Falácias lógicas bíblicas dos Sinergistas

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Por John Hendryx


Os seguintes itens numerados são suposições comuns feitas por sinergistas em rejeitar a escravidão do arbítrio e a graça soberana de Deus na salvação.

Falácia #1. Deus não nos ordenaria a fazer o que não consigamos fazer.

Deus deu a Lei a Moisés, Os Dez Mandamentos, para revelar o que o homem não consegue fazer.

A. A Premissa #1 não é bíblica. Deus deu a Lei por duas razões: Para expor o pecado e para aumentá-lo para que o homem não pudesse ter escusa por declarar a sua própria justiça. Por quê? Porque no contexto, ele NÃO faz justiça. Como Martinho Lutero disse a Erasmo, quando você terminar com todos os seus mandamentos e exortações do Velho Testamento, eu escreverei Rm 3:20 por cima de tudo isso. Por que usar mandamentos e exortações do V.T. para mostrar o livre arbítrio quando estes [os dez mandamentos] foram dados para provar a pecaminosidade do homem? Estes existem para mostrar o que não conseguimos fazer ao invés do que conseguimos fazer. Portanto mandamentos e exortações não provam o livre arbítrio. Em nenhum lugar na escritura há alguma insinuação de que Deus dá mandamentos para homens naturais provarem que são capazes de cumpri-los.

[Aqui está a passagem que Lutero citou para Erasmo a fim de mostrar que o propósito da lei é para expor a nossa escravidão ao pecado, não para mostrar a nossa habilidade moral de guardá-la: “Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus. Por isso nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado”. Rom 3:19, 20] (colchetes inseridos pelo autor)

B. Essa premissa é irracional. Pode haver muitas razões para dar ordens à alguém para fazer algo, além da suposição de que ela consegue fazê-la. O propósito, como está acima, pode servir para mostrar à pessoa sua inabilidade de cumprir o mandamento. Assim, NADA pode ser deduzido acerca das habilidades por meio de um mero mandamento. Passagens que afirmam coisas como “Se você quiser” e “quem quer que creia” são ditas no modo subjuntivo (hipotético). Um gramático explicaria que isso é uma afirmação condicional que assevera nada indicativamente. Em tais passagens, o que nós “deveríamos” fazer não necessariamente implica o que “conseguimos[/podemos]” fazer.

C. As consequências da desobediência de Adão sobre os seus descendentes inclui impotência espiritual em várias áreas: a inabilidade do homem de entender a Deus (Salmo 50:21; Jó 11:7-8; Rom 3:11); de ver coisas espirituais (João 3:3); de conhecer o seu próprio coração (Jer 17:9); de direcionar os seu próprios passos no caminho da vida (Jeremias 10:23; Provérbios 14:12); de libertar a si mesmo da maldição da lei (Gálatas 3:10); de receber o Espírito Santo (João 14:17); de escutar, entender ou receber as palavras de Deus (João 8:47; 1 Corinthians 2:14); de se fazer nascer dentro da família de Deus (João 1:13, Romanos 9:15-16); de produzir arrependimento e fé em Jesus Cristo (Efésios 2:8-9; João 6:64, 65; 2 Tessalonicenses 3:2; Filipenses 1:29; 2 Timóteo 2:25); de vir a Cristo (João 10:26; João 6:44); e de agradar a Deus (Romanos 8:5, 8, 9).

Falácia #2. A menos que o nosso arbítrio seja livre, não somos responsáveis.

Ou, “Se não livre, então não responsável”. Isso significa que se não somos capazes de fazer uma escolha contrária, então os nossos arbítrios não são livres. Assim, se formos completamente presos em pecado de forma que não consigamos fazer mais nada além de pecar, então somos livres da responsabilidade destes pecados. Isso é irracional porque a suposição por detrás disso é a ideia da neutralidade.

A. A Bíblia não apresenta o conceito de liberdade desta maneira. De acordo com a Escritura, liberdade é descrita como santidade. A liberdade definitiva é a santidade absoluta. Se isso for verdade, então Deus é o ser mais livre de todo o universo. De outro modo, precisamos dizer que Deus é o ser mais escravizado no universo porque Ele é o menos neutro em questões morais. Ademais, Deus não é livre no sentido libertário para fazer algo contrário a Sua própria natureza. Por exemplo, Deus não pode mentir ou ser impuro ou Ele violaria a Sua própria essência e, portanto, não mais seria Deus (uma suposição impossível). Mas Ele é livre no sentido Bíblico…livre do pecado e da escravidão da corrupção… como será os santos no céu quando forem glorificados no último dia. Que eles não podem escolher do contrário [a pecar] quando forem glorificados não impede a liberdade destes, de acordo com a Bíblia, que fala destas pessoas com sendo as MAIS livres. (colchete inserido pelo autor)

B. Semelhantemente, se afirmarmos que a escravidão do pecado elimina a responsabilidade, então a melhor forma de evitar a responsabilidade de nossos pecados é ser o mais escravizado delas possível. O bêbado que é escravizado pelo alcoolismo não é, portanto, responsável por suas ações. Deveríamos encorajar as pessoas a pecarem o máximo então, para que estas não mais sejam responsáveis?

C. Toda a ideia da neutralidade do arbítrio é absurda. Se as decisões do arbítrio não são determinadas pela natureza interna da pessoa, então em quê sentido pode ser dito que estas decisões são os resultados de uma decisão da própria pessoa? Como, de fato, uma decisão possa ser verdadeiramente uma decisão moral se for moralmente neutra? Como pode a moralidade ser moralidade de alguma forma e ser neutra?

Falácia #3. Para o amor ser real, deve ter a possibilidade de ser rejeitado.

Deus quer que nós O amemos livremente, não por compulsão. Portanto, o homem caído deve ter a habilidade de amar a Deus. É que simplesmente ele escolhe amar outras coisas.

A. A Escritura ensina que o amor a Deus é um produto de Sua graça. 1Tm.1:14. Se a graça for necessária para fazer-nos amar a Deus, então segue-se que não tínhamos habilidade para amá-Lo antes da chegada da graça. Significa também que a graça não é dada porque escolhemos amar a Deus. Escolhemos amar a Deus porque a graça é dada. A graça, não a virtude no homem, toma a iniciativa.

B. Essa premissa é parecida com aquela que diz, “A escolha contrária é necessária para que a liberdade possa existir”. Deus periodicamente dá aos santos no céu uma oportunidade de odiá-lo para ser ‘justo’? Jesus tinha alguma habilidade para odiar o Pai? Ou era o Seu amor pelo Pai uma reflexão do que Ele próprio realmente é?

C. Se a fé for um dom da graça, como vimos acima, então por que é estranho pensar que o amor também não pode ser um dom da graça?

Falácia #4. Uma pessoa não pode ser punida por aquilo que ela não pode deixar de fazer.

Se isto for o caso, então um Cristão não pode ser recompensado por aquilo que a sua nova natureza o compele a fazer. Não vamos esquecer de que a natureza de uma pessoa não é algo que ela possui. É algo que ela é.

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Autor: John Hendryx, adaptado de um pequeno artigo do Roger Smalling
Tradução: Nathan Cazé
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João 3:16, Desejos do Homem e Novo Nascimento

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por John Hendryx


Tendo Deus ressuscitado o seu Servo, enviou-o primeiramente a vocês, para abençoá-los, convertendo cada um de vocês das suas maldades” (Atos 3:26).

Uma pessoa só pode receber o que lhe é dado dos céus” (João 3:27) .

Freqüentemente me pego debatendo com cristãos que acreditam que homem e Deus têm papéis iguais na regeneração (sinergistas) e que nossa escolha é o sine qua non do novo nascimento. Eles argumentam que Deus dá a todos a graça preveniente, mas o homem pode exercer seu livre-arbítrio autônomo para fazer a graça eficaz. Estes cristãos ensinam que o homem escolhe a Cristo apesar de seus desejos e isso é o que faz sua vontade livre. Escolher algo diferente de seus desejos constitui verdadeira liberdade para eles, já que a liberdade está acima e é independente de todas as outras influências. Mas é isto o que a Bíblia ensina? 

O primeiro alvo deste texto é provar pelas Escrituras que nós sempre escolhemos o que nós queremos (desejamos) mais e que isso é baseado em nossa natureza. Nós escolhemos alguma coisa porque nós a desejamos. Em outras palavras, nós acreditamos em Jesus porque nosso desejo por Cristo se torna maior que nosso desejo pelo pecado. O segundo alvo é explorar de onde esse desejo vem. Ele vem de nossa natureza degenerada (como os sinergistas crêem) ou ele é um dom incondicional de Deus? Meus amigos sinergistas dizem que, utilizando a graça de Deus, apesar de nossos desejos, nossa vontade autônoma definitivamente determinará nosso destino final. Eu argumentarei porque essa posição é fatal para seu sistema teológico inteiro. 

