Refutação ao artigo “Uma Justificativa Moral para o Aborto”, de Vinícius Justus

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O texto que se segue é uma refutação ao artigo: “Uma justificativa moral para o aborto”, de Vinícius Litvinoff Justus.

Apresentaremos uma refutação ao texto do oponente, demonstrando os erros que ele cometeu e como o aborto é um ato imoral. É importante, antes de considerarmos os argumentos do texto, dizer que a lógica não estabelece por si mesma a verdade de um argumento. As leis da lógica podem demonstrar se um raciocínio é válido ou não, mas não pode provar se ele é verdadeiro. Isso porque o raciocínio lógico assume premissas já tidas por verdadeiras, ele parte de pressupostos que são anteriores ao raciocínio. Um raciocínio pode ser logicamente válido, mas sua conclusão só será verdadeira se todas as premissas assumidas já forem verdadeiras.

Ateísmo, Amoralismo e Não-Racionalismo

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Em Abril de 2010, o eticista Joel Marks sentou-se em frente ao seu computador e escreveu uma confissão para os leitores da coluna “Moral Moments” na revista Philosophy Now. Sua confissão dizia que ele tinha feito algo imoral. Sua confissão era que ele não poderia ter feito qualquer coisa imoral, em qualquer momento de sua vida, pois não exista coisa como a moralidade. Ou, ao menos, isso foi o que ele concluiu. O autor de “Moral Moments” saiu do armário como um “amoralista. Como ele mesmo coloca na primeira parte do seu “Manifesto Amoral”:

Esse filósofo tem há muito tempo trabalhado sob uma hipótese que nunca foi examinada, isto é, a hipótese de que existe uma coisa como certo e errado. Eu agora acredito que não existe.

Marks imediatamente passa a explicar o raciocínio por trás de sua “epifania chocante” (negrito acrescentado):

Em poucas palavras, eu me convenci que o ateísmo implica em amoralidade; e, uma vez sendo ateu, eu devo, portanto, abraçar a amoralidade. Eu chamo a premissa deste argumento de “ateísmo rígido” porque é análogo a uma tese em filosofia conhecida como “determinismo rígido.” Este último sustenta que se o determinismo metafísico é verdadeiro, então não existe tal coisa como livre arbítrio. Assim, um “determinista suave” acredita que, mesmo que o fato de você estar lendo essa coluna agora esteja seguindo a necessidade causal do Big Bang há quatorze bilhões de anos atrás, você ainda poderia ter livremente escolhido não lê-la. Analogamente, um “ateu suave ‘iria afirmar que alguém pode ser um ateu e ainda assim acreditar na moralidade. E, de fato, todos os que formam o grupo de Neo-Ateísmo … são  ateus “suaves”. Eu também era, até experimentar a minha epifania chocante de que os fundamentalistas religiosos estão corretos: sem Deus, não há nenhuma moralidade. Mas eles estão incorretos, eu ainda acredito, sobre a existência de um Deus. Por isso, eu creio que não há moralidade.

Você entendeu: os neo-ateus como Richard Dawkins, Christopher Hitchens, Daniel Dennett e Sam Harris, são “ateus suaves”, porque eles negam a Deus mas ainda assim querem afirmar o realismo moral. O problema é que essa posição não é coerente nem estável, porque procura afirmar um fenômeno (neste caso, as normas morais objetivas) e ao mesmo tempo negar a estrutura metafísica que plausivelmente poderia explicar esse fenômeno. Marks resume como ele raciocinou o seu caminho do ateísmo “suave” para o “rígido”:

Por que eu agora aceito o ateísmo rígido? Bem, eu fiquei impressionado com os paralelos marcantes entre a religião e a moral, especialmente com o fato de que ambas valem-se de imperativos ou comandos que são destinados a serem aplicados universalmente. No caso da religião, e mais obviamente o teísmo, estes comandos emanam de um Comandante; “E a este todas as pessoas chamam de Deus”, como Aquino poderia ter escrito. O problema com o teísmo é, claro, são as razões instáveis para se crer em Deus. Mas o problema com a moralidade, eu afirmo agora, é que ela está em forma ainda pior que a religião neste respeito; pois se houvesse um Deus, Seus comandos fariam algum tipo de sentido. Mas se Deus não existe, como obviamente os ateus afirmam, então, que sentido poderia ser feito de haver comandos deste tipo? Em suma, enquanto os teístas assumem a existência óbvia de comandos morais como uma espécie de prova da existência de um Comandante, ou seja, Deus, eu agora tomo a não-existência de um Comandante como uma espécie de prova de que não existem comandos, ou seja, de que não existe a moral.

Em alguns aspectos, a confissão de Marks não é tão surpreendente. Afinal de contas, os teístas têm feito esse mesmo tipo de argumento (sem Deus, sem moral) por séculos. Além disso, um grande número de ateus influentes já fez a “boa confissão”: Friedrich Nietzsche, Jean-Paul Sartre, J. L. Mackie, e (mais recentemente) Alex Rosenberg.


Então eu não vou focar sobre o que acho que deve ser razoavelmente evidente para aqueles que refletiram sobre os fundamentos metafísicos da moralidade. Ao invés disso, quero me concentrar em alguns comentários que Marks faz na segunda parte do seu “Manifesto Amoral” que, embora tangencial às suas preocupações, creio ser bastante revelador e extremamente significativo. Pois o que Marks sugere nestas observações posteriores é que um ateu consistente deveria ser não só um amoralista que nega as normas morais objetivas, mas também um não-racionalista (i.e., alguém que nega a existência de normas racionais objetivas).

Ateísmo e Não-Racionalismo

Em uma seção intitulada “O que é a moralidade?”, Marks argumenta que, se (como ele acredita) o realismo moral é falso, devemos desistir de falar de “moralidade” de uma vez por todas (ao invés de, digamos, adotar uma posição de “como se fosse” ou então reequipar nosso vocabulário moral). A medida que ele explica as suas razões, observe a concessão que ele faz de passagem:

Eu sinto que o novo entendimento da moralidade como sendo mais mito que realidade é suficientemente importante para justificar a inconveniência de largar nossas maneiras habituais de falar e pensar sobre a Moralidade e aprender novas maneiras. Isso por duas razões. A primeira é o valor da própria verdade. Se é verdade que a moralidade metafísica não existe, então por essa razão apenas devemos acreditar que ela não existe. (Estritamente falando, eu deveria dizer: Se é racional acreditar que a moralidade metafísica não existe, então apenas por essa razão devemos acreditar). Observe que quando eu uso termos como “deveria”, “valor” e “garante” aqui, eu estou me referindo às normas epistêmicas, ou seja, aos padrões de conhecimento, e não às normas morais. Vou conceder que, no final, isso pode ser tanto uma questão de valor quanto de desejo subjetivo, pois algumas pessoas podem não se importar muito com a verdade (ou a racionalidade), ou pelo menos não colocam muita importância sobre ela, se, digamos , a alternativa seja a felicidade. Pense na pílula azul em Matrix. Logo, meu primeiro argumento se destina apenas para aqueles que tomariam a pílula vermelha.

