Sexo ou Gênero?

.


Temos acompanhado uma grande discussão nacional em torno da inclusão da ideologia de gênero no ensino público brasileiro. Todavia, será que estamos por dentro do verdadeiro significado dessa proposta?

No livro Sociologia em Movimento, Ed. Moderna, pags. 337ss. (distribuído pelo MEC para o ensino médio) consta que "O conceito de gênero não se fundamenta em um princípio evolutivo, biológico ou morfológico, e sim em uma construção social”, isto é, "uma construção cultural estabelecida socialmente através de símbolos e comportamentos, e não uma determinação de diferenças anatômicas entre os seres humanos" (p. 339).

Isso quer dizer que identidade de gênero é algo totalmente diferente de sexo, pois diz respeito a uma escolha do indivíduo quanto ao seu comportamento sexual e não à sua conformação sexual anatômica em si. A ideologia de gênero prega, na verdade, a formação de indivíduos sexualmente versáteis, que decidirão que tipos de comportamento sexual adotarão para a sua conduta pessoal.

Está em andamento uma apologia aberta ao fim da família como a conhecemos, com o propósito de se produzir a verdadeira igualdade e liberdade humana. Os proponentes da “identidade de gênero” acusam a sociedade patriarcal, da qual a igreja e a família estão no fundamento, como uma das principais explicações para a discriminação social, e que a forma de se reverter esse quadro social é por meio de uma reconstrução dos papéis sociais estabelecidos.

Nos escritos desses ideólogos sociais a “família burguesa” ou “família patriarcal” que precisa ser desconstruída é a família natural, formada por um pai-marido, uma mãe-esposa e por filhos, e substituída por uma “família” mais versátil, onde os papeis não sejam tão estruturalmente definidos.

Nas Escrituras, especialmente em Paulo, quando os problemas de relações humanas e familiares são tratados, os autores bíblicos remetem a base das relações para a criação (1 Co 7; Ef 5). Os papéis são definidos por Deus e organizados segundo o critério da ordem da criação.

As acusações de que todos os males sociais têm seu fundamento nessa ordem são falaciosas e grosseiras, pois o evangelho cristão sempre teve uma conotação libertadora dos indivíduos. Os erros apontados pelos críticos do modelo cristão ignoram que sua causa advém exatamente do pecado e suas conseqüências nefastas na vida das sociedades. Essa ousadia perniciosa em desobedecer e declarar maliciosamente a sua liberdade perante Deus.

A ideologia de gênero navega pelas mesmas águas que sempre navegaram as ideologias que negam a soberania divina sobre a criação. É um equívoco crer que a libertação dos sistemas cristãos promoverá mais igualdade entre as pessoas, pois a história sempre mostrou que o oposto é o que acontece: Mais opressão e mais totalitarismo.

***
Autor: Rev. Helio de Oliveira Silva
Fonte: Anunciando Todo o Desígnio de Deus

Para saber mais sobre a ideologia de gênero, clique aqui!
.

Pai à pais

.

Por Rev. Ericson Martins


E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor” (Ef 6:4)

Está mais que comprovado: um dos maiores desafios que enfrentamos na vida é a educação dos nossos filhos, e educá-los para que andem nos caminhos do Senhor! Pais responsáveis não medem esforços para esse fim, no entanto, muitos ainda sofrem a fria dor ao verem os seus filhos crescendo e escolhendo caminhos errados, aqueles que os distanciam da comunhão com Deus. É nesse contexto que reservamos aqui alguns conselhos aos pais, para que ajam de forma justa, firme e amorosa. 

Primeiramente, é preciso entendermos e agirmos preventivamente (Hb 12:9). A prevenção é sempre melhor que o resultado indesejado. Custa, mas não menos que termos de lidar com os resultados da omissão ou da negligência na educação. Naturalmente, a melhor solução é ensinarmos o que é bom aos olhos de Deus e sermos os maiores exemplos do que ensinamos. Eles aprendem mais observando as nossas condutas, do que meramente pela exigência das nossas palavras.

O comportamento desobediente dos filhos aos seus pais tem uma causa natural: o pecado! O filho que resiste andar nos caminhos do Senhor não significa, unicamente, que os seus pais foram péssimos educadores cristãos, pois a rebeldia não é uma herança genética, e nem sempre é resultado do ambiente familiar. E sim, uma conduta interna, orientada pelo pecado, de se opor a autoridade, seja de quem for. Os pais precisam fazer o que lhes cabem na educação, isso inclui orar por seus filhos, suplicando à favor da conversão genuína deles (1 Cr 29:18-19). A conversão não depende do que os pais fazem, mas do que Deus faz (Ef 2:8-9) para neutralizar o pecado no coração, mediante a justificação em Cristo!

É importante também observar a personalidade dos filhos. Os pais podem lidar melhor com eles compreendendo o perfil emocional de cada um. Essa observação é um importante regulador de relacionamento e de disciplina, e ainda ajuda a medir o nível de determinadas exigências na educação. Nesse sentido, ouvi-los e acompanhá-los discretamente, é crucial.

Amá-los requer preveni-los dos maus caminhos, mas nem sempre é possível impedi-los de sofrerem as consequências das escolhas erradas que fazem (Lc 15:11-24). Há lições que só aprenderão na experiência da perda ou da dor. Justificando-se pelo amor, muitos pais tentam impedir que os seus filhos experimentem o sabor amargo da desobediência e acabam criando outros problemas: incentivo ao erro pela impunidade e falsa sensação de segurança. A punição (disciplina), por vezes, se mostra eficaz para a santificação dos nossos filhos (Hb 12:10-11).

Lembrem-se: peçam ajuda! Educar filhos exige ação conjunta do pai e da mãe, mas nem sempre é suficiente. É justamente aí que precisamos do apoio de professores, familiares, pastores conselheiros, e etc, que estejam interessados pelo bem dos nossos filhos e comprometidos com a Palavra de Deus.

Que Deus nos dê sabedoria para honrá-Lo através da educação dos nossos filhos!

***
Fonte: Reflexões e Cotidiano



.

Por que não delego a educação de meus filhos a uma escolinha

.

Por Rev. Ageu Magalhães


"O quê!? Seu filho não está na escolinha???" Eu e minha esposa (mais ela do que eu) ouvimos muito estas palavras, com pequenas variações. Temos três filhos. Um está com 8 anos, a do meio com 4 anos e o mais novo com 2 anos. O mais velho foi para a escola com 4 anos, mas a quantidade de pessoas que ficavam surpresas (e até indignadas) ao vê-lo com 3 anos fora de uma escolinha era grande. Tão grande que, sem muito exercício, fomos colecionando argumentos que, cremos, nos dão cada vez mais certeza de nossa decisão naquela época. Ei-los:

1. Pais devem educar seus filhos, não estranhos. A Bíblia sempre atribui aos pais esta missão. Salomão relata como foi criado: "Quando eu era filho em companhia de meu pai, tenro e único diante de minha mãe, então, ele me ensinava e me dizia: Retenha o teu coração as minhas palavras; guarda os meus mandamentos e vive; adquire a sabedoria, adquire o entendimento e não te esqueças das palavras da minha boca, nem delas te apartes." Pv 4.3-5

2. Pais não devem trocar filhos por carreira profissional. Nosso mundo valoriza mais o "ter" do que o "ser" e os crentes devem ficar atentos para não seguirem o mesmo caminho. Não são poucos os pais que delegam a educação dos filhos a uma creche ou escolinha por causa de um salário. Novamente a advertência da Bíblia: "Pelo que aborreci a vida, pois me foi penosa a obra que se faz debaixo do sol; sim, tudo é vaidade e correr atrás do vento. Também aborreci todo o meu trabalho, com que me afadiguei debaixo do sol, visto que o seu ganho eu havia de deixar a quem viesse depois de mim." (Ec 2.17,18) Um bom exercício para medir nossa ganância é se lembrar de qual era a renda de nossos pais, quando éramos crianças. Na maioria dos casos, estou certo, vamos perceber que eles ganhavam menos do que nós e, mesmo assim, não trocaram nossa educação por um salário.

