Série Credo Apostólico - Parte 5: O Padecimento do Cristo

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INTRODUÇÃO

“...foi crucificado, morto, sepultado, desceu ao mundo dos mortos”.

A crucificação é um episódio doloroso e que muitos conhecem por sua brutalidade. O filme “Paixão de Cristo”, dirigido por Mel Gibson foi uma das encenações do martírio de Jesus que mais se aproximou do espetáculo horrendo que aconteceu há dois milênios atrás. Mas o que passa despercebido para alguns é que as dores físicas e o horripilante rito de matar um homem pendurando-o num madeiro não foram o pior que aconteceu ao Cristo. Seu padecimento extrapola o que é visível para a plateia que vê o Filho de Deus apregoado na cruz. O que nosso Senhor sentiu foi o peso de carregar sobre si os pecados de muitos e com isso, sentiu a ira e o abandono de Deus Pai, pois ali, de maneira substitutiva, aquele que não tinha pecado representava (de modo vicário) a soma da vileza dos piores pecadores possíveis. E ele sentiu a agonia infernal de ser punido para satisfazer a justa ira divina.

Logo, devemos compreender que a crucificação não evidencia apenas o altruísmo de um homem que deu a vida para deixar de herança um belo exemplo às gerações posteriores. A cruz pode ser vista como um episódio de amor e misericórdia, porém, mais que isso ela foi o desfecho de uma dívida que era preciso ser paga. O credor não podia simplesmente perdoar, alguém deveria derramar seu sangue para que a justiça fosse feita. Citando John Stott, é correto dizer que “Na Cruz, a misericórdia e a justiça divina foram igualmente expressas e eternamente reconciliadas”.

Para uma melhor compreensão do que disse Stott, é preciso recorrer a um texto paulino.

O SUBSTITUTO

Paulo vai iniciar a sua exposição doutrinária aos Romanos afirmando que as pessoas sem Lei são culpadas diante de Deus (Rm 1.18-2.16). Em seguida, o apóstolo afirma que os possuidores da Lei também são culpados (Rm 2.17-3.8). Enfim, o mundo inteiro é culpado diante de Deus (Rm 3. 9-20). A culpa é proveniente do pecado: “todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus” (Rm 3.23).

Ao falar sobre a natureza culpada do ser humano, que o torna réu no Tribunal de Deus, Paulo está introduzindo a boa nova. O Evangelho, para ser bem compreendido, precisa partir desse ponto. O que se segue na explanação paulina é que Deus não nos retribuirá segundo os nossos pecados, pois em Cristo, através da morte na cruz, nós fomos justificados, isto quer dizer que nossos pecados não mais serão levados em conta, foi Cristo quem pagou por eles com seu sangue. Eis a boa notícia que leva o nome de Evangelho. Então, não é preciso fazer nada na tentativa de aplacarmos a ira de Deus. Jesus já fez tudo por nós, sua obra é completa e já foi consumada. Basta crer somente nele.
A fé nos justifica e não nossas obras, pois somos incapazes de guardar a Lei de Deus. Jesus foi aquele que não pecou e se deu por sacrifício em nosso favor. Nossos pecados foram remidos pelo sangue de Cristo. Judeus e gentios, ambos declarados justos graças aos méritos do Salvador. O que Paulo ensina aqui é o cerne da doutrina cristã, e em ambos os testamentos temos o desenvolvimento da história da redenção até chegarmos até o Cristo.

Em Gênesis 1, lemos Deus criando o mundo e o homem. Tudo o que Ele criou é bom. Mas, no capítulo 3 já vemos que o homem decide quebrar sua aliança com Deus e através da instrumentalidade de Satanás, o pecado entra no mundo e macula o espírito do homem, colocando-o na condição de inimigo do SENHOR, separado de Sua santa presença. Todavia, em Gênesis 3.15 existe uma promessa de que da descendência da mulher – Eva – viria àquele que iria destruir Satanás e sua obra perversa. E o desenrolar do Antigo Testamento nos mostra Deus suscitando uma semente até que chegue a plenitude dos tempos (Gl 4.4) e a profecia se cumpra ao nascer Jesus, nascido de uma mulher e debaixo da lei.

Como o ser humano se tornou incapaz de se achegar a Deus, por conta do pecado, foi preciso que Deus estabelecesse o resgate. E para isso um inocente assumiu o lugar dos pecadores. Jesus Cristo é um substituto legal que em si suportou toda a ira dos pecados sendo expurgados. Por Deus ser santo, não pode conviver com o pecado, e por isso não poderia simplesmente perdoar e deixa-lo impune. A misericórdia do Senhor não acontece a despeito de sua justiça. O pecado deveria ser punido e seus efeitos no homem derrotado para que pudéssemos ter reconciliação.

O autor da carta aos Hebreus nos diz que sem derramamento de sangue não há remissão de pecados (Hb 9. 22). Falando de todo o sistema sacrificial da antiga aliança, o autor mostra que eram apontamentos ao sacrifício definitivo de Cristo, por isso que ele é chamado de Cordeiro de Deus, e foi imolado antes da fundação do mundo (Ap 13.8 e 1 Pd 1.19-20). Como o animal do sacrifício, e, ao mesmo tempo, sacerdote que estava mediando nossa relação com o Pai, Cristo foi nosso substituto, o segundo Adão que através de sua obediência perfeita, atendeu os critérios para receber o pagamento de nossos pecados e assim nos justificar.

A OBRA DA CRUZ

Cristo sendo nosso substituto, e morrendo na cruz, realizou aquilo que não poderíamos. A Escritura usa quatro termos para falar sobre o que foi realizado através da morte vicária de nosso Salvador, vejamos agora o que eles querem dizer.

- Propiciação: É o sacrifício que serve para aplacar a ira de alguém que foi ofendido. No nosso caso, ofendemos ao Criador através de nossos pecados, por isso, a propiciação seria um fator apaziguador, pelo qual Deus não nos puniria por nossos pecados. O sacrifício de animais no Antigo Testamento tinha esse caráter, por isso que o local onde o sangue era aspergido chamava-se propiciatório. Cristo na cruz é a nossa propiciação (1 Jo 2.2 e 4.10).

- Expiação: É o ato que promove reconciliação, reaproximação, perdão e purificação mediante sacrifício. O sangue dos animais ilustrava o sangue de Cristo vertido no Calvário. Jesus expiou nossos pecados.

- Justificação: Ter a culpa removida e sermos declarados justos diante de Deus é um dos efeitos da expiação. Não somos considerados justos pelos nossos méritos. A justificação vem pelo derramamento de sangue inocente. O sacrifício de Cristo nos justifica (Rm 3.24-25), e de uma vez por todas (Hb 9), sem necessidade de continuar sacrificando.

- Santificação: Seguindo a justificação vem a santificação. Dentro da Arca estava a Lei (Dt 10.2 e Hb 9.5). Por cima da Lei havia o sangue da expiação, derramado sobre o propiciatório. Isso nos mostra que não é a obediência a Lei que me leva ao Cordeiro (Cristo). É o Cordeiro que me leva a obedecer a Lei. Guiados por Jesus, santidade é um caminho real, pois nele, somos separados para as boas obras.

Assim sendo, a obra de Cristo tem grande valor para nós, e sem ela não teríamos paz com Deus, continuaríamos mortos em nossos delitos e pecados, vivendo debaixo de sua ira. Mas foi por sua infinita misericórdia que Cristo nos foi dado, para que nele nós obtivéssemos a vida.

MORTE REAL

O Credo enfatiza que a morte de Cristo foi real e não figurativa. Ele foi sepultado, após morrer crucificado, que era uma ultrajante pena de morte aplicada no Império Romano aos mais vis criminosos. Isso está registrado nos quatro evangelhos, de forma que basta lê-los para nos certificarmos disso. Todavia, um grupo herético (gnósticos) negava que Jesus havia morrido, pois para eles, Cristo tinha apenas uma aparência corpórea, mas não tinha um corpo real. Ora, isso faz com que a morte de Cristo não seja real, logo, ele não seria o nosso substituto. Mas não é isso que a Escritura nos diz e precisamos afirmar categoricamente que o Verbo se fez carne (João 1).

Uma ênfase de que Cristo morreu de fato é a sentença “desceu ao mundo dos mortos” ou “desceu ao Hades”. Esta é uma frase que não constava primeiramente no Credo, mas foi acrescida a ele por volta do século 7. Antes disso, a expressão era usada como substituta da frase “foi sepultado”, mas o seu emprego sendo colocado após a frase que antes a substituía, tal como lemos hoje, gerou uma série de interpretações.

Hades é para os gregos o mundo dos mortos, onde estão todos que faleceram. Os bons ficam no lugar chamado Elísio e os maus no Tártaro, que seriam os dois compartimentos deste mundo. A cristianização desse termo o colocou como sendo o Inferno e daí houve uma corrente que começou a defender que após a sua morte, Cristo foi pregar aos cativos no Inferno ou foi lá para proclamar a sua vitória, como creem os luteranos.

No Antigo Testamento, Sheol era a designação do lugar dos mortos, mas também podia ser, dependendo do uso, sepultura. Hades foi muitas vezes usado como sinônimo de Sheol. Pedro usou a palavra em Atos 2:27, quando citou o Salmo 16:10 - que usa Sheol. Isto pode nos levar a concluir que “desceu ao Hades” sirva de ênfase ao sepultamento de Cristo.

