Alimentando as ovelhas ou divertindo os bodes?

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Existe um mal entre os que professam pertencer aos arraiais de Cristo, um mal tão grosseiro em sua imprudência, que a maioria dos que possuem pouca visão espiritual dificilmente deixará de perceber. Durante as últimas décadas, esse mal tem se desenvolvido em proporções anormais. Tem agido como o fermento, até que toda a massa fique levedada. O diabo raramente criou algo mais perspicaz do que sugerir à igreja que sua missão consiste em prover entretenimento para as pessoas, tendo em vista ganhá-las para Cristo. A igreja abandonou a pregação ousada, como a dos puritanos; em seguida, ela gradualmente amenizou seu testemunho; depois, passou a aceitar e justificar as frivolidades que estavam em voga no mundo, e no passo seguinte, começou a tolerá-las em suas fronteiras; agora, a igreja as adotou sob o pretexto de ganhar as multidões.

Minha primeira contenção é esta: as Escrituras não afirmam, em nenhuma de suas passagens, que prover entretenimento para as pessoas é uma função da igreja. Se esta é uma obra cristã, por que o Senhor Jesus não falou sobre ela? “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16.15) — isso é bastante claro. Se Ele tivesse acrescentado: “E oferecei entretenimento para aqueles que não gostam do evangelho”, assim teria acontecido. No entanto, tais palavras não se encontram na Bíblia. Sequer ocorreram à mente do Senhor Jesus. E mais: “Ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres” (Ef 4.11). Onde aparecem nesse versículo os que providenciariam entretenimento? O Espírito Santo silenciou a respeito deles. Os profetas foram perseguidos porque divertiam as pessoas ou porque recusavam-se a fazê-lo? Os concertos de música não têm um rol de mártires.

Novamente, prover entretenimento está em direto antagonismo ao ensino e à vida de Cristo e de seus apóstolos. Qual era a atitude da igreja em relação ao mundo? “Vós sois o sal”, não o “docinho”, algo que o mundo desprezará. Pungente e curta foi a afirmação de nosso Senhor: “Deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos” (Lc 9.60). Ele estava falando com terrível seriedade!

Se Cristo houvesse introduzido mais elementos brilhantes e agradáveis em seu ministério, teria sido mais popular em seus resultados, porque seus ensinos eram perscrutadores. Não O vejo dizendo: “Pedro, vá atrás do povo e diga-lhe que teremos um culto diferente amanhã, algo atraente e breve, com pouca pregação. Teremos uma noite agradável para as pessoas. Diga-lhes que com certeza realizaremos esse tipo de culto. Vá logo, Pedro, temos de ganhar as pessoas de alguma maneira!”. Jesus teve compaixão dos pecadores, lamentou e chorou por eles, mas nunca procurou diverti-los. Em vão, pesquisaremos as cartas do Novo Testamento a fim de encontrar qualquer indício de um evangelho de entretenimento. A mensagem das cartas é: “Retirai-vos, separai-vos e purificai-vos!”. Qualquer coisa que tinha a aparência de brincadeira evidentemente foi deixado fora das cartas. Os apóstolos tinham confiança irrestrita no evangelho e não utilizavam outros instrumentos. Depois que Pedro e João foram encarcerados por pregarem o evangelho, a igreja se reuniu para orar, mas não suplicaram: “Senhor, concede aos teus servos que, por meio do prudente e discriminado uso da recreação legítima, mostremos a essas pessoas quão felizes nós somos”. Eles não pararam de pregar a Cristo, por isso não tinham tempo para arranjar entretenimento para seus ouvintes. Espalhados por causa da perseguição, foram a muitos lugares pregando o evangelho. Eles “transtornaram o mundo”. Essa é a única diferença! Senhor, limpe a igreja de todo o lixo e baboseira que o diabo impôs sobre ela e traga-nos de volta aos métodos dos apóstolos.

Por último, a missão de prover entretenimento falha em conseguir os resultados desejados. Causa danos entre os novos convertidos. Permitam que falem os negligentes e zombadores, que foram alcançados por um evangelho parcial; que falem os cansados e oprimidos que buscaram paz através de um concerto musical. Levante-se e fale o alcoólatra para quem o entretenimento na forma de drama foi um elo no processo de sua conversão! A resposta é óbvia: a missão de prover entretenimento não produz convertidos verdadeiros. A necessidade atual para o ministro do evangelho é uma instrução bíblica fiel, bem como ardente espiritualidade; uma resulta da outra, assim como o fruto procede da raiz. A necessidade de nossa época é a doutrina bíblica, entendida e experimentada de tal modo, que produz devoção verdadeira no íntimo dos convertidos.

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Autor: Charles H. Spurgeon
Fonte: Monergismo
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Reflexões para o ano novo

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Ora, irmãos, com respeito ao ano que se aproxima, eu espero que ele seja um ano de felicidade para vocês, — de forma muito enfática desejo a todos vocês um Feliz Ano Novo, — mas ninguém pode ter certeza de que ele será um ano livre de dificuldades. Pelo contrário, tenha a segura confiança de que não será assim, porque, como é certo que as faíscas sobem para o alto, o homem nasce para as dificuldades. Cada um de nós possui, amados amigos, muitos rostos queridos com os quais nos regozijamos — que eles possam sorrir para nós ainda por muito tempo: mas lembre-se de que cada um deles pode vir a ser ocasião de tristeza durante o próximo ano, porque não existe nenhum filho imortal, nenhum marido imortal, nenhuma esposa imortal, nenhum amigo imortal, e, portanto, alguns deles podem morrer durante o ano. 

Além do mais, os confortos com os quais nos cercamos podem tomar para si asas antes que o ano cumpra seus meses. As alegrias terrenas são todas como que feitas de neve, se desfazem com a mais leve brisa, e se vão antes de terminarmos de agradecer sua chegada. Pode ser que você tenha um ano de seca e escassez de pão; pode ser que anos magros e desagradáveis lhe estejam reservados. Sim, e ainda mais, talvez durante o ano que já está quase amanhecendo você possa recolher seus pés à cama e morrer, para encontrar-se com Deus Pai. 

Pois bem, com relação a este ano que está próximo e suas possibilidades desoladoras, devemos viver cabisbaixos e tristonhos? Devemos pedir a morte ou desejar nunca ter nascido? De modo algum. Devemos, por outro lado, viver de forma despreocupada e risonha em todas as circunstâncias? Não, isso soaria doentio nos filhos de Deus. O que faremos? Iremos pronunciar esta oração: “Pai, glorifica teu nome.” Isto significa dizer: se devo perder minha propriedade, glorifica teu nome na minha pobreza; se devo ser roubado, glorifica teu nome em meu sofrimento; se devo ser morto, glorifica teu nome em minha partida. 

Quando você ora nesta disposição, seu conflito finda, nenhum pavor exterior permanece se tal oração surge de seu íntimo, você tem nela rejeitado todos os presságios fatídicos e pode, de forma lúcida e tranquila, trilhar seu caminho pelo desconhecido amanhã.

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Autor: Charles H. Spurgeon
Fonte: A Golden Prayer, 30 de dezembro de 1877
Tradução: Márcio Santana Sobrinho
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Se há eleitos, há eleição!

