O que você faz quando seu casamento azeda?

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Phil e Emily não vieram para encontrar ajuda na resolução dos problemas no casamento deles, embora tenham ligado para capelão para pedir aconselhamento matrimonial. Realmente, suas mentes já estavam feitas – eles tinham decidido obter o divórcio. Todavia, eles eram Cristãos e sabiam que o divórcio era errado visto que eles não tinham fundamentos bíblicos para ele. Não tinha havido nenhum adultério, nenhuma deserção; somente “um enorme sofrimento”. “Se pudermos apenas fazê-lo concordar que continuar neste casamento é uma impossibilidade”, eles pensaram, “então talvez ele seja capaz de nos mostrar como em nosso caso Deus fará uma exceção à Sua lei”. Era assim que eles estavam raciocinando internamente quando no primeiro encontro contaram suas estórias para o Capelão Cunningham.

Homem e Mulher - iguais ou complementares?

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Nos dias da criação, Deus observou a sua obra e viu que tudo era bom. Ao criar o homem e observá-lo sozinho, “Disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora idônea para ele” (Gn 2.18), “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gn 1.27). O primeiro homem, Adão, desfrutava da presença de Deus (ser superior) e contava com a companhia de animais (seres inferiores), porém, Deus reconheceu que o homem precisava de alguém para relacionar-se de igual para igual.

Então o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas, e cerrou a carne em seu lugar; E da costela que o Senhor Deus tomou do homem, formou uma mulher, e trouxe-a a Adão. E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada. Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne (Gn 2.21-24).

Esses relatos esclarecem o fato de que o homem e a mulher foram criados igualmente à imagem de Deus (cf. Gn 1.27). Ambos possuem o mesmo valor diante do Criador. Não há diferenças entre os sexos no que concerne a pessoalidade e importância. Como afirma o apóstolo Paulo: “nem o homem é sem a mulher, nem a mulher sem o homem, no Senhor. Porque, como a mulher provém do homem, assim também o homem provém da mulher, mas tudo vem de Deus” (1 Co 11.11-12). Os dois são dignos do mesmo respeito.

Amor e a desumanidade do casamento homossexual

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Mais e mais comentaristas dizem que já passamos do ponto crítico em relação ao casamento homossexual nos Estados Unidos. Quase que diariamente um político ou uma celebridade encara um microfone e declaram seu apoio à causa. Parece que o paradigma mudou, que os valores estão invertidos.

Se o casamento homossexual é politicamente uma realidade indiscutível, eu não sei. O que me preocupa, atualmente, é a tentação entre os cristãos de seguirem a corrente. A premissa é de que a nação não compartilha mais de nossa mesma moralidade e nós não podemos impor nossa visão aos outros ou ultrapassar a linha que divide Estado e Igreja. Além do mais, nós não queremos que nenhuma política impertinente entre no nosso caminho de pregar o evangelho, certo? Então nós também devemos simplesmente engolir essa realidade. E dessa maneira, o pensamento continua.

Deus odeia a imoralidade sexual

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Aqueles que amam também devem odiar. Aqueles que amam o que é bom, o que é benéfico, o que é honroso, devem odiar o que é mau, o que é prejudicial, o que é lamentável. Nós somos definidos tanto pelas coisas que amamos, quanto pelas coisas que detestamos. E o que é verdade para nós também é para Deus (ou melhor dizendo, o que em primeiro lugar é verdadeiro para Deus também é para nós). Para que Deus ame, Ele também deve odiar.

A Bíblia nos fala de muitas coisas que Deus odeia. Às vezes, ela diz diretamente “Deus odeia isso”; outras, descreve tais coisas com palavras como “abominável” ou “detestável”. Quando colocamos tudo isso junto, encontramos cerca de oito grandes categorias de coisas que Deus odeia. Já vimos que Deus odeia idolatria. Hoje eu quero mostrar que Deus também odeia a imoralidade sexual.

Deus odeia a imoralidade sexual

Os seres humanos são seres sexuais. Nós somos muito mais do que isso, é claro, mas não somos menos. Nossa sexualidade é uma parte de quem somos, um bom presente de Deus para unir marido e mulher e expandir a raça humana. Como tudo o mais que temos, a nossa sexualidade é um dom que nos foi dado em confiança. Devemos nutri-lo fielmente, usando-o nos caminhos comandados por Deus, recusando seu uso de formas que Ele proíba. Deus estipula que o sexo deve existir somente no casamento de um homem com uma mulher e ainda estipula de que ele deve, de fato, acontecer no casamento (1 Coríntios 7:1-5). Assim como é pecaminoso ter relações sexuais fora do casamento, é pecaminoso não ter relações sexuais dentro do casamento.

Deus ama quando os seres humanos usam o dom da sexualidade nos caminhos que Ele ordena, mas, em seguida, necessariamente odeia quando eles o abusam de outras maneiras. Especificamente, ele odeia os atos de homossexualidade e bestialidade (Levítico 18:22-23), assim como o transvestimento (Deuteronômio 22:5). Ele odeia ofertas provenientes de prostituição ou, neste caso, a prostituição no contexto ritualístico (Deuteronômio 23:18). Podemos aplicar isso a um contexto moderno, observando que o dinheiro gasto ou ganho ilicitamente desonra a Deus, mesmo quando dado a uma causa nobre.

Deus também odeia o divórcio, a separação dos laços do casamento (Malaquias 2:14-16). Malaquias 2 é uma passagem complicada cuja tradução é contestada, mas podemos estar confiantes disso: o que pode estar opaco no Antigo Testamento, em que o divórcio era permitido, está absolutamente claro no Novo Testamento, em que o divórcio é proibido, exceto no caso de adultério (ver Marcos 10:1-12). Deus, sobretudo, odeia o divórcio quando o objeto é a exploração de outra pessoa, como em Deuteronômio 24:4, onde parece que a ênfase é em um marido que se casa para receber o dote de sua esposa, se divorciando, e depois se casando com ela uma segunda vez para receber um segundo dote.

Para resumir: Deus odeia o pecado sexual, Ele odeia qualquer contaminação do dom da sexualidade, e Ele odeia qualquer desonra do casamento, o único contexto certo para a sexualidade.

Por que Deus odeia a imoralidade sexual?

Por que Deus odeia a imoralidade sexual? Porque de alguma forma o pecado sexual é mais grave do que outras formas de rebelião. Em 1 Coríntios 6:18, lemos essas palavras surpreendentes: “Qualquer outro pecado que uma pessoa cometer é fora do corpo; mas aquele que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo.” Os estudiosos da Bíblia debatem o significado das palavras, mas isso é muito claro: o pecado sexual debocha da união física e espiritual presente no relacionamento sexual. Como a Reformation Study Bible aponta, “no ensino de Paulo, a união física envolvida na imoralidade sexual tem consequências especiais porque interfere na nossa identidade cristã como pessoas que foram unidas a Cristo através do Espírito Santo.” Aqueles que estão unidos a Cristo não podem estar unidos a uma prostituta ou qualquer outra pessoa com a qual não estejam casados.

O pecado sexual degrada e abusa do corpo que Deus utiliza como seu templo. “Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo.” (1 Coríntios 6:19-20). É importante ressaltar a linguagem similar que Paulo usa para descrever a idolatria e a imoralidade sexual. Ambos são sinais de profunda rebelião contra Deus.