A tradição reformada, a partir de Calvino, interpreta a frase como sendo enfática. Sobre o porquê desta sentença está no Credo (pergunta 44), o Catecismo de Heidelberg responde:

Porque meu Senhor Jesus Cristo sofreu, principalmente na cruz inexprimíveis angústias, dores e terrores. Por isso, até nas minhas mais duras tentações, tenho a certeza de que Ele me libertou da angústia e do tormento do inferno”.

O Catecismo Maior de Westminster (Resposta a pergunta 50) também diz que A humilhação de Cristo depois da sua morte consistiu em ser ele sepultado, em continuar no estado dos mortos e sob o poder da morte até ao terceiro dia; o que, aliás, tem sido exprimido nestas palavras: Ele desceu ao inferno (Hades)”.

CONCLUSÃO

Jesus sofreu não apenas na sua crucificação. Toda sua vida foi de aflição. Santo, teve que habitar num mundo corrompido pelo pecado, sendo tentado em tudo, mas sem pecar, como nos diz o texto sagrado (Hb 4.15). Experimentou o descrédito daqueles que eram o seu povo e lidou com o ódio de determinado grupo religioso. Jesus foi traído por um de seus discípulos e negado pelos outros ao ser preso. Homem de dores!

Na crucificação, apesar de toda dor física, havia a terrível angústia de ser punido e abandonado por seu Pai, pois ali estava representando a figura da vileza humana, mesmo sendo Ele alguém que obedeceu plenamente toda a lei. Aquela aflição sofrida na cruz era demais para nós, não suportaríamos, todavia, Ele a suportou em nosso lugar para que ficássemos livres. O fardo do pecado foi desatado de nossas costas e os que creem em seu sacrifício não sentirão os tormentos infernais, pois Cristo já suportou tais tormentos. Por isso regozijemo-nos na mensagem da cruz. Ela é boa nova para todo o que em Cristo Jesus depositar a sua fé.

Soli Deo Gloria

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Autor: Pr. Thiago Oliveira
Divulgação: Bereianos


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Série Credo Apostólico - Parte 1: Um Símbolo da Fé Cristã
Série Credo Apostólico - Parte 2: Pai, Todo Poderoso, Criador
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Série Credo Apostólico - Parte 4: O Redentor no Espaço-Tempo
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Série Credo Apostólico - Parte 4: O Redentor no Espaço-Tempo

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INTRODUÇÃO

“...o qual foi concebido por obra do Espírito Santo, nasceu da virgem Maria, padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos”.

Muitas matérias de revistas e artigos na internet trataram do que chamam o “Jesus histórico”. Isto é um termo para designar aquilo que se disse sobre o Cristo fora da fonte canônica. Logo, há disparates como o casamento de Jesus com Maria Madalena e sua viagem à Grécia, onde dialogou com os filósofos da época. Isso tudo não passa de invencionice, embora seja verdadeira a noção de que Cristo foi alguém que conviveu na História e se manifestou num espaço geográfico e cronológico no qual o apóstolo Paulo chama de “plenitude dos tempos” (Gálatas 4.4).

Série Credo Apostólico - Parte 3: Jesus Cristo é o Senhor

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INTRODUÇÃO

“Creio em Jesus Cristo, seu único filho, nosso Senhor”. O credo passa a focar, em especial, na pessoa de Jesus Cristo, e o motivo é simples: É através de Cristo que temos a plenitude da revelação. Através dele conhecemos o Pai e por seu intermédio foi nos concedido o Espírito Santo. No que se convencionou a chamarmos de “economia da salvação”, o papel de Jesus Cristo é de fundamental importância. Não é a toa que os que são integrantes do povo de Deus são identificados como cristãos.

“Jesus Cristo é o Senhor” foi uma confissão de fé surgida nos primórdios da igreja. Sua abreviação era similar a palavra “peixe” em grego, daí usarmos o peixe como um dos símbolos da religião cristã. Em tempos de perseguição, o peixe era colocado nas catacumbas dos que guardaram a sua fé até a morte.

É importante frisarmos que o Cristianismo vindica para si um caminho exclusivo para que nos cheguemos a Deus por meio de Cristo. Ele é o único mediador entre o divino e o humano, não há outro trajeto que se possa percorrer. O credo pós-moderno vai dizer que muitos caminhos levam a Deus, e que Ele pode ser encontrado em todas as religiões. Todavia, a ortodoxia cristã afirma que apenas por meio da fé em Cristo Jesus, nós somos conectados ao nosso Criador.

Não é raro vermos pessoas que se dizem conectadas com Deus, mas que rejeitam a pessoa de Cristo. Outros até o consideram, mas carregam uma imagem distorcida dele. Há quem queira puxar sardinha para o seu lado e se utiliza da figura de Jesus como se este fosse garoto propaganda de determinada ideologia. Uns vão dizer que ele foi da esquerda, outros rebaterão. Para uns Jesus é um pacificador boa praça ao estilo dos hippies dos anos 1960. Outros o veem como um filósofo popular e sincrético. O próprio Cristo falou que no fim dos tempos haveria falsos cristos. Talvez estes não sejam sempre homens (como o patético Inri), mas sim conceitos distorcidos de quem ele realmente é. A resposta de Pedro, relevada pelo Espírito Santo, é a de que ele é o Filho do Deus vivo. E João Batista deu a definição que devemos sempre professar e proclamar: Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo! Essa confissão de fé é uma antítese e não uma síntese. Toda vez que sintetizamos o Evangelho, é como se diluíssemos o vinho com água antes de oferecê-lo, ou seja, uma fraude.

Devemos estar atentos ao testemunho bíblico sobre Jesus. Pois, se ele não é o que diz ser nas páginas da Escritura, ou foi um lunático ou um charlatão. Estas são as duas alternativas caso não confessemos, tal como o credo nos ensina, que Jesus Cristo é o filho de Deus e o nosso senhor.

NÃO É UM SOBRENOME

Algo que precisamos compreender, antes de qualquer coisa, é que Cristo não é o sobrenome de Jesus. Cristo é o termo grego equivalente ao termo hebraico “messias”. O Messias, que por sua vez significa “o ungido”, é o enviado de Deus para governar o seu povo. Ele é o esperado por Israel, pregado pelos profetas e anelado pelo povo. Quando chamam Jesus de Cristo, estão reconhecendo que ele é aquele que fora anunciado nas páginas do Antigo Testamento. O tão aguardado salvador havia chegado.

Jesus, de fato, é nome. Quando lemos Mateus 1.21, no anúncio do nascimento de Cristo pelo anjo Gabriel, ele fala acerca deste nome, que já nos dá uma pista do que Deus planeja com aquele menino que está para nascer. Jesus significa “Deus salva”. Alguns crentes judaizantes dizem que o correto seria referir-se ao salvador como Yeshua, pois, alegam que este é o verdadeiro nome, sendo Jesus uma adulteração no nome santo. Um dos seus principais argumentos é o de que nomes próprios não são traduzidos. Todavia, Jesus não é tradução, mas sim transliteração. A transliteração é um recurso utilizado para facilitar a fonética de uma língua para outra, ela nada mais é que uma versão de letras, pois, nem todas as letras estão em todos os alfabetos.

O Novo Testamento, escrito em grego “koiné” faz a transliteração de diversos nomes. Tomemos por exemplo Jacó, um dos patriarcas. No hebraico seu nome é Yaacov, mas os redatores neotestamentários usaram Iacobo, que no português tornou-se Tiago, ou seja, Jacó e Tiago possuem o mesmo significado, que é enganador – literalmente aquele que pega pelo calcanhar. O mesmo se dá com Jesus, que é o equivalente grego para Josué. O Novo Testamento original não faz nenhuma distinção entre as nomenclaturas Jesus e Josué, apenas o contexto diferencia o sucessor de Moisés e o Messias, Filho do Deus Vivo.

Logo, quem defende o uso estrito de Yeshua, ao invés de usar Jesus, se fosse para seguir a risca, chamaria Moisés de Moshe, João de Yohanan e por aí vai. Nem Deus seria pronunciado dessa forma, ao invés disso falaríamos todos Elohin. Portanto, não há nada de errado quando falamos Jesus Cristo, embora, pelo fato do segundo ser um título, a grafia mais correta deveria ser Jesus, o Cristo.

Explicado o nome do nosso redentor, passemos agora a analisar os dois títulos que o Credo lhe confere.

FILHO DE DEUS

De uma forma geral, Deus é o pai de sua criação. Daí, todos os seres humanos podem ser vistos como filhos de Deus, no sentido de serem suas criaturas. Outra filiação se dá por adoção. Os filhos de Deus são aqueles que Ele adotou para si: “Em amor nos predestinou para sermos adotados como filhos por meio de Jesus Cristo, conforme o bom propósito da sua vontade” (Efésios 1:5).

Como podemos ver, esta adoção se dá por meio de Jesus, que é o Filho de Deus na eternidade. É nesse sentido que Jesus é singularmente o Filho de Deus, pois, é o filho não criado, mas eternamente gerado do Pai. O que quer dizer que compartilham da mesma essência, logo, quando é dito que Jesus é o Filho unigênito de Deus (João 3.16), reconhecemos a sua natureza divina. Lembremos que o Deus a quem professamos é Trindade, logo, o Pai e o Filho são duas personas distintas, porém, estão unidos em essência, compartilhando da substância divida na eternidade.

