Por que sou contra o aborto

.


Poucas coisas nesse mundo causam-me desgosto. Por assumir uma visão normativamente negativa da humanidade, acredito que a existência e a prática de atos deploráveis são possíveis aos homens, em qualquer época e lugar, religião ou filosofia, por qualquer razão ou falta dela, a quem quer que seja por quem quer que for. E isso é claramente demonstrado na experiência humana, seja nos livros de história ou nas histórias do Datena. Num mundo com claras tendências ao mal, tenho a convicção de que a maldade do homem pode ser manifesta de diferentes modos e a qualquer momento. Entretanto, a questão da luta pela liberdade do aborto me causa um amargo desgosto.

Eu não consigo entender como alguém teria condições morais para defender o aborto como uma questão de liberdade do indivíduo. Eu acredito que para encontrar qualquer consistência nesse tipo de argumento, a dessensibilização da consciência e a desumanização da vida são fundamentais. Entretanto, essas são duas coisas que não consigo fazer.

Para dessensibilizar a consciência desse modo é necessário abraçar alguma forma de niilismo, ou talvez alguma forma extremada de hedonismo, a ponto de considerar como válido apenas o desejo do ego em detrimento da existência de um ente, que por sua fraqueza precisa ser destituído de qualquer direito, vez ou voz. Por isso, pouco importa o que [ou melhor quem] é que perde o direito a vida, o que realmente importa é que indivíduo não perca a possibilidade da liberdade dos encargos da maternidade.

Para desumanizar a vida desse modo é necessário acreditar que existem diferentes tipos de vida, e que os estágios mais embrionários da vida são na verdade não humanos. Um embrião pode até ser considerado como vivo, mas não goza do status de humano. Por isso, exterminar a possibilidade de vida fora do útero de um embrião não pode ser classificado como um assassinato.

Como já disse, essas são premissas que eu não consigo assumir. Não consigo encontrar argumentos que sejam suficientes para suportar a validade moral dessas premissas. E é por isso que eu sou contra o aborto.

Por que Sou Contra o Aborto

Partindo da cosmovisão cristã, posso afirmar que sou contra o aborto por que eu acredito na dignidade da vida humana, independente do tempo de existência. De acordo com o Cristianismo, a vida humana é marcada pela dignidade que lhe foi atribuída por seu Criador (Gen 1:26, 27a, b; 9:6). Tal dignidade é descrita nos termos da Imago Dei (imagem de Deus), que em última análise reflete a dignidade do Criador. Não importa qual é o estado de rebelião do indivíduo em relação a Deus, sua vida é ainda marcada pela dignidade derivada da criação. É por isso que o assassinato, em qualquer forma, é deplorável diante dos valores morais do Cristianismo.

Eu sou contra o aborto porque acredito na humanidade da criança não nascida, desde os mais embrionários estágios da vida. As escrituras tratam da criança não nascida como pessoas (Gen. 25:22; Jer 1.5; Sal 22:9-10; 71:6), a ponto de serem consideradas como filhos mesmo antes do seu nascimento (Lc 1.36, 41, 44). Nas escrituras, a criança não nascida é frequentemente descrita como os mesmos termos que descrevem um criança já nascida, o que sugere que não existe diferença essencial entre elas (Gen. 38:27-30; Jo 1:21; 3:3, 11-16; 10:18-19; 31:15; Sal.51:5; Isa. 49:5; Jer. 20:14-18; Os. 12:3; Lc 1:15; Rom. 9:10-11). É por iso que o aborto é considerado como assassinado do ponto de vista da cosmovisão cristã.

Eu sou contra o aborto porque o sou contra a morte de crianças inocentes. Do ponto de vista do Cristianismo, a morte do inocente é deplorável (Gen 9.6; Exo 23.7; Deut 19.10-11; 27.25; Prov 6.16-19), e no caso do aborto, a criança é penalizada com morte pelo simples fato de existir. Ela não é culpada de sua existência, ainda que com ela grandes desafios venham a existir. Do ponto de vista do Cristianismo, a vida é sagrada (Gen. 1:26–27; 2:7; Deut. 30:15–19; Jo 1:21; Sal. 8:5; 1 Cor. 15:26), em especial a vida das crianças (Sal. 127:3–5; Lc 18:15–16).

Eu sou contra o aborto porque acredito que o direito a vida da criança não nascida é maior que o direito da liberdade da mãe. A partir do momento que entendemos a criança não nascida como humana, seu direito à vida é superior ao direito da liberdade da mãe. Nas escrituras, o direito da criança é garantido na lei (Deut. 14:29; 24:17–21; 26:12–13; cf. 16:11, 14) ao mesmo tempo que o assassinato de crianças não nascidas é visto como o mais desumano e cruel dos atos dos homens ímpios (2Re 8:12; 15:16; Os. 10:14–15; Na. 3:10; cf. Mat. 2:16).

Eu sou contra o aborto porque acredito que a criança não nascida não é parte da constituição do corpo da mãe. Na verdade a criança não nascida tem um código genético distinto da mãe, um sistema imunológico distinto do da mãe e em muitos casos um tipo sanguíneo e gênero distinto da própria mãe. Nas escrituras a criança não nascida nunca é confundida com a mãe, ou apresentada como parte do corpo da mãe.

Uma Visão Retrógrada desde a Antiguidade

Talvez você tenha lido até aqui e concluído que a visão cristã da dignidade da vida humana, mesmo em sua forma mais embrionária, seja retrógrada, ultrapassada e sem lugar no diálogo sobre o aborto nos nossos dias. E talvez você tenha razão: O cristianismo defende mesmo uma opinião antiga, ultrapassada e a cada dia que passa tem seu lugar reduzido no diálogo sobre a dignidade da vida humana. Mas, historicamente, nós cristãos estamos acostumados com isso. No que se refere ao chamado “direito” ao aborto, o monoteísmo judaico-cristão é considerado ultrapassado há muito tempo.

Os filósofos da Grécia não me deixam mentir aqui. De acordo com as leis de Sólon em Atenas (638-558 a.C) os pais tinham o direito de condenar seus filhos à morte em qualquer momento de suas vidas (Sextus Empiricus: Hyp 3,24; Hermógenes: De. Invent. I.1). Entre os escritores clássicos não era incomum encontrar ilustrações desse fato, e que também não era incomum que o aborto fosse realizado por meio de substâncias químicas (ἀμβλωθρίδιον; cf. Ph.1.59; Poll.2.7; Aret.CA2.11). Platão (427-348 a.C.), por exemplo, defendia que uma sociedade forte seria construída de modo análogo a criação de animais: “Se quisermos manter nosso rebanho no mais alto grau de excelência, deve existir o maior número de união possível entre o melhor dos animais de ambos os sexos (…) Aqueles que tem pais de uma ordem inferior, e qualquer criança dentre eles que sofra de alguma deformidade serão mortos de um modo misterioso, e colocados em um lugar desconhecido, como deve ser.” (Republic 460B). Aristoteles (384-322 a.C.) também defendia que a decisão entre criar ou matar uma criança deveria ser tomada com base na deformidade da mesma, e dizia: “que deveria existir uma lei que afirmasse que nenhuma criança com deformidade tem direito a vida (…) quando um casal tiver filhos em excesso, que eles realizem o aborto antes dos sentidos e da vida começar” (Politics 7.14). Já no primeiro século da era cristã, Hilarion escreve uma carta para sua esposa Alis, na qual ele afirma: “Se porventura você engravidar, e se for um menino, deixe que ele viva. Mas se for uma menina, jogue-a fora” (P.Oxy 744).