Julgamento de Deus sobre os devassos

Deus é perfeitamente claro em seu julgamento sobre a imoralidade sexual. Grande parte do primeiro capítulo de Romanos 1 é dedicado a provar que o julgamento de Deus cai sobre aqueles que cometem o pecado sexual e que, ao longo do tempo, caem mais e mais nesse erro. “Conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem.” (Romanos 1:32). Na verdade, Paulo chega a afirmar que o aumento do pecado sexual é a própria forma de julgamento através da qual Deus deixa as pessoas mais perdidas em seus pecados. 1 Coríntios 6:9 insiste que nem os devassos, nem os homossexuais verão o céu, o que se repete em Gálatas 5:19-21, Efésios 5:5 e Apocalipse 22:15. O autor da carta aos Hebreus demanda, “Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula; porque Deus julgará os impuros e adúlteros.” (Hebreus 13:4). Aqueles que cometem imoralidade sexual enfrentarão o julgamento justo e eterno de Deus.

Esperança para os imorais sexuais

No entanto, há esperança, mesmo para os devassos. Em sua primeira carta a Timóteo, Paulo discute o propósito da lei de Deus e diz que a lei foi dada para “impuros, sodomitas, raptores de homens” (1:10). Deus provê para todos os pecadores! A lei foi dada graciosamente para expor seus pecados, seus desejos pelo pecado, e sua incapacidade de parar de pecar. Mas, é claro, a lei não era suficiente, então Paulo muda imediatamente da completude da lei para a bondade do evangelho, para o que ele se refere como “o evangelho da glória do Deus bendito”. O evangelho insiste que nenhum de nós está além da redenção, nenhum de nós está além da salvação, se nos voltarmos para Cristo e seu perdão. “Fiel é a palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal” (1:15). Não há pecador inalcançável à sua graça.

Fugi da impureza”, diz Paulo (1 Coríntios 6:18). Devemos fugir desse pecado e, por meio do evangelho, nós podemos.

Versículos-chave sobre a imoralidade sexual

Se você gostaria de se envolver em algum estudo mais aprofundado, aqui estão os versículos-chave sobre o ódio de Deus à imoralidade sexual:

  • Deus planejou o casamento e a sexualidade em torno do sexo masculino e do sexo feminino (Gênesis 2: 24-25)
  • Deus odeia os atos homossexuais (Levítico 18:22)
  • Deus odeia atos sexuais entre humanos e animais (Levítico 18:23)
  • Deus odeia o uso de roupas do sexo oposto (Deuteronômio 22:5)
  • Deus odeia e não aceitará ofertas provenientes da prostituição (Deuteronômio 23:18)
  • Deus odeia a exploração através do divórcio (Deuteronômio 24:4)
  • Deus odeia o divórcio (Malaquias 2:14-16)
  • Deus odeia a imoralidade sexual em todas as suas formas (Gálatas 5:19-21, Efésios 5:5, Apocalipse 22:15)
  • Deus criou o corpo para a pureza e não para a imoralidade (1 Coríntios 6:13)
  • Deus nos ordena a fugir da imoralidade sexual (1 Coríntios 6:18)
  • Deus oferece o perdão para os devassos (1 Coríntios 6:9-11)
  • Deus ordena a exclusividade da relação sexual dentro do casamento (Hebreus 13:4)

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Autor: Tim Challies
Fonte: Challies.com
Tradução: Kimberly Anastacio
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Cristianismo e Aborto

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A demanda por aborto não é exclusividade de um único país, mas é comum hoje a todo o mundo ocidental. De um lado, certamente, havemos de reconhecer – e é muito importante que se entenda – que políticas a favor da legalização do aborto têm sido cada vez mais impostas verticalmente, a partir de governantes que seguem agendas políticas conscientemente dentro do processo de subversão cultural do Ocidente; de outro lado, devemos reconhecer que tal demanda é apenas a consequência de um longo processo de entropia cultural do mundo outrora cristão. Falha quem resume o problema apenas ao primeiro aspecto, julgando que tudo não passa apenas de uma militância revolucionária em favor de modelos socialistas; nesse sentido, a igreja muito comumente falha ao negar que exista tal militância, entendendo o problema como exclusivamente cultural. Mas é fato que a agenda revolucionária tem o único propósito de forçar, de impulsionar os resultados desse descarrilamento intelectual e espiritual do Ocidente. Os revolucionários, de certa forma, querem acelerar o processo que muitos deles creem ser a consumação dos tempos do humanismo. A demanda por aborto não surgiu por coincidência: ela é fruto de uma cosmovisão. 

Ética bíblica versus ética cultural

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A proposta da ética do mundo é manter o desfrute dos prazeres pecaminosos, eliminando suas consequências naturais. A pílula do dia seguinte mata o óvulo fecundado antes da nidação, que é sua fixação nas paredes do útero para desenvolvimento (algo que acontece cerca de dez dias após a relação sexual). Dizem que um óvulo nos primeiros dias após a fecundação não é um ser humano. Por conseguinte, não possui dignidade ou direitos humanos.

Biblicamente, o melhor modo de impedir uma gravidez indesejada é resguardar-se sexualmente para o casamento. Nossos atos acarretam resultados, isso se chama responsabilidade.

Quanto à legalização da prostituição, todas as pessoas devem ser tratadas com respeito e jamais rechaçadas por preconceito ou orgulho. Ademais, cabe ao Estado garantir aos cidadãos o acesso à saúde, educação, segurança e inclusão social. Até um criminoso deve ser tratado como gente, criatura de Deus. Mas não se pode concordar com a erotização cultural, a banalização do sexo e a comercialização do corpo. Essas práticas afetam tanto a vida física, quanto espiritual (1Co 6.9-20; 1Ts 4.1-8). Sendo assim, os cristãos discordam do estabelecimento da prostituição como profissão.

Resumindo, não é bom ou certo, aquilo que a Bíblia diz que é ruim e errado. Além disso, evitamos até mesmo aquelas coisas que não são necessariamente pecaminosas, mas podem gerar obstáculos ao testemunho e evangelização (1Co 9.16-27; 1Ts 55.22).

Dito de outro modo, há um sentido em que a fé bíblica é contracultural e parece antiquada. Orientados pela noção de que o ser e a autoridade de Deus devem ser percebidos em todas as áreas da vida, nos posicionamos a favor de qualquer proposição que, ao mesmo tempo, beneficie o ser humano e honre devidamente a Deus.

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Autor: Rev. Misael Nascimento
Fonte: IPB Rio Preto
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Os Mandatos Criacionais

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Introdução

O registro da revelação apresenta-se com três mandatos específicos: Cultural, Social e Espiritual. Estes mandatos são os condutores da aliança de Deus com seu povo. Estes fios condutores da aliança configura a vida humana em sua totalidade. Dentro desta concepção insere-se a ideia da tríplice estruturada bíblica de uma cosmovisão que envolve: a criação, queda e redenção.

A tríplice estrutura e os mandatos criacionais são discutidos e apresentados pela Teologia Bíblica.  A definição desta ciência é a seguinte: “Teologia bíblica é aquele ramo da teologia exegética que lida como o processo da auto revelação de Deus registrada na Bíblia”.[1]  

As Marcas da Masculinidade

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Quando um rapaz se torna homem? A resposta a essa pergunta está muito além do aspecto biológico e da idade. Conforme definida na Bíblia, a masculinidade é uma realidade funcional, demonstrada no cumprimento, por parte do homem, de responsabilidade e liderança. Com isso em mente, gostaria de sugerir treze marcas da masculinidade bíblica. Chegar a essas qualidades vitais identifica o surgimento de um homem que demonstrará verdadeira masculinidade bíblica.

