A Bíblia Apoia a Escravidão?

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Um argumento lançado contra a Bíblia é que ela apóia a escravidão.

Recebi uma carta de um leitor da nossa revista Biblical Worldview que discorda da minha afirmação que o tipo de escravidão praticado nos Estados Unidos era anti-bíblico pois “roubava homens”. Como você pode ver no parágrafo seguinte, ele defende suas crenças com paixão. Mas ele está correto?

A Bíblia não condena a escravidão. A Bíblia não condena o aborto. A legislação humana não pode tornar legal o que a lei de Deus condena, ou tornar ilegal o que a lei de Deus permite. Quando você condena o que a lei de Deus permite, você é um legalista e peca (Deuteronômio 4:3; Provérbios 30:6; Apocalipse 22:18–19). Quando você permite o que a lei de Deus condena, você é um transgressor e peca também (Êxodo 20:1–17). 

Quando você não pode dizer a diferença, então não pode pensar como um cristão.

Eu respondi brevemente que a escravidão praticada neste país antes de 1860 era “roubar homens” (seqüestro). Africanos ocidentais eram seqüestrados, postos em navios, trazidos para as costas da América, vendidos em leilões, e colocados em trabalhos forçados. Reconhece-se que muitos escravos eram tratados com decência em sua chegada e durante o seu cativeiro. Mas não é isso o que se está em questão. Eles ainda eram escravos, em cativeiro contra sua vontade.

Trabalho Forçado

Muitos dos primeiros colonos dessa nação pagaram sua passagem como trabalhadores compulsórios. Trabalho forçado não é anti-bíblico nem anti-constitucional. Um ladrão que fosse incapaz de restituir poderia ser vendido em servidão por seu roubo (Êxodo 22:3b). Mesmo após a abolição da escravatura, o trabalho forçado foi mantido pela Constituição como uma forma legítima de punição: “Não haverá, nos Estados Unidos ou em qualquer lugar sujeito à sua jurisdição, nem escravidão, nem trabalhos forçados, salvo como punição por um crime pelo qual o réu tenha sido devidamente condenado” (Emenda XIII, Seção 1). Deveríamos, portanto, distinguir entre escravo (roubo de homem) e servo (trabalho forçado). Devemos também manter em mente que a palavra “slave” [escravo] aparece somente uma vez na King James Bible (Jr. 2:14a), assim como a palavra “slaves” [escravos] (Ap. 18:13). A palavra escravidão não aparece em nenhum lugar na King James.[2]

Eu citei Êxodo 21:16 para apoiar minha afirmação que a escravidão, como praticada na América, não pode ser defendida mediante um apelo à Bíblia: “E quem raptar um homem, e o vender, ou for achado na sua mão, certamente será morto.” O escritor da carta defende sua posição alegando que Êxodo 21:16 aplica-se somente aos rapto de hebreus (compare Dt. 24:7).

Robert L. Dabney, o mais articulado defensor de Virgínia e do Sul, discorda: “Dificilmente é necessário dizer que odiamos a injustiça, crueldade e a culpa do comércio de escravos africanos. Ele foi condenado com justiça pela lei pública do Cristianismo… Foi condenado pela lei de Deus. Moisés colocou isso entre os estatutos judiciais dos judeus: ‘E quem raptar um homem, e o vender, ou for achado na sua mão, certamente será morto.’”[3] Não há nenhuma indicação que Êxodo 21:16 tinha somente os israelitas em mente. Se tinha, então o versículo 12 também se aplicaria somente aos israelitas, visto que a sua linguagem é similar à do versículo 16:

Quem ferir um homem, de modo que este morra, certamente será morto” (21:12). 
E quem raptar um homem, e o vender, ou for achado na sua mão, certamente será morto” (21:16).