Similarmente, em Roma o mesmo direito existia, mas com algumas ressalvas. De acordo com Dionísio de Halicarnasso (I sec a.C.), o historiador grego, existia em Roma uma lei que proibia a morte de qualquer criança antes dos três anos, pois a expectativa era que esse tempo permitisse aos pais desenvolver algum tipo de afeto pela criança antes de encerrar sua vida (Roman Antiquities 2.15). Até mesmo Sêneca (4a.C.-65d.C.), o ético e estóico escritor, partilhava desse sentimento e dizia: “Os cachorros loucos, nós esmurramos a cabeça; o animal feroz e selvagem nós matamos; as ovelhas doentes nós matamos com faca para proteger o rebanho; o descendente desnecessário nós destruímos; até mesmo afogamos as crianças que no nascimentos parecem fracas ou anormais” (On Anger I. 15.2). De acordo com Sêneca, o que movia os romanos ao nobre ato de assassinar seus descendentes não era a raiva, mas a razão. De acordo com Sêneca, a morte de um filho não desejado era um ato em conformidade com a razão. Agora, a razão em si não era a única razão pelo qual os romanos eram inclinados a assassinar seus próprios descendentes. Na verdade, as razões para tal prática eram as mais diversas, e um pai poderia assassinar seus filhos pelo simples fato de considerar ter filhos o suficiente (Longus, Pastor 4). Aliás, foi Cornélio Tácito (55-120 d.C.), o historiador romano, que ao investigar o comportamento dos judeus os ridicularizou por descobrir que eles condenavam tanto o aborto quanto o infanticídio: “Entre ele é um crime matar crianças recém nascidas” (Histories, 5.5).

Outro Fundamento, Outro Ponto de Vista

Os fundamentos éticos, morais e intelectuais do judaísmo estavam em franca oposição a visão apresentada pelos filósofos e historiadores greco-romanos. Por outro lado, os judeus não partilhavam da mesma visão apresentada por esses filósofos e historiadores greco-romanos. Os fundamentos éticos, morais e intelectuais do judaísmo estavam em franca oposição a eles. De acordo com Flávio Josefo, o povo judeu é um povo que tem orgulho em “criar seus filhos e fazê-los guardar as leis preservando a piedade tradicional, que de acordo com eles é a mais importante das tarefas nessa vida” (Apion 1.60), afinal, de acordo com Josefo, a lei “deu ordens para cuidar de todas as crianças” (Apion 2.202). Digno de nota que nas duas passagens Josefo reage contra a prática Greco-Romana de abandono de crianças e do infanticídio, demonstrando que ambas as práticas eram consideradas anátema entre os judeus. Entre eles, “uma mulher não poderia matar a crianças não nascida ainda em seu ventre, nem ainda após o seu nascimento entregar aos cães ou a aves de rapina” (Ps.Phocydes). De acordo com Filo de Alexandria, o abandono de crianças era proibido entre os judeus em função de que “tal ato de impiedade tornou-se comum entre as outras nações, devido a sua desumana natureza” (Spec.Laws 3.111). Pouco à frente Filo ainda afirma: “Que os pais que privam seus filhos de todas as bênçãos, não dividindo com eles nada no momento do nascimento, que eles saibam que estão violando as leis da natureza, e que apesar de atribuírem a tal grandeza  ao amor ao prazer, eles odeiam sua própria espécie, e são assassinos, que executam o modo mais cruel assassinato, o infanticídio” (3.112). De acordo com Filo, a santa lei detesta aqueles que conspiram contra crianças, e os considera dignos de estrita punição (3.119).

De fato, o judaísmo era conhecido no mundo antigo por sua condenação do aborto e do infanticídio. A razão para tal visão da dignidade da vida humana mesmo em seu estágio embrionário, é que o ethos judaico era definido pela Lei Divina, que proibia qualquer tipo de sacrifício de crianças (Ex 13:13; Lev 18:21; 20:1-5; Num 18:14) e ao mesmo tempo reconhecia que a criança ainda no ventre de sua mãe era um ser humano (Gen 25:22-24; Ex 21:22-25; Jer 1:5). Aliás, de acordo com o AT, o próprio Deus zela pelas crianças e recompensa aqueles que as protegem (Ex.1:15-21; 2:6; Eze 16:3-6).

Diferente de outras civilizações do Oriente Médio Antigo, a legislação de Israel nem se quer menciona o caso do aborto. Por exemplo, nas Leis Assírias (1200 a.C.) encontra-se uma série de instruções relacionadas a morte de crianças não nascidas divididas em duas categorias: (1) A morte acidental da criança, vítima de um terceiro seria resolvida por meio do pagamento de um dívida. Caso a mãe viesse a morrer, o acusado pelo acidente teria o mesmo destino (A§50-52); (2) Por outro lado, se a mãe, por razões próprias decidisse terminar com a gravidez, ela também sofreria o mesmo fim, sendo empalada sem direito de ser enterrada (A§53; cf. COS II:281-2). Na legislação de Israel nós encontramos situações similares à primeira categoria mencionada nas leis assírias, entretanto, não encontramos qualquer paralelo para a segunda. Em outras palavras, a ideia do aborto era tão estranha entre os judeus, que a legislação de Israel nem sequer contemplou uma possível punição para o mesmo.

O Cristianismo é veementemente contrário ao abandono de crianças, o infanticídio e o aborto desde o estágio mais embrionário da fé cristã.

Por isso, não era surpreendente que o Cristianismo, desde o mais embrionário estágio, fosse veementemente contra o abandono de crianças, o infanticídio e o aborto. De acordo com o antigo documento cristão conhecido como Didaque (50-100d.C.), na sessão de pecados absurdos a serem evitados, nós lemos: “não assassinarás a criança por meio do aborto, nem matarás a criança já nascida” (2.2). Na epístola de Barnabé (70-130 d.C), seu autor instrui os cristãos no caminho da luz, e para permanecer nele, o cristão “não matará a criança por meio do aborto, nem a destruirá depois de seu nascimento” (19.10). Ao descrever os cristãos, o autor da carta a Diogeneto disse: “Eles se casam como todos os outros homens, e tem filhos. Mas eles não abandonam os seus filhos” (Ep.Dio. 5.6). Atenágoras de Atenas (133-190d.C.) já dizia que “aquelas mulheres que usam drogas para induzir o aborto cometem assassinato e precisarão prestar contas a Deus desse aborto” (Supplicatio 35). Pouco antes, Atenágoras também responde aos que acusam  os cristãos de assassinar seus filhos dizendo que “o mesmo homem não pode proibir o abandono de crianças, ao equiparar tal atitude ao infanticídio, e então assassinar a criança que tem quem dela possa cuidar” (Supplicatio 35). Minucio Felix (150-270d.C.), respondendo à mesma acusação afirma que “ninguém acredita em tal acusação, mas sabemos quem é capaz de tal crime. Entre vocês eu vejo recém nascidos eventualmente abandonados e entregues às feras e pássaros, ou violentamente estranguladas em uma morte certamente dolorosa” (Octaviuss 30.1, 2).

Justino Mártir (110-175) escreve: “No que se refere a nós, nos foi ensinado que o abandono de crianças recém nascidas é a ação do ímpio. Isso nos foi ensinado para que não causemos a ninguém qualquer tipo de lesão, ou venhamos a ser culpados de tão ímpia conduta” (First Apology I.27.1-2). Tertuliano (155-240d.C.) já afirmava que “a lei de Moisés, na verdade, pune com o devido rigor, o homem que causar um aborto, baseado no fato de que ali já existe o rudimento de um ser humano” (Treasure on the Soul, 37). Em outro livro, Tertuliano também responde a seus acusadores sobre o cristianismo e pergunta: “Quantos dos os seus líderes, notáveis por sua justiça com vocês e pela severa administração para conosco, devo eu acusar de acordo com a consciência deles com o pecado de assassinar seus próprios filhos? No que se refere a diferença de gravidade do assassinato, esse é certamente o modo mais cruel de matar afogando [o recém nascido], ou o abandonando no frio, com fome e aos cachorros. (…) No nosso caso, entretanto, uma vez que o assassinato em todas as suas formas é proibido, nós não destruímos nem mesmo o feto no ventre de sua mãe” (Apology, 9).