Nós Escolhemos O Que Nós Desejamos Mais 

Vamos começar com alguns textos bíblicos que ensinam que nossa natureza determina nossos desejos e nossos desejos determinam nossas escolhas. Cristo diz:

O homem bom tira coisas boas do bom tesouro que está em seu coração, e o homem mau tira coisas más do mal que está em seu coração, porque a sua boca fala do que está cheio o coração” (Lucas 6:45).

O que Jesus diz aqui é claro – a água não corre contra a correnteza. Nossa decisão de dizer algo bom ou ruim é somente determinada pela condição de nosso coração. Há uma grande evidência para o mesmo conceito em Mateus 7:18. 

A árvore boa não pode dar frutos ruins, nem a árvore ruim pode dar frutos bons”.

Aqui, Jesus está ensinando que é a natureza da árvore que determina o que virá dela. Somente aquele que tem uma boa natureza é capaz de criar um pensamento correto, gerar uma afeição correta, ou originar uma volição correta. Jesus martela novamente o mesmo conceito nos judeus incrédulos, quando discute se eles são ou não descendentes de Abraão: 

Por que a minha linguagem não é clara para vocês? Porque são incapazes de ouvir o que eu digo. Vocês pertencem ao pai de vocês, o Diabo, e querem realizar o desejo dele. Ele foi homicida desde o princípio e não se apegou à verdade, pois não há verdade nele. Quando mente, fala a sua própria língua, pois é mentiroso e pai da mentira (...) Aquele que pertence a Deus ouve o que Deus diz. Vocês não o ouvem porque não pertencem a Deus”. (João 8:43,44,47)

Na passagem acima, os judeus não puderam ouvir a palavra de Deus porque eles pertenciam ao diabo (suas naturezas) e isso aumentou suas vontades de fazer o que desejavam. Suas naturezas os tornaram moralmente impotentes para ouvir as palavras de Jesus. Mais tarde, Jesus ensina que antes de alguém ouvir as palavras de Deus, ele deve ser de Deus. Em outras palavras, uma pessoa não entenderá o evangelho enquanto permanecer em seu estado não-regenerado e decaído.

Deus Exige Perfeição 

Na história do jovem rico, Jesus o ensina que se ele obedecer todos os mandamentos, ele terá a vida eterna. Todos nós sabemos que esta história foi contada para expôr nossa inabilidade de cumprir tudo isso. Mas o jovem (equivocadamente) confiava que ele guardou tudo desde sua juventude. Jesus, conhecendo seu coração e onde ele vacilaria, ordena que o rapaz venda todas suas posses, dê aos pobres e o siga. Em outras palavras, Jesus lhe disse que o arrependimento de sua ganância e a fé em Cristo eram onde ele ainda falhava. Mas ele se afastou entristecido. Jesus então diz a seus discípulos que é mais difícil que um homem rico entre no Paraíso que um camelo passar por um buraco de agulha. “Quem então poderá ser salvo?”, os discípulos perguntam, sabendo que Jesus está dizendo que o caminho para o céu está fechado a todos os homens – um padrão santo que ninguém poderia alcançar. A resposta que Jesus dá é “Para o homem é impossível [arrependimento e fé], mas para Deus todas as coisas são possíveis”. A natureza do jovem não poderia se colocar acima de seus desejos e Jesus diz que isso é impossível para todos os homens. Apenas Deus tem a capacidade de fazer isto. A Bíblia é recheada com exemplos assim. É realmente um mito que o homem em seu estado natural está genuinamente buscando a Deus. Homens podem procurar um deus, mas eles não procuram o verdadeiro Deus, revelado nas Escrituras. Exceto pelo novo nascimento, ninguém vem à luz do verdadeiro Deus, mas suprimi a verdade pela injustiça. 

A Bíblia, por esta razão, ensina além de qualquer dúvida que nós agimos ou escolhemos de acordo com nosso maior desejo, que é baseado é nossa natureza. Jesus, como notamos acima, ensina que é impossível ser de outra forma. Mais ainda, como uma conseqüência da morte física de Adão e seus descendentes (Gn 2:17) existem muitos outros problemas com a natureza do homem em seu estado decaído, incluindo sua incapacidade de entender Deus (Salmos 50:21; Jó 11:7,8; Rm 3:11); ver coisas espirituais (Jo 3:3); conhecer seu próprio coração (Jr 17:9); direcionar os próprios passos no caminho da vida (Jr 10:23; Pv 14:12); libertar a si mesmo da maldição da Lei (Gl 3:10); receber o Espírito Santo (Jo 14:17); nascer por si só na família de Deus (Jo 1:13; Rm 9:15,16); produzir arrependimento e fé em Jesus Cristo (Ef 2:8,9; Jo 6:64.65; 2 Ts 3:2; Fp 1:29; 2 Tm 2:25); ir a Cristo (Jo 10:26; Jo 6:44); e agradar a Deus (Rm 8:5,8,9). Estas conseqüências da desobediência de Adão em seus descendentes são o que os teólogos freqüentemente se referem como a total depravação do homem. Sem uma mudança de disposição, o amor de Deus e Sua lei não é a mais profunda motivação e princípio do homem natural. 

O Que Tudo Isso Tem a Ver com João 3:16?

Sinergistas freqüentemente me dizem: “Predestinacionistas acreditam em um Deus que requer mais do que Ele capacita ou permite os homens alcançarem. Este é o tipo de Deus em quem eles acreditam”. Nisto eles estão parcialmente corretos, mas a falha está no homem, não em Deus... porque a natureza de Deus nunca mudou, mas a nossa muda. A Lei de Deus é perfeita porque Ele é perfeito. Ele não pode diminuir Seus padrões por nós ou Ele não mais seria Deus. Por esta razão, Deus teve um propósito específico em exigir perfeição moral em nós e isso inclui o mandamento de crer em Cristo. 

Declarações bíblicas como “se tu o buscares” e “todo aquele que nele crer” como em João 3:16 estão num modo hipotético. Um gramático explicaria que há uma declaração condicional, que não expressa nada de forma indicativa. Nesta passagem o que nós “deveríamos” fazer não implica necessariamente que nós “podemos” fazer. Os dez mandamentos, da mesma forma, falam do que nós deveríamos fazer mas eles não implicam que nós temos a habilidade moral de cumprí-los. Os mandamentos de Deus nunca serviram para nos fortalecer, mas para arrancar nossa confiança em nossas próprias capacidades de tal forma que seria o fim de nós mesmos. Com uma clareza pungente, Paulo ensina que este é o intento da legislação divina (Rm 3:20, 5:20; Gl 3:19,24). Se alguém está tentado a argumentar que essa crença é meramente um convite, e não um mandamento, leia 1 João 3:23: “E este é o seu mandamento: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo...”. Então, eu creio que aqueles que sustentam a idéia de que Deus ordena aos homens decaídos e não-regenerados a fazerem algo que já são capazes de fazê-lo estão impondo uma teoria antibíblica no texto. Um mandamento ou convite com uma afirmação abertamente hipotética, como João 3:16 faz não implica na capacidade de cumpri-lo. Isto é especialmente verdadeiro à luz de textos como Jo 1:13, Rm 9:16, Jo 6:37, 44, 63-65, Mt 5:16-16, 1 Co 2:14 e muitos outros que mostram a incapacidade moral do homem no estado decaído em crer no Evangelho. Em nossa natureza não-regenerada nós não podemos fazer nada a não ser amar as trevas e nunca nos aproximarmos da luz.

Na Cruz Deus Nos Dá o que Ele Exige de Nós

Como isso pode ser boa-nova se os homens nunca se encontrarão naturalmente desejando se submeter em fé aos humilhantes termos do Evangelho de Cristo? (Rm 3:11; Jo 6:64,65; 2 Ts 3:2). Porque Deus nos deu graciosamente o que Ele exige de nós. No evangelho, Deus nos revela a mesma justiça e fé que Ele exige de nós. O que nós deveríamos ter, mas não poderíamos criar ou alcançar ou cumprir, Deus nos garante livremente, como é chamada, a justiça de Deus (2 Co 5:21) e a fé de Cristo. Ele revela, como um dom em Cristo Jesus, a fé e a justiça que antes era somente uma exigência. Fé não é algo com que o pecador contribui para pagar o preço de Sua salvação. Jesus já pagou todo o preço por nós. Fé é nosso primeiro fôlego na respiração de nosso novo nascimento, antes de falar. É uma testemunha da obra da graça de Deus que tomou seu lugar dentro de nós (Ef 2:5,8; 2 Tm 2:25).