1. Maturidade espiritual suficiente para liderar uma esposa e filhos

A Bíblia é clara a respeito da responsabilidade do homem em exercer maturidade e liderança espiritual. De fato, essa maturidade espiritual demanda tempo para ser desenvolvida, bem como é um dom do Espírito Santo agindo na alma do crente. As disciplinas da vida cristã, incluindo a oração e estudo bíblico sério, estão entre os meios que Deus usa para moldar um rapaz em um homem e trazer maturidade espiritual à vida de alguém que tem a responsabilidade de guiar uma esposa e uma família. Esta liderança espiritual é central à visão cristã sobre o casamento e a família.

A liderança espiritual de um homem não é uma questão de poder ditatorial, e sim uma liderança e influência espiritual, firme e confiável. Um homem tem de estar pronto para liderar sua esposa e filhos de um modo que honre a Deus, demonstre piedade, inculque o caráter cristão e leve sua família a desejar a Cristo e a buscar a glória de Deus. A maturidade espiritual é uma marca da verdadeira masculinidade cristã; um homem espiritualmente imaturo é, pelo menos neste sentido crucial, apenas um rapaz no aspecto espiritual.

2. Maturidade pessoal suficiente para ser um marido e pai responsável

A verdadeira masculinidade não é uma questão de exibir características supostamente masculinas destituídas do contexto de responsabilidade. Na Bíblia, um homem é chamado a cumprir seu papel de marido e pai. A menos que ele tenha o dom de celibato para o serviço do evangelho, o rapaz cristão deve almejar o casamento e a paternidade. Essa é, com certeza, uma afirmação contrária à nossa cultura, mas o papel de marido e pai é essencial à masculinidade. O casamento é incomparável em seus efeitos sobre o homem, visto que canaliza suas energias e direciona suas responsabilidades à consagrada aliança do casamento e à educação amorosa da família. Os rapazes cristãos devem aspirar ser aquele tipo de homem com o qual uma moça cristã se casaria alegremente, a quem os filhos obedeceriam, confiariam e respeitariam.

3. Maturidade econômica suficiente para manter-se num emprego e lidar com o dinheiro

Os publicitários e os empresários sabem a que alvo devem direcionar suas mensagens — diretamente aos rapazes e adolescentes. Esse segmento específico da população é atraído por bens materiais, entretenimento popular, eventos esportivos e outras opções de consumo. O retrato da masculinidade juvenil tornado popular nos meios de comunicação e apresentado como normal por meio de entretenimentos é caracterizado por imprudência econômica, egoísmo e lazer.

Um verdadeiro homem sabe como segurar um emprego, lidar responsavelmente com o dinheiro e atender às necessidades de sua esposa e sua família. Não desenvolver maturidade econômica significa que os rapazes frequentemente pulam de um emprego a outro e levam anos para “se acharem” em termos de carreira e vocação. Novamente, a adolescência prolongada caracteriza grande segmento da população de rapazes em nossos dias. Um homem verdadeiro sabe como ganhar, administrar e respeitar o dinheiro. Um rapaz crente entende o perigo que existe no amor ao dinheiro e cumpre suas responsabilidades como um servo cristão.

4. Maturidade física suficiente para trabalhar e proteger a família

A menos que seja incapacitado ou enfermo, um rapaz precisa desenvolver uma maturidade física que, por meio de estatura e vigor, identificam uma masculinidade reconhecível. É claro que os homens atingem diferentes tamanhos e demonstram diferentes níveis de vigor físico, mas a maturidade é comum a todos os homens, pela qual um homem demonstra sua masculinidade em ações, confiança e força. Um homem tem de estar pronto a usar sua força física para proteger a esposa e os filhos e cumprir as tarefas que Deus lhe designou. Um rapaz tem de ser ensinado a canalizar seu desenvolvimento e porte físico a um compromisso pessoal de responsabilidade, reconhecendo que o vigor adulto tem de ser combinado com a responsabilidade de adulto e a verdadeira maturidade.

5. Maturidade sexual suficiente para casar e cumprir os propósitos de Deus

Mesmo quando a sociedade celebra o sexo em todas as formas e todas as idades, o verdadeiro homem cristão pratica a integridade sexual, evitando pornografia, fornicação e todas as formas de promiscuidade e corrupção sexual. Ele entende o perigo da lascívia, mas se regozija com a capacidade sexual e poder reprodutivo que Deus lhe deu, comprometendo-se com uma moça, ganhando o seu amor, confiança e admiração — e, eventualmente, sua mão em casamento. É crucial que os homens respeitem esse dom inefável e o protejam até que, no contexto de um casamento santo, sejam capazes de satisfazer esse dom, amem sua esposa e almejem os filhos, que são dons de Deus. A sexualidade masculina divorciada do contexto e da integridade do casamento é uma realidade explosiva e perigosa. O rapaz precisa entender, enquanto atravessa a puberdade e o despertamento da sexualidade, que ele é responsável para com Deus pela administração deste importante dom.

6. Maturidade moral suficiente para liderar como um exemplo de retidão

O padrão vulgar de comportamento dos rapazes é, em geral, caracterizado por negligência, irresponsabilidade e coisas piores. À medida que um rapaz se desenvolve até à masculinidade, ele tem de desenvolver maturidade moral, enquanto aspira a retidão, o aprender a pensar como um cristão, agir como um cristão e mostrar aos outros como fazer isso. 

O homem cristão deve ser um exemplo para os outros, ensinando tanto por preceito como por exemplo. É claro que isso exige o exercício de raciocínio moral responsável. A verdadeira educação moral começa com um entendimento claro dos padrões morais e deve mover-se a um nível de raciocínio moral mais elevado, pelo qual um rapaz aprende como os princípios bíblicos são transformados em viver piedoso e como os desafios morais de seus dias devem ser confrontados com as verdades reveladas na infalível e inerrante Palavra de Deus.

7. Maturidade ética suficiente para tomar decisões responsáveis

Ser um homem implica tomar decisões. Um das tarefas mais fundamentais da liderança é decidir. O estado de indecisão de muitos homens contemporâneos é a evidência de uma masculinidade atrofiada. É claro que um homem não se precipita a tomar uma decisão sem refletir, considerar e ter cuidado, mas ele se expõe a um risco, ao tomar uma decisão — e ao torná-la permanente. Isso exige uma responsabilidade moral que se estenda à tomada de decisões éticas e maduras, que glorifiquem a Deus, sejam fiéis à Palavra de Deus e estejam abertas ao escrutínio moral.

Um verdadeiro homem sabe como tomar uma decisão e viver com suas consequências — embora isso signifique que, mais tarde, ele terá de reconhecer que aprendeu por tomar uma decisão errada e por fazer a correção apropriada.

8. Maturidade de percepção do mundo suficiente para entender o que é realmente importante

Uma inversão de valores caracteriza nossa era pós-moderna, e a situação desagradável da masculinidade moderna se torna mais apavorante pelo fato de que muitos homens não têm a capacidade de desenvolver uma percepção de mundo consistente. Para o crente, isso é duplamente trágico, pois nosso discipulado cristão tem de ser demonstrado no desenvolvimento de uma mente cristã. 