Alguns teólogos, baseados na filiação eterna de Cristo, dizem que ele sempre foi subordinado ao Pai, todavia, consideramos tal posição equivocada. Na eternidade Pai e Filho são iguais em atributos, poder e glória. Devido a natureza divina ser indivisível, seus atributos estão presentes de maneira igual entre todas as pessoas da Trindade.

É bem verdade que no plano da salvação, Jesus se coloca numa condição servil. Ele é o servo sofredor, conforme Isaías profetizou, pois esvaziou-se (ler Filipenses 2). Sendo assim, Jesus se subordina ao Pai enquanto encarnado em seu ministério terreno. Mas sua relação intra-trinitária não possuí esse caráter servil. Para ilustrar, mesmo sendo filho, é como se Jesus fosse um filho adulto, que não é subserviente ao seu pai, embora o estime e continue mantendo o elo do amor na filiação.

SENHOR

No Antigo Testamento, Senhor é o termo usado para referir-se a Deus. Por ser considerado sagrado ao extremo, o nome de Deus não era mencionado, e então Senhor servia para nomear o Divino. Quando Jesus é chamado de Senhor, ele está sendo reconhecido como Deus, o mesmo de Abraão, Isaque e Jacó. Os judeus tentaram matar a Cristo quando ele se colocou como sendo “Eu Sou”, o Deus revelado aos patriarcas e profetas: “Eu lhes afirmo que antes de Abraão nascer, Eu Sou!” (João 8:58).

Mas este termo também implica dizer que Cristo é o dono de todas as coisas e por meio dele tudo subsiste. O Novo Testamento se refere a Jesus como Salvador apenas 16 vezes; chama-o Mestre 64 vezes; mas proclama-o Senhor umas 650 vezes! Como disse, certa feita, Abrahan Kuyper: “Não há um único centímetro quadrado em todos os domínios da existência humana sobre o qual Cristo, que é soberano sobre tudo, não clame: é meu!”

CONCLUSÃO

Ter Cristo como Senhor é o que tem faltado a muitos que dizem professar a fé em sua pessoa. Os indivíduos que confessam a Jesus falam o quanto amam seu salvador e batem na tecla de que ele as salvou. Isso é uma verdade: Cristo salva! No entanto, não devemos separar o Redentor do Senhor. Cristo redime um povo e o coloca em baixo de seu senhorio, de modo que a vida que vivem os salvos não mais são as suas vidas, mas passam a ser a vida de seu Senhor Jesus Cristo.

O apóstolo Paulo resume bem o que é viver debaixo do senhorio de Cristo ao escrever aos irmãos da Galácia: “Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” (Gálatas 2:20).

Devemos entender que a vida cristã é de renúncia e submissão. Determinada linha doutrinária de nossos dias, que apesar de ser bem popular, é herética, coloca o homem no papel de decretar e dizer aquilo o que Deus deve fazer. Isso não é biblicamente coerente. Por isso devemos ter cuidado e refletir se em nossa relação com nosso SENHOR, somos realmente humildes e subservientes a Sua vontade.

Agora nos é importante lembrar que o nosso Senhor não é um tirano ou um despótico. Aos seus discípulos ele chama amigos (João 15.15) e, paradoxalmente, servi-lo é ter liberdade. Lembrando que quem não tem a Cristo como Senhor é servo de outro patrão: o Diabo. Vive preso em suas redes e tem um trágico fim. Ele geralmente vem bem apresentado, tem muitas artimanhas para escravizar o homem. Os falsos deuses são os artifícios de Satanás para seduzir. Dinheiro, sexo, poder são suas armas mais usadas. Todavia, que diante de um senhorio concorrente, possamos dizer tal qual Josué diante do povo de Israel que estavam se curvando perante ídolos:

Se, porém, não lhes agrada servir ao Senhor, escolham hoje a quem irão servir, se aos deuses que os seus antepassados serviram além do Eufrates, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra vocês estão vivendo. Mas, eu e a minha família serviremos ao Senhor”. - Josué 24:15

Soli Deo Gloria 

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Autor: Pr. Thiago Oliveira
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Série Credo Apostólico - Parte 2: Pai, Todo Poderoso, Criador

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INTRODUÇÃO

Creio em Deus, Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra”.

O Credo, como visto no texto anterior, tem uma estrutura trinitariana. O Deus confessado pelos cristãos não é outro senão o Pai, Filho e Espírito Santo. Três personas que dividem entre si a essência Divina, de modo que não existe hierarquia e subordinação. As três personas da Trindade são iguais em seus atributos, por isso que há unidade na pluralidade. O Deus Triúno é o Deus verdadeiro, confessado pelos cristãos.

No primeiro postulado do Credo, o enfoque recai sobre Deus Pai. E aqui vale ressaltar que chama-lo de “Pai” é imprescindível para todo aquele que deseja ser fiel a revelação da Escritura. O motivo da ressalva é que em alguns círculos, onde impera o liberalismo teológico, fazem a alegação de que chamar Deus de Pai é uma atitude sexista que endossa a visão patriarcal da antiguidade. As feministas até dizem que esse nome revela o machismo que há na Bíblia e subvertem a nomenclatura - alguns coletivos de mulheres que se dizem cristãs e feministas adotaram a palavra “Mãe” para se referir ao SENHOR.

Obviamente, Deus não tem gênero, mas se manifesta na Escritura como Pai. Isso não é apenas um termo usado pelos patriarcas do Antigo Testamento. Jesus, que é o ápice da revelação, diz que Deus é Pai e até mesmo nos instruí a orar, nos dirigindo ao “Pai nosso que está no céu”.  Acusar a Bíblia de ser um livro sexista ou machista é de uma leviandade imensa. Tais baboseiras são fruto de quem carrega pressupostos que não são bíblicos e trazem esses pressupostos para a interpretação do texto sagrado. Nós não podemos interpretar a Escritura com outro ponto de partida que não seja o conteúdo da própria Escritura. Nisso, o credo nos ajuda a nos mantermos fieis aos pressupostos bíblicos, pois resume o conteúdo da revelação contida nas páginas sagradas da Bíblia.

Como cristãos, precisamos crer que a Bíblia é a Palavra de Deus, pois o próprio Cristo pregou isso e adotou, na prática, o lema do sola Scriptura (somente a Escritura). Vejamos:

  • Cristo leu Isaías em Nazaré, textos que falavam acerca dele mesmo (Lucas 4. 14-30).
  • Cita três vezes o livro de Deuteronômio ao ser tentado pelo Diabo (Lucas 4.1-13).
  • Cita Gênesis ao ser indagado sobre o divórcio (Mateus 19).
  • Menciona uma passagem de 1 Samuel ao ser questionado por fariseus (Mateus 12).
  • Explana todo o Antigo Testamento no caminho de Emaús (Lucas 24.14-35).

Logo, se Cristo atestou a veracidade da Escritura, nós também devemos. Toda a Bíblia é inspirada e nos serve como fonte de revelação para que sejamos edificados mediante o seu conteúdo. A Escritura precisa assumir o seu lugar central em nossas vidas. Os homens são conduzidos à fé através da Palavra e este é o método ordinário que Deus usa para chamar o seu povo para Si. O Credo nos dá uma excelente contribuição ao ser formulado com base no texto sagrado. Ele nos lembra de que por sermos cristãos, somos o povo da Bíblia, detentores da revelação.

TRANSCENDÊNCIA E IMANÊNCIA

Pai Todo Poderoso revela que Deus é transcendente e imanente. Esse Deus a quem chamamos de “nosso Pai” é aquele que vai até as suas criaturas, revelando coisas sobre Si mesmo e instando os homens a se relacionarem com Ele através de um pacto. A revelação e a interação de Deus com a sua criação, sobretudo no relacionamento com os homens é o que na Teologia se chama imanência.

Mas, a imanência só faz sentido quando nos damos conta de que este Deus, que por sua soberana vontade se faz presente em nosso meio, é transcendente. O que isto quer dizer? A transcendência nos lembra que Deus está acima da criação, ele não pode ser confundido com nada do cosmos. Ele está para além de tudo o que existe no mundo criado. Como diz a segunda parte do primeiro postulado do Credo, Ele é o “Criador do céu e da terra”.

Quando paramos para contemplar a dimensão do mundo criado, muitas vezes nos surpreendemos com a sua imensidão. Todavia, nosso planeta é apenas um ponto azul no Universo que possui inúmeras galáxias. Mas o Criador é maior que a sua criação. O mundo criado não é “o corpo de Deus”. A matéria não é eterna, pois, Deus criou do nada (ex nihilo). Ele fez a matéria pelo poder de Sua palavra. O relato da criação demonstra o poderio do Senhor. Lemos em Gênesis 1 que bastava Deus falar “haja” e as coisas surgiam. Tudo bom e perfeito, refletindo a excelência do Autor da criação.

É pensando na transcendência divina que a imanência nos salta aos olhos como uma dádiva graciosa. Esse Deus, que está para além das coisas criadas, interage com a sua criação e, por graça, se relaciona com homens, chamando para si um povo, que pode se chegar ousadamente diante do trono da graça e chama-lo de Pai, a fim de obter misericórdia (Hb 4.16).

