Resposta do Rev. Ageu Magalhães ao Pr. Silas Malafaia

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Neste vídeo o Rev. Ageu Magalhães refuta biblicamente o Pastor Silas Malafaia, referente ao vídeo que Silas divulgou criticando os calvinistas e a doutrina bíblica da predestinação. Assista:



Último vídeo, gravado em resposta ao 3º vídeo de Silas Malafaia:


Irmãos, acabo de assistir ao terceiro vídeo do Silas Malafaia. Muitos me pediram para fazer um novo vídeo respondendo aos ataques, mas não vou fazê-lo pelas seguintes razões:


1. Silas apenas repetiu os ataques dos vídeos anteriores. Nada de novo. Os mesmos ataques.

2. A Bíblia nos ensina que “é necessário que o servo do Senhor não viva a contender” (2Tm 2.24). Eu não vou passar o resto da vida respondendo a ele. Deus me deu outras responsabilidades.

3. Eu tinha esperanças (e orei por isso) para que os meus vídeos, de alguma forma, o fizessem rever sua linguagem e sua postura. Mas não aconteceu, infelizmente.

4. Os argumentos que refutaram os ataques dele quanto à doutrina bíblica da Predestinação estão disponíveis na rede e podem ser vistos pelos que têm dúvidas aqui:


Enfim, é triste ver alguém que acaba “representando” o povo evangélico perante a mídia, mas não se parece com nosso Senhor Jesus Cristo. Infelizmente, ele não muda o tom, a ironia, o sarcasmo e o jeito debochado de atacar.

Que Deus tenha misericórdia dele e abra os olhos daqueles que o seguem: Quem entre vós é sábio e inteligente? Mostre em mansidão de sabedoria, mediante condigno proceder, as suas obras. Se, pelo contrário, tendes em vosso coração inveja amargurada e sentimento faccioso, nem vos glorieis disso, nem mintais contra a verdade. Esta não é a sabedoria que desce lá do alto; antes, é terrena, animal e demoníaca. Pois, onde há inveja e sentimento faccioso, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins. A sabedoria, porém, lá do alto é, primeiramente, pura; depois, pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem fingimento. Ora, é em paz que se semeia o fruto da justiça, para os que promovem a paz. Tiago 3.13-18. Que Deus abençoe a todos.

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Autor: Rev. Ageu Magalhães
Fonte: Página oficial do autor no Facebook
Divulgação: Bereianos
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Objeções à doutrina da eleição soberana de Deus

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Esta edição de Sound of Grace lida com alguns dos argumentos usados por aqueles que discordam com a visão histórica de que a Bíblia fala sobre “eleição”. Uma das objeções mais comuns é algo parecido com isso:

“Eu concordo de coração que Deus ‘escolhe algumas pessoas para serem salvas’. Entretanto, Sua escolha é baseada inteiramente em Sua presciência. Como Deus vê o futuro e ‘prevê’ todas as coisas que acontecerão, Ele claramente pré-conhece aqueles que desejarão aceitar Jesus quando a oportunidade for apresentada. Deus, com base nessa ‘presciência’ (conhecimento prévio), escolhe aqueles que Ele ‘prevê’ que aceitarão a Cristo por seu próprio livre-arbítrio”.

Não é necessário pensar muito para ver que esta ideia nega completamente que Deus, no sentido que for, soberanamente escolhe homens para salvação. De forma simples, uma visão como esta, na verdade, diz o seguinte:

O marco zero da vontade de Deus

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Era sempre inverno, nunca Natal.

Em O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa de C.W. Lewis, a terra de Nárnia estava sob o cruel domínio da Feiticeira Branca. Mas, Aslan estava a caminho. Quando a feiticeira e o leão finalmente se encontraram, ela diz a Aslan que uma das crianças, Edmundo, revelara-se um traidor. A lei de Nárnia dizia que todo traidor pertence à Feiticeira Branca e deve ser punido com morte.

Então, Aslan propõe um acordo e concorda em morrer no lugar de Edmundo. Mas, Aslan então ressuscita. Quando ele retorna, as crianças ficam confusas.

“Mas, o que tudo isso significa?”, perguntou a irmã de Edmundo, Susana.

“Explico”, disse Aslan, “a feiticeira pode conhecer a Magia Profunda, mas não sabe que há outra magia ainda mais profunda. O que ela sabe não vai além da aurora do tempo. Mas, se tivesse sido capaz de ver um pouco mais longe, de penetrar na escuridão e no silêncio que reinam antes da aurora do tempo, teria aprendido outro sortilégio. Saberia que, se uma vítima voluntária, inocente de traição, fosse executada no lugar de um traidor, a mesa estalaria e a própria morte começaria a andar para trás”.

Por trás da cortina da Eternidade

Neste conto infantil, Lewis magistralmente expõe o cerne da nossa redenção. E ele nos ajuda a enxergar o amor do Deus triúno por nós “no silêncio que reinava antes da aurora do tempo”. Ali, na eternidade passada, Pai, Filho e Espírito conspiraram amar um povo para si. Eles determinaram criar-nos e – sabendo que arruinaríamos a sua boa criação – também decidiram fixar seu amoroso e eterno olhar em nós, como filhos escolhidos, valiosos e particulares.

É uma pena que a doutrina bíblica do “decreto de Deus” (como os teólogos a chamam) e sua glória predestinadora tenha azedado para tantos cristãos. Quando algo tão biblicamente rico e espiritualmente nutritivo torna-se tão desagradável ao paladar que nos recusamos a consumi-lo, precisamos reconsiderar nossa dieta.

No silêncio antes do tempo

No primeiro capítulo de Efésios, o apóstolo Paulo fica tão perplexo com a majestade de nossa redenção que mal consegue parar para colocar pontuação em suas declarações. Assim, sua longa e única sentença vai do verso 3 ao verso 11. Mas o que permeia cada poro dessa longa frase é seu começo:

Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo, assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele. os predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade” (Efésios 1.3-5).

O servo de Deus é inspirado pelo Espírito de Deus a nos mostrar o que Deus fazia antes do mundo começar. Nesses versos, temos o que somente Deus pode nos dar: um vislumbre do eterno momento de seu glorioso plano. O Deus triúno preparou cada detalhe do projeto de seu reino eterno. Não somente ele planejou tudo, mas ele mesmo operou todo aquele projeto de acordo com o conselho de sua soberana vontade (Efésios 1.11).

Sem o sólido alimento dessa verdade bíblica, nossas almas esmorecerão. A não ser que escutemos a eternidade, desenvolveremos catarata espiritual. Para ver claramente, precisamos primeiro ouvir claramente. Devemos ocupar nossas mentes com o transcendente para que o imanente tenha o seu lugar adequado em nossas vidas.

