Otimismo e pensamento positivo não é fé!

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Vivemos numa época em que muitos na igreja confundem pensamento positivo e otimismo com fé. Mas é sutil, ao olharmos para os problemas da vida, da sociedade, da igreja... acharmos que o otimismo simplesmente é a chave.

Quem tem menos chance de sobreviver a um campo de prisioneiros de guerra? Provavelmente nenhum de nós experimentou tal situação. Quem tem menos chance de sobreviver?

Um otimista!

Espere antes de discordar. Segundo o general Stockdale, que foi mantido em cativeiro por oito anos durante a Guerra do Vietnã e foi torturado inúmeras vezes antes de finalmente ser liberto e voltar para casa, foi principalmente – quase em sua totalidade – os otimistas que não saíram de lá vivos.

Que explicação ele dá para isso? Ele diz: “Eles foram os únicos que disseram – ‘Nós vamos estar em casa até o Natal’. E o Natal chegava e nada tinha acontecido. Então eles diziam, ‘Nós vamos estar em casa até a Páscoa’. E a Páscoa chagava e nada. ‘Estaremos em casa até o dia de Ações de Graças...’ Nada! E, então, seria no Natal novamente... E eles morreram de um coração partido e desiludido”.

Mero otimismo é completamente diferente do que podemos chamar de fé realista: - “Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, ou vivamos ou morramos, somos do Senhor.” -  Romanos 14:8

Em completo contraste com o que podemos chamar de falso otimismo, Stockdale atribui a sua sobrevivência a fé realista. Ele diz: “Você nunca deve confundir a fé que você por fim pode prevalecer sobre aquela situação, com o otimismo que faz esvair toda a disciplina para enfrentar os fatos mais brutais de sua realidade atual, seja o que ela possa ser no momento”. 

Isso que é que podemos chamar de O Paradoxo Stockdale – A fé supera o otimismo! Ou seja, abandonar a ideia que é apenas uma miragem no deserto. Que temos balas de prata para matar o monstro, que tudo simplesmente vai se ajustar, mas que somos chamados a perseverar em meio as aflições – “Sabendo que a prova da vossa fé opera a paciência” - Tiago 1:3 – “... e nos gloriamos na esperança da glória de Deus. E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, E a paciência a experiência, e a experiência a esperança.” - Romanos 5:2-4

Devemos aplicar esse princípio as nossas vidas, nossos ministérios... Muitas vezes tudo que os cristãos fazem é entreter otimismo sem fim na “próxima grande coisa” – na próxima “grande estratégia” – no próximo “grande método” – no próximo “grande avanço”... em suas vidas, igrejas. A consequência é o aumento do número de cristãos, pastores, igrejas... desiludidos. Como disse Stockdale, “morrendo de corações partidos”.

Só podemos evitar isso abandonando todo otimismo centrado na próxima grande coisa, ministério, personalidade... no próximo grande sermão, técnica, estratégia, contextualização, filme, música... achando que isso será o ponto de virada para corrigir nossa vida, igreja. Tudo isso nos tira da realidade e, por fim, explode em nossa cara.

Devemos enfrentar a realidade brutal em nossas vidas, em nossas famílias, em nossas igrejas, em nossa sociedade. Tendo uma fé inabalável na Palavra de Deus. Na Sua promessa que não pode falhar de que ela nos fará perseverar: “Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar, e apresentar-vos irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória” - Judas 1:24 – Irá edificar a Sua igreja: “...edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” -  Mateus 16:18 – Fará tudo cooperar para o bem daqueles que Ele chamou soberanamente: “E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.” - Romanos 8:28 – Quer vivamos, quer morramos: “Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, ou vivamos ou morramos, somos do Senhor.” -  Romanos 14:8

Otimismo não é fé. Mas a fé é otimista.

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Autor: Josemar Bessa
Fonte: Site do autor
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Razões para rejeitar o inclusivismo (Parte 1)

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Os defensores da visão conhecida como inclusivismo argumentam que, embora ninguém seja salvo fora da obra redentora de Jesus, não é necessário ter conhecimento sobre o evangelho ou crer em Jesus para a salvação. O inclusivismo elimina o problema de que aqueles que não ouviram o evangelho não serão salvos, mas isso de maneira alguma significa que o inclusivismo é verdadeiro ou bíblico. Paulo, de fato, ensinou em Romanos 1-3 que apesar do conhecimento geral sobre um Criador estar disponível a todos através da luz da criação, esse conhecimento não traz salvação. Apenas a revelação especial sobre Deus, sobre o pecado, sobre Jesus e a salvação dada aos profetas e apóstolos e que está registrada na Bíblia fornece as informações necessárias para a salvação. Os inclusivistas afirmam que o conteúdo da fé não é crucial e que os não-evangelizados podem até ser salvos praticando suas religiões não-cristãs. No entanto, Paulo fala em Romanos 10:9-10 que um conhecimento de informação verdadeira faz parte da fé salvadora. Paulo também fala claramente que nem ele nem as pessoas incrédulas a quem ele pregou foram salvos antes de acreditar em Jesus Cristo.

Os inclusivistas argumentam que, se Deus salva os bebês e os que tem problemas mentais, que morrem sem nunca ter tido fé em Jesus, então Ele pode salvar aqueles que não foram evangelizados. Este ponto de vista, no entanto, ignora o fato de que os não-evangelizados são responsáveis por seus pecados, enquanto que os bebês e os deficientes mentais não são. Os inclusivistas também tentam apontar para os crentes do Antigo Testamento como exemplo de pessoas salvas que não tinham conhecimento sobre Jesus, mas só porque eles não tinham esse conhecimento explícito não significa que eles não tinham nenhuma outra revelação especial (como os não-evangelizados).

A visão inclusivista de que aqueles que nunca ouviram o evangelho serão salvos tem um impacto negativo sobre as missões cristãs. À luz destes e de outros problemas, o inclusivismo não deve ser considerado uma opção viável aos cristãos.

A grande maioria dos cristãos evangélicos sustentam a opinião de que a crença em Jesus é necessária para a salvação. Esse ponto de vista, conhecido como exclusivismo, pode ser resumido em quatro proposições: (1) Jesus é o único Salvador; (2) a fim de serem salvos, os seres humanos devem saber que eles são pecadores que precisam de salvação e perdão; (3) a fim de serem salvos, os seres humanos também precisam saber quem é Jesus e que Sua morte e ressurreição fornecem a base para essa salvação; e (4) os seres humanos devem colocar sua fé e confiança em Jesus como o único Salvador. Os dois textos seguintes tipificam as muitas passagens bíblicas que indicam que o conhecimento sobre (e a fé em) Jesus são essenciais para a salvação: (1) “A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação” (Romanos 10:9,10); (2) “Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dele. Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, por não crer no nome do Filho Unigênito de Deus” (João 3:17,18). Não há outro Salvador além de Jesus, e nenhuma outra religião além do cristianismo bíblico que possa levar os seres humanos até a graça salvadora de Deus.

[…] Se o inclusivismo é verdade, ele elimina um problema que preocupa muitos cristãos: E aquelas pessoas que morrem sem nunca terem ouvido o evangelho? Pense na responsabilidade que é tirada das nossas costas quando adotamos essa visão. Pense no quão mais fácil podemos dormir à noite. No entanto, como cristãos pensantes, reconhecemos que só porque o inclusivismo torna a vida mais fácil ou elimina um problema intrigante, isso não significa que ele seja verdade. Sabemos, sim, que (1) um sistema de crença verdadeiro deve concordar com as Escrituras e (2) que ele deve ser coerente e logicamente consistente. Será que o inclusivismo passa nesses dois testes? Vamos começar a nossa investigação, olhando para o que o inclusivismo tem a dizer sobre o conhecimento.