James B. Jordan oferece um bom resumo dessas questões envolvidas:

“A Bíblia pune todos os que roubam pessoas com uma pena de morte obrigatória. Em Deuteronômio 24:7, o seqüestro de membros do pacto é particularmente proibido, mas em Êxodo 21:16, todo roubo de homem é proibido. Poderia ser mantido que se lermos o v. 16 no contexto do v. 2, é somente os hebreus que são protegidos e vingados por essa lei. Contudo, o texto diz simplesmente ‘homem’, e não há nenhuma indicação no contexto imediato (vv. 12, 14) que ‘homem’ esteja restrito aos membros do pacto.”[4]

Defensores da escravidão do Sul apelam a Levítico 25:44-46 para defender sua posição pró-escravidão, visto que ela descreve a escravidão de pagãos. Robert L. Dabney baseia seu argumento para a escravidão na passagem de Levítico sem considerar uma mudança em sua aplicação sob a Nova Aliança.[5] A escravidão de estrangeiros era legal em Israel. “Esses pagãos estavam sendo comprados de sua escravidão pactual à uma religião demoníaca. Eles estavam sendo redimidos (comprados de volta). Estavam recebendo uma oportunidade de ouvir o evangelho e vê-lo em operação em famílias que tinham um pacto com Deus. Eles estavam recebendo a oportunidade de renunciar o paganismo e mediante isso escapar da escravidão eterna no lago de fogo.”[6]

A escravidão de nações pagãs sob a Antiga Aliança estava ligada às leis de jubileu descritas no mesmo capítulo. O jubileu foi cumprido em princípio por Jesus (Lucas 4) e abolido historicamente quando Israel quando uma nação deixou de existir com a destruição do seu governo religioso e civil em 70 d.C. A escravidão de nações pagãs estava ligada ao caráter especial da terra de Israel, da mesma forma com que a distribuição da terra de famílias israelitas estava ligada ao caráter redentor especial da terra.

Em adição, os gentios receberam um novo status na Nova Aliança. A vinda de Cristo foi “uma luz de revelação aos gentios” (Lucas 2:32; veja Isaías 42:6; 49:6). Jesus começou Seu ministério público com a leitura de Isaías 61:1, proclamar liberdade aos cativos” (Lucas 4:18-19). Sabemos que essa liberdade incluiu os gentios: “E anunciará aos gentios a justiça… e no seu nome os gentios esperarão” (Mt. 12:18, 21). Atos mostra que muitos judeus cristãos não tinham aceitado o fato que os gentios estavam inclusos nas promessas do pacto, que eram inicialmente reservadas aos israelitas: “E os fiéis que eram da circuncisão, todos quantos tinham vindo com Pedro, maravilharam-se que o dom do Espírito Santo se derramasse sobre os gentios” (Atos 10:45).

Com o evangelho rompendo o velho odre nacional de Israel, um novo meio de evangelismo estrangeiro começou. Os evangelistas do Novo Testamento deveriam ir às nações estrangeiras, como servos, não como senhores de servos ou seus agentes econômicos, os comerciantes de escravos. Eles deveriam advertir homens e mulheres a se submeterem ao governo de Deus voluntariamente… os cristãos deveriam trazer a mensagem de libertação que Jesus anunciou em Lucas 4.[7]

A história da escravidão dos negros africanos tem sido um impedimento ao evangelho. Em vez de serem pescadores de homens, muitos na igreja apoiam a noção de serem os escravizadores de homens, em particular, homens e mulheres negros, e seus filhos. A Bíblia, incluindo Levítico 25, não apóia a escravização exclusivamente de negros africanos. O racismo parece ser o fator motivador. Gary North escreve: “Escravidão como um sistema chegou à América do Norte no começo do século dezoito, e estava baseada nos preconceitos racistas que cresceram a cada enchimento de navios com negros vitimados. O racismo parece ter sido o fundamento da escravidão, e não o contrário.”[8] Com a vinda de Cristo os cristãos devem pregar o evangelho e fazer discípulos das nações; fazendo delas “escravos de Cristo”, não escravos de outros homens.