OS ATRIBUTOS DE DEUS

Quando o Credo afirma que Deus é Todo-Poderoso, nos remete aos seus atributos. Em sua essência, desde a Eternidade, Deus sempre foi o que Ele é. Quando se revela a Moisés, e este lhe pede seu nome para dizer ao povo. E a resposta de Deus é a seguinte:

Eu Sou o que Sou. É isto que você dirá aos israelitas: Eu Sou me enviou a vocês”. Êxodo 3:14

“Eu sou o que sou” reflete a imutabilidade de Deus. Ele é o mesmo ontem, hoje e para sempre. Não muda em sua essência por já ser pleno, ser perfeito. Deus não evolui e nem se aperfeiçoa. Ele é! Diante de sua essência imutável, ficamos cientes de que tudo o que Ele revela sobre si mesmo são atributos que sempre fizeram parte de Deus, de modo que desde a eternidade Ele é o Deus Todo-Poderoso, justo, santo e fiel.

Os atributos divinos revelam a singularidade do Pai Celestial. Ele pode todas as coisas (onipotência), pois nada pode frustrar os seus desígnios. Aquilo que foi arquitetado pelo SENHOR não pode deixar de ser cumprido. Com seu poderio Ele controla todas as coisas e sabe todas as coisas (onisciência). Não há nada que podemos esconder, pois Deus está em todos os lugares (onipresença).  Nem mesmo o futuro surpreende a Deus, pois Ele tem conhecimento das coisas por vir, pois, toda História é de sua autoria e tudo está decretado de maneira que ninguém pode dar um passo fora de seu roteiro. Como Deus é eterno, não limitado ao tempo, passado e futuro são contemplados por Ele, tal qual o presente.

CRIADOR

Esse Deus Todo-Poderoso, ao criar céus e terra, não faz isso por sentir que algo lhe falta. Não é a solidão que move o projeto da criação. Deus se autossatisfaz. No relacionamento trinitário, sempre houve amor entre os componentes da Trindade, de modo que em si mesmo há pleno contentamento. Quando Deus cria o mundo e todos os seres que povoam o mesmo, faz para o louvor de Sua glória. E por graça, faz do homem a coroa da criação e põe nele a Sua imagem. Mas o motivo para Deus fazer tal coisa não pode ser “humanizado”. Não devemos enxergar nenhuma necessidade em Deus que o levou a criar o mundo e os seres humanos.

Outra coisa que devemos ressaltar é que todo elemento criacional, ou seja, a matéria, não faz parte de Deus. Como vimos, Ele transcende a sua própria criação. Mesmo relacionando-se com ela, e intervindo no mundo criado, o SENHOR é totalmente outro. Nenhuma partícula do universo faz parte da essência eterna do “Eu sou”. Nisso, os panteístas, que acreditam que a essência divina está em cada parte da natureza, estão equivocados em sua crença.

O mandamento que proíbe fazer imagens de Deus (Êxodo 20.4) reflete essa questão. Pois, ao retratarmos Deus com alguma figura da criação, o estaríamos rebaixando. Os israelitas fizeram um bezerro de ouro fundido quando estavam no deserto e Arão falou: “aí está o teu deus” (Êxodo 32.4). Seu pecado foi muito grave, quebraram o mandamento e reduziram o Deus Todo Poderoso a uma imagem de um animal quadrúpede. Não foi sem motivo que a ira do SENHOR foi manifesta entre o seu povo.

CONCLUSÃO

O Deus da Bíblia é este que o Credo nos mostra como sendo Pai, Todo-Poderoso e Criador. É assim que ele se revela e assim podemos adorá-lO com base no conteúdo revelado. É por termos a revelação que podemos falar sobre o Divino. Na Escritura sabemos quem Deus é e o que Ele requer de nós, suas criaturas. Mesmo que o conteúdo não seja exaustivo, de modo que há muita coisa sobre Deus que nos é mistério, em contrapartida, existe um abrangente conteúdo revelado que nos informa coisas sobre o SENHOR que nos são suficientes para adorá-lO e devotar a Ele nossas vidas.

Louvamos a Deus por Ele ter se revelado a nós e partilhado informações tão importantes que também nos ajudam a conhecermos a nós mesmos, pois, ao saber que existe um Criador, ficamos cientes de que somos suas criaturas. Também sabemos que somos seus filhos, por ser Ele o nosso Pai. Além do mais, é consolador ter o conhecimento de que Deus pode todas as coisas e que diante de tamanho poderio, temos esperança de que Ele há de nos conduzir com braço forte, nos protegendo de todo mal, agindo para o nosso bem, segundo o beneplácito de Sua vontade.

Soli Deo Gloria

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Sobre o autor: Thiago Oliveira é graduado em História e especialista em Ciência Política, ambos pela Fundação de Ensino Superior de Olinda (Funeso). Mestrando em Estudos Teológicos pelo Mints-Recife. Casado com Samanta e pai de Valentina, atualmente pastoreia a Igreja Evangélica Livre em Itapuama/PE.

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Leia também:
Série Credo Apostólico - Parte 1: Um Símbolo da Fé Cristã
Série Credo Apostólico - Parte 3: Jesus Cristo é o Senhor
Série Credo Apostólico - Parte 4: O Redentor no Espaço-Tempo
Série Credo Apostólico - Parte 5: O Padecimento do Cristo
Série Credo Apostólico - Parte 6: A Vitória do Cristo
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Série Credo Apostólico - Parte 1: Um Símbolo da Fé Cristã

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INTRODUÇÃO

Vivemos numa era de incertezas, onde o chamado multiculturalismo nos diz que a simples afirmação de que cremos no Deus verdadeiro é um insulto para outros povos e outras crenças. Daí, muitos cristãos não estão certos se devem assumir dogmaticamente que a fé cristã é a verdadeira religião. Alguns, dentro das próprias igrejas e/ou seminários teológicos, advogam que a declaração de fé dogmática é coisa de outros tempos, algo que deve ficar restrito ao passado. Em suma, dizem não haver espaço para credos em nosso mundo pluralista.

Mas será que devemos nos curvar diante da cartilha multicultural e negar a nossa fé para não provocar nenhuma ofensa ou ressentimento em quem professa uma fé distinta?

A criação

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Creio em Deus Pai, Todo-Poderoso, Criador dos céus e da terra.


Todos os cristãos creem e professam que Deus é o criador dos céus e da terra, mas além de professar essa verdade, o que isso pode influenciar em nossa cosmovisão?

A frase em destaque é muito conhecida no meio cristão, é a primeira declaração confessional sobre o cristianismo, e essa confissão começa declarando uma fé; Deus Criador dos céus e da terra. Seria estranho falar de Cristianismo sem falar da redenção de Jesus Cristo, mas pode ser mais estranho ainda falar sobre a redenção sem falar da criação, a qual foi o palco da redenção onde Cristo, nosso Senhor, morreu. No entanto, as partes que mostram o “Ele disse” (Gn 1.3, 6, 9, 11, 14, 20, 24, 26, 29; 2.18)¹ é o ato soberano de Deus em criar todas as coisas por intermédio de seu comando. Como um Soberano, Ele dá as ordens e a criação obedece, pois a Sua palavra não volta vazia e faz aquilo que lhe apraz (Is 55.10-11), é o que nos mostra o salmista: 

Pela palavra do Senhor foram feitos os céus, e todo o exército deles pelo espírito da sua boca. Ele ajunta as águas do mar como num montão; põe os abismos em depósitos. Tema toda a terra ao Senhor; temam-no todos os moradores do mundo. Porque falou, e foi feito; mandou, e logo apareceu” (Sl 33.6-9). 

Louvem o nome do Senhor, pois mandou, e logo foram criados. E os confirmou eternamente para sempre, e lhes deu um decreto que não ultrapassarão (Sl 148.5-6). 

Não obstante, aquele por quem Deus cria todas as coisas (Cl 1.16) é o mesmo que fez com que todas as coisas fossem criadas. Em João 1.1 nos mostra que Cristo estava no princípio, que a Palavra estava com Deus e que a Palavra era Deus. Portanto, as ordens soberanas de Deus na criação, as quais faziam com que todas as coisas viessem à existência, era Cristo, por intermédio de Deus, criando todas as coisas, porque Cristo é a Palavra de Deus. E Cristo mostra isso em seu ministério terreno proferindo palavra de ordens como um soberano sobre a criação, acalmando as ondas do mar (Mc 4.35-41) e para produzir cura (Lc 7.1-10). 

E, assim, como Deus fez todas as coisas por intermédio de Sua palavra, e Cristo mostra a sua autoridade por intermédio de sua palavra, é a Palavra de Deus que faz com que tenhamos fé (Rm 10.17) e que a nossa alma seja refrigerada (Sl 19.7), além do mais, Paulo compara a nossa salvação como o ato criador de Deus de chamar a luz das trevas (2Co 4.6; Gn 1.3). 

Sendo assim, crer que Deus criou os céus e a terra não é só uma maneira de combater o evolucionismo, mas mostrar em quê a nossa cosmovisão está baseada no ato soberano e pactual de Deus e na revelação do Redentor desde o princípio.