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Por Charles H. Spurgeon

Ora, se as pessoas são chamadas de eleitas, então deve haver eleição. Se Jesus Cristo e seus apóstolos são acostumados a chamar os crentes pelo título de eleitos, certamente acreditamos que eles o sejam, a menos que o termo nada signifique. Jesus Cristo disse: 

"Não tivesse o Senhor abreviado aqueles dias, e ninguém se salvaria; mas, por causa dos eleitos que ele escolheu, abreviou tais dias." (Marcos 13:20) 

"Então, se alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! Ou: Ei-lo ali! Não acrediteis; pois surgirão falsos cristos e falsos profetas, operando sinais e prodígios, para enganar, se possível, os próprios eleitos." (Marcos 13:22)

"E ele enviará os anjos e reunirá os seus escolhidos dos quatro ventos, da extremidade da terra até à extremidade do céu." (Marcos 13:27)

"Não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que a ele clamam dia e noite, embora pareça demorado em defendê-los?" (Lucas 18:7) 

Em conjunto com mais outras passagens que poderiam ser selecionadas, onde tanto o termo "eleito", ou "escolhido", ou "preordenado", ou "apontado" é mencionado; ou a frase "minhas ovelhas" ou alguma designação similar, mostrando que o povo de Cristo é distinto do resto da humanidade.

Mas vocês têm concordâncias, e eu não vou lhes dar mais problemas com textos. Através das epístolas, os santos são constantemente denominados "os eleitos". Em Colossenses encontramos Paulo dizendo: "... pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia". Quando ele escreve a Tito, ele mesmo se chama, "Paulo, servo de Deus e apóstolo de Jesus Cristo, para promover a fé que é dos eleitos de Deus". Pedro diz: "eleitos, segundo a presciência de Deus Pai". E se você vai para João, descobrirá que ele é afeiçoado ao termo. Ele diz: "O presbítero à senhora eleita"; e ele fala da nossa "irmã, a eleita". E sabemos onde isso está escrito: "Aquela que se encontra em Babilônia, também eleita". Eles não se envergonhariam desse termo hoje em dia; não tinham medo de falar disso. 

Atualmente esse termo tem sido revestido de uma diversidade de sentidos, e as pessoas têm mutilado e estragado a doutrina, e assim transformado-a numa verdadeira doutrina de demônios, tenho que admitir; e muitos do que se chamam crentes, têm que se intitular antinomistas. Não obstante esse fato, por que eu me envergonharia disso, se o homem o corrompe? Amamos a verdade divina tanto na tormenta quanto na bonança. Se há um mártir pelo qual temos amor antes de ele ser torturado, deveríamos amá-lo mais ainda quando ele está livre. Quando a verdade divina é desenvolvida na tribulação, não a chamamos de falsidade. Não a apreciamos para vê-la na tribulação, porque podemos discernir como deveria ser, mutatis mutandis, se ela não tivesse ido para a masmorra e torturada pela crueldade e pelas maquinações humanas. Se você vir a ler algumas das epístolas dos Pais da Igreja, você os descobrirá sempre se referindo ao povo de Deus como "eleito". Realmente, nas conversas do dia a dia, o termo usado entre as igrejas dos cristãos primitivos para uma outra era "eleito". Eles frequentemente usavam o termo para os demais, demonstrando que era geralmente aceito que todo o povo de Deus era manifestamente "eleito".

Mas vamos agora para os versículos que provam a doutrina de modo afirmativo. Abram suas Bíblias em João 15:16, e vejam que Jesus Cristo escolheu seu povo, pelo que diz: "Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda." E no versículo 19: "Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia." E no capítulo 17, versículos 8 e 9: "porque eu lhes tenho transmitido as palavras que me deste, e eles as receberam, e verdadeiramente conheceram que saí de ti, e creram que tu me enviaste. É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus".

Vá para Atos 13:48: "Os gentios, ouvindo isto, regozijavam-se e glorificavam a palavra do Senhor, e creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna." Eles poderiam ter omitido essa passagem, se quisessem, mas ela diz: "destinados para a vida eterna" no original tão patente quanto possível; e não nos importamos sobre os diferentes comentários existentes por aí. Vocês por pouco não precisam ser lembrados de Romanos 8, porque eu acredito que todos já estão bem familiarizados com esse capítulo e atualmente o entendem. Nos versículos 29 e seguintes ele diz: 

"Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou. Que diremos, pois, à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas? Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus?" 

Seria desnecessário repetir o contexto do nono capítulo de Romanos. Tão certo quanto aquela [doutrina] se encerra na Bíblia, nenhum homem será capaz de provar o Arminianismo; tão certo quanto aquela [doutrina] está lá escrita, nem as mais violentas deturpações da passagem vão ser capazes de exterminar, das Escrituras, a doutrina da eleição. Permitam-nos ler versos como esses: "E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama), já fora dito a ela: O mais velho será servo do mais moço." Então leia no versículo 22, "Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição, a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão" Então vá para Romanos 11:7: "Que diremos, pois? O que Israel busca, isso não conseguiu; mas a eleição o alcançou; e os mais foram endurecidos" No quinto versículo do mesmo capítulo, lemos: "Assim, pois, também agora, no tempo de hoje, sobrevive um remanescente segundo a eleição da graça"

Vocês, sem dúvida, vão se lembrar da passagem de I Coríntios 1:26-29: "Irmãos, reparai, pois, na vossa vocação; visto que não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre nascimento; pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes; e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus." Novamente, lembrem-se da passagem de I Tessalonicenses 5:9: "porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a salvação mediante nosso Senhor Jesus Cristo"

Então vocês têm meu texto, que creio ser o bastante; mas, se precisam de mais, poderão encontrá-las com mais vagar, se já tiverem removido sua desconfiança de que essa doutrina seja verdadeira.

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Fonte: spurgeon.org
Tradução: Josemar Bessa
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O mau pregador não prega em casa

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Por Charles R. Spurgeon


Esta é nossa obrigação primária: devemos começar na lareira de casa; é mal pregador aquele que não inicia seu ministério no lar. Os pagãos devem ser buscados por todos os meios, e as brechas e oportunidades devem ser aproveitadas, mas o lar tem prioridade, e ai daqueles que invertem a ordem estabelecida pelo Senhor. Ensinar nossos filhos é um dever pessoal; não podemos delegá-lo aos professores da escola dominical, ou a outras fontes úteis — estes podem nos auxiliar, mas não podemos nos eximir dessa obrigação sagrada; outros mestres e tutores são instrumentos malignos nestes casos; pai e mãe devem, como Abraão, ordenar sua casa no temor de Deus, e falar com sua descendência a respeito dos espantosos feitos do Altíssimo... Parcelas do papado (por força de religiosos profissionais) estão sorrateiramente avançando em nossa terra, e um dos meios mais efetivos para resistir a essa incursão é relegado ao descaso, a saber, a instrução dos filhos na fé. Tomara estes pais despertem para reconhecer a importância dessa questão.

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Fonte: Morning and Evening, p. 387, 11 de julho. Citado em NCFIC.
Tradução: Márcio Santana Sobrinho.
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De Spurgeon para Rob Bell

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Por C.H. Spurgeon


Cada geração de bom grado costuma querer forjar ser próprio “evangelho”, e a geração presente não tem estado atrás nesse desejo mórbido. Muitos estão prontos para se ligar a líderes neste projeto presunçoso. Alguns teólogos, pastores... alcançam a eminência minando o evangelho que eles fingem defender, e forjam novas teorias sobre as bigornas de sua própria fantasia.

