Feliz Dia da Reforma!

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Estou vendo alguns posts sobre o Dia da Reforma e decidi tomar um tempinho para escrever alguns de meus pensamentos.

Todos nós sabemos que a escolha da data de 31 de Outubro de 1517 é (como a maioria das datas na história) arbitrária. É claro, você pode identificar 7 de Dezembro de 1941 com o Pearl Harbor porque foi um evento específico, mas (ainda assim) muitas coisas contribuíram para que ele acontecesse naquele dia. A data que escolhemos para o início da Reforma é ainda mais subjetiva. Isso porque era necessário muitos e muitos fatores para que a Reforma pudesse acontecer, e esses fatores tiveram raízes nos séculos que precederam as ações de Lutero.

Duvido, ainda mais, que Lutero colocaria algum peso sobre essa data em específico. Bem, é claro que ele veria alguma relevância sobre o desafio que havia lançado, mas não mais do que em qualquer um dos outros eventos de sua vida. Ele não tinha intenção alguma de criar uma rebelião contra Roma por suas ações, ele estava apenas fazendo o que a maioria dos professores na Europa faziam naqueles dias: convidando uma escola rival a uma versão escolástica de um jogo moderno de futebol. Em sua mente ele estava seguindo os passos de outros homens piedosos da igreja, e, nesse exato momento, ele ainda não havia reconhecido as questões epistemológicas básicas que ele haveria de ser forçado a encarar em apenas uma questão de anos.

Mas é certo sim marcar o início da Reforma (ainda que façamos isso de forma arbitrária). Poderíamos ter voltado até Wycliffe, ou ter escolhido 6 de Julho de 1415 e a morte de João Huss (pois sua morte teve muita importância). Poderíamos ter ido até a divisão entre Zuínglio e Roma ou a Dieta de Worms e o “Aqui permaneço, não posso fazer outra coisa”. Em todo caso, parece adequado marcar o evento (ao menos para uma pequena minoria).

Para a maior parte do Romanismo e Protestantismo, a Reforma é um evento histórico sem qualquer significado duradouro. Para muitos, na verdade é um trágico evento, um erro, digno de arrependimento de seus adeptos e de repúdio pelos outros. Mas para a maioria é apenas uma nota de rodapé na história e, dada sua teologia e prática, não possui significado duradouro. Entre esses estão os católicos nominais que provam, por suas vidas, que eles realmente não acreditam na maioria das coisas que Roma ensinou. Mas também estão aqueles que são protestantes por conveniência e não por convicção. Para eles a Reforma claramente não apresenta qualquer razão para se celebrar ou refletir nos dias de hoje. Se alguém não aprecia a liberdade que a justificação garante, não se alegra com a imputação da justiça de Cristo (saiba que muitos dos grandes nomes de hoje da “cristandade não-católica” riem disso) e não abraça e confessa o Sola Scriptura, esse alguém não tem razão alguma para refletir sobre o Dia da Reforma (seria melhor ir comprar doces e se juntar às festividades pagãs).

Mas para aqueles que ainda abraçam aos Solas não por uma fidelidade partidária ao que é “legal”, mas por um reconhecimento do eterno valor que essas verdades representam, o Dia da Reforma é um lembrete anual do que realmente importa nesses dias de “verdades” borradas e transitórias. Então, para aqueles que entendem isso, um feliz Dia da Reforma!

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Autor: James R. White
Fonte: Página do autor no Facebook
Tradução e adaptação: Erving Ximendes
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Comentário de João Capítulo 6

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Nota do tradutor:

Provavelmente você já ouviu alguém dizer que Romanos 9 é a kryptonita do Arminianismo. Se esse é o caso, então João 6 é certamente o golpe de misericórdia. Neste fascinante comentário elaborado pelo Dr. James White, temos a refutação de duas ideias errôneas — porém bastante distintas — que se propagaram no Cristianismo: a transubstanciação e a depravação parcial do homem. Assim como o autor, eu espero que este comentário seja útil para os crentes do Brasil e que ele ajude a Igreja brasileira a buscar um material teológico são. 

Erving Ximendes, agosto de 2016.


O verdadeiro significado de Tradição Apóstolica

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Será que o Sola Scriptura requer que acreditemos na existência de uma “tradição” (ou “regra de fé”) a qual devemos apelar para ter a interpretação correta da Bíblia? Não há dúvidas de que os escritores cristãos primitivos utilizavam esse termo, e muitos são rápidos em usar esse fato com alegria. Mas quando examinamos o seu significado, descobrimos que a maioria das referências são destinadas ou a um esboço fundamental das crenças cristãs sobre Deus e Cristo, ou a crenças sobre práticas e ritos que não eram doutrinários ou dogmáticos por natureza. Ireneu definiu “tradição” nos seguintes termos:

Todos esses declararam que existe um Deus, criador dos céus e da terra, anunciado pela lei e pelos profetas; e um Cristo, o Filho de Deus. Se alguém não concorda com essas verdades, esse alguém despreza os companheiros do Senhor; mais ainda, despreza o próprio Cristo, Senhor; sim, despreza também o Pai, e permanece auto-condenado, resistindo e opondo sua própria salvação, como é o caso de todos os hereges. (Alexander Roberts e James Donaldson, The Ante-Nicene Fathers, 1:414-415)

Obviamente, o conteúdo dessa “tradição” não é extra-bíblico: as Escrituras claramente ensinam essas coisas. Tertuliano, mais tarde, deu uma versão expandida:

Agora, no que diz respeito a esta regra de fé (para que possamos, a partir deste ponto, reconhecer o que é que defendemos), você deve saber aquilo que prescreve a crença de que existe um só Deus, e que Ele não é outro senão o Criador do mundo, que produziu todas as coisas a partir do nada por meio de Sua própria Palavra; que essa Palavra é chamada de Seu Filho, e, sob o nome de Deus, foi visto em diversas maneiras pelos patriarcas, ouvido durante todas as épocas pelos profetas, enfim levado pelo Espírito e pelo poder do Pai para a Virgem Maria, se fazendo carne em seu ventre, e, tendo nascido dela, se revelando como Jesus Cristo; daí em diante Ele pregou a nova lei e a nova promessa do reino dos céus, operou milagres; tendo sido crucificado, ressuscitou ao terceiro dia; tendo subido aos céus, Ele sentou-se à direita do Pai; enviou, ao invés de si mesmo, o poder do Espírito Santo para liderar os que crêem; virá com glória para levar os santos ao gozo da vida eterna e das promessas celestiais, e para condenar os ímpios ao fogo eterno, após a ressurreição de ambas essas classes ter acontecido, em conjunto com a restauração de sua carne. Esta regra, como será provado, foi ensinada por Cristo, e não levanta entre nós qualquer questão além daquelas que as heresias introduzem, e que fazem os homens hereges. (Tertuliano, Prescrição contra os hereges, 13)

Mas, novamente, tudo isso pode ser derivado a partir do texto inspirado e não existe como uma revelação separada das Escrituras. Se quando alguém fala de “tradição apostólica” e de “interpretar as Escrituras sob a luz da regra de fé”, tudo o que esse alguém quer dizer é que existem certas coisas inegociáveis que são fundamentais para uma compreensão adequada da Palavra de Deus e da fé cristã, dificilmente existirá alguma discussão. Tudo o que se precisa fazer para enxergar essa verdade é notar as relativamente poucas tentativas feitas pelos estudiosos mórmons para fornecer comentários exegéticos sobre os textos das Escrituras, especialmente a literatura neo-testamentária, e a impossibilidade de realizar tal tarefa sob a luz do politeísmo. Deve-se entender os esboços mais básicos da verdade cristã para investigar mais profundamente a revelação das Escrituras, e se alguém começa com erros nesse ponto, os esforços restantes serão em vão. Se isso é tudo o que alguém quer dizer por “regra de fé”, então isso é completamente compreensível.

