Os perigos de uma igreja que não te disciplina

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Disciplina eclesiástica (Mateus 18.15-20) é muitas vezes confusa, custosa e danosa. Quando um crente tem de ser publicamente afastado da igreja local, a dor sentida costuma ser inigualável.

Ainda assim, quando praticada biblicamente, ela é biblicamente consistente com o amor, o cuidado, e a obediência bíblica a Cristo. Mark Dever acertadamente afirmou que a disciplina eclesiástica é “um amoroso, provocativo, atrativo, distinto, respeitoso e gracioso ato de obediência e misericórdia, e ajuda a construir uma igreja que traz a glória de Deus”. Nessa mesma linha, um amigo meu foi biblicamente disciplinado para fora de uma grande igreja, e, até os dias de hoje, admite que isso foi uma das melhores coisas que já aconteceu com ele. Mas, mais importante, isso é uma questão não negociável no tipo de Igreja que Deus deseja.

Aconselhamento Noutético

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Noutético vem da palavra de origem grega “nouthesia”, que literalmente significa “o ato de pôr em mente” (formado de nous, “mente”, e tithemi, “pôr”). O termo nouthesia é “o treinamento pela palavra”, quer por incentivo, ou, se necessário, por reprovação ou reclamação. Em contraste com isso, o sinônimo “Paideia” enfatiza treinar por ação, embora as palavras sejam usadas em cada aspecto.

O aconselhamento Noutético é um tipo de admoestação cujo objetivo é proporcionar orientação para uma vida correta diante de Deus. O que subentende também correção e a denúncia a qualquer padrão que seja incoerente com o viver cristão. A atividade noutética conforme ensina o Novo Testamento, indica que todos os cristãos, e não somente os pastores, devem ocupar-se no ensino e confrontar-se mutuamente (Rm 15.14). Porém, a atividade noutética caracteriza-se principalmente como parte integrante do ministério pastoral. Ao se despedir dos presbíteros de Éfeso, Paulo descreve, em (Atos 20.31), a atividade que desenvolvera enquanto estivera com eles, e os exortou a continuarem a mesma obra entre o povo.

Paulo foi um missionário, e onde quer que demorasse um pouco mais, atirava-se à sólida obra pastoral necessária para a edificação das pessoas na fé, sendo a atividade noutética parte proeminente dessa obra, razão porque suas cartas estão cheias de nomes de pessoas específicas, com as quais se envolvera muito intimamente. Ele não se limitava a pregar nas praças, mas lidava com as pessoas como indivíduos, grupos e famílias, confrontando-as nouteticamente. Existem três elementos da confrontação noutética que precisamos considerar aqui. Quais sejam:

1 – A atividade noutética e a sua conjunção com “didaskõ”.

Didaskõ é uma palavra grega e significa “Dar instrução” “ Ensino” (Cl 3.16). Em outros textos, contudo, o termo vai além do conceito de “ensino”. A confrontação noutética sempre envolve um problema e pressupõe um obstáculo que tem que ser vencido. A palavra didaskõ não envolve, necessariamente, um problema. Sugere, simplesmente, a comunicação de informação. Não inclui coisa alguma que diga respeito ao ouvinte, mas se refere exclusivamente à atividade do instrutor. A pessoa que está sendo ensinada pode estar ansiosa ou não por receber a instrução. Pode ter gastado razoável quantia ou ter percorrido longas distâncias para recebê-las ou então pode reagir como o típico aluno recalcitrante.

A noutese localiza aquele que faz a confrontação e aquele que a sofre, pressupondo, especificamente, a necessidade que se verifique mudança na pessoa confrontada, a qual pode opor ou não alguma resistência. A idéia de alguma coisa errada, algum pecado, alguma obstrução, algum problema, alguma necessidade que precise ser reconhecida e tratada, é uma idéia fundamental. O propósito básico da noutese é o de efetuar mudança de conduta e de personalidade.

2 - A atividade noutética e a sua conjunção com a “palavra”.

O segundo elemento inerente ao conceito de confrontação noutética é que os problemas são resolvidos por meios verbais. É o treinamento mediante a palavra de encorajamento, quando isso basta, ou de admoestação, de reprovação, de censura, quando estas se fazem necessárias. Assim, ao conceito de noutese deve-se acrescentar a dimensão adicional de confrontação verbal pessoa a pessoa, cujo objetivo é realizar mudança de comportamento e de caráter no consulente. No seu uso cristão, visa pôr em ordem o indivíduo, mediante a mudança de seus esquemas de conduta, de modo que estes se enquadrem nos padrões bíblicos. A mudança de personalidade, segundo as Escrituras, envolve confissão, arrependimento e o desenvolvimento de novos padrões de conduta. Tudo entendido como obra do Espírito Santo, pois tudo o que constitui esse ministério é por Ele tornado eficaz. Os métodos comuns de aconselhamento recomendam longas “excursões” retrospectivas rumo às confusões dos porquês e para-quês da conduta. O aconselhamento noutético aplica-se intensamente à discussão do o quê. O que foi feito? O que precisa ser feito para corrigi-lo? O que deverá constituir as futuras reações e respostas? A ênfase é no o quê, visto que já se sabe o “porquê’, antes de iniciar-se o aconselhamento. A razão pela qual as pessoas se envolvem em problemas em suas relações com Deus e com o próximo está em sua natureza pecaminosa.

3 - A atividade noutética e a sua conjunção com o “benefício ou ajuda”.

O motivo subjacente à atividade noutética é que sempre se tem em mente que a correção verbal visa beneficiar o interessado. Esse terceiro elemento implica em mudar aquilo que, na vida do consulente, o está ferindo. A meta deve ser a de enfrentar diretamente os obstáculos e vencê-los verbalmente, não com o fim de puni-lo, mas sim o de ajudá-lo. A idéia de castigo, mesmo o de cunho disciplinar, não é contemplada no conceito de confrontação noutética. A noutese é motivada pelo amor e profundo interesse, sendo que os consulentes são aconselhados e corrigidos por meios verbais para seu bem. O objetivo final é que Deus seja glorificado.

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Sobre o autor: Jay Edward Adams exerce um ministério de mais de 40 anos na área de aconselhamento bíblico. Obteve seu Ph.D pela Universidade de Missouri e serviu como professor no Seminário Teológico de Westminster por vários anos. Dr. Adams fundou os ministérios Christian Counseling and Educational Foundation (CCEF) e National Association of Nouthetic Counselors (NANC).
Fonte: Exposição Teológica
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Como Manter a Igreja Viva

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Uma das passagens mais dramáticas da Bíblia é Isaías 1:10-20, em que o profeta repreende a Igreja do A. T., chamando seus líderes de príncipes de Sodoma e Gomorra, cidades famosas pela iniquidade. O povo de Deus havia se corrompido ao ponto de Deus não mais ter prazer em receber o culto dele.

