Feliz Dia da Reforma!

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Estou vendo alguns posts sobre o Dia da Reforma e decidi tomar um tempinho para escrever alguns de meus pensamentos.

Todos nós sabemos que a escolha da data de 31 de Outubro de 1517 é (como a maioria das datas na história) arbitrária. É claro, você pode identificar 7 de Dezembro de 1941 com o Pearl Harbor porque foi um evento específico, mas (ainda assim) muitas coisas contribuíram para que ele acontecesse naquele dia. A data que escolhemos para o início da Reforma é ainda mais subjetiva. Isso porque era necessário muitos e muitos fatores para que a Reforma pudesse acontecer, e esses fatores tiveram raízes nos séculos que precederam as ações de Lutero.

Duvido, ainda mais, que Lutero colocaria algum peso sobre essa data em específico. Bem, é claro que ele veria alguma relevância sobre o desafio que havia lançado, mas não mais do que em qualquer um dos outros eventos de sua vida. Ele não tinha intenção alguma de criar uma rebelião contra Roma por suas ações, ele estava apenas fazendo o que a maioria dos professores na Europa faziam naqueles dias: convidando uma escola rival a uma versão escolástica de um jogo moderno de futebol. Em sua mente ele estava seguindo os passos de outros homens piedosos da igreja, e, nesse exato momento, ele ainda não havia reconhecido as questões epistemológicas básicas que ele haveria de ser forçado a encarar em apenas uma questão de anos.

Mas é certo sim marcar o início da Reforma (ainda que façamos isso de forma arbitrária). Poderíamos ter voltado até Wycliffe, ou ter escolhido 6 de Julho de 1415 e a morte de João Huss (pois sua morte teve muita importância). Poderíamos ter ido até a divisão entre Zuínglio e Roma ou a Dieta de Worms e o “Aqui permaneço, não posso fazer outra coisa”. Em todo caso, parece adequado marcar o evento (ao menos para uma pequena minoria).

Para a maior parte do Romanismo e Protestantismo, a Reforma é um evento histórico sem qualquer significado duradouro. Para muitos, na verdade é um trágico evento, um erro, digno de arrependimento de seus adeptos e de repúdio pelos outros. Mas para a maioria é apenas uma nota de rodapé na história e, dada sua teologia e prática, não possui significado duradouro. Entre esses estão os católicos nominais que provam, por suas vidas, que eles realmente não acreditam na maioria das coisas que Roma ensinou. Mas também estão aqueles que são protestantes por conveniência e não por convicção. Para eles a Reforma claramente não apresenta qualquer razão para se celebrar ou refletir nos dias de hoje. Se alguém não aprecia a liberdade que a justificação garante, não se alegra com a imputação da justiça de Cristo (saiba que muitos dos grandes nomes de hoje da “cristandade não-católica” riem disso) e não abraça e confessa o Sola Scriptura, esse alguém não tem razão alguma para refletir sobre o Dia da Reforma (seria melhor ir comprar doces e se juntar às festividades pagãs).

Mas para aqueles que ainda abraçam aos Solas não por uma fidelidade partidária ao que é “legal”, mas por um reconhecimento do eterno valor que essas verdades representam, o Dia da Reforma é um lembrete anual do que realmente importa nesses dias de “verdades” borradas e transitórias. Então, para aqueles que entendem isso, um feliz Dia da Reforma!

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Autor: James R. White
Fonte: Página do autor no Facebook
Tradução e adaptação: Erving Ximendes
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Review | Pilares da Fé - Franklin Ferreira

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PILARES DA FÉ | A atualidade da mensagem da Reforma. Edições Vida Nova 2017. Autor: Franklin Ferreira.

Neste ano comemora-se os 500 da Reforma Protestante. Dada essa importante e singular data, muitas obras tem sido publicadas no Brasil sobre o tema. Em especial destaco as publicações de Edições Vida Nova, empreendendo uma série de publicações sobre a História, Documentos e Teologia da Reforma.

Dentre as boas publicações, está o livro do pastor e professor Franklin Ferreira. Já é sabido, mas, vale notificar que Franklin é um dos mais expressivos teólogos do nosso país em nossa geração. Suas obras envolvem Teologia Sistemática, História da Igreja, Espiritualidade e Teologia Política. Além de escritor o pastor na Igreja da Trindade, Franklin está a frente do importante Seminário Martin Bucer que tem dado grande contribuição a Teologia Reformada no Brasil. Também exercendo importante trabalho junto as editoras Vida Nova e Fiel.

Chegando ao livro, então, gostaria de dizer algumas palavras sobre a obra do professor Franklin. O livro é fruto de uma série de palestras proferidas em 2015, entre 20 e 22 de novembro, na Igreja Batista Reformada do Ipiranga em São Paulo (p.11). De fato nada incomum, muitas grandes e expressivas obras foram frutos de palestras como por exemplo, o clássico livro de Abraham Kuyper - Calvinismo - ou o Rosto de Deus do filósofo Roger Scruton, bem como outra obra de Franklin sobre o Credo Apostólico, publicado pela editora Fiel.

Os Pilares da Fé, trada dos Cinco Solas da Reforma: Sola Scriptura, Solus Christus, Sola Gratia, Sola Fide, Soli Deo Gloria. Com um prefácio do escritor e teólogo Solano Portela e uma apresentação feita pelo deputado estadual do Rio Grande do Sul, cristão luterano, Marcel Van Hattem. Iniciando, então, a obra mostrando a importância do livro nas esferas teológica e política em nosso país.

Alguns podem pensar: mas já não temos livros publicados sobre essa temática? Posso dizer que gosto bastante de outras publicações sobre o assunto, mas considero o livro de Franklin Ferreira importante por dialogar com nosso contexto no Brasil, aplicando de forma muito pastoral aos problemas correntes na teologia das igrejas no país e a realidade cultural e política do país.

Ao tratar do do primeiro sola, gostei muito quando Franklin trabalhou sobre a questão do Sola Scriptura e a Confessionalidade, tratando dos conceitos de Norma Normans e Norma Normata. Também a questão surgida posteriormente do Nuda Scriptura que rompe com a tradição confessional, asseverando que esta não valida o Sola Scriptura. Algo interessante dito pelo autor é que a Escritura é Deus falando conosco, os documentos confessionais somos nós confessando o que cremos, a Deus aos homens (paráfrase minha).

Ao tratar sobre o Solus Christus, Franklin trabalha de forma magistral a teologia da cruz em Lutero. O capítulo é profundamente evangélico e teologicamente reformado.

