Versículos bíblicos sobre a Trindade

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O objetivo deste artigo é analisar os dados bíblicos sobre a doutrina da Trindade a fim de extrair conclusões logicamente dedutíveis desses versículos. As Escrituras são essencialmente trinitárias, mas a fim de não redigir um texto demasiadamente longo, foram selecionados sete versículos bíblicos que ajudam a raciocinar sobre o assunto:

1. Gênesis 1.26: Então disse Deus: ‘Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. Domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais grandes de toda a terra e sobre todos os pequenos animais que se movem rente ao chão’.” 

Logo no início das Escrituras encontramos uma descrição de Deus em termos plurais de modo que o Criador deve ser tanto uma unidade quanto uma diversidade. O texto diz: “E disse [singular - unidade] Deus [plural - diversidade]” (hebraico: wayyomer Elohim) Façamos (naaseh) [plural] o homem [unidade - adam] à nossa [plural] imagem (besalmenu) e à nossa [plural] semelhança (kiḏmuṯênu) “[1] e o verso seguinte (v.27) diz: “E criou [singular] Deus [plural] o homem [unidade – ha adam] à sua [singular] imagem (besalmow): macho (zakar) e fêmea (uneqebah) [diversidade]”[2]. Desse modo, o texto faz um jogo entre singular (unidade)/ plural (diversidade), tanto em relação a Deus, quanto em relação ao homem criado semelhante a Deus. Deus cria uma só espécie (humana) com dois sexos distintos (macho e fêmea) a fim de refletir a unidade e a diversidade de Deus. Outras passagens veterotestamentárias também usam nomes e verbos plurais para falar de Deus (Gênesis 3.22; 11.6,7; Jó 35.10; Salmos 149.2; Isaías 54.5; Eclesiastes 12.1; Provérbios 9.10;  30.3; Josué 24.19). Em Isaías 6.3, 8 a apresentação de Deus em termos plurais aparece junto com a adoração tríplice “Santo, Santo, Santo”.[3] Considerar essas construções como plurais de majestade parece improvável pois se isso fosse assim deveríamos esperar encontrar o uso de plurais de majestade no contexto das monarquias de Israel e de Judá[4].

2. Deuteronômio 6.4: Ouça, ó Israel: O Senhor, o nosso Deus, é o único Senhor.”

O texto afirma inequivocamente a unidade absoluta de Deus: “Yahweh elohenu Yahweh ehad” (“O Senhor, nosso Deus, o Senhor é Um” [5]). Deus é nomeado como “Yahweh”, o nome pactual do Senhor que o apresenta como um Deus de relacionamento e de Aliança. Yahweh é essencialmente um Deus de relacionamento pessoal e pactual[6]. Além de apresentar o Senhor como um Deus Pessoal, o nome Yahweh também carrega os significados de imutabilidade, eternidade e autoexistência (Êxodo 3.14)[7]. A palavra Um (ehad) significa uma unidade que pode admitir uma diversidade de pessoas (Gênesis 2.24)[8]. Assim, Yahweh é um Ser Pessoal não apenas ad extra, mas também em Sua própria essência, em Si mesmo Ele É um relacionamento pessoal e pactual. Provavelmente aduzindo a esta confissão do Shemá (“Yahweh é Um’’), o apóstolo Paulo declarou que a Igreja crê em “Um só Deus, o Pai” (Grego: Heis Theos ho Pater) e “Um só Senhor, Jesus” (Heis Kyrios Iesous)[9]. Isso é dito em um contexto no qual o apóstolo está tratando da questão dos sacrifícios aos ídolos. Paulo chama os ídolos de “deuses (theoi) e senhores (kirioi)”[10] e nega a existência real dessas divindades pagãs. Assim quando Paulo chama o Pai e o Filho de “único Deus e único Senhor”, ele está afirmando que a Igreja não cultua os deuses falsos, mas sim o único Deus Verdadeiro, o Pai e o Filho[11]. Kyrios é um sucedâneo do nome Yahweh, de modo que a confissão de Jesus como “um só Kyrios” reflete a confissão do Shemá do “um só Yahweh”[12]. De fato, o Pai e o Filho existem em uma unidade essencial e relacionam-se eternamente de maneira pessoal e pactual[13]. Paulo também identifica o Espírito Santo como Yahweh: “Ora, Jeová [Kyrios][14] é o Espírito, e onde está o Espírito de Jeová, ali há liberdade. E todos nós, ao passo que com o rosto descoberto refletimos como um espelho a glória de Jeová, somos transformados nessa mesma imagem, com mais e mais glória, exatamente como Jeová, o Espírito, o faz.”[15] Assim, há uma só essência divina autoexistente, eterna e imutável na qual existe um relacionamento pessoal entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. 

3. João 1.1: “No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus, e era Deus.

Neste versículo o Filho é chamado de “Logos”, que no pensamento judaico se referia ao envolvimento e à presença ativa e pessoal de Yahweh no mundo [16].A expressão “No Princípio” aduz ao princípio de Gênesis 1.1 e está intimamente relacionada com o início da criação do espaço e do tempo. Desse modo, o Filho (a Palavra) é colocado junto com o Pai na “eternidade passada”, ou melhor, na atemporalidade. Isso é confirmado pelo verso 3 que diz que absolutamente nada veio a existência, senão através do Filho. Assim, se o Filho é temporal, algo teria vindo a existência antes dele, a saber, o espaço e o tempo. Outras expressões bíblicas usadas para descrever a “eternidade passada” são usadas com respeito ao Filho. Ele existe antes de todas as coisas (“pro pranton” – Colossenses 1.17)[17] e por meio dele, Deus formou os tempos (“aionas” – Hebreus 1.2)[18]. O texto não diz que o Filho veio a existir no Princípio, mas que Ele era (En arché en ho Logos). O verbo “en - era” está no tempo imperfeito indicando uma ação contínua no passado, assim a Palavra existia na “eternidade passada”[19]. A Palavra estava com o Deus de modo que ela precisa ser outra Pessoa distinta que existe na eternidade com o Deus Pai. A Palavra não pode ser o próprio Pai. Isso é confirmado pelo fato do Pai ser chamado de “o Deus” (com artigo) e o Filho de “Deus” (sem artigo), o que insinua uma distinção entre eles. Por outro lado, os vocábulos “Deus” e “o Deus” são usados lado a lado (ton Theón, kai Theós[20]) sugerindo uma unidade semântica essencial: o Logos é Deus no mesmo sentido em que o Pai é Deus, embora eles sejam duas pessoas distintas. Assim, o Filho é eterno, atemporal e igualmente Deus com o Pai, embora seja outra Pessoa em relação ao Pai. 

4. João 8.58:Respondeu Jesus: ‘Eu lhes afirmo que antes de Abraão nascer, Eu Sou!’”

É importante notar que Jesus não diz “antes de Abraão nascer, eu nasci”, nem, “antes de Abraão nascer, eu vim a ser”, mas “antes de Abraão nascer, ‘Eu Sou’” (Ego Eimi)[21], afirmando Sua eternidade. A expressão “Eu sou”, usada por Jesus, tem como plano de fundo as declarações “Eu Sou” de Yahweh no livro de Isaías (41.4; 43.10, 13, 25; 46.4; 48.12, 51.12; 52.6), note as construções “para que saibais que Eu Sou” e “para crerdes que Eu Sou” (João 8.24,28; 13,19 – Isaías 43.10). Ao se declarar como o “Eu Sou”, Jesus se identifica como Yahweh, o Deus Imutável, Eteno e Autoexistente (Êxodo 3.14)[22]. No Evangelho de João, a expressão “Eu Sou” é relacionada a sete metáforas redentoras: “Eu Sou” o Pão da Vida (6.35,48,51), a Luz do Mundo (8.12; 9.5), a Porta (10.7,9), o Bom Pastor (10.11,14), a Ressurreição e a Vida (11.25), o Caminho, a Verdade e a Vida (14.6) e a Videira Verdadeira (15.1,5)[23]. Essas e outras metáforas, tais como, Semeador, Diretor da Colheita, Rocha e Noivo, empregadas por Jesus para falar de si mesmo, têm como fundo as parábolas que o Antigo Testamento usa para descrever Yahweh, desse modo Jesus estava se identificando com Jeová [24].

5. João 1.18: Ninguém jamais viu a Deus, mas o Deus Unigênito, que está junto do Pai, o tornou conhecido.

Jesus é o Filho Unigênito de Deus. Sempre que Cristo é chamado de “Unigênito”, isso é associado com o nascimento espiritual dos crentes (João 1.12, 13,14,18; 3.6, 16, 18; 1 João 4.7, 9; 5.18)[25]. Desse modo, Jesus “nasceu espiritualmente” do Pai em um sentido único. Ele é o Verbo ou a Sabedoria que nasceu do Senhor na eternidade (Provérbios 8.22-26) e Sua origem está na eternidade (Miquéias 5.2). No ato da geração, o Filho recebe do Pai, por comunicação, “vida em si mesmo”, isto é, a essência divina completa e autoexistente (João 5.26). Assim, por ter a mesma essência do Pai, ele é a perfeita revelação do Deus invisível. Na medida em que essa geração é eterna, o Filho não veio à existência, Ele sempre existiu, existe e existirá sendo continuamente gerado do Pai em um ato eterno, porém sempre completo [26].