Na verdade, poderíamos dar um passo adiante e dizer que a regra de fé representa o resumo da doutrina apostólica que existiu até mesmo durante a época em que os documentos do Novo Testamento estavam sendo escritos. Essa regra de fé coincide com o texto pela razão óbvia de que os apóstolos foram os autores de ambos, apesar de termos que notar que seus testemunhos registrados nas Escrituras são mais claros (e mais específicos) que a regra de fé. É eminentemente lógico assumir que a medida em que o Novo Testamento estava sendo escrito, um resumo da verdade cristã já era conhecido e já circulava entre as igrejas; no entanto, é aqui que vemos novamente a sabedoria de Deus nos meios que Ele usa para conceder as Escrituras. Em contraste com a confiança e a verificabilidade dos manuscritos bíblicos escritos, a transmissão oral da tradição é inerentemente sujeita à corrupção (e essa acontece muito rápido).

Em particular, um exemplo impressionante disso é fornecido naquilo que pode muito bem ser a primeira instância documentada de um escritor cristão, especificamente afirmando ter informação proveniente não das Escrituras, mas via “tradição” oral dos apóstolos. Quando Ireneu procurava refutar os argumentos gnósticos do segundo século, ele fez uma referência a um elemento particular de um de seus (dos gnósticos) argumentos, e, sendo bem franco, ele se perdeu por completo. O argumento dos gnósticos era irrelevante, e sua resposta foi errante; ao tentar refutá-los, Ireneu postulou que Jesus tinha mais de cinquenta anos quando Ele morreu no Calvário; ele também afirmou que como Cristo veio salvar tanto bebês quanto crianças, jovens, adultos e velhos, então Ele também tinha que passar por todos esses estágios da vida. Como Ireneu pode demonstrar que Jesus tinha essa idade ao morrer na cruz? Insistindo que ele havia sido informado disso por aqueles que conheciam os apóstolos:

Todos estão de acordo que trinta anos é a idade de homem ainda jovem, idade que se estende até aos quarenta; dos quarenta aos cinqüenta declina na senilidade. Era nesta idade que nosso Senhor ensinava, como o atesta o Evangelho e todos os presbíteros da Ásia que se reuniram em volta de João, o discípulo do Senhor, que ficou com eles até os tempos de Trajano, afirmam que João lhes transmitiu esta tradição. Alguns destes presbíteros que viram não somente João, mas também outros apóstolos e os ouviram dizer as mesmas coisas, testemunham isso tudo. Em quero mais devemos acreditar: nestes presbíteros ou em Ptolomeu, que nunca viu os apóstolos e sequer em sonhos seguiu algum deles? (Ireneu, Contra Heresias, 2:22:5)

Note o que Ireneu afirma, pois a história da igreja está cheia desse tipo de erro. Não existe razão textual alguma para acreditar que Jesus tinha mais de cinquenta anos de idade, ainda assim Ireneu afirma “o Evangelho” como parte dos fundamentos de sua compreensão. Ele rapidamente põe mais peso ao dizer “e todos os anciãos”. Ele apoia essa afirmação ao insistir que “todos os presbíteros da Ásia que se reuniram em volta de João, o discípulo do Senhor,” transmitiram essa informação, mas como isso não parecia ser o suficiente, ele expande a alegação até João, de forma que esse conceito da idade Jesus seja creditado como vindo “também dos outros apóstolos. Ireneu escreveu dentro de um século depois da morte de João, ainda assim será que hoje alguém acredita que não apenas João mas o resto dos apóstolos ensinaram a seus seguidores que Jesus estava em Sua sexta década de vida quando Ele morreu? Ninguém acredita nos argumentos de Ireneu, pois eles não são fundamentados textualmente; no entanto, não acreditar nisso significa ou que Ireneu estava mentindo quando escreveu essas palavras ou que a “tradição oral” pode ser corrompida muito rapidamente.

Duas lições podem ser aprendidas com Ireneu nesse ponto.

Primeiro, em referência à ideia de que existe uma “regra de fé” originada nos apóstolos, as únicas bases possíveis para aceitar tal conceito seria primeiro vê-lo como meramente um resumo dos ensinamentos apostólicos, e nós obteríamos esse resumo através de todo o espectro dos escritos cristãos primitivos, não de uma fonte em particular. Isso é basicamente o que observamos; os exemplos mais antigos são bem básicos, breves, e com o tempo vão se expandindo. Obviamente, essas expansões estão sujeitas a suspeita, mas também vemos uma preocupação que essa regra de fé vem de todo o espectro das igrejas antigas, não apenas de uma única igreja ou de um único grupo de igrejas. Quanto mais amplo o testemunho, mais sólida é a fundação sobre a qual a regra de fé está.

Segundo, parece impossível evitar a conclusão de que se uma suposta tradição apostólica pode ser corrompida em menos de um século, como podemos levar a sério as afirmações de Roma de que seus dogmas marianos, e em particular crenças como a Imaculada Conceição e Assunção Corporal (crenças que por séculos sequer foram mencionadas em suas formas modernas na história de igreja e que não foram definidas dogmaticamente até poucos anos atrás) são realmente apostólicas em sua origem e forma? Certamente, para alguém ter qualquer base significativa para chamá-las de “apostólicas”, esse alguém deve ver esses dogmas como revelação divina de mesma categoria das Escrituras.

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Autor: James R. White
Fonte: Scripture Alone: Exploring the Bible's Accuracy, Authority and Authenticity. Paperback – October 1, 2004.
Tradução: Erving Ximendes
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O real sentido de 2 Pedro 1:20-21

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Antes de Pedro iniciar sua longa dissertação acerca dos falsos profetas, ele estabelece as bases da natureza divina da Palavra de Deus:

Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo. (2 Pedro 1:20,21, Almeida Corrigida e Fiel)

Muitos erroneamente interpretam essa tradução literal como se o foco estivesse sobre a interpretação de um indivíduo ao invés de estar sobre a origem e natureza das profecias em si. […] Pedro não está falando sobre como as pessoas interpretam as palavras de profecia mas sobre a certeza das próprias Escrituras. A NVI apresenta isso de maneira mais clara:

Antes de mais nada, saibam que nenhuma profecia da Escritura provém de interpretação pessoal, pois jamais a profecia teve origem na vontade humana, mas homens falaram da parte de Deus, impelidos pelo Espírito Santo. (2 Pedro 1:20,21, NVI)

Nessa tradução, a relação entre “interpretação” e o resto do verso é percebida mais rapidamente. […] Pedro continua a falar acerca de como as Escrituras vieram a existir (não como elas são interpretadas), logo o sentido de “interpretação pessoal” é decifrado nas palavras que se seguem: “As Escrituras não são as opiniões dos profetas mas as palavras do próprio Deus”. A ênfase de Pedro está em negar a origem humana da palavra profética, pois ele continua a dizer “pois jamais a profecia teve origem na vontade humana. Os homens não acordaram em uma manhã e pensaram: “Acho que hoje vou escrever um pouco de Escrituras”. A constantemente repetida frase: “A palavra do Senhor veio até mim, dizendo” argumenta a favor dessa verdade, pois com essas palavras o profeta está reconhecendo que as palavras do Senhor não vieram de dentro (do homem) mas de fora. Em sua origem primária, a Escritura não é da Terra mas do Céu.

Em contraste ao conceito de Escrituras humanamente originadas, Pedro afirma que os homens falaram por Deus como se, literalmente, tivessem sido “carregados” pelo Espírito Santo. Isso contradiz o que foi dito? Não. Os homens, de fato, falaram. As Escrituras estão em linguagem humana. As Escrituras tiveram autores humanos e eles não eram apenas máquinas de ditado. Eles falavam em suas próprias línguas, a partir de seus contextos, inseridos em suas culturas,  mas o que eles falaram, eles falaram por Deus e apenas na medida em que eles eram “carregados” (ou movidos) pelo Espírito Santo. Aqui está o misterioso (e ainda assim maravilhoso) contato entre o humano e o divino na origem das Escrituras: Enquanto os homens estão falando, eles estão fazendo isso sob o poder e direção do Espírito, para que o resultado desse milagre seja, como Paulo colocou, “respirada por Deus”. Não são os homens em si que são “inspirados” mas as Escrituras, o resultado dessa iniciativa divina de revelação.