Os capítulos seguintes sobre o Sola Gratia e Sola Fide tratam sobre a Justificação Pela Fé Somente. Riquíssimos, posso dizer que este é um tipo de livro que todo cristão deveria ler. Com um sólido trabalho em Teologia Sistemática e Teologia Histórica, Franklin dialoga com grandes autores e nos trás valiosos ensinamentos e aplicações sobre a doutrina da justificação. Uma questão que me chamou atenção foi o diálogo do autor com a Declaração de Cambridge.

Ao final de cada capítulo se encontra uma tese dessa declaração importante feita pela Aliança de Evangélicos Confessionais em 1996. O livro inclui um apêndice com a declaração transcrita. O livro de Franklin é notavelmente pedagógico, podendo ser usado em seminários ou grupos de estudos bíblicos e Escolas Bíblicas Dominicais.

Franklin termina o livro falando do quinto sola: Soli Deo Gloria. Um capítulo jubiloso, doxológico, aplicando a cada esfera da vida e da atuação da igreja a glorificação do nome de Deus. Franklin inicia o capítulo com uma frase marcante: Por que Deus existe? Para sua própria glória! E essa é a paixão última de Deus. Todo propósito da história - e mesmo todo propósito da nossa existência - é a glória de Deus, p. 176.

Termino dizendo que é um livro importante, necessário e urgente.

Soli Deo Gloria

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Autor: Rev. Thomas Magnum
Divulgação: Bereianos

Para quem quiser adquirir o livro, clique aqui!
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Minhas impressões sobre a Reforma Protestante

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Hoje, 31 de Outubro é celebrado o Dia da Reforma Protestante pela maioria dos cristãos espalhados pelo mundo. A Reforma resgatou valores e trouxe um impacto profundo sobre os aspectos políticos, econômicos, sociais, literários e artísticos da sociedade. Foi, sobretudo, uma batalha pela fé e a redescoberta das doutrinas esquecidas ou ignoradas das Escrituras. A reforma nos deu a Bíblia, agora disponível em nossas próprias línguas; a liberdade religiosa e de consciência, o Estado de Direito. Ao mesmo tempo, os reformadores lutaram pelos princípios que somente a Escritura é nossa autoridade final, que somente Cristo é o cabeça da Igreja, a justificação é pela fé e tão somente graça de Deus nos méritos da obra consumada por Cristo na cruz do calvário. Os sacrifícios feitos pelos reformadores, o impacto de longo alcance e a aplicação corajosa da Bíblia para cada área da vida são frutos da obra divina.

O legado da Reforma nos inspira. Mais escolas e universidades foram levantadas pelos cristãos do que por qualquer outra religião, nação ou grupo. A elevação das mulheres e a luta contra a exploração degradante da poligamia e da discriminação fez parte da reforma. Os reformadores e missionários conseguiram trazer a abolição da escravatura, canibalismo, o sacrifício de crianças e queimação de viúvas. A verdade é que a influência da igreja tem, ao longo da história, contido a desumanidade do homem. Países que gozam as liberdades civis são geralmente mais aqueles onde o Evangelho de Cristo penetrou mais profunda e poderosamente.

A Reforma Protestante, ainda que não imune a erros, mudou a história do mundo e a vida da própria igreja. Oro para que Deus nos conserve fiéis ao genuíno evangelho e seus valores e, que os clamores da Reforma - Somente a Escritura, Somente a Graça, Somente Cristo, Somente pela Fé e a Deus toda Glória – sejam ouvidos, defendidos e proclamados nas igrejas evangélicas do nosso Brasil.

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Sobre o autor: Marcos Sampaio é teólogo e pastor da Igreja Batista da Caputera, Angra dos Reis-RJ.
Divulgação: Bereianos
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Projeto Sola - musicalidade reformada de qualidade

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OS 5 SOLAS


O que são os cinco solas? O que eles representam? Por que colocamos o nome do nosso trabalho de "Sola"? É realmente necessário falar sobre isso nos dias atuais ou estamos tratando apenas de uma maneira cool de voltar às origens da reforma através de uma linguagem retrô ou um modismo hipster?

Os cinco solas foi o meio que a igreja reformada encontrou para determinar suas bases. Com o estabelecimento dos cinco solas a reforma rompeu com a hierarquia católica romana, com as heresias daquela época, e fez um vibrante e robusto caminho de volta à ortodoxia bíblica. São cinco estacas bem firmadas da fé cristã, baseadas na história de Deus revelada a nós, que servem de farol até hoje para a Igreja Cristã como um todo. Sola, em latim, significa somente, apenas. Os solas são:

        • Sola fide – Somente a fé
        • Sola scriptura – Somente a escritura
        • Solus Christus – Somente Cristo
        • Sola gratia – Somente a graça
        • Soli Deo gloria – Somente a Deus a glória

Somente a Deus toda a glória, que nos traz a redenção pela da graça mediante a fé. Fé esta somente em Cristo Jesus, a expressão exata de Deus, Verbo Vivo feito em carne, revelado somente na Escritura que o próprio Deus nos deixou. Pelo Espírito podemos entender tudo isso, e como Filhos do Pai, somos incluídos em seu Reino de amor, que é hoje e para sempre.

O Projeto Sola procura se firmar nessa fé ortodoxa, cada vez mais antiga e ainda assim nova a cada manhã. Procuramos uma fé bíblica no Filho do Amor. Sabemos que Ele é infinitamente maior que nós, o Deus poderoso, capaz de nos livrar de nós mesmos para uma nova vida plena de alegria nEle. Cremos que Ele e tão somente Ele, nos trouxe a redenção, e assim temos a esperança viva, e em vida. Cremos nEle, estamos firmados nEle, e em Sua graça podemos sempre descansar. 

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Autor: Guilherme Iamarino
Revisão: Lucas Freitas
Divulgação: Bereianos

Músicas que glorificam a Deus, são fieis às Escrituras e edificam a Igreja, nós recomendamos! O Projeto Sola é o encontro de dois Guilhermes (Guilherme Andrade e Guilherme Iamarino).

Veja abaixo o clipe da música Redenção:


Outra música, por sinal lindíssima, é Isaias 53:


Você pode baixar na íntegra e gratuitamente o EP Sola - Vol. 1, aqui!