Não a nós, Senhor

Paulo começa bendizendo Deus Pai pelo que ele cumpriu em seu Filho. Mas, ele não nos permite que o foco seja esse cumprimento em nós. Seu interesse imediato não são os benefícios que recebemos de Cristo, por mais importantes que sejam. Sua mente imediatamente vai do louvor a Deus à eterna escolha de Deus. O interesse de Paulo é nos ajudar a ver que o que temos do Pai, por meio do Filho, é resultado da determinação do Pai “antes da fundação do mundo” de nos amar de tal forma que nos salvaria de nossos pecados.

Nós acabamos de ter outro ano olímpico. Atletas americanos ganharam um número recorde de medalhas. Esses atletas dedicaram todas as suas vidas a suas tarefas atléticas. É natural, então, que eles tenham orgulho de suas conquistas.

Porém, o cristão jamais pode pensar que a salvação que temos em Cristo é algo semelhante aos rigores do treinamento esportivo. Não somente não conquistamos nada do que temos em Cristo, como o que temos é resultado das decisões tomadas pelo Deus triúno antes que nós, ou alguma outra coisa na criação, sequer existisse.

Quem fica com a glória?

Muitos cristãos reconhecem que, fora de Cristo, não há salvação. Porém, muito poucos reconhecem que nossa salvação teve seu princípio antes do tempo começar. Foi ali que o Deus triúno determinou amar você pela eternidade. Foi ali que o Filho não considerou o fato de ser igual a Deus algo a que devesse se apegar, mas esvaziou-se a si mesmo, sendo obediente até a morte em uma cruz (Fp 2.6-8).

Até que vejamos essa determinação divina como o “marco zero” eterno da nossa salvação, nossa adoração a Deus está simplesmente incompleta. Se Deus não iniciou unilateralmente, desde a eternidade, seu soberano plano de salvação por mim, então minha salvação deve, mesmo que de um jeito bem pequeno, ficar “por minha conta”. Se contribuímos em algo para nossa salvação, nossos cânticos de louvor à glória de Deus sempre estarão tocando nossa própria melodia em tom menor.

Paulo não nos permite ter parte na eternidade passada; nós podemos olhar, mas não tocar. Somente desta forma a luz brilhará no lugar certo – no palco, não na audiência. Somente dessa forma é possível dizer “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo” sem sussurrar baixinho,“e eu também”.

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Autor: K. Scott Oliphint 
Fonte: desiringGod
Tradução: Josaías Jr
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Uma pequena nota sobre a Perseverança dos Santos

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A DOUTRINA DA PERSEVERANÇA DOS SANTOS diz respeito à preservação da salvação do eleito. Trata-se de uma afirmação de que o que Deus começa, ele completa. Louis Berkhof definiu a perseverança dos santos como segue: "A perseverança pode ser definida como a contínua operação do Espírito Santo no crente, pela qual a obra da graça divina que é iniciada no coração, é continuada e levada à conclusão" (Systematic Theology).

Registre-se que tal perseverança é na graça de Deus e na fé, e fé definida em termos de fiducia, de confiança na suficiência dos méritos de Cristo, de descanso quanto à perfeição do seu poder para levar a salvação da pessoa à sua plena realização. A Confissão de Fé de Westminster, Padrão doutrinário presbiteriano, no capítulo 17.1, afirma de maneira suficientemente clara: "Aqueles a quem Deus aceitou em seu Amado, chamou eficazmente, e santificou por seu Espírito, nunca podem cair total nem finalmente DO ESTADO DE GRAÇA, mas, certamente perseverarão até ao fim, e serão eternamente salvos". James Montgomery Boice e Philip Graham Ryken definem a perseverança dos santos da seguinte maneira: "Ela é a verdade de que aqueles que foram levados à fé em Jesus Cristo - conhecidos de antemão e predestinados à fé por Deus desde a eternidade passada, tendo sido chamados, regenerados e justificados nesta vida e de tal modo colocados no caminho para a glorificação final que se pode falar nessa glorificação como algo já concluído - nunca serão e jamais poderão ser perdidos" (As Doutrinas da Graça. p. 177).

A doutrina da perseverança trata da imperecibilidade do relacionamento de amor, iniciado pela livre graça, entre Jesus Cristo e a pessoa. A doutrina da perseverança dos santos não ensina que, por causa da obra do Espírito Santo no coração do pecador, este está isento ou imune a cometer pecados específicos. A bem da verdade, o único pecado do qual o eleito é preservado e, por essa razão, jamais o cometerá, é a blasfêmia contra o Espírito Santo, definido pelo próprio Jesus como o único pecado, a única blasfêmia sem perdão (Mateus 12.31). Mais uma vez citando Boice e Ryken, eles fazem algumas observações a respeito do que a perseverança dos santos não significa: "1. Perseverança não significa que os cristãos são imunes a todo perigo espiritual só por serem cristãos [...] 2. Perseverança não significa que os cristãos são sempre impedidos de cair em pecado, só por serem cristãos" (op. cit., p. 178). Dessa maneira, é preciso compreender que "perseverança não significa que os cristãos não cairão, mas apenas que eles não se perderão" (op. cit., p. 178).

A perseverança dos santos não imuniza o crente de cometer determinados pecados nem estabelece um index de causa mortis inaplicáveis aos crentes. Esta bendita e gloriosa doutrina ensina que o pecado não terá a vitória final sobre o crente, a saber, quebrar a sua comunhão, o seu vínculo de amor com o doce Redentor. Jesus afirmou algo belo, em João 10.27-29: "As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar". Algumas expressões nesse texto precisam saltar aos nossos olhos: "JAMAIS perecerão", "NINGUÉM as arrebatará da minha mão", "aquilo que o Pai me deu é maior do que TUDO" e "e da mão do Pai NINGUÉM pode arrebatar". A metáfora utilizada nos proporciona uma terna imagem pastoral da verdade de que o próprio Cristo, que nos salvou, assume a responsabilidade de me guardar da danação eterna. Ninguém pode me arrebatar da sua mão. Nem mesmo eu. Ainda que eu abra as minhas mãos, na tentativa de me soltar, ele me sustentará firme. Eu nunca me apartarei definitiva e completamente do meu Salvador. E mais, a segurança retratada na passagem é dupla, por assim dizer. Somos agarrados pelo Pai e pelo Filho.

A mesma verdade é afirmada pelo apóstolo Paulo numa passagem clássica sobre a segurança da salvação e o caráter absoluto da justificação pela fé: "Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas? Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós" (Romanos 8.32-34). Nos versículos seguintes, o apóstolo assevera, de maneira enfática, que ninguém, absolutamente ninguém, pode separar um eleito do amor de Deus em Cristo Jesus: "Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor" (vv. 8.35-39). Chamo a atenção para dois detalhes importantes dessa passagem.