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Autor: James R. White
Fonte: Scripture Alone: Exploring the Bible's Accuracy, Authority and Authenticity
Tradução: Erving Ximendes
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10 perguntas para os simpatizantes da ICAR

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Na semana passada eu recebi o seguinte e-mail e senti que seria melhor compartilhar a resposta aqui no blog.

Caro Sr. White, Para alguém que esteja considerando se converter ao catolicismo romano, quais seriam as perguntas que o senhor faria a fim de discernir se esse alguém examinou ou não a situação o suficiente? Digamos, uma lista Top 10 de perguntas. Obrigado.

Quando eu postei isso em nosso canal de bate-papo, um grande número de pessoas comentou que essa era, de fato, uma ótima pergunta, e nós começamos a elaborar algumas possíveis respostas. Aqui está minha lista Top 10:

10) Você ouviu os dois lados? Isto é, você fez algo mais do que simplesmente ler “Todos os caminhos levam a Roma” e ouvir algumas histórias emotivas de conversão? Você realmente separou um tempo para buscar respostas sérias às reivindicações de Roma, respostas essas que vem sendo oferecidas por escritores desde a época da Reforma, como Goode, Whitaker, Salmon, e alguns escritores modernos? Em especial, quero excluir desta lista qualquer coisa que tenha sido escrita por Jack Chick e Dave Hunt.

9) Você já leu alguma análise histórica objetiva da Igreja Primitiva? Refiro-me a uma que explicaria a grande diversidade de pontos de vista encontrados nos escritos dos primeiros séculos, e que explicaria, com precisão, as controvérsias, lutas, sucessos e fracassos desses primeiros crentes?

8) Você já olhou atentamente para as afirmações Roma sob uma luz histórica? Sendo mais específico, você já examinou as reivindicações de Roma sobre o “consentimento unânime” dos Padres e todas as evidências que se opõem não só à suposta aceitação universal do papado, mas especialmente ao conceito de infalibilidade papal? Como você explica, de forma consistente, a história da igreja primitiva, à luz das afirmações modernas feitas por Roma? Como você explica coisas como a Pornocracia e o Cativeiro Babilônico da Igreja sem assumir a veracidade do mesmo sistema que você está abraçando?

7) Você aplicou os mesmos padrões que os apologistas católicos romanos usam para atacar o Sola Scriptura para, igualmente, testar as alegações de suprema autoridade de Roma? Como você explica o fato de que as respostas que Roma dá para suas próprias objeções são circulares? Por exemplo, se Roma afirma que precisa da Igreja para estabelecer um cânone infalível, como é que isso pode responder à pergunta, uma vez que agora você tem que perguntar como Roma chega a esse conhecimento infalível. Ou, se argumentam que o Sola Scriptura produz anarquia, por que é que o magistério de Roma não produz unanimidade e harmonia? Se alegam que existem 33.000 denominações devido ao Sola Scriptura, e sabendo que esse número escandaloso foi repetidamente refutado (veja o livro Upon This Rock Slippery do Eric Svendsen para uma análise mais detalhada), você já se perguntou por que eles são tão desonestos e desleixados em suas pesquisas?

6) Você já leu o Sílabo dos Erros e a Indulgentiarum doctrina (doutrina das indulgências)? Alguém pode seriamente ler a descrição de Graça encontrada no último documento e fingir por um segundo sequer que essa é a mesma doutrina da Graça ensinada por Paulo aos romanos?

5) Você já considerou as ramificações de Roma acerca das doutrinas sobre o pecado, o perdão, os castigos eternos e temporais, o purgatório, a tesouraria do mérito, transubstanciação, o sacerdócio sacramental, e indulgências? Você realmente se deu ao trabalho de fazer uma análise séria de passagens pertinentes como Efésios 2, Romanos 3-5, Gálatas 1-2, Hebreus 7-10 e todo o capítulo 6 de João, à luz do ensinamento romano?

4) Você já se perguntou o que significa abraçar um sistema que ensina que você pode se aproximar do sacrifício de Cristo milhares de vezes em sua vida e que ainda assim pode morrer impuro e como um inimigo de Deus? E você já se perguntou porque embora os ensinamentos históricos de Roma sobre estas questões sejam facilmente identificáveis, a grande maioria dos católicos romanos hoje, incluindo padres, bispos e eruditos, não acreditam mais nessas coisas? O que isso significa?

3) Você já parou para pensar o que significa chamar um ser humano de Santo Padre (que é um nome divino, usado por Jesus unicamente acerca de Seu Pai) e Vigário de Cristo (que, por sua vez, é o Espírito Santo)? Você realmente pode encontrar algo nas Escrituras que o levariam a acreditar que a vontade de Cristo era que um bispo em Roma (ou seja, numa cidade centenas de milhas de distância de Jerusalém) não só fosse o cabeça de Sua igreja, mas que fosse tratado como um rei na terra, com pessoas se prostrando a ele, como o Pontífice Romano é tratado?

2) Você já parou para pensar o quão antibíblico e quão a-histórico é todo o conjunto de doutrinas e dogmas relacionados a Maria? Você realmente acredita que os Apóstolos ensinavam que Maria havia sido concebida imaculadamente, e que ela permaneceu perpetuamente virgem (de tal maneira que ela viajou sobre a Palestina com um grupo de jovens que não eram seus filhos, mas sim primos de Jesus, ou meio-irmãos, filhos de um casamento anterior de José)? Você acredita que dogmas definidos quase 2.000 anos depois do nascimento de Cristo realmente representam os ensinamentos dos apóstolos? Você está ciente de que doutrinas como a Virgindade Perpétua e a Assunção Corpórea têm sua origem no gnosticismo, não no cristianismo, e que elas não têm nenhum fundamento na doutrina ou prática apostólica? Como você explica o fato de que você deve acreditar nessas coisas de fide, isto é, pela fé, quando gerações de cristãos viveram e morreram sem nunca sequer ter ouvido falar de tais coisas ?

E a pergunta número um que eu gostaria de fazer a tal pessoa é:

1) Se você afirma que em certo dia tenha abraçado o evangelho da Graça, no qual confessava que a sua única posição diante de um Deus três vezes santo era a túnica inconsútil da justiça imputada de Cristo, de modo que você não tinha mérito algum, apenas a perfeita justiça dEle e com isso obteve paz diante de Deus, sobre quais possíveis razões você poderia vir a abraçar um sistema que, em seu coração nega-lhe essa paz que se encontra em um Salvador perfeito que realiza a vontade do Pai e um Espírito que não pode falhar? Você realmente acredita que o ciclo infinito de perdão sacramental (o qual agora você irá se submeter) pode lhe fornecer a paz que a perfeita justiça de Cristo não pode?

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Autor: James R. White
Fonte: Alpha and Omega Ministries
Tradução: Erving Ximendes
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Jesus ensina o “Calvinismo Extremado”

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Por James R. White


Se crer que o homem está “tão morto” [1] no pecado que ele é incapaz de vir a Cristo por si mesmo é “Calvinismo extremado”, então, o Senhor Jesus antecedeu em 1500 anos a Calvino com a Sua pregação na sinagoga em Cafarnaum, registrada em João 6. Aqui temos o Senhor ensinando quase tudo o que Norman Geisler identifica como “Calvinismo extremado”. Jesus ensina que Deus é soberano e age independentemente das "livres escolhas" dos homens. Ele, da mesma forma, ensina que o homem é incapaz de ter a fé salvadora, aparte da capacitação do Pai. Ele então limita este trazer [do Pai, João 6:44] aos mesmos indivíduos dados pelo Pai ao Filho. Ele então ensina a graça irresistível sobre os eleitos (não sobre os “dispostos”) quando Ele afirma que todos aqueles que são dados a Ele, virão a Ele. João 6:37-45 é a mais clara exposição na Bíblia do que EML [Eleitos, Mas Livres] chama de “Calvinismo extremado”. E ainda, EML ignora a maioria das passagens, oferece uma resposta ao versículo 44 que é simplesmente incompreensível, e oferece uma sentença em resposta ao versículo 45. Já vimos que João 6:37 é citado algumas vezes, mas nenhuma interpretação dele é oferecida.