O cristão tem de entender como interpretar e avaliar as questões pelo espectro dos campos da política, economia, moralidade, entretenimento, educação e uma lista aparentemente interminável de outros campos. A ausência de um raciocínio bíblico e consistente da percepção do mundo é uma característica fundamental da imaturidade espiritual. Um rapaz tem de aprender como traduzir a verdade cristã em uma maneira de pensar genuinamente cristã. Precisa aprender a defender a verdade bíblica perante seus colegas e em público; e deve adquirir a habilidade de estender sua maneira de pensar bíblica, fundamentada em princípios bíblicos, a todas as áreas da vida.

9. Maturidade relacional suficiente para entender e respeitar os outros

Os psicólogos agora falam sobre a “inteligência emocional” como um fato importante no desenvolvimento pessoal. Embora o mundo tenha dado muita atenção ao QI, a inteligência emocional é tão importante como aquele. Os indivíduos que não têm a habilidade de relacionar-se com os outros estão destinados a fracassarem diante dos mais significativos desafios da vida e não cumprirão algumas de suas mais importantes responsabilidades e papéis. 

Por natureza, muitos rapazes são direcionados por seu interior. Enquanto as moças aprendem a interpretar os sinais emocionais e se conectam, muitos rapazes não possuem essa capacidade e, aparentemente, não entendem a ausência dessa habilidade. Embora o homem tenha de demonstrar força emocional, constância e firmeza, ele tem de aprender a se relacionar com sua esposa, filhos, colegas e muitos outros, de uma maneira que demonstre respeito, entendimento e empatia apropriada. Ele não aprende isso jogando videogames e entrando no mundo pessoal, o que muitos rapazes adolescentes fazem.

10. Maturidade social suficiente para fazer contribuições à sociedade

O lar é o lugar essencial e a ênfase inescapável da responsabilidade de um homem, mas ele é chamado a sair do lar para ir ao mundo, o mundo amplo, como uma testemunha e como alguém que dará uma contribuição ao bem comum. Deus criou os seres humanos como criaturas sociais e, ainda que nossa cidadania final esteja no céu, temos de cumprir nossa cidadania na terra.

Um rapaz tem de aprender a cumprir uma responsabilidade política como cidadão e uma responsabilidade moral como membro de uma comunidade. O homem crente tem uma responsabilidade civilizacional, e os rapazes devem aprender a se verem como formadores da sociedade, visto que a igreja é identificada pelo Senhor como luz e sal. De modo semelhante, um homem crente tem de aprender a se relacionar com os incrédulos, como testemunha e como cidadãos de uma pátria terrestre.

11. Maturidade verbal suficiente para se comunicar e falar como homem

Um homem tem de ser capaz de falar, ser entendido e se comunicar de um modo que honre a Deus e transmita a verdade de Deus aos outros. Além do contexto da conversa, o rapaz deve aprender a falar diante de grandes grupos, vencendo a timidez natural e o temor que resulta de ver um grande número de pessoas e abrindo a boca e projetando palavras. 

Embora nem todos os homens se tornarão oradores públicos, cada homem deveria ter a habilidade de levantar-se, formular suas palavras e argumentar quando a verdade está sob ataque e quando a fé e a convicção têm de ser traduzidas em argumentos.

12. Maturidade de caráter suficiente para demonstrar coragem em meio ao fogo

A literatura sobre masculinidade está repleta de histórias de coragem, bravura e audácia. Pelo menos, é assim que ela costumava ser. Ora, estando a masculinidade tanto banalizada como marginalizada pelas elites culturais, e existindo subversão ideológica e confusão proveniente dos meios de comunicação, temos de recapturar um compromisso com a coragem, compromisso esse que é transportados aos desafios da vida real enfrentados pelo homem cristão.

Às vezes, a qualidade de coragem é demonstrada quando um homem arrisca sua própria vida para defender outros, especialmente sua esposa e filhos, mas também qualquer pessoa que necessita de resgate. Com muita frequência, a coragem é demonstrada em tomar uma posição em meio ao fogo hostil, recusando-se a sucumbir à tentação do silêncio e permanecendo como um exemplo e modelo para os outros, que assim serão encorajados a se manterem firmes em sua própria posição. 

Nestes dias, a masculinidade bíblica exige muita coragem. As ideologias prevalecentes e as cosmovisões desta era são inerentemente hostis à verdade cristã e corrosivas à fidelidade cristã. Um rapaz precisa ter muita coragem para se comprometer com a pureza sexual, e um homem, para se dedicar exclusivamente à sua esposa. É necessário grande coragem para dizer não àquilo que esta cultura insiste serem os prazeres e deleites legítimos da carne. É necessário muita coragem para manter integridade pessoal em um mundo que desvaloriza a verdade, menospreza a Palavra de Deus e promete auto-realização e felicidade somente pela asseveração da absoluta autonomia pessoal. 

A verdadeira confiança de um homem está arraigada nas fontes da coragem, e esta é evidência de caráter. Em última análise, o caráter de um homem é revelado no crisol dos desafios diários. Para a maioria dos homens, a vida também traz momentos em que coragem extraordinária será exigida, se ele tem de permanecer fiel e verdadeiro.

13. Masculinidade bíblica suficiente para exercer algum nível de liderança na igreja

Uma consideração mais atenta de algumas igrejas revelará que um dos problemas centrais é a falta de maturidade bíblica entre os homens da congregação e a falta de conhecimento bíblico, o que torna os homens mal equipados e completamente despreparados para exercer liderança espiritual.

Os rapazes têm de familiarizar-se com o texto bíblico e sentir-se à vontade no estudo da Palavra de Deus. Precisam estar prontos a assumir seu lugar como líderes na igreja local. Deus estabeleceu oficiais específicos para a sua igreja — homens que são dotados e chamados publicamente —, por isso, todo homem crente deveria cumprir alguma responsabilidade de liderança na vida da igreja local. 

Para alguns homens, isso pode significar um papel de liderança menos público do que o de outros. Em qualquer caso, um homem dever ser capaz de ensinar alguém e liderar algum ministério, transformando seu discipulado pessoal na realização de uma vocação santa. Há um papel de liderança para todo homem, em toda igreja, quer seja uma liderança pública ou privada, pequena ou grande, oficial ou extra-oficial. Um homem deve saber como orar diante dos outros, apresentar o evangelho e ocupar um lugar vazio quando a necessidade de liderança é evidente.

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Sobre o autor: Albert Mohler Jr. é reconhecido como um dos líderes mais influentes dos Estados Unidos pelas revistas Time e Christianity Today. Possui um programa no rádio que é transmitido em mais de 80 estações em todo o país. É presidente da escola mais importante da Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos, a Southern Baptist Theological Seminary.
Tradução/via: Ministério Fiel
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Casamento obrigatório? Respondendo...

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Determinado pastor fez um recorte de uma fala de O. Palmer Robertson: “Portanto, o casamento pode ser considerado como uma dimensão altamente significativa na ordenança divina da criação. Essa ordenança continua a ter importância obrigatória para o homem na redenção”.

A fala está no livro O Cristo dos Pactos” (p. 64) e encerra a questão do casamento na aliança da criação. Após fazer o resgate dessa frase, ele cita 1 Coríntios 7. 1,27: “E aos solteiros e viúvas digo que lhes seria bom se permanecessem no estado em que também eu vivo... Estás casado? Não procures separar-te. Estás livre de mulher? Não procures casamento.