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Eu creio nos 5 Solas da Reforma

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Por Rev. Ewerton B. Tokashiki


Somos uma igreja herdeira da Reforma protestante do século XVI. Os 5 pilares da nossa herança são:

               Sola Scriptura: somente a Escritura Sagrada
               Solus Christus: somente em Cristo
               Sola gratia: somente a graça
               Sola fide: somente a fé
               Soli Deo gloria: somente a Deus toda glória


1. Somente a Escritura Sagrada: é a nossa única fonte e regra de fé e prática.

O calvinismo possui o seu sistema doutrinário centrado na Escritura Sagrada. Desde a Reforma do século XVI foi ensinada a doutrina da sola Scriptura – ou seja, que a Escritura é a única fonte e regra de autoridade. Entretanto, a autoridade da Escritura resultado do fato dela ser a Palavra de Deus. John H. Armstrong corretamente observa que “a autoridade é encontrada no próprio Deus soberano. O Deus que ‘soprou’ as palavras por meio dos escritores humanos está por trás de toda afirmação, toda doutrina, toda promessa e toda ordem contidas na Escritura”.[1] Se rejeitarmos a Escritura Sagrada estamos desprezando a vontade preceptiva de Deus.

A Bíblia tem autoridade porque ela é revelação da vontade de Deus. Por isso, “as inspiradas Escrituras, revelando a vontade transcendente de Deus em forma escrita e objetiva, são a regra de fé e conduta através da qual Jesus exerce sua autoridade divina na vida do crente.”[2] Em outras palavras, esta doutrina significa que a base da nossa doutrina, forma de governo de igreja, culto e todas as esferas da vida, não se fundamentam no tradicionalismo, no subjetivismo, no relativismo, no pragmatismo, ou no pluralismo, mas é extraída somente na Escritura Sagrada. Cremos que suficientemente ela é a verdade absoluta, porque somente a Escritura é a Palavra de Deus (2 Tm 3:16-17; 2 Pe 1:19-20).

2. Somente Cristo: o único mediador da nossa salvação.

O nosso Senhor Jesus se fez um de nós para ser o nosso substituto. Ele é o nosso único representante diante de Deus. O Pai firmou o pacto da redenção que estipulava que o Filho viesse ao mundo para cumprir a sua vontade (Jo 4:34; 6:38-40; 10:10). A Confissão de Fé de Westminster declara que

aprouve a Deus em seu eterno propósito, escolher e ordenar o Senhor Jesus, seu Filho Unigênito, para ser o Mediador entre Deus e o homem, o Profeta, Sacerdote e Rei, o Cabeça e Salvador de sua Igreja, o Herdeiro de todas as coisas e o Juiz do Mundo; e deu-lhe desde toda a eternidade um povo para ser sua semente e para, no tempo devido, ser por ele remido, chamado, justificado, santificado e glorificado.[3]

Não temos outro mediador pelo qual possamos ser reconciliados com Deus, a não ser Jesus Cristo (At 4:11-12; 1 Tm 2:5). A sua obra lhe confere autoridade para declarar justo todos quantos o Pai lhe deu (Jo 6:37,39,65). Toda a obra expiatória de Jesus é suficiente para a nossa salvação (Rm 8:1). Somente através da perfeita obra de Cristo seremos salvos. A nossa culpa e merecida condenação caiu sobre ele (Hb 2:10). A sua obediência ativa cumpriu todas as exigências da Lei, bem como submetendo passivamente à condenação, fez com que pela sua humilhação, obtivesse plena satisfação da justiça de Deus. O Pai retirou o seu consolo e derramou sobre Cristo a sua ira divina, punindo nele o nosso pecado. As nossas iniquidades estavam sobre o Filho, e a justa ira de Deus veio sobre o nosso pecado na cruz (Hb 2:10). Jesus tornou-se amaldiçoado em nosso lugar sobre o madeiro (2 Co 5:21). O Filho de Deus sofreu os tormentos do inferno intensivamente na cruz, o que sofreríamos extensivamente na eternidade. Cremos que a sua morte expiatória na cruz satisfez a justiça de Deus e, eliminou completamente a nossa condenação futura (Rm 3:24-25), redimindo-nos de todos os nossos pecados (Ef 1:7).


3. Somente a graça: a única causa da nossa aceitação.

Cremos que a salvação do homem não é resultado de algum mérito pessoal (Rm 3:20, 24, 28; Ef 2:1-10). Todo ser humano possui uma disposição moral totalmente corrompida, de modo que, ele é incapaz de satisfazer perfeitamente a Lei de Deus (Tg 2:8-10). O empenho de merecer a salvação pelas boas obras somente resulta em condenação. Sem a graça a nossa predisposição natural é somente para o pecado (Rm 7:13-25).

A Escritura nos revela que todo ser humano em seu estado natural é inimigo de Deus (Rm 3:23; 5:10). O teólogo puritano Stephen Charnock observou que “todo pecado é uma espécie de amaldiçoar a Deus no coração. O homem tenta destruir e banir Deus do coração, não realmente, mas virtualmente; não na intenção consciente de cada iniquidade, mas na natureza de cada pecado.”[4] A dureza de coração lhe é normal, porque ele está rígido como uma pedra (Ez 36:26-27).

O livre arbítrio perdeu-se com a Queda.[5] Esta capacidade de agir contrário à própria natureza foi perdida com a escravidão do pecado. No início, Adão criado em santidade, foi capaz de escolher contrário à sua inclinação natural de perfeita santidade e, decidiu pecar. O primeiro homem livremente passou a agir de acordo com a escravidão dos desejos mais fortes da sua alma corrompida pela iniquidade. Ele é livre, mas a sua liberdade é usada tendenciosamente para pecar conforme os impulsos de sua inclinação para o pecado. Se ele for deixado para si mesmo, ele sempre agirá de acordo com a sua disposição interna, ou seja, naturalmente escolherá pecar (Rm 1: 24-32; 3:9-18; 7:7-25; Gl 5:16-21; Ef 2:1-3).

A nossa salvação é resultado da ação da livre e soberana graça do nosso Deus. A Confissão de Fé de Westminster declara que

todos aqueles que Deus predestinou para a vida, e só esses, é ele servido, no tempo por ele determinado e aceito, chamar eficazmente pela sua palavra e pelo seu Espírito, tirando-os por Jesus Cristo daquele estado de pecado e morte em que estão por natureza, e transpondo-os para a graça e salvação. Isto ele o faz, iluminando os seus entendimentos espiritualmente a fim de compreenderem as coisas de Deus para a salvação, tirando-lhes os seus corações de pedra e dando lhes corações de carne, renovando as suas vontades e determinando-as pela sua onipotência para aquilo que é bom e atraindo-os eficazmente a Jesus Cristo, mas de maneira que eles vêm mui livremente, sendo para isso, dispostos pela sua graça.[6]

Somente a ação soberana e eficaz do Espírito Santo é capaz de regenerar corações implantando uma nova disposição santa. O resultado é a libertação da escravidão do pecado. Esta obra Deus a realiza pela graça somente.