3. E quanto ao desenvolvimento que uma escolinha pode oferecer ao seu filho? Será que supera o desenvolvimento que os pais podem oferecer? Você já parou para pensar que a maioria das professoras das chamadas escolinhas são menores de 20 anos e estão no ensino médio? Uma mãe dedicada pode ensinar tudo o que se ensina em uma escolinha e muito mais. Hoje existem dezenas de materiais educativos, para todas as faixas etárias, que podem ajudar nisto, sem falar dos programas infantis educativos da TV. É até irônico encontrar mães com ensino superior, bem preparadas, delegando a educação de seus filhos a gente menos capacitada.

4. A atenção que os pais dão a um ou dois filhos não se compara ao tratamento coletivo dado a uma multidão de pequeninos. Tenho uma prima que, ainda na adolescência, foi contratada para trabalhar em uma escolinha. Logo no início do trabalho, viu uma criança chorando e foi consolá-la pegando-a no colo. Sua superior a repreendeu imediatamente: "Aqui nós não fazemos isto, senão, todas vão querer o mesmo tratamento". Outra parente próxima colocou a filha de 2 anos em uma escolinha e começou a notar a filha perdendo peso. Os pais foram conversar com a direção da escola e foram informados de que não davam leite às crianças, mas chá com bolacha...

5. Por que colocar uma criança na tenra idade em uma escolinha e privá-la dos bons momentos de sua infância? Quando esta criança chegar aos 5, 6 anos, terá de ir obrigatoriamente à escola e entrará em um ritmo que só terminará, com sorte, na aposentadoria. O profeta vislumbrou um futuro para Jerusalém, com crianças fazendo o que lhes é próprio: "As praças da cidade se encherão de meninos e meninas, que nelas brincarão." (Zc 8.5) Na parábola de Jesus, as crianças também estão na praça (Mt 11.16).

6. Vírus físicos e espirituais. É sabido que crianças convivendo juntas em uma escolinha ou creche são mais suscetíveis a doenças por causa do ambiente comunitário. Mas, pior que isso é a influência pecaminosa que algumas crianças podem trazer de suas famílias, contaminando os valores que você passou ao seu filho, até matriculá-lo em um lugar assim. A Bíblia é muito clara neste ponto: "Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes." (1Co 15.33)

7. Infelicidade da mãe e da criança. Um bom número de mães sofre quando termina a licença maternidade e tem de voltar ao serviço. E o que dizer de uma criança que, depois de passar 4 meses ininterruptos com sua mãe, tem que enfrentar várias horas diárias de separação?

8. O crente não deve ceder a pressões. No começo do artigo eu falei da quantidade de pessoas que estranhavam o fato de o nosso filho, com menos de 3 anos, não estar "ainda" em uma escolinha. Creio que esta pressão é geral sobre os pais. Todavia, o crente tem que se acostumar a nadar contra a correnteza. Crente fiel faz a vontade de Deus e não a vontade das pessoas ao seu redor. Isto, fazer a vontade das pessoas, é, em última instância, idolatria. É temer mais aos homens do que a Deus. O crente tem que se manter firme naquilo que Deus lhe ordena e não se conformar aos costumes e tendências pecaminosas e materialistas deste mundo (Rm 12.1,2).

9. A educação prevista na Bíblia, especialmente em Deuteronômio 6, não pode ser delegada. Pergunto: Como inculcar em seu filho o conceito de que nosso Deus é o único Deus (v.4) livrando seu filho de qualquer tipo de idolatria, se você não está ao seu lado? Como ensinar seu filho a amar a Deus de todo o seu coração, alma e força (v.5) em cada minuto do dia, se ele está em uma escolinha? Quando o texto bíblico diz que estes ensinos devem ser inculcados "assentado em sua casa", "andando pelo caminho", "ao deitar-te e ao levantar-te" revelam que a educação cristã acontece em todos os momentos do dia, quando os pais interpretam cada pequeno acontecimento dentro de uma cosmovisão bíblica, formando, assim, nos filhos, uma visão de mundo de acordo com a Palavra de Deus. É possível esperar que uma escolinha faça isto?

Concluo com uma palavra aos pais que sofrem as mesmas pressões que nós sofremos: Aguentem firme! Jesus nunca disse que seria fácil. O mundo nos odeia porque não somos dele (Jo 5.18,19) nem seguimos seu padrão de comportamento. A recompensa de uma educação não delegada a terceiros virá. Pense no testemunho de alguns jovens da Bíblia como José do Egito, Daniel e seus amigos, Davi e imagine o tipo de educação que eles receberam de seus pais. Podemos colher os mesmos frutos, se ficarmos fiéis aos ensinos do Senhor. Que Ele nos abençoe.

***
Fonte: Perfil do autor no Facebook
.

A importância dos Símbolos de Fé na Educação Infantil

.

Por Thomas Magnum

Catequizando Crianças, uma prática que deve ser resgatada - A importância dos Símbolos de Fé na Educação Infantil.

Os símbolos de fé são documentos confessionais de muita importância para as igrejas de herança reformada. Igrejas confessionais devem subscrever o que suas confissões e catecismos dizem, devem observar tais documentos com zelo e apreço. Mas, por que mesmo igrejas confessionais não usam mais seus catecismos para catequizar suas crianças? Claro que existem muitos motivos que podem não estar listados aqui e que você ao ler esse texto pode acrescentar em sua reflexão sobre o tema. 

Em minha reflexão sobre o assunto, noto que um dos primeiros motivos para que a utilização dos catecismos com crianças e adolescentes foi esquecida são os efeitos da pós-modernidade, o pragmatismo trouxe a igreja costumes que são estranhos a sua história, com isso não quero dizer que devamos estar alienados das mudanças de nossa época, pelo contrário, ao publicar esse artigo em um blog estamos na esfera tecnológica que muito nos ajuda e facilita na propagação de ideias, também pode ser utilizado como uma ferramenta para o reino de Deus, podemos glorificar a Deus com tais meios a nossa disposição. 

Ao falarmos da reutilização de catecismos com nossas crianças muitas vezes poderemos ser taxados de antiquados e retrógrados, afinal isso pode ter funcionado no passado agora não funciona mais, será mesmo? Ao final de um período de estudos na escola a criança passa por um processo avaliativo que comumente é chamado de prova, lembro-me de ter feito quando criança muitas provas orais, tinha que me dedicar mais para estas e minha mãe me fazia muitas perguntas referentes ao tema para que eu pudesse memorizar o assunto e tirar uma boa nota. Semelhantemente é a utilização de catecismos, ao estudar para provas orais minha memória era mais exigida pelo momento, lembrava quando necessário (no momento da prova) das respostas a serem ditas a minha professora. E por que então não catequizamos mais as crianças? 

Devido a tantos planos e métodos de aprendizagem desenvolvidos por estudiosos da área da educação, o modo de ensino foi e tem sido muito alterado e muitas vezes com boas contribuições, mas em outras nem tanto. Vejamos o que a Palavra de Deus nos diz sobre o ensino religioso que deve ser realizado com as crianças:

Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças. E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; E as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te. Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por frontais entre os teus olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas. Deuteronômio 6:4-9

O ensino religioso deve ser algo presente e constante na vida das crianças da igreja, em muitos casos pais cristãos acham que a responsabilidade última da educação religiosa de seus filhos é dever dos professores da escola bíblia dominical ou do departamento infantil da igreja, mas essa passagem de Deuteronômio nos diz que essa tarefa é inicialmente dos pais, é responsabilidade dos pais educarem seus filhos nos caminhos do Senhor. Lembramos de imediato das palavras da Sagrada Escritura “Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele” Provérbios 22:6.

Em muitos casos no momento em que chega a hora do sermão do pastor no domingo as crianças são retiradas do templo, não para ouvirem um sermão para elas, o que não sou contrário, mas para serem entretidos com brincadeiras ou assistirem desenhos e se distraírem com brinquedos. Toda pedagogia empregada na educação cristã deve ser redentiva, ou seja, deve ter um motivo, uma finalidade, todo ensino infantil devem levar as crianças a Jesus e a salvação, devem comunicar o Evangelho para elas, deve mostrar a criança desde novinha que ela é uma pecadora e que Jesus morreu pelos pecados do seu povo. A utilização dos catecismos nesse processo educativo é muito importante, pois a criança será educada de forma sistemática, aprendendo o que a Bíblia diz sobre a Bíblia, sobre Deus, Jesus, a Trindade, o pecado, o Juízo, a igreja, a salvação. A reutilização da catequese com crianças é saudável para uma igreja que deseja ver suas crianças crescerem na graça e conhecimento do Senhor. 

