esse Deus; porém, em amor, Deus enviou seu Filho para carregar os nossos pecados e enfrentar a pena que nós merecíamos; a ira de Deus foi derramada sobre Jesus e a justiça de Jesus foi imputada a nós pela fé - não é isso o evangelho?

Posso encontrar inúmeras passagens nas Escrituras em que somos ensinados, explícita ou implicitamente, que a ira de Deus foi dirigida a Jesus na cruz. Podemos pensar na Páscoa em Êxodo 12. A substituição penal está no cerne da Páscoa - Deus derramou a sua ira sobre o cordeiro sacrificado no lugar de seu povo. Certamente, essa linha de pensamento está presente no Evangelho de João, quando João Batista confessa a respeito de Jesus: "Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo!" (Jo 1.29). Também vejo a ira de Deus derramada sobre Jesus prefigurada no ritual do Dia da Expiação de Levítico 16. Além disso, Isaías 53 pungentemente fala do mesmo tema. Jesus, como o Servo Sofredor, foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades. Foi da vontade do Senhor esmaga-lo, derramando sua ira sobre seu servo.

Do mesmo modo, Marcos 10.45 ensina que Jesus deu a sua vida em resgate por muitos. Esse resgate foi pago, não a Satanás, como alguns teólogos medievais erradamente ensinaram, mas a Deus Pai como um suave aroma e sacrifício a ele (Ef 5.2). Em Marcos 10.38 Jesus perguntou aos seus discípulos "Podeis vós beber o cálice que eu bebo?" E no Getsêmani, Jesus rogou ao seu Pai, "passa de mim este cálice" (Mc 14.36). Sem dúvida Jesus estava pensando em passagens como o Salmo 75.8; Isaías 51.17; Jeremias 25.15,16. Ezequiel 23.32-34; e Habacuque 2.16, todas as quais falam sobre beber o cálice da ira de Deus. João 3.14-18 ensina que Deus enviou seu Filho para ser levantado na cruz (como a serpente levantada no deserto, salvou o povo do julgamento de Deus) para que a ira de Deus não permanecesse sobre quem cresse. Romanos 3.21-26 ensina que Cristo foi apresentado como um sacrifício de expiação (literalmente "propiciação"; veja a obra clássica de Leon Morris The Apostolic Preaching of the Cross, que estabelece que hilasterion refere-se a propiciação, contrariando C. H. Dodd) desviando a ira de Deus pelo fato de sofrer em nosso lugar como nosso substituto. Romanos 5.8,9 argumenta que Cristo morreu por nós quando éramos inimigos de Deus, para que ser salvos por ele da ira de Deus. Gálatas 3.13 diz que Cristo se fez maldição por nós, suportando a pena que nós merecíamos como infratores da lei. Primeira João 4.10 ensina que Deus enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados (veja também 1Jo 2.2; Hb 2,17). E assim por diante.

Não há nada mais importante na teologia cristã do que a nossa teologia da cruz. Devemos dizer claramente que o cerne do evangelho é a boa notícia da autossatisfação divina mediante a autossatisfação divina. Nunca abra mão da cruz. Nunca dilua a mensagem da cruz. E nunca pare de se gloriar na cruz onde Cristo aceitou as sanções que deveriam cair sobre nós, a fim de que possamos reivindicar as bênçãos que de outro modo pertenciam somente a ele.

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Fonte: DEYOUNG, Kevin L. As Boa novas que quase esquecemos, pp 42-44,  São Paulo: Cultura Cristã, 2013.

Nota do Editor: O título referido não se encontra no livro. Tal titulo foi adaptado de uma frase, escrita por um pastor da igreja do Kevin, que apresenta uma descrença da ira de Deus sobre Jesus por causa de nossos pecados. Tal frase reza assim: "Na verdade eu não encontro lugar algum na própria Escritura que fala da ira de Deus sendo dirigida a Jesus na cruz."