4. Somente a fé: é o único instrumento de posse da nossa salvação.

A fé é o meio normal pelo qual o Espírito Santo aplica o processo da salvação nos eleitos. Entretanto, devemos lembrar que a fé é dom de Deus e não uma virtude humana (Rm 4:5; 10:17; Ef 2:8-9; Fp 1:9). O Breve Catecismo de Westminster define este dom: “fé em Jesus Cristo é uma graça salvadora, pela qual o recebemos e confiamos só nele para a salvação, como ele nos é oferecido no Evangelho.” O Catecismo de Heidelberg esclarece que

a verdadeira fé é a convicção com que aceito como verdade tudo aquilo que Deus nos revelou em sua Palavra. É também a firme certeza de que Deus garantiu – não só aos outros como também a mim – perdão de pecados, justiça eterna, e salvação por pura graça e somente pelos méritos de Cristo. O Espírito Santo realiza essa fé em meu coração por meio do evangelho.[7]

Por isso, a teologia reformada entende que a verdadeira fé é o resultado de um iluminado conhecimento, da plena concordância verdade e da firme confiança na Palavra de Deus.


A justificação vem pela fé somente na obra de Cristo. Nenhum homem pode ser salvo, a não ser que creia na expiação realizada por Cristo, confiando exclusivamente nele (Rm 1:17; Tt 3:4-7; 1 Jo 5:1). A justiça de Cristo que é imputada sobre nós concede, garante e mantém-nos aceitos na comunhão eterna de Deus.

A verdadeira fé conduz as boas obras que evidenciam a salvação e glorificam a Deus. A salvação é pela fé somente, mas a fé salvadora nunca está sozinha. A fé salvadora produz amor prático ao próximo, santidade pessoal em obediência à Palavra de Deus. A Escritura Sagrada declara que “pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (Ef 2:10).

5. Somente a Deus toda glória: o único objetivo da nossa salvação.

Cremos no único Deus, que é Senhor da história e do universo, “que faz todas as coisas segundo o conselho da sua vontade” (Ef 1:11). É nossa convicção que a finalidade principal da vida não é necessariamente o bem-estar, a saúde física, a prosperidade, a felicidade, ou mesmo a salvação do homem, mas, a glória de Deus e na manifestação de todos os seus atributos. Johannes G. Vos comentando o Catecismo Maior de Westminster observa que “quem pensa em gozar a Deus sem o glorificar corre o risco de supor que Deus existe para o homem, e não o homem para Deus. Enfatizar o gozar a Deus mais do que o glorificar a Deus resultará num tipo de religião falsamente mística ou emocional.”[8] Deus não existe para satisfazer as necessidades do homem, embora ele o faça por amor de si mesmo (Ez 20:14). O homem foi criado para o louvor da glória de Deus (Rm 11:36; Ef 1:6-14).[9]

É verdade que a glória de Deus transcende ao nosso entendimento, mas ela pode ser percebida pela sua manifestação na criação e pela revelada Palavra da Deus. João Calvino no início de suas Institutas escreve que

a soma total da nossa sabedoria, a que merece o nome de sabedoria verdadeira e certa, abrange estas duas partes: o conhecimento que se pode ter de Deus, e o de nós mesmos. Quanto ao primeiro, deve-se mostrar não somente que há um só Deus, a quem é necessário que todos prestem honra e adorem, mas também que Ele é a fonte de toda verdade, sabedoria, bondade, justiça, juízo, misericórdia, poder e santidade, para que dele aprendamos a ouvir e a esperar todas as coisas. Deve-se, pois, reconhecer, com louvor e ação de graças, que tudo dele procede.[10]

Mas, por que a nossa felicidade depende da glória de Deus? Simplesmente porque a nossa dignidade e satisfação dependem de vivermos sem a insensatez, vícios e destruição causados pelo pecado. Somente quando obedecemos à vontade de Deus, segundo as Escrituras, podemos andar aceitáveis em sua presença e desfrutar dos benefícios das suas promessas. Aurélio Agostinho em sua obra Confissões declarou que “Tu o incitas para que sinta prazer em louvar-te; fizeste-nos para ti, e inquieto está o nosso coração, enquanto não repousa em ti.”[11] Assim, quanto maior for a nossa satisfação em Deus, ele será mais glorificado em nós!


O soberano Senhor não compartilha a sua glória com ninguém! O nosso orgulho é uma ofensa gravíssima ao nosso Deus. Não é em vão que ele denúncia a sua rejeição aos soberbos (Tg 4:6-10). Somente ele é o Altíssimo, enquanto o pecador consegue em suas fúteis pretensões ser apenas uma ilusória altivez. Não podemos esquecer de que somos chamados para ser servos do seu reino, e de que toda a abrangência de nossa vida está ao seu serviço (Rm 11:36).

O profeta Jeremias disse que assim diz o SENHOR: não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie o forte na sua força; não se glorie o rico nas suas riquezas; mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em entender, e em me conhecer, que eu sou o SENHOR, que faço benevolência, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o SENHOR. (Jr 9:23-24). Assim, em compromisso, confessamos que “porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém.” (Rm 11:36).