Há uma boa razão porque EML tropeça neste ponto: não há nenhuma exegese não-reformada significante disponível sobre a passagem avaliada. Não obstante as inúmeras tentativas dos exegetas Arminianos de encontrar alguma solução para esses versículos, nem mesmo uma única solução plausível tem sido oferecida que não requeira uma completa desmantelação do texto, uma redefinição das palavras ou uma inserção de conceitos extremamente estranhos. Uma coisa é absolutamente certa: Jesus ensinou a completa soberania da graça às pessoas que estavam reunidas na sinagoga de Cafarnaum, há aproximadamente dois milênios. Se desejarmos honrar a Sua verdade, não podemos fazer menos do que disso.

Ouçamos Jesus ensinar o “Calvinismo extremado” quase 1500 anos antes de Calvino nascer, nas palavras do evangelho de João.

João 6:37-40

"Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora. Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. E a vontade do Pai que me enviou é esta: Que nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia. Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: Que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia."

A despeito da riqueza dessa passagem, um esforço honesto será feito para que sejamos breve no comentário fornecido. [2] O cenário é importante: Jesus fala a uma multidão reunida na sinagoga de Cafarnaum. Eles tinham seguido-O após a alimentação dos cinco mil no dia anterior. Eles estavam buscando mais milagres, e mais alimento. Jesus não saciou as suas "necessidades físicas", mas foi diretamente ao assunto real: quem Ele era e como Ele é o centro da obra de redenção de Deus. Ele identifica-se como o "Pão da Vida" (v. 35), a fonte de todo alimento espiritual. Em nosso cenário moderno, podemos não sentir a força de Suas palavras como eles devem ter sentido naquela manhã. "Quem é este homem para falar dessa forma de Si mesmo?", eles devem ter pensado. Nem mesmo os maiores profetas de Israel instruíram as pessoas a ter fé neles mesmos! Nem mesmo um Abraão ou um Isaías desejaria reivindicar ter descido do céu, nem jamais diriam "aquele que vem a mim, de modo algum terá fome, e quem crê em mim jamais terá sede". Devemos tentar sentir o impacto impetuoso dessas palavras à medida que elas foram faladas.

O bendito Senhor foi totalmente duro com a Sua audiência. Ele sabia que eles não possuíam uma fé verdadeira. "Mas como já vos disse, vós me tendes visto, e contudo não credes" (v. 36). Eles tinham visto-O com os seus olhos, mas a menos que a visão física seja unida com a iluminação espiritual, ela não será de proveito algum. Freqüentemente a importância dessa declaração é negligenciada. O verso 36 é um ponto crítico no capítulo. Jesus agora explica a incredulidade deles. Como é que esses homens poderiam estar diante do próprio Filho de Deus, o Verbo feito carne, e não crer? Qualquer pessoa que não toma seriamente a morte do homem no pecado deveria contemplar essa cena. O próprio Criador em forma humana está diante de homens que eram bem versados nas Escrituras e aponta para a incredulidade deles. Ele então explica o porque e, todavia, pouquíssimos hoje ouvirão e crerão.

Todo o que o Pai me dá virá a mim”. Essas são as primeiras palavras que vieram do Senhor na explicação da incredulidade do homem. Não ousamos nos engajar na brincadeira de amarelinha em cima desse texto e ignorar a própria ordem do ensino que Ele provê. A primeira afirmativa é uma da completa soberania divina. Cada palavra diz muita coisa.

Todo o que o Pai me dá”. O Pai dá alguns a Cristo. Os eleitos são vistos como um todo singular [3] , dados pelo Pai ao Filho [4] . O Pai tem o direto de dar uma pessoa ao Filho. Ele é o soberano Rei, e esta é uma transação divina.

Todos os que são dados pelo Pai ao Filho vêm ao Filho. Não alguns, não muitos, mas todos.

Todos aqueles dados pelo Pai ao Filho virão ao Filho. É vital ver a verdade que é comunicada por essa frase: o ato do Pai dar ao Filho precede e determina a vinda da pessoa a Cristo. A ação de dar pelo Pai vem antes da ação de vir a Cristo pelo indivíduo. E visto que todos daqueles assim dados virão infalivelmente, temos aqui tanto a eleição condicional bem como a graça irresistível, e isto no espaço de nove palavras! Torna-se um óbvio exercício na eisegesis [interpretação pessoal de um texto (especialmente da Bíblia), usando suas próprias idéias; não confundir com exegese] dizer: "Bem, o que o Senhor realmente quis dizer é que todos que o Pai viu que creriam em Cristo, virão a Cristo". Esta é uma declaração sem sentido. Visto que o ato de vir é dependente da ação de dar, podemos ver que simplesmente não é exegeticamente possível dizer que não podemos determinar a relação entre as duas ações. O ato de dar de Deus resulta no vir do homem. A salvação é do Senhor.

Mas note também que é para o Filho que eles virão. Eles não virão para um sistema religioso. Eles virão a Cristo. Esse é um relacionamento pessoal, uma fé pessoal, e, visto que aqueles que vêm são descritos através de toda a passagem pelo particípio do tempo passivo, ela não é apenas uma vinda que acontece uma só vez. Essa é uma fé contínua, um olhar contínuo para Cristo como a fonte da vida espiritual. Os homens a quem o Senhor estavam falando "vieram" a Ele por um tempo: em breve eles O deixariam e não O seguiriam mais. O verdadeiro crente está vindo a Cristo sempre. Essa é a natureza da fé salvadora.

E o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora”. O verdadeiro crente, aquele que "vem" a Cristo, tem essa promessa do Senhor: usando a forma mais forte de negação possível [5] , Jesus afirma a eterna segurança do crente. Jesus é Aquele que dá vida e levanta os Seus no último dia. Ele promete que não há qualquer possibilidade de que alguém que esteja vindo a Ele em verdadeira fé possa encontrá-Lo indisposto para salvá-lo. Mas essa tremenda promessa é a segunda metade de uma sentença. Ela é baseada sobre a verdade que foi primeiramente proclamada. Essa promessa é para aqueles que são dados pelo Pai ao Filho e a ninguém mais. Certamente, veremos no versículo 44 que ninguém senão aqueles que são assim dados, virão a Cristo em fé de qualquer jeito: mas há certamente aqueles que, como muitos daquela audiência em Cafarnaum, estão dispostos a seguir por um tempo, dispostos a crer por um tempo. Essa promessa não é deles.

A promessa aos eleitos, contudo, não pode ser mais preciosa. Visto que Cristo é capaz de salvar perfeitamente (Ele não depende da vontade ou da cooperação do homem), Sua promessa significa que o eleito jamais pode se perder. Visto que Ele não lançará fora, e que não há poder maior do que o Seu, aquele que vem a Cristo encontrará nEle um Salvador todo-suficiente e perfeito. Essa é a única base da "segurança eterna" ou da perseverança dos santos: eles olham para um Salvador que é capaz de salvar. E a capacidade de Cristo para salvar que significa que o redimido não pode se perder. De fato, se houvesse uma relação sinergística, não poderia haver nenhum fundamento para uma absoluta confiança e segurança.