6. João 15.26:Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim.”

“É importante notar que diferente dos verbos no futuro usados para falar do envio do Espírito (João 14.26), o verbo “procede” (grego: “ekporeuetai”) está no presente, isto é, a emanação do Espírito do Pai é contínua e estava acontecendo no momento em que Jesus estava falando. A ideia é que Jesus enviará o Espírito da parte do Pai no tempo (economia) porque na eternidade (imanência) o Espírito procede do Pai. O Filho diz que ele é quem enviará o Espírito, de modo que o Espírito também deve proceder do Filho. Levando em conta a primeira parte da Regra de Rahner (“A Trindade Econômica é a Trindade Imanente”) que diz que a revelação da Trindade no tempo reflete aquilo que Deus é na eternidade, o envio do Espírito da parte do Pai pelo Filho corresponde a uma relação de emanação do Espírito do Pai e do Filho na eternidade.”[27] Assim, o Espírito Santo procede eternamente do Pai e do Filho. Ele é apresentado como o outro Paracleto que viria para substituir o Paracleto Jesus (1 João 2.1), de modo que temos um Intercessor Divino na Terra (o Espírito Santo – Romanos 8.26 – 27) e um Intercessor Divino nos Céus (Jesus Cristo – Hebreus 7.25) e ele também é chamado pelo pronome neutro ekeinos (“Ele”) o que o revela como um Ser Pessoal[28].

7. Mateus 28.19:Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo,

Esse versículo faz parte dos 50 padrões trinitários do Novo Testamento[29]. Eles são importantes, não pelos simples fato de mostrar as três pessoas divinas juntas, mas porque são padrões que geralmente aparecem associados com as obras da Divindade, como por exemplo, a salvação (Efésios 1.3-14; 2.13-14; 1Pedro 1.2), a expiação (Hebreus 9.14), a adoção (Gálatas 4.6) e a distribuição de dons espirituais (1 Coríntios 12.4-6). A bênção apostólica, por exemplo, provavelmente tem como plano de fundo a tríplice bênção araônica, o que identifica os membros da Trindade com Yahweh (2 Coríntios 13.13; Números 6.24-26). O nome, no contexto bíblico, está fortemente relacionado com a identidade de um indivíduo. O Nome de Deus o identifica como o Eterno e o Imutável “Eu Sou”, que é uma só Essência una e indivisível. “Nome”, aqui, aparece no singular, ainda que o texto mencione três pessoas (Pai, Filho e Espírito), ressaltando a unidade da essência divina. Ao mencionar cada membro da Trindade o texto repete “(e) do” de modo a distinguir cada Pessoa. Esta distinção evita a falsa ideia do “Pai”, “Filho” e “Espírito Santo” como designações de uma mesma Pessoa. Assim o texto fala de três Pessoas distintas (Pai, Filho e Espírito) designadas por um só Nome, isto é, que compartilham de uma e a mesma Essência [30].

Considerações finais

    
Os textos bíblicos analisados [31] nos permitem concluir que: (i) Há absolutamente um só Deus, um só Ser divo, que é uma só substância una e indivisível. (ii) Na Unidade da essência divina há três Pessoas distintas que se relacionam entre si: Deus o Pai, Deus o Filho e Deus o Espírito Santo. (iii) O Filho é eternamente gerado do Pai e (iv) O Espírito Santo procede eternamente do Pai e do Filho:

“Na unidade da Divindade há três pessoas de uma mesma substância, poder e eternidade - Deus o Pai, Deus o Filho e Deus o Espírito Santo, O Pai não é de ninguém - não é nem gerado, nem procedente; o Filho é eternamente gerado do Pai; o Espírito Santo é eternamente procedente do Pai e do Filho.” - Confissão de Fé de Westminster II.III[32]
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Notas:
[1] http://biblehub.com/interlinear/genesis/1-26.htm
[2] http://biblehub.com/interlinear/genesis/1-27.htm
[3] http://brunosunkey.blogspot.com.br/2016/10/cristao-ao-ler-as-escrituras-devepartir_9.html
[4] SILVA, André de Aloísio de Oliveira da. A Trindade Imanente: Unidade de essência e diversidade de pessoas como igualmente fundamentais em Deus. Teresinha: Seminário Teológico do Nordeste Memorial Igreja Presbiteriana da Coreia – Monografia, 2014, p. 80.
[5] http://biblehub.com/interlinear/deuteronomy/6-4.htm
[6] Revista do Professor – Nossa Fé – Os Patriarcas, p. 18. 
[7] SILVA, André de Aloísio de Oliveira da. A Trindade Imanente: Unidade de essência e diversidade de pessoas como igualmente fundamentais em Deus. Teresinha: Seminário Teológico do Nordeste Memorial Igreja Presbiteriana da Coreia – Monografia, 2014, pp. 77-79.
[8] http://www.teologiabrasileira.com.br/teologiadet.asp?codigo=140
[9] http://biblehub.com/interlinear/1_corinthians/8-6.htm
[10] http://biblehub.com/interlinear/1_corinthians/8-5.htm
[11] SILVA, André de Aloísio de Oliveira da. A Trindade Imanente: Unidade de essência e diversidade de pessoas como igualmente fundamentais em Deus. Teresinha: Seminário Teológico do Nordeste Memorial Igreja Presbiteriana da Coreia – Monografia, 2014, p. 94.
[12] http://brunosunkey.blogspot.com.br/2015/10/jesus-cristo-o-senhor-jeova.html
[13] Existe um Pacto Eterno entre o Pai e o Filho chamado “Aliança da Redenção”, confira: BERKHOF, L. (2012). Manual de doutrina cristã. São Paulo: Cultura Cristã, pp. 115-118.
[14] http://biblehub.com/interlinear/2_corinthians/3-17.htm
[15] 2 Coríntios 3.17-18 adaptado da Tradução do Novo Mundo: https://www.jw.org/pt/publicacoes/biblia/nwt/Nomes-e-ordem-dos-livros/2-Cor%C3%ADntios/3/
[16] Neves, Itamir. Comentário Bíblico de João. São Paulo: Rádio Trans Mundial, 2011. (Série Através da Bíblia), pp. 28-29.
[17] http://biblehub.com/interlinear/colossians/1-17.htm
[18] http://biblehub.com/greek/165.htm
[19] SILVA, André de Aloísio de Oliveira da. A Trindade Imanente: Unidade de essência e diversidade de pessoas como igualmente fundamentais em Deus. Teresinha: Seminário Teológico do Nordeste Memorial Igreja Presbiteriana da Coreia – Monografia, 2014, p. 105.
[20] https://pt.wikipedia.org/wiki/No_princ%C3%ADpio_era_o_Verbo
[21] http://biblehub.com/interlinear/john/8-58.htm
[22] SILVA, André de Aloísio de Oliveira da. A Trindade Imanente: Unidade de essência e diversidade de pessoas como igualmente fundamentais em Deus. Teresinha: Seminário Teológico do Nordeste Memorial Igreja Presbiteriana da Coreia – Monografia, 2014, pp. 107-108.
[23] Neves, Itamir. Comentário Bíblico de João. São Paulo: Rádio Trans Mundial, 2011. (Série Através da Bíblia), p. 21.
[24]  GEISLER, N. (2015). Teologia Sistemática 1. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, p. 794.
[25] SILVA, André de Aloísio de Oliveira da. A Trindade Imanente: Unidade de essência e diversidade de pessoas como igualmente fundamentais em Deus. Teresinha: Seminário Teológico do Nordeste Memorial Igreja Presbiteriana da Coreia – Monografia, 2014, p. 100.
[26] BERKHOF, L. (2012). Manual de doutrina cristã. São Paulo: Cultura Cristã, p. 63.
[27] Como já havia analisado este versículo em outro artigo, apenas copiei sua análise: http://brunosunkey.blogspot.com.br/2016/11/a-processao-eterna-do-espirito.html
[28] FERREIRA, F. & MYATT (2007). Teologia Sistemática - VIDA NOVA, pp. 682 -684.
[29] Estes padrões podem ser encontrados em: João 14.26; Mateus 12.31-32. Mateus 3.16,17; Mateus 28.19; Lucas 1.35; Lucas 3.21-22; Marcos 1.9-11; Lucas 4.1-12; João 14.16-20; João 15.7-26; João 20.21-22; Atos 1.1-6; Atos 2.31,32,38,39; Atos 5.31-32; Atos 7.55-56; Atos 10.38, 46,47,48; Atos 15.8-11; Atos 20.23,24,28; Atos 28.23,25,31; Romanos 1.4; Romanos 5.5-6; Romanos 8.2,3,9,16,17; 1 Corintios 6.11; 1 Coríntios 12.4,5,6,12,13,18; 2 Coríntios 1.21-22; 2 Coríntios 13.14; Gálatas 3.11,13,14; Gálatas 4.6; Efésios 1.2,3,13; Efésios 2.18,20; Efésios 3.16,17,19; Efésios 4.4,5,6; 1 Tessalonissenses 1.4,5,6; 2 Tessalonissenses 2.13; Tito 3.4,5,6; Hebreus 2.3-4; Hebreus 6.4,5,6; Hebreus 9.14; Hebreus 10.10,12,15; 1 Pedro 1.2; 1 João 3.21,23,24; 1 João 4.13-14; Judas 20-21 - http://mcapologetico.blogspot.com.br/2012/07/50-textos-biblicos-no-nt-que-ensinam.html
[30] SILVA, André de Aloísio de Oliveira da. A Trindade Imanente: Unidade de essência e diversidade de pessoas como igualmente fundamentais em Deus. Teresinha: Seminário Teológico do Nordeste Memorial Igreja Presbiteriana da Coreia – Monografia, 2014, pp. 90. 123.
[31] Para uma análise de versículos bíblicos geralmente e equivocadamente utilizados contra a Trindade, confira: http://brunosunkey.blogspot.com.br/2016/01/10-versiculos-biblicos-contra-trindade.html
[32] http://www.monergismo.com/textos/credos/cfw.htm

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Autor: Bruno dos Santos Queiroz
Divulgação: Bereianos
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Deus é amor ou o Amor é deus?