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NOTAS:
[1] John H. Armstrong, “A autoridade da Escritura” in: Bruce Bickel, ed., Sola Scriptura numa época sem fundamentos, o resgate do alicerce bíblico (São Paulo, Editora Cultura Cristã, 2000), p. 90.
[2] Carl F.H. Henry, “A autoridade da Escritura” in: Philip W. Comfort, ed., A origem da Bíblia (Rio de Janeiro, CPAD, 1998), p. 28.
[3] Confissão de Fé de Westminster VIII.1.
[4] Stephen Charnock, The Existence and the Attributes of God (Grand Rapids, Baker Books, 2000), vol. 1, p. 93.
[5] A tradição agostiniana/calvinista interpreta a doutrina do livre arbítrio da seguinte forme: “o livre arbítrio é dividido em quatro modos, por causa dos quatro estados do homem. No primeiro estado a vontade do homem era livre para o bem e para o mal. No estado caído o homem é livre somente para o mal. O homem nascido de novo, ou o homem em estado de graça, é livre do mal e para o bem, pela graça de Deus somente, mas imperfeitamente. No estado de glória ele será perfeitamente livre do mal para o bem. No estado de inocência o homem era capaz de não pecar [posse non peccare]. No estado de miséria ele é incapaz de não pecar. No estado de graça, o pecado não pode governar o homem. No estado de glória ele se tornará incapaz de pecar.” Johannes Wollebius, Compendium Theologicae Christianae in: John W. Beardslee III, ed., Reformed Dogmatics (Grand Rapids, Baker Books, 1977), p. 65. Este manual de teologia de Wollebius [1586-1629] influenciou os teólogos que elaboraram os Padrões de Westminster.
[6] Confissão de Fé de Westminster, X.1.
[7] Catecismo de Heidelberg, Domingo 7, perg./resp. 21.
[8] Johannes G. Vos, Catecismo Maior de Westminster Comentado (Editora Os Puritanos), pág. 32.
[9] Breve Catecismo de Westminster, perg./resp. 1.
[10] João Calvino, Institutas, (edição estudo de 1541), vol. I, p. 55.
[11] Santo Agostinho, Confissões (Editora Paulus), vol. 10, p. 19.

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Fonte: Estudantes de Teologia
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A Reforma Protestante - Uma introdução ao contexto histórico e aos Cinco Solas

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Por Thomas Magnum


Ao falarmos da reforma protestante estamos refletindo historicamente sobre um momento importantíssimo para a igreja cristã e para todo desdobramento social, cultural e político do século dezesseis e os anos subsequentes. Verdade é que, se não tivermos a devida compreensão do contexto da reforma, nosso estudo ficará incompleto e deficiente. Quando olhamos panoramicamente sobre tudo que precedeu a reforma teremos em foco a soberania de Deus e sua providência; trazendo seu povo novamente a sua vontade e a fidelidade a sua Palavra. Da mesma forma que Deus levantava nações e reis para julgarem seu povo no antigo Israel, assim o Senhor fez entre o terceiro e o décimo sexto séculos. A reforma não trouxe somente uma restauração doutrinária à igreja, trouxe também uma cosmovisão alargada do reino de Deus, a reforma modificou a sociedade, a política, as artes, a literatura, os relacionamentos familiares, as ciências, a filosofia e a história. 

Observaremos alguns fatores que contribuíram para o desdobramento da reforma protestante no século dezesseis. Na verdade, Deus estava preparando o mundo para a restauração de sua igreja. Partindo do princípio reformado da soberania de Deus, entendemos claramente que Deus escreve a história, e a doutrina da providência é a evidência disso, da encarnação dos decretos do Altíssimo. Dentre muitos fatores que moveram a reforma temos a questão religiosa, a questão política, a questão moral e a filosófica ou cientifica.

A Questão Religiosa

Desde o terceiro século, com Constantino a igreja começou a se meter em um sincretismo desmedido. A idolatria invadiu o culto sagrado, as imagens tomaram lugar nos templos, a pregação fora substituída por discursos vazios e sem vida. A eucaristia foi maculada pelo entendimento errado e chamada de transubstanciação, a infalibilidade papal fora outorgada, a tradição da igreja foi posta em mesmo grau de autoridade da Bíblia Sagrada. Os crentes não participavam da eucaristia, mas, somente os sacerdotes ordenados, que davam ao povo somente a hóstia. O povo não tinha a Bíblia em sua própria língua, mas ouvia os padres lerem em latim. O povo foi privado das grandes verdades do evangelho, que foi substituído por doutrinas de homens caídos. Todo esse contexto trouxe para a igreja degradação espiritual e moral.

A Questão Moral 

Por muitos anos os imperadores escolheram os papas da igreja, mas quando Hildebrando assumiu o papado a coisa mudou e muito, ele foi o maior dos papas, dele veio muitas ideias posteriores à autoridade papal e ao colégio dos clérigos da igreja. A autoridade papal foi exaltada com Hidelbrando.[1] A partir daí a figura do papa tornou-se iconoclasta. A autoridade dos papas agora era maior que a dos imperadores. O papa podia colocar alguém no trono e tirá-lo de lá. Esse, requerido pelos lideres maiores da igreja, que reivindicavam a sucessão de Pedro na liderança da igreja. O resultado foi que tais homens alimentavam sua cede de poder e riquezas, muitos papas eram muito ricos e tinham filhos, tinham concubinas, eram homossexuais. Instaurou-se na igreja uma queda moral sem limites e controle.

A Questão Política

A igreja começou a se esmerar no acumulo de bens, a desenfreada ambição dos papas em juntar riquezas levaram a igreja a se tornar literalmente a grande prostituta do sagrado. Transações políticas, alianças, recebimento de quantias de dinheiro enormes dos poderosos da época que temiam o poder da igreja, até chegarmos nas indulgências. A compra de perdão dos pecados e a diminuição do tempo de parentes no purgatório. A figura de Tetzel foi importante nesse período.[2] 

A Questão Filosófica e Cientifica 

Entre os séculos XIV e XVII ouve a ascensão do renascentismo, que era uma reforma ideológica tanto nas artes, filosofia e ciência. Esse fator também contribuiu poderosamente para a insatisfação do povo contra os dogmas da igreja católica romana, quando irrompe a reforma todos esses fatores listados acima contribuíram e prepararam o espirito da época para o que ocorreria em seu clímax com Lutero.[3]

Os Pré-Reformadores

A igreja sempre teve homens e mulheres que desejavam a reforma espiritual, e lutavam para isso. Alguns nomes que podemos citar é Francisco de Assis, Isabel a católica e mais a frente com John Huss e John Wicliff que traduziu a Bíblia para o inglês, os dois últimos foram mortos por causa da sua pregação contra os abusos da igreja.[4]

O Surgimento do Papado

O termo Papa era comum no mundo antigo segundo o historiador da igreja Justo Gonzales, existem muitos documentos antigos que atribuem o termo Papa (papai) a bispos eminentes na idade das trevas, ao papa Cipriano de Cartago, ou ao papa Atanásio de Alexandria. No mundo antigo existiam cinco grandes patriarcados, estes eram:

               • Jerusalém
               • Antioquia
               • Alexandria
               • Constantinopla
               • Roma

Os patriarcas dessas cidades exerciam poder religioso e político, dentre todas elas Roma se destacava, tanto pelo poder do patriarca e por ser a capital do império. O argumento da igreja Católica Romana para a existência de um bispo universal é baseado na estadia de Pedro em Roma, e a utilização da fala de Jesus dizendo: “Tu és Pedro e sobre essa pedra edificarei a minha igreja...

