Batismo é por imersão ou aspersão?

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Aproveitando a Semana Teológica do Seminário JMC, neste vídeo George Lucas do Canal Geolê entrevista o Rev. Leandro Lima sobre o batismo - imersão ou aspersão? Assista:


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Fonte: Geolê
Palestra completa do Rev. Leandro Lima, disponível aqui!
Livro citado: Batismo cristão - imersão ou aspersão? - Charles Hodge
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O que todo presbiteriano precisa saber sobre: Sacramentos

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Introdução

Se alguém o perguntasse quais são os dois meios ou instrumentos utilizados, fora a Palavra e oração, para o seu crescimento espiritual, qual seria sua resposta? Alguns poderiam dizer que ouvir alguns louvores seria um dos meios de crescimento, e outros poderiam dizer que evangelismo pessoal também ajudaria. E entenda bem, não estou dizendo que isso não nos ajude, mas a cada dia surge um modismo novo que substitui aquilo que a própria Escritura estabelece como um “culto racional” para algo do “coração”, esquecendo-se das bênçãos que Deus concede na coletividade da igreja. 

As promessas da Aliança se estendem até aos nossos filhos

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Desde o Dia 25 o Catecismo de Heidelberg vem tratando dos sacramentos, mais necessariamente sobre o Batismo, pois dos Dias 27-30 o Catecismo irá tratar sobre a Santa Ceia. Diante de tanta confusão sobre os Sacramentos, a Reforma decidiu ficar com o testemunho das Escrituras, pois para a religião predominante da época (e infelizmente para alguns evangélicos atuais) o Batismo (assim como a Ceia que será tratada mais adiante) era sobrenatural com poderes miraculosos.

No entanto, os Reformadores não só combateram os erros aplicados aos Sacramentos como mostraram que o Batismo, por exemplo, nos garante as promessas da Aliança estabelecida pelo próprio Deus:

A) Elas são reais e seguras

72. Então, a própria água do batismo é a purificação dos pecados?
R. Não (1), pois somente o sangue de Jesus Cristo e o Espírito Santo nos purificam de todos os pecados (2).

(1) Mt 3:11; Ef 5:26; 1Pe 3:21. (2) 1Co 6:11; 1Jo 1:7.
73. Por que, então, o Espírito Santo chama o batismo "lavagem da regeneração" e "purificação dos pecados"?
R. É por motivo muito sério que Deus fala assim. Ele nos quer ensinar que nossos pecados são tirados pelo sangue e Espírito de Cristo assim como a sujeira do corpo é tirada por água (1). E, ainda mais, Ele nos quer assegurar por este divino sinal e garantia que somos lavados espiritualmente dos nossos pecados tão realmente como nosso corpo fica limpo com água (2).

(1) 1Co 6:11; Ap 1:5; Ap 7:14. (2) Mt 16:16; Gl 3:27.

As promessas contidas nas explicações das P/R 72 e 73 é que o único meio de um pecador ser lavado de seus pecados é por meio do sangue de Jesus Cristo, não há outro meio do pecador ficar mais alvo do que a neve (Is 1.18), se Cristo não lava-lo com Seu sangue. No entanto, se o batismo não nos lava da mesma forma que o sangue de Cristo, então por que receber o sinal do batismo? Creio que para explicar essa pergunta vale uma ilustração: Um rapaz viaja a trabalho. Ele vai passar uma temporada fora de seu estado, longe de sua família principalmente de sua noiva. Pois, segundo os seus planos, em seu retorno, eles irão se casar. Durante esse tempo longe de casa o noivo mantém contato com sua noiva pelas redes sócias e telefonemas. No entanto, mesmo com todos esses contatos diariamente, ele mantém guardado em seu celular uma foto de sua noiva a qual ele a olha todos os dias. Em certo dia, seus amigos de trabalho o percebem olhando para a foto e perguntam: “Quem é ela?”. Ele responde: “É minha noiva, vou casar com ela quando eu voltar”.


Pense um pouco. O rapaz possui um celular com uma imagem de sua noiva, que é uma representação dela. Quando ele ouve a pergunta de seus amigos, ele levanta o celular e diz: “É minha noiva”. Será que ao dizer que se casaria com ela, os amigos entenderiam que ele se casaria com aquele celular com foto da noiva? De forma alguma. Todos nós sabemos que essa foto representa a noiva do rapaz, mas essa representação é tão viva que o rapaz pode até afirmar categoricamente que é a foto é como se fosse sua noiva mesmo.

Da mesma forma é o sacramento, ele é uma representação de uma realidade. O símbolo não tem poder em si mesmo, mas aquilo na qual ele representa é tão vivo e real que nos faz ter a certeza de que, aquilo que fora aplicado externamente, Cristo com Seu sangue, por meio do Espirito Santo, nos lavaram internamente.

B) São para nós e nossos filhos

74. As crianças pequenas devem ser batizadas?
R. Devem, sim, porque tanto as crianças como os adultos pertencem à aliança de Deus e à sua igreja (1). Também a elas como aos adultos são prometidos, no sangue de Cristo, a salvação do pecado e o Espírito Santo que produz a fé (2).

Por isso, as crianças, pelo batismo como sinal da aliança, devem ser incorporadas à igreja cristã e distinguidas dos filhos dos incrédulos (3). Na época do Antigo Testamento se fazia isto pela circuncisão (4). No Novo Testamento foi instituído o batismo, no lugar da circuncisão (5).

(1) Gn 17:7. (2) Sl 22:10; Is 44:1-3; Mt 19:14; At 2:39. (3) At 10:47. (4) Gn 17:14. (5) Cl 2:11,12.

Após o Catecismo nos mostrar que o único meio de nossos pecados serem lavados é por meio do sangue de Cristo no lavar regenerador do Espírito Santo, ele nos mostra que este sinal, o qual nos aponta para uma viva e real esperança, devem ser aplicados nas crianças.


E por quais motivos este sinal deve ser aplicado? O Catecismo enumera dois:

Primeiro, o Catecismo nos mostra que o batismo das crianças de pais crentes serve para distingui-los dos filhos dos descrentes, pois Deus sempre tratou a família como uma unidade e não como membros distintos:

Porque o marido descrente é santificado pela mulher; e a mulher descrente é santificada pelo marido; de outra sorte os vossos filhos seriam imundos; mas agora são santos(1Co 7.14);
E uma certa mulher, chamada Lídia, vendedora de púrpura, da cidade de Tiatira, e que servia a Deus, nos ouvia, e o Senhor lhe abriu o coração para que estivesse atenta ao que Paulo dizia. E, depois que foi batizada, ela e a sua casa, nos rogou, dizendo: Se haveis julgado que eu seja fiel ao Senhor, entrai em minha casa, e ficai ali. E nos constrangeu a isso (At 16.14,15);
E eles disseram: Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa (At 16.31).

Isso nos mostra que Deus faz com que as crianças participem do mesmo Pacto em que seus pais estão marcando a sua entrada no Pacto da mesma forma que era feito na Antiga Aliança.

Sendo assim, a ultima enumeração do Catecismo que nos mostra o motivo de batizar nossos filhos é que o batismo tem a mesma função da circuncisão na Nova Aliança. No entanto, algumas pessoas fazem objeção dizendo que o batismo é para aqueles que têm a capacidade de se arrepender. Concordo, e creio que aqui vale algumas explicações. Vimos acima que o batismo é um sinal externo daquilo que fora ocorrido internamente. Ou seja, a lavagem com a água externamente representa a lavagem com sangue que ocorrera internamente. Da mesma forma, é a circuncisão. Um ato externo, de cortar o prepúcio, na Antiga Aliança, era comparado com tirar o “prepúcio” do coração como sinal de humildade, novo nascimento e um novo modo de vida:

Circuncidai, pois, o prepúcio do vosso coração, e não mais endureçais a vossa cerviz” (Dt 10.16);
E o Senhor teu Deus circuncidará o teu coração, e o coração de tua descendência, para amares ao Senhor teu Deus com todo o coração, e com toda a tua alma, para que vivas” (Dt 30.6);
Circuncidai-vos ao Senhor, e tirai os prepúcios do vosso coração” (Jr 4.4).

Da mesma forma na Nova Aliança:

De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida” (Rm 6.4);
Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos” (Cl 2.12);
E recebeu o sinal da circuncisão, selo da justiça da fé quando estava na incircuncisão, para que fosse pai de todos os que crêem, estando eles também na incircuncisão; a fim de que também a justiça lhes seja imputada” (Rm 4.11).

Veja, tanto no Antigo Testamento como no Novo a circuncisão e o batismo eram vistos como sinais de uma graça invisível. Agora, se nos dois Testamentos tanto a circuncisão como o batismo eram vistos como questões internas demonstrando um novo nascimento, por que era aplicado em crianças, sendo que elas não tinham consciência para crer e se arrepender (cf. Jl 2.16)? Obediência e esperança na promessa.

