Os “novos” modelos sociais de família

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Os cientistas sociais afirmam que a dinâmica social é um fenômeno inegável, não importando se a visão de mundo se alicerça na cosmologia rígida (estruturada) ou na cosmologia maleável (estruturante) – conforme nos lembrou Pierre Bourdieu. Sabemos que tais mudanças ocorrem sob duas dimensões: a graça comum (que advém da providência divina) ou a depravação do gênero humano (que sofre certos bloqueios pela presença do povo eleito nesta terra). As mudanças são basicamente culturais, ou seja, da leitura que se faz do mundo e o comportamento decorrente. Neste contexto, dentre todas as reconfigurações sociais (para utilizar o termo de Norbert Elias), uma se destaca aqui em nossa reflexão: a noção de família.

A família, segundo a nossa Constituição Federal é uma “...união estável entre o homem e a mulher (...) devendo a lei facilitar sua conversão em casamento”.[1] Ou seja, trata-se de um ajuntamento primário de pessoas de sexos diferentes unidas por casamento, descendência ou adoção. Nesse aspecto, são necessários um homem e uma mulher para que haja essa categoria social, tanto em seu início como em sua continuidade.

De acordo com a Palavra de Deus, família é originalmente a manifestação da ordem providente do criador ainda no início da existência deste planeta e, conseqüentemente, da raça humana em Adão e Eva. Família também manifesta contundentemente o pacto de Deus com o seu povo eleito, e é nela que encontramos o paradigma necessário para o Reino de Deus. Como um pequeno exemplo, digo que não foi sem propósito que Paulo, ao falar das qualificações do líder na igreja, utilizou a família como o espaço da manifestação das atitudes santas e como o pólo de observação por parte dos demais membros da igreja:

É necessário, portanto, que o bispo seja esposo de uma só mulher, e que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito, pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?”[2]

No mesmo sentido encontramos:

“[O presbítero deve ser] alguém que seja marido de uma só mulher, que tenha filhos crentes que não são acusados de dissolução, nem são insubordinados.”[3]

Nesse sentido podemos perceber um grande contraste das novas construções da estrutura familiar que destoam daquilo que a Palavra de Deus nos ensina. O primeiro contraste é a chamada “produção independente” onde a mulher resolve conscientemente engravidar sem nenhum compromisso com o matrimônio. Muitas famosas da mídia agem assim, engravidam e colocam filhos no mundo sem o vínculo estreito com a paternidade. Mas não são apenas as famosas que agem assim. Basta ver como o número de mães solteiras tem aumentado significativamente no Brasil. Desde o final da década de 60 até hoje, o número de mulheres nessa condição já chegou aos cinco milhões, isso sem contar com os casos de viuvez ou gravidez fruto de violência sexual. Embora haja exceções, a maioria desses casos é fruto de uma vida onde o sexo é praticado fora do casamento formal.


O segundo contraste com o modelo das Escrituras inclui a união marital entre pessoas do mesmo sexo, prática conhecida como “homoafetividade”. Chamo esta união como uma nova configuração familiar porque recentemente o Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, a reconheceu como tal. Aliás, creio que futuramente também ocorrerá a mudança em nossa Constituição em seu capítulo VII, §3º por estarem hoje (a decisão do STF e a própria Constituição) em desarmonia. Este reconhecimento inclui a possibilidade da criação de filhos vindos, em sua maioria, pela adoção.

O terceiro contraste (e este é o mais antigo de todos) é o divórcio. Muitas famílias hoje são formadas apenas por um dos cônjuges somado ao padrasto ou madrasta e enteados, grupo que vive numa junção muitas vezes traumática e lacerante pelo motivo aqui exposto. A separação conjugal existe por causa da dureza do coração humano que insiste em agir com base no egoísmo e no orgulho contra a perfeita Lei de Deus. É bom saber que esta separação não é solução, mas destruição cabal de um relacionamento adoentado. Hoje em dia o descompromisso matrimonial encontra no divórcio o legado para uma vida desleal e irresponsável. Claro que há casos em que um dos cônjuges pode ser considerado como a parte ofendida ou até vítima da deslealdade do outro, mas aqui trato o divórcio como uma prática em si que ocorre por causa da falta de perdão ou por causa da infidelidade ou por causa do egoísmo. Em outras palavras, trato o seu significado diante da definição de família encontrada nas escrituras

O quarto contraste contra o modelo de família encontrado no Evangelho é a poligamia ou apoliandria (tão antigos quanto o divórcio). São famílias apócrifas que vivem, na maioria dos casos, na clandestinidade como fruto inequívoco do adultério. São os filhos que não podem conviver livremente com o pai ou a mãe devido à situação diante da outra família vista como “oficial”. Esta situação traz a resignação como elemento “pacificador” do coração, todavia o que realmente impera no coração é a frustração amarga e a auto-estima rebaixada. Ainda assim, há pessoas que acreditam nesse tipo de modelo familiar e agem apenas para o prazer pessoal e auto-afirmação como pessoa ou gênero.

Não é difícil perceber que estas novas invenções sociais da família são uma constante em nosso país. Também não é difícil constatar que todas elas, sem exceção alguma, são fruto do pecado de acordo com a Lei bendita de nosso Deus. Lembremos que a fornicação, o homossexualismo, o divórcio e a poligamia são inequivocamente contrários à santidade requerida pelo Santíssimo Senhor de todas as coisas. Por exclusão lógica, o modelo de Deus para a família se nos é apresentado como tendo início no casamento entre um homem e uma mulher que devem viver juntos até que a morte os separe. Sua continuidade ocorre nos filhos (naturais ou adotivos). Claro que esta família pode também conter os avós, os irmãos, os tios, os primos etc. Todavia, o fulcro centralizador sempre será a união entre um homem e uma mulher unidos até a morte. O que passar disso, é pecado.

Sola Scriptura.

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Notas:
(1) Constituição Federal, Capítulo VII, § 3º.
(2) 1 Timóteo 3: 2, 4, 5.
(3) Tito 1: 6.

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Autor: Rev. Alfredo de Souza é pastor presbiteriano e historiador social. Casado com Sandra e pai de dois filhos: João e Ana.
Fonte: Blog do autor
Imagem: Sodoma e Gomorra, pintura de Benjamin West, c. 1810. Arte: Bereianos.
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A gnose no contexto eclesiástico brasileiro (Parte 2)

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A inversão axial da relação culto/cultura

Podemos afirmar ousadamente que aqueles que não cumprem o Princípio Regulador do Culto, ou que, no afã aparentemente louvável de diluir os elementos do culto na cultura local, alteram suas liturgias, são não apenas idólatras e insinceros, mas também solapam quaisquer tentativas de redenção cultural.

Ora, Kuyper já havia dito que uma cultura pode subsistir sem a arte (o que a empobrece, evidentemente), porém não sem a religião. Russel Kirk já atentara para o fato de que toda cultura (como a própria etimologia aponta) provém de um cultus. Dito de outro modo, a religião é o embrião de toda civilização, assim como o cimento que coere seus indivíduos organicamente. Não cabe aqui explorar todos as nuances e complexidades dessa questão – Christopher Dawson, o grande historiador católico, já estabeleceu e explorou tais princípios em seu livro Progresso e religião.