Infelizmente, esse quadro de decadência da Igreja de Deus neste mundo se repetiu por muitas vezes. O povo de Deus esfria em sua fé, endurece o coração, persevera no pecado e serve de péssimo testemunho ao mundo. Devemos evitar que a decadência espiritual entre em nossa vida. Existem quatro coisas que podemos fazer para evitar o declínio espiritual da Igreja, com a graça de Deus:

(1) Tratar o pecado com seriedade. Nada arruína mais depressa a vida espiritual de uma comunidade do que permitir que os pecados dos seus membros permaneçam sem ser tratados como deveriam. Lemos na Bíblia que, quando Acã desobedeceu a Deus, toda a comunidade sofreu as consequências. Nossos pecados ocultos, escondidos, não confessados e arrependidos constituem-se num tropeço espiritual que entristece o Espírito de Deus, e acaba se espalhando pela Igreja e envenenando os bons costumes e a fé.

(2) Zelar pela sã doutrina. A verdade salva e edifica a Igreja, mas a mentira é a sua ruína. O erro religioso envenena as almas e desvia o povo dos retos caminhos de Deus. O Senhor Jesus criticou severamente a Igreja de Pérgamo por ser tolerante para com os falsos mestres que a infestavam com falsos ensinos (Ap 2.14-15). Da mesma forma, repreendeu a Igreja de Tiatira por tolerar uma mulher chamada Jezabel, que se chamava profetiza, e que ensinava os membros da Igreja a praticarem a imoralidade (Ap 2:20). Devemos ser pacientes e tolerantes, mas nunca ao preço de comprometermos o ensino claro do Evangelho.

(3) Andar perto do Senhor da Igreja. É Deus quem nos mantém firmes e puros. A Bíblia diz que, se nós nos achegarmos a Deus, ele se achegará a nós. A Bíblia também nos ensina que Deus estabeleceu os meios pelos quais podemos estar em contínua comunhão com Ele. Estes meios são: os cultos públicos, as orações e devoções em particular, a leitura e a meditação nas Escrituras, a participação regular na Ceia do Senhor. Cristãos que deixam de usar estes meios acabam por decair espiritualmente. A negligência destes meios de graça abre a porta para a acelerada decadência espiritual e moral de uma Igreja.

(4) Estar aberta para reformar-se. A Igreja deve sempre estar aberta para ser corrigida por Deus, arrepender-se de seus pecados e reformar-se em conformidade com o ensino das Escrituras. Nas cartas que mandou às igrejas da Ásia Menor através de João, Jesus determinou às que estavam erradas a que se arrependessem (Ap 2.5,16,21; 3.3,19). Elas precisavam ser reformadas e mudar o que estava errado. Estas medidas devem também ser aplicadas a nós, individualmente. Deveríamos procurar evitar a decadência espiritual da nossa prática religiosa, mantendo a chama da fé pela frequência regular aos cultos, pela leitura diária da Bíblia, por uma vida de oração e comunhão.

Queira nosso Deus dar-nos vigor para mantermo-nos e à nossa igreja sempre vivos espiritualmente.

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Autor: Rev. Augustus Nicodemus Lopes
Fonte: Boletim Informativo PIPG - Ano XX - Nº 39
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A Disciplina Eclesiástica

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J.MacArthur Jr. afirma: “Durante este século (XX), na maior parte do tempo, o Cristianismo evangélico vem se concentrando na batalha pela pureza doutrinária, e deve fazê-lo, mas estamos perdendo a batalha pela pureza moral. Temos pessoas com a teologia certa, vivendo de modo impuro.  

Mas, como impedir que a impureza mundana penetre na Igreja? Como impedir que os valores do mundo não sejam assimilados e praticados pelos crentes hoje? Há uma dupla resposta: primeiro, somente Deus, através da sua providência sobrenatural, pode impedir que a sua Igreja se deteriore moralmente (Ef 5.26); segundo, Jesus Cristo autorizou a liderança ordenada da Igreja que use a disciplina eclesiástica como um instrumento de combate ao pecado (Mt 18.15-17).

Estudemos a doutrina bíblica da disciplina eclesiástica. Ela é um instrumento de combate ao pecado dentro da Igreja.

1. JESUS ORDENOU A DISCIPLINA

A disciplina eclesiástica é uma ordem divina. Jesus a instituiu na Igreja ao autorizar os apóstolos a corrigir os membros da Igreja que viviam na prática de determinados pecados. É conforme o texto de Mateus 18, o poder de “ligar” ou “desligar” pecados, isto é, autoridade à liderança ordenada da Igreja para combater o pecado dentro da comunidade. “Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra terá sido ligado nos céus, e tudo o que desligardes na terra terá sido desligado nos céus” (Mt 18.18 cf. Jo 20.23). 

Entende-se que cada pessoa possui o foro íntimo da consciência, a qual escapa à jurisdição da igreja. Contudo, há o foro externo que deve ser observado. Quando um membro da Igreja comete uma falta ou pecado que prejudique a paz e a pureza da mesma, deve ser disciplinado. “Falta é tudo que, na doutrina e prática dos membros e concílios da Igreja, não esteja de conformidade com os ensinos das Sagrada Escritura, ou transgrida e prejudique a paz, a unidade, a pureza, a ordem e a boa administração da comunidade cristã” (CD da IPB).

2. RESISTÊNCIAS À DISCIPLINA

Há uma grande resistência hoje, na Igreja, à prática da disciplina. Alguns argumentos são usados:

  1. Argumento do Amor
    A disciplina eclesiástica é contrária ao amor.
    Resposta: (Rm 13.8-10; He 12.4-12).
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  2. Argumento de Liberdade
    A disciplina eclesiástica opõe-se a liberdade cristã.
    Resposta: (Jo 8.31-36; Tg 1.25).
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  3. Argumento da Felicidade
    A disciplina eclesiástica opõe-se a felicidade do cristão.
    Resposta: (Sl 1; Is 48.22).
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  4. Argumento do Afastamento
    A disciplina eclesiástica afastará as pessoas da Igreja.
    Resposta: (Sl 37.23-24; 1 Jo 2.18-19).
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  5. Argumento da Hipocrisia
    A disciplina eclesiástica é um ato de hipocrisia, pois todos na Igreja são pecadores.
    Resposta: (1 Co 6.1-11; At 5.1-11).
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  6. Argumento da Injustiça
    A disciplina eclesiástica pode ser aplicada injustamente ou ser utilizada como instrumento de perseguição.
    Resposta: (Is 5.20,22; Mt 23.1-36).