O Novo Testamento e a Escravidão

Sabemos que no Novo Testamento Paulo condena os comerciantes de escravos (seqüestradores) em 1 Timóteo 1:10.[9] Apocalipse considera aqueles que fazem tráfico de “escravos e até almas humanas” como sendo imorais e destinados ao juízo (Ap. 18:13, ARA). Em nenhum lugar o Novo Testamento apóia o tráfico de escravos. A carta de Paulo a Filemon não defende a noção que o Novo Testamento tolerava a escravidão. Onésimo era provavelmente um servo que tinha uma dívida para com Filemon. Paulo encoraja o fugitivo Onésimo a retornar para Filemon e encoraja Filemon a soltar Onésimo quando ele, Paulo, chegasse. Paulo promete pagar a Filemon se Onésimo dever alguma coisa” (Filemon 18). A menção que Paulo faz de uma dívida parece indicar que Onésimo era um trabalhador forçado.

Defendendo o Indefensável 

O escritor da carta conclui seu argumento em defesa da escravidão citando Dabney. Robert Dabney, como vimos, odiava “a injustiça, crueldade e a culpa do comércio de escravos africanos.” Então, por que ele continuou a apoiar a posse de escravos? Dabney escreve: “Quando a propriedade foi adquirida pelo último detentor, justa e honestamente; quando, nas últimas transferências, um equivalente justo foi pago por ela, e o último proprietário é inocente de fraude em intenção e no modo real de sua aquisição da propriedade, mais errado seria destruir o seu título, do que deixar o original errado sem reparação. O senso comum diz que, seja qual possa ter sido o título original, um novo e válido surgiu das circunstâncias do caso.”[10]

Dabney apela para o “senso comum” e não à Bíblia, uma clara indicação que ele não tinha um argumento bíblico. Embora o comerciante de escravos possa ter adquirido os escravos por meios imorais, Dabney argumenta, a pessoa que recebe os homens, mulheres e crianças roubados não está ligada à ilegalidade original. Em essência, ele não pode ser considerado responsável pela fraude inicial, visto que comprou a “mercadoria” em boa fé. 

Dabney argumenta de forma circular. Como pode a compra de seres humanos, para o propósito de usá-los para o trabalho escravo, ser feita “justa e honestamente”, quando Dabney admite plenamente que quem “originalmente… capturou o africano era alguém excessivamente ímpio”?

O escritor da carta tenta reforçar o argumento de Dabney citando um caso de fraude perpetrado sobre ele. Escreve ele: “Em 1981, um impostor me deu um cheque sem fundo para comprar notas históricas no valor de 2000 dólares, e então vendeu tais notas a outro negociante. Quando pedi para recuperar os dólares desse negociante, o tribunal achou que, embora o criminoso tivesse adquiro-as por fraude, o título tinha sido passado para outro detentor que tinha comprado em boa fé e não poderia agora ser perturbado em sua posse.”

A chave é que o detentor comprou as notas “em boa fé”. Se soubesse que as notas tinham sido roubadas, ele teria sido citado por conspiração com fraude cometida. Aqueles que compravam escravos em leilões nos Estados Unidos sabiam que os escravos eram vítimas seqüestradas. Os donos dos escravos não estavam agindo “em boa fé”, visto que sabiam que quem “originalmente… capturou o africano era alguém excessivamente ímpio”. O negociante de notas não sabia que a primeira transação foi fraudulenta; os donos de escravos sim.

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Notas:
[1] Traduzido em outubro/2008. 
[2] Gary North, Tools of Dominion: The Case Laws of Exodus (Institute for Christian Economics, 1990), 121. 
[3] Robert L. Dabney, A Def ense of Virginia, [And Through Her, of the South] (New York: Negro University Press, [1867] 1969), 288. Reimpresso pela Sprinkle Publications, Harrisonburg, Virginia, 1977.
[4] James B. Jordan, The Law and the Covenant: An Exposition of Exodus 21–23 (Tyler, TX: Institute for Christian Economics, 1984), 104.
[5] Dabney, A Defense of Virginia, 117–121.
[6] North, Tools of Dominion, 145. 
[7] North, Tools of Dominion, 173.
[8] North, Tools of Dominion, 180.
[9] A ARC e ACF trazem “ roubadores de homens”, e a ARA traz “ raptores de homens”. (Nota do tradutor) 
[10] Dabney, A Defense of Virginia, 288–289. 