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Nota:
[1] KAISER, Walter C. Jr. O plano da promessa de Deus: Teologia bíblica do Antigo e Novo Testamentos. São Paulo: Ed. Vida Nova, 2011, p. 35 

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Fonte: Bereianos
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Pecadores justos

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59. Mas que proveito tem sua fé no Evangelho?
R. O proveito é que sou justo perante Deus, em Cristo, e herdeiro da vida eterna (1). 
(1) Hc 2:4; Jo 3:36; Rm 1:17. 
60. Como você é justo perante Deus?
R. Somente por verdadeira fé em Jesus Cristo (1). 
Mesmo que minha consciência me acuse de ter pecado gravemente contra todos os mandamentos de Deus, e de não ter guardado nenhum deles, e de ser ainda inclinado a todo mal (2) , todavia Deus me dá, sem nenhum mérito meu, por pura graça (3) , a perfeita satisfação, a justiça e a santidade de Cristo (4). Deus me trata (5) como se eu nunca tivesse cometido pecado algum ou jamais tivesse sido pecador; e, como se pessoalmente eu tivesse cumprido toda a obediência que Cristo cumpriu por mim (6). Este benefício é meu somente se eu o aceitar por fé, de todo o coração (7). 
(1) Rm 3:21-26; Rm 5:1,2; Gl 2:16; Ef 2:8,9; Fp 3:9. (2) Rm 3:9; Rm 7:23. (3) Dt 9:6; Ez 36:22; Rm 3:24; Rm 7:23-25; Ef 2:8; Tt 3:5. (4) 1Jo 2:1,2. (5) Rm 4:4-8; 2Co 5:19. (6) 2Co 5:21. (7) Jo 3:18; Rm 3:22. 
61. Por que você diz que é justo somente pela fé?
R. Eu o digo não porque sou agradável a Deus graças ao valor da minha fé, mas porque somente a satisfação por Cristo e a justiça e santidade dEle me justificam perante Deus (1). Somente pela fé posso aceitar e possuir esta justificação (2). 
(1) 1Co 1:30; 1Co 2:2. (2) 1Jo 5:10. 
• Catecismo de Heidelberg

O 23º Dia do Senhor, diante das quatorze semanas que foram tratadas sobre cada ponto do Credo Apostólico, agora nos leva a refletir e perguntar: que bem nos faz crer em tudo o que foi visto?


A resposta que o Catecismo nos dá é essa: “O proveito é que sou justo perante Deus, em Cristo, e herdeiro da vida eterna.”

A doutrina implícita que o 23º Dia do Senhor trata é a doutrina da justificação. Infelizmente muitas pessoas não sabem tratar do assunto ou, quando tratam, abordam de forma incorreta. A reforma protestante, com Lutero, teve seu ímpeto com a descoberta da justificação pela fé somente. Sendo assim, o Catecismo, de forma didática, nos ensina algumas coisas. 

Há cinco conceitos importantes na compreensão desta doutrina implícita no 23º Dia.  

Primeiro, que deste lado do céu nós seremos, como disse Lutero, simultaneamente justo e pecador. O Catecismo nos mostra que mesmo estando de bem com Deus, nós, diariamente, transgredimos os Seus mandamentos. No entanto, Deus não absolve as nossas culpas por causa de nossas obras, mas porque confiamos “naquele que justifica o ímpio” (Rm 4.5).

Segundo, a nossa postura diante de Deus não está baseada em nossa justiça, mas em uma justiça alheia. Ou seja, a nossa justificação não é por nossas justiças, mas por uma justiça que não é nossa, como mostra a Confissão de Fé de Westminster

Deus não os justifica em razão de qualquer coisa neles operada ou por eles feitos, mas somente em consideração da obra de Cristo (XI.I)

E é nessa mesma voz que August Toplady diz poeticamente:


         Nada trago em minhas mãos, 
         Apenas me agarro à tua cruz; 
         Nu, venho a ti para me vestir,
         Dependente, busco graça em ti;
         À tua fonte vou correr. 
         Lava-me, Senhor, ou vou morrer!
         Rocha Eterna, partida por mim, 
         Deixa-me esconder em ti. 


Terceiro, se nada trago em minhas mãos, conforme disse o poeta, devemos entender que a nossa justificação não é baseada em nossa santificação, até porque, como dito anteriormente, nós pecamos todos os dias. No entanto, Cristo imputou em nós a sua justiça, nos livrando da condenação eterna, mas não dos castigos por causa de nossos pecados atuais.


Quarto, se não é a nossa bondade ou santidade que nos faz justificados por Cristo, o que é então? A nossa fé, a qual é dada por Deus (Ef. 2.8). Por isso nós falamos que somos justificados pela fé somente. O catolicismo romano crê que somos justificados pela fé, porém não crê que somente a fé pode nos justificar, mas também às práticas de boas obras que, segundo eles, fazem com que sejamos justificados. É verdade que a fé justificadora deve ser mostrada pelas obras, no entanto, ela não é a base de nossa justificação, mas a demonstração da mesma.

E, finalmente, depois do exposto sobre fé para ser justificado, o Catecismo vai nos mostrar, como um banho de água fria, que a nossa fé não tem valor se não entendermos o que é a santificação, a justiça e a santidade d'Ele que nos justifica diante de Deus. Ou seja, a obra perfeita de Cristo é o objeto da nossa justificação e a nossa fé é o instrumento para que sejamos justificados. Portanto, devemos crer com todo coração em Jesus Cristo, mas nunca colocar a fé na nossa fé. Devemos descansar em Cristo, não em nossa fé. Somente Ele é quem morreu por nós e ressuscitou em nosso lugar para a nossa justificação. Creia nisso, não em você e nem em suas obras. 

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Autor: Denis Monteiro
Fonte: Bereianos
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Creio no Espírito Santo

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Creio no Espírito Santo; na Santa Igreja Universal; na comunhão dos santos; na remissão dos pecados; na ressurreição do corpo; na vida eterna. Amém.


Chegamos à parte final do Credo, que tem como “Creio” a terceira Pessoa da Trindade, o Espírito Santo. O Credo, de forma lógica, após tratar da ascensão de Cristo, mostra agora a pessoa do Espírito Santo no estabelecimento da Igreja, a comunhão dos santos que estão espalhados pelo mundo entre povos, línguas e nações, a remissão de pecados, a nossa ressurreição no último dia e a entrada na vida eterna como parte de sua confissão. 

1. O Espírito Santo

Creio em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor

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Creio em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, o qual foi concebido por obra do Espírito Santo; nasceu da virgem Maria; padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; ressurgiu dos mortos ao terceiro dia; subiu ao Céu; está sentado à direita de Deus Pai Todo-poderoso, donde há de vir para julgar os vivos e os mortos.

Nesta segunda parte, o Credo Apostólico ratifica quem é Cristo, a Sua divindade como segunda pessoa da Trindade, como ele nasceu, morreu e ressuscitou.

Durante séculos Jesus sofreu vários ataques, alguns negaram a Sua divindade, sua humanidade, sua existência. Hoje, os ataques à pessoa de Cristo são um pouco diferentes, alguns desses ataques, ou melhor - blasfêmias, é inventar alguns títulos a Cristo, os quais não possuem base bíblica. Na verdade esses títulos não são para engrandecê-lo, mas para menosprezar sobre quem Ele é na realidade.

Certa feita Jesus pergunta aos seus discípulos: “Quem diz os homens ser o Filho do homem? E eles disseram: Uns, João o Batista; outros, Elias; e outros, Jeremias, ou um dos profetas. Disse-lhes ele: E vós, quem dizeis que eu sou? E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. (Mt 16.13-16). A resposta de Pedro é a mesma que afirma o Credo em outras palavras, Jesus Cristo, seu único Filho. 

Para o homem moderno essa declaração de Pedro é antiquada, para eles, Jesus foi um grande psicólogo que já existiu, outros veem Jesus como um grande revolucionário de sua época, um profeta. Todas essas declarações e outras as quais fazem com que percam o sentido bíblico de quem é Jesus, podem ser consideradas como atitudes de um anticristo. João, em sua primeira carta, vai nos mostrar que o espirito do anticristo é aquele que não confessa que Jesus veio em carne. Provavelmente João estava se deparando com um pré-gnosticismo, mas o mais interessante é que não confessar como é Jesus e, como ele veio, e para que veio, essa pessoa tem o espirito do anticristo. Logo, qualquer pessoa que intitula Cristo de algo que faz com que se perca do foco da revelação bíblica, esse tem o espirito do anticristo.[1] 

Mas não é assim que o credo trabalha, ele nos mostra de forma magnifica e resumida sobre quem é Cristo e o que Ele fez:

          • Filho de Deus
          • Nosso Senhor
          • Nasceu da virgem Maria, concebido pelo Espirito Santo. 
          • Crucificado, morto e ressuscitado.
          • A ascensão de Cristo
          • Segunda vinda

1. Filho de Deus 

No Antigo Testamento o termo “Filho de Deus” era aplicado a nação de Israel, aos juízes, aos anjos e especialmente ao rei. No Novo Testamento a igreja toma o lugar de Israel e ela é consistida dos “filhos de Deus”, por adoção. 

Mas, no caso de Cristo, este nome adquire um significado mais profundo. Se eu não reconheço Cristo como Filho de Deus, eu estarei negando o seu:

Sentido messiânico. Crer que Jesus é o Messias é crer que Cristo, o Filho de Deus, é o libertador profetizado na Antiga Aliança, o qual deveria morrer pelos pecados de seu povo (Is 52.13 – 53.12). Crer que Cristo é o Messias é crer que o Filho é o próprio Deus. Pois alguns textos mostram claramente de que a salvação pertence ao Senhor (Jn 2.9), e que o próprio braço do Senhor pode salvar (Is 59.15-20; cf. 43.3, 11; 45.15,21). A afirmação de que Jesus é o Messias é central no evangelho bíblico. 
Sentido trinitário. A Escritura mostra que Cristo é a segunda Pessoa da trindade, o testemunho escriturístico e é claro em mostrar que Cristo é Deus porque é igual ao Pai em essência, poder e santidade, em essência, Cristo é igual ao Pai em eternidade (Jo 17.5,24), em honra e glória (Jo 5.23, 17.1,4,5), criador e redentor (Jo 1.3; 5.21), em domínio (Lc 10.22; 22.29), em perfeição (Hb 7.28), auto existência (Jo 1.4. 14.6) e digno de adoração (Mt 14.33); em poder, Cristo mostra sobre a natureza (Mt 4.3; 14.15-23), sobre satanás (Jo 5.21; 6.40), para perdoar pecado (Mc 2.5-7) e em santidade (Lc 1.35; Jo 10.36). 