Romanos 3:11,12 diz “não há ninguém que busque a Deus, ninguém” e 1 Co 2:14 diz que o homem natural não consegue entender as coisas do Espírito, que são loucura para ele e não é possível que sejam aceitas porque devem ser discernidas espiritualmente. Mesmo Pedro teve de ser revelado pelo Pai que Jesus era o Cristo. Os arminianos e nós concordamos que “todo aquele que crer” tem a vida eterna, mas a questão vai além disso – o que leva alguém a crer?

C.H. Spurgeon, em seu sermão Incapacidade Humana expõe isso com grande clareza:

"Oh", diz o Arminiano, "os homens podem serem salvos se quiserem." Nós replicamos: "Meu querido senhor, todos nós cremos nisto; mas é precisamente no se eles quiserem onde está a dificuldade. Afirmamos que ninguém quer vir a Cristo, a menos que ele seja trazido; pelo contrário, nós não afirmamos isto, mas o próprio Cristo o declara: "Mas não quereis vir a mim para terdes vida"; e enquanto este "não quereis" permanecer registrado na Santa Escritura, não seremos inclinados a crer em qualquer doutrina da liberdade da vontade humana. É estranho como as pessoas, quando falam sobre o livre-arbítrio, discutem de coisas que eles não tem nenhum entendimento. "Ora", diz alguém, "eu creio que os homens podem ser salvos se eles quiserem." Meu querido senhor, de modo algum é esta a questão. A questão é: os homens alguma vez são encontrados naturalmente dispostos a submeterem-se aos termos humilhantes do evangelho de Cristo? Declaramos, sob a autoridade das Escrituras, que o homem está tão desesperadamente em ruína, tão depravado, e tão inclinado a tudo o que é mal, e tão oposto a tudo o que é bom, que sem a poderosa, sobrenatural e irresistível influência do Espírito Santo, nenhum ser humano quererá jamais ser constrangido para Cristo. Você replica, que os homens algumas vezes estão desejosos, sem a ajuda do Espírito Santo. Eu respondo: Você encontrou alguma vez alguma pessoa que estivesse?

Eu argumentaria que este é o porquê de Jesus enfatizar o novo nascimento durante toda a passagem de João 3. Nicodemos não podia entender a linguagem de Jesus: “O que nasce da carne é carne, mas o que nasce do Espírito é espírito”. Assim como somos passivos em nosso nascimento físico, também no nascimento espiritual o somos. Nós não participamos ativamente de qualquer nascimento com nossos esforços. O Espírito é semelhante ao vento nesta passagem, que não se sabe se está indo ou vindo – assim é todo aquele nascido em espírito. O trabalho do Espírito é soberano e sobrenatural. Assim como um cego não enxergará se você lançar uma luz nos seus olhos, ordenando a ele tudo que você quiser. Não é de luz que ele precisa, mas de um novo par de olhos. É assim que o novo nascimento parece. Antes da regeneração, Satanás nos tornou cativos de sua vontade. Ele nos cegou para a verdade. Nós devemos ser libertos de nossos próprios desejos e o cativo somente é completamente livre pelo dedo de Deus através do trabalho final de Cristo.

Em João 3:19-20, no mesmo contexto de 3:16 (três versos depois), Jesus qualifica Seu “todo aquele que crê” com a seguinte afirmação: “Este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens amaram as trevas, e não a luz, porque as suas obras eram más. Quem pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, temendo que as suas obras sejam manifestas”. (Isto é para todos nós anterior à regeneração)

Mas todos nós sabemos que alguns virão para a luz. Leia o que João 3:20-21 diz sobre eles. “Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que seja manifesto que as suas obras são feitas em Deus”. Então, veja que existe aqueles que vêm para a luz; e suas obras são o trabalho de Deus. “Feitas em Deus” significa trabalhado em e por Deus. A não ser pelo gracioso trabalho divino de regeneração, todos os homens odeiam a luz de Deus e não irão até ela.

Ao invés de balançar nossas cabeças para o versículo que se encaixa em nosso sistema particular de teologia, nós devemos interpretar escritura com escritura, especialmente no contexto da passagem. Agora que nós vimos João 3 por completo, o verdadeiro significado do texto se torna claro. João 1:10-12 é também um dos favoritos dos sinergistas quando anunciam o evangelho:

Ele estava no mundo, e o embora mundo tenha sido feito por intermédio dele, o mundo não o reconheceu. Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam. Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus”.

Grande passagem, eu também adoro usar estes versos, mas nós não podemos parar aqui. Nós precisamos reconhecer que devemos adicionar a qualidade do verso 13:

os quais não nasceram por descendência natural, nem pela vontade da carne nem pela vontade de algum homem, mas nasceram de Deus” (João 1:13).

Eu acho estranho muitos deixarem esse versículo de fora de sua evangelização: todos os versículos caminham juntos. Isso repete um tema constante nas Escrituras: que nós somos ordenados a nos arrepender e crer no evangelho, mas adicionalmente, que nós somos moralmente incapazes de fazer tanto sem o eficaz trabalho do Espírito Santo. A oferta de “todo aquele que nele crer” é para todos os homens e verdadeiramente oferecida a todos os homens, mas nenhum homem natural deseja a Deus. TODOS rejeitam este dom, mas o que nós não podemos fazer por nós mesmos, Deus faz por nós. Aqueles que vêm a Deus dão glórias a Ele porque Ele tem preparado seu coração, dando-lhes um desejo por Cristo que é maior que o desejo de permanecer no pecado. Isto é o que Ele fez por Lídia através da pregação de Paulo, no livro de Atos: “O Senhor abriu seu coração para atender à mensagem de Paulo”. O que aconteceu a Lídia é o que acontece a todo aquele que vem para a fé em Cristo. Se o Senhor abrir nosso coração, nós desejaremos crer, e nenhuma resistência existe, porque nós não desejaremos resistir. Nossas novas naturezas vivificadas pelo Espírito Santo têm novos desejos e disposições, que não poderíamos produzir por nós mesmos. Se o Senhor abriu o coração de Lídia para ela atender à mensagem e ela resistisse, isto seria uma afirmação contraditória. Note que Deus abriu seu coração para “atender à mensagem”. Se Deus desarmou a hostilidade de Lídia de forma que ela creria, então não deveria haver mais debates de como Ele faz com todos aqueles que têm fé. Apesar do fato de nós termos uma crença real em nós mesmos, pelo esquema sinergista, no entanto, o homem volta sua afeição e fé para Deus enquanto ainda está em sua caída e degenerada condição de coração petrificado. Mas o homem deve primeiro ter uma nova natureza para crer – ou seja, a Escritura ensina que o homem sem o Espírito não deseja, entende, tampouco é capaz de obedecer ou se voltar a Deus (1 Co 2:14, Rm 8:7, Rm 3:11). Se nós iremos acreditar, Deus deve primeiramente transformar nosso coração de pedra em um coração de carne:

Darei a vocês um coração novo e porei um espírito novo em vocês; tirarei de vocês o coração de pedra e lhes darei um coração de carne. Porei o meu Espírito em vocês e os levarei a agirem segundo os meus decretos e a obedecerem fielmente às minhas leis” (Ezequiel 36:26,27).

Os sinergistas acreditam que o grande desejo por fé, pelo qual nós creremos no Deus que justifica pecadores, pertence a nós por natureza e não por um dom da graça, que está, pela inspiração do Espírito Santo, aumentando nossa vontade e tirando ela da descrença para fé e da falta de Deus para Deus. Mas o Apóstolo Paulo diz: “Estou convencido de que aquele que começou boa obra em vocês, vai completá-la até o dia de Cristo Jesus” (Fl 1:6). E novamente, “Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus” (Ef 2:8). Pior ainda, os sinergistas ensinam que Deus tem misericórdia de nós quando, a partir da graça regeneradora, nós acreditamos, queremos e desejamos, mas não confessam que é através do trabalho e inspiração do Espírito Santo em nós que teremos a fé, a vontade ou força para fazer todas estas coisas. Se eles fazem a ajuda da graça depender de nossa humildade ou obediência, mas não concordam que é um dom da própria graça que nós sejamos obedientes e humildes, eles contradizem a Bíblia, que diz “O que você tem que não tenha recebido?” (1 Co 4:7) e “Mas, pela graça de Deus, sou o que sou” (1 Co 15:10).

Então vamos perguntar a nossos amigos sinergistas porque um homem crê e outro não?