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Diante de algum conflito moral alguém sempre lança mão da afirmativa ‘
Deus é amor’ no intuito de apaziguar algum desconforto ou mesmo dar uma resposta ao conflito que pareça indissolúvel por outros termos. ‘Deus é amor’ virou um mantra para nossa geração e tudo que parece ser feito em amor toma logo uma roupagem de divinamente inspirado ou divinamente tolerado.

Mas claro que Deus é amor! Apesar de muitas vezes Ele ter sido tomado na cultura como alguém distante e indiferente ao permitir a banalização do mal ao longo da história, a Bíblia é repleta de demonstrações não só dos traços amorosos de Deus, mas também da riqueza da operação desse amor entre nós. O amor é a essência fundamental da natureza de Deus e carácter de seu próprio Ser. Deus é perfeito em amor. O amor de Deus é manifesto por Seu desejo absolutamente puro de doar, compartilhar e cuidar. Tais prerrogativas podem ser observadas em episódios distintos da narrativa bíblica, em nossas experiências cotidianas e ao longo do caminho histórico (criação-queda-redenção), no qual Deus nos convida a participar e dar respostas a quem nos pedir a razão dessa fé e experiência transformadora. Tenhamos em mente que, apesar do ódio, apesar de todos os motivos para a violência e degradação humanas, o bem e a ordem, a justiça e a misericórdia, o cuidado e a proximidade se manifestam no mundo. O Deus distante é signo da ausência da humanidade, o Deus amoroso é revelado no exercício do amor – não há outro veículo para o amor de Deus que o próprio homem. Esse é o mistério da encarnação.

Mas, então, qual o problema da resposta ‘Deus é amor’ para a justificação de nossas condutas diárias?

O que acontece é que tal justificativa parece ter se tornado bastante simplista. Ela tem sido comunicada sistematicamente de forma acrítica no embalo do que parece ser a mais pura irresponsabilidade ou falta de sabedoria cristã, seja, por ignorância sincera ou omissão voluntária. Ela está presente em cenas corriqueiras que parecem não favorecer qualquer desejo de solução do problema, isentando aqueles que dialogam, na maioria das vezes, da compreensão, do juízo e da mudança independente dos prejuízos produzidos por uma nova tomada de posição.

A invocação de Deus como amor associada à uma possível renúncia da responsabilidade humana é sintoma da diluição ou enfraquecimento da mensagem bíblica e também do próprio humano. Deus é amor em sua ira. Deus é amor na punição. Deus é amor em qualquer coisa que faça. O humano é portador do amor de Deus quando se encontra no lugar da obediência, quando compreende e cumpre o seu papel, quando não foge à sua vocação de agente e presença de um impasse que denuncie uma crise e uma fragilidade nesse estado de coisas que temos presenciado em nossa cultura.

Pensemos nisso em uma época de crescente oposição ao outro através da patologização – ou seja, transformar uma característica humana em doença, desordem ou inadequação ao meio, e consequente desabono da opinião de alguém através da rotulação de tudo como questão de ‘ódio’ que temos visto rotineiramente na discussão pública. A possível ignorância deixou de ser ausência de sabedoria e conhecimento – dirimida através do ensino-aprendizagem na relação mútua, para se tornar um sentimento irracional e aniquilador do outro. Esse outro que deveria ser antropologicamente tão íntimo que o chamado a serem filhos de Deus por amor Dele (Rm. 11:36) faria qualquer diferença ocasional virar sombra pálida a ser prontamente administrada. Mas quem quer entrar na lista do politicamente incorreto de nossos dias? Quem quer cair nesse lugar que incorporou cores mais fortes que o inferno de Dante? Ninguém. O ‘ódio’ é o oposto extremo do lugar santo da geração #MaisAmor, #PorFavor. E fim de conversa. Melhor, por exemplo, deixar Paulo sendo tachado de misógino (que denota ‘ódio’ por, ao contrário do termo machista) e seguirmos firmes e contextualizados em nossa fé. Pois é… Mas não deveria ser. Sejamos luz e cuidemos dos outros na verdade.

E por que tal justificativa se mostra simplista, irresponsável e sem qualquer sabedoria?

Primeiro, porque quando falamos amor, falamos o amor de muitas maneiras (storge, philia, eros e agapé) e em muitos sentidos, incorrendo sempre no risco de fazer o seu mau uso através de uma compreensão errada ou do exercício errado em condições, por exemplo, disfuncionais ou adoecidas.

Sim, os amores são bíblicos e cada um tem seu traço distintivo. Mas, como nos lembrou C. S. Lewis, “os amores humanos podem ser imagens gloriosas do amor divino. Nada menos que isso, mas também nada mais – proximidades de semelhança que de um lado podem ajudar, mas de outro servir de impedimento…”, quando, por exemplo, embalado pela obstinação de uma causa ou pessoa, esse amor se torna fonte de cruéis violações contra pessoas, causas e coisas, tirando-as, na maioria das vezes, de seu lugar de correspondência e benefício. Quer um exemplo atual dessa dificuldade e risco? Família é amor! Família é onde tem amor! Mas estamos falando de qual natureza amorosa? Há critérios ou exigências distintivas para este amor? Toda forma de amor vale a pena? Se cremos haver alguma ordem criacional para a família, temos então alguns parâmetros para essas respostas.

Segundo, porque o amor sem a correspondência adequada se torna puro sentimento passível de muitas grosserias. Moralidade fundada em sentimento como experiência de aprovação e desaprovação acaba por se tornar meios de sutis tiranias. Cria um tipo de raciocínio onde o certo e o errado são dados por motivos subjetivos e não por padrões universais – e objetivos, como aqueles presentes na Bíblia. Imagine essa baliza como prática de uma cultura inteira? Alguns podem dizer, se tem o sentimento certo, o motivo correto, logo a ação é a correta e desejável. Se é por amor, como poderia estar errado? Deus é amor! Mas que amor é este? Calcado na riqueza do caráter e operação de Deus ou em nossas ambíguas subjetividades? Precisamos responder. Afinal, a cultura do sentimento e da valorização das experiências emotivas do sujeito é uma questão séria em nossos dias e a espiritualidade cristã já se encontra sob pressão de um tipo de sentimentalismo bastante acentuado. Não por acaso, este já tenha contaminado as questões e posturas éticas de muitos cristãos.

No artigo The Meanings of Love in the Bible (Os Significados do Amor na Bíblia), disponível na Web, John Piper percorre de Gênesis a Apocalipse apontando versículo a versículo onde aparecem o (1) amor de Deus, (2) amor do humano por Deus, (3) amor do humano pelo humano, (4) amor do humano pelas coisas, (5) amor de Deus pelo seu Filho, (6) amor de Deus pelo humano e (7) amor do humano por Deus e por Cristo. Ele é profícuo em demonstrar as dimensões e as diferentes naturezas do amor e do seu exercício, nos fazendo lembrar que generalizações podem nos roubar a natureza e a responsabilidade de fazê-lo coincidir com o amor do próprio Deus, fonte primária de todos os amores. Portanto, estejamos atentos. Deus é amor (1 Jo. 4:8), mas também é justo (Sl. 7:11), santo (Ap. 4:8), soberano (Ap. 1:5) e imutável (Hb. 7:24) e quando lida conosco o faz sem precisar compensar ou negociar qualquer desses atributos.

Não poderia deixar de mencionar que na esteira do uso torpe da verdade bíblica fundamental, Deus é amor, se encontra também aquela máxima popular: Deus odeia o pecado, mas ama o pecador. Fico aqui pensado se o que João viu no Apocalipse eram objetos inanimados reconhecidos como pecado ou seres humanos irreconciliáveis. Mas melhor deixar esse papo para outra hora.

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Autora: Isabella Passos
Fonte: Reforma 21
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Deus e Seus Atributos - Onipresença

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DEUS E SEUS ATRIBUTOS
I. A onipresença de Deus
[15 de Abril de 1855]

1) A natureza da onipotência. Com relação a Deus e a todos Seus atributos, existe uma forma de concepção popular, escriturística e simples que responde a todos as necessidades da piedade. Há, todavia, outra forma que não contradiz ou se configura como inconsistente com a primeira, e a qual nosso entendimento de certo modo exige, a fim de evitar qualquer confusão ou inconsistência. Portanto, no tocante à onipresença de Deus, a ideia simples e popular de que Deus se encontra igualmente presente por toda parte é suficiente. Contudo, ainda assim o entendimento requer uma afirmação mais particularizada para impedir que concebamos Deus como se Ele possuísse extensão. Ora, a natureza do tempo e espaço envolvida nessa concepção se encontra entre as mais difíceis questões filosóficas. Felizmente, algumas das mais simples verdades são também as mais misteriosas. Sabemos que nossas almas estão aqui e não acolá, e, todavia, a relação da alma com o espaço é algo inescrutável. De semelhante modo, sabemos que Deus se encontra por toda parte, mas Sua relação com o espaço é insondável. Ele Se encontra por toda parte quanto à Sua essência, visto que ela não admite divisão. Também Deus se encontra por toda parte quanto ao Seu conhecimento, já que nada escapa de Sua percepção. E, ainda, Ele está em todos os lugares relativamente ao Seu poder, pois Ele opera todas as coisas segundo o conselho de Sua própria vontade. A onipresença, portanto, inclui as seguintes ideias:

a) Que o universo existe em Deus, pois é dito que todas as criaturas nEle vivem, nEle se movem e existem. 
b) Que toda a inteligência manifesta na natureza é a inteligência onipresente de Deus – criaturas racionais por Ele dotadas com uma inteligência própria. 
c) Que toda a eficiência manifesta na natureza é a potestas ordinata de Deus.