Assim, com as definições acima, podemos ver que há, de fato, duas naturezas em Cristo. Quando a Bíblia mostra Jesus como Filho de Deus, a Bíblia está mostrando a deidade de Cristo. E quando a Bíblia mostra Jesus como o Filho do Homem, a Bíblia está mostrando a sua humanidade. Mas Cristo é também chamado de Filho de Davi, onde que, esse título faz referência ao seu messianismo. É em Cristo que o trono de Davi é perpetuamente continuado (Sl 89.29,34-36), é onde que o tabernáculo de Davi é levantado (Am 9.11, cf. At 15.16). Este Rei, o Filho de Davi, não tem um reino politico, mas é Ele que inaugura e anuncia o Reino de Deus. 


2. Nosso Senhor

Crer que Cristo é Senhor sobre tudo e todos para a atual sociedade é repugnante, para a atual sociedade a melhor forma de guiar o mundo é não tendo um governante, fazendo assim, com que todos sejam anárquicos. 

Até para o evangelicalismo o título de Senhor atribuído a Cristo é menosprezado, um dos sentidos que o termo Senhor é usado é o fato de fazer referência a um senhor que é dono de escravos. E é isso que a Bíblia declara. Ela nos testifica que “...não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço...” (1 Co 6.19,20) e o mesmo Paulo fala em suas epístolas que é “escravo de Cristo”. Aqui o crente é visto como uma possessão de Cristo, mas para alguns ser escravo de Cristo é humilhante e opressor, mas o que alguns não entendem é que a verdadeira liberdade é ser escravo de Cristo. 

Outro uso da palavra Senhor no Novo Testamento referindo-se a Cristo está relacionado com o Antigo Testamento. A palavra “senhor” no grego (Kyrios) foi usada para traduzir a palavra hebraica Adonai na Bíblia do Antigo Testamento em grego (LXX), palavra essa que foi usada na liturgia de Israel para substituir a palavra Yahweh, a qual não podia ser proferida.[2] No Novo Testamento Jesus recebe o título de Senhor o qual está assentado à direita de Deus, e assim, Cristo recebe o título de Adonai, pois quando Jesus é chamado de “Senhor dos senhores” não resta dúvida que o termo se refere a uma autoridade absoluta sobre toda a autoridade. 

Por isso que para a atual sociedade crer que Jesus é Senhor sobre tudo e todos, é humilhante. Para os cristãos do primeiro século, crer que Jesus como Senhor era desonrar a César e esperar arcar com as consequências. 

3. Nasceu da virgem Maria, concebido pelo Espírito Santo

Como uma expressão de fé, o Credo confirma que Jesus nasceu de uma virgem por obra do Espirito Santo, e este é um dos temas mais descridos. Como uma virgem pode dar a luz se não houver um contato com um homem? Mas qual a implicação de crer que Cristo nasceu de uma virgem? 

3.1. A necessidade de uma virgem

A necessidade de uma virgem não era para fazer com que Jesus fosse santo, no entanto, Cristo seria e é santo por ser a sua natureza eternamente santa. Mas a necessidade de que Cristo nascesse de uma virgem era para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta “Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho...” (Is 7.14). Alguns entendem que o termo almah não é tão apropriado assim para fazer jus ao termo “virgem” que Mateus descreve em 1.23. Holladay define o termo almah como uma “moça (em idade para se casar)”.[3] E assim surgiram vários ataques dizendo que a referência de Mateus a Isaias era forçada demais. A questão é que a profecia se cumpre nos tempos de Isaias (a curto prazo) e ela aponta para o futuro por causa do Deus Conosco (a longo prazo).[4] Além de ser uma dupla referência, a própria Septuaginta (LXX – uma tradução do 1º século antes de Cristo do Antigo Testamento) traduz o termo “virgem” do hebraico para o grego perthernos, da mesma forma que cita Mateus. Logo, seria difícil concluir que os tradutores da Septuaginta queriam favorecer o cristianismo, como acusam Mateus, o evangelista, de ter feito isso.  

Beale explica sobre o significado de explícitos e implícitos que há em tais passagens, G.K. Beale defende que tal concepção, o qual ele chama de “O conceito de visão periférica cognitiva,[5] era mantida pelos escritores do AT (significados explícitos) e que estes possuíam, o significado implícito. Ou seja, segundo Beale, “quando os autores neotestamentários e veterotestamentários fazem afirmações diretas com um significado explicito, essas afirmações sempre pressupõem uma gama correlata de significados secundários que ampliam o significado explicito”.[6] Por exemplo, quando o autor neotestamentário diz que os crentes estão “em Cristo”, quais aspectos envolvem essa união? Essa união de estar “em Cristo” envolve todos os aspectos salvívicos concedidos por Cristo e em Cristo. Ou seja, quando o apóstolo Paulo fala de justificação, é óbvio que o apóstolo não estava deixando de lado o tema sobre santificação. 

3.2. Por que crer que Jesus nasceu de uma virgem? 

Vimos acima que o fato de Cristo nascer de uma virgem não era para que Ele nascesse santo, mas para se cumprir a profecia que fora dita pelo profeta. Mas, por que é essencial para a fé cristã crer que Jesus nasceu de uma virgem?

Além de crer na inerrância da Escritura mostrando o seu perfeito cumprimento, Deus mostra o desfecho final de sua revelação progressiva desde o Antigo Testamento. Na Antiga Aliança as mulheres estéreis, após Deus abrir o seus ventres, deram à luz filhos que foram grandes homens de Deus na nação de Israel (p.e. Sara, Gn 11.30; 16.2; Ana, 1Sm 1.6ss e Isabel, 1.7ss), bem como as profecias, serviram de preparação para que, quando acontecesse o ocorrido, eles entendessem o ocorrido. Ou seja, Deus fez com que mulheres estéreis dessem à luz a grandes servos de Deus mostrando que o Servo do Senhor que haveria de vir, viria de uma virgem. 

Crer que Cristo nasceu de uma virgem mediante a ação do Espírito Santo não quer dizer que Cristo herdaria a corrupção de José (apelando para o traducionismo). Mas é entender a obra de redenção de Jesus Cristo. Quando Deus criou Adão, Deus o formou do pó da terra e soprou em suas narinas o fôlego de vida. Quando Deus gerou a Cristo, nascido de mulher na plenitude dos tempos, foi para mostrar a ação redentora de Cristo sendo o nosso segundo Adão. Enquanto em Adão a morte passou a todos os homens, em Cristo a vida veio sobre todo aquele que crê. 

Por fim, Rousas John Rushdoony, diz:

“O nascimento virginal é um milagre, o milagre de uma nova criação, uma nova humanidade. O renascimento de todo cristão é um milagre, o milagre da regeneração por Jesus Cristo. Esse segundo milagre depende do primeiro. Porque Jesus Cristo é verdadeiro homem e verdadeiro Deus, ele é capaz de refazer o homem segundo a sua imagem. Ele é capaz de preservar o homem dos poderes das trevas, e é capaz de sujeitar todas as coisas ao seu domínio. De fato, o objetivo da história é declarado de antemão: “o reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do seu Cristo, ele reinará pelos séculos dos séculos” (Ap 11:15). Temos um destino glorioso naquele que nasceu da virgem Maria.[7]

Somente aquele que nasceu de novo, provou a graça do novo nascimento, pode afirmar que o nosso Salvador nasceu de uma virgem, não herdando a sua natureza pecaminosa porque o seu Pai é Deus e sua natureza é santa. 


4. Crucificado, morto e ressuscitado

Esta parte, para qualquer teólogo liberal é difícil de aceitar. E isso pode ser um problema para a atual sociedade. Por exemplo, todo o mundo comemora o Natal (de forma errada, mas comemoram). É mais fácil crer no nascimento do que na morte e ressurreição de alguém. O Natal, até para os cristãos, é mais comemorado do que a Páscoa (que simboliza a ressurreição). Ou seja, crer em um nascimento é fácil, mas na ressurreição não. Mas, o que significa o fato de Cristo ter sido crucificado, morto e ressuscitado? 

4.1. Por que Deus necessitou de uma cruz?

Sendo Deus todo poderoso, criador de todas as coisas, por que Ele precisou de uma cruz para com que recebêssemos o perdão de nossos pecados? 

Paulo nos dá uma luz, dizendo: 

Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro.” (Gl 3:13)

Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos.” (1º Coríntios 1:23)

Paulo nos mostra que a cruz era maldição que produzia escândalo nos gregos. Para os romanos era o castigo mais cruel e asqueroso, morrer em uma cruz era a forma de morrer mais torturante que podia existir, era para os assassinos e rebeldes. 