Outro Ponto de Vista, Outro Modelo

Com fica evidente, o desprezo e descaso pela criança faz parta da história da humanidade. Nos nossos dias, entretanto, a idade com que as matamos, ou as razões que usamos para justificar tal ato, são diferentes, mas o desprezo e o descaso com as crianças continuam entre nós. Entre os filósofos gregos, o fortalecimento da sociedade justificava a morte de crianças fracas. Para eles, era melhor entregar uma criança que sofria de deformidades aos cães do que criar tal aberração. Entre os romanos, a razão e a sensibilidade eram os motivos para o assassinado a sangue frio de crianças, nascidas ou não. Contudo, em nossos dias alguns defendem que o assassinato de crianças não nascidas seja definido pela liberdade do indivíduo. Em outras palavras, eles querem que a decisão entre vida e morte seja entregue à mães que rejeitam sua maternidade, a indivíduos que valorizam o seu corpo, o seu trabalho, a sua carreira enquanto desprezam a vida dos seus próprios descendentes. Pessoas cuja consciência foi dessensibilizada a ponto de conseguirem desumanizar a vida dos seus próprios filhos.

Entretanto, o Cristianismo se opõe radicalmente a essa visão de mundo por que o motivo que os move é o amor. Amar ao outro sempre fez parte do monoteísmo judaico-cristão, mesmo quando esses não foram exemplares no exercício de suas responsabilidades. Entretanto, os cristãos não são apenas convidados  a amar o outro, mas a amá-los do mesmo modo que seu mestre os amou (Jo.13.34-35). Os cristãos são convidados por Cristo a amar aqueles que deles discordam e orar por aqueles que os perseguem (Mt.5.44). Como Jesus Cristo, o mestre maior dos cristãos, eles valorizam e respeitam as crianças (Mt.19.14; Lc.18.16), por que sabem que quando assim o fazem, eles valorizam e respeitam o próprio Cristo (Mt.18.5). Para o cristão, servir, amar, proteger aqueles que não tem vez ou voz é um ato de amor expresso ao próprio Cristo (Mt.25.35-40). É por isso que os cristãos são contra o aborto, criam orfanatos para cuidar de crianças abandonadas, prestam assistência as crianças nas ruas, prestam assistência a mães que precisam de ajuda e lutam pela voz e o direito das crianças não nascidas. Aliás, valorizamos aqueles que não tem vez ou voz desde os momentos mais embrionários da fé cristã.

Em outras palavras, a tradição Cristã sempre foi contrária ao abandono de crianças, do infanticídio e do aborto, por que os cristãos acreditavam que a beleza e a dignidade da vida superam o desastre da morte, em especial o do assassinato.  Eles valorizavam as escrituras e acreditavam que os valores morais apresentados nela eram de fato corretos, como foi também claramente ilustrados pelo próprio Cristo.

E o mesmo não é diferente comigo. Eu acredito que as escrituras apresentam os valores morais defendidos por Deus, e com ela afirmo que sou contra o aborto, infanticídio e o abandono de crianças. Pouco me importa se vier a ser rotulado como antiquado, retrógrado ou religioso por aqueles que acredito serem assassinos de crianças ou coniventes com tal atrocidade. Do ponto de vista da cosmovisão cristã, é aqui que me encontro, contra o aborto e em oposição aqueles que o valorizam.

***
Autor: Marcelo Berti
Fonte: Teologando
.

Sexo ou Gênero?

.


Temos acompanhado uma grande discussão nacional em torno da inclusão da ideologia de gênero no ensino público brasileiro. Todavia, será que estamos por dentro do verdadeiro significado dessa proposta?

No livro Sociologia em Movimento, Ed. Moderna, pags. 337ss. (distribuído pelo MEC para o ensino médio) consta que "O conceito de gênero não se fundamenta em um princípio evolutivo, biológico ou morfológico, e sim em uma construção social”, isto é, "uma construção cultural estabelecida socialmente através de símbolos e comportamentos, e não uma determinação de diferenças anatômicas entre os seres humanos" (p. 339).

Isso quer dizer que identidade de gênero é algo totalmente diferente de sexo, pois diz respeito a uma escolha do indivíduo quanto ao seu comportamento sexual e não à sua conformação sexual anatômica em si. A ideologia de gênero prega, na verdade, a formação de indivíduos sexualmente versáteis, que decidirão que tipos de comportamento sexual adotarão para a sua conduta pessoal.

Está em andamento uma apologia aberta ao fim da família como a conhecemos, com o propósito de se produzir a verdadeira igualdade e liberdade humana. Os proponentes da “identidade de gênero” acusam a sociedade patriarcal, da qual a igreja e a família estão no fundamento, como uma das principais explicações para a discriminação social, e que a forma de se reverter esse quadro social é por meio de uma reconstrução dos papéis sociais estabelecidos.

Nos escritos desses ideólogos sociais a “família burguesa” ou “família patriarcal” que precisa ser desconstruída é a família natural, formada por um pai-marido, uma mãe-esposa e por filhos, e substituída por uma “família” mais versátil, onde os papeis não sejam tão estruturalmente definidos.

Nas Escrituras, especialmente em Paulo, quando os problemas de relações humanas e familiares são tratados, os autores bíblicos remetem a base das relações para a criação (1 Co 7; Ef 5). Os papéis são definidos por Deus e organizados segundo o critério da ordem da criação.

As acusações de que todos os males sociais têm seu fundamento nessa ordem são falaciosas e grosseiras, pois o evangelho cristão sempre teve uma conotação libertadora dos indivíduos. Os erros apontados pelos críticos do modelo cristão ignoram que sua causa advém exatamente do pecado e suas conseqüências nefastas na vida das sociedades. Essa ousadia perniciosa em desobedecer e declarar maliciosamente a sua liberdade perante Deus.

A ideologia de gênero navega pelas mesmas águas que sempre navegaram as ideologias que negam a soberania divina sobre a criação. É um equívoco crer que a libertação dos sistemas cristãos promoverá mais igualdade entre as pessoas, pois a história sempre mostrou que o oposto é o que acontece: Mais opressão e mais totalitarismo.

***
Autor: Rev. Helio de Oliveira Silva
Fonte: Anunciando Todo o Desígnio de Deus

Para saber mais sobre a ideologia de gênero, clique aqui!
.

Por que não delego a educação de meus filhos a uma escolinha

.

Por Rev. Ageu Magalhães


"O quê!? Seu filho não está na escolinha???" Eu e minha esposa (mais ela do que eu) ouvimos muito estas palavras, com pequenas variações. Temos três filhos. Um está com 8 anos, a do meio com 4 anos e o mais novo com 2 anos. O mais velho foi para a escola com 4 anos, mas a quantidade de pessoas que ficavam surpresas (e até indignadas) ao vê-lo com 3 anos fora de uma escolinha era grande. Tão grande que, sem muito exercício, fomos colecionando argumentos que, cremos, nos dão cada vez mais certeza de nossa decisão naquela época. Ei-los:

1. Pais devem educar seus filhos, não estranhos. A Bíblia sempre atribui aos pais esta missão. Salomão relata como foi criado: "Quando eu era filho em companhia de meu pai, tenro e único diante de minha mãe, então, ele me ensinava e me dizia: Retenha o teu coração as minhas palavras; guarda os meus mandamentos e vive; adquire a sabedoria, adquire o entendimento e não te esqueças das palavras da minha boca, nem delas te apartes." Pv 4.3-5

2. Pais não devem trocar filhos por carreira profissional. Nosso mundo valoriza mais o "ter" do que o "ser" e os crentes devem ficar atentos para não seguirem o mesmo caminho. Não são poucos os pais que delegam a educação dos filhos a uma creche ou escolinha por causa de um salário. Novamente a advertência da Bíblia: "Pelo que aborreci a vida, pois me foi penosa a obra que se faz debaixo do sol; sim, tudo é vaidade e correr atrás do vento. Também aborreci todo o meu trabalho, com que me afadiguei debaixo do sol, visto que o seu ganho eu havia de deixar a quem viesse depois de mim." (Ec 2.17,18) Um bom exercício para medir nossa ganância é se lembrar de qual era a renda de nossos pais, quando éramos crianças. Na maioria dos casos, estou certo, vamos perceber que eles ganhavam menos do que nós e, mesmo assim, não trocaram nossa educação por um salário.