Homens que nunca teriam sido conhecidos se tivessem agido honestamente, ganharam notoriedade barata vendendo heresia enquanto fingiam vestir a roupa e comer o pão da ortodoxia. A forma mais elegante deste mal agora é a produção de novidades no que diz respeito ao futuro e a punição dos ímpios. Falsos profetas profetizam coisas agradáveis e falam de uma esperança “maior” do que a descrita por Deu, ou seja, de que os homens possam viver muitos como eles gostam segundo suas mentes caídas e corações irregenerados, e de que de uma forma ou de outra, o “amor” operará sobre o destino, e os justos e os ímpios estarão em pé de igualdade no Dia do Juízo. O “amor” tem sido a palavra mais usada no propagação de heresias.  Esta é a velha doutrina da mentira com a qual o pecador abençoa-se em seu coração, dizendo: “Terei paz, ainda que ande na teimosia do meu coração.” É óbvio que doutrinas como essas encontraram aconchego nos corações mundanos e irregenerados. Um líder não poderia enveredar-se por caminhos mais diabólicos do que esse.

O castigo sobre o pecado foi algo do qual o homem duvidou desde o início em sua loucura. Essa heresia – de o amor fingiria não ver a desobediência, esteve presente no Jardim do Éden. Mas o que aconteceu? Deus não cumpriu sua ameaça? O chefe, que inspira a todos os líderes que flertam com o universalismo disse a muito tempo atrás: “Você não morrerá – Coma o fruto!” – Parecem palavras de esperança... Como se dissesse: “Deus é amor, a morte e destruição não entrará no mundo por causa de um fruto” – Com essas palavras de “esperança” o filósofo serpente tentou a mulher e arruinou a nossa raça. Satisfeito com o seu sucesso, ele continua a usar o mesmo artifício – não disfarçado de serpente, mas de pastores, líderes... Ele usa o mesmo artifício, afirma que o pecado é trivial, ou que alguma “sinceridade” pode removê-lo, ou que o inferno é temporário, ou que a alma será aniquilada, ou alguma outra forma dessa mesma mentira radical pronunciada na aurora da existência humana por uma serpente: “a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis.” - Gênesis 3:4

O grito perpétuo da serpente ecoa de púlpitos ainda: “Você certamente não irá sofrer daquilo que Deus ameaça... Ele não fará isso... você pode pecar, viver em pecado, mas um Deus de amor não fará nada a respeito, são ameaças vazias, Ele mente... há uma esperança maior do que o sangue derramado na cruz que deixou evidente o ódio de Deus ao pecado...”

Neste falso refúgio, na há Cristo – Não o revelado nas Escrituras – não há verdadeira fé nele, e certamente não há nada que conduza a santidade. Mas, como não podia deixar de ser, o homem que ama seus pecados adora a pregação que a serpente fez no Jardim: “...Certamente não morrereis.” - Gênesis 3:4 – É a maior de todas as tragédias quando o único esconderijo do homem é construído no refúgio da mentira.

Fonte: C.H.Spurgeon
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Para aqueles que têm sede de sonhos e visões

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Por C.H. Spurgeon


Há alguns, e estes geralmente são os mais iletrados, que têm a expectativa de experimentar sonhos notáveis ou de ter visões singulares.

Eu às vezes fico surpreso de que ainda persista no meio do nosso povo uma noção de que certo tipo de sonho, especialmente se repetir-se várias vezes, e se for tão vívido que permaneça na imaginação por um longo período, é um sinal do favor divino. Nada poderia ser mais completamente falso, nada pode ser mais infundado e sem a menor sombra de evidência; e ainda assim muitos imaginam que se eles sofressem dolorosamente de indigestão de forma que seu sono fosse estragado por sonhos vívidos, então eles finalmente poderiam pôr sua confiança em Jesus Cristo.

A noção é tão absurda que se ela fosse tão somente mencionada a homens racionais, eles necessariamente teriam que ridiculariza-la. Ainda assim, conheço muitos que foram, e ainda são, escravos dessa ilusão.

Há pouco tempo, depois de pregar em uma distante vila do interior, fui procurado insistentemente como conselheiro espiritual por uma carta importuna de uma mulher que atribuiu a mim uma sabedoria que eu nunca reivindiquei possuir. Eu desejei saber qual era a dificuldade espiritual que ela tinha, e quando fui até a casa dela e a encontrei muito doente, fiquei entristecido ao ver que ela era vítima de uma superstição na qual temo que seu pastor a tinha confortado e, desta forma, confirmado. Ela me informou solenemente que ela tinha visto algo se levantando à noite do pé da sua cama. Ela estava esperançosa de que se tratasse do nosso abençoado Senhor, mas infelizmente ela não tinha conseguido ver a cabeça dele. Como eu conhecia tanto a respeito das coisas espirituais, será que eu poderia lhe dizer quem era?

Eu disse que eu achava que ela devia ter pendurado o vestido dela em um gancho na parede, ao pé da cama, e na escuridão tinha confundindo-o com uma aparição.

É claro que isso não a satisfez. Eu caí imediatamente a zero no conceito dela, ao nível de um homem de mente extremamente carnal, se não um escarnecedor, mas eu nada pude fazer a respeito. Eu não podia flertar com uma superstição tão ridícula. Fui obrigado a lhe dizer que era bobagem ela ter esperança de salvação porque ela era tola o bastante para imaginar que tinha visto Jesus com seus olhos carnais, enquanto a visão salvífica sempre é espiritual.

Sobre a pergunta quanto ao fato da suposta aparição ter uma cabeça ou não, eu lhe disse que se ela usasse mais a sua própria cabeça e o seu coração, meditando na Palavra de Deus, ela estaria em uma condição bem mais esperançosa.

Podem ter havido, eu não negarei – porque coisas estranhas ás vezes acontecem - podem ter havido sonhos, e até mesmo aparições, que despertaram a consciência e assim conduziram ao princípio da vida espiritual em alguns raros casos em que Deus escolheu interferir de maneira especial. Mas que estes venham a ser procurados, e até aguardados, é uma coisa tão distante da verdade quanto o oriente do ocidente. E se você visse qualquer coisa, ou sonhasse qualquer coisa, o que isso prova? Ora, não prova absolutamente nada a não ser que você estava mal de saúde, e que sua imaginação encontrava-se morbidamente ativa.

Lance fora essas coisas, elas são superstições adequadas a povos não-civilizados, mas não são aceitáveis para cristãos do século dezenove. Eu apenas estou mencionando-as, não porque penso que qualquer de vocês tenha caído nelas, mas para que vocês sempre lidem com elas de forma extremamente rígida onde quer que se deparem com elas. Elas são superstições que não podem ser toleradas por homens cristãos. Entretanto há alguns que, de fato, não acreditarão no simples evangelho de Cristo a menos que algum absurdo desse tipo possa ser juntado a Ele.

Que Deus os livre de tal incredulidade.

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Trecho extraído do sermão Uma palavra com aqueles que esperam por sinais e maravilhas pregado em 31 de outubro de 1869.
Publicado por Phil Johnson no site Pyromaniacs.
Tradução: centurio
Fonte: Bom Caminho
Via: Teologia & Apologética
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Humor apologético?