Em Gn 15 Deus instituiu uma aliança com Abraão. Essa aliança foi selada com o sinal da circuncisão (Gn 17) e a promessa era que tanto Abraão como seus filhos seriam abençoados (Gn 17.7,8). E mesmo assim, Abraão sabendo sobre quem era o filho prometido, ele circuncida Ismael e Isaque como sinal de obediência (Gn 17.25; 21.4). Da mesma forma os pais da Nova Aliança batizam seus filhos tendo em vista a mesma obediência e promessa. Obediência porque Paulo nos mostra que a aliança abraamica está em vigor mesmo após a morte de Cristo (cf. Gl 3) e promessa, porque é a mesma feita em Gn 15:

E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo. Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar” (At 2.38,39).

Conclusão

Mesmo que nossos filhos não sejam salvos temos que cumprir com o mandamento, assim como fez Abraão circuncidando Ismael, pois nós não sabemos quem será salvo ou não. No entanto, cremos nas promessas de Deus de salvar nossa família. Não obstante, o batismo infantil não é somente um ato de fé, mas de responsabilidade. Uma responsabilidade que leva os pais entender que dos tais é o reino dos céus (Mt 19.14), que a Bíblia deve ser ensinada a eles continuamente (Dt 6.6-8) e que devem participar do culto também, pois se são participantes do pacto, eles também possuem um relacionamento pactual com Deus. Portanto, cumpramos com aquilo que prometemos diante da igreja quando fomos batizar nossos filhos.

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Autor: Denis Monteiro
Fonte: Bereianos 
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Batismo no Espírito Santo: uma segunda bênção?

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Por Paulo Ribeiro


A doutrina bíblica do batismo com ou no Espírito Santo é maravilhosa e aponta para uma realidade que sintetiza a mensagem do evangelho: a de que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões (2Co 5.19). Esta doutrina, a do batismo, mostra que Deus opera em seus eleitos a ação de purificá-los do pecado, de uma só vez, aspergindo-lhes o Espírito Santo em uma aplicação individual da obra expiatória de Cristo em favor deles. O resultado pode ser descrito conforme 1Pe 1.2: fomos eleitos...em santificação do Espírito (neste contexto, um termo equivalente à justificação)...para a aspersão do sangue de Jesus Cristo.

Porém, esta doutrina sofreu algumas reinterpretações ao longo dos últimos séculos e, em tempos mais recentes, Charles Fox Parham (1873 - 1929) efetuou uma releitura desta doutrina explicando que ela, na verdade, seria uma segunda bênção, distinta da conversão e justificação do crente. O cristão primeiro se converteria (isso mesmo: o próprio cristão SE converteria, mas deixo este problema para outro artigo) e, então, estaria unido a Cristo e perdoado. Mas, ele precisaria receber uma bênção posterior - o batismo com o Espírito - para receber poder para o testemunho, dons especiais, etc.

Para deixar a doutrina ainda mais confusa, o ramo cristão que se erigiu a partir de Parham, ramo que chamamos de "pentecostalismo", associou o que entenderam como uma segunda bênção ao anacrônico dom de línguas, dizendo que a glossolália, portanto, seria evidência do batismo no Espírito. E o texto bíblico de Atos 2 serviu como o selo de que as coisas são realmente assim. Os discípulos receberam o Espírito Santo no pentecostes; os discípulos falaram em línguas "estranhas" (volto nisso em outro artigo); logo, quem é batizado no Espírito, fala em línguas.

Entretanto, seria realmente o batismo no Espírito Santo uma bênção posterior e distinta da conversão? Quais seriam as implicações de adotarmos esta ideia? Ela teria alguma implicação para a soteriologia? E para a bibliologia? Certamente teria implicações dramáticas para a práxis cristã. Mas o mais importante aqui é: seria esta interpretação correta?

O que diz a doutrina

Frases que mencionam um certo batismo com/no/do Espírito Santo ocorrem poucas vezes no Novo Testamento (Mt 3.11; Mc 1.8; Lc 3.16; Jo 1.33; At 1.5; 11.16; 1Co 12.13), embora diversas outras passagens aludam à esta mesma operação empregando termos diferentes. Algumas vezes a sentença parece indicar que o Espírito é o agente e a igreja é o meio com o qual os crentes são batizados (frases que dizem "batismo do Espírito") e outras a sentença parece mostrar que Cristo é o agente e o Espírito é o meio com o qual as pessoas são batizadas (frases que dizem "batismo com o Espírito"). Contudo, a sadia interpretação deve considerar o princípio da analogia da fé, pelo qual determinado ensino deve ser observado segundo a totalidade da revelação bíblica, e em virtude do qual uma passagem deve lançar luz hermenêutica sobre outra.

Assim, se observarmos todas as passagens que, de alguma maneira, mencionam o batismo no/com/pelo Espírito Santo, constataremos que se trata de uma mesma e única operação divina, que ocorre concomitantemente à regeneração. E três grandes razões nos levam a afirmar isso:

(I) O texto de 1Co 12.13 diz que todos os cristãos foram batizados. Considerando o fato de que na igreja de Corinto havia cristãos em pecado e de que, segundo o ensino pentecostal, uma pessoa, para receber o batismo, precisa santificar-se muito [1], somos levados a constatar que o batismo recebido pelos coríntios não foi o batismo especial e distinto da conversão preconizado pelos pentecostais. Antes, foi a obra de Deus que regenera seus eleitos, os converte e justifica.

(II) Não há, na Escritura inteira, uma só exortação para que os crentes (os que realmente foram salvos) busquem uma bênção posterior e adicional que, supostamente, os capacitaria para o testemunho. Devemos nos perguntar se uma operação paracletológica aparentemente tão importante como esta não deveria ser alvo de constantes (ou ao menos de um!) encorajamento apostólico para que os crentes a buscassem. Se o suposto "batismo pentecostal" fosse realmente algo tão importante e necessário, não deveríamos encontrar nas epístolas alguma exortação do tipo: "Vocês, que já creem, busquem com afinco receber esta outra bênção porque vocês precisam de poder para testemunhar do evangelho!"? Mas não encontramos. Na verdade, o principal texto-base sobre o qual o pentecostalismo se apoia na formulação desta doutrina (o de Atos 2) é um texto descritivo, reconhecidamente o tipo de texto a partir do qual NÃO DEVEMOS formular doutrinas.

(III) O texto de Ef 4.5, aparentemente e quase certamente se refere ao batismo do Espírito. Se isso for certo, temos então uma declaração explícita de que não existe um batismo posterior e distinto, afinal, "há um só Senhor, uma só fé e um só batismo".

Mas e quanto às diferenças nos termos? Às vezes a Bíblia fala em batismo com o Espírito e outras vezes em batismo pelo Espírito. A isso respondemos que, caso acepções rígidas de termos devam ser uma pauta interpretativa, então deveríamos considerar como substâncias distintas os termos "coração", "alma" e "entendimento" em Mateus 22.37; porém, sabemos que esses termos não indicam substâncias diferentes, antes, todos apontam para o aspecto interior do ser humano, sua mente e afeições. Segundo Charles C. Ryrie, é "mais provável que essa frase, usada de maneira pouco frequente e aparentemente técnica, em todas as ocorrências se referisse à mesma atividade [2]". Eu apenas retiraria o "provável" da afirmação de Ryrie para dizer que CERTAMENTE essa frase, em todas as suas ocorrências, se refere à mesma coisa. O literalismo na interpretação bíblica, com efeito, tem conduzido a graves distorções doutrinárias no pensamento cristão.

Portanto, vemos que o batismo no Espírito é uma bênção comum (1Co 12.13; Ef 4.5), gratuita (1Co 2.12; Ef 2.8,9) e definitiva (2Co 1.21,22; Ef 4.30). Ele posiciona o crente no corpo místico de Cristo e o capacita para o testemunho (At 1.8; 1Co 2.4), para a edificação da igreja (1Co 12.12-20; Ef 2.22) e, gradativamente, restaura no cristão a imagem de Deus para a sua glória (2Co 3.18; Ef 4.24; Cl 3.10).

Implicações da formulação pentecostal da doutrina

Além de a interpretação pentecostal acerca do batismo no Espírito ser essencialmente falha, ela traz algumas implicações perturbadoras para a doutrina cristã.

A primeira delas seria na eclesiologia. Afirmar que existem dois batismos diferentes, um deles comum a todos os crentes e outro reservado a quem o busca com todos os critérios - empíricos - da cartilha pentecostal é pontuar uma linha divisória na única operação divina que visa a união dos que creem em um só corpo. Tendo em mente a figura do Templo de Salomão, Paulo diz:

"Assim, pois, não sois mais estrangeiros, nem forasteiros, antes sois concidadãos dos santos e membros da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sendo o próprio Cristo Jesus a principal pedra da esquina; no qual todo o edifício bem ajustado cresce para templo santo no Senhor, no qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus no Espírito" (Ef 2.19-22).