Na citação de Robertson, ele coloca o título “Teologia Aliancista”. Já o texto de coríntios, intitula como “Teologia Bíblica”, dando a entender que existe uma contradição, forçando o julgamento de que o aliancismo não é bíblico. Todavia, o pastor além de ser tendencioso em seu recorte, também foi desonesto. O próprio Robertson não ignora o texto mencionado e dá uma explicação. Vejamos:

O argumento de Robertson, que é um eminente teólogo aliancista, repousa no fato de que na criação Deus institui o casamento como sendo uma ordenança para o homem criado. “...não é bom que o homem esteja só” (Gn 2.18). Ao ser questionado sobre o divórcio, que é a anulação do casamento, Jesus evocou a criação para defender a indissolubilidade do matrimônio “Vocês não leram que, no princípio, o Criador os fez homem e mulher’” (Mt 19.4). Cristo então prossegue: “‘Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne? Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, ninguém o separe (Mt 19.5,6).

Vejam que aquilo que Deus estabelece na criação é paradigma para a humanidade. O casamento é a base da sociedade e é responsável pelo povoamento da terra. “Deus os abençoou, e lhes disse: Sejam férteis e multipliquem-se!” (Gn 1.28). A multiplicação se dá através da geração de filhos mediante o ato sexual, e este só é abençoado no leito do matrimônio. A sexualidade foi algo criado por Deus para o deleite do casamento. Adão e Eva foram criados para formar uma família, dando origem a outras famílias. Por isso que em Levítico 20 há uma lista de pecados envolvendo relações íntimas. O adultério, o incesto, a sodomia, relações sexuais com parentes de primeiro grau e zoofilia são atos pecaminosos que desagradam a Deus. Sendo assim, o casamento é normativo e é obrigatório para a raça humana continuar aquilo que começou lá no Éden. Essa é a citação de Palmer em seu devido contexto:

“A propagação da raça por meio da instituição do casamento indica o meio primário pelo qual os propósitos de Deus na redenção encontram cumprimento. Deus realiza seus propósitos de redenção não por um método contrário às estruturas da criação, mas por método em conformidade com a criação.
Portanto, o casamento pode ser considerado como uma dimensão altamente significativa na ordenança divina da criação. Essa ordenança continua a ter importância obrigatória para o homem na redenção”. (O Cristo dos Pactos, p. 64)

A obrigação não é em relação aos indivíduos, pois alguns destes não se casarão - o que diz o texto de Paulo aos coríntios, e que Robertson já havia comentado anteriormente, na pág. 63:

“Embora a injunção de Deus para multiplicar e encher a terra aplique-se ainda aos homens de hoje, e o casamento ainda permaneça como a intenção criacionalmente ordenada ao homem, não se deve ver nenhuma contradição quando a expressão apostólica ‘é bom que o homem não toque mulher’ (1Co 7.1) é colocada ao lado da ordem da criação ‘não é bom que o homem esteja só’ (Gn 2.18). Com base no ‘dom’ necessário para permanecer no estado de solteiro (1Co 7.7), e devido aos sofrimentos do tempo presente (1Co 7.26), o homem ou a mulher pode deixar de casar-se”.

As dificuldades do casamento, isto é, dificuldades de se relacionar, resultam do pecado: “Mas aqueles que se casarem enfrentarão muitas dificuldades na vida, e eu gostaria de poupá-los disso” (1 Co 7.28b). Um pouco antes Paulo diz que sua recomendação para não casar não é mandamento, é um parecer que ele dá para evitar os que são virgens e jovens para que não sofram com as pressões da vida matrimonial (vide 1 Co7:25,26). Gosto de uma frase que diz: “Enquanto o pecado for amargo, o casamento não poderá ser doce” (Extraída de “Quando Pecadores Dizem Sim”). Isso quer dizer que é o fato dos cônjuges serem pecadores causam as aflições da vida de casado, todavia, a percepção de que somos pecadores também opera nos cristãos a dependência e o desejo de andar com Cristo, tendo fé de que ele nos santifica mediante a obra realizada pelo Espírito Santo em nós.


Dito tudo isso, chegamos então a duas conclusões:

1. O que o aliancismo prega sobre o casamento não é contrário a Bíblia, nem mesmo é contrário ao texto específico de 1 Coríntios 7. O casamento é obrigatório para a RAÇA HUMANA sim, além disso, ele é o meio ordinário para que Deus cumpra seu propósito redentor. Não se pode negar tal fato por conta de alguns poucos indivíduos que, por dom ou por outras razões, optam por não casar.

2. O tal pastor, além de infeliz em sua saga para enfraquecer o aliancismo, usou um meio desonesto para fazer isso. O recorte intencionalmente distorceu o que disse Palmer Robertson. Isso é dar falso testemunho, quebra do nono mandamento (Coisa grave!) Mas, não sei se por conta de seu dispensacionalismo, talvez ele ache que o decálogo não seja válido, podendo então ser assim descumprido. Será? Bem, a certeza que pode se ter é que o episódio é muito triste. 

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Autor: Pr. Thiago Oliveira
Divulgação: Bereianos
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Casamento misto – vai acabar em pizza?

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Uma das áreas em que o povo de Deus mais ignora o ensino bíblico é no casamento, e isso aparece de diversas formas. Qualquer pastor experiente poderá te afirmar que enorme parte dos aconselhamentos que ele tem de fazer diz respeito a questões de casamento: infidelidade, insubmissão, falta de perdão entre os cônjuges, filhos e escolhas, maridos que não lideram suas famílias e assim vai.

Mas há, é claro, problemas que dizem respeito ao que se passa antes do casamento, e um desses é a escolha do cônjuge. O povo de Deus é terrivelmente mal-informado acerca do que se deve procurar num cônjuge. Na minha ainda pequena experiência, tenho visto que mulheres muitas vezes se satisfazem com o mero combo casamento feliz: “ele não me bate, não me impede de ir à igreja e não leva jeito de que vai me trair”. Isso é se satisfazer com muito pouco. O ideal bíblico para um homem é alguém que esteja na trajetória de se assemelhar cada vez mais a Cristo em amar sua mulher como Cristo ama a igreja. Isso envolve, liderar, servir amorosamente, lutar por sua santificação, amar sacrificialmente, prover e se gastar profundamente em prol dela. Ser Cristo em casa. Meramente não trair está dentro da capacidade de qualquer tonto ali na esquina. Um descrente, por não ser redimido por Cristo, nunca será capaz de se assemelhar a Cristo no cuidado por sua mulher. Pode, no máximo, ser um bom marido de acordo com os padrões desse mundo caído. E, tristemente, é cada vez mais comum ver crentes optando por se casarem com descrentes. Esse é o ponto principal deste artigo. Será que casamento com descrente vai acabar em pizza?

As fatias de pizza da vida

Por que cada vez mais homens e mulheres buscam se tornar uma só carne com alguém que ainda existe na velha carne? Fazer um pacto para a vida inteira com alguém que recusa o pacto com Cristo? Trocar o coração com alguém que tem um coração de pedra? É óbvio que há uma legião de razões. Foquemos em uma. Penso que uma razão é que muitos, por causa da secularização de nosso tempo, veem a religião como apenas uma das áreas diversas da vida. Uma de diversas possíveis opções, mas algo que não influencia demais a vida como um todo. Como fatias de uma pizza que compõe a vida da pessoa.