Muitos param no verso 37 e perdem a tremenda revelação que somos privilegiados de receber nos versos seguintes. Por que Cristo nunca lançará fora aqueles que vêm a Ele? O verso 38 começa com uma conjunção que indica uma continuação do pensamento: o verso 38 e 39 explicam o verso 37. Cristo guarda todos aquele que vem a Ele porque Ele está cumprindo a vontade do Pai. “Eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou”. O Messias divino sempre faz a vontade do Pai. O capítulo precedente no Evangelho de João deixa isto muito claro. Há perfeita harmonia entre a obra do Pai e a do Filho.

E qual é a vontade do Pai para o Filho? Em termos simples, a vontade do Pai é que o Filho salve perfeitamente. “E a vontade do Pai que me enviou é esta: Que nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia”. É vital lembrar que isso continua a explicação do porque Ele não lança fora aquele que vem a Ele. Devemos ver isso, pois alguém pode ser tentado a dizer que o Pai confiou todas as coisas nas mãos do Filho, e que essa passagem não está dizendo nada mais de que o Filho agirá de forma apropriada com respeito àqueles que o Pai Lhe deu. Mas o contexto é claro: o verso 37 fala do pai "dando" os eleitos ao Filho, e o verso 39 continua o mesmo pensamento. Aqueles que são dados, infalivelmente virão ao Filho no verso 37, e são esses mesmos, os eleitos [6] , que são ressuscitados no último dia. Ressurreição é uma obra de Cristo, e nessa passagem, é comparada com o doar da vida eterna (veja v. 40). Cristo dá vida eterna a todos aqueles que são dados a Ele e que, como resultado, vêm a Ele.

Devemos perguntar ao Arminiano que promove a idéia de que uma pessoa verdadeiramente salva pode se perder: isto não significa que Cristo pode falhar em fazer a vontade do Pai? Se a vontade do Pai para o Filho é que Ele não perca nenhum daqueles que Lhe foram dados, não se segue inexoravelmente que Cristo é capaz de realizar a vontade do Pai? E isto não nos força a crer que o Filho é capaz de salvar sem a introdução da vontade do homem como autoridade final no assunto? Pode algum sinergista (alguém que ensina, como o Dr. Geisler o faz, que a graça de Deus opera "sinergisticamente" e que o livre-arbítrio do homem é uma parte vitalmente importante do processo da salvação, e que nenhum homem é salvo a menos que esse homem deseje isso) crer nessas palavras? Pode alguém que diz que Deus tenta salvar tantos quantos "possível", mas não pode salvar ninguém sem a cooperação do homem, crer no que esse verso ensina? Não é a vontade do Pai que Cristo tente salvar, mas que Ele salve perfeitamente um povo particular. Ele não perderá nenhum de todos aqueles que o Pai lhe deu. Como pode ser isso se, na verdade, a decisão final descansa com o homem, e não com Deus? É a vontade do Pai que resulta na ressurreição para a vida de qualquer indivíduo. Isso é eleição nos mais fortes termos, e ela é ensinada com clareza nas Escrituras.

O verso 39 começa com “A vontade daquele que me enviou é esta”, e o verso 40 faz o mesmo: “A vontade do Pai que me enviou é esta”. Mas no verso 39 temos a vontade do Pai para o Filho. Agora temos a vontade do Pai para o eleito. “Que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia”. Espantosamente, arrancam esse texto fora do seu contexto, se equivocam com a referência ao "todo aquele que vê...todo aquele que crê nEle", e dizem, "Veja, não há eleição divina aqui! Qualquer um pode fazer isso!". Mas é óbvio que, quando o texto é tomado como um todo, esta não é a intenção da passagem. Quem é aquele que "vê" o Filho e "crê" nEle? Ambos os termos estão no presente particípio, referindo-se a uma ação contínua, da mesma forma como vimos na "vinda de alguém" a Cristo no verso 37. Jesus ressuscitará no último dia todos aqueles que Lhe foram dados (v. 39) e todos aqueles que estão olhando e crendo nEle (v. 40). Devemos crer que há grupos diferentes? Certamente que não. Jesus ressuscita somente um grupo para a vida eterna. Mas visto que isso é assim, não se segue que todos aqueles dados a Ele olharão para Ele e crerão nEle? Mais do que certo que sim. A fé salvadora, então, é exercida por todos aqueles dados ao Filho pelo Pai (uma das razões pelas quais, como veremos, a Bíblia afirma claramente que a fé salvadora é um dom de Deus).

João 6:41-45

"Murmuravam, pois, dele os judeus, porque dissera: Eu sou o pão que desceu do céu; e perguntavam: Não é Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe nós conhecemos? Como, pois, diz agora: Desci do céu? Respondeu-lhes Jesus: Não murmureis entre vós. Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia. Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus. Portanto todo aquele que do Pai ouviu e aprendeu vem a mim."

Os judeus estavam murmurando por causa desse ponto no discurso: eles rejeitaram a Sua reivindicação de origem divina, assumindo em vez disso que Ele era apenas um mero homem, o filho de José. Jesus não se desvia de Sua apresentação por causa dos pensamentos e confusão vagueadoras deles. Ele os instrui a parar de murmurar (v. 43) e então explica a incredulidade persistente deles.

Ninguém pode vir a mim”. Literalmente Jesus diz: "Nenhum homem é capaz de vir a mim". Essas são palavras de incapacidade e elas são colocadas num contexto universal. Todos os homens compartilham isso em comum: eles são carentes da capacidade de vir a Cristo em e de si mesmos. A incapacidade compartilhada é devido a uma natureza caída compartilhada.  Isto é o "morto em pecado" (Efésios 2:1) e "incapaz de agradar a Deus" (Romanos 8:8) de Paulo. É a doutrina Reformada da depravação total: a incapacidade do homem ensinada pelo Senhor que conhece os corações de todos os homens. Se o texto terminasse aqui, não haveria nenhuma esperança, nenhuma boas novas. Mas ele não pára aqui.

"Ninguém pode vir a mim, a menos que o Pai que Me enviou, o traga" [versão do autor - New American Standard Version]. As boas novas é que há um "a menos" em João 6:44, assim como há um "Mas Deus" em Efésios 2:4. Em ambos os casos não é o livre-arbítrio do homem que vem para salvar, mas o livre-arbítrio de Deus. Todos os homens seriam deixados numa posição sem esperança de "incapacidade para vir" a menos que Deus aja, e Ele o faz trazendo os homens a Cristo. Fora desta capacitação divina (conforme 6:65) nenhum homem pode vir a Cristo. Nenhum homem pode "querer" vir a Cristo fora desse trazer divino.

Certamente, a resposta imediata de muitos é, "Sim, deveras, Deus deve prover algum tipo de graça preveniente, algum tipo de trazer, antes que alguém possa escolher crer". Mas é isto o que o texto está dizendo? Lembre-se que essas palavras vêm imediatamente após a afirmação de que todos que o Pai dá ao Filho, virão ao Filho (v. 37). Os eruditos Reformados afirmam que aqueles que são trazidos são aqueles que são dados pelo Pai ao Filho: isto é, os eleitos. Eles apontam para o contexto imediato que identifica aqueles que vêm a Cristo como os eleitos. Mas o resto do versículo 44 explica porque isso deve ser assim: "e Eu o ressuscitarei no último dia". Quem Jesus ressuscitará no último dia? O verso 39 diz que Ele ressuscitará todos aqueles dados a Ele pelo Pai; o verso 40 diz que Ele ressuscitará todos aqueles que estão olhando e crendo nEle; o verso 44 diz que Ele ressuscitará todos aqueles que são trazidos pelo Pai. A identidade daqueles ressuscitados no último dia para a vida eterna é absolutamente co-extensiva com a identidade daqueles que são trazidos! Se uma pessoa é trazida, ela será também ressuscitada para a vida eterna. Obviamente, então, não pode ser afirmado que Cristo, neste contexto, está dizendo que o Pai está trazendo todo ser humano em particular, porque 1) o contexto limita isto àqueles dados pelo Pai ao Filho, 2) esta passagem ainda está explicando a incredulidade dos Judeus, a qual não teria nenhum sentido se de fato o Pai está trazendo esses incrédulos a Jesus, e 2) se assim fosse, o universalismo seria o resultado, porque todos que são trazidos são da mesma forma ressuscitados no último dia.