As Reivindicações da Reforma

Sola Scriptura – Em contra partida ao ensino da igreja Católica Romana, a reforma afirmava que somente a escritura era a autoridade da igreja (Sola Scriptura), que não era o poder do papa ou a tradição da igreja que eram as maiores autoridades, mesmo ao lado da escritura, a reforma afirmava categoricamente Somente a Escritura é a autoridade da igreja, e por ela a igreja é governada.

Ref: II Tm 3.16,17; Gl 1.8; 1 Jo 5.9

Sola Gratia – A reforma afirmava enfaticamente que somente pela graça o homem poderá ser salvo dos seus pecados, somente Deus, graciosamente agindo no homem, retira dele o coração de pedra e lhe dá um coração de carne. A igreja Católica afirmava que a igreja era a doadora da salvação, o grande levante de Lutero em relação às indulgências que João Tetzel estava apregoando, portanto o compromisso reformado era escriturístico, o que a Palavra dizia sobre a salvação. 

Ref: Ef 2.8; Ez 36.26; Jr 31.31-33

Sola Fide – Ao contrário do que o catolicismo professava, a reforma vindicava que somente pela fé o homem será salvo. A Confissão de Westminster expressa bem o pensamento dos reformadores: 

A Graça da fé, por meio da qual os eleitos são habilitados a crer para a salvação da sua alma, é obra que o Espírito de Cristo faz no coração deles, e é ordinariamente operada pelo ministério da Palavra; por esse ministério, bem como pela administração dos sacramentos e pela oração, ela é aumentada e fortalecida. CFW

Ref: Hb 10.39; Rm 1.16,17; Jo 6.54-56

Solus Cristhus – Somente Cristo é o mediador entre Deus e os homens, somente através de seu sacrifício substitutivo e em seus méritos os homens serão salvos, a igreja não é medianeira, os santos não são intercessores isso cabe somente ao cordeiro de Deus.

Declaração de Savoy – Aprouve a Deus, em seu eterno propósito, escolher e ordenar o Senhor Jesus, seu filho unigênito, para ser o mediador entre Deus e o homem, Profeta, Sacerdote e Rei, o Cabeça e Salvador da igreja, o herdeiro de todas as coisas e o juiz do mundo; deu-lhe desde toda a eternidade, um povo para ser sua semente e para, no tempo devido, ser por ele remido, chamado, justificado, santificado, e glorificado.

Cristo é o único cabeça da igreja, Declaração de Savoy:

Não há outra Cabeça da Igreja senão o Senhor Jesus Cristo; nem pode o Papa de Roma, em qualquer sentido, ser a cabeça dela, senão que ele é aquele Anticristo, aquele homem do pecado e filho da perdição que se exalta na Igreja contra Cristo e contra tudo que se chama Deus, e a quem o Senhor aniquilará pelo esplendor de sua vinda.

Ref: Jo 1.29; 1 Pe 1.19-20; 1 Tm 2.5; Ef 5.23

Soli Deo Gloria – Somente a Deus a Glória na igreja e em toda criação, o grande motivo da existência da igreja é  a glória de Deus.

Savoy diz:

Há somente um Deus, vivo e verdadeiro, o qual é infinito em seu ser e perfeição, um espírito puríssimo, invisível, sem corpo, partes ou paixões, imutável, imenso, eterno, incompreensível, onipotente, sapientíssimo, santíssimo, totalmente livre, totalmente absoluto, operando todas as coisas segundo o conselho de sua própria imutável e justíssima vontade, para sua própria glória, amantíssimo, gracioso, misericordioso, longânimo, riquíssimo em bondade e verdade, perdoando a iniquidade, a transgressão e o pecado; galardoador daqueles que o buscam diligentemente; e no entanto justíssimo e mui terrível em seus juízos, pois odeia todo pecado, e de modo algum inocenta o culpado.

Ref: Rm 11.33-36


Todos os fatores que acarretaram a reforma protestante estavam nos decretos de Deus, como o mundo foi preparado na plenitude dos tempos para encarnação do verbo, como Deus usou reis de nações ímpias e podemos destacar aqui a Babilônia, como Deus usou Ciro, Senaqueribe e tantos outros para cumprir seus propósitos, assim foi no desembocar da reforma, Deus estave sempre no controle de tudo. 

Ao levantar homens como os reformadores que semelhante aos profetas do antigo testamento, levavam o povo de volta as Escrituras como na história do rei Josias, também lemos algo semelhante no livro Esdras e Neemias, o povo foi trazido de novo à palavra pela palavra e sendo transformados pela palavra. Os efeitos da reforma foram incalculáveis, a graça de Deus era a mensagem central dos reformadores. Por isso devemos refletir nossa postura hoje, em nossa geração.

A igreja em sua grande maioria tem voltado aos pecados de Roma. As indulgências não estão mais nas mãos de Tetzel, estão com mais ênfase nas mãos dos pregadores da prosperidade. As artimanhas de Satanás estão sendo pregadas dos púlpitos de igrejas históricas. O envolvimento de lideres com a maçonaria, com o sincretismo religioso, com as nuanças do inferno. 

A reforma não pode ser esquecida por nós, não podemos desprezá-la, Deus a de requerer isso de nossa geração, nossa teologia não pode somente estar num altar semântico, mas deve ser real, piedosa, confrontadora, verdadeira em sua totalidade. Quem somos nós diante do Deus eterno para manipularmos sua Palavra, haverá um juízo porque há um juiz. Não temos hoje o Papa Leão X que desejava cobiçosamente a construção da Basílica, mas temos pregadores vaidosos, que pregam a teologia reformada, mas seu coração quer a glória, querem ser conhecidos, querem ser elogiados, querem ser alvo de adoração. A arrogância de muitos reformados na atualidade é digna de repúdio, a obra de Deus não depende de homens, depende daquele que fez do nada todas as coisas. 

Deus não precisa de ninguém, nem de nada para realizar sua vontade, Ele fala e acontece. Que as motivações da reforma sejam as nossas, que a glória de Deus e somente dele seja nosso desejo. Deus não nos chamou para levantarmos impérios religiosos, Ele nos chamou por sua graça, para louvor da sua glória. 