Embora vivamos num tempo que as pessoas não suportem autoridade, inclusive na igreja, é com certeza previsto que existe muita resistência a utilização de catecismos com crianças, justamente por causa dos modelos pedagógicos que tem sido ditados pela academia. Diante de estudos recentes da psicopedagogia, dizer a uma criança que ela é pecadora é um ultraje. No entanto, a Palavra de Deus é que rege seu povo, podemos usar as ferramentas da pedagogia a serviço do reino, e elas podem ser empregadas para uma catequese mais dinâmica com as crianças, utilizando recursos audiovisuais e as demais ferramentas disponíveis para um aprendizado eficaz, No entanto, ainda se faz necessário a utilização da catequese com crianças. 

Que o Senhor nos ajude a cumprirmos nossa tarefa como educadores, a não sermos negligentes no cuidado do que Ele nos confiou, não podemos tratar o ensino as crianças da igreja como secundário, elas estão debaixo da aliança de Deus com seu povo e devem ser instruídos nessa aliança.

***
Divulgação: Bereianos
.

Sexo na universidade

.

Por Rev. Augustus Nicodemus Lopes


A universidade, além de ser o local aonde os jovens vão para adquirir uma boa educação e se preparar para o futuro, acaba sendo o ponto de partida para o sexo casual, às vezes com consequências sérias para o resto da vida. Entre estas, podemos mencionar a gravidez indesejada, os abortos e as doenças sexualmente transmissíveis (DST). Em muitos casos, o sexo fortuito ocorre associado com uso de bebidas alcoólicas e drogas que se inicia nos bares no entorno das universidades.

Do ponto de vista cristão, o sexo é uma dádiva de Deus, que desfrutado da maneira correta, é fonte de alegria, satisfação e realização. O cristianismo limita o relacionamento sexual ao casamento. Mas, não é necessário lançar mão do viés religioso para se perceber que o apelo sexual na universidade acaba abrindo as portas para relacionamentos complicados. Os mesmos podem trazer problemas de ordem emocional, psicológico e até legal (como a curetagem e o aborto clandestinos), que acabam prejudicando não somente a carreira estudantil, acadêmica e profissional do jovem, mas sua vida como um todo.

O sexo não é apenas um momento fisiológico de prazer. Por causa da natureza humana, a sexualidade está entretecida com nossa dimensão emocional, psicológica, moral, social e religiosa. As relações sexuais, mesmo as fortuitas e casuais, acarretam apegos e paixões, por um lado, culpa, raiva e nojo, por outro – emoções poderosas que conturbam a paz interior das pessoas, especialmente de adolescentes recém-chegados à universidade.

Jovens com a vida emocional conturbada por relacionamentos sexuais complicados podem acabar levando para a sala de aula estas perturbações, que roubam a paz de espírito e a tranquilidade necessárias para ler, aprender, estudar, pesquisar e escrever. As estatísticas mostram que o maior índice de óbitos decorrentes de curetagem ilegal se dá entre jovens na faixa de 20 a 29 anos, faixa etária onde se insere a maior parte dos universitários. Uma pesquisa de 1993 da ocorrência de aborto entre jovens de uma universidade brasileira mostrou que mais de 50% das que engravidaram fizeram curetagem, com maior incidência das mais jovens. Todavia, não creio que precisemos de pesquisas estatísticas para afirmar que jovens viciados em sexo e afundados em problemas de relacionamento frequentemente acabam se dando mal academicamente.

É triste assistir ao desperdício voluntário de talentos por parte de jovens que cedem aos engodos da cultura pós-moderna na área de sexualidade, a qual reduz o sexo a uma mera função biológica orientada para o prazer momentâneo e inconsequente.

A fé cristã reformada valoriza a família, o sexo no casamento, sem reduzi-lo a mera função procriadora. Valoriza o trabalho, o bom desempenho acadêmico e o exercício eficaz da profissão como parte da cidadania e da vocação cristã. Na Bíblia encontramos a história de um jovem líder do povo judeu chamado Sansão, com potencial para ser um dos maiores juízes do seu povo. Todavia, os repetidos envolvimentos sexuais de Sansão, e as consequências que os mesmos trouxeram, acabaram por arruinar sua carreira (veja Juízes 14.1-2; 16.1; 16.4; 16.19; 16.28-30). A Bíblia também registra o encontro de Jesus com uma mulher sedenta de sentido e propósito na vida, mesmo após ter tido cinco maridos e estar vivendo com um amante. Em Jesus ela encontrou a plena satisfação para seu coração vazio (João 4.7-29).

Os pais e professores deveriam aconselhar os jovens a não trocarem um futuro promissor por prazeres inconsequentes e passageiros. No Evangelho de Jesus Cristo encontrarão perdão para erros cometidos e a força necessária para resistir aos apelos que não levam em conta as consequências e os efeitos de atos impensados.

***
Fonte: Perfil do autor no Facebook
.

A Escola Cristã: Por quê?

.

Por Rev. Herman Hoeksema


O propósito deste panfleto é explicar o porquê mantemos uma Escola Cristã, e
por que cremos ser necessário para pais cristãos fornecerem uma educação cristã aos seus filhos.

A Escola Cristã não é algo novo. Ela tem uma longa e honrável tradição. O que é novo é a aceitação de pais que confessam a Cristo terem os seus filhos educados em escolas das quais a Palavra de Deus é rigorosamente banida. Durante os séculos antes do nascimento de Jesus Cristo, a Palavra de Deus era central na instrução que o povo de Deus dava aos seus filhos, como o próprio Deus ordenou em Deuteronômio 6:6-9. A educação fornecida para as crianças da Igreja durante os 1400 anos entre o tempo dos apóstolos e o tempo da Reforma da Igreja, em 1517 d.C., era permeada com a Palavra de Deus. Neste período, as escolas eram intimamente associadas à Igreja.

Após 1517, os Reformadores, entre os quais Martinho Lutero e João Calvino foram notáveis, estavam de acordo no seu zelo para o estabelecimento de escolas nas quais todas as crianças pudessem receber uma educação. A preocupação deles com as escolas era somente superada por sua preocupação com a própria Igreja. Mas eles eram unânimes em sua insistência de que estas escolas deveriam ser fundadas sobre e governadas pela Palavra de Deus, a Bíblia. Aqueles cidadãos antigos do nosso país que fundaram escolhas e universidades que pretendiam ser cristãs continuaram a longa tradição da Escola Cristã.

O que é uma Escola Cristã?

Uma Escola Cristã não deve ser confundida com uma Escola Dominical, ou com
qualquer outra instituição que existe para dar às crianças instrução na Bíblia. A Escola Cristã é uma instituição que tem a função de instruir as crianças nos vários departamentos do conhecimento que também constitui o currículo da escola pública: literatura, história, ciência, matemática e outros assuntos. Ela faz isto sete horas por dia, cinco dias por semana, durante todo o ano escolar. Isto gera a pergunta: Qual é a característica distintiva da Escola Cristã, que garante sua existência como uma instituição educacional separada? A Escola Cristã certamente começa cada dia com uma oração a Deus e com a leitura da Bíblia. Ela faz isto sob a convicção de que nada que o homem faça é proveitoso, a menos que Deus abençoe tal coisa. Tudo deve ser santificado pela palavra de Deus e a oração” (1Timóteo 4:5). Contudo, estas atividades de oração e leitura da Bíblia, embora sejam importantes, não são as principais razões para a existência da Escola Cristã. A característica distintiva da Escola Cristã está expressa na palavra Cristã. Ela é uma escola que é Cristã em tudo.
Ela tem um fundamento cristão; ela tem professores cristãos; ela dá instrução cristã; ela fornece um ambiente moral cristão; ela tem um objetivo cristão. Tudo isto deve ser brevemente explicado.