O batismo no Espírito é precisamente aquilo que nos une mutuamente como cristãos. Neste ponto, algum defensor do pentecostalismo poderia afirmar que sua doutrina não divide a igreja, pois um dos batismos coloca o crente neste corpo. Entretanto, na visão pentecostal, permanece o fato de que, neste corpo, alguns são receptáculos de uma bênção especial e posterior enquanto todos os outros, ou são carnais porque não estão buscando este batismo, ou são carnais porque o estão buscando mas não o receberam ainda por não estarem suficientemente santificados. E para piorar, os que já receberam este batismo, têm o poder para testemunhar de Cristo enquanto os outros não. Devemos ignorar que o único fundamento legítimo para o testemunho cristão é a ressurreição de nosso Senhor (1Co 15.14), e que, uma vez que quem está lendo este artigo não viu o Cristo ressurreto com os próprios olhos mas crê como se tivesse visto, não tem o poder necessário para evangelizar? Devemos estranhar o apóstolo Pedro dizendo aos seus destinatários que mesmo eles não havendo visto Cristo, eles o amavam e nele confiavam exultando com alegria indizível e cheia de glória (1Pe 1.8)? É certo que não! Mas de acordo com a perspectiva pentecostal eles ainda não receberam a "segunda bênção". Eles creem em Cristo e a ressurreição do Senhor deu novo significado às suas vidas. Mas eles ainda lhes falta algo; eles estão quase lá...!

A segunda implicação desta doutrina pentecostal se dá em uma perigosa afirmação da contemporaneidade dos dons revelatórios ou extraordinários do Espírito Santo. A doutrina pentecostal ensina que, juntamente com o batismo no Espírito, alguns dons são dados ao cristão. E também ensina que dentre esses dons bem podem estar aqueles de natureza revelatória, assim como exibidos pelos apóstolos. Eu deixarei a questão da contemporaneidade para outro artigo, mas aqui é preciso adiantar algo. Ou os dons revelatórios ainda existem e o cânon cristão não está fechado, ou nossa Bíblia está completa, a revelação especial de Deus a nós foi bem-sucedida e, assim, os dons revelatórios cessaram. As duas posições são concorrentes e não podem coexistir. Se Deus, pelo Espírito Santo, ainda fala com seu povo por novas palavras e revelações, então a Escritura não está fechada.

Certo dia, um continuísta, argumentando comigo, disse que as profecias ainda aconteciam, mas consistiam de exortações pessoais e particulares, e jamais traziam novas verdades religiosas ou doutrinais. Ele estava tentando preservar a suficiência da Escritura. Em resposta, eu disse a ele que não importava o conteúdo da profecia, mas o autor. Se é o próprio Deus quem está falando, então as palavras que estamos a ouvir são palavras de Deus. E se são palavras de Deus, então devemos acrescentá-las às nossas Bíblias, e segue-se que nossas Bíblias não estão prontas ainda.

Contudo, a Escritura parece mostrar o contrário. Entre inúmeros textos e uma teologia bem amarrada, eu destaco a passagem de 2Pe 1.3,4:

"Visto como o seu divino poder nos tem dado tudo o que diz respeito à vida e à piedade, pelo pleno conhecimento daquele que nos chamou por sua própria glória e virtude; pelas quais ele nos tem dado as suas preciosas e grandíssimas promessas, para que por elas vos torneis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo."

Portanto, uma vez que o testemunho de Jesus Cristo é dado pela Escritura (Jo 5.39), é justo dizer que ela é suficiente para a nossa vida e, por consequência, cessaram aqueles dons revelatórios amplamente necessários no primeiro século, quando o cânon cristão não estava ainda fechado.

Finalmente, uma terceira implicação da doutrina pentecostal dos dois batismos, e talvez a mais grave delas, é de natureza soteriológica. No exato momento em que preconizarmos a necessidade de uma segunda bênção, estamos afirmando a insuficiência da obra de nosso Senhor. Observe isto: a obra de Cristo foi determinada na eternidade (Ap 13.8). Na eternidade, Deus se agradou em glorificar seu nome decretando a salvação de alguns por causa dos seus pecados. Deus quis salvar pecadores de sua própria ira escatológica e foi isso que, soberanamente, ele fez, e o fez por meio de Cristo. Isso faz com que o sacrifício de Cristo e sua glória resultante seja nada menos que o CENTRO DA MENTE E DOS PROPÓSITOS ETERNOS DE DEUS! Pela obra expiatória de Cristo um eleito seria salvo. Ele seria salvo! Isso não é pouca coisa! A magnitude da obra de Cristo e a grandeza incontornável da consequência dessa obra para o pecador que foi salvo deveria nos fazer rejeitar qualquer ensino que pregue a necessidade de algo a mais para cristão. Um pecador que foi salvo e, assim, batizado no Espírito Santo, já recebeu tudo! Não há mais nada para ele pelo simples fato de que não há nada maior a ser recebido do que o perdão de Deus e sua amizade. Justamente por isso o apóstolo Paulo foi capaz de dizer aos efésios: "Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo" (Ef 1.3). Deus não apenas nos abençoou em Cristo, mas [já] abençoou com TODAS as bênçãos espirituais naquele que nos comprou para sermos seus.

Isso significa que não há uma "segunda bênção" a ser desejada pelo cristão. Que outra bênção ele poderia querer além da amizade com Deus? Dizer que fomos regenerados, mas precisamos de algo a mais é escarnecer da obra de Cristo, que foi toda suficiente. Nele recebemos todas as bênçãos espirituais. Não há outra a ser almejada.

Assim, podemos concluir que a doutrina pentecostal do batismo no Espírito como uma segunda bênção deve ser enfaticamente rejeitada. É certo que o pentecostalismo não fere nenhuma doutrina cardeal do cristianismo. É certo que há muitos pentecostais (entre os quais alguns são amigos meus) piedosos e verdadeiramente servos de Cristo. É também certo que o pentecostalismo está, gradativamente, gerando expoentes inteligentes, canais para a promoção de uma perspectiva mais saudável e cristocêntrica de sua fé [3]. Mesmo assim, a doutrina pentecostal dos dois batismos é deveras débil e, visto que trás implicações ruins para a teologia cristã, deve ser rechaçada.

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Notas
1. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. p. 1627
2. RYRIE, Charles C. Teologia Básica. São Paulo: Mundo Cristão, 2004. p. 422
3. Um destes expoentes, que alegremente menciono, é o Gutierres Fernandes Siqueira, do site Teologia Pentecostal.

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Fonte: Teologia Expressa
Divulgação: Bereianos
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O Batismo da Aliança

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O título deste estudo foi escolhido de propósito. Muitas palavras inúteis têm sido trocadas entre presbiterianos e batistas tratando de assuntos que são secundários, como “batismo infantil” e “batismo de crentes”. Ninguém deveria se satisfazer com estes títulos - eles não descrevem aquilo que qualquer desses grupos deseja defender. O presbiteriano não quer defender o batismo de crianças: ele quer defender o batismo de algumas crianças (i.e., as crianças da Aliança). O batista não quer defender o batismo só de crentes (pois, ele nunca poderia estar seguro de que o são); ele quer, isto sim, defender o batismo de crentes professos; i.e., esses que, por uma profissão de fé digna de crédito, pertencem à Aliança. Assim, ambos estão, na verdade, falando de um mesmo assunto, ou seja, da Aliança e do Batismo da Aliança. Abrindo esta questão, há três áreas importantes:

          1. A Continuidade da Aliança.
          2. A Continuidade da Igreja.
          3. A Continuidade do Sinal.

1. A Continuidade da Aliança

Em todos os tempos só tem havido uma única Aliança salvadora entre Deus e os pecadores. É chamada Aliança da Graça (ou Pacto da Graça), ou, Aliança Abraâmica (ou Pacto Abraâmico). Nós lemos sobre sua origem em Gen. 17. Deus, em Sua misericórdia, veio a Abraão (um homem pecador como todos os demais; caldeu, de origem pagã idólatra) e lhe deu uma promessa. Abraão creu em Deus crendo em Sua palavra e Deus o declarou justo. Qual era a essência dessa promessa pactual em que Abraão creu? Era uma promessa de união e comunhão com Deus para Abraão e para os seus descendentes, depois dele. “Estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência depois de ti em suas gerações, como aliança perpétua, para ser o teu Deus, e da tua descendência depois de ti” (Gen. 17:7). Todos que pertenceram a esta Aliança tiveram Deus como o seu Deus, e se tornaram o Seu povo por aliança. É dito que ela é uma aliança perpétua. Isto é digno de nota. Significa que se qualquer um, em qualquer ponto na história, entrar em união e comunhão com o Deus vivo, então a mesma Aliança Abraâmica estará em vigor. Ninguém é filho de Deus a não ser por adoção e o meio dessa adoção é a única e exclusiva Aliança pela qual Deus adotou Abraão como Seu filho, juntamente com a sua posteridade. Portanto, não é nenhuma surpresa, mas sim o que se espera, quando encontramos o Novo Testamento dizendo:

Ele nos resgatou para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios por Jesus Cristo, e para que pela fé nós recebêssemos a promessa do Espírito” (Gal. 3:14) e “...se sois de Cristo, então sois descendentes de Abraão, e herdeiros conforme a promessa” (i.e., a promessa da Aliança) (Gal. 3:29).