Explico: tendemos a ver os diversos compartimentos da vida como se fossem um tanto separados, como se fossem as várias fatias que formam a minha pizza. E cada um tem sua pizza individualizada: tenho minhas preferências musicais, escolhas de uso financeiro, minhas peculiaridades na área da saúde, minhas preferências sexuais, ideias sobre criação de filhos, meus hobbys favoritos, e assim por diante. E a decisão de seguir a Cristo muitas vezes é tratada como se fosse só mais uma das fatias da pizza. Assim, quando chega a hora de escolher o marido ou a esposa, basta ver se há suficientes fatias em comum – ainda que não todas.

“Que importa se ele não é crente? Pensamos igual sobre criação de filhos, gostamos dos mesmos programas, não brigamos, ele trata bem minha família… e ainda por cima, na parte em que somos diferentes, ele respeita. E mais, até apoia que eu vá à igreja. E até aparece de vez em quando!” É a mesma ladainha que ouço de moça atrás de moça se enganando enquanto se rebela contra Deus. E vários colegas pastores relatam o mesmo problema. É claro, há variações. E sim, há homens que entram nessa também. Mas parece-me que os rapazes são menos iludidos. Vão atrás de moças descrentes justamente pelas coisas em que são diferentes. É mais malandragem mesmo.

A massa envenenada

Mas será essa uma visão adequada? Se formos seguir a visão pizzaiola da vida, mais apropriado seria dizer que a situação da pessoa diante de Deus, crente ou descrente, é a própria massa da pizza, sobre qual se constroem todos os outros elementos. É o que Jesus nos ensina quando diz, por exemplo, que aquele que não é por ele é contra ele (Mateus 12.30). Não existe neutralidade, não existe a possibilidade de ter áreas da vida em que a rebelião contra Cristo seja inócua. O veneno da impiedade se espalha por toda a vida.

Na fatia do uso do dinheiro, por exemplo. O cristão tem de se dobrar diante da verdade Bíblica profunda de que todo nosso dinheiro pertence a Deus, não somente o que se separa no dízimo. E que cada centavo deve ser gasto em honra a Deus, seja comprando comida, roupa, pagando aluguel ou levando a esposa para passear em Gramado. Mas o descrente não vê assim. Ele vê o dinheiro como uma prerrogativa sua. E cedo ou tarde surgirão conflitos sobre o uso do dinheiro. Apoiar aquela família da igreja que perdeu o emprego? Uma oferta especial de amor a missionários nesse natal? O dízimo? Mas vai além disso. Como o descrente vê a questão da unidade financeira do lar? Do esbanjar? E a idolatria tão comum de fazer com que coisas e status financeiro definam nosso valor? O evangelho tem antídotos para essas coisas todas – mas a esposa descrente não se submete ao evangelho.

E a fatia de pizza da criação de filhos? Como será guiar o filho no caminho do Senhor quando no próprio lar há um pai ou mãe que ativamente rejeita seguir a Jesus? Como modelar a vida cristã se todos os dias há alguém modelando a vida longe do Senhor em casa? A Bíblia tem muito a dizer sobre a tarefa de criar filhos, e vai muito além de moldar cidadãos honestos e produtivos. O objetivo é ensina-los a viver como nada mais nada menos que seres humanos de um novo mundo habitando como sal e luz neste. Como um descrente vai conseguir ajudar nisso? Ainda que não se meta ou atrapalhe, o que julgo ser quase impossível. Mas ainda que ocorresse… A tarefa é difícil demais e precisamos de toda ajuda possível. Meninos precisam de homens que modelem o que é ser um homem cristão tanto quanto meninas precisam do modelo feminino. Aliás, meninas precisam ver em seu pai um modelo do que é Cristo cuidando da igreja, assim direcionando seus afetos tanto para Cristo quanto para o possível futuro marido.

Mas, por certo, a deliciosa fatia da sexualidade seguirá incólume independente do que compõe a massa, não? Não é apenas, digamos, fazer? Também não. A sexualidade humana é um dom criacional de Deus, projetado para ser experimentado dentro da santidade pactual do casamento. E ela não é apenas a conjunção carnal de partes de diferentes; é algo maior e mais profundo. Trata-se da expressão física da profunda unidade de alma. Novamente, um que está morto em delitos e pecados tem em sua alma a marca da rebeldia ferina contra Cristo, detendo a verdade pela injustiça (Romanos 1.18). Alguém que tem o coração de carne dado pela ação do Espírito Santo está aprendendo a interpretar toda a vida por meio das lentes da Escritura, inclusive o que faz ou deixar de fazer na cama. Nisso tudo, a dinâmica bíblica de buscar o interesse do outro – inclusive na sexualidade – vai se mostrar diferente quando o jugo é desigual. E te pergunto: você quer mesmo fazer sexo com um inimigo do teu salvador?

A fatia da pizza do uso do tempo livre também é afetada pela disposição básica do coração. Não é apenas a escolha de gastar tempo em lindas manhãs de Domingo com o povo de Deus na igreja ao invés de na AABB ou no parque da cidade. Vai além de buscar encontrar outros jovens casais no Sábado à noite ao invés de um grupo de descrentes. Essas coisas são importantes, mas vai além disso. Diz respeito a fazer com que cada ato do tempo livre de vocês seja um momento de ação de graças e deleite na bondade de Deus. Seja o cineminha, o jantar a dois, o passeio de caiaque ou a viagem de férias. Diz respeito a fazer tudo para a glória de Deus junto a alguém que faz o mesmo, e não alguém que se recusa a glorificar e agradecer a Deus (Romanos 1.21).

São várias as fatias de pizza que compõem a vida de alguém, e nenhuma delas deixa de ser afetada pela massa, não importa quão apetitosos pareçam o queijo ou seja o que for que vem junto.

Não se contente com pouco

Mas será que não vale a pena? Pois, afinal, a massa dele pode se converter e será uma massa crente! Será que não é justamente por meio de estar comigo que ele(a) vai ouvir e ver o evangelho, vindo então a se converter? É inegável que muitas conversões aconteceram nessa situação, mas penso que o número é superestimado. Não podemos presumir que Deus será gracioso. É como justificar a irresponsabilidade no uso do cinto de segurança pelo fato de que há pessoas que não usam e ainda assim sofrem acidentes sem morrer. E vejo e sei de muitos e muitos casos onde acaba em divórcio, ou simplesmente em décadas de frustração.

Mas o problema é mais básico que isso. No final das contas, veja o tamanho da rebeldia e estultícia: a pessoa está dizendo que sua esperança é que, por meio de seu pecado, o outro seja convertido. Quem sabe por meio de desobedecer a Deus o outro venha a ser obediente a Deus. Quem sabe por meio de rejeitar o claro ensinamento de Cristo o outro venha a se tornar discípulo de Cristo. Quem sabe minha idolatria faça o outro vir a amar o Deus verdadeiro. Isso é tolice.

Não é sábio nem bom seguir por esse caminho. Sim, eu sei que há escassez de homens bons para casar na igreja (por certo estou trabalhando em minha igreja para mudar isso, e sei de muitos outros que fazem o mesmo). Mas, queridas ovelhas de Cristo, parem de se contentar com pouco. Pare de querer pizza velha de boteco quando Deus te chama a uma refeição gourmet com um filho dele. Deus não está querendo te impedir de ser feliz – Ele quer que você tenha uma imagem do próprio relacionamento de Cristo e a Igreja em sua casa.