O primeiro deles é que é muito interessante a referência à "morte" no versículo 38. O apóstolo Paulo fala de morte (thánatos) de modo generalizado, ou seja, a morte, em suas mais variadas formas, não é capaz de nos apartar do amor de Deus em Cristo Jesus. O segundo detalhe é a afirmação de Paulo, no sentido de que ninguém pode nos condenar, uma vez que Jesus morreu por nós, ressuscitou por nós e está à direita de Deus intercedendo por nós (v. 34). Precisamos dar o devido peso, a devida importância à continuidade da obra sacerdotal de Jesus no céu. Ele não apenas morreu por nós na cruz do Calvário. Ele não apenas levantou da sepultura para a nossa justificação, mas ascendeu aos céus e, como coloca o autor aos Hebreus: "também pode SALVAR TOTALMENTE os que por ele se chegam a Deus, vivendo SEMPRE PARA INTERCEDER POR ELES" (7.25). Podemos contar com a intercessão do nosso precioso Redentor, inclusive no momento em que, à semelhança de Cristão, tivermos que atravessar o caudaloso rio da morte. Não podemos fazer outra coisa, senão bradar juntamente com o apóstolo Paulo: "Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?" (1Coríntios 15.55).

Você que lê esta nota precisa se firmar nesta verdade: "O Salvador que ordenou a tua salvação antes da fundação do mundo, que enviou seu Filho para viver e morrer por você na cruz do Calvário, que enviou o seu Espírito reivindicar você como seu filho, nunca deixará você. E nem mesmo a aproximação da morte pode agora apartar você de Cristo, pois é Cristo quem te sustenta. Ele manterá você seguro no caminho para casa" (Michael A. Milton. What Is Perseverance of the Saints? p. 31).

Ah, como precisamos resgatar a devida compreensão desta bendita verdade. Na verdade, a saúde das nossas igrejas passa pela recuperação das antigas doutrinas da graça. O puritano Thomas Watson percebeu a importância dessa bendita doutrina: "O principal conforto de um cristão depende dessa doutrina da perseverança" (A Body of Divinity. p. 279).

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Autor: Rev. Alan Rennê Alexandrino Lima
Fonte: Perfil do autor no Facebook
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A TULIP e o Dogma Romano - Um estudo comparativo entre a soteriologia Calvinista e Católico Romana

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A Confissão de Fé de Westminster diz que tudo o que precisamos saber para nossa salvação, “ou é expressamente declarado na Escritura ou pode ser lógica e claramente deduzido dela” (CFW I.6). Jesus assevera: “Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora” (Jo 6:37). De fato, essa palavra não poderia ser mais clara. Nossa salvação não acontece por acaso, ela está bem definida dentro do plano eterno do Pai, foi executada com perfeição pelo Filho e é aplicada eficazmente pelo Espírito. 

Por isso, o calvinismo sustenta que a salvação é um ato da livre e exclusiva graça de Deus, visto que o homem está morto espiritualmente (Ef 2.1) e não pode responder à oferta de reconciliação, de modo que Deus mesmo transforma a sua vontade ao lhe regenerar o coração (At 16.14). 

Porque todos os arminianos são calvinistas

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Quero apresentar um argumento contra o arminianismo baseado em uma falha interna dentro do esquema arminiano de predestinação.

Meu argumento, em poucas palavras:

“A posição arminiana sobre a predestinação é inescapavelmente calvinista (mais ou menos). Por causa disso, a única opção é aceitar o teísmo aberto ou o calvinismo”.

No século XVI, o teólogo católico romano e jesuíta Luis de Molina (1535–1600) propôs a ideia do conhecimento médio, mais tarde adotada (mas modificada) por Jacob Armínio (1560–1609).

Essa posição ficou conhecida como Molinismo. Pode ser que o “conhecimento médio” de Molina refere-se a liberdade de escolha, não predestinação. Mais tarde, os arminianos sequestraram o conhecimento médio de Molina para seus propósitos pessoais. Em outras palavras, Molina não é o vilão que presumimos, o que coloca os arminianos em uma posição precária de serem meio que inovadores.

Geralmente, os arminianos defendem que Deus poderia saber, antes de escolher indivíduos, o que um certo número de seres humanos, que são livres, fariam em certas circunstâncias. Em outras palavras, Deus sabe o que acontecerá e o que poderia acontecer sob certas condições.

Como resultado, para o arminiano, Deus elege baseado em seu “conhecimento médio” de que certos indivíduos responderão favoravelmente ao evangelho sob circunstâncias específicas. Deus não elege independente e incondicionalmente em Cristo, mas “reage” à escolha de um ser finito, a qual ele conheceu de antemão. Ele escolhe baseado em um condição futura (escolha).

Se a presciência de Deus depende de condicionais futuras, devemos perguntar se ela é ignorante em algum sentido (daí, o “teísmo aberto”). Mas, isso é um assunto pra outra hora.

No esquema arminiano, Deus “vê” o que aconteceria baseado em uma condicional futura e, então, escolhe com base no que ele “vê” acontecer em um mundo puramente condicional. Nesse esquema, Deus conhece condicionais condicionalmente.

Em resumo, o arminianismo introduz uma categoria separada, na qual a decisão humana se torna o fator causal que determina o evento. Essa é uma forma de semi-pelagianismo.

Entretanto, há uma falha para a qual eu gostaria de chamar atenção neste esquema, e uma que não vi ainda proposta antes. Pode ser que alguém tenha feito isso, mas não li ainda esse argumento em particular.

A Falha

Primeiro, certamente todos nós concordamos que Deus tem conhecimento de todos os mundos possíveis. Seu conhecimento não é limitado a um mundo, mas a todos os mundos possíveis no qual há um número infinito de possibilidades (por exemplo, não há cachorros em um certo mundo).

Por causa de sua liberdade absoluta, Deus não foi coagido a criar esse mundo particular em que vivemos. Teoricamente, ele poderia ter criado um mundo diferente em particular com base em seu conhecimento de um número infinito de outros mundos possíveis.

Ao eleger com base em uma condição futura, Deus está elegendo com base em um certo mundo possível que, então, ele escolhe trazer à existência. Daí, este mundo em que vivemos.

Neste mundo (i.e., um mundo possível A), ele escolhe a {pessoa x} com base na fé prevista.

Mas, neste mesmo mundo, ele não escolhe a {pessoa y} porque não houve fé prevista.

A pessoa x está predestinada à vida eternal, mas a pessoa y não está. Tudo porque a pessoa x creu (pela liberdade de sua vontade) com base em uma condicional futura.

Entretanto, em outro mundo possível (i.e., mundo possível B), a {pessoa y} crê, enquanto a {pessoa x} não.

Devemos nos perguntar o seguinte:

Por que Deus escolheu trazer à existência o mundo possível A, mas não o mundo possível B?

Ele escolheu assim, diz o calvinista, por causa de sua decisão livre e soberana de criar o mundo possível A, mas não o mundo possível B. Mas, o arminiano deve conceder que Deus, assim, elege um mundo no qual alguns creem e outros não, quando ele poderia ter eleito um mundo diferente no qual os resultados seriam diferentes. No final, a eleição ainda é, em última análise, escolha de Deus.