SERÁ QUE O CONHECIMENTO É NECESSÁRIO PARA SE TER UMA FÉ SALVÍFICA?

Os inclusivistas nos dizem que milhões de pessoas serão salvas sem saber nada sobre a Bíblia ou sobre Jesus. Poderíamos perguntar, então, será que as pessoas não evangelizadas precisam saber de alguma coisa para serem salvas? Pareceria estranho se os inclusivistas argumentassem que a alternativa para entrar no céu por meio do conhecimento sobre Jesus é por meio de um conhecimento sobre nada em particular. Até mesmo John Sanders parece reconhecer o papel do conhecimento quando ele afirma que “algum grau de informação cognitiva é essencial para a fé salvadora” [No Other Name (Grand Rapids: Eerdmans, 1992), 229].

Ao ler autores inclusivistas, no entanto, nunca se deve aceitar a primeira palavra deles sobre um assunto. Eles costumam dar algo com a mão direita e pegá-lo de volta com a mão esquerda. Neste caso Sanders menciona a importância do conhecimento no que diz respeito à salvação, mas em outros lugares ele denigre o lugar do conhecimento na religião. Ele se opõe à crença de que os seres humanos devem possuir certos tipos de conhecimento objetivo como uma condição necessária para entrar em um relacionamento de confiança com Deus. Ele iguala essa crença ao Gnosticismo, um antigo inimigo do cristianismo que considerava a posse de “conhecimento secreto” como chave para a salvação. No entanto, sob esse sentido anti-histórico que Sanders prega, Paulo (Rom. 10:9-10), João (João 20:30-31), e até mesmo Jesus (Mt 16:13-17) seriam culpados de terem ensinado o gnosticismo já que os três reconheciam o conhecimento sobre Jesus como essencial para a salvação.

DUAS FONTES DE CONHECIMENTO

Suponhamos que a fé salvífica exija uma certa medida de conhecimento, ainda que os inclusivistas não façam ideia do que seria o conteúdo mínimo dele. Isso nos leva a fazer a seguinte pergunta: Qual é a fonte desse conhecimento?

Os pensadores cristãos fazem distinção entre duas fontes de conhecimento: a revelação especial e a revelação geral. As revelações extraordinárias que Deus fez a pessoas como Abraão, Moisés e Paulo tipificam a revelação especial. Esse tipo de revelação é “especial” porque Deus a deu a determinadas pessoas em determinadas épocas e lugares. Essa revelação também tem uma função especial, ou seja, a de fornecer aos seres humanos um conhecimento sobre o Deus em três Pessoas (e que não pode ser obtido pelo simples exercício da razão humana), tornando possível uma relação salvífica com Ele. A revelação especial foi registrada e preservada na Bíblia. A revelação geral, como o próprio nome indica, é a revelação que Deus coloca à disposição de todos os seres humanos à parte da revelação especial. A última metade de Romanos 1 afirma que os seres humanos podem vir a conhecer certas coisas sobre o Criador (Deus) com base no conhecimento de Sua criação. A revelação geral também dá aos humanos a uma compreensão moral geral, de modo que, mesmo sem a Bíblia certos tipos de conduta são entendidos como sendo errados.

Os inclusivistas acreditam que a revelação geral é suficiente para levar as pessoas a salvação. Eles insistem que a salvação é acessível a todos os seres humanos, incluindo os milhões que não têm qualquer contato com a revelação especial; portanto, o conhecimento que medeia a salvação para os não-evangelizados não tem que provir da Bíblia. Uma vez que os não-evangelizados, por definição, não possuem a revelação especial, os inclusivistas são forçados a encontrar um papel da revelação geral (que está disponível a todos e que todos podem entender) na salvação. Sanders, por exemplo, argumenta que a palavra “evangelho” tem um significado mais amplo do que simplesmente a boa notícia sobre Jesus. O evangelho, de acordo com os inclusivistas, também pode conter uma luz que está disponível para os não-evangelizados através da revelação geral. Obviamente, essa “luz” não contém informações sobre Jesus. Na verdade, é difícil dizer qual seria o conteúdo informativo contido nessa luz.

Aqui está o problema que os inclusivistas criaram para si mesmos: eles precisam de uma fonte de conhecimento alheio a qualquer informação nas Escrituras, e a única fonte para tal conhecimento é a revelação geral; no entanto, a passagem mais relevante das Escrituras no tocante da revelação geral nos diz claramente que ela não pode salvar! Paulo começou sua carta aos Romanos, explicando que uma das razões pelas quais todos os seres humanos são condenados é porque eles têm resistido a mensagem da revelação geral (Romanos 1:18-20). Ele ensinou que ainda que Deus tenha tornado disponíveis informações importantes para todos os seres humanos através da revelação geral, ela não trouxe salvação a eles. Paulo escreveu: “Não há um justo, nem um sequer” (Romanos 3:10); “Todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus” (Rom. 3:23). O raciocínio de Paulo em Romanos 1-3 claramente contradiz a crença inclusivista de que pessoas de religiões não-cristãs podem ser salvas por responder ao conteúdo da revelação geral. Uma vez que nenhum ser humano vive de acordo com a luz da revelação geral, a revelação especial é extremamente necessária.

Os inclusivistas não possuem apoio bíblico claro e inequívoco em favor de sua opinião de que a revelação geral é suficiente para a salvação. Eles simplesmente assumem esse ponto de vista e, em seguida, o usam para comprometer outros ensinamentos bíblicos importantes, tais como a identificação de Paulo com a morte e ressurreição de Cristo como um componente essencial do evangelho (por exemplo, 1 Coríntios 15:1-4).

O OBJETO DA FÉ SALVÍFICA

Os inclusivistas acreditam que um ato de fé é necessário para a salvação mas nega que Jesus deva ser o objeto dessa fé salvadora. Eles acreditam que a salvação das pessoas não-evangelizadas depende de como eles respondem à luz que lhes foi dada. De maneiras que os inclusivistas acham difíceis de explicar, a luz da revelação geral leva muitos dos não-evangelizados a uma confiança no verdadeiro Deus – uma confiança que não tem nada a ver com Jesus Cristo. É a fé (confiança) que salva, não o conhecimento. A fim de serem logicamente consistentes, os inclusivistas devem ensinar que as pessoas são salvas pela fé e que o conteúdo ou o objeto dessa fé é irrelevante; e, uma vez que ter o único Deus verdadeiro como objeto de fé é irrelevante e, em muitos casos impossível, o fator-chave sobre a fé salvadora deve ser o seu aspecto subjetivo. O que conta é o sentimento, não o conhecimento ou a verdade objetiva. Considere estas afirmações feitas por Pinnock: “A fé em Deus é o que salva, mesmo sem possuir determinadas informações mínimas” (A Wideness in God’s Mercy (Grand Rapids: Zondervan, 1992), 157); “Uma pessoa é salva pela fé, mesmo que o conteúdo dessa fé seja deficiente … . A Bíblia não ensina que se deve confessar o nome de Jesus para ser salvo” (Ibid., 158 – esta afirmação contradiz claramente Romanos 10:9,10). Parece que Pinnock pegou emprestado essa vertente do liberalismo protestante moderno: “Não importa o que você acredita, é a sua sinceridade que conta” (Ibid.).