Pelo esquema arminiano, Deus dá ao homem graça suficiente para colocá-lo numa posição de decidir por si mesmo se irá ou não crer. Então um homem será mais inteligente, mais sábio e mais humilde? Se este fosse o caso, Deus nos salvaria com base na personalidade gerada por nós mesmos e não pela graça. Pergunte a eles como seus olhos se voltaram a Deus. Um homem usa a graça dada a ele e outro não. O que no homem determina sua escolha e por quê? Isso nos deixa com salvação pelo mérito, desde que um homem que tem pensamentos e afeições por Deus O escolhe enquanto o outro não. Não já provamos que as Escrituras ensinam que fazemos nossas escolhas baseados no que mais desejamos? Onde o homem conseguiu sabedoria e inclinação a Deus, enquanto o outro permaneceu endurecido? Como um homem criou um pensamento reto, afeição reta, ou originou volição reta? Se não veio de seus desejos, então veio de onde? As escolhas são baseadas no que nós somos. Um homem natural nunca escolheria a Deus por si mesmo sem a graça regeneradora. Então Deus sobrenaturalmente enxerta a obra regeneradora do espírito ao despertar a fé de Seus eleitos.

Então, porque alguns homens rejeitam a Deus?  

Resposta muito simples: Porque eles são malignos. “Ele fará uso de todas as formas de engano da injustiça para os que estão perecendo, porquanto rejeitaram o amor à verdade que os poderia salvar” (2 Ts 2:10). Eles odeiam a Deus e não O querem, como toda pessoa sem o Espírito. Cristo diz “vocês não crêem, porque não são minhas ovelhas”. Jesus claramente mostra que a natureza da pessoa determina as escolhas que faz. Ele não diz “vocês não crêem, por isso não são minhas ovelhas” . Não, Ele diz “vocês não são minhas ovelhas, (POR ISSO) vocês não crêem”. A Bíblia afirma claramente porque alguns crêem e outros não. Nossa natureza determina nossas escolhas. Descrença é conseqüência da maldade, segundo as Escrituras. Crer é conseqüência da misericordiosa mudança na disposição do coração (em direção a Deus) através da rápida ação do Espírito Santo. O esquema sinergista deixa cada pessoa decidir por elas mesmas enquanto ainda estão em sua natureza decaída. O homem em seu estado não-regenerado decide baseado em um princípio dentro dele. Nossa vontade por si só não é autônoma, mas controlada por quem somos naturalmente. Nós nunca escolhemos o que nós não queremos ou odiamos. Em nosso estado não-regenerado nós ainda somos hostis para com Deus, amamos as trevas e somos cegos pelo diabo, tomados cativos para fazer a vontade dele, e não desejamos ou queremos coisas espirituais.

Se a graça preveniente dos arminianos somente faz o coração neutro, como eles admitem, então o homem não é motivado nem desmotivado para crer ou descrer – conseqüentemente a única opção é pelo acaso que alguém creia ou não. Eles irão argumentar ardentemente contra isso mas não encontrarão outra alternativa bíblica. Nossa escolha, qual seja, é baseada em nosso caráter interior, não pelo acaso. Um homem escolhe e o outro não, porque um foi renovado pelo gracioso trabalho de Deus. Apenas isso dá toda glória a Deus pela salvação.

O Espírito dá vida; a carne não produz nada que se aproveite. As palavras que eu lhes disse são espírito e vida. Contudo, há alguns de vocês que não crêem” (...) E prosseguiu: "É por isso que eu lhes disse que ninguém pode vir a mim, a não ser que isto lhe seja dado pelo Pai” (João 6:63-65).

Concluindo, minha oração é que a igreja do século XXI finalmente aprenda a doutrina “somente pela graça” corretamente. Oh! Que nós entendamos a pobreza da condição do homem perdido e a glória da misericórdia e graça divinas, e que não nos preocupemos em proclamá-las. Acredito que percorreremos um longo caminho parar criarmos uma postura de adoração que dê completa honra a Deus, em que Seu povo terá pensamentos corretos sobre Ele e alcançará um estágio de verdadeiro reavivamento. Esta tem sido uma longa batalha desenhada através da História da igreja (Agostinho/Pelágio, Lutero/Erasmo, Calvino/Armínio, Wesley/Whitefield) mas eu permaneço muito otimista quanto ao futuro crescimento do reino de Deus.

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Tradução livre: Josaías Cardoso Ribeiro Jr.
Fonte: Monergismo
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A Inconsistência dos Sinergistas sobre Eleição e Presciência

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Por John Hendryx


Os Sinergistas ensinam que a ELEIÇÃO é como se segue: Deus previu quem se renderia ao Espírito, e então elegeu para a salvação todos aqueles que Ele previu que assim o fariam. Neste esquema, o absoluto livre-arbítrio do homem natural é necessário para preservar a responsabilidade humana. Mas este conceito de presciência realmente reduz a mesmo à nada. Não há nenhum Sinergista vivo que possa consistentemente crer nesta teoria de presciência, e ainda continuar ensinando suas visões com respeito à salvação. Por que então? Considere o seguinte:

1. Nenhum Sinergista pode consistentemente dizer que Deus previu quem seria salvo e então pregar que Deus está tentando salvar todos os homens. Certamente se Deus sabe quem Ele pode salvar ou quem quer ser salvo, então, quem ousará dizer que Ele está tentando salvar alguém mais? Certamente é tolice dizer que Deus está tentando fazer algo que Ele sabe que nunca poderá ser realizado. Eu tenho ouvido alguns Sinergistas acusarem aqueles que crêem no monergismo de que o Evangelho pregado para os não-eleitos é zombaria, visto que Deus não lhes elegeu. Se há algo válido nesta objeção, então ela igualmente se aplica a eles também, que pregam para aqueles que Deus sabe que não serão salvos. Deus ordena que o Evangelho seja pregado a todos, se claramente entendemos ou aceitamos Seu motivo no assunto.

2. Nenhum Sinergista pode consistentemente dizer que Deus previu que pecadores se perderiam e então dizer que não está dentro da vontade de Deus permitir que aqueles pecadores se percam. Porque Ele os criou então? Que os Sinergistas considerem esta questão. Deus poderia ter da mesma forma facilmente Se privado de criar aqueles que Ele sabia que iriam para o Inferno. Ele sabia que eles iriam para o Inferno antes dEle os criar. Visto que Ele foi em frente e os criou com total conhecimento de que eles se perderiam, está evidentemente dentro da providência de Deus que alguns pecadores se percam, e Ele evidentemente tem algum propósito nisto, o qual nós seres humanos não podem discernir completamente. O Cristão humanista pode reclamar o quanto quiser da verdade que Deus escolheu permitir que alguns homens tivessem como destino final o Inferno, mas esta verdade continua sendo um problema tanto para eles como para qualquer outra pessoa. Na realidade, este é um problema que os Sinergistas devem encarar. Se eles encararem isto, terão que admitir ou o erro de sua teologia ou negar juntamente com isto a presciência de Deus. Mas eles poderão dizer que Deus criou aqueles para perecer, mesmo contra Sua vontade. Isto faria Deus sujeito ao Destino.

3. Nenhum Sinergista pode consistentemente dizer que Deus previu quem seria salvo e então ensinar que Deus puniu a Cristo com o propósito de redimir cada homem em particular que já viveu. Certamente deveríamos creditar a Deus como tendo tanto senso quanto um ser humano. Que ser humano faria um grande, porém inútil e imprestável sacrifício? Os Sinergistas dizem que Deus puniu a Cristo pelo pecados daqueles que Ele sabia que iriam para o Inferno. Esta teoria da expiação – embora os Sinergistas não mencionem isto – envolve o assunto do sofrimento de Cristo exclusivamente para o propósito da salvação do homem – o aspecto substitutivo. Eles falham em ter qualquer apreciação do aspecto da propiciação.

4. Nenhum Sinergista pode consistentemente dizer que Deus previu quem seria salvo e então pregar que Deus o Espírito Santo faz tudo o que Ele pode para salvar todos os homens no mundo. O Espírito Santo estaria desperdiçando tempo e esforço para tentar converter um homem que Ele sabe desde o principio que irá para o Inferno. Você ouve os Sinergistas dizerem sobre como o Espírito tenta alcançar os homens e, se eles não se entregarem a Ele, eles “cruzam a linha” e ofendem ao Espírito, de forma que Ele nunca tentará salvá-los novamente. No fundo, o Sinergista transforma a Deidade Divina numa criatura finita.