Deus poderia ter trazido à existência o mundo possível B? Claro. O fato de que ele não traz à existência o mundo possível B mostra que, portanto, ele está elegendo a {pessoa x} e não a {pessoa y} porque ele poderia ter criado um mundo possível diferente (mundo possível B) onde a {pessoa y} seria salva.

No fim, para o arminiano, Deus ainda elege. Ele elege um certo mundo no qual alguns têm a fé prevista e outros não, quando, de fato, ele poderia ter escolhido criar um mundo diferente em que pessoas diferentes seriam salvas. O arminiano não consegue escapar da eleição soberana. Em certo sentido, o arminiano ainda é um calvinista, ainda que um “calvinista anônimo”.

Claro, o conhecimento médio é uma bobagem. É semi-pelagiano. Ele se rende ao deus da liberdade humana e torna Deus um servo dos homens. Mas, mesmo quando isso é feito, o arminiano não pode escapar de uma forma de calvinismo onde, em última análise, Deus elege com base em sua escolha soberana. Não surpreende, então, que tantos arminianos tenham se tornado socinianos ou virado teístas abertos. Ou eles se voltam para Leibniz e argumentam que Deus escolheu este mundo porque é o melhor de todos os mundos possíveis.

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Autor: Mark Jones
Fonte: The Calvinist International
Tradução: Josaías Jr 
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Depravação Total - Graças a Deus pela Eleição em Cristo

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Desde a queda de Adão, todos nascem espiritualmente separados da presença de Deus ou espiritualmente mortos e, assim, dependem de uma intervenção divina que é a regeneração para a vida para a qual são incapazes. O texto de Efésios 2. 1 – 10 nos fornece material para podemos entender que estávamos mortos, a nossa natureza era mundana, fomos salvos pela graça de Cristo, não podemos nos gloriar e somos criados em Cristo. Assim, para o homem não resta capacidade alguma que o possibilite alcançar a salvação de sua vida a não ser que a misericórdia e a graça de Deus o alcance e o regenere para a vida eterna. O autor R. K. McGregor Wright escreve que “as aspirações morais da alma não-regenerada são limitadas espiritualmente pelo seu próprio compromisso com os princípios da natureza adâmica” (p. 120)¹. Conclui-se, portanto, que as inclinações do ser humano estão comprometidas por sua natureza caída, carecendo do amor de Deus para socorrê-la.


Nesta condição o homem é escravo de sua natureza pecaminosa, podendo ser liberto apenas e somente pelo poder da cruz de Cristo. O autor Tim Chester, sobre a cruz de Cristo em seu livro Sobre o Deus Trino, escreve que “a cruz não é somente um ato de redenção. É também ato de revelação” (p. 72)². A partir dessa ideia de Tim podemos perceber que o ato da regeneração é a revelação de um salvador capaz ao homem perdido e prisioneiro de sua natureza pecaminosa. Assim, como está na CFW, “Quando Deus converte um pecador e o transfere para o estado de graça, Ele o liberta de sua natural escravidão ao pecado e, somente por sua graça, o habilita a querer e a fazer com toda liberdade o que é espiritualmente bom” (P. 90)³.

Qual o conceito de Depravação Total, afinal? Augustus H. Strong escreve que “a expressão 'depravação total', contudo, é passível de falsa interpretação, e não deve ser usada sem qualquer explicação” (vol II, p. 1128)⁴. Para Augustus o pecador não é “destituído de consciência [...] desprovido de todas as qualidades agradáveis ao homem e úteis quando julgadas segundo os padrões humanos [...] inclinação para toda sorte de pecado [...] o seu mais intenso egoísmo e oposição á Deus” (vol II, p. 1128)⁵. Assim, “depravação total” não quer dizer que as faculdades inerentes do ser humano não produzam resultados bons na esfera humana. 

O conceito sobre “depravação total” apresentado por Millard J. Erickson está da seguinte maneira: “já comentamos (p. 605 - 8) a questão da depravação total, que não significa que os seres humanos sejam tão perversos quanto poderiam ser, mas, sim, que são totalmente incapazes de fazer algo para se salvarem ou para se libertarem de sua condição pecaminosa” (p. 771)⁶. O mesmo autor deixa bem claro, em relação à aceitação da oferta de salvação, que “a posição adotada aqui não é a de que os que são chamados que Deus devem obrigatoriamente responder, mas a de que Deus torna a sua oferta tão atraente que eles responderão de forma afirmativa” (p. 898)⁷.

Sobre este conceito Wayne Gruden afirma que “não é certo dizer que algumas partes de nós são pecaminosas, e outras puras. Antes, cada parte do nosso ser está maculada pelo pecado – o intelecto, as emoções e desejos, o coração [...] as metas e motivos e até mesmo o corpo físico” (p. 409)⁸. Portanto, para Gruden, todas as partes do ser humano estão afetadas pelo pecado, impossibilitando o mesmo a alcançar a salvação.

Charles Hodge, sobre a doutrina do pecado original, escreve a respeito da incapacidade do homem para fazer de si próprio algo espiritualmente bom, e assim descreve três argumentos que permeiam o pensamento da igreja que são a doutrina pelagiana, a semipelagiana e a doutrina agostiniana que “ensina que tal é a natureza da depravação inerente e hereditária, que os homens, desde a queda, são totalmente incapazes de converter-se a Deus, ou de fazer algo verdadeiramente bom diante Dele” (p. 675)⁹, e aponta que as confissões reformadas que subscrevem a respeito.

Joel R. Beeke e Mark Jones, sobre o pecado original, em sua obra diz que “o homem é culpado não apenas de ter participado, por representação, da transgressão de Adão no jardim, mas também de uma contaminação universal, total e pecaminosa, espalhadas por todas as faculdades da alma e do corpo, com uma inexistência ou falta de todo bem e com uma inclinação para todo o mal” (p. 314)¹⁰.

Então, em linhas gerais, Depravação Total seria, conforme McGregor, “doutrina segundo a qual a natureza caída do homem, incluindo a vontade, está totalmente escravizada ao pecado, sendo incapaz de escolher o bem” (p. 242)¹¹, inclusive se salvar.

Então, graças a Deus que quis, segundo o seu amor, revelar-se aos seus eleitos pela cruz de Cristo, para das trevas resgatá-los para o seu eterno Reino. Sem esta intervenção seria impossível para qualquer homem alcançar, por qualquer meio, a graça do Nosso Senhor Jesus.

Amém.