Destarte, se a cultura procede de um culto, aqueles que buscam moldar seu culto segundo a cultura estão efetivamente invertendo a ordem lógica e até mesmo antropológica da questão. Não estamos afirmando que a liturgia é um elemento abstrato e desencarnado que exige a supressão (impossível) de nossas tradições e costumes. Pelo contrário, o cristianismo é encarnacional: diferentemente do islamismo, ele não suprime a cultura “receptora”, antes, a redime. Isso é evidente ao longo de toda a história da Igreja – a Escola de Alexandria, dada a influência mística dos sábios que ali habitavam, praticavam uma exegese mais alegórica e espiritualizada, ao passo que a Escola de Antioquia, na Síria, também devido às influências, apresentava uma hermenêutica mais literalista. Até mesmo dentro de uma mesma tradição, há diferenças cruciais; basta compararmos as igrejas reformadas escocesas e as holandesas. Portanto, não reivindicamos a supressão de traços culturais dentro dos cultos, todavia, protestamos resolutamente contra a primazia da cultura sobre a liturgia.

Conforme dito, Deus, com efeito, deu ao homem aquilo que os neocalvinistas chamaram de Mandato Cultural, ordenado desde a criação do homem: “E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra” (Gn 1:28). A criação está prenhe de possibilidades e potencialidades (At 14:17), que devem ser exploradas e descobertas pelo homem, desenvolvidas segundo os princípios normativos de Sua Lei e direcionados à glória de Deus (1 Co 10:31-33). Ora, estruturalmente toda a criação é boa, conforme assevera o relato de Gênesis, entretanto, nas palavras de Albert Wolters, o homem pode conduzi-la segundo uma direção transgressora da lei divina e corruptora de sua (da criação) bondade intrínseca. É interessante notar que logo após o relato da descoberta da música – “o nome de seu irmão era Jubal; este foi o pai de todos os que tocam harpa e flauta” (Gn 4:21) –, o livro de Gênesis nos apresenta de forma quase imediata os efeitos da depravação, que se estendem até mesmo a essas potencialidades que o SENHOR embutiu na Sua criação:

E disse Lameque às suas esposas: Ada e Zilá, ouvi-me; vós, mulheres de Lameque, escutai o que passo a dizer-vos: Matei um homem porque ele me feriu; e um rapaz porque me pisou. Sete vezes se tomará vingança de Caim, de Lameque, porém, setenta vezes sete” (Gn 4:23-24).

Lameque, com seu coração pervertido pelo pecado, conspurca a musicalidade, criando para si um cântico que exalta uma retaliação totalmente desproporcional à injúria sofrida.


A cultura, embora se fundamente, em última instância, na revelação, caso não seja direcionada segundo as diretrizes proposicionais da lei de Deus, certamente será deturpada pela pecaminosidade humana. Ora, nesse sentido, o Princípio Regulador do Culto se configura como um parâmetro objetivo, que nos resguarda das alterações e deformações do culto dedicado a Deus. Nas palavras de Michael Bushell, citado por Brian Schwartley, “de modo particular, o Princípio Regulador do Culto pode ser visto como uma inferência natural da doutrina da depravação total [...] Qualquer obra das mãos do próprio homem, que ele presume oferecer a Deus em adoração, é poluída pelo pecado e é, por essa razão, totalmente inaceitável” (SCHWARTLEY, Sola Scriptura e o Princípio Regulador do Culto, p. 42).

Em Êxodo 20:25, o SENHOR dá instruções tão precisas e concisas relativas à construção do altar dedicado ao Seu nome, que o simples desvio era, por si só, considerado profanação:

Se me levantares um altar de pedras, não o farás de pedras lavradas; pois, se sobre ele manejares a tua ferramenta, profaná-lo-ás (Êxodo 20:25, ARA).

Um dos possíveis motivos dessa prescrição (que também pode ser vista em Deuteronômio 27:5-6) é a diferenciação que se pretende traçar entre o altar israelitas e os altares pagãos. Os santuários das nações vizinhas estavam repletos de desenhos e entalhes minuciosos idólatras e não raro eróticos (Ezequiel 8:5-18). Dessa forma, a simplicidade e rusticidade do altar do SENHOR seriam um nítido contraponto com as demais religiões. Além disso, o fato de não poderem cortar as pedras com instrumentos de ferro demonstra que os israelitas (que naquela época não dominavam a técnica da metalurgia) não deveriam depender de nenhuma nação pagã circunvizinha (os cananeus, por exemplo, eram mestres na siderurgia) para auxiliá-los na adoração a Deus.


Ora, ademais, o altar bruto nos ensina que nossa cultura, por mais refinada que seja, não deve aparar, ornamentar, burilar ou remoldar o culto a Deus. Pelo contrário, a simplicidade do culto é a condição essencial para a restauração e evolução cultural. O meio reformado se encontra premido por dois posicionamentos – primeiramente, aquilo que já abordamos na primeira parte deste artigo, a saber, o gramscianismo que se quer passar por kuyperianismo, “valorizando” e acolhendo em suas comunidades todos os tipos de monstruosidades teológicas e estéticas que se querem fazer passar por música ou arte cristãs. Alguns chegam ao ponto de elencar o brilhante Schaeffer como seu mestre e orientador, como se esse grande pensador cristão, admirador da alta cultura e da cosmovisão bíblica, fosse admitir que a mentalidade reformada fosse conspurcada por elementos como DJ’s, cultos jovens, apresentações teatrais, motoclube, etc.

Em segundo lugar, o meio reformado enfrenta também o perigo do empobrecimento cultural e artístico, como no caso da ala neopuritana, a qual chega a proibir até mesmo as representações iconográficas de Jesus Cristo, com o argumento de que se constituem como transgressão do segundo mandamento. Creio que, ainda que essa mentalidade dominasse inteiramente nosso Ocidente, seus defensores teriam certa dificuldade em incinerar e arruinar a vasta quantidade de quadros, representações, mosaicos, afrescos, telas, etc., que estão presentes nos grandes museus da Europa e Américas, movidos por uma estranha espécie de futurismo puritanista, no afã de apagar a história, que passa a ser concebida como uma simples sequência de eventos idólatras, ao invés do locus da Providência. Tudo isso, podemos dizer, para que, ao fim de seu esforço iconoclasta, percebam aquilo que Nathaniel Hawthorne, brilhante escritor puritano, já havia entrevisto em seu conto Earth’s Holocaust [O Holocausto da Terra], no qual as pessoas se reúnem perante uma grande fogueira, uma espécie de conflagração cósmica, a fim de lançar ao fogo todos os livros, pinturas, objetos, etc. que os lembrassem do passado – a conclusão do conto:

“O Coração – o Coração – havia ainda essa pequena mas ilimitada esfera, na qual subsiste o erro primordial, do qual o crime e a miséria deste mundo visível são simplesmente tipos. Purifique essa esfera interna; e as várias formas de mal que assombram o exterior, e que presentemente aparentam ser a quase totalidade de nossas realidades, tornar-se-ão em meros espectros sombrios, desparecendo por contra própria” (Nathaniel Hawthorne, Tales & Sketches, p. 906, tradução nossa).

Ora, a religião, e em especial um de seus elementos, a liturgia, não devem castrar a arte – isso é confusão de esferas de soberania, e, portanto, transgressão das leis criacionais de Deus. Como já disse Rookmaaker, “a arte não precisa de justificativa”. Tal afirmação, no entanto, não implica na autonomia da arte ou seu desprezo pela cosmovisão bíblica; pelo contrário, toda e qualquer esfera somente realiza e concretiza suas potencialidades quando se encontra pautada nos pressupostos bíblicos, levando em consideração os pilares do macrodrama da história salvífica: Criação, Queda, Redenção e Consumação. Portanto, afirmarmos de fato que o Princípio Regulador do Culto deve exercer sua autoridade e vigilância de forma intransigente – mas na área que lhe cabe: o culto público e privado (no lar e na devoção particular). Jamais deve transgredir os limites de sua própria esfera, com o risco de se tornar pietismo ou iconoclastia gnóstica. Em suma, não se pode negar, todavia, o excelente trabalho litúrgico, incluindo a publicação de obras teológicas que enfatizam e explanam o Princípio Regulador do Culto, livros que se fazem extremamente necessários nesse nosso contexto eclesiástico sincrético e idolátrico, que efetivamente precisa ser purificado por uma nova reforma direcionada pelo Espírito de Deus.