A Bíblia é a Palavra de Deus

O ponto de partida é nossa firme fé de que a Bíblia é a Palavra inspirada de Deus. A própria Bíblia ensina isto: “Toda a Escritura é inspirada por Deus...” (2Timóteo 3:16). Como a Palavra de Deus escrita, a Bíblia é a autoridade para a nossa fé e nossa vida. Crer e viver de acordo com a Palavra de Deus é a marca de um cristão. Uma Escola Cristã, portanto, é uma escola que é fundamentada sobre e em todo respeito em harmonia com a Escritura, a Palavra escrita de Deus.

Instrução dos Filhos dos Crentes

Deus em sua Palavra chama aqueles que crêem em Jesus Cristo para criar seus filhos na disciplina e admoestação do Senhor” (Efésios 6:4). A criação ou educação total dos filhos dos crentes deve ser uma criação que tenha Deus como sua fonte, como seu padrão, como seu objetivo e como o seu centro. Ela deve ser uma criação em Jesus Cristo, pois é Jesus quem é o “Senhor”. Ela deve ser cristã. Ao chamar os pais crentes a esta tarefa, o Novo Testamento repete o ensino enfático do Antigo Testamento. Incluso nesta criação piedosa requerida está a educação dos filhos nas escolas. A educação das crianças nas escolas é uma parte importante da criação delas, tanto do ponto de vista da natureza e poder da educação como do ponto de vista da quantia enorme de tempo gasto nesta educação nas vidas das crianças.

A razão do requerimento de Deus para que os filhos dos crentes sejam criados num caminho cristão é a salvação graciosa destas crianças em Cristo. Tanto o Antigo como o Novo Testamento ensina que Deus salva os crentes e os seus filhos. Em Gênesis 17:7, Deus prometeu a Abraão: “para te ser a ti por Deus e à tua semente depois de ti” (ARC). Em Atos 2:39, Pedro assegura aos crentes do tempo do Novo Testamento que para vós outros é a promessa, para vossos filhos...”. Os filhos de pais crentes, pelo apontamento gracioso de Deus, pertencem à Igreja de Cristo, e são considerados e tratados como membros da Igreja nas epístolas do Novo Testamento, por exemplo, Efésios 6:13 e Colossenses 3:20.

Como filhos do pacto, os filhos dos crentes pertencem a Jesus Cristo inteiramente, com tudo o que eles são e com todos os talentos e habilidades que possuem. Ele os comprou, corpo e alma, por sua morte na cruz. Portanto, ele pode legalmente reivindicá-los para si mesmo em sua inteireza. Como filhos do pacto, os filhos dos crentes têm como único propósito de suas vidas o conhecimento e louvor de Deus, que é revelado em sua Palavra e em sua criação.

Toda a instrução dada a estas crianças deve servir para este propósito. 

Ensinando a Verdade

A Escola Cristã é estabelecida para dar aos estudantes uma educação sadia em todos os ramos do conhecimento humano. Ela não é satisfeita com algo menos que um treinamento acadêmico absolutamente abrangente. Para este fim, ela contrata professores qualificados (frequentemente, aqueles com graduações em faculdades e universidade autorizadas pelo Estado); ela usa os melhores livros-textos; ela mantém uma disciplina de sala de aula que mais conduza ao alto grau de aprendizagem; e geralmente faz todo esforço possível para promover a instrução das crianças. Isto está diretamente relacionado com o fundamento da escola. A mente, talentos, habilidades e tempo das crianças são de Cristo e devem ser desenvolvidas e usadas até o máximo, por causa de Cristo.

Em toda esta instrução, contudo, a Escola Cristã está preocupada em ensinar a verdade. Embora a Escola Cristã não exista para dar instrução na Bíblia, tudo da instrução que ela dá em todas as áreas de aprendizagem é baseada na Palavra de Deus, é governada pala Palavra de Deus, e está em harmonia com a Palavra de Deus. Em todo assunto, não somente na “religião”, a verdade é Deus. A verdade sobre cada aspecto desta criação, incluindo os homens e seus feitos, é sua relação com Deus, o Criador, Governador e Juiz do mundo. O que ela revela de Deus, que formou os mundos pela sua Palavra (Hebreus 11:3) e fez todas as coisas para anunciar sua glória (Apocalipse 4:11)? Esta é a questão básica em todo assunto. E é a Palavra de Deus, a Bíblia, que lança luz em cada ramo de conhecimento.

A Bíblia não é um livro-texto para ciência, matemática, história ou qualquer outro assunto acadêmico. Todavia, ela é a base essencial para ensinar a verdade de todos os assuntos. Ela é a base essencial para ensinar a verdade na ciência. Ela condena a teoria da evolução. A evolução não é uma descrição correta e exata de como o mundo veio à existência. Mais do que isto, ela não é a verdade, mas antes uma mentira, no sentido de que nega absolutamente Deus e intenta roubá-lo de sua glória devida. A instrução na ciência que é baseada na Escritura é capaz de dar o verdadeiro relato do princípio do mundo nesta criação por Deus em seis dias. A Bíblia também é a base para o ensino da verdade no campo da história. Ela proíbe representar a história como o desenvolvimento lento (evolucionista!) da raça humana a partir de origens inferiores no mundo animal até chegar num destino sublime em alguma sociedade perfeita sobre a terra. A Escritura revela que a história da raça humana deve ser vista como a vida e o labor de homens que caíram em pecado e que são, portanto, inimigos por natureza de Deus e uns dos outros. As guerras e catástrofes que praguejam a humanidade não males lamentáveis que o homem sobrepujará, mas as conseqüências do pecado e os julgamentos de Deus sobre pecadores. Não há esperança para paz, vida e glória, não a partir do próprio homem, mas a partir de Deus em Jesus Cristo, e a partir dele somente.

Estes são princípios fundamentais da educação.

A expulsão da Bíblia das escolas é proibir a verdade. Ter a Bíblia como a base da instrução faz o ensino da verdade possível. Nas escolas também, “o temor do Senhor é o princípio da saber” (Provérbios 1:7, ARA).

O Ambiente Moral da Escola

Sem negar que a responsabilidade de instruir os filhos como eles devem viver moralmente pertence ao lar e à Igreja, a escola inevitavelmente se engajará em algum grau de treinar as crianças em comportamento e conduta. De fato, a escola em sua totalidade possuirá certo ambiente moral no qual as crianças trabalham e brincam. A própria instrução deve tender para influenciar as atitudes e comportamentos éticos das crianças. Quando tudo da instrução é centrado em Deus, o amor e o temor de Deus são provocados nos corações das crianças. Em adição, a Escola Cristã aponta para a criança que em todos os relacionamentos da vida ela é chamada a amar e temer e, portanto, obedecer a Deus. Este é o próprio fundamento da moralidade. Como resultado de amor para com Deus e o seu Cristo, ele honrará seus pais, se submeterá aos seus professores, se sujeitará ao Estado, viverá puramente, amará seus próximos no pátio de recreio, e se dedicará ao máximo em seus estudos. 

Por esta razão, a Escola Cristã não é uma ameaça ao Estado. Ela demonstra, de maneira urgente e consistente, às crianças e aos jovens que eles devem se submeter à autoridade do governo, honrar as autoridades (do presidente ao policial local), e a fazer tudo isto “não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência” (Romanos 13:5, ARA). A Escola Cristã abomina as revoluções atuais entre os jovens e nas escolas, e não as tolerará. Ela treina os jovens para serem cidadãos que cumpram o seu dever para com o Estado de bom grado.

A Responsabilidade de Educar

Visto que o chamado de Deus chega aos pais para instruir os seus filhos, é a responsabilidade dos pais fornecer a educação dos seus filhos. Em Efésios 6:4, a Palavra de Deus diz: “E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os (seus filhos) na disciplina e na admoestação do Senhor”. Isto está em harmonia com o fato de que Deus dá os filhos aos pais e o fato de que os filhos pertencem aos pais. 

A Escola Cristã faz justiça a esta responsabilidade paternal, pois a educação dos seus filhos nesta é estabelecida, mantida e governada por uma associação de pais. É esta associação, e assim, os próprios pais, que tem e exerce a autoridade sobre a escola inteira, sua instrução e operações. Os pais são capazes, portanto, de ver pessoalmente que a Escola é e permanece em cada aspecto cristã. Nem este é um assunto incidental. A crise atual nas escolas de nosso país deve-se, em parte, ao fracasso dos pais em cumprir sua responsabilidade, escolhendo, ao invés disso, jogar o dever da educação sobre o Estado e seus instrutores.