Marks distingue aqui entre normas morais e normas epistêmicas. Brevemente definindo, as normas morais são padrões para o comportamento, enquanto que as normas epistêmicas são padrões para a crença; as normas morais estão conectadas com o comportamento correto, enquanto que as normas epistêmicas estão relacionadas ao pensamento correto. Quando falamos de “racionalidade” e “irracionalidade” estamos pressupondo que existem normas epistêmicas, assim como quando falamos de “moralidade” e “imoralidade” estamos pressupondo a existência de normas morais. Mas lembre-se que, como consequência de seu ateísmo, Marks agora nega que existam normas morais objetivas e reais. (“Por isso, creio eu, não há moralidade”.) Em vez de fazermos afirmações morais tradicionais, deveríamos apenas falar apenas de “valores ou desejos subjetivos”. Não existem verdades morais para debater ou aplicar em nossas vidas; tudo o que podemos adequadamente discutir são as nossas preferências e desejos pessoais.


Marks está ciente, no entanto, de que as normas morais e epistêmicas, apesar de distinguíveis, movem-se em órbitas semelhantes. Como o parágrafo anterior deixa claro, existem paralelos entre os dois tipos de normas, ainda que um tipo não possa ser reduzido ao outro. Assim, os motivos que Marks usa para negar a realidade das normas morais podem ser extrapolados (usando o mesmo fundamento) para negar a realidade das normas epistêmicas. Se você acha que falar de “moralidade” é realmente apenas “uma questão de valor ou desejo subjetivo”, o próximo passo natural é pensar que falar sobre “racionalidade” é “no final das contas … tanto uma questão de valor quanto de desejo subjetivo”. Em face disso, é difícil ver a razão pela qual, sob a cosmovisão ateísta, as normas epistêmicas existiriam enquanto que as normais morais não. Por que é que faria sentido falar em pensar corretamente mas não em agir corretamente? Por que haveriam padrões objetivos que governam nossas faculdades cognitivas mas não existiriam padrões objetivos que regem nossas outras faculdades? Para o ateu, existe uma linha muito tênue entre o amoralismo e o não-racionalismo.

Vamos nos aprofundar um pouco mais para estender o suporte para esta suposição. Por que o ateísmo convida o não-racionalismo? É comumente afirmado que o naturalismo metafísico é a cosmovisão ateísta mais consistente e parcimoniosa. De qualquer forma, eu acho que é seguro dizer que é a cosmovisão mais proeminente entre os intelectuais ateus de hoje. Como Alvin Plantinga observou, o naturalismo “é eminentemente atacável”:

Seu calcanhar de Aquiles (além de sua falsidade deplorável) é que não possui espaço para normatividade. Não há espaço, no naturalismo, para o certo ou o errado, o bom ou o ruim. (Alvin Plantinga, “Afterword,” in The Analytic Theist, ed. James F. Sennett (Eerdmans, 1998), p. 356.)

Eu acho que Plantinga está certo nesse ponto. Se o naturalismo implica que a única realidade é uma realidade cientificamente circunscrita (onde “ciência” é entendida em termos das ciências naturais: física, química e biologia). Tudo o que existe é suscetível às descrições e explicações científicas. No entanto, a ciência, por sua própria natureza, está restrita a afirmações descritivas. A ciência pode nos dizer qual é o caso, mas não pode nos dizer qual deveria ser o caso. A ciência não trata de afirmações normativas. Portanto, a ciência (e, por extensão, o naturalismo) não dá espaço para normas reais e objetivas da moralidade e racionalidade. “Não furtarás” não é uma afirmação científica. “Você não deve acreditar no que é logicamente inconsistente” também não é uma afirmação científica.


É certo que, apesar de o naturalismo ser a expressão mais natural do ateísmo, o ateísmo em si não implica no naturalismo. Existem alguns ateus não-naturalistas. De todas as maneiras, o ateísmo está, seguramente, comprometido com a ideia de que a realidade última (o que quer que ela seja) não é pessoal e é não-racional. Como tal, é difícil ver como uma cosmovisão ateísta poderia explicar a existência de normas epistêmicas objetivas, especialmente uma vez que ela já admite a ausência de normas morais objetivas.

LEVANTANDO AS OPÇÕES

Mas, novamente, vamos tentar ser mais específicos. Que tipo de opções o ateu tem quando se trata de compreender e explicar as normas epistêmicas? Aqui estão sete respostas possíveis; em cada caso, eu irei brevemente indicar a razão pela qual essa resposta não deve ser satisfatória para o ateu. (Nota: Não tenho a pretensão de dizer que estas opções são exaustivas ou mutuamente excludentes, apenas que elas são as únicas que se apresentam mais imediatamente).

Opção #1: As normas epistêmicas são apenas um subconjunto das normas morais. A partir desse ponto de vista, ser irracional é apenas ser imoral só que de uma maneira específica, isto é, ser intelectualmente irresponsável ou culpável. Esta é provavelmente a opção menos atraente para o ateu, porque isso significaria que o amoralismo implica no não-racionalismo. Qualquer dificuldade em explicar as normas morais sob o ponto de vista ateísta iria imediatamente aparecer nas tentativas de explicação das normas epistêmicas. (Existem outros problemas com esta opção, mas não irei tratar deles aqui).

Opção #2: As normas epistêmicas não são um subconjunto das normas morais, no entanto, são análogas. Isso não parece ser mais atraente para o ateu do que a primeira opção, uma vez que ainda conecta os dois tipos de normas de tal forma que elas tendem a permanecer juntas. Se os dois tipos de normas são análogos, então, presumivelmente, eles terão origens ou bases análogas. Mas se o ateísmo convida o amoralismo, então (por um argumento análogo) irá convidar o não-racionalismo também.

Opção #3: As normas epistêmicas são deontológicas na natureza; elas tratam de deveres ou obrigações intelectuais. Menciono isto como uma opção separada, embora eu suspeite que ela se reduz a #2 e #3. Em todo caso, essa não parece ser uma boa opção para o ateu. Deveres e obrigações só podem surgir em um contexto pessoal. Então quais são as pessoas que dão origem aos nossos direitos e obrigações intelectuais? Será que a raça humana como um todo de alguma forma impõe obrigações aos seus membros individuais? Ou alguns membros impõem obrigações a outros membros? Se assim for, com que autoridade? Por que eu devo isso a você ou a qualquer outra pessoa Porque devo usar minhas faculdades cognitivas de uma certa maneira? As funções intelectuais não parecem ser mais explicáveis, sob o ponto de vista ateísta, do que os deveres morais. Se um ateu poderia explicar último, presumivelmente, deveria explicar o primeiro. Mas não é esse precisamente o problema?