Os inclusivistas, portanto, argumentam que a fé possa salvar as pessoas, embora o seu conteúdo teológico seja deficiente ou mesmo falso. Não há nenhum lugar nas Escrituras, no entanto, que afirme isso; na verdade, as Escrituras ensinam exatamente o oposto. É verdade que as pessoas não são salvas ao simplesmente concordar mentalmente com certas informações teológicas; no entanto, as Escrituras dizem claramente que a fé salvadora possui uma consciência de informações verdadeiras. É imprudente, perigoso e anti-bíblico levar as pessoas a pensar que a pregação do evangelho (que deve conter detalhes sobre a pessoa e a obra de Cristo) e a fé pessoal em Jesus não são necessárias para a salvação.

Se não podemos aceitar a visão da fé sem conteúdo pregada pelos inclusivistas, tampouco podemos aceitar outros pontos do sistema inclusivista. No próximo post iremos examinar alguns deles.

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Autor: Ronald H. Nash
Fonte: The Christian Research Institute
Tradução/adaptação: Erving Ximendes
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A essência singular da fé - 1/2

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Tendo visto o objeto da fé, partamos agora em direção à forma ou à essência singular e natureza da fé. A essência de algo é aquilo que faz com que este algo seja o que é. A essência de uma coisa a identifica e a distingue de todas as demais coisas. Uma coisa pode possuir apenas uma única essência. Logo, se há duas essências, há também duas coisas. Portanto, de semelhante modo, a fé possui uma essência que lhe é exclusiva.

Neste ponto, devemos notar em que consiste (e também em que não consiste) a natureza essencial da fé.

Em primeiro lugar, a fé não consiste em amor, que é aquilo que os papistas e os arminianos afirmam. O amor não é a essência da fé, pois 1) fé e amor são duas virtudes distintas: “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor” (1Co 13:13). É demasiado óbvio que uma virtude não pode ser a essência de uma outra. 2) O amor é o fruto da fé. Porque, em Cristo Jesus, nem a circuncisão, nem a incircuncisão têm valor algum, mas a fé que atua pelo amor” (Gl 5:6). A fé, portanto, não extrai sua eficácia do amor, antes, a fé é eficaz para a operação do amor, assim como a prática de toda virtude por meio do amor. Atentem também para o ímpeto da palavra ἐνεργέω (energeo) (cf. Rm 7:5; Cl 1:29). O resultado de algo não pode ser sua essência.

Em segundo lugar, a fé não consiste na obediência e observância dos mandamentos de Deus, que é algo que as partes supramencionadas afirmam. Pois a fé se distingue expressamente das obras (1Co 13:13). E também: Ora, o intuito da presente admoestação visa ao amor que procede de coração puro, e de consciência boa, e de fé sem hipocrisia” (1Tm 1:5). Sim, na questão da justificação, as obras e a fé são contrastadas. Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei” (Rm 3:28). Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras” (Tg 2:18).

A fé verdadeira é a fonte das boas obras. Estas são frutos e característica da fé, tornando-se evidente, portanto, que onde as boas obras estão ausentes, também a fé verdadeira está ausente. “Porque, assim como o corpo sem espírito é morto, assim também a fé sem obras é morta” (Tg 2:26). Certamente o corpo está morto, caso a respiração tenha cessado. Semelhantemente, tal fé está morta, isto é, a verdadeira fé não está presente quando ela não se manifesta.

Mesmo se sustentarmos que o amor e a observância dos mandamentos não são a forma ou natureza essencial da fé, longe esteja de nós sustentar que a fé pode existir sem o amor. Quando um homem torna-se um crente, ele não apenas recebe iluminação aos olhos do entendimento e em certo grau se torna familiarizado com o Mediador e os benefícios da aliança, mas também se torna, desse modo, amorosamente cativo. O crente se regozija no fato de que há salvação, perdão de pecados e um Espírito que o santifica. Ele se regozija no fato de que há um Cristo e que Ele lhe é oferecido. Ele tem amor pela verdade (2 Ts 2:10). Tendo agora recebido e tendo sido unido a Cristo pela fé, seu amor para com Deus e Cristo é inflamado, e com toda sua disposição ele deseja ser obediente. Nós amamos porque ele nos amou primeiro (1Jo 4:19).

Em terceiro lugar, a essência mesma da fé não consiste em confiar que Cristo é meu Salvador, uma vez que:

(1) Cristo não morreu por todos os homens. Todo indivíduo precisaria, portanto, de fundamentos sólidos a partir dos quais seria capaz de concluir que Cristo morreu por ele e é, pois, seu Salvador.

(2) Deus de fato ordenou que todos que ouvissem Sua palavra cressem, mas Ele não ordenou que todos cressem que Cristo é seu Salvador. Não há um único texto na Bíblia para apoiar isso, de maneira que é simples imaginação afirmar que todos devem crer que Cristo é seu Salvador. Se assim fosse, ele creria numa mentira e iria para o inferno ao aderir a tal ilusão.

(3) Crer que Cristo é meu Salvador pertence à certeza, que é um fruto da fé, o qual pode variar em grau e pode, pois, estar inteiramente ausente. Portanto, a fé verdadeira permanece, e aquele que a possui permanece um verdadeiro crente.

(4) Vários indivíduos que creram temporariamente estão plenamente seguros de si mesmos e não possuem a menor dúvida de que Cristo é seu Salvador e morreu por eles. Eles, todavia, não possuem fé verdadeira e irão se encontrar em engano. Segue, pois, que a fé verdadeira não consiste em confiar que Cristo morreu por mim.

Em quarto lugar, a essência da fé não consiste em desejar ter Jesus como Salvador. Desejar, ou se dispor, pode ser considerado como um ato interno. Uma pessoa percebe a verdade, a necessidade e a excelência de ter Jesus como seu Salvador, e assim deseja tê-Lo como tal. Esse desejo interno incide no objeto em si, mas não nas circunstâncias concomitantes – tais como a necessidade de se abandonar a vida mundana, de buscar Cristo em verdade (agindo assim frequentemente), de entrar verdadeiramente em aliança com Cristo, encontrando somente n'Ele seu deleite. Também é necessário ao crente tomar o mundo como seu inimigo, testemunhando e batalhando contra ele, e estar disposto, por amor a Cristo, a suportar toda pobreza, nudez, perseguições e zombaria. Isto, contudo, não condiz com tais pessoas, e, portanto, eles abandonam por aquilo que Ele é, cedendo, portanto, às suas concupiscências. Destarte, o desejo deles nada mais é do que o desejo de Balaão: Que eu morra a morte dos justos, e o meu fim seja como o dele” (Nm 23:10).

Tal desejo pode ser também de uma natureza extrovertida, isto é, o ser que se expande em direção a Cristo, por meio do qual determinada pessoa demonstra ao Senhor Jesus seu desejo vertical por Ele e Seus benefícios, com o esquecimento de tudo o mais. Uma vez que seu coração não o condena, isso lhe dá liberdade para ir a Cristo e recebe-Lo pela fé como seu Salvador. Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida” (Ap 22:17). Desse modo, visto que o desejo não precede o exercício da fé, na medida em que se considera a natureza da questão, embora onde quer que exista um desejo tão expansivo, existe também a verdadeira fé.