3. APLICANDO A DISCIPLINA

Havia na igreja de Corinto, uma pessoa que mantinha um relacionamento incestuoso com a mulher de seu próprio pai. Provavelmente, a sua madrasta. O apóstolo Paulo estranha: “Geralmente, se ouve que há entre vós imoralidade e imoralidade tal, como nem mesmo entre os gentios, isto é, haver quem se atreva a possuir a mulher de seu próprio pai. E, contudo, andais vós ensoberbecidos e não chegastes a lamentar, para que fosse tirado do vosso meio quem tamanho ultraje praticou?” (1 Co 5.1-2). Paulo definiu aquele pecado como uma grande imoralidade e um ultraje.

A partir do texto de 1 Coríntios 5.1-13, podemos estabelecer alguns princípios acerca da disciplina eclesiástica.

3.1. A Sua Necessidade

A necessidade fundamental da disciplina é combater o pecado dentro da Igreja. Não permitir que o sal perca o seu sabor (Mt 5.13). Através dela se define o limite que separa a igreja do mundo.

3.2. Os Seus Objetivos 

A Confissão de Westminster explica: “As censuras eclesiásticas são necessárias para chamar e ganhar os irmãos transgressores, a fim de impedir que outros pratiquem ofensas semelhantes, para lançar fora o velho fermento que poderia corromper a massa inteira, para vindicar a honra de Cristo e a santa profissão do evangelho e para evitar a ira de Deus, a qual, com justiça, poderia cair sobre a Igreja, se ela permitisse que a aliança divina e seus selos fossem profanados por ofensores notórios e obstinados” (Cap. XXX:3). 

Em síntese, podemos afirmar quatro objetivos da disciplina:

  1. Impedir a propagação do mal na Igreja - “Lançar fora o velho fermento” (1 Co 5.6-7).
  2. Vindicar a honra de Jesus Cristo e a boa reputação do Evangelho (2 Co 6.3).
  3. Evitar que o juízo de Deus caia sobre a Igreja (Ap 2.18-29).
  4. Levar ao arrependimento e recuperar a ovelha. (2 Co 2.5-11).

3.3.
A Sua Forma

A forma bíblica da disciplina é baseada na gravidade e notoriedade do pecado. Veja os estágios para tratar o irmão em pecado (Mt 18.15-17) lendo a instrução de Jesus.

Jamais alguém deverá ser penalizado sem a oportunidade de defesa ou explicação. Paulo recomenda a Timóteo a não aceitar denúncia contra presbíteros, senão com o apoio de no mínimo duas testemunhas (1 Tm 5.19). 

Concluindo: “Disciplina eclesiástica é o exercício da jurisdição espiritual da Igreja sobre seus membros, aplicada de acordo com a Palavra de Deus” (Código de Disciplina da IPB). Na jurisdição espiritual, a Igreja exerce o direito de punir os pecados dos seus membros, mesmo que esses pecados sejam práticas permitidas na sociedade em que a Igreja está inserida. 

A Igreja não deve falhar no combate do pecado interno. A sua saúde espiritual depende da sua pureza. “Você pode ter disciplina sem santidade, mas não pode ter santidade sem disciplina”.

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Autor: Rev. Arival Dias Casimiro
Fonte: Resistindo a Secularização, SOCEP 2002. Págs. 55-59.
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As Marcas da Verdadeira Igreja

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Textos: Mt 18.15-17; Rm 11.13-24; 1 Co 1.10-31; Ef 1.22,23; 1 Pe 2.9,10.

Visto que o mundo se acha semeado de milhares de instituições distintas chamadas igrejas e visto ser possível que instituições, assim como indivíduos, se tornem apóstatas, é importante sermos capazes de discernir as marcas essenciais de uma verdadeira e legítima igreja visível. Nenhuma igreja está isenta de erros ou pecados. A igreja só será perfeita no céu. Há, porém, uma importante diferença entre corrupção - que afeta todas as instituições - e apostasia. Portanto, para proteger o bem-estar e crescimento do povo de Deus, é importante definir as marcas da verdadeira igreja.

Historicamente, as marcas da verdadeira igreja têm sido definidas assim:

  1. a genuína pregação da Palavra de Deus, 
  2. o uso dos sacramentos de acordo com sua instituição e 
  3. a prática da disciplina eclesiástica.

(1) A pregação da Palavra de Deus.
Embora as igrejas difiram em detalhes teológicos e em níveis de pureza doutrinária, a verdadeira igreja afirma tudo aquilo que é essencial à vida cristã. Semelhantemente, uma igreja é falsa ou apóstata quando nega oficialmente um princípio essencial da fé cristã, tal como a divindade de Cristo, a Trindade, a justificação pela fé, a expiação ou outras doutrinas essenciais à salvação. A Reforma, por exemplo, não moveu uma guerra sobre trivialidades, mas sobre uma doutrina fundamental da 
salvação. 

(2) A administração dos sacramentos. Negar ou difamar os sacramentos instituídos por Cristo é falsificar a igreja. A profanação da Ceia do Senhor ou o oferecimento deliberado dos sacramentos a pessoas notoriamente não-crentes desqualificaria a igreja de ser reconhecida como igreja verdadeira.

(3) A disciplina eclesiástica. Embora o exercício da disciplina na igreja às vezes erre na direção ou da complacência ou da severidade, ele pode tornar-se tão pervertida a ponto de não mais ser reconhecida como legítima. Por exemplo, se uma igreja - pública e impenitentemente - endossa, pratica ou se recusa a disciplinar pecados grosseiros e hediondos, ela deixa de exibir esta marca de verdadeira igreja.

Embora os cristãos devem ser solenemente advertidos a não nutrirem um espírito cismático ou fomentarem divisões e conflitos, devem ser também advertidos quanto à obrigação de se separarem da falsa comunhão e da apostasia. Toda igreja verdadeira exibe as genuínas marcas de uma igreja, em grau maior ou menor.

A reforma da igreja é uma tarefa interminável. Buscamos mais ser fiéis à vocação bíblica para pregar, ministrar os sacramentos e a disciplina eclesiástica.

Sumário
  1. A verdadeira igreja tem marcas visíveis que a distinguem de uma igreja falsa ou apóstata. 
  2. A pregação do evangelho é necessária para que uma igreja seja legítima. 
  3. A administração correta dos sacramentos, sem profanação, é uma marca da igreja.
  4. Disciplina contra heresias e pecados grosseiros é uma tarefa necessária da Igreja. 
  5. A igreja é sempre carente de reforma de acordo com a Palavra de Deus.