Assim, enfatizo o ponto apresentado na Bíblia: há uma continuidade da Aliança desde Abraão até agora. Não há tal coisa como uma Aliança da Graça do Velho Testamento e uma Aliança da Graça do Novo Testamento. Não há distinção entre a Aliança Abraâmica e a Aliança Cristã. Elas são uma e a mesma coisa. Isto não é posto em nenhuma parte mais claramente do que em Gal. 3: 16: “Ora, as promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente. Não diz: e aos descendentes, como se falando de muitos, porém como de um só: e ao teu descendente, que é Cristo”. Assim a Aliança Abraâmica incluía Cristo... de fato significava preeminentemente Cristo. Ele é a semente de Abraão - Ele é o único que fielmente guardou a Aliança. Se uma pessoa está em Cristo está na Aliança com Abraão, não apenas porque Abraão creu em Deus (e viu a Cristo pela fé, João 8:56) mas principalmente porque Cristo é a bênção prometida na Aliança, “se sois de Cristo, também sois descendentes de Abraão”. Nós não devemos pensar que Abraão foi salvo por uma aliança diferente ou creu num evangelho diferente. Só há uma aliança que salva porque só há um evangelho que salva. Foi este evangelho que foi pregado a Abraão e no qual ele creu. “E a Escritura ... preanunciou o evangelho a Abraão” (Gal. 3:8) Abraão creu e foi salvo por esta fé,  “de modo que os da fé são abençoados com o crente Abraão” ( Gal. 3:9). Há continuidade na Aliança.

Nós vamos um pouco mais adiante. Tanto naquela época quanto agora sempre houve uma forma externa e outra interna da Aliança - uma forma visível e outra invisível. Esta é uma observação da maior importância. Os homens só podem lidar com a forma externa e visível. É Deus quem trata da forma interna e invisível. Foi assim no tempo de Abraão, desde o começo da Aliança. Todos que pertenceram aos descendentes de Abraão eram considerados membros da Aliança (visível) e receberam o sinal da Aliança (circuncisão). Isto incluía os estrangeiros e qualquer que quisesse união e comunhão com o Deus de Abraão (i.e., prosélitos) (Gen. 17:14). Todavia, nem todos que pertenciam à forma visível ou externa da Aliança estavam verdadeiramente em união e comunhão com Deus. Nem todos eram espirituais. Desta forma, Deus declara que não é com os filhos da carne (Ismael) mas com os filhos da promessa (Isaque) que Ele internamente estabelece uma aliança (Gen. 17:18-21). De igual forma, mesmo hoje a Igreja só pode administrar a forma exterior da Aliança. Os batistas, de boa vontade, admitem isso. Eles só podem batizar na base da profissão externa e visível. Nunca podem estar seguros de que todos que admitem ao batismo, como crentes, estão verdadeiramente arrependidos. Eles reconhecem que há membros da Igreja que são hipócritas.

Assim, quando qualquer igreja cristã batiza alguém, ela não está dizendo (ou não deveria estar) que tal pessoa é definidamente um crente. Somente Deus pode realizar um batismo que faz infalivelmente de alguém um crente, o qual é chamado de Batismo do Espírito Santo, ou a lavagem da regeneração (1 Cor. 12:13). A água do batismo é um sinal externo e visível aplicado pela Igreja externa e visível àqueles que pertencem à comunidade externa e visível da Aliança. O batismo do Espírito Santo é o sinal invisível aplicado pelo Deus invisível para unir uma pessoa à comunidade invisível da Aliança (i.e., o corpo de Cristo). O batismo da água significa o batismo do Espírito. A Confissão de Fé de Westminster sumariza tudo isso de modo claro no Capítulo 28:1: “O batismo é um sacramento do Novo Testamento, instituído por Jesus Cristo, não só para solenemente admitir na IGREJA VISÍVEL a pessoa batizada, mas também para servir-lhe de sinal e selo do pacto da graça...”. Notem que ele é um sinal e selo do pacto da graça (i.e., da operação interna de Deus).

SINAL: significa que ele aponta para a graça oferecida na promessa de Deus. Como qualquer “SINAL”, ele nos leva a olhar para outra direção... para Deus, Sua misericórdia e Sua prontidão para salvar qualquer que, como Abraão, tome Deus pela Sua palavra e creia nEle.

SELO: uma marca para nosso próprio benefício, para nos mostrar que a coisa selada é autêntica. Os reis costumavam SELAR uma carta com uma estampa de cera de seus próprios sinetes. Esse selo era para o bem daquele a quem a carta era enviada, para mostrar que era genuína. Não é o selo que faz a carta genuína: é a carta do rei, quer ele a sele ou não. Mas o selo a confirma à nossa mente. É uma confirmação visível de uma realidade invisível.

Notemos, agora, que, enquanto o batismo da água é o selo da forma externa da Aliança, o próprio Espírito Santo é o selo da forma interna.

Efésios 1:13: “...tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa”.

Efésios 4:30: “...não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção”.

Este é o ponto em que devemos, respeitosa mas energicamente, apontar o erro de nossos irmãos batistas. Eles afirmam que o batismo da água é o selo da fé. Quando uma pessoa crê, então ela é batizada e este é um selo de sua fé. A Bíblia nega isto - O Espírito Santo, que é derramado nos nossos corações, é o selo da nossa fé. A razão é simples: somente o Espírito pode selar algo que Ele próprio fez. Somente Ele pode nos assegurar que nos deu o novo nascimento, que somos renascidos do Espírito. Isto é o que Paulo quer dizer em Romanos 8:16: “O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus”. A Igreja visível adota pessoas no seu rol de membros através de um sinal e selo visíveis. O Deus invisível adota pessoas como membros de Cristo através de um sinal e selo invisíveis.

Portanto, todo presbiteriano e todo batista devem negar juntos que o batismo da água salva alguém. Nós todos rejeitamos integralmente a expressão “cristenizar” (designação que, na língua inglesa [“christening”], é dada ao batismo pelos católicos romanos). Esta expressão é uma herança da superstição católico-romana que supõe que o batismo da água lava pecados e “cristianiza” (“cristeniza”) alguém.

2.  A Continuidade da Igreja

A Igreja de Deus tem continuado através dos tempos, tanto do Velho  quanto do Novo Testamento. É errado pensar que a “Igreja” começou com Jesus. Isto, todavia, subjaz na raiz de muito pensamento batista. Porém, antes dos dias de Abraão, Deus tinha um povo-chamado (uma Igreja) no mundo (os Setes, os Noés e os Enoques). A partir dos dias de Abraão esse povo ficou praticamente confinado a uma nação - os judeus. Mas mesmo na peregrinação do deserto no Êxodo, muito antes dos judeus terem uma terra prometida, um sacerdócio e um cerimonial de culto, foram chamados de “IGREJA”. Atos 7:38 refere-se a eles como “a igreja no deserto” (ekklesia).

Novamente, Romanos 11 nos diz que os gentios que crêem em Cristo não são uma Igreja diferente dos crentes do Velho Testamento. Nós somos enxertados na mesma oliveira. A Igreja é descrita como uma oliveira crescendo através de todas as épocas.

Tanto este é o caso que Pedro descreve a Igreja cristã do Novo Testamento com a rica linguagem judaica do Velho Testamento - “vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus” (1Pedro 2:9). Os crentes do Novo Testamento são, claramente, parte da ininterrupta Igreja de Deus.

Há judeus que são realmente gentios e gentios que são realmente judeus: “... porque nem todos os de Israel são de fato israelitas; nem por serem descendentes de Abraão são todos seus filhos; ...estes filhos de Deus  não são propriamente os da carne ...” (Romanos 9:6-8). De sorte que Paulo diz: “se sois de Cristo, também sois descendentes de Abraão” (Gal. 3:29). Isto só pode fazer sentido se tiver havido continuidade da Igreja em todas as épocas. Assim, não nos surpreende encontrar que na era por vir a Igreja única é descrita em termos de “gentios sentando à mesa com Abraão, Isaque e Jacó”. A Igreja visível hoje é uma continuação do que o Israel visível era no passado. Nós temos hipócritas hoje e eles também tinham. Nós podemos extirpá-los hoje e eles também podiam. De igual forma, a Igreja invisível hoje é a continuação do que o Israel invisível era então.

Ora, dada essa continuidade tanto da ALIANÇA quanto da IGREJA (comunidade da Aliança), chegamos a uma observação vital. A Igreja visível tem sempre incluído os filhos dos crentes. Vemos isso em Gen. 17:7. Porque o crente Abraão e todos os seus filhos faziam parte da forma externa da Aliança, então deviam todos receber o sinal externo da Aliança - A CIRCUNCISÃO. Sabemos que alguns eram como Esaú, incrédulos, e não incluídos na forma interna da Aliança. Mas é somente Deus quem opera este outro lado. Mesmo os Esaús devem ser recebidos como membros da Aliança e tratados como tais, até que cometam apostasia declarada.            