Opção #4: As normas epistêmicas são teleológicas na natureza; elas pertencem a finalidade ou função natural de nossas faculdades intelectuais. Eu acho que faz sentido entender algumas normas epistêmicas como teleológica na natureza. A epistemologia de função adequada de Alvin Plantinga é um caso em questão: pensar racionalmente é essencialmente usar as faculdades cognitivas da maneira que elas foram destinadas (leia-se: projetadas) a serem utilizadas, com a finalidade de adquirir crenças verdadeiras e evitar falsas. Mas, como Plantinga e outros observaram, enquanto que a epistemologia de função adequada se encaixa confortavelmente com o teísmo, ela não faz o mesmo com o ateísmo. É fácil perceber o porquê: o ateísmo não é amigo da teleologia na natureza. O apelo principal do darwinismo para os ateus é que ele pretende explicar a aparência de propósito e função na natureza sem qualquer apelo a causas finais (especificamente, sem qualquer causa final sobrenatural). Eu presumo que a única opção para um ateu aqui seria apelar para algum designer prévio dentro do universo natural, isto é, organismos não-humanos com consciência e inteligência (extraterrestres?) que de alguma forma despejaram sobre nós as nossas faculdades intelectuais. A falha em tal explicação é óbvia: ela só iria empurrar o problema um passo para trás. O que iria explicar as faculdades intelectuais desses organismos? Quais seriam os fundamentos de suas normas epistêmicas? (Aqueles que leram isso e acham que os teístas enfrentam o mesmo problema, não entenderam ainda as diferenças relevantes entre Deus e os organismos naturais).

Opção #5: As normas epistêmicas são de natureza subjetiva; elas estão fundamentadas em desejos, sentimentos, preferências, objetivos, ou algo humano nesse sentido. Deste ponto de vista, uma norma epistêmica como “a crença deve ser proporcional a evidência” é verdadeira por causa de certos estados psicológicos humanos (individuais ou coletivos). O problema, claro, é que essa posição é totalmente consistente com o não-racionalismo; que basicamente admite que não existem normas epistêmicas objetivas. O que estamos procurando aqui é uma explicação ateísta das normas epistêmicas objetivas. Essa opção está mais para uma rendição do que uma solução.

Opção #6: As normas epistêmicas são descrições de como nós normalmente pensamos. De acordo com essa resposta, ser racional é pensar normalmente, e ser irracional é pensar de forma anormal. O problema imediato aqui é a ambiguidade do termo “normal”. Isso pode significar simplesmente “comum” ou “regular” (como em “é normal haver trovoadas nesta época do ano”). Mas essa leitura não nos dará uma explicação adequada para as normas epistêmicas. Certamente não queremos dizer que ser racional é pensar da maneira que os seres humanos frequentemente ou regularmente pensam, como se o pensamento racional fosse apenas aquilo que é estatisticamente dominante. Isso seria confundir o descritivo com o prescritivo; confundir a epistemologia (como as pessoas devem pensar) com a psicologia (como as pessoas, de fato, pensam). Apenas considere o seguinte: se as pessoas regularmente formulassem suas crenças com base no achismo, isso faria o achismo ser algo racional?

Alternativamente, “normal” poderia significar “normativo”. Mas, então, essa resposta não seria nada mais que uma declaração vazia “as normas epistêmicas são descrições do que é epistemologicamente normativo”. A opção #6 desapareceria numa nuvem de tautologia, fazendo o ateu procurar outro lugar para uma explicação significativa das normas epistêmicas.

Opção #7: As normas epistêmicas são normas evolutivas, no sentido de que elas tem metas ou fins evolutivos; elas caracterizam operações e processos cognitivos que são vantajosos em termos evolutivos. Eu suspeito que muitos ateus irão gravitar em torno dessa opção pela mesma razão que eles gravitariam em torno de uma explicação evolutiva da moralidade. Na ausência de Deus, a pessoa tem pouca escolha a não ser buscar explicações puramente naturalistas do que somos, de onde viemos, e por que nos comportamos do jeito que nos comportamos. A Mãe Natureza e o Pai Darwin, em conjunto, entregarão as mercadorias.

A ideia básica, então, é que as faculdades cognitivas humanas evoluíram através de processos puramente naturais, com a seleção natural agindo sobre variações genéticas, e as normas epistêmicas caracterizam como essas faculdades cognitivas operam para nos dar verdadeiras crenças que servem ao propósito “final” de eficazmente se reproduzir e sobreviver. As operações ou processos cognitivos são racionais ou irracionais apenas no caso de tender a produzir, respectivamente, crenças verdadeiras ou falsas. As crenças verdadeiras promovem a sobrevivência. As falsas crenças dificultam a sobrevivência. Assim aquilo que é epistemologicamente normativo se reduz, em última análise, aquilo que é biologicamente vantajoso.

Existem vários problemas graves com esta explicação. Em primeiro lugar, a suposição de que a seleção natural tenderá a favorecer as faculdades cognitivas apontadas para a verdade é altamente questionável. Os organismos podem sobreviver eficazmente com falsas crenças assim como com crenças verdadeiras; na verdade, a maioria dos organismos do planeta se reproduzem e sobrevivem de forma muito eficaz, sem possuir qualquer tipo de crenças.

Além disso, como Plantinga e outros argumentaram, a evolução como um processo puramente naturalista seria totalmente cego ao conteúdo proposicional de nossas crenças e, assim, ao fato de elas serem verdadeiras ou falsas. (Veja, e.g., Alvin Plantinga, Where the Conflict Really Lies (Oxford University Press, 2011), pp. 316ff.) Dado o naturalismo, apenas as propriedades físicas dos nossos cérebros e as consequências físicas de nossos processos cerebrais poderiam ter qualquer influência causal sobre os resultados evolutivos. Em suma, a evolução não presta atenção ao que um organismo acredita que, apenas à maneira como ele se comporta. Como o filósofo Stephen Stich (entre outros) francamente admitiu, “a seleção natural não se preocupa com a verdade; se preocupa apenas com o sucesso reprodutivo”. (Stephen Stich, The Fragmentation of Reason (MIT Press, 1990), p. 62.)

Mas há um problema mais fundamental aqui. Mesmo se admitirmos que a evolução tenderia a favorecer faculdades cognitivas voltadas a crenças verdadeiras, uma explicação evolucionista das normas epistêmicas ainda seria aquém do esperado por esta simples razão: não há nada objetivamente normativo sobre os resultados evolutivos. A teoria evolucionista procura dar uma explicação naturalista sobre os organismos, de onde eles vieram e por que eles são do jeito que são. Mas é uma teoria descritiva – como deve ser quaisquer explicação derivada dessa teoria (como a explicação de nossas faculdades cognitivas). Do ponto de vista ateísta, não há nada objetivamente “certo” ou “errado” sobre o que a evolução produz. Os resultados da evolução não são objetivamente bons (ou objetivamente maus). Eles simplesmente são o que são.