2)
Portanto, o universo é uma manifestação de Deus. As estrelas, a terra, a vida vegetal e animal, nossos corpos, os mais diminutos insetos – tudo revela um Deus presente. Assim, percebemos Deus em cada ente vivo.

3) Destarte, todos os eventos, a queda de um pássaro, a ruína de impérios, o curso da história e as vicissitudes de nossa própria vida são manifestações de Sua presença.

4) Por conseguinte, nos encontramos, a cada momento, na presença de Deus. Todos os nossos pensamentos e sentimentos se dão perante Sua vista, todos nossos atos são realizados sob Seu olhar.

5) Desse modo um Auxiliador infinito e nossa porção estão constantemente ao nosso derredor; um Pai misericordioso, longânimo, onipotente está sempre conosco, a fim de nos sustentar, guiar, ajudar e confortar. A fonte infinita de toda bem-aventurança, da qual podemos sempre haurir fontes inesgotáveis de vida, está sempre à mão.

6) E assim, todo pecado e todos os pecadores estão envolvidos, por assim dizer, por um fogo consumidor do qual não podem fugir, assim como não nos é possível fugir da atmosfera ao nosso redor.

Consequentemente, a reflexão acerca dessa doutrina serve para:

a) Exaltar nossas concepções de Deus ao tornar todas as coisas uma manifestação de Sua glória e poder. 
b) Promover nossa paz e segurança, já que sabemos que Deus está em todo lugar e controla todos os eventos. 
c) Aumentar nosso temor – visto que nossos pensamentos e atos estão expostos ao Seu olhar.
d) Fazer-nos crescer em alegria e confiança, pois nosso Auxiliador todo-poderoso está sempre à mão, e porque Aquele cuja presença se constitui como a bem-aventurança celeste se encontra perto de nós. 
e) Ensinar aos pecadores a certeza e assombro de sua condenação. Uma vez que toda religião consiste em comunhão com a Divindade, e visto que toda comunhão supõe Sua presença, a doutrina da onipresença se encontra na base de toda religião.

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Autor: Charles Hodge
Fonte: Princeton Sermons: Outlines of Discourses Doctrinal and Practical
Traduzido por: Fabrício Tavares
Divulgação: Bereianos
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A onipotência de Deus e o "dilema da pedra"

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Por Rafael de Lima


É provável que alguma vez na vida você já tenha se deparado, ou vá se deparar, com a seguinte indagação: "Deus pode fazer uma pedra tão pesada que Ele mesmo não possa movê-la?". Essa pergunta tem sido feita por céticos que se acham muito espertos e que tentam, com ela, embaraçar e constranger os cristãos. A ideia é colocar em xeque o atributo da onipotência de Deus e, posteriormente, questionar a sua existência.

De fato, a pergunta soa como um dilema, visto que, se a resposta para o questionamento é que Deus pode criar a pedra, Ele não poderá movê-la, caso Ele não possa criá-la, da mesma forma haverá algo que Ele não pode fazer.

Vejamos porque este é um falso dilema que falha tanto teologicamente quanto logicamente.

Primeiramente, o referido questionamento falha em termos teológicos. O falso “dilema da pedra” se baseia em um conceito errado do que seria a onipotência divina. De fato, para o senso comum (e para a esmagadora maioria dos cristãos), dizer que Deus é onipotente equivale a dizer que Ele pode fazer tudo. Todavia, isto não passa de um equívoco teológico, visto que, claramente existem coisas que Deus não pode fazer. Don Fortner enumera uma lista de sete coisas que Deus não pode fazer: Deus não pode mudar ou ser mudado (Ml 3:6; Tg 1:17); Deus não pode mentir (Tt 1:2); Deus não salva um pecador sem um sacrifício agradável (Hb 9:22); Deus não pode levar para o céu alguém que não seja perfeitamente justo à Sua vista (Mt 5:20; Hb 12:14); Deus não pode mandar para o inferno alguém por quem Cristo sofreu e morreu no Calvário (Is 53:11; Rm 8:33,34); Deus não pode salvar um pastor aparte da pregação do evangelho (1Co 1:21-24; Tg 1:18; 2Pe 1:23-25); Deus não pode falhar em salvar qualquer pecador que confie no Senhor Jesus Cristo, seu Filho amado (Jo 3:16,36)[1]. Recomendamos a leitura integral do artigo para uma melhor elucidação.

Sproul define qual seria o conceito teológico correto para onipotência: “Como termo teológico [...] onipotência não significa que Deus pode fazer qualquer coisa [...] O que onipotência realmente significa é que Deus mantém poder absoluto sobre sua criação”.[2]

Teologicamente falando a resposta para o falso dilema da pedra seria: Não. Deus não pode fazer a pedra, pois ele estaria criando algo sobre o qual não teria domínio e, desta forma, anulando a sua onipotência.

Um segundo erro seria de ordem lógica. Ainda que abandonássemos a definição teológica de onipotência e adotássemos a ideia (incorreta) de que afirmar que Deus é onipotente é afirmar que Ele pode fazer tudo, o “dilema da pedra” falharia em termos lógicos.

Nas palavras de Phillip R. Johnson, a lei mais fundamental da lógica, chamada lei da contradição (ou não contradição), pode ser definida da seguinte maneira:

A lei da contradição significa que duas proposições antitéticas não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo e no mesmo sentido. X não pode ser não-X. Uma coisa não pode ser e não ser simultaneamente. E nada que é verdade pode ser auto-contraditório ou inconsistente com qualquer outra verdade.[3]

O falso dilema da pedra tenta propor justamente isto, que Deus possa e não possa ao mesmo tempo e no mesmo contexto. Sproul propõe um dilema análogo ao da pedra que nos ajuda a perceber a falácia:

O que acontece quando uma força irresistível se choca contra um objeto irremovível? Podemos conceber uma força irresistível. Podemos, igualmente, conceber um objeto irremovível. O que não podemos conceber é a coexistência dos dois. Se uma força irresistível encontra um objeto irremovível, e o objeto se mover, o mesmo não poderia mais ser chamado com propriedade de irremovível. Se o objeto não se mover, então nossa força "irresistível" não poderia mais ser chamada, com propriedade, irresistível. Portanto, vemos que a realidade não pode conter uma força irresistível e um objeto irremovível.[4]

Assim, concluímos que o “dilema da pedra” falha tanto na sua perspectiva teológica, quanto na sua base lógica, se demonstrando apenas como mais uma falácia, sendo, portanto, um falso dilema.

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Notas
[1] FORTNER, Don. Sete coisas que Deus não pode fazer. Disponível em: <http://www.monergismo.com/textos/atributos_deus/sete_coisas_deus_nao_pode.htm>. Acesso em: 10 set. 2014.
[2] SPROUL, R. C. Verdades essenciais da fé cristã. 1º caderno. 3ª ed. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2010, p. 38.
[3] JOHNSON, Phillip R. A Lei da Contradição. Disponível em: <http://www.monergismo.com/textos/apologetica/Lei_Contradicao_Phillip.pdf>. Acesso em: 10 set. 2014.
[4] SPROUL, R. C. Op. cit., p. 38. 

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Fonte: Cosmovisão Cristã
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O evangelho caquético do deus defeituoso

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Por Jorge Fernandes Isah


Por que as pessoas querem excluir da natureza divina a ira e a justiça? Por que os textos bíblicos onde esses atributos são manifestados encontram-se reclusos, como se não fizessem parte do Evangelho e fosse proibido exibi-los?

Por que limitar Deus àquilo que mais agrada o coração do homem, de forma que lhe traga um falso consolo? Por que Cristo é muitas vezes estigmatizado como se fosse um molenga, não-viril, um “maria-vai-com-as-outras” que aceita tudo de todos? Por que querem que Ele negue-se a Si mesmo em favor do homem? Por quê? Por quê?... Compartimentá-lO, desagregá-lO de Si mesmo é uma tática maligna de desprezar e rejeitar aquilo que Ele é.

Infelizmente, entre os cristãos, não parece haver uma unidade quanto ao verdadeiro Deus, quanto ao entendimento da sua natureza, quanto ao que nos foi revelado na Escritura; e a maioria se sente constrangida quando tem de dar explicação a uma passagem em que Deus pune, disciplina, condena.

É como se tivéssemos arrancado páginas e mais páginas da Bíblia a fim de não sermos incomodados com situações violentas, mas que revelam o poder soberano e justo dEle. Não é essa atitude uma violação à natureza divina? O arrogante desprezo de não reconhecer a superioridade da Sua revelação em detrimento da nossa reles concepção? Acontece que cristãos fracos têm pregado doutrinas fracas em que um deus fraco é incapaz de atitudes soberanas; ao contrário, esses cristãos raquíticos proclamam um evangelho caquético de um deus defeituoso e imperfeito que não ultrapassa a extensão da mente obliterada pelas trevas.

Como Marcião e tantos outros heréticos, os pseudocristãos estão mais preocupados em não se envolverem em dificuldades, em facilitarem o seu trabalho, em adequarem a mensagem do evangelho ao estado servil, ao utilitarismo em que muitos ministérios reduziram a Escritura, como o meio de se atingir os seus objetivos iníquos e fraudulentos. No fundo, é um evangelho covarde e bajulador, seguido por uma turba de tolos e impenitentes que, não ingenuamente, estão preocupados em atender os seus próprios interesses, crendo que a pregação espúria de um falso cristianismo será a sua “tábua de salvação” financeira, emocional e espiritual. São cegos guiando cegos até o precipício mais tenebroso da ignorância, da desfaçatez, da estupidez, e da malícia diabólica. Não há inocentes, são todos culpados dos piores pecados contra Deus, enquanto mantêm bilhões manietados por uma discursividade cativa ao impudor satânico.