Desde que a Igreja visível e o sinal visível têm sempre incluído os filhos dos crentes, então também os incluem agora. Por qual processo de raciocínio devemos excluir hoje as crianças da Igreja visível, à qual elas sempre pertenceram? Ambos os lados concordam que a era neotestamentária da Aliança é até mais graciosa do que a antiga. Então, como podem os filhos dos crentes ter perdido esse gracioso privilégio que gozavam numa época muito mais estrita, nas escuras sombras da lei e do cerimonial?

Se a Igreja inclui APENAS os crentes hoje, então a prova disso está para ser apresentada há muito tempo. Notem que quando Paulo escreve suas cartas às várias igrejas, ele fala não só aos adultos, mas também aos seus filhos. “Filhos, obedecei a vossos pais” (Ef. 6:1). É uma carta a uma igreja com uma palavra aos filhos, porque a Igreja inclui os filhos. Filhos de crentes ainda são membros da forma visível da Aliança. Eles devem ainda receber o sinal visível do batismo. Não há mandamento explícito para batizar crianças no Novo Testamento exatamente porque tal mandamento não é necessário.

As condições da Aliança, uma vez estabelecidas por Deus, são totalmente invioláveis. Ninguém pode revogar suas condições nem acrescentar outras. Este é o argumento de Paulo em Gálatas 3, que, embora não se refira à Aliança de Deus, ainda é verdade mesmo a respeito de uma aliança (ou testamento) feita pelo homem; “... falo como homem. Ainda que uma aliança seja meramente humana, uma vez ratificada, ninguém a revoga, ou lhe acrescenta alguma coisa” (Gal. 3:15).

Os batistas estão, na verdade, acrescentando condições. Eles dizem que você precisa primeiro ser crente antes de ser membro da Aliança. Uma criança é muito nova para crer; portanto, as crianças não recebem o sinal da Aliança nem são admitidas como membros dela. Ora, além da séria violação da Aliança de Deus neste ponto (i.e., a exclusão dos filhos, a quem Deus uma vez admitiu) isto envolve algo muito triste. Quando você encontra um crente batista sincero, cujo filho morreu ainda criança, você o vê compreensivelmente triste. Mas sua tristeza não é como a dos que não têm esperança. Ele tem conforto e esperança em Deus. Se você lhe perguntar onde está o pequenino, ele lhe dirá, confiantemente, que o seu filhinho está com Jesus, no céu. Ele responde como um pai da Aliança em favor de um filho da Aliança. Mas em que base está a criança segura? Ela é muito nova para arrepender-se e crer. Claro que ele sabe que, na verdade, isso é devido a uma fidelidade pactual de Deus. Por que é então que, “quando as coisas apertam”, o batista confessa que seu filho pertence a Deus por aliança? Suspeito que é porque a única aliança encorajadora é a original, mantida em sua forma inalterada, como Deus a deu. Quem é o mais consistente, então: o presbiteriano (que admite que seu filho é filho da aliança enquanto vive) ou o batista (que apenas o admite chorosamente quando ele morre)?

3 - A Continuidade do Sinal

O que resta para considerar agora é a continuidade do sinal da Aliança. Isto pode parecer algo estranho porque todos sabem que há uma clara descontinuidade ... a circuncisão foi substituída pelo batismo. Não obstante, a continuidade é real, porque ambos representam a mesma verdade; ambos significam as mesmas graças espirituais. Assim como o sacramento cruento do Cordeiro Pascal é substituído pelo sacramento incruento da Ceia do Senhor, também o sacramento cruento da circuncisão é substituído pelo sacramento incruento do batismo. Antes de mostrar isto, há um ponto de vista (mantido pelos batistas) que deve ser tratado. Eles dizem que não havia uma, mas duas alianças, nos dias do Velho Testamento - uma espiritual e outra nacional. Dizem que a circuncisão refere-se apenas à nacional e não à espiritual; i.e., afirmam que a circuncisão era um tipo de “emblema nacional” para os israelitas. Ora, isto é uma tentativa de evitar o fato que o batismo substitui a circuncisão como sinal do pacto. Todavia, pode-se responder facilmente a esse ponto de vista com duas observações:

1 - A circuncisão não é um símbolo ou emblema nacional porque foi administrada 430 anos antes da nação de Israel existir. Israel só se tornou uma nação pactual distinta quando a Lei foi dada no Sinai.

2 - A circuncisão não era uma marca de descendência física porque foi administrada a todo gentio, e seus filhos do sexo masculino, que quisessem adorar a Jeová em Israel.

Primeiro: A Circuncisão

A circuncisão externa era  sinal e selo de uma circuncisão interna muito mais importante. O despojamento físico da carne significava o despojamento espiritual da carne do coração pecaminoso. A circuncisão feita pela Igreja do Velho Testamento apontava para uma circuncisão muito maior, que somente Deus poderia realizar. Isto é claramente posto por Paulo em Romanos 2:28-29: “Porque não é judeu quem o é apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é somente na carne. Porém judeu é aquele que o é interiormente, e circuncisão a que é do coração, no espírito”.

Portanto, não nos surpreende ler o que Moisés diz aos judeus quando se dirige a eles, nas planícies de Moabe, pouco antes destes entrarem na terra prometida. Ele diz: “O Senhor teu Deus circuncidará o teu coração, e o coração de tua descendência, para amares ao Senhor teu Deus de todo o coração e de toda a tua alma, para que vivas” (Dt. 30:6).

Observem que Moisés está falando a homens que eram circuncidados exteriormente, mas que necessitavam de uma circuncisão interior. Eles tinham o sinal externo e visível, mas faltava-lhes a realidade interna e invisível. Além disso, o texto nos diz o que a verdadeira circuncisão (a circuncisão do coração) efetua: a remoção da incredulidade, resultando em amor a Deus e vida em vez de morte (“para que vivas”). A mesma coisa pode ser vista no mandamento de Moisés a Israel em Dt. 10:16: “Circuncidai, pois, o vosso coração, e não mais endureçais a vossa cerviz”, i.e., Amai a Deus! Obedecei-O! Sede homens espirituais e não carnais! Todo esse assunto é resumido por Paulo em Romanos 4:11: “E recebeu (Abraão) o sinal da circuncisão como selo da justiça da fé...” Aí está. A circuncisão não é meramente um emblema nacional. É um sinal externo da justiça da fé. O  significado da circuncisão é uma realidade espiritual.

Segundo: O Batismo

Muitos textos poderiam ser estudados para mostrar a conexão entre o batismo e a circuncisão, mas um só será suficiente. Em Col. 2:11-12 nós lemos: “Nele também fostes circuncidados, não por intermédio de mãos, mas no despojamento do corpo da carne, que é a circuncisão de Cristo; tendo sido sepultados juntamente com ele no batismo, no qual igualmente fostes ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos”. Aqui a circuncisão é descrita como um batismo! Isto só é possível porque eles significam a mesma coisa. Enquanto Moisés disse aos judeus circuncidados que eles não eram realmente circuncidados, agora Paulo diz a esses gentios incircuncisos que eles foram realmente circuncidados. Paulo diz: vós fostes também circuncidados”. Que tipo de circuncisão era aquela? Uma circuncisão feita “não por intermédio de mãos”. Que significa isso? O “despojamento (remoção) do corpo da carne” (i.e., da natureza carnal, do espírito rebelde). Quem a fez? Cristo a fez ... pela “circuncisão de Cristo”. Como isso ocorreu? “Tendo sido sepultados juntamente com Ele no batismo”. O que isso efetuou? “No qual igualmente fostes ressuscitados mediante a fé”. Assim, fica claro que este batismo e esta circuncisão se referem à mesma obra interna de Deus. A circuncisão é feita sem mãos, i.e., a circuncisão de Cristo, e o batismo é a operação de Deus “que O ressuscitou dentre os mortos”. É essa circuncisão/batismo do coração que produz a fé num pecador ... ressuscitados com Ele MEDIANTE A FÉ.

Assim, claramente não é o batismo da água que é referido aqui. Isto se torna ainda mais claro no próximo versículo (v. 13) porque Paulo diz que tudo isso aconteceu enquanto a pessoa era ainda um pecador, um incrédulo. Isto tornou vivos homens mortos (espiritualmente), e lhes obteve o perdão dos pecados: “E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões, e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos”. Longe de ser o caso de “batismo de crentes” é exatamente o oposto - é o batismo/circuncisão de um incrédulo, que faz dele um crente. Não é o batismo da água realizado por homens, mas o batismo do Espírito realizado por Deus.

Não pode haver, portanto, dúvida de que o batismo e a circuncisão significam a mesma coisa. Há verdadeiramente uma continuidade do sinal da Aliança.

Conclusão


Em razão da continuidade da Aliança, da Igreja e do Sinal, nós admitimos ao batismo todos os que pertencem à Aliança. Estes têm sido sempre os crentes professos e seus filhos menores. A comunidade da Aliança nunca excluiu as crianças. O batismo desses infantes (e apenas desses) é a única prática bíblica consistente. Os que se recusam a batizar tais crianças devem explicar por que estão acrescentando condições à Aliança, as quais Deus nunca acrescentou. Também, os que batizam tais crianças devem defender essa prática puramente na base da Aliança, devem deixar de lado todas as invenções humanas (tais como “padrinhos”, que a Escritura não reconhece), devem fazer distinção entre as formas interna e externa da Aliança, e devem repudiar qualquer sugestão de que o batismo da água salva.