João Calvino é admitido, até mesmo por seus inimigos, ter sido um tremendo exegeta das Escrituras. Claros e criteriosos, os comentários de Calvino continuam a ter nesses dias grande utilidade e benefício para o estudante das Escrituras. Aqui está seu comentário sobre João 6:44:

Vir a Cristo sendo aqui usado metaforicamente para crer, o Evangelista, a fim de colocar a metáfora na cláusula adequada, diz que as pessoas que são trazidas são aquelas cujos entendimentos Deus iluminou e cujos corações Ele dirigiu e transformou à obediência de Cristo. A declaração se resume nisto: que não devemos nos maravilhar se muitos recusam abraçar o Evangelho; porque nenhum homem jamais será de si mesmo capaz de vir a Cristo, mas Deus deve primeiro trazê-lo pelo Seu Espírito; e, portanto, segue-se que nem todos são trazidos, mas que Deus concede essa graça àqueles que Ele elegeu. É verdade, todavia, com respeito ao tipo desse trazer, que ele não é violento, de forma que compele os homens por uma força externa; mas ainda é um impulso poderoso do Espírito Santo, que faz com que os homens que anteriormente eram indispostos e relutantes, sejam dispostos. É uma falsa e profana afirmação, portanto, dizer que ninguém é trazido, senão aqueles que estão dispostos a serem trazidos, como se o homem por si mesmo se fizesse obediente a Deus por seus próprios esforços; porque a disposição com a qual os homens seguem a Deus é o que eles já tinham por si mesmos, que foi formada em seus corações para obedecê-Lo". [7]

Jesus continua esse pensamento no verso 45, citando uma profecia de Isaías, e diz: “Todo aquele que do Pai ouviu e aprendeu vem a mim”. Ouvir e aprender do Pai é paralelo com ser trazido no verso 44. Jesus usou o mesmo tipo de terminologia quando Ele ensinou que somente aqueles que "pertencem a Deus" podem ouvir Suas palavras (João 8:47).

Resumindo, então, Jesus certamente ensinou a absoluta soberania de Deus, a incapacidade do homem, a eleição incondicional de um povo para salvação, a graça eficiente de Deus que infalivelmente traz salvação aos eleitos e a perseverança final desses eleitos para a vida eterna. Esse é um dos textos chaves que apoiam a posição Reformada identificada como "Calvinismo extremado" em EML.

A Resposta de EML

Assim como com todas as outras passagens chaves (Romanos 8,9, Efésios 1 e João 6), EML não oferece nenhum exegese da passagem baseada contextualmente e cuidadosamente. Vimos na introdução que João 6:37, embora citado, nunca é discutido. Nada é dito sobre seu testemunho da eleição incondicional ou da graça irresistível. Ele é simplesmente ignorado. O livro é coberto de reivindicações de apresentar um estudo definido do assunto da soberania divina e do livre arbítrio. Tal estudo requereria uma obra extensiva sobre aquelas passagens chaves. Nada é oferecido, e o que é oferecido não é exegético em sua natureza.

Somente três argumentos são oferecidos no livro em resposta a João 6:44, e um a João 6:45. Visto que a relação ao restante da passagem não é nem mesmo mencionada, não é surpresa que as passagens não sejam analisadas exegeticamente dentro do seu contexto. De fato, pouco é dito sobre as reais palavras do texto. Em vez disso, o significado claro é explicado fazendo-se referências a outras passagens. Comecemos com João 6:44:

Em segundo lugar, João 12:32 deixa claro que a palavra "atrair" não pode significar "graça irresistível" sobre o eleito por uma simples razão: Jesus disse: "Mas eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim". Nenhum calvinista autêntico crê que todos os homens serão salvos. [8]

Esta é a resposta mais comum: ao invés de seguirem o curso do sermão entregue por Jesus, os Arminianos imediatamente abandonam João 6 e citam João 12:32. O significado de "atrair" [ou "trazer" - no inglês a palavra usada em João 6:44 e João 12:32 é a mesma, ou seja, "draw"], totalmente discernível a partir do texto de João 6, é lida a partir de um significado assumido em João 12. Este é um método faltoso de exegese por muitos motivos. Mas mesmo aqui, a tentativa dos Arminianos falha, porque João 12:32 não ensina o universalismo mais do que João 6:44 o faz. Note o contexto da passagem:

"Ora, entre os que tinham subido a adorar na festa havia alguns gregos. Estes, pois, dirigiram-se a Felipe, que era de Betsaida da Galiléia, e rogaram-lhe, dizendo: Senhor, queríamos ver a Jesus. Felipe foi dizê-lo a André, e então André e Felipe foram dizê-lo a Jesus." (João 12:20-22)

João 12 narra os eventos finais do ministério público de Jesus. Depois desse incidente particular, o Senhor passaria um período de ministério privado aos Seus discípulos exatamente antes dEle ir a cruz. As palavras finais do ensino público do Senhor são estimuladas pela chegada dos gregos que estavam procurando Jesus. Essa importante mudança de eventos causa o ensino que se segue. Jesus está agora sendo procurado pelos não-judeus, os gentios. É quando Jesus é informado sobre isso que Ele diz, "É chegada a hora de ser glorificado o Filho do homem."

Este, então, é o contexto que nos leva às palavras de Jesus no verso 32:

"Agora a minha alma está perturbada; e que direi eu? Pai, salva-me desta hora? Mas para isto vim a esta hora. Pai, glorifica o teu nome. Veio, então, do céu esta voz: Já o tenho glorificado, e outra vez o glorificarei. A multidão, pois, que ali estava, e que a ouvira, dizia ter havido um trovão; outros diziam: Um anjo lhe falou. Respondeu Jesus: Não veio esta voz por minha causa, mas por causa de vós. Agora é o juízo deste mundo; agora será expulso o príncipe deste mundo. E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim. Isto dizia, significando de que modo havia de morrer." (João 12:27-33)

Há duas chaves para se entender porque o que os Arminianos entendem dessa passagem é extremamente indefensável: a primeira é que temos que ver que foi a chegada dos gregos procurando Jesus que ocasionou essas palavras. Os exegetas reformados crêem que "todos" se referem aos judeus e gentios, não a cada indivíduo particularmente, e o contexto aponta para essa direção. Mas mais devastadora para o entendimento Arminiano é uma simples questão: a cruz atrai todas as pessoas individualmente? É isso o que a Bíblia realmente ensina sobre a cruz? Certamente que não! A cruz é loucura para os gentios e uma pedra de tropeço para os judeus, como Paulo ensinou:

"Pois, enquanto os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria, nós pregamos a Cristo crucificado, que é pedra de tropeço para os judeus, e loucura para os gregos, mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus." (1 Coríntios 1:22-24)

Paulo conhecia essa verdade da mesma forma como Jesus a ensinou: "para os que são chamados, tanto judeus como gregos... ". Para quem Cristo é o poder e a sabedoria de Deus? Para "os chamados". O que é a pregação da cruz para aqueles que são chamados? Algo que os atrai [ou traz], ou que os repele? A resposta é óbvia. A cruz de Cristo é loucura para o mundo. Essas considerações, juntamente com o contexto imediato dos gentios procurando Cristo, deixa claro que Jesus estava dizendo que se Ele fosse levantado na crucificação, Ele traria todos os homens, judeus e gentios, para si mesmo. Isso é o mesmo que dizer que havia ovelhas que não eram daquele rebanho (João 10:16), os gentios, que se tornaram um corpo em Cristo (Efésios 2:13-16).