O objetivo é um só: glorificar o homem, e usar o nome do Senhor como uma espécie de muleta na qual os seus infames propósitos de poder, glória e riquezas realizar-se-ão. Não há nada de espiritual neles, apenas a carne gritando como louca, seduzindo a si mesma, na manifestação mais doentiamente possível da corrupção, rebeldia e irregeneração mental do homem caído.

Mesmo servos fiéis, mentes brilhantes, teólogos, pastores, missionários e outros trabalhadores dedicados à seara de Cristo, são apanhados na teia maligna de distinguir os atributos divinos em dois grupos: os facilmente detectáveis, e com os quais se tornará menos difícil manter um discurso agradável aos ouvidos impuros (questões como o amor, a bondade e benignidade divinas são reciclados de maneira tão antagônicas à revelação escriturística que se tornam em distorções da Sua natureza), e aqueles com os quais se deve manter distância, quando muito citá-los rapidamente a fim de não serem notados pelo ouvinte, e nem seja necessário dar explicações que denunciarão a inclinação viciosa da pregação. Poder-se-ia chamar de negligência, omissão, se não fosse um estratagema maroto e cínico de se ocultar a verdade.

É por isso que se está a criar uma geração de crentes fracos, incapazes de responder ao mundo a razão da fé cristã. Assim, se limitam a ecoar os ditames seculares da tolerância, da contemporização, quando a sociedade é completamente intolerante e intransigente quanto a Cristo e Sua palavra.

Por isso, eles não aceitam Cristo como a única verdade, como o único caminho, como a única vida. Por isso, não aceitam o Cristo irado, vingador, que julgará e condenará os pecadores impenitentes. Por isso, não aceitam Cristo como único Rei, Senhor e Salvador, porque, desta forma, teriam de se sujeitar ao Seu reinado e senhorio. Por isso, se criou uma imagem de um Cristo subserviente, adocicado, meigo até ao nível da mais pavorosa demência. Por isso, não querem ser confrontados pela Palavra, mas criaram a sua própria interpretação falaciosa, conduzindo-a até aquele cantinho onde o homem jaz morto; onde a última pá de terra é jogada sobre o seu cadáver.

Alguns gnósticos retrataram Cristo assim, como um ser espiritual neutro, inofensivo, abestalhado. Católicos e espíritas descrevem-no quase como se fosse uma donzela indefesa; outros, como um lunático. Há os que O pintam como um homem comum, sujeito às fraquezas e passível de erros. Há os que ainda O vêem como um perigoso potencial, um revolucionário temível. Há os que simplesmente O ignoram, e ainda aqueles que O desdenham. Contudo, Paulo alerta: Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará (Gl 6.7); mas os tolos não ouvem avisos nem os consideram. São rebeldes obstinados, aos quais está destinada a condenação eterna, e, ainda assim, mesmo no inferno, considerar-se-ão certos em sua inútil revolta.

A verdade é que Cristo é o Senhor de todas as coisas, o Deus Vivo em que “habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Cl 2.9); o Senhor dos Exércitos (Sl 84.3), o Guerreiro (Ap 19.13-16) , o Justo (Tg 5.6), o Unigênito Filho Amado de Deus (Jo 1.18), o Criador de todas as coisas sem o qual nada existiria (Jo 1.3), o Salvador (Tt 3.6) e Juiz (At 10.42). Será que estas qualidades anulam o Seu amor, bondade, benignidade, santidade e retidão? NÃO! Todas elas são atributos divinos, e não podem ser repartidas como se possível fosse setorizá-lO. Qualquer tentativa de separar a unidade divina, puxando-a para um lado ou outro, é desqualificá-lO, reduzi-lO a um arremedo daquilo que Ele mesmo revelou-nos. É o pecado supremo de não glorificá-lO; de esquecer, não temer, nem servi-lO como Deus zeloso, cuja ira se acende contra todo o rebelde. Nenhum profeta ou apóstolo teve a audácia e insolência de minimizá-lO, antes foram guiados pelo Espírito Santo na coragem e obediência em descrevê-lO assim como Ele é, assim como se deixou mostrar e quis se revelar.

Como sempre digo, a verdade não precisa ser defendida, mas proclamada (porque anunciar a verdade é a forma de melhor defendê-la do embuste, ao revelar-lhe a artimanha e o seu artificioso ardil). Deus não precisa que o defendamos de supostos ataques humanistas e das investidas diabólicas, mas Ele precisa ser proclamado como a Bíblia O revela: Deus Todo-Poderoso, soberano e Senhor de tudo e todos, não uma bijuteria sobre a mesa da qual nos lembramos apenas quando se vai tirar o pó. De outra forma, como os eleitos serão regenerados e abandonarão as falsas doutrinas? E como os santos serão feitos à imagem perfeita de Cristo?

Ocultar ou rejeitar partes da revelação divina em nada afeta a Sua natureza e glória, mas nos coloca em “maus-lençóis”, ao tornar-nos odiosos diante dEle, que não tem por inocente aquele que tomar o Seu nome em vão (Ex 20.7).

Que se pregue o Evangelho da verdade, em sua totalidade, não aquilo que pode ser conveniente e falsamente interpretado como a completude da revelação, quando não passa de um fragmento descontextualizado em que uma mínima parte verdadeira é reunida a uma maioria mentirosa e, assim, utilizada para construir e validar um complexo falacioso.

Deus é Todo-Poderoso, e não há nada n'Ele que O envergonhe, porque é santo, justo e o único Senhor. Da mesma forma, não pode haver nada que nos escandalize na Escritura (refiro-me a Deus, Sua natureza, propósitos e ações, pois, o diabo, seus anjos e os homens são completamente reprováveis e escandalosos), antes rendamos honra e glória ao Deus que está diante de nós, e pelo qual somos chamados a confiar no Evangelho como a Sua fiel revelação.

E livremo-nos definitivamente do evangelho capenga do deus falseado, para se viver a verdade santa e objetiva da Palavra do Deus Vivo.

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Fonte: Kálamos
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Será que Deus ama o pecador e odeia apenas os seus pecados?

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Por Dr. John H. Gerstner


Arrependam-se ou pereça” exige que as pessoas ponderem seriamente acerca do slogan popular: “Deus odeia o pecado, mas ama o pecador.” É necessário haver um arrependimento consistente diante da afirmação “Deus ama o pecador?” Se Deus ama o pecador, enquanto ele está vivo, é estranho que Deus o envie para o inferno, assim quando ele morrer. Deus ama o pecador até a morte? E não o amaria no tormento eterno?

Há algo errado aqui. Ou, Deus ama o pecador e não irá mandá-lo para dentro da fornalha de Sua ira eterna, ou Ele o enviará para a Sua ira eterna e não o ama. Ou, “você está indo para o inferno a menos”, porque Deus odeia você, como você é. Ou, Deus te ama e “você está indo para o inferno a menos que” é falsa.

O que leva quase todos a crerem que Deus ama o pecador é por Ele fazer tão bem ao pecador. Ele concede tantos favores incluindo deixar que continue vivendo. Como Deus pode permitir que o pecador viva e lhe dê tantas bênçãos, a não ser que Ele o ame? Há um tipo de amor entre Deus e os pecadores. Nós o chamamos de “amor de benevolência.” Isso significa que é um amor de boa vontade. Benevolens - bem disposto. Fazer bem. Deus pode fazer bem para o pecador sem amá-lo com o outro tipo de amor. “Amor complacente”, um prazer em, afeição por, admiração de. Ele existe na perfeição entre o Pai e o Filho, “em quem me comprazo” ( Mt 3:17; Mc 1:11).

Deus é perfeitamente descontente com o pecador. O pecador odeia a Deus, desobedece a Deus, é ingrato a Deus por todos os Seus favores, e até mesmo mataria a Deus, se pudesse. Este pecador está morto em seus delitos e pecados (Ef 2:1). “Os pensamentos e desígnios de seu coração são continuamente maus” (Gn 6:5). Ele é escravo do pecado (João 8:34) e um servo do diabo (Ef 2:2).

Deus não tem em nada amor complacente para com o pecador. Ele tem um ódio perfeito dele, de fato, Ele diz que “odeio-os com ódio consumado” (Sl 139:22 ).

Neste mundo o pecador em nada tem satisfação, senão no amor benevolente de Deus. Cada experiência de dor, bem como o prazer é do amor de Deus - de benevolência. Mesmo a dor é do Seu amor, porque Ele tende a despertar o pecador do seu perigo. Deus realmente ama o pecador, a quem Ele odeia com um ódio perfeito, mas com um perfeito amor de benevolência.

O pecador, como eu disse, torna em maldição cada bênção divina, incluindo o amor da benevolência de Deus. Isso ele faz por interpretar o amor de benevolência, como sendo um amor de complacência.

Tanto quanto “o ódio dos pecados” está relacionado, pois não existem pecados aparte do pecador. Deus odeia o pecar, ou seja, o matar, roubar, mentir, cobiçar, etc., mas isso faz alusão ao autor destes crimes.

Deus nunca odeia os remidos, mesmo quando eles pecam. Seria Ele um injusto admirador de pessoas? Não! (At 10:34) Deus odeia o pecador não redimido, mas ama os remidos, mesmo quando eles pecam por um motivo bom e justo. Deus ama os remidos, mesmo quando eles pecam, porque o Seu Filho, em quem Deus se compraz, vivendo sempre para interceder por eles (Rm 8:27, 34). Cristo morreu para expiar a culpa dos pecados de Seu povo. Quando eles pecam, estes são expiados - pelos pecados. Eles são pecados com sua culpa removida. Em certo sentido, estes pecados não são considerados. Deus não odeia o seu povo quando eles pecam, porque eles estão em Seu Filho, Cristo Jesus. E eles são feitos aceitáveis em seu Filho. Ele “nos faz aceitos no Amado” (Ef 1:6).