Herman Bavinck, em uma de suas palestras sobre a relação entre Revelação e cultura, lança as bases de um pensamento que se apresenta como uma alternativa ao atual dilema do meio reformado. Para o teólogo holandês, a religião não é o cão de guarda da cultura, e esta, por sua vez, não é autônoma nem livre para conceber uma ética alheia à Lei de Deus. Nas palavras de Bavinck:

A ciência, arte e moralidade são cognatas em origem, essência e sentido à religião, pois todas se baseiam na crença num mundo ideal, cuja realidade é assegurada e garantida somente pela religião, isto é, da parte de Deus por meio da revelação. 
Indubitavelmente tem havido um empenho para tornar a cultura ética independente da religião. Todavia, tal tentativa é ainda nova e restrita a um pequeno círculo e provavelmente há de ter pouco êxito. É sem dúvida uma desonra para a religião servir como um agente policial ou como um cão de guarda da moralidade. Religião e moralidade não estão unidas nesse modo externo e mecânico, mas estão em aliança entre si de forma orgânica, por causa de suas naturezas íntimas. O amor a Deus inclui o amor ao nosso próximo, e este se reflete naquele, pois o bem se apresenta a todos nós, desde nossa tenra idade, na forma de um mandamento. Nem a ética autônoma nem a ética evolucionista podem mudar algo nisso. A criança não cria gradualmente leis morais por meio do instinto ou reflexão, antes, ela cresce num círculo que possuía anteriormente essas leis e que as impõe sobre ela com autoridade. À medida que olhamos para as nações e examinamos a história da humanidade, testemunhamos muita hesitação e variedade, no entanto, sempre encontramos, por toda parte, um fundo de leis morais. Todo homem reconhece que, na moralidade, existe uma lei que lhe é sobreposta, obrigando-o, em sua consciência, à obediência. Se de fato é assim, então, nesse surpreendente fenômeno, estamos lidando ou com uma ilusão, ou com um sonho, ou como uma fantasia da humanidade, ou, ainda, com uma realidade que se eleva bem acima do mundo empírico e nos preenche com a mais profunda reverência (BAVINCK, Philosophy of Revelation, p. 260-261, tradução nossa).

Se queremos de fato
renovar a nossa cultura já degradada, será necessário primeiramente desistir de nossas pretensões idolátricas de renovação do culto. Um culto que não se sustenta sobre as firmes bases das Escrituras, deixando espaço para a autonomia humana, produzirá eventualmente uma cultura também autônoma, que se opõe a tudo que está relacionado à Lei de Deus.

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Autor: Fabrício Tavares
Fonte: Bereianos

Leia também: A gnose no contexto eclesiástico brasileiro (parte 1)
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Cosmovisão Reformada (3/3) - Redenção

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REDENÇÃO

A restauração da criação exigirá um trabalho inspirado pelo Espírito Santo de construção de instituições de cuidado e de hábitos revitalizantes.

Que amor é esse que assume tais riscos?

O Deus do pacto de Israel e Pai de Jesus Cristo é um Criador pródigo e inventivo, que – no que pode nos parecer quase loucura – confiou o cuidado e o desenvolvimento[1] da criação a nós, Suas criaturas, comissionadas como portadoras de Sua imagem.

Comissionados e dotados de forma a cumprir essa missão de cultivo da imagem de Deus, nós trabalhamos e descansamos, fazemos amor e arte, cultivamos a terra e transformamos seu fruto no pão nosso de cada dia ao mesmo tempo em que concretizamos nossos sonhos mais extravagantes em catedrais e arranha-céus. Essa criação da cultura de portador da imagem [de Deus] será mais frutífera quando tomar para si a responsabilidade do grão do universo – isto é, quando nosso trabalho e lazer forem semeados nos “sulcos” das normas vivificantes de Deus.

Portanto, a criação vem acompanhada de uma missão e uma vocação. Sermos portadores da imagem de Deus é uma tarefa e uma responsabilidade confiada às criaturas. Se Deus criou a partir do e para o amor, então Ele também nos criou com o convite para amar o mundo e, desse modo, promover o seu – e o nosso – florescimento.

Contudo…

Nós confessamos – e muito frequentemente experienciamos – uma ruptura nessa alegre visão do amor criativo. Embora o amor autossacrificial de Deus nos tenha confiado o cuidado e cultivo de Sua criação, a humanidade tomou posse disso como se fosse um direito seu, ao invés de recebê-lo como uma dádiva. Dessa forma, nossa missão de desenvolver o potencial latente na criação acabou assumindo a forma de um invencionismo irrestrito ao invés da co-criação normatizada. Embora esse impulso criacional pela poeisis[2] não poderia ser suprimido ou apagado, o bom impulso criacional de fazer foi distorcido e mau direcionado: ao invés de fazer amor, fizemos guerra (e mesmo agora quando fazemos amor, estamos propensos a fazê-lo de formas que vão contra aquilo que é, de fato, bom para nós). Longe de cultivarmos a terra, nós criamos sistemas inteiros que a espoliam avidamente. Longe da criação normatizada, a humanidade se encontra propensa à transgressão licenciosa. Falhamos em conduzir adiante a missão que fora confiada a nós como portadores da imagem de Deus.

Mas ainda assim…

Nosso bom Criador não nos abandonou aos nossos próprios planos. Apesar de termos rompido a plenitude do amor criativo, nosso Deus complacente também rompeu nosso céu de bronze, juntamente com nosso desejo de nos fecharmos na imanência, ao manifestar-Se na carne – a nossa carne – como a imagem do Deus invisível. Jesus de Nazaré apresentou-Se como o segundo Adão, sendo nosso modelo daquilo que significa cumprir a missão original de cultivo da imagem [de Deus]. A Palavra se fez carne, não para salvar nossas almas de um mundo caído, mas, sim, para nos restaurar como amantes deste mundo – para nos (re)habilitar a cumprir aquela comissão criativa. De fato, Deus nos salva para que – novamente, numa espécie de loucura divina[3] – possamos salvar o mundo, para que possamos (re)fazer o mundo corretamente. E o amor redentor de Deus transborda em seus efeitos cósmicos, dando esperança à essa criação que geme em angústias.

Portanto, nossa redenção não é uma espécie de suplementação ao ser humano; na verdade, a redenção é o que possibilita que alguém seja realmente humano, e assim cumprir a missão que nos caracteriza como portadores da imagem de Deus. Irineu de Lyon apreende essa questão de forma sucinta: “A glória de Deus é um ser humano vivendo em plenitude” [4]. A redenção não acrescenta descabidamente uma espécie de anexo espiritual, nem nos liberta da condição humana a fim de alcançarmos um estado angelical. Pelo contrário, a redenção é a restauração de nossa humanidade, e a nossa humanidade está inseparavelmente ligada à nossa missão de sermos os criadores de cultura, sendo co-criativos juntamente com Deus.

Embora a redenção de Deus seja cósmica, e não simplesmente antropocêntrica, não obstante, ela opera de acordo com aquele “escândalo” criacional original mediante o qual a humanidade é comissionada como embaixadora, e mesmo como co-criadora, para o bem do mundo. Agora, também por meio de um “escândalo”, nós somos comissionados como co-redentores.