Finalmente, se lemos essa errante interpretação de João 12:32 apoiada em João 6:44 (e para fazer assim, requere-se algum tipo de demonstração de que a simples palavra "atrair" [trazer] deve ter o mesmo exato significado e objetos em ambos os contextos, algo que EML nem mesmo tenta provar) faremos exatamente como Geisler afirma: criaremos o universalismo, mas não porque a visão Reformada é um erro. Já temos visto que todos que são trazidos são também ressuscitados no último dia. Ao invés de usar esse argumento para derrubar o claro ensinamento de 6:44, EML deveria ver que o grupo que está sendo traído não é cada indivíduo em particular, mas os eleitos (como indicado pelo contexto), e que o resultado é deveras a visão Reformada da graça irresistível:

Em terceiro lugar, a palavra "todos" não pode significar somente alguns homens em João 12.32. Pouco antes (João 2:24,25), quando Jesus afirmou conhecer a "todos", estava claro que não se referia apenas aos eleitos. Por que, então, deveria "todos" significar "alguns" em João 12:32? Se quisesse dizer "alguns", facilmente teria feito assim. [9]

Novamente, esse tipo de argumentação é completamente falaciosa. Primeiro, João diz que Jesus "conhecia todos os homens", não apenas "todos os homens pecaminosos". Essa é simplesmente uma leitura incorreta do texto. Em segundo lugar, EML não tenta provar que a frase "todos os homens" em João 2:24 é para ser entendida como sinônimo com o uso dela em João 12:32.

Finalmente, o fato de ser atraídos por Deus estava condicionado à fé. O contexto dessa atração (6:37) é "aquele que crê" (6:35) ou "todo o que nele crer" (6:40). Os que crêem que são capacitados por Deus para ser atraídos a Jesus. Jesus acrescenta: "É por isso que eu lhes disse que ninguém pode vir a mim, a não ser que isto lhe seja dado pelo Pai" (6:65). Um pouco depois, ele diz: "Se alguém decidir fazer a vontade de Deus, descobrirá se o meu ensino vem de Deus ou se falo por mim mesmo" (João 7:17). Disso fica evidente que o entendimento que possuíam do ensino de Jesus e de serem atraídos ao Pai resultam da própria livre escolha deles.

Como vimos com Romanos 9:16, é simplesmente impressionante que uma passagem que é tão diretamente contraditória à teoria Arminiana do livre-arbítrio possa ser transformada numa afirmação de "livre escolha". De todas as declarações em EML, admitimos que esta é uma das mais difíceis de entender, porque ela tem a menor conexão possível com o assunto que supostamente está tratando. Lembre-se que esse verso começa com a frase, " Ninguém pode vir a mim", e todavia, a primeira linha da resposta é, "Finalmente, o fato de ser atraídos por Deus estava condicionado à fé." Esta afirmação sem fundamento não tem conexão com o texto, seja qual for, e a tentativa de prová-la somente compõe o erro eisegético. Dado que esta é uma passagem vital e a resposta tão indicativa da incapacidade dos escritores Arminianos de manuseá-lo, apontaremos cada erro como ele é apresentado:

O contexto dessa atração (6:37) é "aquele que crê" (6:35) ou "todo o que nele crer" (6:40).

Realmente, a palavra "trazer" não aparece em 6:37; ao invés disso, esse verso (que não recebe resposta em EML) diz que o Pai dá um povo ao Filho, e como resultado disso, aquele povo infalivelmente, sem fracasso, vem ao Filho. Esse verso definitivamente fornece um importante elemento do contexto: um ignorado por EML. Somos informados que esse contexto é "aquele que crê" (6:35) ou "todo o que crer" (6:40). Temos visto que aqueles que crêem assim o fazem, nesse texto, porque o Pai lhes deu ao Filho. Temos visto que Jesus está explicando porque esses homens não crêem (6:36). Esses elementos contextuais são ignorados por EML. Ao invés disso, a importantíssima afirmação do livre-arbítrio é inserida na passagem sem nenhuma tentativa de prover um fundamento para assim o fazer. Mas isso é seguido com a mais impressionante de todas as afirmações em EML:

Os que crêem que são capacitados por Deus para ser atraídos a Jesus.

Para ser honesto, essa sentença não faz nenhum sentido. Ela soa como se estivesse dizendo que ser "trazido" a Deus não é salvífico: isto é, é mais parecida com um "trazer para mais perto de Deus" em devoção ou alguma coisa semelhante. Em qualquer caso, o significado certamente não tem nada a ver com o texto: obviamente, vir a Cristo é crer nEle: eles são sinônimos em João. Assim, essa passagem não está dizendo que Deus "traz" crentes para uma relação mais íntima com Cristo. Pelo contrário, ela está dizendo que ninguém é capaz de vir a Cristo em fé, a menos que seja trazido pelo Pai, e que todos que são trazidos serão ressuscitados, porque todos que o Pai dá ao Filho, virão ao Filho com fé salvadora. Esta vinda é obviamente o ato da fé salvadora, porque Jesus diz que aquele que vir a Ele, Ele não lançará fora.

Além do mais, deve ser assinalado que não há nada na passagem sobre fé acontecendo antes do ser trazido: o trazer resulta em fé. Não há nada no texto sobre Deus capacitando dos homens a serem trazidos. Deus traz, ponto. Não podemos fazer nada, senão apontar quão completamente inversa a essa interpretação é a do texto real. Mas, continuemos:

"E continuou: Por isso vos disse que ninguém pode vir a mim, a não ser que isto lhe seja dado pelo Pai". (João 6:65)

Esta é simplesmente uma redeclaração de 6:44 com a mudança de "dado" (NASB: "lhe concedido"; como na ARC e na ARA) por "trazido". Em ambos os casos a mesma verdade está sendo apresentada. O que é perdido na citação é o fato que Jesus "está dizendo" isto, usando o tempo perfeito, indicando que Ele estava repetindo isto. Os discípulos tinham ido embora, e Jesus explica a deserção e incredulidade da multidão da mesma forma como antes: ninguém pode vir a mim, a não ser que lhe seja concedido pelo Pai. E já temos visto que o pai concede isto aos eleitos de Deus somente.

Um pouco depois Ele diz: "Se alguém quiser fazer a vontade de Deus, há de saber se a doutrina é dele, ou se eu falo por mim mesmo". (João 7:17)

O contexto de João 7 é completamente diferente, e nenhuma tentativa é feita para explicar o porque os dois versos são relevantes um ao outro. Mas aparte disso, é evidente que a idéia é que pecadores podem "livremente" fazer a vontade de Deus. E justamente quem escolherá fazer isso? Aqueles que foram dados pelo Pai ao Filho. Aqueles que não são dos eleitos nem mesmo ouvem Suas palavras,

Disso fica evidente que o entendimento que possuíam do ensino de Jesus e de serem atraídos ao Pai resultam da própria livre-escolha deles.

Não temos idéia de como essa declaração pode ser logicamente conectada, mesmo através da mais tortuosa linha de raciocínio, com o texto que está sendo examinado. Como alguém pode partir de "ninguém pode" e chegar até "resultam da própria livre-escolha deles", não podemos dizer. Não podemos nem mesmo imaginar o que é se quer dizer por "entendimento que possuíam". Essa é uma referência a João 6 ou João 7? "Entender ensino" e "ser trazido" são duas coisas completamente diferentes de dois contextos completamente diferentes, todavia, eles são unidos impressionantemente numa conclusão confusa que brada a palavra "eisegese".

EML falha completamente em prover uma resposta a esta gloriosa passagem que ensina a graça soberana com grande simplicidade. E dado o mau uso de outras passagens já citados (Mateus 23:37, 1 Timóteo 2:4, 2 Pedro 3:9), pode verdadeiramente ser dito que EML não tem base exegética sobre a qual se fundamentar.