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Modificado a partir do Artigo Christian Humanism Cuts Its Own Throat 

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Fonte: WithChrist.org
Tradução livre: Felipe Sabino de Araújo Neto
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Uma breve resposta à doutrina arminiana da graça preveniente

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Por John Hendryx


O termo “graça preveniente” — uma doutrina distintamente arminiana — se refere a uma graça universal que precede e possibilita as primeiras agitações de uma boa vontade ou inclinação em direção a Deus e ela explica a extensão ou grau para o qual o espírito santo influencia uma pessoa anterior a sua vinda à fé em Cristo. O arminiano, junto com o calvinista, afirma a inabilidade moral humana e o total desamparo do homem natural em questões espirituais e a absoluta necessidade pela sobrenatural graça preveniente se houver qualquer resposta certa ao evangelho. Como os calvinistas, os arminianos concordam que, à parte de um ato da graça da parte de Deus, ninguém voluntariamente viria a Cristo. Este ponto é importante distinguir de modo a não confundir o arminianismo clássico com fineyismo ou semi-pelagianismo, que ambos rejeitam a necessidade da graça preveniente. Então a redenção de Cristo é universal num sentido provisório, mas condicional quanto à sua aplicação a qualquer indivíduo, isto é, aqueles que não resistem à graça oferecida a eles através da cruz e do evangelho. A graça preveniente, de acordo com os arminianos, chama (exteriormente), ilumina e capacita antes da conversão e faz a conversão e a fé possíveis. Enquanto os calvinistas creem que o chamado interior ao eleito é irrevogável e efetivamente traz os pecadores a fé em Cristo, o arminiano, por outro lado entende a graça de Deus como finalmente resistível. Em resumo, eles afirmam que a graça preveniente, que é dada a todos os homens em algum ponto em suas vidas, temporariamente traz o pecador para fora da sua condição de depravação total e o coloca em um estado neutro de livre-arbítrio em que o homem natural pode aceitar ou rejeitar a Cristo.

A graça preveniente definida como se segue pela “ordem de salvação de Wesley”:

“Os seres humanos são totalmente incapazes de responder a Deus sem Deus primeiro capacitá-los a ter fé. Esta capacitação é conhecida como graça preveniente. A graça preveniente não nos salva, mas, em vez disso, vem antes de qualquer coisa que nós fazemos, nos atraindo para Deus, nos fazendo QUERER ir a Deus, e nos capacitando a ter fé em Deus. A graça preveniente é universal, tanto quantos todos os homens a recebem, independente deles terem ouvido falar de Jesus. Ela é manifestada no desejo estável da maioria dos humanos conhecer a Deus.”

Portanto, em resposta a afirmação ortodoxa de que a geração de fé dos pecadores por si mesma implica mérito, o arminiano frequentemente responderá afirmando que a vontade humana, socorrida pela graça preveniente, é livre, mesmo em aceitar a graça do perdão; embora esta aceitação não seja mais meritória do que a aceitação de um mendigo de uma fortuna oferecida, ainda é aceita livremente, e com o poder de rejeição, nenhuma é menos graça por isso. Em outras palavras, cada pecador determina por si mesmo, se será salvo ou não, e assim determina sua própria eleição baseado em se ele responde ou não positivamente ao evangelho oferecido a ele por Deus enquanto sob à influência da graça preveniente. O arminiano argumenta que qualquer outra coisa seria injustiça de Deus.

Resposta:

Enquanto o exemplo do mendigo pode soar razoável à primeira vista, eu proponho olhar mais atentamente nestes conceitos. Quais são as semelhanças e diferenças da teologia arminiana com a ortodoxia sobre o conceito de graça salvadora?

Similaridades arminianas com a teologia reformada:

(1) Todos os homens precisam ser salvos da ira de Deus através da obra expiatória de Cristo.

(2) Ambos reformados e arminianos creem que, sem a graça de Deus o homem é totalmente incapaz de responder ao evangelho. Ambas as posições estão em total acordo.

As diferenças arminianas com a teologia reformada está em seu entendimento do significado da graça:

Vamos observar pelo menos três formas nas quais a graça preveniente difere agudamente do ponto de vista monergista:

(1) A doutrina arminiana da graça preveniente é exaustivamente universal; significando que ela é estendida a todas as pessoas independente de se elas ouviram o evangelho ou não. Isto parece estar em contradição direta com a Bíblia, por exemplo, a pergunta do apóstolo: “e como crerão naquele de quem não ouviram falar?” e “... a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” (Rm 10.14,17). Esta visão, então, afirma (ou pelo menos abre espaço) a ideia de que o evangelho não é cognitivamente necessário para alguém ser salvo. Apesar do caso esmagador feito por Paulo contra os gentios em Romanos 1-3, alguns arminianos acreditam que se uma pessoa é temente a Deus, isto é, responde crendo à gradação de salvação feita a eles, então Deus aceitará aquela fé e a imputará a eles como justiça, se tiverem ou não ouvido o evangelho. Isto é puramente especulativo e não derivado da revelação.

(2) A graça preveniente não é eficaz, mas em vez disso torna o pecador “neutro”— capaz de decidir por si mesmo se ele aceitará ou rejeitará a Cristo. Primeiro, desde que nós devemos sempre ir às Escrituras como nossa autoridade em questões de fé (especialmente questões desta magnitude) nós devemos seriamente inquirir se há alguma evidência bíblica qualquer que seja a fundamentar o dogma arminiano de que há um estado de ser que Deus coloca pecadores em que nem é regenerado nem não-regenerado, um estado intermediário que nem é corrupto nem bom. É imperativo que este “estado” seja fundamentado biblicamente, não meramente por especulação sozinha ou necessidade lógica. Onde a Bíblia diz que quando Deus dá graça às pessoas elas se tornam parcialmente regeneradas, mas não totalmente regeneradas?

Assumindo por causa do argumento que tal estado foi mostrado que existe, mais questões rapidamente surgem. Se, como resultado da graça preveniente, nossos desejos são repentinamente “neutros”, o que, então, causa um homem escolher um caminho ou outro? Aos olhos de Jesus, as decisões e atos de uma pessoa são inevitavelmente determinados por sua condição interior, “uma árvore boa dá bons frutos, uma árvore má dá maus frutos,” pensar o contrário é impossível. O que então de uma árvore que nem é boa nem má, o que determina seu fruto? Você simplesmente não pode ter uma vontade que é indisposta e simplesmente crê ou rejeita a Cristo por acaso. Argumentar isto implicaria que Deus elege seu povo com base na escolha casual destas pessoas. Pelo contrário, as pessoas creem em Cristo porque elas veem o terrível estado do pecado delas, da grande necessidade de um salvador e a beleza, verdade e excelência do evangelho de Cristo. Apenas os homens espirituais regenerados podem entender e ver a bondade no evangelho (1 Co 2.14), uma suposição impossível para alguém com um coração não renovado. Um homem cego não pode ver a menos que seus olhos sejam abertos. Do mesmo modo, aqueles cegos espiritualmente só podem ver se eles forem curados, e quando eles são curados, eles veem. É bíblico e evidente por si mesmo que nós sempre escolhemos algo baseado no que nós somos por natureza— uma macieira nunca produzirá uvas.

Além disso, nós deveríamos observar que Jesus nos conta muitas vezes na escritura por que alguns não creem. “Vocês não creem porque não são das minhas ovelhas” (João 10). A ordem aqui é de grande importância. Jesus não diz: “Vocês não são minha ovelhas porque não creem”, fazendo desse modo a fé uma condição de se tornar uma ovelha. Antes, ele diz o contrário, “Vocês não creem porque não são das minhas ovelhas.” Crer, portanto, longe de ser uma condição, é o sinal (ou fruto) de que alguém é já uma ovelha. Assim também, Jesus falando para alguns dos judeus disse, “Quem é de Deus ouve as palavras de Deus. A razão pela qual vocês não as ouvem é que vocês não são de Deus.” A natureza da pessoa determina a escolha que ele faz. E quem exatamente é de Deus? Jesus responde claramente em sua oração ao pai em João 17.9 quando ele diz “Eu rogo por eles. Eu não rogo pelo mundo, mas por aqueles a quem tu me deste, pois são teus.” O pai separou certas pessoas para ele mesmo e, em sua oração aqui, Jesus é visto apenas por orar por eles, enquanto simultaneamente excluindo outros que não foram “dados” a ele.