Embora não seja uma questão semelhante a: “salve a líder de torcida, salve o mundo” [5], a controversa economia da redenção, contudo, também não sugere: “salve a humanidade, salve o mundo”.

Uma das palavras utilizadas no Novo Testamento para se referir à salvação (soteria) traz consigo tanto a ideia de livramento e liberação quanto de saúde e bem-estar. Portanto, a salvação é libertação de nossa desordem e também restauração para a saúde e florescimento. Não consigo imaginar uma imagem melhor a esse respeito do que os tipos de práticas salutares que Wendell Berry apresenta e celebra em sua recente coleção intitulada “Bringing It To The Table: On Farming and Food” [6]. Considere, por exemplo, o elogio que Berry faz aos agricultores Amish que vivem no nordeste do estado de Indiana, que estão “trabalhando para restaurar os solos que foram exauridos anteriormente por outras pessoas”. Esta é uma versão compacta de nosso chamado para redimirmos o mundo. Sistemas, instituições e práticas falharam crassamente em cuidar do solo (e dos animais que viviam dele), sugaram-no e espoliaram a terra sem restaurá-la. O erro – sim, o pecado – desses lucros ilícitos há de se revelar brevemente, pois tais sistemas e práticas vão contra o grão do universo. A própria criação nos diz que estamos fazendo as coisas de modo errado. Nesse caso, a redenção é tangível e concreta: a saber, na rotação de culturas, na fertilização do solo e na atenção àquilo que o solo “está querendo nos dizer”. O trabalho feito para se restaurar o solo exaurido está situado dentro de um estilo de vida – de fato, é um estilo de vida.

Graças sejam dadas a Deus, pois tal remissão, revitalização e labor cultural não estão apenas sob a responsabilidade dos cristãos. Embora a Igreja seja, de fato, o povo que foi regenerado e revestido de poder pelo Espírito Santo para as boas obras da criação da cultura, o antegosto da vinda do Reino não está confinado à Igreja. O Espírito Santo é pródigo em espalhar sementes de esperança[7]. Assim, nós experimentamos avidamente antegostos onde quer que encontremos essas sementes. O Deus criador e redentor apresentado nas Escrituras tem prazer na literatura judaica que alcança as profundezas do potencial da linguagem, no mercado muçulmano que coloca em ação o grão do universo, e nos casamentos estruturados de agnósticos e ateus. Nós também podemos ter essa iniciativa de Deus e celebrar essas mesmas coisas.

Mas com o que a redenção se assemelha? Na maior parte das vezes, você a reconhece quando a vê, uma vez que ela é semelhante ao florescimento. A redenção é semelhante a uma vida bem vivida. É semelhante ao modo como as coisas deveriam ser de fato; é semelhante a um pomar bem cultivado, carregado de frutos produzidos por antigas raízes; é semelhante ao trabalho que edifica a alma e traz deleite; é semelhante a um marido e sua esposa, já anciãos, rindo de maneira hilária com seus bisnetos. É semelhante a uma bailarina que alonga seu corpo até o limite, encarnando, assim, uma estonteante beleza nos músculos e tendões que se retesam com devoção. É semelhante ao aluno de graduação debruçado sobre um microscópio, explorando nichos e recantos naquela microcriação engendrada por Deus, e, desse modo, buscando maneiras de desfazer a maldição. É semelhante à abundância para todos.

A redenção soa como as surpreendentes cadências de um concerto de Bach, cujo ritmo parece fazer a alma se expandir. A redenção é semelhante a um escritório onde todos cantarolam com um senso de harmonia naquela missão, por vezes pontuado por risadas colaborativas. É semelhante aos grunhidos e gritos de um jogador de tênis, cujas técnicas “blistering serve” e “liquid forehand” são decretos[8] de coisas que não poderíamos jamais sonhar. A redenção soa como as questões de uma aluna da terceira série, cujo professor se interessa suficientemente pelo seu bem-estar de modo a instigar sua curiosidade, dando espaço para uma curiosidade santificada a respeito deste mundo bom criado por Deus. E soa até mesmo como o debate espirituoso de um jovem casal que está discernindo quais as implicações do fato de que seu casamento é uma amizade que representa a comunidade que Deus deseja (e que Ele é).

A redenção cheira como o tom de carvalho de um vinho Chardonnay produzido no vale de Napa que nos dá anseios nas papilas gustativas. Cheira como a terra debaixo de nossas unhas após plantarmos peônias e gérberas. Cheira a uma cozinha de inverno, repleta de vapor, onde uma família reunida está se preparando para a ceia. Cheira à sabedoria ancestral de um livro herdado de um avô, ou àquele “cheiro de rua” que o cachorro da família rescende nos meados de Novembro. Cheira ao ato de ir de bicicleta ao trabalho numa manhã nevoenta de primavera. Cheira até mesmo à salgada pungência do trabalho duro e àquele singular leque de odores que banha o nascimento de uma criança.

A redenção tem o gosto de uma colheita de outono que deu frutos, não obstante o labor afetuoso e o cuidado atencioso para com o solo e a plantas. Tem o gosto de um peru do Dia de Ações de Graças, cuja “natureza própria de peru” ganha vida a partir de seu próprio deleite animal ao ar livre. A redenção tem gosto da deliciosa amargura do lúpulo de uma bebida compartilhada com os amigos de um pub da vizinhança. Tem até mesmo o gosto de comer seus brócolis porque sua mãe te ama o suficiente para querer que você se alimente bem.

Portanto, a redenção se assemelha à poesia corporal de Rafael Nadal e o sorriso de menino de Brett Favre numa noite agradável; soa como as amáveis risadas de Paul e Julia Child, e cheira à cozinha desta; a redenção reverbera como as profundas performances de Yo-Yo Ma em seu violoncelo; parece com o verso frenético da poesia de Auden ou o deleite vivo dos versos leves de Updike; é semelhante ao cuidado compassivo de Paul Farmer ou Madre Teresa. A redenção pode se manifestar de forma espetacular, fabulosa e (quase) triunfante.

Mas na maior parte do tempo, a redenção delegada pelo Espírito Santo é semelhante àquilo que Raymond Carver chama “um coisinha boa” [9]. É semelhante ao nosso trabalho cotidiano bem-feito por amor, em ressonância com o desejo de Deus para Sua criação – contanto que nosso “trabalho pé-no-chão” esteja instalado como parte de uma contribuição para os sistemas e estruturas de desenvolvimento. A redenção é semelhante à realização de nosso dever de casa, ao preparar as merendeiras das crianças, à construção feita com qualidade e com a devoção de um artesão, e é também semelhante à elaboração de um orçamento municipal que discirna o que realmente importa e que, assim, contribui para o bem comum. Certamente que a redenção é o fim do apartheid, mas também as amizades, antes impossíveis, que foram forjadas nas circunstâncias que se seguiram. É um assento vago no ônibus para quem quer que seja[10], mas é também travar relações com meus vizinhos que são diferentes de mim. É nada menos do que tentar mudar o mundo, todavia isso começa em nossas casas, em nossas igrejas, em nossos bairros e escolas.

Não deveríamos ficar surpresos pelo fato de que a redenção nem sempre manifestar-se-á de modo triunfante. Se Jesus vem como o segundo Adão que molda o desenvolvimento da cultura redentiva, então, neste nosso mundo devastado, esse labor cultural apresentará uma forma cruciforme. Todavia, também assemelhar-se-á à esperança que tem fome da alegria e deleite [Jeremias 15:16].