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Notas:

[1] Eleitos, Mas Livres , página 47.
[2] O leitor pode consultar minha breve obra, Trazido pelo Pai (Crowne Publications, 1991), para uma exegese mais completa desta tremenda passagem.
[3] A forma neutra é usada quando o grupo inteiro está em vista; quando cada pessoa individualmente está em vista com referência a sua resposta de fé, o masculino particípio é usado, mostrando o elemento pessoal da fé.
[4] Dois tempos são usados pelo Senhor nesta passagem: aqui o tempo presente é usado, "todo o que Pai me dá ..."No verso 39, contudo, o tempo perfeito é usado, "todos aqueles que Ele me deu..."
[5] Aqui ocorre o aoristo subjuntivo de forte negação,  "Eu nunca lançarei fora". A idéia é a negação enfática da possibilidade de um evento futuro.
[6] Jesus usa o neutro novamente para se referir aos eleitos como um grupo inteiro, embora o fato de que este grupo é formado de indivíduos seja visto em sua ressurreição para vida e na sua vinda individual a Cristo.
[7] João Calvino, Comentário sobre o Evangelho de João, A Coleção Completa de João Calvino (Ages Digital Library, 1998)
[8] Eleitos, Mas Livres , página 93.
[9] Ibid.

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Extraído e traduzido do livro A Liberdade do Oleiro [Uma Defesa da Reforma e uma Refutação de Eleitos, Mas Livres de Norman Geisler] - Capítulo 7.

Traduzido por: Felipe Sabino de Araújo Neto
Cuiabá-MT, 29 de Maio de 2004.

Fonte: Monergismo
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Ordenar tudo que acontece torna Deus um monstro moral?

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Por John Hendryx


Ordenar Tudo Que Acontece Torna Deus Um Monstro Moral? Uma resposta ao livro "contra o calvinismo" do arminiano Roger Olson


Uma das premissas principais do novo livro de Roger Olson “Against Calvinism” é sua declaração de que a clássica doutrina reformada da providência meticulosa faz de Deus um monstro moral, ou pior, indistinguível do diabo. Ele afirma que o calvinista não pode afirmar consistentemente que Deus ordena tudo o que acontece, incluindo os atos ímpios dos homens, sem também fazer de Deus o autor do pecado.

Mas isso procede? Não. Nem um pouco.

A acusação que torna Deus um monstro moral SE o Deus da Escritura ordena todas as coisas, mesmo os atos ímpios dos homens, se baseia no pressuposto de que a menos que possamos explicar Suas ações, nós podemos colocá-Lo em julgamento. Em outras palavras, a acusação se baseia puramente em racionalismo e lógica extra-bíblica. Nós reconhecemos que não podemos explicar todos os atos secretos de Deus, uma vez que Deus escolheu não revelar muitas coisas sobre Si mesmo. Mas uma característica marcante na Bíblia é que ela freqüentemente declara que Deus ordena meticulosamente tudo o que vem a acontecer (Ef 1:11) e que os homens são responsáveis por suas ações. Um exemplo importante se sobressai: o maior pecado cometido pelo homem na história - a crucificação de Jesus. Quando o apostolo Pedro pregou em Pentecostes, ele declarou:

Este homem lhes foi entregue por propósito determinado e pré-conhecimento de Deus; e vocês, com a ajuda de homens perversos, o mataram, pregando-o na cruz” Atos 2:23

e dois capítulos depois em Atos é dito novamente:

Porque verdadeiramente se ajuntaram, nesta cidade, contra o teu santo Servo Jesus, ao qual ungiste, não só Herodes, mas também Pôncio Pilatos com os gentios e os povos de Israel; para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho predeterminaram que se fizesse”.Atos 4:27-28

A própria Bíblia testifica, em linguagem clara, que Deus ordenou que os homens maus crucificassem a Jesus. No entanto, os “homens maus (homens sem lei, em inglês)" são 100% responsáveis, por essa realização. Portanto, aqueles que abraçam a Bíblia como sendo autoritativa necessitam ser capazes de desenvolver uma teologia que se encaixe nessa visão. Embora você possa não compreender isso, você deve se render ao que as Escrituras ensinam sobre a meticulosa mão da providência de Deus em todas as coisas e Sua inocência ao fazer isso.

A falha fatal no argumento de Olson vem principalmente de sua insistência em que os calvinistas devam de alguma forma explicar isso filosoficamente, ou então estaríamos sendo inconsistentes, ou pior, estaríamos tornando Deus em um monstro. Mas eu diria o contrário. Uma vez que a Bíblia prevalece sobre nossas mais elevadas pressuposições, a posição mais consistente possível é ceder ao ensino da Bíblia de que ambas as coisas são verdadeiras. Deus não nos diz muito sobre COMO Ele pode ordenar os atos maus, embora não seja culpado do mal. Ele só nos mostra muitos exemplos onde isso acontece. Isso pode ser um mistério para seres humanos compreenderem, mas claro como cristal no que diz respeito à sua verdade estabelecida.

Da mesma forma, em nenhum lugar na Bíblia Deus nos chama para explicar os detalhes dessa doutrina por meios filosóficos, ou para bisbilhotar nas coisas secretas de Deus. Ao contrário, Ele nos chama para sermos fiéis ao Texto que diz que Deus ordena todas as coisas, mesmo o mal, e que, ao mesmo tempo, Deus é irrepreensível ao fazê-lo. Ele ordena o pecado sem pecar. Eu não devo sustentar essas verdades juntas racionalmente (de acordo com o conhecimento humano) ou filosoficamente, mas porque elas são axiomáticas na Bíblia. Meu entendimento dos meandros de como isso acontece é secundário. Deus é Deus. Nossas mentes finitas TEM que entender como Ele faz isso a fim de que isso seja verdade?

Parece que, em última análise, as objeções de Olson para isso são morais e filosóficas, ao invés de exegéticas. Ele está, portanto, baseando suas considerações e, assim, seus fundamentos teológicos, sobre a areia. As conclusões em que chegamos, eu afirmaria, devem ser baseadas no que a Escritura diz. Porque a alternativa é traçar nossos mais elevados pressupostos a partir de algo que não é uma fonte de autoridade, como a razão humana isolada. É de extrema importância que ele venha com fundamentos exegéticos para a sua posição, ao invés de basear sua teologia sobre uma reação emocional.

Eu honestamente fico temeroso com Olson, quando ele diz que se Deus ordena eventos maus, então Deus é indistinguível do diabo, porque a Bíblia declara que Deus os ordena e também declara que Ele o faz sem culpa, ou seja, sem pecado. E se nossa teologia é bíblica, (e eu acredito que é), então o Dr. Olson acaba chamando Deus de monstro, ou pior , de diabo. Eu não gostaria de ser ele.

Nota: Deve ser algo dado para os cristãos, que, devido à queda, todos os seres humanos não estão a salvo de castigo temporal e eterno. Por que deveria, portanto, surpreender a Olson que Deus justamente exerça essa autoridade durante as nossas vidas? O julgamento já começou a leste do Éden e nós todos estamos sujeitos à morte. Portanto, nada (sem sofrimento) deve nos surpreender aqui, exceto a grande misericórdia que Ele nos mostrou em Jesus Cristo. Em relação a Torre de Siloé (Lucas 13:4), Jesus declarou que ela não caiu sobre as pessoas pelo pecado particular delas, como se elas estivessem, de alguma forma, pior do que os outros, mas como um sinal neste mundo decaído, de que somos todos maus, pecadores merecedores, debaixo de maldição que precisam se arrepender e receber a misericórdia de Jesus Cristo. Não se surpreenda que a torre tenha caído sobre as pessoas, mas faça disso um sério lembrete de que você merece o mesmo. 

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Fonte: Monergism
Tradução: Francisco Alison Silva Aquino
Divulgação: Bereianos
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