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Por C. H. Spurgeon

Vivemos numa época tão trivial que muitos fazem humor e chamam isso de apologética. Veja como Paulo via a condição da igreja nas palavras de Spurgeon, veja  como era o estado do seu espírito em relação a isso. Spugeon diz:

"Nossas Igrejas, eu lhes digo para sua vergonha, toleram em seu seio membros que não têm nenhum direito a este título; membros que estariam bem melhor se postos em uma sala de festim, ou em qualquer outro lugar de dissolução e loucura, mas que jamais deveriam molhar os lábios no cálice sacramental ou comer o pão místico, emblemas dos sofrimentos de nosso Senhor. Sim, em vão procurariam dissimular que há vários entre nós – (e se tu voltasses à vida, ó Paulo. Quanto não te sentirias apressado em nos dizer, e quantas lágrimas amargas não derramarias ao nos dizer!...) – que são inimigos da cruz de Cristo, e isto porque o deus deles é o ventre, porque eles dirigem suas afeições às coisas da terra, e sua conduta está em completo desacordo com a santa lei de Deus.

Eu me proponho, meus irmãos, a procurar com vocês a causa da dor extraordinária do Apóstolo. Eu digo: dor extraordinária, porque o homem que meu texto apresenta como derramando lágrimas, não era, vocês sabem, um desses espíritos fracos, de sensibilidade doentia e sempre perto de se emocionar. Eu não li em nenhuma parte nas Escrituras que o Apóstolo chorasse sob o golpe da perseguição. Quando, segundo a expressão do salmista, se traçavam sulcos sobre seu dorso, quando os soldados romanos o lancetavam com suas varas, não sei de nenhuma lágrima que tenha escapado de seus olhos. Foi ele jogado na prisão? Ele cantava e não gemia. Mas, se jamais Paulo chorou por causa dos sofrimentos aos quais se expôs por amor a Cristo, ele chorou, nós vimos, ao escrever aos Filipenses. A causa de suas lágrimas era tripla: ele chorava, primeiramente, por causa DO PECADO de alguns membros da Igreja; em segundo lugar, por causa DOS EFEITOS DESAGRADÁVEIS DA CONDUTA DELES, e enfim, por causa do DESTINO que lhes esperava."

“Pois muitos andam entre nós, dos quais, repetidas vezes eu vos dizia e, agora, vos digo, até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo. O destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles está na sua infâmia, visto que só se preocupam com as coisas terrenas”. - (Fil. 3:18,19).

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A falsa "unidade" e o dever da separação

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Por C. H. Spurgeon


Em tempos antigos, quando algumas das Igrejas de Cristo começaram a livrar-se do jugo do Papado que pesava sobre seus pescoços, o argumento usado contra a reforma era a necessidade de manter a unidade. "Você precisa ser paciente com esta ou aquela cerimônia e com este ou aquele dogma; não importa quão anticristão e profano. Você precisa ser paciente quanto a isso, 'esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz'".

Assim falou a velha serpente naqueles dias antigos: "A Igreja é una; ai daqueles que semeiam o cisma! Pode até ser verdade que Maria tenha sido posta no lugar de Cristo, que as imagens são adoradas, que vestimentas e trapos podres são reverenciados, e que o perdão é comprado e vendido para crimes de todo tipo; pode ser que a assim chamada igreja tenha se tornado uma abominação e uma moléstia sobre a face da terra; mas ainda assim, ' esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz ', você deve curvar-se, reprimir o testemunho do Espírito de Deus dentro de você, esconder a Sua verdade sob um alqueire, e deixar a mentira prevalecer."

Este foi o grande sofisma da Igreja de Roma. Porém, quando ela não pôde mais seduzir os homens falando de amor e união, ela passou a usar o seu tom mais natural de voz, e amaldiçoou diretamente, a torto e a direito, de todo coração: e manteve a maldição até que ela mesma expire!

Irmãos, não havia nenhuma força no argumento dos Papistas. Efésios 4:3 insta para que nos esforcemos em manter a unidade do Espírito, mas não nos diz para manter a unidade do mal, a unidade da superstição, ou a unidade da tirania espiritual. A unidade do erro, da falsa doutrina, da tirania dos bispos, pode incluir o espírito de Satanás; não temos nenhuma dúvida disso; mas que esta seja a unidade do Espírito de Deus nós negamos veementemente. A unidade do mal nós devemos demolir com todas as armas que nossas mãos puderem agarrar. A unidade do Espírito, a qual devemos manter e nutrir, é outra coisa completamente diferente.

Lembrem-se que somos proibidos de fazer o mal para que venha o bem. Mas conter o testemunho do Espírito de Deus dentro de nós, esconder qualquer verdade que tenhamos aprendido pela revelação de Deus, refrear-nos de testemunhar pela verdade de Deus e da Sua Palavra contra o pecado e a tolice das invenções dos homens, todos estes seriam pecados dos mais imundos. Não ousamos cometer o pecado de extinguir o Espírito Santo, ainda que seja com a intenção de promover a unidade.

Certamente a unidade do Espírito nunca requer algum apoio pecaminoso; ela não é mantida suprimindo a verdade, e sim apregoando-a por toda parte. A unidade do Espírito tem como sustentação, dentre outras coisas, o testemunho de santos espiritualmente iluminados com relação à fé que Deus revelou em Sua Palavra. Aquela unidade, é uma unidade totalmente diferente que amordaçaria nossas bocas e nos transformaria em gado imbecilmente dirigido, para ser alimentado e depois abatido ao bel prazer de mestres sacerdotais.

O Dr. McNeil disse, acertadamente, que dificilmente um homem pode ser um Cristão sério em nossos dias sem ser um controversista. Somos enviados hoje como ovelhas para o meio de lobos. Pode haver acordo? Somos acesos como luminares no meio da escuridão. Poder haver conciliação? Não foi o próprio Cristo que disse, "Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada"? Vocês compreendem como esse é o mais verdadeiro método de esforçar-se para manter a unidade do Espírito; porque Cristo o homem de guerra, é Jesus o Pacificador; mas para a criação de paz duradoura, espiritual, as falanges do mal devem ser destruídas, e a unidade das trevas arrojada em tremor.

Peço sempre a Deus que nos preserve de uma unidade na qual a verdade seja considerada sem valor, na qual princípios deem lugar à políticas, na qual as virtudes nobres e varonis que adornam o herói Cristão tenham que ser completadas por uma afetação efeminada de amor. Que o Senhor possa nos livrar da indiferença para com a Sua Palavra e vontade; porque isso cria a unidade fria de massas de gelo unidas em um iceberg, esfriando o ar por milhas ao redor, a unidade dos mortos enquanto dormem nas sepulturas, lutando por nada, porque não têm parte nem herança em tudo aquilo que pertence aos viventes. Há uma unidade que raramente é quebrada: a unidade dos demônios que, sob o serviço do seu grande mestre e senhor, nunca discordam nem disputam. Protege-nos desta terrível unidade, ó Deus dos céus! A unidade dos gafanhotos que têm um objetivo comum, com a sua glutonaria que arruína tudo ao seu redor; a unidade das ondas de fogo de Tofete, que arrasta miríades para a miséria mais profunda. Disso também, ó Rei dos céus, livra-nos para sempre!

Que Deus perpetuamente nos envie algum profeta que clame em alta voz para o mundo: "Sua aliança com a morte será anulada, e seu acordo com inferno não permanecerá". Que sempre tenhamos alguns homens, mesmo que sejam ásperos como Amós, ou austeros como Ageu, que denunciem sempre de novo qualquer associação com o erro e qualquer acordo com o pecado, e declarem que estas coisas são abomináveis para Deus.