3. E quanto ao desenvolvimento que uma escolinha pode oferecer ao seu filho? Será que supera o desenvolvimento que os pais podem oferecer? Você já parou para pensar que a maioria das professoras das chamadas escolinhas são menores de 20 anos e estão no ensino médio? Uma mãe dedicada pode ensinar tudo o que se ensina em uma escolinha e muito mais. Hoje existem dezenas de materiais educativos, para todas as faixas etárias, que podem ajudar nisto, sem falar dos programas infantis educativos da TV. É até irônico encontrar mães com ensino superior, bem preparadas, delegando a educação de seus filhos a gente menos capacitada.

4. A atenção que os pais dão a um ou dois filhos não se compara ao tratamento coletivo dado a uma multidão de pequeninos. Tenho uma prima que, ainda na adolescência, foi contratada para trabalhar em uma escolinha. Logo no início do trabalho, viu uma criança chorando e foi consolá-la pegando-a no colo. Sua superior a repreendeu imediatamente: "Aqui nós não fazemos isto, senão, todas vão querer o mesmo tratamento". Outra parente próxima colocou a filha de 2 anos em uma escolinha e começou a notar a filha perdendo peso. Os pais foram conversar com a direção da escola e foram informados de que não davam leite às crianças, mas chá com bolacha...

5. Por que colocar uma criança na tenra idade em uma escolinha e privá-la dos bons momentos de sua infância? Quando esta criança chegar aos 5, 6 anos, terá de ir obrigatoriamente à escola e entrará em um ritmo que só terminará, com sorte, na aposentadoria. O profeta vislumbrou um futuro para Jerusalém, com crianças fazendo o que lhes é próprio: "As praças da cidade se encherão de meninos e meninas, que nelas brincarão." (Zc 8.5) Na parábola de Jesus, as crianças também estão na praça (Mt 11.16).

6. Vírus físicos e espirituais. É sabido que crianças convivendo juntas em uma escolinha ou creche são mais suscetíveis a doenças por causa do ambiente comunitário. Mas, pior que isso é a influência pecaminosa que algumas crianças podem trazer de suas famílias, contaminando os valores que você passou ao seu filho, até matriculá-lo em um lugar assim. A Bíblia é muito clara neste ponto: "Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes." (1Co 15.33)

7. Infelicidade da mãe e da criança. Um bom número de mães sofre quando termina a licença maternidade e tem de voltar ao serviço. E o que dizer de uma criança que, depois de passar 4 meses ininterruptos com sua mãe, tem que enfrentar várias horas diárias de separação?

8. O crente não deve ceder a pressões. No começo do artigo eu falei da quantidade de pessoas que estranhavam o fato de o nosso filho, com menos de 3 anos, não estar "ainda" em uma escolinha. Creio que esta pressão é geral sobre os pais. Todavia, o crente tem que se acostumar a nadar contra a correnteza. Crente fiel faz a vontade de Deus e não a vontade das pessoas ao seu redor. Isto, fazer a vontade das pessoas, é, em última instância, idolatria. É temer mais aos homens do que a Deus. O crente tem que se manter firme naquilo que Deus lhe ordena e não se conformar aos costumes e tendências pecaminosas e materialistas deste mundo (Rm 12.1,2).

9. A educação prevista na Bíblia, especialmente em Deuteronômio 6, não pode ser delegada. Pergunto: Como inculcar em seu filho o conceito de que nosso Deus é o único Deus (v.4) livrando seu filho de qualquer tipo de idolatria, se você não está ao seu lado? Como ensinar seu filho a amar a Deus de todo o seu coração, alma e força (v.5) em cada minuto do dia, se ele está em uma escolinha? Quando o texto bíblico diz que estes ensinos devem ser inculcados "assentado em sua casa", "andando pelo caminho", "ao deitar-te e ao levantar-te" revelam que a educação cristã acontece em todos os momentos do dia, quando os pais interpretam cada pequeno acontecimento dentro de uma cosmovisão bíblica, formando, assim, nos filhos, uma visão de mundo de acordo com a Palavra de Deus. É possível esperar que uma escolinha faça isto?

Concluo com uma palavra aos pais que sofrem as mesmas pressões que nós sofremos: Aguentem firme! Jesus nunca disse que seria fácil. O mundo nos odeia porque não somos dele (Jo 5.18,19) nem seguimos seu padrão de comportamento. A recompensa de uma educação não delegada a terceiros virá. Pense no testemunho de alguns jovens da Bíblia como José do Egito, Daniel e seus amigos, Davi e imagine o tipo de educação que eles receberam de seus pais. Podemos colher os mesmos frutos, se ficarmos fiéis aos ensinos do Senhor. Que Ele nos abençoe.

***
Fonte: Perfil do autor no Facebook
.

A importância dos Símbolos de Fé na Educação Infantil

.

Por Thomas Magnum

Catequizando Crianças, uma prática que deve ser resgatada - A importância dos Símbolos de Fé na Educação Infantil.

Os símbolos de fé são documentos confessionais de muita importância para as igrejas de herança reformada. Igrejas confessionais devem subscrever o que suas confissões e catecismos dizem, devem observar tais documentos com zelo e apreço. Mas, por que mesmo igrejas confessionais não usam mais seus catecismos para catequizar suas crianças? Claro que existem muitos motivos que podem não estar listados aqui e que você ao ler esse texto pode acrescentar em sua reflexão sobre o tema. 

Em minha reflexão sobre o assunto, noto que um dos primeiros motivos para que a utilização dos catecismos com crianças e adolescentes foi esquecida são os efeitos da pós-modernidade, o pragmatismo trouxe a igreja costumes que são estranhos a sua história, com isso não quero dizer que devamos estar alienados das mudanças de nossa época, pelo contrário, ao publicar esse artigo em um blog estamos na esfera tecnológica que muito nos ajuda e facilita na propagação de ideias, também pode ser utilizado como uma ferramenta para o reino de Deus, podemos glorificar a Deus com tais meios a nossa disposição. 

Ao falarmos da reutilização de catecismos com nossas crianças muitas vezes poderemos ser taxados de antiquados e retrógrados, afinal isso pode ter funcionado no passado agora não funciona mais, será mesmo? Ao final de um período de estudos na escola a criança passa por um processo avaliativo que comumente é chamado de prova, lembro-me de ter feito quando criança muitas provas orais, tinha que me dedicar mais para estas e minha mãe me fazia muitas perguntas referentes ao tema para que eu pudesse memorizar o assunto e tirar uma boa nota. Semelhantemente é a utilização de catecismos, ao estudar para provas orais minha memória era mais exigida pelo momento, lembrava quando necessário (no momento da prova) das respostas a serem ditas a minha professora. E por que então não catequizamos mais as crianças? 

Devido a tantos planos e métodos de aprendizagem desenvolvidos por estudiosos da área da educação, o modo de ensino foi e tem sido muito alterado e muitas vezes com boas contribuições, mas em outras nem tanto. Vejamos o que a Palavra de Deus nos diz sobre o ensino religioso que deve ser realizado com as crianças:

Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças. E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; E as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te. Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por frontais entre os teus olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas. Deuteronômio 6:4-9

O ensino religioso deve ser algo presente e constante na vida das crianças da igreja, em muitos casos pais cristãos acham que a responsabilidade última da educação religiosa de seus filhos é dever dos professores da escola bíblia dominical ou do departamento infantil da igreja, mas essa passagem de Deuteronômio nos diz que essa tarefa é inicialmente dos pais, é responsabilidade dos pais educarem seus filhos nos caminhos do Senhor. Lembramos de imediato das palavras da Sagrada Escritura “Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele” Provérbios 22:6.

Em muitos casos no momento em que chega a hora do sermão do pastor no domingo as crianças são retiradas do templo, não para ouvirem um sermão para elas, o que não sou contrário, mas para serem entretidos com brincadeiras ou assistirem desenhos e se distraírem com brinquedos. Toda pedagogia empregada na educação cristã deve ser redentiva, ou seja, deve ter um motivo, uma finalidade, todo ensino infantil devem levar as crianças a Jesus e a salvação, devem comunicar o Evangelho para elas, deve mostrar a criança desde novinha que ela é uma pecadora e que Jesus morreu pelos pecados do seu povo. A utilização dos catecismos nesse processo educativo é muito importante, pois a criança será educada de forma sistemática, aprendendo o que a Bíblia diz sobre a Bíblia, sobre Deus, Jesus, a Trindade, o pecado, o Juízo, a igreja, a salvação. A reutilização da catequese com crianças é saudável para uma igreja que deseja ver suas crianças crescerem na graça e conhecimento do Senhor. 