Em quinto lugar, a essência da fé não consiste num assentimento da verdade do Evangelho. Uma pessoa pode ter uma compreensão bastante clara de todos os mistérios da fé, na medida em que diz respeito tanto às suas verdades quanto à sua excelência. Deixemo-lo aquiescer com plena confiança a essas verdades como verdades, bem como à excelência delas – mesmo isto não é verdadeira fé. De fato, é verdade que os crentes também possuem conhecimento e assentimento, contudo, não podem se apoiar nisso. Eles sabem e têm experiência que esses elementos não os levam a se tornar participantes de Cristo, e, portanto, eles vão além e se apropriam de Cristo. Eles se apoiam n'Ele, confiando seus corpos e almas a Cristo, para que Ele possa justificá-los, etc. Portanto, se um homem não possui nada mais do que o conhecimento e assentimento, ele pode estar certo de que possui meramente a fé histórica ou temporal. Porém, se um indivíduo percebe dentro de si mesmo o exercício real da confiança em Cristo, considerando-a como um fruto de seu assentimento (tomando-o como o ato essencial da fé), ele de fato possui a verdadeira fé. Contudo, ele está equivocado ao considerar que o conhecimento é a natureza essencial da fé. Ilustraremos isto mais adiante na questão que se segue. A essência singular ou forma da fé não consiste, pois, nessas seis questões supramencionadas. Devemos, portanto, considerar agora em que consiste o ato singular e essencial da fé.

Questão: O ato essencial da fé consiste em assentir às verdades divinas e às promessas do Evangelho, ou, antes, consiste numa confiança sincera em Cristo para ser justificado, santificado e conduzido, por Ele, à felicidade?

Resposta: Antes de respondermos, queremos afirmar que:

(1) Não entendemos esse confiar em Cristo como equivalente à certeza – a convicção de que se é pessoalmente um participante de Cristo e todas Suas promessas, ou a paz e quietude resultantes dentro da alma, pois todas estas são frutos da fé, que são mais evidentes em um, e menos em outro. Pelo contrário, entendemos por confiar o ato expansivo [dinâmico] do coração por meio do qual o homem, ao se render e receber a Cristo, Lhe confia corpo e alma, a fim de que Ele possa salvá-lo. Podemos compará-lo a um credor que confia seu dinheiro a alguém, dando-o. De semelhante modo, podemos também compará-lo a alguém que, colocando-se sobre os ombros de um homem robusto a fim de ser carregado através de um rio, confia nele, inclinando-se e fiando-se nele, permitindo-se, desse modo, ser conduzido ao local designado.

(2) Afirmamos que um conhecimento das verdades do Evangelho e o assentimento às mesmas são os pré-requisitos necessários para tal confiança. Sustentamos, ainda, que, posteriormente, a fé também se foca continuamente sobre e é ativada pelas promessas.

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Autor: Wilhelmus à Brakel
Fonte: The Christian's Reasonable Service
Tradução: Fabrício Tavares
Divulgação: Bereianos
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A fé neopentecostal

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Por Leonardo Dâmaso


Os “curandeiros” neopentecostais triunfalistas atribuem a fé como o fator determinante para que as bênçãos, curas e milagres aconteçam na vida do crente. Por outro lado, se o mesmo não conseguiu obter aquilo que foi pedido em oração a Deus ou “profetizado”, o motivo foi que a fé do crente não foi forte o suficiente, a qual o impossibilitou de receber o que já é seu por direito, afirmam os “curandeiros” neopentecostais triunfalistas. Segundo esse entendimento, a incredulidade impossibilita a liberação das bênçãos. Embora o pregador neopentecostal receba todos os créditos como o canal de Deus quando as bênçãos, curas e milagres acontecem, todavia, ele não é culpado por sua falha quando um crente não as recebe. Culpar o próprio crente do seu fracasso é a justificativa perfeita para os curandeiros neopentecostais triunfalistas, porém, isso não tem base alguma na Escritura.         

Indubitavelmente, a fé não é o fator determinante para que as bênçãos, curas e milagres aconteçam, e nem a incredulidade é a barreira que os impede de acontecerem. Se nos atentarmos para as Escrituras, iremos perceber que Jesus, em todo o seu ministério, por muitas vezes curou e operou milagres sem exigir fé da pessoa doente ou necessitada de um milagre.                                                             
Em Mateus 13.57-58, é descrito que os familiares, os vizinhos e as pessoas próximas e conhecidas de Jesus se escandalizavam nele. Eles não o reconheciam como o Messias, o Cristo, filho de Deus (Jo 7.5). Por essa razão, ele não fez muitos milagres na sua cidade natal, Nazaré, apenas algumas poucas curas (veja o paralelo dessa passagem em Mc 6.1-6). Contudo, é importante observar que a incredulidade não impediu Jesus de realizar milagres naquela ocasião, mas que pela sua soberania, como Deus que é ele simplesmente não quis realizar os milagres, independente se houve a incredulidade. O propósito maior do ministério de Jesus não consistia na operação de curas e milagres. A ênfase estava no ensino das verdades concernentes a redenção, ao reino de Deus, ao estado do homem caído, entre outros assuntos (veja Mc 6.5; Mt 4.23; 5,6,7; 9.35; Mc 2.13; 9.31; 10.1; Lc 4.15; 5.15; 6.6; 13.22; 20.21; 24.27; Jo 5.38,46-47; 6.44; 7.14,19,28; 8.20,28-45,51-59; 13.34-25, etc...). O propósito das curas e dos milagres era a confirmação da mensagem de Jesus, que ele era o enviado de Deus Pai e o Messias que haveria de vir resgatar o seu povo da escravidão do pecado e da morte eterna (At 2.22).       

Podemos ver alguns outros exemplos de curas operadas por Jesus onde ele não exigiu a fé das pessoas doentes, como em Mateus 19.1-2; 21.14. Temos o evento do homem da mão ressequida relatado também em Mateus 12.9-15. A restituição da orelha do servo do sumo sacerdote que foi cortada por Pedro com uma espada (Lc 22.51). A cura de um homem paralítico (Jo 5.1-3,5-9). Um cego que não sabia quem era Jesus e nem pediu para ser curado (Jo 9.1-12,35-35-38). Em outras ocasiões, Jesus também ressuscitou pessoas mortas, como a filha de Jairo e Lázaro (Mc 5.21-24,35-43; Jo 11.1-46). Sendo assim, eu pegunto: Morto tem fé para ser curado? Acredito que não! E, finalmente, outros eventos de curas realizados por Jesus, registrados em Lucas 7.21; Mateus 14.14; 15.29-31 e Marcus 1.34. 

Em contrapartida, vemos casos em que Jesus exigiu a fé das pessoas doentes para serem curadas. Podemos observar o registro da mulher que sofria há doze anos com uma hemorragia (Lc 8.43-48); o cego de Jericó, que também pode ter sido convertido (Mc 10.46-52); os dez leprosos curados, onde somente um voltou para glorificar a Deus (Lc 17.11-19); e a mulher siro fenícia (Mt 15.21-28).
  
Da modo semelhante, o mesmo ocorreu no ministério dos apóstolos: muitas pessoas doentes foram curadas sem que fosse exigida a fé delas. Em Atos 3.1-8, vemos relatado que Pedro curou um homem coxo que ficava mendigando na porta do templo sem exigir a fé dele. Mais tarde, ele ressuscitou uma mulher morta chamada Tabita (At 9.36-43). Paulo também ressuscitou um jovem chamado Êutico (At 20.7-12). 

Dessarte, então não é necessário ter fé para receber as bênçãos? Não é necessário termos fé que Deus existe e que é abençoador daqueles que o buscam (Hb 11.6)? Não obstante, precisamos entender que, primeiramente, Deus é soberano. Ele decide, pela sua livre vontade, fazer o que quiser (Sl 115.3). Partindo desse pressuposto, entendemos que Deus é quem decide se vai ou não abençoar, curar ou realizar qualquer milagre. O agir de Deus não depende da fé do crente para acontecer, mas exclusivamente de sua vontade soberana. Não somos abençoados pelas nossas "boas obras" diante de Deus em primeiro lugar. Existem crentes neopentecostais que, por ignorância, pensam que se fizerem jejuns específicos por uma bênção, se fizerem um propósito de oração no monte, na madrugada, ou alguma campanha na “igreja”, receberão a bênção que tanto almejam. Nada disso! Somos abençoados pela graça de Deus, a qual exclui os nossos méritos pessoais.