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Autor: Gary DeMar 
Fonte: American Vision
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto
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As Causas da Pobreza

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Por Gary DeMar


Deus requer que o seu povo cuide dos pobres. Para dizer que isso não é verdade, uma pessoa deve negar a Bíblia: “Executai juízo verdadeiro, mostrai bondade e misericórdia, cada um a seu irmão” (Zacarias 7:9) e “O que oprime ao pobre insulta aquele que o criou, mas a este honra o que se compadece do necessitado” (Provérbios 14:31). Deus instrui os cristãos a oferecer socorro aos oprimidos, famintos, presos, cegos, estrangeiros, viúvas e órfãos. Tal ajuda, contudo, não deve ser indiscriminada.

A Bíblia declara claramente que existem muitos indigentes porque eles falham em seguir as leis de Deus com respeito ao trabalho: “Se alguém não quer trabalhar, também não coma” (2 Tessalonicenses 3:10).

Não é suficiente olhar para o pobre e sua condição sem considerar o motivo pelo qual ele se encontra nas dificuldades da pobreza. Ele está debilitado por causa de doença? Algum desastre natural exterminou as economias da família? A família é pobre por causa de dívidas? A política governamental impede o pobre de ser um cidadão produtivo? O pobre tem sido oprimido por causa de sua raça ou posição na sociedade? Os ideais religiosos da nação proíbem o crescimento econômico?

Alguns querem fazer-nos crer que a Bíblia ensina um comunismo primitivo. A igreja primitiva praticava uma comunidade de bens, onde os indivíduos eram ordenados a entregar seus bens e terras à liderança da igreja? “A comunidade de bens, descrita em Atos 4:32-37, não era um regulamento social ou um artigo da política da igreja primitiva, mas a execução natural e necessária do princípio de unidade, ou identidade de interesse entre os membros do corpo de Cristo, surgindo da relação de união deles com o próprio Cristo” (J. A. Alexander, The Acts of the Apostles, Volume 1, p. 185). As ações desses cristãos primitivos eram voluntárias, e não o edito da igreja ou do estado.

Sem um entendimento completo da Bíblia, qualquer tentativa de responder essas questões difíceis termina em fracasso. O cuidado pelos pobres deve se mostrar em ação que no final ajuda ao pobre e honra a Deus. Por exemplo, o cristão não está ajudando ao pobre meramente alimentando-o.

Obviamente, cuidar das necessidades imediatas de um indivíduo é mandatário (Tiago 2:14-16), mas quão freqüentemente os programas designados para o pobre consideram os resultados a longo prazo? É possível agravar a condição do pobre quando não tratamos das causas reais de sua pobreza?

Todas as ações e resultados de ações têm pontos de partida teológicos ou religiosos; a Bíblia deve ser nosso guia ao determinar a s-olução – não a história, a razão sozinha, a vontade da maioria, um partido político, as táticas de manipuladores perversos, ou o engano. Aqueles com boas intenções não trarão alívio a longo período para o realmente pobre, se eles falharem em perceber que as boas intenções não podem de forma alguma suplantar o padrão que Deus deu para resolver a condição do pobre. A solução para a pobreza deve ser respondida à luz do que a Bíblia diz sobre a condição caída do homem, e os fatores religiosos que criam as condições para a pobreza.

O cristão percebe que todos nós vivemos num mundo caído, e a pobreza, bem como a doença e a morte, resulta do primeiro pecado do homem. Antes da queda a terra dava seu fruto livremente, e Adão e Eva entendiam suas responsabilidades sob Deus e percebiam os benefícios da árvore da vida (Gênesis 2:15, 16). O estado sem pecado de Adão e Eva não significa que eles estavam livres da obrigação de cultivar e guardar o jardim. Antes, a obrigação de lutar pelo seu sustento estava entremeada no mandato de criação. Contudo, desde a queda, a terra é sovina e o homem se tornou irresponsável na execução de sua tarefa de domínio: “maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida. Ela produzirá também cardos e abrolhos, e tu comerás a erva do campo. No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela foste formado; porque tu és pó e ao pó tornarás” (3:17b-19). Alguns vão ainda mais longe, e assassinam outros para possuir o que não lhes pertence (4:19. 23, 24).