Embora vivamos num tempo que as pessoas não suportem autoridade, inclusive na igreja, é com certeza previsto que existe muita resistência a utilização de catecismos com crianças, justamente por causa dos modelos pedagógicos que tem sido ditados pela academia. Diante de estudos recentes da psicopedagogia, dizer a uma criança que ela é pecadora é um ultraje. No entanto, a Palavra de Deus é que rege seu povo, podemos usar as ferramentas da pedagogia a serviço do reino, e elas podem ser empregadas para uma catequese mais dinâmica com as crianças, utilizando recursos audiovisuais e as demais ferramentas disponíveis para um aprendizado eficaz, No entanto, ainda se faz necessário a utilização da catequese com crianças. 

Que o Senhor nos ajude a cumprirmos nossa tarefa como educadores, a não sermos negligentes no cuidado do que Ele nos confiou, não podemos tratar o ensino as crianças da igreja como secundário, elas estão debaixo da aliança de Deus com seu povo e devem ser instruídos nessa aliança.

***
Divulgação: Bereianos
.

Ensinando o Breve Catecismo de Westminster para Crianças

.

Por Rev. Ewerton B. Tokashiki


Ensinar crianças é algo maravilhoso. É participar de sua formação. Penso que devemos estudar com elas o Breve Catecismo de Westminster, porque ele foi preparado para crianças, e elas são aptas para aprender o seu conteúdo. Aqui ofereço algumas sugestões bem práticas de como preparar uma simples aula para nossas crianças. Estas sugestões se aplicam para professores que lecionam para a faixa etária de 7 a 9 anos [a turminha do "eu já sei ler"]: 

1. Comece fazendo uma revisão da aula da anterior. Mesmo que quem lecionou seja outra pessoa, isso é necessário, por 2 motivos: 1) as perguntas do Breve Catecismo possuem sequência lógica e deve haver a construção didática na memória das crianças. 2) descubra o que eles aprenderam, e como a sua aula somará no conhecimento adquirido deles, progredindo com novas informações. 

2. Memorização da pergunta/resposta do Breve Catecismo que será o tema de estudo da aula. Eles conseguem e devem ser incentivados a memorizar a pergunta e resposta. Se cada um aluno tiver o seu próprio Breve Catecismo é o ideal, senão, escreva no quadro, ou numa cartolina, ou use de forma dinâmica o data show! 

3. Escolha sempre 1 versículo bíblico que resuma a sua aula. Veja que o próprio Breve Catecismo tem vários versículos chaves em cada pergunta/resposta. É só escolher 1 que melhor se encaixe com a sua aula. 

4. Elucidação da pergunta/resposta do Breve Catecismo. É aqui que entra a lição e explicação da perg/resp do BC. Você pode fazer isto: 

        4.1. Explicando cada parte da resposta do BC; 
        4.2. Contando uma história bíblica ou moral; 
        4.3. Assistindo um breve vídeo ou desenho [no máximo 15 minutos] e                 conversando sobre ele depois; 
        4.4. Fazendo uma atividade lúdica [boneco, recortes, pintura,                               artesanato, etc.] 

5. Aplicação da lição. Aqui algumas perguntas devem ser respondidas: 

        5.1. O que esta perg/resp quer dizer mesmo? Realmente entendi? 
        5.2. Como viverei esta verdade? 
        5.3. Como praticar esta verdade em casa? 
        5.4. Como praticar esta verdade na escola? 
        5.5. Como praticar esta verdade na igreja? 
        5.6. Como praticar esta verdade no esporte? 
        5.7. Como praticar esta verdade com meus amigos? 
        5.8. Como posso ensinar esta verdade pra outras pessoas? 
        5.9. O que não posso fazer que contradiz essa verdade? 
        5.10. O que posso fazer para ser melhor com o que aprendi? 

Espero que estas orientações ajudem a preparar a nossa aula com zelo pela verdade, fidelidade ao Senhor e amor aos nossos pequeninos.

***
Fonte: IPB - Site Oficial
.

O Batismo da Aliança

image from google

O título deste estudo foi escolhido de propósito. Muitas palavras inúteis têm sido trocadas entre presbiterianos e batistas tratando de assuntos que são secundários, como “batismo infantil” e “batismo de crentes”. Ninguém deveria se satisfazer com estes títulos - eles não descrevem aquilo que qualquer desses grupos deseja defender. O presbiteriano não quer defender o batismo de crianças: ele quer defender o batismo de algumas crianças (i.e., as crianças da Aliança). O batista não quer defender o batismo só de crentes (pois, ele nunca poderia estar seguro de que o são); ele quer, isto sim, defender o batismo de crentes professos; i.e., esses que, por uma profissão de fé digna de crédito, pertencem à Aliança. Assim, ambos estão, na verdade, falando de um mesmo assunto, ou seja, da Aliança e do Batismo da Aliança. Abrindo esta questão, há três áreas importantes:

          1. A Continuidade da Aliança.
          2. A Continuidade da Igreja.
          3. A Continuidade do Sinal.

1. A Continuidade da Aliança

Em todos os tempos só tem havido uma única Aliança salvadora entre Deus e os pecadores. É chamada Aliança da Graça (ou Pacto da Graça), ou, Aliança Abraâmica (ou Pacto Abraâmico). Nós lemos sobre sua origem em Gen. 17. Deus, em Sua misericórdia, veio a Abraão (um homem pecador como todos os demais; caldeu, de origem pagã idólatra) e lhe deu uma promessa. Abraão creu em Deus crendo em Sua palavra e Deus o declarou justo. Qual era a essência dessa promessa pactual em que Abraão creu? Era uma promessa de união e comunhão com Deus para Abraão e para os seus descendentes, depois dele. “Estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência depois de ti em suas gerações, como aliança perpétua, para ser o teu Deus, e da tua descendência depois de ti” (Gen. 17:7). Todos que pertenceram a esta Aliança tiveram Deus como o seu Deus, e se tornaram o Seu povo por aliança. É dito que ela é uma aliança perpétua. Isto é digno de nota. Significa que se qualquer um, em qualquer ponto na história, entrar em união e comunhão com o Deus vivo, então a mesma Aliança Abraâmica estará em vigor. Ninguém é filho de Deus a não ser por adoção e o meio dessa adoção é a única e exclusiva Aliança pela qual Deus adotou Abraão como Seu filho, juntamente com a sua posteridade. Portanto, não é nenhuma surpresa, mas sim o que se espera, quando encontramos o Novo Testamento dizendo:

Ele nos resgatou para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios por Jesus Cristo, e para que pela fé nós recebêssemos a promessa do Espírito” (Gal. 3:14) e “...se sois de Cristo, então sois descendentes de Abraão, e herdeiros conforme a promessa” (i.e., a promessa da Aliança) (Gal. 3:29).

Assim, enfatizo o ponto apresentado na Bíblia: há uma continuidade da Aliança desde Abraão até agora. Não há tal coisa como uma Aliança da Graça do Velho Testamento e uma Aliança da Graça do Novo Testamento. Não há distinção entre a Aliança Abraâmica e a Aliança Cristã. Elas são uma e a mesma coisa. Isto não é posto em nenhuma parte mais claramente do que em Gal. 3: 16: “Ora, as promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente. Não diz: e aos descendentes, como se falando de muitos, porém como de um só: e ao teu descendente, que é Cristo”. Assim a Aliança Abraâmica incluía Cristo... de fato significava preeminentemente Cristo. Ele é a semente de Abraão - Ele é o único que fielmente guardou a Aliança. Se uma pessoa está em Cristo está na Aliança com Abraão, não apenas porque Abraão creu em Deus (e viu a Cristo pela fé, João 8:56) mas principalmente porque Cristo é a bênção prometida na Aliança, “se sois de Cristo, também sois descendentes de Abraão”. Nós não devemos pensar que Abraão foi salvo por uma aliança diferente ou creu num evangelho diferente. Só há uma aliança que salva porque só há um evangelho que salva. Foi este evangelho que foi pregado a Abraão e no qual ele creu. “E a Escritura ... preanunciou o evangelho a Abraão” (Gal. 3:8) Abraão creu e foi salvo por esta fé,  “de modo que os da fé são abençoados com o crente Abraão” ( Gal. 3:9). Há continuidade na Aliança.