O máximo que um ateu poderia dizer sobre a “bondade” ou o “acerto” de certos resultados evolutivos é que eles são subjetivamente bons: eles são bons porque nós mesmos os valorizamos (presumivelmente porque valorizamos coisas como nossa própria sobrevivência, crenças verdadeiras, experiências prazerosas, e assim por diante). Mas, nesse caso, a opção #7 entra em colapso com a opção #5 e o ateu não poderá seguir em frente. Da mesma forma, falar de “objetivos” ou “fins” evolutivos deve ser tratado como algo metafórico, uma vez que a evolução naturalista é, por definição, não direcionada e não intencional. Assim, se as “normas” epistêmicas devem ser explicadas em termos de tais “metas” ou “fins”, eles não podem ser tomados como literalmente normativos.

RESUMINDO

Como eu disse antes, eu não estou afirmando que essas são as únicas opções que o ateu poderia contemplar, mas elas parecem ser as principais. Sendo assim, eu diria que o ateu carrega o fardo da responsabilidade de indicar como as normas epistêmicas podem ser consistentemente explicadas sob um ponto de vista ateísta, especialmente se o ateu em questão já jogou as normas morais pela janela.

O que eu forneci aqui é pouco mais do que o esboço de um argumento. Mas a sua visão central pode ser simplesmente declarada da seguinte forma: dados os paralelos existentes entre as normas morais e as normas racionais, uma cosmovisão que luta para dar uma explicação consistente das primeiras também irá lutar para explicar as últimas.

Por conseguinte, eu afirmo que um ateu consistente deveria abraçar tanto o amoralismo (a negação das normas morais objetivas) quanto o não-racionalismo (a negação de normas epistêmicas objetivas). Ao menos os ateus que abraçaram abertamente o amoralismo também devem, por uma questão de coerência, defender o não-racionalismo, pois a lógica que leva do ateísmo ao amoralismo continua a avançar para o não-racionalismo. Alguns leitores podem levantar a questão de que eu não mostrei qualquer inconsistência lógica entre o ateísmo e a existência de normas epistêmicas objetivas. Isso é verdade, mas é igualmente irrelevante. O que temos aqui não é uma questão de consistência lógica rigorosa, mas sim de fundamento metafísico adequado.

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Autor: James N. Anderson
Fonte: Analogical Thoughts – Atheism, Amoralism and Arationalism
Tradução e adaptação: Erving Ximendes
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A onipotência de Deus e o "dilema da pedra"

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Por Rafael de Lima


É provável que alguma vez na vida você já tenha se deparado, ou vá se deparar, com a seguinte indagação: "Deus pode fazer uma pedra tão pesada que Ele mesmo não possa movê-la?". Essa pergunta tem sido feita por céticos que se acham muito espertos e que tentam, com ela, embaraçar e constranger os cristãos. A ideia é colocar em xeque o atributo da onipotência de Deus e, posteriormente, questionar a sua existência.

De fato, a pergunta soa como um dilema, visto que, se a resposta para o questionamento é que Deus pode criar a pedra, Ele não poderá movê-la, caso Ele não possa criá-la, da mesma forma haverá algo que Ele não pode fazer.

Vejamos porque este é um falso dilema que falha tanto teologicamente quanto logicamente.

Primeiramente, o referido questionamento falha em termos teológicos. O falso “dilema da pedra” se baseia em um conceito errado do que seria a onipotência divina. De fato, para o senso comum (e para a esmagadora maioria dos cristãos), dizer que Deus é onipotente equivale a dizer que Ele pode fazer tudo. Todavia, isto não passa de um equívoco teológico, visto que, claramente existem coisas que Deus não pode fazer. Don Fortner enumera uma lista de sete coisas que Deus não pode fazer: Deus não pode mudar ou ser mudado (Ml 3:6; Tg 1:17); Deus não pode mentir (Tt 1:2); Deus não salva um pecador sem um sacrifício agradável (Hb 9:22); Deus não pode levar para o céu alguém que não seja perfeitamente justo à Sua vista (Mt 5:20; Hb 12:14); Deus não pode mandar para o inferno alguém por quem Cristo sofreu e morreu no Calvário (Is 53:11; Rm 8:33,34); Deus não pode salvar um pastor aparte da pregação do evangelho (1Co 1:21-24; Tg 1:18; 2Pe 1:23-25); Deus não pode falhar em salvar qualquer pecador que confie no Senhor Jesus Cristo, seu Filho amado (Jo 3:16,36)[1]. Recomendamos a leitura integral do artigo para uma melhor elucidação.

Sproul define qual seria o conceito teológico correto para onipotência: “Como termo teológico [...] onipotência não significa que Deus pode fazer qualquer coisa [...] O que onipotência realmente significa é que Deus mantém poder absoluto sobre sua criação”.[2]

Teologicamente falando a resposta para o falso dilema da pedra seria: Não. Deus não pode fazer a pedra, pois ele estaria criando algo sobre o qual não teria domínio e, desta forma, anulando a sua onipotência.

Um segundo erro seria de ordem lógica. Ainda que abandonássemos a definição teológica de onipotência e adotássemos a ideia (incorreta) de que afirmar que Deus é onipotente é afirmar que Ele pode fazer tudo, o “dilema da pedra” falharia em termos lógicos.

Nas palavras de Phillip R. Johnson, a lei mais fundamental da lógica, chamada lei da contradição (ou não contradição), pode ser definida da seguinte maneira:

A lei da contradição significa que duas proposições antitéticas não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo e no mesmo sentido. X não pode ser não-X. Uma coisa não pode ser e não ser simultaneamente. E nada que é verdade pode ser auto-contraditório ou inconsistente com qualquer outra verdade.[3]

O falso dilema da pedra tenta propor justamente isto, que Deus possa e não possa ao mesmo tempo e no mesmo contexto. Sproul propõe um dilema análogo ao da pedra que nos ajuda a perceber a falácia:

O que acontece quando uma força irresistível se choca contra um objeto irremovível? Podemos conceber uma força irresistível. Podemos, igualmente, conceber um objeto irremovível. O que não podemos conceber é a coexistência dos dois. Se uma força irresistível encontra um objeto irremovível, e o objeto se mover, o mesmo não poderia mais ser chamado com propriedade de irremovível. Se o objeto não se mover, então nossa força "irresistível" não poderia mais ser chamada, com propriedade, irresistível. Portanto, vemos que a realidade não pode conter uma força irresistível e um objeto irremovível.[4]

Assim, concluímos que o “dilema da pedra” falha tanto na sua perspectiva teológica, quanto na sua base lógica, se demonstrando apenas como mais uma falácia, sendo, portanto, um falso dilema.

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Notas
[1] FORTNER, Don. Sete coisas que Deus não pode fazer. Disponível em: <http://www.monergismo.com/textos/atributos_deus/sete_coisas_deus_nao_pode.htm>. Acesso em: 10 set. 2014.
[2] SPROUL, R. C. Verdades essenciais da fé cristã. 1º caderno. 3ª ed. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2010, p. 38.
[3] JOHNSON, Phillip R. A Lei da Contradição. Disponível em: <http://www.monergismo.com/textos/apologetica/Lei_Contradicao_Phillip.pdf>. Acesso em: 10 set. 2014.
[4] SPROUL, R. C. Op. cit., p. 38. 