Portanto, a Bíblia nunca lida com a pobreza fora do contexto da queda do homem no pecado. (Todo assunto deve ser considerado em relação à queda da humanidade no pecado. A questão da pobreza não é única nesse respeito.) A planta produtiva terá que competir com cardos e abrolhos. Homens e mulheres pecadores freqüentemente recusam seguir os mandamentos de Deus com relação ao trabalho produtivo. Alguns assassinam ou roubam para ganhar prosperidade, ao invés de seguir os mandamentos que se relacionam ao labor produtivo. Outros não têm nenhum conceito das conseqüências de sua inatividade pecaminosa e sua relação com a pobreza: “Vai ter com a formiga, ó preguiçoso, considera os seus caminhos e sê sábio. Não tendo ela chefe, nem oficial, nem comandante, Ó preguiçoso, até quando ficarás deitado? Quando te levantarás do teu sono? Um pouco para dormir, um pouco para tosquenejar, um pouco para encruzar os braços em repouso, assim sobrevirá a tua pobreza como um ladrão, e a tua necessidade, como um homem armado” (Provérbios 6:6-11). Há um elemento adicional somado à condição pecaminosa do homem – a escassez de recursos que existem devido aos recursos limitados da terra. A luta por esses recursos freqüentemente leva à cobiça, inveja e guerra.

Todo indivíduo deve assumir a responsabilidade por sua atividade ou inatividade. Em alguns casos, contudo, a pobreza resulta de outros homens pecadores tomando vantagem daqueles que se encontram numa situação temporária destituída. Se o preguiçoso deve ser repreendido por sua desobediência, o oportunista inescrupuloso deve ser igualmente responsabilizado por sua repudiação da lei de Deus com respeito ao pobre:

O povo de Deus não deve prejudicar ou oprimir um estrangeiro ou aflito, uma viúva ou órfão (Ex. 22:21-22; 23:9; Lv. 19:33-34). Eles não devem perverter a justiça devida ao estrangeiro, órfão ou pobre. Eles não devem tomar o traje da viúva como penhora, fazer falsas acusações contra o inocente, ou receber propina e subverter a causa daqueles que estão no direito (Ex. 23:6-8; Dt. 10:18; 19:16-21). O homem de Deus deve amar, alimentar e vestir órfãos, viúvas e estrangeiros (Dt. 10:18). Quando um homem piedoso empresta dinheiro ao pobre é para aliviar sua pobreza, não aumentá-la. Se um pobre é incapaz de pagar a dívida em sete anos, o credor deve perdoá-lo da mesma (Dt. 15:1-2) (John T. Willis, “Old Testament Foundations for Social Justice”, in Christian Social Ethics, ed. Perry C. Cothan, p. 33).

O pobre, bem como o próspero, tem a responsabilidade de seguir a lei de Deus. O pobre deve verificar o que a lei diz com respeito a sua condição. É possível que ele seja pobre devido à sua indisposição em seguir os mandamentos de Deus na área do trabalho produtivo, economia e planejamento em longo prazo? Existem formas de o próspero ajudar ao pobre sair do ciclo de pobreza? O empresário que Deus abençoou com uma abundância de recursos pode treinar o inexperiente e oferecer empréstimos sem interesse àqueles cujas instituições de empréstimo negam crédito, considerando-os como “risco”? Pode o tempo ser gasto com aqueles que têm pouco ou nenhum conhecimento na área de gerenciamento, de forma que um dia possam trabalhar sozinhos? O pobre, num longo período de tempo, não é ajudado fazendo-se o dinheiro disponível a ele sem a instrução bíblica necessária na área do gerenciamento, administração e planejamento.