Não devemos ver esta tarefa como somente uma responsabilidade. Ela é uma obra e um privilégio prazenteiro.

A Recompensa

Há dificuldades especiais envolvidas na manutenção de Escolas Cristãs. Uma é o fardo financeiro extra. Os pais devem pagar o dobro. Eles pagam o sustento de Escolas não-cristãs do Estado, e eles pagam as Escolas Cristãs. Mas o sacrifício não é digno de ser comparado com a recompensa.

A recompensa está implicada no provérbio: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele” (Provérbios 22:6). É uma obra prazerosa ser instrumento no treinamento de filhos do pacto, para que eles vivam e trabalhem neste mundo como aqueles que vêem e buscam o Senhor nosso Deus em tudo. É um privilégio se esforçar ao máximo para que as crianças e os jovens não ignorem nem neguem a Deus nas “coisas terrenas”, mas, em e com todas as coisas “terrenas”, confesse o nome de Deus e faça tudo para a sua honra.

***
Fonte: PRCA - Protestant Reformed Churches in America
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto
.

Reflexões esparsas pós resultados eleitorais

.

Por Rev. Mauro Meister


Não sou profeta, nem filho de profeta, assim, não tomem qualquer palavra abaixo como o certo para o futuro, mas apenas percepções. Pelo tamanho, poucos lerão.

1. Sim, somos uma democracia, ainda que nova e imatura. O pleito eleitoral, com todas as mazelas e jogos sujos, às vezes dos candidatos, muitas vezes dos partidários, aconteceu, mas foi bem sucedido.

2. Houve fraude? Como dizer? Resta aguardar que denúncias sérias, se levantadas, sejam investigadas pelos instrumentos do Estado, que deveriam ser independentes do governo. Sair gritando que houve fraude não resolve nada.

3. Corremos perigos? Sim! Imediatos? Nem tanto, mas, ainda assim, crescentes e rápidos. Minha percepção, por conta da ideologia e ações recentes, é que o partido no governo não preza a democracia. Sua origem de luta contra a ditadura de direita não o coloca na categoria democrática. Seus ideólogos gramicianios tem sido bem sucedidos, a despeito de seus líderes populares terem se embebedado com a glória do poder e suas riquezas. Digite "gramiscismo" no Google e leia, pesquise e tire suas conclusões.

4. Para que o projeto acima de certo, é necessário um aparelhamento do Estado e, ao mesmo tempo, uma aparência de legitimidade democrática associada a conceitos de hegemonia de pensamento. Os mesmos que são acusados de ser "contra o partido" (ex: Globo) são aqueles que promovem as causas dessa consolidação de pensamento: insistência no governo para as supostas minorias (negros, gays, mulheres como oprimidas, os sem terra) causa aborcionistas, desarmamento, etc. (vejam as ênfases no discurso da vitória da presidente). Tudo isso serve como uma quebra dos chamados valores tradicionais (mantidos pelas "elites") e o surgimento de uma nova hegemonia de pensamento (quem foi o representante da juventude?).

5. Passam por este projeto alguns elementos essências, entre eles, a reforma política e a educação (nada no discurso foi gratuito). Sim, o Brasil precisa de uma reforma política, mas se houver força do governo para que aconteça, será nefasta e aparelhará ainda mais o governo. No totalitarismo o governo nunca sai do poder, seja em Cuba, seja na Bolívia.

6. A educação brasileira já está totalmente aparelhada, mas os que estão dentro, muitas vezes não percebem. Quanto mais ignorantes (aqueles que ignoram), melhor! Não há real interesse em que exista pensamento autônomo, no sentido do indivíduo que pensa por si mesmo (ainda que este seja o discurso da educação há décadas) mas no indivíduo que aja com a massa, como uma torcida, liderada pelos Conselhos Populares. Enquanto os cristãos deveriam lutar por uma educação heteronormativa (no caso, segundo a norma de Deus) as políticas governamentais tem sido sistematicamente opostas. Nossos filhos vão para a escola e voltam para casa achando que todos os tópicos citados acima são o certo e o verdadeiro, o contrário do que seus pais caretas e suas igrejas ensinam.

7. Entre tais ensinamentos existe a famosa doutrinação contra o famigerado capital, o livre comércio, a iniciativa privada, a privatização e todos os temas pertinentes. É daí que surge o socialista rico que maquina a revolução social de seu studio em Paris, bebendo champanhe. É assim que a presidente diz com cara lavada a uma economista desempregada que faça um curso para se colocar em um mercado com cada vez menos empregos reais (quem já desistiu de procurar emprego ou quem ganha bolsa x ou y não conta nas estatísticas, por isto, anda tão baixa).

8. O que fazer, como cristão que sou? a) devo orar pela paz e pelo governo, não só em tempo de eleições, mas em todo tempo; b) devo estar alerta, não só em tempo de eleições, mas entre elas, quando as coisas de fato acontecem - leia, informe-se, fale, pressione e vote certo nas próximas eleições; c) lute contra as pequenas corrupções para que tenha como perceber e lutar contra as grandes - pequenas corrupções admitidas em nossas vidas nos cegam para a grande corrupção ao nosso redor; d) ore para que a nossa jovem democracia e suas instituições resistam às pressões e leis que serão empurradas goela abaixo nos próximos 4 anos; e) lembre-se, a esperança do cristão está em Cristo e não no estado e no governo, porém, cabe-nos agir sempre em função da verdade e da paz, denunciando a corrupção e os sistemas que a alimentam.

***
Fonte: O Tempora! O Mores!
.

Pastores, líderes e editoras: precisamos de uma teologia apologética tupiniquim

.

Por Leonardo Gonçalves


A apologética cristã – um discurso em defesa das doutrinas cristas - é talvez um dos tópicos mais negligenciados pelos nossos estudiosos. Raramente consta no currículo de algum seminário e comumente se confunde com a heresiologia. No entanto, o atual quadro do cristianismo me faz pensar que poucas vezes ela foi tão necessária. Em tempos difíceis como os nossos, em que evangélicos estão dando as mãos aos católicos, espíritas e budistas em nome do “diálogo inter-religioso” e em que despontam novas espiritualidades, algumas estranhas e avessas ao evangelho de Jesus, é preciso que a liderança séria do nosso país se desperte para a necessidade de elaborarmos uma sólida apologética com a qual possamos combater as doutrinas modernas, geralmente diluídas entre filosofias ocas e relativizantes.

Uma das razões porque defendo que a teologia brasileira deve ter ênfase apologética, vem do nosso contexto histórico-cultural. Os portugueses trouxeram o catolicismo romano. Os africanos arribaram suas crenças em espíritos orixás. Os nativos contribuíram com suas crenças animistas. Isso sem falar no êxodo que houve por ocasião das guerras mundiais, quando japoneses, italianos, poloneses, alemães aportaram por aqui, cada grupo trazendo sua própria cultura religiosa, a qual se misturaria com as crenças já diluídas dos brasileiros. A verdade é que vivemos em uma nação continental onde credos e raças se confundem e exercem influência sobre a sociedade e a religião, demandando dos pastores e pesquisadores um constante raciocínio apologético.

A segunda razão porque defendo a tese de que a teologia brasileira deve ser apologética, é a nossa obstinação em importar tendências. Historicamente acostumados a toda sorte de crenças estrangeiras, o povo brasileiro tem como praxe a “tolerância”. Na verdade, a nossa cultura se parece mais com uma grande esponja, a qual tudo absorve e incorpora, e esta tendência também pode ser vista nas igrejas. Assim, em um mesmo segmento evangélico é possível encontrar conceitos que variam da Teologia da Prosperidade ao Teísmo Aberto, e do Neopentecostalismo ao Liberalismo Teológico. É necessário que a liderança séria do nosso país seja revestida de uma percepção apologética e através de meditação e submissão à Palavra, comece a separar os alhos dos bugalhos.