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Fonte: Cosmovisão Cristã
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O compatibilismo 4/4

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Por Rev. Heber Carlos de Campos


Compatibilismo defendido

Não podemos entender exatamente as relações entre as duas grandes verdades até aqui ensinadas. Não conhecemos bem a Deus, porque a sua essência escapa ao nosso entendimento, pois ele é supremamente transcendente, indo além das limitações do espaço e do tempo, que são eminentemente categorias da criação. Todavia, quando ensinamos o compatibilismo nós reduzimos em muito a dificuldade de tentar explicar o inexplicável em Deus, porque não podemos compreender Deus. Não sabemos explicar como um Deus bom usa as suas criaturas, ou causas secundárias, para fazer as coisas moralmente más. Não cabe a nós explicar essas coisas no seu sentido mais profundo, mas cabe-nos afirmar a necessidade do compatibilismo, pois ele está evidente nas Escrituras. Ele nos ajuda a conciliar verdades que são irreconciliáveis porque não podemos compreender a natureza divina.

Todavia, o compatibilismo é negado em vários círculos de pensamento. Freqüentemente são sinergistas os que negam o compatibilismo porque este tenta juntar duas coisas que por si mesmas, na conta dos sinergistas, não podem ser juntadas.

Os que crêem no chamado “livre arbítrio” não vêem possibilidade de compatibilismo, justamente por causa do seu conceito de liberdade, que implica necessariamente na possibilidade que todos os homens ainda possuem de escolha contrária, não importando a natureza que possuem. A soberania divina ensinada pelos reformados, segundo eles, torna os seres humanos marionetes, eliminando o livre-arbítrio que tem a ver com o poder de escolha contrária, isto é, com a capacidade de fazer algo que é contrário à natureza do homem. Quem crê no livre arbítrio se opõe ao compatibilismo, porque o conceito de liberdade ensinado pelos sinergistas impõe limitação à soberania divina do modo como a entendemos.

Os que crêem no chamado “livre arbítrio” não aceitam o compatibilismo por causa do seu conceito de presciência. A presciência, segundo eles, é a capacidade que Deus tem de antever os atos futuros que os seres humanos farão e, com base nesse conhecimento antecipado, faz as suas determinações. Portanto, a escolha divina está baseada no conhecimento que ele tem das cousas futuras que os seres humanos farão livremente. Eles tomam o texto de Romanos 8.29 e fazem com que Deus seja conhecedor de antemão dos atos dos homens, quando o texto diz que Deus conhece de antemão pessoas, não coisas que elas haveriam de fazer, como fé ou arrependimento. Esse tipo presciência tira de Deus a absoluta soberania dele, porque ele fica dependendo dos atos futuros dos homens para selar o destino deles. Uma soberania condicionada à vontade futura do homem. Neste caso, o compatibilismo cai por terra porque afirma a liberdade que o homem tem de escolher livremente no futuro, mas nega a determinação soberana dos atos divinos.

O compatibilismo deve ser defendido por todos os genuínos cristãos porque ele está contido nas Escrituras nos muitos exemplos que ainda vamos estudar. Carson afirma de maneira firme que devemos ver “não somente que o compatibilismo em si mesmo é ensinado na Bíblia, mas que ele está ligado intimamente à natureza de Deus; por outro lado, sou direcionado a ver que minha ignorância a respeito de muitos aspectos da natureza de Deus é precisamente a mesma ignorância que me instrui a não seguir os caprichos de muitos filósofos contemporâneos que negam que o compatibilismo seja possível.”

Compatibilismo exemplificado

O aspecto mais notável dos textos que vamos analisar abaixo, é que eles mostram evidentemente que em nenhum ponto o agente humano é descartado de sua responsabilidade pelo fato de Deus estar por detrás de cada ato do homem. Não há como fugir de um compatibilismo sadio, que faz justiça aos textos da Escritura.

Há uma tremenda base bíblica para o compatibilismo que estuda a ação cooperativa de Deus com os homens, em todos os atos, obedecendo a seguinte ordem:

          Atos bons dos homens bons
          Atos bons dos homens maus
          Atos maus dos homens bons
          Atos maus dos homens maus

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Fonte: O Ser de Deus e as suas obras: A Providência e a sua realização histórica. Heber Carlos de Campos. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2001, págs. 205-206.

Leia também: 
O compatibilismo - 3/4

Continue estudando sobre o assunto através deste excelente livro do Rev. Heber Carlos de Campos. Adquira-o aqui!
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O compatibilismo 3/4

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Por Heber Carlos de Campos


O Compatibilismo Justificado

1) Assumindo que o compatibilismo é uma realidade ensinada nas Escrituras, vamos tentar mostrar, até onde isso é possível, como ele se processa. A primeira afirmação nesta parte do capítulo é que não sabemos exatamente como as duas grandes verdades ensinadas acima se encaixam perfeitamente, devido à limitação de nossa visão de Deus e por causa da dificuldade de definição de termos usados, especialmente a idéia de liberdade. Essas duas verdades não se excluem e nem são contraditórias entre si. Todavia, a despeito de serem compatíveis entre si, permanece um elemento misterioso que não podemos explicar porque a parte mais profunda dessa matéria foge à nossa capacidade de entendimento.

 2) Assumindo que o compatibilismo é uma realidade nas Escrituras, temos que aceitar que, mesmo sendo o sumo bem, Deus está por detrás do bem e do mal, mas de um modo diferente em cada um deles. Deus não está por detrás do mal do mesmo modo que está por detrás do bem. A Escritura afirma que Deus está por detrás do bem dando o desejo de coisas santas e realizando as coisas santas nos cristãos. Paulo chama isso “querer e realizar” (Fp 2.13).

Todavia, Deus não está por detrás do mal da mesma forma. Para que o mal seja executado, Deus usa a instrumentalidade das causas secundárias. Deus decreta a existência do mal, excita os seres racionais para que o mal aconteça, mas a execução do mal não é uma obra feita pela Causa Primária. Deus não pode ser acusado de praticar o mal. Somente as causas secundárias é que devem ser acusadas pelo mal, pois são elas que o praticam. Todavia, temos que nos lembrar de que o mal não foge da esfera da soberania humana. O próprio Deus assume a responsabilidade pela presença do mal no universo, embora os seres racionais sejam responsabilizados pela prática dos atos maus, pois eles são livres agentes. Este é o compatibilismo de que estamos falando.

Carson sumariza este ponto da seguinte forma:

“Se eu peco, talvez eu não possa pecar fora dos limites da soberania divina (ou os muitos textos citados não têm sentido algum), mas eu sozinho sou responsável por aquele pecado — ou talvez eu e aqueles que me tentaram... Deus não deve ser culpado. Mas se eu faço o bem, é Deus operando em mim o querer e o fazer segundo a sua boa vontade. A graça de Deus foi manifesta neste caso, e ele deve ser louvado.” [Carson, How Long, O Lord?, 213.]