A obrigação do cristão ao ajudar o pobre é adicionar à compaixão que se oferece o entendimento. A condição do pobre inclui mais do que falta de possessões materiais. Ele é um ser humano que necessita ser tratado como um portador da imagem de Deus; portanto, o cuidado pelos pobres inclui respeito por sua dignidade. É verdade que o dinheiro é gasto em programas de pobreza, mas a dignidade é mais que dinheiro. A dignidade inclui ser o que Deus pretende que cada um de nós seja. A dignidade verdadeira e duradoura vem do reconhecimento do nosso pecado, arrependimento da nossa rebelião, e submissão ao evangelho libertador de Jesus Cristo. Nada menos será suficiente: “Ao tomar o pecado seriamente tomamos o homem seriamente. O mal pode estragar a imagem divina e obscurecer seu brilho, mas não destruí-la. A imagem pode ser desfigurada, mas nunca apagada. O símbolo mais obsceno na história humana é a cruz; todavia, em sua feiúra ela permanece o testemunho mais eloqüente da dignidade humana” (R. C. Sproul, In Search of Dignity, p. 95).

Sumário

“Evidência existe que as políticas do estado previdenciário faz mais do que prejudicar aqueles de quem algo é tirado; elas também prejudicam aqueles a quem algo é dado (pelo Estado). Os programas de habitação liberal não faz mais que disponibilizar habitação a baixo custo para os pobres; o resultado tem sido bem menos habitação disponível, ao custo de bilhões de dólares. A legislação do salário mínimo não ajuda realmente as pessoas na base da pirâmide econômica; ela termina prejudicando-as, fazendo menos empregáveis, aumentando assim o desemprego entre as próprias pessoas que a legislação é suposta ajudar. A norma míope e politicamente conveniente de pagar pelo bem-estar social através do déficit de despesas governamentais, tem inundado a economia com bilhões de dólares de dinheiro crescentemente sem valor, e saqueado o pobre ao sujeitar-lhe (e todos os outros) a uma inflação que continua a levantar os preços das necessidades básicas além do seu alcance. A despeito de para onde alguém olhe, os programas de bem-estar social têm falhado. As políticas sociais liberais têm feito o maior dano nas áreas básicas como comida e vestimenta. As pessoas que têm sido mais prejudicadas são aquelas menos capazes de ter recursos, as mesmas pessoas, o liberal nos assegura, que ele está tentando ajudar” (Ronald H. Nash, Social Justice and the Christian Church, p. 60).

Autor: Gary DeMar (God and Government – volume 2, p. 185-8 e 192)
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto
Fonte: Monergismo
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A Forma Bíblica de Governo Civil

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Por Gary DeMar


Uma breve análise da Bíblia e seus princípios mostrarão que ela tem diretrizes para todas as áreas da vida. Isso inclui o governo civil? Deus está preocupado com a estrutura e os princípios dos sistemas políticos, assim como está com as famílias? Ou, Deus deixou a área do sistema político para o homem desenvolver de acordo com as necessidades de uma era particular, para satisfazer os desejos de um povo particular? Ou, a Bíblia reivindica “neutralidade” em certas áreas da vida, deixando o homem criar suas próprias diretrizes?

Por exemplo, existe um sistema econômico cristão? Ou, o estudo da economia é um empreendimento neutro? A Bíblia estabelece diretrizes na área da ciência? Existem certas leis na criação que Deus estabeleceu para ordenar o universo? É possível desenvolver um sistema educacional a partir da Escritura? Os fatos educacionais têm algum significado se não estiverem relacionados com Deus e Sua Palavra? Pode alguém ser realmente “educado” se Cristo não está no centro de sua vida, dando significado a todos os fatos e experiências? Existem mandamentos que concernem às questões de negócios?

A Bíblia ensina claramente que Jesus é Senhor e que Seu senhorio se estende sobre todas as instituições da sociedade, incluindo a família, economia, ciência, educação, e para esse tudo, o governo civil. Não existe nenhuma esfera da sociedade onde o senhorio de Jesus Cristo possa ser ignorado. Quando os sistemas políticos governam, eles o fazem de acordo com um sistema de lei. Isso é inevitável. Não pode existir um sistema de lei neutro. “Deve ser reconhecido que em qualquer cultura, a fonte da lei é o deus dessa sociedade” (R. J. Rushdoony, Institutes of Biblical Law, p. 4). Se o homem é a fonte das leis da sociedade, então o homem é o deus dessa sociedade. Se a sociedade ignora os princípios governamentais que Deus estabelece em Sua Palavra, então esta sociedade está competindo com o Senhor de toda a criação. Mas a Escritura é clara: Deus não compete com a sua criação: “E reconhecerão que só tu, cujo nome é SENHOR, és o Altíssimo sobre toda a terra” (Sl. 83:18). Deus não compartilha Sua glória com nenhum homem, sociedade ou sistema político. “Eu sou o SENHOR, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de escultura” (Isaías 42:8; 48:11).