Nós vamos um pouco mais adiante. Tanto naquela época quanto agora sempre houve uma forma externa e outra interna da Aliança - uma forma visível e outra invisível. Esta é uma observação da maior importância. Os homens só podem lidar com a forma externa e visível. É Deus quem trata da forma interna e invisível. Foi assim no tempo de Abraão, desde o começo da Aliança. Todos que pertenceram aos descendentes de Abraão eram considerados membros da Aliança (visível) e receberam o sinal da Aliança (circuncisão). Isto incluía os estrangeiros e qualquer que quisesse união e comunhão com o Deus de Abraão (i.e., prosélitos) (Gen. 17:14). Todavia, nem todos que pertenciam à forma visível ou externa da Aliança estavam verdadeiramente em união e comunhão com Deus. Nem todos eram espirituais. Desta forma, Deus declara que não é com os filhos da carne (Ismael) mas com os filhos da promessa (Isaque) que Ele internamente estabelece uma aliança (Gen. 17:18-21). De igual forma, mesmo hoje a Igreja só pode administrar a forma exterior da Aliança. Os batistas, de boa vontade, admitem isso. Eles só podem batizar na base da profissão externa e visível. Nunca podem estar seguros de que todos que admitem ao batismo, como crentes, estão verdadeiramente arrependidos. Eles reconhecem que há membros da Igreja que são hipócritas.

Assim, quando qualquer igreja cristã batiza alguém, ela não está dizendo (ou não deveria estar) que tal pessoa é definidamente um crente. Somente Deus pode realizar um batismo que faz infalivelmente de alguém um crente, o qual é chamado de Batismo do Espírito Santo, ou a lavagem da regeneração (1 Cor. 12:13). A água do batismo é um sinal externo e visível aplicado pela Igreja externa e visível àqueles que pertencem à comunidade externa e visível da Aliança. O batismo do Espírito Santo é o sinal invisível aplicado pelo Deus invisível para unir uma pessoa à comunidade invisível da Aliança (i.e., o corpo de Cristo). O batismo da água significa o batismo do Espírito. A Confissão de Fé de Westminster sumariza tudo isso de modo claro no Capítulo 28:1: “O batismo é um sacramento do Novo Testamento, instituído por Jesus Cristo, não só para solenemente admitir na IGREJA VISÍVEL a pessoa batizada, mas também para servir-lhe de sinal e selo do pacto da graça...”. Notem que ele é um sinal e selo do pacto da graça (i.e., da operação interna de Deus).

SINAL: significa que ele aponta para a graça oferecida na promessa de Deus. Como qualquer “SINAL”, ele nos leva a olhar para outra direção... para Deus, Sua misericórdia e Sua prontidão para salvar qualquer que, como Abraão, tome Deus pela Sua palavra e creia nEle.

SELO: uma marca para nosso próprio benefício, para nos mostrar que a coisa selada é autêntica. Os reis costumavam SELAR uma carta com uma estampa de cera de seus próprios sinetes. Esse selo era para o bem daquele a quem a carta era enviada, para mostrar que era genuína. Não é o selo que faz a carta genuína: é a carta do rei, quer ele a sele ou não. Mas o selo a confirma à nossa mente. É uma confirmação visível de uma realidade invisível.

Notemos, agora, que, enquanto o batismo da água é o selo da forma externa da Aliança, o próprio Espírito Santo é o selo da forma interna.

Efésios 1:13: “...tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa”.

Efésios 4:30: “...não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção”.

Este é o ponto em que devemos, respeitosa mas energicamente, apontar o erro de nossos irmãos batistas. Eles afirmam que o batismo da água é o selo da fé. Quando uma pessoa crê, então ela é batizada e este é um selo de sua fé. A Bíblia nega isto - O Espírito Santo, que é derramado nos nossos corações, é o selo da nossa fé. A razão é simples: somente o Espírito pode selar algo que Ele próprio fez. Somente Ele pode nos assegurar que nos deu o novo nascimento, que somos renascidos do Espírito. Isto é o que Paulo quer dizer em Romanos 8:16: “O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus”. A Igreja visível adota pessoas no seu rol de membros através de um sinal e selo visíveis. O Deus invisível adota pessoas como membros de Cristo através de um sinal e selo invisíveis.

Portanto, todo presbiteriano e todo batista devem negar juntos que o batismo da água salva alguém. Nós todos rejeitamos integralmente a expressão “cristenizar” (designação que, na língua inglesa [“christening”], é dada ao batismo pelos católicos romanos). Esta expressão é uma herança da superstição católico-romana que supõe que o batismo da água lava pecados e “cristianiza” (“cristeniza”) alguém.

2.  A Continuidade da Igreja

A Igreja de Deus tem continuado através dos tempos, tanto do Velho  quanto do Novo Testamento. É errado pensar que a “Igreja” começou com Jesus. Isto, todavia, subjaz na raiz de muito pensamento batista. Porém, antes dos dias de Abraão, Deus tinha um povo-chamado (uma Igreja) no mundo (os Setes, os Noés e os Enoques). A partir dos dias de Abraão esse povo ficou praticamente confinado a uma nação - os judeus. Mas mesmo na peregrinação do deserto no Êxodo, muito antes dos judeus terem uma terra prometida, um sacerdócio e um cerimonial de culto, foram chamados de “IGREJA”. Atos 7:38 refere-se a eles como “a igreja no deserto” (ekklesia).

Novamente, Romanos 11 nos diz que os gentios que crêem em Cristo não são uma Igreja diferente dos crentes do Velho Testamento. Nós somos enxertados na mesma oliveira. A Igreja é descrita como uma oliveira crescendo através de todas as épocas.

Tanto este é o caso que Pedro descreve a Igreja cristã do Novo Testamento com a rica linguagem judaica do Velho Testamento - “vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus” (1Pedro 2:9). Os crentes do Novo Testamento são, claramente, parte da ininterrupta Igreja de Deus.

Há judeus que são realmente gentios e gentios que são realmente judeus: “... porque nem todos os de Israel são de fato israelitas; nem por serem descendentes de Abraão são todos seus filhos; ...estes filhos de Deus  não são propriamente os da carne ...” (Romanos 9:6-8). De sorte que Paulo diz: “se sois de Cristo, também sois descendentes de Abraão” (Gal. 3:29). Isto só pode fazer sentido se tiver havido continuidade da Igreja em todas as épocas. Assim, não nos surpreende encontrar que na era por vir a Igreja única é descrita em termos de “gentios sentando à mesa com Abraão, Isaque e Jacó”. A Igreja visível hoje é uma continuação do que o Israel visível era no passado. Nós temos hipócritas hoje e eles também tinham. Nós podemos extirpá-los hoje e eles também podiam. De igual forma, a Igreja invisível hoje é a continuação do que o Israel invisível era então.

Ora, dada essa continuidade tanto da ALIANÇA quanto da IGREJA (comunidade da Aliança), chegamos a uma observação vital. A Igreja visível tem sempre incluído os filhos dos crentes. Vemos isso em Gen. 17:7. Porque o crente Abraão e todos os seus filhos faziam parte da forma externa da Aliança, então deviam todos receber o sinal externo da Aliança - A CIRCUNCISÃO. Sabemos que alguns eram como Esaú, incrédulos, e não incluídos na forma interna da Aliança. Mas é somente Deus quem opera este outro lado. Mesmo os Esaús devem ser recebidos como membros da Aliança e tratados como tais, até que cometam apostasia declarada.            

Desde que a Igreja visível e o sinal visível têm sempre incluído os filhos dos crentes, então também os incluem agora. Por qual processo de raciocínio devemos excluir hoje as crianças da Igreja visível, à qual elas sempre pertenceram? Ambos os lados concordam que a era neotestamentária da Aliança é até mais graciosa do que a antiga. Então, como podem os filhos dos crentes ter perdido esse gracioso privilégio que gozavam numa época muito mais estrita, nas escuras sombras da lei e do cerimonial?