Se a cruz para os romanos era asquerosa, quanto mais para um judeu que, segundo a Lei, ser pendurado no madeiro era sinal de maldição (Dt 21.22,23).

A maldição da cruz é colocada sobre Cristo. Ele, sendo o nosso substituto, se faz maldito para nos tornar bendito diante de Deus, o Pai. O Justo morre pelos injustos. E Pedro, enfatizou aos judeus de sua época, lembrando-os da maldição de Cristo:

O Deus de nossos pais ressuscitou a Jesus, ao qual vós matastes, suspendendo-o no madeiro.” (At 5.30)
E nós somos testemunhas de todas as coisas que fez, tanto na terra da Judéia como em Jerusalém; ao qual mataram, pendurando-o num madeiro.” (Atos 10.39)
Por não terem conhecido a este, os que habitavam em Jerusalém, os seus príncipes, condenaram-no, cumprindo assim as vozes dos profetas que se leem todos os sábados. E, embora não achassem alguma causa de morte, pediram a Pilatos que ele fosse morto. E, havendo eles cumprido todas as coisas que D’Ele estavam escritas, tirando-O do madeiro, o puseram na sepultura.” (At 13.27-29)

Pedro, assim como outros cristãos, não tinha vergonha de falar que o seu Senhor foi amaldiçoado no madeiro, por causa de seus pecados. Como o próprio Pedro fala: “
carregando Ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados.” (1Pe 2.24)

A cruz de Cristo mostra que os planos de Deus são bons, mesmo quando não entendemos, a crucificação de um inocente é a pior coisa que aconteceu, mas ao mesmo tempo foi a melhor coisa que nos aconteceu. Pois, se cremos que Deus tira um Bem Maior do mal, o maior bem que Deus fez foi moer o seu próprio Filho na cruz em favor de muitos. 

Sendo assim, a razão da cruz, segundo Philip Ryken, era sofrer a maldição que nós merecemos pelos nossos pecados.[8] 

4.2. O Servo sofredor

Jesus, em Isaías 53, é descrito como o “servo sofredor”. O termo não aparece no texto, mas mostra o Servo de Deus sofrendo, pela vontade e pelas mãos de Deus, em favor de muitos. Não podemos falar sobre a morte de Cristo sem falar de suas causas. Vejamos algumas coisas que o profeta Isaías nos revela sobre a morte de Cristo e o propósito da causa do sofrimento de Cristo. 

4.2.1. O pecado humano

Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos. Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a sua boca. Da opressão e do juízo foi tirado; e quem contará o tempo da sua vida? Porquanto foi cortado da terra dos viventes; pela transgressão do meu povo ele foi atingido. E puseram a sua sepultura com os ímpios, e com o rico na sua morte; ainda que nunca cometeu injustiça, nem houve engano na sua boca.” (Isaías 53.4-9)

Isaías mostra que as nossas dores, enfermidades, transgressões e iniquidades são a causa da morte de Cristo, o servo sofredor, por causa da desobediência de nossos primeiros pais e o pacto quebrado, toda a humanidade recebeu a condenação de Adão. Este, sendo o representante de toda a raça humana, condenou a todos ao inferno. Mas Deus o fez enfermar para que nos reunisse em um só rebanho com um só pastor.

4.2.2. O agrado do Pai

Todavia, ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias; e o bom prazer do Senhor prosperará na sua mão.” (Isaías 53.10)

A morte de Cristo não foi um mero acaso, até porque Cristo é o cordeiro morto desde a fundação do mundo (Ap 13.8). Foi a vontade de Deus moer o Seu Filho. Aqui, a pergunta sobre o mal é respondida: Por que Deus permite que alguém bom (realmente bom) sofra, Deus seria capaz disso? Sim! Deus permitiu e fez com que o Santo de Israel, o Ungido, sofresse em favor de seu povo para que o bom prazer prosperasse em suas mãos.

John Piper, diz:

O seu alvo era destruir o mal e o sofrimento através do próprio mal e sofrimento. “Pelas suas pisaduras fomos sarados” (Isaías 53.5). Por meio do sofrimento de Jesus Cristo, Deus deseja mostrar ao mundo que não há pecado nem mal tão grande do qual Ele, em Cristo, não possa fazer surgir justiça e alegria eternas. “O próprio sofrimento que causamos tornou-se a esperança de nossa salvação.” [9] 

4.2.3. Expiação


A morte de Cristo, segundo o texto de Isaías 53.10, é expiatória. D.A. Carson define expiação como “o ato pelo qual o pecado é cancelado, anulado, apagado do registro”.[10] A morte de Cristo na cruz nos mostra que por nós mesmos os nossos pecados não poderiam ser pagos, muito menos cancelados. Em Cristo, Deus propôs expiação por nossos pecados (Rm 3.25), ou seja, removendo e afastando de nós o nosso pecado. 

4.2.4. Para se satisfazer

O texto prossegue dizendo: Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento, o meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as iniquidades deles,  levou sobre si.” (Isaías 53.11)

Cristo morre na cruz sabendo que seu trabalho não seria em vão, tinha plena certeza do bom resultado do seu penoso trabalho. Aqueles que creem em uma expiação universal têm sérios problemas com esse verso, visto que, Cristo morre por toda a humanidade, sabendo que nem todos serão salvos, Ele ficaria com o fruto do seu trabalho? Creio que não, pois que fruto é esse de algo que não foi eficaz? Somente a morte substitutiva pode cumprir com este propósito.

Este belo trabalho envolve a justificação, esta só pode ser feita por alguém justo, e Cristo é Servo Justo, o qual justificará a muitos. A justificação é o ato pelo qual Cristo, tomando o nosso lugar, nos declarou quites para com a Lei de Deus.

Sendo assim, a morte de Cristo era necessária para se cumprir o que os Escritos já mostravam, pois era impossível a nós satisfazer à ira de Deus, e Cristo, Seu Filho, recebe a nossa condenação na cruz cancelando os nossos pecados e dividas diante de Deus.

4.3. Ele não está aqui

Esta foi a frase que o anjo disse às mulheres quando foram até o túmulo no domingo de manhã (Mt 28.6). 

Nos pontos acima vimos a Sua humilhação, Cristo, sendo Deus, como Paulo descreve, não teve usurpação em ser igual a Deus, antes, foi um servo obediente até a morte e morte de cruz (Fp 2.5-11). Cristo, em seu estado de humilhação, nasceu de uma pecadora, viveu entre pecadores, comeu com esses pecadores, por causa dos pecadores foi humilhado, cuspido e morto na cruz. O credo agora vai mostrar o Seu estado de exaltação: Ressurreição e ascensão. 

4.3.1. Cristo ressuscitou para quê?

Como mostrei acima quando falei do seu nascimento, abordei a questão de que a nossa sociedade, mesmo sendo a comunidade cristã, não dá tanta importância a Páscoa. Infelizmente alguns cristãos fazem mais festa no dia 25 de dezembro (tradicionalmente comemora-se o nascimento de Cristo), do que a sua ressurreição, a qual os primeiros cristãos, com o testemunho bíblico, entenderam ser Cristo a nossa páscoa (1Co 5.7).

Portanto, nós vimos acima que Cristo foi morto na cruz por causa dos nossos pecados. Mas, e se Cristo não tivesse ressuscitado? Paulo nos responde que “se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé.” (1Co 15.14) 

Calvino, diz:

“É vã a pregação, não simplesmente porque ela inclua certo elemento de falsidade, mas porque é indigna e um completo logro. Pois o que fica se Cristo foi devorado pela morte; se foi aniquilado; se sucumbiu sob a maldição do pecado; se, finalmente, ficou cativo de Satanás? Numa palavra, uma vez que o principio fundamental foi removido, tudo o que resta será de nenhum valor”. [11] 

A nossa fé e pregação, que é uma exposição daquilo que cremos, vai por água abaixo. Pois, a nossa justificação foi fruto da ressurreição de Cristo, vencendo a morte. Cremos e pregamos que todos quantos morrerem em Cristo antes da Sua volta, ressuscitarão para a vida eterna, porque Cristo também ressuscitou sendo a primícia dos que dormem (1Co 15.13,20). Se Cristo não ressuscitou a nossa vida continua a mesma, debaixo de maldição, sendo escravo do mundo, a carne e o Diabo, e assim, “
comamos e bebamos que amanhã morreremos” (1Co 15.32).

A ressurreição é o elemento mais importante da igreja cristã, pois quando Cristo foi crucificado os discípulos fugiram, mas quando Cristo ressuscita eles saíram de onde estavam escondidos e passaram com Cristo quarenta dias ouvindo acerca do reino de Deus (At 1.3). 

É nisso que está firmada a nossa fé, pois na ressurreição de Cristo temos:

         • A certeza de nossos pecados pagos;
         • A certeza de que fomos absolvidos diante de Deus;
         • A certeza de que Cristo não era pecador, porque a morte não o venceu;
         • Que na sua morte e ressurreição Cristo venceu a morte e despojou os                       principados e potestades;
         • A certeza de que ressuscitaremos e viveremos com ele eternamente.