A terceira razão porque defendo a elaboração de uma teologia apologética nacional é que ninguém conhece melhor a igreja brasileira do que os crentes brasileiros. Obviamente que, como muito do que acontece no cenário teológico é um déjà vu de alguma teologia que surgiu lá fora, a produção de apologistas estrangeiros é de grande importância para nós. Não podemos, porém, negligenciar o fato de que nosso país tem uma problemática própria e muitas das nossas inquietudes não perturbam os grandes mestres da apologia internacional. Lá, fala-se muito em ateísmo e evidências da ressurreição, mas aqui no Brasil o numero de ateus e de pessoas que não creem na ressurreição é consideravelmente menor, sendo este assunto, em certo sentido, menos relevante para nós. Por outro lado, o brasileiro convive com espiritismo, reencarnacionismo e ritos africanos que se misturam com crenças cristãs, mas pouca gente lá fora está preocupada com isso. Assim, ao importar todos os livros de apologética estrangeira, memorizar seus jargões e despejar aquele “grande conhecimento” sobre nossos ouvintes, corremos o risco de ser supérfluos ao ponto de responder perguntas que ninguém está fazendo.

Creio que o momento é oportuno para implantar a apologética em nossas escolas teológicas, dando a ela não um papel secundário, mas essencial na formação dos nossos teólogos e líderes eclesiásticos. Também penso que as editoras evangélicas não perderiam em investir em apologistas nacionais tanto ou até mais do que investem na tradução de obras estrangeiras, pois o que percebo é uma grande carência de estudos especializados voltados para nossa realidade nacional. Penso ainda que a popularidade dos blogs e sites que se dedicam à defesa do cristianismo em um contexto tupiniquim é a prova cabal de que jamais houve momento melhor para se investir nos apologistas nacionais.

É tempo de investir numa teologia com sotaque nordestino, mineiro, paulista e paraibana; uma teologia verde-amarela, indígena, mameluca, curiboca, teologia mulata, robusta, com cara de Brasil.

***
Fonte: Púlpito Cristão
.

Rubem Alves: lembranças pouco agradáveis

.

Por Pb. Solano Portela


Patrulhamento teológico, ou responsabilidade cristã?

... exortando-vos a batalhardes diligentemente pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos”. Judas 1.3

Vivemos em meio a heresias e distorções do cristianismo histórico, e somos impelidos, pela própria Bíblia a, repetidamente, reafirmar os ensinamentos das Escrituras. É verdade que por vezes cansamos e chegamos a duvidar se vale a pena gastar tempo em tanta discussão. Alguns críticos, neste nosso blog, várias vezes aventaram se não estávamos forçando um pouco a barra em cima dos liberais. Deveríamos falar de outras coisas; de pontos mais positivos. 

É verdade que ninguém gosta muito de controvérsia. Apesar de umas poucas pessoas darem a impressão de serem alimentadas por dissonâncias de opiniões, a grande maioria, principalmente do Povo de Deus, procura a concórdia e a harmonia. Não nos sentimos bem discutindo questões a toda hora e isso é um reflexo de que Deus nos tem chamado “à paz” (1 Co 7.15). No entanto existe “paz” que pode ser enganosa, superficial e até mortal. Controvérsias doutrinárias, por mais desagradáveis que sejam, ocorrem no seio da igreja. Muitas vezes somos sugados a uma batalha que não nos alegra, nem representa o nosso desejo. Estas ocorrem na época e na providência divina, exatamente para nos testar, para que o nosso testemunho possa ser renovado, para que aqueles que introduzem falsos ensinamentos sejam revelados e identificados na igreja visível. A história já provou como a doutrina verdadeira é depurada, triunfa e é cristalizada e esclarecida às gerações futuras, no cadinho da controvérsia.

Como bem indica Judas 1.3 (acima), esta é uma luta não só de especialistas ou de algum "clero especializado, mas de todos nós. Temos que ter a consciência de que vivemos uma batalha na qual nossas mentes e corações são testados pelas mais diferentes correntes de pensamento. Ela é vencida quando brandimos a Espada do Espírito – a Palavra de Deus; quando nos empenhamos no estudo das Escrituras e enraizamos suas doutrinas nas nossas vidas, de tal forma que vamos ficando equipados a reconhecer o erro e seus propagadores. Sempre mantendo uma postura cristã no trato, devemos ter firmeza doutrinária sobre o que cremos, principalmente porque existem aqueles que não possuem o mínimo apreço pela Bíblia, mas sorrateiramente possuem seguidores em nossos arraiais.

Um grande exemplo claro disso foram os convites que eram feitos ao famoso educador, escritor e ex-pastor Rubem Alves para conferências e palestras em igrejas presbiterianas, nos no início deste século (>2000). Ele estava sendo convidado, apresentado e reverenciado em certos círculos presbiterianos e isso motivou até uma decisão do concílio maior da igreja - para que ele não tivesse a plataforma eclesiástica, contra a qual havia se pronunciado e se insurgido em tantas ocasiões. Agora, com o seu falecimento neste dia 19 de julho de 2014, ressurgem pronunciamentos enaltecendo não apenas as qualificações literárias do falecido, mas também a presença de um suposto espírito cristão elevado e uma mensagem essencialmente cristã em suas palavras e textos.

Ora, ninguém disputa as grandes qualificações acadêmicas e o enorme talento que o Sr. Rubem Alves possuiu. Ele encantou multidões, principalmente educadores, com suas palestras e livros de histórias. No entanto, como desconhecer que foi uma pessoa que abjurou publicamente da fé? Como ignorar que ele, tanto explicitamente como nas entrelinhas, propagou uma mensagem destrutiva contra os ensinamentos da Palavra de Deus? Se a situação de tietagem teológica equivocada estava se alastrando a um ponto em que o Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil, definiu explicitamente que ele não deveria ocupar púlpitos da denominação, será que com a sua morte haverá o esquecimento disso e caminhamos para uma quase "canonização" protestante? É claro que o seu nome é alvo da abordagem politicamente correta que, em ocasiões do falecimento, oblitera as falhas e exalta as virtudes, mas o problema é que essa visão enaltece pronunciamentos metafísicos do Rubem Alves, que são letais para a alma. Não podemos passar às gerações à frente a ideia de que tombou no campo de batalha um grande general, ou mesmo soldado, cristão, que foi injustiçado ou incompreendido em suas proposições.

Se você duvida da propriedade dessa análise (ou até da decisão conciliar da Igreja Presbiteriana), veja algumas frases que Rubem Alves proferiu, em 2004, em uma igreja presbiteriana do Rio de Janeiro que o havia convidado para uma cerimônia (pasmem!) de comemoração da Reforma do Século 16 – logo ele, que é contra tudo o que os reformadores ensinaram. Disse ele: “... Deus criou o homem e viu que era bom. Ser homem deve ser, na realidade, melhor do que ser Deus tanto que Deus se encarnou como homem. Somente um Deus cruel e sádico enviaria seu próprio filho para morrer daquela forma para pagar os pecados humanos. Essa ideia é construção do medievalismo. Acho que Deus quis ser homem porque ser homem deve ser melhor do que ser Deus”.

Acho que dá para entender por que não podemos deixar passar esse resgate de sua biografia em branco. Faz parte do "batalhar pela fé". Deus é todo-poderoso e não precisa de nós para cumprir seus propósitos. Na realidade, é o próprio Cristo que nos ensina que “as portas do inferno” não prevalecerão sobre a sua igreja. No entanto, é a sua Palavra que nos comissiona a vigiar e orar; a estarmos alerta porque Satanás está nos rodeando, almejando a nossa queda. Que Deus nos capacite e nos dê discernimento sobre a multidão de ensinamentos falsos que estão infiltrados no meio dos evangélicos pela ação dos falsos mestres. Rubem Alves pode ser lembrado como um grande escritor e exímio contador de estórias, mas nunca como um teólogo, ou como alguém que tinha uma mensagem verdadeira das coisas espirituais.

***
Fonte: O Tempora! O Mores!
Foto: Divulgação/Instituto Rubem Alves
Arte: blog Bereianos
.

O Discipulado na Missão da Igreja - 2/2

.