Existem muitos que diriam que a Bíblia não tem nada a ver com a assim chamada esfera secular. A Bíblia é útil para questões espirituais, mas não para questões independentes de governo civil, lei, economia, política e ciência. Os tempos mudaram e a Bíblia é um livro antiquado. Assim dizem muitos em nossos dias. Mas o cristão tem o dever de seguir o único Rei verdadeiro e os mandamentos do Seu reino. Quando Seus mandamentos falam sobre governo civil, devemos obedecer. A. A. Hodge, o grande teólogo de Princeton do século XIX, disse o seguinte sobre o dever cristão de obedecer a Jesus Cristo em todas as áreas da vida, incluindo o governo civil:

Um cristão tem obrigação de obedecer a vontade de Deus no mais secular de seus negócios diários, tanto quanto em seu quarto [em oração], ou na mesa de comunhão. Ele não tem direito de separar sua vida em duas esferas, e reconhecer códigos morais diferentes em cada uma respectivamente – dizer que a Bíblia é uma boa regra para o Domingo, mas essa é uma questão do dia-a-dia semanal; ou que as Escrituras são a regra correta em questões de religião, mas essa é uma questão de negócios ou política. Deus reina sobre tudo, em todo lugar. Sua vontade é a lei suprema em todas as relações e ações. Sua Palavra inspirada, fielmente lida, nos informará de sua vontade em toda relação e ato da vida secular, bem como religiosa; e o homem é um traidor que recusa andar nisso com cuidado meticuloso. O reino de Deus inclui todos os lados da vida humana, e é um reino de justiça absoluta. Ou você será um súdito leal ou um traidor. Quando o Rei chegar, como te encontrará? (A. A. Hodge, Evangelical Theology, pp. 280-281).

Negar que existe um sistema bíblico de governo civil é dizer que Deus não tem nenhum padrão de retidão e justiça nessa área crucial. Se homens e nações podem selecionar o sistema de governo civil que desejam, o homem se torna supremo e Deus se torna subordinado aos desejos do homem. Como um sistema de governo civil poderia ser avaliado, se o sistema é arbitrário desde o princípio? Se um grupo de cidadãos desiludidos desejasse derrubar o primeiro governo arbitrário, que padrão de justiça os proibiria de fazê-lo? Se um sistema de governo criado pelo homem é legítimo, então se segue que todos os sistemas governamentais criados pelo homem também o são. Aqueles que têm os meios, o poder e a influência são os que dominam. Porque tudo da vida deve refletir o caráter de Deus, devemos esperar que o governo civil reflita o Seu caráter também. Dois sistemas de governo civil opostos não podem ser corretos. Somente a Bíblia pode ser o nosso guia em determinar o que é correto. As experiências da história e os desejos dos homens são de pouca conseqüência, se não têm o apoio ou não refletem o sistema de governo civil delineado na Escritura. “À lei e ao testemunho! Se eles não falarem desta maneira, jamais verão a alva” (Isaías 8:19-20).

Sumário

“Todo governo político, quer no nível local ou municipal, regional ou estatal, nacional ou federal, deriva em última instância sua autoridade, não do consentimento do governado (assim diz Jefferson), mas do prazer do Altíssimo (assim diz a Escritura). Não estamos dizendo que os governos políticos não devem consultar o povo; mas sim que a autoridade do poder humano em última análise vem do Deus acima, e não do governo abaixo. Pois ‘o Altíssimo, tem domínio sobre o reino dos homens e a quem quer constitui sobre ele’ (Daniel 5:21)” (Francis Nigel Lee, “Power, Government and State”, Man and His Culture, p. 67).

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Autor: Gary DeMar (God and Government – volume 1 p. 79-81 e 87.)
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto
Fonte: Monergismo
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