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Autor: R. C. Sproul 
Fonte: 3º Caderno Verdades Essenciais da Fé Cristã – R.C.Sproul. Editora Cultura Cristã.

Nota do editor: Para uma leitura complementar, leia também: 

Confrontar é falta de amor?

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Tornou-se comum evangélicos acusarem de falta de amor outros evangélicos que tomam posicionamentos firmes em questões éticas, doutrinárias e práticas. A discussão, o confronto e a exposição das posições de outros são consideradas como falta de amor.

É possível que no calor de uma argumentação, durante um debate, saiam palavras ou frases que poderiam ter sido ditas ou escritas de uma outra forma. A sabedoria reside em conhecer “o tempo e o modo” de dizer as coisas (Eclesiastes 8.5). Todos nós já experimentamos a frustração de descobrir que nem sempre conseguimos dizer as coisas da melhor maneira.

Todavia, não posso aceitar que seja falta de amor confrontar irmãos que entendemos não estarem andando na verdade, assim como Paulo confrontou Pedro, quando este deixou de andar de acordo com a verdade do Evangelho (Gálatas 2:11). Muitos vão dizer que essa atitude é arrogante e que ninguém é dono da verdade. Outros, contudo, entenderão que faz parte do chamamento bíblico examinar todas as coisas, reter o que é bom e rejeitar o que for falso, errado e injusto.

Considerar como falta de amor o discordar dos erros de alguém é desconhecer a natureza do amor bíblico. Amor e verdade andam juntos. Oséias reclamou que não havia nem amor nem verdade nos habitantes da terra em sua época (Oséias 4.1). Paulo pediu que os efésios seguissem a verdade em amor (Efésios 4.15) e aos tessalonicenses denunciou os que não recebiam o amor da verdade para serem salvos (2Tessalonicenses 2.10). Pedro afirma que a obediência à verdade purifica a alma e leva ao amor não fingido (1Pedro 1.22). João deseja que a verdade e o amor do Pai estejam com seus leitores (2João 3). Querer que a verdade predomine e lutar por isso não pode ser confundido com falta de amor para com os que ensinam o erro.

Apelar para o amor sempre encontra eco no coração dos evangélicos, mas falar de amor não é garantia de espiritualidade e de verdade. Tem quem se gabe de amar e que não leva uma vida reta diante de Deus. O profeta Ezequiel enfrentou um grupo desses. “... com a boca, professam muito amor, mas o coração só ambiciona lucro” (Ezequiel 33.31). O que ocorre é que às vezes a ênfase ao amor é simplesmente uma capa para acobertar uma conduta imoral ou irregular diante de Deus. Paulo criticou isso nos crentes de Corinto, que se gabavam de ser uma igreja espiritual, amorosa, ao mesmo tempo em que toleravam imoralidades em seu meio:

andais vós ensoberbecidos e não chegastes a lamentar, para que fosse tirado do vosso meio quem tamanho ultraje praticou? Não é boa a vossa jactância...” (1Co 5.2,6).

Tratava-se de um jovem “incluído” que dormia com sua madrasta. O discurso das igrejas que hoje toleram todo tipo de conduta irregular em seus membros é exatamente esse, de que são igrejas amorosas, que não condenam nem excluem ninguém.

Ninguém na Bíblia falou mais de amor do que o apóstolo João, conhecido por esse motivo como o “apóstolo do amor”. Ele disse que amava os crentes “na verdade” (2João 1; 3João 1), isto é, porque eles andavam na verdade. “Verdade” nas cartas de João tem um componente teológico e doutrinário. É o Evangelho em sua plenitude. João ama seus leitores porque eles, junto com o apóstolo, conhecem a verdade e andam nela. A verdade é a base do verdadeiro amor cristão. Nós amamos os irmãos porque professamos a mesma verdade sobre Deus e Cristo. Todavia, eis o que o apóstolo do amor proferiu contra mestres e líderes evangélicos que haviam se desviado do caminho da verdade:

Eles saíram de nosso meio; entretanto, não eram dos nossos; porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia, eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos” (1Jo 2.19).
Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Este é o anticristo, o que nega o Pai e o Filho” (1Jo 2.22).
Aquele que pratica o pecado procede do diabo” (1Jo 3.8).
Nisto são manifestos os filhos de Deus e os filhos do diabo” (1Jo 3.10).
todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que vem e, presentemente, já está no mundo” (1Jo 4.3).
“... muitos enganadores têm saído pelo mundo fora, os quais não confessam Jesus Cristo vindo em carne; assim é o enganador e o anticristo... Todo aquele que ultrapassa a doutrina de Cristo e nela não permanece não tem Deus... Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem lhe deis as boas-vindas. Porquanto aquele que lhe dá boas-vindas faz-se cúmplice das suas obras más” (2Jo 7-1).

Poderíamos acusar João de falta de amor pela firmeza com que ele resiste ao erro teológico?

O amor que é cobrado pelos evangélicos sentimentalistas acaba se tornando a postura de quem não tem convicções. O amor bíblico disciplina, corrige, repreende, diz a verdade. E quando se vê diante do erro seguido de arrependimento e da contrição, perdoa, esquece, tolera, suporta. O Senhor Jesus, ao perdoar a mulher adúltera, acrescentou “vai e não peques mais”. O amor perdoa, mas cobra retidão. O Senhor pediu ao Pai que perdoasse seus algozes, que não sabiam o que faziam; todavia, durante a semana que antecedeu seu martírio não deixou de censurá-los, chamando-os de hipócritas, raça de víboras e filhos do inferno. Essa separação entre amor e verdade feita por alguns evangélicos torna o amor num mero sentimentalismo vazio.

Portanto, o amor cobrado pelos que se ofendem com a defesa da fé, a exposição do erro e o confronto da inverdade não é o amor bíblico. Falta de amor para com as pessoas seria deixar que elas continuassem a ser enganadas sem ao menos tentar mostrar o outro lado da questão.

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Autor: Rev. Augustus Nicodemus Lopes
Fonte: Página do autor no Facebook
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As chaves do Reino de Deus

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Você já ouviu a história de que Pedro era um velhinho de barbas brancas com um molho de chaves nas mãos, as quais são das portas de entrada do céu? Daí que surge o ditado popular de que Pedro é o manda chuva, porque é ele quem abre e fecha o céu.