Soli Deo Gloria 

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Notas:
[1] História da Igreja Cristã, Nichols – Ed. Cultura Cristã
[2] História da Igreja Cristã, Nichols – Ed. Cultura Cristã
[3] Uma História do Cristianismo, Latourett – Ed. Hagnos
[4] A Era dos Reformadores, Justo gonzales – Ed. Vida Nova

Bibliografia Utilizada: 

Declaração de Savoy
Confissão de Fé de Westminster
História da Igreja Cristã, Nichols – Ed. Cultura Cristã
História Ilustrada do Cristianismo, Justo gonzales – Ed. Vida Nova
Uma História do Cristianismo, Latourett – Ed. Hagnos
Dogmática Reformada, Herman Bavinck – Cultura Cristã
Compêndio de Teologia Apologética – François Turretini
Teologia Sistemática, Augustus Hopkins Strong – Hagnos
Teologia Sistemática, Charles Hodge - Hagnos

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Divulgação: Bereianos
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Sola Scriptura - Somente as Escrituras

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Por Morgana Mendonça dos Santos


O Quinque Solae é como tornou-se conhecido os cinco pilares da Reforma Protestante, ou seja, os cinco pontos fundamentais do pensamento da Reforma Protestante. São esses: Sola Fide, Sola Scriptura, Sola Gratia, Solo Christus e Soli Deo Glória. Nossa ênfase nesse texto é Sola Scriptura, somente as Escrituras. O grito latino para combater a situação desviada que vivia a igreja no século XVI. Poderia me ater a toda questão histórica, política, filosófica, social e religiosa do tempo, mas preferi nesse pequeno ensaio enfatizar a natureza das Escrituras Sagradas. Paulo na sua carta ao jovem Timóteo declara um dos pontos centrais da doutrina que tem como reflexo a Reforma Protestante. 

Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente preparado para toda boa obra. - 2 Timóteo 3.16-17 

Paulo afirma a divindade, inspiração e suficiência das Escrituras. A Reforma Protestante não foi um movimento criado pelo homem, o próprio Deus em Sua soberania e providência, em um momento tão crítico por onde a igreja caminhava, levantou o monge agostiniano Martinho Lutero para no dia 31 de outubro de 1517 fixar nas portas do Castelo de Wittenberg, suas 95 teses, contra aquilo que a Igreja Católica Romana estava pregando. O papa Leão X querendo reconstruir a basílica de São Pedro, cria as indulgências como um meio para arrecadar fundos financeiros de forma ilegítima e antibíblica para a construção. Lutero, ao deparar com esse desvio, conclama o Somente as Escrituras, desejando não dividir a igreja nem desvia-la da verdade, pelo contrário, levar a igreja de volta ao antigo evangelho, ao verdadeiro evangelho, as Escrituras Sagradas, a doutrina dos apóstolos.

Em alguns momentos importantes, algumas citações do reformador que nos leva para mais próximo do sentimento que florescia cada dia mais em seu coração: 

Um simples leigo armado com as Escrituras é maior que o mais corajoso Papa sem elas. — Disputa teológica com João Maier, em 14 de julho de 1519.
A menos que possa ser refutado e convencido pelo testemunho da Escritura e por claros argumentos (visto que não creio no papa, nem nos concílios; é evidente que todos eles frequentemente erram e se contradizem); estou conquistado pela Santa Escritura citada por mim, minha consciência está cativa à Palavra de Deus. Não posso e não me retratarei, pois é inseguro e perigoso fazer algo contra a consciência... Que Deus me ajude. Amém! Discurso de Lutero na Dieta de Worms (1521). 

Portanto, no que se refere a natureza das Escrituras, de forma bem objetiva temos cinco pontos:

1. As Escrituras são INSPIRADAS: A palavra grega para "inspirado" significa literalmente "respirado por Deus para fora".

sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade dos homens, mas os homens da parte de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo.” - 2 Pedro 1.20-21

Em seu livro Sola Scriptura, Paulo Anglada afirma: "As Escrituras tem natureza divino-humana - elas são a Palavra de Deus escrita em linguagem humana, por pessoas em pleno uso de suas faculdades. Contudo, tais pessoas foram de tal modo dirigidas pelo Espírito Santo que tudo o que registraram nas Escrituras é livre de erro, constituindo-se em revelação infalível e inerrante de Deus ao homem.[1]

Na Confissão de Fé de Westminster lemos sobre o conceito de inspiração das Escrituras: "O Antigo Testamento em hebraico (língua original do antigo povo de Deus) e o Novo Testamento em grego (a língua mais geralmente conhecida entre as nações no tempo em que ele foi escrito), sendo inspirados imediatamente por Deus, e pelo seu singular cuidado e providência conservados puros em todos os séculos, são, por isso, autênticos, e assim em todas as controvérsias religiosas a Igreja deve apelar para eles como para um supremo tribunal; mas, não sendo essas línguas conhecidas por todo o povo de Deus, que tem direito e interesse nas Escrituras, e que deve, no temor de Deus, lê-las e estudá-las, esses livros têm de ser traduzidos nas línguas vulgares de todas as nações aonde chegarem, a fim de que a Palavra de Deus, permanecendo nelas abundantemente, adorem a Deus de modo aceitável e possuam a esperança pela paciência e conforto das Escrituras." [2] 

2. As Escrituras são INERRANTES: "Inerrante" significa simplesmente "sem erros" ou "verdadeiro".

Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruir, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, de modo nenhum passará da lei um só jota ou um só til, até que tudo seja cumprido.” - Mateus 5.17-18

A tua palavra é fiel a toda prova, por isso o teu servo a ama.” - Salmos 119.140

Santifica-os na verdade, a tua palavra é a verdade.” - João 17.17

"Inerrância" trata-se de um conceito estreitamente relacionado, mas é um termo mais recente e menos largamente, aceito. Traz a conotação de que a Bíblia não contém nenhum erro de ação (erros materiais), nem contradições internas (erros formais). No entanto, devemos compreender que tratamos aqui com referência aos originais e não as cópias. Na baixa crítica, isto é, na manuscritologia bíblica, entendemos a questão sobre erros voluntários ou involuntários dos copistas, ou seja, na cópia dos manuscritos por diversos fatores. Os conceitos de inerrância e infalibilidade sur­giram em discussões teológicas concernentes à inspiração das Escrituras. Outros reformadores também declararam:

"As Escrituras nunca erram…. onde as Sagradas Escrituras estabelecem algo que deve ser crido, ali não devemos desviar-nos de suas palavras." - Martinho Lutero
"O registro seguro e infalível". "A regra certa e inerrante". "A Palavra infalível de Deus". "Isenta de toda mancha ou defeito". - João Calvino

Provavelmente, os dois acontecimentos mais significativos no tocante à doutrina da infalibilidade e da inerrância foram a declaração sobre as Escrituras na Aliança de Lausanne (1974) e a Declaração de Chicago (1978) do Concílio Internacional da Inerrância Bíblica.