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NOTAS:
[1] Deus nos confiou o desenvolvimento da criação para que pudéssemos explorar as potências latentes, enterradas pelo próprio Deus no seu mundo criado. É o que os neocalvinistas chamam de “Mandato Cultural”, baseado em Gênesis 1:28 e 2:17, e que se baseia na tarefa de trabalhar e desenvolver a cultura, visando a glória de Deus. Isso envolve a redenção da cultura, ciência, arte e intelecto, para que o Reino de Deus, que já está inaugurado mas não plenamente estabelecido, venha progressivamente se instaurar. Nas palavras de Von Gronigen: “O primeiro mandato que foi dado tem sido corretamente citado como sendo o mandato cultural. Era para o homem e a mulher exercitarem suas prerrogativas reais governando sobre o cosmos, desenvolvendo-o e simultaneamente mantendo-o. Todas as formas de vida na terra foram, de forma específica, colocadas sob a supervisão dos vice-gerentes humanos. Com esta responsabilidade, veio o privilégio de usar as plantas, seus frutos e sua semente para manter a vida e a energia para realizar as tarefas reais. A humanidade poderia responder obedientemente ao mandato cultural para a glória de Deus por causa da sua criação à imagem e semelhança de Deus. Deus, através da exposição deste mandato, colocou a humanidade em um relacionamento singular com o cosmos. Na realidade, foi um relacionamento de governador sobre o domínio cósmico. Mas este governo envolvia trabalho. O trabalho é, consequentemente, tanto um privilégio real como também uma responsabilidade.” (Gerard Van Groningen. In: Criação e Consumação, v. 1).
[2] Poiesis (no original grego: ποιεσις), segundo o Dicionário Heidegger, de Michael Inwood, significa: “o fazer, fabricação, produção, poesia, poema’, que, por sua vez, vem de poiein, "fazer". Aristóteles distingue poiesis, "o fazer" – que essencialmente possui um produto final, um poeima – de praxis, "ação" – que não possui. (p. 144). Sendo assim, a poesis é a capacidade criativa inerente ao homem, que trabalha a partir de um material preexistente, seja físico ou não (como no caso do poema que trabalha com a linguagem), dando-lhe uma forma final que pode ser apreendida pelo intelecto, abstração ou tato humanos. Deus deu ao homem essa capacidade de co-criar juntamente com Ele, a partir dos materiais que Ele disponibilizou ao homem.
[3] O termo “loucura” aqui utilizado trata-se, evidentemente, não de uma falta de reverência aos pensamentos e atitudes de Deus, mas, sim, de uma contraposição entre a Mente Divina e o bom senso humano, como o Apóstolo Paulo já havia dito: “Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens” (1 Coríntios 1:25).
[4] Essa afirmação (gloria Dei homo vivens) de um dos mais proeminentes Pais da Igreja pode, num primeiro momento, chocar os neófitos ou aqueles que não se aprofundaram ainda no estudo teológico. Contudo, o contexto e o sentido mais profundo nos leva a compreender a beleza e ortodoxia da frase: combatendo os gnósticos, que depreciavam a parte física da Criação, incluindo o corpo humano, Irineu se levanta para dizer que o homem coroa a Criação de Deus, já que foi criado à Sua imagem e semelhança. E não apenas isso, o próprio Deus assumiu a condição humana, fazendo-se carne e habitando entre nós. Portanto, a afirmação de que Cristo, o Filho, é a glória de Deus (O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, Hebreus 1:3) não contradiz a afirmação de Irineu; antes, a complementa, pois Cristo, o homem perfeito, reflete a imagem e semelhança de Deus também perfeitamente. Segue-se daí que por ter cumprido plenamente a vontade de Deus, e por ter expressado claramente o caráter de Deus, Jesus Cristo é o homem que viveu e vive em plenitude, sendo tudo aquilo que Deus planejou e pretendeu para o homem. Portanto, Cristo, o homem que vive plenamente (pois dEle procede a própria Vida), é a glória de Deus.
[5] Referência ao seriado “Heroes”, no qual o personagem Hiro é avisado por seu “eu” do futuro de que a chave para a vitória dos heróis é “salvar a líder de torcida”. A frase “salve a líder de torcida, salve o mundo” torna-se, consequentemente o lema da série. A líder de torcida em questão é uma personagem que aparece posteriormente na narrativa, que também possui superpoderes. No texto em questão, o autor quer dizer que a economia da salvação, embora não seja limitada a apenas um indivíduo, também não se estende a toda humanidade, como postula o Arminianismo.
[6] A expressão “bring something to the table” (literalmente, trazer algo à mesa) significa fornecer algo que há de trazer um benefício. O título do livro faz um jogo de palavras com a questão de uma alimentação e cultivo saudáveis e os benefícios decorrentes desses hábitos.
[7] O autor faz menção à ideia de “sementes do Verbo” (logos spermatikoi), postulada por Justino, o Mártir, um dos pais apologistas. Esse grande filósofo cristão discorre em suas obras 1 e 2 Apologia e Diálogo com o Judeu Trifão que há sementes da Verdade em várias culturas e povos, mesmo naqueles que não foram iluminados com a revelação plena manifesta em Jesus Cristo. Joseph Ratzinger, em seu livro Padres da Igreja, observa a respeito do pensamento de Justino: “o projeto divino da criação e da salvação [...] se realiza em Jesus Cristo, o Logos, isto é o Verbo eterno, a Razão eterna, a Razão criadora. Cada homem, como criatura racional, é partícipe do Logos, leva em si uma "semente", e pode colher os indícios da verdade. Assim o mesmo Logos, que se revelou como figura profética aos Judeus na Lei antiga, manifestou-se parcialmente, como que em "sementes de verdade", também na filosofia grega. Mas, conclui Justino, dado que o cristianismo é a manifestação histórica e pessoal do Logos na sua totalidade, origina-se que "tudo o que foi expresso de positivo por quem quer que seja, pertence a nós cristãos" (2 Apologia 13, 4).
[8] Decretos são as normas estruturais moldadas e configuradas por Deus e que são a base mesma da existência dos entes. Sendo assim, cada ente possui uma lógica e estrutura interna criada e determinada por Deus – daí a sua harmonia e substancialidade. Deus plasmou o universo com Sua Lei, de modo que ela não apenas governa sobre os entes, mas também nestes entes. A vocação do indivíduo humano é a norma gravada em seu ser pelo poder de Deus. Se cumprirmos nossa vocação, não apenas nos tornamos quem Deus planejou que fossemos, mas também estamos em total harmonia com a normatização da criação original.
[9] Nome de um conto de Raymond Carver.
[10] Referência a Rosa Parks, uma costureira norte-americana que se tornou símbolo do movimento dos direitos civis dos negros dos Estados Unidos ao se recusar a ceder seu lugar no banco de um ônibus a um homem branco (que, naquela época segregacionista, tinham preferência sobre as pessoas negras), dando início, portanto, ao que ficou conhecido como “Boicote aos Ônibus de Montgomery”. Nessa parte do texto, o autor diz que a Redenção suprime essas barreiras (segregação étnica, social, política e cultural) criadas pelos efeitos do pecado na mente humana, pois o ensino bíblico é que “de um só sangue fez toda a geração dos homens” (Atos 17:26), e que todos, independentemente da cor de sua pele, condição social ou nacionalidade, foram criados à imagem e semelhança de Deus (Genêsis 1:27). Além disso, em Cristo, todos são reunidos em um só corpo chamado Igreja, na qual exercem funções primordiais e inseparáveis como membros, de forma que neste corpo místico “não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gálatas 3:28).