Contudo, é bem verdade que Deus utiliza o “meio de graça denominado oração” para nos abençoar, se assim for da sua vontade, é claro (veja Tg 4.13-15). Deus abençoa operando curas, realizando milagres e provendo em nossa vida pela fé e também independente dela. Deus não está limitado pela fé ou pela incredulidade das pessoas para cumprir os seus propósitos soberanos na terra. Ele é soberano e tem todo o poder. Deus não depende do homem para nada! Se Deus não quiser abençoar um crente, ele não vai abençoar, mesmo se o tal for piedoso e orar por muitas vezes, e até por anos! Todavia, é importante elencar que Deus determinou que a fé fosse o meio que Ele utilizaria para se agradar em manifestar o seu poder abençoando, curando e realizando milagres na vida dos seus filhos, mas não que Deus dependa da fé ou da incredulidade para agir no mundo e na vida das pessoas em geral, quer sejam elas crentes ou não crentes. Até o não crente é abençoado por Deus através da sua providência geral ou graça comum, que é uma manifestação da sua misericórdia e bondade para com todos (Mt 5.45; 6.26; Sl 36.6c; 145.15-17). Deus é soberano e abençoa quem quer, como quer e quando quer! Portanto, a fé que o neopentecostalismo triunfalista ensina é peremptoriamente equivocada, visto que não é ratificada pelas Escrituras!  

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Fonte: Bereianos
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Fé: Dom de Deus ou não (Efésios 2.8)?

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Por William Hendriksen 


Pela graça vocês foram salvos ... Para sua explicação, ver supra sobre o versículo 5. Ele prossegue: por meio da fé; e isto não vem de vocês, (é) o dom de Deus ...

Há três explicações que merecem consideração:

(1) A que A.T. Robertson oferece. Comentando sobre esta passagem em seu Word Pictures in the New Testament, Volume 4, página 525, ele declara: “Graça é a parte de Deus; fé, a nossa.” Ele acrescenta ainda: já que no original o demonstrativo “isto” (e isto não vem de vocês mesmos) é neutro e não corresponde ao gênero da palavra “fé”, que é feminina, não se refere à última, “porém ao ato de ser salvo pela graça condicionada à fé que é parte nossa”. Ainda mais claramente: “Em Efésios 2.8 ... não há referência a [dia pisteos] [por meio da fé] nem [pouto] [isto], mas, antes, à idéia de salvação, da sentença anterior.

Sem qualquer hesitação respondo a Robertson, a quem os eruditos do Novo Testamento do mundo inteiro estão indiscutivelmente em dívida, que neste caso não se expressa de forma muito feliz. Estou convicto disto, primeiro porque, num contexto em que o apóstolo põe tão forte ênfase sobre o fato de que, do começo ao fim, o homem deve sua salvação a Deus, e tão-somente a ele, teria sido muito estranho, sem dúvida, que ele diga: “Graça é a parte de Deus; fé, a nossa.” De fato, embora tanto a responsabilidade de crer quanto também sua atividade sejam nossas, visto que Deus não pode crer por nós, não obstante, no presente contexto (vs. 5-10), se esperaria ênfase sobre o fato de que, seja em seu início seja em seu seguimento, a fé é inteiramente dependente de Deus, bem assim nossa salvação plena. Em segundo lugar, Robertson, como gramático famoso em sua área, sabia que, no original, o demonstrativo (isto), embora neutro, nem sempre pode corresponder em gênero ao seu antecedente. Que ele tinha conhecimento disso demonstra-se pelo fato de que, na página indicada de sua gramática (p. 704), ele realça que “em geral” o demonstrativo “concorda com o substantivo em gênero e em número”. Quando diz “em geral”, ele quer dizer “nem sempre, e sim na maioria das vezes”. Portanto, ele deveria ter considerado mais seriamente a possibilidade de que, pela natureza do contexto, aplica-se a exceção à regra, exceção que de forma alguma é rara. Ele deveria ter feito tal concessão.[60] Finalmente, ele deveria ter justificado o silêncio que manteve sobre a regra que determina que, a menos que haja uma forte razão para agir de outra maneira, deve-se buscar o antecedente na vizinhança imediata do pronome ou adjetivo ao qual se refere.

(2) A apresentada, entre outros, por F.W. Grosheide. Em sua opinião, as palavras “e isto não vem de vocês mesmos” significam “e isto – de ser salvos pela graça mediante a fé – não vem de vocês mesmos”, porém é o dom de Deus. Já que, segundo essa teoria – também endossada, ao que parece, por João Calvino, em seu comentário –, a fé está inclusa no dom, nenhuma das objeções contra a teoria (1) se aplica à teoria (2).

Significa, pois, que o item (2) é inteiramente satisfatório? Não necessariamente. Isto nos leva a...

(3) A definida por A. Kuyper pai, em seu livro Het Werk van den Heiligen Geest (Kampen, 1927), pp. 506-514. Embora o Dr. Kuyper não seja o único defensor desta teoria, todavia provavelmente sua defesa seja a mais detalhada e vigorosa. Em suma, a teoria pode ser apresentada assim: As palavras de Paulo podem ser assim parafraseadas: “eu tenho o direito de falar sobre as ‘riquezas infinitas de sua graça’ visto que, indubitavelmente, é pela graça que vocês são salvos, através da fé; e a fim de que não comecem agora a dizer: ‘Mas então merecemos crédito, pelo menos por crermos’, acrescentarei imediatamente que, mesmo esta fé (ou: mesmo este exercício da fé), não vem de vocês mesmos, mas é dom de Deus.” 

Com variações quanto a detalhes, esta explicação foi favorecida por grande parte dos seguidores da tradição patrística. Entre os que a apoiavam se encontram também Beza, Zanhius, Erasmo, Hugo de Groot (Grotius), Bengel, Michaelis, entre outros. É partilhada também por Simpson (op. cit. p. 55) e por Van Leenwen e Greijdanus em seus comentários. H.C.G. Moule (Ephesians Studies, Nova York, 1900, pp. 77, 78) a endossa, com a seguinte qualificação: “Devemos explicar touto [isto] como se referindo não precisamente ao substantivo feminino pístis [fé], mas ao fato de exercermos nossa fé.” Além disso, talvez não seja exagero dizer que a explicação oferecida é também partilhada pelo homem comum que lê 2.8 em sua Bíblia. Salmond, depois de apresentar várias provas em favor dessa teoria, especialmente essa que diz que “a fórmula kai touto poderia antes favorecê-la, já que amiúde acrescenta algo à idéia à qual está ligada”, termina separando-se dela porque “a salvação é a idéia principal na declaração precedente”, fato que, sem dúvida, os defensores de (3) não estão dispostos a negar, porém não há dúvida de que vigorosamente a afirmam, porém que não é um argumento válido contra a idéia de que a fé, tanto quanto tudo o que inclui a salvação, é dom de Deus. Portanto, não é um argumento válido contra (3).