3) Assumindo que o compatibilismo é uma realidade ensinada nas Escrituras, então temos que enfatizar a responsabilidade moral dos homens. A tendência dos adversários do compatibilismo é esta: Se Deus é soberano absoluto, o homem não pode ser responsável pelos seus atos. Esse raciocínio, de ranço arminiano, é nascido no conceito de liberdade de autonomia ou de independência. Esta liberdade é incompatível com a soberania absoluta de Deus. Todavia, não é desta liberdade que estamos tratando. O conceito de liberdade é um dos mais difíceis de serem definidos.

O espaço aqui é pequeno para um tratado sobre a matéria.

Daremos atenção a este assunto de forma resumida, mas a mais clara possível, dentro de nossas limitações.

A responsabilidade dos homens é resultante do fato de Deus criá-los com liberdade de agência, como já afirmamos anteriormente. Os seres humanos fazem escolhas o tempo todo: eles obedecem, rebelam-se, crêem, permanecem incrédulos, mas sempre são contados por Deus como responsáveis pelos seus atos, mas isto nunca acontece fazendo com que Deus seja contingente dos atos humanos.

Deus é apresentado na Escritura com soberano e, ao mesmo tempo, como Deus de bondade. Carson nos adverte muito sabiamente de um perigo: "Deus nunca é apresentado como cúmplice do mal, ou como secretamente malicioso, ou como permanecendo por detrás do mal como exatamente ele permanece por detrás do bem." [D. A. Carson, How Long, O Lord?, (Grand Rapids: Baker Book House, 1990), p. 205.] A grande dificuldade é colocar estas duas coisas juntas, sem fazer injustiça ao Deus da Palavra. Mas isto que Carson disse é absolutamente a expressão da verdade.

Ninguém pode negar estas duas verdades apresentadas na Escritura com vários exemplos que serão analisados logo abaixo. Essas duas verdades são absolutamente compatíveis. Todos os teólogos que sustentam que estas duas verdades podem estar perfeitamente juntas, são chamados "compatibilistas".

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Fonte: O Ser de Deus e as suas obras: A Providência e a sua realização histórica. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2001, págs. 203-205.


Leia também: 
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O compatibilismo 2/4

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Por Heber Carlos de Campos


O Compatibilismo definido

A ideia da coexistência da soberania divina e da liberdade responsável do seres humanos é regularmente chamada de compatibilismo. Essas duas grandes verdades não se excluem. A Bíblia as ensina e delas não podemos escapar, mesmo que não as entendamos completamente: 

A Verdade de que Deus é soberano 

A soberania de Deus atinge todos os níveis e todas as suas criaturas. Ela é extremamente abrangente nos ensinos da Escritura. Portanto, não é de se estranhar que encontremos nas páginas da Escritura Deus participando claramente nos atos maus dos homens e relacionado com coisas que nunca imaginaríamos que um Deus como o nosso pudesse estar. 

Deus faz vir desgraças sobre as famílias. Assim entendeu com razão Noemi, pois foi uma mulher que sofreu muito da parte do Senhor (Rt 1.13, 20); o profeta Amós faz uma pergunta que, ao mesmo tempo, é uma expressão da sua fé: “Sucederá algum mal à cidade, sem que o Senhor o tenha feito?” (Am 3.6); Mesmo que não seja com alegria no seu coração Deus entristece os filhos dos homens (Lm 3.33); tudo o que acontece no mundo, seja mal ou bem, procede de Deus (Lm 3.37-38); o mesmo Jeremias entendeu muito claramente que os caminhos dos homens, sejam retos ou tortuosos, não são governados nem determinados, nem dirigidos pelos próprios homens (Jr 10.23); um salmista afirmou categoricamente que Deus mudou o coração dos egípcios para que eles odiassem o povo de Israel (Sl 105.25). Deus faz todas as coisas, mesmo as mais espantosas como o mal (Is 45.6-7), afirmou Isaías. Ele endurece o coração das pessoas conforme lhe apraz (Rm 9.18) e pode incliná-lo para o mal, porque o coração das pessoas está nas suas mãos (Pv 21.1). É por isso que Paulo diz que Deus mandou a operação do erro para que os homens não cressem na verdade de Deus (2 Ts 2.11). 

Esse é o Deus das Escrituras Sagradas, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Ele não é o deus da imaginação das pessoas, nem aquele que é projeção dos próprios homens. Ele possui o controle sobre todas as coisas, porque ele reina sobre o seu universo, faz sempre e inalteravelmente a sua vontade. 

Essa é a primeira grande verdade e uma das mais importantes pressuposições da Escritura — Deus é soberano. 

A verdade de que o homem é um agente livre. 

A segunda grande verdade é que a soberania de Deus nunca exclui ou minimiza a liberdade responsável dos seres racionais. Estas duas verdades andam juntas e nem sempre podemos abarcar a totalidade desta verdade, e também porque pensamos que as duas coisas são excludentes. Nos textos citados logo acima os seres humanos têm participação ativa. Eles não são excluídos porque Deus é soberano. 

Definição de Liberdade de agência 

A liberdade da qual vamos tratar aqui não inclui a idéia comum de escolha contrária, que é comum nos círculos humanistas, semi-pelagianos e arminianos, nem a idéia de uma liberdade de autonomia. A liberdade dos seres humanos que a fé reformada ensina não é fictícia ou ilusória. Ela é real e verdadeira. Ela diz respeito aos atos voluntários que os seres humanos praticam. A liberdade da qual falamos tem a ver com a capacidade que os seres humanos possuem de fazer qualquer coisa que quiserem, de fazer o que lhes agrada, de fazer as coisas pelas quais eles têm predileção. Todavia, nunca eles haverão de fazer nada que seja contrário à sua natureza. Berkhof chama essa liberdade de livre agência, que é a capacidade de fazer qualquer coisa “de acordo com as disposições dominantes da natureza”.

Eles são livres para fazerem as coisas conforme as disposições morais e espirituais dos seus corações. Eles agem obedecendo os seus impulsos interiores. É importante observar que esses impulsos interiores são os impulsos que os levam a participar dos atos que foram iniciados decretivamente por Deus. 

Ilustração de Liberdade de agência 

Sobre a relação entre a soberania de Deus e a liberdade humana vamos falar quando tratarmos da Primeira Causa e das causas secundárias, mas daremos apenas um exemplo como ilustração da ação livres e voluntárias dos homens.