Nunca imaginem que a contenda santa seja uma violação de Efésios 4:3. A destruição de todo tipo de unidade que não está baseada na verdade é uma preliminar necessária à edificação da unidade do Espírito. Precisamos primeiro derrubar estas paredes feitas de argamassa ruim – estes muros cambaleantes construídos pelo homem – para que possa haver espaço para as excelentes rochas dos muros de Jerusalém colocadas umas sobre as outras para uma permanente e duradoura prosperidade.

Fonte: Charles H. Spurgeon – True unity promoted (Sermon 603) 
Via: Bom Caminho | Congregação Puritana Livre - SP
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Não ouse acrescentar nada!

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Por C. H. Spurgeon

A lei do Senhor é perfeita;  (Salmos 19.7) - A referência não é somente à lei de Moisés mas à doutrina de Deus, a todo o conjunto de instruções da Sagrada Escritura. A doutrina revelada por Deus é declarada perfeita, e observe-se que Davi tinha apenas uma pequena parte das Escrituras. Se um fragmento da porção mais obscura e histórica já é perfeito, o que dizer do volume inteiro? Muito mais do que perfeito é o livro que contém a demonstração mais evidente do amor divino, e nos abre a visão da graça redentora. O evangelho é um plano completo ou lei da salvação pela graça; ele apresenta ao pecador tudo o que este precisa para suprir suas terríveis necessidades. Na Palavra de Deus e no plano da graça não há redundâncias nem omissões; por que, então, pintar os lírios que já têm sua cor e dourar o ouro que já foi refinado? O evangelho é perfeito em todas as suas partes, e perfeito como um todo: é crime acrescentar, traição alterar e perfídia retirar algo dele.

E restaura a alma. Ela faz o homem retornar ou ser recuperado para o lugar de onde o pecado o expulsara. O efeito prático da Palavra de Deus é fazer o homem voltar-se para si mes¬mo, para Deus e para a santidade, e a volta ou conversão não é apenas exterior; a alma é tocada e renovada. O maior agente da conversão do pecador é a Palavra de Deus, e quanto mais próximos nos conservamos dela em nosso ministério, tanto maior a possibilidade de sucesso. E a palavra de Deus, e não a interpretação humana dela, que exerce poder sobre as almas. A lei e o evangelho agem diferentemente, mas o resultado é o mesmo, pois pela ação do Espírito de Deus a alma cede e suplica: "Converte-me, e serei convertido." Tente convencer a natureza corrupta do homem com filosofias e raciocínios; ele sorrirá dos seus esforços, mas a Palavra de Deus logo opera uma transformação.

O testemunho do Senhor é fiel. Deus dá testemunho contra o pecado e em favor da retidão; ele testifica a nossa queda e restauração; seu testemunho é claro, decidido e infalível, e deve ser aceito como correto. O testemunho de Deus em sua Palavra é tão exato que nele encontramos sólido conforto, tanto para o presente como para a eternidade, e nenhum golpe contra ele desferido, por mais violento e sutil que seja, poderá diminuir sua força. Que bênção saber que num mundo de incertezas temos algo tão seguro onde nos apoiar! Libertamo-nos, assim, das areias movediças da especulação humana para a terra firme da Revelação Divina.

E dá sabedoria aos símplices. Mentes humildes, puras e ensináveis recebem a Palavra e com ela a sabedoria para a salvação. Coisas ocultas aos sábios e prudentes são reveladas a criancinhas. Os que se deixam persuadir ficam sábios, mas os sofistas permanecem tolos. Como lei ou plano, a Palavra de Deus converte e, a seguir, como testemunha, instrui. Todavia, a conversão é insuficiente; precisamos dar continuidade sendo discípulos. E se temos sentido o poder da verdade, havemos de provar sua autenticidade através da experiência. A perfeição do evangelho converte, mas a certeza a respeito dele edifica; para sermos edificados, não podemos vacilar incrédulos diante da promessa, pois um evangelho de que duvidamos não poderia nos dar sabedoria. Somente uma verdade da qual podemos ter certeza pode nos servir de esteio.

Os preceitos do Senhor são retos. Os estatutos e os decretos divinos estão fundamentados na justiça e são compreensíveis para a razão humana. Como um médico prescreve o medicamente correto, e um conselheiro o parecer adequado, assim é a Palavra de Deus. E alegram o coração. Observemos o progresso: o convertido ganha primeiramente sabedoria, e a seguir felicidade; a verdade que torna reto o coração, também lhe concede alegria. A graça traz júbilo ao coração. A alegria que procede deste mundo reside nos lábios e excita as forças do corpo; os prazeres celestiais, porém, satisfazem a natureza interior e preenchem as faculdades mentais até transbordarem. Não há refresco mais agradável do que este, derramado do cântaro das Escrituras. "Para ser feliz, refugie-se e leia a Bíblia."

O mandamento do Senhor é puro. Não há enganos infiltrados que o contaminam, nenhuma nódoa de pecado o polui; ele é o leite não-adulterado, o vinho não-diluído. E ilumina os olhos, ou seja, limpa com sua própria pureza a obtusidade humana que interfere no discernimento intelectual: para os olhos obscurecidos por tristeza ou pecado, a Escritura é um oculista habilidoso que os torna claros e radiantes. Olhe para sol e ele lhe cegará os olhos; olhe para a luz maior da Revelação e ela os abrirá. A pureza da neve provoca uma cegueira no viajante dos Alpes, mas a pureza da verdade divina exerce o efeito contrário e cura a cegueira natural da alma. Convém novamente observarmos a gradação: o convertido tornou-se um discípulo e a seguir uma alma jubilosa; agora ele obtém olhos perspicazes e, como pessoa espiritual, discerne todas as coisas, embora ele mesmo não seja perscrutado pelos outros.

O temor do Senhor é límpido. A doutrina da verdade é aqui descrita pelo seu efeito espiritual, ou seja, a consagração interior ou temor ao Senhor; ela é límpida em si mesma e limpa do amor ao pecado o coração onde reina, santificando-o. O Sr. Temente a Deus não se satisfaz enquanto cada rua, estrada e viela, sim, cada casa e cada esquina da cidade de Alma-Humana não esteja varrida da sujeira diabólica que a infesta. E permanece para sempre. A imundície gera decadência, mas a limpeza é o grande inimigo da corrupção. O princípio puro da graça de Deus habitando no coração do homem é permanente e incorruptível; pode ser suprimido por algum tempo, mas não pode ser destruído. Tanto na Palavra como no coração, quando o Senhor escreve, ele repete as palavras de Pilatos: "O que escrevi, escrevi." Deus não faz rasuras, nem permitirá que outros façam. A vontade revelada de Deus é imutável, até mesmo Jesus veio não para destruir mas para cumprir, e até a lei cerimonial foi mudada somente na sua sombra, a substância que nela reside é eterna. Enquanto os governos das nações são abalados por revoluções e antigas constituições são rejeitadas, é confortador saber que o trono de Deus é Inabalável.

Os juízos do Senhor são verdadeiros e todos igualmente justos. Conjunta e separadamente as palavras do Senhor são verdadeiras; aquela que é boa no detalhe é ótima no conjunto; não há nenhuma exceção para uma frase isolada nem para o livro como um todo. Os juízos de Deus, em conjunto ou em separado, são manifestamente justos, e não precisam de explanações trabalhosas para se justificarem. As decisões judiciais de Jeová, reveladas na lei ou ilustradas na história de sua providência, são a própria verdade e óbvias para toda mente sincera; não apenas seu poder é invencível: sua justiça é inquestionável.