Ironicamente, o arminiano acredita no compatibilismo anterior à graça preveniente... Significando que o homem faz escolhas morais necessárias baseadas na sua natureza. Ainda que, após a graça preveniente, ele creia que o homem é libertado da natureza (sem ser dada uma nova), contudo nenhuma evidência bíblica é dada para mostrar a fonte desta doutrina. Em outras palavras, antes da graça de Deus, o arminiano vê assim como o calvinista a impotência da vontade humana, mas quando a graça vem ele muda de repente por especular que o homem agora não escolhe de acordo com a natureza (como antes) mas agora é concedido um livre-arbítrio libertariano, isto é, aquele homem pode escolher o contrário independente de quem ele é por natureza. Intrigante, desde que a Bíblia nenhuma vez dá um fragmento de evidência, de que é dado às pessoas um livre-arbítrio libertariano temporário. Em vez disso, retornando novamente às palavras de Jesus, nós ouvimos, “Ou fazei a árvore boa, e o seu fruto bom; ou fazei a árvore má, e o seu fruto mau” (Mt 12.33). A doutrina arminiana da graça preveniente, portanto parece ter sua origem na ideia de que Deus deve ser “justo”. Os arminianos logicamente concluem que desde que Deus é bom, ele deve tratar aqueles opostos a/e em rebelião contra ele com absoluta equidade. A fim de preservar esta definição de “justiça”, o arminiano declara que Deus deve dar a todas as pessoas uma oportunidade igual. Porém, Deus não é obrigado a dar aos filhos do diabo (Jo 8.44) nenhuma oportunidade se ele não quiser. Deus teria sido perfeitamente justo em fazer ao homem o que ele fez aos anjos caídos, por quem ele não morreu. E se Deus poderia justamente deixar toda humanidade ir para o inferno (todos nós concordamos) então por que seria injustiça da parte de Deus perdoar as dívidas de alguns, rejeitando os outros? Jesus não conta a parábola do proprietário que termina dizendo “Não tenho eu o direito de fazer o que eu quiser com o meu próprio dinheiro? Ou vocês são invejosos porque eu sou generoso?(Mt 20.15).

E apesar de tudo, se este é o caso, então por que Deus ficaria contente com uma escolha de uma pessoa que é indiferente acerca da escolha, alguém que não ama o objeto de sua escolha? Se o motivo para crer que o evangelho é indiferente, então é o ato... Se nós não desejamos Deus, a escolha ou é impossível ou é por mero acaso.

Novamente, a Bíblia nunca ensina de uma maneira clara e aberta o conceito de graça preveniente. A resposta acima é, portanto, para apresentar o absurdo dessa insustentável crença. Os arminianos desajeitadamente forçam isto na escritura a fim de sustentar seu sistema. Só isso deveria nos levar a rejeitá-lo. A razão pura nunca deveria ser a base de nossas concepções teológicas, especialmente uma de tamanha importância.

(3) Os arminianos sustentam que enquanto não regenerados, alguns podem e melhorarão naquela graça. Em outras palavras, a graça preveniente de Deus toma parte de nós do caminho para a salvação (nos faz parcialmente regenerados), mas a vontade do homem (ou natureza) faz o resto (ou completa). Dado fosse esse o caso, se todos os seres humanos tem esta graça preveniente em algum ponto em suas vidas, considere, se duas pessoas ouvem o mesmo evangelho, por que um homem crê e não o outro? O que faz que eles difiram? Obviamente foi algo na natureza que fez a diferença, não a graça. Disto nós suspeitamos que não foi a graça preveniente que fez estas duas pessoas diferirem um do outro, mas, algo no homem que fez uso da graça preveniente que os fez divergir. Simplificando, se nós desejamos crer em Cristo, de onde veio este bom desejo? Da graça ou da natureza? O arminiano pode dizer “graça”. Se for assim, por que alguém que o rejeitou também tem essa grande graça? Desde que graça não é em última análise o que separa os dois homens, deve ser algo mais. Em outras palavras, um homem de alguma maneira teve a habilidade natural ou inata para criar um pensamento correto, gerar um afeto correto, ou originar uma volição correta em direção a Cristo. E se estes pensamentos foram por si mesmos autônomos e independentes desta graça preveniente que levaram a sua salvação, brotando do coração do homem natural, então esta é uma doutrina bastante incômoda. Isto nos leva a perguntar, por que alguns homens fazem uso da graça preveniente e outros não? O arminiano, portanto, ainda vê a graça de Deus como apenas uma penúltima causa da salvação enquanto a fé dos pecadores é que é a final, a sine qua non de sua salvação. Isto pode, portanto, ser demonstrado que a graça preveniente arminiana não ensina a salvação pela graça apenas, mas a salvação pela graça mais a natureza. Então se Deus estende ou não a graça preveniente você ainda tem o mesmo resultado: um homem da sua vontade não-regenerada gerá fé, outro homem da sua vontade não-regenerada não gera fé e rejeita a Cristo. Um tem uma submissão natural faltando no outro? Não é a submissão por si mesma um dom da graça? O apóstolo diz, “E que tens tu que não tenhas recebido?” (1 Co 4.7) e, “Mas pela graça de Deus sou o que sou” (1 Co 15.10). No caso de crer no evangelho, uma pessoa está fazendo uma escolha moralmente boa e o outro uma escolha moralmente má. Na verdade, qualquer forma de olhar a graça preveniente resume-se ao princípio interno do mérito de uma pessoa que no final das contas o faz diferir dos outros. Isto então leva a se gabarem de que são diferentes dos outros que não têm fé. Mas novamente, ainda mais importante, a graça preveniente não tem suporte bíblico e isto é o que faz a posição insustentável. Os arminianos estão fazendo a assistência da graça depender da humildade ou obediência dos homens e não concordam que é pelo dom eficaz da graça por si mesmo que nós somos obedientes e humildes. Eu suponho que os arminianos acreditam que alguns mendigos são mais iguais que os outros.

No final, o problema com a graça preveniente arminiana é que ela é dirigida pela lógica humana sozinha e racionalidade em vez das Escrituras. As Escrituras testificam que os homens sem o espírito não podem entender as coisas de Deus (1 Co 2.14). Mesmo com a graça preveniente teoricamente colocando a humanidade em uma posição neutra, nós ainda careceríamos do espírito vivificante para nos dar o que nós precisamos. Como é então que o homem natural pode entender ou desejar Deus independente de tal graça vivificante e renovadora? Um homem cego pode ver antes de seus olhos serem abertos? Um homem com um coração de pedra ama e deseja Deus antes do seu coração ser feito carne? Como pode um boi desejar carne para comer... A água pode subir acima da sua fonte? Nós acreditamos que a salvação é do Senhor do início ao fim. Ele merece toda a glória. Enquanto nós éramos ainda perdidos Cristo morreu por nós e sua morte comprou tudo o que nós precisamos para ser salvos, incluindo nossa regeneração. Para um homem não regenerado, nunca desejaria as coisas de Deus. Se a graça de Deus não nos salva então o homem em última análise decide baseado em algum princípio interno, bom ou mau.

Finalmente, eu quero deixar claro que eu não estou aqui tentando mostrar que os arminianos não são salvos. Pelo contrário, eu escrevo isto na esperança de que isto sensibilizará da inconsistência entre os nossos irmãos arminianos. É verdade que Deus frequentemente nos salva apesar de nossa má ou inconsistente teologia, ou então a graça não seria graça. Na verdade, ele salvou todos nós apesar de nós mesmos e nossas visões incorretas. Se nós sabemos ou entendemos qualquer coisa é porque Deus escolheu revelá-la para nós (Mt 16.17). Mas nós devemos esclarecer que a teologia arminiana não é ortodoxa em suas visões da graça, desde que ela não tem suporte bíblico do qual falar. (Obviamente uma destas posições pode ser verdade, então uma ou outra é ortodoxa). Mas sua inconsistência é tal que eu acredito que a maioria são crentes sinceros. Por exemplo, aquilo que o arminiano afirma junto conosco, que eles justamente merecem a ira de Deus, salvo pela misericórdia de Jesus Cristo apenas, significa que talvez nós precisamos dar a eles algum amparo. Mas nós nunca deveríamos afrouxar ou se cansar de desafiá-los a verem o problema profundo em sua teologia da graça, desde que Deus tem esclarecido abundantemente que ele nos salva pela graça apenas. 

Considere: ao grau que nós pensamos pensamentos errados sobre Deus e como ele nos salva, àquele mesmo grau nós somos culpados da idolatria, e nisto Deus não se agrada. Então nós devemos declarar tal visão da graça ineficaz ser errada, mas ao mesmo tempo, vê-la como uma batalha acontecendo dentro do campo. É sério o suficiente justificar um debate feroz que pode continuar até o fim da era porque a ideia da graça preveniente é realmente apenas em menor grau o mesmo erro como o semi-pelagianismo (isto é, sinergista; que a fé é produzida por nossa natureza humana não-regenerada) e ainda dá ao homem tanta esperança nele mesmo e em suas próprias habilidades naturais. Do crente verdadeiro, Paulo diz que eles adoram em Espírito, glória em Cristo Jesus apenas e não tem confiança na carne (Fl 3:3).

Minha oração pela igreja universal é que todos nós estejamos em unidade da verdade como Deus tem revelado para nós e que a teologia que desonra a Deus, de onde quer que ela possa vir, seja pisoteada.