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Autor: James K.A. Smith
Fonte: CARDUS
Tradução: Fabrício Tavares
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Pode existir uma estética ... CRISTÃ?!

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Hoje estava conversando com uma garota cristã muito legal. Ela está terminando a sua faculdade de design de moda e resolveu me perguntar sobre a possibilidade de Deus estar realmente interessado na maneira como alguém se veste. "Há uma forma cristã de alguém se vestir?", creio ter sido o enunciado do problema levantado por ela. E como achei a indagação muito pertinente, aproveito a deixa para transformar minha resposta em um breve artigo.


Talvez esta garota não soubesse disso, mas a questão subjacente ao problema exposto tem a ver com a existência de absolutos. Seja lá qual for o jargão recrutado, o que importa é ter em mente o Deus bíblico e sua vontade revelada como justificativa para a afirmação de quaisquer padrões.

É muito fácil falarmos em uma ética cristã ou universal. Também não soa dissonante falarmos em uma epistemologia cristã ou uma metafísica cristã. Estes temas estão em voga no ambiente acadêmico cristão e, de certa maneira, alcançam todo o público mediante a literatura disponível. Todavia, quando falamos em uma ESTÉTICA cristã, não deixo de notar espanto e desconfiança no interlocutor. Uma estética cristã pressupõe valores estéticos universais, o que, por si só, já desperta animosidade nas mentes pluralistas e anti-intelectuais de nosso tempo. Porém, a situação se agrava ainda mais quando não apenas afirmamos os valores estéticos universais que subjazem à uma possível estética cristã, mas também a qualidade revelada de tais premissas.

Por que é tão difícil falarmos a respeito de uma estética cristã? Por que o terreno da estética é tão arenoso quando comparado aos outros temas da preocupação filosófica? Não temos problemas em admitir uma metafísica ou ética cristãs, como dissemos, mas por que, quando o assunto é orientado para a estética, adquire contornos tão delicados?

Embora eu possa arriscar algumas respostas [1], elas não são minha maior preocupação, que permanece sendo o problema entrevisto e enunciado previamente: pode existir, de fato, uma estética cristã? E a resposta é: sim, pode ... e existe!

Em primeiro lugar, não faz sentido supormos que todas as áreas da filosofia sejam objeto de interesse na mente de Deus, conforme sua revelação cristaliza, mas, ao delimitarmos a estética, nenhuma preocupação divina seja evidenciada, ainda que remotamente. Por que Deus não estaria preocupado com a estética?! A Escritura nos ensina, por meio do que chamamos de "mandato cultural", que Deus está interessado em TODAS as áreas da vida e pensamento humanos. É uma distorção medieval neoplatônica pensarmos que existe uma esfera de interesse divino - a esfera religiosa - e outra esfera com a qual Deus não interage ou não se interessa em interagir - a esfera de assuntos seculares ou não-religiosos. Tal dicotomia é falsa, herética e perniciosa, e Deus está profundamente interessado na TOTALIDADE da vida humana, que vive e existe sempre diante de Deus (coram Deo). Portanto, é mais do que razoável admitirmos que a estética, como um sítio do pensamento humano, é alvo do interesse divino. Logo, esta área da filosofia encontra terreno na mente e revelação divina, e, por consequência, a atividade filosófica cristã deve ecoar tal interesse.

Em segundo, a estética trata do que é belo. Pergunto: que outro parâmetro final pode existir para justificar a beleza, senão Deus? Se os ateístas tivessem razão e a realidade fosse resumida à matéria, então a noção de "belo" seria um absurdo filosófico. Aliás, não existiria filosofia. De que maneira uma cosmovisão materialista poderia dar suporte à noção de belo? Se tudo é material (materialismo), não há nada extra-material que imprima qualidades estéticas a um ou outro objeto de análise. As coisas não seriam bonitas ou feias, elas seriam apenas coisas, sem predicados estéticos. Contudo, a Bíblia diz que existe o material e o imaterial, e que a natureza bela de Deus e seus atributos (Sl 29.2; Is 9.6) não só justifica a beleza mas permite reconhecê-la nas obras de criação e redenção como extensões ou impressões desta perfeição divina. O Salmo 75.1 diz: "A TI, ó Deus, glorificamos, [...] as tuas maravilhas o declaram"; e o Salmo 139.14 diz: "[...] maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem".

Em terceiro lugar, como se não bastasse o fato de Deus ser belo em suas perfeições, tal beleza ser amplamente reconhecida na criação e viabilizar a reflexão estética, o próprio Deus, em sua Palavra, nos encoraja a refletir e falar sobre ela. Isto é muito sério, pois significa que o labor filosófico sobre a estética não apenas encontra terreno no pensamento cristão como NÃO DEVE ser relegado ao ostracismo nas discussões filosóficas. Em outras palavras, nós devemos pensar sobre o assunto, redimí-lo à luz das Escrituras levando cativo TODO o entendimento (inclusive a estética) à obediência de Cristo (2Co 10.5). Abraham Kuyper (1837-1920), em uma de suas palestras, disse uma frase que se tornou famosa:

“[...] não há um único centímetro quadrado em todos os domínios da existência humana sobre o qual Cristo, que é o Soberano sobre tudo, não clame: 'é Meu!'”

Portanto, a estética deve ocupar as preocupações filosóficas dos homens e, sobretudo, dos filhos de Deus.

Em quarto, e talvez este seja o ponto principal, todas as referências bíblicas ou considerações teológicas mostradas até aqui implicam, necessariamente, na afirmação de padrões absolutos de estética, sem os quais seria impossível aos salmistas declararem, inerrantemente, que as obras de Deus são belas e DIGNAS de serem contempladas. Algo que é digno de ser contemplado não pode ter sua qualidade estética fundamentada em parâmetros subjetivos pois, assim fosse, algumas pessoas seriam capazes de cumprir esta contemplação enquanto outras não. Mas o apelo estético da revelação geral (bem como seu apelo metafísico) é dirigido a todos os homens. Assim, todos os homens deveriam ser capazes de reconhecer a beleza na criação, ainda que não atribuam tal beleza ao Deus Criador, de modo que, podemos inferir, a beleza é um valor objetivo ou, ao menos, não é tão subjetivo quanto costumamos supor.

Deste modo, podemos concluir que há, sim, uma estética cristã. Assim como as outras esferas da discussão filosófica, ela é caracterizada por valores absolutos e objetivos [2]. Ademais, ela é tão absoluta que, conforme nos mostra a Palavra de Deus, é passível de ser estruturada e discutida.

O ponto aqui é: todas as áreas da vida e pensamento humanos existem diante da face e dos interesses de Deus. Não há uma esfera sequer sobre a qual Deus não reivindique autoridade. Sendo assim, todas as áreas da vida e do pensamento humanos ... todas! ... devem ser resgatadas das elocubrações fúteis e carnais, e devem ser submetidas e reorientadas ao senhorio de Cristo (Cl 2.8) segundo a revelação especial de nosso Senhor, que está plena e infalivelmente expressa na Escritura Sagrada. Em outras palavras, não apenas há uma estética a ser pensada, mas há, de fato, uma estética cristã revelada.