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Notas:
[1] WRIGHT, R. K. McGregor. A soberania banida. 2 ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2007. 256 p.
[2] CHESTER, Tim. Conhecendo o Deus Trino: porque Pai, Filho e Espírito Santo são as boas novas. São Paulo: Fiel, 2016. 187 p.
[3] Confissão de fé de Westminster. 17 ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2008. 240 p.
[4] STRONG, Augustus H. Teologia Sistemática. 2 ed. rev. São Paulo: Hagnos, 2007.
[5] Idem.
[6] ERICKSON, Millard. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 2015. 1232 p.
[7] Idem.
[8] GRUDEN, Wayne. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 1999.
[9] HODGE, Charles. Teologia Sistemática. São Paulo: Hagnos, 2001.
[10] BEEKE, Joel R.; JONES, Mark. Teologia puritana: doutrina para a vida. Paulo: Vida Nova, 2016.
[11] WRIGHT, R. K. McGregor. A soberania banida. 2 ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2007. 256 p.

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Autor: Seminarista Rogério Vilaça
Divulgação: Bereianos
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Sobre os “Iluminados” de Hebreus 6

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O texto em foco diz:

É impossível, pois, que aqueles que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro, e caíram, sim, é impossível outra vez renová-los para arrependimento, visto que, de novo, estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo-o à ignomínia. Porque a terra que absorve a chuva que frequentemente cai sobre ela e produz erva útil para aqueles por quem é também cultivada recebe bênção da parte de Deus; mas, se produz espinhos e abrolhos, é rejeitada e perto está da maldição; e o seu fim é ser queimada.” (Hb 6.4-8)

A primeira observação que deve ser feita a respeito de Hebreus 6.4-8, é que, trata-se, nos dizeres de Geerhardus Vos, de uma “difícil e importante passagem” sobre a aliança de Deus com o seu povo.[1] A razão dessa dificuldade está no fato de o autor da epístola mencionar especificamente o aspecto fenomenológico da religião nessa perícope.[2]

Os “.” de Hebreus 6.4-8 eram pessoas que “abandonaram esta assembleia dos santos”.[3] Eram pessoas não-regeneradas, não-eleitas, incrédulas que durante algum tempo fizeram parte de uma igreja visível, mas que apostataram. Muito se questiona acerca de como pessoas ímpias puderam “provar” de vários benefícios, como por exemplo:

1) do dom celestial; 2) da participação comum do Espírito Santo; 3) da boa palavra de Deus; e 4) dos poderes do mundo vindouro. Como tais pessoas puderam desfrutar, em alguma medida, de bênçãos destinadas àqueles que foram os beneficiários diretos do sacrifício substitutivo de Cristo?

D. Mathewson, no seu artigo intitulado Reading Heb 6:4-6 in Light of the Old Testament, lança luz sobre esse questionamento, ao afirmar que, “a linguagem do autor em 6.4-6 é colorida por referências do AT que aludem e ecoam como citação direta”.[4] De forma específica, Mathewson sugere que a referência àqueles que foram “iluminados” lembra a coluna de fogo que alumiou os israelitas através do deserto.[5] Algumas passagens veterotestamentárias podem demonstrar o ponto. Neemias 9.12,19 diz o seguinte:

Guiaste-os, de dia, por uma coluna de nuvem e, de noite, por uma coluna de fogo, para lhes alumiar o caminho por onde haviam de ir [...] Todavia, tu, pela multidão das tuas misericórdias, não os deixaste no deserto. A coluna de nuvem nunca se apartou deles de dia, para os guiar pelo caminho, nem a coluna de fogo de noite, para lhes alumiar o caminho por onde haviam de ir.

O “dom celestial” lembra o dom celestial do maná, que foi dado por Deus ao seu povo quando este se encontrava no deserto (Êxodo 16.15). Em Neemias 9.15 é dito que o pão celestial foi dado aos israelitas “na sua fome”. Por sua vez, a referência àqueles que “se tornaram participantes do Espírito Santo” ecoa a experiência dos peregrinos do deserto, que “tinham extensiva interação com o Espírito de Deus”[6], como é testemunhado em Neemias 9.20: “E lhes concedeste o teu bom Espírito, para os ensinar; não lhes negaste para a boca o teu maná; e água lhes deste na sua sede”.

Após considerar os elementos descritos em Hebreus 6.4-6, Mathewson conclui:“O autor não está apenas aludindo a textos fragmentados e a vocabulário isolado para apresentar uma retórica colorida, mas por aludir a textos que pertencem a uma enorme matriz de idéias ele está evocando o contexto inteiro e história da experiência de Israel no deserto”.[7]

Quando se leva em consideração que os destinatários dessa epístola eram cristãos judeus, essa interpretação se mostra bastante plausível. O autor de Hebreus utiliza a linguagem do Antigo Testamento para descrever um abandono doloroso de uma congregação por parte de algumas pessoas.

Dessa forma, a iluminação recebida, o dom celestial provado e o Espírito compartilhado se mostram bênçãos da graça comum de Deus destinada a pessoas ímpias ou, nas palavras de Charles Hodge, “influências do Espírito concedidas a todos os homens”.[8] Tais pessoas, “tiveram um claro entendimento do juízo de Deus sobre o mundo, das promessas de Deus, o desvendar do mundo futuro; tiveram uma clara distinção do juízo, bem como provaram dos milagres da era apostólica”, afirma o teólogo genebrino Matthew Poole.[9]

No seu comentário a respeito do versículo 4, João Calvino endossa a opinião de que mesmo os réprobos recebem algumas chispas da luz divina:

Mas aqui surge uma nova questão, como pode que aqueles que fizeram tal progresso venham a apostatar depois de tudo? Pois Deus, isso pode ser dito, não chama ninguém eficazmente a não ser os seus eleitos, e Paulo testifica que eles realmente são seus filhos e que são guiados por seu Espírito (Romanos 8.14) e ele nos ensina que, é um seguro penhor de adoção quando Cristo nos faz participantes do seu Espírito. O eleito também está além do perigo da apostasia final; pois o Pai que o elegeu para ser preservado em Cristo é maior do que tudo, e Cristo promete vigiar por eles de maneira que nenhum pereça. A tudo isso, eu respondo que Deus, de fato, favorece apenas os seus eleitos com o Espírito de regeneração e que, por isso eles são distinguidos dos réprobos; pois eles são renovados segundo a sua imagem e recebem a seriedade do Espírito na esperança da herança futura, e pelo mesmo Espírito o Evangelho é selado em seus corações. Mas eu não posso admitir que tudo isso seja alguma razão pela qual Ele não conceda também aos réprobos algum sabor da sua graça, que Ele não irradie suas mentes com algumas chispas da sua luz, ou não lhes dê alguma percepção da sua bondade, e de alguma maneira grave sua palavra em seus corações. De outra forma, o que viria a ser a fé temporal mencionada em Marcos 4.17? Portanto, existe algum conhecimento mesmo nos réprobos, o qual posteriormente vem a desvanecer, porque não possui raízes suficientemente profundas, ou porque elas murcham ao serem sufocadas.[10]