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Autor: Rev. Emilio Garofalo Neto
Fonte: Reforma 21
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Considerações sobre a legalização do casamento gay

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Algumas pessoas, ainda umas que se denominam cristãs, não veem qualquer problema na legalização do casamento gay. Ora, qual o problema de duas pessoas que se amam serem reconhecidas pelo Estado, ou mesmo por alguma Igreja, sua união? Por que gozariam os heterossexuais de um direito ao casamento, enquanto esse direito seria negado aos homossexuais? Ainda, se estamos em um Estado laico, não deveriam os cristãos, mesmo sendo contra o casamento gay religioso, ser a favor das pessoas se casarem no civil? Alguns pensam: “sou contra a homossexualidade, mas a favor das pessoas se casarem”, ou “sou contra o casamento gay apenas religiosamente falando, mas não generalizo meus princípios religiosos privados para a vida secular”. Será mesmo coerente esse tipo de posicionamento? Como os cristãos devem enxergar o casamento gay?

As bases biológicas do casamento

Para começar, definamos “casamento”. Mesmo sem recorrer a argumentos essencialmente religiosos, a definição de casamento permanece sendo a união de duas pessoas de sexos diferentes. Isso porque a definição de casamento se sustenta sobre três pilares básicos: (i) sexo; (ii) quantidade e (iii) espécie. Existem dois sexos biológicos básicos na espécie humana: masculino e feminino (isso não significa que não possa haver exceções aos sexos biológicos básicos). Com base nesse aspecto biológico se estabelece o casamento como sendo entre duas pessoas (quantidade), sendo elas (um homem e uma mulher). Em seguida o casamento é delineado como sendo constituído por pessoas da espécie humana. Estes três pilares (i) sexo: homem e mulher; (ii) quantidade: duas pessoas; (iii) espécie: humana, são a essência que define o que é casamento. Sabe-se, no entanto, que o biológico não é a única coisa a se levar em conta na questão da conjugabilidade, e que nesse sentido o casamento precisa ser constituído de laços afetivos. No entanto, será um erro ignorar o biológico e assumir somente a afetividade na conceituação de casamento. A definição de casamento se sustenta sobre os três pilares biológicos e sobre a afetividade, e não apenas sobre um ou outro. Uma sociedade hedonista, em que se valoriza o amor eros e ignora a biologia humana, acaba por fazer com que o termo “casamento” perca seu rigor conceitual, o que por sua vez gera uma palavra vazia de significados, plástica e flexível, reflexo da fluidez de nossa sociedade. Casamento é, na própria definição do termo, heterossexual, pois carrega consigo a alteridade biológica. “Casamento gay” é um contradicto in adjecto, uma contradição nos próprios termos.

O campo da afetividade e a conjugabilidade

Baseado na teoria dos campos de poder de Weber, alguns teóricos tem desenvolvido a ideia da emergência de um novo campo de poder, o campo da afetividade.[1] Até o fim da Idade Média, campos de poder, como a política, a ética, a economia e a religião, estavam todos em torno da Igreja. Com o secularismo, teria havido uma delimitação mais distinguível dos campos de poder. O campo de poder da religião separou-se do campo de poder do Estado, a Ciência moderna, filha do escolasticismo, foi se tornando um campo cada vez mais independente, separando-se de pressupostos religiosos e subjetivistas. Desse modo, houve um processo que poder-se-ia chamar de uma complexificação dos campos de poder. 

Um campo de poder que também surgiu na Idade Moderna teria sido o campo da afetividade. Tal campo emergiria, englobando ciências afetivas, como a Psicologia, o estudo da socioafetividade, a Teoria das Relações Humanas na Administração, o conceito de Inteligência Emocional dentre outros, além de lançar o solo para o Feminismo, os movimentos de diversidade, o Pentecostalismo e as religiões carismáticas. O surgimento deste novo campo foi de grande importância para o mundo, especialmente por uma maior consideração da dimensão afetiva do ser humano, seus aspectos psicológicos, suas emoções e sua subjetividade.

O campo afetivo trouxe também consequências no que diz respeito ao casamento. O casamento, a partir do século XVIII, passou a estar cada vez mais vinculado a noção de amor. O casamento passou cada vez a estar mais ligado às ideias de erotismo e amor-paixão, do que às ideias de contrato familiar e propriedade. Surge então na Modernidade a ideia do amor-paixão como fundamento do casamento. E de fato, não negamos a importância da esfera psicológica e afetiva do casamento.       

No entanto, existe algo que podemos chamar de violência simbólica de um campo de poder. Alguns campos de poder podem lançar seus tentáculos e querer usurpar outro campo. O Mercado pode, por exemplo, interferir na Medicina, como quando a Psiquiatria passa a ter de atender interesses da indústria farmacêutica. O Estado pode querer interferir nas relações familiares, proibindo os pais de darem “palmadas” nos filhos. Um campo de poder pode também, querer reduzir toda a realidade em torno de si, como o fizeram o psicologismo, o positivismo e o biologismo. Assim, alguns podem interpretar que todos os fenômenos são psicológicos, ou passarem a enxergar o ser humano como um animal biológico tal como qualquer outro “produto do processo evolucionário”. 

Ultimamente, é isso que temos visto fazer o campo afetivo. Ele se ergue sobre outros campos, querendo lançar fora as bases biológicas para a definição do casamento e prepotentemente querendo definir casamento sobre a base do sentimento. O resumo da conjugabilidade pelo afetivismo se vê naqueles que pensam “Qual o problema de duas pessoas que se amam, se casarem?” ou “Deixem as pessoas serem felizes”– como se o sentimento afetivo de amor resumisse a questão. Isso tem reverberações até no crescimento do divórcio – o separar-se porque o “amor acabou”. Assim, o casamento, tanto conceitualmente, como pragmaticamente, passa a estar resumido e sustentado tão somente pela afetividade. O fato de dois homens ou duas mulheres se amarem eroticamente, não os torna um casal, pois o casamento não se reduz a esfera afetiva.

A esfera transcendental do casamento

Para os cristãos a questão é ainda mais profunda, o casamento não tem só uma esfera biológica e afetiva, mas também uma dimensão ética-transcendental. Ele foi criado com um propósito e um sentido. A união de dois sexos diferentes é o símbolo da distinção na unidade, reflexo do arquétipo uno/múltiplo da natureza divina, comunicada na Imago Dei. A unidade essencial e a pluralidade pessoal do divino são refletidas na união conjugal dos gêneros. A alteridade dos sexos é um elemento necessário para o casamento enquanto reflexo do transcendente. É por isso que, em sua dimensão transcendental, o casamento só pode ser casamento se for heterossexual, e a união sexual entre duas pessoas do mesmo sexual é uma perversão narcísica que ignora a alteridade. 

Há ainda uma esfera mítica no casamento. Ele revela um mistério, a união mística entre Cristo e a Igreja. O casamento tem uma esfera espiritual. Ele existe como encenação da união amorosa entre o Deus Filho e Seu povo eleito. O homem é o representante da autoridade de Cristo na família, e a mulher manifesta a glória da Igreja no matrimônio. Os cristãos devem ter em mente toda essa esfera ética – transcendental – espiritual, antes de darem as mãos ao reducionismo afetivo do casamento gay. 