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Fonte: Monergism
Tradução: Francisco Alison Silva Aquino
Divulgação: Bereianos

Deus Elege Pessoas Baseado na Presciência da Fé?

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Por John Hendryx


As Escrituras ensinam que tudo relacionado ao evangelho tem o propósito de glorificar Cristo e destruir o orgulho do homem, ao pensar que pode salvar a si próprio. Por conseqüência, alguma coisa que diminui a glória de Cristo é inconsistente com o verdadeiro evangelho. Então, meu propósito nesta questão não é ser contencioso, mas glorificar a Deus ao alinhar nossos pensamentos com o dEle. Este pequeno artigo se propõe a desafiar a posição antibíblica que alguns evangelistas modernos insistem em pregar: a “presciência da fé” . Eu gostaria especificamente de confrontar essa posição, sustentada por alguns, que crêem que Deus observa de fora os corredores do tempo tentando ver quem crerá e então os escolhe baseado na sua resposta positiva a Ele. Eu entendo que um dos grandes motivos para alguns cristãos acreditarem neste conceito é que eles desejam preservar o amor irrestrito de Deus a todos e não podem imaginar um Deus que “arbitrariamente” escolhe alguns e condena o resto. Se a eleição incondicional fosse verdade, argumentam, então porque Deus não salvou todo mundo? Escolher alguns e deixar outros não tornaria Deus arbitrário em Sua escolha? Essas são objeções compreensíveis que eu espero responder no que se segue: 

Se entendo corretamente a ideía da “presciciência da fé”, os próximos três pontos expressam corretamente o conceito central que esta posição sustenta:

1 - A salvação dos homens é definitivamente o resultado de suas escolhas ao contrário de uma escolha divina, unicamente.
2 - A eleição é baseada pela presciência divina da fé de certas pessoas e não somente por estar de acordo com Seu desejo e misericordiosa vontade.
3 - A eleição é condicional, baseada na aceitação de Jesus Cristo e não na determinação de Deus, mesmo quando a graça de Deus está certamente envolvida neste processo.

Antes de entrarmos numa discussão dos méritos da racionalidade (lógica), devemos considerar primeiramente que o Cristianismo não é algo que nós deduzimos de uma mera filosofia especulativa. Deus decidiu nos dar faculdades racionais e as ferramentas da lógica; mas, como cristãos, isto deve sempre ser usado dentro dos parâmetros bíblicos que Ele graciosamente nos concedeu. Pensar cristologicamente é reconhecer que podemos saber de Deus somente da forma que Ele revelou-se a nós nas Escrituras; e as Escrituras não dão evidência da doutrina da “presciência da fé”. Portanto, sustentar uma teologia apenas numa inútil lógica humana não é nada mais que tirar os mais profundos fundamentos da nossa fé de fontes extrabíblicas.

Visão Bíblica do Conhecimento

De fato, as Escrituras dizem “...aqueles que [Deus] de antemão conheceu, também os predestinou”, mas seria uma exegese pobre concluir que isto deve significar uma “fé prevista”. É ir bem mais além do que o texto realmente quer dizer. Todos devemos admitir que isto é ler um conceito adicional que simplesmente não está lá, pelo motivo de o texto em questão não dizer que Deus prevê algum evento (nossa fé) ou as atitudes que as pessoas tomam. Pelo contrário, ele diz aqueles que de antemão conheceu...”. Em outras palavras, Paulo informa que Deus prevê pessoas. As Escrituras, toda vez que citam Deus “conhecendo” pessoas, referem-se àqueles em quem o Senhor imputou seu amor. Isto expressa a intimidação do conhecimento pessoal.

Por exemplo, o Senhor diz a Jeremias: “Antes que eu te formasse no ventre te conheci”. Deus determinou de antemão separar certas pessoas por amor, mas não pelas decisões delas (Amós 3:2; Mt. 7:23; João 10:14; 2 Tm 2:19). Na verdade, a Bíblia ensina que a graça de Deus em nos escolher é livre, baseada unicamente em Sua vontade, e não influenciada por capacidades natas, desejo espiritual (Rm 9:16, João 1:13), mérito religioso ou a presciência da fé das pessoas que ele escolheu para Si (Ef 1:5; 2:5,8). Pelo contrário, Deus atua de acordo com Seu supremo propósito, que é Sua própria glória.

A todo aquele que é chamado pelo meu nome, e que criei para minha glória, e que formei e fiz.” (Isaías 43:7)

Inconsistências Lógicas

A partir da falta de evidência bíblica para os defensores da “presciência da fé”, eu também gostaria de evidenciar a falha fatal e a lógica inconsistente da própria pressuposição antibíblica. Enquanto alguns retratam a “fé prevista” como uma dádiva de grande liberdade à livre escolha de todos os homens, após uma reflexão mais profunda, esta idéia mostra que nenhuma liberdade é dada ao homem no final. Ora, se Deus pode olhar o futuro e ver que uma pessoa A virá a Cristo e que a pessoa B não irá crer em Cristo, então esses fatos já estão consumados, eles já foram determinados. A presciência divina da fé e arrependimento dos crentes implica a certeza, ou “necessidade moral” desses atos, tanto quanto um decreto soberano. “Porque aquilo que é certamente previsto deve ser certo” (R.L. Dabney). Se nós assumirmos que o conhecimento divino do futuro é correto (ponto pacífico entre todos os evangélicos), então é absolutamente certo que a pessoa A crerá e a pessoa B não crerá. Não existe qualquer forma de suas vidas tornarem-se diferente disso. Conseqüentemente, é mais que correto dizer que seus destinos já estão determinados, porque não poderiam ser diferentes. A questão é: pelo que seus destinos são determinados? Se o próprio Deus os determina, então nós não temos eleição baseada na presciência da fé, e sim na vontade soberana do Senhor. Porém, se Deus não determina seus destinos, então quem ou o que os determina? É claro que nenhum cristão diria que existe um ser mais poderoso que Deus controlando o destino dos homens. Portanto, a única alternativa possível é dizer que seus destinos são determinados por alguma força impessoal, algum tipo de sorte, operante no Universo, fazendo todas as coisas agirem como elas agem. Mas, qual o benefício disso? Trocamos, então, a eleição sacrificial em amor, de um Deus pessoal e compassivo, por um tipo de determinismo guiado por uma força impessoal; e Deus deixa de receber a autoridade final para nossa salvação. (Wane Grudem, Systematic Theology).

Além disso, ninguém poderia argumentar consistentemente que Deus previu aqueles que creriam e seriam salvos e também pregar que Deus está tentando salvar todo o mundo. Se Deus sabe quem será salvo, então seria um absurdo Ele acreditar que mais pessoas podem ser salvas que aquelas que Ele previamente sabia que o escolheriam. Seria inconsistente afirmar que Deus está tentando fazer alguma coisa que Ele já sabia que nunca aconteceria. Da mesma forma, ninguém pode consistentemente dizer que Deus previu aqueles que seriam salvos e em seguida ensinar que o Espírito Santo faz tudo que pode para salvar todos os homens do mundo. Por este sistema, o Espírito Santo estaria perdendo tempo e esforço na tentativa de converter um homem que Ele sabia desde o princípio que não O escolheria. O sistema antibíblico desaba por si mesmo.

Alguns poderão responder que não é nem eleição nem fé previstas, mas alguma coisa no meio. Esta opção é excluída, por definição, a não ser que você acredite que Deus não conhece o futuro. Em outras palavras, a única forma da “posição de meio-termo” ser verdade é o caso de limitarmos a onisciência de Deus (uma impossibilidade). Ou Deus sabe e decreta o futuro ou não. Se Deus sabe o futuro e sua posição da fé prevista é verdadeira, então Deus nos deixou nas mãos de um acaso impessoal. Nossas escolhas seriam pré-arranjadas por um determinismo impessoal. Sua posição “coluna do meio” poderia teoricamente ser correta se você afirmar a ignorância de Deus em relação ao futuro, mas então Deus não saberia quem iria escolhê-lo e a teoria inteira se desmancharia pelo fato da “presciência da fé” gerá-la. Concluindo, a não ser que você deseje acreditar que uma força impessoal determina nossa salvação, e que Deus não conhece o futuro (a heresia do Teísmo Aberto), a posição da fé prevista é, ao mesmo tempo, biblicamente e logicamente impossível. Com o propósito de honrar a Deus, nós devemos, neste assunto, originar nossa autoridade das Escrituras e ser cuidadosos para não nos apoiarmos meramente naquilo que nos foi ensinado em nossa igreja.

Antecipando o contra-argumento que isto faria Deus “arbitrário”...  