São mais desejáveis do que ouro, mais do que muito ouro depurado. A verdade bíblica enriquece a alma ao mais elevado grau: a metáfora vai ganhando força: ouro - ouro depurado - muito ouro depurado. Ela é boa, melhor, ótima, e merece ser desejada com voracidade maior que a de um faminto. Uma vez que o tesouro espiritual é mais nobre do que a mera riqueza material, ele deve ser desejado e procurado com um ardor cada vez maior. Fala-se sobre a solidez do ouro, mas o que é mais sólido do que uma verdade sólida? Por amor ao ouro as pessoas abrem mão do prazer, renunciam à tranqüilidade e põe a vida em perigo; não devemos estar prontos para fazer o mesmo por amor à verdade? E são mais doces do que o mel e o destilar dos favos. Segundo Trapp: "Aos mais velhos interessa o lucro, aos jovens o prazer; àqueles está reservado o ouro, sim, o ouro depurado em grande quantidade e a estes, o mel, sim, o mel puro que escorre dos favos." Os prazeres resultantes de uma compreensão correta dos testemunhos divinos são da mais preciosa ordem. As alegrias terrenas são totalmente desprezíveis se comparadas a eles. Os deleites mais doces, sim, o mais doce de todos são a parte de quem tem a verdade de Deus por herança.
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A Chave das boas obras não abre a porta – C. H. Spurgeon

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Por C.H. Spurgeon

A Escritura nos diz que as obras não podem salvar. Contarei uma história bem conhecida, para que nem os mais simples deixem de entender o que quero dizer. Certo dia um pastor estava a caminho do lugar onde ia pregar. Seu caminho levou-o pelo alto de um monte, e abaixo dele via-se as aldeias adormecidas em sua beleza, os campos de trigo imóveis na primeira luz do sol. Ele, porém, não prestou atenção nisso porque viu uma mulher saindo da porta da sua casa que, ao vê-lo, veio em sua direção com a maior ansiedade e disse:

— Meu senhor, tem algumas chaves aí? Eu quebrei a chave do meu armário, e preciso tirar algumas coisas.

Ele respondeu:

— Eu não trouxe nenhuma chave. — Ela ficou decepcionada, porque esperava que alguém tivesse alguma chave.

Mas ele continuou: — Imaginemos que eu tivesse alguma; é bem possível que ela não encaixasse na fechadura, e a senhora ficaria sem poder tirar as coisas que deseja. Mas não desanime; espere por alguém outro.

Entretanto, no desejo de aproveitar a situação, ele perguntou:

— A senhora já ouviu falar da chave do céu?

— Oh, sim — ela disse, — já vivi bastante tempo e fui à igreja o suficiente para saber que, se trabalhamos bastante e conseguimos o pão com o suor do rosto, tratarmos bem nossos próximos e nos comportamos, como diz o Catecismo, de modo humilde e reverente diante de todos os que são melhores do que nós, e se fazemos nossa obrigação na estação da vida em que Deus se agradou de nos colocar, e fazemos nossas orações regularmente, seremos salvos.

— Ah — ele retrucou, — minha senhora, essa é uma chave quebrada, porque a senhora quebrou os mandamentos; a senhora não fez todas as suas obrigações. A chave é boa, mas a senhora a quebrou.

— Por favor, senhor — disse ela, vendo que ele entendia do assunto e com um olhar assustado, — o que foi que eu esqueci?

— Bem — respondeu ele, — a senhora esqueceu a coisa mais importante, o sangue de Jesus Cristo. A senhora não ouviu falar que a chave do céu está presa ao seu cinto? Quando ele abre, ninguém pode fechar; quando ele fecha, ninguém pode abrir. — Explicando melhor para ela, ele continuou: — E Cristo e só ele quem pode abrir o céu para a senhora, e não as suas boas obras.

— Mas, senhor pastor — exclamou ela, — quer dizer que nossas boas ações são desnecessárias?

— De forma alguma, quando juntas com a fé. Se a senhora crê primeiro, pode fazer tantas boas ações quantas quiser. No entanto, se a senhora crê, nunca mais vai confiar nelas, porque se o fizer, a senhoras arruinou-as, e não são mais boas ações. Faça quantas boas obras quiser, mas coloque sua confiança totalmente no Senhor Jesus Cristo; se não o fizer, sua chave jamais abrirá a porta do céu.

Portanto, meus ouvintes, precisamos ter fé autêntica porque a velha chave das obras foi tão quebrada por nós que jamais entraremos no paraíso com ela. Se alguém aqui acha que não tem pecados, vou ser direto: você está se iludindo, e não há verdade em você. Se você imagina que por suas boas obras entrará no céu, jamais houve ilusão mais fatal. No último grande dia você descobrirá que suas esperanças eram inúteis, e que, como folhas secas das árvores no outono, suas ações mais nobres serão levadas pelo vento para o fogo onde você mesmo sofrerá para todo o sempre. Preste atenção em suas boas obras; faça-as depois de crer, mas lembre-se, o meio de ser salvo é simplesmente crer em Jesus Cristo.

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Absorvidos! - C. H. Spurgeon

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Por C. H. Spurgeon


"Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os termos da terra; porque eu sou Deus, e não há outro" (Is 45.22).

Esta é uma das maiores promessas. Ela é o alicerce da nossa vida espiritual. A salvação vem por meio desse olhar para ele que é "Deus justo e Salvador". Como a orientação é simples! "Olhai para mim." Como a exigência é razoável! E óbvio que a criatura deve olhar para seu Criador. Temos olhado para outros lugares por tempo demais; é tempo de olharmos somente para ele, o qual nos convida a esperarmos nele e promete dar-nos salvação.

Apenas um olhar! Será que não vamos olhar agora mesmo? Nada temos de levar conosco, a não ser esse olhar para o alto, para o Senhor em seu trono, para onde ele subiu da cruz. Olhar não requer preparação, nem grande esforço: não é preciso conhecimento nem sabedoria, riqueza nem força. Tudo o que precisamos está no Senhor nosso Deus, e se olharmos a ele para tudo, tudo será nosso e seremos salvos.

Venham, vocês que estão distante, olhem para cá! Extremos da terra, voltem os olhos para este lado! Assim como desde as regiões mais longínquas os homens podem ver o sol e usufruir de sua luz, quem se encontra à beira da morte, diante dos portões do inferno, pode com um só olhar receber a luz de Deus, a vida celestial, a salvação do Senhor Jesus Cristo que é Deus e, portanto, capaz para salvar.

Naqueles dias e naquele tempo, diz o Senhor, buscar-se-á a iniqüidade de Israel, e já não haverá; os pecados de Judá, mas não se acharão; porque perdoarei aos remanescentes que eu deixar (Jr 50.20).

Que palavras de fato gloriosas! Que perdão perfeito é aqui prometido às nações pecaminosas de Israel e Judá! O pecado será removido de tal modo que não será encontrado, e apagado de tal maneira que nenhum sequer restará. Glória seja dada ao Deus dos perdões!

Satanás procura pecados para nos acusar, nossos inimigos o fazem para nos responsabilizar por eles, e nossa própria consciência o faz mesmo com uma espécie de anseio mórbido. Todavia, quando o Senhor aplica o precioso sangue de Jesus, não tememos nenhum tipo de investigação, pois "iniquidade já não haverá" e "pecados não se acharão". O Senhor fez deixar de existir os pecados do seu povo: ele pôs fim à transgressão e deu cabo do pecado. O sacrifício do Senhor Jesus lançou os pecados nas profundezas do mar. Isso nos faz dançar de alegria.