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Notas:
1. Creio que um dos motivos pelos quais a afirmação de uma estética cristã seja tão indigesta na mentalidade comum resida na aversão a absolutos cultivada e disseminada sistematicamente pelo marxismo cultural. Outro motivo - este mais concentrado no próprio cenário cristão - pelo qual uma estética cristã seja tão impopular jaz na escassez de informações bíblicas diretas sobre o assunto. A Escritura fornece princípios de estética, mas não fórmulas prontas. Entretanto, creio que a maior razão seja o fato de que, por muito tempo, os valores estéticos têm tido qualquer fração de sua objetividade subtraída em função de uma exagerada parcela de subjetividade. As pessoas simplesmente imaginam que, quando se trata de "belo" e "feio", não existe objetividade alguma, mas somente opiniões subjetivas.
2. É claro que não ignoro a dificuldade latente em delinearmos todos os parâmetros para uma estética biblicamente orientada. A Escritura, como disse, não nos apresenta fórmulas prontas, padrões de cores, formas e sons cujas combinações resultem na construção do belo. Todavia, a Escritura nos fornece princípios que podem nos orientar neste sentido. Neste ponto, que excede minha expertise, prefiro confiar na graça de Deus atuando sobre os verdadeiros artistas para que produzam o belo e Deus seja glorificado.

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Autor: Paulo Ribeiro
Fonte: Teologia Expressa
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Here we stand: Uma declaração evangélica com relação ao matrimônio

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Uma coalizão de diversos líderes evangélicos reunidos pela Ethics and Religious Liberty Commission [Comissão da Liberdade Religiosa e Ética - EUA] publicou o seguinte documento:

Como cristãos evangélicos, discordamos da decisão da Suprema Corte que redefine o casamento. O Estado não criou a família, e, portanto, não deveria recriá-la à sua própria imagem. Não nos submetemos a essa visão porque a autoridade bíblica assim exige de nós. O resultado da decisão da Suprema Corte em redefinir o casamento representa o que aparentemente é a consequência de meio século no qual se testemunha o declínio matrimonial por meio do divórcio, a coabitação e uma cosmovisão de liberdade sexual quase ilimitada. As ações da Suprema Corte colocam em risco uma fábrica social já volátil ao indispor aqueles cujas crenças relativas ao casamento são motivadas por profundas convicções bíblicas e que buscam o bem comum.

A Bíblia ensina claramente a verdade imutável de que o casamento consiste de um homem e uma mulher. De Gênesis a Apocalipse, a autoridade das Escrituras testemunha acerca da natureza do matrimônio bíblico como estando exclusivamente restrito à complementaridade entre homem e mulher. Esta verdade é inegociável. O próprio Senhor Jesus afirmou que o casamento é desde o princípio (Mt 19:4-6), de forma que nenhuma instituição humana possui a autoridade para redefinir o casamento, assim como nenhuma instituição humana tem autoridade para redefinir o Evangelho, do qual o casamento, de forma misteriosa, constitui-se como reflexo (Ef 5:32). A decisão da Suprema Corte em redefinir o casamento demonstra um julgamento equivocado ao desconsiderar aquilo que a História e incontáveis civilizações nos transmitiram – todavia, representa também uma consequência na qual os próprios evangélicos, infelizmente, possuem sua parcela de culpa. Frequentemente, evangélicos professos falharam em encarnar os ideais que nos são tão queridos e que cremos serem centrais à proclamação do Evangelho.

As igrejas evangélicas devem ser fiéis ao testemunho bíblico acerca do casamento, independentemente das mudanças culturais. As igrejas evangélicas na América do Norte se encontram agora num novo cenário moral que nos conclama a atuar num contexto cada vez mais hostil à ética sexual bíblica. Isso não é algo inédito na história da igreja. Desde seus primórdios, seja nas margens da sociedade ou numa instância de influência, a igreja é definida sempre pelo Evangelho. Insistimos, pois, na afirmação de que o Evangelho traz as boas-novas para todas as pessoas, independente de a cultura considerá-las ou não como boas-novas.

O Evangelho deve moldar nossa abordagem ao testemunho público. Como evangélicos movidos pelas boas-novas de que Deus oferece reconciliação por meio da vida, morte e ressurreição de Seu Filho, Jesus, nos comprometemos a:

1) Respeitar e orar pelas autoridades que sobre nós governam, mesmo que venhamos a trabalhar, mediante o processo democrático, a fim de reconstruir a cultura do matrimônio (Rm 13:1-7);
2) Ensinar a verdade a respeito do matrimônio bíblico de uma forma que traga restauração e cura a uma cultura sexualmente deteriorada;
3) Afirmar o mandato bíblico de que todas as pessoas, incluindo indivíduos da comunidade LGBT, são criadas à imagem de Deus e merecem, portanto, dignidade e respeito;
4) Amar nosso próximo a despeito de quaisquer discordâncias que surjam como resultado dos conflitos de crenças acerca do casamento;
5) Viver com respeito e civilmente juntamente com aqueles que possam discordar de nós, visando o bem comum;
6) Cultivar uma cultura comum de liberdade religiosa que permita o florescimento da liberdade de viver e crer diferentemente. 

A redefinição do casamento não deveria acarretar a erosão da liberdade religiosa. Nos próximos anos, as instituições evangélicas poderão ser intimadas a sacrificar suas crenças sagradas sobre o casamento e sexualidade a fim de se acomodarem àquilo que a cultura exige e que a lei requer. Não temos a opção de acatar essas exigências sem violar nossas consciências e renunciar o Evangelho. Não permitiremos que o governo coaja ou infrinja os direitos das instituições em viverem segundo a crença sagrada de que apenas homens e mulheres podem contrair matrimônio entre si.

O Evangelho de Jesus Cristo determina a forma e o tom de nosso ministério. A teologia cristã considera seus ensinamentos a respeito do casamento tanto atemporais quanto imutáveis, consequentemente devemos permanecer firmes nessa crença. Ofensas e pânico não são as respostas daqueles que confiam nas promessas de um Cristo Jesus que reina. Embora acreditemos que a Suprema Corte se equivocou em sua decisão, nos comprometemos a permanecer observando firme e fielmente o ensino bíblico de que o casamento é a principal pedra angular da sociedade, projetada para unir os homens, mulheres e crianças. Prometemos, portanto, proclamar e viver essa verdade a todo custo, com convicções que são apregoadas com bondade e amor.

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Nota:
[1] A expressão "Here I stand" pode ser traduzida como "Eis-nos aqui" ou "Assim nos posicionamos". Na verdade, trata-se de uma alusão ao dito de Lutero na Dieta de Worms: "Hier stehe ich. Ich kann nicht anders", que, na versão em inglês, foi traduzido para "Here I stand, I can do no other." [Esta é a minha posição. Não posso fazer nada mais]. Desse modo, é uma expressão que remonta à coragem dos primeiros reformadores em asseverar seu comprometimento com a verdade bíblica, ao invés de diluir ou se conformar com a mentalidade e cultura predominantes.