O que pode ser apreendido a partir desse comentário é que, de acordo com Calvino, bênçãos fluidas da obra expiatória de Cristo e destinadas diretamente aos eleitos e salvos como, por exemplo, a iluminação, o dom celestial da Palavra e a comunhão no Espírito, podem ser destinadas, ainda que de forma indireta a pessoas ímpias e incrédulas. Como Grudem acertadamente frisa, “a graça especial, que Deus dá aos salvos, leva a maior parte das bênçãos da graça comum aos incrédulos que vivem no campo de influência da igreja”.[11]

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Notas:
[1] Geerhardus Vos. The Teaching of the Epistle to the Hebrews. Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1956. p. 28.
[2] Ibid.
[3] Moisés Bezerril. A Queda dos Iluminados de Hebreus 6.4-6. p. 16. Acessado em 18/08/2011.
[4] D. Mathewson. “Reading Heb 6:4-6 in Light of the Old Testament”, In: Westminster Theological Journal. Ed. 61. 1999. p. 214.
[5] Ibid. p. 216.
[6] Ibid. p. 217.
[7] Ibid. p. 223.
[8] Charles Hodge. Teologia Sistemática. São Paulo: Hagnos, 2001. p. 981.
[9] Matthew Poole. A Commentary on the Whole Bible: Matthew – Revelation. Vol. 3. Edinburgh: The Banner of Truth Trust, 2003. p. 737.
[10] John Calvin. Commentary on Hebrews. Grand Rapids, MI: Christian Classics Ethereal Library, 2000. p. 94. Acessado em 25/Ago/2011. 
[11] Wayne Grudem. Teologia Sistemática. p. 554.

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Autor: Rev. Alan Rennê Alexandrino Lima
Fonte: Electus
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Sobre a resposta de um arminiano ao Granconato

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Anda circulando na internet a resposta de um arminiano ao Granconato, sobre o texto de Mt 11:21-24. Não vou tratar sobre esse texto. Deixo os comentários para os exegetas de plantão. Quero falar sobre a presciência divina como a solução mágica para explicar o caráter divino.

Para o arminiano, não existe qualquer possibilidade de coexistência da eleição incondicional, vulgo predestinação, com o amor, misericórdia e justiça divinos. Ou Deus é estas três últimas coisas ou ele predestina. Na percepção de muitos respeitáveis e dedicados teólogos, Deus eleger de acordo unicamente com a sua vontade o tornaria um cruel e desamoroso tirano, pois estaria impedindo que alguns fossem ao céu, ao mesmo tempo que a outros concederia  esse privilégio de “mão beijada”. Está bem, então, vamos trabalhar com a mesma lógica, mas em sentido oposto.

Ora, sendo Deus bom, amoroso, misericordioso e justo, ele deveria conceder, pela lógica arminiana, a todos os homens iguais oportunidades de conversão e “acesso” a sua graça. Mas nós sabemos que isso não acontece. Deus não dá a todos os homens a mesma chance de conversão. Alguns ouvem o evangelho uma vez, outros uma centena. Há quem se converta somente na centésima. E então, como é que fica a justiça divina nesse caso?

Seguindo em frente, vamos considerar agora que Deus prevê quem irá se converter e quem não, e partir para uma ilustração. José e João têm, hoje, dez anos. Deus já viu que José se converterá, e que João não. Imaginemos agora que você tivesse acesso a essa informação. Você até poderia pregar para João, mas saberia que ele sempre permaneceria na incredulidade. “Sim, claro, por escolha dele”, objeta o arminiano. Mas seja sincero: não lhe parece o destino de João tão determinado quanto o de um não predestinado? Para se livrar dessa pedra no sapato, alguns arminianos e(in)voluíram para a Teologia do Processo ou Teísmo Aberto. Pronto, problema resolvido. Ninguém está mais com o destino selado, nem por você mesmo, nem por Deus. 

Mas o ponto chave é este: não estaria Deus sendo cruel ao mandar para o inferno uma pessoa, quem quer que seja? Se Deus é amor, misericordioso e justo, não haveria um modo diferente de resolver o problema que não enviando pecadores insensatos para o inferno? Afinal, Deus é Deus, e não seria difícil para ele achar outra solução.

Você enxerga o problema nessa argumentação? Se não, eu deixarei mais claro aqui. Sempre que tentamos encaixotar o amor, a bondade, a misericórdia e justiça de Deus, impondo limites ao que é ou não bom e justo, nós nos tornamos juízes de Deus. A ânsia de servir a um deus politicamente correto tem levado muitos a tentar explicar a participação divina nas tragédias de uma maneira mais adocicada, boazinha.

Falta ao arminiano aceitar que Deus é tudo isso que vivem repetindo dentro de Seu próprio padrão de conduta, que não é igual ao nosso. Ele não está sujeito ao tempo, espaço e à matéria como nós. Por que, então, estaria sujeito às mesmas regras morais? Deus mandou dizimar povos, matou “inocentes” criancinhas primogênitas no Egito, e Ele manda para o inferno pessoas boas aos nossos olhos. Mas aí está o problema. Tudo isso que entendemos como bom ou ruim, espiritualmente falando, está distorcido. É por isso que pessoas boas (aos nossos olhos) vão para o inferno. As pessoas boas de verdade vão para o Paraíso.

O calvinista verdadeiro aceita o que a Bíblia diz. Deus é amor, é justo e todo aquele leque de qualidades que podemos enumerar, ao mesmo tempo que reconhece que Deus também elege segundo bem quer e endurece o coração de alguns para recusarem sua vontade.

A verdade é que não dá para um calvinista discutir com um arminiano, porque o arminiano quer entender e explicar Deus, enquanto o calvinista se limita a aceitar Deus como Ele é, mesmo que não possa, é claro, compreender todos os mistérios.

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Autor: Renato César
Divulgação: Bereianos
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Batalhando pela segurança eterna dos santos

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A pergunta que nunca se cala: O crente pode perder a salvação? Essa questão inquieta teólogos e cristãos não acadêmicos de diversas denominações. Enquanto alguns se agarram nas promessas de Jesus: “ninguém as arrebatará das minhas mãos” (Jo 10.28); outros lutam para cumprir as advertências do próprio Cristo: “quem perseverar até o fim será salvo” (Mc 13.13).

Nos deteremos à posição reformada apenas: a posição de que o crente não perde a salvação. Porém, dentro da posição reformada existe divergência entre os teólogos acerca do significado das advertências. Para limitarmos nosso estudo, focaremos em apenas uma das posições e a defenderemos como posição mais coerente na interpretação das Escrituras.