Nepotismo Divino? Não, o Seu Filho morreu por essas pessoas e pagou o preço por seus pecados passados, presentes e futuros. Eles são cancelados antes de serem cometidos. Essa é a verdade, não uma ficção. Justiça não é nepotismo favorecido. Na verdade, não é a sua relação original com Cristo que faz com que os seus pecados sejam sem culpa, mas a satisfação realizada por Cristo pelos seus pecados que criou o relacionamento como filhos adotados na família de Deus.

Quando o homem pecou, morreu espiritualmente e foi rejeitado da comunhão com Deus, seu criador e amigo (Gn 3; Rm 5:12). A ira de Deus estava sobre ele, o pesar no trabalho era a sua parte na maldição; bem como o sofrimento no parto; alienação e morte, como ameaçadas. Deus é santo; os seus olhos são tão puros que não podem contemplar a iniquidade. (Hq 1:13)

Esta foi uma terrível, mas santa ira. Deus estava usando o seu poder onipotente, mas segundo a Sua justiça perfeita. O homem foi afetado, mas ele mereceu. Não era mais, nem menos, do que ele merecia. Deus não é mais poderoso do que santo, nem mais sagrado do que poderoso.

Toda a glória a Deus por sua santa ira. (Jo 17:3; Rm 9:17).

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Fonte: The Highway
Traduzido em 7 de Março de 2014
Por Ewerton B. Tokashiki
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A bondade e a severidade de Deus

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Por Loraine Boettner


Uma pesquisa sobre a queda e os seus desdobramentos é um trabalho humilhante. Prova ao homem que todas as suas alegações de bondade são infundadas, e mostra-lhe que sua única esperança está na soberana graça de Deus Todo-Poderoso. A "graciosamente restaurada habilidade" de que os Arminianos falam não é consistente com os fatos. As Sagradas Escrituras, a história e a experiência Cristã se nenhuma forma avalizam tal como sendo uma visão favorável da condição moral do homem como o sistema Arminiano ensina. Ao contrário, cada um deles nos proporciona um quadro pessimista de uma corrupção horrível e de uma inclinação universal para o mal, a qual somente pode ser ultrapassada pela intervenção da divina graça. O sistema Calvinista ensina uma queda muito mais profunda no pecado e uma muito mais gloriosa manifestação da graça redentora. Dessas profundezas o Cristão é levado a desprezar-se a si mesmo, largando-se incondicionalmente nos braços de Deus, e permanecer na graça imerecida, somente a qual pode salva-lo.

Nós deveríamos ver a piedade de Deus e também a Sua severidade nas esferas espiritual e física. Em toda a Bíblia, e especialmente nas palavras do próprio Cristo, os tormentos finais dos maus são descritos de tal maneira a mostrar-nos que são indescritivelmente horríveis. No Evangelho de Mateus somente, vemos nas passagens 5:29,30; 7:19; 10:28; 11:21-24; 13:30,41,42,49,50; 18:8,9,34; 21:41; 24:51; 25:12,30,41; e 26:24. Certamente uma doutrina que recebeu tal ênfase dos lábios de Cristo, Ele mesmo, não pode passar em silêncio, embora tão desagradável que possa ser. No próximo mundo os perversos, com todas as barreiras removidas, mergulharão de cabeça no pecado, na blasfêmia e nas ofensas a Deus, piorando e piorando enquanto afundam cada vez mais no buraco. Castigo sem fim é a recompensa de pecado sem fim. Mais ainda, a glória de Deus é tanta enquanto Ele castiga o perverso, como é quando Ele recompensa o justo. Muito da negligente indiferença para com o Cristianismo nos nossos dias é devida à falha dos ministros Cristãos em enfatizar estas doutrinas que Cristo ensinou tão repetidamente.

No âmbito físico nós vemos a severidade de Deus em guerras, fome, enchentes, desastres, doenças, sofrimentos, mortes, e crimes de toda espécie que avassalam tanto justos como injustos da mesma forma. Tudo isso existe num mundo que está sob o completo controle de Deus, que é infinito nas Suas perfeições.

"Considera pois a bondade e a severidade de Deus..." [Romanos 11:22]. O Naturalismo não faz justiça a nenhum desses. O Arminianismo magnifica o primeiro, mas nega o segundo. O Calvinismo é o único sistema que faz justiça a ambos. Somente este sistema adequadamente estabelece os fatos com relação ao eterno e infinito amor de Deus, que O levou a propiciar redenção para o Seu povo, mesmo com o grande custo de mandar o Seu Filho unigênito para morrer numa cruz; e também com relação ao terrível abismo que existe entre o homem pecador e o Deus santo. É verdade que "Deus é Amor", mas juntamente com esta verdade também há que ser colocada outra, que "...o nosso Deus é um fogo consumidor" [Hebreus 12:29]. Qualquer sistema teológico que omita ou que não enfatize alguma dessas verdades será um sistema mutilado, não importa o quão plausível ele possa soar aos homens.

Esta doutrina da Depravação Total (Incapacidade Total) do homem é terrivelmente pesada, severa, proibitiva. Mas deve ser lembrado que nós não temos a liberdade para desenvolver um sistema teológico que satisfaça a nossa vontade. Devemos considerar os fatos como os encontramos. Tais exibições do verdadeiro estado da raça humana são, é claro, geralmente ofensivas ao homem não regenerado, e muitos têm tentado encontrar um sistema de doutrinas que seja mais agradável á mente popular. O estado do homem caído é tal que ele prontamente dá ouvidos a qualquer teoria que faça-o mesmo que parcialmente independente de Deus; ele deseja ser o mestre do seu destino e o capitão da sua alma. O estado de perdição e de ruína do pecador precisa ser constantemente mostrado a ele; pois até que a ele seja feito sentir tal estado, ele nunca buscará ajuda, onde somente tal ajuda pode ser encontrada. Pobre homem! Verdadeiramente carnal e com a alma sob o jugo do pecado, não somente sem nenhum poder mas também sem inclinação para mover-se na direção de Deus; e o que é ainda mais terrível, numa presunção real, blasfemosamente rival do Grande Jeová.

Esta doutrina da Depravação Total (Incapacidade Total), ou do Pecado Original, foi tratada com alguma extensão, de maneira a estabelecer a base fundamental sobre a qual se encontra a doutrina da Predestinação. Este lado do quadro é negro, na realidade muito negra; mas o suplemento é a glória de Deus na redenção. Cada uma dessas verdades deve ser vista na sua verdadeira luz, antes que a outra possa ser verdadeira e adequadamente apreciada.

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Fonte: A doutrina reformada da predestinação, Loraine Boettner. p. 55-57.
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A Onisciência de Deus



Por Gordon Clark


Não somente o livre arbítrio é incapaz de livrar Deus da culpabilidade, e a permissão é incapaz de coexistir com a onipotência, mas o posicionamento arminiano também não consegue firmar uma posição lógica para o onisciência. Uma ilustração romantista-arminiana é a do observador posicionado num penhasco. Na estrada abaixo, à esquerda do observador, um carro dirige-se para o oeste. À direita do observador, um carro vindo do sul. Ele pode ver e saber que haverá uma colisão no cruzamento logo abaixo dele, mas a sua presciência, segundo reza o argumento, não causa o acidente. Deus, semelhantemente supõe-se, tem conhecimento do futuro sem, entretanto, causá-lo.

Tal semelhança, porém, é enganosa em vários pontos. O observador humano não pode saber realmente se a colisão ocorrerá. Embora seja improvável, é possível que ambos os carros estourem os pneus antes de chegarem ao cruzamento e se desviem. Também é possível que o observador tenha calculado mal as velocidades, e um carro poderia desacelerar e o outro acelerar, de modo a não colidirem. O observador humano, portanto, não tem presciência infalível. Nenhum desses erros pode ser assumido para Deus. O observador humano pode imaginar a possibilidade de ocorrência do acidente, e tal imaginação não torna o acidente inevitável; mas se Deus sabe, não há a possibilidade de evitar o acidente. Cem anos antes que os motoristas nascessem, não havia a possibilidade de evitar. Não haveria a possibilidade de um dos dois decidir e ficar em casa nesse dia, tomar uma rota diferente, dirigir numa velocidade diferente. Eles não poderiam tomar decisões diferentes das que tomaram. Isso significa que eles não tinham livre arbítrio ou que Deus não sabia.

Suponha-se, só por um instante, que a presciência divina, assim como as predições humanas, não cause o evento conhecido de antemão. Ainda assim, se existe a presciência, em contraste com a predição falível, o livre arbítrio é impossível. Se o homem tem livre arbítrio e as coisas podem ser diferentes, Deus não pode ser onisciente. Alguns arminianos têm admitido isso e negado a onisciência, mas isso, obviamente, antagoniza-os com o cristianismo bíblico. Há também outra dificuldade. Se o arminiano ou o romantista pretende preservar a onisciência divina e ao mesmo tempo alegar que a presciência não tem eficácia causal, ele deve explicar como a colisão foi assegurada cem anos antes, na eternidade, antes que os motoristas tivessem nascido. Se Deus não organizou o universo dessa maneira, quem o organizou?

Se Deus não o organizou dessa forma, então deve existir um fator independente no universo. E se houver tal, decorrem uma ou duas consequências. Primeira, a doutrina da criação deve ser abandonada. Uma criação ex nihilo estaria completamente no controle de Deus. Forças independentes não podem ser forças criadas, e forças criadas não podem ser independentes.  Então, segunda, se o universo não é criação de Deus, o conhecimento que Deus tem dele – passado e futuro – não pode depender daquilo que ele pretende fazer, mas da sua observação do modo como funciona. Nesse caso, como teríamos a certeza de que as observações de Deus são acuradas? Como teríamos certeza que essas forças independentes não mostrarão mais tarde uma torcedura insuspeita que falsificará as predições de Deus? E, finalmente, nessa perspectiva, o conhecimento de Deus seria empírico e não parte integral da sua onisciência, e, portanto, ele seria um conhecedor dependente. Podemos crer consistentemente na criação, onipotência, onisciência e nos decretos divinos, mas não podemos permanecer em sanidade e combinar alguma dessas doutrinas com o livre arbítrio.