Se a Igreja inclui APENAS os crentes hoje, então a prova disso está para ser apresentada há muito tempo. Notem que quando Paulo escreve suas cartas às várias igrejas, ele fala não só aos adultos, mas também aos seus filhos. “Filhos, obedecei a vossos pais” (Ef. 6:1). É uma carta a uma igreja com uma palavra aos filhos, porque a Igreja inclui os filhos. Filhos de crentes ainda são membros da forma visível da Aliança. Eles devem ainda receber o sinal visível do batismo. Não há mandamento explícito para batizar crianças no Novo Testamento exatamente porque tal mandamento não é necessário.

As condições da Aliança, uma vez estabelecidas por Deus, são totalmente invioláveis. Ninguém pode revogar suas condições nem acrescentar outras. Este é o argumento de Paulo em Gálatas 3, que, embora não se refira à Aliança de Deus, ainda é verdade mesmo a respeito de uma aliança (ou testamento) feita pelo homem; “... falo como homem. Ainda que uma aliança seja meramente humana, uma vez ratificada, ninguém a revoga, ou lhe acrescenta alguma coisa” (Gal. 3:15).

Os batistas estão, na verdade, acrescentando condições. Eles dizem que você precisa primeiro ser crente antes de ser membro da Aliança. Uma criança é muito nova para crer; portanto, as crianças não recebem o sinal da Aliança nem são admitidas como membros dela. Ora, além da séria violação da Aliança de Deus neste ponto (i.e., a exclusão dos filhos, a quem Deus uma vez admitiu) isto envolve algo muito triste. Quando você encontra um crente batista sincero, cujo filho morreu ainda criança, você o vê compreensivelmente triste. Mas sua tristeza não é como a dos que não têm esperança. Ele tem conforto e esperança em Deus. Se você lhe perguntar onde está o pequenino, ele lhe dirá, confiantemente, que o seu filhinho está com Jesus, no céu. Ele responde como um pai da Aliança em favor de um filho da Aliança. Mas em que base está a criança segura? Ela é muito nova para arrepender-se e crer. Claro que ele sabe que, na verdade, isso é devido a uma fidelidade pactual de Deus. Por que é então que, “quando as coisas apertam”, o batista confessa que seu filho pertence a Deus por aliança? Suspeito que é porque a única aliança encorajadora é a original, mantida em sua forma inalterada, como Deus a deu. Quem é o mais consistente, então: o presbiteriano (que admite que seu filho é filho da aliança enquanto vive) ou o batista (que apenas o admite chorosamente quando ele morre)?

3 - A Continuidade do Sinal

O que resta para considerar agora é a continuidade do sinal da Aliança. Isto pode parecer algo estranho porque todos sabem que há uma clara descontinuidade ... a circuncisão foi substituída pelo batismo. Não obstante, a continuidade é real, porque ambos representam a mesma verdade; ambos significam as mesmas graças espirituais. Assim como o sacramento cruento do Cordeiro Pascal é substituído pelo sacramento incruento da Ceia do Senhor, também o sacramento cruento da circuncisão é substituído pelo sacramento incruento do batismo. Antes de mostrar isto, há um ponto de vista (mantido pelos batistas) que deve ser tratado. Eles dizem que não havia uma, mas duas alianças, nos dias do Velho Testamento - uma espiritual e outra nacional. Dizem que a circuncisão refere-se apenas à nacional e não à espiritual; i.e., afirmam que a circuncisão era um tipo de “emblema nacional” para os israelitas. Ora, isto é uma tentativa de evitar o fato que o batismo substitui a circuncisão como sinal do pacto. Todavia, pode-se responder facilmente a esse ponto de vista com duas observações:

1 - A circuncisão não é um símbolo ou emblema nacional porque foi administrada 430 anos antes da nação de Israel existir. Israel só se tornou uma nação pactual distinta quando a Lei foi dada no Sinai.

2 - A circuncisão não era uma marca de descendência física porque foi administrada a todo gentio, e seus filhos do sexo masculino, que quisessem adorar a Jeová em Israel.

Primeiro: A Circuncisão

A circuncisão externa era  sinal e selo de uma circuncisão interna muito mais importante. O despojamento físico da carne significava o despojamento espiritual da carne do coração pecaminoso. A circuncisão feita pela Igreja do Velho Testamento apontava para uma circuncisão muito maior, que somente Deus poderia realizar. Isto é claramente posto por Paulo em Romanos 2:28-29: “Porque não é judeu quem o é apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é somente na carne. Porém judeu é aquele que o é interiormente, e circuncisão a que é do coração, no espírito”.

Portanto, não nos surpreende ler o que Moisés diz aos judeus quando se dirige a eles, nas planícies de Moabe, pouco antes destes entrarem na terra prometida. Ele diz: “O Senhor teu Deus circuncidará o teu coração, e o coração de tua descendência, para amares ao Senhor teu Deus de todo o coração e de toda a tua alma, para que vivas” (Dt. 30:6).

Observem que Moisés está falando a homens que eram circuncidados exteriormente, mas que necessitavam de uma circuncisão interior. Eles tinham o sinal externo e visível, mas faltava-lhes a realidade interna e invisível. Além disso, o texto nos diz o que a verdadeira circuncisão (a circuncisão do coração) efetua: a remoção da incredulidade, resultando em amor a Deus e vida em vez de morte (“para que vivas”). A mesma coisa pode ser vista no mandamento de Moisés a Israel em Dt. 10:16: “Circuncidai, pois, o vosso coração, e não mais endureçais a vossa cerviz”, i.e., Amai a Deus! Obedecei-O! Sede homens espirituais e não carnais! Todo esse assunto é resumido por Paulo em Romanos 4:11: “E recebeu (Abraão) o sinal da circuncisão como selo da justiça da fé...” Aí está. A circuncisão não é meramente um emblema nacional. É um sinal externo da justiça da fé. O  significado da circuncisão é uma realidade espiritual.

Segundo: O Batismo

Muitos textos poderiam ser estudados para mostrar a conexão entre o batismo e a circuncisão, mas um só será suficiente. Em Col. 2:11-12 nós lemos: “Nele também fostes circuncidados, não por intermédio de mãos, mas no despojamento do corpo da carne, que é a circuncisão de Cristo; tendo sido sepultados juntamente com ele no batismo, no qual igualmente fostes ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos”. Aqui a circuncisão é descrita como um batismo! Isto só é possível porque eles significam a mesma coisa. Enquanto Moisés disse aos judeus circuncidados que eles não eram realmente circuncidados, agora Paulo diz a esses gentios incircuncisos que eles foram realmente circuncidados. Paulo diz: vós fostes também circuncidados”. Que tipo de circuncisão era aquela? Uma circuncisão feita “não por intermédio de mãos”. Que significa isso? O “despojamento (remoção) do corpo da carne” (i.e., da natureza carnal, do espírito rebelde). Quem a fez? Cristo a fez ... pela “circuncisão de Cristo”. Como isso ocorreu? “Tendo sido sepultados juntamente com Ele no batismo”. O que isso efetuou? “No qual igualmente fostes ressuscitados mediante a fé”. Assim, fica claro que este batismo e esta circuncisão se referem à mesma obra interna de Deus. A circuncisão é feita sem mãos, i.e., a circuncisão de Cristo, e o batismo é a operação de Deus “que O ressuscitou dentre os mortos”. É essa circuncisão/batismo do coração que produz a fé num pecador ... ressuscitados com Ele MEDIANTE A FÉ.

Assim, claramente não é o batismo da água que é referido aqui. Isto se torna ainda mais claro no próximo versículo (v. 13) porque Paulo diz que tudo isso aconteceu enquanto a pessoa era ainda um pecador, um incrédulo. Isto tornou vivos homens mortos (espiritualmente), e lhes obteve o perdão dos pecados: “E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões, e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos”. Longe de ser o caso de “batismo de crentes” é exatamente o oposto - é o batismo/circuncisão de um incrédulo, que faz dele um crente. Não é o batismo da água realizado por homens, mas o batismo do Espírito realizado por Deus.