O casamento gay e o posicionamento cristão

Lúcio Oliveira pontua que “Platão, em a ‘República’ observa que tal como é a sanção pública em torno da moralidade, dos valores, do que ela acha legal e ilegal, será a formação da mentalidade ética da geração posterior.[2] Trocando em miúdos, quando as crianças em formação olharem para o mundo e virem que tudo isso é considerado normal, uma questão de ‘direito’ e até mesmo algo comemorado pelo povo - inclusive por seus pais cristãos - é bem possível que tenha sua percepção de mundo influenciada. E, não, ela não assimilará os valores de tolerância e afins. Os valores antropológicos dos pais cristãos e sua concepção a respeito do ser humano serão solapados pelo fenômeno que se desdobra na sociedade. Um bom adolescente perceberá que esses valores da ‘velha religião’ são obsoletos para o seu tempo. E estes cristãos estarão em maus lençóis quando tiverem que evangelizar seus filhos. Se é que têm esse interesse. Se é que são cristãos”. 

Assim a legalização do casamento gay não significa uma mera concessão de direitos, mas uma nova, e quase uma revolução[3], no modo de pensar da sociedade, uma sociedade que vai tomar uma prática imoral como moralmente aceitável, consentir com isso é consentir que a sociedade adote um modo de pensar que é contrário aos princípios da moral, em especial levando em consideração que os cristãos consideram a moral como absoluta, universal e objetiva, e não relativa. Ser conivente com a legalização do casamento gay seria contribuir também para que o modo de pensar da próxima geração seja modificado, de modo a prejudicar e dificultar os cristãos a continuarem a manter seu posicionamento diante da nova mentalidade social.

Além disso, cremos que a Lei de um Governo acaba por refletir a moral do seu povo, de fato, as nossas leis são alicerçadas nos princípios da moral judaico-cristã, e seria uma pena que perdêssemos esses princípios, pois eles certamente são o que sustentam os princípios de justiça social, respeito, amor e tolerância. Um dos papéis da Igreja, apontados por Cristo, é que ela deve ser “sal da Terra”, o que faz o sal senão servir de elemento que permite a preservação e a conservação? Assim defendemos que o papel dos cristãos em meio a uma sociedade que esteja gradualmente perdendo os padrões de moral, é de trabalhar para que essa moral seja conservada. Isso é justamente uma manifestação do amor cristão, que jamais consentiria com que as decisões de hoje fizessem produzir uma mentalidade social desvinculada dos princípios morais. 

O casamento não é simplesmente um “direito civil inerente ao ser humano”, de fato, diferente do acesso à saúde, educação e moradia, o casamento não é um direito inalienável, e é verdade que, uma pessoa pode ser plenamente realizada sem se casar. A questão é que o Estado ao aprovar o casamento gay está concedendo benefícios a esse tipo de união, como direito a herança, repartição de bens, etc. Ao fazer isso o Estado está incentivando um tipo de prática, e não penso que os cristãos devam apoiar que o Estado incentive uma prática imoral. Cremos sim que os homossexuais têm o direito de fazer sexo com pessoas do mesmo sexo, mas uma coisa é o Estado permitir isso, outra é ele incentivar, quando dá benefícios a esse tipo de união. Ao conceder benefícios à união homossexual, legalizando o casamento, o Estado já está adotando um posicionamento moral, a saber, que o casamento homoafetivo é benéfico para a sociedade. Mas, os cristãos não concordam com esse posicionamento moral, já que cremos que a prática da homossexualidade é moralmente nociva, logo não faria sentido para o Cristianismo ser favorável a legalização do casamento gay. 

A posição do Estado em favor do casamento gay não é uma posição “neutra”, ao contrário, é uma posição em benefício de uma união imoral e que prejudica o Cristianismo. Aliás, a legalização do casamento gay favorece uma concepção relativista ou utilitarista de moral em detrimento a uma concepção ética metafísica ou objetiva. No entanto, a negação da objetividade e universalidade da ética e da moral é uma contradictio in adjecto, o relativismo moral se for levado a sério conduz a resultados desastrosos. A concepção utilitarista de moral, no entanto, continua não sendo um padrão satisfatório, na medida em que os efeitos de um posicionamento não determinam sua moralidade. 

Resposta à objeção do casamento como sendo privado

Alguns dizem que o casamento é uma questão de fórum privado, que duas pessoas se casarem não interfere na vida de um religioso contrário ao casamento gay. Mas será essa objeção coerente? O difícil estará em definir o que seria pertencente à vida privada, visto que de toda forma, nossa subjetividade não pode ser separada do social, e até mesmo aquilo que fazemos no âmbito privado, na medida em que se relaciona com a nossa subjetividade, e visto que esta última está intimamente relacionada com a vivência em sociedade, torna a linha entre social e privado extremamente difícil de definir. Neste caso, por exemplo, em relação aos homossexuais, sou contra a criminalização das relações homossexuais, não havendo problema civil que duas pessoas do mesmo sexo, tenham, no âmbito privado, relações entre si, por outro lado sou contra a legalização do casamento gay, na medida em que isso carrega várias questões ideológicas, que como se percebe, tem um impacto social muito significativo. Somente um cego não percebe as profundas modificações sociais e os impactos públicos, que têm a legalização do casamento gay. 

Considerações finais

Precisamos levar vários pontos em questão, para que a Igreja ao invés de ser “sal da Terra”, não se converta em uma contribuidora para a degradação moral que se desdobra em nossa sociedade. A legalização do casamento gay é uma violação simbólica entre campos de poder, em que a afetividade quer reduzir sobre si as prerrogativas de dominar sobre a ética, a religião, o transcendental e o biológico. Não existe casamento gay, justamente porque o termo casamento por si só já designa uma união heterossexual. Nós, cristãos, não compactuamos com a ideia de casamento gay, nem reconhecemos a existência real de tão união conjugal. Antes, obedecemos às Escrituras, quando dizem:

 “Mas a impudicícia e toda sorte de impurezas ou cobiça nem sequer se nomeiem entre vós, como convém a santos; nem conversação torpe, nem palavras vãs ou chocarrices, coisas essas inconvenientes; antes, pelo contrário, ações de graças. Sabei, pois, isto: nenhum incontinente, ou impuro, ou avarento, que é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus. Ninguém vos engane com palavras vãs; porque, por essas coisas, vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência. Portanto, não sejais participantes com eles. Pois, outrora, éreis trevas, porém, agora, sois luz no Senhor; andai como filhos da luz (porque o fruto da luz consiste em toda bondade, e justiça, e verdade), provando sempre o que é agradável ao Senhor. E não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as. Porque o que eles fazem em oculto, o só referir é vergonha. Mas todas as coisas, quando reprovadas pela luz, se tornam manifestas; porque tudo que se manifesta é luz. Pelo que diz: Desperta, ó tu que dormes, levanta-te de entre os mortos, e Cristo te iluminará. Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, e sim como sábios,” - Efésios 5.3-15
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Fontes:
[1] http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932002000200009&lng=en&nrm=iso&tlng=pt
[2] https://www.facebook.com/lucio.antoniodeoliveira/posts/661784180588386
[3] https://www.youtube.com/playlist?list=PLGwlMYcY85qaC58YrqYDdwrFghhaQUWkU

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Autor: Bruno dos Santos Queiroz
Divulgação: Bereianos
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