Por Luiz Augusto Corrêa Bueno


O próximo passo nesta Teologia Bíblica de Discipulado é a vida do apóstolo Paulo. Antes, porém, necessitamos reconhecer que a vida de Barnabé foi eminentemente uma vida de um discipulador que influenciou a Paulo profundamente. O próprio apóstolo Paulo foi amparado por ele. A pessoa de Barnabé, no início da vida ministerial de Paulo foi um braço onde este pôde se segurar, não somente pela confiança que Paulo depositou em Barnabé, mas também pela determinação deste para o encontrar e levá-lo até Jerusalém a procura dos outros a apóstolos. (At 9.27). Atos 11.22-25, nos relata que Barnabé era um apaixonado pelo reino de Deus. O versículo 23 afirma que, ele vendo a graça de Deus prosperar em Antioquia, alegrava-se e exortava a que todos permanecessem firmes na fé. Contudo, Barnabé não poderia fazer o serviço de Discipulado em Antioquia sozinho. Então, toma a decisão de ir a Tarso, buscar a Paulo, para que juntos, durante todo um ano estivessem discipulando toda aquela gente.

O exemplo do Apóstolo Paulo é, sobretudo, uma das bases que a Igreja deveria usar para, freqüentemente estimular-se ao Discipulado como estilo de vida para a Missão da Igreja. Não somente pela sua vida, como nos conta Lucas em Atos dos Apóstolos, mas também pela sua maneira de entender este princípio. Poderíamos analisar vários textos em nosso trabalho, mas iremos estudar um deles que está em Colossenses 1.28. “...o qual nós anunciamos, advertindo a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, a fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo”. O texto identifica claramente a visão e a missão global de Paulo, quando o mesmo usa três vezes a palavra “todo”, declarando seu compromisso com um evangelismo integral ou holístico. A idéia de todo homem também denota a abrangência de seu chamado missionário. Não apenas aos judeus, mas também aos gentios. Esta abrangência em tratar com todo homem também identifica as bases de seu trabalho.

A primeira base é o anúncio. “Anunciamos”, é a apresentação do evangelho de forma clara, mas pessoal. Katangellomen (Kataggelomen), é a proclamação de uma mensagem oficial. O primeiro fator do Discipulado é a apresentação das boas novas, mensagem esta que tem a ver com uma proclamação histórica acerca de Jesus e ao mesmo tempo um chamado a conversão através da fé e arrependimento.

Contudo, além do anunciar Paulo usa a palavra “admoestando”, (nouqetountes). Esta palavra traz a conotação de um trabalhar de mente, mais semelhante ao aconselhamento, a admoestação da mente, a um forjar de caráter. É um trabalho mais pessoal e direto, levando o discipulando ao renovar de sua mente como nos enfatiza o próprio Paulo em Romanos 12.2. Pelo que entendemos, admoestar segundo o texto, é o caminhar com seu discípulo mesmo no deserto, não “vendendo seus mapas” para que este encontre o caminho para a saída deste deserto, mas sendo um guia, que caminhando com ele até o fim de sua jornada, chegarão juntos e se dessedentarão no oásis da vida.

O Discipulado de Paulo também tem uma terceira etapa. É o Ensinar. A palavra “ensinando” (didaskontes) denota que as pessoas que aceitavam o novo estilo de vida cristã eram conduzidos através de um processo de instrução, doutrinamento e treinamento. Na verdade isto tem a ver com o ensino doutrinário e prático. A doutrina conduzindo o discípulo à prática em sua vida pessoal.

Priscila e Aquila são outro exemplo de Discipulado. Embora sendo um casal extremamente envolvido com a evangelização, o tempo que dedicaram a Apolo tornaram-no um pregador muito mais aperfeiçoado do que antes de se conhecerem. A Escritura afirma que Apolo era homem eloquente, poderoso e instruído. Todavia somente conhecia o evangelho de João. Seu Discipulado era de fato parcial, mas Priscila e Aquila como diz a Palavra, “expuseram-lhe com mais exatidão o caminho de Deus” (Atos 18.24-28). Isto significa que Discipulado é antes de tudo também uma exposição sistemática da Palavra toda.

IV. Discipulado e Plantação de Igrejas

O propósito do Ministério Paulino era sempre o de plantar novas igrejas. O princípio fundamental para a fundação de igrejas era o Discipulado. David Hesselgrave em seu livro “Plantar Igrejas, um guia para missões nacionais e transculturais”, usa o chamado Ciclo Paulino para identificar a plantação de igrejas como princípio inarredável na Escritura. Uma das partes deste ciclo é o denominado de “Discípulos Confirmados”, objetivando que o Discipulado é parte integrante e essencial para a plantação de novas comunidades. É o que podemos ver em Atos 14.21-23. Neste texto, Lucas narra que Paulo e Barnabé tendo feito muitos discípulos retornam para a região de Listra para confirmá-los e fortalecê-los. O Plantio de igrejas está estreitamente ligado com o Discipulado.

No texto de II Timóteo 2.2, Paulo assevera que há necessidade de se escolher pessoas fiéis e idôneas para tal serviço. E idoneidade significa capacidade e habilidade para tal. Portanto, necessita-se treinar e gastar tempo com o chamado “leigo”. O recurso negligenciado pela Igreja é o seu membro. O crente que tenha recebido cuidadosa e conveniente instrução bíblica e treinamento garantem sua integração plena na vida da Igreja. Aqui está o segredo de uma igreja crescente. Dentro da plantação de igrejas, um dos aspectos mais esquecidos, é o aspecto pessoal da Integração onde atualmente deveria ser o ponto mais forte da Igreja e centro de toda a atenção.

O grande problema das igrejas é o que podemos chamar de orfandade espiritual. Os recém-convertidos são simplesmente deixados de lado e os que permanecessem na igreja tornam-se órfãos espirituais. Waylon Moore diz: “Na maioria das igrejas os convertidos são simplesmente adicionados ao rol de membros e abandonados a cuidarem espiritualmente de si mesmos. É doloroso afirmar, mas o fato é de que existem muitos órfãos e poucos pais espirituais em nossas igrejas”.

A resposta para isto é a realidade do ministério Paulino. O apóstolo Paulo se considerava como Pai de todos os discípulos de Cristo. (I Co 4.15; Gl 4.19; I Ts 2.11). O Discipulado chama a igreja a se responsabilizar pelo seu membro. Não apenas fazê-lo um bom conhecedor de doutrinas, mas na convivência do Discipulado, torná-lo alguém extremamente comprometido com a sua comunidade.

Este compromisso da igreja passa por três importantes etapas:

1. A necessidade do Aconselhamento. É a condição básica para gerar um “filho”. Discipular sem aconselhamento, pode gerar vidas desequilibradas e desajustadas espiritualmente. É o que vemos acontecer atualmente nas comunidades. Ou o crente será um fundamentalista ou um liberal tanto teológico como ético.

2. A necessidade de Alimentação. O Discipulado sugere uma alimentação sistemática (I Pe. 2.2). A carnalidade e imaturidade espiritual dos Coríntios era gerada pela ausência de alimento (I Co 3.2). Para um Discipulado, efetivo uma alimentação progressiva é essencial. Os hebreus estavam também passando por este mal. Pelo tempo decorrido já deveriam ser mestres, mas importante seria que o escritor voltasse aos rudimentos e às bases elementares da fé cristã. (Hb 5.11-14).

3. A necessidade de Proteção. O Discipulado visa também o cuidado com a sua vida pessoal . Jesus já afirmava isto aos discípulos quando falava dos falsos profetas (Mt 7.15-20). Paulo enquanto está finalizando seu sermão aos presbíteros de Éfeso também tem o cuidado de alertá-los (Atos 20.29,30). Um dos deveres do discipulador é ensinar ao convertido como enfrentar as tentações com a Palavra. Os que não recebem o devido cuidado podem tornar-se crentes delinquentes. Estes naturalmente causarão tropeço a muitos. (I Cor 10.32 / 2 Cor 6.3).

A prova de que houve ensino em seu Discipulado é a estabilidade do crente sob pressão. Paulo afirma que a eficácia de seu trabalho era medida pela capacidade de eles vencerem a tentação (I Ts 3.5). Outra prova é o testemunho e a frutificação. Deste modo vemos o Discipulado como algo extremamente prático e questão inegociável para a plantação de igrejas (Fl 2.15-16).