Estou convencido de que a teoria (3) é a explicação mais lógica da passagem em questão. Provavelmente o melhor argumento em seu favor seja este: Se Paulo quis dizer: “Pela graça vocês foram salvos mediante a fé, e este ‘ser salvo’ não vem de vocês mesmos”, ele teria sido culpado de repetição desnecessária – pois que outra coisa é a graça, senão a que procede de Deus e não de nós mesmos? –, uma repetição que se faz ainda mais prolixa quando agora (supostamente) ele acrescenta: “ela, isto é, a salvação, é o dom de Deus”, seguida de uma quarta e uma quinta repetição, ou seja, “não de obras, porque somos obra de suas mãos”. Não surpreende que o Dr. A. Kuyper declare: “Se o texto reza: ‘Pela graça vocês foram salvos, não vem de vocês mesmos, é obra de Deus’, isto faria algum sentido. No entanto, ao dizer primeiro: ‘Pela graça vocês foram salvos’, e então, como se surgisse algo novo, acrescenta: ‘e este ser salvo não vem de vocês mesmos’, é algo que não soa bem, mas é como se fosse um som produzido por pancada oca ... E enquanto que, com essa interpretação, tudo procede em obediência a vertigens e impulsos, tornando-se ricocheteantes e redundantes, nós seguimos os antigos intérpretes da igreja de Cristo, o que torna tudo excelente e significativo.”[61] Esta, ao que me parece, é também a refutação da teoria (1) e, até certo ponto, da teoria (2).

Basicamente, contudo, as teorias (2) e (3) enfatizam a mesma verdade, ou seja, que o crédito para todo o processo de salvação deve ser conferido a Deus, de modo que o homem perde toda a razão de se vangloriar, e é precisamente o que Paulo afirma nas palavras que vêm em seguida, a saber: 9,10. não de obras, para que ninguém se vanglorie.

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Notas:
[60] Ainda que Lenski chame a declaração de Robertson (“graça é a parte de Deus; fé, a nossa”) de displicente, por outro lado sua própria explicação (op. cit. p. 423), na qual baseia tudo no fato de que tou/to é neutro, porém pi,stij é feminino, basicamente é o mesmo que faz Robertson.
[61] No tocante à gramática, existem vários casos citados por Kuyper nas obras de Platão, Xenofontes e Demóstenes em que se usa touto para indicar um antecedente masculino ou feminino. Também cita o seguinte de uma gramatica grega: "É muito comum o uso de um pronome demonstrativo neutro para indicar um antecendente substantivo do gênero masculino ou feminino quando a ideia dada pelo substantivo é mencionada num sentido geral". A citação é da obra de Kuhnhert. Ausfuhliche Grammatik der Griech. sprache (Hanover, 1870). vol II, p. 54.

Fonte: Comentário do Novo Testamento - Efésios e Filipenses - 2ª Ed. - São Paulo: Cultura Cristã, 2005; págs. 144-147

Nota do Blog Bereianos: Para a continuação da análise sobre o tema, recomendamos a leitura do excelente artigo "Efésios 2:8 - A fé é um dom!", escrito por André R. Fonseca do blog Teologia et cetera. Para ler, clique aqui!
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A Regeneração Precede a Fé

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por R.C. Sproul


Um dos momentos mais dramáticos em minha vida, na formação de minha teologia, ocorreu em uma sala de aula de um seminário. Um de meus professores foi ao quadro negro e escreveu estas palavras em letras garrafais:

A regeneração precede a fé

Aquelas palavras foram um choque para o meu sistema. Eu tinha entrado no seminário crendo que a obra principal do homem para efetivar o novo nascimento era a fé. Eu pensava que nós tínhamos que primeiro crer em Cristo, para então nascermos de novo. Eu uso as palavras "para então" aqui por uma razão. Eu estava pensando em termos de passos que deviam ocorrer em uma certa seqüência. Eu colocava a fé no princípio. A ordem parecia algo mais ou menos assim:

"Fé - novo nascimento - justificação."

Eu não tinha pensado sobre esse assunto com muito cuidado. Nem tinha atentado cuidadosamente às palavras de Jesus a Nicodemus. Eu presumia que mesmo sendo um pecador, uma pessoa nascida da carne e vivendo na carne, eu ainda tinha uma pequena ilha de justiça, um pequeno depósito de poder espiritual remanescente em minha alma para me capacitar a responder ao Evangelho sozinho. Possivelmente eu tinha sido confundido pelo ensino da Igreja Católica Romana. Roma, e muitos outros ramos do Cristianismo, tem ensinado que a regeneração é graciosa; ela não pode acontecer aparte da ajuda de Deus.

Nenhum homem tem o poder para ressuscitar a si mesmo da morte espiritual. A divina assistência é necessária. Esta graça, de acordo com Roma, vem na forma do que é chamado graça preveniente. "Preveniente" significa que ela vem antes de outra coisa. Roma adiciona a esta graça preveniente o requerimento de que devemos "cooperar com ela e assentir diante dela", antes que ela possa atuar em nossos corações.

Esta concepção de cooperação é na melhor das hipóteses uma meia verdade. Sim, a fé que exercemos é nossa fé. Deus não crê por nós. Quando eu respondo a Cristo, é a minha resposta, minha fé, minha confiança que está sendo exercida. O assunto, contudo, se aprofunda. A questão ainda permanece: "Eu coopero com a graça de Deus antes de eu nascer de novo, ou a cooperação ocorre depois?" Outro modo de fazer esta pergunta é questionar se a regeneração é monergista ou sinergista. Ela é operativa ou cooperativa? É eficaz ou dependente? Algumas destas palavras são termos teológicos que requerer maior explanação.

Monergismo e Sinergismo

Uma obra monergística é uma obra produzida por uma única pessoa. O prefixo mono significa um. A palavra erg refere-se a uma unidade de trabalho. Palavras como energia são construídas com base nessa raiz. Uma obra sinergística é uma que envolve cooperação entre duas ou mais pessoas ou coisas. O prefixo sun significa "juntamente com".

Eu faço esta distinção por uma razão. O debate entre Roma e Lutero foi travado sobre este simples ponto. A questão era esta: A regeneração é uma obra monergística de Deus ou uma obra sinergística que requer cooperação entre homem e Deus? Quando meu professor escreveu "A regeneração precede a fé" no quadro negro, ele estava claramente tomando o lado da resposta monergística. Depois de uma pessoa ser regenerada, esta pessoa coopera pelo exercício de sua fé e confiança. Mas o primeiro passo é a obra de Deus e de Deus tão-somente.

A razão pela qual não cooperamos com a graça regeneradora antes dela agir sobre nós e em nós é que nós não podemos. Não podemos porque estamos mortos espiritualmente. Não podemos assistir o Espírito Santo na vivificação de nossas almas para a vida espiritual, da mesma forma que Lázaro não podia ajudar Jesus a ressuscitá-lo dos mortos.

Quando comecei a lutar com o argumento do Professor, fiquei surpreso ao descobrir que o estranho som de seu ensino não era novidade. Agostinho, Martinho Lutero, João Calvino, Jonathan Edwards, George Whitefield - até o grande teólogo medieval Tomás de Aquino ensinaram esta doutrina. Tomás de Aquino é o Doctor Angelicus da Igreja Católica Romana. Por séculos seu ensino teológico era aceito como dogma oficial pela maioria dos Católicos. Então, ele era a última pessoa que eu esperava sustentar tal visão da regeneração. Todavia Aquino insistiu que a graça regeneradora é uma graça operante, e não uma graça cooperativa. Aquino falou da graça preveniente, mas ele falou de uma graça que vem antes da fé, que é a regeneração.

Estes gigantes da história Cristã derivaram a visão deles das Sagradas Escrituras. A frase chave na Carta de Paulo aos Efésios é esta: "estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)" (Efésios 2:5). Aqui Paulo localiza o tempo em que a regeneração ocorre. Ela ocorreu "quando estávamos ainda mortos". Com um único raio de revelação apostólica foram esmagadas, total e completamente, todas as tentativas e entregar a iniciativa na regeneração aos homens. Novamente, homens mortos não cooperam com a graça. A menos que a regeneração ocorra primeiro, não há possibilidade de fé.