Um estudo de caso

O Novo Testamento trata de alguns casos em que há uma afirmação acerca da salvação das pessoas envolvidas. Dois deles são exemplos clássicos: Pedro e Judas. Jesus estava reunido com seus discípulos em seus últimos momentos e em sua oração por eles, Jesus afirmou:

Enquanto eu estava com eles, eu os guardei e os preservei no teu nome que me deste. Nenhum deles se perdeu, senão o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura. - João 17.12

Jesus afirmou categoricamente que Judas não fora guardado por ele para que a Escritura se cumprisse. Uma dura verdade. Mas, a salvação dos discípulos, assim como a nossa, dependia exclusivamente da preservação de Jesus. Ainda no mesmo período de tempo desta afirmação de Jesus, o Mestre previu a traição de Pedro:

Simão, Simão, Satanás vos pediu para peneirá-lo como trigo; mas eu roguei por ti, para que tua fé não esmoreça; e quando te converteres, fortalece teus irmãos. Pedro lhe disse: Senhor, estou pronto para ir contigo tanto para a prisão como para a morte. Disse-lhe Jesus: Pedro, eu te digo que o galo não cantará hoje antes que tenhas negado três vezes que me conheces.” - Lucas 22.31-34

Observe que Jesus impediu Satanás de tirar-lhe a fé. Jesus o preservou. Porém, no que dependia de Pedro, ele trairia Jesus. No entanto, Jesus afirmou que Pedro seria restaurado (QUANDO te converteres e não SE te converteres). Jesus preservou a fé final (a perseverança) dos seus discípulos, assim como faz conosco, mesmo em meio às suas quedas momentâneas.

“Minha confiança em ser preservado, não consiste na minha habilidade em preservar, mas minha confiança repousa no poder de Cristo em sustentar-me em sua graça e em sua intercessão por nós”¹ - R.C. Sproul

2. As advertências do Evangelho:

Como podemos entender as advertências do Evangelho, então? Claramente na Escritura há um chamado a examinarmos se estamos ou não em Cristo:

Examinai a vós mesmos, para ver se estais na fé. Provai a vós mesmos. Ou não reconheceis que Jesus Cristo está em vós? A não ser que já estais reprovados.2 Coríntios 13.5

Em nosso ponto de vista esta questão facilmente se resolve quando entendemos o texto de Hebreus 6.4-9. Esse texto, embora muito disputado, pode ser esclarecido com o contexto da carta:

Porque temos nos tornado participantes de Cristo, se mantivermos a nossa confiança inicial firme até o fim.- Hebreus 3.14

Entendemos que esse versículo elucida que os verdadeiros crentes são aqueles que permanecem até o fim em sua “confiança inicial”. São aqueles que professaram sua fé em Jesus e a conservaram até o fim. A Manutenção da confiança inicial até o fim é prova de que temos nos tornado participantes de Cristo.

Tendo este texto em mente, entendemos o texto de Hebreus 6.4-9:

Ora, para aqueles que uma vez foram iluminados, provaram o dom celestial, tornaram-se participantes do Espírito Santo, experimentaram a bondade da palavra de Deus e os poderes da era que há de vir, e caíram, é impossível que sejam reconduzidos ao arrependimento; pois para si mesmos estão crucificando de novo o Filho de Deus, sujeitando-o à desonra pública. Pois a terra que absorve a chuva, que cai frequentemente e dá colheita proveitosa àqueles que a cultivam, recebe a bênção de Deus. Mas a terra que produz espinhos e ervas daninhas, é inútil e logo será amaldiçoada. Seu fim é ser queimada. Amados, mesmo falando dessa forma, estamos convictos de coisas melhores em relação a vocês, coisas próprias da salvação.

Entendemos que as pessoas das quais falam os versículos, provaram mas não “nasceram de novo” (Jo 3) de fato. Elas conheceram as verdades do Evangelho, e até foram influenciadas por ele, mas não são filhos de Deus (Jo 1.12). Elas se tornaram participantes ao serem apenas companheiras de caminhada, assim como haviam companheiros do povo que saiu do Egito, porém não entraram na terra prometida² (1 Cor 10.1-13). Assim, elas chegaram até a mudar certos hábitos pecaminosos, mas nunca foram regeneradas pelo Espírito Santo (Tt3.4-7).

Wayne Grudem elucida muito bem esta explicação com a seguinte ideia:

“Portanto, o autor quer fazer um grave alerta àqueles em perigo de cair da fé cristã (pressupondo que na comunidade da carta haja não regenerados). Ele quer usar a linguagem mais forte possível para dizer: ‘vejam aqui até onde a pessoa pode chegar na experiência das bênçãos temporárias, sem, no entanto, realmente estar salva’. Ele os exorta a vigiar, pois não basta depender de bênçãos e experiências temporárias. Para isso, ele fala não de uma verdadeira mudança no coração ou de algum bom fruto, mas simplesmente das bênçãos e experiências temporárias que essas pessoas tiveram e que lhes deram uma compreensão parcial do cristianismo.”³

A parábola do semeador (Mt 13.1-23) deixa bem claro a possibilidade de que na comunidade da fé exista aqueles que não são verdadeiros cristãos. A parábola afirma que em alguns dos solos houve uma “germinação”, porém não se sustiveram. Entendemos que o “solo bom” é o coração genuinamente trabalhado pelo Espírito Santo, para que possa produzir os “resultados” do Evangelho (Jo 16.7-11). Ou seja, os verdadeiros crentes permanecem:

Eles saíram dentre nós, mas não eram dos nossos, pois se fossem dos nossos teriam permanecido conosco; mas todos eles saíram, para que se manifestasse que não eram dos nossos.1 João 2.19

Por fim, embora tenhamos a segurança da salvação prometida com toda a expressão possível no Novo Testamento (Jo 10.27-29; Rm 8; Ef 1.13-14; 1 Pd 1.5; Jd 24,25; etc.), não somos chamados a uma “preguiça espiritual”. Somos convidados por Jesus e os apóstolos a perseverarmos. Somos convidados a batalhar pela nossa fé na esperança confiante de que Deus vencerá por nós e nos guardará até o fim.

Assim, meus amados, como sempre vocês obedeceram, não apenas em minha presença, porém muito mais agora na minha ausência, ponham em ação a salvação de vocês com temor e tremor, pois é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele. - Filipenses 2.12,13

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Fontes:
[1] R.C. Sproul. Disponível em: O que é teologia reformada? (DVD – Fiel)
[2] Carson, D.A. Disponível em: Análise da carta de Hebreus (aula 3)
[3] Grudem, Wayne. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 2011.

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Sobre o autor: Rafael Moraes Bezerra é formado em Direito pela UFJF; mestre no programa Master of Divinity pela EPPIBA (Escola de Pastores da Primeira Igreja Batista de Atibaia) em parceria com a TLI (Training Leaders International); Pastor auxiliar da Primeira Igreja Batista em Ubá/MG
Fonte: Bem Vindo ao Evangelho
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Lutero e o Ensino da Depravação Total

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Quando Lutero, no século XVI, deu início ao que ficaria conhecido por Reforma Protestante, ele foi completamente impactado pelo seguinte verso, presente em Romanos 1:17: “O justo viverá pela fé”. Foi com esta palavra que o “papado” começou a morrer dentro daquele monge alemão, que também havia se tornado um excelente professor de exegese, em Wittenberg.