Tome o texto de Atos 4.23-28 e leia-o cuidadosamente. Então, você vai perceber que todas as pessoas mencionadas no verso 27 – Herodes, Pilatos, gentios e povos de Israel fizeram exatamente o que queriam fazer. Alguns detalhes da traição de Cristo foram até planejados cuidadosamente, como é o caso da ação dos fariseus e membros do Sinédrio. Nenhum deles fez coisa alguma contrária à sua natureza. Eles fizeram tudo o que estava de acordo com as disposições dominantes da alma deles. O prazer deles foi cuspir em Jesus, dar-lhe bofetadas, zombar dele, prendê-lo, açoitá-lo, sentenciá-lo à morte e, por fim, serem os instrumentos malignos da sua execução na cruz. Além disso, zombavam de sua divindade, dizendo: “Se tu és Filho de Deus, desce da cruz”. Todas essas coisas foram feitas voluntariamente, sem serem forçados por nada de fora a fazerem o que fizeram. Simplesmente, eles deram ouvidos à sua própria natureza. 

Eu não posso dizer que eles eram absolutamente livres, ou que a liberdade deles era de autonomia, porque eles não podiam fazer nada contrário ao que fizeram. Por que? Porque, ao fazerem voluntariamente o que fizeram, eles estavam cumprindo um decreto divino determinado de antemão. O verso 28 diz que as pessoas mencionadas acima fizeram tudo “o que a tua mão e o teu propósito predeterminaram”. A liberdade de independência não existe nos seres humanos. Existe, sim, a liberdade de agência, mencionada acima, porque fizeram exatamente o que queriam fazer, mas não possuíam a liberdade de autonomia, justamente porque estavam debaixo de um plano previamente determinado. A soberania divina estava sobre eles e fazendo o que fizeram acabaram cumprindo um decreto divino. 

Relação de Liberdade de Agência com Responsabilidade

Os seres humanos não são eximidos de responsabilidade porque Deus age soberanamente em suas vidas. Deus não anula a responsabilidade dos homens porque ele os criou agentes livres. A responsabilidade de um ser humano está vinculada à sua liberdade de agência. Os seres humanos são considerados culpados pelas transgressões que cometem contra a lei de Deus porque eles fazem todas as coisas conforme eles querem, porque agem voluntariamente como livres-agentes que são, sem serem forçados por nada externamente.  

Veja o exemplo de Davi quando decidiu fazer o censo de Israel. Ele o fez porque quis fazer e, por isso, se tornou responsável por ele, vindo a pedir perdão a Deus por ter feito o que fez e do modo como o fez (2 Sm 24.10). Todavia, ele fez despertado pela soberania de Deus, que se irou contra os israelitas (2 Sm 24.1). Davi fez o quis fazer, foi culpado pelo que fez e pela forma como fez, mas por detrás do seu ato estava a soberania divina. Este é apenas um exemplo de tantos outros que veremos à frente. Todos os exemplos que se seguirão neste livro evidenciam a noção compatibilista que a Escritura apresenta das duas grandes verdades operando juntas: a soberania divina e a liberdade responsável dos seres humanos.
 


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Fonte: O Ser de Deus e as suas obras: A Providência e a sua realização histórica. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2001, págs.. 201-203

O compatibilismo - 1/4

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Por Rev. Heber Carlos de Campos


O compatibilismo do concursus

Não obstante a dificuldade patente que existe de compatibilizar a soberania de Deus e a liberdade humana, podemos ter certeza de que as duas coisas coexistem e podem ser compatibilizadas. Elas não são mutuamente excludentes. Mesmo que não expliquemos todas as relações existentes entre essas duas verdades, elas são claras na Escritura. Todavia, afim de clarearmos um pouco essa difícil matéria, vamos a um procedimento que R. C. Sproul usou no tratamento desse assunto.

Segundo esse grande escritor reformado, uma das maiores dificuldades da teologia cristã é a solução do mistério que existe entre a obra soberana providencial de Deus e aquilo que realmente a criatura faz livremente. Antes de entrar no tratamento dessa relação, temos que distinguir dois termos muito importantes: mistério e contradição.

Uma contradição é entendida pela simples aplicação do uso das regras básicas da lógica. Algo que existe não pode ser ao mesmo tempo não existente. Isso é uma contradição. Quando afirmamos que Deus é soberano e que o homem é livre, não estamos tratando de uma contradição. Ambas as coisas podem coexistir perfeitamente. Todavia, se eu afirmo que Deus é soberano e o homem é um ser autônomo, então estou afirmando uma contradição. Estas duas coisas são excludentes. Se Deus é soberano, nada escapa ao seu controle e os seres humanos não poder ser autônomos. Se, entretanto, os homens são autônomos, a soberania de Deus é deixada de lado. A existência de um anula ou outro.

Pode-se conceber a ideia de um Deus absolutamente soberano. Os calvinistas creem assim. Pode-se conceber a ideia de seres humanos como autônomos. Os humanistas em geral creem assim. Todavia é impossível concebê-los como coexistindo simultaneamente. É impossível conceber o relacionamento da providência soberana de Deus com a autonomia humana. Ou aceitamos uma ou outra. Quem afirma uma nega o outra. É uma impossibilidade lógica aceitar ambas.

A razão pela qual existe uma impossibilidade lógica entre a soberania absoluta e a liberdade de autonomia é porque este último termo significa liberdade absoluta. Soberania absoluta e liberdade absoluta podem existir num mesmo ser. Deus pode ser tanto soberano como autônomo, mas isto não pode ser dito das criaturas, porque não pode haver dois soberanos, nem dois autônomos.

Para ser honesto, a liberdade absoluta não existe nem para Deus, porque ele não pode fazer nada contrário à sua natureza. Contudo, ele é livre no sentido de fazer qualquer coisa sem ter que dar satisfação a quem quer que seja. Ele não está sob a autoridade de ninguém. Nesse sentido ele tem liberdade de autonomia, mas não liberdade absoluta. Apenas age de acordo com a sua própria natureza.

Os seres humanos possuem liberdade, mas não a liberdade de autonomia. É uma liberdade limitada às suas condições de finitude, que são agravadas pela presença do pecado na raça humana. Não podemos permitir que a liberdade do homem diminua a soberania divina. Entretanto, é perfeitamente correto aceitar que a soberania divina limite a liberdade humana. É dessa liberdade dentro de limites que vamos tratar ainda neste capítulo. Ela será chamada de liberdade natural ou liberdade de agência.

A palavra mistério deve ser distinta da ideia de contradição. Não existe contradição entre a soberania absoluta de Deus e a liberdade de agência dos homens. Elas podem coexistir pacificamente porque elas não são excludentes. Todavia, não podemos penetrar todos os meandros dessa coexistência. Como Deus age soberanamente ao mesmo tempo em que o homem faz o seu trabalho realmente, é difícil de entender. “Um mistério pode ser definido como alguma coisa que é verdadeira que não podemos entender.” A soberania absoluta de Deus é verdadeira. A liberdade do homem (da forma como vamos apresentá-la) também é verdadeira. Contudo, não podemos compreender a maneira como essas duas verdades podem ser relacionadas. Permanece um mistério o fato de que, ao mesmo tempo, num ato praticado, Deus se manifesta soberano e o homem livre e responsável. Todavia, é possível a coexistência dessas duas verdades. Os que a defendem são chamados de compatibilistas.