Na verdade o texto de Mateus 16.19[1] não concorda com essa historieta, mas é algo distinto. E é isso que o Catecismo de Heidelberg vai nos mostrar no 31º Dia do Senhor, concluindo a segunda parte[2] do Catecismo a qual começou mostrando que, no 5º Dia, a nossa redenção se deu por intermédio de Jesus Cristo, sendo Ele verdadeiro homem e verdadeiro Deus, e agora, encerrando essa parte, o Catecismo nos mostra que a pregação abre e depois fecha e que a disciplina fecha e depois abre o Reino.

83. Que são as chaves do reino dos céus?
R. A pregação do santo Evangelho e a disciplina cristã. É por estes dois meios que o reino dos céus se abre para aqueles que crêem e se fecha para aqueles que não crêem (1).
(1) Mt 16:18,19; Mt 18:15-18.
84. Como se abre e se fecha o reino dos céus pela pregação do santo Evangelho?
R. Conforme o mandamento de Cristo, se proclama e testifica aos crentes, a todos juntos e a cada um deles, que todos os seus pecados realmente lhes são perdoados por Deus, pelo mérito de Cristo, sempre que aceitam a promessa do Evangelho com verdadeira fé. Mas a todos os incrédulos e hipócritas se proclama e testifica que a ira de Deus e a condenação permanecem sobre eles, enquanto não se converterem (1). Segundo este testemunho do Evangelho Deus julgará todos, nesta vida e na futura.
(1) Mt 16:19; Jo 20:21-23.
85. Como se fecha e se abre o reino dos céus pela disciplina cristã?
R. Conforme o mandamento de Cristo, aqueles que, com o nome de cristãos, se comportam na doutrina ou na vida como não-cristãos, são fraternalmente advertidos, repetidas vezes. Se não querem abandonar seus erros ou maldades, são denunciados à igreja e aos que, pela igreja, foram ordenados para este fim. Se não dão atenção nem a admoestação destes, não são mais admitidos aos sacramentos e, assim, excluídos da congregação de Cristo, e, pelo próprio Deus, do reino de Cristo. Eles voltam a ser recebidos como membros de Cristo e da sua igreja, quando realmente prometem e demonstram verdadeiro arrependimento (1).
(1) Mt 18:15-18; 1Co 5:3-5,11; 2Co 2:6-8; 2Ts 3:14,15; 1Tm 5:20; 2Jo :10,11.

Abre, depois fecha

Como o próprio Catecismo responde, a primeira chave do Reino é a pregação da Palavra de Deus. Nós não devemos cair no engano de que, se Deus já predestinou alguns para a salvação, nós não devemos pregar o Evangelho. Spurgeon certa vez disse que pregava o evangelho porque os eleitos não possuem listras amarelas nas costas. Ou seja, não há nenhuma identificação no eleito – o qual não ouviu o Evangelho. Devemos anunciar o Evangelho a todos e Deus, a Seu tempo, trará o eleito à Cristo. No entanto, o não eleito, ao ouvir o Evangelho, não aceitará a mensagem de salvação, pois para ele a mensagem da cruz é loucura. Porque “para estes certamente cheiro de morte para morte; mas para aqueles cheiro de vida para vida” (2Co 2.16).

Deus quer que anunciemos as boas novas em Cristo Jesus, mostrando a nossa condição espiritual diante de Deus, condição esta, sem a intercessão de Cristo, faz com que fiquemos debaixo da ira de Deus a qual será manifesta no juízo vindouro.

Fecha, depois abre

Infelizmente não é muito comum nós ouvirmos falar sobre disciplina na igreja. No entanto, o assunto é bíblico e sério. A disciplina exercida pelo governo da igreja não deve ser entendida como algo retrogrado ou desnecessário para os nossos dias. Não obstante, não devemos disciplinar sem amor, pois o próprio Catecismo diz que eles devem ser “fraternalmente advertidos”, pois não deve ser motivo de vanglória disciplinar alguém, mas deve ser algo amoroso, não só da parte do governo da igreja, como também dos irmãos da igreja à este faltoso.

Portanto, o propósito da disciplina não é castigar, mas servir de exemplo para a igreja local e de animosidade pessoal. Exemplo para a igreja, para que ela não se manche com o pecado, e animosidade ao disciplinado porque Deus corrige a quem ama (Hb 12.5-11).

Mas aqueles que insistem em pecar, incessantemente, não dando ouvido às advertências e se recusando a abandonar o pecado, são excluídos da comunhão da igreja, comprovando ser uma árvore má que só dá frutos maus.

Assim como a porta para o reino é fechada pela disciplina na igreja, também a porta é aberta novamente com alegria pela confissão do pecado e pela evidência de um verdadeiro arrependimento.

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Notas:
[1] E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.
[2] A primeira parte (Os nossos pecados e miséria) do 1º Dia ao 4º Dia; A segunda parte (Nossa salvação) do 5º Dia ao 31º Dia; E a terceira parte (nossa gratidão) do 32º Dia ao 52º Dia do Senhor.

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Autor: Denis Monteiro
Fonte: Bereianos
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Noutética: confrontando o homem com a Palavra de Deus

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Por Thiago Oliveira


Dentre as principais formas de aconselhamento cristão, sinto um apreço pela metodologia noutética. O termo “Noutético” é derivado de uma palavra grega que significa “por em mente” (formado de nous, “mente”, e tithemi, “pôr”). O aconselhamento noutético seria então aquele que direciona, ensina, exorta, confronta o aconselhando com os princípios bíblicos. O seu fundamento está na máxima reformada “Sola Scriptura”, e não poderia ser diferente, já que o principal teórico do aconselhamento noutético é Jay Adams. Ele foi o deão do Instituto de Estudos Pastorais e professor de teologia prática no Seminário Teológico Westminster, na Filadélfia, Estados Unidos; graduado com especialização em homilética e oratória; também pastoreou vários ramos da Igreja Presbiteriana da Pensilvânia e Nova Jérsei.

No entanto, vemos o uso de “nouthetéo” nos escritos paulinos. Sempre que o termo aparece, está estritamente associado a uma intenção pedagógica (Atos 20.31, Romanos 15.14, 1 Coríntios 4.14, Colossenses 1.28 e 3.16, 2 Tessalonicenses 3.15 e Tito 3.10). Pode-se afirmar, também, que a teoria noutética se baseia na confrontação de Natã com Davi, depois do pecado que este cometeu contra Urias e Bate-Seba (2Samuel 12).

De acordo com a noutética, o aconselhamento se dá em confrontação com a Palavra. Visando não apenas uma mudança comportamental, ele vai um pouco mais fundo e visa a transformação da cosmovisão, dando as “lentes da Escritura” ao aconselhando. O objetivo da noutética é levar o homem à viver em conformidade com a Lei do Senhor. A santificação, portanto é o resultado final que os adeptos do aconselhamento noutético desejam alcançar.