3. As Escrituras são INFALÍVEIS: "Infalibilidade" pode ser chamada de conseqüência sub­jetiva da inspiração divina, isto é, define a Escritura como confiável e fidedigna para aqueles que se voltam para ela em busca da verdade de Deus. Como fonte da verdade, a Bíblia é "indefectível" (ou seja, não pode falhar ou insurgir-se contra o padrão da verdade). Conseqüentemente, nunca falhará ou decepcionará qualquer um que confie nela.

Ora, tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que fora dito da parte do Senhor pelo profeta.” - Mateus 1.22

Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão.” - Marcos 13.31

4. As Escrituras são AUTORITATIVAS: É divina, logo, não pode ser igualada a tradição, nem muito menos ao magistério. Nem aos pronunciamentos "ex cathedra" do sumo pontífice. As Escrituras tem origem e caráter divino, ou seja, está acima irrevogavelmente.

Por isso nós também, sem cessar, damos graças a Deus, porquanto vós, havendo recebido a palavra de Deus que de nós ouvistes, a recebestes, não como palavra de homens, mas (segundo ela é na verdade) como palavra de Deus, a qual também opera em vós que credes. - 1 Tessalonicenses 2.13 

Em alguns dos seus artigos, Alderi Souza escreve:

"A autoridade da Escritura é superior à da Igreja e da tradição. Contra a afirmação católica: 'a Igreja ensina' ou 'a tradição ensina', os reformadores afirmavam: 'a Escritura ensina'." [3] 

Paulo Anglada, no seu livro Sola Scriptura, nos traz uma boa definição: "A autoridade da Bíblia decorre da sua origem divina. Ela é reconhecida pelo crente plenamente pelo testemunho interno do Espírito Santo, e não pode ser limitada de forma alguma. (...) Devemos ter cuidado com os grandes usurpadores da autoridade das Escrituras: o tradicionalismo, o emocionalismo e o racionalismo. (...) A fé reformada repudia a teologia liberal racionalista, que nega a autoridade das Escrituras; rejeita a neo-ortodoxia existencialista, que torna subjetiva a autoridade da Bíblia; e se recusa a aceitar a posição neo-evangélica, que limita a autoridade da Palavra de Deus ao seu conteúdo salvífico". [4]

E juntos com a Confissão de Fé de Westminster, declaramos: "A autoridade da Escritura Sagrada, razão pela qual deve ser crida e obedecida, não depende do testemunho de qualquer homem ou igreja, mas depende somente de Deus (a mesma verdade) que é o seu Autor; tem, portanto, de ser recebida, porque é a Palavra de Deus". [5]  

5. As Escrituras são SUFICIENTES: O próprio Apóstolo Paulo, falando a Timóteo, enfatizou a suficiência das Escrituras. Apontando para o seu proveito no ensino, na repreensão, na correção, na instrução em justiça, dessa forma o cristão esta preparado para toda boa obra. 

Tudo o que eu te ordeno, observarás; nada lhe acrescentarás nem diminuirás. - Deuteronômio 12.32

Não acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos do Senhor vosso Deus, que eu vos mando.” - Deuteronômio 4.2

Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema.” - Gálatas 1.8

Anglada, mais uma vez, corrobora com a veracidade da suficiência: "Embora as Escrituras não sejam exaustivas, elas são suficientes em matéria de fé e prática. Nelas o homem encontra tudo o que deve crer e tudo o que Deus requer dele para que seja salvo, sirva-o, adore-o e viva de modo que lhe seja agradável. Damo-nos por satisfeitos com as Escrituras e repudiamos as tradições humanas e supostas novas revelações do Espírito". [6] 

Na Confissão Belga, de forma uníssona concordamos e afirmamos: "Cremos que a sagrada Escritura contém perfeitamente a vontade de Deus e que ensina suficientemente tudo aquilo que o homem precisa saber para ser salvo. Nela está detalhado e escrito cabalmente o modo de adoração que Deus requer de nós. Por isso, não é lícito a ninguém, nem mesmo a apóstolos, nada ensinar que seja diferente daquilo que agora nos ensina a Sagrada Escritura.; sim, nem que seja 'um anjo vindo do céu', como afirma o apóstolo Paulo (Gl 1.8). A proibição de acrescentar ou retirar qualquer coisa da Palavra de Deus (Dt 12.32), é evidência que a doutrina nela contida é perfeitíssima e completíssima em todos os sentidos. Não nos é permitido considerar quaisquer escritos de homens, por mais santos que tenham sido, como de igual valor ao das Escrituras Divinas; nem devemos considerar que costumes, maiorias, antigüidade, sucessão de tempos e de pessoas, concílios, decretos ou estatutos tenham o mesmo valor de verdade de Deus, porque a verdade está acima de tudo." [7]

E, diante desse contexto, onde a igreja já não valorizava as Escrituras, que os reformadores bradaram o Sola Escriptura e Tota Scriptura, lutaram e viveram com esse ardor, essa chama que não apagava dia após dia. Martirizados, ou levados às últimas instâncias, marcaram seu tempo e sua época com a sua vida. A piedade acompanhava a práxis. Para nós, um grade exemplo de fé e prática, sejamos desafiados a restaurar as antigas verdades, um dever de cada geração. 

E sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos. Pois se alguém é ouvinte da palavra e não cumpridor, é semelhante a um homem que contempla no espelho o seu rosto natural; porque se contempla a si mesmo e vai-se, e logo se esquece de como era. Entretanto aquele que atenta bem para a lei perfeita, a da liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas executor da obra, este será bem-aventurado no que fizer.” - Tiago 1.22-25

Seguindo um lema dos reformadores: “Ecclesia reformata, semper reformanda”.

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Notas:
[1] ANGLADA, Paulo. Sola Scriptura. p.188.
[2] Confissão de Fé de Westminster, capítulo I-VIII.
[3] Artigos sobre Reforma Protestante, site: www.mackenzie.com.br 
[4] ANGLADA, Paulo. Sola Scriptura. p. 188-189.
[5] Confissão de Fé de Westminster, capítulo I-IV.
[6] ANGLADA, Paulo. Sola Scriptura. p.189.
[7] As Três Formas de Unidades das Igrejas Reformadas. Confissão Belga artigo 7. p.16.

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Divulgação: Bereianos
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