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A cosmovisão cristã, a cosmovisão ateísta e a lógica

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Por Matt Slick


Pode uma ateísta apresentar uma razão lógica de como sua cosmovisão pode dar satisfações para as abstratas leis da lógica? Eu penso que não. Mas, a cosmovisão Cristã pode. A cosmovisão cristã declara que Deus é o autor da verdade, lógica, leis físicas etc. Ateístas mantêm que leis físicas são propriedades da matéria, e que a verdade e lógica são convenções relativas (princípios consentidos). Isto é logicamente defensável? Apresento este esboço na esperança de esclarecer o assunto e apresentar, o que eu considero, um problema insuperável da cosmovisão ateísta. Eu hesito declarar que isto seja uma prova que Deus existe, mas eu creio isto seja uma evidência da absoluta natureza de Deus. Este argumento é adaptado do Argumento Transcendental defendido por Greg Bahnsen.

Como os cristãos descrevem as Leis da Lógica?

A cosmovisão cristã declara que Deus é absoluto e o padrão da verdade.

Então, as leis absolutas da lógica existem porque refletem a natureza absoluta de Deus. 

Deus não criou as leis da lógica. Elas não foram trazidas à existência, desde que elas refletem os pensamentos de Deus. Desde que Deus é eterno, as leis da lógica também são. [1]

O Homem, ser criado à imagem de Deus, é capaz de descobrir essas leis da lógica. Ele não as inventou.

Então, o Cristão pode declarar a existência das leis da lógica por reconhecer sua origem em Deus e que o Homem é único capaz de descobri-las.

Apesar disso, o Ateísta pode dizer que esta resposta é simplista e conveniente. Pode ser, porém, pelo menos a cosmovisão cristã pode explicar a existência da lógica e si mesma.

Exemplos da Leis da Lógicas

Lei da Identidade – algo é o que é. As coisas que existem tem uma natureza definida.
Lei da Não Contradição – algo não pode ser e não ser ao mesmo tempo, na mesma forma e no mesmo sentido.
Lei do Terceiro Excluído – uma proposição ou é verdadeira ou falsa. Assim, a declaração “uma proposição ou é verdadeira ou falsa” é verdadeira ou falsa.

Como o Ateísta descreve as Leis da Lógica.

Se o Ateísta declara que as leis da lógica são convenções (mutuamente combinada sob conclusão), então as leis da lógica não são absolutas porque elas são sujeitas ao “voto”.

As leis da Lógica não são dependentes das mentes de pessoas diferentes, desde que pessoas são diferentes. Então, elas não podem ser baseadas no pensamento do homem, pois os pensamentos dos homens são frequentemente contraditórios.

Se o Ateísta declara que as leis da lógica são derivadas por observar princípios naturais encontrados na natureza, então ele está confundindo a mente com o universo.

Nós descobrimos leis da física por observar e analisar o comportamento das coisas em nosso redor. As leis da lógicas não são resultados de comportamento observável dos objetos ou ações.

Por exemplo, na natureza não se ver nada que seja e não-seja ao mesmo tempo.

Por que? Porque nós só podemos observar fenômenos que existem, não um que não existe. Se algo não é, então não existe. Como pode, então, as características de algo não existente serem observadas? Elas não podem.

Então, nós não descobrimos a lei da lógica pela observação, mas pelo pensamento.

Ou, onde na natureza nós observamos que alguma não pode trazer em si mesma à existência se ela não já existe?

Você não pode fazer observações sobre como alguma coisa que não ocorre se ela não existe. Você não deveria, principalmente, observar coisa alguma, e, como pode qualquer lei da lógica ser aplicada ou derivada, nada observando?

As leis da lógica são realidades conceituais. Elas apenas existem na mente e elas não descrevem o comportamento físico das coisas porque comportamento é ação, e leis da lógica não são descrições de ação, mas de verdade.

Em outras palavras, leis da lógica não são ações. Elas não são declarações sobre conceituais de pensamentos padrão. Embora alguém pudesse dizer que a lei da física (i.e, o anglo da reflexão é igual ao anglo da incidência) é uma declaração que seja conceitual, isto é uma declaração que descreve um ato físico e comportamento observável. Mas, lógica absoluta não é observável e não descreve comportamento ou ação das coisas, desde que ela reside completamente na mente.

Nós não observamos as leis da lógica ocorrerem na matéria. Você não observa um objeto trazendo à existência se ele não existe. Então, nenhuma lei da lógica pode ser observável por não vê-las.

Se o Ateísta apela para o método cientifico para explicar as leis da lógica, então ele está usando uma argumentação circular porque o método científico é dependente da lógica; ou seja, raciocinou pensando aplicar a observação.

Se a lógica não é absoluta, então nenhum argumento lógico para ou contra a existência de Deus pode ser levantado, e o Ateísta não tem nada a fazer com isso.

Se a lógica não é absoluta, então a lógica não pode ser usada para provar ou negar o que quer que seja.

Ateístas usarão a lógica para negar a existência de Deus, mas fazendo isto eles estão assumindo o absoluto das leis absolutas e emprestando da Cosmovisão Cristã.

A cosmovisão cristã mantém que as leis da lógica são absolutas porque elas vêm de Deus, que é absoluto em si mesmo.

Mas a cosmovisão ateísta não tem um Deus absoluto.

Então, perguntamos, “como pode leis absolutas, conceituais, abstratas serem derivadas de um universo de matéria, energia e movimento?”

Em outras palavras, “como pode um ateísta com uma pressuposição naturalista explicar a existência da lógica absoluta quando lógica absoluta é conceitual por natureza e não física, energia ou ação?”

Conclusão

A cosmovisão teísta cristã pode explicar as leis da lógica por afirmar que elas foram criadas por Deus.

Deus é transcendente; quer dizer, Ele está além do universo material, sendo seu criador.

Deus deu origem às leis da Lógica porque elas refletem sua natureza.

As leis da lógica são absolutas.

Elas são absolutas porque existe um Deus absoluto.

A cosmovisão ateísta não pode explicar as leis da lógica/absolutas, e deve pegar emprestado da cosmovisão cristã a fim de argumentar racionalmente.

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Nota:
[1] Há, entre os Apologetas e Filósofos Reformados, divergências quanto a esta questão. Alguns, de fato, acreditam que as Leis da Lógica são criadas por Deus(p.e. Herman Dooyeweerd). Aguarde a tradução do artigo do Richard Pratt “Does God Observe the Law of Contradiction? . . . Should We?” (Third Millenium Ministries). Também é preciso afirmar que há, entre os estudiosos da lógica, divergência acerca da Lei da Não-Contradição. Como demonstra Pratt, a visão de Aristóteles tem sido desafiada por inúmeros pensadores modernos como Frege, Ayers, Russell, Einstein, Whitehead, Heisenberg, Lukasiewicz, Zadeh e Kosko. Veja o post anterior.(Nota do tradutor)

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Tradução: Rev. Gaspar de Souza
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