A justificação pela fé, para Lutero, era o resumo de toda a doutrina cristã. Os méritos humanos não são capazes de tornar nenhum ser humano justo diante de Deus. Lutero acreditava no que veio a ficar conhecido por Depravação Total (DT). Essa depravação havia tomado o homem na queda. Na sua antropologia, Lutero afirma que nós somos possuidores de corpo e alma vivente, sendo que o pecado afetou tanto um como o outro. Para o reformador alemão, portanto, já nascemos com os desejos maus enraizados em nossos corações. Essa foi uma das grandes controvérsias que Lutero teve com o humanista Erasmo de Roterdã.

Igualmente, a teologia luterana contemplava um homem que peca por já ser um pecador, e não que se tornava um à medida que cometia os seus delitos. Lutero explica, ainda, que o pecado original está encravado em cada pessoa, de forma que não podemos nos desatrelar dele. Por esta razão é que o pecado é pessoal e natural. O ser humano é um ser corrompido, envenenado e pecaminoso. Os efeitos contidos na queda e a herança que ela relegou a todos os humanos fizeram com que Lutero escrevesse a seguinte pérola:

Assim, Adão e Eva eram puros e saudáveis. Tinham uma visão tão aguçada que podiam enxergar através de uma parede e ouvidos tão bons que podiam ouvir qualquer coisa a 3 km de distância. Todos os animais eram-lhes obedientes: até mesmo o sol e a lua sorriam para eles. Mas depois o diabo veio e disse: “Vocês se tomarão como os deuses”, e assim por diante. Eles pensaram: “Deus é paciente. Que diferença faria uma maçã?”. E num estalar de dedos ela estava diante deles. E isso ainda nos está pendurando a todos pelo pescoço.[1]

Embora esta citação possua linguagem especulativa quanto às façanhas físicas do homem antes do lapsus, ela ilustra muito bem o entendimento luterano acerca da DT. A sua concepção de depravação está atrelada com o seu ensino acerca da justificação. Desta forma, para o reformador, Deus aceita a justiça de Cristo, por isso, mesmo os nossos pecados não sendo removidos, eles não são mais denunciados contra nós. Esta é a clássica diferença entre o “tornar justo”, defendido por Agostinho, e o seu “declarar justo”. A justificação ocorre pela fé, somente, e quem a recebe passa a ser, ao mesmo tempo, justo e pecador. Sobre este paradoxo, Lutero afirma:

Somos verdadeira e totalmente pecadores, com respeito a nós mesmos e ao nosso primeiro nascimento. Inversamente, já que Cristo nos foi dado, somos santos e justos, totalmente. Então, de diferentes aspectos, somos considerados justos e pecadores ao mesmo tempo. Assim, podemos concluir que Lutero aniquilou a teologia romanista da salvação meritória, ao doutrinar que a justificação se dá somente pela fé. Também podemos celebrar o seu legado na luta contra a falsa doutrina do livre-arbítrio.[2]

Entendida a capacidade vinda de Deus para tomar decisões ordinárias, resta evidente que, para cumprirmos as responsabilidades no mundo, o livre-arbítrio permanece. O que ele é incapaz de realizar é fazer com que o homem salve a si mesmo. Nesse sentido, o livre-arbítrio está totalmente corrompido, tornando-se, assim, escravo do pecado e do próprio Satanás. Essa vontade escravizada nos faz desejar o que é mau. Apenas com o auxilio da Graça somos libertos. A tragédia da existência humana se resume no fato de que o homem não regenerado se considera livre, e, deste modo, se entrega cada vez mais àquilo que o aprisiona. Esse trágico quadro que Lutero pintou resume o seu ensinamento a respeito da DT e leva-o ao entendimento da salvação mediante a graça: “Não somos libertos por qualquer poder que em nós mesmos exista, mas tão somente pela graça de Deus”.[3]

Neste ano em que a Reforma completará seus 500 anos, é preciso resgatar esta doutrina, que foi sendo solapada das igrejas brasileiras através de ensinamentos equivocados e heréticos. Precisamos falar mais da DT pois, como nos diz Berkhof: “O correlativo natural da doutrina da depravação total é o ensino da total dependência do homem da graça divina quanto à renovação. Lutero, Calvino e Zwínglio apresentaram frente unida quanto a isso”[4]. E para glória de Cristo, devemos resgatar o Evangelho da Graça preservando o legado do protestantismo.

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Notas:
[1] Citado por Thimoty George no excelente livro Teologia dos Reformadores, p. 69.
[2] Ibdem, p. 73.
[3] Nascido Escravo, p.39.
[4] A História das Doutrinas Cristãs, p.134.

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Autor: Pr. Thiago Oliveira
Divulgação: Bereianos
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Quão bíblico é o Molinismo? (Parte 4)

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[Este será o quarto post de uma série de n partes, onde n>1 e provavelmente n<10]

Nesta série embaraçosamente intermitente, eu tenho tratado da seguinte pergunta: Quão bem o Molinismo é apoiado pela Bíblia? No primeiro post, eu argumentei que o Agostinianismo e o Molinismo podem igualmente acomodar a providência divina abrangente e o conhecimento de Deus sobre os contrafactuais de liberdade das criaturas, ambos claramente afirmados pela Bíblia. Concluí observando que, para mostrar que o Molinismo é mais bíblico do que o Agostinianismo, precisaríamos identificar uma proposição p que (i) fosse afirmada pelo Molinismo, mas negada pelo agostinianismo, e (ii) que fosse afirmada ou que estivesse claramente implícita em algum ensinamento bíblico.

Romanos 11:22-24 ensina que a salvação pode ser perdida?

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Romanos 11. 22-24 ensina que a salvação pode ser perdida? E que depois de perdida pode ser recuperada? Vejamos:

Porque, se Deus não poupou os ramos naturais, teme que não te poupe a ti também. Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas para contigo, benignidade, se permaneceres na sua benignidade; de outra maneira também tu serás cortado. E também eles, se não permanecerem na incredulidade, serão enxertados; porque poderoso é Deus para os tornar a enxertar. Porque, se tu foste cortado do natural zambujeiro e, contra a natureza, enxertado na boa oliveira, quanto mais esses, que são naturais, serão enxertados na sua própria oliveira!” Romanos 11. 22-24 - ACF

Paulo, argumentando contra a soberba gentílica (que foi um efeito colateral do orgulho israelense, por ser a nação eleita, que causou uma soberba nos gentios agora alcançados pelo evangelho, uma vez que se sentiam superiores aos judeus – que o recusaram), usa a alegoria da videira para ilustrar seu ponto de vista. Os gentios deveriam ver no exemplo da severidade divina dada aos judeus motivos para temer ao Senhor e demonstrarem gratidão ao invés de orgulho.