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Fonte: Deus e o Mal, o problema resolvido, págs 51-53. Editora Monergismo.   
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A Ira de Deus




Por Leonardo Dâmaso

1. Definição

A ira de Deus é a expressão do seu justo juízo contra o pecado e contra o pecador. “É uma manifestação da vingança divina contra os violadores da sua palavra e para quem não há manifestação da sua misericórdia”,1 a saber, os ímpios.  

Pink define a ira de Deus da seguinte maneira:

A ira de Deus é uma perfeição divina tanto como a Sua fidelidade, o Seu poder ou a Sua misericórdia. Só pode ser assim, pois não há mácula alguma, nem o mais ligeiro defeito no caráter de Deus, porém, haveria, se nEle não houvesse a Ira! A ira de Deus é a Sua eterna ojeriza por toda injustiça. É o desprazer e a indignação da divina eqüidade contra o mal. É a santidade de Deus posta em ação contra o pecado. É a causa motora daquela sentença justa que Ele lavra sobre os malfeitores. Deus está irado contra o pecado porque este é rebelião contra a Sua autoridade, um ultraje à Sua soberania inviolável.2

Vicent Cheung ressalta que a ira de Deus é a sua divina cólera contra tudo que é contrário à santidade e à retidão; é seu intenso aborrecimento para com o pecado e a impiedade.3 Em suma, a Ira de Deus, nas palavras J.I.Packer, “é a sua justiça reagindo contra a justiça”.


2. Os aspectos da Ira de Deus

a) A necessidade da sua manifestação

Deus “não pode deixar de punir o pecado”.4 Ele não pode deixar impune o pecador. Ele estaria indo contra a sua própria natureza e negando a sua santidade e justiça. Essa manifestação de Deus em punir o pecado e os pecadores é visto na Escritura como o derramar da sua Ira.

Habacuque 1.13 – "Teus olhos são tão puros, que não suportam ver o mal; não podes tolerar a maldade." (NVI)  

Não obstante, Deus é amor, é paciente e misericordioso. Entretanto, ele não é obrigado a manifestar o seu amor, a sua paciência e a sua misericórdia para com todos os homens. Mesmo Deus deixando de manifestar estes atributos, ele não deixa de possuí-los. Deus não deixará de ser amor, paciente e misericordioso porque faz parte da sua essência ser assim. Contudo, Deus não deve amor, paciência e misericórdia a nenhum dos homens porque eles não têm direito algum de exigir isso de Deus.

Por outro lado, “se Deus deixar de mostrar a sua ira, ele será injusto consigo mesmo (porque negará a sua própria santidade) e com os homens (porque não dará a eles o que merecem). Se Deus deixar de mostrar a sua ira, ele mostrará falta de caráter moral, porque a indiferença com o pecado é uma falta moral”.5  

Se Deus deixa de punir justamente manifestando a sua justiça retributiva aos pecadores obstinados dando-lhes o que castigo merecido, todavia ele estará indo contra si mesmo. Os homens nunca recebem a ira justa de Deus imerecidamente. Eles a recebem porque pecam contra Deus e são dignos dela.

Deus odeia o pecado não porque ele deseja odiá-lo, mas ele o odeia porque a sua natureza santa é impassível ao pecado. Portanto, a manifestação da ira de Deus contra o pecado e o pecador é uma necessidade imperativa. Deus odeia o pecado e, ao mesmo tempo, odeia e ama o pecador!

Provérbios 11.20a – "O Senhor abomina os perversos." (Almeida Século 21)

1 João 2.15 – "Não ameis o mundo nem o que nele há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele." (Almeida Século 21)

Tiago 4.4 – "Adúlteros, vocês não sabem que a amizade com o mundo é inimizade com Deus? Quem quer ser amigo do mundo faz-se inimigo de Deus." (NVI)

b) A sua manifestação é imparcial

A manifestação da ira de Deus para com os todos os homens é justa e imparcial. Ou seja, não favorece um em detrimento do outro. A justiça retributiva de Deus deve ser manifestada a todos os seres racionais que infringem a sua lei porque Deus é justo e porque são dignos de receberem a punição.

Romanos 2.12 - "Todo aquele que pecar sem a lei, sem a lei também perecerá, e todo aquele que pecar sob a lei, pela lei será julgado." (NVI)

Porém, a punição da lei pode ser aplicada ao transgressor de maneira pessoal ou vicária, isto é, sobre a própria pessoa ou sobre alguém que a substitua.

No entanto, mesmo que o transgressor da lei não seja obrigado a receber a pena merecida, pois na administração divina ela não é absoluta, mas relativa; não obstante, ela pode ser transferida a alguém para que possa ser cumprida. O cumprimento da pena é imperativo. A justiça exige que o pecado seja punido sem parcialidade. Portanto, é a partir deste principio que Deus decidiu efetuar a expiação.

Ou seja, Cristo foi o substituto dos pecadores eleitos incapazes de obedecer à lei obedecendo à lei por eles, que podemos chamar de (obediência ativa), e na morte de cruz, que podemos chamar de (obediência passiva), onde Deus transferiu e puniu os pecados dos eleitos pecadores de todas as eras em Cristo na cruz, efetuando assim a sua justiça.

c) A sua manifestação é inexorável

A manifestação da ira de Deus é terrível nos seus efeitos. “Os pecadores brincam com os seus pecados como se nunca fosse acontecer nada com eles”.6 O dia do julgamento já foi determinado por Deus. Terrível será este dia para os ímpios quando a ira de Deus será manifesta implacavelmente!  
  
Apocalipse 6.15-17 – "Então os reis da terra, os príncipes, os generais, os ricos, os poderosos — todos os homens quer escravos, quer livres, esconderam-se em cavernas e entre as rochas das montanhas. Eles gritavam às montanhas e às rochas: "Caiam sobre nós e escondam-nos da face daquele que está assentado no trono e da ira do CordeiroPois chegou o grande dia da ira deles; e quem poderá suportar? " (NVI) 

Hebreus 10.30c-31 – "O Senhor julgará o seu povo. Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo." (ARA)
    
O povo descrito aqui não é o povo de Deus, isto é, os crentes, mas os Israelitas descrentes ou falsos crentes da época do autor a carta aos Hebreus que faziam parte da igreja. Aqui podemos perceber que o autor utiliza como exemplo para exortar e encorajar os crentes na fé, os rebeldes de Israel na época do AT que pereceram no deserto e sobre o terrível julgamento de Deus no qual estavam sujeitos. 
      
Além de Deus julgar o mundo ímpio, ele também julga o seu povo. Ou seja, a igreja composta dos verdadeiros crentes. Note o que Pedro diz acerca disso:

1 Pedro 4.17-18 – "Pois chegou à hora de começar o julgamento pela casa de Deus; e, se começa primeiro conosco, qual será o fim daqueles que não obedecem ao evangelho de Deus? E, se ao justo é difícil ser salvo, que será do ímpio e pecador?" (NVI) 

Este julgamento aqui não se refere à condenação, pelo contrário. Deus julga os seus escolhidos corrigindo-os muitas vezes através das tribulações e dificuldades da vida, cujo intuito é a purificação o aperfeiçoamento deles e da igreja em geral.

d) A sua manifestação é gloriosa

A manifestação da ira divina, ao mesmo tempo em que é algo terrível para os ímpios, é cheia de glória, porque ela é a exaltação da justiça divina. Quando qualquer atributo de Deus é exaltado, o ser de Deus é glorificado. Deus se mostra glorioso cada vez que manifesta a sua justiça em ira, mas essa ira será ainda mais gloriosa no final, porque nesse dia todos haverão, para a glória de Deus, de reconhecer que Jesus Cristo é Senhor, dobrando-se humilhantemente diante dele (Fp 2.10-11)”. 6

3. Diferença entre Ira e ódio7

No caso dos seres humanos, a ira e o ódio não são distintos entre si, ambos representam a mesma coisa, isto é, um mesmo sentimento e uma mesma reação para com algo ou alguém. Porém, existe diferença entre ira e ódio em Deus. Estes dois aspectos que fazem parte da natureza divina são distintos entre si. 

“Enquanto a ira é uma manifestação positiva da justiça divina sobre os transgressores da sua lei, o ódio é um sentimento negativo, onde Deus deixa de mostrar qualquer amor pela pessoa, ou deixa de fazer alguma coisa para redimi-la”.8 Noutras palavras, Deus simplesmente não faz nada em relação à pessoa a quem ele odeia.

A manifestação da ira de Deus é causada devido ao pecado dos seres humanos que ofende a sua santidade. Por outro lado, o ódio de Deus em relação a alguém está contido nele mesmo sem que a própria pessoa odiada tenha cometido algum pecado contra ele.