Algumas pessoas consideram que a teoria noutética é desumana em alguns pontos, pois sua aplicação seria apenas para que a pessoa aconselhada reconhecesse a sua vida pecaminosa, não se importando com as questões cruciais do ser humano. Afirmam também que ela apenas lança luz aos erros, repreende, mas não encoraja. Todavia, não concordo com tal crítica, pois vemos Jesus utilizar dessa técnica com muito amor e mansidão aos discípulos no caminho de Emaús.

Esta narrativa registrada em Lucas 24: 13-35, mostra dois seguidores de Jesus voltando de Jerusalém muito desanimados após a crucificação de Jesus. Eles estavam frustrados e murmuravam pelo caminho. O Mestre se aproxima, só que eles não o reconheceram. Cristo os instiga a falar. Ouve suas queixas. Se mostra solidário. Mas num determinado momento, Jesus os confronta com as Escrituras e demonstra através de textos veterotestamentários que estes não deveriam se entristecer. O efeito foi tão positivo que os dois homens convidaram o peregrino a cear com eles. Naquele contexto era uma clara demonstração de intimidade, o que mostra que estes ficaram muito à vontade com o “estranho peregrino”. Quando o pão é partido, o Cristo ressurreto se manifesta e os dois discípulos, antes tristes e abandonando o Evangelho por pensar que a cruz tinha posto fim a tudo, voltam para Jerusalém, agora felizes, esperançosos, compondo a Igreja do Senhor.

De igual modo, no já citado exemplo de Davi confrontado por Natã, vemos que o profeta foi bem didático e sutil em sua confrontação e fez com que Davi conhecesse o próprio erro, sem precisar dizer isso. O resultado foi o melhor possível, pois levou ao Rei uma atitude de humilhação diante de Deus.

Outra acusação é a de que a noutética descredencia a Psicologia. Logicamente devemos considerar que a Psicologia tem seus méritos e deméritos, pois a linha freudiana da psicanálise, mais comum e mais utilizada, está repleta de valores antibíblicos. Isto posto, é preferível ficar com a Palavra que é inspirada e inerrante, útil para o ensino da justiça (2Timóteo 3:16).

Por último, tem o problema de que nem todos são cristãos e creem na Palavra, sendo assim, não deveria ser usado no aconselhamento de pessoas incrédulas. Discordo veementemente, pois o texto sagrado é possuidor de uma sabedoria milenar, aplicável a diversas áreas da vida humana. Podemos aplicar valores bíblicos para tratar de negócios, família, complexos, etc. Ademais, também seria uma oportunidade ímpar para anunciar a mensagem libertadora do Evangelho. Como está escrito:

Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos; E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Responderam-lhe: Somos descendência de Abraão, e nunca servimos a ninguém; como dizes tu: Sereis livres? Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é servo do pecado. Ora o servo não fica para sempre em casa; o Filho fica para sempre. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.” - João 8:31-36

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Fonte: Cristianismo Simples
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Refutando os argumentos contrários à denúncia de hereges



Por Thiago Oliveira


Faz alguns dias que escrevi dois textos criticando/denunciando líderes do segmento evangélico brasileiro (veja aqui e aqui). Meus textos foram publicados em sites e blogs apologéticos e tiveram apoio da maioria dos leitores. Cheguei a receber um e-mail de um leitor que se identificou com o que eu havia escrito e disse que estava de acordo com a minha postura. Mas, acontece que algumas pessoas retrucaram, reclamaram, me criticaram, me xingaram e talvez tenham até me excomungado (risos). Diante disto, resolvi refutar os cinco argumentos mais comuns entre os que não só me censuram, mas que, de certa forma, criticam aqueles que denunciam os falsos pastores (i.e. Hereges). Vamos então aos argumentos:

1. Só Deus pode julgar

Este é um argumento clássico de pessoas que acham que o julgamento é uma atribuição exclusivamente divina, pois, entendem que em Mateus 7:1, Jesus Cristo proibiu as pessoas de cometerem julgamento. Esse erro provém de uma leitura superficial do referido versículo, deslocado de seu contexto. Cristo está ali, condenando a postura farisaica de julgar as demais pessoas tendo a si mesmo como exemplo de conduta. Tais pessoas, acreditam ser tão boas, que mesmo tendo uma trave em seu olho, reparam no cisco que está no olho do outro (Mateus 7:3). É típico do farisaísmo enxergar com “lentes de aumento” os pecados das demais pessoas e minimizar os seus próprios pecados.

De modo algum, Jesus nos proíbe de discernir, avaliar e ponderar. Se fosse assim, como teria dito logo em seguida: “Não deis aos cães as coisas santas, nem deiteis aos porcos as vossas pérolas, não aconteça que as pisem com os pés e, voltando-se, vos despedacem” (Mateus 7:6)? Ora, para identificar quem são os cães e quem são os porcos, é necessário julgar. O julgamento é uma responsabilidade de todo crente, todavia, não deve ser feito de acordo com o mero achismo ou sem conhecimento de causa. O ato de julgar é respaldado pela Palavra. A própria Escritura é o parâmetro e não a nossa justiça própria (João 7:24). E se há condenação, quem condena é o próprio SENHOR, através da sua Lei registrada na Bíblia.

2. Atire a primeira pedra aquele que nunca pecou

De certo, uma das passagens bíblicas mais distorcidas da história. No registro de João 8, os fariseus vão até Jesus para acusa-lo e para isso levam uma mulher e perguntam: “Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio ato, adulterando. E na lei nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes?” (João 8:4-5). Qual a questão aqui? Do que estes homens queriam acusar Jesus?

Os escribas e fariseus queriam acusar a Cristo de ser contrário a Lei, desqualificando seu ministério, pois nenhum judeu daria ouvidos a um messias que fosse contrário a Moisés, ou de ser um contraventor e desacatar a autoridade do Império Romano. Se Jesus perdoasse a mulher, estaria agindo contra Lei (ser contra a Lei é cometer pecado, Jesus nunca pecou) e para os judeus, contra Moisés, seu estimado profeta. Se condenasse a mulher, seria levado até as autoridades romanas, pois naquele contexto, só os romanos poderiam executar alguém.

Acontece que aquele “tribunal” ali criado era forjado. Em Deuteronômio 22:22 diz que em caso de adultério, homem e mulher devem morrer. Sendo assim, se aquela mulher tinha sido pega em flagrante, onde estava o homem? Ademais, toda a Justiça deveria ser aplicada por magistrados, segundo relata Deuteronômio 16:18-20. Alguém ali era magistrado? Não. Nem mesmo Jesus tinha este ofício em seu ministério terreno.