Primeiramente, eu gostaria de desafiá-lo a confrontar a seguinte passagem. Paulo encontrou a mesma argumentação contra a eleição – que isto faria Deus injusto e arbitrário.

Romanos 9:18-23

"18 Portanto, Deus tem misericórdia de quem ele quer, e endurece a quem ele quer. 19 Mas algum de vocês me dirá: “Então, por que Deus ainda nos culpa? Pois, quem resiste à sua vontade?” 20 Mas quem é você, ó homem, para questionar a Deus? “Acaso aquilo que é formado pode dizer ao que o formou: ‘Por que me fizeste assim?” 21 O oleiro não tem direito de fazer do mesmo barro um vaso para fins nobres e outro para uso desonroso? 22 E se Deus, querendo mostrar a sua ira e tornar conhecido o seu poder, suportou com grande paciência os vasos de sua ira, preparados para a destruição? 23 Que dizer, se ele fez isto para tornar conhecidas as riquezas de sua glória aos vasos de sua misericórdia, que preparou de antemão para glória,"

Para começar, Paulo não faria esta questão hipotética a não ser que ele acreditasse que a determinação final da salvação estava apenas nas mãos de Deus. Paulo está dizendo que Deus tem o o direito supremo de fazer conosco o que Ele quiser. Você irá condená-lo por este direito? Além disso, como nós conhecemos a personalidade de Deus, nós não devemos pensar que, a Seu modo, Deus não tinha razões ou causas para salvar a alguns e outros não – “o propósito divino sempre conspira com a sabedoria de Deus e nada ocorre sem motivos ou despropositadamente, apesar destas razões e causas não terem sido reveladas a nós. Nos Seus conselhos e obras nos quais nenhum propósito é perceptível, este propósito ainda está oculto com Deus. Logo, o que Ele decretou nunca está fora de uma justa e sábia concordância com Seu beneplácito, fundamentado em Seu gracioso amor que nos envolve” (Heppe, Reformed Dogmatics). Apenas não saber o porquê de Ele escolher alguns para a fé e outros para a descrença não é razão suficiente para rejeitar isto. Na falta de dados relevantes, nós, portanto, não temos razão, ou o que for, para assumir o pior, portanto não há base legítima para duvidar da benignidade de Deus aqui. Conseqüentemente, duvidar que Deus pode escolher-nos baseado somente no seu bel consentimento não é duvidar da bondade de Deus. Os defensores da “presciência da fé” estão, na verdade, dizendo que são incapazes de crer na escolha de Deus e preferem dá-la a seres decaídos, como se eles pudessem tomar uma decisão melhor que Deus. Vamos resumir então a resposta à acusação de Deus ser arbitrário:

As coisas encobertas pertencem ao SENHOR, o nosso Deus, mas as reveladas pertencem a nós e aos nossos filhos para sempre, para que sigamos todas as palavras desta lei.” (Deuteronômio 29:29)

A eleição é baseada nas qualidades morais de Deus (por exemplo: bondade, compaixão, empatia, integridade, não-fingimento, imparcialidade, justiça, etc.)

Deus tem “causas e razões” para Suas escolhas, mesmo que estas sejam “intímas” dEle (ou seja, desconhecidas nas criaturas). Nós sabemos que o Senhor é bom e portanto podemos confiar que Ele faria uma escolha melhor que as nossas.

Deus não faz nada sem razão. Ele não faz nada despropositadamente. Ele simplesmente não nos revelou estas razões e causas, apesar de elas certamente existirem. Como elas não foram reveladas, estamos proibidos de tentar adivinhá-las. Porém, como conhecemos a fidelidade de Deus, podemos nos regozijar em Sua sabedoria. Deus não falta com razões justas para Seus atos. Estas “razões justas” estão simplesmente ocultas para nós.

Salvação não é condicionada por algo que Deus vê em nós e que nos torna dignos de Sua escolha. NENHUM dos Seus decretos são feitos sem justiça e sabedoria.

Devemos sempre ter em mente que Deus não é obrigado a salvar ninguém e que todos nós somos justamente merecedores de Sua ira. Assim, se Deus salva alguém, é puramente um ato de Sua misericórdia. Todos os evangélicos concordam que seria justiça de Deus pôr toda a humanidade em julgamento. Por que, então, seria injustiça de Sua parte julgar alguns e ter misericórdia do resto? Se seis pessoas me devessem certo valor, por exemplo, e eu perdoasse quatro deles, mas ainda quisesse o pagamento dos outros dois, eu estaria totalmente dentro de meu direito. Quanto mais Deus está? (Leia A Parábola dos Trabalhadores na Vinha – Mateus 20:1-16) .

Portanto, isso não depende do desejo ou do esforço humano, mas da misericórdia de Deus.” (Romanos 9:16)

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Tradução livre: Josaías Cardoso Ribeiro Jr.
Brasília-DF, 22 de janeiro de 2004.
Fonte: Monergismo
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Uma palavra de advertência acerca de Tim Keller

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Por John Hendryx


Tim Keller é uma pessoa muito complicada teologicamente, assim, por favor, preste atenção enquanto explico. Sou um grande admirador do Cristocentrismo de Keller e sua clara explicação do evangelho. De fato, a apresentação do evangelho por parte de Keller é uma das melhores que jamais escutei. Seu entendimento da somente a graça em Cristo somente numa perspectiva Reformada é verdadeiramente magnífico... até mesmo profundo. Proclama em voz alta que "o evangelho NÃO é o que fazemos para Cristo, senão acerca do que Cristo fez por nós" o que é algo que se acha longe da RCC e do Movimento Emergente como se possa imaginar. Pessoalmente sou grandemente abençoado por seu ministério. Promovemos-lhe porque o seu ensino, em geral, é MUITO bom.

Mas, sempre fui um admirador crítico de Tim Keller. Permita-me explicar. Por um lado, ele ama a Jonathan Edwards e aos Puritanos, bem como o experiencialismo Calvinista e o evangelho de somente a graça em Cristo somente. Por outro lado, integra algumas ideias de fora da tradição reformada. E isso nem sempre é algo ruim, pois podemos aprender de outras tradições. Todavia, neste caso, discordo profundamente de algumas de suas posições. 1) É um evolucionista teísta. 2) Às vezes, tende a ter uma ênfase desequilibrada em temas como a justiça social e a renovação cultural (o que tem levado a muitas igrejas locais influenciadas por ele a se envolver nas políticas de esquerda ou direita, cuja "ala" dependendo da localização da igreja), e (3) recentemente tem chamado minha atenção que sua igreja pratica a oração contemplativa, ou o misticismo católico, o que potencialmente poderia conduzir as pessoas a abraçar os perigosos ensinos da Contrarreforma de Ignácio de Loyola, San Juan de la Cruz, Santa Teresa de Ávila (místicos católicos) que ensinam (entre outras coisas) as ideias extra-bíblicas da perfeição cristã, visões e guia mística divina. Em minha opinião, algumas destas acomodações tendem a ser inconsistentes com o evangelho que de outra forma comunica tão poderosamente.

De modo que, uma palavra de precaução aos jovens cristãos que se emocionam demasiadamente com o seu material. Quase há um culto entre os ministros de a RUF e outros jovens que recentemente estão entrando na PCA. Isto poderia ser, potencialmente, algo pouco saudável. Somente quero que os leitores deem um passo à atrás por um segundo, e tomem em consideração estas coisas antes de sinceramente submergirem. Uma vez mais, seus livros sobre a idolatria, o matrimônio, a apologética, e especialmente seus livros sobre o evangelho, etc., são geralmente muito úteis, e essa é a razão pela qual os vendemos sem reservas. Amo seu Cristocentrismo, a sua ênfase na experiência e penso que comunica coisas de uma maneira muito útil, mas aponto com aguda exceção a sua evolução teísta, o seu ecumenismo e sua desequilibrada ênfase na justiça social. E jamais venderíamos, ou promoveríamos conscientemente nenhum recurso que promovesse especificamente estas ideias ou práticas errôneas.

Podemos estar em desacordo com um homem em muitas coisas e ainda assim pensar que as pessoas podem se beneficiar de seu ministério do evangelho. Sei que há um grupo de pessoas que preferiria que o retirássemos totalmente de nossa venda. Eu lhes agradeço por chamar a minha atenção para algumas destas coisas. Mas, depois de buscar conselho sobre isto da parte de outros pastores, sinto que uma advertência deste tipo é a melhor maneira de seguir adiante. Se estas advertências forem consideradas, então, creio que vocês serão abençoados pelo útil ministério do Dr. Tim Keller.

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John Hendryx
Monergism Books

Extraído DAQUI em 17/10/2013.
Tradução: Rev. Ewerton B. Tokashiki
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