A razão para apagar o pecado reside no fato de que o próprio Jeová perdoa seus escolhidos. Suas palavras de graça não são apenas reais, mas divinas. Ele diz.- "absolvição", e somos absolvidos. Ele opera a expiação e, a partir daí, seu povo está além de todo medo de condenação. Bendito seja o nome do Deus que aniquila o pecado!


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Confie em Deus e não em estratégias humanas

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Por  – C. H. Spurgeon

“Pois tive vergonha de pedir ao rei uma escolta de soldados, e cavaleiros para nos defenderem do inimigo pelo caminho, porquanto havíamos dito ao rei: A mão do nosso Deus é sobre todos os que o buscam, para o bem deles; mas o seu poder e a sua ira estão contra todos os que o deixam” Esdras  8:22

Uma escolta em muitos aspectos teria sido desejável para o grupo de viajantes, mas um santo sentimento de vergonha não permitiria que Esdras procurasse uma. Ele temia que o rei pagão pensasse que sua declaração de fé em Deus fosse mera hipocrisia, ou imaginasse que o Deus de Israel não fosse capaz de proteger Seus próprios adoradores.

Ele não poderia deixar sua mente confiar no braço da carne (ver II Cr. 32:8)  numa questão evidentemente do Senhor e, assim, a caravana inicia sua jornada sem proteção visível, guardada por Aquele que é a espada e o escudo de Seu povo. Receio que poucos crentes sintam este zelo santo por Deus; mesmo aqueles que de certa forma andam pela fé, ocasionalmente estragam o brilho de sua vida ao suplicar o auxílio dos homens.

Não existe maior bênção que não ter qualquer apoio ou suporte, a não ser ficar direto na Rocha Eterna, sustentado somente pelo Senhor. Buscariam os crentes doações para suas igrejas se eles se lembrassem que o Senhor é desonrado ao pedirem socorro a César? Como se o Senhor não pudesse suprir as necessidades de Sua própria causa!

Recorreríamos tão rapidamente à ajuda de amigos e familiares se nos lembrássemos que o Senhor é glorificado pela nossa confiança absoluta em Seu braço? Ó minh´alma, espera só em Deus. "Mas", alguém diz, "os meios não podem serem usados?" É claro que podem; mas nossos erros raramente consistem em sua negligência: na maior parte das vezes florescem da tolice de crer nos meios em vez de crer em Deus.

Poucos fogem, não confiando tanto na ajuda humana; no entanto, muitos pecam muito ao dar-lhe demasiada importância. Aprenda, querido leitor, a glorificar o Senhor por recusar valer-se dos meios, se, ao utilizá-los, vier a desonrar o nome do Senhor.

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Santificação é efeito e não causa da salvação

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Por Charles. H. Spurgeon

Quero dizer três coisas sobre a maneira pela qual Deus nos salvou.

(I)  Nossa salvação é completa. O apóstolo diz: "Que nos salvou". Crentes em Jesus Cristo são salvos no momento que colocam sua confiança em Cristo. Eles não esperam que sejam salvos. Deus salvou completamente Seu povo. Ele o escolheu para esta salvação. O preço total da salvação desses pecadores escolhidos por Deus foi pago quando Cristo morreu por eles na cruz. Cristo disse quando pendurado na cruz: "Está consumado" (João 19:30). Estávamos completamente perdidos por causa da desobediência de Adão. Fomos completamente salvos quando Cristo, o segundo Adão, terminou Sua obra redentora por nós.

(II). Meu segundo pensamento é que o texto diz: "Que nos salvou, e chamou". Será que Deus nos salvou antes de nos chamar? O texto diz que Ele assim o fez. Não sabemos que somos salvos até que o Espírito Santo opere em nossos corações, trazendo-nos a Cristo. Entretanto, no propósito de Deus e na redenção de Cristo, somos salvos antes de sermos chamados. O Senhor Jesus Cristo pagou as dívidas do Seu povo quando foi crucificado. Por conseguinte, vocês podem ver que fomos salvos antes de sermos chamados.
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(III).  Deus nos chamou para uma vida santa. Aqueles pecadores pelos quais Cristo morreu são chamados pelo poder do Espírito Santo à santidade. Eles deixam seus pecados; tentam ser como Cristo. Antes de serem salvos amavam o pecado. A velha natureza deles amava tudo que era maligno. A sua nova natureza não pode pecar porque é nascida de Deus. Deus chama Seu povo à santidade. O povo de Deus não é santo porque quer que Deus o salve. Deus, através do Espírito Santo, opera a santidade nele. Portanto, o belo fruto espiritual que vemos num crente tanto é a obra de Deus quanto é o resultado da expiação pela qual Cristo o comprou. A salvação de um crente é unicamente pela graça. Deus é o autor dessa graça. Salvação tem que ser pela graça, pois não pode ser adquirida. A seqüência verdadeira é: Deus nos salvou antes de nos chamar.

Esta ordem mostra que nossa santificação não é a causa, e sim o efeito, da nossa salvação.
"Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos" (II Tim. 1:9).
Fonte: [ C.H.Spurgeon ]
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Spurgeon, os apóstolos brasileiros e as suas manias por títulos

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Por Renato Vargens

Charles Haddon Spurgeon (1834-92) foi o mais conhecido pregador da Inglaterra pela maior parte da segunda metade do século dezenove. Spurgeon converteu-se em Colchester em 6 de janeiro de 1850, e foi batizado no Rio Lark em Isleham em 3 de maio de 1850. Pregou seu primeiro sermão na cidade de Cottage, neste mesmo ano.  Em 1854, apenas quatro anos após sua conversão,  então com apenas vinte anos, se tornou pastor da famosa Igreja Batista de New Park Street em Londres (anteriormente pastoreada pelo grande teólogo John Gill). A congregação rapidamente cresceu mais do que seu prédio poderia comportar, mudando-se então para o Exeter Hall, e de lá para o Surrey Music Hall. Nestes locais Spurgeon freqüentemente pregava para audiências com mais de 10.000 pessoas. Em 1861 a congregação se mudou definitivamente para o recém construído Tabernáculo Metropolitano.

Os sermões do Spurgeon foram e ainda são amplamente distribuídos e  traduzidos em muitas línguas. O conjunto dos trabalhos impressos de Spurgeon do denomindao principe dos pregadores é volumoso.

As pessoas que ouviam Spurgeon, naquela época, faziam consideraçơes sobre ele que deixariam qualquer evangélico orgulhoso. O jornal The Times publicou, certa ocasiăo, a respeito do pastor inglês: Ele pôs velha verdade em vestido novo. Já o Daily Telegraph declarou que os segredos de Spurgeon eram o zelo, a seriedade e a coragem. Para o Daily Chronicle, Charles Spurgeon era indiferente à popularidade; um gênio, por comandar com maestria, uma audiência. O Pictorial World registrou o amor de Spurgeon pelas pessoas.

Spurgeon escreveu 135 livros durante 27 anos (1865-1892) e editou uma revista mensal denominada A Espada e a Espátula. Seus vários comentários bíblicos ainda săo muito lidos, dentre eles: O Tesouro de Davi (sobre o livro de Salmos), Manhă e Noite (devocional) e Mateus - O Evangelho do Reino. Até o último dia de pastorado, Spurgeon batizou 14.692 pessoas. Na ocasiăo em que ele morreu - 11 de fevereiro de 1892 -, seis mil pessoas leram diante de seu caixăo o texto de Isaías 45.22a: Olhai para mim e sereis salvos, vós todos os termos da terra.