Signatários:

A.B Vines, Senior Pastor, New Seasons Church
Afshin Ziafat, Lead Pastor, Providence Church, Frisco, Texas
Alistair Begg, Senior Pastor, Parkside Church
Andrew T. Walker, Director of Policy Studies, Ethics and Religious Liberty Commission
Barrett Duke, Vice President for Public Policy and Research and Director of the Research Institute, Ethics and Religious Liberty Commission
Bart Barber, Pastor, First Baptist Church of Farmersville
Bruce Frank, Senior Pastor, Biltmore Baptist Church
Bruce Riley Ashford, Provost, Southeastern Baptist Theological Seminary
Bryan Carter, Pastor, Concord Church
Bryan Chapell, Senior Pastor, Grace Presbyterian Church
Bryan Loritts, Pastor of Preaching and Mission, Trinity Grace Church, Kainos Movement
Bryant Wright, Senior Pastor, Johnson Ferry Baptist Church
Carmen Fowler LaBerge, President, Presbyterian Lay Committee
Christine Hoover, Author
Christopher Yuan, Speaker, Author, Bible teacher
Clint Pressley, Pastor, Hickory Grove Baptist Church
Collin Hansen, Editorial Director, The Gospel Coalition
D. A. Carson, Research Professor of New Testament, Trinity Evangelical Divinity School
D.A. Horton, Director of ReachLife Ministries, National Coordinator for Urban Student Missions
Daniel Darling, Vice-President of Communications, The Ethics and Religious Liberty Commission
Daniel Patterson, Chief of Staff, The Ethics and Religious Liberty Commission
Danny Akin, President, Southeastern Baptist Theological Seminary
David E. Prince, Assistant Professor of Christian Preaching, The Southern Baptist Theological Seminary
David French, National Review
David Jeremiah, Senior Pastor, Shadow Mountain Community Church
David Platt, President, International Mission Board
David S. Dockery, President, Trinity International University/Trinity Evangelical Divinity School
David Uth, Senior Pastor, First Baptist Orlando
Dean Inserra, Lead Pastor, City Church, Tallahassee
Dennis Rainey, President, FamilyLife Today
Denny Burk, Professor of Biblical Studies, Boyce College
Edgar Aponte, Director of Hispanic Leadership Development, Southeastern Baptist Theological Seminary
Eric M. Mason, Lead Pastor, Epiphany Fellowship Church
Eric Teetsel, Executive Director, Manhattan Declaration
Erik Reed, Pastor, Journey Church
Erwin W. Lutzer, Senior Pastor, The Moody Church
Felix Cabrera, Pastor, Iglesia Bautista Central, Oklahoma City
Frank Page, President and CEO of the SBC Executive Committee
Fred Luter, Pastor, Franklin Avenue Baptist Church
Gabriel Salguero, President, National Latino Evangelical Coalition
Greg Laurie, Senior Pastor, Harvest Christian Fellowship
H.B. Charles Jr., Pastor-Teacher, Shiloh Metropolitan Baptist Church
Heath Lambert, Executive Director, Association of Certified Biblical Counselors
Hunter Baker, Associate Professor of Political Science and Dean of Instruction, Union University
J. Ligon Duncan III, Chancellor & CEO, John E. Richards Professor of Systematic and Historical Theology, Reformed Theological Seminary
J. P. Moreland, Distinguished Professor of Philosophy, Biola University
J.D. Greear, Pastor, The Summit Church
J.I. Packer, Board of Governors’ Professor, Theology Regent College
Jack Graham, Pastor, Prestonwood Baptist Church
Jackie Hill Perry, Writer, Speaker, Artist
James MacDonald, Senior Pastor, Harvest Bible Chapel
Jason Allen, President, Midwestern Baptist Theological Seminary
Jason Duesing, Provost, Midwestern Baptist Theological Seminary
Jeff Iorg, President, Golden Gate Baptist Theological Seminary
Jeffrey K. Jue, Provost, Westminster Theological Seminary
Jim Baucom, Senior Pastor, Columbia Baptist Church
Jim Daly, President, Focus on the Family
Jimmy Scroggins, Lead Pastor, Family Church, West Palm Beach
John Bradosky, Presiding Bishop, North American Lutheran Church
John Huffman, Board Chair Christianity Today and Gordon-Conwell Theological Seminary
John Stonestreet, Speaker and Fellow, The Chuck Colson Center for Christian Worldview
Johnny Hunt, Pastor, First Baptist Church of Woodstock
Jonathan Leeman, Editorial Director, 9Marks
Jose Abella, Pastor, Providence Road Church, Miami
Juan R. Sanchez, Jr., Senior Pastor, High Pointe Baptist Church, Austin, Texas
Justin Taylor, Author and Blogger
Karen Swallow Prior, Professor of English, Liberty University
Ken Whitten, Senior Pastor, Idlewild Baptist Church
Kevin DeYoung, Senior Pastor, University Reformed Church
Kevin Ezell, President, North American Mission Board
Kevin Smith, Teaching Pastor, Highview Baptist Church
Mac Brunson, Pastor, First Baptist Church Jacksonville
Mark Dever, Senior Pastor, Capitol Hill Baptist Church
Marvin Olasky, Editor-in-chief, WORLD Magazine
Matt Carter, Pastor of Preaching and Vision, The Austin Stone Community Church
Matt Chandler, Lead Teaching Pastor, The Village Church
Matthew Lee Anderson, Lead Writer, Mere Orthodoxy
Michael Youssef, Pastor, The Church of The Apostles in Atlanta, GA
Mike Cosper, Pastor of Worship and Arts, Sojourn Community Church
Mike Glenn, Senior Pastor, Brentwood Baptist Church
Naghmeh Abedini
Nancy Leigh DeMoss, Revive our Hearts
Nathan Finn, Dean of the School of Theology and Missions and Professor of Christian Thought and Tradition, Union University
Nathan Lino, Lead Pastor, Northeast Houston Baptist Church
Owen Strachan, President, The Council on Biblical Manhood and Womanhood
Paige Patterson, President, Southwestern Baptist Theological Seminary
Paul Chitwood, Executive Director, Kentucky Baptist Convention
Paul David Tripp, Pastor, Author, and International Conference Speaker
Paul Nyquist, President and CEO, Moody Bible Institute
Phillip Bethancourt, Executive Vice President, Ethics and Religious Liberty Commission
R. Albert Mohler, Jr., President, The Southern Baptist Theological Seminary
Ramon Osorio, Hispanic National Church Mobilizer, North American Mission Board
Randy Alcorn, Director, Eternal Perspectives Ministries
Raudel Hernandez, Pastor, Summit Español Raleigh, NC
Ray Ortlund, Lead Pastor, Immanuel Nashville
Ray Pritchard, President, Keep Believing Ministries
Richard D. Land, President, Southern Evangelical Seminary
Richard Mouw, Professor of Faith and Public Life, Fuller Seminary
Robert Sloan, President, Houston Baptist University
Roger Spradlin, Senior Pastor, Valley Baptist Church, Bakersfield, Calif.
Roland C. Warren, President & CEO, Care Net
Ron Johnson, Senior Pastor, Village Bible Church
Ron Sider, Senior Distinguished Professor of Theology, Holistic Ministry and Public Policy, Palmer Seminary at Eastern University
Ronnie Floyd, President, Southern Baptist Convention | Senior Pastor, Cross Church
Rosaria Butterfield, Author and Speaker
Russell Moore, President, Ethics and Religious Liberty Commission
Sam Storms, Lead Pastor for Preaching and Vision, Bridgeway Church
Samuel Rodriguez, President, National Hispanic Christian Leadership Conference
Samuel W. "Dub" Oliver, President, Union University
Steve Gaines, Pastor, Bellevue Baptist Church
Thom Rainer, President, LifeWay Christian Resources
Thomas White, President, Cedarville University
Timothy George, Dean and Professor of Divinity, Beeson Divinity School
Todd Wagner, Senior Pastor, Watermark Church
Tommy Nelson, Senior Pastor, Denton Bible Church
Tony Evans, Senior Pastor, Oak Cliff Bible Fellowship
Tony Merida, Pastor for Preaching, Imago Dei Church
Tory Baucum, Rector, Truro Anglican Church
Trey Brunson, First Baptist Church Jacksonville
Trillia Newbell, Director of Community Outreach, Ethics and Religious Liberty Commission
Trip Lee, Rapper, singer, poet and author
Vance Pitman, Senior Pastor, Hope Church, Las Vegas

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Fonte: Christianity Today
Tradução: Fabrício Tavares
Divulgação: Bereianos
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