Isso não diz nada de diferente do que Jesus disse a Nicodemus. A menos que um homem nasça de novo primeiro, ele não pode ver ou entrar no reino de Deus. Se nós cremos que a fé precede a regeneração, então nós colocamos nossos pensamentos, e, portanto, nós mesmos, em direta oposição não só aos gigantes da história Cristã, mas também ao ensino de Paulo e do nosso próprio Senhor Jesus Cristo.

(do livro, O Mistério do Espírito Santo, Tyndale House, 1990)

Meu Comentário:

Outras passagens na Bíblia que claramente ensinam que a regeneração precede a fé:

1 João 5:1 - "Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo, é o nascido de Deus; e todo aquele que ama ao que o gerou, ama também ao que dele é nascido.", João 1:13, Rom 9:16

João 6:63,65 "O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida. E continuou: Por isso vos disse que ninguém pode vir a mim, se pelo Pai lhe não for concedido".

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Fonte: Monergism
Traduzido por: Felipe Sabino de Araújo Neto
Cuiabá-MT, 18 de Março de 2003.
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Graça e panelas furadas

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Por Rev. Wadislau Martins Gomes


A graça de Deus é que permite conhecer e discernir as dimensões de unicidade e multiplicidade em tudo o que existe. O que eu quero dizer? Isto mesmo que foi dito: o que permite que conheçamos a Deus e as coisas que ele criou, incluindo a nós mesmos, é sua graça. Mas o que é graça? Esta é uma palavra de contato, isto é, que a gente usa sem saber definir o significado. Um dos sentidos do termo graça é muito conhecido e usado: “favor imerecido”. Entretanto, este sentido é descritivo de uma propriedade da graça, não do seu significado.

Deixe-me ilustrar. Era o fim da década dos cinquentas, quando os jovens vestiam calças “rancheiras” (o jeans da época), as moças de sandálias e os moços de botas com salto “carapeta” (do formato de peão). Minha irmã, já falecida, estava naquela idade de ser menina moça, muito graciosa. Um dia, aproximou dela um jovem bem tratado, cabelo volteado na testa, que disse: “Posso saber sua graça”. Ela respondeu: “Eu não fiz graça nenhuma!” Tão logo percebeu a situação incômoda, saiu correndo, sem graça. Parece piada, mas se aplica bem à definição do termo. Graça é identidade, beleza, paz (interação harmônica) e alegria. Graça é a manifestação da identidade de Deus, de sua beleza, de sua paz e de sua alegria.

Por que “favor imerecido”? Vai outra ilustração. Pequeno ainda, na cidade de Jahu, SP, quando a noite caia, eu me punha a olhar as estrelas. O céu parecia uma daquelas panelas pretas da fuligem do fogão a carvão que havia lá em casa. Às vezes, as panelas começavam a chiar no fogo, e minha mãe as levantava contra a luz para ver se estavam furadas. E eu imaginava se as estrelas não seriam furos na negridão do céu, deixando passar réstias fulgentes de uma luz perene. Assim é que, à visão de cada traço de luz do amor de Deus que penetra as trevas do pecado deste mundo, o crente diz: “Eu não mereço!”

Graça é isso: o movimento de Deus na direção do homem a fim de transmitir sua própria natureza. É sobre esse movimento que Pedro escreveu:

"Visto como, pelo seu divino poder, nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude, pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis co-participantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo." (2Pd 1.3-4).

Como opera a graça de Deus? Certamente mediante a fé. A Palavra de Deus diz que a fé é uma certeza que pressupõe esperança, não como quem “torce” num jogo ou numa eleição, mas a certeza de algo que se conhece, mas que ainda não se vê (como esperar se não for conhecido? – ver Hebreus 11.1-6). No mesmo lugar, a Escritura diz:

"Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem. De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam."

Galardoador, aqui, não tem o sentido de recompensador de obras, mas da fé. Como diz Calvino (Comentário aos Hebreus), a intenção do autor de Hebreus é elevar nossa consciência para ver que nossa aproximação de Deus não será vã, pois ele mesmo nos criou para tal finalidade e propósito.


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Fonte: Todo mundo pensa – você também; Brasília: Monergismo, 2013, pp 52-54.
Via: Coramdeo
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Otimismo não é fé!

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Por Josemar Bessa


Vivemos numa época em que a igreja confunde pensamento positivo com fé. Mas é sutil, ao olharmos para os problemas da vida, da sociedade, da igreja... acharmos que o otimismo simplesmente é a chave...

Quem tem menos chance de sobreviver a um campo de prisioneiros de guerra? Provavelmente nenhum de nós experimentou tal situação... Quem tem menos chance de sobreviver?

Um otimista!

Espere antes de discordar. Segundo o general Stockdale, que foi mantido em cativeiro por oito anos durante a Guerra do Vietnã e foi torturado inúmeras vezes antes de finalmente ser liberto e voltar para casa, foi principalmente – quase em sua totalidade – os otimistas que não saíram de lá vivos.

Que explicação ele dá para isso? Ele diz: “Eles foram os únicos que disseram – ‘Nós vamos estar em casa até o Natal'. E o natal chegava e nada tinha acontecido. Então eles diziam, ‘Nós vamos estar em casa até a Páscoa’. E a Páscoa chagava e nada. ‘Estaremos em casa até o dia de Ações de Graças...’ Nada! E então seria no Natal novamente... E eles morreram de um coração partido e desiludido”

Mero otimismo é completamente diferente do que podemos chamar de fé realista: - “Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, ou vivamos ou morramos, somos do Senhor.” - Romanos 14:8

Em completo contraste com o que podemos chamar de falso otimismo, Stockdale atribui a sua sobrevivência a fé realista. Ele diz: “Você nunca deve confundir a fé que você por fim pode prevalecer sobre aquela situação, com o “otimismo” que faz esvair toda a disciplina para enfrentar os fatos mais brutais de sua realidade atual, seja o que ela possa ser no momento”.

Isso que é que podemos chamar de O Paradoxo Stockdale – A fé supera o otimismo! Ou seja, abandonar a ideia que é apenas uma miragem no deserto. Que temos balas de prata para matar o monstro... que tudo simplesmente vai se ajustar... mas que somos chamados a perseverar em meio as aflições – “Sabendo que a prova da vossa fé opera a paciência” - Tiago 1:3 – “...e nos gloriamos na esperança da glória de Deus. E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, E a paciência a experiência, e a experiência a esperança.” - Romanos 5:2-4

Devemos aplicar esse princípio as nossas vidas, nossos ministérios... Muitas vezes tudo que os cristãos fazem é entreter otimismo sem fim na “próxima grande coisa” – na próxima “grande estratégia” – no próximo “grande método” – no próximo “grande avanço”... em suas vidas, igrejas... A consequência é o aumento do número de cristãos, pastores, igrejas... desiludidos. Como disse Stockdale, “morrendo de corações partidos”.

Só podemos evitar isso abandonando todo otimismo centrado na próxima grande coisa, ministério, personalidade... no próximo grande sermão, técnica, estratégia, contextualização, filme, música... achando que isso será o ponto de virada para corrigir nossa vida, igreja... Tudo isso nos tira da realidade e por fim explode em nossa cara.