Não pode haver, portanto, dúvida de que o batismo e a circuncisão significam a mesma coisa. Há verdadeiramente uma continuidade do sinal da Aliança.

Conclusão


Em razão da continuidade da Aliança, da Igreja e do Sinal, nós admitimos ao batismo todos os que pertencem à Aliança. Estes têm sido sempre os crentes professos e seus filhos menores. A comunidade da Aliança nunca excluiu as crianças. O batismo desses infantes (e apenas desses) é a única prática bíblica consistente. Os que se recusam a batizar tais crianças devem explicar por que estão acrescentando condições à Aliança, as quais Deus nunca acrescentou. Também, os que batizam tais crianças devem defender essa prática puramente na base da Aliança, devem deixar de lado todas as invenções humanas (tais como “padrinhos”, que a Escritura não reconhece), devem fazer distinção entre as formas interna e externa da Aliança, e devem repudiar qualquer sugestão de que o batismo da água salva.

***
Sobre o autor: Peter Bloomfield é ministro da Igreja Presbiteriana do Leste da Austrália.
Fonte: IPCB
Divulgação: Bereianos
.

A verdade sobre o Batismo Infantil

image from google

Afinal, batizar crianças é uma prática bíblica ou um ritual pagão? A Bíblia autoriza o batismo infantil? O Rev. Dorisvan Cunha faz uma breve explicação a esse respeito. Assista e tire suas conclusões:


***
Fonte: A verdade do evangelho
.

O Culto Infantil


Por Denis Monteiro


Apresentarei neste breve artigo uma defesa do culto infantil e dicas para que não o distorçam, para que às nossas crianças não sejam mais dispersas do que congregantes.

Alguns entendem que o culto infantil é a forma de deixar os pais mais tranquilos na hora da pregação. Engano! Não somente um encontro com seus amiguinhos, o culto infantil é a forma de passarmos às nossas crianças, em uma linguagem menos formal (pastoral teológica), como devemos nos portar diante de um Deus que merece toda honra, glória e louvor. 

Defesa

Assim como o eunuco descrito em Atos 8:26-35, as crianças precisam de pessoas que lhe expliquem em sua linguagem as verdades das Escrituras.

Quando Jesus falava as multidões e aos seus discípulos, às vezes transmitia a mensagem em forma de parábolas. A parábola (gr. Parabole) é uma narrativa fictícia, mas apropriada às leis e usos da vida humana, pela qual os deveres dos homens, ou as coisas de Deus, particularmente a natureza e história do reino de Deus, são figurativamente retratados (cf. Mt 7.24-27; Lc 15.8-10). A Palavra de Deus às vezes usa a metáfora para transmitir a sua mensagem. A metáfora é uma linguagem que consiste na transferência da significação própria de uma palavra para outra significação, em virtude de uma comparação subentendida (cf. Sl 42.1). A sinédoque também é usada para transmitir uma parte por um todo, do plural pelo singular (cf. Sl 16.9). E para finalizar, sabendo que existem outros tipos de figuras, existe a prosopopeia que atribui feito e ações de pessoas às coisas inanimadas (cf. Sl 85.10; Is 55.12). Logo, tais tipos de linguagem usados na Palavra de Deus para transmitir a Sua mensagem aos pecadores, também podem ser usados para uma melhor compreensão dos infantes. Se Paulo, ao advertir os Coríntios por serem crianças no entendimento, e por isso não podia dar coisa sólida quanto porque não podiam suportar, quanto mais às nossas crianças. Os símbolos sempre foram usados por Deus para nos mostrar e ensinar algo, por exemplo, a sarça ardente que mostrava a presença de Deus, assim como a Arca da Aliança; Já no NT entendemos as figuras que Deus mostrava ao Seu povo no AT, como a Pedra que saiu água, o Maná, etc. Paulo vai nos dizer que são sombras do que haveria de vir; a realidade, porém, encontra-se em Cristo (Cl 2.17 NVI). 

Para finalizar esta parte vemos que Jesus aos seus discípulos que fala da figura (imagem) mostrando realidades celestiais e futuras. Jesus diz aos seus discípulos que tudo aquilo que lhes fora dito (Jo 16.25) não seria mais necessário, pois nos falará “abertamente” do Pai. Ou seja, John Gill e o comentário JFB (Comentário de Jamieson-Fausset-Brown) dizem que, tais esclarecimentos destas figuras viriam após o recebimento do Espírito Santo, ou seja, após um “amadurecimento”. Logo, concluímos que o uso de figuras ou animações é válido para transmitir o Evangelho aos pequeninos. Não que nós estejamos “brincando” com o Evangelho, mas que estamos transmitindo a Palavra de Deus de um modo que todos os infantes o entendam, assim como nós, não entenderia o Evangelho sendo proclamado em uma língua desconhecida. Ou seja, a mensagem pregada por nossos pastores são direcionados a um povo que saiba entender, assim como no caso de Esdras (Ne 8.2 “trouxe a Lei perante a congregação, tanto de homens como de mulheres e de todos os que eram capazes de entender o que ouviam.” ARA, ênfase acrescentada). 

Testemunho Histórico 

“As escolas formais parecem ter aparecido aproximadamente cem anos antes do nascimento de nosso Senhor. Como uma extensão da sinagoga, elas admitiam o menino aos cinco anos de idade, e submetiam-no a um programa de memorização por meio da repetição, concentrada na Torá. Aos Treze anos, essa instrução terminava, pois o menino tornava-se legalmente maior e entrava no grupo dos homens, e assumia as obrigações de recitar o Shema, jejuar regularmente e fazer peregrinações [Observe a imagem abaixo, que na descrição na imagem as crianças ficavam em lugares separados dos adultos com as mulheres]. Alguns rabinos argumentam que as meninas não deveriam ser educadas, mas elas parecem ter adquirido um conhecimento bastante completo das Escrituras; por exemplo, as repetidas alusões de Maria ao Antigo Testamento em seu cântico (Lc 1:46-55). (GROUNDS, Vernon C., Ph.D., Presidente, Conservative Baptist Theological Seminary, Denver, Col. In: Dicionário Bíblico Wycliffe, CPAD, pág. 474.) 



“Nos tempos do Novo Testamento os judeus haviam adotado um método mais formal de educação. Criaram salas de aula e havia professores qualificados para instruir todas as crianças da aldeia... Desde tenra infância os jovens aprendiam a história de Israel. Na primeira fase da infância, provavelmente a criança memorizava uma declaração de crença e a recitava uma vez por ano, pelo menos, na oferta das primícias... Deste modo os filhos aprendiam que a nação de Israel havia feito aliança com Deus. Esta aliança impunha-lhes certas restrições. Não eram livres para buscar seus próprios desejos, mas tinham responsabilidade perante Deus porque ele os havia redimido. Diligentemente lhes eram ensinadas as diretrizes que Deus lhes dera... [atingindo] idade suficiente para aprender as lições sabáticas, eles se reuniam na "casa do Livro" ― a sinagoga. Aqui eles entravam na sala onde eram guardados os rolos da Tora e preparavam as lições sob a supervisão do Hazzan, o guardador dos rolos. Mais tarde lhes era permitido discutir questões da Lei com os mestres fariseus. Essas discussões constituíam o nível "Secundário" da educação judaica.” (Vida Cotidiana nos Tempos Bíblicos. – Merril C. Tenney; J.I. Packer; William White Jr. Ed. Vida; págs. 51-53).

Dicas

Mesmo sendo um culto infantil, a responsabilidade não pode ser deixada de lado. O culto é composto de oração, leitura da palavra, cântico e pregação (não necessariamente nesta ordem). Ou seja, as crianças em seu culto devem saber o que se faz no culto e como se faz isso. Evite o máximo para que o culto infantil não se torne uma escola bíblica, um piquenique e nem mesmo um lugar que pareça mais um circo do que um culto. Mas que elas saiam de lá, a cada culto, sabendo que há um único Deus que deva ser cultuado “de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todo o seu entendimento e de todas as suas forças.” (Marcos 12.30).

***
Divulgação: Bereianos
.