V. Implicações práticas para a Missão da igreja

Uma das grandes chaves para o desenvolvimento da visão do Discipulado é a compreensão das comunidades locais com respeito a função do chamado “leigo”. Talvez a grande crise que a igreja cristã em seu todo atravessa, é devido a um equívoco histórico interpretativo da palavra laikos. Até porque, atualmente a atividade do pastor é da mais alta importância, no sentido de que ele se esmere em realizar o maior número de tarefas, enquanto que os leigos permanecem como bons ouvintes de seus sermões. Quando muito, se dedicam temporariamente a algum evento religioso.

Podemos questionar saudavelmente, o tipo de Discipulado usado hoje em dia nas igrejas locais. Pois quando há, o encontramos na forma de um evento ou programa que não atinge a todos os crentes. A idéia de Discipulado que hoje absorvemos, brota da necessidade de fazer a comunidade crescer e não pelo fato de que este é um estilo de vida esperado por todo seguidor de Jesus. Mais sério ainda, é a visão de esta tarefa é atribuída ao pastor e aos seus obreiros, mas nunca aos crentes. Isto nos prova que ainda estamos ligados ao famoso “clericalismo”, que visivelmente os reformadores se posicionaram contrariamente, mas que hoje, mantém-se não somente na forma e nos métodos, mas também em princípios e conceitos dentro das comunidades locais.

Para tanto, ousamos lembrar de um dos capítulos da apostila da disciplina de Estratégias e Metodologias Missionárias do Rev. Antônio José do Nascimento Filho quando bem expõe sobre o assunto. Na verdade, a distinção entre laicato e clero procede da tradição da Igreja Católica Romana. Esta idéia correlaciona-se com a visão de igreja e mundo para os romanistas. O clero com o direito de administrar os sacramentos e o laicato que deve receber o ensino e a condução dos mesmos. Tanto Lutero como Calvino rejeitaram a estrutura clerical dando importância a todos os membros da igreja, onde todos eram considerados laikos. O Discipulado como princípio e ordem é para todo laicato. Todos são discípulos e então todos discipularão. Se a ordem foi dada como Comissão à igreja, toda a igreja está empenhada a realizar, não como evento, mas sim como estilo de vida pessoal.

Larry Richards explica a questão do Discipulado ser um fato significativo no Novo Testamento é devido ser este um empreendimento mútuo demonstrando que a visão do laicato deve ser de manifestar a reciprocidade do Discipulado. Em sermos Laos de Deus, temos o papel de crentes-sacerdotes, isto é, somos chamados para discipular uns aos outros. Isto nos leva a entender Discipulado num contexto de relacionamento pessoal íntimo e cheio de amor. Sobretudo, sendo reconhecido como um princípio para todo cristão e não apenas para aqueles que foram ordenados para o ministério sagrado.

Após 32 anos da ressurreição de Jesus, os primeiros cristãos já haviam atingido todo o mundo pagão de seu tempo com a mensagem do evangelho sem rádio, sem imprensa, ou outro dos meios modernos de comunicação, usados em nossos dias na pregação. O segredo era a visão de que todos os crentes eram, na verdade, discipuladores em potencial.

Embora fundamentando nosso estudo de que o Discipulado é um envolver de todo o laicato da igreja, acreditamos que o Discipulado como principio orientador da vida da igreja. Isto tem sua conseqüência na descoberta e no treinamento de líderes discipuladores. Se olharmos novamente para a experiência de Jesus no Discipulado dos doze, o Mestre usava todas as experiências vivenciais para o adestramento dos seus discípulos que viriam a se tornar apóstolos de Sua Igreja. Jesus usava a pregação, a cura, e a discussão para estimular, despertar e causar impacto na vida dos discípulos. Ferramentas que usava para treinar o grupo de homens que se encarregaria de transmitir depois a mensagem de sua vida, da sua morte e da sua ressurreição.

Da mesma forma que Cristo se utilizou, podemos discernir e usar os mesmos padrões para treinar os líderes em nossas igrejas como visão do laikos. Uma vez que plantamos igrejas, somos responsáveis por ensinar de maneira correta o treinamento dos líderes. Devemos examinar as prioridades do ministério. Se o Discipulado é um princípio fundamental para a missão da igreja, precisamos concentrar os esforços em “pessoas” e não em “coisas”. Moore citando Samuel Schoemaker diz acertadamente que “a principal tarefa da igreja não é realizar muito trabalho, nem alistar grande número de membros, nem levantar muito dinheiro.

Sua principal missão é moldar vidas à imagem de Jesus Cristo. E as pessoas não podem ser talhadas da massa bruta por atacado, mas uma por uma. Além disso, o treinamento de líderes é uma vivência com o discípulo. Provérbios 27.17, afirma: “Afia-se o ferro com o ferro; assim o rosto do seu amigo”. Logo, o Discipulado fundamenta-se “no estar com”. Na vivência com os discípulos, Jesus em seu treinamento, se relacionava mais a caráter e personalidade do que a conhecimentos e métodos. “Muitos dos pastores andam tão ocupados com tantas diferentes coisas que a correria com que trabalham põe em risco seu ministério e sua vida espiritual, como também lhes torna impossível treinar pessoal e adequadamente os membros de sua igreja para o evangelismo integral. A próxima implicação para a igreja atual é a respeito da verdadeira evangelização e o crescimento da mesma. Estas questões nos levam a analisar o que significa crescimento de Igreja. Evangelização sem integração ou Discipulado sempre falhou e falhará no seu objetivo de ganhar o mundo. O máximo que se consegue é a adição de algumas pessoas à igreja”.

“Em pouco mais de dez anos Paulo estabeleceu a Igreja em quatro províncias do Império: Galácia, Macedônia, Acaia e Ásia. Antes de 57 d.C. Paulo já podia falar do seu trabalho ali como tendo sido completado e podia planejar viagens extensivas para o extremo ocidente sem preocupação de que as igrejas que fundara pudessem na sua ausência pela falta de orientação e apoio.

VI. Conclusão

Este trabalho nos estimulou a procurar biblicamente as causas do crescimento e missão da igreja e respondê-las através do Discipulado. O grande desafio da igreja é ainda hoje, o moldar vidas segundo o caráter de Jesus Cristo. O Discipulado Missionário, se assim podemos nomeá-lo, ainda não está satisfazendo biblicamente o Senhor da Seara. Ao analisarmos todos os pontos essenciais da vida de Cristo, somos inarredavelmente levados a procurar reavaliar a vida cristã e, sobretudo, através de uma autocrítica, desafiados a tornar nossas comunidades, igrejas de discipuladores. Carecemos de pessoas fiéis e idôneas, que possam transmitir a outras este caráter de Cristo, não apenas pela verbalização, mas também com a vida. A igreja necessita de um arrependimento verdadeiro e mudança de vida. Deve tornar a vida mais simples e menos rebuscada, mais cheia de frutos de vida e menos ativista, mais cristã e menos institucionalizada. Se acreditarmos no Discipulado, seremos os primeiros a mudar, e se isto acontecer de fato, cumpriremos cabalmente a Grande Comissão não como um programa a mais, mas como um estilo de vida, para a Glória e Honra de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Soli Deo Gloria

_______________
VI. Bibliografia:
• Bíblia - Edição revista e Atualizada - 1998 - Sociedade Bíblica do Brasil
• Brown, Colin - O Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento - 4 vols. São Paulo - Edições Vida Nova 1984
• Coleman, Robert - The Master Plan of Discipleship - 1987 - Zondervan
• D’áraujo Filho, Caio Fábio de - Seguir Jesus: O mais fascinante projeto de vida - Ed. Betânia - 1984.
• Hesselgrave, David - Plantar Igrejas - Um guia para Missões Nacionais e Transculturais, Vida Nova - 1985
• Kornfiel, David - Em: Ultrapassando Barreiras - Edições Vida Nova - Vol II - 1997
• Moore, Waylon B. - Integração segundo o Novo Testamento - Juerp - 1985
• Nascimento Filho, Antônio José - Estratégias e Metodologias Missionárias - 1999
• Richards, Lawrence - Teologia do Ministério Pessoal - Ediçòes Vida Nova - 1985
• Richards, Lawrence - Teologia da Educação Cristã - Edições Vida Nova - 1985

***
Fonte: Monergismo

Leia também a primeira parte do artigo, aqui!
.