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Sobre o autor: Peter Bloomfield é ministro da Igreja Presbiteriana do Leste da Austrália.
Fonte: IPCB
Divulgação: Bereianos
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A verdade sobre o Batismo Infantil

image from google

Afinal, batizar crianças é uma prática bíblica ou um ritual pagão? A Bíblia autoriza o batismo infantil? O Rev. Dorisvan Cunha faz uma breve explicação a esse respeito. Assista e tire suas conclusões:


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Fonte: A verdade do evangelho
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O que é o batismo com fogo?

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Por Leonardo Dâmaso


Email respondendo a pergunta da dona Francisca Peixoto das Neves Bueno, a irmã Chiquita.

(Este nome é fictício, porém, o fato descrito na pergunta é bem real e comum no meio evangélico pentecostal e neopentecostal, claro, com algumas exceções).

Professor Leonardo, você poderia me explicar que tipo de batismo é o batismo de fogo mencionado em Mateus 3.11? Este batismo com fogo é um revestimento de poder do Espírito Santo conforme o meu pastor diz em suas pregações?

Irmã Chiquita, é muito comum vermos no meio evangélico, especialmente no meio pentecostal e neopentecostal, não somente pregações, mas também as famosas campanhas e vigílias baseadas nessa passagem de Mateus 3.11.

Geralmente, tais pregações, campanhas e vigílias têm como base ou tema frases do tipo: “A necessidade do batismo com fogo”; “A campanha dos 7 elos do fogo purificador de pecado” ou “A vigília do fogo que batiza e renova com poder”.

O evento desta passagem de Mateus 3.11, também descrito nos evangelhos de Marcus 1.8 e Lucas 3.18, na maioria dos casos, é entendido como se o batismo com fogo no qual João diz que Jesus batizaria juntamente com o batismo com o Espírito Santo é um batismo de “purificação e revestimento de poder do Espírito Santo”. Não obstante, este batismo com fogo capacita o crente com “unção e poder” para ter uma vida espiritual mais profunda com Deus, a pregar o evangelho, orar fervorosamente, realizar exorcismos e triunfar sobre os demônios, curar os enfermos dentre outras coisas.    

No entanto, se fizermos uma exegese cuidadosa e detalhada de toda a passagem em pauta, analisando meticulosamente todo o seu contexto, as palavras chave e o original grego, veremos que esta interpretação popular acerca do batismo com fogo como uma espécie de “poder e unção especial” é diametralmente equivocada! Vamos, então, a análise da passagem: 

Mateus 3.11 – Eu os batizo com água para arrependimento. Mas depois de mim vem alguém mais poderoso do que eu, tanto que não sou digno nem de levar as suas sandálias. Ele os batizará com o Espírito Santo e com fogo.” (NVI)

Para que possamos interpretar corretamente o texto a lume e chegarmos ao seu real e único significado, isto é, entender o que de fato ele diz, é necessário examinarmos o contexto anterior de Mateus 3.11 que começa a partir do versículo 1. Observe Mateus 3.1-12:

Naqueles dias surgiu João Batista, pregando no deserto da Judéia. Ele dizia: Arrependam-se, porque o Reino dos céus está próximo. Este é aquele que foi anunciado pelo profeta Isaías: Voz do que clama no deserto: Preparem o caminho para o Senhor, façam veredas retas para ele. As roupas de João eram feitas de pêlos de camelo, e ele usava um cinto de couro na cintura. O seu alimento era gafanhotos e mel silvestre. A ele vinha gente de Jerusalém, de toda a Judéia e de toda a região ao redor do Jordão. Confessando os seus pecados, eram batizados por ele no rio Jordão. Quando viu que muitos fariseus e saduceus vinham para onde ele estava batizando, disse-lhes: "Raça de víboras! Quem lhes deu a idéia de fugir da ira que se aproxima? Deem fruto que mostre o arrependimento! Não pensem que vocês podem dizer a si mesmos: ‘Abraão é nosso pai’. Pois eu lhes digo que destas pedras Deus pode fazer surgir filhos a Abraão. O machado já está posto à raiz das árvores, e toda árvore que não der bom fruto será cortada e lançada ao fogo. Ele traz a pá em sua mão e limpará sua eira, juntando seu trigo no celeiro, mas queimará a palha com fogo que nunca se apaga.” (NVI)

O contexto da passagem de Mateus 3.11 ressalta a dura pregação de João Batista chamando o povo ao arrependimento, pois o reino de Deus estava próximo (vs.2), e, em contraste, ele mostra o resultado daqueles que não se arrependerem sofrerão, ou seja, a ira futura (vs.7). Portanto, o tema vigente que predomina nesse trecho é o chamado ao arrependimento! A ênfase de João em sua premissa recaí inteiramente sobre o destino daqueles que não se arrependerem dos seus pecados (vs.10-12).

A palavra chave nesse trecho de Mateus é batizo (βαπτίζω), que no grego denota mergulho; 1 significa o sepultamento da velha vida em contraste com o nascimento de uma nova vida. 2 Sendo assim, três tipos de batismo estão destaque aqui:   

1. O batismo com água. Este batismo demonstrava uma atitude de arrependimento dos pecados. Este batismo de João simbolizava uma espécie de limpeza espiritual e tinha suas raízes no nos rituais de purificação do AT (veja Lv 15.13). 

2. O batismo com ou no Espírito Santo. Todos os crentes verdadeiros são batizados com o Espírito Santo no momento da conversão. Esse batismo é o mesmo que o novo nascimento (veja 1Cor 12.13).

3. O batismo com fogo. Este batismo, mediante o contexto analisado, significa o batismo como um meio de punição ou condenação eterna para os que não se arrependerem de seus pecados (vs.10-12).

Desse modo, concluímos, então, que, o “batismo com fogo”, diferente do batismo com o Espírito Santo, que é o nascer de novo, significa o batismo para a condenação. No dia do julgamento final dos homens, que se dará na segunda vinda de Cristo, a justiça de Deus se manifestará em ira e sobrevirá sobre os ímpios obstinados onde eles serão batizados e castigados pela morte e pelo tormento eterno no lago de fogo e enxofre. Espero que através desta carta, irmã Chiquita, a Senhora seja esclarecida. Um abraço! A paz de Cristo Jesus!

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Notas:
[1] Dicionário do Novo Testamento grego James Strong, pág 2108.
[2] Fritz Rienecker e Cleon Rogers. Chave Linguística do Novo Testamento Grego, pág 5.  

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Fonte: Bereianos
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Quem tem o direito de batizar? 2/2

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Por Frank Brito


“Portanto ide, ensinai todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”. (Mateus 28:19)

“E ninguém toma para si esta honra, senão o que é chamado por Deus”. (Hebreus 5:4)

A minha primeira postagem sobre quem tem o direito de batizar foi escrita em resposta a um questionamento que o Yago Martins levantou sobre isso no Facebook. Ele respondeu à minha primeira postagem em seu blog. Esta minha segunda postagem é uma réplica à postagem do blog dele.

Em minha primeira postagem, eu defendi que a ordem de batizar não foi dada à todos os cristãos, mas somente aos oficiais que exercem o ministério da Palavra. O primeiro argumento do Yago Martins é dizer que todo crente é sacerdote:

“Ora, e uma vez que todo crente é um sacerdote (1 Pe 2:4-10), só podemos crer que está é uma verdade simples de ser crida: ‘E quando o Senhor entendeu que os fariseus tinham ouvido que Jesus fazia e batizava mais discípulos do que João (ainda que Jesus mesmo não batizava, mas os seus discípulos)’ (Jo 4:1,2)”.

Ele repete o mesmo argumento depois ao citar Vincent Cheung:

“os reformados [...] registraram em algumas de suas confissões que somente pessoas devidamente ordenadas poderiam batizar [...]. Trata-se de uma grande bobagem. Não existe base bíblica para isso. Antes, a Bíblia diz que todos os cristãos são sacerdotes em Cristo [...]. Por questão de ordem na igreja, alguns indivíduos, mais provavelmente ministros, são designados a batizar e servir a ceia, mas isso não significa que somente eles podem fazê-lo [...] ― como se houvesse uma elite entre os crentes, que é precisamente aquilo a que os reformados dizem se opor”.