Quando é dito: “atire a primeira pedra aquele que não tiver pecado”, é uma referência aquele pecado de forjar, ou melhor, torcer a justiça. Cristo não foi indulgente e nem suplantou a Lei. Ele foi justo e no fim deu ordens aquela mulher para que ela deixasse de pecar. Se fosse exigido das pessoas não pecarem para exercer julgamento, não haveriam mais tribunais e as disciplinas eclesiásticas não poderiam ser aplicadas, uma vez que todos pecam (1João 1:8). Mas, obviamente, este não é o caso.

3. Não mostre o errado, ensine apenas o certo

Um amigo me disse que eu não devo mostrar o errado e apenas mostrar o certo. Confesso que, apenas apontar os erros sem trazer à tona a verdade bíblica seria uma baita de uma idiotice. Porém, o outro extremo também é falso. Há situações em que é preciso mostrar o equívoco para em seguida ensinar a forma correta. Um exemplo claro disso é o Sermão do Monte: Por diversas vezes Jesus falou “ouvistes o que foi dito, eu porém vos digo”. Há quem pense que Jesus está revogando a Lei do Antigo Testamento, quando na verdade ele revoga a interpretação dos mestres da lei (escribas e fariseus). Fica tão claro que era o ensino farisaico que estava sendo atacado como falso, que a multidão chega à seguinte conclusão: 

E aconteceu que, concluindo Jesus este discurso, a multidão se admirou da sua doutrina; Porquanto os ensinava como tendo autoridade; e não como os escribas”. Mateus 7:28-29

4. A Bíblia já diz que surgirão os faltos profetas

Talvez, este seja o argumento mais desprovido de razão. Pois, não é o fato de a Bíblia já nos advertir que os falsos profetas surgirão e até proliferarão, que não podemos combate-los. Paulo, Pedro, João, e os pais da Igreja nos primeiros séculos nunca se omitiram por conta disso. Com certeza eles conheciam as profecias e mesmo assim foram combativos sempre que surgiam as heresias no meio do povo de Deus. 

Observando os apóstolos veremos: João fala mal de Diótrefes (3 João 1:9). Paulo dizendo a Timóteo que entregou a Satanás os blasfemadores Himiteu e Alexandre (1 Timóteo 1:20). Possivelmente, o mesmo Alexandre é citado na segunda carta enviada a Timóteo. Paulo diz que ele foi causador de diversos males e roga para que Deus o julgue segundo as suas obras (2 Timóteo 4:14). Na mesma carta, cita Figelo e Hermógenes como líderes dissidentes da Ásia (2 Timóteo 1:15). E sobre os falsos profetas e hereges insubordinados, as recomendações são estas:

        a) Devemos nota-los e evita-los (Romanos 16:17)
        b) Devemos repreendê-los (Tito 1:9-13)
        c) Devemos nos apartar deles (2Tessalonicenses 3:6)
        d) Não devemos ter comunhão com eles (2João 9-11)
        e) Devemos rejeitá-los (Tito 3:10)


5. Não toqueis no ungido do Senhor

Deixei este argumento por último, pois assim como o primeiro, também é um clássico. Ele se baseia numa fala de Davi (1Samuel 24:6), quando teve a chance de matar o Rei Saul, que lhe perseguia com a intenção de tirar-lhe a vida. Também pode ser encontrado em 1Crônicas 16: 21-22 e Salmos 105:15. Como diz o Rev. Augustus Nicodemus, tal frase é desculpa de quem não tem argumento e nem exemplo para dar como resposta quando é confrontado por alguém à luz das Escrituras. 

A unção a qual Davi se refere era a do Rei, para que este governasse debaixo da autoridade e da benção divina, não é unção de líder eclesiástico. E outra: Davi, não tocou no “ungido do Senhor”, por não querer matá-lo. Mas daí a dizer que ele não se opôs a Saul é pura enganação. Até quando as pessoas continuarão cegas e utilizarão argumentos tão pífios como este para justificar sua conduta omissa em relação a defesa da fé?


Encerro esse texto com uma palavra que se encontra na Epístola de Judas, verso 3: “Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da salvação comum, tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos.” (grifo meu).

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Divulgação: Bereianos
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O propósito da disciplina na vida do cristão


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Por Leonardo Dâmaso


É bem verdade que muitos crentes passam por certos momentos de sua vida cometendo pecados, onde estes negligenciam os meios de graça ou disciplinas espirituais, tais, como: oração, jejum e estudo das Escrituras. Esta negligência disciplinar ocasiona o desânimo, fraqueza e tepidez espiritual. Em vista disso, Deus intervém com a disciplina para tirar o cristão de uma vida em pecado, levantá-lo do desânimo e reanimá-lo espiritualmente. O propósito da disciplina na vida do cristão é, em suma, fazer com que este cresça em santificação e viva uma vida frutífera para a glória de Deus.

Na carta aos Hebreus 12.5-6, é dito que Deus toma a iniciativa de corrigir os filhos que se desviam. No versículo 8 é mencionado que sem disciplina não somos filhos, mas bastardos. E no versículo 11 é descrito que o projeto de Deus na disciplina não é simplesmente provocar dor, [embora a disciplina produza certa dor no cristão], mas fazer com que ele viva uma vida que produza frutos que o glorifiquem. A disciplina não é contínua, pois quando o cristão se arrepende de seus pecados e os deixa, a disciplina cessa. Sendo assim, de acordo com o texto da carta aos Hebreus, senão vejamos, então:

Os Três atos da intervenção disciplinar de Deus na vida do cristão

1) Repreensão

Hebreus 12.5b – "Filho meu, não desprezes a disciplina que do Senhor". Uma repreensão é uma advertência verbal. Podemos ouvir a repreensão de Deus através da leitura das Escrituras, pelos louvores a Deus, através da exposição das Escrituras nos cultos e do convencimento do Espírito Santo individualmente em cada um.

2) Reprovação

Hebreus 12.5c – "Nem fiques desanimado quando por ele és repreendido". A reprovação é um ato mais severo na disciplina, porém, é uma reprovação amorosa de Deus que visa o bem dos seus filhos.

3) Punição

Hebreus 12.6 – "Pois o Senhor disciplina a quem ama e pune a todo que recebe por filho". C. S. Lewis disse que Deus sussurra por meio do prazer, mas grita por intermédio da dor. Deus pune severamente os seus filhos quando estes se desviam para propósitos pedagógicos.