4.3.2. A ressurreição de Cristo é uma prova da Trindade

Assim com a obra de salvação é realizada pela Trindade[12], a ressurreição de Cristo é também uma prova disto. A Escritura declara que a ressurreição de Cristo foi pelo:

Deus Pai - At 3.26 “Ressuscitando Deus a seu Filho Jesus, primeiro o enviou a vós, para que nisso vos abençoasse, no apartar, a cada um de vós, das vossas maldades.” (cf. Gl 1.1)
Deus Espirito - Rm 8.11 “E, se o Espírito daquele que dentre os mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dentre os mortos ressuscitou a Cristo também vivificará os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita.”
Deus Filho - Jo 10.18 “Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para dar, e poder para tornar a tomá-la. Este mandamento recebeu de meu Pai.” (cf. Jo 2.9)

4.4. A ascensão de Cristo


A ascensão de Cristo é a ordem natural da ressurreição, se constituindo no selo do cumprimento da sua obra expiatória. A ressurreição de Cristo está ligada a três princípios: Eclesiologia, soteriologia e escatologia. 

4.4.1. Eclesiologia

Cristo, ao ressuscitar, passa quarenta dias ensinando os seus discípulos e com mais de quinhentos irmãos (1Co 15.6). Antes de ascender aos céus Cristo incumbiu aos seus discípulos que ficassem em Jerusalém até que do alto fossem revestidos de poder (Lc 24.49). Sendo assim, a igreja tem a incumbência de:

        • Pregar a Cristo – Mc 16.19,20; cf. At 4.13
        • Viver diariamente como Corpo de Cristo – Ef 1.22,23

A ascensão de Cristo é um estimulo de perseveramos na fé, sabendo piamente, que o nosso Senhor estará conosco até a consumação dos séculos. 

4.4.2. Soteriologia

A ascensão de Cristo ressalta o cumprimento de sua missão, revelando a Sua glória e poder, enquanto na encarnação Cristo se desprende de Sua glória, na sua ascensão Cristo volta ao seu estado anterior ao seu nascimento. E assim Paulo diz sobre a ascensão e salvação: “Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro” (Ef 4.8). As suas ovelhas estavam mortas em pecado, cativos no poder de satanás. Mas, na ascensão de Cristo, Ele consome a sua obra para a plena posse da salvação dos eleitos.

4.4.3. Escatologia

A ascensão de Cristo é marcada por um dialogo entre os seus discípulos e seu Senhor e a resposta de dois homens vestidos de branco: 

Aqueles, pois, que se haviam reunido perguntou-lhe, dizendo: Senhor te restaurará neste tempo o reino a Israel? E disse-lhes: Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder [...] E, quando dizia isto, vendo-o eles, foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos. E, estando com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis que junto deles se puseram dois homens vestidos de branco. Os quais lhes disseram: Homens galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir.” (Atos 1.6,7, 9-11)

A resposta de Jesus aos seus discípulos é bem enfática, dizendo que não compete aos homens saber o dia de sua vinda (cf. 1Ts 5.1), mas que Jesus voltará da mesma forma que os vistes subir, afirmam os homens de branco.

Essa é a esperança que move a Igreja, pregar o Evangelho a todas as pessoas até que venha o fim, sabendo que o nosso Senhor Jesus voltará com grande poder e glória e consumará todo o mal, fazendo justiça começando pela casa de Deus (Ml 3.1-5, 13-18; cf. 1Pe 4.17).

4.4.4. Em que a ascensão de Cristo nos beneficia

Primeiro, temos um advogado junto ao Pai (1Jo 2.1), Cristo está no céu defendendo a nossa causa, para sempre. Satanás não pode nos acusar mais, pois Cristo é o nosso advogado que está pronto para nos defender. 

Segundo, temos a nossa própria carne no céu. Cristo, quando ressuscitou, foi com o mesmo corpo, só que glorioso. Ou seja, o corpo que Ele viveu entre os pecadores foi o mesmo que ressuscitou e ascendeu aos céus. Essa é a nossa esperança, de que, da mesma forma que Cristo ressuscitou e ascendeu aos céus, nós, os que estamos em Cristo, ressuscitaremos e viveremos eternamente com ele (Cl 3.3-4). 

Terceiro, temos o Espírito Santo como resultado, Cristo tinha dito aos seus discípulos que se Ele não fosse o Espírito não viria. Ele sobe aos céus, a promessa é cumprida e o Espírito passou a habitar em toda carne (Jo 16.7; At 2.17). Por intermédio do Espírito, Cristo está presente conosco. 

4.4.5. Assentado a direita de Deus

No último aspecto sobre o seu estado de exaltação, após a ressurreição, o Credo mostra que Cristo foi levado às alturas, posto à direita de Deus em sinal de autoridade, ficando acima de todo principado, potestade, um nome que está acima de todo nome (Ef 1.10,21), sujeitando todas as coisas sob seus pés (1Co 15.27), tendo-se tornado tão superior aos anjos quando herdou mais excelente nome do que eles (Hb 1.3-4).

A.A. Hodge, diz:

“Cristo assentado sobre esse trono, durante a presente dispensação, como mediador, aplica eficazmente ao seu povo, por meio do seu Espírito, a salvação que previamente havia adquirido para eles em seu estado de humilhação.”[13]

Enquanto Cristo estiver à direita de Deus, Cristo está intercedendo pelos eleitos e por aqueles que serão salvos, mas Cristo virá outra vez para julgar os vivos e os mortos. 


4.5. Segunda vinda

A vinda de Cristo, para o Credo, é enfática. Ele morre, ressuscita, ascende aos céus e voltará. Essa é a certeza de toda a história cristã, tendo como base a certeza de sua ressurreição, como mostrei acima. 

A certeza da volta de Cristo é um sinal de esperança gloriosa e de medo, porque a Bíblia diz para nós vigiarmos todos os dias, pois não sabemos nem o dia e nem a hora da volta do Filho do Homem, e uma esperança, pois temos a certeza de que nossas lágrimas serão enxugadas. 

O crente deve ter em mente que a volta de Cristo, para a sua igreja fiel, é um consolo. O Catecismo de Heidelberg, no 19º Dia do Senhor, pergunta:

Que consolo lhe dá o fato de que Cristo há de vir para julgar os vivos e os mortos?
Resposta: Que em todas as minhas aflições e perseguições eu de cabeça erguida e cheio de ânimo espero vir do céu, como juiz, Aquele mesmo que antes se submeteu ao juízo de Deus por minha causa, e removeu de sobre mim toda a maldição. Ela lançará todos os Seus e meus inimigos na condenação eterna, mas levará para Si mesmo, para o gozo e glória celestiais, a mim e a todos os Seus escolhidos. (pergunta 52)

A resposta da pergunta 52 do Catecismo nos mostra três motivos para nos alegrarmos sobre a sua segunda e única vinda. 


Primeira, é um consolo porque não tememos o julgamento, porque a ira que nós merecíamos foi derramada sobre o nosso Senhor, sendo assim, todas as nossas aflições e perseguições que sofremos aqui na terra cessarão. Segundo, a sua vinda nos traz consolo porque Cristo subjugará todos os nossos inimigos debaixo de seus pés. Isso não surge com um tom de vingança pecaminoso, mas a certeza, a qual a Bíblia nos diz, que toda injustiça será feita justiça que é vinda do próprio Deus. Esse é o brado daqueles que estão debaixo do trono de Deus: E clamavam com grande voz, dizendo: Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?” (Ap 6.10).

Terceiro, nos mostra que na sua vinda teremos a certeza que em corpo e alma moraremos eternamente com o nosso Senhor. A vinda do juiz indica o fim de todo sofrimento, de toda depressão, de todo câncer e de todos os males causados pelo pecado. 

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Notas:
[1] Cf. 1 João 2.18,22; 4.4.3; 2 João 1.7
[2] SPROUL, R.C. Discípulos hoje. 1º ed. – São Paulo: Cultura Cristã, p. 32
[3] HOLLADAY, William L. Léxico hebraico  e aramaico do Antigo Testamento. 1ªed. – São Paulo: Vida Nova, p. 389
[4] Cf. OSWALT, John. Comentário do Antigo Testamento – Isaías – vol. 01. 1ªed. – São Paulo: Cultura Cristã. p. 263-267
[5] BEALE, G.K. O uso do Antigo Testamento no Novo Testamento e suas implicações hermenêuticas. 1ª ed.– São Paulo: Vida Nova, p. 11-12
[6] Ibidem. p.55
[7] RUSHDOONY, Rousas John. Nascido da virgem Maria.
http://www.monergismo.com/textos/cristologia/nascido-virgem-maria_rushdoony.pdf
Acessado em 26/Dezembro/2014.
[8] Veja a obra de MONTGOMERY, James. A ofensa da cruz. In: GRAHAM, Philip. Et al. O coração da cruz. 1ª ed. – São Paulo: Cultura Cristã, 2008. 
[9] PIPER, John. Para sua alegria. 1ªed. São José dos Campos, SP – Ed. Fiel. 2008, p. 25
[10] CARSON, D.A. Qual a diferença entre propiciação e expiação? 
https://www.youtube.com/watch?v=Zz8rDC8pess. Acessado em 26/12/2014.
[11] CALVINO, João. 1 Coríntios. – 2.ed. – São Bernardo do Campo, SP: Edições Parakletos. 2003, p. 465
[12] Ef. 1.3-5 (Deus Elege); 6-12 (Jesus redime); 13-14 (Espirito Santo sela) (cf. 1Pe 1.2).
[13] HODGE, A.A. Esboços de teologia. 1.ed. – São Paulo: PES, 2001, p. 617. 

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Fonte: Bereianos

Leia também a primeira parte deste estudo: Creio em Deus Pai Todo Poderoso
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