Me surpreendi com esse ter sido argumento inicial do Yago Martins, pois já havia sido respondido em minha primeira postagem, sendo o mais frágil de todos. O Novo Testamento não estabelece nenhuma relação lógica entre o sacerdócio universal de todos os santos e o direito de fazer qualquer coisa na igreja. No Novo Testamento, o sacerdócio universal dos crentes não dá o direito das mulheres pregarem na igreja (I Co 14:34, 35; I Tm 2:12) e, no Antigo Testamento (Ex 19:6), não dava o direito de todos celebraram sacrifícios no templo. Infelizmente, muitos cristãos erradamente pensam que o sacerdócio universal dos santos foi uma inovação do Novo Testamento. A verdade é que, quando Pedro se refere ao sacerdócio universal dos santos, tudo o que ele faz é citar um texto do Antigo Testamento:

“E vós me sereis um reino sacerdotal e o povo santo. Estas são as palavras que falarás aos filhos de Israel”. (Êxodo 19:6)

“Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; vós, que em outro tempo não éreis povo, mas agora sois povo de Deus; que não tínheis alcançado misericórdia, mas agora alcançastes misericórdia”. (1 Pedro 2:9-10)

Se no Antigo Testamento já havia sacerdócio universal, mas isso não dava o direito de qualquer um administrar os sacrifícios no templo, porque deveríamos concluir que, no Novo Testamento, o sacerdócio universal dá o direito de todos administrarem os sacramentos, se não há qualquer texto do Novo Testamento que faz essa ligação? O fato é que boa parte dos protestantes hoje tem um entendimento equivocado sobre o significado do sacerdócio universal. Eu expliquei melhor o verdadeiro significado do sacerdócio universal dos santos aqui.

O segundo argumento do Yago Martins foi apelar para o registro histórico extra-bíblico:

“Franklin Ferreira e Alan Myatt elucidam que ‘na igreja primitiva era permitido que qualquer leigo batizado batizasse os novos convertidos; mas, aos poucos, o privilégio passou a ser reservado apenas aos clérigos’[1]. B. B. Warfield explica mais sobre isto [...] No entanto, com o tempo, o ministro natural do batismo tornou-se o bispo, principalmente na primeira parte do século II”.

Yago Martins apela para o testemunho de Franklin Ferreira, Alan Myatt e B. B. Warfield. Segundo Yago Martins, “o ministro natural do batismo tornou-se o bispo, principalmente na primeira parte do século II. Ou seja, ele acredita que no primeiro século qualquer cristão batizava, mas que no segundo século isso mudou e só os ministros da palavra passaram a batizaram.

O primeiro problema com esse argumento é que o único documento confiável que nós temos sobre a prática na era apostólica é o Novo Testamento. No Novo Testamento, tudo o que temos é o batismo sendo administrado por oficiais ordenados ao ministério da Palavra. Portanto, não temos qualquer documento antes do segundo século, da era apostólica, descrevendo o batismo como sendo administrado por qualquer outro que não fosse um ministro ordenado.

Mas quais evidências ele apresenta dessa suposta mudança? A primeira evidência, dada por B.B. Warfield, é do Didaquê. Mas o Didaquê não diz absolutamente nada sobre quem deveria administrar o batismo. Tudo o que ele diz sobre o batismo é o seguinte:

“No que diz respeito ao batismo, batizai em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo em água corrente. Se não tens água corrente, batiza em outra água; se não puderes em água fria, faze-o em água quente. Na falta de uma e outra, derrama três vezes água sobre a cabeça em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Mas, antes do batismo, o que batiza e o que é batizado, e se outros puderem, observem um jejum; ao que é batizado, deverás impor um jejum de um ou dois dias”.

E depois no capítulo sobre a Ceia do Senhor:

“No que concerne à Eucaristia, celebrai-a da seguinte maneira: Primeiro sobre o cálice, dizendo: Nós te bendizemos, nosso Pai, pela santa vinha de Davi, teu servo, que tu nos revelaste por Jesus, teu servo; a ti, a glória pelos séculos! Amém. Sobre o pão a ser quebrado: Nós te bendizemos, nosso Pai, pela vida e pelo conhecimento que nos revelaste por Jesus, teu servo; a ti, a glória pelos séculos! Amém. Da mesma maneira como este pão quebrado primeiro fora semeado sobre as colinas e depois recolhido para tornar-se um, assim das extremidades da terra seja unida a ti tua igreja em teu reino; pois tua é a glória e o poder pelos séculos! Amém. Ninguém coma nem beba de vossa Eucaristia, se não estiver batizado em nome do Senhor”.

Em nenhum lugar esses textos indicam que o batismo era administrado por qualquer outro que não fosse um ministro ordenado. Ele descreve o batismo, mas não diz por quem era administrado. Portanto, o Didaquê não dá qualquer suporte a essa opinião. A segunda evidência vem de Inácio de Antioquia:

“Inácio de Antioquia, escrevendo para igrejas que lutavam contra heresias e convencido de que um líder ortodoxo manteria a pureza da comunidade, ensinou que a única celebração válida da ceia do Senhor é aquela que um bispo preside, que o único casamento verdadeiramente cristão é o que ocorre com o consentimento dos bispos, além de, obviamente, defender que não era correto batizar sem a presença do bispo”.

Aqui Yago Martins não apresenta qualquer evidência de que esse ensinamentos de Inácio de Antioquia eram diferentes do que já era praticado no primeiro século. Simplesmente dizer que era isso que Inácio de Antioquia ensinava não é suficiente para provar que houve mudança. Nós poderíamos muito bem argumentar justamente o contrário, que Inácio de Antioquia defendia aquilo que já era defendido no primeiro século. Além disso, Yago Martins nem mesmo apresenta qualquer citação do próprio Inácio de Antioquia demonstrando que era isso mesmo que ele defendia. Isso é tudo o que Yago Martins apresenta como evidência da suposta mudança do primeiro para o segundo século, ou seja, nenhuma evidência.

Seu próximo argumento é dizer que “Não é muito difícil… percebermos que, no Novo Testamento e em toda igreja bíblica, o batismo nunca foi um privilégio de pastores ou bispos ordenados, mas um ato cumprido por todo evangelista. Aqueles que vão pregando o evangelho devem batizar os novos crentes”. Mas eu não defendi que a administração do batismo era “um privilégio de pastores ou bispos ordenados“, como Yago diz. O que eu defendi é que o privilégio era restrito aos ministros da Palavra. Havia quatro categorias que podemos citar de ministros da Palavra:

- Apóstolos
- Profetas
- Evangelistas
- Pastores/Bispos/Presbíteros

São todos citados por Paulo em sua epístola aos Efésios:

“Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para cumprir todas as coisas. E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo, Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente”. (Efésios 4:10-14)

Aqui Paulo cita somente os ministros da Palavra. Os ministros da Palavra, sendo especialmente separados e enviados para anunciarem o Evangelho, são o meio estabelecido por Jesus Cristo para “que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo, Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente”.

Como eu demonstrei no meu primeiro artigo, a Bíblia explicitamente diferencia os cristãos comuns daqueles que são especialmente ordenados para pregar o Evangelho. Esses são os “ministros da Palavra” e a ordem de batizar não é dada, em Mateus 28, a ninguém além dos que foram especialmente ordenados para pregar o Evangelho. Além disso, no decorrer de Atos dos Apóstolos, não há qualquer menção de ninguém além deles administrando o batismo. Yago tenta citar exemplos do livro de Atos:

“Por que criar este tipo de regra, se a Escritura não a impõe? Em nenhum momento a Palavra diz que o batismo precisa ser realizado por pastores, e a indicação que possuímos é que os discípulos era quem o fazia. “Jesus mesmo não batizava, mas os seus discípulos” (Jo 4:1,2). O próprio Paulo, após ter seu encontro com o Senhor, foi batizado por um simples discípulo chamado Ananias (At 9:10-18). Não há menção de que Ananias fosse um presbítero em Damasco. Da mesma maneira, vemos Felipe, que não era presbítero, mas apenas diácono (At 6:5), descer à Samaria para prega e batizar. Mais tarde, ele batizou também o eunuco no caminho de Jerusalém à Gaza (At 8:12-13, 38)”.

De fato Filipe era diácono e diáconos não são ministros da Palavra, como Atos 6:2-4 deixa claro. Mas, além de diácono, Filipe era também evangelista, como Atos 21:8 deixa claro. Portanto, Filipe batizou o eunuco no exercício de seu ofício de evangelista. Ele era, de fato, alguém especialmente separado e enviado para pregar o Evangelho (Rm 10:15). Sobre Ananias, ele recebeu a ordem por meio de uma visão da parte de Deus, o que significa que ele era um profeta, não um “simples discípulo”, tendo sido especialmente separado e enviado por Deus para batizar. Profetas não eram “simples discípulos”. Eles eram responsáveis por lançar o fundamento da Igreja (Ef 2:20), trazendo nova revelação especial anteriormente desconhecida na história da redenção (Ef 3:5). Ele pergunta:

“Por que criar este tipo de regra, se a Escritura não a impõe? Em nenhum momento a Palavra diz que o batismo precisa ser realizado por pastores, e a indicação que possuímos é que os discípulos era quem o fazia”.

Não precisa haver proibição explicita. Basta que a ordem não seja dada aos cristãos comuns, mas somente aos ministros da Palavra. Um dos grandes erros dos cristãos hoje é acha que se algo na Igreja não é explicitamente proibido, então é permitido. A Bíblia ensina o contrário, que o que não é permitido na Igreja, é proibido. Para maiores informações sobre isso, leia o artigo que escrevi aqui. O fato é que os únicos textos que falam sobre quem deveria batizar trazem ordens direcionadas aos ministros da Palavra e todos os exemplos de batismo que nós temos no Novo Testamento seguem este mesmo padrão, são administrados por ministros da Palavra. Não é possível apresentar qualquer evidência de que o batismo era administrado por quaisquer outros. Portanto, não temos autorização para quaisquer outros administrarem o batismo. Yago Martins tenta apresentar mais evidências:

“a indicação que possuímos é que os discípulos era quem o fazia. ‘Jesus mesmo não batizava, mas os seus discípulos’ (Jo 4:1,2)”.