Caro leitor,  por acaso você sabia que esse grande homem de Deus recusou a ordenação pastoral, como também o título de Reverendo? Spurgeon dizia que reverência deveria ser dada somente ao Senhor.

Pois é, a atitude de Spurgeon é tão diferente dos pastores, e apóstolos dos nossos dias não é verdade? Lamentavelmente em nosso país existem inúmeros líderes cristãos que desejam ostentação e títulos. Outro dia fiquei sabendo de um pastor que  numa cerimônia suntuosa foi "coroado" apóstolo". Há pouco,  relatei o episódio ocorrido a um pastor de em Niterói, que da noite pro dia virou bispo presidente.

Prezado amigo, duvido que qualquer um desses apóstolos, bispos e pastores tenham feito mais pelo Reino do que Spurgeon. Confesso que essa mania tupiniquim por títulos eclesiásticos me assusta profundamente.

Com lágrimas nos olhos sou obrigado a concordar com o fato de que essa corja apostólica não está preocupada com a glória de Deus e sim exclusivamente com a exaltação de seus nomes, os quais acreditam sejam célebres e magnânimos.

Autor: Renato Vargens 
Fonte: [ Blog do autor ]
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Combatendo o pecado com a verdade!


Por C. H. Spurgeon

Paulo nos oferece o modelo completo de um ministro cristão. Pastor vigilante, ele se preocupava sem cessar com o rebanho confiado a seus cuidados. Ele não se limitava a pregar o Evangelho, e não cria ter completado todo o seu dever em anunciar a salvação, mas seus olhos estavam sempre voltados às Igrejas que havia fundado, seguindo-as, com um interesse zeloso, no seu progresso ou declínio na fé. Quando ele tinha que ir proclamar o Evangelho eterno em outras regiões, ele não cessava de velar pelo bem estar espiritual de suas vibrantes colônias cristãs da Grécia e da Ásia menor, semeadas por ele em meio às trevas do paganismo; e enquanto acendia novas lâmpadas na tocha da verdade, ele não negligenciava aquelas que já flamejavam. É assim que, em nosso texto, ele dá à pequena Igreja de Filipos uma prova de sua solicitude, lhes dirigindo conselhos e advertências. E o Apóstolo não era menos fiel que vigilante. Quando via pecado na Igreja, não hesitava em denunciá-lo. Ele não lembrava a maioria dos pregadores modernos, que se vangloriam de não ter jamais tido uma relação pessoal com seu rebanho ou jamais ter incomodado suas consciências, e que põem sua glória naquilo que é enganoso; porque tivessem eles sido fiéis, tivessem exposto sem impureza todo o conselho de Deus, teriam infalivelmente, uma vez ou outra, ferido a consciência de seus ouvintes.

Pois muitos andam entre nós, dos quais, repetidas vezes eu vos dizia e, agora, vos digo, até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo. O destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles está na sua infâmia, visto que só se preocupam com as coisas terrenas. (Fil. 3:18,19).

Paulo agia totalmente diferente: ele não temia atacar frontalmente o pecador, e não somente tinha a coragem de declarar a verdade, mas sabia da necessidade de insistir sobre esta verdade: "Repetidas vezes eu vos dizia, e eu vos digo ainda, que muitos entre vós são inimigos da cruz de Cristo”.

Mas se, por uma parte o apóstolo era fiel, por outra ele era cheio de afeto. Como todo ministro de Cristo deveria fazer, ele amava verdadeiramente as almas sob seu encargo. Se ele não podia admitir que algum membro das Igrejas colocadas sob sua direção se desviasse da verdade, não podia mais ainda lhes repreender sem derramar lágrimas. Ele não sabia brandir a ira com o olho seco, nem denunciar os juízos de Deus de maneira fria e indiferente.

As lágrimas brotavam de seus olhos, enquanto que sua boca pronunciava as mais terríveis ameaças; e quando censurava, seu coração batia tão forte de compaixão e amor, que aqueles a quem ele se dirigia não podiam duvidar da afeição com que suas censuras eram ditadas: “Eu, repetidas vezes vos dizia, e agora vos digo até chorando”.

Meus amados. A advertência solene que Paulo, outrora, dirigiu aos Filipenses nas palavras de meu texto, eu as dirijo a vocês hoje, para que entendam.

Temo que esta advertência não seja menos necessária em nossos dias que nos tempos do Apóstolo, porque em nossos dias como nos dias do Apóstolo, há vários na Igreja cuja conduta testemunha fortemente que são inimigos da cruz de Cristo. Que posso dizer? O mal, longe de diminuir, me parece ganhar terreno a cada dia. Há, em nosso século, um maior número de pessoas que fazem profissão de fé que no tempo de Paulo, mas há também mais hipócritas.

Nossas Igrejas, eu lhes digo para sua vergonha, toleram em seu seio membros que não têm nenhum direito a este título; membros que estariam bem melhor se postos em uma sala de festim, ou em qualquer outro lugar de dissolução e loucura, mas que jamais deveriam molhar os lábios no cálice sacramental ou comer o pão místico, emblemas dos sofrimentos de nosso Senhor. Sim, em vão procurariam dissimular que há vários entre nós – (e se tu voltasses à vida, ó Paulo. Quanto não te sentirias apressado em nos dizer, e quantas lágrimas amargas não derramarias ao nos dizer!...) – que são inimigos da cruz de Cristo, e isto porque o deus deles é o ventre, porque eles dirigem suas afeições às coisas da terra, e sua conduta está em completo desacordo com a santa lei de Deus.

O que legaremos aos nossos filhos?

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Por C.H.Spurgeon

"O justo anda na sua integridade;
felizes lhe são OS filhos depois dele." Provérbios 20.7


A ansiedade a respeito de nossa família é algo natural. No entanto, seremos sábios se a convertermos em um interesse a respeito de nosso próprio caráter. Se andarmos diante do Senhor com integridade, faremos mais para abençoar nossos descendentes do que se deixássemos em herança para eles grandes possessões. Uma vida piedosa de um pai é um riquíssimo legado para seus filhos.

O justo deixa seu exemplo para seus herdeiros; e isto, em si mesmo, será uma mina de verdadeira riqueza. Quantos homens podem traçar o sucesso de suas vidas ao exemplo deixado por seus pais!

O justo deixa-lhes também a sua reputação. Os homens pensam o melhor a nosso respeito, quando somos filhos de um homem que era digno da confiança deles, quando somos os sucessores de um homem de negócios que tinha reputação excelente. Oh! que todos os jovens se mostrem ansiosos para conservar os nomes de suas famílias!

Acima de tudo, o justo deixa aos seus filhos as suas orações e a bênção de um Deus que ouve as orações. Isto faz que nossos descendentes sejam favorecidos entre os filhos dos homens. Deus os pode salvar, mesmo depois de termos partido deste mundo. Oh! que eles sejam salvos imediatamente!

Nossa integridade pode ser o instrumento de Deus para salvar nossos filhos e filhas. Se eles perceberem a veracidade de nosso cristianismo sendo comprovada por nossas vidas, pode acontecer que por si mesmos eles creiam em Jesus. Senhor, cumpra esta promessa à minha família.

Fonte: [ O Calvinismo