O ódio de Deus aos seres humanos não é devido ao pecado deles. Contudo, pela sua própria decisão soberana, cujos motivos são desconhecidos de nós, ele decidiu odiar uns não salvando, mas deixando-os entregues aos seus pecados a fim de perecerem sendo condenados ao lago de fogo no dia do julgamento final, e amando outros decidindo elegê-los para a salvação e vida eterna. Um exemplo clássico disso é o caso de Esaú e Jacó. Observe:

Romanos 9.11-16 – "Todavia, antes que os gêmeos nascessem ou fizessem qualquer coisa boa ou má — a fim de que o propósito de Deus conforme a eleição permanecesse, não por obras, mas por aquele que chama — foi dito a ela: O mais velho servirá ao mais novo. Como está escrito: Amei Jacó, mas rejeitei Esaú. E então, que diremos? Acaso Deus é injusto? De maneira nenhuma! Pois ele diz a Moisés: Terei misericórdia de quem eu quiser ter misericórdia e terei compaixão de quem eu quiser ter compaixão. Portanto, isso não depende do desejo ou do esforço humano, mas da misericórdia de Deus." (NVI)

Conforme é dito no texto, Deus amou Jacó para a salvação e odiou Esaú decidindo não salvá-lo deixando entregue aos seus pecados. Isto é o que podemos chamar de preterição. Ou seja, é o ato de Deus em deixar os pecadores entregues nos seus pecados não os favorecendo com a graça regeneradora, cujo fim será a morte eterna para eles.

O motivo pelo qual Deus amou Jacó e odiou Esaú é desconhecido de nós. Não foi pelas obras que porventura eles fizeram, pois antes mesmo deles haverem nascido, Deus já tinha escolhido Jacó em amor para a salvação e odiado a Esaú rejeitando-o para a salvação. Portanto, aqueles foram rejeitados e entregues por Deus aos seus pecados nunca irão crer e se converter abandonando os seus pecados.

Por isso, no dia do julgamento, estas pessoas irão receber a manifestação da ira de Deus como punição pelos seus pecados. Elas serão lançadas no lago de fogo e enxofre onde sofrerão eternamente com dores e angustias prementes sem fim!

4. A relação entre Ira e Misericórdia9

Conforme vimos, é absolutamente necessário Deus manifestar a sua justiça em ira, porém, não é necessário “que a sua justiça seja manifesta na pessoa do pecador”.10 No entanto, uma outra pessoa, que no caso, Jesus, foi quem assumiu as responsabilidade legais dos pecadores eleitos recebendo a manifestação da justiça de Deus em ira sobre si na cruz, pagando assim pelos pecados deles.

Como resultado da dívida do pecado paga por Jesus, agora os eleitos redimidos não sofrerão a manifestação da ira divina, pois a eles foi manifestada a misericórdia. Jesus desviou a ira de Deus dos pecadores eleitos para si. Por outro lado, os pecadores não eleitos pelos quais Jesus não pagou a sua dívida de pecado, irão receber a manifestação da ira divina.

Via de regra, é importante enfatizar para que possamos compreender de fato que a misericórdia é a não aplicação da punição divina, e a ira é a aplicação da justiça divina. Estes dois atributos – ira e misericórdia não podem ser aplicados em uma mesma pessoa. Portanto, misericórdia é Deus não punir, ao mesmo tempo em que quando pune disciplinando os seus filhos para o próprio bem deles, também mostra misericórdia (veja Hb 12.4-11).

5. A relação entre Ira e Amor

É lamentável vermos atualmente uma ignorância extraordinária por parte da igreja evangélica em relação ao conhecimento dos atributos de Deus! Para muitos pastores e crentes este assunto é completamente desconhecido. Quando alguns poucos conhecem acerca dos atributos de Deus, conhecem apenas sobre o seu amor, e, ainda assim, o conhecem de maneira equivocada.

No que tange a ira de divina, muitos opositores da fé reformada, especialmente grande parte dos evangélicos neopentecostais, se esquecem de que a justiça de Deus é essencial nele, e que a sua manifestação é imprescindível devido a sua santidade. Apesar de Deus ser um Deus de amor, todavia, ele não está na obrigação de amar todos os seres humanos; em contrapartida, em relação a sua justiça, ele é obrigado a manifestá-la. Mesmo que Deus não ame a todos, contudo, ele não deixa de ser um Deus de amor. O Amar de Deus é uma decisão soberana! Cabe a ele unicamente a decisão de quem amar e de quem não amar!

Porém, a manifestação da ira de Deus é absolutamente necessária devido “a sua prerrogativa de julgar o mundo, que é o violador de suas leis”.11 Deus nunca é injusto por manifestar a sua ira conforme muitos evangélicos pensam. Paulo na sua carta aos Romanos combate esta ideia errônea de se pensar que Deus é injusto em manifestar a sua ira. Veja a sua argumentação:
  
Romanos 3.5b-6 – Mas, se a nossa injustiça (pecado contra Deus) traz a lume a justiça de Deus, que diremos? Porventura, será Deus injusto por aplica a sua ir? (falo como homem.) (ARA) 
  
Se Deus não faz justiça em julgar os homens pecadores ele estará negando a si mesmo. E sabemos que isto é impossível de acontecer com o Deus que é perfeito!

6. O tempo da Ira Divina12

A justiça de Deus nem sempre é executada no momento e da maneira que pensamos que deva ser. Embora Deus seja muito paciente mesmo quando o pecado e a maldade permeiam tão veemente no mundo, ainda assim, a sua justiça é e será manifestada.

Entretanto, mesmo que a justiça de Deus não venha ser executada aqui na terra com todo o seu ápice contra os ímpios obstinados e merecedores dela, todavia, ela é manifesta através de juízos parciais e finais. Senão vejamos:

a) A manifestação parcial da Ira Divina

No Antigo Testamento, podemos ver inúmeros exemplos da manifestação não total e final, mas parcial da ira de Deus contra os que violaram os seus mandamentos (veja Js 7.1, 11, 13, 24-25; Nm 16.1-49; Gn 6.5, 13, 17, 18.25, 19.19, 23-29). Deus no presente momento traz apenas castigos de ordem temporal aos obstinados como um prelúdio anunciando acerca do castigo final e total que sobrevirá a eles no dia do julgamento. Sobre esta manifestação parcial da ira de Deus, Paulo diz:

Romanos 1.18 – "Porque do céu se manifesta (o verbo está no presente, o que implica uma constante manifestação da ira divina) a ira de Deus sobre toda impiedade e injustiça dos homens..." (ARA)

Salmos 7.11  "Deus é juiz justo, um Deus que se ira todos os dias." (ARC)

b) A manifestação final da Ira Divina    

Não obstante, é de vital importância enfatizar que todos os que foram e são objetos da ira parcial de Deus haverão ainda de sofrer a manifestação final e total da sua ira. A ira parcial que é manifestada na história é um prelúdio que elucida a ira final e total que se manifestará no dia do julgamento.

Todavia, no Antigo testamento, o povo já tinha consciência de que o juízo final de Deus seria num dia futuro e já determinando por ele. Observe as palavras do profeta Sofonias sobre isto:

Sofonias 1.14-15, 18 – "O grande dia do Senhor está próximo; está próximo e logo vem. Ouçam! O dia do Senhor será amargo; até os guerreiros gritarão. Aquele dia será um dia de ira, dia de aflição e angústia, dia de sofrimento e ruína, dia de trevas e escuridão, dia de nuvens e negridão; Nem a sua prata nem o seu ouro poderão livrá-los no dia da ira do Senhor. No fogo do seu zelo o mundo inteiro será consumido, pois ele dará fim repentino a todos os que vivem na terra." (NVI)

Aqui, o profeta Sofonias faz menção da manifestação final e total da ira divina no último dia, quando todos irão comparecer diante do Senhor para receberem a recompensa pelos seus pecados.

No Novo Testamento, vemos também a descrição acerca dessa manifestação final e total da justiça de Deus onde será executada no dia do julgamento. Note as palavras de Paulo no seu discurso aos gregos e filósofos no areópago de Atenas:

Atos 17.30-31 – "Deus não levou em conta os tempos da ignorância, mas agora ordena que todos os homens, em todos os lugares, se arrependam, pois determinou um dia em que julgará o mundo com justiça, por meio do homem que estabeleceu com esse propósito. E ele garantiu isso a todos ao ressuscitá-lo dentre os mortos." (Almeida Século 21) 

Não há como os homens escaparem da justiça divina! Não há como escapar do julgamento daquele grande dia já reservado desde antes a fundação do mundo!

Romanos 2.8  "Mas haverá ira e indignação para os que são egoístas, que rejeitam a verdade e seguem a injustiça." (NVI)

João 3.36 – "Quem crê no Filho tem a vida eterna; já quem rejeita o Filho não verá a vida, mas a ira de Deus permanece sobre ele." (NVI)

7. Jesus e a ira de Deus

Jesus possui três papéis com relação à ira de Deus. Um tem a ver consigo mesmo, outro tem a ver com os filhos de Deus, e outro com os ímpios.13 Senão vejamos:

a) Jesus recebeu a Ira de Deus no lugar dos pecadores eleitos

Isaías 53.5 – "Mas ele foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniquidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados." (NVI)

b) Jesus salvou os pecadores eleitos da Ira de Deus

Romanos 5.9 – "Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira." (ARA)

c) Jesus é o aplicador da Ira de Deus aos ímpios

Atos 17.31 – "Pois (Deus) determinou um dia em que julgará o mundo com justiça, por meio do homem que estabeleceu com esse propósito. E ele garantiu isso a todos ao ressuscitá-lo dentre os mortos." (Almeida Século 21) 

João 5.27 – "(o Pai) deu-lhe autoridade para julgar, porque é o Filho do homem." (NVI) 

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Notas:
[1] Heber Carlos de Campos - O Ser de Deus e os Seus atributos, Ed. Cultura Cristã.
[2] A.W.Pink. Os atributos de Deus, Ed. PES.
[3] Vicent Cheung. Teologia Sistemática.
[4] Heber Carlos de Campos - O Ser de Deus e os Seus atributos, Ed. Cultura Cristã.
[5] Ibid.
[6] Ibid.
[7] Ibid.
[8] Ibid.
[9] Ibid.
[10] Ibid.
[11] Ibid.
[12] Ibid.
[13] Ibid.
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