Devemos enfrentar a realidade brutal em nossas vidas, em nossas famílias, em nossas igrejas, em nossa sociedade... Tendo uma fé inabalável na Palavra de Deus. Na Sua promessa que não pode falhar de que ela nos fará perseverar: “Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar, e apresentar-vos irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória” - Judas 1:24 – Irá edificar a Sua igreja: “...edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” - Mateus 16:18 – Fará tudo cooperar para o bem daqueles que Ele chamou soberanamente: “E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.” - Romanos 8:28 – Quer vivamos, quer morramos: “Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, ou vivamos ou morramos, somos do Senhor.” - Romanos 14:8

Otimismo não é fé. Mas a fé é otimista.

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Palavra + Doutrina = Fé

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Por André R. Fonseca


Aqui estão alguns pensamentos a respeito de diversas coisas com base no texto de Tito 1:9. Não é nada sistematizado, mas quero mostrar como é importante ter a fé correta para a salvação. Pois não basta apenas ter fé, é preciso ter a fé correta, a fé depositada na pessoa certa. Nutrir a fé errada, equivocada, pode colocar em risco o “objetivo” da fé: a salvação. E vejo como impossível ter essa fé correta sem a Palavra e sem a teologia.

Outro dia no Facebook discutia com alguém que dizia: “não importa a teologia, o que interessa é ter fé em Cristo”. Mas a pergunta que fiz foi: Quem é Cristo? Se perguntarmos isso para um reformado, Cristo será alguém diferente daquele do pentecostalismo, ou do neopentecostalismo. Algumas nuances de quem é esse Cristo podem até não interferir na fé a ponto de colocar em risco a salvação; mas se essas diferenças de quem se crê que Cristo seja comprometerem a sua real identidade como revelado nas Escrituras, compromete-se também a salvação, pois estaríamos alimentando uma fé equivocada.

Permita-me recolocar o pensamento acima com um exemplo bíblico. Em determinado momento de seu ministério, Cristo pegunta a seus discípulos: “Quem o povo diz que o Filho do Homem é? Eles responderam: — Alguns dizem que o senhor é João Batista; outros, que é Elias; e outros, que é Jeremias ou algum outro profeta.  — E vocês? Quem vocês dizem que eu sou? — perguntou Jesus. Simão Pedro respondeu: — O senhor é o Messias, o Filho do Deus vivo. Jesus afirmou: — Simão, filho de João, você é feliz porque esta verdade não foi revelada a você por nenhum ser humano, mas veio diretamente do meu Pai, que está no céu.” Mateus 16:13-27

Julgando que Cristo mesmo aponta para os chutes do povo a respeito de sua identidade como incorretas diante do que ele diz a respeito da resposta de Pedro, ouso afirmar que esse exemplo serve para nos mostrar que a fé deve, sim, estar depositada em Cristo e sua obra; mas se erramos no compreender exatamente quem ele é e os efeitos de sua obra, podemos comprometer nossa salvação irremediavelmente. Não adianta enxergar cristo como profeta, ou grande sábio, ou semi-deus etc. Se Cristo não for exatamente aquele revelado pelas Escrituras, já era! Se não é assim, então o que acontece com as seitas e hereges? Se não reconhecemos uma determinada religião como autêntica e que pode nos conduzir à salvação por justamente não ver Cristo como Deus, negar a trindade etc, como podemos conviver com uma declaração tão vazia quanto: “não importa a teologia, o que interessa é ter fé em Cristo”?

A teologia é essencial para compor a imagem perfeita de quem é Cristo. É a nossa teologia que nos conduzirá à perfeita compreensão de quem ele é e de o que ele fez! É ignorância completa também dizer: “não importa a teologia, o que importa é a Palavra!”

Irmãos, a Palavra só é Palavra de Deus pura em natura enquanto está fechada. Quando abrimos nossas Bíblias para ler as santas letras, precisaremos entender; para entender, precisamos interpretar; e para interpretar precisamos de um método. Quando questionamos certas interpretações, as pessoas logo dizem que estamos contra as Escrituras, mas o que ela não entende é que estamos apenas contra sua compreensão particular das Escrituras! Não estamos dizendo que a Bíblia é mentirosa, mas que sua interpretação dela está equivocada. E como as pessoas falham em entender isso...

O método hermenêutico é o único meio cientificamente verificável pelo qual podemos ter a mínima certeza de que o que estamos entendendo é de fato entendimento e não apenas um achismo. Mas o método hermenêutico não é o único método norteador da interpretação do texto bíblico, precisamos também de uma teologia. Embora a teologia colabore com a hermenêutica na interpretação bíblica, ela não é soberana. A teologia deve mudar de acordo com a profundidade de sua compreensão do texto bíblico. Essas variações são naturais e amadurecem para um conhecimento teológico mais sólido ao longo do tempo. Enquanto a teologia precisa ser flexível, a hermenêutica precisa ser rígida o suficiente para não nos deixar viajar pelos textos com nossas imaginações férteis, compondo relações e leituras dos textos puramente fantasiosas. Muitos são os métodos hermenêuticos, o que acredito ser mais eficiente, coerente e produtivo para o desenvolvimento teológico, sermão expositivos etc é o método histórico-gramatical, herança dos reformadores para nossos dias. É o método mais empregado pela maioria dos pastores e exegetas até hoje! Recebeu esse nome justamente por nortear a interpretação do texto a partir de sua historicidade e estrutura do texto (grama/gramático) em análise.

Se não temos um método hermenêutico para guiar nossa interpretação, somado a um conhecimento prévio teológico, nossa compreensão de quem a Bíblia afirma ser o Cristo estará comprometida. Nossa fé não terá o fundamento que nos conduz à salvação. Estaremos enquadrado naquele grupo que errou feio quem era o Filho do Homem. Erramos por não conhecermos as Escrituras (Mateus 22:29) e precisamos acabar com essa fantasia de que misteriosa e misticamente compreenderemos as Escrituras por iluminação direta do Espírito Santo sem estudar teologia ou ler obras de referência. Lembre-se que o Espírito Santo derrama seus dons sobre a Igreja para sua edificação segundo a vontade de Deus. Para alguns, que são chamados de mestres (Efésios 4:11), o Espírito Santo concede essa compreensão dos “mistérios” das Escrituras para o nosso benefício. Não querer aprender com esses homens é negar a ação do Espírito Santo nesses grandes homens de Deus. Quando todos querem ser mestres, estão todos em rebelião contra Deus!

E por último, exponho o seguinte: é preciso ter como fonte norteadora de nossa fé aquilo que realmente vale a pena! Pelo amor de Deus, irmãos, não dá pra ler Rebecca Brown, por exemplo, e basear sua teologia em seus escritos. Quando os reformadores formularam o “Sola Scriptura” eles queriam garantir que somente as Escrituras fossem aceitas como textos sagrados e isentos de erros quanto à revelação de Deus. Brown não oferece consistência alguma com os textos bíblicos, e tudo vai muito de suas experiências pessoais (totalmente questionáveis) e interpretações particulares. Construa sua teologia com base nos textos bíblicos e não nos textos de Rebecca Brown que não podem ser comprovados e sequer harmonizados com os textos das Escrituras. O que a Rebecca Brown escreve (ou qualquer outro escritor) deve passar pelo crivo bíblico e não o contrário!

“Deve se manter firme na mensagem que merece confiança e que está de acordo com a doutrina. Assim ele poderá animar os outros com o verdadeiro ensinamento e também mostrar o erro dos que são contra esse ensinamento.” Tito 1:9

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Autor: André R. Fonseca
www.andreRfonseca.com
Twitter: @andreRfonseca

Quando não especificado, todos os textos bíblicos são citações da NTLH - Nova Tradução na Linguagem de Hoje da SBB.
Fonte da imagem: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Lectio_divina.jpg

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