A disciplina é um ato doloroso na perspectiva do homem, mas na perspectiva de Deus é um ato amoroso e responsável, uma vez que ele, como nosso Pai, não deseja que os seus filhos sofram em virtude dos pecados. A disciplina não é agradável nem para o filho, que a recebe, nem para o Pai, que a aplica. Entretanto, a disciplina é necessária na vida do cristão para que este seja aperfeiçoado e amadureça na graça e cresça no conhecimento de Cristo Jesus, o nosso Senhor.

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Fonte: Bereianos
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Marco Feliciano na Playboy: era só o que faltava!

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Por Thiago Oliveira


Estava eu a navegar pelo Facebook (esse local onde tudo pode acontecer) e me deparo com a seguinte manchete: “Marco Feliciano confessa ter usado drogas e diz que quem faz sexo anal não volta mais”. Essa esdrúxula notícia estava na página oficial da Folha de S. Paulo. Logicamente que acessei a página para ler na íntegra e entender o que estava se passando. Pois bem, a manchete faz referência a uma entrevista dada pelo Deputado Federal e “pastor” Marco Feliciano para a revista Playboy do mês de abril, que chega hoje às bancas (08/04).

É meus irmãos, vocês entenderam bem. A revista é a Playboy mesmo, aquela que tem fotos de mulheres nuas. Acreditem, não é pegadinha. São duas opções de capa e em ambas tem a chamada para tal entrevista com 3 tópicos elencados:

    • “Sonho em ser presidente”.
    • “Cherei cocaína, tentei maconha, não conseguir tragar”.
    • Marina, com aquele jeitinho de crente é um engodo”.

A declaração sobre o sexo anal, segundo a Folha de S. Paulo se deu nos seguintes termos: 

Com certeza tem homens que tem tara por ânus, sim. Eu não entendo muito dessa área porque nunca fiz, graças a Deus. E espero nunca fazer, porque parece que quem faz não volta mais (riu). Deve ser uma coisa tão estranha...

Hã? “Espero nunca fazer”? Estranho mesmo foi esse comentário. Sinceramente meus amados: que tempos são esses os nossos? Pastor sendo entrevistado em revista de mulher pelada já é demais. O pior é que ainda tem quem defenda. Logo que postei nas redes sociais criticando o Feliciano seguido de #AcordaIgreja, um amigo postou um texto com a mesma hashtag só que criticando quem critica esses hereges. Caros leitores, vocês tem todo o direito de não se pronunciarem, mas daí a condenar quem tem coragem e peito para denunciar os falsos profetas tupiniquins não é uma postura sensata.

Incrível será ver como os cegos e ludibriados por homens como o Feliciano vão se portar para tentar defende-lo. Será que vão comprar a Playboy só para ler a entrevista do deputado evangélico? Será que vou ouvir alguém falar que foi mais uma porta que Deus abriu para que o Evangelho fosse pregado? Será que vão dizer: “Ah, o ímpio vai comprar uma revista para ver mulheres nuas e irá se deparar com uma palavra abençoada e mudará de vida”? Nenhum apóstolo na Bíblia foi pregar em bacanais, ignorância tem limite. Procurem entender de uma vez por todas: Esses homens não pregam o Evangelho! O que eles fazem é distorcer o ensino das Sagradas Escrituras. Entendam que defender o falso pastor é não ser contado como ovelha do rebanho de Cristo, pois o mesmo diz: 

"Eu asseguro a vocês que aquele que não entra no aprisco das ovelhas pela porta, mas sobe por outro lugar, é ladrão e assaltante. Aquele que entra pela porta é o pastor das ovelhas. O porteiro abre-lhe a porta, e as ovelhas ouvem a sua voz. Ele chama as suas ovelhas pelo nome e as leva para fora. Depois de conduzir para fora todas as suas ovelhas, vai adiante delas, e estas o seguem, porque conhecem a sua voz. Mas nunca seguirão um estranho; na verdade, fugirão dele, porque não reconhecem a voz de estranhos. Jesus usou essa comparação, mas eles não compreenderam o que lhes estava falando”. João 10:1-6 (grifo meu).

Quem pertence ao Senhor não escuta, e muito menos defende, o falso pastor. Perguntem a vós mesmos: “De quem é a voz que escutamos”? Por favor, tenham mais discernimento e filtrem as pregações. Reconheçam um homem de Deus pelo apreço e fidelidade que ele tem pelas Escrituras. Marco Feliciano não se importa com as ovelhas, ele quer apenas poder. E o sonho de um cara desses virar presidente pode acabar sendo uma realidade de um país cada vez mais evangélico, mas que não tem critério algum para diferenciar o que é alimento e o que é veneno. Certa vez ouvi um Pastor sincero falar que doutrina é igual a comida, se boa alimenta, se ruim pode até matar. 

Não é a primeira vez que critico o Feliciano. A última dele foi ter dito esta pérola: “Jesus falou comigo: Meu filho, quando a igreja não se levanta e não pode, eu levanto até demônios para ser guarda costa de pastor”. Segundo o mesmo, um babalorixá do Rio de Janeiro chegou em seu gabinete e disse que o deputado o representava e que toda a sexta-feira, 600 terreiros tocariam para abençoar o Marco Feliciano. Dúvida? Então veja o vídeo se tiver estômago: 



Engraçado é que a primeira frase que aparece no vídeo, proferida pelo Deputado Feliciano é: “Nunca houve tanta oração nesse país. Nunca houve tantos crentes anônimos mandando mensagens dizendo: Jesus, protege o Pr. Marcos porque ele me representa.” Ué, a Igreja nunca orou tanto para que Jesus o protegesse e a mesma não se levantou ao ponto de demônios fazerem a segurança do Deputado? Faz tempo que eu repudio homens como Feliciano, que são falsos mestres, oportunistas e gananciosos. Todavia tem quem o defenda. Com certeza alguém vai ler esse meu texto e vai dizer que eu estou julgando. Não é julgamento e sim constatação. As Escrituras dizem que qualquer outro evangelho deve ser por nós amaldiçoado (Gl 1:9). Como simpatizar com um homem que descontextualiza a Palavra para tirar vantagem? Pra mim não dá pra aturar mesmo...

Marcos 9:40: Cristo fala que “quem não é contra nós, é por nós.” Só que o contexto é muito diferente. Ali, João diz que repreendeu um homem que expulsava demônios porque este não era seguidor do Mestre. Veja bem: expulsava demônios e não era beneficiado pelo mesmo. Como se isso não bastasse, agora essa da Playboy. Que Deus tenha misericórdia de nós e nos conceda graça. Que a Igreja de Cristo se mantenha fiel às Escrituras e ouça o Bom Pastor. 

Soli Deo Gloria!

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Divulgação: Bereianos
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