“Discípulo” é frequentemente usado no Novo Testamento para se referir somente aos doze apóstolos (Mt 10:1) e, além disso, pode se referir ao grupo estrito dos setenta evangelistas (Lc 10:1). Não há qualquer evidência no texto que mostre que eram cristãos comuns. Além disso, o mesmo capítulo deixa claro que aqueles discípulos foram especialmente ordenados para serem pregadores do Evangelho:

“Então os discípulos diziam uns aos outros: Trouxe-lhe, porventura, alguém algo de comer? Jesus disse-lhes: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra. Não dizeis vós que ainda há quatro meses até que venha a ceifa? Eis que eu vos digo: Levantai os vossos olhos, e vede as terras, que já estão brancas para a ceifa. E o que ceifa recebe galardão, e ajunta fruto para a vida eterna; para que, assim o que semeia como o que ceifa, ambos se regozijem. Porque nisto é verdadeiro o ditado, que um é o que semeia, e outro o que ceifa. Eu vos enviei a ceifar onde vós não trabalhastes; outros trabalharam, e vós entrastes no seu trabalho”. (João 4:33-38)

O texto paralelo deixa claro que ele estava se referindo a ministros ordenados, especialmente encarregados disso:

“E, vendo as multidões, teve grande compaixão delas, porque andavam cansadas e desgarradas, como ovelhas que não têm pastor. Então, disse aos seus discípulos: A seara é realmente grande, mas poucos os ceifeiros. Rogai, pois, ao Senhor da seara, que mande ceifeiros para a sua seara”. (Mateus 9:36-38)

Yago Martins diz mais:

“Por que ignorar tal liberdade? Ora, se a ordem da Grande Comissão é entregue a todo crente e se o mandamento de batizar os discípulos está dentro deste mandato, porque o cristão leigo é proibido de obedecer tal parte do mandamento?”

Porque, como eu já demonstrei no primeiro artigo, a Grande Comissão não é entregue a todo crente. Se tornou tão natural em nossos dias acreditar que sim, que é difícil as pessoas entenderem que o Novo Testamento não coloca todos os crentes na categoria de pregadores. As vezes tenho a impressão de que os crentes modernos pensam que não há diferença entre os oficiais da Igreja e os crentes comuns, que tudo não passa de uma convenção humana. O fato é que há sim diferença, essa diferença foi ordenada pelo próprio Deus e, portanto, não podemos presumir que todos os crentes tenham os mesmos direitos e privilégios que os oficiais. Isso seria estabelecer a anarquia. Devemos cuidadosamente separar o que é dito aos oficiais do que é dito dos cristãos comuns.

“Alguém escreveu que a Grande Comissão – ou, pelo menos, o ensino e o batismo – “não se refere às obrigações de todos os cristãos, mas especificamente à função dos ministros da Palavra”. O problema é que este argumento não pode ser sustentado pelo texto, e sequer é a interpretação mais simples dele”.

Pode não ser a interpretação mais “simples” para cristãos que erradamente acreditam que o Novo Testamento coloca todos os crentes na categoria de pregadores, mas é a interpretação óbvia para quem se conscientiza que o Novo Testamento e classifica como “pregadores” somente os ministros ordenados e não qualquer cristão. O Novo Testamento inteiro se refere aos “pregadores” dessa maneira, como oficiais distinto dos cristãos comuns.

“E como pregarão, se não forem enviados? como está escrito: Quão formosos os pés dos que anunciam o evangelho de paz; dos que trazem alegres novas de boas coisas”. (Romanos 10:15)

“Não sabeis vós que os que administram o que é sagrado comem do que é do templo? E que os que de contínuo estão junto ao altar, participam do altar? Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho”. (I Coríntios 9:13-14)

“Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina. (I Timóteo 5:17)

A Bíblia não estabelece o igualitarismo eclesiástico. Alguns ocupam o ofício de mestres/pregadores e outros não. A quem a Grande Comissão foi dirigida?

“Partiram, pois, os onze discípulos para a Galiléia, para o monte onde Jesus lhes designara. Quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram. E, aproximando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Portanto ide, ensinai todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”. (Mateus 28:16-19)

“Finalmente apareceu aos onze, estando eles assentados à mesa, e lançou-lhes em rosto a sua incredulidade e dureza de coração, por não haverem crido nos que o tinham visto já ressuscitado. E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado”. (Marcos 16:14-16)

Yago Martins tenta apresentar uma interpretação alternativa:

“Entre acreditar que provavelmente mais de 500 discípulos estavam, naquele momento, sendo ordenados para o ministério oficial ao invés de crer que aquela era uma ordem geral para todo o crente não é só muita vontade de impor as próprias ideias ao texto, mas deitar a Grande Comissão na cama de Procusto”.

O texto é claro: “E, aproximando-se Jesus, falou-lhes…“ (Mt 28:17), “E disse-lhes…” (Mc 16:16). Nos dois casos, “lhes” está claramente se referindo “onze” da frase anterior. Claramente, eram os ministros da Palavra sendo enviados para pregar o Evangelho e batizar. Não há nenhuma imposição aqui. A imposição é negar o que o texto diz explicitamente, que a ordem foi dada aos onze, não à quinhentos e ignorar que por todo o Novo Testamento há uma distinção entre os cristãos comuns e os que são especialmente ordenados para pregar o Evangelho.

“Há, ainda, quem acredite que apenas os Onze Apóstolos vivos na época estavam ali, recebendo aquela ordem”.

Não há motivo para pensar o contrário, pois isso é o que o texto explicitamente diz.

“D. A. Carson nos dá um argumento textual claro, analisando o verso 10 de Mateus 28: “Então Jesus disse-lhes: Não temais; ide dizer a meus irmãos que vão à Galileia, e lá me verão”. Alguns acham que “meus irmãos” nada mais é que um modo elevado de se referir aos Onze, mas isto ignora o uso do termo em Mateus, onde, com exceção do relacionamento natural, é usado como referência à irmandade dos que reconhecem Jesus como Messias (18:15;23:8; cf. 5:22-24; 7:3-5; 18:21,35). Nas duas outras passagens onde Jesus usou a expressão plena “meus irmãos” (12:49,50;25:40), ela refere-se a todos os discípulos de Jesus e não pode ser limitada aos apóstolos somente. Deste modo, Jesus estava conclamando todos os que estavam ligados a Sua causa a comparecerem no monte da Galileia, e não apenas os Onze.”

Essa interpretação ignora que o texto explicitamente diz quem são os “irmãos” no verso 16 e explicitamente identifica a quem Jesus se dirigiu para dar a Grande Comissão:

“Então Jesus disse-lhes: Não temais; ide dizer a meus irmãos que vão à Galiléia, e lá me verão… E os onze discípulos partiram para a Galiléia, para o monte que Jesus lhes tinha designado”. (Mateus 28:10,16)

O texto não se refere à ninguém além deles. Não fala nada sobre os supostos quinhentos. Se havia outros além dos onze, não há qualquer base no texto para inferir. Pelo contrário, o texto diz que tudo o que é dito por Jesus, é dito aos onze:

“E os onze discípulos partiram para a Galiléia, para o monte que Jesus lhes tinha designado. E, quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram. E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra”. (Mateus 28:16-18)

Quando o texto diz que eles “o viram”, ele está evidentemente se referindo ao grupo do verso anterior, “os onze”, já que o texto não menciona ninguém além deles. Ir além disso é especulação e não pode ser usado para firmar qualquer doutrina. Além disso, o texto em que há uma ordem paralela em Marcos 16 é igualmente enfático sobre quem estava lá recebendo a ordem:

“Finalmente apareceu aos onze, estando eles assentados à mesa, e lançou-lhes em rosto a sua incredulidade e dureza de coração, por não haverem crido nos que o tinham visto já ressuscitado. E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura”. (Marcos 16:14-15)

Para resumir:

1) O sacerdócio universal de todos os santos não tem nada a ver com o direito de administrar os sacramentos ou mesmo com o direito de pregar na Igreja.

2) Nenhuma evidência foi apresentada de que o segundo século trouxe inovação quanto ao direito de batizar. As evidências apresentadas nada dizem sobre isso.

3) Nenhum exemplo do Novo Testamento foi apresentado mostrando que qualquer pessoa, além dos ministros da Palavra, administravam o batismo.

4) Nenhuma evidência foi apresentada de que a Grande Comissão tenha sido dirigida à outros se não os ministros da Palavra, especialmente ordenados e separados para pregar, conforme o padrão que encontramos no resto do Novo Testamento.

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Fonte: Resistir e Construir

Veja também a resposta de Yago Martins sobre esse artigo, aqui.
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